cartilhaparaestudantesMúsicade
Câmara
cartilhaparaestudantesMúsicade
Câmara
Sara Bittencourt Marcucci da Silveira
Ulisses Coutinho Amaral
Título: Música de Câmara
Cartilha para estudantes
Autores: Sara Bittencourt Marcucci da Silveira
Ulisses Coutinho Amaral
Orientador: Prof. Dr. Ulisses Coutinho Amaral
Ilustração: Carlos Henrique Ferreira Santos
Projeto Gráfico: Carlos Henrique Ferreira Santos
Esta publicação é
fruto de um trabalho
acadêmico. Todos
os direitos do au-
tor estão garantidos
por lei. Distribuição
gratuita. Não pode
ser comercializado.
2
Sumário
4 Prefácio
6 Sobre a Música de Câmara
7 O que é música de câmara?
7 Para que serve a música de câmara
9 O que precisa ser feito: No semestre anterior ao trabalho do grupo
10 Encontrando professores
10 Formação do grupo e escolha de repertório
12 Escolhendo a Edição
13 Aprofundamento - Sobre Edições
16 O que precisa ser feito: Antes das aulas começarem
17 Dinâmica do grupo
18 Preparando o terreno
18 1) Contextualização
21 2) Estudo de Gravações
24 3) Estudo teórico-prático
28 Planejamentos: cronograma do grupo
28 1) Planejando o estudo de férias
30 2) Planejando o semestre
33 O que precisa ser feito: Durante o semestre
34 Trabalho em grupo
37 Para as aulas
38 Sobre performances e provas
40 Conclusão do Semestre de Música de Câmara
43 Referências
3
Prefácio
4
Porque e para que uma Cartilha de Música de Câmara?
Essa cartilha foi elaborada com intenção de oferecer um material que pos-
sa auxiliar estudantes em suas trajetórias pela Música de Câmara dentro
da Universidade. Mas porque a necessidade de uma cartilha para isso? As
pesquisas e entrevistas que fundamentaram este trabalho demonstraram
as seguintes informações: 1. Na opinião da maioria dos professores entre-
vistados, a música de câmara é fundamental para a formação de músicos;
2. A grande maioria dos estudantes entrevistados que chegam à Escola de
Música da UEMG não tiveram contato com música de câmara anteriormen-
te; 3. A inexperiência dos alunos com esse repertório e escassez de fon-
tes, especialmente em português, que ofereçam
informações sobre prática em música de câmara O que encontrar aqui?
traz dificuldades para o desenvolvimento dos gru-
pos. A partir destas três conclusões demonstra- A Cartilha aborda assuntos importantes para o de-
das nas entrevistas, comprovou-se a necessidade senvolvimento individual e do grupo na disciplina
de desenvolver esse material. Embora exista um Música de Câmara, buscando sempre explicar: O quê,
direcionamento mais específico para estudantes porquê, quando e como fazer cada etapa do processo
da Escola de Música da Universidade do Estado de de estudo. Em um primeiro momento falaremos so-
Minas Gerais, principalmente em seus primeiros bre o que é música de câmara e como ela pode auxi-
semestres de curso, a presente cartilha poderá liar o desenvolvimento de músicos . Em seguida di-
ser utilizada por qualquer estudante que tenha in- vide-se o trabalho do grupo em três etapas a serem
teresse em refletir sobre a música de câmara e em desenvolvidas no tempo cronológico: 1) No semestre
se aprofundar nessa prática. anterior ao trabalho do grupo, onde serão abordados
os primeiros passos, 2) Antes das aulas começarem,
cujo conteúdo tratará de aspectos sobre a preparação
para o semestre e, por fim, 3) Durante o Semestre, o
que deverá ser feito pelo grupo. Vamos aos estudos!
5
Sobre a Música de Câmara
6
O que é música de câmara?
O conceito de música de câmara teve formas diferen-
tes em cada época e lugar ao longo da história. Embora
existam divergências sobre o que pode ser considerado,
de fato, música de câmara, em linhas gerais ela pode ser
definida como música de conjunto. Ainda que não exista
um número preciso de músicos envolvidos, a noção mais Para que serve a música de câmara
aceita é que essa prática envolve pelo menos dois indi-
víduos, de acordo com Baron1. O mesmo autor também Dentre as habilidades a serem desen-
afirma que o repertório camerístico pode ter caráter volvidas nas aulas de música de câmara
solista, pois cada parte é executada por um único músico, algumas se destacam: a capacidade de
deixando todos muito expostos. Acrescenta-se ainda que escuta, habilidades artísticas interpreta-
a música de câmara tem como característica essencial a tivas, capacidade de desenvolver traba-
intimidade, segundo Domenech2.
lhos em grupo, relacionar conhecimen-
1) Relacionar conhecimen- tos multidisciplinares e indepen dência
tos multidisciplinares: Ser enquanto músico, artista e profissional.
capaz de unir conhecimen-
tos a respeito do contexto de uma obra (compositores, es-
tilos, períodos), gravações de execução da obra, conheci-
mentos teóricos analíticos de música e habilidades práticas
com o instrumento. Buscar informações a respeito de uma
obra a ser estudada é algo habitualmente deixado em se-
gundo plano em detrimento do estudo prático do instrumen-
to ou canto, principalmente por estudantes. A capacidade
de relacionar vários conhecimentos deve ser levada para
todas as práticas musicais, pois pode ser um instrumen-
to para fundamentar a construção de uma interpretação.
1 BARON, J.H. Intimate Music: a history of the idea of chamber music. Stuyvesant, NY: Pendragon
2P ress, c1998. M. Música de câmara na formação do músico profissional: aspectos pedagógicos, es- 7
DOMENECH,
colha e adaptação de seu repertório. São Paulo: Universidade Estadual Paulista, 2018.
2) Capacidade de desenvolver trabalhos em
grupo: O trabalho em grupo na música de É sempre um desafio aprender
câmara também proporciona vários apre- a lidar com o trabalho coletivo,
ndizados, como: maturidade para tomar uma vez que existirão descon-
decisões em grupo tendo como foco o re- fortos e discordâncias entre os
sultado do trabalho e não questões indi- músicos. Lembre-se que o obje-
viduais, responsabilidade em relação a tivo é fazer música junto!
pontualidade, aprender a trocar conhecimen-
tos e habilidades com os colegas e aprender 4) Habilidades artísticas interpretativas:
a ensaiar (controlar o tempo utilizado para Conhecer os tipos de interpretações existen-
cada assunto e planejar o que será ensaiado). tes e suas características, para que se pos-
sa construir a própria concepção artística
3) Capacidade de escuta: Ser capaz de de maneira consciente. A música de câmara
ouvir e compreender uma música executada pode proporcionar auto-descoberta e atuar
como um todo, não apenas a sua parte indivi- na liberação da criatividade dos alunos, uma
dual. Um bom ouvido é a principal ferramen- vez que, nessa prática, diferentemente do
ta do músico para explorar sua sensibilidade processo de estudo do repertório solo, os es-
ao som. Nesse sentido, a música de câmara tudantes tendem a tomar decisões técnicas
pode proporcionar um ambiente propício para que favorecem a idéia musical e não o oposto.
