BULLYING
BRINCADEIRAS QUE FEREM
Ameaças, agressões, humilhações... a escola pode se
tornar um verdadeiro inferno para crianças que sofrem
nas mãos de seus próprios colegas, ainda mais nos dias
de hoje, em que a internet pode potencializar os efeitos
devastadores do bullying. Você sabe o que é isso? Onde e
como ele ocorre?
O que é bullying?
Bullying é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais
ou �ísicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou
mais colegas. O termo bullying tem origem na palavra inglesa bully, que
signi�ica valentão, brigão. Mesmo sem uma denominação em português, é
entendido como ameaça, tirania, opressão, intimidação, humilhação e
maltrato.
Além de um possível isolamento ou queda do rendimento escolar, crianças e
adolescentes que passam por humilhações racistas, difamatórias ou
separatistas podem apresentar doenças psicossomáticas e sofrer de algum
tipo de trauma que in�luencie traços da personalidade. Em alguns casos
extremos, o bullying chega a afetar o estado emocional do jovem de tal
maneira que ele opte por soluções trágicas, como o suicídio.
Quais são as formas de bullying? Normalmente, existem
mais meninos ou meninas que cometem bullying?
As formas de bullying são:
Verbal (insultar, ofender, falar mal, colocar apelidos pejorativos, “zoar”)
Física e material (bater, empurrar, beliscar, roubar, furtar ou destruir
pertences da vítima)
Psicológica e moral (humilhar, excluir, discriminar, chantagear, intimidar,
dizfamar)
Sexual (abusar, violentar, assediar, insinuar)
Virtual ou Cyberbullying (bullying realizado por meio de ferramentas
tecnológicas: celulares, �ilmadoras, internet etc.)
Estudos revelam um pequeno predomínio dos meninos sobre as meninas. No
entanto, por serem mais agressivos e utilizarem a força �ísica, as atitudes dos
meninos são mais visíveis. Já as meninas costumam praticar bullying mais na
base de intrigas, fofocas e isolamento das colegas. Podem, com isso, passar
despercebidas, tanto na escola quanto no ambiente doméstico.
01
Qual o critério adotado pelos agressores para a escolha da
vítima?
Os bullies (agressores) escolhem suas vítimas que estão em franca
desigualdade de poder, seja por situação socioeconômica, situação de idade,
de porte �ísico ou até porque numericamente estão desfavoráveis. Além disso,
as vítimas, de forma geral, já apresentam algo que destoa do grupo (são
tímidas, introspectivas, nerds, muito magras; são de credo, raça ou orientação
sexual diferente etc.). Este fato por si só já as torna pessoas com baixa
autoestima e, portanto, são mais vulneráveis aos ofensores. Não há
justi�icativas plausíveis para a escolha, mas certamente os alvos são aqueles
que não conseguem fazer frente às agressões sofridas.
Quais as principais razões que levam os jovens a serem os
agressores?
É muito importante que os responsáveis pelos processos educacionais
identi�iquem com qual tipo de agressor estão lidando, uma vez que existem
motivações diferenciadas. Muitos se comportam assim por uma nítida falta
de limites em seus processos educacionais no contexto familiar. Outros
carecem de um modelo de educação que seja capaz de associar a auto
realização com atitudes socialmente produtivas e solidárias. Tais agressores
procuram nas ações egoístas e maldosas um meio de adquirir poder e status,
e reproduzem os modelos domésticos na sociedade.
Existem ainda aqueles que vivenciam di�iculdades momentâneas, como a
separação traumática dos pais, ausência de recursos �inanceiros, doenças na
família etc. A violência praticada por esses jovens é um fato novo em seu
modo de agir e, portanto, circunstancial. E, por �im, nos deparamos com a
minoria dos opressores, porém a mais perversa.
Trata-se de crianças ou adolescentes que apresentam a transgressão como
base estrutural de suas personalidades. Falta-lhes o sentimento essencial
para o exercício do altruísmo: a empatia.
02
Quais são os principais problemas que uma vítima de
bullying pode enfrentar na escola e ao longo da vida?
As consequências são as mais variadas possíveis e dependem muito de cada
indivíduo, da sua estrutura, de vivências, de predisposição genética, da forma
e da intensidade das agressões. No entanto, todas as vítimas, sem exceção,
sofrem com os ataques de bullying (em maior ou menor proporção). Muitas
levarão marcas profundas provenientes das agressões para a vida adulta, e
necessitarão de apoio psiquiátrico e/ou psicológico para a superação do
problema.
Os problemas mais comuns são: desinteresse pela escola; problemas
psicossomáticos; problemas comportamentais e psíquicos como transtorno
do pânico, depressão, anorexia e bulimia, fobia escolar, fobia social, ansiedade
generalizada, entre outros. O bullying também pode agravar problemas
preexistentes, devido ao tempo prolongado de estresse a que a vítima é
submetida. Em casos mais graves, podem-se observar quadros de
esquizofrenia, homicídio e suicídio.
Como perceber quando uma criança ou adolescente está
sofrendo bullying? Qual o comportamento típico desses
jovens?
As informações sobre o comportamento das vítimas devem incluir os
diversos ambientes que elas frequentam. Nos casos de bullying é fundamental
que os pais e os pro�issionais da escola atentem especialmente para os
seguintes sinais:
NA ESCOLA
No recreio o aluno encontra-se isolado do grupo, ou perto de alguns adultos
que possam protegê-las; na sala de aula apresentam postura retraída, faltas
frequentes às aulas, mostram-se comumente tristes, deprimidas ou a�litas;
nos jogos ou atividades em grupo sempre são as últimas a serem escolhidas
ou são excluídas; aos poucos vão se desinteressando das atividades e tarefas
escolares; e em casos mais dramáticos apresentam hematomas, arranhões,
cortes, roupas dani�icadas ou rasgadas.
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EM CASA
Frequentemente se queixam de dores de cabeça, enjoo, dor de estômago,
tonturas, vômitos, perda de apetite, insônia. Todos esses sintomas tendem a
ser mais intensos no período que antecede o horário de as vítimas entrarem
na escola. Mudanças frequentes e intensas de estado de humor, com
explosões repentinas de irritação ou raiva. Geralmente elas não têm amigos
ou, quando têm são bem poucos; existe uma escassez de telefonemas, e-mails,
torpedos, convites para festas, passeios ou viagens com o grupo escolar.
Passam a gastar mais dinheiro do que o habitual na cantina ou com a compra
de objetos diversos com o intuito de presentear os outros. Apresentam
diversas desculpas (inclusive doenças �ísicas) para faltar às aulas.
E o contrário? O que se pode notar no comportamento de
um praticante de bullying?
