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Published by hmilheiro, 2018-08-13 11:04:06

AutoSport_2120

AutoSport_2120

#2120 >> autosport.pt
ANO 40
40
15/08/2018
anos
2,35€ (CONT.)

DIRETOR PEDRO CORRÊA MENDES O SEMANÁRIO DOS CAMPEÕES

RICCIARDO
APOSTATROCA RED BULL POR RENAULT

DERISCO
SILLY SEASON DA F1 ANIMADA PÁG. 04

+ MUNDIAL MOTO2

ENSAIO MGP DIAGÁUUSTREILA
OLIVEIRA
MITSUBISHI ECLIPSE CROSS 1.5 PÁG. 42
CONTINUA
NA LUTA PELO
CAMPEONATO
APÓS 2º LUGAR
NO RED BULL
RING PÁG. 28

FINS DE SEMANA PERFEITOS

SIX SENSES DOURO VALLEY | SAMODÃES | DOURO

www.hoteisdecampo.pt

3

I/ I N S TA N TÂ N E O SIGA-NOS EM EDIÇÃO

#2120
15/08/2018

f l> > a u t o s p o r t . p t
facebook.com/autosportpt twitter.com/AutoSportPT

ROAD TRIP A Red Bull Racing foi realmente uma grande lufada de ar fresco para a F1, e ao longo dos 13 anos em que está na disci- José Luís Abreu
plina levou a F1 aos quatro cantos do Mundo. Neste caso, Monument Valley, Arizona, EUA
DIRETOR-EXECUTIVO
S/ SEMÁFORO EM DIRETO
[email protected]
PARADO A ARRANCAR A FUNDO “A nível de talento ponho o
Schumacher e o Alonso no J á lávãounsanosdesdeter
Alejandro Agag puxa Kimi Räikkönen pode Grande luta de Miguel mesmo nível”, Felipe Massa dito que, em conversa sobre
a ficha à Fórmula 1 estar perto de renovar Oliveira com Francesco a Fórmula E, que na altura
elétrica preconizada contrato com a Ferrari. sobre os seus ex-colegas de equipa tinha nascido há pouco,
Bagnaia. Oito belas esta seria uma competição
por Ross Brawn Valor seguro... batalhas pela frente... “A perda do Lawrence talvez condenada à nascença.
seja o último prego no caixão Desde aí, a Fórmula E tem crescido
O SEMANÁRIO DOS CAMPEÕES NA ERA DIGITAL da Williams”, Jacques Villeneuve o que todos têm visto, tem por
trás de si um Marketing fabuloso,
Siga-nos nas redes sociais e saiba não ‘ajudando’ à causa da equipa e tudo o que Alejandro Agag tem
tudo sobre o desporto motorizado no conseguido é totalmente mérito
computador, tablet ou smartphone via “Esperava mais do Zé Pedro seu. São cada vez mais as marcas a
facebook (facebook.com/autosportpt), Fontes...”, Alexandre Camacho aderir à competição, muitas e boas,
twitter (AutosportPT) ou em portanto o futuro parece risonho.
>> autosport.pt após vencer o Rali Vinho Madeira Mas a Fórmula E tem um grande
problema, ou para ser mais correto,
“Claro que ficaria muito feliz tanto a Fórmula 1 como a Fórmula E
por ter o Sébastien Ogier na têm um problema pela frente, pois
equipa”, Pierre Budar, diretor da nesta galáxia que são os desportos
motorizados, estes dois ‘planetas’
Citroën, a pensar o futuro estão em rota de colisão.
Mas ao contrário do filme
“Estou animado por poder ‘Armageddon’, não se sabe de
aumentar o meu peso”, Lewis momento quando se dará essa
‘colisão’. Ross Brawn diz que a F1
Hamilton feliz pelas regras do será totalmente elétrica dentro
próximo ano na F1, que lhe dão mais de 10 anos. Talvez seja otimista,
‘margem de manobra’ mas também pode estar a ser
pessimista, pois como o mundo
automóvel está a evoluir, ninguém
sabe muito bem como será daqui
a cinco e muito menos se sabe
como vai ser daqui a 10. Portanto
vai acontecer uma de duas
coisas. Ou a Liberty Media, a FIA
e as equipas de F1 fazem muita
‘porcaria’ e a Fórmula E destrona a
F1 daqui a “não sei quantos anos”,
ou a ‘Galinha dos Ovos de Ouro’ de
Agag tem os dias contados. Pelo
sim, pelo não, o espanhol já veio a
público dizer que a sua competição
tem um contrato de 25 anos com
a FIA, e portanto só em 2039 a F1
pode tornar-se totalmente elétrica.
Isto é para ser lido doutra forma,
claro, qualquer coisa como: “vão
preparando o cheque que me vão
ter de passar...”.

4 F1/

ESTARÁFÓRMULA 1
RICCIARDO

CERTO?

Daniel Ricciardo surpreendeu Ricciardo tivesse mudado tão drama- Do lado da equipa do construtor gaulês
profundamente o paddock da Fórmula 1 ticamente o seu destino? temos vindo a verificar uma progressão
ao deixar uma equipa que tem potencial Existem diversas dimensões que po- notável desde 2016, quando a estrutura
dem ter levado à decisão do australiano: estava profudamente depauperada, de-
para vencer corridas por uma que tem potencial, status, dinheiro e ambiente. monstrando que a marca francesa está
sentido dificuldades para se impor no No que diz respeito ao potencial, superfi- interessada em apostar na escuderia de
cialmente, somos levados a concluir que Enstone para voltar aos triunfos, muito
segundo pelotão. O que terá feito o a Red Bull tem muito mais potencial que embora estes sejam quase impossíveis
australiano deixar a Red Bull para rumar a Renault. A formação de Milton Keynes de alcançar nos próximos dois anos.
venceu os primeiros oito títulos da déca- Por outro lado, a Renault parece estar de
à Renault? Que impacto isso terá? Terá da e desde que chegou a Era Turbohíbrida, pedra e cal na Fórmula 1 para lá de 2020,
tomado a opção correta? em 2014, continuou a ter um dos melho- ao passo que têm sido alguns os rumores
res chassis do plantel, se não for o melhor, que dão conta de que a Red Bull poderá,
Jorge Girão tudo indicava que o piloto de Perth per- tendo sido a unidade de potência francesa pelo menos, reduzir o seu envolvimen-
[email protected] maneceria na Red Bull, havendo quem a impedir que Ricciardo e os seus colegas to em 2021.
garanta que carregava na sua pasta um de equipa – Sebastian Vettel, primeiro, Portanto, de um lado, Ricciardo tinha uma
“Éfácil pensar que as pastagens novo contrato com a formação de Milton Daniil Kvyat e Max Verstappen, depois equipa portentosa na conceção e cons-
novas são melhores e até talvez Keynes no qual apenas faltava a sua as- – tivessem uma palavra clara nas deci- trução de chassis, assim como fortíssima
sejam. Mas também estou mui- sinatura. sões dos títulos desde então. a operar em pista, mas com a duvidosa
to bem onde estou. Não quero Contudo, dias depois de ter cruzado a li- Com uma relação tensa com o construtor questão da Honda e sem um futuro as-
pensar que noutro sítio estaria nha de meta na corrida magiar, Ricciardo gaulês, os homens da formação de ban- segurado a longo prazo. Do outro, tinha
melhor. As pessoas gostam de surpreendia o mundo das corridas ao ser deira austríaca acabaram por deixar cair uma estrutura em crescimento, finan-
mudar. É sempre tentador. Mas mudar anunciado como piloto da Renault, onde a relação com este para se atirarem para ciada por um construtor automóvel que
apenas por mudar é não suficientemente fará equipa com Nico Hulkenberg no pró- os braços da Honda, que este ano forne- parece comprometido com a Fórmula 1.
para mim. Tenho de encontrar substân- ximo ano. “Penso que é o momento de ce a Toro Rosso. Por outro lado, o facto de passar a de-
cia se vou saltar de barco”, dizia o piloto abraçar um novo desafio. Estou cons- No entanto, e muito embora se tenha ve- fender as cores de uma grande marca de
de 29 anos em junho. ciente de que há muito pela frente para rificado uma evolução esta temporada automóveis é também um aspeto a ter
Depois de ter visto as portas da Mercedes permitir que a Renault alcance o seu nas unidades de potência nipónicas a em conta, passando a ser um importante
e da Ferrari fecharem-se de forma cla- objetivo de competir ao seu mais alto todos os níveis, esta continua a ser vis- embaixador da Renault, ao passo que na
morosa, Ricciardo parecia estar pronto nível, mas fiquei impressionado com a ta como a menos performante do plan- Red Bull, não menosprezando a compa-
para se manter na equipa pela qual ob- sua progressão em apenas dois anos e tel. A par disso, depois da relação entre nhia de bebidas de Dietrich Mateschitz,
teve as suas vitórias na Fórmula 1, pelo sei que, sempre que a Renault esteve na os homens da Honda e da McLaren, não é, no fundo, um representante de uma
menos, por mais um ano, provavelmen- categoria, acabou por vencer”, afirmou o é evidente que a marca japonesa possa empresa que vende refrigerantes. É evi-
te, por dois. australiano no comunicado que o anun- conseguir gerir as expectativas exigi- dente que existe uma subida de status.
Aquando do Grande Prémio da Hungria, ciou na sua nova equipa. das pela Red Bull, com as quais, e como Para lá disso, Ricciardo terá um papel
a última prova antes da pausa de verão, O que foi que se passou para que o a própria Renault poderá atestar, não é preponderante no seio da formação de
fácil lidar. Enstone, esperando-se que, com as suas

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FÓRMULA 1

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ESTARÁ RICCIARDO CERTO?

sete vitórias contra nenhuma de Nico
Hulkenberg, seja o líder da equipa.
Esta era uma situação que dificilmente
poderia viver na Red Bull, com a presença
de Max Verstappen do outro lado da boxe.
O holandês, apesar de todos os seus erros
no início desta temporada, continua a ser
visto como piloto para o futuro entre os
correligionários de Mateschitz, que es-
peram que seja ele o líder da formação.
A coabitação com Verstappen poderá ter
sido mais um fator a levar a que Ricciardo
se decidisse pela mudança de ares.
Muito embora a Red Bull garanta que
existe igualdade absoluta entre os seus
dois pilotos, não é difícil encontrar atitu-
des e decisões que favoreceram o mais
jovem dos dois. Basta recordar o inciden-
te que ambos protagonizaram durante o
Grande Prémio do Azerbaijão, quando os
dois acabaram numa escapatória.
Apesar de ter sido evidente que
Verstappen se mexeu mais que uma
vez durante a travagem, tendo sido ele
o principal causador do toque que eli-
minou ambos, na comunicação oficial

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da equipa apenas foi dito que um e ou- justificação é simples: tinha receio da sua vê o Max a crescer em termos de velo- podcast oficial da Fórmula 1, que garan-
tro tinham sido determinantes para o comparação com Verstappen. ”O Daniel cidade e de capacidades e não pretende tiu: “Demos tudo para que acontecesse
incidente. disse que decidiu depois de um longo voo assumir um papel secundário, penso eu. (ndr.: a renovação do contrato). Foi um
Até que ponto esta atitude contribuiu para a América que pretendia mudar. Se Não é que eles sejam tratados de forma pouco como convencer uma miúda que
para a quebra de confiança de Ricciardo olharmos para razões racionais, é difícil diferente. Teriam status completamente se mostra reticente a sair. Oferecemos
na Red Bull está ainda por se saber, mas de compreender. O Daniel teve os seus igual, como sempre tiveram. Não posso ao Daniel tudo o que ele queria e pediu
nenhum piloto gosta de arcar com res- motivos. Penso que advém, segundo as deixar de sentir que, talvez este aspeto e, mesmo assim, não foi suficiente para
ponsabilidades que sente não serem suas próprias palavras, de ‘um novo de- tenha tido uma grande importância na que ele ficasse na Red Bull. Portanto, não
suas. safio’. Mas, por outro lado, sinto que ele decisão do Daniel”, afirmou o inglês ao foi dinheiro, não foi status, ou compro-
Outro fator determinante para a decisão misso, ou duração”.
de qualquer piloto é o dinheiro. O austra-
liano está ainda a meio da sua carreira e, RENAULT DÁ ESTOCADA NA RED BULL
sem títulos, não é dos mais bem pagos
do plantel. Mesmo os grandes nomes – É evidente que a relação entre a Red Bull
Alonso, Hamilton e Vettel – não se es- e a Renault está, uma vez mais, a um bai-
cusam a assegurar o maior vencimento xíssimo nível, tendo existido durante o
possível, dado que isso é a prova prova- Grande Prémio da Hungria mais uma
da do seu poder no xadrez da Fórmula 1. troca de palavras azedas, despoleta-
Para o piloto de Perth, este contrato te- das por mais problemas técnicos no V6
ria de ser lucrativo, mas segundo os ru- turbohíbrido francês, neste caso, no do
mores, a Red Bull terá aceitado as suas monolugar de Verstappen.
exigências financeiras, o que deixa no ar Por outro lado, era evidente que a equi-
a ideia de que a Renault poderá ter reali- pa de licença austríaca pretendia man-
zado uma oferta ao australiano que este ter Ricciardo, como demonstram as
não podia recusar. declarações de Horner. A contratação
Curiosamente, para Christian Horner a de Ricciardo por parte da estrutura de
Enstone foi uma farpa lançada por Cryil

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FÓRMULA 1

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ESTARÁ RICCIARDO CERTO?

Abiteboul aos homens da Red Bull, o que,
seguramente, terá dado um prazer es-
pecial aos homens do construtor gaulês.
Para além do gozo, a contratação do aus-
traliano dá à Renault maior credibilidade
pelo facto de ter assegurado o concurso
de um piloto que tinha ao seu alcance
um acordo com uma das ‘Três Grandes’.
Com Ricciardo a equipa da marca gau-
lesa passa a mensagem de que está na
Fórmula 1 para progredir e, em último
caso, vencer, o que poderá ser importante
para a sedução de novos técnicos – até
da Mercedes, Ferrari e Red Bull – numa
fase em que a estrutura de Enstone con-
tinua a crescer e a reforçar-se.
Para Nico Hulkenberg, o eterno esque-
cido das equipas grandes, esta será a
sua oportunidade de ouro para se medir
com um piloto com mercado consolida-
do e com triunfos no seu currículo. Caso
consiga, pelo menos, fazer jogo igual com
o australiano, a sua cotação subirá, po-
dendo abrir portas que, até agora, esta-
vam fechadas.

UM MERCADO DE INCERTEZAS esperando-se um ano de adaptação en- O espanhol de Oviedo é a outra chave
tre as duas entidades, tirando o foco das do mercado.
A ida de Ricciardo da Red Bull para a suas performances, para além do fran- O bicampeão mundial, muito embora
Renault teve dois reflexos imediatos. cês ter já um ano de trabalho com os continue a mostrar em pista ser um dos
Vedou a entrada de Esteban Ocon na for- japoneses, o que poderá ser benéfico melhores pilotos da história da Fórmula 1,
mação de Enstone e abriu uma vaga na para a sua causa. está sem um carro capaz de fazer jus ao
equipa de Milton Keynes, acabando por Mas, na semana passada, muito embora seu talento desde 2012 e a sua frustra-
ter impacto em todo o mercado. tenha assumido que Sainz e Gasly são ção tem vindo a crescer este ano, com a
A Red Bull tem atualmente a chave do xa- opções para a Red Bull, Horner deixou incapacidade de a McLaren lhe fornecer
drez e, sem grandes pressas em decidir, no ar a possibilidade de a equipa poder um monolugar competitivo.
até porque tem dois pilotos sob contrato, procurar soluções fora da sua “cante- Sem mercado fora da equipa de Woking
pelo menos, até ao final do verão, pode- ra”, muito embora tenha descartado – a Ferrari e a Mercedes estão-lhe veda-
rá bloquear movimentações durante o Fernando Alonso. “Estão sob contrato das e aparentemente a Red Bull diz não
próximo mês e meio. até ao final do verão ou depois. Veremos estar interessada nos seus serviços –
O candidato natural ao lugar deixado as opções que estão à nossa disposição Alonso está entre a sua continuidade na
vago por Ricciardo seria Carlos Sainz, e vamos assegurar que tomamos a de- equipa dirigida por Zak Brown, onde tem
que está este ano emprestado pela Red cisão correta para a equipa”, afirmou o cada vez mais influência, ou abandonar
Bull à Renault. No entanto, o espanhol inglês no podcast oficial da Fórmula 1. definitivamente a Fórmula 1 para rumar
incompatibilizou-se com Verstappen à IndyCar, juntamente com o WEC, onde
no ano e meio que estiveram juntos na tem como objetivo a conquista das 500
Toro Rosso, havendo muito pouco res- Milhas de Indianápolis para completar a
peito entre os dois. Não será de estra- “Triple Crown” (ndr.: Coroa Tripla).
nhar, portanto, que os homens de Milton Certo parece que, caso não rume a Milton
Keynes decidam não destabilizar o seu Keynes, Carlos Sainz encontrará guari-
piloto-estrela. da na McLaren, resta saber se para fazer
Caso Sainz seja uma carta fora do bara- equipa com o seu conterrâneo e subs-
lho, então Pierre Gasly poderá ser a opção tituir Stoffel Vandoorne, que sem con-
escolhida pelos responsáveis da Red Bull.
O jovem francês tem vindo a realizar uma
boa temporada ao serviço da Toro Rosso,
aniquilando Brendon Hartley. Porém, o
piloto de 21 anos é relativamente inex-
periente e uma vez colocado ao lado de
Verstappen num ambiente de grande
pressão poderá não ter as condições
ideais para que possa florescer, como
de resto já se verificou com Daniil Kvyat.
Favorável a Gasly está o facto de ser o
primeiro ano da Red Bull com a Honda,

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seguir acompanhar o ritmo de Alonso, a Toro Rosso poderá ver-se na posição
tem o seu lugar em risco. de ter de encontrar dois pilotos e Lando
Mesmo com a saída de espanhol, o bel- Norris é uma possibilidade que agrada a
ga poderá perder o seu volante, abrindo Helmut Marko e aos seus homens, o que
espaço para uma nova dupla na forma- poderá obrigar a McLaren a ceder o seu
ção de Woking que poderia ser forma- “jovem lobo” a troco de Key.
da por Sainz e por Lando Norris, que tem Se a indefinição na Toro Rosso é grande,
mostrado potencial nas fórmulas de pro- na Force India não é menor, muito em-
moção. bora as pistas sobre o seu duo de pilotos
Porém, a manutenção do jovem de 19 tenham crescido nos últimos dias.
anos sob influência da McLaren poderá Depois de ter entrado em administra-
ser difícil, uma vez que esta pretende as- ção judicial durante o Grande Prémio
segurar os serviços de James Key, o dire- da Hungria, a estrutura de Silverstone
tor técnico da Toro Rosso. Os homens da foi salva por um consórcio liderado por
formação de Faenza, contudo, sublinham Lawrence Stroll, o pai de Lance Stroll,
que o britânico tem um contrato válido o que parece deixar claro que, no final
com a equipa-B da Red Bull, não estan- do ano, o jovem canadiano deixará a
do dispostos a cedê-lo a troco de nada. Williams para assumir as cores da Force
Com a possibilidade de Gasly rumar à es- India.
trutura de Milton Keynes e com a saída O colega de equipa do piloto de 19 anos,
quase assegurada de Brendon Hartley, tudo leva a crer, será Esteban Ocon. O

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FÓRMULA 1

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ESTARÁ RICCIARDO CERTO?

