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A 14ª edição do jornal Vôôôte! traz a PROJETOS DE EXTENSÃO INTERDISCIPLINARES como temática central.
A produção textual e imagética ficou sob a responsabilidade da disciplina "Redação, apuração e edição do texto noticioso", ministrada pela Profa. Dra. Mariângela Sólla López, enquanto o projeto gráfico e a diagramação foram executados na disciplina "Editoração e planejamento gráfico", coordenada pelo Prof. Dr. Thiago Cury Luiz.
Pelo fato da publicação se consolidar no ambiente virtual, ele deixa o formato "mural" e passa a ter mais de uma página.

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Published by Jornal Vôôôte!, 2023-06-29 17:23:07

Vôôôte! | nº 14 | outubro/2021

A 14ª edição do jornal Vôôôte! traz a PROJETOS DE EXTENSÃO INTERDISCIPLINARES como temática central.
A produção textual e imagética ficou sob a responsabilidade da disciplina "Redação, apuração e edição do texto noticioso", ministrada pela Profa. Dra. Mariângela Sólla López, enquanto o projeto gráfico e a diagramação foram executados na disciplina "Editoração e planejamento gráfico", coordenada pelo Prof. Dr. Thiago Cury Luiz.
Pelo fato da publicação se consolidar no ambiente virtual, ele deixa o formato "mural" e passa a ter mais de uma página.

VôôôTE! Outubro/2021 | 14ª Edição | 3º Semestre de Jornalismo | UFMT | Cuiabá | @jornalvote Projetos de extensão interdisciplinares Projeto promove desenvolvimento comunitário na Baixada Cuiabana Programa Enactus UFMT conta com estudantes de mais de 22 cursos de graduação que desenvolvem projetos colaborativos nas comunidades. Mariana da Silva Vitória Kehl Araujo Com o objetivo de colocar a capacidade e o talento das pessoas em evidência, o programa de extensão Enactus UFMT desenvolve negócios de impacto alinhados com os 17 objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, por meio do Design Thinking, uma abordagem colaborativa para a solução de problemas enfrentados pelas comunidades. A Enactus é uma organização internacional sem fins lucrativos, presente em 37 países, que fornece aos universitários uma plataforma para auxiliar na elaboração de projetos de desenvolvimento comunitário. São quatro os projetos desenvolvidos atualmente pelo time: o Projeto Fênix possui o objetivo de levar a educação financeira para jovens e adultos; o Projeto Ressignifique busca diminuir o desperdício de frutas, verduras e legumes que ocorre antes mesmo de chegar à mesa do consumidor; o Projeto Cultivando a Esperança têm como propósito fomentar a alimentação saudável; e munidade do Mata Cavalo, teve a oportunidade de conhecer e aprender ao fazer a prospecção na comunidade para identificar as necessidades enfrentadas. Segundo Victor, a Comunidade não tem acesso à distribuição de água, o meio que usam para captação são poços artesianos e, ainda assim, em determinados períodos enfrentam problemas de abastecimento. Para descobrir onde tem água e saber o local exato para furar o poço, ele pode conhecer a técnica da radiestesia utilizada na Comunidade, que consiste em segurar uma forquilha tensionada, que puxa a pessoa para o fluxo d’água. Enactors fazendo prospecção na Comunidade Quilombola do Ribeirão da Mutuca. Foto: André Prado | Enactus UFMT. Victor Chicati, estudante de Engenharia de Minas, experimentando