o aprimoramento dessa habilidade, uma vez
que, por meio da sua prática, o músico é cons- 5) Independência enquanto músico, artis-
tantemente estimulado a ouvir e compreen- ta e profissional: Ser capaz de tomar deci-
der não apenas sua parte, como também a de sões sobre sua produção artística e musical
seus colegas. A partir do desenvolvimento da a partir de sua prática e conhecimento, sem
capacidade auditiva, o músico tem a oportu- necessitar do auxílio constante de profes-
nidade de expandir suas ferramentas analíti- sores. No caso dos grupos de estudantes o
cas e capacidade de julgamento, se tornando professor orienta o trabalho que será fei-
to, porém com um objetivo mais musical do
assim mais habilitado
a encontrar soluções Como é a sua capa- que técnico e sem focar em cada um indivi-
para os obstácu- cidade auditiva? Você
los técnicos e musi- consegue ouvir várias dualmente. Isso proporciona aos alunos a
vozes ao mesmo tem- oportunidade de tomar decisões interpreta-
cais de sua prática. po em uma música? tivas, além de promover, de forma mais in-
dependente, a resolução de problemas téc-
nicos durante os ensaios com os colegas.
8
O que precisa ser feito:
No semestre anterior ao
trabalho do grupo
Formar um grupo, encontrar um professor orien-
tador e escolher o repertório a ser tocado são os
primeiros passos para iniciar o estudo da música
de câmara. É crucial que esses assuntos sejam
pensados com antecedência para que não haja per-
da de tempo nem de qualidade durante o semestre
em que o grupo estará de fato produzindo o reper-
tório. Essas decisões podem acontecer de forma
concomitante, mas é importante saber que o gru-
po não possui autonomia para decidir seu reper-
tório sem estar em concordância com o professor,
de acordo com as diretrizes da disciplina música
de câmara da Escola de Música da UEMG. A seguir
falaremos então sobre alguns pontos a serem con-
siderados para tomar essas primeiras decisões.
9
Encontrando professores
Diferentemente do aprendizado individual do instrumento,
na música de câmara o professor não precisa ser um espe-
cialista no mesmo instrumento ou canto que os membros
do grupo, até porque muitas formações são compostas por
instrumentos diferentes e de famílias diferentes. Desta for-
ma, o foco principal não é no aprendizado técnico, mas sim
O que é importante no aprendizado musical. Pode ser muito produtivo fazer aula
considerar de música de câmara com mais de um professor de áreas
diferentes ao longo do curso para ter oportunidade de co-
Conhecer professores da nhecer diferentes
escola - a disciplina mú- perspectivas.
sica de câmara é ofertada
por vários professores. Para conhecê-
-los, conversem com os professores
para saber como trabalham e pedir
sugestões e opiniões sobre repertó-
rios. Pode-se conversar também com
colegas veteranos para saber sobre Formação do grupo e escolha de repertório
suas experiências com cada professor.
Convidar professores para orientar Estas são questões que influenciam muito o desen-
o grupo - não é interessante esperar volvimento do grupo, apesar de parecerem simples.
até o começo do semestre para defi- Diferenças muito marcantes de nível técnico, artístico
nir quem será o professor do grupo, e musical entre os músicos, problemas de relacio-
porque as classes acabam ficando namento e dificuldade para encontrar horários para
cheias não havendo mais possibilidade ensaios e aulas são alguns dos problemas que mais
de escolha. Por isso, façam uma lista interferem na qualidade do trabalho ao longo da disci-
dos professores de acordo com seu plina música de câmara.
interesse (e do grupo se ele já estiver
formado) e façam um convite ao pro-
fessor. Caso não haja disponibilidade
tente o próximo e assim por diante.
10
O que é importante con- Afinidade entre os músicos e compatibi-
siderar lidade de interesse por música de câma-
ra: pode não determinar a qualidade do
resultado do trabalho, mas facilita con-
Coerência entre o nível de dificuldade do reper- sideravelmente o processo. A prática
tório escolhido e necessidades de aprendizado: de música de câmara demanda diálogo,
É preciso considerar o nível de dificuldade da peça por isso quanto mais compatível for a
e comparar com as necessidades de aprendiza- personalidade dos indivíduos, melhor.
do do músico em qualquer gênero, seja solo ou Além disso, também é importante bus-
música de câmara. No entanto, no segundo caso, car colegas que tenham interesse e
essa decisão se torna mais complexa pois deve-se dedicação semelhantes em relação a
pensar não apenas em um músico, mas sim em música de câmara.
todos os envolvidos. Dessa forma, é normal que Procure conhecer seus colegas
existam diferenças já que cada um tem habilidades antes de formar um grupo de
e dificuldades distintas. Contudo, quando o nível música de câmara. Pode ser
técnico e musical dos alunos é muito discrepante, que não dê certo de primeira,
isso pode ser prejudicial e gerar frustrações. As mas isso faz parte do apren-
diferenças se mostram positivas quando instigam dizado!
os músicos a aprimorar suas habilidades, como por Disponibilidade de horários compatíveis para
exemplo: um estudante mais experiente desenvolve aulas e ensaios: é algo básico, mas normal-
sua capacidade de orientar e explicar como resol- mente causa muitos conflitos quando não é
ver um desafio do repertório e o estudante menos pensado com antecedência. Apesar de sua
experiente se empenha em vencer os desafios. importância óbvia, este critério não deve ser
o único a definir a escolha de um grupo, uma
Pesquise os repertórios vez que os os grupos de alunos reunidos
que te interessem e peça apenas pela conveniência dos horários nor-
a opinião dos professo- malmente são os que têm desempenho mais
res de música de câmara baixo. Assim que todos efetuarem a matrícu-
e de instrumento ou can- la do semestre seguinte, avaliem os horários
to. Busque compreender disponíveis de cada integrante e do profes-
quais são os diferentes sor, podendo assim definir os dias e horá-
desafios de cada obra. rios para ensaios e aulas com antecedência.
11
Passo a passo Analisar as características
dessas edições: busque res-
Listar as edições que ponder qual o tipo da edição,
existem da obra: buscar quando foi editada, quem
em fontes para pesquisa é o editor e qual é a edito-
como IMSLP, bibliotecas ra. Com o tempo, o acúmulo
de universidades e bi- dessas informações irá te
bliotecas particulares auxiliar a conhecer e en-
de professores e colegas; contrar mais facilmente as
edições que precisar utilizar;
Escolhendo a Edição
A partitura é um dos principais mate- Escolher a edição que será utilizada: depois de feita a
riais de trabalho de profissionais da análise das edições disponíveis, é importante consi-
música pois é o meio escrito por meio derar alguns pontos para definir qual será utilizada: 1.
do qual as obras de compositores são Legibilidade, para que não haja dificuldades desneces-
transmitidas, tanto para finalidade de sárias para leitura e estudo e 2. Clareza das informa-
performance quanto para pesquisas ções, isto é, que seja possível identificar as decisões
musicológicas. Por isso, é necessário e interferências do editor; 3. A opinião do professor
escolher com cuidado, conhecendo os também deve ser considerada, pois muitas vezes
tipos de edições que existem, a qual ele saberá auxiliar na identificação da qualidade da
finalidade cada uma atende e saben- edição; 4. Acessibilidade, tanto em relação ao preço
do onde encontrá-las. Abordaremos o quanto a existência de edição em território nacional;
processo de pesquisa sobre edições, a
escolha de uma que seja apropriada à
prática musical. Além disso, aprofun-
daremos a discussão sobre os tipos de
edições, suas características e onde
encontrá-las.
