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Published by hmilheiro, 2018-08-07 06:07:37

AutoSport_2119_ok

AutoSport_2119_ok

#2119 40
ANO 40
anos
08/08/2018
O SEMANÁRIO DOS CAMPEÕES >> autosport.pt
2,35€ (CONT.)

DIRETOR PEDRO CORRÊA MENDES

GP DA REP. CHECA

MIGUEL OLIVEIRA VENCE
E LIDERA MUNDIAL MOTO2

RALI VINHO MADEIRA +

CAMACHO BISAE FONTES ENSAIO
TRIUNFANO CPR
JAGUAR F-PACE
PÁG. 04 2.0D R-SPORT PÁG. 44

F1

QUEM ERRA MAIS
EM 2018? PÁG. 12

FINS DE SEMANA PERFEITOS

SIX SENSES DOURO VALLEY | SAMODÃES | DOURO

www.hoteisdecampo.pt

3

I/ I N S TA N TÂ N E O SIGA-NOS EM EDIÇÃO

#2119
08/08/2018

f l> > a u t o s p o r t . p t
facebook.com/autosportpt twitter.com/AutoSportPT

NA RED BULL DESDE 2008, Daniel Ricciardo decidiu abandonar a equipa e rumar à Renault. De tanto ‘olharem’ para Max Verstappen, José Luís Abreu
os homens de Milton Keynes deixaram escapar um dos grandes pilotos da atualidade...
DIRETOR-EXECUTIVO
S/ SEMÁFORO EM DIRETO
[email protected]
PARADO A ARRANCAR A FUNDO “É um retrocesso para o
Ricciardo”, Jolyon Palmer sobre Asaída de Daniel Ricciardo
Niki Lauda foi Primeira vitória de Triunfo e comando da Red Bull e a sua pas-
internado em estado José Pedro Fontes do campeonato a transferência do australiano para a sagem para a Renault
no CPR com o novo Renault tem o enorme potencial
grave e teve que para Miguel Oliveira de despoletar um con-
transplantar um Citroën C3 R5 no Moto2. Calmo e “O estilo de condução do Vettel junto grande de mudan-
pulmão. Já recupera... relaxado até ao título... é semelhante ao do Michael ças no plantel da Fórmula 1. Em
Schumacher”, Mika Häkkinen primeiro lugar, a Red Bull perde
um piloto de grande valia, ‘espécie’
atento ao detalhe que escasseia na atual F1, e logo
para a Renault, equipa que desta
“Estou absolutamente forma dá mais um passo para se
desolado”, Miguel Barbosa ao juntar aos ‘três grandes’. E quem
‘bica’ primeiro? A Red Bull.
desistir quando tinha o ‘pódio nas mãos’ Resta agora fazerem o seu traba-
lho e dar ao australiano condições
“Foi o Miguel Oliveira Show”, para fazer o que já sabemos que é
capaz de fazer: lutar pelas vitórias.
as palavras do Aki Ajo, rendido ao Sendo verdade que têm vindo a
talento luso crescer, ainda têm muito trabalho
pela frente e a sua maior motiva-
O SEMANÁRIO DOS CAMPEÕES NA ERA DIGITAL ção para 2019 será precisamente
passar a Red Bull. Irónico!
Siga-nos nas redes sociais e saiba De resto, agora, vamos ter que ficar
tudo sobre o desporto motorizado no a saber quem pode ir para o lado
computador, tablet ou smartphone via de Max Verstappen. Carlos Sainz,
facebook (facebook.com/autosportpt), que está emprestado à Renault?
twitter (AutosportPT) ou em Pierre Gasly, que até já conhece o
>> autosport.pt novo motor de 2019? Se for o fran-
cês, Sainz pode ir para a McLaren,
equipa que espera pela decisão de
Fernando Alonso. Nesta equipa,
pode ainda haver mexidas entre
Stoffel Vandoorne e Lando Norris.
O xadrez é muito complexo e inclui
a difícil situação da Force India. Para
onde vai Esteban Ocon? Fica na mes-
ma equipa, e caso Lawrence Stroll
seja o comprador, terá o seu gran-
de amigo Lance Stroll como colega?
E a Williams? Passa a equipa ‘B’ da
Mercedes e recebe George Russell?
Para além disso, pode ainda ha-
ver vagas na Haas, onde Romain
Grosjean ainda não convenceu. Na
Sauber, o rookie Charles Leclerc
deve substituir Kimi Räikkönen
na Ferrari. Muito animada vai ser
a Silly Season 2018!