Na escola os bullies (agressores) fazem brincadeiras de mau gosto, gozações,
colocam apelidos pejorativos, difamam, ameaçam, constrangem e
menosprezam alguns alunos. Furtam ou roubam dinheiro, lanches e
pertences de outros estudantes. Costumam ser populares na escola e estão
sempre enturmados. Divertem-se à custa do sofrimento alheio.
No ambiente doméstico, mantêm atitudes
desa�iadoras e agressivas em relação aos
familiares. São arrogantes no agir no falar
e no vestir, demonstrando superioridade.
Manipulam pessoas para se safar das
confusões em que se envolveram.
Costumam voltar da escola com objetos
ou dinheiro que não possuíam. Muitos
agressores mentem, de forma
convincente, e negam as reclamações da
escola, dos irmãos ou dos empregados
domésticos.
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O fenômeno bullying começa em casa?
Sim, muitas vezes o fenômeno começa em casa. Entretanto, para que os �ilhos
possam ser mais empáticos e possam agir com respeito ao próximo, é
necessário primeiro a revisão do que ocorre dentro de casa. Os pais, muitas
vezes, não questionam suas próprias condutas e valores, eximindo-se da
responsabilidade de educadores.
O exemplo dentro de casa é fundamental. O ensinamento de ética,
solidariedade e altruísmo inicia ainda no berço e se estende para o âmbito
escolar, onde as crianças e adolescentes passarão grande parte do seu tempo.
O bullying existe mais nas escolas públicas ou nas escolas
particulares?
O bullying existe em todas as escolas, o grande diferencial entre elas é a
postura que cada uma tomará frente aos casos de bullying. Por incrível que
pareça os estudos apontam para uma postura mais efetiva contra o bullying
entre as escolas públicas, que já contam com uma orientação mais
padronizada perante os casos (acionamento dos Conselhos Tutelares,
Delegacias da Criança e do Adolescente etc.).
O aluno vítima de bullying normalmente conta aos pais e
professores o que está acontecendo?
As vítimas de bullying se tornam reféns do jogo do poder instituído pelos
agressores. Raramente elas pedem ajuda às autoridades escolares ou aos
pais. Agem assim, dominadas pela falsa crença de que essa postura é capaz de
evitar possíveis retaliações dos agressores e por acreditarem que, ao
sofrerem sozinhos e calados, pouparão seus pais da decepção de ter um �ilho
frágil, covarde e não popular na escola.
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Qual é o papel da escola para evitar o bullying escolar?
A escola é corresponsável nos casos de bullying, pois é lá onde os
comportamentos agressivos e transgressores se evidenciam ou se agravam na
maioria das vezes. A direção da escola (como autoridade máxima da
instituição) deve acionar os pais, os Conselhos Tutelares, os órgãos de
proteção à criança e ao adolescente etc. Caso não o faça poderá ser
responsabilizada por omissão. Em situações que envolvam atos infracionais
(ou ilícitos) a escola também tem o dever de fazer a ocorrência policial. Dessa
forma, os fatos podem ser devidamente apurados pelas autoridades
competentes e os culpados responsabilizados. Tais procedimentos evitam a
impunidade e inibem o crescimento da violência e da criminalidade
infanto-juvenil.
Como é o bullying nas escolas brasileiras, em comparação
a outras, dos Estados Unidos ou da Europa? Alguma
característica especí ca?
Em linhas gerais o bullying é um fenômeno universal e democrático, pois
acontece em todas as partes do mundo onde existem relações humanas e
onde a vida escolar faz parte do cotidiano dos jovens. Alguns países, no
entanto, apresentam características peculiares na manifestação desse
fenômeno: nos EUA, o bullying tende a apresentar-se de forma mais grave
com casos de homicídios coletivos, e isso se deve à infeliz facilidade que os
jovens americanos possuem de terem acesso as armas de fogo.
Nos países da Europa, o bullying tende a se manifestar na forma de
segregação social a até da xenofobia. No Brasil, observam-se manifestações
semelhantes às dos demais países, mas com peculiaridades locais: o uso de
violência com armas brancas ainda é maior que a exercida com armas de fogo,
uma vez que o acesso a elas ainda é restrito a ambientes sociais dominados
pelo narcotrá�ico. A violência na forma de descriminação e segregação
aparece mais em escolas particulares de alto poder aquisitivo, onde os
descendentes nordestinos, ainda que economicamente favorecidos,
costumam sofrer discriminação em função de seus hábitos, sotaques ou
expressões idiomáticas típicas.
Por esses aspectos é necessário sempre analisar, de maneira individualizada,
todos os comportamentos de bullying, pois as suas formas diversas podem
sinalizar com mais precisão as possíveis ações para a redução dessas variadas
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expressões da violência entre estudantes.
Qual a in uência da sociedade atual neste tipo de
comportamento?
O individualismo, cultura dos tempos modernos, propiciou essa prática, em
que o ter é muito mais valorizado que o ser, com distorções absurdas de
valores éticos. Vive-se em tempos velozes, com grandes mudanças em todas
as esferas sociais. Nesse contexto, a educação tanto no lar quanto na escola se
tornou rapidamente ultrapassada, confusa, sem parâmetros ou limites. Os
pais passaram a ser permissivos em excesso e os �ilhos cada vez mais
exigentes, egocêntricos. As crianças tendem a se comportar em sociedade de
acordo com os modelos domésticos. Muitos deles não se preocupam com as
regras sociais, não re�letem sobre a necessidade delas no convívio coletivo e,
nem sequer se preocupam com as consequências dos seus atos
transgressores. Cabe à sociedade como um todo transmitir às novas gerações
valores educacionais mais éticos e responsáveis. A�inal, são estes jovens que
estão delineando o que a sociedade será daqui em diante. Auxiliá-los e
conduzi-los na construção de uma sociedade mais justa e menos violenta, é
obrigação de todos.
Como os pais e professores podem ajudar as vítimas de
bullying a superar o sofrimento?
A identi�icação precoce do bullying pelos responsáveis (pais e professores) é
de suma importância. As crianças normalmente não relatam o sofrimento
vivenciado na escola, por medo de represálias e por vergonha. A observação
dos pais sobre o comportamento dos �ilhos é fundamental, bem como o
diálogo franco entre eles. Os pais não devem hesitar em buscar ajuda de
pro�issionais da área de saúde mental, para que seus �ilhos possam superar
traumas e transtornos psíquicos.
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Outro aspecto de valor inestimável é a percepção do talento inato desses
jovens. Os adultos devem sempre estimulá-los e procurar métodos e�icazes
para que essas habilidades possam resgatar sua autoestima, bem como
construir sua identidade social na forma de uma cidadania plena.
O que não é bullying?