a técnica de radiestesia. Foto: André Prado | Enactus UFMT. A Enactus desperta nos estudantes o compromisso de atuação na comunidade e no seu entorno “ Professor Ailton Terezo A multidisciplinaridade da Enactus permite a troca de informações, conhecimentos, experiências, e isso acaba expandindo a nossa visão de mundo, favorecendo o aprendizado de cada um que faz parte do projeto. Além disso, nós aprendemos a trabalhar em equipe, a lidar com situações de crise e, principalmente, enxergar esses acontecimentos com diferentes olhares. Outro ponto bastante interessante é a rede de contato diversa que nós criamos, porque temos contato com várias áreas de conhecimento e com pessoas dos locais mais variados do Brasil. Por último, considerando algo mais pessoal, as amizades que são criadas entre pessoas de cursos diferentes, que talvez em outras situações não tivessem se conhecido. Mariana Betin | Engenharia Sanitária e Ambiental | Diretora Administrativa da Enactus UFMT o Projeto Calumba - Uma Vida Melhor no Quilombo trabalha com a comunidade quilombola do Complexo do Mata Cavalo, localizado em Nossa Senhora do Livramento/MT. Mesmo com temáticas relativamente diferentes, todos os projetos fazem uso do empreendedorismo social e buscam a geração de renda para as pessoas em vulnerabilidade, através de um produto ou serviço gerado pela comunidade em conjunto com os membros do Time Enactus. Conforme o coordenador do programa de extensão, professor Ailton José Terezo, a Enactus desperta nos estudantes o compromisso de atuação na comunidade e no seu entorno. Dessa forma, eles utilizam o conhecimento obtido dentro da Universidade para mudar a realidade de muitas famílias, além de enriquecer o seu desenvolvimento pessoal e profissional. É o caso do estudante de Engenharia de Minas, Victor Chicati, que tendo contato com a CoCampeonatos Este ano, a Enactus Brasil realizou o segundo hackathon em parceria com o Instituto Sabin e, durante uma semana, estudantes, alumnis (ex-alunos) e professores da rede Enactus de todo o país desenvolveram soluções para as mais diversas problemáticas. A Enactus UFMT foi representada por cinco estudantes que, juntos, foram semifinalistas do evento, desenvolvendo o projeto Calumba - Uma Vida Melhor no Quilombo em apenas uma semana, conseguindo ficar no TOP 20 entre as mais de 90 equipes competidoras. Anualmente, também acontece o Evento Nacional Enactus Brasil (ENEB) com duas ligas: Liga Principal e Liga Rookie. Este ano, o Time Enactus UFMT participou pela primeira vez na Liga Rookie, junto com outros times do Brasil que ainda não haviam participado do campeonato. O Time Campeão Nacional (Liga Principal) avança para a prestigiada Enactus World Cup, onde tem a oportunidade de vivenciar a celebração da excelência e colaboração com times dos outros 36 países. Saiba mais: http://www.enactus.org.br/ Instagram @enactusufmt. 1 Editoração e Planejamento Gráfico | Prof. Thiago Cury. Equipe: Ana Julia Aparecida | João Roberto Santana | Mariana da Silva | Vitória Kehl | Victória Ellen. Redação, Produção e Edição do Texto Noticioso | Prof. Mariângela Lopez. Equipe: Amanda Wathier | Ana Julia Aparecida |Helena Werneck | Isadora Sousa | João Roberto Martins | Karine Duarte | Mariana da Silva | Marina Camargo | Nathania Ortega | Vitória Kehl | Vitória Verano.