4 R/
RALI VINHO MADEIRA

campeão madeirense venceu rapidamente “atribuído”, também os
nada menos que 16 das 19 clas- restantes lugares do top 10 cedo ficaram
sificativas que compunham definidos e as poucas alterações que se
registaram entre os primeiros ficaram
SOZINHO aprovainsulareessacom- mais a dever-se aos abandonos e pro-
petência espelha bem o nível blemas sentidos por algumas equipas
Ocompetitivo da clássica levada que ao confronto entre os concorrentes.
à estrada pelo Club Sports Madeira desde Foi também quase no arranque da prova
1959. Alexandre Camacho foi apenas 11º que Miguel Nunes assumiu a segunda po-
EM CASA naAvenidadoMar,quemaisumavez sição e, com Basso de fora, apresentou-se
abriu o programa, mas com a entrada como o único piloto que poderia fazer fren-
nos troços cronometrados normais não te a Camacho na sua cavalgada triunfal.
deu quaisquer hipóteses à concorrência No entanto, o piloto do Citroën DS3 R5 foi
Alexandre Camacho dominou o Rali Vinho com um Skoda Fabia R5 atualizado es- acumulando atraso e uma penalização de
Madeira praticamente em toda a sua extensão. pecificamente para esta participação. 10 segundos - por atraso à chegada à pri-
O piloto do Skoda Fabia R5 das Vespas voou O piloto, navegado por Pedro Calado, meirapassagemporSantana,“bloqueado”
bem mais alto que a concorrência foi paulatinamente aumentando a sua por adversários - que o deixaram já muito
e repetiu o sucesso de 2017 vantagem e obteve uma muito mere- longe da frente. Desta feita, resignou-se a
cida vitória num rali bastante “morno” apenas marcar ritmo e a esperar que algo
desportivamente, característica a que acontecesse ao líder para conseguir o tão
João Freitas Faria também não foi alheia a desistência ambicionado triunfo neste rali.
[email protected] prematura do italiano Giandomenico Com cerca dum quarto da prova disputada
FOTOGRAFIA ZOOM MOTORSPORT/ANTÓNIO SILVA, OFICIAIS RVM E AIFA Basso. Tal como o primeiro posto ficou