Discussões ou brigas pontuais não são bullying. Con�litos entre professor
e aluno ou aluno e gestor também não são considerados bullying. Para que
seja bullying, é necessário que a agressão ocorra entre pares (colegas de
classe ou de trabalho, por exemplo). Todo bullying é uma agressão, mas nem
toda a agressão é classi�icada como bullying
Para ser dada como bullying, a agressão �ísica ou moral deve apresentar
quatro características: a intenção do autor em ferir o alvo, a repetição da
agressão, a presença de um público espectador e a concordância do alvo
com relação à ofensa. 'Quando o alvo supera o motivo da agressão, ele reage
ou ignora, desmotivando a ação do auto.’
O bullying é um fenômeno recente?
Não. O bullying sempre existiu. No entanto, o primeiro a relacionar a palavra
a um fenômeno foi Dan Olweus, professor da Universidade da Noruega, no �im
da década de 1970. Ao estudar as tendências suicidas entre adolescentes, o
pesquisador descobriu que a maioria desses jovens tinham sofrido algum
tipo de ameaça e que, portanto, o bullying era um mal a combater.
A popularidade do fenômeno cresceu com a in�luência dos meios eletrônicos,
como a internet e as reportagens na televisão, pois os apelidos pejorativos e
as brincadeiras ofensivas foram tomando proporções maiores. O fato de ter
consequências trágicas, como mortes e suicídios, e a impunidade
proporcionaram a necessidade de se discutir de forma mais séria o tema.
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O que leva o autor do bullying a praticá-lo?
Querer ser mais popular, sentir-se poderoso e obter uma boa imagem de si
mesmo. Isso tudo leva o autor do bullying a atingir o colega com repetidas
humilhações ou depreciações. É uma pessoa que não aprendeu a transformar
sua raiva em diálogo e para quem o sofrimento do outro não é motivo para ele
deixar de agir. Pelo contrário, sente-se satisfeito com a opressão do agredido,
supondo ou antecipando quão dolorosa será aquela crueldade vivida pela
vítima.
Sozinha, a escola não consegue resolver o problema, mas é normalmente
nesse ambiente que se demonstram os primeiros sinais de um praticante de
bullying. A tendência é que ele seja assim por toda a vida, a menos que seja
tratado.
O espectador também participa do bullying?
Sim. É comum pensar que há apenas dois envolvidos no con�lito: o autor e o
alvo. Mas os especialistas alertam para esse terceiro personagem responsável
pela continuidade do con�lito.
O espectador típico é uma testemunha dos fatos, pois não sai em defesa da
vítima nem se junta aos autores. Quando recebe uma mensagem, não repassa.
Essa atitude passiva pode ocorrer por medo de também ser alvo de ataques
ou por falta de iniciativa para tomar partido.
Também são considerados espectadores os que atuam como plateia ativa ou
como torcida, reforçando a agressão, rindo ou dizendo palavras de incentivo.
Eles retransmitem imagens ou fofocas. Geralmente, estão acostumados com a
prática, encarando a como natural dentro do ambiente escolar. 'O espectador
se fecha aos relacionamentos, se exclui porque acha que pode sofrer também
no futuro.
Se for pela internet, por exemplo, ele apenas
repassa a informação.
Mas isso o torna um coautor.
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Como identi car o alvo do bullying?
O alvo costuma ser uma criança ou um jovem com baixa autoestima e retraído
tanto na escola quanto no lar. Por essas características, di�icilmente consegue
reagir. É onde entra a questão da repetição no bullying, pois se o aluno
procura ajuda, a tendência é que a provocação pare.
Além dos traços psicológicos, os alvos desse tipo de violência costumam
apresentar particularidades �ísicas. As agressões podem ainda abordar
aspectos culturais, étnicos e religiosos.
Também pode ocorrer com um novato ou com uma menina bonita, que acaba
sendo perseguida pelas colegas.
Quais são as consequências para o aluno que é alvo de
bullying?
O aluno que sofre bullying, principalmente quando não pede ajuda, enfrenta
medo e vergonha de ir à escola. Pode querer abandonar os estudos, não se
achar bom para integrar o grupo e apresentar baixo rendimento.
As vítimas chegam a concordar com o discurso deles segue no seguinte
sentido: "Se sou gorda, por que vou dizer o contrário?"
Aqueles que conseguem reagir podem alternar momentos de ansiedade e
agressividade. Para mostrar que não são covardes ou quando percebem que
seus agressores �icaram impunes, os alvos podem escolher outras pessoas
mais indefesas e passam a provocá-las, tornando-se alvo e agressor ao mesmo
tempo.
O que é pior: o bullying com agressão física ou o bullying
com agressão moral?
Ambas as agressões são graves e causam danos ao alvo do bullying. Por ter
consequências imediatas e facilmente visíveis, a violência �ísica muitas vezes
é considerada mais grave do que um xingamento ou uma fofoca.
A di�iculdade que a escola encontra é justamente porque o professor também
vê uma blusa rasgada ou um material furtado como algo concreto. Não
percebe que uma exclusão, por exemplo, é tão dolorida quanto ou até mais.
Os jovens também podem repetir esse mesmo raciocínio e a escola deve
permanecer alerta aos comportamentos moralmente abusivos.
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O que fazer em sala de aula quando se identi ca um caso
de bullying?
Ao surgir uma situação em sala, a intervenção deve ser imediata. Se algo
ocorrer e o professor se omite ou até mesmo dá uma risadinha por causa de
uma piada ou de um comentário, vai pelo caminho errado. Ele deve ser o
primeiro a mostrar respeito e dar o exemplo.
O professor pode identi�icar os atores do bullying: autores, espectadores e
alvos. Claro que existem as brincadeiras entre colegas no ambiente escolar.
Mas é necessário distinguir o limiar entre uma piada aceitável e uma
agressão. Isso não é tão di�ícil como parece. Basta que você professor se
coloque no lugar da vítima. O apelido é engraçado? Mas como eu me sentiria
se fosse chamado assim? Veja abaixo algumas dicas:
Incentivar a solidariedade, a generosidade e o respeito às diferenças por
meio de conversas, campanhas de incentivo à paz e à tolerância, trabalhos
didáticos, como atividades de cooperação e interpretação de diferentes
papéis em um con�lito;
Desenvolver em sala de aula um ambiente favorável à comunicação entre
alunos;
Quando um estudante reclamar de algo ou denunciar o bullying, procurar
imediatamente a direção da escola.
Qual o papel do professor em con itos fora da sala de
aula?
O professor é um exemplo fundamental de pessoa que não resolve con�litos
com a violência. Não adianta, porém, pensar que o bullying só é problema dos
educadores quando ocorre do portão para dentro. É papel da escola construir
uma comunidade na qual todas as relações são respeitosas.
Deve-se conscientizar os pais e os alunos sobre os efeitos das agressões fora
do ambiente escolar, como na internet, por exemplo. A intervenção da escola
também precisa chegar ao espectador, o agente que aplaude a ação do autor é
fundamental para a ocorrência da agressão.