francês estava a caminho da Renault, to no preço de material para colocar ao atrás dos inalcançáveis McLaren Honda Apesar disso, Frank Williams foi mos-
com o beneplácito da Mercedes, mas com lado de Sirotkin, George Russel, piloto da de Ayrton Senna e Alain Prost. trando ao longo da época que talvez o
a surpreendente decisão de Ricciardo companhia do construtor de Estugarda. A Lotus quase acabou com a carreira de inglês não mantivesse o seu lugar na
viu a porta fechar-se estrondosamen- Percebe-se, portanto, que todas as equi- Piquet, que depois de dois anos de ama- equipa depois do final da temporada.
te, tendo agora como solução manter-se pas, excepto a Mercedes e a Renault, têm relo, rumou à Benetton, onde terminou Hill, acabou por ser seduzido por Tom
em Silverstone. algo por definir. Neste sentido, a decisão a sua carreira em 1991. Walkinshaw a rumar à Arrows, com
Já Sérgio Pérez está de saída da Force de Ricciardo não contribuiu para um acla- promessas de crescimento da equipa.
India. Com a entrada de Lawrence Stroll ramento do plantel da próxima tempora- SEDUZIDO MAS SEM RESULTADOS Porém, apesar de uma quase vitória em
no controlo da equipa, situação despo- da e, fruto desta, poderá verificar-se um Hungaroring, o casamento não deu os
letada pelo mexicano ao forçar a entra- congelamento de todo o xadrez até que Depois das guerras a que assistiu na frutos esperados e no final de 1997 deu-
da em liquidação da estrutura, o seu fi- a Red Bull se movimente. A exceção é a sua equipa entre Alan Jones e Carlos -se o divórcio.
lho será um dos pilotos, ao passo que a Ferrari cuja decisão é entre Raikkonen Reutmann, em 1981, e entre Nelson Piquet Nos dois anos seguintes, o inglês defen-
Mercedes, uma das maiores credoras e Leclerc, não se refletindo nas restan- e Nigel Mansell, em 1986 e 1987, Frank deu as cores da emergente Jordan, mas
da Force India, vai assegurar um lugar tes equipas, para lá da Sauber, caso de- Williams passou a mostrar-se reniten- sua carreira caminhava para o ocaso,
para Ocon. cida manter o finlandês. Caso opte pelo te em pagar grandes salários a pilotos, abandonando a Fórmula 1 em 1999.
Porém, Pérez, bem apoiado por empre- monegasco, então o “Iceman” será mais escolhendo a filosofia de que, se tivesse
sas do seu país, terá um lugar ao seu dis- uma peça no mercado. os melhores carros, os melhores pilotos APOSTA GANHA
por na Haas, onde substituirá Romain quereriam correr para ele a baixo custo.
Grosjean ao lado de Kevin Magnussen. O ASSUMIR O RISCO Damon Hill não foi, nem de perto nem No final de 2012, Lewis Hamilton termi-
francês tem desiludido ao longo da pre- de longe, dos pilotos mais caros que a nava o Campeonato de Pilotos com 190 e
sente temporada, cometendo demasia- A decisão de Daniel Ricciardo não é caso Williams teve ao seu serviço, mas mes- quatro vitórias, figurando no quarto pos-
dos erros, ao passo que o mexicano tem virgem ao longo da história da Fórmula mo assim acabou por não cair nas boas to, atrás de Sebastian Vettel, Fernando
do seu lado, para além dos apoios finan- 1, tendo existido outros pilotos que de- graças do lendário chefe de equipa. Alonso e Kimi Raikkonen. Nico Rosberg,
ceiros e da sua consistência, o facto de cidiram trocar a certeza de uma equipa O inglês, filho de Graham Hill, esteve en- o melhor representante da Mercedes,
o seu país ser o maior mercado a seguir consolidada por um projeto que envolvia volvido na luta pelos títulos em 1994 e não ia além do nono lugar, apenas com
aos Estados Unidos da América da em- riscos. Alguns acabaram por ter a sorte do 1995, perdendo-os ambos para Michael uma vitória.
presa de Gene Haas, a Haas Automation. seu lado, ao passo que outros viram a sua Schumacher, mas em 1996, com o ale- Contudo, no final da época o inglês aban-
Na outra equipa da esfera da Ferrari, a carreira entrar por momentos difíceis. mão numa depauperada Ferrari, asse- donou a McLaren para rumar à Mercedes,
Alfa Romeo Sauber, as incógnitas são gurou o seu ceptro. onde substituiu Michael Schumacher,
profundas. Charles Leclerc, a assinar OS DÓLARES, MAS NÃO SÓ…
uma época de estreia extraordinária, pa-
recia a caminho da Ferrari, mas o súbito Um dos casos foi o de Nelson Piquet,
desaparecimento de Sérgio Marchionne quando depois de ter conquistado o seu
poderá ter reforçado a posição de Kimi terceiro título mundial, em 1987, não che-
Raikkonen, que deverá manter o seu lu- gou a acordo com Frank Williams e ru-
gar ao lado de Sebastian Vettel. mou à Lotus.
Se assim for, Leclerc continuará na for- Então, a Williams era a equipa de pon-
mação de Hinwil por mais uma tempo- ta do plantel, tendo com clareza o carro
rada, desconhecendo-se quem o acom- mais competitivo em 1986 e 1987, em
panhará. parte devido às portentosos V6 turbo
Marcus Ericsson tem vindo a ser batido da Honda, na época os motores mais
consistentemente pelo novato mone- performantes da grelha de partida, mas
gasco, mas a Strongbow, ainda detentora também graças aos bons chassis criados
do controlo da Sauber, parece apostada por Patrick Head.
em defender a posição do sueco, o que Porém, o brasileiro, depois do seu tercei-
deixa Antonio Giovinazzi sem espaço, ro ceptro, queria ganhar dinheiro, muito
muito embora a Ferrari gostasse de o dinheiro, e Frank Williams não estava
ver colocado na estrutura suíça como disposto a oferecer-lhe tanto quanto
piloto efetivo. desejava. Acresce a isso que, para 1988,
A Williams é a equipa que todos querem a formação que na altura estava sediada
evitar, como se verifica com a movimen- em Didcot perdia os desejados motores
tação de Lawrence Stroll para assegurar nipónicos para a McLaren.
o controlo da Force India. O filho do cana- Piquet, com pouco dinheiro em cima da
diano deixará Grove no final da tempo- mesa e sem motores competitivos para o
rada, ao passo que Sergey Sirotkin de- ano em que defendia o título, bateu com
verá manter-se. Robert Kubica poderá a porta, rumando à Lotus, que mantinha
ser uma opção para fazer equipa com o os propulsores nipónicos pela terceira
russo, mas a formação fundada por Frank temporada e onde tinha muitos dólares
Williams parece estar a caminho de es- de oferta do lado da Camel, o principal
treitar as suas relações com a Mercedes patrocinador da estrutura fundada por
– com a compra de, pelo menos, caixas de Colin Chapman.
velocidades, para além das unidades de Contudo, a equipa inglesa era uma som-
potência – podendo aceitar um descon- bra de si mesma. Sem os rasgos técni-
cos do seu criador, o máximo que Piquet
conseguiu foi alguns terceiros lugares

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11

que terminava a sua carreira na Fórmula Com a introdução do novo regulamento
1 pela segunda vez. técnico em 2014, Alonso esperava que
A primeira temporada de prateado não a Ferrari desse um salto competitivo e
foi brilhante para Hamilton, terminando voltasse a ter monolugares com per-
a época no quarto lugar do Campeonato formance que lhe permitisse lutar por
de Pilotos, conquistando apenas uma campeonatos.
vitória, na Hungria. Daí para a frente a A temporada começou sob o signo da
Mercedes foi a equipa que melhor reagiu deceção, com a Mercedes a esmagar a
à introdução do regulamento das unida- concorrência e com o espanhol de Oviedo
des de potência híbridas, dominando as a perder a paciência.
últimas quatro temporadas, o que per- Ainda durante a temporada Alonso anun-
mitiu ao inglês juntar três ceptros ao que ciou que no ano seguinte iria voltar à
conquistara com a McLaren. McLaren, que teria unidades de potên-
Aquela que parecia ser uma decisão cia da Honda.
arriscada, acabou por ser uma decisão O casamento entre a formação inglesa
inspirada de Hamilton que abandonou e os japoneses nunca foi um sucesso.
uma equipa que entrara numa espiral Enquanto Vettel, que rumou à Ferrari,
negativa para entrar numa com o forte vencia corridas e beneficiava da evolu-
apoio de um grande construtor automó- ção notória da Ferrari, Alonso coleciona-
vel que tinha as fundações necessárias va abandonos e frustrações, tendo a sua
para triunfar. carreira na Fórmula 1 estagnado, ao não
ter acesso a equipas de topo, apesar de
DE FRUSTRAÇÃO EM FRUSTRAÇÃO ser reconhecidamente um dos melhores
pilotos de sempre da categoria.
Fernando Alonso ingressou na Ferrari Estes são quatro episódios que demons-
como o novo Schumacher, o piloto que tram o que pode acontecer a Ricciardo.
levaria a “Scuderia” a mais uma fase Seguramente que o australiano acre-
de sucessos sustentada. Mas ao longo ditará que poderá seguir um caminho
de quatro temporadas o espanhol teve semelhante ao trilhado por Hamilton,
de se aplicar a fundo para levar a deci- mas o risco de lhe poder acontecer o
são para a última corrida por duas ve- que aconteceu a Alonso, Piquet ou Hill
zes, apenas para ver Sebastian Vettel, é real. A resposta será dada nos próxi-
com um carro notoriamente superior, mos dois anos.
a levar a melhor.

V/12
VELOCIDADE

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NA HORA
DA DESPEDIDA

Após 30 anos, a Mercedes diz adeus ao DTM
no final da temporada de 2018. No verão
passado, a notícia da debandada
da Mercedes-AMG caiu como uma bomba

paddock do campeonato. Afinal a Mercedes
estava para o DTM como a Ferrari
está para a Fórmula 1

Sérgio Fonseca
[email protected]
FOTOGRAFIA Arquivo Daimler/Mercedes

v/
VELOCIDADE

14

NA HORA DA DESPEDIDA

De um momento para o outro, o ainda não o justificarem presentemente, em 2012 deu um safanão inesperado significativos no desenvolvimento ae-
DTM passou de um dos cam- a necessidade de um projeto desportivo no campeonato. Não foi por mero aca- rodinâmico já este ano, acelerando, por
peonatos mais sólidos a nível com veículos elétricos e a impossibili- so que o construtor de Munique ganhou outro lado, as conversações para a ce-
mundial para entrar num es- dade de manter dois projetos a operar ao logo no seu primeiro ano. O construtor da lebração do acordo com o campeonato
tado comatoso. Para agravar mesmo tempo forçaram a esta resolução Baviera entrou com tudo e obrigou as ri- japonês Super GT para o lançamento da
a consternação, a Mercedes- “desportivamente controversa”. vais Mercedes-AMG e Audi a fazerem um plataforma comum, “Class 1”, já em 2019.
AMG anunciou ao mesmo tempo que iria Ao mesmo tempo é preciso compreender esforço suplementar para o conseguirem Para além disso, a Mercedes-AMG tam-
juntar-se ao Campeonato FIA de Fórmula que a realidade do DTM de hoje não é a acompanhar. As corridas deixaram de se bém não digeriu de bom grado a forma
E, uma competição que ainda não con- mesmadeumpassadonãomuitodistante. decidir só nas pistas, mas também a mi- como a BMW, com Marco Wittmann, ven-
quistou o coração dos mais puristas adep- Isto apesar da chegada de Gerhard Berger lhares de quilómetros, nos quartéis-ge- ceu em 2016 um campeonato envolto
tos do automobilismo. à liderança da ITR, empresa que gere os nerais, onde correm custosos programas de polémica e foi bastante vocal contra
Desde 1988, quando se juntou ao DTM destinos do campeonato, ter dado um de simulação e foram feitos investimentos os “pesos de performance” utilizados
como equipa de fábrica, a Mercedes-AMG novo impulso ao campeonato. O DTM tem absurdos em minúcias aerodinâmicas que até praticamente ao final da temporada
Motorsport DTM Team arrebatou 10 tí- perdido público nos circuitos e audiências passaram completamente despercebidas passada, que prejudicavam os C 63 DTM.
tulos de pilotos, cinco deles com Bernd televisivas, principalmente no coração do ao comum espetador.
Schneider, assim como 13 de equipas e campeonato, a Alemanha, onde rivaliza As marcas não gostam de falar publica- Contudo, as estórias do automobilismo
seis de construtores. Ao todo, o constru- com outras competições do desporto mente de quanto gastam nos seus progra- têm um peso reduzido quando compara-
tor de Estugarda celebrou 187 vitórias e motorizado, mas também com outros mas desportivos, mas os valores investi- do com as centenas de milhões de euros
553 posições de pódio; números impres- desportos nas tardes dos fins de semana. dos pelos construtores no DTM rondarão que a Daimler vai colocar nos próximos
sionantes e que também tiveram a mão Até o número de jornalistas que acom- os 40 a 60 milhões de euros por tempora- anos no desenvolvimento e produção de
do português Domingos Piedade, que panham o campeonato decresceu. Um da, com a Mercedes-AMG a posicionar-se veículos elétricos. E como a Fórmula E é,
durante anos a fio foi uma peça funda- olhar atento às decorações dos 18 carros no “low side” desta faixa. Estes valores ele- por agora, a única competição adequada
mental nos sucessos da AMG. permite perceber que os patrocinadores vadíssimos, a maior parte alocados para para os EV, a Mercedes-AMG ficará pela
Para a temporada do adeus, a Mercedes- presentes não têm a pujança de outros de pesquisa e desenvolvimento, e a profun- primeira vez na sua história sem um pro-
AMG não poupou esforços: “O nosso ob- outrora. A isto, ainda há que acrescentar daraizalemânica docampeonato,foram, duto para oferecer nos carros de Turismo.
jectivo é terminar em beleza este capítu- os custos de participação proibitivos do ao longo dos últimos anos, afastando um O conceito TCR não aparenta interessar
lo da sua história. Não é só por nós, mas atual Deutsche Tourenwagen Masters. eventual interesse de outros construtores e, enquanto não surge um campeonato
pelo DTM”, explica Ulrich Fritz, o CEO da O muito antecipado regresso da BMW e obrigaram o DTM a implementar cortes de carros de Turismo elétricos realmente
HWA, estrutura que gere as atividades
desportivas da Mercedes, com a exce-
ção da Fórmula 1.
Após tantos e tantos anos no DTM, é fa-
cilmente percetível em qualquer con-
versa banal sobre o assunto, seja com as
figuras de proa da companhia ou com o
incógnito funcionário do catering, que é
com enorme mágoa que muitos destes
homens e mulheres se prepararam para
a despedida.
“Contínuo a acreditar que vão mudar de
ideias”, confessa, com pouca convição, o
piloto catalão Daniel Juncadella a um gru-
po de jornalistas espanhóis. “É um cam-
peonato em que podes medir forças com
os melhores, onde dá imenso gozo correr.”
A tristeza do abandono só aumentou a
vontade de vencer este ano. A equipa
do DTM foi recuperar Pascal Wehrlein à
Fórmula 1 e deu uma nova hipótese ao
espanhol Juncadella. Ambos juntaram-se
a nomes incontornáveis do campeonato
como são os de Edoardo Mortara, Lucas
Auer, Gary Paffett e Paul Di Resta. E os re-
sultados estão à vista. Os Mercedes-AMG
C 63 DTM dominaram a primeira metade
do campeonato e somam já seis triunfos
em 10 possíveis, num total de 17 pódios.

NÃO FOI CAPRICHO

A decisão de rumar à Formula E foi to-
mada nas altas esferas da marca e não
se tratou de um mero capricho adminis-
trativo. Apesar dos números das vendas

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15

atrativo, o Customer Racing da Mercedes- capazes de o fazer em termos de enge-
AMG vai continuar entretido na produção nharia e staff”, reconhece Ulrich Fritz, o
e venda dos seus modelos de sucesso das CEO da HWA, “mas seria produtivo com-
categorias GT3 e GT4. petir com equipas privadas contra equi-
pas de fábrica inscritas por construtores?
E AGORA? Provavelmente não. Para além disso, pen-
so que é difícil que um projeto desta natu-
Cerca de centena e meia dos 300 fun- reza possa ser sério e viável dependendo
cionários da HWA estão envolvidos só de financiamento privado.”
no projeto do DTM e nem todos vão ser Um projeto para colocar dois carros a com-
absorvidas pelo projeto da Fórmula E. Só petir no DTM rondará os 3 a 6 milhões de
num fim de semana de DTM, a Mercedes- euros,dependendodediferentesvariáveis,
AMG tem, como limitam as regras, 64 téc- quantias difíceis de granjear por qualquer
nicos no terreno, um número dois terços estrutura privada. Dos seis chassis que
superior ao que uma equipa de Fórmula este ano vemos a competir no DTM, mais
E pode ter em campo num fim de sema- um sétimo que está a ser preparado em
na. Algum pessoal, aquele com ligações à Affalterbach para um piloto convidado,
Daimler, irá rumar à Fórmula 1, enquanto um ou dois ficarão para o espólio da mar-
outro, principalmente de formação técni- ca, enquanto os outros serão vendidos a
ca, será colocado ao serviço de uma vinte- colecionadores privados, que podem des-
na de outros projetos especiais e estudos frutar da sua condução em track-days ou
em curso. Garantida está a continuidade eventos privados, mas não estão autori-
de todos os postos de trabalho. zados a usá-los em competição.
Quando anunciou a sua retirada do DTM, a Todavia, seria um enorme desperdício
Mercedes-AMG deixou claro que “não iria trancar numa gaveta todo o conheci-
colocar pedras no caminho do campeo- mento adquirido até aqui e tudo indica
nato” e, com um riquíssimo “know-how” que a HWA continuará com pelo menos
na categoria, está disposta a colaborar um pé no DTM para além 2018 (ver caixa).
com quem quer que esteja interessado
em entrar no campeonato. Já ceder os NOVO MUNDO ELÉTRICO
seus carros a equipas privadas ou con-
tinuar a participar no DTM como HWA, Não será com certeza no dia 15 de outubro,
sem o suporte da casa-mãe, são tópicos um dia depois da última prova da tempo-
fora de questão. “Não que não fossemos rada 2018 do DTM, que em Affalterbach se

v/
VELOCIDADE

16

NA HORA DA DESPEDIDA

vai começar a pensar na Fórmula E. Esse projeto Fórmula E nas suas atividades
processo teve início há mais de 12 meses. desportivas para maximizar os conhe-
A HWA, que carrega as iniciais de Hans cimentos e recursos que tem em mão.
Werner Aufrecht, o fundador da AMG, Os propulsores irão nascer na HPP de
entrará no Campeonato FIA de Fórmula E Brixworth, em Inglaterra, onde o cons-
umatemporadamaiscedoqueaMercedes trutor alemão produz as suas unidades
EQ Formula E Team, continuando a abrir de potencia para Fórmula 1, enquanto
o caminho para preparar a muito espe- em Brackley, onde nascem os chassis de
rada grande batalha com as rivais Audi, Fórmula 1, uma pequena equipa de técni-
BMW e Porsche. cos irá igualmente colaborar diariamente
Em parceria com a Venturi, colaboração nesta ofensiva.
essa que se iniciou já na recém-termi- E porquê toda esta aposta na Fórmula
nada temporada de 2017/2018, a HWA E? Porque a Mercedes-Benz Cars pla-
vai colocar no terreno os seus técnicos neia lançar 10 novos modelos elétricos
e os seus pilotos. Por seu lado, a equipa até 2020, prevendo que dois anos depois
de Fórmula E da Venturi Automobiles, todo o portfólio da Mercedes-Benz vá
que terminou no sétimo lugar entre as ter pelo menos uma oferta elétrica por
10 equipas que participaram na quarta segmento. A Daimler assume que 15 a
temporada, emprestará aos germânicos, 25% das vendas da Mercedes-Benz em
neste ano de aprendizagem e de absorção 2025 serão EVs. A Mercedes-Benz Cars
de conhecimento, os propulsores fabrica- irá investir 10 mil milhões de euros na ex-
dos pelo ZF Group. pansão elétrica e cerca de mil milhões de
“A Fórmula E é uma disciplina do automo- euros numa rede global de produção de
bilismo completamente nova e com con- baterias. Perante a preponderância destes
corrência extremamente forte”, explica números, a Fórmula E ainda só custa por
Fritz. “A HWA AG é a equipa com maior temporada metade do DTM.
sucesso sempre na história do DTM e o
nosso objetivo é continuar a história de
sucesso da empresa na Fórmula E.”
A vontade em sair-se bem é tão grande
que a HWA foi reforçar-se à arqui-rival
Audi, contratando o engenheiro Franco
Chiocchetti, figura instrumental na con-
quista do título de Lucas Di Grassi na ter-
ceira temporada. Ao mesmo tempo, a
equipa montada pelo milionário mone-
gasco Gildo Pallanca Pastor também já
assegurou os serviços de Felipe Massa
para a próxima temporada. Emprestados
pela HWA, Maro Engel e Edoardo Mortara
defenderam as cores da Venturi na quarta
temporadaepossivelmenteumdelescon-
tinuará na equipa. A entrada da Mercedes
EQ Formula E Team na sexta temporada
abrirá mais duas vagas para os pilotos do
“Universo Mercedes”, com Gary Paffett,
Lucas Auer e Pascal Wehrlein a assumi-
rem-se como os mais sérios candidatos.
Quando a Mercedes EQ Formula E Team
entrar em força na sexta temporada, a
HWA adotará o papel de parceiro logísti-
co e tecnológico, devendo ser igualmente
responsável pelas operações no terreno
nos fins de semana de corridas. Todavia,
a cooperação com a Venturi Formula E
Team não deverá cessar completamente.
Até porque a influência germânica den-
tro da Venturi Formula E Team continua
a crescer. Susie Wolff, ex-piloto de tes-
tes da Williams F1 e esposa de Toto Wolff,
responsável máximo por todas as ativi-
dades desportivas da grande família da
Mercedes, tornou-se acionista da estru-
tura e será a diretora desportiva da equipa
a partir da próxima temporada.
Por seu lado, a Mercedes vai integrar o

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17

DE UMMERCEDES-AMG
NASCERÁ UM ASTON MARTIN?