>> autosport.pt

5

C/ C L A S S I F I C A Ç Õ E S

1º ALEXANDRE CAMACHO/PEDRO CALADO SKODA FABIA R5 2:10:21.5 COMENTÁRIO
2º MIGUEL NUNES/JOÃO PAULO CITROËN DS3 R5 + 39.1 DO VENCEDOR
3º JOSÉ PEDRO FONTES/PAULO BABO CITROËN C3 R5 + 2:10.1
4º RICARDO TEODÓSIO/JOSÉ TEIXEIRA SKODA FABIA R5 + 3:30.2 Alexandre Camacho
5º JOÃO BARROS/ANTÓNIO COSTA FORD FIESTA R5 + 3:53.5
6º ARMINDO ARAÚJO/LUIS RAMALHO HYUNDAI I20 R5 +6:20.6 Alexandre Camacho, Pedro
7º JOACHIM WAGEMANS/FRANÇOIS GEERLANDT PEUGEOT 208 T16 + 8:29.7 Calado e toda a equipa Vespas
8º PEDRO ALMEIDA/NUNO ALMEIDA FORD FIESTA R5 + 8:53.4 estavam esfusiantes na
9º PEDRO MENDES GOMES/JOÃO SOUSA PEUGEOT 208 T16 + 10:22.1 chegada ao Funchal. O campeão
10º ANTÓNIO DIAS/ADRIANA NEVES SKODA FABIA R5 + 10:25.5 regional manisfestou “uma
satisfação muito grande ao ser
ERT o primeiro madeirense a vencer
1º JOSÉ P. FONTES, 48; 2º ALEXANDRE CAMACHO, 39; 3º RICARDO MOURA, 38; 4º MIGUEL FUSTER, 36; duas vezes, e consecutivas, o
5º MIGUEL BARBOSA, 35; 6º LAURENT PELLIER, 30; 7º MIGUEL NUNES, 29; 8º ARMINDO ARAÚJO, 28; 9º Rali Vinho Madeira. Este era
SURHAYEN PERNIA, 25; 10º IVAN ARES, 23 um desafio a que nos tínhamos
proposto. É espetacular ter
as três primeiras posições eram ocupadas rali cujo novo pódio, situado junto ao mar absoluta. O algarvio perderia, contudo, demonstrado o andamento
pelos três pilotos que têm vindo a disputar na Praça do Povo, deixou muita gente por duas vezes essa posição. Primeiro que adotámos e estou muito
as vitórias no campeonato local. João Silva desgostosa com a mudança da Avenida para Miguel Barbosa, que uma vez mais satisfeito. Nada disto é por
seguia no terceiro posto depois de per- Arriaga e com um palanque que era um se mostrou muito forte na Madeira antes acaso, há muita luta, muito
der algum tempo na primeira ronda por ex-libris do evento. de desistir já a meio da segunda etapa empenho e dedicação. Os nos-
Campo de Golfe e Palheiro Ferreiro. Já no O único concorrente que havia consegui- por despiste, e depois para Pedro Pai- sos adversários madeirenses
final da terceira secção e quando tentava do intrometer-se entre os madeirenses xão, que foi continuamente evoluindo também estiveram muito fortes
forçar o andamento, o piloto do Citroën era Armindo Araújo. O piloto do Hyundai na adaptação ao Hyundai i20 R5 antes mas estamos contentes com a
DS3 R5 não conseguiu evitar uma saída i20 R5 discutia com João Silva o terceiro de abandonar já na última classificativa nossa prova.
de estrada com um embate algo violento lugarmas um furona segunda passagem devido à sua viatura ter-se incendiado A estratégia para este ano
e que obrigou à evacuação da dupla. por Palheiro Ferreiro levou a que caísse pela segunda vez em duas provas. foi ligeiramente diferente da
José Pedro Fontes “herdou” dessa forma para fora do lote dos 10 primeiros e desse Único estrangeiro - para além de Basso do ano passado. Defendo que
o posto mais baixo do pódio, classifica- início a uma recuperação que havia de lhe - presente neste rali, que no passado devemos encarar prova a prova,
ção em que havia de terminar. O piloto permitir cortar a meta na sexta posição, chegou a receber dezenas de forastei- classificativa a classificativa
do Citroën C3 R5 chegou à Madeira es- já a grande distância dos pilotos que o ros, o jovem belga Joachim Wagemans para não perder nem o foco nem
perançado em poder discutir a vitória precederam. sentiu muitos problemas e dificuldades a concentração. Mesmo assim
mas não conseguiu a velocidade para Com tudo isso, Ricardo Teodósio também na estreia com o Peugeot 208 T16. Porém, ainda tivemos um percalço
rivalizar com os principais adversários “se arrumou” bastante cedo no quarto a sua evolução foi notória e terminou pois, sem tocar em nada, ainda
madeirenses, mais habituados e bons posto em que atingiu o último controlo no sétimo posto numa fase em que já tivemos um furo na penúltima
conhecedores do terreno. Apesar disso, desta prova em que privilegiou clara- rivalizava no cronómetro com pilotos especial. Exatamente por isso
Fontes ainda viria a revelar-se o segundo mente o resultado para o campeonato muito mais familiarizados com a con- é que quisemos entrar bem na
mais rápido na derradeira etapa deste nacional em detrimento da classificação dução dum R5. prova e rapidamente construir
uma vantagem que nos per-
mitisse gerir.”

CPR/
CAMPEONATO DE PORTUGAL DE RALIS

6 RALI VINHO MADEIRA

JOSÉPEDRO
FONTES
ESTÁ DE

REGRESSO

Depois de ter deixado escapar, na última especial,
a vitória no Rali de Castelo Branco, o piloto do Citroën