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O professor também é alvo de bullying?
Conceitualmente, não, pois, para ser considerada bullying, é necessário que a
violência ocorra entre pares, como colegas de classe ou de trabalho. O
professor pode, então, sofrer outros tipos de agressão, como injúria ou
difamação ou até �ísica, por parte de um ou mais alunos.
Mesmo não sendo entendida como bullying, tratasse de uma situação que
exige a re�lexão sobre o convívio entre membros da comunidade escolar.
Quando as agressões ocorrem, o problema está na escola como um todo. Em
uma reunião com os educadores, pode-se descobrir se a violência está
acontecendo com outras pessoas da equipe para intervir e restabelecer as
noções de respeito.
Se for uma questão pontual, com um professor apenas, é necessário re�letir
sobre a relação entre o docente e o aluno ou a classe. 'O jovem que faz esse
tipo de coisa normalmente quer expor uma relação com o professor que não
está bem. Existem comunidades na internet, por exemplo, que homenageiam
os docentes. Então, se o aluno se sente respeitado pelo professor, qual o
motivo de agredi-lo?
O professor é uma autoridade na sala de aula, mas essa autoridade só é
legitimada com o reconhecimento dos alunos em uma relação de respeito
mútua. O jovem está em processo de formação e o educador é o adulto do
con�lito e precisa reagir com dignidade.
COMBATENDO O
BULLYING !
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O que fazer para se evitar o bullying?
Sugere-se as seguintes atitudes para um ambiente saudável na escola:
Conversar com os alunos e escutar atentamente reclamações ou sugestões;
Estimular os estudantes a informar os casos;
Reconhecer e valorizar as atitudes da garotada no combate ao problema;
Criar com os estudantes, regras de disciplina para a classe em coerência
com o regimento escolar;
Estimular lideranças positivas entre os alunos, prevenindo futuros casos;
Interferir diretamente nos grupos, o quanto antes, para quebrar a dinâmica
do bullying. Todo ambiente escolar pode apresentar esse problema.
A escola que a�irma não ter bullying ou não sabe o que é ou está negando sua
existência. O primeiro passo é admitir que a escola é um local passível de
bullying. É necessário também informar professores e alunos sobre o que é o
problema e deixar claro que o estabelecimento não admitirá a prática.
A escola não deve ser apenas um local de ensino formal, mas também de
formação cidadã, de direitos e deveres, amizade, cooperação e solidariedade.
Agir contra o bullying é uma forma barata e e�iciente de diminuir a violência
entre estudantes e na sociedade.
Como reagir com os alunos envolvidos em um caso de
bullying?
O foco deve se voltar para a recuperação de valores essenciais, como o
respeito pelo que o alvo sentiu ao sofrer a violência. A escola não pode
legitimar a atuação do autor da agressão nem o humilhar ou puni-lo com
medidas não relacionadas ao mal causado, como proibi-lo de frequentar o
intervalo.
Já o alvo precisa ter a autoestima fortalecida e sentir que está em um lugar
seguro para falar sobre o ocorrido. Às vezes, quando o aluno resolve
conversar, não recebe a atenção necessária, pois a escola não acha o problema
grave e deixa passar.
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Ainda é preciso conscientizar o espectador do bullying, que endossa a ação do
autor. Trazer para a aula situações hipotéticas, como realizar atividades com
trocas de papéis, são ações que ajudam a conscientizar toda a turma.
A exibição de �ilmes que retratam o bullying, como ''As melhores coisas do
mundo'' (Brasil, 2010), da cineasta Laís Bodanzky, também ajudam no
trabalho. A partir do momento em que a escola fala com quem assiste à
violência, ele para de aplaudir e o autor perde sua fama.
Como lidar com o bullying contra alunos com de ciência?
Conversar abertamente sobre a de�iciência é uma ação que deve ser cotidiana
na escola. O bullying contra esse público costuma ser estimulado pela falta de
conhecimento sobre as de�iciências, sejam elas �ísicas ou intelectuais, e, em
boa parte, pelo preconceito trazido de casa.
De acordo com a psicóloga Sônia Casarin, diretora do S.O.S. Down Serviço de
Orientação sobre Síndrome de Down, em São Paulo, é normal os alunos
reagirem negativamente diante de uma situação desconhecida. Cabe ao
educador estabelecer limites para essas reações e buscar erradicá-las não
pela imposição, mas por meio da conscientização e do esclarecimento.
Não se trata de estabelecer vítimas e culpados quando o assunto é o bullying.
Isso só reforça uma situação polarizada e não ajuda em nada a resolução dos
con�litos. Melhor do que apenas culpar um aluno e vitimar o outro é desatar
os nós da tensão por meio do diálogo. A violência começa em tirar do aluno
com de�iciência o direito de ser um participante do processo de
aprendizagem. É tarefa dos educadores oferecer um ambiente propício para
que todos, especialmente os que têm de�iciência, se desenvolvam. Com
respeito e harmonia.
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Como se deve conversar com os pais dos alunos
envolvidos no bullying?
É preciso mediar a conversa e evitar o tom de acusação de ambos os lados.
Esse tipo de abordagem não mostra como o outro se sente ao sofrer bullying.
Deve ser sinalizado aos pais que alguns comentários simples, que julgam
inofensivos e divertidos, são carregados de ideias preconceituosas.
O ideal é que a questão da reparação da violência passe por um acordo
conjunto entre os envolvidos, no qual todos consigam enxergar em que ponto
o alvo foi agredido para, assim, restaurar a relação de respeito.
Muitas vezes, a escola trata de forma inadequada os casos relatados por pais
e alunos, responsabilizando a família pelo problema. É papel dos educadores
sempre dialogar com os pais sobre os con�litos seja o �ilho alvo ou autor do
bullying, pois ambos precisam de ajuda e apoio psicológico.
O que fazer em casos extremos de bullying?
A primeira ação deve ser mostrar aos envolvidos que a escola não tolera
determinado tipo de conduta e por quê. Nesse encontro, deve-se abordar a
questão da tolerância ao diferente e do respeito por todos, inclusive com os
pais dos alunos envolvidos.
Mais agressões ou ações impulsivas entre os envolvidos podem ser evitadas
com espaços para diálogo. Uma conversa individual com cada um funciona
como um desabafo e é função do educador mostrar que ninguém está
desamparado.
Os alunos e os pais têm a sensação de impotência e a escola não pode
deixá-los abandonados. É mais fácil responsabilizar a família, mas isso não
contribui para a resolução de um con�lito.
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A especialista também aponta que a conversa em conjunto, com todos os
envolvidos, não pode ser feita em tom de acusação. Deve-se pensar em
maneiras de mostrar como o alvo do bullying se sente com a agressão e
chegar a um acordo em conjunto. E, depois de alguns dias, vale perguntar
novamente como está a relação entre os envolvidos'.