12
Distribuir entre os mem- Aprofundamento
bros do grupo: todos de-
vem possuir uma cópia da Sobre Edições
partitura completa além
de sua parte individual Como foi dito anteriormente em Escolhendo a
para levar para o Plane- Edição, é importante saber que existem tipos di-
jando o estudo de Férias 3. ferentes de edições utilizados para finalidades
diferentes. Utilizaremos a classificação feita por
Carlos Alberto Figueiredo em seu artigo “Tipos
de Edições”4 para falar sobre características, uso,
vantagens e desvantagens de cada uma. Além dis-
so será indicado onde encontrar essas edições.
4 Uma vez que o aprofundamento deste tópico foge ao propósito desta cartilha,
informamos apenas os tipos de edição mais presentes no cotidiano de estudantes de música.
Para mais informações, consultar FIGUEIREDO, Carlos Alberto. “Tipos de Edições”. DE-
3 ver p. 28. BATES - Cadernos dos Programas de Pós-Graduação em Música (CLA/UNIRIO). Rio de 13
Janeiro, n. 7, p. 39-55, 2004.
Fac-símile Prática
Dentre os tipos de edição, essa é a única que É um tipo de edição voltada para a per-
não possui nenhum tipo de interferência por formance, produzida através de crité-
parte do editor, pois é concebida através da rios variados e seu principal objetivo é
digitalização de um manuscrito por meio da fornecer informações sobre a manei-
fotografia, produzindo assim um resultado ra de executar a obra contida no texto,
totalmente fiel a fonte. normalmente do ponto de vista de um
determinado intérprete. Transcrições
Uso, vantagens e desvantagens: para formações diferentes da original-
É muito utilizada para finalidades mu- mente escrita pelo compositor também
sicológicas por seu caráter histórico. se encaixam nessa classificação.
No entanto, há intérpretes que gostam
de utilizar o fac-símile como referência Uso, vantagens e desvantagens: Pode ser
juntamente com outras edições, uma muito útil principalmente para estudantes
vez que essa representação do origi- de música por fornecer várias indicações
nal pode trazer informações e nuances de como executar a peça (dedilhados, ar-
que não serão mostradas pela escrita cadas, respirações, entre outras), o que
moderna. Porém é preciso ter cautela, adianta o processo de estudo da mesma.
pois de acordo com Figueiredo (2004), Porém, deve-se tomar cuidado com edi-
nem sempre o leitor terá o aparato teó- ções que não ofereçam informações sobre
rico necessário para interpretar o que as fontes nem indicações a respeito das
contém em um documento antigo. intervenções feitas, pois assim se torna
bastante difícil identificar as alterações
Onde encontrar: Em caso de realizadas pelo editor.
haver interesse em buscar
esse tipo de edição, a boa Onde encontrar: Este é o tipo de edição mais
notícia é que, hoje em dia, acessível, pois são facilmente encontrados na
muitas estão em domínio internet gratuitamente em sites como IMSLP
público e podem ser encon- e normalmente são as mais utilizadas por
tradas na internet, em sites estudantes. Para escolher a melhor opção
como IMSLP. dentre as edições disponíveis pode-se dar
preferência para as que se encaixam melhor
14 em alguns critérios: apresentar informações
que indiquem sua origem e autor, indicar cla-
ramente as interferências editoriais e ter boa
legibilidade.
Crítica Urtext
Este tipo de edição pretende ter um A palavra Urtext, “texto original” em alemão,
forte compromisso com a lingua- começou a ser utilizada no final do século XIX
gem do compositor, tendo como e historicamente acabou sendo apropriada
base um trabalho de análise crí- pelo mercado de partituras com a intenção
tica de várias fontes do texto mu- de conferir confiabilidade às edições, sendo
sical para traçar uma idéia da in- assim por vezes utilizada de maneira leviana.
tenção do compositor. Em alguns A definição de Urtext passa pelos seguintes
casos ela oferece também indica- pontos: 1) Deve representar da forma mais fiel
ções de execução para intérpretes. possível a intenção de escrita do compositor,
porém não há concordância se ela deve se
Uso, vantagens e desvantagens: produzidas basear em apenas uma fonte, se aproximando
por pesquisadores do meio acadêmico ou da Edição diplomática, ou em várias fontes,
por editoras renomadas, possuem grande se aproximando da Edição Crítica; 2) Deve
confiabilidade e são muito utilizadas por in- oferecer informações úteis para a execução.
térpretes profissionais e professores. Essa
preferência acontece porque, normalmen- Uso, vantagens e desvantagens: por ter for-
te, essas edições esclarecem as decisões tes semelhanças com a edição crítica, in-
tomadas pelo editor, evitando deixar dúvi- clusive algumas edições carregam ambos
das para quem as utiliza. O maior proble- os nomes, possui qualidades e problemas
ma nesse caso é que, como normalmente semelhantes. Normalmente suas informa-
não estão em domínio público, não são en- ções são confiáveis por possuírem embasa-
contradas na internet e os preços podem mento em pesquisas, mas também se tornam
ser altos para a realidade de estudantes. menos acessíveis devido aos altos preços.
Onde encontrar: as bibliotecas e Onde encontrar: assim
acervos de partituras de escolas como a edição crítica, po-
de música de universidades são de-se buscar pelas Urtext
bons locais para procurar essas em bibliotecas e acervos
edições, principalmente no caso de partituras de escolas de
de obras conhecidas. No caso de música de universidades e
obras menos conhecidas, muitas em acervos particulares dos
vezes é possível encontrar nos professores e intérpretes
acervos particulares dos profes- profissionais.
sores e intérpretes profissionais.
15
O que precisa ser feito:
Antes das aulas começarem
Neste capítulo falaremos sobre como organizar a dinâ-
mica e a relação do grupo, estudos e pesquisas que po-
dem ser feitos para fundamentar as escolhas interpre-
tativas e como elaborar um cronograma das tarefas do
grupo. Considera-se que para executar esses planeja-
mentos seja necessário colocá-los em prática ao menos
um mês antes do início das aulas. Portanto a primeira
reunião do grupo para elaborá-los deve ser feita em tor-
no de cinco a seis semanas antes do início das aulas.