Estudantes ensinam Física com didática simples e acessível Oficinas, exposições e experimentos tornam a aprendizagem dos fenômenos naturais mais leves Ana Julia Aparecida Isadora Sousa Desde 2015, o programa de extensão Física na Nuvem, idealizado por estudantes do Instituto de Física da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), procura ensinar os fenômenos da natureza e do Universo de forma mais fácil para várias comunidades. Com a realização de oficinas, experiências em laboratório, produção de materiais para divulgação dos conteúdos nas redes digitais e encontros online, entre outras abordagens, o programa conta hoje com sete projetos e com a participação de estudantes de vários cursos da Universidade. Um dos projetos iniciais do Física na Nuvem foi o Mulheres nas Ciências apresentado nas escolas para divulgar mulheres que marcaram a ciência. Com a pandemia o projeto passou a funcionar de forma remota, com a realização de lives e rodas de conversa com mulheres cientistas, que debatem assuntos abordados em suas pes- O Pró-Enem, que se transformou em um programa de extensão para pessoas de baixa-renda e oferece um curso preparatório para aqueles que vão prestar o Exame Nacional do Ensino Médio, é um dos projetos mais procurados do Física na Nuvem. Para se ter uma ideia do sucesso do Pró-Enem, em 2019, foram formadas 6 turmas com 50 participantes cada. As aulas são ministradas por estudantes previamente orientados por professores integrantes do projeto, que os auxiliam no desenvolvimento do conteúdo. Os alunos que desejam entrar para o programa devem, antes, participar do Resgate Social, projeto no qual os estudantes passam por uma espécie de treinamento, aos sábados, com duração aproximada de 5 horas. O programa realiza ainda o Resgate Acadêmico, voltado para a tecnologia, que produz vídeos e outros materiais com conteúdo científico que são postados nas redes sociais. Esse material deu sustentação ao programa durante a pandemia que não pode iniciar nesse período o projeto Show de Oficina de nebulosas no Sesc Arsenal, em Cuiabá, 2020. Física, que por meio da realizaFases da Lua são ensinadas com bolachas recheadas. Pesquisadores da UFMT estudam grupos vulneráveis aos desastres climáticos Rede formada por estudiosos de quatro países avança no compartilhamento de conhecimentos para formulação de políticas públicas. Amanda Wathier Karine Duarte Com o objetivo de fortalecer as políticas públicas em justiça climática e educação ambiental, a Rede Internacional de Pesquisadores em Educação Ambiental e Justiça Climática (REAJA) trabalha em três frentes: pesquisa, formação e comunicação. O projeto atua junto a grupos sociais vulneráveis economicamente (povos indígenas, ribeirinhos, canoeiros, pescadores artesanais, mulheres, crianças, idosos, entre outros), compreendendo que eles serão os mais afetados pelas calamidades socioambientais. A líder da REAJA, professora Giselle Dalla-Nora, do Departamento de Geografia da UFMT, informa que o grupo já produziu cerca de oito teses de doutorado, seis dissertações de mestrado, vários trabalhos de conclusão de curso e tem mais de trinta artigos científicos publicados. Os resultados alcançados, segundo a professora, são fruto da “troca de experiências, troca de metodologias, compartilhamento de conhecimento, o que ajuda muito o fortalecimento das relações internacionais”. Além do Brasil, outros quatro países integram a Rede: México, Cuba, Espanha e Portugal. Cinco linhas temáticas norteiam os estudos da REAJA: a primeira diz respeito à justiça climática, quando os pesquisadores identificam e estudam os grupos sociais mais afetados pelas mudanças climáticas, fazendo um mapeamento dos conflitos e dos municação, a educomunicação e os processos de construção de sentidos; finalmente, os estudos sobre as políticas públicas, que buscam entender o significado da governança e da governabilidade e os processos dialógicos entre governos e a sociedade civil. A REAJA faz parte do Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte (GPEA) do programa de Pós-graduação em Educação da UFMT. No Brasil, a Rede é formada por pesquisadores de 16 universidades, 4 organizações não governamentais e 3 entidades governamentais. Além da REAJA, o Grupo de Pesquisa possui outros projetos, como “Educação Ambiental e as Mudanças Climáticas”, “Ciência e Cultura na Reinvenção Educomunicativa” e “Escolas Sustentáveis”, entre outros. Mais informações sobre o projeto podem ser encontradas no blog do GPEA, disponível em: https:// gpeaufmt.blogspot.com/p/reaja_31.html A Casa da Cultura Quilombola é um espaço importante de Mata Cavalo, que reúne as produções culturais e a tradição da comunidade. Foto: Thiago Cury Luiz. quisas e também o preconceito que elas sofrem na ciência. “O projeto tem o intuito de divulgar mulheres cientistas, trazendo meninas para conhecer mais a ciência ou até mesmo entrar na Física e tratar questões como desigualdade de gênero e assédio”, explica uma das coordenadoras, Tainá Aparecida Silva Bezerra, estudante do 5° semestre do curso de Física, que conheceu o programa Física na Nuvem ainda na escola. Outro projeto que marcou a criação do Física na Nuvem foi o Instituto de Física sem Fronteiras, que entra em contato com as escolas para realizar oficinas, ações em laboratórios e eventos que auxiliem na compreensão dos fenômenos da natureza. Na mesma linha, o Instituto de Física de Portas Abertas pode ser acionado por escolas e outras instituições ou comunidades interessadas em participar do projeto. ção de um show de experimentos de Física Aplicada, tem a intenção de interagir com o público para que eles participem das experiências e aprendam com elas. Atualmente o Física na Nuvem funciona de forma independente, contando somente com a UFMT para custear os gastos com transporte e materiais. Por isso, conforme contam seus integrantes, quando a Universidade sofre cortes em seu orçamento, o programa é um dos primeiros a ser afetado. Apesar das dificuldades, um dos coordenadores do programa, Hilton Elpidio Pereira Cardoso, estudante do 5º semestre do curso de Física, não hesita em afirmar: “Cada dia mais que a gente participa do projeto, vemos que a gente tá conseguindo fazer o nosso papel. Não podemos chegar em comunidades com termos difíceis porque as crianças não vão entender, então a gente explica as fases da lua com bolacha recheada.” Para conhecer mais ou participar das ações do Física na Nuvem, os interessados podem entrar em contato com o programa pelo Instagram, @fisicananuvem. desastres ambientais; a segunda linha temática são os estudos sobre a cultura local e a importância de cada grupo social, procurando mostrar como crenças, fé e mitos dos grupos se entrelaçam com a própria natureza; a educação ambiental constitui-se outro foco dos estudiosos que buscam incrementar o diálogo entre as escolas e seus entornos por meio de Projetos Ambientais Escolares Comunitários (PAEC); o quarto tema alvo das pesquisas é a co2


Pauta Gênero estuda as desigualdades de gênero e suas relações na sociedade O projeto de extensão da UFMT faz uma observação crítica dos meios e processos comunicativos para reflexão sobre as desigualdades de gênero da sociedade Marina Camargo Recentemente premiado no Expocom Centro-Oeste como melhor projeto, o Pauta Gênero é um Observatório de Comunicação e Desigualdades de Gênero constituído por alunas/os, professoras/res e também por pessoas que não fazem parte da academia, mas que têm interesse em compartilhar e desenvolver conhecimento sobre o assunto. Semanalmente são feitas as análises envolvendo diversos casos que são publicadas no blog (https://medium.com/pauta-genero) e também divulgadas pelo Instagram e Facebook (@pautagenero). O Pauta Gênero é coordenado pela professora do Curso de Jornalismo da UFMT Tamires Ferreira Coêlho, que é doutora em Comunicação Social e foi entrevistada pelo VÔÔÔTE! para dar detalhes sobre o projeto. V! Como surgiu a ideia para criação do projeto? Tamires: Eu já tinha a ideia de implementar um projeto que monitorasse e abordasse as desigualdades de gênero pensando, sobretudo, a questão das mulheres, das pessoas LGBTI+ em Mato Grosso, porque as estatísticas de violências aqui são muito dramáticas. E também porque eu já trabalho com pesquisas de gênero há algum tempo e queria implementar um observatório para pensar isso. No ano passado, em 2020, eu recebi um convite para reunir um grupo que participasse de um monitoramento global de representações de gênero, que é a maior pesquisa em termos de abrangência de países sobre representações de gênero