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Published by hmilheiro, 2018-11-26 14:50:48

AutoSport_2135

AutoSport_2135

#2135 O SEMANÁRIO DOS CAMPEÕES 40
ANO 40
anos
28/11/2018
Semanal >> autosport.pt

2,35€ (CONT.)

DIRETOR PEDRO CORRÊA MENDES

GPABU DHABI F1
11ª VITÓRIA DE
HAMILTON EM 2018

ADEUS ALONSO

OLÁ KUBICA
AENRTRMEVIISNTDA O BALANÇO DO CPR 2018
ARAÚJO
PÁG. 12
“ ORGULHOSO
POR DAR ENTREVISTA EXCLUSIVA VATANEN AKKY5M5C0O
À HYUNDAI A
VITÓRIA NO ANO PÁG. 30

DE ESTREIA”
PÁG. 18



3

I/ I N S TA N TÂ N E O SIGA-NOS EM EDIÇÃO

#2135
28/11/2018

f l> > a u t o s p o r t . p t
facebook.com/autosportpt twitter.com/AutoSportPT

MEN IN BLACK Lewis Hamilton foi anfitrião de Will Smith, conhecido ator norte-americano, que levou um pouco de animação para a José Luís Abreu
F1. Chegou e disse, “Eu sou a lenda”, ou será “Bad Boys”, “Hancock”, “Dia da Independência” ou mesmo o “Príncipe de Bel-Air”…
DIRETOR-EXECUTIVO
S/ SEMÁFORO EM DIRETO
[email protected]
PARADO A ARRANCAR A FUNDO “Acho que, no geral, a corrida
resume bem a temporada: De 2017 para 2018 no
O WRX regressa em As 24 Horas TT Vila Rali das Camélias começou bem e depois foi tudo Mundial de Fórmula 1
2019, resta saber com de Fronteira encerram ‘devolve’ no fim uma mer**”, Valtteri Bottas, bem passou-se uma situação
que pilotos e equipas, em festa os grandes de semana Sintra bastante curiosa, e muito
pois o cenário que se aos adeptos do ciente do que estas más exibições pouco habitual, já que dos
perspetiva atualmente eventos nacionais automobilismo representam 20 pilotos que realizaram
de 2018 o último Grande Prémio de 2017, 18
é pouco otimista “Neste momento, não estou a participaram na primeira corrida de
pensar em voltar, mas não sei 2018, na Austrália, na mesma equi-
O SEMANÁRIO DOS CAMPEÕES NA ERA DIGITAL como me sentirei no ano que vem. pa. Nunca na história da Fórmula 1
Preciso de um intervalo, desafios tinha sucedido que 90% do pelotão
diferentes”, Fernando Alonso, a fosse o mesmo (piloto e equipa)
numa prova inaugural em relação
recuar de um adeus para um até já… à corrida final da época anterior. E
mais, durante o ano, o plantel man-
“Para ser honesto, não sei se o teve-se completamente igual, da
halo me bloqueou ou não”, Nico primeira à última corrida. Não houve
uma única ‘falha’ ou troca, facto
Hulkenberg, que teve que esperar tanto mais de salientar por ter sido
para lhe virarem o carro, depois do uma das duas épocas com mais
capotanço que sofreu corridas (21). Obrigado, João Lima,
pelas dicas!
“Terminar em terceiro não Mas quando a Fórmula 1 arrancar na
muda o meu mundo, mas Austrália em março próximo, tudo
faz-me ir à cerimónia da FIA, vai ser bem diferente, e segundo
é mais outra viagem”, Kimi o que se sabe até este momento,
55% dos pilotos serão novos nas
Räikkönen igual a ele próprio… equipas. As mudanças passaram
de 10% para 55%.
Siga-nos nas redes sociais e saiba Há algumas situações bem inte-
tudo sobre o desporto motorizado no ressantes, por exemplo as de Kimi
computador, tablet ou smartphone via Räikkönen e Charles Leclerc, que
facebook (facebook.com/autosportpt), trocam de carros, mas acima de
twitter (AutosportPT) ou em todas elas está o regresso de Robert
>> autosport.pt Kubica à Fórmula 1. Oito anos depois
de sair da Renault o polaco regressa
de forma fantástica, mas o que po-
derá fazer para o ano é uma perfeita
incógnita.
Por fim, fica por dizer que numa
disciplina que muito rapidamen-
te se está a tornar cada vez mais
espetacular e interessante, é uma
pena que rumemos à terceira época
consecutiva com apenas 20 mono-
lugares em pista. Para um espetácu-
lo destes, é mesmo muito pouco. A
Fórmula 1 merecia bem mais carros
em pista.

F1/
FÓRMULA 1
GP DE ABU DHABI 2 1 D E 2 1

HAMILTON

JUSTIFICATÍTULO (OUTRAVEZ)

O Grande Prémio inglês, até à prova de de segundo e Sebastian Vettel a mais da, devido ao desentendimento entre
de Abu Dhabi disputou-se com Interlagos, há duas sema- de três. Romain Grosjean e Nico Hulkenberg
nas, nunca tinha vencido As ‘Três Grandes’ acabaram por ficar (ndr.: ver análise do ‘Segundo Pelotão’),
tudo resolvido, mas nem por um Grande Prémio depois cada uma com uma das três primeiras mas quando foi retomada a ação, na
isso Lewis Hamilton deixou de conquistar um cetro. linhas da grelha de partida, esperan- quarta volta, Hamilton começou a
do-se que Hamilton pudesse rumar a construir uma vantagem para o seu
Oos seus créditos por mãos mais uma vitória com facilidade, uma colega de equipa, ao passo que este
alheias, vencendo de forma Porém, este ano mostrou vez que estava escudado por Bottas. não conseguia descolar verdadeira-
autoritária a corrida que estar num nível nunca antes eviden- Os dois pilotos da Mercedes arranca- mente de Vettel.
fechou a temporada de 2018 ciado, revelando uma fome de vencer ram bem para a corrida de 55 voltas, Como tem sido habitual este ano,
mantendo as suas posições, seguidos na sexta feira ficou evidente que os
insaciável. dos dois Ferrari, ao passo que Max Mercedes eram mais exigentes com
Verstappen, o único com pneus hi- os pneus que os Ferrari e ainda mais
Logo na qualificação o Pentacampeão permacios contra os ultramacios dos que os Red Bull, e quando se verificou
restantes homens da frente, via o seu uma situação de Safety Car devido à
Mundial mostrou ao que vinha num dia Red Bull entrar em modo de segurança, paragem em plena reta da meta de
completando a primeira volta apenas Kimi Räikkönen, sem potência no
em que Mercedes e Ferrari tinham um em nono. seu monolugar, a equipa de Brackley
A corrida rapidamente foi neutraliza- aproveitou a oportunidade para cha-
potencial muito semelhante.
Jorge Girão Os pilotos dos ‘Flechas de Prata’ fi-
[email protected] zeram a diferença, monopolizando a

primeira linha, mas Hamilton voltava

a produzir uma volta especial, as-

segurando a pole position ao deixar

Valtteri Bottas a mais de um décimo

mar Hamilton às boxes para trocar a rodar num ritmo consistente que 32 26 depois de Hamilton, para trocar de
os ultramacios por supermacios, que tinha como objetivo proteger os seus pneus, contudo, a chuva, que chegou
teriam a missão de o levar até ao fim. pneus e manter-se à distância que VITÓRIAS ALCANÇADAS POR ALONSO a aparecer, não teve a intensidade
Era uma estratégia de risco, que não lhe permitisse recuperar a liderança NA FÓRMULA 1 desejada pelo piloto da Red Bull, que
foi replicada por mais nenhuma equipa quando todos passassem pelas boxes, acabaria por ver a sua performance
da frente, dado que, se por um lado era muito embora isso o pudesse deixar condicionada.
uma paragem nas boxes relativamente exposto a pilotos com borrachas mais Com a paragem nas boxes de Ricciardo,
barata quanto a perda de tempo, por frescas no final da corrida. o inglês da Mercedes regressava ao
outro significava perder posições em Outro facto que foi levado em conta comando escudado pelo seu colega
pista e ter de gerir muito bem as borra- pelas equipas foi a possibilidade de de equipa, que mantinha o segundo
chas para evitar outra visita aos “pits”. chover, que se adensava ao longo da posto, depois de uma troca de pneus
O inglês regressou à pista no quinto corrida. demasiado lenta de Vettel ter impedido
posto, atrás de Verstappen que, entre- Daniel Ricciardo apostou todas as suas o alemão de realizar o “undercut”.
tanto, era já quarto, e a nove segun- fichas nessa hipótese, atrasando a sua Contudo, Bottas sofria com os travões
dos de Bottas, quando uma passagem paragem nas boxes, na expectativa de do seu Mercedes e, depois de ter se-
pelas boxes com troca de pneus valia passar diretamente dos ultramacios guido em frente numa travagem, ficou
mais de vinte segundos. para pneus de chuva, caso a pista o à mercê de Vettel, que ascendeu ao
Depois de se ter envolvido numa que- exigisse. segundo posto quando ainda estavam
rela com o holandês, Hamilton passou O australiano esperou até à 33ª volta, por realizar 21 voltas.

F1/
FÓRMULA 1

6

GP DE ABU DHABI 2 1 D E 2 1

M/ MOMENTO F/ FIGURA

VOLTA DE CONSAGRAÇÃO LEWIS HAMILTON
Num Grande Prémio de descompressão, O inglês justificou uma vez mais o
em que tudo estava resolvido, a forma seu título deste ano, o quinto da sua
como Sebastian Vettel e Lewis Hamilton carreira. Conquistou a pole-position,
escudaram Fernando Alonso no último com mais uma volta excelente, e muito
regresso deste às boxes, após a corrida embora não tivesse a melhor estratégia
de domingo, foi um sinal claro de respeito de corrida, conseguiu vencer pela 11ª vez
pelo espanhol. Não foi determinante para esta temporada.
o resultado, mas sublinhou a emotividade Se este for o Hamilton de 2019 será
que a Fórmula 1 ainda é e vive. muito difícil que alguém o bata.

>> autosport.pt

7

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DE FERNANDO ALONSO Arrancou de uma posição
O Mundial de Fórmula 1899 O piloto espanhol foi um dos privilegiada – 11ª, o primeiro com
1 terminou com mais grandes protagonistas do mundo escolha livre de pneus para a
um triunfo de Lewis PONTOS CONQUISTADOS POR ALONSO dos Grandes Prémios nos últimos corrida – e executou na perfeição
Hamilton, numa corrida 17 anos, tanto dentro como fora da a estratégia, o que lhe permitiu
emotiva para muitos, pista, e tem dentro de si ainda mais cruzar a linha de meta no sexto
entre despedidas ou alguns anos ao mais alto nível. lugar e vencer a batalha do
simplesmente um O seu abandono da Fórmula 1 segundo pelotão.
até já... deixa inegavelmente um vazio na É este tipo de performances que a
categoria máxima e foi marcante McLaren espera de Sainz em 2019.
a forma como completou a sua
derradeira volta de regresso às CHARLES LECLERC
boxes, depois do Grande Prémio O monegasco mostrou uma vez
de Abu Dhabi. A guarda de honra mais o porquê de ter sido escolhido
realizada por Sebastian Vettel pela Ferrari para ocupar o lugar de
e Lewis Hamilton demonstra o Kimi Räkkönen ao qualificar-se em
respeito que os outros pilotos oitavo a escassos milésimos de
têm por ele e, num deporto onde segundo de Romain Grosjean.
a racionalidade muitas vezes Na corrida chegou a rodar em
prevalece, a emoção prevaleceu quarto, mas uma paragem
nos últimos momentos. nas boxes madrugadora, para
aproveitar o período de Safety Car
CARLOS SAINZ Virtual, acabou por o atirar para a
O espanhol terminou no domingo a cauda do pelotão e para o tráfego.
sua ligação à Renault e, com uma Ainda assim, Leclerc conseguiu
boa performance, conclui-a da guindar-se até sétimo.

-/ MENOS

Com pneus oito voltas mais frescos Daniel Ricciardo, sentindo as dificulda- WILLIAMS & MCLAREN terminando em 11º a sua última
que os de Hamilton, esperava-se que o des do finlandês, perseguiu-o até subir O final de temporada não podia corrida na Fórmula 1.
piloto da Ferrari pudesse reduzir a sua a quarto, tendo o piloto da Mercedes chegar suficientemente cedo Espera-se que estes dois nomes
desvantagem para o líder, que então passado uma segunda vez pelas boxes para as duas históricas equipas possam ter batido no fundo este
se cifrava em mais de três segundos. devido a um furo lento causado pelo de Fórmula 1. As estruturas que ano e comecem a recuperar já em
Porém, o inglês geriu magistralmente toque que protagonizou com o holan- dominaram a categoria máxima do 2019.
as suas borrachas e até final nunca dês quando este o passou. desporto automóvel em diversos
mostrou estar em dificuldades, cru- Enquanto Bottas passava por mais períodos da sua existência VATTERI BOTTAS
zando a linha de meta com dois segun- uma tarde frustrante, Hamilton assi- terminaram a época com os piores O finlandês voltou a ter um fim
dos e meio de vantagem para Vettel, nava mais uma performance notável, carros do plantel. de semana decepcionante. Em
obtendo a sua 11ª vitória da temporada. lançando um sério aviso aos seus ad- A formação de Grove concluiu o qualificação viu-se batido por
No terceiro lugar ficou Max Verstappen versários para a temporada de 2019. Campeonato de Construtores na Hamilton, ainda que por curta
que aproveitou os problemas de tra- Vettel, Verstappen e, quem sabe, última posição e a de Woking só margem, o que foi determinante
vões de Bottas para ascender ao de- Leclerc, terão de estar num nível ele- conseguiu alcançar o sexto lugar para que permitisse à Mercedes
grau mais baixo do pódio, após uma vadíssimo se quiserem ter a veleidade devido a prestações impossíveis monopolizar a primeira linha.
manobra decidida. de bater Pentacampeão Mundial. de Alonso e ao desaparecimento No entanto, na corrida Bottas
da Force India. Lance Stroll, Stoffel esteve muito longe do seu colega
Vandoorne e Sergey Sirotkin de equipa, cometendo inúmeros
acabaram, por esta ordem, nas erros que o atiraram para o quinto
últimas posições a prova de lugar final. O finlandês terá de
domingo, tendo o espanhol da mostrar-se bem mais forte em
McLaren voltado a usar todos 2019, caso queira manter o seu
os seus recursos para tentar lugar na temporada seguinte.
conquistar mais um ponto, o Esteban Ocon está no banco à
que acabou por não acontecer, espera da sua oportunidade.

F1/
FÓRMULA 1

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GP DE ABU DHABI 2 1 D E 2 1

SAINZ

APROVEITA
OS PROBLEMAS

DOS OUTROS
C arlos Sainz venceu a corrida do
segundo pelotão, beneficiando lançou o Renault para uma cambalhota da meta, estavam completadas sete o máximo possível - parou na 37ª
das contrariedades vividas e para o abandono. voltas, a formação de Hinwil chamou o volta - Sainz conseguiu suplantar
por Charles Leclerc e Romain Em poucos metros, um candidato ao seu piloto à boxes para trocar os frágeis o mexicano, vencendo a corrida do
Grosjean para terminar a última cor- triunfo do segundo pelotão estava de hipermacios por supermacios. ‘Segundo Pelotão’.
rida de 2018 no sexto lugar. fora, ao passo que o outro tinha danos Com o pelotão bastante compacto, o Pérez acabaria por ser também batido
O monegasco realizou um arranque no seu Haas que o impediam de lutar monegasco caiu para 14º, ao passo que por Leclerc, terminando a corrida a
fulgurante de oitavo, aproveitando pela supremacia. Grosjean, que também passou pelas pressionar o piloto da Alfa Romeo
as dificuldades de Max Verstappen, Leclerc parecia estar sozinho e sem boxes, desceu de sexto para último, Sauber, que cruzou a linha de meta no
para atacar o quinto lugar de Daniel adversários, imiscuindo-se mesmo o que condicionou a prova de ambos. sétimo posto a quase vinte segundos
Ricciardo. na luta dos pilotos das ‘Três Grandes’, Os dois pilotos da Force India, com do homem da Renault.
Também com uma boa partida, Nico aproveitando a superior velocidade de vantagem para Esteban Ocon, ficaram Romain Grosjean, apesar dos danos no
Hulkenberg colocou-se em posição ponta do seu Alfa Romeo Sauber para no comando do segundo pelotão, se- seu Haas, conseguiu ver a bandeirada
de atacar o sétimo posto de Romain chegar a quarto depois de ultrapassar guidos de Marcus Ericsson e só depois de xadrez no nono lugar, à frente de
Grosjean, mas ao chegarem à chicane – Ricciardo e Kimi Räikkönen. do Alfa Romeo Sauber seguia Sainz. Kevin Magnussen, que em Yas Marina
curvas oito e nove – o alemão não deixou No entanto, quando se viveu uma situ- Contudo, o francês acabaria por aban- teve um fim de semana aquém do
espaço ao francês e o toque inevitável ação de Safety-Car Virtual devido à donar, devido a uma fuga de óleo, habitual.
paragem de Kimi Räikkönen na reta acontecendo o mesmo ao sueco, prob- O 10º do dinamarquês esteve ainda sob
lemas mecânicos, permitindo ao es- alguma pressão de Fernando Alonso,
panhol ascender ao segundo lugar da sequioso de pontuar na sua última
‘Segunda Divisão’. corrida, mas o espanhol levou longe
Com uma estratégia que passava por de mais o seu esforço, terminando
estender a vida dos pneus ultramacios em 11º.

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O REGRESSOIMPROVÁVEL
C omo esperado, a Williams re-
velou na semana passada que rumar à Ferrari no papel de piloto de possível, uma vez que posso dizer por esta oportunidade. Regressar à
Robert Kubica será seu piloto desenvolvimento. que estarei nas grelhas de partida Fórmula 1 na próxima temporada será
em 2019, fazendo equipa com Como seria de esperar, o polaco mos- de 2019. Foi uma longa viagem para um dos maiores feitos da minha vida
George Russell, confirmando-se um trou-se satisfeito com o seu regresso chegar aqui, mas agora que esse de- e tenho a certeza de que, com muito
dos mais improváveis regressos. aos Grandes Prémios, frisando o apoio safio chega ao fim com este anún- trabalho e comprometimento, pode-
O polaco esteve em risco de vida em que teve ao longo da sua longa recu- cio, um novo começa, trabalhar com remos ajudar a equipa a motivar-se
2011 devido a um violento acidente peração. “Antes de mais, gostaria de a Williams em pista. Não será fácil, e a alcançar coisas positivas. Mais
num rali em Itália, o que o impediu agradecer a todos os que me ajudaram mas com trabalho árduo e dedicação uma vez, agradeço a todos os que
de disputar o Campeonato do Mundo durante um período difícil da minha o George e eu tentaremos ajudar a me apoiaram e acreditaram em mim.
de Fórmula 1 desse ano, e seguintes, vida ao longo destes anos. Foi uma equipa a encontrar uma boa forma e a Finalmente, estrarei de volta às gre-
e, posteriormente, de ingressar na viagem desafiante a de regressar à ascender na grelha de partida. Este ano lhas de partida ao volante de um carro
Ferrari, equipa com a qual tinha um Fórmula 1, mas o que parecia quase foi duro, mas aprendi muito e gostaria de Fórmula 1 e mal posso esperar por
contrato para ser colega de equipa de impossível, começa agora a parecer de agradecer ao Sir Frank e à Claire voltar às corridas”, garantiu Kubica.
Fernando Alonso.
Com lesões severas no seu braço direi-
to, o seu regresso à categoria máxima
do desporto automóvel parecia impos-
sível, mas no ano passado começou por
efetuar testes com a Renault – primeiro
com um carro de 2012 e depois com um
monolugar contemporâneo.
A formação de Enstone acabou por
decidir contratar Carlos Sainz para fazer
equipa com Nico Hulkenberg, tendo
Kubica rumado à Williams, onde, após
ter feito um teste em Abu Dhabi, se viu
ultrapassado por Sergey Sirotkin, que
este ano acompanhou Lance Stroll.
O polaco acabaria este ano por de-
sempenhar o papel de terceiro piloto
da formação de Grove, tendo realizado
algumas sessões de treinos-livres
de sexta feira, mostrando boas per-
formances.
Sem que Sirotkin fosse uma opção
para 2019 e que Esteban Ocon con-
seguisse arranjar forma de garan-
tir o lugar ao lado de Russell, Claire
Williams decidiu assegurar os serviços
de Kubica, que tinha uma oferta para

ALBON NO LUGAR opção válida para os austríacos. nipónico, Albon pôde, finalmente, assinar minha carreira de monolugares passei
DE HARTLEY Depois de se ter libertado do contrato com a Toro Rosso para a temporada de por altos e baixos. Perdi o apoio da Red
de três anos com a Nissan para disputar 2019. “É um sentimento fantástico estar Bull em 2012 e, daí para a frente, sabia
A Toro Rosso anunciou na passada a Fórmula E na equipa do construtor na Fórmula 1 no próximo ano. Durante a que a minha caminhada para a Fórmula
segunda feira Alexander Albon como 1 era mais complicada. Trabalhei muito
seu piloto em 2019, fazendo equipa e tentei impressionar sempre que entrei
com Daniil Kvyat. num carro e tenho de agradecer à Red
O britânico de ascendência Bull e ao Dr. Marko por acreditarem
tailandesa fez parte da academia da em mim e me darem esta segunda
Red Bull, mas foi dispensado devido a oportunidade. Sempre fui um doido dos
falta de resultados, do ponto de vista desportos motorizados e desde que
de Helmut Marko. entrei num carro pela primeira vez que
Com uma boa temporada na GP3 em a Fórmula 1 é o meu sonho. Ter esta
2016, perdendo o título para Charles oportunidade é incrível”, afirmou o piloto
Leclerc, e com o terceiro lugar no de 22 anos.
Campeonato FIA de Fórmula 2 deste Em 2019 a Toro Rosso terá ao seu serviço
ano, sendo batido por George Russell dois pilotos que num dado momento
e Lando Norris, voltou a ser uma perderam o apoio da Red Bull para o
recuperarem mais tarde. Albon ocupará o
lugar de Brendon Hartley, que passou por
uma situação semelhante.