16
Dinâmica do grupo
Na música de câmara, além dos desafios musi-
cais, também existem os desafios de convivência Divisão de tarefas: ao longo do desenvolvimento
e compromisso entre as pessoas do grupo, como do trabalho existirão várias demandas a serem
já foi considerado anteriormente5. Por isso, antes resolvidas para que os ensaios e estudo da parte
de iniciar o planejamento do trabalho é impor- individual possam ser feitos com qualidade. Por
tante se reunir para pensar sobre como o grupo isso, é importante que leiam cada etapa dessa
irá funcionar, além de organizar e dividir algumas cartilha pensando em organizar e dividir o que
tarefas entre os componentes. precisa ser feito de acordo com as habilidades
e possibilidades de cada um. Por exemplo: po-
derá ser necessário fazer pesquisas, analisar a
partitura, controlar o tempo do ensaio, anotar o
que precisa ser trabalhado, ano-
Tomada de decisões: alguns músicos tar as orientações do professor,
profissionais acreditam que o processo entre outras coisas. Essas ta-
democrático nas escolhas interpretati- refas podem ser divididas entre
O que é importante vas é um caminho adequado para músi- os integrantes ou também pode
considerar cas feitas em grupo, mas há quem consi- haver contribuição conjunta em
dere mais eficiente ter um integrante em todas elas. Refletir sobre como
posição de liderança. Conclui-se que não fazer isso pode levar as toma-
existe uma forma certa. Essa dinâmica das de decisões, no entanto é
tende a ocorrer naturalmente de acordo importante reconhecer quando
com a personalidade de cada pessoa. algo não funciona e propor novas
Conversar sobre isso com antecedência soluções.
ajuda a esclarecer diferentes pontos de
vista, evitar atritos e aproveitar melhor
as habilidades de cada um.
Dica: Certamente ocorrerão
conflitos, por isso lembrem-
-se sempre de que o obje-
tivo principal é fazer a mú-
sica acontecer. As decisões
do grupo devem prevalecer
sobre opiniões individuais.
5 ver ítem “Formação do grupo e escolha de repertório” , em “O que precisa ser 17
feito no: Semestre anterior ao trabalho do Grupo”, na parte sobre.
O que pesquisar
Preparando o terreno Contexto histórico: o que se
passava no local e no tempo
Este processo engloba tudo aquilo que deve ser em que viveu o compositor?
preparado antes do início das aulas e ensaios. Como era essa cultura? Como
Serão abordados os seguintes assuntos: o que e era a prática musical nessa
onde pesquisar temas que irão auxiliar na cons- época e lugar?
trução da interpretação; como deve ser feito o
passo a passo para o pesquisa de gravações no Vida do compositor: Como foi sua
processo de estudo de uma obra; qual a impor- vida enquanto compositor? Quais
tância e como fazer análise da partitura, estudo outros compositores eram contem-
dos desafios individuais e estratégias de estudo porâneos a ele? A que camada social
prático da partitura. esse compositor pertencia e de que
forma isso interferiu em sua carreira
1) Contextualização como compositor?
Toda obra de arte é feita por alguém, em algum Obra do compositor: Quais fo-
lugar e em algum contexto histórico. Para ouvintes, ram suas principais obras? Qual
pode não ser necessário conhecer sobre todos es- era a extensão da obra desse
ses aspectos para apreciar uma obra. No caso de compositor? Quais obras foram
intérpretes, é fundamental ter essas ferramentas compostas no mesmo período
para construir sua própria interpretação, pois ela que a obra que você irá estudar ?
é o resultado de muita pesquisa e conhecimentos Busque escutar essas obras.
acumulados ao longo da vida de cada intérprete.
Como estudantes de música, podemos olhar para Obra que será estudada: Em que momento da vida
cada obra que estudamos como uma oportunidade do compositor essa obra foi composta? Ela foi de-
de ampliar esses conhecimentos sobre a histó- dicada a algo ou alguém? Foi composta original-
ria da arte, da música, dos estilos de cada época mente para a instrumentação que será estudada?
e de cada compositor. Há muitos caminhos para Se não, para quais instrumentos ela foi composta?
realizar pesquisas, observa-se aqui dois aspectos Ela foi composta para uma pessoa ou grupo de
principais: o que pesquisar e fontes para pesquisa. pessoas específicas tocarem? Como ela se inse-
re no contexto das outras obras do compositor?
18 Quais características ou técnicas existem nessa
obra que a distinguem ou aproximam das demais
obras do compositor?
Fontes para pesquisa:
Para pesquisas em meios físicos Encartes de CD’s: atualmente não é tão
comum ter vários CD’s em casa, mas
Grove Dictionary of Music and Musi- nas bibliotecas das escolas de mú-
cians: o famoso dicionário enciclo- sica das universidades normalmen-
pédia possui pequenos artigos que te existe uma parte para eles. Assim
abordam os mais diversos assuntos como os prefácios das edições os en-
sobre música. Sua versão física pode cartes também costumam apresentar
ser encontrada nas bibliotecas de es- informações relevantes sobre a obra.
colas de música das universidades.
Biografias de Compositores: estes são
Prefácio de edições: muitas edições materiais para maior aprofundamento
embasadas em pesquisa possuem um em relação ao compositor, sua obra e
prefácio que apresenta informações cru- estilo. Normalmente é possível encontrar
ciais sobre a obra. Se tiver acesso a uma também em bibliotecas de universidades.
edição desse tipo não deixe de verificar.
Dica: existem bons meios
meios para encontrar infor-
mações importantes tanto
virtual quanto fisicamente.
Busque começar pelos que
oferecem informações mais
gerais para depois seguir
para os que aprofundam em
pontos específicos.
19
Para pesquisas virtuais
Wikipédia6: pode ajudar bastante a Google Acadêmico: é uma excelente
ter uma visão inicial mais ampla so- ferramenta de busca do Google vol-
bre os temas pesquisados, dan- tada para publicações acadêmicas
do assim um direcionamento inicial e possibilita maior aprofundamen-
para pesquisas mais específicas. to sobre os assuntos pesquisados.
IMSLP: além de ser um enorme banco JSTOR: assim como o Grove, a Escola
de partituras, oferece algumas infor- de Música da Universidade do Esta-
mações sobre compositores e obras. do de Minas Gerais possui assinatura
da plataforma JSTOR, onde é possível
Grove Music Online: a Escola de Músi- encontrar publicações como artigos,
ca da Universidade do Estado de Minas sendo um ótimo meio para encon-
Gerais possui assinatura para acesso a trar informações mais específicas.
versão online do dicionário, que pode ser
acessado pelo site Oxford Music Online.
Outros meios de pesquisa Documentários: sobre compositores, so-
bre a cultura musical de um determinado
Expressões artísticas além da música: período histórico, sobre grandes acon-
artes visuais, como pinturas, esculturas, tecimentos históricos que ocorreram na
gravuras e desenhos; literatura e poesia época em que o compositor vivia podem
da época do compositor ou que fale sobre auxiliar bastante.
essa época e filmes são sempre bem
vindos para ampliar os conhecimentos Conversas com professores, profissio-
e a sensibilidade sobre a obra estudada. nais e colegas: é possível encontrar in-
formações valiosas através de diálogos
com pessoas que já tem mais experiên-
cia. Procure essas pessoas e não deixe
de fazer perguntas!
