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4.5.9 Sistema Excretor
Formado pelos rins e vias urinárias, o sistema excretor é responsável por eliminar resíduos que o corpo descarta, depois de passar pelo processo de digestão dos alimentos. Em outras palavras, o sistema excretor elimina
substâncias que estão em excesso no organismo,
buscando um processo denominado de “equilíbrio
dinâmico”.
4.5.10 Sistema Urinário
O Sistema Urinário ou Aparelho Urinário é responsável pela produção e eliminação da urina, possui a função de filtrar as "impurezas" do sangue que circula no organismo. O Sistema Urinário é composto por dois rins e pelas vias urinárias, formada por dois ureteres, a bexiga urinária e a uretra (HALL, 2017; TODA MATERIA, 2020).
4.5.11 Sistema Endócrino
O sistema endócrino é formado por glândulas que realizam atividades vitais como a tireoide, hipófise, glândulas sexuais, dentre outras. Dessa maneira, as glândulas são responsáveis por produzirem os hormônios os quais possuem determinadas funções como: regulação do metabolismo, defesa do organismo, produção de gametas, desenvolvimento corporal, dentre outros.
O Sistema Endócrino é o conjunto de glândulas responsáveis pela produção dos hormônios que são lançados no sangue e percorrem o corpo até chegar aos órgãos-alvo sobre os quais atuam.
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Junto com o sistema nervoso, o sistema endócrino coordena todas as funções do nosso corpo. O hipotálamo, um grupo de células nervosas localizadas na base do encéfalo, faz a integração entre esses dois sistemas.
As glândulas endócrinas estão localizadas em diferentes partes do corpo: hipófise, tireoide e paratireoides, timo, suprarrenais, pâncreas e as glândulas sexuais (HALL, 2017; TODA MATERIA, 2020).
4.5.12 Sistema Reprodutor
O sistema reprodutor humano é dividido em sistema reprodutor masculino e sistema reprodutor feminino, no entanto, ambos possuem a mesma função, ou seja, a reprodução de novos seres.
Sendo assim, o masculino é formado pelos testículos, epidídimos, canais deferentes, vesículas seminais, próstata, uretra e pênis; enquanto o sistema reprodutor feminino é composto pelos ovários, útero, tubas uterinas e vagina.
Sistema Reprodutor Feminino (TODA MATERIA, 2020).
Sistema Reprodutor Masculino (TODA MATERIA, 2020).
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4.5.13 Sistema Imunológico
O sistema imunológico é composto por um conjunto de elementos do corpo humano que trabalham juntos para o defender de bactérias, vírus, micróbios e doenças. É uma barreira contra corpos estranhos, o escudo do corpo humano.
O sistema imunológico humano serve como uma proteção, um escudo ou uma barreira que nos protege de seres indesejáveis, os antígenos, que tentam invadir o nosso corpo. Assim, representa a defesa do corpo humano.
O processo de defesa do corpo através do sistema imunológico é chamado de resposta imune. Existem dois tipos de respostas imunes: a inata, natural ou não específica e a adquirida, adaptativa ou específica. Conheça sobre cada tipo de resposta imune nas explicações abaixo.
A imunidade inata ou natural é a nossa primeira linha de defesa. Esse tipo de imunidade já nasce com a pessoa, representada por barreiras físicas, químicas e biológicas (HALL, 2017; TODA MATERIA, 2020).
Veja no quadro a seguir quais são e como elas atuam na defesa do nosso organismo.
Barreira
Ação no organismo
Pele
É a principal barreira que o corpo tem contra agentes patogênicos.
Cílios
Ajudam a proteger os olhos, impedindo a entrada de pequenas partículas e em alguns casos até pequenos insetos.
Lágrima
Faz a limpeza e lubrificação dos olhos ajudando a proteger o globo ocular de infecções.
Muco
E um fluído produzido pelo organismo que tem a função de impedir que microrganismos entrem no sistema respiratório, por exemplo.
Plaquetas
Atuam na coagulação do sangue que, diante de um ferimento, por exemplo, elas produzem uma rede de fios para impedir a passagem das hemácias reter o sangue.
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Barreira
Ação no organismo
Saliva
Ela possui uma substância que mantém a lubrificação da boca e ajuda a proteger contra vírus que podem invadir os órgãos do sistema respiratório e digestivo.
Suco gástrico
É um líquido produzido pelo estômago que atua no processo de digestão dos alimentos. Devido sua acidez elevada, ele impede a proliferação de microrganismos.
Suor
Possui ácidos graxos que ajudam a pele a impedir a entrada de fungos pela pele.
A imunidade nata também é representada pelas células de defesa, como leucócitos, neutrófilos e macrófagos, que está descrita logo abaixo. Os principais mecanismos da imunidade inata são fagocitose, liberação de mediadores inflamatórios e ativação de proteínas. Se a imunidade inata não funciona ou não é suficiente, a imunidade adquirida entra em ação.
A imunidade adaptativa é a defesa adquirida ao longo da vida, tais como anticorpos e vacinas. Constitui mecanismos desenvolvidos para expor as pessoas com o objetivo de fazer evoluir as defesas do corpo. A imunidade adaptativa age diante de algum problema específico. Por isso, depende da ativação de células especializadas, os linfócitos. Existem dois tipos de imunidade adquirida:
Imunidade humoral: depende do reconhecimento dos antígenos, através dos linfócitos B.
Imunidade celular: mecanismo de defesa mediado por células, através dos linfócitos T.
Os órgãos do sistema imunológico são divididos em órgãos imunitários primários e secundários (HALL, 2017; TODA MATERIA, 2020).
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4.5.14 Sistema Linfático
É uma complexa rede de vasos que transporta a linfa pelo corpo. Em conjunto com o sistema imunológico, o sistema linfático ajuda a proteger as células imunes. Além disso, é responsável pela absorção dos ácidos graxos e pelo equilíbrio dos fluidos nos tecidos.
O sistema linfático é o principal sistema de defesa do organismo. Ele é constituído pelos nódulos linfáticos (linfonodos), ou seja, uma rede complexa de vasos, responsável por transportar a linfa dos tecidos para o sistema circulatório.
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Além disso, ele possui outras funções como a proteção de células imunes, pois atua junto ao sistema imunológico. Outro importante papel do sistema linfático está na absorção dos ácidos graxos e no equilíbrio dos fluidos (líquidos) nos tecidos (HALL, 2017; TODA MATERIA, 2020).
ANOTE AI!!!
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5. ASPECTOS GERAIS DO ENVELHECIMENTO
O envelhecimento psicológico bem sucedido reflete-se na capacidade das pessoas idosas de se adaptar às perdas físicas, sociais e emocionais e de obter contentamento, serenidade e satisfação na vida. Uma auto-imagem positiva estimula a aceitação do risco e a participação em novas e desconhecidas funções (SMELTZER et. al, 2009).
Na atualidade a valorização pessoal parece estar vinculada à capacidade física, a beleza, a força, ao sucesso, a vitalidade, não havendo espaços para a velhice, algo que remete a um futuro longínquo especialmente para os jovens.
O processo de envelhecimento pode gerar medo e incapacidade nas pessoas idosas e familiares, resultado de crenças que se estabelecem de maneira sutil e destrutiva na sociedade em geral, sobre a forma de preconceitos e discriminação.
A aposentadoria e a percepção da não-produtividade são responsáveis por sentimentos negativos, tais como a não contribuição para com a sociedade e sobrecarga gerada sobre a pessoa mais jovem.
Ocorre à desvalorização da pessoa idosa. São perdidas funções valorosas como aconselhamento e lembranças, uma vez que o “velho” é negado em sua função social. Exemplos é a crescente institucionalização da pessoa idosa, a discriminação e a deficiência nas relações interpessoais.
Através da compreensão do processo de envelhecimento e do respeito pela pessoa humana é que poderão ser desmistificados os aspectos negativos criados em torno e pela pessoa idosa. Quando a dignidade do idoso é preservada, a sua qualidade de vida é melhor, existe um confronto positivo frente às mudanças, ou seja, a realidade é vivenciada de forma saudável (SMELTZER et. al, 2009).
5.1 Estresse e enfrentamento no idoso
A vida das pessoas está mesclada por situações estressantes. O enfrentamento e a capacidade de adaptar-se a essas situações são desenvolvidas ao longo de toda uma vida e permanecem compatíveis com aqueles de uma fase mais anterior na vida.
A forma como a pessoa lida com as adversidades, muitas vezes não é adequada, o que leva à ansiedade e à depressão que, consequentemente contribui para o desencadeamento de doenças e agravos.
O acontecimento de sucessos na fase mais inicial da vida adulta ajuda a pessoa a desenvolver uma auto-imagem positiva, a qual permanece sólida durante a fase idosa. Entretanto, aas perdas podem acumular-se dentro de um curto período e tornar-se insustentável. A pessoa idosa terá poucas opções e menos recursos para lidar com os eventos estressantes (SMELTZER et. al, 2009). Os eventos estressantes considerados mais comuns ao idoso são: a morte de pessoas queridas, as perdas sociais e ambientais, os sinais de envelhecimento, as condições crônicas de saúde, o comprometimento da função física e o déficit nas atividades da vida diária (SMELTZER et. al, 2009; TRENTINI et. al, 2005).
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Para o enfrentamento dessas situações adversas as pessoas idosas utilizam de múltiplas estratégias: a fé, o trabalho, a busca de ajuda, a participação em grupo de idosos, até mesmo aa rejeição (não aceitação do envelhecimento), bem como a procura do atendimento médico (TRENTINI et. al, 2005).
Estratégias de enfrentamento e suas inter-relações:
Perdas e Ganhos (TRENTINI et.al, 2005)
5.2 Aspectos Cognitivos do Envelhecimento
A cognição é o conjunto de funções cerebrais formadas pela memória (capacidade de armazenamento de informações), função executiva (capacidade de planejamento, antecipação, sequenciamento e monitoramento de tarefas complexas), linguagem (capacidade de reconhecimento de estímulos visuais, auditivos e táteis) e função visuo-espacial (capacidade de localização no espaço e percepçaõ das relações dos objetos entre si (VILELA, et.al, 2015).
O declinio da capacidade cognitiva é um processo normal do envelhecimento ou de um estágio de transição para as demências, decorre de alterações fisiológicas, sensoriais, psicológicas (memória, linguagem, funções executivas e a capacidade de integração visuo-espacial) que acontecem ao longo da vida.
Alterações temporárias na função congnitiva são perceptíveis em pessoas idosas quando hospitalizadas ou admitidas em instituições asilares, centros de reabilitação ou instituições de cuidado continuado devido à mudança do ambiente, à terapia médica ou à alteração no desempenho da função (SMELTZER et. al, 2009).
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5.3 Atividades da Vida Diária (AVD)
A atividades da Vida Diária são caracterizadas pela capacidade de autocuidado e de atenção às necessidades básicas diárias, como a capacidade para alimentar-se, ter continência, locomover- se, tomar banho, vestir-se e usar corretamente o toalete (VIEIRA et.al, 2011).
A dependência em realizar suas AVD determina a necessidade de um cuidador para auxiliar o idoso ou pessoa dependente. Os cuidadores subdividiram a AVD em alimentação, integridade da pele, higiene, eliminações, terapêutica, locomoção e movimentação do paciente, e atividades instrumentais como preparar refeições, lavar e passar roupas, limpar a casa e realizar atividades extradomiciliares (VIEIRA et.al, 2011).
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5.4 Alterações Fisiológicas do Envelhecimento ou Processo de Envelhecimento Biológico
a. Envelhecimento Cronológico ou Envelhecimento Intrínseco: alterações provocadas pelo processo normal do envelhecimento, as quais são geneticamente programadas e quase universais dentro da espécie. A universalidade é o principal critério a ser utilizado na diferenciação entre o envelhecimento normal e anormal.