F1/ ALONSO
FÓRMULA 1

10

OADEUSDO HERÓI

Chegou ao fim…!!! Pelo menos a em que ambos perderam o campeonato
primeira carreira na Fórmula 1 de para Kimi Räikkönen, o espanhol viveu
Fernando Alonso… 17 temporadas, na Ferrari duas lutas intensas pela su-
311 Grandes Prémios, 32 vitórias, premacia, sempre sem ter o melhor carro
97 pódios, 22 pole-positions, 1774 voltas nas mãos, e perdendo ambos os cetros
na liderança e 1899 pontos alcançados. para Sebastian Vettel na última corrida.
Números impressionantes que garantem 2012 terá mesmo sido um dos melhores
ao piloto espanhol um lugar especial na anos de Alonso, senão mesmo o melhor,
história da categoria máxima e, ainda tendo o terceiro carro do pelotão ao seu
assim, estes números poderiam ter sido dispor, o que não o impediu de se bater
maiores se tivesse tido ainda mais a estre- com o alemão pelo campeonato até ao
linha de campeão em alguns momentos último suspiro da temporada.
da carreira, assim como um tempera- Sem ter sido vítima da loucura de Romain
mento mais sereno. Grosjean no Grande Prémio da Bélgica –
O piloto de Oviedo estreou-se no mun- onde apanhou com o Lotus do francês
do dos Grandes Prémios em 2001, com logo na primeira curva – ou de um toque
19 anos, aos comandos de um Minardi de Räikkönen no arranque do Grande
Cosworth, uma temporada de prepara- Prémio do Japão – que lhe furou um pneu e
ção para ingressar na Renault em 2003, o atirou para o abandono – hoje o piloto de
e rapidamente mostrou ser um talento Oviedo teria mais um cetro no seu pecúlio.
especial, colocando-se em posições em A frustração de cinco temporadas com a
que o carro que tinha ao seu dispor, o Ferrari sem qualquer título acabou por o
menos competitivo do plantel, não tinha deixar cair na sedução da reunião entre
o direito de alcançar. a McLaren e a Honda, onde ambicionava
O seu potencial foi confirmado em 2003, regressar aos títulos, mas o segundo ca-
depois de um ano como piloto de testes samento entre os ingleses e os japoneses
da equipa do construtor francês, ga- não foi mais que um fracasso retumbante,
nhando o seu primeiro Grande Prémio não tendo sequer voltado aos pódios de-
em Hungaroring, o que então o tornava pois de deixar a Scuderia, quando mais
no mais jovem piloto a vencer uma prova conquistar vitórias e títulos.
de Fórmula 1. Mesmo com unidades de potência da
Para além do triunfo em Hungaroring, Renault, a formação de Woking não
Alonso bateu o rapidíssimo Jarno Trulli, encontrou a forma do passado e, sem
o seu colega de equipa na Renault, no um carro verdadeiramente competitivo
Campeonato de Pilotos, marcando mais para 2019, Fernando Alonso resolveu
22 pontos que o experiente italiano, uma terminar a sua carreira na Fórmula 1, ou
diferença notável à luz do antigo sistema então fazer uma pausa para regressar
de pontos, que então vigorava – uma vi- mais tarde, caso as condições sejam
tória valia 10 pontos. favoráveis. Apesar de nos últimos anos
Era evidente que Fernando Alonso iria ser não ter tido ao seu dispor monolugares
um dos grandes protagonistas da Fórmula dignos do seu talento, o espanhol nunca
1, o que se verificou logo em 2005, quando deixou de dar o máximo, tendo esma-
obteve o seu primeiro título mundial, tendo gado todos os seus colegas de equipa,
como adversário Kimi Räikkönen. desde Felipe Massa a Stoffel Vandoorne,
No ano seguinte, o espanhol viveu um passando por Kimi Räikkönen, tendo
intenso duelo com Michael Schumacher, sido Lewis Hamilton o único que fez
batendoocampeoníssimoalemão,tendoo jogo igual consigo.
momento sido visto como uma passagem Na memória ficam prestações como a
de testemunho de rei para rei. deste ano no Azerbaijão, quando, mui-
Em 2007, já ao serviço da McLaren, ini- to embora tivesse sofrido três furos
ciou-se a longa travessia do deserto de 12 na primeira volta, chegando às boxes
temporadas sem qualquer título, levando a depois de ter descrito a curva de entra-
que terminasse a sua carreira na Fórmula da no pit-lane com ajuda de um lancil,
1, pelo menos para já, apenas com dois terminou em sétimo com um carro pro-
cetros mundiais – muito para qualquer fundamente danificado.
piloto que chegue ao mundo dos Grandes Em 2019 Alonso continuará nas pistas,
Prémios, mas pouco para alguém do ca- participando no Campeonato do Mundo
libre e com o imenso talento de Alonso. de Endurance e nas 500 Milhas de
Depois da guerra civil que protagonizou Indianápolis, prova que pretende vencer
com Lewis Hamilton na equipa de Woking, para conquistar a Tripla Coroa.

11

C/ C L A S S I F I C A Ç Õ E S

GP DE ABU DHABI PROVA 21 DE 21 PROVA TEMPO
YAS MARINA CIRCUIT VOLTAS
VOLTA MAIS RÁPIDA
25/11/2018 GERAL
VEL. MÁXIMA
5,554 KM 55 305,355 KM SEXTA SÁBADO DOMINGO GERAL
BOX

PERÍMETRO VOLTAS DISTÂNCIA TOTAL 1 LEWIS HAMILTON MERCEDES W09 EQ POWER+ 1:39:40.382 55 1:41.357 5 323.7 KM/H 13 1

2 SEBASTIAN VETTEL FERRARI SF71H +2.581S 55 1:40.867 1 338.7 KM/H 1 1

TREINOS LIVRES GRELHA DE PARTIDA 3 MAX VERSTAPPEN RED BULL RB14/TAG HEUER +12.706S 55 1:41.909 6 324.3 KM/H 12 1

1 LEWIS HAMILTON 4 DANIEL RICCIARDO RED BULL RB14/TAG HEUER +15.379S 55 1:41.249 3 325.3 KM/H 11 1
MERCEDES
1:34.794 Q3 5 VALTTERI BOTTAS MERCEDES W09 EQ POWER+ +47.957S 55 1:40.953 2 327.6 KM/H 9 2

1.ª SESSÃO TREINOS LIVRES 6 CARLOS SAINZ RENAULT RS18 +72.548S 55 1:41.351 4 331.8 KM/H 7 1

PILOTO EQUIPA TEMPO/DIF. 7 CHARLES LECLERC SAUBER C37/FERRARI +90.789S 55 1:42.876 10 332.4 KM/H 6 1

1 MAX VERSTAPPEN RED BULL RACING 1:38.491 8 SERGIO PEREZ FORCE INDIA VJM11/MERCEDES +91.275S 55 1:42.816 8 337.0 KM/H 2 1

2 DANIEL RICCIARDO RED BULL RACING +0.454S 2 VALTTERI BOTTAS 9 ROMAIN GROSJEAN HAAS VF-18/FERRARI +1 LAP 54 1:43.195 11 336.4 KM/H 3 1
MERCEDES
3 VALTTERI BOTTAS MERCEDES +0.961S 1:34.956 10 KEVIN MAGNUSSEN HAAS VF-18/FERRARI +1 LAP 54 1:42.822 9 319.9 KM/H 16 1

4 LEWIS HAMILTON MERCEDES +1.052S 11 FERNANDO ALONSO MCLAREN MCL33/RENAULT +1 LAP 54 1:42.393 7 331.3 KM/H 8 1

5 ESTEBAN OCON FORCE INDIA +1.611S 3 SEBASTIAN VETTEL 12 BRENDON HARTLEY TORO ROSSO STR13/HONDA +1 LAP 54 1:44.174 17 316.1 KM/H 19 1
FERRARI
6 KEVIN MAGNUSSEN HAAS FERRARI +1.744S 1:35.125

7 KIMI RÄIKKÖNEN FERRARI +1.926S 13 LANCE STROLL WILLIAMS FW41/MERCEDES +1 LAP 54 1:44.033 16 326.3 KM/H 10 1

8 SEBASTIAN VETTEL FERRARI +1.962S 4 KIMI RÄIKKÖNEN 14 STOFFEL VANDOORNE MCLAREN MCL33/RENAULT +1 LAP 54 1:43.249 12 320.2 KM/H 15 1
FERRARI
9 CARLOS SAINZ RENAULT +2.097S 1:35.365 15 SERGEY SIROTKIN WILLIAMS FW41/MERCEDES +1 LAP 54 1:43.831 14 316.2 KM/H 18 1

10 ROMAIN GROSJEAN HAAS FERRARI +2.172S NT PIERRE GASLY TORO ROSSO STR13/HONDA FUGA DE ÓLEO 46 1:43.988 15 332.8 KM/H 5 1

11 PIERRE GASLY TORO ROSSO +2.180S 5 DANIEL RICCIARDO NT ESTEBAN OCON FORCE INDIA VJM11/MERCEDES FUGA DE ÓLEO 44 1:43.591 13 333.8 KM/H 4 1
RED BULL RACING
12 NICO HULKENBERG RENAULT +2.532S 1:35.401 NT MARCUS ERICSSON SAUBER C37/FERRARI AVARIA 24 1:46.077 19 322.6 KM/H 14

13 SERGIO PEREZ FORCE INDIA +2.584S NT KIMI RÄIKKÖNEN FERRARI SF71H PROB. ELÉT. 6 1:45.198 18 308.8 KM/H 20

14 BRENDON HARTLEY TORO ROSSO +2.646S 6 MAX VERSTAPPEN
RED BULL RACING
15 LANCE STROLL WILLIAMS +3.002S 1:35.589 NT NICO HULKENBERG RENAULT RS18 ACIDENTE 0 316.8 KM/H 17

16 ANTONIO GIOVINAZZI SAUBER FERRARI +3.171S NOTA - Fernando Alonso penalizado em 3X5 segundos devido a ter saído de pista e ganhado vantagem

17 MARCUS ERICSSON SAUBER FERRARI +3.437S 7 ROMAIN GROSJEAN
HAAS FERRARI
18 STOFFEL VANDOORNE MCLAREN RENAULT +3.623S 1:36.192

19 FERNANDO ALONSO MCLAREN RENAULT +3.822S AUSTRÁLIA
BAHREIN
20 ROBERT KUBICA WILLIAMS +4.501S CHINA
AZERBAIJÃO
2.ª SESSÃO TREINOS LIVRES 8 CHARLES LECLERC ESPANHA
SAUBER FERRARI MÓNACO
PILOTO EQUIPA TEMPO/DIF. 1:36.237 CANADÁ
FRANÇA
ÁUSTRIA
GRÃ-BRETANHA
ALEMANHA
HUNGRIA
BÉLGICA
ITÁLIA
SINGAPURA
RÚSSIA
JAPÃO
EUA
MÉXICO
BRASIL
ABU DHABI

1 VALTTERI BOTTAS MERCEDES 1:37.236 9 ESTEBAN OCON
FORCE INDIA MERCEDES
2 MAX VERSTAPPEN RED BULL RACING +0.044S 1:36.540 PILOTOS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21

3 DANIEL RICCIARDO RED BULL RACING +0.192S

4 LEWIS HAMILTON MERCEDES +0.207S 10 NICO HULKENBERG 1. L. HAMILTON 18 15 12 25 25 15 10 25 - 18 25 25 18 25 25 25 25 15 12 25 25 408
RENAULT
5 KIMI RÄIKKÖNEN FERRARI +0.225S 1:36.542 2. S. VETTEL 25 25 4 12 12 18 25 10 15 25 - 18 25 12 15 15 8 12 18 8 18 320

6 SEBASTIAN VETTEL FERRARI +0.333S 11 CARLOS SAINZ Q2 3. K. RÄIKKÖNEN 15 - 15 18 - 12 8 15 18 15 15 15 - 18 10 12 10 25 15 15 - 251
RENAULT
7 ROMAIN GROSJEAN HAAS FERRARI +0.824S 1:36.982 4. M. VERSTAPPEN 8 - 10 - 15 2 15 18 25 - 12 - 15 10 18 10 15 18 25 18 15 249

8 NICO HULKENBERG RENAULT +0.994S 5. V. BOTTAS 4 18 18 - 18 10 18 6 - 12 18 10 12 15 12 18 18 10 10 10 10 247

9 KEVIN MAGNUSSEN HAAS FERRARI +1.082S

10 ESTEBAN OCON FORCE INDIA +1.166S 12 MARCUS ERICSSON 6. D. RICCIARDO 12 - 25 - 10 25 12 12 - 10 - 12 - - 8 8 12 - - 12 12 170
SAUBER FERRARI
11 PIERRE GASLY TORO ROSSO +1.270S 1:37.132 7. N. HULKENBERG 6 8 8 - - 4 6 2 - 8 10 - - - 1 - - 8 8 - - 69

12 CARLOS SAINZ RENAULT +1.275S 8. S. PEREZ - - - 15 2 - - - 6 1 6 - 10 6 - 1 6 4 - 1 4 62

13 FERNANDO ALONSO MCLAREN RENAULT +1.489S 13 KEVIN MAGNUSSEN 9. K. MAGNUSSEN - 10 1 - 8 - - 8 10 2 - 6 4 - - 4 - - - 2 1 56
HAAS FERRARI
14 SERGIO PEREZ FORCE INDIA +1.570S 1:37.309 10. C. SAINZ 1 - 2 10 6 1 4 4 - - - 2 - 4 4 - 1 6 - - 8 53

15 CHARLES LECLERC SAUBER FERRARI +1.595S 11. F. ALONSO 10 6 6 6 4 - - - 4 4 - 4 - - 6 - - - - - - 50

16 BRENDON HARTLEY TORO ROSSO +1.721S 14 SERGIO PEREZ
FORCE INDIA MERCEDES
17 MARCUS ERICSSON SAUBER FERRARI +2.266S 1:37.541 12. E. OCON - 1 - - - 8 2 - 8 6 4 - 8 8 - 2 2 - - - - 49

18 STOFFEL VANDOORNE MCLAREN RENAULT +2.702S 13. C. LECLERC - - - 8 1 - 1 1 2 - - - - - 2 6 - - 6 6 6 39

19 LANCE STROLL WILLIAMS +2.810S 15 FERNANDO ALONSO 14. R. GROSJEAN - - - - - - - - 12 - 8 1 6 - - - 4 - - 4 2 37
MCLAREN RENAULT
20 SERGEY SIROTKIN WILLIAMS +3.699S 1:37.743 15. P. GASLY - 12 - - - 6 - - - - - 8 2 - - - - - 1 - - 29

3.ª SESSÃO TREINOS LIVRES 16 BRENDON HARTLEY Q1 16. S. VANDOORNE 2 4 - 2 - - - - - - - - - - - - - - 4 - - 12
TORO ROSSO HONDA
PILOTO EQUIPA TEMPO/DIF. 1:37.994 17. M. ERICSSON - 2 - - - - - - 1 - 2 - 1 - - - - 1 2 - - 9

1 LEWIS HAMILTON MERCEDES 1:37.176 18. L. STROLL - - - 4 - - - - - - - - - 2 - - - - - - - 6

2 KIMI RÄIKKÖNEN FERRARI +0.288S 19. B. HARTLEY - - - 1 - - - - - - 1 - - - - - - 2 - - - 4

3 SEBASTIAN VETTEL FERRARI +0.411S 17 PIERRE GASLY 20. S. SIROTKIN - - - - - - - - - - - - - 1 - - - - - - - 1
TORO ROSSO HONDA
4 MAX VERSTAPPEN RED BULL RACING +0.571S 1:38.166

5 VALTTERI BOTTAS MERCEDES +0.757S

6 DANIEL RICCIARDO RED BULL RACING +0.914S 18 STOFFEL VANDOORNE
MCLAREN RENAULT
7 ROMAIN GROSJEAN HAAS FERRARI +1.128S 1:38.577 EQUIPAS

8 NICO HULKENBERG RENAULT +1.674S 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21

9 CARLOS SAINZ RENAULT +1.794S 19 SERGEY SIROTKIN 1. MERCEDES 22 33 30 25 43 25 28 31 - 30 43 35 30 40 37 43 43 25 22 35 35 655
WILLIAMS MERCEDES
10 ESTEBAN OCON FORCE INDIA +1.835S 1:38.635 2. FERRARI 40 25 19 30 12 30 33 25 33 40 15 33 25 30 25 27 18 37 33 23 18 571

11 SERGIO PEREZ FORCE INDIA +1.877S 3. RED BULL 20 - 35 - 25 27 27 30 25 10 12 12 15 10 26 18 27 18 25 30 27 419

12 BRENDON HARTLEY TORO ROSSO +1.898S 20 LANCE STROLL
WILLIAMS MERCEDES
13 CHARLES LECLERC SAUBER FERRARI +2.106S 1:38.682 4. RENAULT 7 8 10 10 6 5 10 6 - 8 10 2 - 4 5 - 1 14 8 - 8 122

14 KEVIN MAGNUSSEN HAAS FERRARI +2.436S 5. HAAS FERRARI - 10 1 - 8 - - 8 22 2 8 7 10 - - 4 4 - - 6 3 93

15 PIERRE GASLY TORO ROSSO ONDA +2.564S 6. MCLAREN RENAULT 12 10 6 8 4 - - - 4 4 - 4 - - 6 - - - 4 - - 62

16 FERNANDO ALONSO MCLAREN RENAULT +2.798S 7. FORCE INDIA - -1 - -15 -2 -8 -2 - -14 -7 -10 - 18 14 - 3 8 4 - 1 4 52

17 MARCUS ERICSSON SAUBER FERRARI +2.821S 8. SAUBER FERRARI - 2 - 8 1 - 1 1 3 - 2 - 1 - 2 6 - 1 8 6 6 48

18 LANCE STROLL WILLIAMS +2.941S

19 STOFFEL VANDOORNE MCLAREN RENAULT +3.057S 9. TORO ROSSO HONDA - 12 - 1 - 6 - - - - 1 8 2 - - - - 2 1 - - 33

20 SERGEY SIROTKIN WILLIAMS +4.006S 10. WILLIAMS - - - 4 - - - - - - - - - 3 - - - - - - - 7

PONTUAÇÃO 1.º 25 PTS 2.º 18 PTS 3.º 15 PTS 4.º 12 PTS 5.º 10 PTS 6.º 8 PTS 7.º 6 PTS 8.º 4 PTS 9.º 2 PTS 10.º 1 PT

12 CPR/
CAMPEONATO DE PORTUGAL DE RALIS

MQUEELHCHOORCOLATE...
Armindo Araújo, Luís Ramalho
e o Team Hyundai Portugal epois de vários anos de cin- bem a sua presença no ‘paddock’, contri- foi muito mais do que Armindo Araújo e o
venceram o Campeonato de zentismo, o Campeonato de buindo fortemente para uma melhor co- Team Hyundai Portugal.
Portugal de Ralis está há vá- municação global – assim como Armindo Em primeiro lugar, registe-se o regres-
Portugal de Ralis no ano que rios anos em grande ascenden- Araújo com o seu ‘Dream Team’ pessoal so em pleno de José Pedro Fontes, e da
te. Sendo verdade que será di- – e saiu-se muito bem do desafio, contri- estreia do novo Citroën C3 R5. Depois do
Dmarcou a entrada duma nova buindo fortemente para que a atenção so- ‘marcar passo’ no Rali de Portugal, assim
equipa oficial na competição, fícil bater no futuro a faceta bre os ralis se estendesse fortemente fora que o carro passou a estar a 100% e o pi-
o regresso do bicampeão ‘Hitchcock’ do triunfo de Carlos Vieira, do seu habitual, e fiel, núcleo de adeptos. loto ganhou o ritmo perdido por quase
do PWRC e também em2017,quesedeupor0.4pontos,aedi- E por fim, Luís Ramalho, que deu sequên- um ano de ausência dos ralis, em recu-
estreia absoluta como çãodesteanonãofoi,emtermosglobais, cia ao trabalho que o seu irmão Miguel peração do acidente no Rali de Portugal
campeão de Ramalho menos interessante. Ramalho fez no passado com Armindo de 2017, Fontes esteve ao mais alto nível,
Araújo e também ele ligou, mais uma vez, vencendo ou ficando no pódio de todas as
Culminou com um rol muito interessante o nome da família Ramalho aos títulos do provas do CPR até ao fim do ano.
novo Pentacampeão Nacional de Ralis. Outro grande destaque deste CPR foi
José Luís Abreu denovidades,premiandováriosprotago- A propósito, com este quinto título abso- Ricardo Teodósio, que depois de há mui-
[email protected] nistas pelo arrojo e pela coragem. Acima luto, Armindo Araújo tornou-se no pilo- tos anos a clamar por condições que lhe
to mais vitorioso de sempre a vencer no permitissem lutar pelos lugares de topo,
FOTOGRAFIA: ZOOM MOTORSPORT/ANTÓNIO SILVA; de todos eles, Armindo Araújo, que depois CPR, tendo agora mais um campeonato assim que as teve, provou que tem o que é
AIFA/JORGE CUNHA; JCM PHOTO/JOÃO CÂMARA MANOEL; de cinco anos de ausência do automobilis- absoluto que Joaquim Santos e Carlos Bica, preciso para chegar ao título, que lhe fugiu
mo, foi corajoso o suficiente para regres- que somam quatro. Mas este campeonato por mérito de Armindo Araújo. Lutou até
PEDRO CONTENTE PHOTOGRAPHY

sar ao CPR, assumindo desde a primeira

hora que vinha para vencer.

A Hyundai Portugal foi arrojada ao ponto

de vir para os ralis “pelos ralis”, marcando

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13

O Campeonato de ao fim, e valorizou imenso a conquista do No top 9 do campeonato ficou o vencedor
Portugal de Ralis piloto do Team Hyundai Portugal. das duas rodas motrizes, Daniel Nunes,
só se decidiu na Miguel Barbosa teve um arranque ful- que realizou uma temporada exemplar,
manhã do último gurante em Fafe, mas na segunda prova mantendo-se um piloto espetacular, mas
dia de competição, que realizou, em Mortágua, um pequeno agora também muito consistente.
com Armindo Araújo erro teve grandes consequências e com De resto, foi pena que Ricardo Moura não
e Luís Ramalho isso perdeu uma grande oportunidade de tivesse prosseguido a sua campanha, de-
a sagrarem-se brilhar no ‘seu’ terreno. Quando chegou pois de dois triunfos, em Fafe e nos Açores.
Campeões, bem o asfalto, mesmo estando muito melhor, Diogo Salvi também só fez três provas,
como a Hyundai, no o nível lá na frente ainda não lhe permite com um pódio, Manuel Castro continua
seu ano de estreia os mesmos resultados que já consegue com muitos azares, mas tem sido difícil
fazer na terra. chegar mais à frente.
Depois de ter sido campeão em 2014, e António Dias já dá espetáculo com o Skoda
ficado muito perto o ano passado, Pedro como fazia com o BMW 325 IX. Uma mais
Meireles teve este ano uma temporada valia para o CPR, tal como Paulo Caldeira,
muito longe do que já fez. pela coragem de se defrontar com os me-
De João Barros já se sabia que deveria apa- lhores.
recer só de vez em quando, mas quando De resto, menções honrosas para os jo-
‘apareceu’ brilhou a grande altura, já que vens lobos dos 2WD, Miguel Correia pro-
foi ao pódio em todas as provas e uma de- mete, Pedro Antunes ainda mais.
las esteve muito perto de vencer. Mesmo Quanto às provas, e tendo em conta os
muito perto... meios com que trabalham as provas
Pedro Almeida estreou-se este ano ao para lá do Rali de Portugal, Açores e
mais alto nível no CPR, passou a correr de Madeira, foi um ano digno, com uma
R5, e tem evoluído com consistência. Está boa novidade, o Rali Amarante/Baião,
a posicionar-se para ser dos bons pilotos que mereceu a oportunidade que teve.
da próxima geração dos ralis em Portugal. Há logicamente muito a apontar a algu-
Carlos Vieira pregou um grande sus- mas provas, mas achamos que é injus-
to à comunidade dos ralis em Portugal to, porque falar é fácil, agora ser per-
com o seu pavoroso acidente no Vidreiro. feito quando as dificuldades são mais
Continua em recuperação, sendo que an- do que muitas é que não tanto. Venha
tes do acidente vinha a fazer prestações o próximo ano, e que pelo menos seja
em crescendo com o Hyundai oficial. tão bom quanto este.