no jornalismo, na mídia. Então, formei uma equipe de estudantes, professores, pesquisadores e pessoas que tinham interesse no tema. E como já estávamos reunidos e com uma equipe para isso, eu fiz uma proposta de implementarmos o observatório. Formalizei isso junto à pró-reitoria de Extensão [Pró-Reitoria de Cultura, Extensão e Vivência da UFMT] e começamos os trabalhos oficialmente. V! Atualmente quantas pessoas são integrantes? Tamires: Hoje estamos com 7 pessoas vinculadas formalmente ao Observatório. Alunos/as, professores/as, estudantes de pós-graduação e também outros pesquisadores. Temos hoje pessoas que estão residentes em todas as regiões do Brasil. Mestrandos, doutorandos de outras instituições, outras universidades, mas também pessoas que estão sem vínculo acadêmico. Por exemplo, a gente tem uma jornalista da Secretaria de Segurança Pública que faz parte do Pauta. Então, é bem interessante essa possibilidade. V! Como é o trabalho do Pauta? Tamires: Nós temos reuniões semanais todas as segundas-feiras. Fazemos discussões de textos, análises para o blog, conteúdos para as redes sociais que podem estar associados às análises do blog. Por exemplo, indicamos materiais, conteúdos midiáticos interessantes. Pensamos alguns conteúdos de divulgação científica para desmistificar alguns conceitos, aproximar algumas questões que as pessoas não conseguem se aproximar porque a linguagem é acadêmica demais e inacessível. A ideia é que a gente consiga desmistificar, simplificar isso em algumas frentes, tentando deixar a linguagem mais clara, menos acadêmica, nas análises, nos posts, explicando de uma maneira mais fácil os conceitos difíceis, também tentando fazer um conteúdo mais acessível nas redes sociais com a descrição de imagem para pessoas cegas. Temos uma perspectiva de trabalho em desenvolver parcerias com outros projetos, como o Observatório de Gênero e Sexualidade do Serviço Social e o ComuniCast. Para você ter visibilidade no Instagram, existe uma lógica de desumanização das mulheres, de exposição de fotos, dos corpos. A gente não trabalha com isso, somos contra isso. A tendência é que o Instagram não promova o nosso conteúdo. Então como é que a gente pode chegar a outras pessoas que não estão ali no Instagram? Fazemos uma adaptação de conteúdos para a linguagem audiofônica e fazemos algumas colunas que vão circular em rádios comunitárias com o conteúdo que produzimos para Instagram, análises etc. V! Quais são suas expectativas para o futuro do projeto? Tamires: Hoje as minhas expectativas são de conseguirmos aprofundar algumas coisas que já iniciamos. Começamos a experimentar e adaptar algumas metodologias de monitoramento. Coletamos dados ano passado e fizemos monitoramento de sites aqui em Cuiabá, adaptando a metodologia do monitoramento global. A minha expectativa é que a gente possa conseguir dar vasão a esses dados, fazer uma divulgação melhor. Em um futuro próximo, a minha expectativa também é que mesmo que a gente volte ao presencial [atividades presenciais], mantenhamos o modelo híbrido porque temos pessoas morando em outros lugares e elas agregam muito. Também queremos colocar alguns projetos fora do papel, como a criação de um podcast, sempre com esse objetivo de não fazer algo acadêmico, de tentar levar essas discussões de uma maneira mais acessível, tentar tirar essa pecha de que a discussão de desigualdade de gênero é da academia. Temos que fazer que seja acessível para todos os setores da sociedade, não pode ficar restrito [à academia]. V! Na sua opinião, como podemos contribuir para chegar mais próximo possível a uma igualdade de gênero? Tamires: A primeira coisa interessante é a gente pensar o seguinte: existem esforços individuais, mas os esforços individuais não bastam porque quando falamos de desigualdade de gênero, estamos falando de um problema que é estrutural e estruturante da sociedade. Então assim, se você olhar para a parte econômica, política da nossa sociedade, tudo vai funcionar em função da desigualdade de gênero. É algo que não podemos olhar de forma ingênua e achar que as nossas ações individuais vão resolver. Temos que pensar coletivamente em mudanças estruturais para que isso se resolva. É importante que a gente olhe criticamente e não consuma conteúdos que promovam violência