Ironicamente, se todas as estrelas no automobilismo e no setor
se alinharem a salvação do DTM automóvel em geral” – materializada
também passa por Affalterbach, com a constituição de uma empresa
numa extensa e não menos para o efeito. Norbert Haug, o ex-
espetacular teia de ligações. jornalista que foi vice-presidente
Gerhard Berger terá convencido da Mercedes Benz Motorsport, foi
o amigo e ex-patrão Dietrich uma presença visível nas boxes
Matteschitz, o proprietário da R-Motorsport nas 24 Horas de
da Red Bull, e o seu influente Spa, enquanto Wolfgang Schattling,
conselheiro desportivo, Dr. Helmut outro ex-quadro da Mercedes Benz
Marko, a trazerem de volta para o Motorsport, já está ao serviço
campeonato a marca de bebidas dos suíços como responsável pela
energéticas. A Red Bull traz por imprensa.
arrasto a Aston Martin, o tal A Aston Martin e a Mercedes-
terceiro construtor necessário à AMG iniciaram o ano passado
manutenção da Audi e da BMW no uma estreita colaboração, com
campeonato. os germânicos a fornecerem
A Red Bull e a Aston Martin têm motorizações aos ingleses para
uma parceria na Fórmula 1, onde o os seus veículos de estrada, mas
construtor inglês é patrocinador da também para os de competição,
equipa Red Bull, mas também deram como é o caso do novo GT3. Com a
as mãos no projeto do supercarro introdução da “Class 1” em 2019 no
Valkyrie (AM-RB 001), que saiu DTM, os motores V8 da HWA ficam
da lapiseira de Adrian Newey e inutilizáveis para este efeito. A
do qual a Red Bull Technologies solução para este obstáculo poderá
recebe royalties das vendas. Mas a passar por um outro parceiro
urdidura é ainda mais complexa. estratégico da Red Bull, neste caso,
Para colocar os carros em pista é a Honda. O construtor nipónico
preciso uma equipa e essa equipa vai equipar os Aston Martin Red
será a R-Motorsport que é, nada Bull Racing no mundial de Fórmula
mais, nada menos que o braço 1 a partir do próximo ano e tem
desportivo da empresa AF Racing, disponível um motor de 4 cilindros
o terceiro parceiro da Aston Martin e 2 litros que usa no campeonato
Lagonda Limited e da Red Bull Super GT. Também existirá em cima
Technologies na construção do da mesa, caso a Honda decline
supercarro Valkyrie. Propriedade fornecer as suas unidades motoras,
de dois cirurgiões suíços, a só disponíveis às suas equipas
R-Motorsport compete este ano no Japão, a possibilidade da HWA
no Blancpain GT Endurance Cup, produzir um motor para o projeto.
sendo que os seus dois Aston Pilotos da esfera da Red Bull,
Martin Vantage GT3 são assistidos como Sébastien Buemi ou Brendon
tecnicamente pela Jota Sport e Hartley, podem ser colocados
pela Arden Motorsport. Esta última ao serviço desta compilação de
é propriedade de Garry Horner, o interesses, assim como pilotos
pai de Christian Horner, o diretor da Aston Martin Racing, como
desportivo da Red Bull Racing, e Nicki Thiim ou Maxime Martin, têm
muito provavelmente ficará com a sido apontados como potenciais
parte operacional. pilotos para um quarteto de carros.
Com um chassis desenhado pronto Contudo, a HWA poderá ter uma
a usar e staff disponível para palavra a dizer e deverá pelo menos
trabalhar num projeto em que ficará colocar um dos seus ex-DTM ao
a lucrar, Toto Wolff terá concordado serviço desta iniciativa.
em coadjuvar em todo este plano. Na última prova do DTM, em
Na última semana de julho, a AF Zandvoort, Gerhard Berger disse
Racing e a HWA acordaram em aos jornalistas que uma solução
avançar numa joint-venture – “uma para salvar o DTM tinha que estar
parceria de inovação estratégica encontrada em oito semanas. Pois
para projetos de desenvolvimento bem, tique-taque, o tempo urge…

E/18 ENTREVISTA
ENTREVISTA

LA MAFIAPORTUGUESESPSRXVOLKSWAGEN
PORTUGUESA
É por esta expressão que é conhecido o trio maravilha português que cuida
dos Volkswagen Polo R da “família” do “padrinho” Petter Solberg, a PSRX

Volkswagen, “família” que tem tido em Johan Kristoffersson o seu líder mortífero
no assalto às vitórias nas provas do Mundial de Ralicross. O AutoSport esteve
à mesa com “La Mafia” para uma conversa relaxada sobre as suas aventuras

Duarte Mesquita
[email protected]
FOTOGRAFIA DPPI/Paulo Maria

RUI
CABEDA

Autosport (AS): Boa tarde José JA: É mais ou menos igual, depende mui- World RX deste ano, por exemplo, ti- 12 os países visitados. Em qual dos dois
Azevedo, Rui Cabeda e Marco to de como tiver corrido o fim de sema- vemos quatro corridas separadas cada campeonatos se come melhor?
Moreiras. Desde já aprovei- na. Nos ralis nós tínhamos dois carros uma por 15 dias, contando com todo o Rui Cabeda (RC): (risos) É mais ou menos
tamos para vos congratular por cada piloto e havia mais tempo para tempo das viagens, etc, acabamos por a mesma coisa. Os dois campeonatos
novamente pelos títulos de preparar os carros para a prova seguin- ter três ou quatro dias para preparar os do mundo visitam muitos países dife-
Campeões do Mundo de pi- te. Aqui nós temos um carro por cada carros para a prova seguinte. rentes, mas em termos de experiência
lotos e equipas conquistados no ano piloto e as corridas também são mais No WRC o calendário visita 13 países gastronómica acaba por ser equilibra-
passado, vocês são dos grandes obrei- juntas umas das outras. No início do diferentes enquanto no World RX são do. No WRC íamos ao México, Argentina,
ros que têm contribuído para o suces-
so da PSRX Volkswagen no Mundial de
Ralicross. Depois de já terem estado os
três juntos a colaborar no WRC, agora
juntaram-se novamente no World RX.
Como é que tudo aconteceu?
José Azevedo (JA): É verdade, o Marco
trabalhou connosco quatro anos no
WRC. Depois quando a Volkswagen de-
cidiu abandonar o WRC no final de 2016,
a Volkswagen Motorsport deixou de ter
tanta gente a colaborar como acontecia
antes e o Marco saiu. Este ano propor-
cionou-se a oportunidade de o Marco se
juntar à equipa e agora estamos outra
vez os três juntos, mas no World RX.
Comparando um fim de semana de um
rali do Mundial com um fim de semana
de uma prova do Mundial de Ralicross,
quando vocês chegam ao final da pro-
va e já podem ir descansar, em qual das
duas é que dormem mais horas? Após o
rali ou após a prova de Ralicross? E em
qual têm mais tempo livre entre provas?

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19

agora vamos ao Canadá, África do Sul. MARCO JOSÉ ralis era assim e no Ralicross é igual. O
A experiência das comidas que pode- MOREIRAS AZEVEDO Petter, talvez pela experiência dos anos
mos provar acaba por ser equilibrada em que correu com a sua própria equi-
entre os dois. equipas? Dá para conhecer e conviver nhecerem são pessoas extremamente pa que preparava o Citroën DS3, é mais
Agora que já falámos de dormidas e com membros das outras equipas? No afáveis. Nós é que somos logo muito co- exigente em termos de alinhamentos e
de comidas, vamos falar do ambiente ano passado pelo menos tinham a com- municativos à primeira expressão. Mas especificações. O Johan é mais fácil de
entre as equipas. No WRC temos uma panhia do português Valter Ribeiro na de forma muito natural acabam-se por lidar neste aspeto, mas acaba sempre
Citroën, com muitos franceses, temos Hoonigan do Ken Block. criar e desenvolver boas relações com por ouvir o Petter e depois, claro, che-
equipas mais multinacionais e multi- Marco Moreiras (MM): No geral é uma os nórdicos. gam a um conjunto de conclusões sobre
culturais como a Hyundai, a M-Sport e grande família. Eu sou o que estou aqui Olhando agora para a estrutura da PSRX o melhor set up para um e para o outro.
na vossa altura a própria Volkswagen. há menos tempo, mas mal cheguei à pri- Volkswagen, podem explicar-nos como A equipa nasce de uma parceria entre a
Aqui no World RX a maioria das equipas meira prova de Barcelona comecei logo está organizada? Quem é menos fácil de Volkswagen Motorsport e a PSRX, que é
são nórdicas e constituídas por nórdi- a conhecer gente e a criar boas relações. aturar, o Solberg ou o Kristoffersson? a equipa do Petter Solberg. Já trabalha-
cos. Como se vive o ambiente entre as Facilmente todos se cumprimentam JA: Os pilotos são todos iguais e todos mos todos juntos desde o início do ano
com um “olá”, “bom dia” ou “boa tarde”. diferentes. Já se sabe que uns pedem passado, por isso cada um já sabe o que
Embora os nórdicos sejam conhecidos mais umas coisas que outros, mas ao tem que fazer dentro da equipa. Este ano
por serem mais frios, depois de nos co- fim ao cabo eles trabalham juntos, já nos temos o Marco, que é novo na equipa
mas que já tinha trabalhado connosco
antes, por isso também já sabe como
tudo funciona. É relativamente fácil o
entrosamento entre todos do ponto de
vista do trabalho em equipa.
E em termos técnicos? Como estão or-
ganizados?
RC: O François Xavier Demaison é o
nosso diretor técnico por parte da VW
Motorsport, mas depois temos um
Project Leader belga, o Fabrice Van
Ertvelde, que além de ser o responsá-
vel pela parte técnica do projeto, as-
sume também o papel de engenhei-
ro do carro do Petter. Os carros são os
Polo World Rally Car que competiam no
WRC, ambos chassis de 2014, que foram
transformados pela VW Motorsport para
estarem preparados de acordo com as
especificações do Ralicross. Mas a base
do carro é muito similar ao WRC que nós
já conhecemos de trás para a frente, e
mesmo este ano, quando introduzimos
algumas evoluções face a 2017, não su-
pôs uma grande transformação. Por
exemplo o Marco, que é novo na equipa
este ano, não teve qualquer dificuldade
em adaptar-se ao carro. Os carros são
todos da VW Motorsport e a equipa é
constituída por um misto, entre colabo-
radores que já estavam com a equipa do
Petter quando ele corria com o Citroën
DS3 e nós pela parte da VW Motorsport.
Assim se forma a PSRX.
Os Polo ficaram conhecidos quer no
WRC, quer no ano passado no World
RX, por serem extremamente fiáveis.
Este ano, com a diminuição do núme-
ro de motores permitidos por época, de
três para dois, e também de turbos, para
quatro, acham que tal pode afetar de
alguma maneira a fiabilidade do Polo?
MM: Não temos visto nenhum risco nes-

E/
ENTREVISTA

20

PORTUGUESES PSRX VOLKSWAGEN

“O VOLKSWAGEN POLO
WRC 2017 CONTINUA
NA OFICINA TAL
E QUAL COMO NÓS OS
TRÊS O MONTÁMOS”

JOSÉ AZEVEDO

se aspeto. As peças que nós temos nos que não possamos ajudar os nossos Motorsport, Sven Smeets, disse que temos de ir também, pois fomos nós
Polo foram exaustivamente testadas colegas dos outros projetos se houver um dos Polo WRC 2017 estaria pronto que o montámos.
e todo o feedback que tivemos no ano essa necessidade, mas o nosso foco é na fábrica da equipa, já com as especi- JA: (risos) Na altura a FIA foi à oficina
passado, para além do trabalho que tem o Ralicross. Mas confirmamos o que ficações para iniciar um Rali de Monte e fez todo o processo normal de ho-
sido feito este ano em casa, deixa-nos foi anunciado pela VW Motorsport, a Carlo, e que poderia ser visto em público mologação e estava tudo OK. Só faltou
tranquilos no capítulo da fiabilidade. estreia do carro deverá ser no Rali da num futuro próximo. É algo que poderá mesmo carimbar oficialmente. Para a
Virando agora a atenção para a VW Catalunha, mas para já não sabemos mesmo vir a concretizar-se? FIA carimbar a equipa teria que se ter
Motorsport, como está a correr o pro- quem será o piloto que vai estreá-lo. JA: (risos) Há essa ideia no ar mas não inscrito no Mundial de Ralis a tempo in-
jeto do novo Polo R5? Mas se soubesse também não podia se sabe quando é que poderá vir mesmo teiro com dois carros durante um ano,
RC: Não estamos muito envolvidos no dizer! (risos) a realizar-se. Saiu na internet há tem- mas isso nunca chegou a acontecer. De
projeto do novo Polo R5 pois o nos- E sabem se está algum encomenda- pos um pequeno vídeo onde se pode resto o carro continua lá tal e qual como
so projeto é o programa do Mundial do para ser entregue em Guimarães? vislumbrar um pouco o carro, mas de o deixámos montado antes de irmos de
de Ralicross. A nova política da VW JA: (risos) Não fazemos ideia! Sabemos resto ainda não sabemos nada. É en- férias no final da época de 2016.
Motorsport dividiu os colaboradores que está encomendado um para graçado que o carro foi montado por AS: Muito obrigado aos três e boa sor-
por diferentes projetos, que partilham Portugal, é a única coisa que sabemos! nós os três para fazer a homologação. te para a vossa equipa para o resto da
todos a mesma oficina. Não quer dizer No início deste ano o diretor da VW MM: (risos) Se o carro for a algum lado, temporada do Mundial de Ralicross.

>> autosport.pt 21

JOSÉ AZEVEDO

IDADE: 36 anos
NATURALIDADE: Maia
PERCURSO DESPORTIVO
2003 – 2005 - M-Sport: Mundial de Ralis,
Mecânico
2006 – 2011 - M-Sport: Mundial de Ralis,
Mecânico Chefe dos carros de Markko
Martin, François Duval, Toni Gardemeister,
Marcus Grönholm, Mikko Hirvonen, Jari-
Matti Latvala, entre outros
2012 – 2012 - VW Motorsport:
Desenvolvimento do Polo WRC, Mecânico
Chefe do carro de testes de Carlos Sainz,
Sébastien Ogier e Dieter Depping
2013 – 2016 - VW Motorsport: Mundial
de Ralis, Mecânico Chefe dos carros de
Sébatien Ogier, Latvala e Andreas Mikkelsen
2017 – 2018 - PSRX Volkswagen: Mundial
de Ralicross, Mecânico Chefe dos carros de
Petter Solberg e Johan Kristoffersson

RUI CABEDA

IDADE: 36 anos
NATURALIDADE: Ermesinde
PERCURSO DESPORTIVO
2004 – 2010 - Sports & You: Nacional de
Ralis, Europeu de Ralis, WTCC, Mecânico e
Mecânico Chefe
2011 – 2011 - AP Competição: Nacional de
Ralis, Mecânico e Mecânico Chefe
2012 – 2012 - WRC Team MINI Portugal:
Mundial de Ralis, Mecânico do carro de
Armindo Araújo
2013 – 2016 - VW Motorsport: Mundial
de Ralis, Mecânico nº 1 dos carros de
Sébastien Ogier, Jari-Matti Latvala e
Andreas Mikkelsen
2017 – 2018 - PSRX Volkswagen: Mundial
de Ralicross, Mecânico nº 1 dos carros de
Petter Solberg e Johan Kristoffersson

MARCO MOREIRAS

IDADE: 42 anos
NATURALIDADE: Mafra
PERCURSO DESPORTIVO
1992 – 1994 - Mitsubishi Castrol Team:
Nacional de TT, Assistente
1995 – 2000 - Baiauto Sport: Troféu
Citroën AX, Vodafone Cup, Técnico
2001 – 2002 - Fiat Vodafone Team:
Nacional de Ralis, Técnico
2003 – 2004 - MR Racing: Nacional de TT,
Consultor
2006 – 2007 - New Speed: Dakar, Mecânico
Chefe do carro de Ricardo Leal dos Santos
2007 – 2011 - X-Raid: Nacional de TT, Taça
do Mundo de TT, Dakar, Mecânico Chefe
dos carros de Filipe Campos, Krzysztof
Holowczyc, Orlando Terranova, Guerlain
Chicherit e Nasser Al-Athiyah
2012 – 2012 - WRC Team MINI Portugal:
Mundial de Ralis, Mecânico Chefe do carro
de Armindo Araújo
2013 – 2016 - VW Motorsport: Mundial de
Ralis, Consultor
2018 – 2018 - PSRX Volkswagen: Mundial
de Ralicross, Consultor

E/22

DO SONHOENTREVISTA

PARAA
REALIDADE

De ‘rookies’ do automobilismo a protagonistas do Kia Picanto GT Cup,
Henrique van Uden e Rui Silva têm demonstrado ao longo de 2018 a validade
de iniciativas como o Kia Racing Opportunity — decisivas para que estes dois
novos talentos pudessem surgir em cena e maturar em ambiente competitivo.

Com dois triunfos nas três provas já realizadas do mais recente Troféu da
Velocidade Nacional, o AutoSport quis saber como os dois pilotos têm encarado
esta experiência. Mas também o trabalho que tem vindo a ser feito com vista a
garantir a continuidade das suas carreiras – algo que, na era das redes sociais,

passa cada vez mais pela imagem transmitida dentro e fora da competição

Luís França
[email protected]

Como todas as paixões que tei- rem, por isso, colegas de equipa, as ori- automóveis. Mas esse sonho tornado sido melhor. Foi uma semana verdadei-
mam em tomar de assalto as gens e experiências do açoriano de 30 realidade pode facilmente cair por terra ramente inacreditável para mim e apesar
nossas vidas, é difícil explicar anos e do vimaranense de 24 não podiam se não lutarem por criar novas oportu- de ainda não ter conseguido repetir esse
a atração em torno do automo- ser mais díspares. O primeiro tem desde nidades. Apesar do entusiasmo natural triunfo, estou satisfeito com a maneira
bilismo. Da velocidade ao som, criança um fascínio e uma ligação muito pela posição que ocupam, Henrique van como as coisas me têm saído tendo em
passando pela emoção de ultra- especiais com as motos, ao ponto de ter Uden e Rui Silva têm plena consciência conta a minha total inexperiência. Acima
passar os adversários em pista e o perigo competido profissionalmente com elas, desse perigo, bem como da necessidade de tudo, estou muito contente com a mi-
inerente à profissão, qualquer piloto que em Portugal e no estrangeiro, durante de terem uma presença ativa nas redes nha prestação e a minha forma de estar
se preze ambiciona, pelo menos uma vez os anos em que viveu em Cascais (logo a sociais (e daí o facto de esta componente nas três provas até agora realizadas, es-
na sua carreira, por mais curta ou longa partir dos 3 anos de idade) e Angola (en- poder influenciar a classificação final do perando manter este registo na segunda
que esta possa ser, subir ao lugar mais quanto jovem adulto). Já o piloto residente Troféu), como comprovará na entrevista metade do Troféu.
alto do pódio e autoproclamar-se como em Porto Alto desde a nascença, e por isso que lhes fizemos. Rui Silva: Faço do Henrique as minhas
“o mais rápido”, mesmo que a simples com fortes ligações a Palmela e Setúbal, Olá, Henrique e Rui. Dificilmente alguém palavras. O KRO permitiu-me a concre-
presença numa corrida de automóveis seguiu o trajeto natural no mundo dos imaginaria que os dois vencedores do Kia tização de um sonho e na primeira sema-
arraste consigo um compêndio de emo- karts, chegando a sagrar-se campeão Racing Opportunity subiriam ao lugar na nem queria acreditar no que me es-
ções de tal modo viciantes que se tornam em 2006, até a sua carreira — como tan- mais alto do pódio nas duas primeiras tava a acontecer. Tudo aconteceu muito
difíceis de resistir. tas outras — ser interrompida quando os corridas do Kia Picanto GT Cup! Mas a rápido. Sagrei-me o segundo vencedor
Tais são as condicionantes, da estrutura pais já não conseguiram suportar sozi- verdade é que ambos o conseguiram e do concurso e dois dias depois já estava
da equipa ao desconhecimento do car- nhos o investimento face ao aumento dos têm vindo a realizar uma grande época na Falperra para a primeira prova do Kia
ro (e o próprio talento ao volante, porque custos e à quebra dos apoios financeiros. até agora, ocupando o segundo posto da Picanto GT Cup. Nesse período tive de
não...) que raramente um ‘rookie’ poderá Para ambos, o Kia Racing Opportunity — o classificação de cada uma das categorias tratar do alojamento, capacete, roupa in-
viver essa experiência vitoriosa no seu concurso apadrinhado pela Kia Portugal em que se encontram inscritos. Que ba- terior e ainda arranjar forma de preparar
ano de estreia. Mas é precisamente isso que promove novos valores do mundo do lanço fazem do vosso desempenho até minimamente a Rampa. Estava eufórico
o que sentiram Henrique van Uden e Rui desporto motorizado, libertando-os dos ao momento? e acima de tudo, muito nervoso. Já em
Silva, dois estreantes que já conquista- constrangimentos financeiros — dispu- Henrique van Uden: É um balanço 100% Vila Real senti-me muito mais calmo e
ram, por direito próprio, o seu lugar ao sol tado em maio deste ano foi a oportuni- positivo. O Kia Racing Opportunity (KRO) preparado, o que foi fundamental para
neste primeiro ano do Kia Picanto GT Cup. dade que precisavam para se estrea- correu às mil maravilhas e a minha es- as coisas me correrem bem e festejar um
Apesar de repartirem o carro nº 77 e se- rem ao mais alto nível nas corridas de treia na Rampa da Falperra não podia ter triunfo que ficará para sempre na minha