CPR/
CAMPEONATO DE PORTUGAL DE RALIS

14

ARC SPORT É A EQUIPA DO ANO

MENÇÕES HONROSAS Portugal tem cada vez mais e melhores estruturas, que suportam o Campeonato de
Portugal de Ralis. Acima de todas elas, este ano, esteve a ARC Sport, que assegurou mesmo
o título de equipas. Ricardo Moura, Ricardo Teodósio, Pedro Almeida e Miguel Correia
fizeram as 'despesas' da equipa nesta competição, chegando ao triunfo apesar da forte
oposição.
A Sports & You (Hosé Pedro Fontes, Miguel Barbosa e o segundo Hyundai oficial) encetou
uma boa reação nas últimas três provas do campeonato, mas à chegada ao Algarve já tudo
estava decidido.
A P&B Racing terminou em terceiro (António Dias, Paulo Neto), na frente da CRN
Competition (Gil Antunes). Na lista constam ainda a Inside Motor (Campeã com Daniel
Nunes nos 2WD) e a Speedy MotorSport, de Pedro Salvador, que a pouco e pouco se vai
lançando nos ralis. A Racing 4 You de Manuel Castro, onde também está Pedro Meireles,
continua também a crescer, o mesmo sucede com a PB Racing de Paulo Antunes, e a surgir
há como se sabe, outras estruturas, como a The Racing Factory de Aloísio Monteiro, ou
a Veloso MotorSport. A equipa que levou Armindo Araújo ao título foi a espanhola RMC
Motorsport. A este nível, o CPR está bem servido e a tendência é melhorar…

O Top 10 enumera os pilotos que mais se Manuel Castro fez somente cinco provas,
destacaram no contexto geral do que foi com o melhor resultado a ser o sexto lugar
o CPR, mas houve bem mais que merecem em Mortágua. Paulo Caldeira (DS3 R5) só
referência. Acima de todos eles, Ricardo realizou a fase de asfalto, conseguindo como
Moura, que venceu as duas primeiras provas melhor posição o 7º lugar na Madeira. Pedro
do CPR 2018, em Fafe e nos Açores, não Antunes teve um ano com alguns azares, mas
disputando desde aí mais nenhuma prova, o o andamento está lá e vai ser dos melhores
que pelo regulamento o impediu de pontuar na geral dentro de poucos anos.
no campeonato. Joaquim Alves teve vários azares este ano e
Foi pena, teria sido uma grande valia para a só fez quatro provas.
competição, mas já se sabia que assim seria. Em resumo, o CPR tem claramente um bom
Que bom seria para o ano poder voltar, iria lote de pilotos e carros na frente, mas
ser um CPR de sonho. depois há um grande vazio, de bons pilotos e
Diogo Salvi só participou em três ralis, mas especialmente de carros intermédios. Para
foi ao pódio num deles. Gil Antunes ainda que se perceba, o Campeão dos 2WD foi nono
lutou pelo título dos 2WD, mas voltou a ser do campeonato na geral. Resumindo, temos
batido. uma pirâmide invertida nos nossos ralis…

TABELADOS CAMPEONATOS

CPR Serras de Fafe
Açores
1 ARMINDO ARAÚJO Mortágua
2 JOSÉ PEDRO FONTES Portugal
3 RICARDO TEODÓSIO Vidreiro
4 MIGUEL BARBOSA Castelo Branco
5 PEDRO MEIRELES Vinho Madeira
6 JOÃO BARROS Amarante Bãio
7 PEDRO ALMEIDA Algarve
8 CARLOS VIEIRA TOTAL
9 DANIEL NUNES
OS PRINCIPAIS NÚMEROS DO CPR 10 DIOGO SALVI 1 2 3 4 5 6 7 8 9
11 GIL ANTUNES 12 (5.) - 26.7 (1.) 26.6 (1.) 27.5 (1.) 14.5 (4.) 14.5 (4.) 17.5 (3.) 25.9 (1.) 153,2
As estatísticas duma competição nunca Ricardo Teodósio somou 12 e as restantes 12 MANUEL CASTRO 17 (3.) NP 1 (12.) R 14 (4.) 22.5 (2.) 28.4 (1.) 27.7 (1.) 18.4 (3.) 129
‘dizem’ tudo, mas ‘dizem’ sempre muito. Se dividiram-se entre Bruno Magalhães 13 ANTÓNIO DIAS (17.) 17.3 (3.) 14.6 (4.) - 21 (2.)2 6 (1.) 20 (2.) 14 (4.) 1.8 R 114,7
olharmos para os vencedores de provas (8), João Barros (6), Carlos Vieira Carlos, 14 MIGUEL CORREIA 21.4 (2.) - 10.2 (7.) 22.1 (2.) 12.5 (5.) 12 (5.) 0.3 R 12 (5.) 20.9 (2.) 111,1
concluímos que o Campeão, Armindo Joaquim Alves e António Dias, todos com 15 PAULO CALDEIRA 14 (4.) - 20 (2.) R 17 (3.) 10 (6.) R 8 (7.) - 69
Araújo, venceu quatro provas face às duas uma. 16 PEDRO ANTUNES 8 (7.) - - - - 17.5 (3.) 17.3 (3.) 21.8 (2.) - 64,6
de José Pedro Fontes e Ricardo Moura, com Quem mais especiais esteve na frente do 17 PAULO NETO 1 (11.) 10 (6.) 6 (8.) - 10 (6.) (14.) 12 (5.) 10 (6.) 14 (4.) 63
Ricardo Teodósio a triunfar numa delas. campeonato foi Armindo Araújo, 30, mais 18 JOAQUIM ALVES 10.5 (6.) 14 (4.) 17.5 (3.) - R - - - - 42
Facilmente poderia ter duas, não fosse o três que José Pedro Fontes (27). Ricardo 19 PAULO MEIRELES 2 (10.) - 1 (13.) 14 (4.) 2 (10.) 1 (13.) - 1 (12.) 12 (5.) 33
motor do seu Skoda. Moura liderou em 21, apesar de só ter 20 FERNANDO TEOTÓNIO R 12 (5.) 1 (15.) 17 (3.) - - - - - 30
Que José Pedro Fontes é rápido já feito duas provas, João Barros (9), Ricardo 21 HUGO LOPES - 2 (10.) 1 (16.) 10 (6.) 1 (11.) 1 (16.) (9.) 1 (13.) 10 (6.) 26
todos sabemos, e foi ele quem mais Teodósio (8), Miguel Barbosa (7), Pedro 22 FILIPE NOGUEIRA R (12.) 10 (6.) R 8 (7.) 6 (8.) - - - 24
classificativas venceu, 28, mais sete que Meireles (4), Carlos Vieira (2), Joaquim 23 JOANA BARBOSA R 8.3 (7.) 4 (9.) R 6 (8.) (12.) - 4 (9.) R 22,3
Armindo Araújo. Miguel Barbosa triunfou Alves e Bruno Magalhães, ambos com uma, 24 RAFAEL CARDEIRA 1 (16.) R 1 (17.) - R 1 (11.) 10 (6.) 1 (11.) 8 (7.) 22
em 19, mais seis que Ricardo Moura. completam a lista. 25 FILIPA SANGUEDO - - - - 1 (12.) 1 (17.) 8 (7.) 1 (17.) 6 (8.) 17
26 PAULO MOREIRA 4 (9.) R 1 (11.) R - 8 (7.) - - 4 (9.) 17
1 (13.) 4 (9.) 1 (19.) - R 2 (10.) 6 (8.) R - 14
R R 12 (5.) 0.4 R - - - - - 12,4
6 (8.) - R - - - - 6 (8.) - 12
- - 1 (14.) - 4 (9.) R - 1 (14.) - 6
R - - R - 4 (9.) - - R 4
- - 1 (18.) - 1 (13.) - - 1 (15.) - 3
R 1 (11.) 1 (20.) R 1 (16.) - - - - 3
- - - - 1 (15.) R - 1 (16.) - 2
- - - - 1 (14.) R - R - 1
(18.) - - R - 1 (15.) - - - 1

RICARDO MOURA, BRUNO MAGALHÃES E ALFREDO BARROS:
8.7 - PARA FAZER PARTE DAS CLASSIFICAÇÕES FINAIS DO CPR - É NECESSÁRIO TER NO MÍNIMO, TRÊS PARTICIPAÇÕES.

TOP 10 > PILOTOS 15

1 ARMINDO ARAÚJO 6 MIGUEL BARBOSA

Regressou após cinco anos, nunca tinha Depois da exibição de lhe vimos fazer em
corrido com um R5, não tinha o melhor Fafe, todos pensámos que o facto de se
carro do plantel, mas terminou o ano como ter ‘candidatado’ ao título, seria uma forte
Campeão. Começou mal em Fafe, devido realidade, mas depois as circunstâncias
à mecânica, mas quando regressou em mudaram e no final, depois de ter sido duas
Mortágua embalou para três triunfos seguidos vezes terceiro, em 2016 e 2017, desta feita
que o colocaram na frente do campeonato, terminou o campeonato em quarto. Esteve
fazendo depois uma gestão perfeita do seu fantástico em Fafe, a penalização de Mortágua
avanço. Venceu quatro provas, terminou com foi injusta, e abateu-o. Não conseguiu vencer no
uma boa vantagem, mas a competição foi Rali de Portugal, e com a chegada do asfalto, as
mais equilibrada que o que os números podem dificuldades aumentaram muito, pois nesse piso
fazer transparecer. Tem intactos todos os ainda precisa de trabalhar para andar ao nível a
predicados que já lhe conhecíamos… que se anda hoje em dia nesse piso, no CPR.

2JOSÉ PEDRO FONTES 7 DANIEL NUNES

Começou o ano ainda não a 100% fruto do seu Depois de um ano de 2016 a encantar com a
acidente nove meses antes. O mau resultado sua pilotagem do Mitsubishi Lance Evo VIII
em Mortágua e o abandono no Rali de MR, Daniel Nunes teve o ano passado uma
Portugal, na estreia do seu novo Citroën C3 R5, época complicada com o 208 R2, com vários
condicionou-lhe o resultado no campeonato. problemas. Mas este ano as coisas mudaram
No Rali Vidreiro, ainda em adaptação ao novo por completo, vencendo o título das duas rodas
carro, ficou fora do pódio, mas daí para a motrizes, depois de grandes exibições. Foi
frente foi claramente o mais forte, venceu sempre muito consistente, mantendo a mesma
duas vezes e foi ao pódio nas restantes. Ficou aura de espetacularidade, mas deixando de
a certeza que o binómio C3 R5/Fontes para cometer tantos excessos, que no passado
o ano será um osso duro de roer para toda a lhe valeram dissabores. Este ano não desistiu
concorrência. uma única vez e foi pena não ter tido apoios
necessários para disputar a totalidade da
3 RICARDO TEODÓSIO Peugeot Rally Cup Ibérica.

Poderíamos tê-lo colocado em segundo lugar, 8 ANTÓNIO DIAS
mas é um terceiro, ‘muito’ 2,2. Levou a luta pelo
título até à ‘sua’ prova, no Algarve, onde não António Dias é um especialista de super
foi justa a partida que o motor do seu Skoda especiais e foi aí que conseguiu um triunfo na
lhe pregou. Merecia ter ganhado a prova, o geral no CPR. Piloto muito espetacular, evoluiu
que seria um bom prémio para a sua melhor muito na pilotagem do seu Skoda Fabia R5, mas
época de sempre nos ralis. Venceu uma prova, ainda lhe falta muita experiência, especialmente
facilmente poderiam ter sido duas, e o terceiro nos troços mais longos. Corre em muitas das
lugar no campeonato não espelha bem o que provas mais curtas extra-CPR e é claramente
fez na estrada. Contudo, há discrepâncias uma mais valia pelo empenho na pilotagem e
significativas entre o que anda em alguns ralis pela sua forma de encarar os ralis. Fazem falta
e noutros… pilotos destes, que não lutando pela frente, não
há adepto que não goste de o ver passar.
4 JOÃO BARROS
9MIGUEL CORREIA
Mesmo só fazendo quatro provas, foi sexto no
campeonato. O piloto do Ford Fiesta R5 avisou Apesar de ter somente nove ralis do CPR
cedo que só faria algumas provas e o mau no currículo, Miguel Correia foi terceiro no
resultado de Fafe talvez tenha contribuído campeonato dos 2WD, e mais importante
para que só regressasse no asfalto de Castelo que isso, mostrou uma grande evolução
Branco, sendo que daí até ao fim do ano só fez aos comandos do Renault Clio R3 Maxi.
pódios, e não ganhou o Rali Amarante/Baião Como prémio, venceu o FIA European Rally
por uma unha negra. Entrou para o último Trophy 3, isto tudo, depois de ter feito
troço a 0.5s do líder, mas faltaram-lhe… pneus. a sua primeira prova do CPR em Fafe, no
É um piloto que faz falta a este campeonato e início deste ano. Apesar de já ter 27 anos,
no asfalto é um osso muito duro de roer para tem vindo a evoluir muito rapidamente e já
qualquer adversário. não se notam grandes diferenças para os
melhores do ‘seu’ campeonato, e isso é um
5 PEDRO ALMEIDA bom sinal.

Se pensarmos que este jovem de 21 anos 10PEDRO MEIRELES
há um ano fazia apenas ralis ‘menores’, em
Espanha e um ou outro em Portugal, e que só Apesar de ter feito uma época abaixo das
pegou nos Açores no seu novo Ford Fiesta R5, anteriores, isso sucedeu mais por ‘culpa’ dos
e terminou o campeonato a seis pontos de adversários do que demérito próprio. O nível do
Pedro Meireles, isso explica muita coisa. Teve CPR subiu significativamente este ano, e um
uma evolução consistente, cada vez mais solto piloto como Pedro Meireles ficou mais longe
com o carro, sempre a reduzir a margem de dos melhores resultados, que, por exemplo,
andamento para os homens da frente, e tendo lhe permitiram lutar o ano passado pelo título
em conta como foi disputado o campeonato, até ao derradeiro metro. De qualquer maneira,
com todos a terem que dar tudo, foi notável a esteve em termos globais abaixo do que já lhe
sua prestação. vimos fazer recentemente.

CPR/CAMPEONATO DE PORTUGAL DE RALIS
10FACTOS16
MARCANTES DOANO
1

1 De qualquer forma, e apesar deste ser “Agradeço aos meus patrocinadores, à 3
um projeto oficial com algumas nuan- ARC Sport, à família, aos amigos e ao
ACIDENTE DE CARLOS VIEIRA ces, com equipas técnicas distintas para meu navegador. Fizemos um belo tra- 5
cada carro, e externas à própria Hyundai, balho, na primeira vez com este carro
Foi um grande susto o acidente sofri- a presença da marca nos parques de (ndr.: estreou um Skoda Fabia R5 nos 6
do por Carlos Vieira no Rali Vidreiro, assistência foi bem visível, e a própria Açores)." Mas ficou por ali. Só voltou a
mas felizmente, volvidos estes meses, comunicação do CPR nos media e redes guiar o carro no recente Rali Lotus, como buir a uma equipa uma penalização de
já está, se não totalmente recuperado, sociais foi ampla e muito bem feita. Não carro zero. O ‘bichinho’ dos ralis não vol- três minutos em cima de um erro ‘isen-
pelo menos em vias disso. só do lado da Hyundai Portugal, como ta, Ricardo? A ‘malta’ do CPR ia adorar… to’, em que não houve ganho absoluta-
Não é novidade para ninguém que os também por parte da estrutura pessoal mente nenhum, foi acrescentar insulto
desportos motorizados são perigosos, de Armindo Araújo, com Nuno Castro e 5 à injúria. Desde aí o piloto mostrou que
os pilotos sabem que os riscos que cor- Miguel Rodrigues à cabeça, que coloca- tinha andamento para lutar pela vitória
rem podem ter um preço, e desta vez ram online muitas dezenas de ‘flyers’ ESTREIA DO CITROËN C3 R5 na prova, mas nada havia a fazer.
as coisas estiveram mesmo compli- informativos sobre o que se ia passar
cadas. Felizmente, tudo se resolveu, nas provas. DE JOSÉ PEDRO FONTES 7
mas o Campeão Nacional de Ralis de
2017 pregou um grande susto a toda a 3 Não foi à primeira a estreia do novo ESTREIA DO RALI AMARANTE/BAIÃO
gente. Numa zona muito rápida de um Citroën C3 R5 de José Pedro Fontes e Foi boa a estreia do Rali Amarante/
troço do Pinhal de Leiria, numa esquer- PRIMEIRA VITÓRIA da Sports & You, já que uma arreliadora Baião no CPR, já que o Clube Automóvel
da e direita longas, Carlos Vieira e Jorge avaria no Parque Fechado da partida do de Amarante logrou colocar de pé um
Carvalho saíram de estrada a uma ve- NA GERAL DE RICARDO TEODÓSIO Rali de Portugal, em Guimarães, adiou rali variado, competitivo, e que só fi-
locidade muito alta, com o Hyundai i20 para o Rali de Castelo Branco a estreia, e cou resolvido na derradeira especial.
R5 a bater de lado numa enorme árvore, Ricardo Teodósio começou a sua carrei- logo aí se percebeu que o carro era bom, Para António Jorge, Diretor de Prova:
com a parte lateral esquerda do carro a ra nas pistas, ainda no Séc. XX, depois já que Fontes esteve perto de vencer. “Foi um desafio grande para o clube,
ficar completamente destruída, e muito mudou-se para os ralis e em boa hora Efetivamente não demorou muito a que mas estamos muito orgulhosos com
pior do que isso, Carlos Vieira seriamente o fez pois é hoje em dia um dos princi- o piloto da Citroën Vodafone Team che- o que fizemos. Não defraudámos as
lesionado, com lesões gravíssimas, que pais protagonistas da mais bem sucedi- gasse às vitórias e isso aconteceu logo expetativas de ninguém, bem antes
colocaram em sério risco a sua vida. da disciplina ‘motorizada’ em Portugal. no rali seguinte, na Madeira, com uma pelo contrário, o feedback foi muito
Agora, e sem se saber como poderá ser Mas apesar de fazer ralis desde 2001, vitória confortável em termos de CPR. positivo - dos pilotos e das equipas -
o futuro, Carlos Vieira já foi visto em vá- 2003 mais assiduamente, só este ano E para que não restassem dúvidas, na a vários níveis. Tudo correu bem, os
rios ralis, ficando para mais tarde saber venceu pela primeira vez uma prova do prova seguinte, o Rali Amarante/Baião,
se o piloto recupera na totalidade. O ho- CPR a nível absoluto. Já tinha vitórias no novo triunfo, ficando claro que a recu-
mem, já cá está! Grupo N, mas só em 2018 fez o mesmo peração do acidente de 2017 já lá vai há
na geral, foi no Rali de Castelo Branco, muito e o novo carro, com melhor co-
2 num triunfo tirado a ferros, alcançado nhecimento, vai ser uma arma muito
só no último troço, para onde entrou a forte para o homem da Sports & You
TEAM HYUNDAI PORTUGAL 3.8s de José Pedro Fontes, batendo-o no CPR 2019.
no final por 5.2s. E nem por isso deixou
NO CPR/COMUNICAÇÃO HYUNDAI de andar de lado: “Se andasse a direi- 6
to já não era eu. O carro tem que estar
A vinda to Team Hyundai Portugal para como gosto, esteve muito bem afinado MIGUEL BARBOSA
o CPR foi uma grande pedrada no charco nesse rali e o resultado surgiu...” disse
dos ralis nacionais, e veio mesmo aba- Ricardo Teodósio. 'TRAMADO' POR PENALIZAÇÕES
nar tudo isto, dentro e fora dos troços. O
facto de Armindo Araújo e Luís Ramalho 4 O que Miguel Barbosa e Hugo Magalhães
terem sido campeões foi só mais uma fizeram no Rali Serras de Fafe podia ter-
pedra que se encaixou bem em todo DUAS PROVAS, DUAS VITÓRIAS -lhes permitido vencer o rali na geral,
este xadrez, mas a verdade é que esta mas o seu resultado foi condicionado
entrada da Hyundai nos ralis foi muito DE RICARDO MOURA por uma penalização no arranque para a
mais profunda que isso. super especial da prova. Pouco mais de
Foi pena o que se passou com Carlos Ricardo Moura avisou logo no início do dois meses depois, em Mortágua, prova
Vieira, facto que deixou o segundo carro ano para não contarem com ele depois onde podia confirmar o bom andamento
em aberto, a partir do Rali do Vidreiro, da ‘sua’ prova, nos Açores, mas todos os de Fafe, eis que um erro na super espe-
tendo diversos pilotos passado pela adeptos esperavam que pudesse conti- cial de Mortágua - deram uma volta a
sua condução. Giandomenico Basso nuar, pois sabem bem o que vale o aço- mais numa rotunda – redundou numa
na Madeira, Diogo Gago em Amarante/ riano para os nossos ralis. penalização de três minutos por 'erro
Baião e Miguel Nunes no Algarve. Mas não foi possível continuar e só dis- de percurso', num 'castigo' que seguiu
Foi um contratempo para o projeto, pois putou mesmo os ralis de Fafe e Azores a letra da lei, mas não a do bom senso.
todos contávamos com Carlos Vieira a Airlines. Ganhou-os aos dois, em ter- Como bem sabemos, regras são regras,
poder lutar novamente pelo título. mos de CPR, tendo por isso ficado mui- mas há algumas delas totalmente ab-
to tempo no comando do campeonato: surdas, e esta é uma delas, já que atri-

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49

7 8 10

pilotos e as populações deram o seu aterragem violenta no salto da Pedra de última hora aumentou esta margem a correr a este nível por muitos mais
contributo, não tivemos um relato se- Sentada, com Macedo a lesionar-se para 10.7s); no Rali de Mortágua Pedro anos. Armindo Araújo, Ricardo Moura,
quer de qualquer tipo de incidência, de na coluna, demorando algum tempo Meireles chegou ao último troço com Miguel Barbosa, José Pedro Fontes,
reclamação, foi tudo muito pacífico”. para recuperar da maleita. Foi pena, 2.3s de avanço para Armindo Araújo e Pedro Meireles, João Barros, Ricardo
Para 2019, o que for será, já que o clu- mas fica o registo que os adeptos não o piloto da Hyundai foi vencer o rali; em Teodósio, todos eles têm idades entre
be está pronto para organizar o que a o esqueceram. Castelo Branco José Pedro Fontes che- os 39 e os 44 anos. Carlos Vieira tem
FPAK lhes pedir, terra ou asfalto. gou ao último troço com 3.8s de avan- 35, e por isso há que começar a olhar
9 ço para Ricardo Teodósio e o algarvio para quem está aí a despontar, pois
8 venceu a prova; em Amarante/Baião, é com esses que podemos começar
COMPETITIVIDADE DE José Pedro Fontes e João Barros che- a pensar no futuro. Por isso, há que
REGRESSO DE JOSÉ CARLOS MACEDO garam separados por meio segundo; e olhar para nomes como Pedro Almeida,
VÁRIOS RALIS DO CPR finalmente no Algarve, Armindo Araújo que tem 21 anos, Daniel Nunes, Miguel
Depois de tanto espetáculo aos co- e José Pedro Fontes chegaram ao derra- Correia, Pedro Antunes, Diogo Gago,
mandos dos pequenos Clio, nos anos Cinco dos nove ralis do Campeonato de deiro troço separados por 7.3s. É isto que Diogo Soares e Hugo Lopes, e esperar
90, José Carlos Macedo regressou aos Portugal chegaram ao derradeiro tro- queremos para os ralis e não há adepto que todos possam manter-se em ativi-
ralis em Fafe, após 19 anos, com um ço – aquele onde tudo se decide – com que não fique preso… à Cronobandeira. dade nos próximos anos, pois são eles
Ford Fiesta R5, com o antigo rival, Luís margens que deixavam em aberto a de- a próxima geração de pilotos.
Lisboa, ao lado. Mas as coisas não cor- cisão para a derradeira especial. 10 Há outros nomes, claro, mas que ainda
reram bem, ao terem capotado logo na É isto que os adeptos pretendem para estão um nível abaixo, e neste particu-
primeira especial, Lameirinha, com os ralis, ser possível a que a competição JOVENS LOBOS A 'NASCER' lar, convinha mesmo haver um troféu
o carro a prender a frente e a tombar pelo triunfo – não só mas principalmente R1, como o Challenge DS3 R1 ou o KIA
lentamente. – se estenda até ao derradeiro metro dos O Campeonato de Portugal de Ralis tem Picanto GT Cup, pois “dava mesmo jei-
Regressados à estrada no dia seguinte, troços cronometrados. Foi o que acon- um bom lote de pilotos, cuja maioria to” trazer mais jovens para os ralis…
as coisas correram ainda pior, pois o teceu em Fafe, onde Miguel Barbosa e já anda nos ralis há bastante tempo e
piloto teve que abandonar fruto duma Ricardo Moura chegaram ao último troço por isso não se deve contar com eles
separados por 1.7s (só uma penalização

E/18
ENTREVISTA

ORGULHOSO POR DAR
À HYUNDAI A VITÓRIA

NOANO DE ESTREIA

Armindo Araújo e Luís Ramalho sagraram-se Campeões de Portugal de Ralis em 2018, num
ano marcado pela bem sucedida entrada na modalidade do Team Hyundai Portugal. Num
projeto montado do zero, o sucesso foi imediato e total
ENTREVISTA José Luís Abreu com Gonçalo Cabral/16 Válvulas
[email protected]
FOTOGRAFIA @World/Ricardo Oliveira