Envelhecimento Intrínseco (SLIDESHARE, 2020).
b. Envelhecimento Extrínseco: resulta de influências externas às pessoas. Enfermidades e doenças; as poluições do ar e a luz solar constituem exemplos de fatores extrínsecos que podem acelerar o processo de envelhecimento. Esses processos de envelhecimento normais podem ser eliminados ou reduzidos através das intervenções efetivas de cuidados da saúde.
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As alterações celulares e extracelulares do idoso provocam uma modificação no aspecto físico e um declínio na função. Ocorrem alterações mensuráveis no formato e na constituição corporal. Os sistemas orgânicos não podem funcionar com eficiência máxima em virtude dos déficits celulares e teciduais. As células tornam-se menos capazes de se substituírem. A degradação da elastina e do colágeno faz com que o tecido conjuntivo se torne mais rígido e menos elástico, conforme foi mostrado na figura da página anterior.
O bem-estar de uma pessoa idosa ou dependente depende de fatores físicos, mentais, sociais e ambientais. Um histórico completo incluí a avaliação de odos os principais sistemas corporais, dos estados social e mental, e da capacidade da pessoa de forma independente, apesar de uma doença crônica.
Todas as alterações decorrentes do processo fisiológico do envelhecimento terão repercussão nos mecanismos de equilibro e em sua resposta orgânica, diminuindo sua capacidade de reserva, de defesa e de adaptação, o que o torna mais vulnerável a quaisquer estímulos (traumático, infeccioso ou psicológico). Dessa forma, as doenças podem ser desencadeadas mais facilmente. As pessoas idosas podem ser incapazes de responder efetivamente a uma doença aguda ou quando uma patologia crônica está presente, elas podem ser incapazes de sustentar as respostas apropriadas por longo tempo. A resposta ao tratamento também é prejudicada (SMELTZER et. al, 2009).
SISTEMA
MUDANÇAS
ACHADOS OBJETIVOS E SUBJETIVOS
Cardiovascular
Débito cardíaco diminuído
Capacidade reduzido de responder
ao estresse
Frequência cardíaca e volume
sistólico não aumentam com a
demanda máxima
Velocidade de recuperação cardíaca
mais lenta
Pressão arterial aumentada
Queixas de fadiga com atividades aumentada
Tempo aumentado de recuperação da frequência cardíaca
PA normal
Respiratório
Aumento do volume pulmonar residual
Diminuição na capacidade vital
Trocas gasosas e capacidade de
difusão diminuída
Redução da eficiência da tosse
Fadida e falta de ar com atividade sustentada
Cicatrização comprometida
Dificuldade e expectorar
Tegumentar
Proteção diminuída contra trauma e exposição ao sol
Proteção diminuída contra extremos de temperatura
Secreção diminuída de óleos naturais e de suor
Pele fina e enrugada
Lesões, escoriações e
queimaduras solares
Intolerância ao calor
Estrutura óssea proeminente
Pele seca
Reprodutivo Feminino
Estreitamente vaginal
Diminuição da elasticidade e
secreções vaginais
Resposta sexual mais lenta
Relação sexual dolorosa
Sangramento após o coito
Prurido e irritação vaginal
Orgasmo retardado
Reprodutivo Masculino
Diminuição do tamanho do pênis e testículos
Resposta sexual mais lenta
Orgasmo e ereção tardios
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Músculo Esquelético
Perda de densidade óssea
Perda da força e tamanho
musculares
Cartilagem articular degenerada
Diminuição da altura
Propensão a fraturas
Cifose
Dor nas costas
Perda da força, flexibilidade e resistência
Dor articular
Geniturinário Masculino
Hiperplasia benigna da prostáta
Retenção urinária
Sintomas de micção irritativos
Sensação de esvaziamento
incompleto da bexiga
Mictúria
Geniturinário Feminino
Relaxamento dos músculos do períneo
Instabilidade do (incontinência de urgência)
detrusor
Disfunção uretral (incontinência urinária de estresse)
Síndrome de urgência/frequência
Gotas de urina eliminadas com a tosse, riso, mudança de posição
Gastrointestinal
Salivação diminuída
Dificuldade em deglutir
Esvaziamento gástrico e esofágico
retardado
Motilidade gastrointestinal
diminuída
Queixas de boca seca, plenitude, pirose e má digestão
Constipação
Flatulência
Desconforto abdominal
Nervoso
Velocidade reduzida na condução nervosa
Confusão aumentada com a doença física
Perda dos estímulos ambientais
Circulação cerebral reduzida
Mais lento para responder e reagir
Aprendizado demorado, confuso com a internação hospitalar
Desmaio
Quedas frequentes
Sensorial
Visão: capacidade diminuída de focalizar objetos próximos; incapacidade de tolerar a luz intensa; dificuldade de ajustar-se às mudanças na intensidade da luz; capacidade diminuída de diferenciar cores.
Audição: capacidade diminuída de ouvir sons de alta frequência.
Paladar e olfato: capacidade diminuída para o paladar e olfato
Segura objetos muito longe da face;
Queixa de ofuscação
Visão noturna ruim
Confusão de cores
Respostas incorretas
Pede para repetir as palavras
Estica-se para ouvir
Usa sal e açúcar e excesso
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6. IMPACTO DO ENVELHECIMENTO NA ESTRUTURAS LIGADAS AO MOVIMENTO
Como já vimos anteriormente o Sistema Musculoesquelético é um dos sistemas afetados pelo envelhecimento. Nele, as massas
muscular e óssea sofrem grande
perda, podendo ocasionar diversas
patologias no idoso. Isso está diretamente relacionado à diminuição da mobilidade, quedas com consequentes fraturas, maior dependência e limitação funcional.
A massa muscular sofre
grande diminuição, o que gera a
sarcopenia, uma grande preocupação
para a qualidade de vida do idoso. A
massa óssea também reduz,
acarretando a fragilidade dos ossos. Isso está relacionado a diversos fatores complexos, como a nutrição do indivíduo ao longo da vida, o sedentarismo e fatores hormonais e genéticos.
6.1 Mobilização da Pessoa Idosa
Muitas das atividades assistenciais dos cuidadores envolvem a mudança de posição e a transferência do idoso de um local para outro. Quando desenvolvidas sem a utilização técnicas e princípios de ergonomia, há grande possibilidade de ocorrerem lesão e danos à coluna vertebral, dentre os quais a dor da coluna é a queixa mais frequente. Por isso a importância de adquirir o conhecimento e orientação sobre movimentação e transporte de pessoas com maior dependência, assim como sobre a adequada utilização dos equipamentos especiais e auxílios mecânicos, contribuem para a minimização da incidência de problemas articulares em cuidadores de idosos (DUARTE, 2015).
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6.1.1 Mecanismos Corporais
Os cuidadores precisam estar muito bem orientados quanto à utilização da mecânica corporal para o melhor desempenho do seu trabalho diário e prevenção de lesões e dores musculares e/ou articulares para então preservar e manter a sua saúde e bem-estar.
A mecânica corporal envolve o alinhamento do corpo ou postura adequada, que permite o funcionamento fisiológico saudável, pois não permite o esforço indevido de articulações, músculos, tendões e ligamentos.
O corpo alinhado está em equilíbrio, o que consequentemente dá estabilidade ao corpo; e o movimento coordenado, ou seja, o uso coordenado dos principais grupos musculares na realização das atividades, para evitar o esforço muscuesquelético.
6.1.1.1 Aplicação da Mecânica Corporal
Para evitar lesões, é necessário, que o cuidador desenvolva os seguintes cuidados ao desenvolver as atividades assistenciais:
a. Desenvolver o hábito de manter a postura ereta e, quando necessário, antes de iniciar uma atividade, ampliar a base de apoio e baixar o centro de gravidade;
b. Utilizar os músculos mais longos dos braços e pernas nas atividades que exijam maior força (os músculos das costas são os mais fracos e mais facilmente lesionáveis quando usados de forma inapropriada).
c. Estabilizar a pelve para a proteção das vísceras utilizando a “cintura interna” (contração simultânea dos glúteos para baixo e dos músculos abdominais para cima) e o diafragma quando inclinar, levantar, puxar ou tentar alcançar um objeto ou pessoa (FONSECA&SILVEIRA, 2008).
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6.2 Mobilização e Transporte de Pessoas mais dependentes
A posição em que a pessoa permanece deitada pode causar dores na coluna e dificuldades respiratórias e dessa maneira diminuir a qualidade do sono. A seguir é descrito como deitar a pessoa cuidada da forma correta nas diversas posições.
a. Deitada de costas: Coloque um travesseiro fino e firme embaixo da cabeça da pessoa de maneira que o pescoço fique no mesmo nível da coluna. Coloque um travesseiro ou cobertor fino embaixo da barriga das pernas, assim diminui a pressão dos calcanhares sobre a cama. Dobre os cotovelos levemente e coloque as mãos da pessoa apoiadas nos quadris. Mantenha as pernas da pessoa esticadas e as pontas dos dedos voltadas para cima. Apóie os pés em uma almofada recostada na guarda final da cama, a uma inclinação de 60o ou 90o (FONSECA&SILVEIRA, 2008).
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b. Deitada de lado: Coloque a pessoa deitada de um dos lados. Coloque um travesseiro fino sob a cabeça e o pescoço de modo que a cabeça fique alinhada com a coluna. Escore as costas da pessoa com um travesseiro maior, para evitar que ela vire de costas, e coloque outro travesseiro entre os braços da pessoa para dar maior conforto. A perna que fica por cima deve estar levemente dobrada e apoiada em um travesseiro, a fim de mantê-la no nível dos quadris. Dobre levemente o joelho e coloque uma toalha dobrada, ou cobertor ou edredon fino, a fim de manter o tornozelo afastado do colchão.
c. Deitada de bruços: Deite a pessoa de bruços, vire a cabeça delicadamente para um dos lados acomodando-a com um travesseiro fino ou toalha dobrada. Ajude a pessoa a flexionar os braços para cima de modo que os cotovelos fiquem nivelados com os ombros. Depois, coloque toalhas dobradas embaixo do peito e do estômago. Por fim, ajeite as pernas apoiando os tornozelos e elevando os pés com uma toalha ou lençol enrolado (FONSECA&SILVEIRA, 2008).
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ATENÇÃO!
Ter maior cuidado no posicionamento da pessoa que apresenta parte do corpo que não se movimenta (braço ou perna “esquecida”), para evitar surgimento de feridas e deformidades. No caso de seqüela de derrame, o braço comprometido deve estar sempre estendido e apoiado em um travesseiro e a perna afetada deve ser colocada ligeiramente dobrada e apoiada com um travesseiro embaixo do joelho, impedindo que a perna fique toda esticada.
Se a pessoa consegue ficar em pé com ajuda do cuidador, mesmo por pouco tempo, é importante que o cuidador encoraje, apoie e estimule a pessoa a ficar nessa posição, pois isso ajuda a melhorar a circulação do sangue e a evitar as feridas.