Dois ‘rookies’ no mundo do automobilismo, >> autosport.pt
Henrique van Uden e Rui Silva têm deixado em
evidência o seu enorme talento ao volante na 23
temporada inaugural do Kia Picanto GT Cup.
Produtos do Kia Racing Opportunity, os dois P/ P E R F I L
pilotos subiram ao lugar mais alto do pódio nas
duas primeiras corridas do Troféu, na Rampa da RUI SILVA
Falperra e na passagem pelo Circuito de Vila Real
22/05/1994
Natural de Guimarães
Residente em Porto Alto desde que nasceu
A paixão pelos automóveis surgiu nas inúmeras
visitas que fez com o pai ao Circuito do Estoril, da
OTA e de Vila do Conde
Resultados de relevo:
2006: Campeão Nacional de Karting (Iniciados)
2010-14: Campeão Regional de Karting (X30)
2012: Teste Radical RS3
2014: Teste Fórmula Ford
Ídolo: Michael Schumacher

P/ P E R F I L

HENRIQUE VAN UDEN

31/10/1987
Natural de Ponta Delgada (S. Miguel)
Residente em Cascais desde os 3 anos de idade
A paixão pelas motos iniciou-se numas férias de
verão, numa quinta de uns amigos da família, com
apenas cinco anos de idade
Resultados de relevo:
2011: 1º Classificado Troféu Yamaha (450 cc)
2014: Campeão Angolano de Rali/Raid (CARR)
1º Classificado Campeonato Nacional Rally-Raid
Estreia nos automóveis: 2018, com o Kia Picanto GT Cup
Ídolo: Hélder Rodrigues

memória. Esse resultado, somado ao se- contacto com muitos dos “SEI QUE NÃO SOU MERAMENTE UM PILOTO E SIM UMA MARCA QUE TEM
gundo lugar da categoria Júnior que ocu- meus patrocinadores e foi
po neste momento, só me podem deixar difícilvoltaraentrarneste DE SER PROJETADA PARA ACREDITAREM EM MIM, MAS PROCURO SEMPRE
com um sorriso no rosto! mundo, mas felizmente o QUE ESSA IMAGEM SEJA O MAIS GENUÍNA POSSÍVEL” HENRIQUEVANUDEN
Sendo que o Henrique vem das motos e KRO e a presença no Kia
o Rui dos karts, quais foram as maiores
dificuldades que sentiram nesta transi- Picanto GT Cup relança-
ção para os automóveis?
HVU: Tendo por base a minha experiência ram a minha carreira. Sinto que estou a ditam que essas vossas experiências RS: Acima de tudo, diria que a experiên-
nos rally-raids, diria que, como as motos
são um desporto francamente mais ba- conseguir fixar o meu nome nos jornais e vos trouxeram perante os vossos ad- cia no karting me deu uma grande baga-
rato e acessível, acaba por ser mais fácil
arranjar apoios e patrocínios, nem que nosmédia,equeháinteresseporpartede versários? gem na análise das condições do fim de
seja a nível local ou familiar. Ao nível da
condução, sinto que a minha escola, ba- algumas empresas em apoiarem o meu HVU: Sem dúvida a capacidade de im- semana e na transmissão de sensações
seada no improviso e na leitura do terreno,
consoante ele surge à vista, é totalmen- projeto, o que desde já agradeço. Depois, proviso foi determinante para vencer na à equipa técnica. Consigo entender ra-
te distinta dos circuitos, onde necessito
de ter a pista desenhada na cabeça e diria que a agressividade que trouxe do minha estreia na Rampa da Falperra, em pidamente qual a melhor hora para a ir
a exata noção de que posso acelerar a
fundo numa determinada zona, porque karting por vezes dificulta o meu de- que o piso alternou entre seco e molhado. para a pista ou como se encontra o piso
sei o que existe para lá dela. Isso é algo
que não existe no todo-o-terreno, daí sempenho no Kia Picanto GT Cup. Noto Mas também para obter o 4º posto na úl- ao nível da borracha e transmitir essas
ter havido a necessidade de me adaptar
a esta nova realidade para que as coisas que tento ganhar muito tempo nas tra- tima prova, na Rampa do Caramulo, em sensações e o que vou precisar de me-
corressem da melhor forma.
RS: A minha maior dificuldade foi de fac- vagens e que isso está a dificultar-me as que, por razões associadas a um medica- lhorar para a afinação do carro.
to o tempo em que estive parado. Perdi o
coisas na saída da curva. Tenho que ter mento que dificultaram a minha capaci- Com base no que acabaram de referir, a

uma condução mais suave para retirar o dadedeconcentração,simplesmentenão característicamistadoTroféuKiaPicanto

máximo rendimento do carro, sem es- fui capaz de decorar o traçado. E então fiz GT Cup, conjugando rampas com circui-

quecer que não me posso dar ao luxo de dois km em que me socorri das minhas tos, beneficia-vos de algum modo ou

dar um toque. Além dos valores de uma bases para conseguir salvar o dia. Como acaba por ser uma dificuldade extra,

possívelreparaçãoseremtotalmentedis- a margem de erro é muito menor, acredi- tendo por base o percurso que trilha-

tintos face ao karting, estou a partilhar to que um piloto que vem das motos tem ram até aqui?

o carro com o Henrique e por isso tenho os instintos muito mais apurados e uma HVU: Acreditoqueéumavantagemenor-

de preservá-lo da melhor maneira para maior capacidade de reação. Talvez por me. Apesar de nunca ter feito uma cor-

não comprometer a corrida dele quando isso seja mais fácil um piloto que vem rida de automóveis e de nunca ter esta-

sou o primeiro a iniciar o fim de semana. das motos singrar nos automóveis do do numa Rampa, senti-me em casa na

Do mesmo modo, que vantagens acre- que o contrário. Falperra. Tive uma condução divertida e

e/
ENTREVISTA

24

diverti-me. Devia estar completamente “ENCARO ESTAMINHA “SEM RETORNO DOS PATROCINADORES NÃO PODEM HAVER
apavorado, mas o que aconteceu não foi PRESENÇADE FORMA TROFÉUS NEM INICIATIVAS COMO ESTAS E CADA VEZ MAIS
nada disso, e essas sensações positivas PROFISSIONALE COMO O HAVERÁ UMA LIGAÇÃO MUITO GRANDE ENTRE A PARTE
que me conduziram ao triunfo na estreia MEUTRABALHO DO DIAADIA. COMPETITIVA E A INTERAÇÃO E O RETORNO QUE É DADO
devem-se ao que referi anteriormente: a SEMPRE QUE FALO COM UM NAS REDES SOCIAIS” HENRIQUEVAN UDEN
capacidade de improviso e de leitura do PATROCINADOR REALÇO ESSA
terreno em condições traiçoeiras do piso. IMPORTÂNCIADE SER UM algo palpável para que outros patroci- e encontro futuros. Não me centro na mi-
RS: Sinceramente, não sou muito apolo- PROJETOAPOIADO POR UMA nadores possam ver o mesmo compro- nha região em exclusivo e sim em todo o
gista desta mistura, embora reconheça MARCAETENTO EXPLICAR misso. Sei que não sou meramente um território nacional.
a sua vantagem para a diversidade do AO MÁXIMO O MOTIVO DE piloto e sim uma marca que tem de ser O regulamento de média do Troféu é algo
Troféu. Penso que quem vem do karting ESTARAPEDIR OAPOIO EA projetada para acreditarem em mim, mas que vos pode preparar para o futuro?
está habituado a dar uma volta a um cir- CAPACIDADE DEALCANCE DO procuro sempre que essa imagem seja o HVU: Absolutamente, até porque nos obri-
cuito, a ter uma pista decorada, a repeti-la RETORNO MEDIÁTICO” RUISILVA mais genuína possível. ga e prepara para passar a nossa imagem
várias vezes e a fazer cada vez melhor à RS: Sim, sem dúvida. Encaro esta minha e a dos nossos patrocinadores da melhor
medida que as voltas se vão acumulando. nhar um patrocínio. Penso, por isso, que presença de forma profissional e como forma possível. Sem o retorno dos patro-
Quem vem dos karts e se estreia numa é vital ganhar tanto a classe, como a ge- o meu trabalho do dia a dia. Sempre que cinadores não podem haver troféus nem
rampa não tem ainda sensibilidade para ral, porque os patrocinadores e o público falo com um patrocinador realço essa iniciativas como estas e cada vez mais
saber que os pneus só vão aquecer a par- das corridas olham mais para o vencedor importância, de ser um projeto apoiado haverá uma ligação muito grande entre
tir da quarta curva ou que não vamos ter absoluto, independentemente de haver por uma marca, e tento explicar ao má- a parte competitiva e a interação e o re-
a temperatura de travões certa durante essa distinção por classes para a classi- ximo o motivo de estar a pedir o apoio e torno que é dado nas redes sociais, com a
a quase totalidade do percurso, porque ficação do campeonato. a capacidade de alcance do retorno me- diferença de essa transmissão da infor-
as subidas são curtas. Não se consegue Do mesmo modo, anunciarem-se como diático, porque obviamente que também mação ser cada vez mais diretamente fei-
equilibrar o carro tão rapidamente como vencedores de um concurso como o Kia é do interesse da Kia divulgar o Troféu e ta pelo piloto e, por isso, mais genuína. A
num circuito e é necessário haver um Racing Opportunity pode ser também obter retorno do projeto divulgando os título de exemplo, senti que, embora tudo
maior compromisso. Prefiro arriscar a uma vantagem perante outros concor- carros e, com isso, os nossos patrocina- estivesse bem estruturalmente, alguns
100% num circuito. rentes, apesar da maior experiência de dores. Tenho uma apresentação pré-es- conteúdos publicados nas minhas redes
Tocando no tema dos patrocínios e do alguns nestas lides? tuturada, em que combino uma pequena sociais com a ajuda de uma grande em-
prolongamento da carreira, vocês têm a HVU: Penso que sim, até com start-ups biografia com a minha progressão, e falo presa eram talvez demasiado “formais”.
particularidade de já terem vencido uma que gostam de apoiar novos talentos e muito sobre o Troféu, explicando em que A partir do momento em que eu comecei
corrida este ano. Sentem que o vosso querem crescer com pilotos que não são consiste e focando depois a divulgação a utilizar uma linguagem mais natural,
“sex-appeal” enquanto pilotos cresceu tão conhecidos, como é o meu caso. É algo que lhes posso dar. A abordagem é tentar menos filtrada, notei que a resposta tem
a partir desse momento e que hoje vos que utilizo como um trunfo. enviar emails diariamente e procurar a sido muito maior e positiva. Tento ao má-
é mais fácil encetar conversas e nego- RS: Sim, sem dúvida. Chegar ao pé de um resposta que permita depois o contacto ximo passar as minhas vibrações, o que
ciações com possíveis patrocinadores? potencial parceiro e dizer que fui um dos
HVU: É uma boa ajuda, sem dúvida, mas vencedores do KRO entre 144 participan-
penso que o Kia Picanto GT Cup, para tes desperta logo o interesse das pessoas.
nós, vencedores do Opportunity, come- Quando foco na proposta e digo verbal-
çou numa altura em que as empresas ti- mente que ganhei passa a haver mais
nham acabado de fechar os seus planos confiança com o patrocinador, o que fa-
de investimento em marketing e publici- cilita o fechar do negócio.
dade para o ano em curso e que isso, de Sentem que participarem num Troféu
certa forma, iria sempre condicionar os apoiado por uma marca, algo raro em
eventuais apoios que conseguíssemos Portugal, vos obriga a serem mais pro-
angariar para esta temporada. Na altu- fissionais na vossa abordagem ao des-
ra abordei quatro ou cinco empresas e, motorizado?
apesar de não ter levado com nenhum HVU: Obviamente, até porque a verda-
“não” — antes pelo contrário, todas me de é que eu já tenho o patrocínio da Kia
disseram o mesmo. De qualquer forma, Portugal. Sem este apoio eu não estaria
estou a aproveitar esta oportunidade do a participar no Troféu neste momento,
KRO, que obviamente é uma grande ajuda utilizando, assim, a relação e o empenho
do ponto de vista financeiro, para apontar que coloco na divulgação do projeto como
baterias já para 2019, privilegiando a mi-
nha relação com os Açores. Além de ser
a minha terra-natal, sei que os açorianos
adoram a competição e que estão entu-
siasmados com esta minha presença no
Kia Picanto GT Cup.
RS: Desde o início da temporada que a
minha ideia passou sempre por apostar
ao máximo na corrida de Vila Real para,
de certa forma, arrancar o meu ano, por-
que sei que chegar a um patrocinador que
esteja por dentro do desporto motoriza-
do e dizer-lhe, “eu ganhei em Vila Real”,
é meio caminho andado para reunirmos
a atenção e o interesse dele. Se olharmos
para os créditos de ser um dos vencedo-
res do KRO como 25% desse interesse, di-
ria, do mesmo modo, que ganhar em Vila
Real representa outros 25% e que desde
que venci tenho mais hipóteses de ga-

“SEM NUNCAPERDER O >> autosport.pt
MEU CUNHO,TENTOTIRAR
IDEIAS DE OUTROS PILOTOS 25
E ENQUADRAR-ME NO MEIO
DELES, PORQUEVENDO QUE Cada fim de semana do
ELES ESTÃOATER SUCESSO Kia Picanto GT Cup tem
NESTE DEPARTAMENTO duas corridas, com
[MEDIÁTICO] PENSO Henrique van Uden e
IMEDIATAMENTE QUE ESTÃOA Rui Silva a alternarem
FAZER ALGUMA COISA MELHOR em cada prova o
DO QUE EU” RUISILVA estatuto de serem os
“primeiros” a entrar no
carro. Como primeiro
classificado do KRO,
Henrique van Uden foi
o primeiro a ir para a
estrada na Rampa da
Falperra

Apesar de parceiros de equipa, a diferença de idades De modo a obterem pontuação extra, os pilotos do Kia Picanto GT Cup têm
significa que Henrique encontra-se inscrito na de publicar nas suas páginas oficiais de Facebook sete conteúdos entre a
semana que antecede cada evento e a terça-feira seguinte após a realização
categoria “Pro” do Kia Picanto GT Cup e Rui na “Júnior”. do mesmo. Estes devem obedecer a um conjunto de critérios, como a
A uni-los está o facto de terem sido os vencedores do colocação de hashtags e a identificação da página oficial do Troféu
Kia Racing Opportunity 2018

penso e sinto no momento. Mas também ções que temos de fazer de acordo com antigo bicampeão do Super Seven by Kia, uma aprendizagem e não vale a pena ser
já aproveitei momentos específicos, como o regulamento ajudam-me nesse intuito que nos tem ajudado na parte mental, tão agressivo sobretudo num campeo-
o Campeonato do Mundo de Futebol, o nº de passar um pouco de mim. Não gosto transmitindo-nos segurança, estabili- nato de seis corridas. É importante per-
7 e os 7 anos de garantia da Kia, para fa- de transmitir apenas a imagem de pi- dade e confiança. Ele passa-nos alguns ceber como funcionam as coisas, ganhar
zer uma publicação que privilegiasse um loto, de manequim, e sim aquilo que eu vídeos e segredos de uma forma muito confiança e aí sim começar a andar mais
dos meus patrocinadores, colocando-o sou enquanto pessoa e atrás do volante. simples e concreta, e tem sido realmente depressa naturalmente.
em destaque. RS: Acima de tudo usar as hashtags, para um contributo importante. RS: Não querendo parecer arrogante,
RS: É algo muito interessante e que pode associar as marcas dos patrocinadores ao RS: Basicamente através do simula- quero obter uma vitória na categoria jú-
acabar por ser vital para os pilotos con- projeto, e divulgar ao máximo a minha dor. Vou treinar à GT Competizione, em nior, algo que ainda não consegui, e lutar
seguirem interagir com o público e obte- página e aquilo que eu faço. Futuramente Cascais, o que me permite conhecer o cir- pelos três primeiros lugares da geral até
rem retorno mediático. Dou os parabéns estou a pensar fazer uma distribuição cuito e saber para que lado são as curvas. ao fim da temporada, mas sem nunca
à Organização por terem tido essa ideia de brindes para tentar que as minhas Chegados à prova, depois é só encontrar perder esse objetivo relacionado com a
pioneira, mesmo que a pontuação extra publicações tenham um maior alcance pontos de referência e começar a afinar as minha categoria. Quero ser campeão e
seja talvez um bocadinho elevada e pos- e cheguem a mais pessoas. Sem nunca travagens. Vejo também muitos vídeos do vou lutar por isso.
sa fazer a diferença na parte desportiva perder o meu cunho, tento tirar ideias de YouTube e desloco-me atempadamen- Por fim, o que gostariam de fazer no pró-
se houver pilotos que trabalhem melhor outros pilotos e enquadrar-me no meio te aos sítios para ver os circuitos, gosto ximo ano em termos competitivos?
este campo mediático. Ainda assim, já deles, porque vendo que eles estão a ter de andar a pé e conhecer bem o terreno HVU: A relação que está a ser criada en-
começo a notar a abordagem de adeptos sucesso neste departamento penso ime- que vamos apanhar. tre a Kia Portugal, a CRM Motorsport e o
durante as corridas e tenho vindo a criar diatamente que estão a fazer alguma coi- Quais os vossos objetivos para esta se- piloto Henrique é bastante interessante.
laços de amizades com pessoas que me sa melhor do que eu. gunda metade do campeonato? Há um ambiente familiar e não vejo mo-
veem nas redes sociais e também na te- Como preparas as corridas? HVU: Manter o trabalho que tenho vin- tivos para saltar para outra disciplina.
levisão, o que significa que há um retorno Visionamento de vídeos, simulador? do a fazer já seria, na minha opinião, es- Gostaria sim, eventualmente, de correr
desse trabalho que tem vindo a ser feito. HVU: Tenho sobretudo aproveitado as petacular. Obviamente que gostaria de a solo, caso surja essa possibilidade, e
De que forma têm procurado interagir valências do Autódromo Virtual. Quanto ganhar, mas penso que o meu objeti- estou a trabalhar nesse sentido.
com o público e o que têm feito de ino- ao YouTube, sinceramente, pouco ou vo deve apenas ser centrar-me em ser RS: Quero continuar no Troféu, mas a solo.
vador para terem mais seguidores, co- nada, porque não penso que me traga mais agressivo. Estou a partilhar o carro Vencer o KRO foi uma ajuda espetacu-
mentários e partilhas? uma grande ajuda. O traçado da Rampa com o meu parceiro e sinto que não te- lar, já que apenas tenho que suportar os
HVU: Passa mesmo por partilhar a minha do Caramulo não existe no Autódromo nho arriscado tanto para também não custos de deslocação e de estadia, mas já
forma de estar na vida. Gosto de intera- Virtual e preferi deslocar-me mais cedo comprometer a corrida dele, mas julgo estou a trabalhar no projeto de 2019. As
gir com as pessoas, dar-me a conhecer ao local para conhecer o espaço, as curvas que poderei aumentar um bocadinho o coisas estão a correr bem, felizmente, e
e acredito que é importante passar uma e o tipo de alcatrão, o que acredito ser mais nível agora que já conheço melhor o Kia acredito que mais tempo ao volante do
imagem de autenticidade. Penso que te- benéfico. Tanto eu como o Rui contamos Picanto GT Cup. Tenho-me poupado um carro irá permitir-me atingir outro nível
nho uma imagem simpática e as publica- ainda com a ajuda do coach Nuno Santos, bocado, no sentido em que tudo tem sido na minha condução.