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19

Não é novidade para vação necessária para voltar. E assim foi. Portanto, isto foi tudo um conjunto de
ninguém que a for- Colocou de pé o seu projeto em conjunto fatores novos para toda a gente, e quan-
ma como Armindo com a Hyundai e, volvido um ano, voltou do nós abraçámos o projeto e este veio
Araújo viu a sua a fazer o que melhor fez durante a sua correndo bem durante todo o ano, con-
carreira abrupta- carreira: Vencer! seguimos chegar à última prova na luta
mente interrompi- Dias depois do Rali do Algarve, onde ao pelo título, e vencê-lo, bem como ven-
da em 2012, na se- lado de Luís Ramalho assegurou o seu cer o rali, foi fantástico, foi uma explosão
quência de tudo o quinto título absoluto do campeonato de emoções. Acho que todos os interve-
que se passou com português de ralis, primeiro do seu na- nientes do projeto ficaram super felizes
o projeto WRC Team vegador, explicou-nos todo o caminho com o resultado e tem sido, sem dúvida,
Mini Portugal, dei- que o levou até onde está agora... um grande momento de festa que esta-
xou um vazio no pi- mos a passar...
loto, que lhe levou tempo a assimilar. Em Que significado teve para ti este título Como tudo na vida, os ralis também evo-
2016, quando o AutoSport o retirou de um após um período de 5 anos afastado das luíram nestes 5 anos. O que tiveste que
silêncio a que se tinha imposto, depará- competições? aprender ou reaprender neste regresso?
mo-nos com um homem que sabia exa- Significou o dever cumprido! Nós, a Duma forma geral, considero-me um pi-
tamente como tudo tinha falhado, mas Hyundai e os meus parceiros tivemos loto com uma boa experiência no mun-
que estava de bem com a vida. Ao fim ao uma dedicação extrema este ano de 2018, do dos ralis e a base é a mesma embora
cabo o seu passado no automobilismo foi e todos nós arriscámos um pouco nes- alguns detalhes tenham evoluído. Sem
basicamente navegar de sucesso em su- te projeto. A Hyundai decidiu entrar nos dúvida que aqui o grande ponto era como
cesso e, por isso, se não voltasse um dia ralis e seduziu-me para este projeto es- tirar o melhor partido do nosso Hyundai
a calçar as luvas e a pôr o capacete para tando eu parado há cinco anos. Os meu i20 R5. E aí sem dúvida que o meu enge-
competir a ‘sério’, também não viria daí parceiros, são de carreira, mas também nheiro, que tive a trabalhar comigo antes
grande mal ao mundo. não estavam na competição comigo há de irmos para dentro do carro, explicou-
Quando disputou ainda em 2017 o cerca de cinco, seis anos, e eu próprio -me tecnicamente quais os melhores re-
RallySpirit, voltou a sentir os mesmos tinha também sempre um bocadinho gimes e a melhor forma de tirar o melhor
banhos de multidão que muitas vezes aquela expetativa de perceber como es- proveito do carro. Dessa forma permitiu-
teve no passado, e quando, em boa hora, a tava a minha velocidade, como eu me iria -me ter adotado um estilo de pilotagem
Hyundai Portugal lhe colocou um enorme comportar comparativamente aos meus que mais se adequasse a um carro des-
desafio pela frente, percebeu que, com as adversários e como eu iria andar num R5 ta categoria. Portanto, o que tive de fazer
condições e pessoas certas, tinha a moti- que nunca tinha guiado. foi adaptar-me rapidamente a este tipo

E/
ENTREVISTA

20

ENTREVISTA ARMINDO ARAÚJO

de carros, a esta categoria, porque vinha eu ainda era capaz de voltar a vencer. Este ano, as coisas correram-me bem a
dos WRC, que são um bocado diferentes. E o meu foco foi sempre esse, demonstrar mim, nós fomos a equipa que mais provas
Basicamente foi essa a grande diferença. que ainda era capaz de vencer e que era venceu, fomos entre as equipas da fren-
Claro que nós tivemos grandes adversá- um piloto competitivo, e o que aconteceu te a única que não desistiu em qualquer
rios toda a época. Encontrei um campeo- em 2012 foi um erro de avaliação. Portanto, rali, o que demonstra que a equipa técni-
nato muito bem estruturado a nível de quando chego ao fim do ano depois de ter ca esteve a um excelente nível (ndr.: RMC
equipas e de pilotos. Tivemos em Fafe 22 lutado contra excelentes pilotos e exce- Motorsport), foi uma forte aliada, e eu tive
R5. É talvez dos melhores campeonatos lentes equipas, e ter conseguido vencer, a sorte de não cometer erros.
da Europa, pelo que fiquei muito conten- para mim foi um grande orgulho. Isto tudo junto conseguiu-nos por na li-
te com este meu regresso, porque real- Esta é uma pequena provocação. Após 5 derança do campeonato, e na luta pela
mente os ralis em Portugal estão numa anos sem competir, chegas ao Nacional vitória, que felizmente me sorriu no fim.
ótima fase. Tenho imenso retorno para os e vences o título. O que pensas do nível a Depois de teres feito tantos anos parceria
parceiros, e temos que aproveitar e aca- que se corre em Portugal e da competiti- com o Miguel Ramalho, este ano tiveste a
rinhar o momento que estamos a passar. vidade dos ralis no nosso país? companhia do seu irmão Luís Ramalho.
Embora não tivesses nada a provar, no- O nível é ótimo, e recordo que mais pilotos Como correu a vossa adaptação dentro
meadamente no que ao panorama nacio- poderiam ter vencido este campeonato. E do carro?
nal diz respeito, mas atendendo à forma também seriam excelentes vencedores. A adaptação foi ótima e, desde o início,
como a tua carreira havia sido abrupta- Temos o caso do Ricardo Teodósio, que muito fácil. O Luís tem uma forma de di-
mente interrompida, que importância deu uma excelente réplica, o José Pedro tar as notas e de levar a competição mui-
teve este título para a tua autoestima? Fontes, o João Barros, entre outros. Só que, to idêntica à do Miguel. A minha amizade
Sem dúvida que a forma como terminou as coisas felizmente sorriram para o meu com o Luís vem de há 20 anos, portanto
o meu projeto com a Mini em 2012 não foi lado. Penso que me ajudou muito a minha as coisas foram muito mais fáceis. Desde
a melhor, e eu fiquei dececionado com a experiência de mundial, o calculismo e a o início, o Luís mostrou um empenho to-
forma como a minha carreira na altura avaliação que eu faço das corridas e da tal neste projeto, foi um grande amigo e
tinha terminado. Daí eu ter abandonado máquina que levo nas mãos, adaptar a um grande aliado na conquista deste tí-
a 100% os ralis e o desporto automóvel e velocidade às condições dos pisos, é muito tulo. Fiquei muito orgulhoso de lhe po-
ter-me dedicado a outros projetos. Mas experiência de Mundial, e eu tento ir bus- der oferecer o seu primeiro título abso-
com este desafio da Hyundai, eu também car essa experiência para fazer a melhor luto nos ralis, acho que nos damos muito
quis provar a mim, e a várias pessoas, que gestão de cada corrida que estou a fazer. bem e realmente se o Luís, em 2001, es-
teve para ser o meu navegador e só por
estar ocupado é que comecei com o irmão
dele, o Miguel Ramalho, desta vez estava
o Miguel ocupado e eu vim com o Luís.
Quis o destino que assim fosse esta troca

LUÍS RAMALHO CAMPEÃO ABSOLUTO DE NAVEGADORES 2018

“ASSUMIO DESAFIO COMMUITARESPONSABILIDADE

A família Ramalho tem sido fulcral na carreira de mudar o seu estilo de pilotagem, de uma curva para a outra, e tempos da Citroën, nos Açores, em que deram um
Armindo Araújo, primeiro Miguel Ramalho e agora não estou a exagerar rigorosamente nada. toque e um bocado depois a roda saiu. O Miguel
Luís Ramalho, que se sagrou Campeão absoluto O Armindo em 100 metros consegue mudar totalmente a sua disse-lhe, 'perdemos a roda', e o Armindo respondeu-
de navegadores este ano, pela primeira vez na sua forma de condução. Talvez o exemplo mais flagrante disso lhe, 'deixa lá que para já ainda não fez falta'. Em
carreira. Falámos com ele e contou-nos coisas muito seja o último troço a contar para o CPR, no Rali de Portugal, três ou quatro vezes que nos aconteceu ao longo
curiosas, a primeira delas, uma frase que o Armindo o Marão, quando já na descida ele me diz que ficámos sem do ano, devido a furos, ele teve sempre, de facto, a
uma vez lhe disse: "Não noto a diferença, tu e o teu travões (ndr.: lideravam o CPR e venceram a prova). O Armindo, capacidade de imediatamente alterar a sua forma
irmão até a mesma voz têm!" num determinado sítio diz-me que não temos travões, e na de conduzir”, explicou, lembrando depois que este
A história conta-se em poucas linhas, em 2001, curva seguinte já estava a guiar de uma forma completamente regresso que culminou em vitória teve grandes
Armindo Araújo precisou de um navegador, falou diferente. Já andei com muita gente, conheço mais um ou dois nuances, já que, é bom lembrar, apesar da ausência
com Luís Ramalho, mas este estava comprometido com esta capacidade, o Pedro Leal e o Carlos Sousa. de cinco anos do automobilismo, na verdade Armindo
com Manuel Rolo. Avançou Miguel Ramalho. Os anos O meu irmão contou-me uma vez uma história, ainda dos Araújo já não corria no CPR desde 2006: “Para mim o
passaram, os títulos acumularam-se e quis o destino momento efetivo do ano foi a capacidade do Armindo
que neste regresso de Armindo Araújo, desta feita montar este projeto. Foi o ponto alto. Ele estava
fosse Miguel Ramalho que estava ‘ocupado’. A escolha parado há cinco anos, sai da sua zona de conforto,
lógica só poderia ser Luís Ramalho, e em boa hora, não tinha nada que provar a ninguém, resolveu
como fica agora provado pelo resultado: “Assumi o levantar-se do sofá, e dizer, vamos lá ver se ainda sei
desafio com muita responsabilidade. O Armindo é um Campeão guiar, andar depressa, se ainda sou consistentemente rápido."
do Mundo e fui substituir outro Campeão do Mundo. Para O resultado está à vista: “Temos a sensação que cumprimos
além disso, ia estar envolvido com uma marca, a Hyundai, mas o nosso dever, tínhamos traçado objetivos e sentimos que
também com a Galp, o ACP e a Câmara Municipal de Santo os cumprimos na totalidade, e portanto desse ponto de vista
Tirso, tudo entidades e patrocinadores de carreira do Armindo, sentimo-nos realizados, foi um ano de muito trabalho, de
portanto era uma responsabilidade acrescida, que assumi muitas coisas novas e de uma enormíssima responsabilidade,
como assumo todas as responsabilidades da minha vida onde mas graças a Deus correu tudo bem. Tivemos atrás de nós
tento fazer o melhor que posso e sei”, começou por dizer Luís excelentes equipas, a técnica, a Hyundai, a que trata da nossa
Ramalho, que contou detalhes de como se chega a campeão: comunicação (ndr.: Nuno Castro e Miguel Rodrigues), enfim,
“O Armindo, além de ser uma excelente pessoa, é um piloto um grupo alargado que nos ajudou imenso, e portanto é um
excecional. Tem uma capacidade acima da média, não é por bocado a sensação que cumprimos o dever e que não gorámos
acaso que é bicampeão do mundo, tem a facilidade enorme de as expetativas das pessoas”, disse Luís Ramalho.

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de irmãos, mas eu estou muito bem servi- alguma evolução na projeção mediáti- Notava-senosparquesdeassistênciatoda tantos pilotos de topo, com o meu regres-
do com o Luís da mesma forma que estava ca e no retorno dado às marcas, pilotos a dinâmica criada em volta da Hyundai, e so, que penso que também foi uma ajuda
com o Miguel, são uma dupla imbatível, e e patrocinadores? eu acho que isso ajudou imenso a cata- para o campeonato, e com esta luta acesa
eu dedico a ele em particular este ano, e Eu posso falar daquilo que conheço, e a que pultar a dinâmica do campeonato para até ao final da época, criou-se uma dinâ-
à família Ramalho, todo o empenho que estou ligado. E tenho que dar os parabéns outros patamares. mica tão boa que a própria comunicação
teve na minha carreira. àHyundai pela forma como entrou neste Ao mesmo tempo, há parceiros que es- social acompanhou mais o campeonato,
Fica a faltar a irmã Isabel... campeonato, que foi diferente do habitual. tão ligados, pelo menos ao meu projeto, e quando assim é todos ficamos a ganhar:
(Risos) É verdade, é a única que fica a Criou até uma equipa com dois carros e que antigamente não se dedicavam tan- o campeonato, os pilotos, as equipas e os
faltar e quem sabe se ainda não vamos estruturas diferentes, como é sabido, com to a estes projetos desportivos e hoje em próprios patrocinadores.
ter uma experiência automobilística um meios diferentes, mas ao mesmo tempo dia já olham com outra seriedade e com Como estão neste momento as coisas
dia destes... foi uma marca que injetou sangue novo outra vontade de os ativar em termos de para 2019?
Comparando com os anos em que cor- em toda a dinâmica do campeonato na- promoção. Portanto, eu acho que 2018, Existe vontade minha de continuar em
rias assiduamente, sentiste que houve cional, e até mesmo da sua promoção. com a chegada de tantos carros de topo, 2019, é nisso que trabalho todos os dias
desde há algum tempo a esta parte. A
Hyundai tem vontade de continuar com
o projeto e tem incentivado ao máximo
para eu conseguir avançar com este pro-
jeto. Grande parte dos meus parceiros em
2018 estão muito interessados em conti-
nuar. Agora o que é certo, e esta é a mais
pura das verdades, é que nós precisamos
de encontrar um parceiro grande para se
juntar ao nosso projeto, para conseguir-
mos viabilizar o projeto para 2019. E esse
ponto está a ser o grande entrave neste
momento, a não podermos afirmar, para
já, a nossa continuidade no campeonato.
Andamos a trabalhar com alguns spon-
sors novos para se associarem a este
projeto, e caso isso aconteça, eu irei estar
presente no campeonato de 2019. Estou
cheio de vontade, muito motivado, mui-
to contente com o meu regresso e gos-
taria de estar mais alguns anos no ativo.
Agora, isto só acontece se eu tiver as fer-
ramentas necessárias para poder lutar
pelo campeonato.
Este ano, foi muito difícil manter este pro-
jeto vivo, e portanto esta é a única ques-
tão que se coloca quanto à minha conti-
nuidade em 2019.
Voltando ao CPR, as coisas começaram
mal em Fafe. Depois, não foste aos Açores
e nesse período aproveitaste para testar
e corrigir o que não esteve tão bem em
Fafe. Presumo que esteve aí boa parte
do segredo para tudo o que se seguiu?
Eu não considero que Fafe tenha corri-
do mal, eu considero que Fafe não cor-
reu como nós estaríamos à espera, ou
correu menos bem. Porque o carro tinha
chegado poucos dias antes da corrida, ti-
nha alguns problemas de juventude e nós
fomos sofrendo com esses problemas de
juventude ao longo de toda a prova, fomos
entendendo o carro, fomos solucionan-
do pequenos detalhes que não estavam
resolvidos, e basicamente aprendemos
imenso com aquele rali.
Fomos muito condicionados no nosso
andamento, como é sabido, mas tirámos
ilações fortes para as provas seguintes,
também percebemos o bom potencial
que o Hyundai tinha, e, no fundo, ainda
terminámos no top 5, que nos permi-
tiu amealhar pontos importantes para o
campeonato.
A ideia era não ir aos Açores, que era uma
prova muito dura em terra. Decidimos
saltar e apostar tudo no Rali de Portugal,
nesse espaço de tempo fizemos alguns

E/
ENTREVISTA

22

ENTREVISTA ARMINDO ARAÚJO

testes, desmontámos e voltámos a mon- pa. Quando nós fomos a única equipa da vam para ser campeões, fosse qual fos- O campeonato não foi fácil, trabalhámos
tar o carro todo, pusemos, basicamen- frente que não teve nenhuma desistência se o desfecho à sua frente). Obviamente, muito, tivemos muitas dificuldades, lutá-
te, o carro na nossa mão, a equipa quis no campeonato, isso também demonstra ainda tinha que terminar o rali, para que mos imenso para que isto acontecesse.
certificar-se que todos os detalhes do o bom trabalho feito. isso acontecesse. Depois, quando passo Olhando agora para trás até parece que
Hyundai estavam a 100% e ao fazermos Como recebeste a notícia que já eras pelo Ricardo Teodósio parado, imediata- as coisas foram fáceis, mas quem está
toda esta preparação apresentámo-nos Campeão? mente me apercebo que era campeão, o por dentro sabe que não, e sabe todo o
no rali seguinte, em Mortágua, bastante Vou contextualizar um pouco esta res- título já era meu naquele momento, pois empenho que temos de colocar, na equi-
fortes e conseguimos aí logo a nossa pri- posta. Como sabem, na sexta feira do ele já não poderia ganhar a prova, estava pa, no carro, na preparação das provas,
meira vitória. Foi onde nos lançámos para Rali do Algarve não entrámos muito bem, parado, e eu se desistisse, era campeão, os cuidados que temos que ter para que
a conquista do título... atrasámo-nos um pouco com um pião e portanto, mal o vi parado, apercebi-me tudo corra bem, com a nossa marca, com
Vimos-te festejar muito o teu primeiro uma performance menos conseguida. As que era campeão. Eu não fico contente os nossos patrocinadores, para toda a gen-
triunfo em Mortágua. Foi o teu regresso afinações que levámos para sexta feira com a desgraça dos outros, mas obvia- te estar contente com os investimentos
às vitórias no CPR. Terá sido aí que tiveste estavam completamente ao lado do que mente fiquei contente por ser campeão. que está a fazer, para ter o máximo de
a certeza que este projeto em que te en- deviam ser, porque encontrámos os tro- Percebi logo que o título estava no bolso, tudo no que está a investir. Portanto, isto
volveste era mesmo ganhador? ços mais sujos e escorregadios que espe- terminei o troço com várias pessoas a não é só guiar carros que faz um piloto
Eu quando aceitei fazer este projeto acre- rávamos, mas mantivemos a calma. Nós darem-me os parabéns, mas automa- nos dias de hoje, o piloto de hoje é uma
ditei a 100% ser um projeto ganhador. tínhamos aqueles quatro troços seguidos ticamente mudei o foco. Nós estávamos ferramenta de marketing para todos os
Podíamos ter mais ou menos dificulda- em que não podíamos mexer no carro e numa excelente recuperação e eu disse seus investidores, que ao mesmo tempo
des para o conseguir, mas eu sempre o levámos o carro até ao fim do dia em sé- para mim mesmo, quero fechar com cha- tem que dar resultados desportivos. E eu
considerei um projeto ganhador. Além de timo da geral, quarto do CPR. ve de ouro e quero lutar pela vitória. E vou tento ser esse profissional!
ter um bom carro eu estava assessora- E nós sabíamos que para sermos cam- ‘vendê-la’ caro. Se tivesses que escolher o momento cha-
do por uma boa equipa técnica, fui bus- peões tínhamos que terminar num lu- Foi isso que fiz, ataquei até ao final e con- ve do campeonato qual escolherias?
car elementos da minha equipa privada gar do pódio, fosse quem fosse a vencer, segui vencer o campeonato e o rali no De uma forma, quero dar como o ponto
para trabalharcomigo, portanto eu tinha o José Pedro ou o Teodósio. Algarve, o que foi excelente... alto, o meu regresso e a minha entrada
as pessoas certas, em quem eu acredito, Imediatamente, no sábado de manhã pas- Terminaste o campeonato com uma lar- na Hyundai. O resto são corridas e resul-
e têm enorme valor. Agora, podíamos ou sámos o Miguel Barbosa e chegámos ao ga margem pontual mas essa diferença tados, o ponto mais baixo, foi claramen-
não dar a volta a alguns pequenos proble- terceiro lugar (ndr.: a posição que precisa- não espelha as dificuldades... te o acidente do meu colega de equipa, o
mas, mas imediatamente eu percebi que
tudo junto, e com muito trabalho e muita
dedicação, nós conseguíamos alcançar
bons resultados, e foi isso que aconteceu.
Logo na segunda prova que fizemos, após
termos feito um bom trabalho de casa,
chegámos a Mortágua competitivos, não
cometemos erros e conseguimos ofere-
cer a primeira vitória à Hyundai. Fiquei
muito contente com isso, como é óbvio...
Escolheste a RMC Sport, como correu
o ano? Foi o parceiro técnico que preci-
savas? Enquanto existir este projeto é
com a RMC?
A RMC foi a equipa escolhida por mim. A
partir do momento em que eu assumi esta
ligação à Hyundai, tinha toda a autonomia
para me poder ligar à equipa que eu qui-
sesse. Eu já conhecia a RMC há uns anos
porque já tinha feito algumas corridas de
Mitsubishi com eles no Nacional de Ralis, e
o Roberto (ndr.: Méndez), o dono da equi-
pa, é uma pessoa que eu considero muito
séria, muito profissional e uma equipa que
eu considero com capacidade para poder
ter projetos desta envergadura. Portanto,
eu não duvidei que fosse a equipa certa
para este projeto.
Ao mesmo tempo quando eu fiz a pro-
posta e lancei o desafio à RMC, de pode-
rem ganhar o campeonato português
pela primeira vez, logo aí eles mostra-
ram uma grande abertura, uma enorme
vontade de poderem vir para Portugal e
mostrar o seu potencial com uma vitória
no campeonato português.
Foram a equipa que vestiu a camisola, aju-
daram-me imenso nos momentos menos
bons, esteve incansável no trabalho com
a Hyundai, acho que foi uma equipa muito
unida com uma grande ambição de ven-
cer, que se apresentou bem em todas as
provas, e eu só tenho a dizer bem da equi-

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23

Depois de cinco Carlos Vieira. Eu não conheço muito bem e que nos possam ajudar ainda mais, para
anos de ausência o Carlos, não é um amigo meu diário, co- lutarmos e termos mais armas para lutar
do CPR, Armindo nheci-o há pouquíssimo tempo, mas ob- com os adversários no futuro.
Araújo assegurou viamente que foi um momento muito tris- Vias com entusiasmo a tua participação,
o seu quinto título te, muito difícil para toda a equipa, todos integrado neste mesmo projeto, em algu-
de Campeão de nós pensávamos nele e queríamos o seu mas provas do WRC, como por exemplo,
Portugal de Ralis bem estar, felizmente tudo correu pelo alinhar no Rali de Espanha?
melhor e agora esperamos todos que ele (Risos) Eu gostaria muito, seria um exce-
possa voltar a fazer parte da família dos lente prémio, mas não é algo em que es-
ralis num futuro próximo. teja a pensar, e não sei se estará alguém a
É um piloto que faz parte da nossa marca, pensar nisso. Mas que gostava, gostava...
do nosso projeto, muito ambicioso, com Até quando queres continuar?
muita vontade de vencer, teve aquela Não luto por recordes, não estou aqui para
infelicidade, logicamente nós todos sen- vencer mais um, dois ou três títulos. Estou
timo-nos tocados emocionalmente, mas aqui para correr enquanto me sentir con-
quando vemos que as coisas acabam por fortável, desfrutar do que estou a fazer e
correr bem, que recupera e que já regres- também enquanto as marcas e os spon-
sou às provas para assistir, isto quer dizer sors tiverem gosto em me terem a seu
que dentro de pouco tempo ele já poderá lado. Enquanto eu for uma mais valia para
estar por dentro. Foi um momento mau, o eles e estiver a desfrutar do que estou a
pior momento da época, mas felizmente fazer, e a ser uma mais valia para quem
tem vindo a ter melhorias, e está tudo no investe em mim, tudo ótimo. Quando me
bom caminho. Aproveito para lhe dese- sentir pouco competitivo ou quando não
jar as melhoras, e mando-lhe um abraço, acreditar nos projetos, será o momento de
publicamente... parar, olhar para outras atividades, mas
A Hyundai acertou na mouche ao desa- sempre sair de cabeça levantada e com
fiar-te para este projeto, mas penso que asensaçãodo dever cumprido.Andar no
também estarás contente. Foste o único campeonato a arrastar-me só para dizer
piloto a dar um campeonato nacional à que estou a fazer ralis, não.
Hyundai... Gostas muito de motos, podes vir a com-
Claro que fico orgulhoso, o que mais me petir?
preocupa é a Hyundai Portugal, que foi a As motos são para relaxar, libertar adre-
marca que investiu em mim, e nós conse- nalina. Corri muitos anos em motos, mas
guimos dar à Hyundai Portugal a vitória depois disso tudo o que fiz em motos foi
logo no ano de estreia, fico muito contente para me divertir. Quando um dia deixar de
por isso, e orgulhoso. Eles merecem, por- correr, continuarei a andar de moto, a via-
que estão a fazer um excelente trabalho. jar, andar em TT, em Portugal, Marrocos,
Não só me ajudam a mim, mas também que gosto muito, e a fazer passeios porque
estão a dar o desporto português. Numa é uma coisa que eu gosto desde de miúdo.
segunda fase, relativamente à Hyundai De certeza que as corridas de automóveis
MotorSport, ao que tudo indica serei eu irão acabar primeiro do que esses pas-
que lhes dei o único título de Campeão seios de moto. A vertente competitiva, não
Nacional, o que demonstra que aqui em equaciono. Alta competição nas motos, já
Portugal trabalhámos bem, que nos pre- foi o tempo. Agora só com quatro rodas...
parámos bem, fizemos bem o trabalho de Mas se houver no futuro a possibilidade
casa e agora que seja motivo para eles de fazer TT de carro, isso poderei olhar
olharem para nós com mais carinho, ainda, com bons olhos.