simbólicas, que promovam a objetivação das mulheres, das pessoas LGBTI+, que possamos reivindicar que os meio de comunicação, as marcas, as plataformas de redes sociais não sejam excludentes, sexistas, homofóbicas. Nós somos a grande a maioria, mas simbolicamente a gente ainda tem pouca representatividade nos espaços de poder. Então, isso é uma coisa que a gente precisa fazer, olhar criticamente, olhar que músicas estamos consumindo. Vamos ter aí muitas músicas que desumanizam, objetificam mulheres, fazem chacota com pessoas LGBTI+. É não consumir isso que podemos fazer e ficar atentos para rever nossos atos e comportamentos. Existem esforços individuais, mas os esforços individuais não bastam. Porque quando falamos de desigualdade de gênero, estamos falando de um problema que é estrutural e estruturante da sociedade. “ Tamires Coelho. Foto: Arquivo Pessoal. Maryelle Campos | Jornalismo | Integrante do Pauta Gênero Participar de projetos de extensão me proporciona experiências que ultrapassam os limites da sala de aula. Consigo ter maior aprofundamento ou contato com questões que não dão tempo de serem trabalhadas lá. Por exemplo, no projeto Comunicast trabalho com roteiros, narração e começo a entender de perto como é a podosfera. Já o Pauta Gênero me dá um suporte imenso para entender desigualdade de gênero, racismo, sexualidade, patriarcado, mídia... É muito mais do que ter mais aproximação com teorias, é o compartilhamento de vivências, é o acolhimento, é a escuta e a conversa. Caso eu não tivesse entrado nesses projetos, provavelmente já teria desistido do curso, então eles são muito importantes não só para minha continuidade na graduação, mas para meu crescimento pessoal e também como futura jornalista. 3


Inova Júnior aproxima futuros engenheiros do mercado de trabalho Helena Werneck Nathania Ortega A empresa júnior Inova surgiu da união de estudantes do curso de Engenharia de Controle e Automação da UFMT com o intuito de gerar capacitação e experiência para os alunos adquirirem uma noção básica do mercado de trabalho em que serão inseridos. A Inova oferece serviços na área de automação em geral, industrial, residencial ou predial, além de instalações elétricas e desenvolvimento de softwares. Segundo a presidente da Inova, Eduarda Campos de Assis Casal, qualquer pessoa, física ou jurídica, pode contratar os serviços da Inova com o benefício de menor custo, já que será realizado por universitários. “A empresa júnior é como qualquer outra empresa, possui espaço físico, membros e funcionários. A diferença substancial é que é formada majoritariamente por alunos e professores e não tem fins lucrativos, toda verba é voltada para melhorias na empresa ou instituição”, explica. A Inova tem uma importância muito grande porque ela possibilita contato direto com o mercado de trabalho. “ Eduarda Campos Participar do OPSlab me auxiliou a compreender o campo da Comunicação de forma mais ampla, para além do que me havia sido apresentado durante as disciplinas da graduação. Me auxiliou a compreender o mundo de forma diferente e enxergar caminhos para transformá-lo, tendo por lugar de ação a Comunicação, especificamente a publicitária, em intersecção com a Educação. Estar atento a essas possibilidades me auxiliou, sem dúvidas, a ter uma formação mais abrangente e a aproveitar melhor os espaços oferecidos pela universidade. Thiago Toledo | Mestrando em Comunicação pelo PPGCOM UFMT | Bacharel em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda pela UFMT | Integrante do OPSLab UFMT produziu álcool em gel e repelente para doar durante a pandemia A ação auxiliou no combate a Covid-19 e contribuiu para previnir doenças transmitidas por mosquitos. João Roberto Martins Vitória Verano Na UFMT, especificamente, é necessário haver 2 professores e no mínimo 5 membros participantes. A Inova conta hoje com a participação de 12 alunos que cursam Engenharia de Controle de Automação na UFMT, e com a parceria do coordenador de curso, professor Daniel Miranda. Para o estudante e membro da Inova, Gabriel Rebouças (21), participar da empresa júnior foi “uma virada de chave”, pois foi onde ele teve o primeiro contato com diversas pessoas do curso em períodos mais avançados que o auxiliaram e transmitiram conhecimentos sobre como trabalhar