6.3 Mudança de Posição do Corpo
As pessoas com algum tipo de incapacidade, que passam a maior parte do tempo na cama ou na cadeira de rodas, precisam mudar de posição a cada 2 horas. Esse cuidado é importante para prevenir o aparecimento de feridas na pele (úlceras de pressão) - que são aquelas feridas que se formam nos locais de maior pressão, onde estão as pontas ósseas como: calcanhar, final da coluna, cotovelo, cabeça, entre outras regiões.
a. Mudança da cama para a cadeira
Quando a pessoa está há muitos dias deitada, é preciso que o cuidador faça a mudança da posição deitada para sentada e depois em pé, pois a pessoa pode sentir fraqueza nas pernas, tonturas e vertigem. Cuidador, siga os seguintes passos:
a) Caso a cama seja de hospital, trave as rodas e abaixe as laterais, mova as pernas da pessoa para o lado, segurando a pessoa com firmeza pelos ombros. Peça a pessoa que se apóie firmemente nos braços e levante o corpo da cama. Com a pessoa já sentada na cama, solicite a ela que apóie os dois pés no chão.
b) Para evitar que a pessoa se desequilibre e caia, permaneça na frente dela enquanto ela se acostuma a ficar sentada e a movimentar as pernas.
c) Quando a pessoa não mais se sentir tonta ou cansada, calce-lhe sapatos antiderrapantes, traga-a para a beira da cama, posicione seus pés firmemente no chão e peça-lhe para tentar se levantar, estando alerta para ajudá-la caso se desequilibre (FONSECA&SILVEIRA, 2008).
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d) Se a pessoa precisar de ajuda para ficar de pé, posicione-se de forma que os joelhos da pessoa cuidada fiquem entre os seus. Então abaixe-se, flexionando levemente as pernas, passe os braços em volta da cintura da pessoa e peça-lhe para a pessoa cuidada dar impulso. Erga-se trazendo-a junto.
e) Guie a pessoa até uma cadeira. Posicione-a de costas para a cadeira, com os joelhos flexionados e as costas eretas. Caso a cadeira tenha braços, peça à pessoa cuidada para se apoiar nos braços da cadeira ao sentar-se (FONSECA&SILVEIRA, 2008).
Caso a pessoa não movimente o braço, é preciso que a poltrona ou cadeira onde essa pessoa vai se sentar tenha apoio lateral resistente para que o braço afetado possa ficar bem apoiado.
b. Quando o cuidador necessita de um ajudante para a passagem da cama para a cadeira
Quando a pessoa cuidada tem muita dificuldade para se movimentar, tem falta de equilíbrio ou é muito pesada, o cuidador deve chamar outra pessoa para ajudá-lo na movimentação ou mudança de posição da pessoa cuidada. Explique à pessoa cuidada e também ao ajudante o que será realizado. A seguir é descrito como se deve proceder:
a) A pessoa cuidada cruza os braços e o cuidador pega a parte superior do corpo abraçando o tronco e apoiando as mãos nos braços cruzados da pessoa cuidada.
b) O ajudante segura as pernas da pessoa cuidada.
c) Os movimentos devem ser combinados e realizados ao mesmo tempo, por isso o cuidador deve contar 1, 2 e 3 antes de iniciarem a movimentação da pessoa cuidada. Ao levantar a pessoa, o cuidador e o ajudante devem flexionar os joelhos, de modo a ficar com as pernas levemente dobradas, isto evita forçar a coluna e proporciona maior segurança (FONSECA&SILVEIRA, 2008).
c. Ajudando a pessoa cuidada a caminhar
Se a pessoa cuidada consegue andar mesmo com dificuldade, é importante que o cuidador anime, estimule e apóie a pessoa a fazer pequenas caminhadas, de preferência em lugares arejados.
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A caminhada é uma atividade importante, pois ajuda a melhorar a circulação sangüínea e a manter o funcionamento das articulações, entre outros benefícios.
Para auxiliar a pessoa cuidada a andar é preciso que o cuidador lhe dê apoio e segurança. Para isso o cuidador coloca uma mão embaixo do braço ou na axila da pessoa, segurando com sua outra mão a mão da pessoa cuidada. O cuidador pode também ficar em frente da pessoa segurando-a firmemente pelos antebraços e estimulando-a a caminhar olhando para frente (FONSECA&SILVEIRA, 2008).
ATENÇÃO!
A pessoa que sofre de demência deve ser estimulada a fazer o mesmo trajeto durante as caminhadas e o cuidador deve mostrar a ela os pontos de referência, falando o nome das coisas que vão encontrando pelo caminho
Para ajudar a pessoa que possui parte do corpo que não movimenta, o cuidador deve apoiar pelo lado afetado.
Para evitar escorregões é melhor que o cuidador e a pessoa cuidada usem sapatos baixos, bem ajustados e amarrados.
6.4 Avaliação Ambiental e Intervenção Ambiental
Muitas vezes é preciso fazer algumas adaptações no ambiente da casa para melhor abrigar a pessoa cuidada, evitar quedas, facilitar o trabalho do cuidador e permitir que a pessoa possa se tornar mais independente.
O lugar onde a pessoa mais fica deve ter somente os móveis necessários. É importante manter alguns objetos que a pessoa mais goste de modo a não descaracterizar totalmente o ambiente. Cuide para que os objetos e móveis não atrapalhem os locais de circulação e nem provoquem acidentes (FONSECA&SILVEIRA, 2008).
Alguns exemplos de adaptações:
a. As cadeiras, camas, poltronas e vasos sanitários mais altos do que os comuns facilitam a pessoa cuidada a sentar, deitar e levantar. O cuidador ou outro membro da família podem fazer essas adaptações. Em lojas especializadas existem levantadores de cama e cadeiras e vasos sanitários.
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Assento sanitário elevado com alças reguláveis (MAGAZINE LUIZA, 2020).
Guincho elevador hidráulico (ARMEL, 2020)
Diversas barras de apoio fixas (AMERICANAS, 2020).
Barra de apoio para cama Stand up (AMERICANAS, 2020)
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Cinta de transferência para pessoas com mobilidade reduzida (SUBMARINO, 2020)
Cadeira para banho (SANTA APOLONIA, 2020).
b. Antes de colocar a pessoa sentada numa cadeira de plástico, verifique se a cadeira suporta o peso da pessoa e coloque a cadeira sobre um piso antiderrapante, para evitar escorregões e quedas.
c. O sofá, poltrona e cadeira devem ser firmes e fortes, ter apoio lateral, que permita à pessoa cuidada se sentar e se levantar com segurança.
d. Se a pessoa cuidada não controla a saída de urina ou fezes é preciso colocar fraldas ou cobrir com plástico a superfície de cadeiras, poltronas e cama e colocar por cima do plástico um lençol para que a pele não fique em contado direto com o plástico, pois isso pode provocar feridas.
Protetor Idoso Lavável para Incontinência (AMERICANAS, 2020).
Capa de colchão impermeável
e. Sempre que possível, coloque a cama em local protegido de correntes de vento, isso é, longe de janelas e portas.
f. Retire tapetes, capachos, tacos e fios soltos, para facilitar a circulação do cuidador e da pessoa cuidada e também evitar acidentes (FONSECA&SILVEIRA, 2008).
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g. Sempre que for possível é bom ter barras de apoio na parede do chuveiro e ao lado do vaso sanitário, assim a pessoa cuidada se sente segura ao tomar banho, sentar e levantar do vaso sanitário, evitando se apoiar em pendurador de toalhas, pias e cortinas.
h. O banho de chuveiro se torna mais seguro com a pessoa cuidada sentada em uma cadeira, com apoio lateral.
i. Piso escorregadio causa quedas e escorregões, por isso é bom utilizar tapetes antiderrapantes (emborrachados) em frente ao vaso sanitário e cama, no chuveiro, embaixo da cadeira (FONSECA&SILVEIRA, 2008).
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j. A iluminação do ambiente não deve ser tão forte que incomode a pessoa cuidada e nem tão fraca que dificulte ao cuidador prestar os cuidados. É bom ter uma lâmpada de cabeceira e também deixar acesa uma luz no corredor.
k. Os objetos de uso pessoal devem estar colocados próximos à pessoa e numa altura que facilite o manuseio, de modo que a pessoa cuidada não precise se abaixar e nem se levantar para apanhá-los.
l. As escadas devem ter corrimão dos dois lados, faixa ou piso antiderrapante e ser bem iluminadas.
m. As pessoas idosas ou com certas doenças neurológicas podem ter dificuldades para manusear alguns objetos por ter as mãos trêmulas. Algumas adaptações ajudam a melhorar o desempenho e a qualidade de vida da pessoa:
Enrole fita adesiva ou um pano nos cabos dos talheres e também no copo, caneta, lápis, agulha de crochê, barbeador manual, pente, escova de dente. Assim os objetos ficam mais grossos e pesados o que facilita à pessoa coordenar seus movimentos para usar esses objetos.
Engrossador de talheres (LOJA MERCUR, 2020).
Coloque o prato, xícara e copo em cima de um pedaço de material emborrachado para que não escorregue (FONSECA&SILVEIRA, 2008).
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7. SINDROMES GERIÁTRICAS
Como já vimos, a saúde do idoso está estritamente relacionada com a sua funcionalidade global, que é a capacidade de cuidar de si mesmo e interagir socialmente. O idoso ativo é aquele que, mesmo na presença de doenças, é capaz de viver de forma independente e autônoma.
O conceito de “saúde” estabelecido pela Organização Mundial de Saúde é definido como o mais completo bem-estar biopsicossocial, cultural e espiritual, e não simplesmente a ausência de doenças. Nessa perspectiva se enquadra a funcionalidade como fator essencial para saúde do idoso, que permite não só a sua integridade física, mas o auto-reconhecimento de um ser humano socialmente integrado.
Desta forma, revisamos aqui, assuntos trabalhados em capítulos anteriores, sobre a capacidade de cuidar de si mesmo, a qual é avaliada por meio da análise das atividades básicas de vida diária (ABVDs) e atividades instrumentais de vida diária (AIVDs) realizadas no cotidiano pelo paciente. As ABVDs compreendem atividades rotineiras que reflete a capacidade de cuidar de si mesmo, de ser independente (comer, tomar banho, continência...). As AIVDs compreendem atividades que permitem ao paciente assumir responsabilidades e decisões frente à sociedade, ou seja, exercer a sua autonomia (tomar remédios, usar telefone, manusear dinheiro...). Já a cognição é a capacidade mental de compreender e resolver os problemas do cotidiano. É constituída por um conjunto de funções como a memória (capacidade de armazenamento de informações), função executiva (capacidade de realizar tarefas complexas), linguagem (capacidade de compreensão e expressão da linguagem oral e escrita), praxia (capacidade de executar um ato motor), gnosia (capacidade de reconhecimento de estímulos visuais, auditivos e táteis) e função visuoespacial (capacidade de orientação no espaço). Além desses domínios, temos a cognição social, que permite o convívio adequado e harmonioso em sociedade, com atitudes proporcionais.
A perda dessas funções resulta em grandes síndromes geriátricas, as quais podem ser parciais ou integrais, temporárias ou definitivas (LACERDA, 2020).
7.1 Imobilidade
A imobilidade é mais que uma restrição dos movimentos, mas o conjunto de alterações que ocorrem no indivíduo acamado. O paciente restrito ao leito e/ou cadeira de forma irreversível, por diversas causas (demência, trauma, sequela neurológica) apresenta comprometimento progressivo de praticamente todos os sistemas orgânicos (déficit cognitivo, lesões por pressão, obstipação e intolerância alimentar, dificuldade de deglutição, dor crônica, contraturas...)
Estima-se uma prevalência de 25% a 50% após hospitalização prolongada e 75% entre os idosos institucionalizados. Na comunidade essa prevalência é menor, girando em torno de 25%. A imobilidade é multifatorial envolvendo uma associação entre doenças prévias, aspectos psicológicos e sociais. Suas principais causas são:
a) Problemas osteoarticulares incluindo problemas nos pés (deformidade, calosidade, ulcera
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plantar);
b) Alterações cardiovasculares (AVC, insuficiência cardíaca, doença arterial periférica); c) Doenças respiratórias (DPOC);
d) Iatrogenia medicamentosa (neurolépticos, ansiolíticos, hipnóticos)
e) Doenças neurológicas e psiquiátricas (demência, depressão, Parkinson);
f) Desnutrição;
g) Quedas repetidas;
h) Isolamento social
O mais importante para o tratamento da imobilidade é detectarmos o mais precoce possível os sinais de que o paciente esteja evoluindo para esse quadro. Assim, podemos interferir para que a imobilidade não estabeleça. Por exemplo, iniciar precocemente fisioterapia para fortalecimento muscular em pacientes submetidos a cirurgias ortopédicas (LACERDA, 2020).
