“ VôôôTE! Jornal-mural produzido pelos estudantes da disciplina de Planejamento Gráfico em Jornalismo da UFMT [Cuiabá] julho_2019 edição_09 5º semestre_jornalismo ufmt_cuiabá EXPEDIENTE Mulheres relatam insegurança no IL e IE O aparato da UFMT é destinado a proteger o patrimônio, não as pessoas Sala de aula também é palco de violência Casos de assédio moral são recorrentes na rotina universitária violência na uf @alinemartielly @annelisebertuzzi @beatrizpassos @evertoncampos @gabrielbarros @glaubervacarias @larissafrazão @leticiacorrea @luilyanluz @lizbrunetto @lucasribeiro SUPERVISÃO @macklevino @marcossalesse @matheusmorais @mayaracampos @nayarachagas @pedromfilho @raynnanicolas @thaysluz @tuaniawade @tylceiaxavier @vitoriagomes @thiagocuryluiz [@gabriel @everton @tuani @mack @matheus @luylian] [@beatriz @marcos @mayara @raynna] [@vitoria @liz @tylceia @thays @glauber] [violência na CEU] Uma estudante teve a sua opinião inferiorizada na sala, pois, segundo o professor, ela não teria o mesmo nível de conhecimento que ele. V! V! Há vários casos de assédio aqui. Acho que a universidade poderia olhar melhor para a moradia estudantil. No final de semana, a partir de um certo horário, só moradores podem entrar. Mas não tem um controle, porque todo mundo pode falar que é morador. [Nayara Cardoso/Biologia] A violência na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) é um assunto recorrente entre os alunos que julgam o ambiente inseguro. Com a finalidade de analisar esse cenário, a nossa equipe realizou uma pesquisa de opinião. Foram entrevistados 50 estudantes, homens e mulheres, a partir de 16 anos. Nela, 74% afirmaram não se sentirem seguros no campus. A maioria dos entrevistados está na faixa etária de 20 a 24 anos, e a principal queixa de violência é de ordem psicológica. Outros dados indicam que, tratando-se de gênero, as mulheres ocupam 68% dos casos, um número que corresponde a estatística nacional e que coloca Mato Grosso como o segundo estado com maior número de casos de violência contra mulher no país. Veja os gráficos ao lado e observe os principais lugares em que os casos de violência costumam acontecer e os seus tipos mais frequentes. Os entrevistados puderam escolher mais de uma opção. V! Campus da UFMT registra casos de violência Em consulta a 50 estudantes, os locais em que há mais incidência de atos violentos são o estacionamento, o bosque e os corredores. A violência de caráter psicológico é a modalidade mais denunciada. Antigamente tinha um guarda que ficava nos arredores da CEU, mas, por causa de uma petição, esse guarda foi retirado. Agora, o único segurança que temos são os mesmos que rondam por todo o campus da UFMT. Meus amigos já foram roubados, mas isso nunca aconteceu comigo. [Anderson Parlo/Jornalismo] No primeiro momento, eu fiquei assustada, pois não tem a estrutura de uma casa. Ela seria mais segura se todos fechassem a porta. Porém, nunca ouvi falar em assalto. Os auxílios também foram essenciais: tentei várias vezes até conseguir. Se não fossem eles, eu já teria voltado para casa. [Lauane Sena/Arquitetura] Entre os principais desafios presentes no processo educacional no país está o conflito psicológico entre professores e estudantes. Assim como em diversas instituições, na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) existem inúmeros casos de divergências ocorridas no ambiente acadêmico. Segundo a professora e psicóloga Jane Contrinho, “a psicologia atua ao colaborar com a discussão sobre saúde mental e desenvolvendo projetos sobre o assunto juntamente com a comunidade interna da Universidade. A UFMT também age através do atendimento no serviço de psicologia aplicada”, afirmou. Os conflitos são resultados das relações humanas, porém, principalmente na questão educacio- [@annelise @aline @lucas @nayara @larissa @pedro] nal, é importante planejar estratégias para contornar o quadro, propiciando ao estudante um bom ambiente para que desenvolva o potencial acadêmico sem obstáculos ao aprendizado. Uma estudante de História que preferiu não se dentificar afirma que teve sua opinião inferiorizada na frente do restante da sala pois, segundo o professor, ela não teria o mesmo nível de conhecimento que ele por ser mais nova. Outro estudante trancou o curso por dois anos. Essa atitude foi tomada após diversos conflitos entre os dois, impulsionados principalmente pela maneira rígida do professor e por indiretas ao aluno na frente dos outros colegas de classe. Foram procurados professores para darem depoimentos, mas todos preferiram não se pronunciar sobre o assunto. No início deste ano foram registrados novos casos de violência nas dependências dos Institutos de Linguagens (IL) e Educação (IE) no período noturno. Uma das preocupações é que o aparato de segurança, em sua maioria, é patrimonial. “A segurança não é para as pessoas, é para o patrimônio. Eu já os vi (os seguranças) espantando pessoas suspeitas, mas nada muito efetivo. Eu não me sinto nem um pouco segura com os guardas que têm aqui”, diz a estudante de Letras, Carla Martins. A falta de estrutura física dos prédios também impossibilita um espaço seguro para a comunidade. De acordo com a diretora do IE, Tatiana Dias, ambos os blocos não dispõem de vídeo-monitoramento e se limitam a uma pequena equipe de vigilantes. “As câmeras não funcionam, isso sempre foi um problema para nós. A gente sabe também que diminuiu a vigilância, o que a gente tem é uma vigilância patrimonial. Final de semana é a empresa privada e durante a semana são os vigilantes concursados”, afirma a diretora. Mesmo sob a orientação de não andarem sozinhas, as alunas expressam um sentimento de insegurança generalizado. “A gente fica preocupada. A gente tem que ter as próprias estratégias para se sentir mais segura aqui dentro”, comenta a estudante de Psicologia, Lavignia Pouso. As principais estratégias são andar sempre em grupo e procurar locais iluminados. “Eu não vou ao banheiro sozinha, sempre peço companhia”, revela a estudante de Letras, Flávia Abreu. “ “ Foto: @marcossalesse