N/26 A jornada britânica marcou a
NOTÍCIAS DTM entrada na segunda metade
do calendário, com quatro
MERCEDES de 10 provas por disputar.
BISA EM Gary Paffet (Mercedes), apesar de
INGLATERRA um fim de semana mais apagado,
A comitiva do DTM deslocou-se a Brands Hatch para a sexta chegou líder e nessa condição saiu
ronda da temporada, num fim de semana em que foram os de Inglaterra, tendo o título cada não foi além do 16º posto. Pilotos
homens da Mercedes a ditarem o ritmo vez mais ao seu alcance. Mas, que assumiram o protagonismo
lideranças à parte, foi a Daniel da segunda corrida. Paffet saiu da
André Duarte Juncadella e Paul di Resta, seus pole position mas foi superado por
[email protected] colegas de equipa na Mercedes, di Resta, segundo, logo no arran-
que couberam os louros do fim que. Posições que foram mantidas
LEIA E ACOMPANHE TODAS de semana. durante toda a prova, mesmo após
AS NOTÍCIAS EM AUTOSPORT.PT Na primeira corrida, o espanhol, as paragens e uma intervenção do
que largou da pole position, partiu
mal, mas conseguiu recuperar e
alcançar o seu primeiro triunfo no
DTM. A acompanhá-lo no pódio
ficaram Augusto Farfus (BMW)
e Lucas Auer (Mercedes), em se-
gundo e terceiro, respetivamente.
O líder do campeonato, Gary
Paffett, foi sexto, um resultado
que soube a pouco. No entanto,
este permitiu-lhe ganhar pontos
ao seu mais direto adversário na
luta pelo título, Paul di Resta, que

CRA RALI DE RALLYLEGEND BREEN
SANTA MARIA E HIRVONEN NA FESTA DA MARTINI
LUÍS REGO JR.
BATE Craig Breen e Mikko Hirvonen são Esta será a primeira aparição de
BERNARDO os primeiros dois grandes nomes Hirvonen num WRC desde sua única
SOUSA do WRC ‘moderno’ confirmados no participação numa prova espanhola
Rallylegend, evento que se realiza de em 2015 com um Mini John Cooper
Grande duelo em Santa Maria pela O terceiro lugar do rali foi para Ruben 11 a 14 de outubro em Itália. O piloto Works, um ano depois de se retirar da
vitória no quarto rali do campeonato. Rodrigues, mas o piloto do Peugeot 208 da Citroën vai assumir o volante de disciplina.
Luís Rego Jr. bateu Bernardo Sousa por R2 terminou a quase quatro minutos dos um C4 WRC, o mesmo modelo que O evento deste ano celebrará o 50º
apenas 6.6s, sendo o último troço – dois primeiros, tendo vencido entre as levou Sébastien Loeb WRC a quatro aniversário da Martini no desporto
Picos/Saúde – o mais longo do rali, o que duas rodas motrizes, à frente de Rafael títulos mundiais de ralis, entre 2007 automóvel e reunirá os icónicos
decidiu a prova, uma vez que o piloto Botelho, que terminou em quarto. e 2010. veículos da Martini e respetivos
açoriano bateu o piloto madeirense por A prova mariense ficou também Já Mikko Hirvonen vai correr com um pilotos. Uma das estrelas já
8.3s e subiu desta forma à liderança. marcada pela estreia de José Paula, aos carro que lhe é muito familiar: o Ford confirmada é o bicampeão mundial
Esta é a prova que Rego mais gosta, comandos de um Peugeot T16 R5, mas o Focus WRC. O finlandês conseguiu de ralis, Miki Biasion, que venceu os
tendo somado a sua segunda vitória piloto radicado na ilha do Pico desistiu 12 vitórias para a Ford em várias títulos de 1988 e 1989 num Lancia
consecutiva na ilha do Sol. na terceira especial, depois de um toque evoluções do modelo, de 2006 a 2010. Delta Integrale. RF
Com este resultado, o piloto do Fiesta R5 que danificou a roda traseira direita do
recupera pontos a Bernardo Sousa, com seu carro. Luís Pimentel também esteve
a diferença entre ambos a ser agora de em Santa Maria com um Porsche 911
7.2 pontos, numa altura em que faltam Gt3 Cup, mas também não conseguiu
três ralis para o final do campeonato. terminar. RF

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27

PIRELLI WORLD CHALLENGE
FIM DE SEMANAAZIAGO
PARA PARENTE

Safety Car, devido a um acidente Marco Wittmann e Lucas Auer Foi em Utah, no passado fim de semana, que no quinto posto a segunda corrida, voltando
entre Robin Frijns e Lucas Auer. A têm ambos 110 pontos e ocupam se disputou a antepenúltima ronda (9ª) do a destacar-se ao assinar novamente a volta
terceira posição ficou nas mãos de a terceira e quarta posições. A ano do Pirelli World Challenge. Álvaro Parente mais rápida em Utah.
René Rast (Audi), após duelo com vantagem é do alemão por já ter e Andy Soucek tiveram uma prova difícil, com Um desfecho amargo num fim de semana
Pascal Wehrlein. vencido duas vezes este ano. A os resultados a serem condicionados por em que os pilotos mostraram claramente
Após a sexta ronda da época, Gary próxima prova está agendada questões técnicas. que tinham tudo para triunfar. “Duas
Paffett lidera o campeonato com para os dias 24 a 26 de agosto em A dupla assegurou a pole position para corridas que podíamos vencer, mas que não
177 pontos, mais 29 que di Resta. Misano, Itália. a primeira corrida, da autoria do piloto as pudemos disputar convenientemente
português. Uma performance assinalável, já devido a contrariedades técnicas. É muito
que Parente bateu o recorde da pista que já desapontante para toda a equipa. Foi um
era seu e datava de 2016. mau fim de semana. Foi desapontante
Ao volante do Bentley da K-Pax, o português porque tínhamos um carro extremamente
teve um bom início de corrida até um competitivo e pequenos problemas
problema com o ABS do seu carro o ter impediram-nos de vencer, o que foi pena,
obrigado a rumar às boxes. Tempo perdido uma vez que foi o último fim de semana
que se verificou vital e impediu o obtenção que tivemos o Andy connosco”, afirmou o
de um bom resultado, com a dupla a não se português.
classificar. A duas corridas do final da época, Parente
Andy Soucek ainda regressou à pista e afirma: “ Agora é preciso olhar para a frente e
assinou a volta mais rápida, garantindo concretizar o nosso potencial nos resultados
a pole position para a segunda corrida , que estão ao nosso alcance”.
mas uma infração técnica viria a obrigá-lo Watkins Glen é o palco da próxima ronda do
a alinhar na via das boxes. Apesar desta Pirelli World Challenge, de 31 de agosto a 2
condicionante, a dupla conseguiu terminar de setembro. AD

‘WRCP1’ OFERECEDESCONTOS
PARAADEPTOS

PORSCHE CAYMAN GT4 ESTREIA-SE O promotor do WRC anunciou uma de seis meses de WRC Plus; terem
NO RALI DAALEMANHA nova iniciativa em que os adeptos da um cartão de adepto; descontos em
disciplina podem aceder a um pacote produtos oficiais e um cartão de
crédito do WRC.
O Rali da Alemanha, que tem início já estudo de conceito para a categoria O ‘WRC P1’ possibilita aos membros par-
amanhã, não faz parte do calendário R-GT da FIA. Dumas explica que o car- ticiparem em sorteios com prémios exclu-
do R-GT Cup. Ainda assim vai haver ro se baseia no carro de GT (pistas) sivos. O maior destaque é uma viagem para
um Porsche no evento, ainda que cor- e é alimentado por um motor de seis duas pessoas à última prova da temporada
ra como carro zero. Será o Porsche cilindros em linha, 3.8 litros a debitar de 2018, na Austrália, em novembro. Esta
Cayman GT4 Clubsport, de tração tra- 385 cv. O Porsche Cayman possui ainda inclui entrada na Gala do WRC, no fim do
seira e motor central, que está a ser transmissão de dupla embraiagem da ano, em Sidney. Entre os restantes sor-
preparado e desenvolvido por Romain Porsche (PDK) com patilhas no volante. teios encontram-se co-drives num World
Dumas, num projeto que nasceu de um Rally Car numa prova do Mundial de 2019.
MARTIN HOLMES Custa 60 euros e inclui seis meses de
acesso ao WRC+ com WRC All Live, sendo
ativado quando o utilizador entender.

MARTIN HOLMES

>>motosport.com.pt Alexandre Melo
[email protected]
M O T O G P ÁUSTRIA
No futebol de seleções e antes da
FÚRIA recente onda de sucessos, que
ESPANHOLA resultou na conquista de dois
Mundiais e um Europeu entre
Foi na língua de Cervantes que se discutiu a vitória no 2008 e 2012, dizia-se que a ‘La Roja’
belíssimo Red Bull Ring. Jorge Lorenzo e Marc Márquez deram sempre que entrava em campo trazia
um grande espetáculo, em solo austríaco, onde acima de tudo como marca de água a famosa ‘fúria’
espanhola. Mais do que uma ideia de
quem saiu vencedor foi o MotoGP. Já a corrida teve como jogo tratava-se de um estado de alma
vencedor Lorenzo, enquanto Márquez, segundo classificado, muito próprio do país vizinho.
E foi precisamente dessa ‘fúria’ que me
também ficou a sorrir porque, mais uma vez, dilatou a lembrei quando vi, através da televi-
vantagem para o segundo do campeonato são, o incrível duelo entre Jorge Lorenzo
e Marc Márquez pelo primeiro lugar.
ACOMPANHE TODA A INFORMAÇÃO Assistimos a uma autêntica batalha
DIARIAMENTE EM MOTOSPORT.COM.PT sem quartel, entre pilotos espanhóis,
com motos diferentes (Honda e Ducati),
mas que nunca resvalou para o lado da
deslealdade. Muitas ‘ganas’ entre dois

29

C/ C L A S S I F I C A Ç Ã O

MOTOGP (DUCATI) 39M40.688S
1º JORGE LORENZO (HONDA) + 0.130S
2º MARC MÁRQUEZ (DUCATI) + 1.656S
3º ANDREA DOVIZIOSO (HONDA) + 9.434S
4º CAL CRUTCHLOW (DUCATI) + 13.169S
5º DANILO PETRUCCI

CAMPEONATO 201 PTS
1º MARC MÁRQUEZ 142 PTS
2º VALENTINO ROSSI 130 PTS
3º JORGE LORENZO 129 PTS
4º ANDREA DOVIZIOSO 113 PTS
5º MAVERICK VIÑALES

consagrados que venceram os últimos responderá a esta pergunta. luta pela vitória, mas na segunda fase e Maverick Viñales por não conseguir
seis Mundiais de MotoGP e que em 2019 Para a história fica a segunda vitória da contenda não demonstrou ritmo entregar aos seus pilotos uma moto
serão companheiros de equipa na Honda consecutiva da Ducati - está imbatível para tal, deparando-se mesmo com suficientemente competitiva. Segundo
Racing Corparation. desde o regresso pós pausa de verão - e os já famosos problemas de eficácia os responsáveis do triplo diapasão os
Na fase final da corrida foram inúme- a continuidade da invencibilidade no Red nos pneus. Um obstáculo que deixou problemas incidem ao nível da eletrónica
ras as vezes que Lorenzo e Márquez Bull Ring, que nesta série faz parte do ‘Dovi’ desiludido apesar de ter somado e potência do motor, fator ‘mortal’ no
trocaram entre si de posição no topo calendário desde 2016. Três triunfos que o quarto pódio da época. rápido Red Bull Ring.
da ‘cadeia’, depois do homem da Honda tiveram a assinatura de Andrea Iannone, Seguiu-se Cal Crutchlow, que realizou Na qualificação o terramoto foi de tal
ter dominado, de forma surpreendente, Andrea Dovizioso e agora Jorge Lorenzo. uma corrida muito sólida e foi o melhor forma que tanto Rossi como Viñales
a primeira fase da contenda. O momento Quanto a Marc Márquez, perante a inca- piloto satélite em competição. Um resul- ficaram fora do top 10, o que deixou a
decisivo chegou no arranque da última pacidade de superar Lorenzo na última tado que aproximou o britânico do topo Yamaha com a sua pior qualificação
volta, altura em que Jorge superou Marc. volta, colocou um travão no seu ímpeto desta classificação, pois está só a um desde 2007. Como se não bastasse a
Mais à frente, na forte travagem para e segurou o segundo lugar, resultado ponto de Johann Zarco, nono no exame longa seca de vitórias que já vem desde
a Curva Remus, o nº 93 ainda tentou que lhe permitiu obter o nono pódio em austríaco. O futuro piloto da KTM viveu junho de 2017.
suplantar o nº 99, mas tal não foi pos- 11 corridas esta época. Consequência mais um fim de semana dececionante, Na corrida, Rossi, mesmo vindo da dis-
sível porque Lorenzo surpreendeu na dessa regularidade aumentou mais como aliás tem sido hábito nos últimos tante 14ª posição, conseguiu ‘salvar os
aceleração e disparou para a terceira uma vez a vantagem para o segundo meses. móveis’ e viu a bandeira de xadrez em
vitória do ano. classificado do campeonato, Valentino Yamaha no tapete sexto. O mais inexperiente Maverick foi
Um triunfo que o tricampeão do mundo Rossi. O ‘fosso’ já vai em 59 pontos, ou Um sentimento de desilusão que não apenas 12º - pior classificação do ano nas
de MotoGP não escondeu ser um dos seja, mais de dois Grandes Prémios de se alargou apenas ao piloto satélite da corridas que terminou - e carregando
“melhores da carreira” e que, dizemos diferença. Yamaha, mas igualmente a toda a es- um sentimento de alguém que vai para o
nós, poderá ter colocado os respon- No lugar-tenente desta guerra ficou trutura de Iwata. De tal forma que após a cadafalso, não teve rodeios em dizer que
sáveis da Ducati a coçar a cabeça em Andrea Dovizioso, o vencedor do even- qualificação o estado-maior da Yamaha não está a desfrutar da sua pilotagem.
relação ao acerto da decisão de dei- to anterior que precedeu a chegada à chamou os jornalistas às suas instala- Problemas a mais e que contrastam
xar sair da equipa, no final do ano, o Áustria. Em determinada fase da corrida ções no paddock do Red Bull Ring para, com o bom momento das rivais Honda
maiorquino. Porém, o que está feito, ainda houve a ideia de que o homem através de um curta declaração, pedir e Ducati. É assim a montanha-russa
feito está e só a máquina do tempo da Ducati poderia estar envolvido na desculpa publicamente a Valentino Rossi do MotoGP.

30 M O T O 2 ÁUSTRIA

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DIFÍCILDEENGOLIR o português que acabou por sentir na
Em mais um duelo memorável com pilotos italianos e da Sky VR46, agora com o grande rival pele aquilo que havia feito uma semana
Francesco Bagnaia, Miguel Oliveira esteve muito perto de obter o terceiro triunfo da época. antes a Luca Marini, colega de equipa
Mas este caiu para o lado de Bagnaia, pois as corridas são mesmo assim, umas vezes de ‘Pecco’ Bagnaia, na República Checa.
ganha-se outras perde-se. A luta pelo título mundial continua em aberto, apesar do regresso Um desfecho que acabou por desiludir
ao segundo lugar do campeonato Miguel Oliveira que procurava oferecer
o triunfo caseiro à KTM e à própria Red
Alexandre Melo Com uma regularidade impressionante homem da Red Bull KTM Ajo rapidamente Bull, duas insígnias austríacas. Ficou re-
[email protected] nesta temporada, o piloto luso tem estado saltou para a frente da corrida. E foi nessa gistado o sétimo pódio do ano e a descida
sempre lá, isto é, bem junto das primeiras posição que permaneceu durante grande ao segundo posto do campeonato a três
Diz um conhecido treinador por- posições, o que já rendeu duas vitórias e parte da contenda, não obstante a partir pontos de Francesco Bagnaia, numa luta
tuguês de futebol, com obvia- não só. De tal forma que é o único pilo- de determinado momento ter colado à que está para durar.
mente provas dadas no nosso to do competitivo plantel de Moto2 que, traseira da sua KTM Francesco Bagnaia, “É um sabor agridoce terminar uma
campeonato, que as grandes em 2018, até ao momento, não terminou o seu grande rival na luta pelo título, que corrida como esta na segunda posição.
equipas são aquelas que estão nenhuma corrida abaixo do sexto posto. não teve um início de corrida fácil. O piloto Desde o início sabia que perdia um pouco
nas decisões, leia-se, finais ou É obra. da Sky VR46 saiu largo na primeira curva, de terreno no terceiro setor e que aí o
momentos que definem os campeonatos. Depois do estrondoso sucesso em Brno, logo após a partida, e foi forçado a fazer Francesco Bagnaia era forte. Na última
Isto porque ao contrário daquelas que Oliveira viveu no Red Bull Ring um daque- uma pequena recuperação até ficar em volta tentei fechar a trajetória, mas não
ficam pelo caminho, essas equipas estão les momentos em que esteve lá, junto das condições de discutir o primeiro lugar. deu. Ataquei na última curva, mas com a
sempre mais perto de ganhar, mesmo decisões, mas não conseguiu capitalizar Esperava-se uma grande batalha nas úl- roda traseira no ar foi difícil parar a moto.
tendo a perfeita noção de que não é pos- essa situação em ouvir a ‘A Portuguesa’ timas voltas e as expectativas não saíram Estou feliz por mim, pela equipa, e por tudo
sível vencer sempre. no pódio. Depois de ter sido o segundo defraudadas. Depois de uma forte pressão estar a funcionar bem. Na próxima corrida
Um raciocínio que não deixa de ser in- mais veloz na qualificação (melhor re- imposta por Bagnaia, tudo ficou resolvido voltarei a lutar pela vitória”, garantiu o
teressante e que bem pode ser aplicado sultado do ano) - o problema das difíceis nas últimas duas curvas quando, numa vice-campeão do mundo de Moto3 em
ao que tem feito Miguel Oliveira em 2018. qualificações parece ultrapassado - o manobra sagaz, o transalpino superou 2015 que mais uma vez voltou a ter nos
pilotos italianos os seus grandes rivais.
Francesco Bagnaia assegurou a quinta
vitória da época, enquanto Luca Marini,
com uma corrida muito aguerrida - partiu
de 10º - foi terceiro e garantiu o terceiro
pódio consecutivo da época dando assim

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M O T O 3 ÁUSTRIA

PERFEIÇÃOESUPERAÇÃO

O fim de semana no Red Bull Ring 11ª corrida do ano, um facto de mostrou uma força que só os
para a categoria de Moto3 foi assinalar na sempre ‘embrulhada’ grandes campeões possuem. Uma
marcado por duas figuras, Marco categoria de Moto3. semana depois de ter contraído
Bezzecchi e Jorge Martín, que Assim Bezzecchi conquistou uma fratura no braço esquerdo,
curiosamente são os dois pilotos a segunda vitória do ano e devido a uma queda nos treinos
mais bem posicionados para respetivamente da carreira em livres do GP da República Checa, e
conquistar o título mundial. Moto3, feito que o permitiu alargar passar consequentemente por uma
Dois pilotos que merecem ser o seu comando no campeonato, operação, Martín finalizou a corrida
adjetivados, de forma individual, tendo agora 12 pontos de vantagem austríaca num categórico terceiro
precisamente com as palavras para o segundo classificado, Jorge lugar, depois de ter sido segundo
que dão o título a estas linhas. A Martín. Para tornar tudo ainda na qualificação. Uma extraordinária
começar, perfeição para Marco mais memorável o italiano viu ser fibra do piloto de Madrid numa
Bezzecchi, pois viveu um fim anunciada a sua subida ao Moto2 fase em que está em jogo a
de semana em solo austríaco em 2019, onde vai representar discussão do título mundial, pelo
para mais tarde relembrar. No a nova KTM Tech 3 e ofereceu à que qualquer deslize pode ser fatal.
sábado, Marco conquistou a sua própria KTM uma sempre saborosa Num plano mais secundário, mas
primeira pole position em Moto3, vitória caseira. não menos importante, destaque
enquanto no domingo dominou Já Jorge Martín teve um fim de para o regresso ao pódio de Enea
praticamente de fio a pavio a semana de superação em que Bastianini, segundo classificado.