20 6 Para discussão aprofundada em relação
a confiabilidade das entradas da Wikipédia, ver:
https://www.nature.com/articles/438900a
Indicação de livro para 2) Estudo de Gravações
maiores aprofunda-
mentos sobre música Escutar gravações no contexto de estudo de uma
de câmara: Chamber obra também pode ser parte desse estudo. Não
Music: An Essential há um consenso entre profissionais sobre o mo-
History - Mark A Radice. mento adequado para iniciar a escuta, o quanto se
deve ouvir e quantas gravações diferentes se deve
ter como referência. Por isso é sempre importante
considerar a proposta do professor que orienta o
grupo. Alguns acreditam que seja melhor ouvir no
princípio do estudo para auxiliar na compreensão
da estrutura da música, outros pensam que é mais
aconselhável fazer a leitura da obra antes de ouvir
gravações para que a ideia musical não seja muito
influenciada. De toda forma, todos concordam que
1) é importante ouvir várias gravações tanto para
estudar uma obra específica quanto para ampliar
conhecimentos e sensibilidade para perceber di-
ferentes estilos e interpretações, mas lembrando
que 2) esse processo de escuta deve sempre ser
crítico para que a interpretação não se torne uma
cópia das gravações.
21
Se a obra é longa,
Passo a passo obviamente não é
necessário que se
escute todas as
Seleção: pesquisar e listar quais gravações da obra gravações esco-
estudada existem e escolher ao menos 3 contrastantes lhidas de uma vez!
entre si em relação a nacionalidade do grupo, época Apreciação: o objetivo nessa par-
em que foram gravadas, de grupos que são referência te é se familiarizar com a obra
e também de grupos menos conhecidos. Anote essas e preparar o ouvido para poste-
diferenças. O objetivo disso é que se possa perceber as riormente ouvir com foco mais
aproximações e os distanciamentos entre as interpre- analítico. Essa etapa de escuta
tações, podendo assim pensar a obra por perspectivas é parte tão importante do estu-
distintas. do quanto a prática do instru-
mento ou canto, por isso o ideal
é que o momento de apreciação
Análise: escutar do movimento seja dedicado exclusivamente a
que será trabalhado no momen- isso. Deve-se escutar as grava-
to, analisando a gravação. Busque ções escolhidas algumas vezes.
anotar o máximo de caracterís-
ticas que puder perceber em re- Comparação: nesse ponto deve-se
lação às gravações, por exemplo: observar semelhanças e diferen-
andamento (conferir com metrô- ças entre as interpretações e re-
nomo); variações agógicas - são fletir sobre possíveis justificativas
frequentes ou nem tanto?; arti- para essas relações de aproximação
culações, dinâmicas e frasea- e afastamento. Por exemplo: os gru-
dos - observe a maneira como os pos de mesma nacionalidade tem in-
intérpretes escolhem executar terpretações mais próximas entre si
o que está escrito na partitura. do que as de nacionalidade diferente?
Cuidado com o exa- Os grupos de gerações mais próxi-
gero, não é neces- mas são mais parecidos entre si do
sário escrever uma que os de gerações mais afastadas?
crônica descritiva da
obra. Preocupe-se Conclusão: Por fim, é claro
com o que chama que faz parte desse proces-
mais a sua atenção! so pensar sobre o que você
gosta mais e o que não gos-
ta tanto em cada interpreta-
ção, pois isso será importante
para que o grupo, posterior-
mente, tome decisões e de-
22 senvolva sua versão da obra.
Esse processo não é linear,
pois ao longo de todo o es-
tudo da obra, até chegar a
performance, essas ações
podem ser retomadas. Por
exemplo, é possível que de-
pois que o grupo já tenha
iniciado os ensaios ou até
mesmo feito performances
apareçam novas gravações
interessantes, que pode-
rão ser usadas como base
do estudo. É importante
se guiar pelas necessida-
des e interesses de cada
momento e claro, pelas
orientações do professor!
23
3) Estudo teórico-prático Assim que a partitura completa e a parte in-
dividual estiverem em mãos, você deve pre-
Nessa etapa, o objetivo é internalizar a estrutura pará-las para o uso:
da música, tanto para trabalhar a parte individual
quanto para se preparar para o trabalho em grupo. 1) Se as folhas estão soltas, encaderne ou
Para isso, deve-se estudar a partitura completa, cole com fita adesiva para não ter proble-
observando não apenas a sua voz, mas também mas mais tarde. Também pode ser muito
as outras e como elas se relacionam. Podemos produtivo identificar os melhores lugares
verificar a importância fundamental do estudo da para as viradas de página da parte indivi-
partitura por uma explicação muito simples: se uma dual para evitar acidentes na performance.
música é feita de várias vozes, só é possível com-
preendê-la conhecendo cada uma individualmente 2) Numerar os compassos: algumas parti-
e seu resultado como um todo. Dito isso, vamos turas não possuem número de compasso,
começar: neste caso deve-se numerá-los para evi-
tar perda de tempo nos ensaios e aulas.
Vamos agora aos estudos para desenvolver re-
ferência sonora e da estrutura da música pen-
sando em três etapas: Análise a estrutura da
música; estudo dos desafios individuais espe-
cíficos; estratégias de estudo prático da parti-
tura completa. Tenha em mãos lápis e borracha
para anotar o que for necessário na partitura:
24
Análise formal: 1) Identificar as grandes se-
ções do movimento e descobrir sua forma
(ex: sonata, rondó, ABA, entre outros); 2)
Analisar a estrutura da música Estudar as relações entre as vozes: encon-
tre os “caminhos” que guiam a música, ou
Primeiros passos7: 1) Ouvir a música seja, qual voz lidera e qual voz acompanha
(movimento ou peça que será estuda- em cada parte; 3) Identificar as texturas
da no momento) acompanhando com a utilizadas ao longo das grandes seções;
partitura, tentando não focar em uma 4) Analisar as frases, identificando onde
voz específica; 2) Escutar cada uma começam e onde terminam; 5) Estudar os
das vozes separadamente, focando em temas e/ou motivos da obra: identificar seus
uma de cada vez; 3) Observar e des- ritmos, suas articulações, os contrastes e
tacar indicações da partitura: tonali- semelhanças que possuem entre si, como
dades, fórmulas de compasso, anda- eles variam ao longo da música após a pri-
mentos, caráter, dinâmicas, agógicas, meira vez que são apresentados;
ritornelos, entre outros.
Análise harmônica: é fundamental para auxiliar
o estudo da afinação individual e em grupo. Nem
todos possuem um grande domínio da harmonia
tradicional para fazer uma análise completa antes
de começar a tocar em grupo. De toda forma, é
importante descobrir ao menos os principais mo-
vimentos harmônicos que acontecem ao longo da
obra, como tônicas e dominantes e modulações
para outras tonalidades.
7 Sobre escutar gravações nessa etapa: não existe um Peça ajuda para professores
e colegas!
consenso entre profissionais e professores sobre utilizar ou não
a escuta de gravações para auxiliar na compreensão da estrutura 25
da música. Pergunte a opinião de professores que irão orientar o
grupo a respeito desse assunto.