7.2 Incontinência Urinária
A incontinência urinária (IU) é definida como a queixa de qualquer perda involuntária de urina, seja por urgência, por esforço ou mista. A sua prevalência aumenta com a idade, uma entre três mulheres e um entre cinco homens acima de 60 anos apresentam incontinência urinária.
As causas de incontinência urinária na pessoa idosa podem ser divididas em agudas ou crônicas. Podem ser ocasionadas por problemas endócrinos (hiperglicemia, hiperpotassemia, diabetes, vaginite, hipotrofia dos tecidos periuretrais e vaginais); psicológicos (depressão, ideias delirantes); farmacológicas (efeitos adversos de tratamentos medicamentosos); infecciosas (infecção trato urinário); neurológicas (doença vascular cerebral, doença de Parkinson, hidrocefalia normotensa); delirium; redução da consciência (perda da capacidade voluntária de contração esfincteriana); redução da mobilidade; excesso de débito urinário (pode ocorrer em condições como hiperglicemia, hipercalcemia, uso de diuréticos, cafeína e álcool); obstipação intestinal (fecaloma).
As principais consequências relacionadas à incontinência urinária são: insuficiência renal, infecção do trato urinário, sepse, aumento do risco de quedas e fraturas, maceração da pele e formação de feridas e o impacto psicossocial (isolamento, depressão, vergonha).
A incontinência urinária aumenta progressivamente com a idade e mais de 50 por cento dos idosos com mais de 80 anos são incontinentes. Com a idade, surgem naturalmente alterações que por si só não provocam incontinência, mas que podem predispor a ela, como a diminuição da mobilidade, a perda da destreza manual que pode dificultar o simples ato de desabotoar os botões das calças, etc (LACERDA, 2020).
A incontinência urinária pode ser classificada como:
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Urgência: caracteriza-se pela perda urinária com desejo súbito e incontrolável de urinar. É a principal causa de incontinência urinária, cerca de 60%.
Esforço: ocorre quando os músculos pélvicos e a uretra se tornam fracos ou devido a disfunções no esfíncter uretral, durante manobras de esforço que provocam aumento da pressão intra-abdominal (tosse, espirro, gargalhada, etc..). Representa 30% das causas em idosos do sexo feminino. No homem é comum após ressecção prostática ou radioterapia.
Mista: associação de incontinência por urgência à incontinência de esforço.
Paradoxal (transbordamento): há hiperdistenção vesical geralmente secundária à obstrução prostática. Não ocorrem micções eficazes, a bexiga permanece cheia e urina é eliminada por transbordamento.
Total ou funcional: decorre de lesão esfincteriana, em consequência de cirurgias para hiperplasia prostática benigna e, principalmente, câncer de próstata. Manifesta- se clinicamente por perdas urinárias contínuas sem globo vesical palpável ou resíduo significativo (LACERDA, 2020).
Como esse tipo de síndrome pode comprometer o convívio social entre outras coisas, é importante, que o diagnóstico seja feito o quanto antes, pois melhor será a qualidade de vida do paciente. O tratamento é feito com medicamentos, fisioterapia para fortalecer a musculatura pélvica e mudanças de hábitos. A cirurgia é indicada quando esses métodos não surtirem efeito. Dentre as atitudes que podemos mudar para evitar e tratar o problema:
ingerir a quantidade adequada de água;
evitar beber líquidos antes de dormir;
evitar cafeína e cigarro;
substituir, quando possível, as medicações diuréticas;
fazer exercícios que melhoram a musculatura do assoalho pélvico (LACERDA, 2020).
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7.3 Incontinência Fecal
Incontinência fecal é a incapacidade de controlar a eliminação das fezes. Esse distúrbio compromete a qualidade de vida e se manifesta mais nas mulheres do que os homens.
A causa pode ser congênita ou adquirida. Quando adquirida, resulta de enfermidades localizadas na região anal, de traumas como os provocados por acidentes de trânsito, de cirurgias no períneo, de fissurectomias que podem exigir a secção dos músculos do esfíncter, ou de cirurgias para tratamento de câncer. Enfermidades como AVC (derrame), diabetes e esclerose múltipla, assim como o envelhecimento, também podem causar incontinência fecal. Nas pessoas mais velhas, costuma ocorrer redução no número de células do períneo e fechamento insuficiente do canal anal.
A incontinência fecal predomina nas mulheres principalmente por causa do trabalho de parto que determina o estiramento e a degeneração parcial do nervo pudendo. Outra causa importante é a prisão de ventre mais comum no sexo feminino. Acima dos 70 anos, a incontinência fecal se manifesta igualmente nos dois sexos.
O diagnóstico baseia-se no exame proctológico, que permite avaliar a flacidez do ânus, e na retossigmoidoscopia para visualizar a parte interna das porções mais baixas do intestino. Para diagnóstico de incontinência fecal mais acentuada são necessários exames como a eletromanometria e a miografia (Medida do Tempo de Latência do Nervo Pudendo).
O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico. O tratamento clínico consiste em corrigir o tipo de evacuação, o que se consegue com dieta e medicamentos específicos para a diarreia e para o aumento bolo do fecal nos casos de prisão de ventre. Antidepressivos e pomadas que melhoram a sensibilidade anal também ajudam. O biofeedback é um autotreinamento para o paciente descobrir o nível de contração necessário para fechar o ânus. O procedimento cirúrgico é indicado quando o quadro exige transposição dos músculos e para a implantação de um esfíncter artificial.
Algumas dicas para auxiliar os idosos ou pacientes que sofrem dessa problemática são:
Tranquilizá-los para que não se constranjam em procurar ajuda se apresentarem sintomas de incontinência fecal. Esse distúrbio pode prejudicar seriamente a qualidade de vida se não for tratado;
Sugerir que ingiram mais fibra para aumentar o volume das fezes e evitar crises de obstipação intestinal;
Usarem supositórios evacuadores ou pequenas lavagens intestinais para esvaziar o reto antes de sair de casa, desse modo, será possível evitar o inconveniente da perda de fezes ou de gases;
Aprenderem a utilizar a musculatura anal que possuem. Em três ou quatro sessões de biofeedback, é possível dominar essa técnica (LACERDA, 2020).
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7.4 Osteoporose
Osteoporose é uma condição metabólica que se caracteriza pela diminuição progressiva da densidade óssea e aumento do risco de fraturas.
Para entender o que acontece, é preciso lembrar que os ossos são compostos de uma matriz na qual se depositam complexos minerais com cálcio. Outra característica importante é que eles estão em constante processo de renovação, já que são formados por células chamadas osteoclastos encarregadas de reabsorver as áreas envelhecidas e por outras, os osteoblastos, cuja função de produzir ossos novos. Esse processo permanente e constante possibilita a reconstituição do osso quando ocorrem fraturas e explica por que a mais ou menos a cada dez anos o esqueleto humano se renova por inteiro.
Com o tempo, porém, a absorção das células velhas aumenta e a de formação de novas células ósseas diminui. O resultado é que os ossos se tornam mais porosos, perdem resistência. Perdas mais leves de massa óssea caracterizam a osteopenia. Perdas maiores são próprias da osteoporose e podem ser responsáveis por fraturas espontâneas ou causadas por pequenos impactos, como um simples espirro ou uma crise de tosse, por exemplo.
Na maioria dos casos, a osteoporose é uma condição relacionada com o envelhecimento. Ela pode manifestar-se em ambos os sexos, mas atinge especialmente as mulheres depois da menopausa por causa da queda na produção do estrógeno (LACERDA, 2020).
Entre os fatores de risco que podem levar à osteoporose destacam-se:
História familiar da doença;
Pessoas de pele branca, baixas e magras;
Asiáticos;
Deficiência na produção de hormônios;
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Medicamentos à base de cortisona, heparina e no tratamento da epilepsia;
Alimentação deficiente em cálcio e vitamina D;
Baixa exposição à luz solar;
Imobilização e repouso prolongados;
Sedentarismo;
Tabagismo;
Consumo de álcool;
Certos tipos de câncer;
Algumas doenças reumatológicas, endócrinas e hepática (LACERDA, 2020).
A osteoporose é uma doença de instalação silenciosa. O primeiro sinal pode aparecer quando ela está numa fase mais avançada e costuma ser a fratura espontânea de um osso que ficou poroso e muito fraco, a ponto de não suportar nenhum trauma ou esforço por menor que sejam.
As lesões mais comuns são as fraturas das vértebras por compressão, que levam a problemas de coluna e à diminuição da estatura e as fraturas do colo do fêmur, punho (osso rádio) e costelas. Nas fases em que se manifesta, a dor está diretamente associada ao local em que ocorreu a fratura ou o desgaste ósseo.
O diagnóstico é feito através da densitometria óssea por raios X, o qual é um exame não invasivo fundamental para o diagnóstico da osteoporose. Ele possibilita medir a densidade mineral do osso na coluna lombar e no fêmur para compará-la com valores de referência pré-estabelecidos. Os resultados são classificados em três faixas de densidade decrescente: normal, osteopenia e osteoporose.
Como até os 20 anos, 90% do esqueleto humano estão prontos, medidas de prevenção contra a osteoporose devem ser tomadas desde a infância e, especialmente, na adolescência para garantir a formação da maior massa óssea possível. Para tanto, é preciso pôr em prática três medidas básicas: ingerir cálcio, tomar sol para fixar a vitamina D no organismo e fazer exercícios físicos. Na verdade, essas regras devem ser mantidas durante toda a vida. Principalmente, a atividade física tem efeito protetor sobre o tônus e a massa muscular, que se reflete na melhora do equilíbrio e ajuda a evitar as quedas ao longo da vida.
Como a osteoporose pode ter diferentes causas, é indispensável determinar o que provocou a condição, antes de propor o tratamento, que deve ter por objetivo evitar fraturas, diminuir a dor, quando existe, e manter a função.
Existem várias classes de medicamentos que podem ser utilizadas de acordo com o quadro de cada paciente. São elas: os hormônios sexuais, os bisfosfanatos, grupo que inclui diversas drogas (o mais comum é o alendronato), os modeladores de receptores de estrogênio e a calcitonina de salmão. A administração subcutânea diária do hormônio das paratireoides está reservada para os casos mais graves de osteoporose, e para os intolerantes aos bisfosfonatos (LACERDA, 2020).
Sempre é bom lembrar que:
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A osteoporose não é problema que atinge só as mulheres. Ela afeta também os homens. Nelas, a causa mais comum é a queda na produção de estrógeno depois da menopausa; neles, o índice da massa corpórea abaixo de 20, a falta ou excesso de exercício, diabetes, hipertireoidismo, doença do glúten, drogas contra a epilepsia ou imunossupressores usados em transplantes de órgão;
A dieta diária deve incluir alimentos ricos em cálcio como leite, queijos, iogurtes; o cálcio é um mineral indispensável para garantir a recomposição da estrutura óssea;
Suplementos de cálcio e vitamina D são recomendados para manter a massa óssea, especialmente nos pacientes cujas dietas são pobres em leite e laticínios, e que apanham pouco sol;
Caminhar, andar de bicicleta, nadar, correr e, especialmente, exercícios com pesos são fundamentais para manter o tônus muscular e prevenir a osteoporose;
Os esportes mais indicados para a produção contínua de massa óssea são os que provocam grande tensão muscular. Músculos exercitados e em movimento colaboram para que os ossos fiquem mais fortes e reduzem o risco de quedas e fraturas nas pessoas de idade (UOL, 2020).