É também essencial que o trabalho de conscientização seja feito também com
os espectadores do bullying, aqueles que endossam a agressão e os que a
assistem passivamente. Sem que a plateia entenda quão nociva a violência
pode ser, ela se repetirá em outras ocasiões.
Bullying na educação infantil. É possível?
Sim, se houver a intenção de ferir ou humilhar o colega repetidas vezes. Entre
as crianças menores, é comum que as brigas estejam relacionadas às disputas
de território, de posse ou de atenção o que não caracteriza o bullying. No
entanto, por exemplo, se uma criança apresentar alguma particularidade,
como não conseguir segurar o xixi, e os colegas a segregarem por isso ou
darem apelidos para ofendê-la constantemente, tratase de um caso de
bullying.
Estudos na Psicologia a�irmam que, por volta dos dois anos de idade, há uma
primeira tomada de consciência de “quem eu sou”, separada de outros
objetos, como a mãe.
E perto dos três anos, as crianças começam a se identi�icar como um
indivíduo diferente do outro, sendo possível que uma criança seja alvo ou
vítima de bullying. Essa conduta, porém, será mais frequente num momento
em que houver uma maior relação entre pares, mais cotidiana.
Quais são as especi cidades para lidar com o bullying na
educação infantil?
Para evitar o bullying, é preciso que a escola valide os princípios de respeito
desde cedo. É comum que as crianças menores briguem com o argumento de
não gostar uma das outras, mas o educador precisa apontar que todos devem
ser respeitados, independentemente de se dar bem ou não com uma pessoa,
para que essa ideia não persista durante o desenvolvimento da criança.
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O que é bullying virtual ou cyberbullying?
É o bullying que ocorre em meios eletrônicos, com mensagens difamatórias
ou ameaçadoras circulando por e-mails, sites, blogs, redes sociais e celulares.
É quase uma extensão do que os alunos dizem e fazem na escola, mas com o
agravante de que as pessoas envolvidas não estão cara a cara.
Dessa forma, o anonimato pode aumentar a crueldade dos comentários e das
ameaças e os efeitos podem ser tão graves ou piores. O autor, assim como o
alvo, tem di�iculdade de sair de seu papel e retomar valores esquecidos ou
formar novos.
Esse tormento que é a agressão pela internet faz com que a criança e o
adolescente humilhados não se sintam mais seguros em lugar algum, em
momento algum. Estes estudantes não percebem as armadilhas dos
relacionamentos digitais. Para eles, é tudo real, como se fosse do jeito
tradicional, tanto para fazer amigos como para comprar, aprender ou
combinar um passeio.
Como lidar com o cyberbullying?
O cyberbulling precisa receber o mesmo cuidado preventivo do bullying e a
dimensão dos seus efeitos deve sempre ser abordada para evitar a agressão
na internet. Trabalhar com a ideia de que nem sempre se consegue apagar
aquilo que foi para a rede dá à turma a noção de como as piadas ou as
provocações não são inofensivas. O que chamam de brincadeira pode destruir
a vida do outro. É também responsabilidade da escola abrir espaço para
discutir o fenômeno.
Caso o bullying ocorra, é preciso deixar evidente para crianças e adolescentes
que eles podem con�iar nos adultos que os cercam para contar sobre os casos
sem medo de represálias, como a proibição de redes sociais ou celulares, uma
vez que terão a certeza de que vão encontrar ajuda.
Mas, muitas vezes, as crianças não recorrem aos adultos porque acham que o
problema só vai piorar com a intervenção punitiva. Veja a seguir um quadro
comparativo entre as duas modalidades de bullying.
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Por meios de leis anti-cyberbullying que atualmente vigoram, os agressores
anônimos podem ser descobertos e processados por calúnia e difamação,
sendo obrigados a indenizar a vítima.
Consequências do cyberbullying
As pessoas agredidas pelo cyberbullyng apresentam sintomas bastantes
similares com os do bullying, como:
Distúrbios do sono
Problemas de estômago
Transtornos alimentares
Irritabilidade
Depressão
Transtornos de ansiedade
Dor de cabeça
Falta de apetite
Pensamentos destrutivos, como desejo de morrer entre outros.
Em casos extremos as vítimas de cyberbullying são atacadas de uma forma
tão agressiva que são levadas a cometer suicídio. Muitos desses casos
começam quando fotos ou vídeos íntimos das vítimas são introduzidos na
internet.
Sugestões de lme sobre Bullying e Cyberbullying
Extraordinário (2017, classi�icação indicativa 10 anos)
Sete minutos depois da meia-noite
(2016, classi�icação indicativa 12 anos)
As vantagens de ser invisível
(2012, classi�icação indicativa 14 anos)
Ponte para Terabítia
(2007, classi�icação indicativa livre)
Bullying Virtual
(2011, classi�icação indicativa 12 anos)
Bullying - Provocações Sem Limites
(2009, classi�icação indicativa 16 anos)
Documentário Bullying
(2011, classi�icação indicativa 12 anos)
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O professor é um exemplo fundamental de pessoa que não resolve con�litos
com a violência. Não adianta, porém, pensar que o bullying só é problema dos
educadores quando ocorre do portão para dentro. É papel da escola construir
uma comunidade na qual todas as relações são respeitosas.
Deve-se conscientizar os pais e os alunos sobre os efeitos das agressões fora
do ambiente escolar, como na internet, por exemplo. A intervenção da escola
também precisa chegar ao espectador, o agente que aplaude a ação do autor é
fundamental para a ocorrência da agressão.
BULLYING CYBERBULLYING
Apresenta roupas molhadas ou rasgadas Não tem
Tem seus objetos roubados Não tem
Apresenta ferimentos Não tem
Não dá para impedir uma ação sem saber quem
Pode ser evitado, interrompido
é o autor, é anônimo.
Agressor é o valentão, manipula e tem ajuda de
Agressor é solitário, quando lança na rede.
outros
Agressor, vítima e algumas testemunhas Agressor, vítima e muitos espectadores.
Os espectadores reagem rapidamente, viram
As testemunhas �ingem que não veem
co-autores.
As testemunhas �icam com medo Os espectadores não têm medo.
A vítima demora a reagir, há casos de três anos em A vítima reage mais rápido, a perseguição é
que a vítima �icou calada implacável, não suporta muito tempo
Mais fácil para os pais detectarem, pelo
Longe dos pais, di�ícil para os pais descobrirem
comportamento e as reações �isionômicas
Na sala de aula, corredores, pátio, caminho de
Através do celular e computador
casa e transporte escolar
Horários especí�icos Durante 24 horas
Pede ajuda às vezes ou nunca Pede ajuda mais rápido ou nunca
A vítima sabe quem é o agressor A vítima não sabe quem é o agressor
É frequente É mais frequente
Não é veloz É veloz
30 Dicas para ajudar quem sofre Bullying
1- O envolvimento dos pais no dia a dia escolar.