Estudo dos desafios individuais específicos
Identificando os desafios: 1) anote as passagens Iniciando o estudo da parte8: 1) Comece
tecnicamente difíceis que você sabe que preci- a estudar as partes que você identificou
sará estudar mais para ser capaz de executar; como as mais complicadas; 2) Trabalhe
2) anote quais serão os aspectos importantes os aspectos mais individuais das partes
para se estudar nas passagens menos compli- menos complicadas, como sua própria
cadas do ponto de vista individual, por exem- afinação, assimilação dos ritmos, entre
plo: afinação do conjunto, ritmos complicados outros. As questões coletivas serão traba-
em relação a outras vozes, entradas onde seja lhadas na próxima etapa; 3) Faça testes e
necessário dar atenção a contagem de tempo, anote as marcações de execução da peça,
passagens onde sua voz esteja mais exposta, mas lembre-se de conferir na partitura
entre outros; 3) Comece a pensar na execução se as suas escolhas podem funcionar no
da música (como possíveis dedilhados, arcadas, conjunto. Esse trabalho provavelmente irá
respirações, de acordo com o seu instrumento). passar por alterações ao longo das aulas e
ensaios porque deve ser adequado a todos
do grupo, tendo em mente a ideia musical.
8 Aqui não entraremos em detalhes sobre o processo de estudo individual, principalmente no
aspecto técnico, pois é algo que depende de como professores de música de câmara e do instrumento
26 ensinam e também como cada estudante tem hábito de estudar. Porém vale sempre lembrar: comece a
estudar lento e com metrônomo sempre que necessário!
Estratégias de estudo prático da partitura Solfejando a música: não é incomum professores
completa orientarem os estudantes a solfejar suas vozes.
Essa estratégia não funciona apenas para ajudar
Tocando com gravações9: 1) Tocar junto com uma a compreender a música e sua estrutura mas tam-
gravação utilizando a partitura completa ao invés bém para desenvolver clareza sobre a intenção
da sua parte individual. Pode-se utilizar gravações musical nas frases. Também pode ser utilizada
variadas para não se prender a uma interpreta- para executar mais de uma voz ao mesmo tem-
ção específica. Dica: o Youtube possui um recurso po substituindo tocar o instrumento pelo solfejo
de acelerar e desacelerar gravações sem modifi- (no caso de instrumentistas), enquanto execu-
car a afinação, o que pode auxiliar bastante nessa ta o ritmo de outras vozes com as mãos ou pés.
prática; 2) Buscar se familiarizar com as outras
vozes, tocando com a gravação algumas vezes Cada pessoa cria uma estratégia de es-
para prestar atenção em perspectivas diferentes; tudo para compreender a música repre-
3) Anotar as dificuldades que encontrar e focar sentada na partitura e é comum que ela
em trabalhá-las para se preparar melhor para se modifique com o tempo, à medida que
os ensaios. Anotar também o que você considera os desafios vão mudando. Experimente
que pode ser uma dificuldade para todo o grupo. usar lápis de cores para visualizar me-
lhor o caminho que acontece entre as
Executar mais de uma voz ao mesmo tempo: vozes por exemplo, ou fazer represen-
1) Escolher trechos que você considere impor- tações gráficas das texturas da música.
tante a fim de compreender melhor algum aspec- Qualquer estratégia é válida desde que
to de uma outra voz, como por exemplo o ritmo; o ajude a compreender o que é preciso.
2) Tocar sua parte e execute a outra voz can-
tando ou “batendo” seu ritmo com alguma par-
te do corpo de acordo com suas possibilidades.
Se for possível, inverter esse processo, tocando
a outra voz e executando a sua por outro meio.
9 Aqui vale a mesma observação feita em “ Analisar a 27
estrutura da música ”, pág. 25.
Planejamentos: cronograma do grupo
Essa etapa consiste em organizar as atividades
que serão executadas pelo grupo durante o se-
mestre e ainda as que foram abordadas anterior-
mente em “Preparando o terreno” (p. 18). O grupo
deve se reunir até seis semanas antes do início 1) Planejando o estudo de férias
das aulas para ter tempo hábil tanto para plane-
jar, quanto para executar esses planejamentos. Aqui deve-se refletir sobre o que fa-
Serão feitos, então, dois cronogramas: o primeiro zer e quando fazer cada coisa. Para
para organizar os estudos anteriores ao início esse trabalho não é necessário que
do semestre e o segundo para organizar o se- os membros do grupo se encontrem
mestre em si. Para fazer esses planejamentos é pessoalmente, mas é recomendado
necessário pensar nos objetivos de longo, médio que se comuniquem para trocar in-
e curto prazo, no tempo disponível em semanas formações e tomar decisões juntos.
para alcançar esses objetivos e no passo a pas-
so.
Objetivo: preparar-se para iniciar o semestre com qua-
Dica: uma boa idéia é lidade, ou seja, conhecendo bem a música através do
criar um documento estudo da partitura completa, sendo capaz de executar
compartilhado, onde sua parte do ponto de vista técnico e possuindo conhe-
os planejamentos e cimentos sobre a obra, sobre compositor e seu estilo.
pesquisas possam ser
acessados por todos Tempo disponível: irá depender da disponibilida-
os membros do grupo. de de membros do grupo, mas como foi dito an-
teriormente é aconselhável iniciar esse traba-
lho ao menos um mês antes do início das aulas e
concluí-lo na semana anterior ao início das aulas.
Passo a passo: nessa etapa podem ocorrer vá-
rias pesquisas e estudos concomitantemen-
te, pois são assuntos interligados e o trabalho
pode e deve ser dividido entre membros do grupo.
28
textualização udo de Gravações udo teórico-prático
Con
Est
Est
1ª • contexto histórico • seleção • Iniciar análise da estru-
• vida do compositor • apreciação tura da música
Semana
• análise de gravações • Iniciar estudo dos
2ª • obras do compositor selecionadas desafios individuais
específicos
Semana • discutir em grupo
• desenvolver con- • iniciar estudo prático da
3ª • pesquisar sobre partitura
obra que será clusão
Semana estudada • continuar estudo dos
desafios individuais
4ª • discutir informa-
ções em grupo • concluir análise
Semana
• desenvolver con- • continuar estudos de
clusão desafios individuais e
da partitura completa
• discutir análise da es-
trutura da música em
grupo
• discutir em grupo os de-
safios encontrados nos
estudos
• anotar pontos a serem
trabalhados para levar
para o primeiro ensaio
• discutir dúvidas com o
professor em aula
29
2) Planejando o semestre
Planejar o semestre significa pen- Passo a passo:
sar as principais atividades práticas Repertórios para provas: decidam
que precisam ser feitas, conectando juntamente com o professor o que
o desenvolvimento de uma à outra. será tocado em cada prova (mo-
Para se preparar para provas, pre- vimentos ou peças já escolhidos
cisam ser feitas performances, que anteriormente). Para essa decisão
preparam o grupo para a situação deve-se considerar: o número de
de tensão do palco, aulas, onde o ensaios que o grupo poderá fazer
professor coordenará o desenvol- para se preparar para as duas pro-
vimento do grupo e ensaios, para vas com base na previsão feita an-
construir o repertório. A seguir teriormente e o nível de dificuldade
iremos detalhar esses assuntos: da peça escolhida.