na área, gestão de pessoas e elaboração de projetos. “Além de estar presente em meu currículo, certamente esses ensinamentos foram cruciais para lidar com diversas áreas, pessoas e desafios”. Embora seja uma empresa voltada para os estudantes de Engenharia de Controle de Automação, estudantes de outros cursos da UFMT podem participar. Conforme explicou a presidente, se houver uma demanda na área de marketing, por exemplo, podem nascer alianças significativas com outros cursos. Para fazer parte da Inova é preciso entrar em contato com a empresa e passar por um processo seletivo. Mais informações nas redes sociais da Inova. De maio a novembro do ano passado, a equipe do projeto de extensão “Enfrentamento da pandemia de covid-19 por meio da produção e distribuição de álcool-gel desinfetante na UFMT” produziu 84 mil litros do produto, distribuídos para órgãos públicos, grupos indígenas, quilombolas e ribeirinhos. Parte dessa produção foi acrescida de um repelente natural de insetos, o que auxiliou também na prevenção de outras enfermidades transmitidas por mosquitos, como a dengue e a chikungunya. O coordenador do projeto, professor Aílton Terezo, do curso de Química da Universidade Federal de Mato Grosso, conta que a ideia de experimentar outras composições com o álcool gel é oriunda da cultura popular com a qual teve contato durante uma pescaria esportiva. “Os pirangueiros [condutores de embarcações para o turismo de pesca] da região do [rio] Paraguai faziam uso de cravo em álcool líquido como repelente para mosquitos. Fiquei com isso na cabeça, e surgiu a ideia, durante o projeto de álcool em gel, de fazer formulações diferenciadas”. Neste caso, foi usado o extrato fitoterápico do cravo da índia na composição do álcool gel com o cuidado de manter suas propriedades antissépticas para destruir a estrutura do coronavírus, além de funcionar como repelente natural. Várias equipes foram organizadas para trabalhar nas diferentes etapas do projeto, sob a supervisão de professores: produção, controle de qualidade, manutenção, envase, logística para distribuição. Segundo Terezo, a produção do álcool gel ocorre a partir da mistura de água e de um polímero espessante. “Nós usamos quatro tipos diferentes de polímeros, todos eles sintéticos, à base de acrilatos e de celulose. Esses espessantes, quando misturados em água formam um gel viscoso, tipo uma pasta, e depois a essa pasta é adicionado o álcool, para dar a proporção de 70%, que é o meio da faixa de concentração”, explica. Todo o processo produtivo foi desenvolvido na UFMT, utilizando um misturador de 2 mil litros, instalado no Centro Olímpico de Treinamento no campus de Cuiabá. Após a produção, os lotes, com 2 a 3,5 mil litros cada um, passavam pelo controle de qualidade, feito em laboratório de acordo com as exigências para o uso de álcool gel sanitizante em seres humanos. Em seguida, o álcool era envasado automaticamente e organizado em lotes para distribuição. Matheus Cassiano, estudante do 4° semestre do curso de Medicina da UFMT, participou da logística do projeto: “Nós fizemos um planejamento de levar todos os litros de álcool em gel para quem mais precisaria e depois distribuímos para órgãos públicos, como hospitais, secretarias de saúde, corpo de bombeiros, prefeitura e também para grupos indígenas, quilombolas e ribeirinhos”. A iniciativa contou com a participação de 58 alunos dos cursos de Química (bacharelado e licenciatura), Tecnologia de Alimentos, Economia, Engenharia Sanitária, Engenharia Ambiental, Engenharia Química, Nutrição, Enfermagem, Medicina, Jornalismo e também de estudantes do Time Enactus, projeto de extensão da UFMT. O governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico, articulou a doação de álcool 96 GL junto ao Sindalcool-MT (Sindicato das Indústrias de Bionergia do Estado de Mato Grosso) e a doação de embalagens pet para os alunos, além de auxiliar na logística da distribuição. “ Distribuímos para órgãos públicos, como hospitais, secretarias de saúde, corpo de bombeiros, prefeitura e também para grupos indígenas, quilombolas e ribeirinhos. Matheus Cassiano A UFMT produziu e distribuiu 84 mil litros de álcool gel de março a novembro de 2020 (Foto: Michel Lacombe–Secomm/UFMT) 4


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