24 WRX/
RALICROSS - ÁFRICA DO SUL
KRICSOTOMDFFFEECEOCRHSHUASROVOOUEN
Está fechada a temporada de 2018 do Mundial de Ralicross.
Na Cidade do Cabo Johan Kristoffersson obteve a sua 11ª vitória em
12 possíveis, sendo o seu nono triunfo consecutivo. Os pilotos da
EKS Audi Sport, Mattias Ekström e Andreas Bakkerud, asseguraram
o segundo e terceiro lugares no campeonato e Loeb ofereceu
à Peugeot mais um pódio na despedida da equipa francesa

Duarte Mesquita no segundo e terceiro lugares, clas- para Solberg, que fazia um inespera- ano deve-se ao trabalho duro que to-
[email protected] sificando-se igualmente para a Final. do pião na curva 2, fruto de problemas das as pessoas tiveram, todos os que
FOTOS DPPI/Paulo Maria Já Bakkerud não conseguiu termi- de transmissão no Polo, sendo atin- trabalham em Torsby (sede da PSRX),
nar a corrida e assim entregava auto- gindo fortemente por Timmy Hansen, todos na Volkswagen Motorsport em
S ébastien Loeb começou por maticamente o vice-campeonato ao que não conseguia evitar o embate no Hannover e, claro, com o grande apoio
mostrar o ritmo na Q1 mas seu companheiro de equipa, Mattias Polo na confusão que se instalou com da Volkswagen Suécia. Sinto-me mui-
Johan Kristoffersson, depois Ekström. Na segunda Meia-final, todo o pó levantado, o que resultou no to emocionado, é uma ótima maneira
de ter cometido um rarís- Solberg venceu depois de bater Loeb abandono de ambos os pilotos. Nas de terminar uma temporada verda-
simo erro de condução na no arranque, com Ekström logo atrás. restantes voltas, Loeb fez um grande deiramente fantástica! Ganhar 11 em
primeira qualificação, ra- Destaque ainda para as quarta e quinta esforço na tentativa de ultrapassar 12 é muito bom, deixa-me um pouco
pidamente subiu de forma e com os posições de Anton Marklund (Renault Ekström, mas o sueco conseguiu se- frustrado com a Bélgica, onde o Loeb
ajustes na afinação que a equipa PSRX Mégane RS RX) e de Timo Scheider gurar o francês atrás de si, enquanto venceu mas esse recorde de 100 por
Volkswagen efetuou no Polo de sába- (Seat Ibiza RX), ambos a mostrarem lá na frente Kristoffersson reinou de cento vitorioso dá-nos algo para tra-
do para domingo, conseguiu ser o mais uma vez mais que todo o seu talento forma tranquila e venceu assim a sua balhar no próximo ano! (risos) Estou
rápido nas Q2, Q3 e Q4, garantindo as- é merecedor de um lugar a tempo in- 11ª corrida da temporada, num pódio apenas a brincar! Mas conseguir nove
sim a pole position para a Meia-final teiro no campeonato para 2019. ocupado pelas três equipas oficias do vitórias em nove corridas também é
1. Os pilotos do Team Peugeot Total campeonato. O sueco resumia assim algo especial para mim, lembro-me
mostraram-se muito rápidos duran- EKSTRÖM AGUENTOU LOEB a sua época no final da prova: “O que de ver o Sebastian Vettel a vencer as
te as qualificações, com Sébastien posso dizer? Nós estamos aqui para últimas nove corridas da temporada
Loeb a alcançar a pole position para A última Final do ano tinha uma pri- ganhar, mas esta vitória significa mui- de 2013 na F1 e a pensar quão incrível
a Meia-final 2 e Timmy Hansen a ga- meira linha da grelha ocupada pelos to, sei que disse isto todas as vezes que esse sentimento devia ser e agora eu
rantir o terceiro lugar após a Q4, ba- dois Polo R da PSRX Volkswagen e ganhei mas é a pura verdade! Quando consegui esse feito. Inacreditável!”
tendo Petter Solberg e os dois pilotos uma segunda linha preenchida pelos chegas à última corrida da temporada, Quem poderá bater Kristoffersson
dos Audi S1 quattro, Andreas Bakkerud dois 208 WRX do Team Peugeot Total. é muito importante ires de férias para em 2019? A silly season vai começar
e Mattias Ekström. A primeira Meia- Kevin Hansen e Ekström completavam o inverno com uma vitória e poder co- e esperemos que com boas novidades,
final, com Kristoffersson e Timmy a grelha na terceira linha. Após o sinal meçar 2019 sabendo que o último re- pois as más notícias que têm vindo a
Hansen na primeira linha, teve como verde aparecer, Kristoffersson arran- sultado foi uma vitória. Esta equipa é ser anunciadas não auguram nada de
vencedor o inevitável Kristoffersson, cou bem mas foi desafiado por Solberg tão especial, tudo o que consegui este bom para o futuro do campeonato.
que liderou desde a luz verde até à na disputa pela liderança na curva 1, no
bandeirada de xadrez. Os dois pilotos entanto o melhor arranque era mes-
oficiais da Peugeot, Timmy Hansen mo feito por Ekström, que ultrapassa-
e Kevin Hansen, concluíam a corrida va Loeb e Timmy Hansen por dentro,
ameaçando ainda a posição de Solberg.
Na segunda volta o jogo terminava

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25

MATTIAS
EKSTRÖM
ANUNCIOU
RETIRADA

O Campeão Mundial de 2016 e Vice-Campeão trabalho. Para mim foi um ano muito diferente,
do Mundo deste ano, Mattias Ekström, de- porque as coisas não me saíram de forma
cidiu terminar a sua carreira no Mundial de natural como eu gostaria, mas isso também
Ralicross após a prova da África do Sul. O an- quer dizer que estás a tentar lutar por mais do
tigo Bicampeão do DTM correu pela primeira que podes alcançar. Mas, de qualquer manei-
vez no World RX com a sua própria equipa, EKS, ra, diverti-me muito e tive uma equipa fantás-
a meio da época de 2014 e venceu logo na sua tica a trabalhar comigo. Devo dizer que gos-
segunda prova aos comandos do Audi S1 quat- tei e como esta foi a minha última corrida do
tro na ronda sueca de Holjes. Dividindo a sua World RX como piloto a tempo inteiro, foi um
atenção entre o World RX e o DTM, Ekström e final bastante feliz também. Tive cinco anos
a EKS sagraram-se Campeões do Mundo em fantásticos como piloto neste campeonato e
2016, antes da entrada do apoio de fábrica da acho que é o momento de fechar o capítulo e
Audi Sport para 2017. Tendo aumentado o seu procurar outros desafios. O que acontecerá
apoio para este ano, Ekström decidiu encer- com a equipa EKS ainda não está 100% certo,
rar a sua carreira no DTM, comprometendo-se mas assim que tivermos algo a dizer também
a tempo inteiro com o Mundial de Ralicross. o faremos, mas acho que é mais do que justo
Porém, e surpreendentemente, a Audi anun- dizer adeus de uma maneira agradável. Este
ciou a sua retirada do apoio ao programa da foi um grande capítulo da minha vida e gostei
EKS em agosto passado, preferindo concen- muito das batalhas em pista, diria que as min-
trar-se no DTM e na Fórmula E em 2019. Com has melhores e favoritas batalhas foram com
10 vitórias e o título mundial de 2016, Ekström o Sébastien [Loeb], porque essas foram as
sai de cena na mó de cima ao vencer a batal- mais justas. As que tive com o Petter [Solberg]
ha final pelo vice-campeonato deste ano: “É foram agradáveis no início mas depois tor-
sempre bom terminar no pódio, tentámos naram-se muito emocionais, mas isso faz par-
vencer mas acho que este ano podemos dizer te das corridas. É bom ver aqui todas as pes-
que merecemos o segundo lugar e o Johan soas da EKS claro, mas quando sabes que é
[Kristoffersson] o título pois ele fez um ótimo pela última vez, torna-se em algo especial.” DM

C/ C L A S S I F I C A Ç Ã O

FINAL SUPERCAR ÁFRICA DO SUL

CL PILOTO CARRO TEMPO

1º JOHAN KRISTOFFERSSON VW POLO R 6 VOL. EM 4M12,787S

2º MATTIAS EKSTROM AUDI S1 QUATTRO A 2,700S

3º SÉBASTIEN LOEB PEUGEOT 208 WRX A 3,595S

4º KEVIN HANSEN PEUGEOT 208 WRX A 6,230S

5º PETTER SOLBERG VW POLO R A 5 VOLTAS

6º TIMMY HANSEN PEUGEOT 208 WRX A 5 VOLTAS

VOLTA MAIS RÁPIDA: MATTIAS EKSTROM (AUDI) EM 40,342S

CAMPEONATO MUNDO PILOTOS 341 PONTOS
1º JOHAN KRISTOFFERSSON (VW) 248
2º MATTIAS EKSTROM (AUDI) 237
3º ANDREAS BAKKERUD (AUDI) 229
4º SÉBASTIEN LOEB (PEUGEOT) 227
5º PETTER SOLBERG (VW) 192
6º TIMMY HANSEN (PEUGEOT) 146
7º NICLAS GRONHOLM (HYUNDAI) 145
8º KEVIN HANSEN (PEUGEOT) 98
9º JANIS BAUMANIS (FORD) 86
10º TIMUR TIMERZYANOV (HYUNDAI)

CAMPEONATO MUNDO EQUIPAS 568 PONTOS
1º PSRX VOLKSWAGEN 485
2º EKS AUDI SPORT 421
3º TEAM PEUGEOT TOTAL 232
4º GRX TANECO 152
5º GCK 72
6º OLSBERGS MSE

PRÓXIMA PROVA: YAS MARINA (ABU DHABI) 5/6 DE ABRIL 2019

N/26
NOTÍCIAS

CAMPEONATO J oão Silva terminou a temporada seu Ford Focus RS WRC ao segundo
DE RALIS DA MADEIRA madeirense de ralis da mesma posto em que viria a cortar a meta. Gil
forma que a tinha iniciado, com Freitas, apesar de alguns problemas na
JOÃO SILVA VENCEU uma vitória. Com este resultado, sua viatura e de ter rodado parte duma
NA RIBEIRA BRAVA o piloto do Citroën DS3 R5 tornou-se classificativa sem notas de andamento
vice-campeão regional da modalidade devido a um erro nos reconhecimentos
João Silva triunfou numa prova em que se mas o seu navegador, Victor Calado,
ficaram a conhecer mais campeões conseguiu mesmo alcançar o títu-
lo absoluto reservado aos segundos
João F. Faria condutores. O piloto da FX começou
[email protected] esta prova que marcou o regresso,
14 anos depois, dos ralis àquela vila
FOTOGRAFIATIFF da costa sudoeste da ilha, da melhor
forma, impondo-se logo na super-
LEIA E ACOMPANHE TODAS -especial disputada na noite de sexta
AS NOTÍCIAS EM AUTOSPORT.PT feira e ficou com a sua tarefa muito
mais facilitada quando Miguel Nunes,
que partia ao ataque no segundo dia
de competição, deu um toque e ficou
fora de prova logo na PE 2.
João Silva apenas não venceu uma das
nove provas especiais do programa, a
ganha por Rui Pinto que apenas a meio
da prova conseguiu ascender com o

FÓRMULA 2
GEORGE RUSSELL CAMPEÃO

O triunfo na primeira corrida de George e precisava apenas de um oitavo lugar Alexander Albon. Roberto Merhi fechou o
Russel (ART Grand Prix) permitiu-lhe de para garantir o título, mas, mesmo depois pódio. O campeão desde o dia anterior,
imediato assegurar o título de Fórmula 2, de um mau início, que o fez perder a George Russell, terminou em quarto. Já
batendo Artem Markelov (Russian Time) liderança, conseguiu recuperar e voltar Albon, não conseguiu melhor do que o
e Luca Ghiotto (Campos Vexatec Racing). ao comando da prova. Nick de Vries foi o oitavo posto. RF
Que melhor forma para celebrar a sua piloto que passou pelo primeiro posto,
ascensão à F1, do que este triunfo na após o mau início do novo campeão.
Fórmula 2? Na segunda corrida, Antonio O russo Artem Markelov terminou a
Fuoco venceu pela segunda vez este ano, corrida em segundo e o italiano Luca
na frente de Lando Norris e Roberto Merhi. Ghiotto completou o pódio. Alexander
George Russell venceu a primeira corrida Albon, o único piloto que ainda poderia
de Yas Marina e desde logo se sagrou ‘tirar’ o título de Russell, partiu de oitavo,
o novo campeão da F2. O piloto apoiado mas não esteve sequer perto do que
pela Mercedes partiu da pole position precisava fazer. Terminou em 14º. Lando
Norris, que vai para a F1 com a McLaren,
CAMPEONATO foi quinto.
Na segunda corrida foi a vez de Antonio
PILOTOS: 1º G. RUSSELL, 287; 2º L. NORRIS, 219; 3º A. Fuoco vencer. O italiano ‘protegido’ da
ALBON, 212; 4º N. DE VRIES, 202; 5º A. MARKELOV, 186; 6º Ferrari passou para a frente logo no
S. SETTE CÂMARA, 164; 7º A. FUOCO, 141; 8º L. GHIOTTO, início, superando Roberto Merhi, que
111; 9º N. LATIFI, 91, 10º L. DELÉTRAZ, 74; 11º J. AITKEN, arrancou da pole position. Apesar de um
63; 12º R. MERHI, 61; 13º T. MAKINO, 48; 14º M. GÜNTHER, Safety Car Virtual pouco depois do início
41; 15º S. GELAEL, 29; 16º A. MAINI, 24; 17º N. FUKUZUMI, da corrida, Fuoco já não foi demasiado
17; 18º R. BOSCHUNG, 17; 19º S. FERRUCCI, 7; 20º A. ameaçado e venceu a corrida com uma
LORANDI, 6; 21º D. BOCCOLACCI, 3; 22º R. NISSANY, 1; 23º vantagem de 1.7s para Lando Norris, que
D. TICKTUM, 0; 24º N. KARI, 0 terminou em segundo e subiu a igual
EQUIPAS: 1º CARLIN, 383; 2º ART GRAND PRIX, 350; posição no campeonato, por troca com
3º DAMS, 303; 4º RUSSIAN TIME, 234; 5º PERTAMINA
PREMA THEODORE RACING, 231; 6º CHAROUZ RACING
SYSTEM, 215; 7º CAMPOS VEXATEC RACING, 132; 8º MP
MOTORSPORT, 61; 9º BWT ARDEN, 58; 10º TRIDENT, 37

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27

C/

1º JOÃO SILVA/VICTOR CALADO CITROËN DS3 R5 56:18.0
2º RUI PINTO/RICARDO FARIA FORD FOCUS RS WRC + 1:55.7
3º GIL FREITAS/DUARTE MIRANDA PORSCHE 991 GT3 + 3:12.2
4º PEDRO PAIXÃO/JORGE HENRIQUES RENAULT CLIO R3 + 3:56.6
5º BRUNO FERNANDES/MAURO SOUSA CITROËN C2 R2 + 8:34.2
6º PAULO NUNES/ÉLVIO VIEIRA CITROËN DS3 R1 + 9:11.8
7º BRUNO RODRIGUES/RICARDO ABREU TOYOTA YARIS + 9:24.0
8º ILÍDIO SARDINHA/ÉNIO ANDRADE CITROËN C2 R2 + 9:41.5
9º ALEXANDRE JESUS/ANTÓNIO CASTRO CITROËN DS3 R1 + 10:15.2
10º BRUNO COELHO/PAULO COELHO TOYOTA YARIS + 10:35.9

da mesma, conseguiu levar o Porsche dou muito tempo no quinto posto mas Subiu então à quinta posição Bruno bém Paulo Nunes que levou o seu
991 GT3 estreado no Faial pela segunda um problema de transmissão no seu Fernandes com o seu Citroën C2 R2 Citroën DS3 R1 ao sexto lugar abso-
vez consecutiva ao pódio. Mitsubishi Lancer Evo X no último neste rali marcado pelo baixo número luto e conseguiu também o título na
Pedro Paixão voltou a realizar uma troço cronometrado levou a que per- de participantes, 17, e em que quatro competição monomarca destinada
prova de grande nível com o Renault desse muito tempo e a que acabasse concorrentes viriam a abandonar. aos utilizadores daquele modelo.
Clio R3 e foi quarto. Vasco Silva ro- caindo para a 12ª e penúltima posição. Excelente resultado conseguiu tam- Bruno Rodrigues voltou a dar nas
vistas com o pequeno Toyota Yaris e
foi sétimo na frente de Ilídio Sardinha
com um Citroën C2 R2. A fechar o ‘top
10’ ficaram Alexandre Jesus, que à
partida desta prova ainda reunia hi-
póteses matemáticas de ser campeão
no Chalenge DS3 R1 Remax, e Bruno
Coelho, num Toyota Yaris. Os ralis ma-
deirenses regressam em São Vicente
em março de 2019 num calendário que
deverá incluir sete eventos, cumprindo
o propósito da federação em reduzir
em uma prova a temporada, dada a
não realização do rali de Porto Santo.

GP3 SERIES
COROAPARAANTHOINE HUBERT

Abu Dhabi recebeu o último fim de o vencedor da corrida fosse Nikita com Pulcini. O piloto da ART terminou GP3 – terminou com vitória de Nikita
semana do ano da GP3 Series e, ao Mazepin, que arrancou da primeira em quinto. David Beckmann roubou o Mazepin. Mazepin assumiu a liderança
mesmo tempo, da competição, já que posição. segundo lugar da corrida ao campeão apenas na última volta, com Jake
em 2019 passa a ser denominada Uma penalização de 10s atrasou o já na última volta, quando Hubert já Hughes a terminar em segundo. A
Fórmula 3, numa meia-fusão com a piloto russo, que depois de uma saída controlava o seu ritmo para chegar ao fechar o pódio ficou Simo Laaksonen,
Fórmula 3 europeia. Anthoine Hubert de pista não respeitou as regras de fim sem problemas e assegurar o seu que conseguiu, assim, o seu primeiro
tornou-se no último campeão da GP3, segurança no regresso ao traçado, título. top 3 do ano.
ao terminar em terceiro na primeira numa altura em que lutava pela vitória A última corrida da temporada – e da Juan Manuel Correa dominou a corrida,
corrida do fim de semana, ganha por mas acabou por perder a vitória
Leonardo Pulcini. devido a uma penalização, por não ter
Na primeira corrida, Anthoine Hubert conseguido controlar a sua velocidade
arrancou em terceiro e terminou em durante um Safety Car Virtual, o que o
igual posição, um resultado que só atirou para o sexto posto.
não era suficiente para o título caso O campeão de 2018 não passou da
primeira volta, num acidente que
CAMPEONATO envolveu os três pilotos que foram
ao pódio na primeira corrida. Além
PILOTOS: 1º A. HUBERT, 214; 2º N. MAZEPIN198; 3º de Anthoine Hubert, também David
C. ILOTT, 167; 4º L. PULCINI, 156; 5º D. BECKMANN, Beckmann ficou logo na primeira
137; 6º P. PIQUET, 106; 7º G. ALESI, 100; 8º J. HUGHES, volta; já Leonardo Pulcini conseguiu
85; 9º R. TVETER, 69; 10º D. BOCCOLACCI, 58; 11º A. continuar, mas terminou em 12º.
LORANDI, 42; 12º J. CORREA, 42; 13º J. MAWSON, 38; Finda, assim, a temporada, com Hubert
14º S. LAAKSONEN, 36; 15º R. VERSCHOOR, 30; 16º T. a ser o campeão, ao marcar 214
CALDERÓN, 11; 17º N. KARI, 6; 18º G. AUBRY, 5; 19º D. pontos. Mazepin termina em segundo,
MENCHACA, 3 com 198 pontos, e Callum Ilott fecha o
EQUIPAS: 1º ART GRAND PRIX, 646; 2º TRIDENT, 433; pódio, com 167 pontos. RF
3º CAMPOS RACING, 195; 4º MP MOTORSPORT, 94; 5º
JENZER MOTORSPORT, 65; 6º ARDEN INTERNATIONAL, 43

N/ H/ H O R Á R I O
NOTÍCIAS
SÁBADO 1 DEZEMBRO
28
PARTIDA DA 1ª SECÇÃO
RALIDASCAMÉLIAS
ÉNOSÁBADO ESTORIL (JARDINS DO CASINO) 8H00

PEC 1 – CASCAIS (12,4 KM) 8H20

PEC 2 – SINTRA (10,5 KM) 8H48

PEC 3 – MAFRA – 10,5 KM 10H11

NEUTRALIZAÇÃO EM MAFRA (P. NACIONAL) 10H41

PARTIDA DA 2ª SECÇÃO

PARQUE INTERMODAL 12H35

Realiza-se no próximo fim de semana o Rali das Camélias, grandes espetáculos de automobilis- PEC 4 – CODEÇAL 1 (11,40 KM) 12H53
mítica prova que traz os ralis de volta à Serra de Sintra e à zona mo, o Rali das Camélias e a primeira
etapa da Volta Galp a Portugal, por PEC 5 – LIVRAMENTO 1 (8,00 KM) 13H36
de Mafra, um dois em um que deixa água na boca milhares e milhares de turistas que
anualmente visitam Sintra, os seus PEC 6 – CODEÇAL 2 14H39
Monumentos, Parques e estradas.
Em boa hora, a persistência de Luís PEC 7 – LIVRAMENTO 2 15H22
Caramelo e dos seus pares lutou para
trazer os ralis de novo para Sintra, e CHEGADA AO ESTORIL (JARDINS DO CASINO) 17H15
com a grande colaboração de todas
José Luís Abreu Sintra, e na região saloia. O Rali das as entidades decisoras envolvidas, estradas do Parque Natural Sintra/
[email protected] Camélias ‘devolve’ no próximo sába- as Câmaras Municipais de Cascais, Cascais bem como exigentes troços
RuiFOTOGRAFIA Reis do os ralis à serra de Sintra e à zona Sintra e Mafra, entidades do Ambien- dos arredores de Mafra, que já fizeram
de Mafra, palco de grandes momen- te e Floresta, Forças de Segurança e parte da prova no passado, noutras
A cabou ‘O Mistério da Estra- tos do automobilismo de estrada em FPAK, vai ser possível ver novamente versões, como o mítico Codeçal (Gra-
da de Sintra’! Aí está o tão Portugal. os automóveis de competição – e não dil), vão fazer as delícias dos adeptos
ansiado regresso. Os adep- Depois do trágico acidente do Rali de só regularidade – a descer a Rampa do Distrito de Lisboa.
tos vão poder, no próximo Portugal de 1986, depressa Sintra saiu da Pena. Por ser manifestamente impossível
sábado, voltar a ver ralis no do itinerário da prova, e não demorou O Rali das Camélias vai percorrer as aqui colocar tudo, aceda ao nosso site,
Parque Natural da Serra de muitos mais anos que aquelas estra- www.autosport.pt, secção de Ralis, e
das trocassem alguns dias por ano de aí encontrará toda a informação re-
levante para acompanhar o rali na
estrada, como mapas, acessos, lista
de inscritos. Tudo o que necessitar,
está lá.