Data limite para a obra estar
Objetivos: os objetivos de longo prazo preparada para performance: é
serão as provas, os de médio prazo aconselhável que sejam feitas
serão as performances preparatórias pelo menos duas performances
para as provas e os de curto prazo (idealmente três) antes do ob-
serão as aulas e ensaios semanais. jetivo mais importante, no caso,
Tempo disponível: Verifiquem quantas as provas. Considerem, então,
semanas haverão no semestre para que pelo menos 2 semanas
saber a média de aulas e ensaios que antes das datas das provas,
provavelmente irão acontecer. Aqui to- a obra já deve ser colocada
maremos como base 18 semanas (4 em situação de performance
meses e meio, média de duração de para algum público.
um semestre letivo); Façam uma pre- Chamem colegas para as-
visão das datas em que irão ocorrer sistir, se inscrevam em au-
a prova intermediária e a prova final dições de alunos ou toquem
com base nos semestres anteriores. em um ambiente aberto. Fa-
zer performances também é
parte do processo de estudo
da obra e é essencial para se
preparar para concertos ou
provas importantes.
30
Data limite para a obra ser to-
cada do início ao fim: com base
na data definida para a primeira
performance, programem quando
será necessário já ter trabalhado
toda a obra que será tocada em
prova, sendo capazes de tocá-la
do início ao fim. Uma sugestão é
que seja ao menos duas semanas
antes da primeira performance,
caso o grupo ensaie ao menos
duas horas por semana.
Tempo de construção do repertó-
rio: agora já é possível prever em
média quantas semanas estarão
disponíveis para construir a obra
até ser possível tocá-la integral-
mente, considerando aspectos
técnicos e interpretativos. Façam
uma previsão do que será necessá-
rio produzir em cada semana para
que os objetivos já estabelecidos
sejam alcançados. Pode-se separar
o que será trabalhado em cada en-
saio dessa etapa a partir das seções
da própria música.
Registro do planejamento: Algumas edições demarcam
façam uma tabela ou qual- seções na música utilizando
quer formato que deixe letras ou números, o que pode
claro tudo que deve ser ser utilizado com base para
feito e quando deve ser este planejamento.
feito.
31
Segue um exemplo:
PROVA FINAL 18ª
Semana
PRIMEIRA PERFORMANCE ANTES DA PROVA FINAL 15ª ou 16ª
TOCANDO REPERTÓRIO DA PROVA FINAL COMPLETO
Semana
14ª
Semana
OBJETIVO PERÍODO DE CONSTRUÇÃO DO REPERTÓRIO DA PROVA FINAL 10ª a13ª
PROVA INTERMEDIÁRIA
Semana
9ª
Semana
PRIMEIRA PERFORMANCE ANTES DA PROVA INTERMEDIÁRIA 6ª ou 7ª
PERÍODO DE CONSTRUÇÃO DO REPERTÓRIO DA PROVA INTERMEDIÁRIA
PRIMEIRA LEITURA EM GRUPO Semana
1ª a5ª
Semana
1ª
Semana
32
O que precisa ser feito:
Durante o semestre
Neste capítulo iremos abordar alguns pontos im-
portantes que deverão ser realizados durante o se-
mestre, como: o que deve ser feito nos ensaios e o
que deve ficar fora deles; materiais a serem utiliza-
dos nas aulas e como fazer o registro do conteúdo
ensinado; onde fazer performances antes das pro-
vas e como se preparar para elas; reflexão e ava-
liação sobre o desenvolvimento do grupo. Como
esse momento mais prático do trabalho do grupo
tem interferência de vários fatores, como a metodo-
logia de cada professor, as especificidades da for-
mação instrumental do grupo e as condições ma-
teriais da Escola de Música para realização das
atividades, daremos mais foco as iniciativas que es-
tão ao alcance e sob responsabilidade de estudantes.
33
Trabalho em grupo
Para começar, o grupo precisa ter em Durante os ensaios
mente o que deve acontecer durante os
ensaios e o que deve ficar fora deles, Controle do tempo: é in-
pois isso contribui para que haja um teressante que algum dos
bom aproveitamento do tempo. Todas as membros do grupo fique
discussões, definições de horários de responsável pelo reló-
ensaio, pensar o que precisa ser tra- gio para avisar ao longo
balhado, fazer novas pesquisas, entre dos ensaios quando será
outras coisas, deve ser tratado em outro necessário mudar de as-
momento, pois o tempo de ensaio deve sunto, seguindo o planeja-
ser resguardado para o desenvolvimen- mento feito anteriormente.
to do repertório. Abordaremos a seguir
o que deve ser feito em cada cada mo-
mento.
Manter o foco: provavelmente Dinâmica para tomada de decisões:
surgirão assuntos paralelos quando houver divergências de opi-
durante o ensaio e é importan- niões - por exemplo em relação a
te lembrar constantemente de como deve soar um trecho - uma
voltar para o que está sendo tra- maneira possível para resolver é: 1.
balhado. Aqui também pode ser Expor as idéias, 2. tocar seguindo cada
uma boa idéia colocar sob a res- uma das sugestões para que se pos-
ponsabilidade de um dos com- sa comparar, 3. discutir com o grupo,
ponentes trazer o grupo de volta considerando a opinião de todos e 4.
ao foco quando for necessário. chegar a uma decisão final. Em caso de
não ser possível chegar em um con-
senso, levem o tópico ao professor,
para que ele possa opinar e, possi-
velmente, decidir pelo grupo.
34
O que deve ficar fora dos ensaios Definições de horários e datas
de ensaios e performances: se
Definir o que será trabalhado no ensaio: o horário ou a data de um en-
após a aula com o professor, o grupo de- saio precisam ser modificados,
verá decidir o que será feito no ensaio não deixem para combinar du-
seguinte. Isso pode ser feito seguindo as rante um ensaio. Façam isso ao
orientações do professor, mas também final do trabalho ou em outro
deve levar em conta as sugestões de cada momento.
integrante do grupo de acordo com suas
necessidades. É importante que o grupo Estudo das questões individuais: os desafios
defina os tópicos sugeridos em ordem de individuais devem ficar fora dos ensaios na
acordo com a urgência de cada assunto. medida do possível. É claro que em alguns
Em seguida, deve-se planejar a divisão do momentos pode haver dificuldades compli-
tempo do ensaio para trabalhá-los. Obser- cadas de se resolver sozinho, para isso bus-
vem, ao longo dos ensaios, quanto o grupo que primeiro professores de instrumento ou
consegue produzir de cada vez afim de não canto e de música de câmara para tirar dúvi-
definir metas inalcançáveis. das e pedir opiniões. Também pode ser inte-
ressante pedir ajuda de colegas. Por fim, se
for necessário, leve a questão para o ensaio.
Tente visualizar claramente o que precisará ser
feito e comunique aos colegas. Por exemplo: Se
há uma passagem onde a afinação precisa ser
melhorada e uma das outras vozes pode auxiliar
nesse problema, peça a pessoa que faz essa voz
para tocar junto algumas vezes para que seja
possível encontrar as notas que precisam ser
melhoradas, se estão mais baixas ou mais altas
do que deveriam.