Os pais precisam, mais do que nunca, entender a necessidade da
educação e, como consequência, jamais se afastar da rotina dos �ilhos
em sala de aula.
2- Ajuda para a família.
Pais precisam ser ajudados a serem pais, porque a sociedade anda
permissiva demais e eles se sentem perdidos ante essa realidade.
3- Não tirar o �ilho imediatamente da escola onde sofreu Bullying.
Primeiro é importante trabalhar junto com os professores e a direção
da escola de modo a resolver o problema, porque será muito
19 importante para ele vencer o bullying no ambiente onde foi vítima.
4- A atenção ao tempo.
Se não der certo – e é preciso atenção para a evolução do problema, não
deixar passar o tempo em demasia – recomenda-se a transferência, se
possível, para uma escola preparada para dar suporte a essa criança.
5- Observar de onde parte o Bullying.
Vale a pena insistir aqui no ponto nevrálgico: nem sempre o agressor é
quem deu início ao bullying, mas sim quem se faz de vítima. Ou ainda:
tudo pode se resumir a uma forma (desesperada) de chamar a atenção
de quem se sente excluído, marginalizado, pelos colegas de classe.
6- O tema e a sala de aula.
Por ser um assunto de sala de aula, o bullying precisa ser tratado com
ela por inteiro. Em outras palavras: os pais não devem se preocupar em
proteger apenas o próprio �ilho, seja ele o agredido ou o agressor ou
apenas testemunha desse tipo de violência.
7- O tema e a reunião de pais.
Na reunião de pais e professores, esse assunto deve ser tratado de
modo a que todos participem - e não isoladamente, atingindo apenas os
envolvidos com o caso de bullying.
8- A cobrança dos pais.
Pais devem exigir imediatamente da escola uma estratégia de trabalho
que envolva o agressor, o agredido e o grupo por inteiro.
9- A manutenção do diálogo.
Em casa, pai e mãe precisam conversar diariamente com o �ilho sobre
as aulas, mesmo que ele tenha uma reação negativa, do tipo "ah! Que
conversa chata!" etc. Claro, existe a medida adequada e ela varia de
criança para criança. Mas o importante, neste caso, é criar o hábito da
conversa entre pais e �ilhos.
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10- Incluindo a conversa no dia a dia da família.
Essa conversa pode se tornar um ritual a ser integrado na refeição do
domingo, por exemplo. Um momento de aproveitar a reunião familiar para
que cada um fale de si mesmo.
11- Falta de tempo não é pretexto.
Não dá para usar o pretexto de trabalhar muito e permanecer fora de casa
grande parte do dia para justi�icar a falta de tempo para ajudar o �ilho em um
momento tão di�ícil da vida.
12- Colocar-se no lugar do outro.
Às vezes, basta dizer para o seu �ilho, "você gostaria que alguém falasse dessa
forma com você? Pois, eu não gosto, �ico triste..." É importante se co-locar no
lugar do outro, sentir na pele que a brincadeira feita não tem a menor graça...
Brincadeira só vale quando todos se divertem - e nunca quando acontece à
custa de outro. Isso é fundamental e os pais devem trabalhar essa questão,
conversando com seus �ilhos desde a infância.
13- Troca de informações.
Sem essa troca de informações entre pais e �ilhos, uma situação de bullying
pode já estar ameaçando o cotidiano escolar - e nenhum adulto se deu conta
dos sintomas dessa violência no comportamento da criança e/ou do jovem.
Que se mostra mais irritadiço e angustiado, inventando desculpas para não ir
à escola etc.
14- Busca por ajuda.
É na conversa com o �ilho que os pais vão perceber o porquê da agressividade
e da insatisfação, orientando a buscar outras formas de se expressar. Se os
pais não souberem fazê-lo, não há razão de constrangimento - ao contrário,
devem pedir ajuda a quem foi treinado para isso, na escola.
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15- Pressões psicológicas.
Se os pais perceberem que o �ilho está de fato sofrendo algum tipo de pressão
psicológica no ambiente escolar, precisam informar professores e direção da
escola para que a questão seja tratada de modo cuidadoso o quanto antes!
16- A hora de intervir.
Muitas vezes a escola não sabe que está ocorrendo uma situação de bullying
até porque ela acontece fora da sala de aula e, portanto, longe do olhar do
professor. Mesmo sem provas, é importante intervir. Atenção: a escola é a
autoridade na relação entre alunos - e não os pais!
17- O exercício da autoridade.
O bullying é muito sensível à intervenção das autoridades, ou seja, dos
professores, supervisores e até mesmo diretores. Em especial, quando
desperta o envolvimento da comunidade escolar como um todo no combate a
essa violência.
18- O equilíbrio da autoestima.
O bullying é resultado de uma relação interpessoal em desequilíbrio. Há,
portanto, de se cuidar dos dois lados envolvidos - existe um problema de
autoestima a ser trabalhado, tanto em relação ao agressor quanto ao
agredido.
19- A parceria da escola e das famílias.
Cada escola tem a sua maneira de agir, mas o que se espera é que ela seja
parceira dos pais do aluno que é vítima de bullying - e também daquele que é
entendido como agressor. O ideal: aproximar as duas famílias de modo a
envolvê-las na solução do problema. Porque todas elas são perdedoras em
uma situação de bullying.
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20- Postura assertiva.
Pais e professores precisam se unir para ensinar às crianças e aos
jovens a serem assertivos - ou seja, saberem se expressar de modo
positivo quando algo os incomoda, fazendo o outro entender que há
limites que não podem ser ultrapassados.
21- Respeito às diferenças.
O respeito às diferenças precisa ser exercitado diariamente no
ambiente escolar. Os pais devem exigir que os professores de seus
�ilhos trabalhem nessa direção em sala de aula de modo a que uma
situação de bullying não volte a acontecer entre os alunos. Que não
precisam ser amigos, mas sim precisam se respeitar um ao outro.
22- Dinâmicas de grupo.
É recomendado que se faça uma dinâmica de grupo com os alunos da
classe onde ocorreu um caso de bullying, conversar individualmente
sobre o problema, veri�icar em que estágio a campanha de Bullying se
encontra disseminada na rede social e, se necessário, coibir o uso da
rede por um tempo determinado.
23- Uso da internet.
Com ou sem bullying, os pais precisam ter controle sobre o uso da
internet por seus �ilhos, eles não podem ter liberdade total no exercício
dessa atividade - os pais devem ter acesso às redes sociais do �ilho
como espectadores, jamais devem participar!
24- Inspiração de con�iança.