24 HORAS TT VILA DE FRONTEIRA

FESTADE FIM DEANO

Realiza-se no próximo fim de semana a edição deste ano das AFN 24 Horas TT Vila de Fronteira,
evento que como habitualmente será uma grande festa de final de época, e de encerramento da temporada
de todo o terreno. A lista de inscritos volta a ser de luxo, já que grandes nomes do TT nacional marcam presença

José Luís Abreu do Teodósio. Correm num Proto Tim da Berreur (Propultion Addax Promo E), uma Sport Rally Team de Adam Bomba, Marcin
[email protected] categoria T1. tripla que deverá ser importante nesta Lukaszewski e Jacek Sobon (BMW Proto
Para além dos nomes já referidos, desta- prova. Laurent Poletti, Franck Cuisinier Propulsion Promo E); Luís Filipe Marques,
OTodo o Terreno nacional tem no que ainda para outras equipas da categoria e Ronald Basso (Bowler Wildcat Promo Ricardo Martins, Damien Branly, Anthony
fim de semana o seu habitual fim especial, como por exemplo Amândio Al- E) também são nomes bem conhecidos. Seu, Rui Duarte Vitorino (MMP Rally Raid
de festa anual, com a realização da ves, Rogério Reis, João Silva e Márcio Reis Há muito boas equipas na Promo E, al- Evo Promo E); José Camilo Martins, Pedro
AFN 24 Horas TT Vila de Fronteira. (MMP Evo 3 Promo E) ou Sébastien Vin- gumas delas com portugueses, como Almeida, Sérgio Vaz, Nuno Corvo (MMP
Tal como vem sendo hábito, o contingente cendeau, Bertrand Vincendeau e Philippe é o caso de Pedro Dias da Silva na PRK Evo 2). Avelino Reis, Tiago Reis, Edgar Reis
francês do endurance vem a Portugal, e Diogo Nogueira (Mitsubishi Pajero T1);
sendo que desta feita há uma equipa to- P/ P R I N C I P A I S I N S C R I T O S Paulo Rui Ferreira, Jorge Monteiro, João
talmente portuguesa num dos carros Ferreira, David Monteiro e Douglas Silva
da categoria E, a mais ‘habilitada’ para Nº PILOTOS CARRO CATEGORIA repetem a participação, mas na categoria
vencer, que é composta por Ricardo Po- T1 Promo C, numa Nissan Navara.
rém, Filipe Campos, Alexandre Ré, Victor 1 IGORS SKOKS/RUDOLFS SKOKS/ARVIS PIKIS MITSUBISHI PAJERO T1 Por fim a equipa dos Mello Breyner, com
Conceição. Alinham num MMP Rally Raid T1 Pedro e Manuel Mello Breyner a terem
Promo, e em teoria podem bater-se com 2 M. NORA/C. CINOTTO/M. PALITTA/P. BACCHELLA/M. CINOTTO MINI ALL4 RACING PROMO E a seu lado Miguel Casaca e Filipe Nasci-
osmelhores‘endurance’franceses. Entre T1 mento, (Bowler Wildcat T1).
estes, por exemplo, a família Andrade, que 3 ANDRE BASTET/RICHARD BASTET7GEORGE DA CRUZ NISSAN SPRINGBOK T1 Nos menos rápidos, mas mais fiáveis T1,
vem a Portugal com dois carros, um para PROMO E destaque para a Biedriba ‘Tempo 24h’ de
Mário Andrade, Paulo Marques, Benjamin 4 AMÂNDIO ALVES/ROGÉRIO REIS/JOÃO SILVA/MÁRCIO REIS MMP EVO 3 PROMO E Igors Skoks, Rudolfs Skoks e Arvis Pikis
Bujon e Hélder Pimenta, também eles num PROMO E (Mitsubishi Pajero T1), vencedores o ano
competitivo MMP Evo Promo E, e outro 5 G. BILLAUT/P. BOUTRON/A. GALLAND/L. FOUQUET FOUQUET BV4 PROTO PROMO E passado.
carro para Alexandre Andrade, Cédric PROMO E Por fim, a X-Raid traz um Mini
Duple, Yann Morize e Alexandre Beaujon. 6 AVELINO REIS/TIAGO REISEDGAR REIS/DIOGO NOGUEIRA MITSUBISHI PAJERO PROMO E All4 Racing T1 para Michele De
Mas, como sempre, em Fronteira tudo PROMO E Nora, Carlo Cinotto, Masina Palit-
pode suceder, e por isso há que contar 7 SÉBASTIEN VINCENDEAU/BERTRAND VINCENDEAU/PHILIPPE BERREUR PROPULTION ADDAX T1 ta, Paolo Bacchella e Michele Cinotto.
com equipas como a de Américo Santos T1 A lista de inscritos é das melhores da últi-
e Rodrigo Santo, que têm desta feita a 8 LAURENT POLETTI/FRANCK CUISINIER/RONALD BASSO BOWLER WILDCAT T1 ma década, não só em quantidade, como
companhia de um nome sonante, Ricar- PROMO E em qualidade.
9 RICARDO PORÉM/FILIPE CAMPOS/ALEXANDRE RÉ/VICTOR CONCEIÇÃO MMP RALLY RAID PROMO E
PROMO E
10 ETIENNE CAPIN/MICHEL CAPIN/DOMINIQUE DUBOURDIEU/PHILIPPE VOISIN PORSCHE BEHEITY T1

22 MÁRIO ANDRADE/PAULO MARQUES/BENJAMIN BUJON/HÉLDER PIMENTA MMP EVO

23 ALEXANDRE ANDRADE/CÉDRIC DUPLE/YANN MORIZE/ALEXANDRE BEAUJON A.C. NISSAN PROTO

32 JEAN L. LACASSAGNE/JEAN LACASSAGNE/ALAIN VERNET/JEAN L. FIALEIX NISSAN PACHIAUDI

36 JEAN C. BROCHARD/MICHAEL CAZE/THOMAS PRIVE/SEBASTIEN GUYETTE CAZE TOMAHAWK

39 AMÉRICO SANTOS/RODRIGO SANTO/RICARDO TEODÓSIO PROTO TIM

47 JORGE SILVA/MANUEL INÁCIO/CARLOS ROLLA/JOSÉ CUNHA/ALOÍSIO MONTEIRO TOYOTA HILUX

65 JEAN M. BERLINES/JEAN PHILIPPE BEZIAT/LAURENT GUILLOT/OLIVIER DEVOS MMP EVO

67 LUIS MARQUES/RICARDO MARTINS/DAMIEN BRANLY/ANTHONY SEU/RUI VITORINO MMP RALLY RAID EVO

68 JOSÉ CAMILO MARTINS/PEDRO ALMEIDA/SÉRGIO VAZ/NUNO CORVO MMP EVO 2

71 MIGUEL CASACA/FILIPE NASCIMENTO/P. MELLO BREYNER/M. MELLO BREYNER BOWLER WILDCAT

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KYMCO

» AK 550

TOP GUN NO SEGMENTO MAXI SCOOTER

A Kymco, companhia taiwanesa, fabricante de motos há
mais de meio século, tem atualmente uma gama importante
de scooters, de várias cilindradas, sendo que o modelo AK
550 é a expressão máxima da experiência adquirida ao
longo de todo esse período. A sofisticação do seu design, a
qualidade da sua construção e dos materiais da Kymco AK
550 são realmente irrepreensíveis e posicionam o modelo
bem alto no mercado das Maxi Scooters

Pedro Rocha dos Santos Assim que nos sentamos na AK notamos um botão rotativo de maior dimensão mação da pressão dos pneus. O painel está
[email protected] de imediato a maior estreiteza do seu que serve para trancar a mota ou abrir dividido em três elementos digitais, onde
assento em relação à T-MAX e a facilida- a tampa que dá acesso ao depósito de os laterais contêm informação da moto e o
Oseu design agressivo e a sua de com que os nossos pés assentam no combustível, somos surpreendidos pela central pode interagir com smartphones
aparência de moto desportiva chão. A AK 550 tem sistema de ignição iluminação do painel TFT a cores, pela e obtermos todo o tipo de informação
não deixam ninguém indife- do tipo “Keyless”, pelo que o dispositivo sua enorme qualidade e facilidade de lei- contida nos mesmos através da app da
rente e a intenção da Kymco AK é guardado no nosso bolso. Ao ligarmos tura, toda uma referência em termos de Kymco. No punho esquerdo temos o con-
550 é clara: liderar o segmento a AK num pequeno botão com símbolo ergonomia e distribuição da informação trole de temperatura dos punhos, o seletor
das Maxi Scooters desportivas. 0n/Off e “Seat”, onde se situa também necessária, tendo inclusivamente infor- de piscas, a buzina e o seletor do modo
Com a fasquia muito alta colocada pelo
reinado T-MAX, a AK 550 tem de facto
uma tarefa difícil a lutar pela liderança. E
foi nesse contexto que realizámos o seu
ensaio, para tentar perceber exatamen-
te como a Kymco aborda, com este seu
modelo de topo, o desafio da conquista
do lugar cimeiro.
As linhas da AK 550 cativam-nos de ime-
diato e deixam adivinhar o seu comporta-
mento desportivo. De formas angulosas
e look agressivo a AK define à partida a
atitude a adoptar na sua condução. Mas
numa Maxi Scooter privilegia-se tam-
bém o conforto, a proteção ao vento e à
chuva, e num modelo de topo como a AK
550 procuramos também o requinte dos
seus acabamentos e a qualidade do seu
equipamento. Portanto, era essa a nossa
postura na análise que iríamos fazer ao
modelo de topo da gama de scooters da
Kymco.

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de motor ( dois modos ) que aparecem noesquerdoencontra-se uma ficha USB rotações e o roncar envolvente do seu modos de mo-
identificados com uma luz de diferente cor para ligação de aparelhos eletrónicos. escape, tipo moto desportiva (muito di- tor - modo “Full
no visor TFT esquerdo. No punho direito A posição de condução é baixa e cómoda, ferente da T-MAX que tende a ser mais Power” e modo
temos o botão on/off, o de arranque e de perfeitamente integrada na scooter e o silencioso). Com o motor montado mais “Rain” - o que nos
quatro piscas e o seletor para navegar no pára-brisas oferece proteção necessária à frente, numa posição central, a AK 550 permite escolher a
sistema de informação. e com entrada de ar inferior para diminuir consegue aliviar o peso na roda traseira e melhor entrega de
Procurando espaço para colocar equi- turbulências, no entanto o seu ajuste ape- assim garantir, através da sua excelente potência em função
pamento e um capacete extra temos o nas é possível em duas posições. O assento suspensão, um maior desempenho na das condições da estrada.
compartimento de bagagem debaixo do é cómodo de início e bastante ergonómico tração e na travagem. O motor bicilín- A transmissão é contínua e
banco, amplo o suficiente para caber um mas algo firme ao fim de algum tempo, drico paralelo de 550 cc debita 52,7 cv às assegurada por uma embraiagem
capacete integral e uma mochila. Para talvez dado o posicionamento despor- 7.500 rpm, ( face aos 45,9 cv da Yamaha automática em banho de óleo. A trans-
melhor localizarmos os objetos o mes- tivo da AK, realidade que é compensada T-MAX) e tem de binário máximo 55,6 Nm missão secundária é feita através de
mo tem iluminação no seu interior. Em pelo excelente funcionamento das suas às 5.500 rpm. Com arrefecimento líquido, 4 correia dentada de borracha (tipo HD)
matéria de compartimentos a AK oferece suspensões. válvulas por cilindro e DOHC, e sobretudo que garante suavidade e menos vibração,
ainda dois menores situados na dianteira, Já a rodar sentimos de imediato a res- eletrónica sofisticada, já que a AK 550 vem assegurando uma transmissão imediata
apenas para pequenos objetos, sendo que posta vigorosa do motor desde baixas com a possibilidade de selecionarmos dois de potência à roda.
O quadro da AK 550 é em alumínio fun-
CONCORRÊNCIA HONDA X-ADV - 745CC SUZUKI BURGMAN 650 EXECUTIVE - 638CC dido, muito rígido e leve, e utiliza o motor
como elemento estruturante. O braço
YAMAHA T-MAX DX - 530CC 55 CV 55 CV oscilante é do tipo moto, com monoa-
mortecedor colocado numa posição ho-
45,9 CV POTÊNCIA POTÊNCIA rizontal e lateral esquerda e com ajuste
de pré-carga de mola. Na dianteira monta
POTÊNCIA 238 KG N.D. KG suspensões invertidas de 41 mm e os
discos de travão duplos são de 270 mm
216 KG PESO PESO enquanto atrás tem um disco de 260 mm,
ambos com pinças Brembo e assistidos
PESO 11 500€ 11 299€ por ABS de duplo canal versão 9.1 da
Bosch, que asseguram uma travagem
13 350€ PREÇO BASE PREÇO BASE exemplar só vista em motos desportivas.
As jantes de alumínio de 15”, tanto à
PREÇO BASE frente como atrás, conferem um rodar
preciso e suave e o seu peso reduzido
contribui para uma menor inércia no
trabalho das suspensões. A curvar a AK
550 é um exemplo de precisão, muito fácil
de colocar em curva e delinear trajetórias
perfeitas, com as suspensões a terem

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CORES
DISPONÍVEIS
2019

PRETA
BORDEAUX
AZUL

uma leitura correta do FT/ F I C H A T É C N I C A
piso e a assegurarem
um desempenho raro de 550 CC
encontrar neste segmento de
motos. Os pneus Metzeler têm CILINDRADA
medidas de 160/60 atrás e 120/70 na
frente e mostraram ter um grip muito 52,7 CV
satisfatório.
Para concluir esta experiência que rea- POTÊNCIA
lizámos na Kymco AK 550 podemos
afirmar que num mercado liderado pe- 15 L
las marcas japonesas e alemãs a Kymco
soube desenvolver uma alternativa de DEPÓSITO
facto, com uma qualidade excelente e
com um desempenho surpreendente 226 KG
do seu motor e ciclística. Pena em ma-
téria de preço não estar melhor posi- PESO
cionada. O PVP atual são 10.249 euros,
que embora menos cara que as suas 10 249€
concorrentes diretas, Yamaha T-MAX,
BMW C650 GT e Honda X-ADV, não PREÇO BASE
o é o suficiente para justificar a falta
de imagem de marca, pois seria uma CILINDRADA 550 CC MOTOR 2 CILINDROS
proposta muito aliciante para aqueles – 4 TEMPOS POTÊNCIA 52,7 CV ÀS 7500 RPM
que procuram uma Maxi Scooter de REFRIGERAÇÃO LÍQUIDA ALIMENTAÇÃO
topo a preço contido. INJECÇÃO ELE. TRANSMISSÃO PRIMÁRIA CVT,
Uma nova edição especial 55th EMBRAIAGEM MULTIDISCO, TRANSMISSÃO
Anniversary foi apresentada no último SECUNDÁRIA CORREIA TRAPEZOIDAL CAIXA
Salão da EICMA em Milão e montava DE VEL. AUT. COM EMBRAIAGEM EM BANHO DE
suspensões Ohlins à frente e atrás o que ÓLEO SUSPENSÃO DIANTEIRA FORQUILHA
pode trazer ainda mais benefícios ao TELESCÓPICA INVERTIDA SUSPENSÃO
modelo e à marca na hora de se defrontar TRASEIRA BRAÇO OSCILANTE E AMORTECEDOR
com as suas rivais na disputa da liderança HORIZONTAL REGULÁVEL TRAVÃO DIANTEIRO
no segmento de topo das scooters. DUPLO DISCO 270 M / ABS BOSCH 9.1 PINÇAS
BREMBO TRAVÃO TRASEIRO DISCO 260
MM / ABS BOSCH 9.1 PINÇA BREMBO PNEU
DIANTEIRO 120/70-R15” PNEU TRASEIRO
160/60-R15”
DIMENSÕES CxLxA (MM) 2220 X 795 X 1450
DISTÂNCIA ENTRE EIXOS (MM) 1580
ALTURA DO BANCO (MM ) 785

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VATANENENETXRACUELTVOUSISPSIOTVRAAT ARI

SÓ SE VIVE DUAS VEZES

Em França, onde vive atualmen- Ari Vatanen é um daqueles homens a quem devemos estar eternamente
te, Ari Vatanen divide os dias gratos pelo facto de terem lutado obstinadamente pelo seu sonho. A
entre os vinhedos da sua quin-
ta e os compromissos ineren- perda do pai não lhe refreou o desejo de ser mais rápido que os demais,
tes ao papel de embaixador da despertando antes uma espécie de obsessão pelo domínio do carro que se
BMW. Pelo meio, o ex-eurode- manifestou no estilo arrebatador da sua condução. Com o igualmente icónico
putado tem ainda tempo para partici-
par em eventos dedicados ao desporto Ford Escort, o finlandês conquistou admiração e empolgou milhares de
que o tornou mundialmente conhecido. espectadores, como se cada curva fosse uma tela em branco convertida em
Recentemente, a propósito de mais uma arte após a sua passagem. Durante os anos em que desafiou o cronómetro,
edição do Motorshow, onde foi cabeça Vatanen pagou bem caro essa impetuosidade, colecionando mais acidentes
de cartaz, Vatanen voltou a visitar o do que troféus mas, essa forma de guiar com o coração, ignorando os limites
nosso país fazendo a delícia dos en-
tusiastas que, nas décadas de 70 e 80, da física, como se cada metro de estrada fosse o último, garantiu-lhe um
se apaixonaram pela condução exu- lugar eterno entre as grandes lendas deste desporto…
berante do finlandês. Mal coloca um Nuno Branco
pé no recinto da Exponor, é “engolido” [email protected]
pela multidão que lhe pede um aperto
de mão, uma foto ou um autógrafo. O FOTOGRAFIA Martin Holmes, Photo Motorsport/Vasco Morgado e Arquivo Autosport
trajeto até à pista não levaria mais de
cinco minutos mas acaba por demo- mo da morte explique a forma cativante vezes mas não consigo encontrar uma quando temos um volante nas mãos,
rar meia hora a ser percorrido. Com a como Vatanen agarra a vida e contagia explicação. Na altura, a perda do meu pai nós não comandamos a nossa vida, é
mesma naturalidade com que conduz, os outros à sua volta. Não é, por isso, despertou em mim a necessidade de ter o ela que nos conduz…
o finlandês corresponde com a genuí- de estranhar que a entrevista que nos domínio do carro, como quem domestica Como te apaixonaste pelos ralis?
na satisfação de quem preza o contac- concedeu tenha resultado numa con- um animal. Precisava disso. Quatro anos Quando começas a andar depressa e
to com as pessoas. Colegas, jornalistas versa, também ela, cativante… após o acidente fatal, a minha mãe tirou a achar que dominas o carro, é natu-
e fãs são tratados com o mesmo res- a carta, comprou um carro e, logo aí, com ral que queiras saber quão bom tu és e
peito, havendo sempre uma palavra Depois do trágico acidente de automó- doze anos, comecei a conduzi-lo, a andar acabas por ter o desejo de participar em
de simpatia para os que o abordam. vel que vitimou o teu pai - eras na altu- de lado, explorando os seus limites com competições. Na altura, não imaginava
Talvez o facto de ter estado tão próxi- ra uma criança com oito anos - seria de a obsessão de o dominar. Todas as esco- que essa pudesse vir a ser a minha pro-
esperar que a tua vida não tivesse qual- lhas que fiz na vida, quer nos ralis, quer, fissão. A cidade onde nasci e cres-
quer relação com o desporto motorizado. mais tarde, na política, foram norteadas ci, Tuupovaara, fica na fronteira
Na verdade, aconteceu precisamente o pelo prazer, pela paixão e esse desejo de com a Rússia, longe do centro da
contrário. Como explicas essa escolha? controlar o carro terá sido determinante Finlândia e pouca coisa aconte-
Não creio que tenha sido uma decisão. para vir a ter uma carreira ligada aos ralis cia até que a organização in-
Aconteceu naturalmente. Ao longo da mas, repito, isso aconteceu naturalmen- ternacional Lions Clubs criou
vida, tenho pensado nisso inúmeras te porque, ao contrário do que acontece lá um centro. Uma das coi-



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A primeira participação no
Rali de Portugal teve lugar
em 1977. Vatanen desistiu
quando ocupava a liderança

sas construídas para a diversão da co- é que a frustração é ultrapassada pelo casa depois de andar de porta em por- após uma aparatosa saída de estrada,
munidade local foi uma pista num lago desejo obstinado de continuar a lutar por ta a vender livros, recebo uma carta de muito parecida com o acidente que sofri
gelado destinada a corridas de automó- aquilo que te apaixonava? um homem do País de Gales chamado na Argentina em 85. Apesar disso, Turner
veis. Eu ainda não tinha carta e conseguia Confesso que me fui um pouco abaixo John Thomas, que me dizia: “sou mecâ- não perdeu a confiança em mim e con-
convencer a minha mãe a levar-me até à mas tinha que ganhar dinheiro e come- nico numa oficina, já escrevi uma carta tratou-me para ir viver para Inglaterra e
pista e a deixar-me conduzir o seu carro cei a vender livros porta a porta. Na altu- ao jornal “Motoring News” a falar de ti e disputar o campeonato britânico de 76,
durante horas a fio na pista gelada. Como ra, não pensava muito na possibilidade de arranjei um apoio de 2500 Libras. Peço- que acabei por vencer.
ela tinha medo de andar comigo, ficava lá desistir do sonho porque isso seria meio te que tragas o teu Opel para participar Nessa altura, mesmo competindo com
fora, aquelas horas todas, com tempera- caminho andado para nunca o concreti- no Rali de Gales e eu serei o teu navega- uma série de talentos locais, acabas por
turas de vinte graus negativos enquanto zar. No fundo, havia uma motivação, uma dor”. Coloquei o meu Ascona num barco te tornar o ídolo dos espectadores britâni-
eu conduzia. Lembro-me de a ver na ber- força inexplicável que mantinha vivo esse e participámos no rali. Fizemos uns tem- cos. O que tinhas de tão especial que jus-
ma a saltar, para cima e para baixo, para sonho. Sei que pode parecer filosófico, mas pos interessantes e isso atraiu a atenção tificasse a preferência do público?
aquecer o corpo! Os primeiros ralis que é um pouco como o que se passa com o da Ford, que procurava um jovem talento Bem, isso é verdade mas também devo
fiz foram absolutamente desastrosos e, besouro: se olhares para a configuração para substituir o Timo Mäkinen. Meses dizer que, no início, não escapei a alguma
quando vi quão rápido os outros concor- das asas e o peso de um besouro, che- depois, a Ford entrega-me um Escort de revolta por parte da opinião pública pelo
rentes andavam, só me apeteceu chorar. gas à conclusão que é tecnicamente im- fábrica para participar no Rali dos 1000 facto de a Ford ter contratado, uma vez
Até que, certo dia, em 1974, participei num possível ele conseguir voar. No entanto, Lagos e, a determinada altura, liderava mais, um piloto finlandês em vez de uma
rali na Finlândia e bati o Hannu Mikkola o besouro, felizmente, não sabe disso e a o rali à frente de nomes como Mäkinen, jovem esperança britânica. Mas, rapida-
por sete segundos. Acredito que tenha ga- verdade é que consegue voar. O que me Alén, Mikkola ou Blomqvist. É inacredi- mente, as pessoas começaram a gostar
nhado porque conhecia melhor os troços aconteceu naquela fase tem uma expli- tável como, poucos meses antes, estava do meu estilo de conduzir, do facto de eu
do que ele mas a verdade é que ganhara cação semelhante (risos). Provavelmente, a vender livros e, naquele momento, con- andar sempre a fundo, mesmo que isso
sete segundos ao grande Hannu Mikkola. naquele momento, tudo levaria a crer seguia mostrar ao mundo o meu talento. resultasse em acidente, o que veio a acon-
Nessa altura, achava que os convites iam que não viria a ser piloto de ralis mas não Parecia um filme… tecer algumas vezes! As pessoas não gos-
aparecer mas tal não aconteceu e come- pensei desse modo, antes pelo contrário, Como surgiu o convite da Ford para te jun- tam de estilos conservadores, preferem o
cei a desesperar, pensando que estava mantive vivo o meu sonho... tares à equipa oficial, em 1976? espetáculo e eu oferecia-lhes isso. Foram
a gastar o dinheiro da família em vão… Qual foi o ponto de viragem que te permitiu O chefe da equipa, Stuart Turner, colocou anos de muita aprendizagem.
Nessa altura, vês-te obrigado a adiar o levantar voo enquanto piloto profissional? um Escort de fábrica à minha disposição O Ford Escort é um ícone dos ralis. Com
sonho e a procurar outro emprego. Como Um dia, em 1975, quando regressava a para fazer o RAC de 75, vindo a desistir este carro, obtiveste algumas das mais