35
Sugestão de organização básica para ensaio:
1 3
ica em conjunto rmance
Técn
Cons
Perfo
Conc
Estudar desafios técni- 2 Fazer performance 4
cos comuns a todas as de trechos trabalha-
vozes, como articula- trução da peça dos no ensaio, ou da lusão do ensaio
ções e células rítmicas, obra completa quando
aplicando em escalas já estiver preparada.
na tonalidade da peça
estudada.
Trabalhar questões Anotar o que será ne-
propostas pelo pro- cessário trabalhar no
fessor e adicionar próximo ensaio, o que
uma proposta de cada cada um precisa trab-
membro do grupo alhar individualmente,
feita antes do ensaio; questões para pesqui-
Dar um passo adiante sa e o que perguntar
escolhendo um novo para o professor na
desafio (caso haja aula seguinte.
tempo).
Dica: gravar a perfor-
mance durante ensaios
e aulas é uma ótima
estratégia para avaliar
posteriormente o que
precisa ser trabalhado.
36
Para as aulas
Cada professor tem uma maneira diferente de Material Partes individuais:
conduzir o grupo ao longo do semestre, por isso devem estar coladas
não é interessante padronizar o que deve acon- e com compassos nu-
tecer em aulas, mas sim, acompanhar as pro- merados.
postas feitas pelo mesmo. Colocaremos em foco
neste momento o que estudantes podem e devem
fazer para contribuir com a qualidade da aula.
O que não pode faltar nas aulas
Material para re-
gistro: Todos devem A f i n a ç ã o : L e v a r
Registro do conteúdo ensinado: é muito possuir sempre lá- instrumentos com
importante registrar as observações e
orientações do professor durante ou pis e borracha. afinação já feita
no final das aulas para que não sejam
perdidas. Cada um deve anotar suas previamente se pos-
questões para serem estudadas indi-
vidualmente. Para as questões coletivas Partitura completa para sível.
é aconselhável utilizar um documento
compartilhado, como já foi falado an- que o professor possa
teriormente, para que todos tenham
acesso posteriormente. acompanhar: É aconse- Estantes: dependendo do
lhável utilizar sempre a tamanho do grupo é bom
mesma para que as in- se prevenir e levar ao
formações não fiquem menos duas ou três es-
espalhadas em partitu- tantes, pois podem faltar
ras diferentes. nas salas.
Gravador: para as aulas
em que ocorram perfor-
mances (pode ser do ce-
lular de algum dos mem-
bros do grupo).
37
Onde fazer performances antes das provas
Sobre performances e provas O ideal é que seja em um ambien-
te que se assemelhe com o das pro-
vas, ou seja, em um teatro, mas não
precisa ser necessariamente assim.
Muitas vezes pensa-se que a performan- Dentro da escola de mú-
ce é o produto final do trabalho, mas ela sica: Convidem colegas Festivais em Belo
faz parte do processo de desenvolvimento para assistir, mesmo que Horizonte: semana
da obra. Por isso, como foi enfatizado no seja dentro de uma sala de de música de câma-
planejamento do semestre, é crucial que estudo da escola. Procurem ra e festival de maio.
sejam feitas performances antes das pro-
vas. Para isso, vamos considerar: tocar em audições de alu-
nos e se inscrever em pro- Editais: uma outra pos-
jetos de extensão (se hou- sibilidade muito interes-
verem) em que estudantes sante é ficar de olho em
possam oferecer concertos editais como Sexta de
dentro e fora da escola. Música Erudita da PUC Mi-
nas, BDMG jovem músico
e Projeto Segunda mu-
sical da Assembléia Le-
gislativa de Minas Gerais.
38
Considerações para o dia da performance
ou prova
Peparar tudo antes para diminuir as chances
de levar imprevistos para o palco, o repertório
já é desafio suficiente para que ainda hajam
problemas que poderiam ter sido evitados.
Pontos básicos: Se for possível, Comportamento no palco:
o grupo deve aquecer junto an- várias atitudes podem pare-
tes da performance; combinar cer irrelevantes, mas até a
o vestuário de acordo com a ordem em que os integrantes
formalidade da apresentação; do grupo irão subir no pal-
certificar-se da necessidade co, ou quem irá “puxar” os
de levar estantes de partitura. agradecimentos podem ser
motivo de desconcentração.
Organização do palco: Por isso, é importante combi-
nem sempre o palco nar esses detalhes também.
estará organizado para
a formação do grupo na
hora de subir no palco.
Uma sugestão para re-
solver isso é escolher
um ou dois membros
do grupo para fazer a
função de montadores.
39
Conclusão do Semestre de Música
de Câmara
Ao final do semestre, após a última prova, chegou
o momento de avaliar como foi o desenvolvimento
do grupo: o que foi positivo e deve ter continui-
dade e o que foi negativo e pode ser melhorado
nos próximos semestres. Para fazer isso, iremos
voltar ao início da Cartilha, em “Para que serve a 5 – Independência enquanto
música de câmara” onde falamos sobre alguns artista, músico e profissional:
aspectos que a música de câmara ajuda a de- O grupo conseguiu se tornar
senvolver. Sobre esses aspectos, tentem discutir um pouco mais independente
em grupo e também pensar individualmente para para tomar decisões sem a
responder as perguntas a seguir: interferência do professor ao
longo do semestre? Se sim,
1 – Capacidade de escuta: O que 3 – Capacidade de desen- o que mudou? O que precisa
aconteceu com a minha capacidade volver trabalhos em gru- melhorar de agora em dian-
de escuta? Ela melhorou em algum po: Quais foram os princi- te?
aspecto? Quais exercícios me au- pais desafios do trabalho
xiliaram a melhorá-la? O que pode em grupo? O grupo irá 4 – Relacionar conhecimentos
melhorar daqui para frente? continuar tocando junto multidisciplinares: Foi possível
ou será melhor buscar passar por várias áreas de conhe-
2 – Habilidades artís- outras formações? O que cimento para produzir o repertório
ticas interpretativas: O pode ser melhorado nos do semestre? Qual área foi mais
que o grupo conseguiu próximos semestres? desafiadora para cada um? O que
colocar da própria in- cada um aprendeu com as pesqui-
terpretação na peça? O sas e estudos para preparação da
que influenciou as deci- obra? Eles auxiliaram na constru-
sões interpretativas do ção do repertório?
grupo? Quais aprendiza-
dos foram tirados desse
exercício interpretativo?
Como cada um pode ir
mais longe no próximo
semestre?
40
Responder a essas perguntas e a outras
que poderão surgir ao refletir sobre o
desenvolvimento do grupo é um exer-
cício importante para o amadurecimen-
to e para a formação da autonomia de
cada membro e do grupo. Lembrem-se
também que, apesar dessa cartilha dar
um caráter de formalidade a todos os
processos descritos, a música de câ-
mara é feita entre colegas e amigos.
Por isso, aproveitem essa oportunida-
de de aprender uns com os outros e
fazer música juntos. Saiam para fazer
um lanche e conversem sobre esses
assuntos!
41
42
Referências
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