C/ C L A S S I F I C A Ç Ã O

MOTO3

1º MARCO BEZZECCHI (KTM) 37M13.198S
+ 0.473S
2º ENEA BASTIANINI (HONDA) + 0.544S
+ 1.373S
3º JORGE MARTÍN (HONDA) + 1.421S

4º ALBERT ARENAS (KTM)

5º LORENZO DALLA PORTA (HONDA)

CAMPEONATO

1º MARCO BEZZECCHI 158 PTS

2º JORGE MARTÍN 146 PTS

C/ C L A S S I F I C A Ç Ã O 3º FABIO DI GIANNANTONIO 121 PTS

4º ARÓN CANET 118 PTS

5º ENEA BASTIANINI 117 PTS

1º FRANCESCO BAGNAIA (KALEX) 37M45.914S
+ 0.264S
2º MIGUEL OLIVEIRA (KTM) + 5.953S
+ 6.114S
3º LUCA MARINI (KALEX) + 8.554S

4º MATTIA PASINI (KALEX)

5º JORGE NAVARRO (KALEX)

CAMPEONATO

1º FRANCESCO BAGNAIA 189 PTS

2º MIGUEL OLIVEIRA 186 PTS

3º ÁLEX MÁRQUEZ 113 PTS

4º BRAD BINDER 111 PTS

5º LORENZO BALDASSARRI 106 PTS

continuidade a um excelente momen-
to de forma. A corrida do meio irmão de
Valentino Rossi ficou marcada por uma
batalha, pelo pódio, com Álex Márquez
até à última curva, onde este não evitou
uma queda que ditou o segundo abandono
consecutivo.
Seguiu-se outro piloto transalpino, no
caso Mattia Pasini, que deixou para trás
uma sequência de resultados menos po-
sitiva e que o deixaram fora da luta pelo
campeonato. O espanhol Jorge Navarro foi
quinto, numa corrida onde chegou a andar
em segundo na fase inicial, e obteve no
Red Bull Ring a sua melhor classificação
em Moto2 até ao momento. l

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HARLEY
DAVIDSON

» FAT BOY 2018

THE NEW TERMINATOR

A Harley-Davidson Fat Boy nasceu no final dos anos 80
quando Willie Davidson e Louie Netz decidiram produzir
um protótipo para participarem no Daytona Bike Week de
1988 e 89. Dada a expectativa e o sucesso que o modelo
criou passou a ser comercializado a partir de 1990 e
mantém-se até aos dias de hoje

Pedro Rocha dos Santos e preparados para rodar em grupo. 18,9 litros, podemos concluir que a Fat Boy talvez também porque a sua dimensão e
[email protected] Os cerca de 300 km de autoestrada até terá uma autonomia para perto de 300 km. peso compensem com maior estabilidade.
ao Algarve foram realizados dentro dos Ao pararmos em qualquer lugar a Fat Boy A frente da Fat Boy é realmente impactan-
AFat Boy foi imortalizada pelo limites legais de circulação, sempre nos é sempre motivo de atração e comentários. te, com especial destaque para a peça cro-
ator Arnold Schwarzenegger 120 km/h, com algumas aceleradelas A combinação cromática da unidade que mada do farol dianteiro que cobre também
nos filmes da série Terminator pelo meio para testar a capacidade de nos foi disponibilizada - onde o preto con- a suspensão e forma um bloco com os
tendo também aparecido em recuperação da Fat Boy e a sua velocida- trastava com uma enorme quantidade de copos protetores das barras e das bainhas.
outros filmes como Sons of de de ponta. Confesso que por vezes, no cromados – era de facto impactante. Para Uma frente realmente bem desenhada
Anarchy, Wild Hogs e até na meio do entusiasmo, chegámos a superar além dos elementos cromados caracte- onde o moderno farol de tecnologia LED
série CSI Miami. momentaneamente os 190 km/h, claro rísticos, a Harley dotou a sua Fat Boy de contrasta com o formato e aspeto retro
O modelo de 2018 mantém a sua aparência que algo pendurados no guiador pois a acabamentos satinados que constrastam do conjunto farol/suspensão.
robusta que não deixa ninguém indiferen- Fat Boy não inclui qualquer proteção ae- e valorizam o aspeto geral da moto. O guiador da Fat Boy é bastante largo
te. Relativamente ao modelo anterior, de rodinâmica. Considerando esta realidade O elemento sempre mais controverso e baixo e a posição obriga a termos os
2017, sofreu uma evolução importante, recomenda-se, talvez para viagens mais das Fat Boy são as jantes sólidas de 18”. braços numa posição demasiado esticada.
sobretudo ao nível das suspensões, agora longas e para diminuir o cansaço dos bra- Embora sempre tenham marcado este Com 1.80 m de estatura, ou seja, não sendo
Showa: na traseira com mono-amorte- ços, a montagem de um pára-brisas, já que modelo, muitos consideram que estas propriamente baixo, achei que estava no
cedor e na frente com sistema SDBV de acima dos 120 kmh/ o esforço adicional são demasiado sensíveis aos ventos la- limite para não se tornar esforçada. Os
Dual Bending Valve, que permite um maior das nossas mãos para não deslizarem terais. Pela nossa parte não sentimos espelhos eram fáceis de ajustar e garan-
controle e suavidade na compressão e nos punhos era considerável. demasiado essa particularidade e em tiam uma visão correta, sem vibrações.
na extensão, dotando a Fat Boy de maior Ao longo de cerca de 4 horas de cami- momento algum notámos instabilidade As manetes não tinham a possibilidade
conforto e controle na condução. Mas já nho a Fat Boy mostrou todas as suas na moto provocada por ventos laterais, de ajuste da sua distância ao punho o
lá vamos. qualidades estradistas, proporcionando
Como ensaiar uma Harley-Davidson é uma agradável condução, sem vibrações
sempre um momento especial, decidimos excessivas nem ruído incómodo, e um
fazê-lo da melhor forma, rumando ao enorme conforto sempre que respeitado
Algarve - juntamente com centenas de o limite de 120 km/h.
outros motociclistas - para aproveitar Surpresa agradável foram também os
a Concentração de Faro. O objetivo não consumos, com a Fat Boy a acusar pouco
era participar na concentração mas sim mais de 5 litros aos 100 km, o que, para um
sentir a energia especial desse fim de motor de 1.868 cc, é de facto espantoso. Se
semana montados numa Harley icónica considerarmos a capacidade do depósito,

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que provavelmente será entendido como uma recordação desta magnífica Fat Boy.
uma “mariquice” desnecessária numa Aliás, o tampão do lado direito sem fecho
Harley-Davidson. de origem expõe também o combustível
Os comandos são bastante fáceis de acio- a qualquer ato de vandalismo ou maldade.
nar e de belo efeito estético. Os punhos A baixa altura do assento - 67,5 cm - per-
são metálicos semi-forrados a borracha mite-nos com enorme facilidade chegar
e oferecem um tato confortável e uma com os pés ao chão para, quando parados,
aderência ótima, mesmo sem luvas. podermos equilibrar a Fat Boy. Em an-
O painel de informação situa-se sobre o damento mais arrojado as plataformas
depósitoetemumadimensãoquepermite roçaram aqui e ali no alcatrão mas foi
uma boa leitura de toda a informação, apenas em situações mais extremadas
deixando a zona frontal do guiador total- de inclinação, realidade esta que, apesar
mente livre e despida de qualquer outro da segurança sempre sentida, não é pro-
elemento, algo que confere um aspeto priamente a vocação da Fat Boy.
minimalista característico que nos agra- O banco do pendura não é muito con-
dou bastante. fortável nem muito espaçoso para além
O depósito monta dois tampões, um de de que não existem pegas laterais para
cada lado, sendo que o esquerdo é falso que este se possa segurar. No caso de
mas facilmente retirável o que representa
um risco e uma tentação para os amigos
do alheio, caso entendam querer levar

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se pretender uma utilização assídua re- 2018 é ao nível do seu quadro, mais rígido Ao dispor temos um motor silencioso FT/ F I C H A T É C N I C A
comendamos pensar em melhorar esta e reforçado mas com menos elementos e e sem vibrações, que não é novidade, e
realidade, talvez investindo num apoio substancialmente mais leve. O que carac- que monta um eixo de equilíbrio que as 1745/1868 CC
dorsal ou num banco mais confortável teriza a designação “softail” é o desenho elimina, isto certamente contra a vontade
para o passageiro. A traseira da Fat Boy do quadro que faz parecer que a moto é de muitos dos puristas da marca. CILINDRADA
monta agora, por debaixo do guarda lamas de quadro rígido na traseira, ou seja, que A falta de vibrações, suavidade e silên-
cortado ao estilo Bobber, um novo farol o braço oscilante “não oscila”. cio do seu motor, acompanhado por um 107/114 CV
de LED, perfeitamente integrado e sóbrio, No modelo de 2018 a Harley-Davidson re- roncar melodioso proporcionado pelas
que contribui para um “look super clean” desenhou totalmente o quadro no sentido duas ponteiras de escape, a par do acerto POTÊNCIA
do conjunto. de o evoluir nos aspetos mais criticáveis do desempenho das novas suspensões,
A grande novidade deste modelo para do seu passado que a penalizavam em transformaram os 850 km percorridos 18,9 L
termos de conforto e manobralidade. As nesse fim de semana numa fantástica
CONCORRÊNCIA suspensões foram por isso totalmente experiência, em nada desgastante, tendo DEPÓSITO
revistas e contam agora com um amor- em conta a expectativa algo conservadora
INDIAN CHIEF DARK HORSE - 1811CC tecedor Showa colocado por baixo do que levávamos de início connosco. Mais, a 304 KG
banco em situação praticamente invisível volta foi decidida realizar pelas estradas
N.D. CV e que permite um ajuste fácil de pré-carga nacionais junto à Costa Vicentina, pas- PESO
de mola. sando primeiro por Sagres, onde ainda
POTÊNCIA A Fat Boy goza ainda de maior estabilidade tivemos a oportunidade de confraternizar MOTOR BICILÍNDRICO,V-TWIN 45º, 4
graças a um maior ângulo de direção - de uns momentos com alguns membros do TEMPOS, DOHC. CILINDRADA 107/ 1.745CC
354 KG 30º - e a uma maior distância entre eixos. Clube Motard de Vila do Bispo (não houve E 114/ 1.868 CC POTÊNCIA MÁX. 109
Onde a Fat Boy ainda fica algo curta é na tempo para os caracóis e as imperiais pois FT/LB E 119 F/LB BINÁRIO MÁX. 145NM
PESO travagem pois continua a montar apenas tínhamos 300 km de estradas nacionais EMBRAIAGEM MULTIDISCO EM BANHO
um disco na dianteira o que apesar de e secundárias pela frente nessa tarde de DE ÓLEO ALIMENTAÇÃO INJECÇÃO ELE.
22 800€ incluir agora ABS é insuficiente para o domingo ). Neste percurso a Fat Boy mos- CAIXA VEL 6 VEL. CHASSI E SUSPENSÕES
peso de mais de 300 kg da moto. trou a sua enorme evolução no conforto e QUADRO SOFT TAIL SUSPENSÃO
PREÇO BASE Em termos de motorização a Harley- no seu comportamento geral, apesar do DIANTEIRA SHOWA SUSPENSÃO
Davidson disponibiliza para a Fat Boy mau estado de algumas das estradas e da TRASEIRA MONOAMORTECEDOR SHOWA
duas possibilidades do seu V-Twin a 45º. dimensão do pneu traseiro que resistia ao AJUSTÁVEL EM PRÉ-CARGA TRAVÕES E
A primeira de 107 Cubic/Inch, ou seja, 1.745 inclinar nas curvas. PNEUS TRAVÕES DIANTEIROS 1 DISCO
cc com 145 Nm de binário; a segunda a No final foi uma experiência extrema- COM 4 PISTONS TRAVÕES TRASEIROS I
versão 114 Cubic/inch, ou seja, com 1.868 mente gratificante, onde pudemos viver DISCO COM 2 PISTONS PNEU DIANTEIRO
cc e igualmente 145 Nm de binário, sendo o verdadeiro espírito Harlista e partilhar 160/60-18 C/ JANTES EM LIGA PNEU
esta última versão aquela que ensaiámos. alguns momentos em estrada com outros TRASEIRO 240/40-18 C/ JANTES EM LIGA
companheiros rumo ao maior evento ELETRÓNICA E ELETRICIDADE BATERIA
europeu dedicado às motos e aos mo- 12 V, BAH VRLA LUZES DIANTEIRAS FULL
tociclistas, onde tudo decorreu, como LED LUZES TRASEIRA FULL LED PAINEL
habitualmente, de forma pacífica e muito INFO MANÓMETRO MULTI INFORMAÇÃO
animada. CONTROLE TRAÇÃO NÃO RIDE BY WIRE
Dependendo dos modelos, cores e motori- NÃO MODOS DE MOTOR NÃO DIMENSÕES
zações as Fat Bob têm diferentes PVPs. COMPRIMENTO 2.370 MM LARGURA
N.D. MM ALTURA N.D. MM DISTÂNCIA
ENTRE EIXOS 1.665 MM DISTÂNCIA AO
SOLO N.D. MM ALTURA DO BANCO 675 MM
RESERVA N.D. CONSUMOS N.D. NORMA
EMISSÕES EURO 4

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P/ P R E Ç O S

FAT BOB MILWAUKEE – EIGHT 107 CUB. INCH

VIVID BLACK 22.550 EUR

COR ÚNICA 22.800 EUR

DOIS TONS 23.300 EUR

FAT BOB MILWAUKEE – EIGHT 114 CUB. INCH

VIVID BLACK 24.500 EUR

COR ÚNICA 24.750 EUR

DOIS TONS 25.250 EUR

ANIVERSÁRIO 25.900 EUR

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BRUNO GIACOMELLI adeptos. No entanto, além do seu talento
enquanto jovem promessa, destacou-se
SMOOTH pela sua incrível capacidade como piloto
OPERATOR de testes e desenvolvimento e também
pela suavidade com que tratava a me-
Conhecido pelas suas performances ao volante dos Alfa cânica dos seus carros. Pena que nem
Romeo na Fórmula 1 e pelo seu domínio quase absoluto assim eles chegassem ao fim…
durante a sua passagem pela Fórmula 2, Bruno Giacomelli
terá sido, decerto, um dos pilotos mais talentosos a surgir Guilherme Ribeiro VINDO DE UM MEIO POBRE
no final da década de 70. Porém, diversas circunstâncias [email protected]
contribuíram para que a sua carreira acabasse quase no Bruno Giacomelli nasceu a 10 de setembro
Poucas pessoas conhecem a his- de 1952 em Poncarale, nos arredores de
anonimato, após um regresso à Fórmula 1 com a Life tória de Bruno Giacomelli, à par- Brescia, portanto, numa das zonas mais
te a afamada passagem pela Life ricas da Península Itálica, a Lombardia. No
– história essa má demais para entanto, ao contrário da grande maioria
ter sido verdade – e pelas suas dos pilotos, Giacomelli vinha de uma fa-
exibições no início dos anos 80 mília relativamente pobre, já que o seu pai
com os Alfa Romeo na Fórmula 1. O facto era agricultor e a mãe empregada domés-
de nunca ter estabelecido uma carreira tica. Decerto que, por muito que o jovem
fixa noutra disciplina depois de deixar a Bruno gostasse do desporto motorizado,
modalidade não terá contribuído para que não haveria capacidade financeira para
o italiano ficasse mais conhecido pelos tal coisa. Ainda assim, quando acabou
os estudos, o nosso homem começou a

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correr em provas locais de motocross na insistiram para que ele testasse o carro pação na última ronda do Campeonato do. Nino decidiu apoiar Giacomelli para o
categoria de 50 cc (a mais barata, claro) e, durante um período de licença, Bruno, Italiano de F3, com a equipa de Cesare lugar na equipa de fábrica e tratou de lhe
tendo-se destacado nas duas rodas (tal agora com a patente de Sargento, decidiu Gariboldi (que mais tarde seria o grande arranjar bons sponsors. Graças ao seu
como um senhor chamado Pedro Lamy), pensar seriamente em voltar à compe- mentor de Ivan Capelli e do regresso da novo protetor, Bruno seria o primeiro
tratou de arranjar um Tecno de Fórmula tição, claro está, graças ao apoio desses March à Fórmula 1). piloto italiano a disputar o Campeonato
Ford – em terceira mão – para fazer al- mesmos amigos, que o recomendaram Provavelmente, Giacomelli esperava ficar Inglês de F3 com hipóteses reais de al-
gumas provas na região. Como o pouco à Scuderia Mirabella Mille Miglia, que lhe na equipa de Gariboldi a competir na F3 cançar o título.
dinheiro que tinha foi usado no carro, ele alugou um carro de Formula Italia para Italiana em 1976, mas tudo se precipitou À data, a F3 Inglesa estava dividida entre o
tinha que ser o seu próprio mecânico e 1974. A estreia ocorreu em Mugello, sob a partir daqui. Cesare Gariboldi deslo- campeonato Shellsport – promovido pelo
não havia financiamento para peças nem forte chuva e, para surpresa dos adversá- cava-se com regularidade a Inglaterra BRDC – e o mais prestigiado BP Super
para pneus novos, por isso é mais do que rios e do público, foi Giacomelli a vencer. O para comprar peças para os seus carros Visco, organizado pelo BARC. O objeti-
compreensível que a aventura tivesse talento evidenciado ao longo do resto da e Bruno, ciente de que este país repre- vo seria, como habitual, lutar pelos dois
terminado muito pouco depois. temporada chamou a atenção das prin- sentava a Meca do automobilismo, pediu campeonatos, contando com um March
Entretanto, Bruno Giacomelli foi chama- cipais equipas e em 1975 foi contratado para ir com Cesare. No périplo de ambos, 763-Toyota de fábrica. Bruno, que esta-
do para cumprir o serviço militar e, re- pela conceituada Cevenini, dominando uma visita à fábrica da March chamou a va então a tirar um curso de engenharia
fletindo sobre a sua breve experiência, por completo o campeonato ao obter atenção ao diretor de vendas da equipa, mecânica, estabeleceu-se em Bicester e
o jovem piloto decidiu não mais voltar à cinco vitórias e 45 pontos. Mesmo sem o milanês Sandro Angeleri, que sabia do passava os dias na fábrica, aprendendo a
competição. Felizmente, graças a alguns sponsors ou dinheiro vivo, os patrões da potencial do jovem italiano e estava no falar inglês e trabalhando com os mecâ-
amigos que possuíam um Formula Italia Fórmula 3 começaram a olhar de outra mercado à procura de jovens promes- nicos para compreender a sua nova mon-
– uma competição baseada em carros forma para o jovem de Brescia. Além sas para a equipa de Fórmula 3. Tal como tada a fundo. E, apesar de não conhecer
com motores Abarth e mais popular que a disso, o prémio oferecido pela equipa ao no início da sua carreira, foi coincidência os circuitos, não demorou a tornar-se um
Fórmula Ford por aquelas bandas – e que vencedor do campeonato era a partici- estes dois homens terem-se encontra- vencedor e a isolar-se na frente, junta-