Pais não são amigos dos �ilhos, mas sim
pais. E, nesse papel, precisam orientar. Não
podem confundir o papel, até porque a
criança precisa ter no pai e na mãe uma
�igura de autoridade, pessoas que inspiram
con�iança e representam um porto �irme
para ela.
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25- A vitimização dos �ilhos.
Pais não devem vitimizar seus �ilhos, muito menos tratá-los como se
fossem reis ou rainhas. Quem pensa só em defender, se esquece que
ninguém é santo, muito menos o próprio �ilho.
26- Despertamento da coragem.
Tentar despertar coragem no �ilho com a frase "não leve desaforo para
casa!", impondo respeito na base da agressão, é o pior que se pode
fazer a uma criança indefesa. Não é com esse troco que se constrói um
ambiente de solidariedade entre os colegas.
27- Conversa aberta.
Quando os pais percebem que seus �ilhos são autores de bullying ou
mesmo testemunhas desse problema no ambiente escolar, devem
conversar abertamente com eles a respeito e, ao mesmo tempo, pedir
ajudar à escola. Porque quem é autor ou testemunha desse tipo de
violência também está sofrendo e precisa ser cuidado!
28- Os pais e o sucesso dos �ilhos.
Os pais se consideram responsáveis pelas vidas dos seus �ilhos, quando
são, na verdade, responsáveis até a página 50 - daí para frente ou
mesmo antes disso, os �ilhos vão fazer o que lhes dão na veneta... O
sucesso não depende mais dos pais, mas sim deles próprios.
29- Culpa dos pais?
Cabe aos pais darem o maior número de instrumentos necessários
para os �ilhos terem sucesso. Entretanto, como eles vão usá-los, bem,
isso já não é mais responsabilidade paterna. E o problema está aí: os
pais se sentem culpados de verem os �ilhos fazerem tudo errado e, com
a pressão da culpa, não conseguem mais ajudar.
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30- Além da escola.
Atenção: o bullying pode acontecer não apenas no ambiente escolar,
mas também no bairro. É quando o seu �ilho pode não ser aceito pela
turma por se recusar a beber ou fumar. Seja qual for a situação
lembrem-se: uma das estratégias fundamentais na luta contra essa
forma de violência é a aliança entre pais e escola. Sempre.
Agressões contra professores pela internet
Alguns adolescentes usam a internet para ofender professores. O que parece
uma brincadeira pode ser crime. Saiba como evitar o problema ou
defender-se em casos extremos Alguns docentes tentam não se incomodar,
não se importar. Todo educador é vistocomo chato pelos jovens. Por isso os
estudantes criaram essa forma de protesto.Mas não ligo, não me atinge",
a�irmam alguns professores.
Inconformismo e atitude
Outros, não escondem a indignação. Ficam triste, sofre de insônia e perde a
vontadede trabalhar. Sem o apoio da direção da escola, procuram o
responsável pela publicação para conscientizá-lo do caráter agressivo de sua
atitude. O dever do professor ajudar a construir valores éticos na sala de aula.
Ele estava disposto a prestar umaqueixa formal caso a conversa não surtisse
efeito: "Os jovens precisam aprenderque não dá para desrespeitar
impunemente".
Chocada também �icou outra professora, ao descobrir que uma de suas aulas
foragravada em vídeo e estava num site com o título "Maria recebendo um
santo". Ela costumava fazer paródias de músicas e adaptar as letras com
conteúdo da disciplinapara cantá-las com as turmas. Os comentários diziam
que ela era ridícula e adoravaaparecer. O vídeo foi deletado após a professora
avisar que tomaria providências legais.
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Esforço Conjunto
Tentar evitar essas manifestações deve ser uma preocupação da escola e dos
familiares para que não seja preciso partir para medidas extremas. Trata-se
de uma situação que exige a re�lexão sobre o convívio entre membros da
comunidade escor. Quando as agressões ocorrem, o problema está na escola
como um todo. Emuma reunião com todos os educadores, pode-se descobrir
se a violência está acon-tecendo com outras pessoas da equipe para intervir
com medidas que restabelecem noções de respeito - palestras, atividades que
estimulem a solidariedade e discussão do regimento interno da escola.
Se for uma questão pontual, com um professor apenas, é necessário re�letir
sobre relação entre o docente e o aluno ou a classe. O jovem que faz esse tipo
de coisanormalmente quer expor uma relação com o professor que não está
bem. Existemcomunidades na internet, por exemplo, que homenageiam os
docentes. Então, se aluno se sente respeitado pelo professor, qual o motivo de
agredi-lo?
Bullying contra alunos com de ciência?
A violência moral e �ísica contra estudantes com necessidades especiais é
uma realidade velada. Saiba o que fazer para reverter essa situação.
Conversar abertamente sobre a de ciência
derruba barreiras
Os alunos �icaram curiosos e �izeram perguntas ao colega sobre o cotidiano
dele. Depois de tudo esclarecido, os pequenos deixaram de sentir medo. A
exclusão é uma forma de bullying e deve ser combatida com o trabalho de
toda a equipe. De fato, um bom trabalho para reverter situações de violência
passa pela abordagem clara e direta do que é a de�iciência. É normal os
alunos reagirem negativamente diante de uma situação desconhecida. Cabe
ao professor estabelecer limites para essas reações e buscar erradicá-las não
pela imposição, mas por meio da conscientização e do esclarecimento
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Não se trata de estabelecer vítimas e culpados quando o assunto é o bullying.
Isso só reforça uma situação polarizada e não ajuda em nada a resolução dos
con�litos. Melhor do que apenas culpar um aluno e vitimar o outro é desatar
os nós da tensão por meio do diálogo. Esse, aliás, deve extrapolar os limites
da sala de aula, pois a violência moral nem sempre �ica restrita a ela.
5 soluções práticas
Conversar sobre a de�iciência do aluno com todos na presença dele.
Adaptar a rotina para facilitar a aprendizagem sempre que
necessário.
Chamar os pais e a comunidade para falar de bullying e inclusão.
Exibir �ilmes e adotar livros em que personagens com de�iciência
vivenciam contextos positivos.
Focar as habilidades e capacidades de aprendizagem do estudante
para integrá-lo à turma.
Elaborar com a escola um projeto de ação e prevenção contra o
BULLYING
Antecipar o que vai ser estudado dá mais segurança ao aluno
A solução para vencer o bullying é investir, sobretudo, na aprendizagem. Ao
receber um garoto de 12 anos com necessidades educacionais especiais, a
professora passou a conviver com a hostilidade crescente da turma de 4ª
série contra ele. Chamavam o garoto de doido, o empurravam e o
machucavam. Como ele era apegado à rotina, mentiam para ele, dizendo que
a aula acabaria mais cedo. Isso o desestabilizava e o fazia chorar. Percebendo
que era importante para o garoto saber como o dia seria encaminhado, a
professora resolveu mudar: Passou a adiantar para o aluno especial, em cada
aula, o conteúdo que seria ensinado na seguinte. Assim, ele descobria antes o
que iria aprender.