7.5 Instabilidade postural
A instabilidade postural leva a um dos maiores temores em geriatria: as quedas. Elas são a sexta causa de morte em idosos e respondem por 40% das internações. Além dos riscos de lesões e fraturas, a instabilidade postural gera insegurança e faz com que a pessoa idosa restrinja ainda mais seus movimentos, comprometendo a marcha da caminhada e favorecendo a atrofia muscular, podendo levar à imobilidade.
A capacidade motora e a estabilidade postural devem ser medidas com frequência. Além disso, é importante adaptar a casa para evitar quedas e facilitar a mobilidade. Isso é possível com medidas muito simples:
colocar barras de segurança nas paredes do banheiro;
usar tapetes emborrachados no chão do banheiro, para evitar escorregões durante o banho;
retirar carpetes que possam causar tropeços;
deixar os utensílios mais utilizados ao alcance das mãos, evitando subir em escadas e
banquetas para alcançá-los (LACERDA, 2020).
7.5.1 Fraturas
As fraturas podem ser definidas como uma ruptura parcial ou total do osso e podem ser classificadas em abertas ou fechadas, de acordo com o lesionamento da pele ou não. Uma fratura fechada é quando não ocorre o rompimento da pele, já a exposta é quando a pele é rompida e o osso
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apresenta-se exposto. Por existir maior possibilidade de infecção, a fratura exposta é considerada mais perigosa que a fratura fechada.
As fraturas são facilmente percebidas, seja pelo aparecimento dos ossos através da pele (fratura exposta) ou pela dor. Todas as fraturas provocam dor, que podem ocorrer de forma espontânea ou quando é realizada a palpação do local. Além disso, dificuldade em movimentar o membro acometido ou deformidades que caracterizam a quebra dos ossos podem ser percebidas. A realização de exames radiológicos confirma o diagnóstico de fraturas.
Ao perceber que algum osso foi fraturado, é importante imobilizar imediatamente o membro lesionado.
É sabido que a chance de fraturas aumenta com o avançar da idade, principalmente aquelas decorrentes da osteoporose, uma doença muito prevalente nos idosos. Os locais mais acometidos por fraturas são: punho, úmero (osso que liga o ombro ao cotovelo), corpo vertebral e quadril, sendo que o principal gatilho para fraturas são as quedas (LACERDA, 2020).
Entre os riscos de fraturas em idosos está a alta taxa de hospitalização e internação de longa permanência, além do aumento da mortalidade. A queda pode ser um marcador de doença aguda, manifestação de doença crônica ou progressão desta. Restrição de mobilidade, incapacidade funcional, isolamento social e insegurança também são consequências comuns, que podem culminar em outros eventos prejudiciais à saúde e qualidade de vida dos idosos.
Pacientes com osteoporose devem iniciar a prevenção contra fraturas assim que descobrirem a doença. A abordagem deve ser “agressiva” para evitar a falência progressiva, as quedas e as fraturas: uma vez identificado o problema, o que normalmente se faz é o uso de medicações antiosteoporóticas e suplementos alimentares e estímulo à realização de atividade física.
Outro fator importante é reduzir os fatores de riscos já falados nas adaptações do ambiente, como melhorar a iluminação de casa, retirar tapetes, colocar suportes e apoiadores nos banheiros e quartos e deixar as quinas dos móveis e paredes mais arredondadas (LACERDA, 2020).
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7.6 Distúrbio do Sono
O conceito de insônia, de forma individual, é algo problemático. Para um dormidor longo (aquele que necessita de mais de 7 a 8 horas de sono), dormir 5 ou 6 horas representa insônia; o mesmo conceito já não se aplica ao dormidor curto. Ainda temos que considerar que as horas de sono variam segundo a faixa etária e mesmo entre indivíduos.
Mas então, o que é a insônia? É a dificuldade de iniciar e/ou manter o sono, presença de sono não reparador, ou seja, aquele que prejudica a realização das atividades diurnas. Entre as principiais causadas da insônia no idoso estão:
alterações psíquicas, como ansiedade e depressão;
utilização de psicoestimulantes, fato muito comum entre mulheres que utilizam “fórmulas
emagrecedoras”;
alterações emocionais como problemas conjugais, financeiros, luto;
abuso de café, coca-cola, cigarro, bebida alcoólica;
distúrbios psiquiátricos;
demências, sendo a Doença de Alzheimer a principal delas;
decorrente de outras doenças como: doença do refluxo gastresofágico, asma, DPOC,
insuficiência cardíaca congestiva, doenças da tireóide, doenças reumáticas;
utilização de alguns medicamentos, como alguns anti-hipertensivos, antidepressivos. O uso de benzodiazepínicos (diazepam e congêneres) pode levar à insônia rebote após a retirada e
levar à tolerância em uso crônico.
É essencial que sejam evidenciados os fatores desencadeantes e perpetuadores da insônia. O tratamento medicamentoso deve ser feito sob prescrição e controle médico regular, e não se transformar numa utilização ininterrupta e sem reavaliação periódica. Deve o paciente e os familiares entender que a medicação é uma parte do tratamento, porém não a solução para a maior parte dos casos e que a manutenção em uso crônico pode levar a efeitos adversos, entre eles o próprio distúrbio do sono (OLIVEIRA, 2020).
Algumas dicas para auxiliar os pacientes com insônia estão:
evitar cafeína e nicotina por ser estimulantes e assim dificultarem o adormecer, ocasionando um despertar por síndrome de abstinência durante a noite;
interromper o uso de substâncias que contenham cafeína e/ou nicotina 4 a 6 horas antes do horário de dormir;
evitar o uso de álcool, pois este induz a um sono de qualidade ruim e fragmentado; estabelecer horários regulares de sono;
não ir para a cama e tentar dormir sem sono;
não passar o dia preocupando-se com o sono;
regular o relógio para despertar e levantar sempre no mesmo horário todos os dias,
independente do quanto você dormiu durante a noite. Isto ajudará o organismo a adquirir
um ritmo de sono consistente;
não cochilar ou deitar durante o dia (podendo fazer exceção a pessoas idosas que podem
necessitar de cochilo breve no meio do dia, cujo ritmo circadiano de sono-vigília é bifásico);
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ir para a cama quando estiver com sono;
caso sinta-se incapaz de dormir, levantar da cama e ir para outro ambiente e retomar alguma
atividade relaxante em ambiente com pouca luminosidade;
ficar fora da cama o quanto desejar e só retornar novamente para dormir, de modo a
favorecer a associação da cama com o adormecer rápido;
não ficar controlando o passar das horas no relógio;
quando utilizado medicamento, utilizar a menor dose efetiva e estar atento para
abuso/dependência/tolerância, principalmente em idosos;
o uso crônico e continuado de indutores do sono deve ser evitado;
O tratamento exclusivamente medicamentoso, com indutores do sono, benzodiazepínicos ou antidepressivos não é a solução, principalmente em uso contínuo, ainda que em alguns casos possa ser uma necessidade.
O importante é a detecção dos fatores desencadeantes e perpetuadores e sua correção, merecendo então, uma avaliação das doenças associadas e dos medicamentos em uso. Não menos importante avaliar o relacionamento familiar. E por fim estabelecer se a queixa de distúrbio do sono feita por um familiar também representa a queixa do idoso
Antes de usar um tratamento medicamentoso, questione:
há algum fator desencadeante?
quais os fatores que promovem melhora ou piora?
o paciente está utilizando psicoestimulantes?
tem alguma situação clínica que piora a noite e que assim impeça o sono?
os quadros de demência, depressão, distúrbio psiquiátrico estão sendo devidamente
tratados?
há a prática de hábitos de higiene do sono (os relatos anteriormente)?
o paciente não é um dormidor curto (OLIVEIRA, 2020)?
7.7 Distúrbios da Pressão Arterial
À medida que as pessoas envelhecem, o coração tende a aumentar um pouco e desenvolve paredes mais espessas e câmaras discretamente maiores. O crescimento do coração se deve principalmente a um aumento no tamanho das células musculares individuais do coração. O enrijecimento das paredes do coração relacionado à idade impede o ventrículo esquerdo de se encher tão bem e, às vezes, pode resultar em insuficiência cardíaca (chamado insuficiência cardíaca diastólica ou insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada), sobretudo em pessoas idosas com outras doenças como hipertensão arterial, obesidade e diabetes.
Em repouso, o coração mais velho funciona quase do mesmo modo que um coração mais novo, mas a frequência cardíaca (número de vezes que o coração bate em um minuto) é discretamente mais baixa. Além disso, durante os exercícios, a frequência cardíaca de idosos não aumenta tanto quanto em pessoas mais jovens (LACERDA, 2020).
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As paredes das artérias e das arteríolas tornam-se mais espessas e o espaço dentro das artérias se expande discretamente. O tecido elástico existente dentro das paredes das artérias e arteríolas é perdido. Em conjunto, essas alterações fazem com que os vasos se tornem mais rígidos e menos elásticos. Como as artérias e arteríolas são menos elásticas, a pressão arterial não consegue se ajustar rapidamente quando as pessoas se levantam, e pessoas idosas correm risco de sofrer tontura ou, em alguns casos, desmaiar quando se levantam repentinamente.
Como as artérias e as arteríolas se tornam menos elásticas à medida que a pessoa envelhece, elas não conseguem relaxar tão rapidamente durante o bombeamento rítmico do coração. Por conseguinte, a pressão arterial aumenta mais quando o coração se contrai (durante a sístole) – por vezes, acima dos valores normais – do que em pessoas mais novas. Em idosos, é comum que haja pressão arterial anormalmente elevada durante a sístole e pressão arterial normal durante a diástole. Essa doença denomina-se hipertensão sistólica isolada (LACERDA, 2020).
Muitos dos efeitos do envelhecimento sobre o coração e os vasos sanguíneos podem ser reduzidos pela prática regular de exercícios. A prática de exercícios ajuda a manter a capacidade cardiovascular e a forma física conforme as pessoas envelhecem. Além disso, a prática de exercícios é benéfica, independentemente da idade em que é iniciada (LACERDA, 2020).
7.8 Diabetes em Idosos
Assim como o tipo 1, o diabetes tipo 2 é caracterizado pelo excesso crônico de açúcar no sangue, o que desencadeia uma série de complicações, de infarto a perda de visão. Mas, nesse cenário, a causa da glicemia alta decorre de um fenômeno conhecido como resistência à insulina. E os sintomas só aparecem anos depois da instalação da doença.
Diferentemente do tipo 1, o problema não começa com um ataque das próprias células de defesa ao pâncreas, a fábrica de insulina. O tipo 2 começa com a resistência à insulina o hormônio que ajuda a colocar a glicose (nutriente vindo dos alimentos) para dentro das células. Em outras palavras, esse hormônio é produzido, mas não consegue atuar direito. Para compensar a situação, o pâncreas acelera a produção de insulina.
Mas isso tem um preço: com o tempo, o órgão fica exausto e as células começam a falhar. Até que, um dia, não dá conta mais da sobrecarga – é aí que o açúcar no sangue dispara e fica permanentemente alto.
A longo prazo, a glicemia elevada pode causar sérios danos ao organismo. Entre as complicações, destacam-se lesões e placas nos vasos sanguíneos, que comprometem a oxigenação dos órgãos e catapultam o risco de infarto e AVCs (BRASIL, 2006).