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37

Na Costa do Marfim, em 1981. O Escort já tinha adquirido um “formato” especial...
Apesar da desistência no Rali
de Portugal de 81, Vatanen
viria a sagrar-se campeão do
mundo no final do ano

O jovem Vatanen brilhou
no “Vinho do Porto de 77”
até desistir após a tomada
de tempos no troço da Lapa

importantes vitórias da tua carreira mas terás sacrificado alguns bons resultados Quando cheguei às oficinas da Ford, em na conquista do título de campeão de
foi também com ele que protagonizaste por causa disso. Em algum momento Boreham, para participar no Rali RAC de mundo?
alguns dos mais aparatosos acidentes. pensaste em adotar um estilo de con- 75, deparei-me com três Escort prontos. O David foi sem dúvida importante. É um
Como era tua relação com o emblemá- dução diferente? Um tinha o nome do Timo Mäkinen o verdadeiro homem de negócios, que sem-
tico Escort? Não. Não sei se outros pilotos conseguirão outro tinha o do Roger Clark e o terceiro pre procurou conciliar a sua formação
Foi um carro crucial na minha vida. Por adaptar ou mudar o seu estilo de condu- tinha o meu nome. É impossível descre- de contabilista com o gosto pelos ralis.
exemplo, se em vez do Escort eu tivesse ção mas, no meu caso, isso era impossível ver o que senti naquele dia. É como se Conheci-o em 1975, na Jamaica, onde,
tido oportunidade de conduzir um Fiat 131 porque, tal como a caligrafia, a forma de fizesses teatro amador por pura paixão, curiosamente, disputei o meu primei-
Abarth, muito menos “solto”, nunca teria conduzir é uma extensão da nossa per- algures em Arganil e, de repente, fosses ro rali fora da Finlândia. Alinhei com um
chegado onde cheguei porque simples- sonalidade e é dificilmente alterável. Sei chamado para ir a Hollywood… Datsun 120Y quase de série e, da lista de
mente não se adaptava ao meu estilo de que poderia ter tido menos acidentes mas, Qual o papel e a importância que o teu inscritos, faziam parte o Timo Mäkinen e
condução. O Escort, com o seu fantástico provavelmente, não teria sido eu mesmo navegador de então, David Richards, teve o Andy Dawson, cujo navegador era pre-
motor BDA, era como um par de luvas nas e, aquilo que sou hoje, é o resultado das
minhas mãos. Encaixava perfeitamente vitórias que consegui mas também dos
na minha forma e guiar. O motor era sofis- muitos erros que cometi…
ticado mas toda a restante mecânica era Um ano após a tua primeira vitória no
de uma enorme simplicidade. As molas, WRC, sagras-te campeão do mundo de
por exemplo, eram como as dos camiões! ralis. O que significou este título para um
Essa simbiose entre carro e piloto é mui- piloto que, ao volante, tinha a fama de ex-
to importante e crucial para que tenhas ceder os limites?
prazer a conduzi-lo. Não é por isso de es- Naquele tempo, era possível a um piloto
tranhar que, nas imagens da época, apa- que excedia várias vezes os limites ser
reça a conduzir o Escort completamente campeão do mundo! Hoje em dia, difi-
atravessado e com um sorriso estampado cilmente isso aconteceria. Quando con-
no meu rosto. O sorriso de quem sente: eu quistei o título, tudo me parecia irreal. Não
sou o chefe, sou eu quem manda! muito tempo antes, andava às voltas num
Como tu próprio referiste, a impetuosi- lago gelado na longínqua Tuupovaara. Daí
dade resultava por vezes em acidente e até ser campeão foi tudo muito rápido.

38

cisamente o David Richards. Lembro-me a vantagem que tinha para o Mikkola,
perfeitamente de me apresentar ao David que vinha em segundo. O carro come-
no bar do hotel, com o meu péssimo inglês çou a acusar problemas no eixo traseiro
da altura e de ouvir da sua boca: “o meu mas, para o Hannu não nos apanhar, ti-
nome é David Richards e sou navegador vemos que andar a fundo, sentido as ro-
profissional!”. Pensei «como é possível? das do Ascona cada vez mais irregulares!
Eu não consigo ser piloto profissional e Conseguimos chegar ao final e vencer, o
ele é navegador profissional!» O David que foi para nós uma sensação fantástica.
sempre foi um exemplo de profissiona- O Safari era uma prova mítica e foi preci-
lismo e, juntamente com o David Sutton, samente quando o disputei pela primeira
conseguiu colocar de pé o projeto priva- vez, em 1977, que nasceu uma enorme
do que nos permitiu disputar e vencer o paixão pelo continente africano...
campeonato do mundo em 1981. Como surgiu aoportunidadede irespara
Durante a temporada de 1982, andaste a equipa Peugeot?
afastado dos holofotes, o que não dei- Parece uma anedota mas a história que
xa de ser estranho para um campeão te vou contar aconteceu mesmo. Tudo
em título… começou precisamente no Safari de 83.
É típico do meu percurso. Quando é su- Jean Todt, o líder do projeto, foi ver o rali
posto continuar a evoluir, eis que surge e fez questão de assistir à partida de uma
qualquer coisa que me obriga a descer a das secções. Eu sabia que ele andava a
montanha. Após ser campeão do mundo recrutar pilotos e, quando o vi à partida,
seria de esperar fechar um grande con- disse ao meu navegador Terry Harryman:
trato com uma equipa de topo mas tal não “ao contrário do que é costume, vou fazer
aconteceu e acabei a disputar apenas al- o arranque mais suave de sempre, para
guns ralis como privado. Em Janeiro des- que as rodas não patinem (risos)”. O Jean
se ano, não tinha quaisquer planos para conhecia-me bem. Ele e o Guy Fréquelin
a época e decidi pegar na lista telefóni- haviam sido os nossos principais adver-
ca de Helsínquia e ligar para as maiores sários quando ganhei o campeonato do
empresas ligadas aos automóveis a pedir mundo em 81 e tinha uma lista de qua-
um patrocínio para participar no Rali da
Suécia! Consegui o dinheiro, aluguei um No Monte Carlo de 1985,
carro ao Kyösti Hämäläinen para fazer os Vatanen assinou aquela que
reconhecimentos, tive uma saída de es- é por si considerada a melhor
trada e ainda tive que arranjar dinheiro performance da sua carreira
para lhe pagar o carro. Felizmente, o rali
correu melhor e terminei em segundo…
Em 1983 estás de volta a uma equipa ofi-
cial, a Opel, com a qual conseguiste uma
vitória no Rali Safari. Os pilotos da tua ge-
ração têm especial afeto por esta prova
africana. Partilhas desse sentimento?
É uma prova inesquecível e, naquela altu-
ra, tinha uma enorme projeção. O Safari
tinha um carácter completamente di-
ferente. Na última etapa, o rali partia de
Kakamega, à noite, terminando no dia
seguinte, em Nairobi. Quando parti para
a derradeira tirada, estava em sétimo ou
oitavo e, durante a noite, todos os carros
que iam à minha frente desapareceram
da classificação sem eu saber. De ma-
nhã, disseram-me que liderava a prova
mas não souberam informar-me qual

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39

tro pretendidos onde estavam o Alén, adaptação, o Peugeot era um carro fácil do no dia seguinte. Senti nesse momento perfeitamente normal e pedi-lhe para, até
o Röhrl, o Toivonen e eu. Pouco depois de guiar e isso permitiu-me conduzi-lo que tinha estado bem perto da morte… ao final do rali, ler as notas melhor do que
desse Safari, jantei com o Jean em Paris de forma natural. Tal como fazia com o No final desse ano, obténs 3 vitórias con- alguma vez havia feito porque iríamos
e acabei por ser o contratado. Escort, colocava facilmente o 205 na en- secutivas na Finlândia, no Sanremo e no tentar. Liguei à minha mulher Rita, que
Como correu a tua adaptação à equipa trada da curva sem mexer muito no vo- RAC. Como explicas este sucesso tão estava em Inglaterra, onde vivíamos, e
francesa? lante, com a vantagem de sair da curva de imediato? pedi-lhe para apanhar o primeiro avião
No início, como seria de esperar de um forma ainda mais eficiente graças à tra- O carro era muito bom, fiável e eu sentia- para Nice e vir ter comigo. E depois, ar-
projeto novo, houve problemas de fia- ção total. Ficava verdadeiramente estu- -me muito bem a conduzi-lo. Inspirava- risquei, apostando na diferença, fazendo
bilidade, nomeadamente na suspensão pefacto com o comportamento do carro. me confiança e isso refletia-se nos tem- escolhas menos óbvias de pneus, diferen-
mas a equipa conseguiu resolvê-los ra- A estreia do Peugeot 205 T16 na Volta à pos que fazia. tes das que o Walter Röhrl fazia e ataquei
pidamente. Quando assinei, alguns ami- Córsega de 1984 teve, para ti, tanto de pro- O animador final da temporada abriu-te como nunca. Foi, sem dúvida, a melhor
gos diziam-me: “eles são franceses, só metedor como de assustador… as portas para iniciares a época de 1985 performance da minha vida desportiva…
vão usar peças francesas, os pneus, a Liderava o rali com cinco minutos de avan- com o estatuto de principal candidato Quando tudo corria de feição, uma se-
suspensão, a caixa de velocidades, será ço quando tive uma saída de estrada que ao título. A vitória em Monte Carlo e na quência de ralis sem sorte começaria em
tudo francês e ainda por cima num car- podia ter-me custado a vida. Chovia co- Suécia confirmaram isso mesmo. Con- Portugal e culminaria com o terrível aci-
ro com motor atrás, não sei se tomaste a piosamente e, numa classificativa perto de tudo, a prova monegasca foi tudo menos dente na Argentina. Tens alguma memó-
melhor decisão!” Mas, quando falei com Calvi, o carro capotou e rebolou por uma fácil. Depois de sofreres uma penalização ria desse dia que viria a mudar a tua vida?
o Jean Todt em Paris percebi claramente ribanceira. Quando parámos, perguntei de 8 minutos quando lideravas conforta- Recordo-me da partida para o troço e,
que a Peugeot ia entrar para ganhar e o ao Terry se estava bem e saímos do car- velmente o rali, onde foste buscar energia depois disso, só me lembro de estar a ser
ambiente na equipa era fantástico. ro. Instantes depois, o Peugeot começou para recuperar o primeiro lugar? transportado de helicóptero do pequeno
A mudança para um carro de tração to- a arder, sendo completamente consumi- Quando um episódio como esse acontece, hospital que me recebeu até ao hospital
tal representou alguma mudança na tua do pelas chamas. Curiosamente, reparei o que podes fazer? Nada. Está feito. Apesar de Córdoba. Estive à beira da morte como,
forma de conduzir? depois que tinha apenas a balaclava. O de, à partida, parecer impossível recupe- aliás, havia estado noutras ocasiões e sin-
Não. Ao contrário do Audi que, pelo fac- capacete integral havia saído da cabeça rar o tempo perdido, valia a pena tentar. to que é um grande milagre estar aqui a
to de ser subvirador, obrigava a alguma durante as cambalhotas e só foi encontra- Disse ao Terry para esquecer aquele erro falar contigo.

40

Celebrando
na Suécia, em 85,
com o tradicional
copo de leite

Qual é coisa mais difícil de ultrapassar de acontecimentos marcou a história do nuas ligado à Peugeot mas o cenário de era apenas a vitória num rali. Era a vitó-
quando um atleta de alta competição é Mundial de Ralis. O acidente em Sintra, a competição mudaria para as areias do ria da vida. Questionei-me muitas vezes
forçado a um longo período de recupera- tragédia na Córsega. Qual a tua opinião deserto. O que sentiste quando te sen- se aquilo estaria realmente a aconte-
ção e não sabe se voltará a correr? sobre a abolição do Grupo B? taste, pela primeira vez, num carro de cer depois de tudo o que havia passado.
(Silêncio) Dependerá de cada pessoa e da É uma boa questão. A minha resposta ralis após o acidente? Apoderou-se de mim uma sensação de
sua personalidade porque o aspeto psico- pode ter aspetos contraditórios. Por um Lembro-me de estar bastante nervoso na gratidão. Depois do que passara, encarei
lógico é o mais importante. Fisicamente, lado, é inegável que os carros se estavam partida do Paris-Dakar de 87 e de, logo no aquilo como uma dádiva da vida. Se hou-
estive muito debilitado e quando, final- a tornar demasiado perigosos e, nesse prólogo em Paris, a suspensão dianteira ve lição que tirei daquele acidente é que
mente, o meu corpo começou a recupe- aspeto, Jean-Marie Balestre tomou a de- direita do Peugeot partir. Os espectado- tudo na vida é uma dádiva e temos que
rar, a mente evoluiu no sentido contrá- cisão certa. Lembro-me de ouvir em di- res tentavam equilibrar o carro para po- estar gratos por isso. Não escolhemos a
rio e desintegrou-se completamente. A reto na televisão, uma hora antes do seu dermos avançar mas, com a suspensão família, não escolhemos o tom da pele,
mente do ser humano não funciona como acidente, Henri Toivonen dizer,em Corte, partida, o carro só virava para a esquerda não escolhemos onde nascemos. Podia
a matemática, não é uma ciência exata e, a uma cadeia finlandesa: “Estes carros pelo que tinha que fazer as curvas para ter nascido em Tombuctu, no Mali, um
a certa altura, olhando para a magreza do são mais rápidos do que o meu cérebro!” a direita em marcha atrás. Chegámos ao dos locais mais pobres do planeta mas
meu corpo, convenci-me de que tinha Obviamente, não sabemos a causa do fim do prólogo no último lugar e não queria nasci em Tuupovaara e tenho que estar
contraído SIDA nas várias transfusões a acidente mas a verdade é que os carros acreditar no que me estava a acontecer. agradecido por esse facto. Encaro a vida
que fui sujeito. Tal não era verdade e to- estavam a ficar demasiado rápidos e os A Rita, que viera de propósito para ver a como uma dádiva e isso ajuda-me.
dos os testes o provavam mas eu estava aspetos relacionados com a seguran- partida, estava no meio do público, igual- Mesmo partilhando o cockpit com o na-
de tal maneira psicótico que perguntava ça dos pilotos não acompanhavam essa mente incrédula e receosa que aquele epi- vegador e tendo toda uma equipa por trás,
aos médicos porque me escondiam a ver- evolução. O seu pai, Pauli, nunca recupe- sódio pudesse afetar novamente o meu achas que os pilotos de ralis se sentem,
dade! Vivi nove meses num mundo irreal rou do desgosto de perder o filho porque estado emocional. Quando cheguei ao de alguma forma, solitários quando che-
e isso foi terrível para a minha mulher tinha sido precisamente ele a convencer pé do Jean Todt, disse-lhe: “Jean, não sei ga o momento de enfrentar o relógio e a
Rita e para a minha família. Até que, um o Henri a deixar as corridas de Fórmula V o que aconteceu mas juro que, desta vez, pressão de ter que ser mais rápido que
dia, mais de um ano depois do acidente, por serem demasiado perigosas e a mu- a culpa não foi minha”. Veio a concluir-se os outros?
o irmão da Rita, que pilotava helicópte- dar-se para os ralis… Estou convencido depois que havia um defeito nos pontos Concordo. Apesar de teres um co-piloto e
ros, convenceu-me a ir com ele ver um que alguma coisa tinha que ser feita em de soldagem da suspensão. Após esse uma equipa a suportar-te, acabas por lu-
troço durante o Rali dos 1000 lagos de 86. nome da segurança. Mas, por outro lado, percalço inicial, veio África, onde nem
Eu disse-lhe que não queria ver ninguém temos que ter em conta que as marcas tudo eram estradas abertas, havia ca-
e ele levou-me para um sítio isolado, no fizeram, nesta época, enormes investi- minhos de pedras, troços sinuosos com
meio de nenhures. Não sei explicar como mentos para estabelecer novas frontei- todo o tipo de características. Como par-
nem porquê mas, quando estamos a ater- ras de desenvolvimento tecnológicos e ti em último, tive que me desviar muitas
rar, a cerca de dois metros do solo, sen- se essas fasquias não fossem desafiadas, vezes da estrada para ultrapassar os ou-
ti-me acordar dessa terrível psicose que não seriam descobertas novas soluções. tros concorrentes e ia tão depressa que
dominava a minha mente e redescobri o Isto aplica-se não apenas aos ralis mas a não sei como cheguei ao fim são e salvo.
prazer de viver. Se, até aí, perguntava à todos os aspetos das nossas vidas. Temos Posso dizer que foi assim que comecei a
Rita, sempre que ela ia abastecer o car- que procurar sempre ir mais além e, nesse viver a minha segunda vida…
ro, porque não punha apenas dez litros tempo, os limites foram verdadeiramente Que significado teve para ti o momento
uma vez que não sabíamos se iríamos desafiados, sendo essa a razão pela qual as em que te sentaste no tejadilho do Peu-
sobreviver muito mais tempo, nesse dia pessoas recordam a era do Grupo B com geot, na praia da Dakar, erguendo o ha-
liguei-lhe e disse: “Rita, vamos comprar nostalgia e, quando me encontram, falam bitual copo de leite para celebrar a vitória
um mercedes!” invariavelmente desses anos… na prova africana?
Durante a tua recuperação, uma série Já completamente recuperado, conti- Senti que aquilo que estava a viver não

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41

tar contra os teus próprios limites. Tu que- Este é o estado hoje brincam comigo a esse propósito… poder instalado e eu surgia à cabeça do
res ganhar e, no instante em que decides em que ficou Durante os dez anos em que foste depu- movimento dessas associações. Decidi
virar o volante, estás sozinho contra ti. O o Peugeot 205 T16 tado europeu, quais os projetos e causas falar com o Jean Todt, que ainda estava na
papel de um navegador é mais tangível, após o terrível de que mais te orgulhas de ter abraçado? Ferrari, e sugeri que ele se candidatasse
é suposto ser perfeito, por isso tu sabes acidente que quase É difícil dizer que fazemos isto ou aquilo à presidência da FIA. Ele nunca mostrou
que se sais da estrada ou se não és o mais lhe roubou a vida porque somos parte de um grupo. Quando interesse e eu acabei por me candidatar.
rápido, a pressão cai sobre ti e acabas por na Argentina parei de correr, podia ter-me dedicado em Acontece que o Jean deixou a Ferrari e
lidar sozinho com essa pressão. exclusivo à minha quinta em França ou acabou por se candidatar também. Na
O teu palmarés conta com uma vitória Após uma longa recuperação, podia optar por um cargo de chefia numa altura eu já não podia voltar atrás e aca-
no Rali Vinho da Madeira mas as partici- Vatanen virou-se para as areias equipa de ralis. No entanto, sentia que ti- bámos a concorrer para o mesmo lugar.
pações no Rali de Portugal pautaram-se nha que elevar a fasquia para uma cau- Eu nunca encarei a campanha como uma
por pouca sorte. Que memórias guardas do deserto conquistando sa maior. Nunca estive num parlamento luta contra Todt mas sim como um per-
de Portugal? quatro vitórias no Dakar nacionalmas o ParlamentoEuropeue as curso para ocupar o lugar deixado vago
Muitos acidentes (risos). Foi preciso es- suas causas atraíam-me. No século XX, por Max Mosley na presidência da FIA, em
perar pela minha última participação no meu afeto por este país nasceu em 1977, no espaço de vinte anos vivemos duas nome da democracia. Durante a campa-
Rali de Portugal, em 1998, para terminar quando vim, pela primeira vez, ao Rali de guerras mundiais. No meu quarto havia nha, travámos algumas batalhas duras e,
uma edição da prova. No todo terreno, Portugal e desisti por despiste já depois uma foto do meu pai com o fato de avia- na altura, a nossa relação ficou um pou-
nomeadamente na Baja 1000 ainda co- da tomada de tempos no troço da Lapa, dor. Quando Estaline atacou a Finlândia co abalada mas, mais tarde, almoçámos
nheci o sabor do triunfo mas, depois, no quando liderava. Em 1981, também desisti juntos, esclarecemos as nossas posições,
Dakar, durante as etapas corridas em solo quando liderava e fiquei tão frustrado que na Segunda Guerra, ele tudo foi ultrapassado e penso que o Jean
português, estava a fazer tempos iguais me senti o tipo mais estúpido do mundo. era piloto de bombar- Todt está a fazer um bom trabalho à fren-
aos do Carlos Sainz até passar numa ri- Quando cheguei a Cascais e me dirigi para deiros e foi um milagre te da federação.
beira e ter que receber ajuda de um es- o quarto do hotel, encontrei uma mensa- o Exército Vermelho És atualmente o presidente da federação
pectador português. Nunca tive muita gem da Rita no lado de fora da porta di- nunca ter entrado em estónia de automobilismo. Como surgiu
sorte mas não posso reclamar de nada, zendo: “Ari, amo-te, juntos somos mais Tuupovaara para ocu- esta oportunidade?
a não ser da minha impetuosidade. O fortes!” Apesar de tudo, gosto do país, do par o meu país. Isso O convite prova quão aberta é a mente
seu passado, da sua influência no mundo, despertou em mim dos estónios (risos)! A escolha recaiu em
gosto das pessoas e sinto que os portu- a necessidade de me mim porque na Estónia não havia bons
gueses sempre gostaram de mim. Gosto envolver em causas contactos junto da FIA e eu tinha essa
do contacto com as pessoas e é fácil ter que promovessem rede de contatos. Como estava disponí-
esse contacto em Portugal. a paz na Europa e no vel, convidaram-me! Simples como isto.
Em França, onde vives há alguns anos, mundo. Quando che- Atualmente, o teu filho Max luta por um
tens dedicado parte da tua vida à pro- guei ao Parlamento lugar ao sol no panorama internacional
dução vinícola. Depois de tantos anos a Europeu, as pessoas dos ralis. É possível a um pai olhar com
celebrar as vitórias com leite, descobriste perguntavam porque objetividade para a carreira do seu filho
finalmente os encantos do vinho? não abraçava temas e ser racional quando avalia a sua evolu-
Bem, eu sempre gostei de vinho tinto relacionados com o ção num desporto que tão bem conhece?
mas, na altura, tinha um bom contrato desporto mas, na ver- Não, de todo. Olho com a maior simpatia
com um fabricante de leite e essa passou dade, não eram esses para aquilo que o meu filho tem feito para
a ser a minha imagem de marca. Ainda os que me interessa- conseguir singrar neste desporto. Sei o
vam. Questões rela- quão difícil é e tento ser realista e objetivo
cionadas com a demo- mas, quando vejo os olhos de um jovem
cracia, com os direitos cujo pai foi campeão do mundo e que de-
humanos ou projetos seja, acima de tudo, ter o mesmo sucesso
específicos relaciona- sem que as oportunidade surjam, é mui-
dos coma vacinação emÁfrica puderam to difícil. A única coisa que posso fazer é
contar com a minha total dedicação. Tentei dar-lhe o consolo que às vezes precisa,
dar o meu modesto contributo para valo- dizer-lhe o que ele significa para mim e
res universais porque não há países per- o quanto estou orgulhoso dele indepen-
feitos mas é possível lutar por um mun- dentemente do que que atingir enquanto
do melhor. piloto. Hoje édez milvezesmaisdifícil ter
Foi com esse espírito de missão que, em essa oportunidade do que no meu tempo.
2009, te candidataste à presidência da Hoje não há uma carta a chegar do País
FIA? de Gales?
Sim, definitivamente. Quando decidi can- Isso mesmo, hoje em dia, não há uma carta
didatar-me, a FIA atravessava um período como aquela que mudou a minha vida…
de enorme instabilidade na sequência do Quando olhas para a vida que dedicaste
escândalo sexual onde Max Mosley es- aos automóveis e fazes um balanço do
tava envolvido. Na altura, eu fazia par- teu percurso, mudarias alguma coisa?
te da FIA Foundation e comecei a rece- Como disse antes, é a vida que nos con-
ber encorajamentos para me candidatar, duz e não o contrário. Nós temos que co-
não por ser melhor do que os outros mas meter erros já que estes fazem parte da
porque podia devolver à FIA os princípios vida e é impossível evitá-los. Fazemos o
normais da governação, já que a FIA de- possível para que eles não ocorram mas
via funcionar como qualquer entidade. a vida é uma espécie de livro que se vai
Sei que era um pouco idealista mas o abrindo à medida que a vamos vivendo.
processo de democratização da FIA era É verdade que, em alguns momentos da
algo que me movia. As associações de minha carreira, podia ter travado dez me-
mobilidade apoiavam a minha iniciativa tros antes mas, se o fizesse, não estaria a
porque, ao contrário dos clubes despor- ser o Ari Vatanen…
tivos, estavam menos dependentes do