Nas aulas seguintes, o aluno, que sempre foi quieto, começou a participar
ativamente. Ao notar que ele era capaz de aprender, a turma passou a
respeitá-lo. A professora �icou emocionada quando os garotos que o excluíam
começaram a chamá-lo para fazer brincadeiras em grupo. Depois da
intervenção, as agressões cessaram. Então
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o caminho é focar as habilidades e a capacidade de aprender. Quando o aluno
participa das aulas e das atividades, exercitando seu papel de aprendiz e
contribuindo com o grupo, naturalmente ele é valorizado pela turma. E o
bullying, quando não cessa, se reduz drasticamente.
O professor deve analisar o meio em que a criança vive, re�letir se o projeto
pedagógico da escola é inclusivo e repensar até seu próprio comportamento
para checar se ele não reforça o preconceito e, consequentemente, o bullying.
Se ele olha a criança pelo viés da incapacidade, como pode querer que os
alunos ajam de outra forma? A violência começa em tirar do aluno com
de�iciência o direito de ser um participante do processo de aprendizagem. É
tarefa dos educadores oferecer um ambiente propício para que todos,
especialmente para os que têm de�iciência, se desenvolvam. Com respeito e
harmonia.
Como inibir o bullying?
Para um ambiente saudável na escola, é fundamental:
Esclarecer o que é bullying.
Avisar que a prática não é tolerada.
Conversar com os alunos e escutar atentamente reclamações ou
sugestões.
Estimular os estudantes a informar os casos.
Reconhecer e valorizar as atitudes da garotada no combate ao
problema.
Identi�icar possíveis agressores e vítimas.
Acompanhar o desenvolvimento de cada um.
Criar com os estudantes regras de disciplina para a classe em
coerênciacom o regimento escolar.
Estimular lideranças positivas entre os alunos, prevenindo futuros
casos.
Interferir diretamente nos grupos, o quanto antes, para quebrar a
dinâmicade bullying.
Prestar atenção nos mais tímidos e calados. Geralmente as vítimas se
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O Diário de David: Uma vítima de Bullying
Não sei o que acontece, as vezes me acho diferente dos meus colegas, queria
sumir, me esconder dentro de um baú, e de lá não sair tão cedo, sinto uma dor,
e dói mais quando penso, que amanhã terei que voltar lá outra vez e
encontrarei aqueles meninos. Às vezes eu me sinto tão só, mesmo tendo
muita gente por perto de mim. Fico com medo de chegar na escola, pegar o
transporte e ter que ouvir aquelas palavras. Tudo isso é tão doloroso, que
parece que estão espremendo o meu coração...�ico sem letras e palavras para
escrever.
Minha mãe, diz que eu tenho que falar tudo para ela, mas para que falar?
Preciso de ajuda querido diário. Ela não tem tempo para mim. Como um
menino de 13 anos, �ica assim? Tristonho, moribundo e com medo. Se eu
fosse forte e alto, quem sabe as coisas seriam diferentes. Sou meio gordinho e
o médico diz que tenho que fazer regime. Regime é uma lista enorme de
coisas que te proíbem de comer. Eu não como muito, só gosto de chocolate,
torta de maçã, refrigerante, e minha sobremesa preferida é pudim. Na lista do
regime, sou proibido de comer tudo isso.
Na semana passada, o Pedro e o Daniel tomaram meu lanche. Fiquei com
tanta raiva, que se eu pudesse fazia eles sumirem no mapa. Mas tem também
as gêmeas lá da sala, que �icam me chamando de Baleia Orca, eu até fui no
Google ver como era essa tal Orca, e não acho que pareço muito com elas não.
As Orcas são chamadas de baleias assassinas e chegam a pesar nove
toneladas. Eu só peso 78 quilos, é pouco considerado o peso das Orcas.
Já pedi para a minha mãe, me tirar desta escola, mas �ico com medo de na
outra escola, tudo se repetir, e tem uma outra coisa, gosto muito da professora
e no recreio, pois vou sempre para a sala de leitura e �ico lá, pelo menos
ninguém �ica me pebando. Queria ser diferente do que sou, quem sabe assim
eles me aceitariam. O João é o único que não me provoca, ele é meu melhor
amigo. Ser diferente é errado? O que faço para que eles parem de me
perseguir? A professora as vezes vê tudo o que acontece, reclama e fala com
todo mundo, mas no outro dia começa tudo de novo. Não posso �icar
chorando assim.
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Já inventei que estava me sentido mal para não ir à escola, sei que isso é
errado, mas o que faço? Fico desanimado, e vejo que se a situação agravar, não
irei ser, mas advogado, pois tirei uma nota ruim em matemática, pois estava
chateado. Os meninos logo na chegada me perguntaram sobre o lanche de
hoje. Qual seria o cardápio? Um dia eles me pagam, quando eu for advogado,
eles vão ver.
Já olhei tudo, para ser advogado eu tenho que fazer uma prova chamada de
vestibular. Caso eu passe vou ingressar na Faculdade de Direito. Vamos ver se
com as leis eles vão brincar. Já até sonhei com tudo isso. Pensar que eles vão
ser punidos me alegra.
Mas sabe de uma coisa? Amanhã irei entregar está folha do diário a
professora e pedir para ela só ler quando chegar em casa. Ela pode me ajudar
a ser advogado, e prender logo todo mundo que me faz, me sentir tão
diferente e triste assim. Sei que vai doer, mas não se preocupe, a folha vai e
volta, desta forma continuaremos amigos.
Ps: Prezada professora, favor após a leitura me devolver a página do diário,
ele vai agradecer.
Ps 2: Não conte para ninguém o que está escrito aqui. São minhas histórias.
Posso con�iar em você?
Ps 3: Você me acha parecido com uma Orca? Tem mais coisas, muito mais, mas
o meu diário �icaria triste se as outras páginas tiverem que sair dele.
Após a entrega da folha do
seu diário à professora,
esse garoto se suicidou.
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Publisher: Mundo do Saber
Gerente Editorial: Meire Ferreira
Coordenação Editorial: Thais Miranda
Revisão: Fabrício Braga
Ilustração e Diagramação:
Samara Ishihara Correa e Bianca Chusyd
Fontes de Pesquisa:
Revista Nova Escola – Editora Abril
Site – http://novaescola.org.br/
Livro – Como se defender de ataques verbais
Autor Barbara Berckhan – Editora Sextante
Filme – Cyberbully (Bullying Virtual) conta a história de uma
garota vítima de bullying em uma rede social. Foi lançado em
2011 nos Estados Unidos, e em 2012 no Brasil.
Sites Diversos
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LIVRO VIRTUAL!