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O diabete tipo 2 da doença, está relacionado ao envelhecimento, ao sedentarismo e à obesidade, sendo que esses dois últimos fatores, por sua vez, se
intensificam com o avançar da idade. Esse ambiente tão favorável
torna o idoso mais sujeito não só ao surgimento do problema,
mas também às suas consequências mais graves. O risco de ter uma doença cardiovascular ou um infarto é maior, e as complicações como amputações, cegueira e insuficiência renal ficam mais evidentes nessa faixa. Ela pode incapacitar o idoso, pois eleva o risco de demências como o Alzheimer, além da neuropatia diabética, que faz com que a pessoa perca a firmeza no andar, o uso de muitos medicamentos e outros problemas que impactam a qualidade de vida e aumentam o risco de morte.
O bom é que com acompanhamento, e especialmente com prevenção, dá para driblar o perigo e viver bem mesmo com o diagnóstico de diabetes.
Uma das justificativas para o aumento da incidência da doença nessa população é que além da fabricação de insulina cair, existe a sarcopenia, diminuição da massa muscular que acontece na terceira idade e se acentua com maus hábitos. Isso é um problema porque os músculos consomem glicose, então ajudam a regular os níveis dela no sangue. Ao mesmo tempo, mais gordura quer dizer maior resistência à insulina, outro quadro que abre caminho não só para que a doença se instale, mas para que as complicações apareçam. Com medidas simples já é possível barrar essa queda natural da massa muscular.
Idosos tendem a ficar mais tempo em casa, fazer menos atividade física ou então apenas uma caminhada. E para combater a sarcopenia, o ideal é misturar exercícios aeróbicos, como a própria caminhada, com os resistidos, como a musculação. Outro ponto é o cardápio. Nessa fase, o idoso acaba ingerindo menos proteína e mais carboidratos, por uma questão de paladar ou por serem mais fáceis de mastigar.
Por conta desses fatores, o estilo de vida é fundamental não só para a prevenção, mas para controlar bem a doença. Até mesmo porque ela evolui progressivamente se dieta e exercícios não entram na jogada. Logo, os hábitos devem ser cobrados e prescritos no consultório tanto quanto os remédios.
Além disso, é preciso monitorar constantemente se há alguma complicação à espreita. Entram aí os exames regulares para verificar o estado dos olhos, rins e coração. No dia a dia, o cuidado é especialmente para evitar o pé diabético, condição em que qualquer micose, calo ou ferida não sara e pode levar a amputações. Tem que examinar muito bem os pés, além de andar com calçados que protegem e sejam feitos de material confortável.
Vale ficar de olho também na hipoglicemia, nível baixo de açúcar em circulação. Esse desequilíbrio precisa ser flagrado e revertido rapidamente. Os sinais de alerta aqui são escurecimento da visão, suor excessivo, sensação de fome, tremores e coração acelerado (LACERDA, 2020; BRASIL, 2006).
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Para subir o índice de glicose na medida certa, uma dica é tomar 100 a 150ml de suco de laranja ou um copo de água com duas colheres de sopa de açúcar. Mas não recomendamos que a pessoa coma muito doce ou carboidrato para corrigir a glicemia, porque o índice subirá muito e rapidamente, o que não é nada bom.
Infelizmente, o diabete é uma doença silenciosa, ele costuma ser descoberto só quando já está bem instalado, o que dificulta seu controle. Por isso, além da atenção aos sintomas da doença (aumento de fome, mais sede e produção intensa de xixi), é até mais importante fazer o exame de glicemia regularmente (BRASIL, 2006).
7.9 Incapacidade Cognitiva
Cognição o conjunto de funções cerebrais formadas pela memória (armazenamento das informações), função executiva (capacidade de planejamento, antecipação, sequenciamento e monitoramento de tarefas), linguagem (compreensão e expressão da linguagem escrita e oral), praxia (capacidade de executar um ato motor), gnosia (capacidade de reconhecimento de estímulos visuais, auditivos e táteis) e função visuo-espacial (capacidade de localização no espaço e percepção das relações entre os objetos).
Um idoso diagnosticado com incapacidade cognitiva é aquele que tem prejudicada as suas atividades de vida diárias, devido ao comprometimento de uma ou mais áreas da cognição. As principais causas dessa síndrome são:
demência — cerca de 50% a 60% dos casos estão relacionados ao Alzheimer;
doenças mentais, como esquizofrenia;
delirium (estado de confusão mental agudo);
depressão.
O tratamento para incapacidade cognitiva vai depender da causa e da extensão do problema. O diagnóstico adequado é essencial, pois cada uma tem abordagem e prognóstico diferentes (LACERDA, 2020).
7.9.1 Depressão
A terceira idade – também conhecida como melhor idade – é uma importante fase da vida. É quando encerra-se a trajetória profissional, os filhos casam e saem de casa e perde-se muitos amigos e entes queridos, além de na maioria dos casos, surgirem alguns problemas de saúde. Tantas perdas de uma vez só trazem uma carga emocional muito grande e é comum que os idosos fiquem deprimidos ao passarem por esses acontecimentos.
Além disso, o número de idosos tem aumentado, uma vez que a expectativa de vida aumentou em decorrência da tecnologia e dos tratamentos avançados para as doenças comuns na terceira idade. Ou seja, vamos viver mais e acabar convivendo mais tempo com a depressão.
A depressão pode surgir apenas na terceira idade, por conta de todos os fatores e perdas já mencionadas e nesse caso o fator hereditário não conta tanto, ou seja, a doença está muito mais
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relacionada com o envelhecimento em si. Mas há também casos onde o problema já acompanha o paciente e se intensificou nesta fase, apresentando características de cronificação (LACERDA. 2020).
Os sintomas que surgem na depressão em idosos são bem atípicos, muitos nem parecem ou se sentem tristes. A falta de memória pode muitas vezes ser um sinal forte de depressão, que acaba se confundindo com demência nessa fase. Essa apresentação da doença de forma diferente acaba dificultando o diagnóstico e a adesão ao tratamento, pois muitos pacientes não aceitam a doença.
É na fase idosa também que a personalidade se intensifica, ou seja, adultos gentis tendem a ficar ainda mais gentis quando se tornam idosos, assim como adultos mal-humorados tendem a ter o humor piorado com a idade. E é justamente a personalidade que irá determinar como será encarada a depressão nessa fase, ou seja, pessoas pessimistas e com baixa autoestima estão mais predispostas à depressão.
Um cuidado muito importante que deve ser tomado é para não se banalizar os sintomas da depressão em idosos com a justificativa de ser “coisa da idade”. Toda mudança de comportamento deve ser observada e se necessário, levada para o médico analisar.
A depressão, em qualquer fase da vida, pode prejudicar muito a qualidade de vida do paciente. Em idosos, isso tende a se intensificar, uma vez que a recuperação de qualquer problema se torna ainda mais lenta. A doença pode interferir em aspectos físicos, já que o idoso irá perder a vontade de praticar exercícios, se alimentar saudavelmente, participar de programas sociais e até mesmo tomar os remédios para as enfermidades que surgem com a idade (FONSECA&SILVERA, 2008).
O sexo é um aspecto importante na vida de todo adulto, inclusive dos idosos. As mulheres quando entram na menopausa podem sentir baixa libido e dificuldades na hora da relação sexual, assim como os homens podem sofrer com a impotência e esses problemas sexuais contribuem para o desenvolvimento da depressão nos idosos. Por isso estimular uma vida sexual ativa, mesmo na terceira idade, contribui muito para a saúde física e mental.
A consequência mais grave da depressão é o risco de suicídio, o que aumenta ainda mais na terceira idade. Dados apontam que os idosos chegam a tentar suicídio até sete vezes mais do que o adulto jovem.
Como já foi dito, a primeira coisa a se fazer é não diminuir os sintomas dos idosos à “coisas da idade”. Envelhecer não é doença e sempre que houver dificuldade para realizar qualquer tarefa, esta deve ser tratada com atenção. Somente com o diagnóstico correto é possível fazer o tratamento de forma adequada.
É comum que as mulheres sejam as primeiras a procurar ajuda em caso de suspeita de algum problema de saúde, principalmente na terceira idade. Para os homens, há uma certa resistência (LACERDA, 2020).
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O tratamento da depressão em idosos é feito através da combinação de medicamentos, principalmente antidepressivos, com psicoterapia e terapias ocupacionais, como estímulo para realizar atividades que retomam o prazer de viver. O idoso pode, de acordo com a sua personalidade, optar por aulas de dança, trabalhos manuais, corais, grupos de passeio e qualquer outra atividade que o distraia e o faça sentir reintegrado à ambientes sociais. Até mesmo um animal de estimação pode ser um bom estímulo para o paciente idoso. A presença da família é fundamental para o sucesso no tratamento, afinal, sentir-se abandonado nessa fase da vida é motivo de profunda tristeza (MATHIAS, 2015).
7.9.2 Demência
A demência é uma síndrome clínica de natureza crônica e progressiva, na qual ocorre a perturbação de múltiplas funções cognitivas (memória, pensamento, orientação, compreensão, cálculo, capacidade de aprendizagem, linguagem e julgamento (BRASIL, 2006).
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Existem vários tipos de demência, sendo as mais comuns a doença de Alzheimer e a demência vascular (multiinfato), as outras incluem a doença de Parkinson e a demência relacionada com a síndrome de Pick.
Esses transtornos do sistema nervoso central e periférico causam a deterioração das células normais ou da função do sistema nervoso (LACERDA, 2020).
a. Doença de Alzheimer (DA): é um transtorno neurodegenerativo progressivo e fatal que se manifesta pela deterioração cognitiva e da memória, comprometimento progressivo das atividades de vida diária e uma variedade de sintomas neuropsiquiátricos e de alterações comportamentais.
A doença instala-se quando o processamento de certas proteínas do sistema nervoso central começa a dar errado. Surgem, então, fragmentos de proteínas mal cortadas, tóxicas, dentro dos neurônios e nos espaços que existem entre eles. Como consequência dessa toxicidade, ocorre perda progressiva de neurônios em certas regiões do cérebro, como o hipocampo, que controla a memória, e o córtex cerebral, essencial para a linguagem e o raciocínio, memória, reconhecimento de estímulos sensoriais e pensamento abstrato.
No Brasil, centros de referência do Sistema Único de Saúde (SUS) oferecem tratamento multidisciplinar integral e gratuito para pacientes com Alzheimer, além de medicamentos que ajudam a retardar a evolução dos sintomas.
Os cuidados dedicados às pessoas com Alzheimer, porém, devem ocorrer em tempo integral. Cuidadores, enfermeiras, outros profissionais e familiares, mesmo fora do ambiente dos centros de referência, hospitais e clínicas, podem encarregar-se de detalhes relativos à alimentação, ambiente e outros aspectos que podem elevar a qualidade de vida dos pacientes.
A causa ainda é desconhecida, mas acredita-se que seja geneticamente determinada. A Doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência neurodegenerativa em pessoas de idade, sendo responsável por mais da metade dos casos de demência nessa população (MINISTERIO DA SAUDE, 2020).
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Essa doença costuma evoluir para vários estágios de forma lenta e inexorável, ou seja, não há o que possa ser feito para barrar o avanço da doença. A partir do diagnóstico, a sobrevida média das pessoas acometidas por Alzheimer oscila entre 8 e 10 anos. O quadro clínico costuma ser dividido em quatro estágios:
Estágio 1 (forma inicial): alterações na memória, na personalidade e nas habilidades visuais e espaciais.
Estágio 2 (forma moderada): dificuldade para falar, realizar tarefas simples e coordenar movimentos. Agitação e insônia.