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mente com o inglês Rupert Keegan, na Ferrari convidaram-no para ir com eles contra 71 do italiano. Giacomelli fez a pole equipa B da March, cuja principal dife-
luta pelos dois títulos. Este era um jovem até Modena para visitar Il Comendatore. e Keegan não esteve com meias medidas rença era a utilização de motores Hart,
talento emergente no meio britânico, que O encontro correu às mil maravilhas, o e abalroou o seu rival na largada. Ambos em vez dos BMW de fábrica que a marca
corria com equipamento igual, patroci- piloto foi amplamente elogiado e Enzo ficaram por ali. Keegan venceu o título, usava, na traseira do March 772P. Menos
nado pela empresa do pai, a British Air afirmou estar interessado em contra- mas Giacomelli saiu com melhor reputa- fiáveis, Bruno teve um início de época
Ferries, o que lhe dava um maior à von- tá-lo. Mas, como em tantas outras oca- ção e rotulado por muitos como o piloto conturbado, com numerosas quebras
tade na hora de atacar o título. siões, o gesto da Ferrari foi muito teatral. do ano na F3 Britânica. mecânicas. Pior do que isso, antes do
Enquanto os dois pilotos se digladiavam Giacomelli tinha assinado uma opção meio da época Sandro Angeleri foi preso
pela vitória em Inglaterra, chegou o fim de com a March para 1977 logo a seguir à O PRÍNCIPE DA FÓRMULA 2 por tráfico de droga e lavagem de dinhei-
semana do G.P. do Mónaco de Fórmula 3. vitória no Mónaco e Enzo ofereceu-lhe ro. Como grande parte do dinheiro para a
Naquele tempo não havia G.P. de Macau, de imediato ajuda legal a Bruno. Quando A Fórmula 2 teve muitos pilotos talento- temporada tinha sido pago, a March op-
por isso o fim de semana monegasco, este comunicou a Max Mosley o seu di- sos, principalmente até ao início da déca- tou por integrar Bruno na equipa oficial…
além do glamour acrescido, era a prova lema, este decidiu deixá-lo livre (talvez da de 70, quando as provas eram dispu- e os resultados surgiram de imediato, já
onde os candidatos aos diferentes cam- já conhecendo as manhas de Maranello). tadas habitualmente por jovens lobos e que Giacomelli venceu imediatamente
peonatos – desde o Europeu aos escan- Giacomelli chegou assim a Modena para pelas velhas raposas da Fórmula 1. O pi- em Vallelunga, repetindo a prestação em
dinavos – se juntavam para lutar pela receber uma proposta de contrato com a loto que mais provas venceu no campeo- Mugello, ao mesmo tempo que testava
vitória mais prestigiante do ano. Na sua equipa Minardi, que usava motores Dino nato foi o austríaco Jochen Rindt, com 12 extensivamente o modelo para o ano se-
manga, Giacomelli fez a pole position, a V6 na Fórmula 2. Pois bem, os motores vitórias. No entanto, as provas disputadas guinte, que se iria estrear em Donington
volta mais rápida e cilindrou comple- Ferrari de F2 eram pouco fiáveis e o pi- antes da criação do Europeu de F2, em em 1977. Moral da história, novo carro,
tamente os adversários, desde o rival loto percebeu a tempo que poderia co- 1967, ou extracampeonato, eram, à data, nova vitória de Giacomelli, que terminava
Rupert Keegan a dois candidatos ao título meter um grande erro e deixou Itália para tão ou mais valiosas que as do campeo- o campeonato em quarto, com 32 pontos,
europeu, Conny Andersson e Gianfranco cumprir os seus objetivos com a March. nato oficial, por isso o título de rei é atri- e deixava no ar a pergunta: se não sofres-
Brancatelli. Partindo da pole para a final, A luta entre Keegan e Giacomelli conti- buído indiscutivelmente ao malogrado se tantas falhas no início, quem sabe se
Bruno não deu hipóteses a ninguém, nuou até ao final do campeonato, mas piloto austríaco. Mas a haver um príncipe, não teria lutado pela coroa?
batendo o alemão Bertram Schäfer por acabou com jogo sujo. No campeonato teria de ser Giacomelli, que conquistou 11 Certo é que, em 1978, Bruno iria enca-
cerca de 20 segundos e repetindo a volta Shellsport, Giacomelli conquistou o títu- vitórias em apenas 25 participações. Mas beçar o ataque da March ao Europeu de
mais rápida, batendo mesmo o seu tempo lo antes da última prova, mas no concei- já lá chegaremos… F2, e o intenso trabalho de desenvol-
de qualificação! Agora, Giacomelli estava tuado BP Super Visco os ânimos estavam Após os sucessos de 1976, Giacomelli foi vimento do novo carro colheu os seus
na mira de todos os patrões da Fórmula ao rubro e, à entrada da última ronda, em colocado na AFMP Euroracing para dispu- frutos. O March 782-BMW era quase im-
1 e, no dia seguinte, dois amigos de Enzo Thruxton, Keegan liderava com 74 pontos, tar o Europeu de F2 de 1977. Basicamente, batível, principalmente com Giacomelli
a Euroracing, gerida por Angeleri, era uma

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ao volante, e o homem de Brescia “só” partido comunista - por vir de um meio ETCC estivesse num ponto particular- imediato, o francês ficou encantado com
venceu em Thruxton, Hockenheim, Pau, desfavorecido e ser simpatizante da es- mente baixo da sua existência, ainda a equipa e considerou que o carro tinha
Rouen, Nogaro, Enna-Pergusa, Misano e querda - não deixaram de impressionar havia equipas competitivas na frente, e potencial de ser um ganhador até ao fi-
Hockenheim, para terminar o campeona- Bruno, que começou a aperceber-se que Giacomelli deu uma preciosa ajuda aos nal da época.
to como vencedor, com 78 pontos, mais 30 o talento não era levado a sério. seus dois colegas, partilhando com eles Mais leve que o 179 apresentado na épo-
que o seu colega de equipa, Marc Surer. Não terá sido com desagrado que as vitórias nas duas primeiras rondas do ca anterior, o Alfa Romeo mostrou-se
Performance mais dominadora na histó- Giacomelli recebeu o convite para assi- campeonato, em Vallelunga e Mugello, bastante rápido, sendo capaz de an-
ria deste campeonato nunca tinha sido nar pela Alfa Romeo em 1979. A marca de além de outros resultados de mérito. dar no meio da tabela em qualifica-
vista, e foi preciso esperar pela parceria Arese queria regressar como construtor Quanto à F1 propriamente dita, o protó- ção, mas muito pouco fiável, caracte-
Ralt-Honda em 1983 e 1984 para se ver pela primeira vez desde 1951, depois de tipo da Alfa Romeo, o 177, era já um mo- rística habitual dos motores de Arese.
coisa igual. Mas ninguém igualou os re- alguns anos como fornecedora de mo- delo datado por não usar efeito-solo e Giacomelli deu os primeiros pontos à
sultados de Giacomelli, conseguidos em tores à Brabham, e planeava testar em manter o motor flat-12 que havia equi- equipa, logo na primeira prova da épo-
apenas duas épocas. Além disso, o italiano 1979, tendo como líder o veterano Vittorio pado a Brabham. Tendo disputado duas ca, na Argentina, mas depois passou
e Robin Herd tinham desenvolvido uma Brambilla, para depois investir a sério em provas com este carro, a equipa apre- por uma série de abandonos, causa-
fortíssima relação de admiração mútua, 1980. Giacomelli, conhecido pelo seu enor- sentou nas últimas corridas a arma para dos não só pelo motor, mas também
que foi vital para este domínio. me potencial como piloto de desenvol- o ano seguinte, o Alfa Romeo 179 com pelas falhas nas suspensões. Em geral,
vimento, foi contratado e começou uma um motor V12, especialmente adaptado Giacomelli andava ao ritmo de Depailler
AZAR E MAIS AZAR NA FÓRMULA 1 longa série de trabalhos na pista de testes para fazer parte do chassis com efeito- em corrida, com o francês a ter alguma
da equipa, em Balocco. Ao mesmo tem- -solo. Mesmo que a fiabilidade compro- vantagem em qualificação, por isso es-
Quando Giacomelli se aproximava do fi- po, assinou com a Osella Squadra Corse metesse o novo carro, o grande objeti- perava-se uma boa segunda metade
nal da sua primeira época na Fórmula 2, para disputar o Campeonato Procar, ten- vo era 1980. E a Alfa Romeo contratou, da época graças aos updates apresen-
foi convidado pela McLaren para pilotar do assim oportunidade de se bater com para liderar a equipa, o francês Patrick tados em Silverstone. Ironicamente,
um terceiro carro no G.P. de Itália, à ima- pilotos da Fórmula 1 e Endurance, assim Depailler, vindo da Ligier – na verdade, uma semana depois, Depailler morria
gem do que a marca havia feito com Gilles como mais jovens lobos – conseguindo vindo da recuperação de um acidente de depois de uma suspensão partir e pro-
Villeneuve em Inglaterra. Ao volante de como melhor resultado um segundo lugar parapente que o deixou afastado na se- jetar o carro a alta velocidade contra os
um datado M23-Cosworth, Giacomelli em Donington. E, como havia muitos fins gunda metade da época e sumariamen- rails durante um teste em Hockenheim.
bateu Jochen Mass na primeira sessão de semana livres, Giacomelli estreou-se te despedido por Guy Ligier – também Até então, era Depailler a ditar o desen-
de treinos, acabando por se qualificar em nos Turismos, partilhando com Umberto conhecido pela sua bravura em pista volvimento do carro e a discutir com o
15º, e rodava em nono após um início de Grano e Eddy Joosen um BMW 3.0 CSL mas também pelo seu enorme talen- conceituado, mas também duro, Carlo
prova muito consistente quando o motor inscrito pela BMW Itália. Mesmo que o to como piloto de desenvolvimento. De Chiti. Agora, a equipa via-se encabeçada
se partiu. No óleo deixado pelo estrean- por Giacomelli, já que a esta optou por
te, vários pilotos despistaram-se, entre substituir Depailler pelo piloto de tes-
os quais Carlos Reutemann, em Ferrari. tes Brambilla, que estava bem longe das
Contudo, John Hogan, o homem respon- suas capacidades de outrora, principal-
sável pelo patrocínio da Marlboro no au- mente após ter levado com uma roda na
tomobilismo e, em particular, na Fórmula cabeça no acidente que causou a morte
1, ficou impressionado com a performan- de Peterson, e que o deixou em perigo
ce e recomendou o piloto à McLaren, que de vida. Giacomelli conseguiu mostrar-
decidiu fazer alinhar pontualmente um -se como um líder eficaz, dando moral à
terceiro carro para Bruno ao longo de 1978, equipa e conseguindo mais dois pontos
para que o piloto ganhasse experiência em Hockenheim. A partir daí, sucede-
na categoria rainha. ram-se performances de excelência
Giacomelli iria contar com um M26- (o carro estava, efetivamente, melhor),
Cosworth, semelhante aos dos seus co- mas sem resultados, fruto de proble-
legas de equipa James Hunt e Patrick mas mecânicos, erros táticos, etc… Até
Tambay. No entanto, apenas o campeão que, no Grande Prémio dos EUA-Leste,
britânico conseguiu tirar algo do M26, Giacomelli deu a primeira pole position
mais pesado e difícil de afinar que o M23. à equipa e disparou na frente, pulveri-
Giacomelli nunca chegou aos pontos, em- zando os tempos dos rivais a um ritmo
bora terminando em oitavo na Bélgica e extremamente constante. Se seria ba-
em sétimo em Inglaterra, e as performan- tido por Alan Jones? Talvez. Mas a reali-
ces evidenciadas nas categorias inferio- dade foi mais cruel, porque, com metade
res nunca apareceram. Definitivamente, da prova cumprida e com uma lideran-
Bruno não estava a conseguir extrair o ça bastante razoável, o motor quebrou.
melhor do carro e as más-línguas ra- Aos 28 anos, Giacomelli estava mais do
pidamente disseram que o sucesso na que preparado para assumir a lideran-
Fórmula 2 se devia ao grande apoio que ça da equipa, mas os homens da Alfa
o piloto recebia de Robin Herd e ao facto acharam melhor arranjar outro primeiro
de ter a equipa centrada em si, e que na piloto de renome, e contrataram Mario
Fórmula 1 era preciso ser-se mais for- Andretti à Lotus. Definitivamente, pou-
te que isso. Mesmo não sendo um ho- cos acreditavam no verdadeiro talento
mem demasiado político, Giacomelli era de Bruno. O novo Alfa Romeo 179C era
mentalmente forte – como o provou em ainda melhor que o do ano anterior, e
diferentes ocasiões – e deu-se bem em igualmente capaz de andar regularmen-
meios muito adversos, mas aquele ano te pelo top 10, mas o carro tinha um pro-
na McLaren não deixou muitas saudades. blema básico – o fim das saias móveis e
Além disso, as muitas brincadeiras dos a altura mínima de 6 cm relativamente
seus mecânicos – a tal ponto que ficou à pista, as primeiras restrições feitas em
conhecido por um dos seus carros apa-
recer com o nome da pronúncia britânica
do seu nome, Bruno Jack O’Malley – as-
sim como os rumores da sua pertença ao

40

resposta ao advento e aos perigos do efei- Cesaris, mais famoso pelos seus aci- a pequena equipa Toleman, que vinha da casa, desta vez o talentoso piloto bri-
to-solo. A primeira metade da época foi dentes com o segundo McLaren em sofrendo para se impor em 1981 e 1982 tânico Derek Warwick, que já acompa-
para esquecer, e rapidamente Andretti, 1981 do que pelo seu inegável talento. devido à fraca fiabilidade dos motores nhava a marca desde os seus tempos na
umganhadorem todas as categorias por No entanto, a equipa deu igual estatuto a Hart e, acima de tudo, do pouco dinheiro Fórmula 2, em 1980. Além disso, a falta de
onde passou e Campeão de Fórmula 1, ambos os pilotos, e o peso de Giacomelli usado no desenvolvimento do carro. E, resultados levou rapidamente a tensões
deixou isso bem claro à equipa. Tanto ficou ainda mais desgastado dentro da se a primeira metade da época foi no- entre o italiano e Hawkridge, por isso foi
pressionou que a Alfa Romeo contratou formação a partir do momento em que vamente desastrosa para os homens mais uma época para esquecer, “salva”
Gérard Ducarouge para melhorar o car- de Cesaris conquistou a pole em Long de Alex Hawkridge, a equipa conseguiu por um sexto posto em Brands Hatch.
ro, o que causou imediatamente confli- Beach. Rapidamente se percebeu que a tornar o carro fiável a partir da segunda E, no final da temporada, Giacomelli es-
tos com o decano da equipa, Carlo Chiti. equipa ficou a gravitar mais em torno do metade da época, mas Giacomelli esta- tava completamente esquecido e não
Mesmo assim, o carro evoluiu imenso italiano mais jovem, e Giacomelli voltou va novamente “tapado” por um homem conseguiu arranjar equipa para 1984.
e, de novo, estava capaz de lutar pelos a não ser totalmente ouvido no papel de
lugares da frente na segunda metade desenvolvimento do carro. Mais do que
da época, mas a fiabilidade continuou a precisar de uma figura que o orientas-
atraiçoar a dupla, até que Giacomelli foi se e protegesse, como Cesare Gariboldi,
quarto no Canadá e, no traçado de Las Sando Angeleri e Robin Herd, Giacomelli
Vegas, estava a lutar pelo pódio quando perdeu sempre o papel nas equipas por
cometeu um erro, regressando à pista não ser um piloto político e interessa-
para uma fabulosa recuperação, aca- do em impor-se a todo o custo. Assim,
bando no terceiro posto, e deixando no mesmo com boas prestações em qua-
ar a hipótese de, não fosse esse erro, te- lificação, principalmente nas pistas ci-
ria conseguido estar na luta pela vitó- tadinas, os Alfa Romeo foram perdendo
ria. Com sete pontos, Giacomelli bateu performance ao longo do ano e o melhor
Andretti e tirou todas as dúvidas quan- que Giacomelli conseguiu foi um quinto
to à sua capacidade de liderar a equipa. lugar em Hockenheim, enquanto Andrea
Para 1982, Ducarouge desenhou um obtinha cinco pontos.
carro de raiz, o 182, que foi o segun- Em fim de contrato, Bruno apressou-
do monocoque produzido em carbono, -se a sair da equipa, e esteve bem per-
a seguir ao McLaren de John Barnard to de assinar pela Tyrrell até que Danny
em 1981. Ao lado de Giacomelli vinha Sullivan apareceu com mais dinheiro.
a grande promessa italiana Andrea de Assim, não restou outra hipótese que

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41

APOSTA NA DIVERSIDADE No entanto, há que destacar as perfor- inaugural (e única) do WTCC, ainda dis- correu quase sempre com carros já da-
mances na única oval em que competiu, putado segundo a fórmula de resistência. tados, mas quando correu com a Leyton
Com mais de 30 anos, semvolanteesem em Sanair, aonde se qualificou em quinto Além de todas as situações burocráticas House no Japão em 1988 foi rapidamen-
patrocínios, Giacomelli sabia que os seus antes de se atrasar por problemas mecâ- que arruinaram um campeonato com te convidado para ser piloto de testes da
dias na F1 tinham acabado (mal sabia ele nicos, e a fantástica exibição na última mais de 20 anos de história e que esta- March na F1, marca essa que havia re-
o que o esperava). Assim, em 1984, acei- ronda, em Miami, quando passou pela lide- va, graças aos Grupo A, no auge da sua gressado em 1987, após um hiato de cin-
tou o convite da pequena equipa Theodore rança e estava no grupo da frente quando popularidade, Giacomelli teve de se ha- co anos. Foi, assim, com a combinação do
que, finda a sua aventura na F1 no final de sofreu uma falha de travões. No final do ver com um Maserati Biturbo muito mal talento como piloto de desenvolvimento
1983, tinha decidido tentar o campeo- ano, Giacomelli deixou a América, pois a concebido. Os resultados nunca apare- de Bruno e do jovem engenheiro Adrian
nato CART. No entanto, o modelo T83- maior parte das equipas de topo estavam ceram, eantesdasrondasforadaEuropa Newey que a March evoluiu em 1988 e
Cosworth DFX estava datado, e o novo T84 interessadas em pilotos a full-time e con- ficou apenas como piloto de reserva, mas 1989, assistindo-se a performances mí-
falhou por completo a qualificação para as tinuar na Patrick Racing implicava estar é escusado dizer que ninguém conseguiu ticas de Ivan Capelli! Giacomelli testou
500 Milhas de Indianápolis. A equipa dis- à sombra de Emerson Fittipaldi. extrair qualquer performance daquele ainda para o projeto da Alfa Romeo para
solvia-se após a clássica norte-america- Desta vez, Giacomelli voltou-se para o carro. Depois de ter disputado duas ron- o campeonato CART e, em 1990, foi con-
na e Giacomelli regressava à Europa para WSC/WEC, tendo-se estreado com um das do WEC, Bruno voltou-se de novo vidado para regressar à F1, a caminho
tentar a sua sorte nas 24 Horas de Spa, de oitavo lugar em Monza ainda em 1985. Em para este campeonato em 1988, regres- dos 38 anos.
novo com a BMW Italia, terminando em 1986, assinou com a Sponsor Gest Team sando à Kremer Racing, dividindo a sua Pois bem… Giacomelli teve a oportunidade
sexto. No entanto, antes do final da época para pilotar os Lancia LC2/86, depois da pilotagem pelo WEC e pelo Campeonato de se tornar piloto de testes da McLaren
recebeu um convite para pilotar o segundo retirada abrupta da equipa oficial no início Japonês de Sport-Protótipos com a as- (o que mostra bem até que ponto era so-
carro da Patrick Racing em Laguna Seca, da época, para se concentrar em absoluto sociada Leyton House Racing. Os resul- licitado) mas, depois de um início de épo-
terminando num excelente oitavo posto. no WRC. Sem desenvolvimento, os resul- tados não abundaram mas, ainda assim, ca completamente desastroso, aceitaria
Pat Patrick decidiu apostar em Giacomelli tados foram desastrosos. No final do ano, Giacomelli e Kris Nissen venceram uma o convite para substituir Gary Brabham
para 1985, mas já tinha contratado um trocou a equipa pela Kremer Racing, e com prova de 1000 Km em Fuji, a contar para o na novata equipa Life a partir do G.P. de
primeiro piloto, o regressado Emerson o bem mais competitivo Porsche 962C campeonato japonês. Em 1989, Giacomelli San Marino. Pode parecer estranho, mas
Fittipaldi, e também contava com algu- as performances foram bem melhores, dividiu a época entre a Kremer e o velhi- Giacomelli preferiu apostar numa equipa
ma relutância por parte do italiano em salientando-se um quarto lugar em Fuji, nho Lancia da Mussato Action, mas os que sabia que não iria produzir resultados
correr nas ovais. O próprio afirma que o ao lado de Volker Weidler. Infelizmente, resultados voltaram a escassear. a continuar a ser piloto de testes, fasci-
seu estilo de pilotagem suave e regular Bruno sofreria um gravíssimo aciden- nado pelo estranho motor W12 concebi-
se adaptava bem àqueles circuitos, mas te ao volante do Lancia LC2, que ainda A HORA DA DESPEDIDA do pelo conceituado engenheiro Franco
considerava-os demasiado perigosos. pilotava ocasionalmente nas provas de Rocchi, um homem que trabalhara com
Assim, correndo apenas nas pistas ci- Interserie, na ronda de Österreichring, Pode parecer estranho ver Giacomelli as- a Scuderia. Claro está que o carro nunca
tadinas, Giacomelli andou várias vezes saindo lesionado. sociado de novo à Fórmula 1, quando nem passou das pré-qualificações e, quan-
pelos pontos, com um quinto lugar em Em 1987 Giacomelli assinou pela equipa os resultados do WEC pareciam ser signi- do conseguia durar e marcar um tempo,
Meadowlands e dois sextos em Mid-Ohio oficial da Maserati para disputar a época ficativos. Na verdade, na maioria das vezes estava a muitas milhas dos outros, mas
e Laguna Seca como melhores resultados. o equipamento não ajudava, pois Bruno Giacomelli guarda algumas recordações
desta aventura.
No final da época, Giacomelli deixou de
vez a F1 e a alta competição, pensando
em correr apenas aonde se divertisse.
De destacar que, ainda em 1990, o piloto
fez algumas provas do WEC com a Spice
Engineering, terminando em terceiro na
rondadeSilverstone,peranteumaconcor-
rência muitíssimo mais forte. No entanto,
decidiu não dar continuidade à aventura e,
a partir de 1991, encontramos Giacomelli
apenas em provas ocasionais na sua Itália
natal até que, em 1995, decidiu experi-
mentar o Campeonato BPR. Ao volante
de um Porsche 911 Biturbo da Freisinger
Motorsport, Giacomelli conseguiu ocasio-
nais prestações no top 10, mas o dinhei-
ro não chegou ao final da época. Para se
despedir, alinhou numa prova da Porsche
Supercup em 1998, mas a sua cabeça es-
tava, há muito, afastada do automobilismo.
Bruno Giacomelli foi, mais do que um ta-
lento precoce ou um piloto mimado, al-
guém demasiado calmo e pouco habi-
tuado a jogos de bastidores, e isso foi o
que verdadeiramente não o deixou des-
pontar na Fórmula 1. Depois, a falta de
patrocinadores também não lhe permi-
tiu estabelecer uma carreira consistente
após o fim das suas aventuras na F1 e no
campeonato CART. Por tudo isto, temos
uma carreira dispersa mas, se formos a
olhar bem, suficientemente performan-
te para justificar o talento que tantos lhe
atribuem.