+42 José Manuel Costa experimentei, trabalha muito mais para o
[email protected] ritmo exigido, especialmente se a estrada
SUZUKI empinar ou for demasiado sinuosa.
Oatual modelo está no mercado Em Portugal, o Vitara será vendido com e
» VITARA 1.0 E 1.4 BOOSTERJET desde 2015 (o original nasceu sem tração integral, mas parece-me que
em 1988) e apesar das altera- a versão com tração AllGrip será a mais
EXCELENTE OPÇÃO ENTRE OS SUV ções ligeiras a que foi subme- interessante. E fique tranquilo que o carro
tido, continua a ser um SUV é, sempre, Classe 1 nas portagens.
O nome Vitara é sobejamente conhecido, e mesmo que simpático, com um excelente
numa forma mais adaptada aos tempos que vivemos é o pisar na estrada, elegante o suficiente para TRAÇÃO INTEGRAL
modelo mais emblemático da Suzuki no mercado nacional. se afastar totalmente de alguns “desas-
Depois da boa surpresa chamada Jimny, eis que a casa tres” de estilo que polvilham a história da É MAIS VALIA NO SEGMENTO
japonesa nos oferece mais um bom momento com este Suzuki, e oferece reais capacidades fora
Vitara, pouco renovado, é verdade, mas com alterações de estrada - algo que a maioria dos SUV Dizia, então, que o Vitara AllGrip me parece
suficientes para redobrado interesse deste segmento nem sequer sabe o que é. o carro mais interessante, pois o siste-
A gama do Vitara abandona os motores ma de tração integral da Suzuki é do tipo
a gasóleo e voltamos ao passado com automático, antecipando as situações
oferta de blocos a gasolina. Desta feita em que se requer tração total. Mas para
com muito mais qualidade e capacidade que não fique entregue apenas à eletró-
que permitem quase esquecer o motor nica, o sistema oferece quatro modos
diesel. Temos assim o propulsor de 1.0 de condução, a saber, Auto, Sport, Snow
litros Boosterjet, já conhecido da gama (neve) e Lock (bloqueio). O primeiro faz,
Suzuki e, depois, o 1.4 Boosterjet que se automaticamente, do Vitara um carro de
estreou no Suzuki Swift Sport. tração dianteira e sempre que há uma
Este é um motor moderno e eficiente que roda a mexer-se mais do que deve, liga as
oferece muito mais do que se poderia quatro rodas. O segundo modo transforma
esperar de um motor 1.4 litros. É um blo- o Vitara num jipe 4x4 permanente para
co com resposta pronta e eficaz, sobe máxima tração. O modo “Snow” é para
facilmente de rotação, mas sempre com andar em superfícies com pouca ade-
suavidade e não aos supetões, e se for rência e o derradeiro modo liga as quatro
preciso puxar, verdadeiramente, por ele, rodas motrizes e tenta ajudar-nos a sair
há potência e binário bem distribuídos dos problemas em que nos metemos.
pela gama de rotações disponível.
Confesso que fiquei impressionado com
os valores de consumo do Vitara 1.4
Boosterjet. A Suzuki reclama 6,3 l/100 km
em ciclo combinado. Ora, cumpri quase
uma centena de quilómetros compostos
por estradas nacionais e autoestrada e, no
final, o computador de bordo dizia-me que
tinha gastado 6,7 l/100 km. Muito bom!
Consegui experimentar as duas versões,
com o motor 1.0 litros e, claro, o 1.4 litros.
Confesso que gostei dos dois ficando o
Vitara equilibrado com ambas as propos-
tas. É verdade que o bloco de 1.0 litros perde
o fôlego mais depressa e deixa claro que
debaixo do capô está um motor pequeni-
no. E também é verdade que o consumo
do 1.0 litros é mais elevado que o do 1.4
litros, apenas porque a caixa de veloci-
dades, automática nos dois carros que

43

Claro que o Vitara conta com a ajuda em
descida em declive (HDC), anti bloqueio
dos travões, controlo de estabilidade e
controlo e tração, assistência à travagem,
enfim, tudo aquilo que hoje é oferecido
num veículo moderno. E tudo funciona
harmoniosamente para lá daquilo que é
habitual num SUV com perfeita capaci-
dade para andar fora de estrada.

ESTILO AGRADÁVEL, comportamentohonestoedequalidadeao também poderia ser melhor, mas como os pneus, pois são pensados para andar
Vitara, autorizando, até, alguma diversão não há carros perfeitos... em estrada e não fora dela. Acredito que
INTERIOR MELHORADO em estrada de montanha com um ritmo Andar fora de estrada também não coloca com umas borrachas mais radicais e de-
Com novas jantes e uma frente que ago- que chega para envergonhar alguns mo- problemas pois o sistema AllGrip é eficaz senhadas para andar fora de estrada o
ra é igual ao do anterior Vitara S, o novo delos de segmentos diferentes. Circula em na maioria das situações e o Vitara tem a Vitara iria mais longe.
Vitara está ainda mais apelativo. Os vidros estrada aberta ou em autoestrada com justa altura ao solo para escapar a pedras
fumados e os farolins traseiros em LED tranquilidade e com um refinamento que e buracos sem danificar o fundo ao carro, EXCELENTE OPÇÃO
são as novidades do exterior que acaba é excelente. A direção poderia ser uma mas sem parecer que, parado, está com
por ser um típico produto japonês – mas nadinha mais pesada e a insonorização botas cardadas. O limite acabam por ser ENTRE OS SUV
fabricado na Europa, na Hungria – mas
com mais classe que outras realizações O Vitara é um excelente automóvel. Pena
da Suzuki. chamar-se Suzuki pois vai repelir alguns
Há muito equipamento oferecido de série que acreditam que os produtos da mar-
distribuído por três níveis, a saber, GL, ca japonesa não são bons. Não podem
GLE e GLX, num habitáculo acolhedor e estar mais errados! O Vitara é um SUV
com uma qualidade bem melhor que no com qualidade suficiente – não, não é
passado. A bagageira não é referencial, um Premium e por isso há mordomias e
mas a verdade é que este Vitara é are- detalhes que não existem no Vitara – um
jado, tem espaço interior suficiente para refinamento excelente, comportamento
pedir meças aos rivais, a maioria deles, seguro e divertido, capaz de ir fora de es-
acanhados. trada muito mais longe que a maioria dos
rivais e um estilo que não sendo ganhador
COMPORTAMENTO de prémios de beleza, é agradável e, so-
bretudo, equilibrado. É, também, um carro
SEGURO E DIVERTIDO versátil e prático. E se lhe disser que este
O chassis, as suspensões e tudo o resto Vitara 1.4 Boosterjet com caixa manual,
rimam na perfeição para oferecer um tração integral AllGrip e, ainda, o topo de
equipamento onde não falta nada, custa
menos de 30 mil euros?! Pois é, se comprar
um Vitara a Suzuki oferece 1300 euros de
campanha e se optar pelo financiamento
Suzuki, são mais 1.400 euros. Ou seja, pode
comprar um Suzuki VItara 1.4 Boosterjet
GLX All Grip por 28.030 euros! Não é um
excelente negócio?!

+44

CPR José Manuel Costa dizer ao cego se quer ver! Ainda por cima,
[email protected] voltava a uma prova onde vi serem vários
LHEVYEIUUNMDAI pilotos sagrarem-se campeões. Pilotos
KAUAI Jápassarammaisde40anose,sim, como o Adruzilo Lopes, Pedro Matos
fiz corridas, mas apenas pontual- Chaves, enfim, histórias acumuladas
ÀS CORRIDAS mente, exceções a confirmarem durante anos e anos de profissão. Como
NO ALGARVE... uma regra. Por isso mesmo estava disse, há algum tempo que não visitava
E GOSTEI! um pouco afastado das corridas a caravana dos ralis nacionais onde per-
nacionais e apenas envolvido com manecem pessoas que muito respeito
Este não é um ensaio normal, daqueles com pontuações, aquelas que profissionalmente me obri- entre pilotos, técnicos, mecânicos, enfim,
categorias separadas, não, nada disso. Para falar a gam a estar atento, como a Fórmula 1 e a a família dos “maluquinhos das corri-
verdade, este não é um ensaio! Mas sim a história de um Nascar. Porque as corridas são uma droga das”. Por isso aceitar o convite dirigido
fim de semana de corridas na companhia de um Hyundai e tenho constantes recaídas, projetos, ao Autosport pela Hyundai Portugal, nem
Kauai e de um i20 R5 que se sagrou Campeão de Portugal vontade de fazer alguma coisa... mas deu direito a ponderação. Sim!
de Ralis. O primeiro levou-me até ao Algarve, palco para sempre esbarro na impossibilidade de Depois, caso Armindo Araújo desse o
a decisão do título, o segundo levou-me na asa dos encontrar os recursos necessários e volto título na temporada de estreia do Team
meus sonhos de miúdo quando queria ser piloto, ao vê- àressaca.Afastar-mefoi a saídapossível. Hyundai Portugal, iriamos fazer a festa.
lo desgastado e cansado no final da prova, depois de ter Mas, para mal dos meus pecados, a Opa! Corridas e festa!
voado mais alto Hyundai Portugal e os marotos do Sérgio
Ribeiro, CEO da marca, e do Paulo Ferreira, UM KAUAI... A GASOLINA?
responsável pelas relações públicas,
decidiram convidar o Autosport para Para facilitar a logística, foi-me dispo-
assistir ao Rali do Algarve para, em caso nibilizado este Hyudnai Kauai 1.6 T-GDI
de conquista, participar na festa. com tração integral. Torci o nariz a le-
Está bom de ver que para um viciado var um carro a gasolina com um motor
em corridas (então em ralis!) o convite turbo com 177 CV e caixa automática
era simplesmente irrecusável. É como para tão longe, comecei a fazer contas
de cabeça, mas pronto... lá fui! Visitei os

>> autosport.pt/automais

45

amigos do Entreposto para levantar o
carro, instalei os poucos haveres para
um fim de semana dentro da bagageira,
ajustei a posição de condução e liguei o
meu smartphone ao sistema de info en-
tretenimento do Kauai. Onde faltava um
sistema de navegação. Mas onde estava
a ligação por “streaming” que permitiu
escutar a música guardada no telefone.
Confesso que os primeiros quilómetros
me fizeram entrar em pânico quando
olhei para o computador de bordo e vi
os consumos. Ahhhhhhh!!!
Felizmente que tudo ficou mais calmo e
tranquilo e com o acumular dos quiló-
metros tudo voltou ao normal. A meio
do caminho na chata autoestrada para
o Algarve fiz uma paragem para rea-
bastecimento sólido e líquido. Não tinha
ninguém à minha espera e quando veio
a conta, BOLAS! paguei mais do que se
fosse jantar ao Solar dos Presuntos!
Aliviado de duas mãos cheias de eu-
ros – alguém tem que colocar travão a
este “roubo” autorizado nas áreas de
serviço... não estamos em Saint Tropez
– prossegui viagem até ao Algarve onde
fiquei hospedado num hotel da cadeia
Pestana. Um local muito agradável, frente
à praia – mesmo que estivesse um tempo
farrusco com alguma chuva e frio ainda
deu para sentir a areia – embora o hotel
em si esteja um bocadinho como aquele
vinho antigo que ainda está longe de ser
vinagre, mas já está a caminho de estar
passado. Mas, verdade seja dita, foram
duas noites muito bem dormidas.
Dizia então que cheguei à unidade hote-
leira e arrumados os pertences, hora de ir
ver a super especial... mas de autocarro.
Pois é, o Kauai ficou paradinho à porta
do hotel.
Hora para dizer que o SUV da Hyundai é
um carro que aceita sem problemas uma
viagem destas, mesmo que nesta versão
mais desportiva a suspensão seja um
pouco mais dura. Como disse mais acima,
os primeiros quilómetros deixaram no ar
que o consumo de combustível iria ser
dramático e que o depósito dificilmente
daria para chegar a Portimão, quanto
mais voltar.
Nada disso! Com a velocidade estabili-
zada, o motor 1.6 litros sobrealimentado
começou a beber cada vez menos e a
meio da viagem já estava em perfeita-
mente razoáveis 7,1 l/100 km. Sim, eu sei
que face a um carro a gasóleo é muito.
Mas que diabo! um 1.6 litros com 177 CV e
caixa automática não pode alimentar-se
por uma palhinha! E olhem que fora de
autoestrada o panorama é melhor, pois
cheguei aos 6,8 l/100 km. Nem vale a
pena dizer mais nada. É ótimo!

SUPER ESPECIAL

COM SABOR ALGARVIO

Sentado no autocarro a caminho de
Portimão dei por mim a pensar como os
automóveis da Hyundai estão diferentes.
Lembrei-me dos Accent – ainda cheguei

+46

a ir a Espanha para ver corridas da Copa nutos e, ala que se faz tarde, fomos para o péssimo momento vivido a meio do ano olhos fechados e, diria sem apostar, com
espanhola Accent e cheguei a experi- largo da câmara com a voz do “speaker” a com o acidente do Carlos Vieira e do Jet algum som cacofónico e rude à mistura.
mentar o carro que depois apareceu em martelar os ouvidos – e a consciência que Carvalho, no Rali Vidreiro, e fecho do Acordei, perdão, despertei da minha re-
Portugal para múltiplas competições... já misturava igual dose de voluntarismo troço, perdão, do restaurante. Ala para o flexão quando chegámos à primeira zona
– e da visita às fábricas da Hyundai... na e desconhecimento, onde os nomes dos autocarro e regresso ao hotel para uma onde poderíamos assistir à passagem
Coreia do Sul. Eram carros sem graça, pilotos estrangeiros eram mais amargos noite de repouso. dos carros. Um curto passeio e ali estáva-
com um estilo tristonho, qualidade de que limão selvagem... – à espera que Peguei no tema de meditação no cami- mos numa zona rápida com um “pif paf”.
chapa e de materiais que deixava tanto, chegassem os artistas. nho de ida para o restaurante e fiz com- Confesso que esconder o entusiasmo de
mas tanto a desejar. As mecânicas eram Um traçado curto e lento, como seria de parações entre o passado e o presente estar ali e poder ouvir o “vroooaaaaa”, o
sólidas, mas insonsas. Ficava na retina esperar, estava apinhado de gente e, de da Hyundai. Hoje a gama do construtor “broopp, bropp”, “crshiiiiiii” dos travões,
de todos o preço e o equipamento ofe- forma quase incompreensível, em zonas coreano está muito mais completa, com o “pow, pow” do ALS, enfim, tudo aquilo
recido de série. que não lembram ao diabo. Por acaso qualidade e até já faz carros de corrida que nos faz os pêlos do corpo eriçarem,
Passadas pouco mais de duas dezenas correu tudo bem e ninguém se despistou que vencem... corridas! É que naque- não foi fácil. Ainda por cima alguns dos
e meia de anos a Hyundai está radical- e tudo decorreu da melhor forma. Mas, le fim de semana, a Hyundai poderia companheiros de viagem iam pergun-
mente diferente e a gama que hoje é sinceramente, pessoas acantonadas ser Campeã do Mundo de Ralis, ven- tando isto e aquilo sobre os ralis. E foi
comercializada em Portugal é tão boa por frágeis grades contra uma parede cer o WTCR e ganhar o Campeonato na estrada que fiquei a saber que não
ou melhor que a de muitos construtores numa zona em curva onde há um mini de Portugal de Ralis. Jugo que o João iria ver passar o meu amigo algarvio, o
europeus. Acordem!!! passeio a servir de separador central Pestana passou por mim e deixou-me Ricardo Teodósio. Andando como poucos,
Estava tão embrenhado nos meus pen- e onde na segunda volta à rotunda os anestesiado e só volto a recordar-me de liderava a prova quando o motor do seu
samentos que nem dei pela chegada pilotos passavam, certamente, acima alguma coisa quando cheguei ao hotel, Skoda Fabia R5 decidiu entregar a alma
ao restaurante. Claro! Tínhamos de dos 60 km/h, houvesse um furo, uma tomei um banho e... deitei-me nos braços ao criador deixando derramado no chão
reabastecer antes da super especial e quebra ou uma aselhice e lá tínhamos de Morfeu. óleo e o título de 2018.
como alguns tinham já penalizado por as carpideiras profissionais a falar mal Claro que nas hostes da Hyundai foi a
no hotel e na ligação não ter sido possível da competição automóvel. E, DE REPENTE, O TÍTULO festa total. Não só Armindo Araújo al-
acelerar, tínhamos pouco tempo para, Espetáculo completo, hora de regressar cançava o seu quinto título nacional,
literalmente, engolir o jantar e chegar a ao repasto, pois tínhamos segunda ronda É NOSSO, PERDÃO, DELES! desempatando com Joaquim Santos e
tempo de ver passar o Hyundai i20 R5 marcada para o mesmo troço, perdão, Carlos Bica, como dava ao Team Hyundai
do Armindo Araújo. restaurante. Mas desta feita sem pres- Alvorada, banho, pequeno almoço, au- Portugal o seu primeiro título, na época
Entre duas garfadas, bebericar uma água sas... tínhamos muito tempo para a as- tocarro. Mais uma vez o meu Kauai ficou de estreia. E para completar o “rama-
e enfardar um doce, passaram trinta mi- sistência. Meia de conversa, revisitar o parado à porta do hotel, sossegadito à lhete”, José Pedro Fontes perdia muito
espera da viagem de volta. Mais um mo-
mento de reflexão. Pura e dura com os

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tempo com um furo e o Hyundai i20 R5 A partir daqui, nada mais importou, de opiparamente ter almoçado, literal- por dois locais que me dizem muito e que
que tão atrás tinha andado no primeiro apenas a festa que a Hyundai preparou mente, na esquina do final do troço. Mas não interessa, agora, explicar, até porque
dia, saltou para o primeiro lugar! Ahhhh!!! na chegada do último troço do Rali do num restaurante estranho. Quer dizer... a prosa já vai longa.
Como o desporto automóvel é lindo!!! Algarve, onde já lá estávamos depois quando serviam a comida, uma das co- Aviei os quase 290 quilómetros até casa
laboradoras deixou duas travessas de de uma vez só. E se no início fiquei so-
comida perto uma da outra. Ato imediato: bressaltado com os consumos, afinal
uma reprimenda da chefe de mesas que ainda deu para voltar para casa e só á
lhe disse, “não podem ficar tão juntas. chegada à Ponte Vasco da Gama o Kauai
Olha que o patrão não quer!” Mas... quem suplicou por gasolina. Já não aguenta-
é que esta a pagar o almoço?! Excertos va mais e lá lhe dei uma “sandes” de
de um almoço no meio da serra algarvia. 20 euros de gasolina sem chumbo de
Com “t-shirts” brancas a celebrarem o 95 octanas. 20 euros que, nos dias que
título – e aqui tenho de fazer um repa- correrem, dão para colocar no depósito
ro, pois as “t-shirts” tinham o nome do umas gotas tipo limão espremido. Lá
Armindo Araújo e da Hyundai, mas o dizia o meu querido e amado pai, “anda
Luís Ramalho não estava lá... não é justo meio mundo a enganar o outro meio...”
caros amigos... – toda a equipa fez uma Tinhas razão papá!
“espera” ao Hyundai i20 R5, não sem O conforto do Kauai permitiu-me chegar
antes dedicarem um forte aplauso a José fresco a casa (mas ao contrário das alfa-
Pedro Fontes e a Miguel Barbosa, num ces do Lidl, tive um amanhã e um depois
ato de faiplay que gostei de ver. disso) onde quase 72 horas de ausência
Fechados os taipais da festa, deitados me tinha deixado uma lágrima no canto
foguetes e feitas as fotos, era hora de do olho de saudades da minha filhota.
recolher ao hotel antes de seguir para Atirado, literalmente, ao chão por ela,
o jantar que abria a festa final do título fui mimoseado com beijinhos e abraços.
alcançado no Algarve. As palavras ha- Assente a poeira das saudades da minha
bituais, os agradecimentos, os sustos filha e da minha adorada esposa, sentei-
com o vendaval que abraçou a Praia da -me a pensar. Bolas, que bom foi regres-
Rocha e ia mandando tudo pelos ares e sar aos ralis! Aquele arrepio na espinha,
a certeza que tinha sido um ano duro, o cheiro a gasolina, à borracha morta dos
mas compensador. pneus, os detalhes da pilotagem dos mais
rápidos e dos mais lentos. Hummmmm,
FOI BONITA A FESTA, PÁ! foi muito bom. Até me deu vontade de
reativar o meu projeto para os Ralis de
Parabéns à Hyundai, ao Armindo Araújo, Regularidade Histórica. Querem que lhes
ao Luís Ramalho, à equipa RMC que as- conte o que é? Querem? Está bem, eu
sistiu o Hyundai i20 R5 e a toda a estru- não conto que devem estar mortinhos
tura que contribuiu para a festa. Como já de ler o final, já que chegaram até aqui.
sou idoso, não segui para a festa e recolhi, O final não é feliz... tive de devolver o
uma vez mais, ao hotel, não sem mais um Hyundai Kauai 1.6 T-GDI 4x4 (maroto,
episódio rocambolesco: o condutor do ainda o retive até terça feira...) quando
autocarro armou uma caldeirada porque já estava a ficar afeiçoado a ele. E ele a
não estava para andar para trás e para mim, tenho a certeza, mesmo que car-
diante porque não tinha jantado e tinha regar comigo não seja fácil. E, depois,
estado mais de uma hora à espera dos fiquei a pensar com os meus fechos (não
convidados. Ora, não chega uma hora e tem de ser sempre com os botões!): não
meia para jantar? Se calhar sou eu que devia ter ido... não devia ter ido! Agora
estou a ficar velho... fica este gostinho de querer mais... Mas
Domingo acordei de madrugada, tomei agora só para o ano. Mas vamos lá a ver
um valente pequeno almoço e reencon- se a Hyundai me empresta outra vez o
trei o “meu” Kauai. Arrumei a tralha e Kauai... ou quem sabe o i20 R5?
fiz-me à estrada, não sem antes passar

E/ Dando cumprimento ao estabelecido no n° mais importantes provas de desporto au- leitores uma informação atual, rigorosa abordagem e de análise dos factos noti-
1 do artigo 17° da Lei 2/99, de 13 de Janeiro, tomóvel disputadas em território nacional e de qualidade, opinando sobre tudo o ciosos, com total abertura à interatividade
ESTATUTO Lei da Imprensa, publica-se o Estatuto e no estrangeiro, relata acontecimentos que se passa na área do automóvel e dos com a sua comunidade de leitores. 4. O
EDITORIAL Editorial da publicação periódica AutoSport: ligados à competição automóvel, bem como automobilistas, numa perspetiva plural, re- AutoSport pratica um jornalismo pautado
1. O AutoSport é um semanário dedicado temas que versam o automóvel como bem cusando o sensacionalismo e respeitando pela isenção, sem comprometimentos
ao automóvel e aos automobilistas, nas de consumo, tanto na área industrial como a esfera da privacidade dos cidadãos. 3. ou enfeudamentos, tendo apenas como
suas mais distintas vertentes: desporto e comercial. O AutoSport pauta as suas opções edito- pressuposto editorial facultar a melhor
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