Estágio 3 (forma grave): resistência à execução de tarefas diárias. Incontinência urinária e fecal. Dificuldade para comer. Deficiência motora progressiva.
Estágio 4 (terminal): restrição ao leito. Mutismo. Dor à deglutição. Infecções intercorrentes.
IMPORTANTE: Nos casos mais graves do Alzheimer, a perda da capacidade das tarefas cotidianas também aparece, resultando em completa dependência da pessoa. A doença pode vir ainda acompanhada de depressão, ansiedade e apatia.
O primeiro sintoma, e o mais característico, do Mal de Alzheimer é a perda de memória recente. Com a progressão da doença, vão aparecendo sintomas mais graves como, a perda de memória remota (ou seja, dos fatos mais antigos), bem como irritabilidade, falhas na linguagem, prejuízo na capacidade de se orientar no espaço e no tempo.
Entre os principais sinais e sintomas do Alzheimer estão:
falta de memória para acontecimentos recentes;
repetição da mesma pergunta várias vezes;
dificuldade para acompanhar conversações ou
pensamentos complexos;
incapacidade de elaborar estratégias para resolver
problemas;
dificuldade para dirigir automóvel e encontrar
caminhos conhecidos;
dificuldade para encontrar palavras que exprimam
ideias ou sentimentos pessoais;
irritabilidade, suspeição injustificada, agressividade,
passividade, interpretações erradas de estímulos visuais ou auditivos, tendência ao isolamento.
A identificação de fatores de risco e da Doença de Alzheimer em seu estágio inicial e o encaminhamento ágil e adequado para o atendimento especializado dão à Atenção Básica, principal porta de entrada para o Sistema Único de Saúde (SUS), um caráter essencial para um melhor resultado terapêutico e prognóstico dos casos (MINISTERIO DA SAUDE, 2020).
Alguns fatores de risco para o Alzheimer são:
A idade e a história familiar: a demência é mais provável se a pessoa tem algum familiar que já sofreu do problema;
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Baixo nível de escolaridade: pessoas com maior nível de escolaridade geralmente executam atividades intelectuais mais complexas, que oferecem uma maior quantidade de estímulos cerebrais.
IMPORTANTE: Quanto maior for a estimulação cerebral da pessoa, maior será o número de conexões criadas entre as células nervosas, chamadas neurônios. Esses novos caminhos criados ampliam a possibilidade de contornar as lesões cerebrais, sendo necessária uma maior perda de neurônios para que os sintomas de demência comecem a aparecer. Por isso, uma maneira de retardar o processo da doença é a estimulação cognitiva constante e diversificada ao longo da vida.
A Doença de Alzheimer ainda não possui uma forma de prevenção específica, no entanto os médicos acreditam que manter a cabeça ativa e uma boa vida social, regada a bons hábitos e estilos, pode retardar ou até mesmo inibir a manifestação da doença (MINISTERIO DA SAUDE, 2020).
Com isso, as principais formas de prevenir, não apenas o Alzheimer, mas outras doenças crônicas como diabetes, câncer e hipertensão, por exemplo, são:
Estudar, ler, pensar, manter a mente sempre ativa.
Fazer exercícios de aritmética.
Jogos inteligentes.
Atividades em grupo.
Não fumar.
Não consumir bebida alcoólica.
Ter alimentação saudável e regrada.
Fazer prática de atividades físicas regulares.
O diagnóstico da Doença de Alzheimer é por exclusão. O rastreamento inicial deve incluir avaliação de depressão e exames de laboratório com ênfase especial na função da tireoide e nos níveis de vitamina B12 no sangue.
O tratamento do alzheimer é medicamentoso e os pacientes têm à disposição a oferta de medicamentos capazes de minimizar os distúrbios da doença, que devem ser prescritos pela equipe médica. O objetivo do tratamento medicamentoso é, também, propiciar a estabilização do comprometimento cognitivo, do comportamento e da realização das atividades da vida diária (ou modificar as manifestações da doença), com um mínimo de efeitos adversos.
Por isso, no âmbito do Ministério da Saúde, está disponível nas unidades de saúde de todo o país, o medicamento Rivastigmina adesivo transdérmico para o tratamento de demência para Doença de Alzheimer. Este tratamento está previsto no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) desta condição clínica, que além do adesivo, preconiza o uso de medicamentos como:
Donepezila.
Galantamina.
Rivastigmina.
Memantina (MINISTERIO DA SAUDE, 2020).
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b. Demência Vascular: é um termo amplo, utilizado para designar o tipo de Demência associado a problemas da circulação do sangue para o cérebro. Existem vários tipos de Demência Vascular. Os dois tipos mais comuns são a Demência por Multienfartes e a Doença de Binswanger.
A Demência por Multienfartes, é a mais comum, e é causada por vários enfartes cerebrais pequenos, também denominados por acidentes isquêmicos transitórios (AIT). Os enfartes causam danos no córtex cerebral, que é a área associada à aprendizagem, memória e linguagem. Uma pessoa com Demência por Multienfartes terá provavelmente, nas fases iniciais, um melhor discernimento do que as pessoas com Doença de Alzheimer e, algumas partes da sua personalidade podem permanecer relativamente intactas por um período de tempo mais longo. Os sintomas da Demência por Multienfartes podem incluir depressão severa, alterações de humor e epilepsia.
A Demência Vascular pode ser causada por um enfarte único, dependendo do seu tamanho e localização. Os fatores de risco que aumentam a probabilidade de os enfartes conduzirem a Demência Vascular incluem:
Pressão arterial alta sem tratamento (hipertensão);
Fibrilação Atrial;
Outros ritmos cardíacos irregulares que aumentam o risco de coágulos e de arteriosclerose
(depósitos de gordura nos vasos sanguíneos), que provocam danos nas artérias cerebrais
É habitualmente diagnosticada através de um exame neurológico e técnicas de imagiologia cerebral como a tomografia computorizada (TC) ou a ressonância magnética (RM). No entanto, tal como no caso da Doença de Alzheimer, o diagnóstico definitivo de Demência Vascular só pode ser realizado, após a morte, através de um exame ao cérebro. A Demência Vascular pode ser muito difícil de distinguir de outras formas de Demência. Algumas pessoas têm os dois tipos de Demência, Doença de Alzheimer e Demência Vascular.
Qualquer pessoa pode ser afetada pela Demência Vascular, mas existem vários fatores que aumentam o risco. Estes incluem:
Pressão arterial elevada;
Tabagismo;
Diabetes;
Colesterol elevado;
História prévia de enfartes ligeiros;
Evidência de doença das artérias, em outros sítios;
Alterações do ritmo cardíaco (LACERDA, 2020).
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A doença normalmente progride em degraus, o que significa que as capacidades da pessoa deterioram-se depois de um enfarte e ficam estabilizadas até ao próximo. Se não ocorrerem mais enfartes, as capacidades das pessoas com Demência Vascular podem estabilizar e em alguns casos, melhorar. No entanto, estas melhorias podem não durar. Às vezes os degraus são tão pequenos que o declínio parece ser gradual. Em média, as pessoas com Demência Vascular sofrem um declínio mais rápido do que das pessoas com Doença de Alzheimer e morrem frequentemente de parada cardiorrespiratória ou de um grande enfarte.
Embora não exista tratamento que possa reverter os danos já realizados, é muito importante fazer um tratamento para prevenir outros enfartes. Estes podem ser prevenidos através da prescrição de medicamentos para controlar a pressão arterial elevada, colesterol elevado, doença cardíaca e diabetes. Fazer uma dieta saudável, exercício físico e evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool também diminui o risco de futuros enfartes.
Por vezes, são prescritos a aspirina e outros medicamentos para prevenir a formação de coágulos nos vasos sanguíneos pequenos. Os medicamentos também podem ser prescritos para aliviar a inquietude, depressão ou ajudar a pessoa com Demência a dormir melhor. Em alguns casos, a cirurgia conhecida como endarterectomia carotídea, pode ser recomendada para remover obstruções na artéria carótida, que é o principal vaso sanguíneo para o cérebro.
Estudos recentes sugerem que medicamentos como os inibidores da colinesterase como o Donepezil (Aricept) e a Galantamina (Reminyl), que são úteis para algumas pessoas com Doença de Alzheimer, também podem ter algum benefício para as pessoas com Demência Vascular. Contudo, as evidências ainda não são tão claras ou convincentes, como as existentes para a utilização daqueles medicamentos na Doença de Alzheimer (MINISTERIO DA SAUDE, 2020).
c. Doença de Parkinson: doença neurológica, crônica e progressiva, sem causa conhecida, que atinge o sistema nervoso central e compromete os movimentos.
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A principal causa da doença de Parkinson é a morte das células do cérebro, em especial na área conhecida como substância negra, responsável pela produção de dopamina, um neurotransmissor que, entre outras funções, controla os movimentos.
Quanto maior a faixa etária, maior a incidência da doença de Parkinson. De acordo com as estatísticas, na grande maioria dos pacientes, ela surge a partir dos 55, 60 anos e sua prevalência aumenta a partir dos 70, 75 anos.
Os sintomas da doença de Parkinson variam de um paciente para o outro. Em geral, no início, eles se apresentam de maneira lenta, insidiosa, e o paciente tem dificuldade de precisar a época em que apareceram pela primeira vez.
A lentificação dos movimentos e os tremores nas extremidades das mãos, muitas vezes notados apenas pelos amigos e familiares, costumam ser os primeiros sinais da doença. A diminuição do tamanho das letras ao escrever é outra característica importante.
Outros sintomas podem estar associados ao início da doença: rigidez muscular; acinesia (redução da quantidade de movimentos), distúrbios da fala, dificuldade para engolir, depressão, dores, tontura e distúrbios do sono, respiratórios, urinários.
O tratamento pode ser
medicamentoso, psicoterápico e até cirúrgico em alguns casos. O tratamento medicamentoso é feito à base de drogas neuroprotetoras que visam a evitar a diminuição progressiva de dopamina, neurotransmissor responsável pela transmissão de sinais na cadeia de circuitos nervosos. O tratamento psicoterápico ocorre em função da depressão, perda de memória e do aparecimento de demências e pode incluir a prescrição de medicamentos antidepressivos e de outros psicotrópicos.
Aconselhamentos importantes se seu cliente apresentar algum desses sintomas:
Sugerir que procure um médico tão logo perceba um ligeiro tremor nas mãos ou tenha notado que sua letra diminuiu de tamanho (micrografia);
Manter a atividade intelectual; estimulá-lo a ler e acompanhar o noticiário;
Não atribuir ao passar dos anos a perda da expressão facial e o piscar dos olhos menos
frequentes;
Estimular a prática de atividade física. Fazer exercícios físicos regularmente ajuda a
preservar a qualidade dos movimentos (VILELA et.al, 2015).
d. Doença de Pick (PiD): é definida como uma doença neurodegenerativa que afeta os lobos frontal e/ou temporal.
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A PiD é irremediavelmente progressiva, resultando no óbito do paciente após 6 a 10 anos de evolução, em média, afetando mais comumente indivíduos entre 50 a 60 anos de idade; contudo, pode acometer pessoas mais velhas.
Inicialmente, esta doença caracteriza-se por mudanças de personalidade, variando de acordo com o local da lesão (orbitofrontal, dorsomedial ou dorsolateral) e, posteriormente, ocorre o comprometimento das habilidades sociais, enfraqu ecimento emocional, desinibição comportamental e alterações de linguagem. As dificuldades de memória surgem após um tempo.
Ao passo que a demência evolui, juntamente pode surgir apatia ou total agitação; graves problemas de linguagem, atenção ou comportamento podem aparecer, resultando em dificuldade no nível de comprometimento cognitivo.