+42

MITSUBISHI André Duarte ma elegância, oriunda dos plásticos em
[email protected] preto brilhante que ornam a consola
» ECLIPSE CROSS 2WD CVT INTENSE 1.5 163 CV central, volante e painéis das portas
Há inegavelmente um lado de junto dos puxadores, que contrastam
UM BOM COMPANHEIRO desportivo neste modelo. com outros menos agradáveis ao toque
Olhando no seu todo, marca e ao olhar, como no tablier, nas portas
O Mitsubishi Eclipse Cross chegou este ano ao mercado pela personalidade que trans- e porta-luvas. Há vários espaços de
nacional. Uma proposta SUV de estilo coupé que tem na mite ter. A frente destaca-se arrumação - portas, consola central, sob
condução o seu maior trunfo. Todos os pormenores nas pela dupla grelha em alumínio o apoio de braços – e uma boa sensação
e o difusor, que lhe conferem um lado de espaço nos lugares dianteiros (que
próximas linhas... agressivo. Na lateral sobressaem as bo- conta com bancos aquecidos) e traseiros,
nitas jantes e o friso cinza na zona inferior, embora nestes últimos as costas dos
LEIA MAIS ENSAIOS E ACOMPANHE assim como as portas com design escul- bancos – principalmente no lugar do
TODAS AS NOVIDADES EM AUTOSPORT.PT pido. Mas é na traseira onde encontramos meio - sejam algo rijas e por isso pouco
o maior cunho diferenciador. Esta, de perfil confortáveis. Os bancos rebatem na pro-
reto, dá um toque distintivo a este SUV, porção 60:40, estendendo a bagageira
destacando-se a luz de stop que atra- dos 378l até aos 1122l.
vessa o óculo, assim como o spoiler e o O ecrã tátil com apenas 7” revela-se
pára-choques com difusor cinza, num pequeno e deixa a desejar em termos
toque de imponência que geram agrado de manuseamento, não sendo muito
no conjunto. intuitivo e graficamente pouco apelativo.
A ele podemos aceder também através
de um touchpad, o qual requer alguma
INTERIOR habituação. O ecrã tátil permite-nos
aceder a aplicações, sistema de som,
No geral, o interior esteticamente não
entusiasma, embora conte com algu-

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43

rádio, definições do veículo, telefone e FT/ F I C H A T É C N I C A imediata e notória uma vez selecionada muito intuitivo e perceptível.
bluetooth (com comando por voz). a segunda opção. Os travões revelam uma boa eficácia em
1.5 / 163 CV Aí a disponibilidade do bloco de quatro todos os momentos e a direção age a rigor
EQUIPAMENTO cilindros torna-se viva e pronta a ser ex- com as necessidades. No geral, fica a sen-
A versão 1.5l com caixa automática CVT GASOLINA plorada a todo o pisar. Para um condução sação de uma grande leveza do conjunto
de 8 relações está disponível unicamente diária, a caixa automática CVT de 8 velo- fruto de uma boa relação peso/potência.
com o nível de equipamento Intense, o qual 9,3 S cidades - que equipava a versão ensaiada Em termos de consumos é possível fazer
é bastante completo. Entre os destaques - é um bom aliado, ainda que de pendor registos de 6,8l com muitos cuidados, mas
encontram-se: head up display; cruise 0-100 KM/H algo lento na resposta. No entanto, para é na casa dos 8,6l que uma condução nor-
control adaptativo; sistema de mitigação momentos em que queiramos conhecer a mal, ainda que cumpridora, o posiciona.
de colisão frontal; sistema de alerta de 6,7 L / 6,8 L (AUTOSPORT) fundo as potencialidades do Eclipse Cross, Nota para o óculo traseiro bipartido que,
desvio de faixa; sistema de deteção de a melhor opção mesmo é recorrermos às apesar de ser um traço de personalidade
ângulo morto; sistema de assistência à 100 KM patilhas de volante – que pecam apenas do modelo, merece reparo por penalizar
mudança de faixa; alerta de tráfego na por serem fixas à coluna de direção e a visão.
traseira; câmara 360º; sistema de sinali- 154 não ao volante, e que, apesar de serem
zação de travagem de emergência. de dimensões consideráveis, por vezes BALANÇO FINAL
G/KM- CO2 ‘faltam-nos’ em determinadas posições
AO VOLANTE do volante – com as quais rapidamente a O Mitsubishi Eclipse Cross é um SUV com
Em Portugal o Mitsubishi Eclipse Cross 29 400€ alma do motor é colocada a nu. uma veia desportiva. Com os seus 163
surge atualmente equipado exclusiva- Ao volante esta proposta da Mitsubishi cv e um conjunto chassis/suspensão
mente com um bloco a gasolina 1.5 tur- PREÇO BASE (VERSÃO ENSAIADA) transmite-nos sensações desportivas, a rigor, permite-nos ter momentos de
bo com 163 cv. Para gerirmos a potência para o que muito contribuem o bom chas- diversão ao volante. A condução agrada,
temos dois modos de condução, Eco e MOTOR / SUSPENSÃO / PRAZER sis e suspensões, estas com uma taragem mas o espaço interior não se fica atrás.
Normal. No primeiro caso a resposta é AO VOLANTE / EQUIPAMENTO que garante um modelo devidamente Porém, pelas suas características, será
algo branda, cenário que muda de forma agarrado ao asfalto e suprime devidamen- uma opção ideal para uma utilização em
ECRÃ DE 7” / INTERIOR / CAIXA / te e quase na totalidade o movimento de que se procure momentos vivos ao volante
VISIBILIDADE TRASEIRA massas. Características que o tornam ágil com regularidade, já que se revela natural-
em estrada e permitem-nos abordagens mente gastador em termos de consumos,
MOTOR GASOLINA, 4 CIL. EM LINHA, confiantes e muito prazerosas em curva, o que não convida a uma utilização diária.
INJEÇÃO DIRETA, TURBO, INTERCOOLER, quase fazendo-nos por momentos esque- Será o SUV ideal para as férias ou passeios
1499 CM3 POTÊNCIA 163 CV / 5500 RPM cer que estamos ao volante de um SUV. No ao fim de semana, com a sensação de
BINÁRIO 250 / 1800-4500 TRANSMISSÃO fundo,umapropostacomcomportamento se viajar sempre a bom ritmo e com um
DIANTEIRA, CX. AUT. CVT DE 8 RELAÇÕES sorriso na cara.
SUSPENSÃO MCPHERSON À FRENTE E
MULTI-LINK ATRÁS TRAVÕES DV/D PESO
1490 KG MALA 378 LT DEPÓSITO 63 LT VEL.
MÁX. 200 KM/H

+44

SKODA

» KAROQ 1.6 TDI 116 CV STYLE

COMPROMISSO DE EQUILÍBRIO

Revelado no último ano, o Skoda Karoq chegou em
março ao mercado nacional. O modelo, sucessor do Yeti,
é a proposta da marca checa para o segmento dos SUV
compactos. Fomos conhecê-lo na versão 1.6 TDI com 116 cv

André Duarte INTERIOR postos de combustível; importação de gulo morto; sensores de estacionamento
[email protected] percursos online. à frente e atrás.
No habitáculo há uma boa relação de
No exterior deparamo-nos com espaço em todos os lugares. O interior EQUIPAMENTO AO VOLANTE
um modelo compacto e de li- é pragmático, com vários locais de Entre o equipamento de série, na versão Equipado com um bloco diesel 1.6 TDI o
nhas esculpidas, com 4,38 m arrumação, tanto nas portas como Style, nota para: Front Assist com tra- Skoda Karoq revela-se um modelo muito
de comprimento, 2,63 m de sob o apoio de braços entre os bancos vagem automática; assistente de arran- racional e equilibrado. A posição de con-
distância entre eixos, 1,84 m dianteiros. Destaque também para que em subida; indicador de pressão dos dução agrada, sendo boa a visibilidade
de largura e 1,60 m de altura. A vários pormenores em cromado a em- pneus; cruise control; câmara de visão que oferece, a par de nos proporcionar um
frente destaca-se pela grelha do radiador, belezarem o interior (volante, consola traseira; assistente para detecção de ân- sentar com bom apoio lombar.
com moldura cromada, de formato trape- central, tablier, puxadores das portas).
zoidal, pelo expressivo logo da marca ao A bagageira de 521l pode estender-se
centro do capot, a par de faróis full-LED, até aos 1630l com os bancos traseiros
de série na versão Style. rebatidos. No entanto, se recorrermos
Na lateral sobressaem as jantes de 17 ao opcional banco traseiro VarioFlex
polegadas, mas também as proteções (405€), a bagageira passa a variar
em plástico que acompanham toda a entre os 479l e 588l, com os bancos a
zona inferior até às cavas das rodas. Na passarem a poder ser completamente
traseira destacam-se os faróis LED, que removidos, algo que, segundo a marca,
apresentam um desenho em dois níveis, permite ‘transformar’ este modelo
um dos quais se estende da lateral a esta quase numa carrinha, dado que a ca-
última secção. O pára-choques expressivo pacidade de carga passa para os 1810l.
é outra das saliências visuais. No global Em termos de conectividade e infoen-
o Karoq apresenta linhas modernas e, ao tretenimento destaque para o sistema
mesmo tempo sóbrias, num design que de navegação Amundsen, que faculta
bebe inspiração no irmão mais velho, o acesso a: informações de trânsito
Kodiaq. online; pontos de interesse; impor-
tação de destinos online; pesquisa
online de POI (texto); meteorologia;
notícias; lugares de estacionamento;

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45

FT/ F I C H A T É C N I C A

1.6 / 116 CV

GASÓLEO

10,7 S

0-100 KM/H

4,6 L / 5,7 L (AUTOSPORT)

100 KM

120

G/KM- CO2

34 164€

PREÇO BASE (VERSÃO ENSAIADA)

CONDUÇÃO / MOTOR / IMAGEM
EXTERIOR / PRAGMATISMO
DE UTILIZAÇÃO
PREÇO

MOTOR GASÓLEO, 4 CIL. EM LINHA INJEÇÃO
DIRETA, TURBO DE GEOMETRÍA VARIÁVEL,
INTERCOOLER, 1598 CM3 POTÊNCIA 116 CV /
3250-4000 RPM BINÁRIO 250 / 1500-3200
TRANSMISSÃO DIANTEIRA, CX. MANUAL
DE 6 VEL. SUSPENSÃO TIPO MCPHERSON À
FRENTE E EIXO DE TORÇÃO ATRÁS TRAVÕES
DV/D PESO 1426 KG MALA 521 LT DEPÓSITO
50 LT VEL. MÁX. 188 KM/H

FOTOS VERSÃO 4X4

Os 116 cv de potência do bloco de quatro para a sensação de agrado interior, su- sem nunca ser exuberante ao nível de também se vive nas sensações ao volante,
cilindros assentam na perfeição neste portando de forma competente o movi- sensações, mas também sem nunca nos mostrando-se uma proposta globalmente
modelo com 1426 kg de peso. A resposta mento de massas e, ao mesmo tempo, deixar ficar mal. Os consumos andam consistente. O motor adequa-se bem a
agrada, com os seus 250 Nm de binário proporcionando conforto, mesmo no mau na casa dos 5,7l, num registo cumpridor. uma utilização diária assim como o espaço
máximo a fazerem-se sentir a partir das piso, e possibilitando incursões fora de proporcionado pelo habitáculo, permi-
1500 rpm. A caixa, de bom escalonamento, estrada, desde que em percursos não BALANÇO FINAL tindo ser também uma opção familiar e
adequa-se igualmente a esta proposta, muito pronunciados. A direção e travões O Skoda Karoq 1.6 TDI deixa satisfação a para longas distâncias. Ainda que o preço
permitindo corretas passagens. também reagem condignamente. No geral todos os ocupantes, transportando para ligeiramente superior face à concorrência
O chassis/suspensão oferecem um bom fica a ideia de um modelo que se mostra a condução a ideia emanada pela imagem possa dar que pensar, está munido de
compromisso, que contribui em muito capaz para a generalidade das utilizações, exterior, de que a subtileza no design argumentos que convencem por si.

+

DACIA também passou a ser mais baixo, com pacidade pode variar entre os 478 e os
naturais ganhos no comportamento 1.623 litros. Ainda que tendo de contar
» DUSTER 1.5 DCI 4X2 PRESTIGE dinâmico de um carro que, também com a particularidade de que nada mais
visualmente, está mais moderno, mais há, que o espaço que está à vista. E
AINDA MAIS DUSTER! bonito... mais Duster. que, mesmo com as costas dos bancos
De resto, com várias alterações na rebatidas (60/40), estas ficam sempre
Depois do sucesso da primeira geração, um novo Dacia Duster frente, mais imponente; nas laterais, na perpendicular e mais altas que o
está já disponível em Portugal. Assegurada a muito desejada com aplicações novas em plástico; e piso da mala.
Classe 1 nas portagens, eis chegado, finalmente, o momento de na traseira, com farolins mais bonitos Novo exemplo de mais Duster é também
confirmar aquilo que a marca romena há muito anuncia: que o mas também muito parecidos com os do o opcional sistema automático de ar
Duster está, não apenas melhor, mas ainda mais Duster! rival Renegade; o novo Duster evoluiu, condicionado, com comandos rotativos
claramente, o conceito original. Sendo metalizados e pequenos ecrãs digitais no
Francisco Cruz nais, ainda que, para tal, com alterações de lamentar apenas que não consiga o interior, claramente a procurarem elevar
[email protected] nas suspensões originais, de forma a mesmo no habitáculo, onde, fruto de um a percepção de qualidade, assim como
que a altura junto às rodas dianteiras tablier esteticamente... estranho, acaba um novo conjunto de botões, tipo teclas
Demorou... mas foi! Passado não ultrapasse a incompreensível regra apresentando falhas, inclusivamente, de piano. Os quais, já agora, também
quase meio ano sobre o lan- do 1,10 m. na ergonomia - é o caso, por exem- poderiam ser metalizados...
çamento nos restantes mer- Com cerca de 3 cm menos na distância plo, do ecrã a cores táctil do Media Nav Já debaixo do capot dianteiro, a conhe-
cados europeus, a segunda ao solo (passou dos 21 para os 18,6 cm) Evolution que, além de colocado dentro cida motorização turbodiesel 1.5 dCi de
geração do Dacia Duster está, e um ângulo de ataque que passa a ser de uma inestética “caixa”, surge dema- 110 cv e 260 Nm, quatro cilindros que,
finalmente, disponível em de 27º (contra os 30º originais), a ver- siado exposto à luz solar, tornando-se no caso da unidade por nós testada,
Portugal, e com o posicionamento que dade é que estas alterações trouxeram muitas vezes ilegível. surgia acoplada a uma caixa manual
a Renault Portugal há muito reclamava: mais vantagens, que desvantagens. A Pelo contrário e a ajudar à evolução de 6 velocidades agradável no acionar,
como SUV Classe 1 nas portagens nacio- começar pelo centro de gravidade, que conseguida, os ótimos espaços de ar- assim como a um sistema de tração
rumação num habitáculo sólido, mas apenas às rodas dianteiras.
ainda e sempre com demasiado plástico Apresentando como melhores regimes
rijo, a excelente habitabilidade mes- a fase inicial e intermédia do conta-ro-
mo para cinco adultos, o equipamen- tações, altura em que também dá para
to enriquecido principalmente com perceber mais facilmente a evolução
novos sistemas de ajuda à condução registada em termos de insonorização,
e segurança, já para não falar numa este bloco garante ainda boa desenvol-
bagageira de acesso amplo e cuja ca- tura e capacidade de recuperação, além

>> autosport.pt/automais

47

FT/ F I C H A T É C N I C A

de consumos especialmente atraentes guarda do conforto, inclusive, fora de Hoje em dia de reacções mais contro- 1.5 / 110 CV
- 6,6 l/100 km foi a média por nós feita, estrada, recuos, apenas na direção, ladas e previsíveis no alcatrão, a sur-
com mais de 1000 quilómetros cum- demasiado filtrada e pouco ou nada preender continuam as capacidades off GASÓLEO
pridos, não só por auto-estrada e vias comunicativa quando a velocidades road, mesmo quando se trata de uma
nacionais, mas também por caminhos mais elevadas. Agradando, por isso, unidade com apenas tração dianteira. 11,8 S
sem alcatrão. E, já agora, aproveitando bem mais em cidade, onde só a visi- Com o SUV romeno a mostrar-se o mes-
igualmente a validade do Start & Stop, bilidade traseira, oferecida por uma mo e já muito elogiado Duster, no pouco 0-100 KM/H
assim como do modo Eco, que não deixa posição de condução beneficiada por que pede, para seguir em frente: alguma
de condicionar um pouco o motor. um volante e banco já ajustáveis, con- distância ao solo, alguma tração... E já 4,4 L / 6,6 L (AUTOSPORT)
No entanto, num Duster que, mesmo tinua a pedir cuidado acrescido no ninguém o pára!
mantendo o pisar firme, não esconde estacionamento - felizmente, já existe É que o Duster está, mesmo, cada vez 100 KM
as melhorias alcançadas na salva- câmara traseira, e de série! mais Duster!
115

G/KM- CO2

14 900€ PREÇO BASE

21.400€ PREÇO VERSÃO ENSAIADA

PREÇO / CONSUMOS / HABITABILIDADE

INTERIOR DEMASIADO RUDE /
DIRECÇÃO EXCESSIVAMENTE FILTRADA /
POSICIONAMENTO DO ECRÃ TÁCTIL

MOTOR GASÓLEO, 4 CIL. EM LINHA, COM
INJECÇÃO DIRECTA, TURBOCOMPRESSOR E
INTERCOOLER, 1461 CM3 POTÊNCIA 110 CV
BINÁRIO 260 TRANSMISSÃO DIANTEIRA,
CX. MANUAL DE 6 VEL. SUSPENSÃO
INDEPENDENTE DO TIPO MCPHERSON À
FRENTE E EIXO DE TORÇÃO ATRÁS TRAVÕES
DV/TAMBOR PESO 1280 KG MALA 445 LT
DEPÓSITO 50 LT VEL. MÁX. 171 KM/H

E/ Dando cumprimento ao estabelecido no n° mais importantes provas de desporto au- leitores uma informação atual, rigorosa abordagem e de análise dos factos noti-
1 do artigo 17° da Lei 2/99, de 13 de Janeiro, tomóvel disputadas em território nacional e de qualidade, opinando sobre tudo o ciosos, com total abertura à interatividade
ESTATUTO Lei da Imprensa, publica-se o Estatuto e no estrangeiro, relata acontecimentos que se passa na área do automóvel e dos com a sua comunidade de leitores. 4. O
EDITORIAL Editorial da publicação periódica AutoSport: ligados à competição automóvel, bem como automobilistas, numa perspetiva plural, re- AutoSport pratica um jornalismo pautado
1. O AutoSport é um semanário dedicado temas que versam o automóvel como bem cusando o sensacionalismo e respeitando pela isenção, sem comprometimentos
ao automóvel e aos automobilistas, nas de consumo, tanto na área industrial como a esfera da privacidade dos cidadãos. 3. ou enfeudamentos, tendo apenas como
suas mais distintas vertentes: desporto e comercial. O AutoSport pauta as suas opções edito- pressuposto editorial facultar a melhor
competição, comércio, indústria, segurança 2. O AutoSport está comprometido com riais por critérios de atualidade, interesse informação e a melhor formação aos seus
e problemática rodoviária. O AutoSport o exercício de um jornalismo formativo e informativo e qualidade, procurando apre- leitores, seguindo sempre as mais elemen-
edita, semanalmente, conteúdos sobre as informativo e procura oferecer aos seus sentar aos seus leitores a mais completa tares normas deontológicas.

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