As alterações observadas durante o exame físico são similares às encontradas na doença de Alzheimer. Já com relação aos exames complementares, bem como outros casos de demência, os exames laboratoriais devem compreender determinação dos níveis de vitamina B12, anticorpos nucleares, VDRL, FTA-Abs e painel tireoidiano. Outra aferição útil é a de ceruplasmina sérica, a qual permite eliminar a possibilidade de doença de Wilson.
Outro passo importante na investigação é o exame do líquido cefalorraquidiano, que visa verificar a pressão, positividade para culturas, existência de antígenos contra certos agentes, além da presença de marcadores para determinadas patologias. Existe a possibilidade da realização de uma biópsia cerebral; todavia, esta é realizada somente em casos específicos. Exames imagiológicos, como a ressonância magnética e a tomografia computadorizada são úteis para avaliar as lesões metastáticas cerebrais e infartos subcorticais (LACERDA, 2020).
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Na primeira avaliação é recomendado:
Suspender o uso de fármacos que possam comprometer a memória ou levar à confusão mental;
Realização de tratamento empírico dos sintomas condizentes com depressão ou distúrbio do sono;
Reposição parenteral de vitamina B12 e tratamento empírico encefalite herpética.
Quando o paciente apresenta um significativo déficit de atenção, deve ser considerada a possibilidade de ocorrência de epilepsia e recomendar a realização de um eletroencefalograma e um período de testes com anticonvulsivantes.
Embora vários autores recomendem o uso de neuroprotetores e sintomáticos, até o momento, não há um tratamento medicamentoso específico para a PiD. É de extrema importância que seja feito um acompanhamento periódico para que o tratamento dos distúrbios de comportamento e os problemas clínicos que surgem com o passar do tempo (INFO ESCOLA, 2020).
7.10 Iatrogenia
Iatrogenia é todo efeito adverso indesejável decorrente do uso de um medicamento ou procedimento prescrito e que causa prejuízo para a saúde da pessoa. Em idosos, o risco de iatrogenia é maior, tendo em vista a polifarmácia e suscetibilidade aos efeitos colaterais. Idosos podem apresentar quedas, confusão mental aguda ou perda de memória progressiva, tontura e muitas outros efeitos adversos decorrentes de medicações potencialmente inapropriadas para idosos, impactando na funcionalidade e na qualidade de vida. Devido às particularidades do envelhecimento, as síndromes geriátricas são uma mistura complexa de doenças e de condições fisiológicas, que tornam o idoso mais vulnerável a complicações. Daí a importância do olhar integral e individualizado do
Geriatra (LACERDA, 2020).
7.11 Insuficiência familiar
A falta de apoio e acolhimento da família é uma das síndromes geriátricas mais complexas, sendo causa e consequência de várias outras. Quando um idoso não encontra respaldo familiar, fica mais suscetível a problemas de saúde e restrições da idade (LACERDA, 2020).
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8. ASPECTOS DOS CUIDADOS DE SAÚDE DO IDOSO E PESSOAS DEPENDENTES 8.1 Saúde Nutricional
Uma alimentação saudável, isso é, adequada nutricionalmente e sem contaminação, tem influência no bem-estar físico e mental, no equilíbrio emocional, na prevenção e tratamento de doenças.
É importante que a alimentação seja saborosa, colorida e equilibrada, que respeite as preferências individuais e valorize os alimentos da região, da época e que sejam acessíveis do ponto de vista econômico.
Para se ter uma alimentação equilibrada, com todos os nutrientes necessários para a manutenção da saúde, é preciso variar os tipos de alimentos, consumindo-os com moderação.
Os nutrientes são as substâncias químicas que o organismo absorve dos alimentos, esses nutrientes são indispensáveis para o bom funcionamento do organismo. Os nutrientes dos alimentos fornecem calorias, que são a quantidade de energia utilizada pelo corpo para a manutenção de suas funções e atividades. Uma alimentação que fornece mais calorias do que o organismo gasta em suas atividades diárias pode provocar o excesso de peso e obesidade. Uma alimentação que fornece menos calorias que o necessário pode levar à perda de peso e desnutrição (FONSECA & SILVEIRA, 2008; MINAS GERAIS, 2015).
8.1.1 Os dez passos para uma alimentação saudável
Os 10 passos para uma alimentação saudável é uma estratégia para buscar uma vida mais saudável, recomendada pelo Ministério da Saúde. Esses passos podem ser seguidos por toda a família.
1o passo: Aumente e varie o consumo de frutas, legumes e verduras. Coma-os 5 vezes por dia. As frutas e verduras são ricas em vitaminas, minerais e fibras. Coma, pelo menos, 4 colheres de sopa de vegetais (verduras e legumes) 2 vezes por dia. Coloque os vegetais no prato do almoço e do jantar. Comece com 1 fruta ou 1 fatia de fruta no café da manhã e acrescente mais 1 nos lanches da manhã e da tarde.
2o passo: Coma feijão pelo menos 1 vez por dia, no mínimo 4 vezes por semana. O feijão é um alimento rico em ferro. Na hora das refeições, coloque 1 concha de feijão no seu prato, assim você estará evitando a anemia.
3o passo: Reduza o consumo de alimentos gordurosos, como carne com gordura aparente, salsicha, mortadela, frituras e salgadinhos, para no máximo 1 vez por semana. Retire antes do cozimento a pele do frango, a gordura visível da carne e o couro do peixe. Apesar do óleo vegetal ser um tipo de gordura mais saudável, tudo em excesso faz mal! O ideal é não usar mais que 1 lata de óleo por mês para uma família de 4 pessoas. Prefira os alimentos cozidos ou assados e evite cozinhar com margarina, gordura vegetal ou manteiga.
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4o passo: Reduza o consumo de sal. Tire o saleiro da mesa. O sal da cozinha é a maior fonte de sódio da nossa alimentação. O sódio é essencial para o funcionamento do nosso corpo, mas o excesso pode levar ao aumento da pressão do sangue, que chamamos de hipertensão. As crianças e os adultos não precisam de mais que 1 pitada de sal por dia. Siga estas dicas: não coloque o saleiro na mesa, assim você evita adicionar o sal na comida pronta. Evite temperos prontos, alimentos enlatados, carnes salgadas e embutidos como mortadela, presunto, lingüiça, etc. Todos eles têm muito sal.
5o passo: Faça pelo menos 3 refeições e 1 lanche por dia. Não pule as refeições. Para lanche e sobremesa prefira frutas. Fazendo todas as refeições, você evita que o estômago fique vazio por muito tempo, diminuindo o risco de ter gastrite e de exagerar na quantidade quando for comer. Evite “beliscar”, isso vai ajudar você a controlar o peso.
6o passo: Reduza o consumo de doces, bolos, biscoitos e outros alimentos ricos em açúcar para no máximo 2 vezes por semana.
7o passo: Reduza o consumo de álcool e refrigerantes. Evite o consumo diário. A melhor bebida é a água.
8o passo: Aprecie a sua refeição. Coma devagar. Faça das refeições um ponto de encontro da família. Não se alimente assistindo TV.
9o passo: Mantenha o seu peso dentro de limites saudáveis – veja no serviço de saúde se o seu IMC está entre 18,5 e 24,9 kg/m2. O IMC (índice de massa corporal) mostra se o seu peso está adequado para sua altura. É calculado dividindo-se o peso, em kg, pela altura, em metros, elevado ao quadrado.
10o passo: Seja ativo. Acumule 30 minutos de atividade física todos os dias. Caminhe pelo seu bairro. Suba escadas. Não passe muitas horas assistindo TV.
Essas recomendações foram elaboradas para pessoas saudáveis, mas servem como guia para planejar a alimentação de pessoas que necessitam de cuidados especiais de saúde. Pessoas que precisam de dietas especiais devem receber orientações específicas e individualizadas de um nutricionista, de acordo com o seu estado de saúde (FONSECA & SILVEIRA, 2008).
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Nem sempre é fácil alimentar outra pessoa, por isso o cuidador precisa ter muita calma e paciência, estabelecer horários regulares, criar um ambiente tranqüilo. São orientações importantes:
Para receber a alimentação, a pessoa deve estar sentada confortavelmente.
Jamais ofereça água ou alimentos à pessoa na posição deitada, pois ela pode se engasgar.
Se a pessoa cuidada consegue se alimentar sozinha, o cuidador deve estimular e ajudá-la no
que for preciso: preparar o ambiente, cortar os alimentos,
etc.
Lembrar que a pessoa precisa de um tempo maior para se
alimentar, por isso não se deve apressá-la.
É importante manter limpos os utensílios e os locais de
preparo e consumo das refeições. A pessoa que prepara os alimentos deve cuidar de sua higiene pessoal, com a finalidade de evitar a contaminação dos alimentos.
Quando a pessoa cuidada estiver sem apetite, o cuidador
deve oferecer alimentos saudáveis e de sua preferência,
incentivando-a a comer. A pessoa com dificuldades para se
alimentar aceita melhor alimentos líquidos e pastosos, como: legumes amassados,
Nessa faixa etária ocorre a diminuição da sensação de sede. Com isso, os idosos podem sofrer alterações na função renal, como diminuição da capacidade de concentração da urina.
8.1.2 Outras recomendações gerais para a alimentação
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purês, mingau de aveia ou amido de milho, vitamina de frutas com cereais integrais
(FONSECA&SILVEIRA, 2020).
Para estimular as sensações de gosto e cheiro, que com o avançar da idade ou com a doença
podem estar diminuídos, é importante que as refeições sejam saborosas, de fácil digestão, bonitas e cheirosas.
Uma boa maneira de estimular o apetite é variar os temperos e o modo de preparo dos alimentos. Os temperos naturais como: alho, cebola, cheiro-verde, açafrão, cominho, manjericão, louro, alecrim, sálvia, orégano, gergelim, hortelã, noz-moscada, manjerona, erva-doce, coentro, alecrim, dão sabor e aroma aos alimentos e podem ser usados à vontade.
Se a pessoa consegue mastigar e engolir alimentos em pedaços não há razão para modificar a consistência dos alimentos. No caso da ausência parcial ou total dos dentes, e uso de prótese, o cuidador deve oferecer carnes, legumes, verduras e frutas bem picadas, desfiadas, raladas, moídas ou batidas no liquidificador.
Para manter o funcionamento do intestino é importante que o cuidador ofereça à pessoa alimentos ricos em fibras como as frutas e hortaliças cruas, leguminosas, cereais integrais como arroz integral, farelos, trigo para quibe, canjiquinha, aveia, gérmen de trigo, etc. Substituir o pão branco por pão integral e escolher massas com farinha integral. Substituir metade da farinha branca por integral em preparações assadas. Acrescentar legumes e verduras no recheio de sanduíches e tortas e nas sopas.
Sempre que for possível, o cuidador deve estimular e auxiliar a pessoa cuidada fazer caminhadas leves, alongamentos e passeios ao ar livre.
Ofereça à pessoa cuidada, de preferência nos intervalos das refeições, 6 a 8 copos de líquidos por dia: água, chá, leite ou suco de frutas.
É importante que a pessoa doente ou em recuperação coma diariamente carnes e leguminosas, pois esses alimentos são ricos em ferro. O ferro dos vegetais é mais bem absorvido quando se come junto alimentos ricos em vitamina C, como laranja, limão, caju, goiaba, abacaxi e outros, em sua forma natural ou em sucos.
O consumo moderado de açúcar, doces e gorduras ajudam a manter o peso adequado e a prevenir doenças cardiovasculares, obesidade e diabetes.
O cuidador e a família da pessoa cuidada deve observar a data de validade do produtos, evitando comprar grandes quantidades de alimentos e aqueles com prazo de validade próximo do vencimento (FONSECA&SILVEIIRA, 2008).
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