C3 R5 triunfou entre os inscritos no Campeonato
de Portugal de Ralis na Madeira

Pedro Batalha ficou disponível trocou o Citroën DS3 inverter logo nos primeiros quilóme- abrindo uma vantagem de 29,4 se-
[email protected] R5 pelo novo Citroën C3 R5, ultrapas- tros de sábado. O piloto do Vodafone gundos para Miguel Barbosa que o
FOTOGRAFIA Zoom Motorsport/António sou os azares na edição deste ano do Citroën Team foi o mais rápido na se- deixava confortável para enfrentar as
Silva, Oficiais RVM e AIFA Rali de Portugal e do Rali de Castelo gunda e quarta especiais, assumindo a derradeiras oito especiais do rali. Após
Branco e agora conseguiu, finalmente, liderança do evento na quinta especial, uma luta interessante perdida para
O Rali Vinho Madeira não foi voltar ao lugar mais alto de um pódio fruto de um furo de Armindo Araújo Miguel Barbosa, o algarvio Ricardo
uma prova emocionante no CPR. (ler caixa em separado). Teodósio ocupava a terceira posição
nem disputada ao décimo Porém, para levar de vencida a prova Dos 19 pilotos inscritos no Campeo-
de segundo, mas não foi disputada na Ilha da Madeira, o Cam- nato de Portugal de Ralis que, até ao
por isso que deixou de ter peão Nacional de Ralis em 2015 e 2016 momento, tinham escolhido o Rali
vários pontos de interesse. teve de superar a habitual concor- Vinho Madeira para pontuar para a
O de maior destaque foi, sem dúvida, rência da elite de pilotos inscritos no classificação final da competição or-
o do regresso às vitórias de José Pedro Campeonato de Portugal de Ralis que, ganizada pela Federação Portuguesa
Fontes no Campeonato de Portugal de exceção feita à especial de abertura de Automobilismo e Karting, só 13 se
Ralis. O piloto portuense já não subia realizada no Funchal, nunca conseguiu apresentaram à partida da prova insu-
ao lugar mais alto de um pódio desde 12 lutar de igual para igual com os pilotos lar. Os primeiros abandonos surgiram
de março de 2017, data em que venceu insulares no que toca à classificação à passagem pela sexta especial, com
o Rali de Castelo Branco. geral. Gil Antunes a sofrer, novamente, com
Desde então, José Pedro Fontes en- Na edição de 2018 do Rali Vinho Ma- problemas na bomba de gasolina do
frentou uma longa paragem, forçada deira, Armindo Araújo foi o primeiro a Renault Clio R3T que o têm afetado
por um forte acidente na edição desse mostrar argumentos. O líder do Cam- ao longo da temporada, enquanto que
ano do Rali de Portugal. Já recuperado peonato de Portugal de Ralis superiori- Pedro Meireles, em Skoda Fabia R5,
regressou ao ativo e assim que o carro zou-se à concorrência, inclusivamente tinha uma saída de estrada (ler caixa
dos Madeirenses, e foi o primeiro líder em separado). Ambos acabariam por
do rali. Pedro Meireles, Miguel Barbosa voltar à competição no último dia de
e Ricardo Teodósio ocupavam as posi- prova, em Super Rali.
ções seguintes, com José Pedro Fontes Daqui em diante, e até ao final do se-
a registar apenas o sétimo melhor gundo dia de competição, José Pedro
tempo da geral. Fontes dominou e venceu todas as
Contudo, tal tendência acabaria por se restantes seis especiais realizadas,

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7

C/ C L A S S I F I C A Ç Õ E S

PONTUAÇÕES NA MADEIRA 28,58
1.º JOSÉ PEDRO FONTES 20
2.º RICARDO TEODÓSIO
3.º JOÃO BARROS 17,26
4.º ARMINDO ARAÚJO 14,56
5.º PEDRO ALMEIDA
6.º MIGUEL CORREIA 12
7.º PAULO CALDEIRA 10
8.º PAULO NETO 8
NA - MIGUEL BARBOSA 6
0,26
PONTUAÇÕES APÓS 7.ª PROVA
1.º ARMINDO ARAÚJO 121.85
2.º RICARDO TEODÓSIO 98.88
3.º JOSÉ PEDRO FONTES 82.88
4.ª MIGUEL BARBOSA 78.36
5.º PEDRO MEIRELES
6.º RICARDO MOURA 61
7.º JOÃO BARROS 54.35
8.º CARLOS VIEIRA 42.76
9.º PEDRO ALMEIDA
10.º DIOGO SALVI 42
39
30

no final do segundo dia do evento. até ao final entre os pilotos do CPR. desistência permitiu a João Barros, que e o jovem Pedro Almeida completaram
No derradeiro dia de competição, a Já Miguel Barbosa aumentou o ritmo, também venceu uma das especiais o Top 5 da prova.
armada do Nacional de Ralis voltou venceu uma especial e dilatou a vanta- do último dia de competição, subir ao A oitava e penúltima prova do Cam-
à estrada e o drama voltou a fazer gem sobre Ricardo Teodósio. Contudo, terceiro lugar, logo atrás de Ricardo peonato de Portugal de Ralis será o
parte da ação. José Pedro Fontes, não acabaria por desistir já perto do final, Teodósio, que acaba por ser um dos Rali de Amarante – Baião, também
se conseguindo imiscuir na luta pela na penúltima classificativa, após uma grandes beneficiados de uma prova disputado em piso de asfalto, agendado
vitória na geral, conservou a liderança forte e aparatosa saída de estrada. Esta pouco característica. Armindo Araújo para os dias 21 e 22 de setembro.

CPR/
CAMPEONATO DE PORTUGAL DE RALIS

8 RALI VINHO MADEIRA

CIPRIANO
ANTUNES
ASSUME
LIDERANÇA

No Campeonato de Portugal de
Clássicos de Ralis, e como tem
sido habitual, Cipriano Antunes
“passeou” o sempre mítico Audi
Quattro pelos troços madeirenses.
Sem opositores, o veterano piloto
aproveitou para desfrutar das belezas
da ilha enquanto brindou os milhares
de espectadores com uma viatura
que faz relembrar outros tempos.
Ao vencer pela segunda vez nesta
temporada, Cipriano Antunes assume
a liderança da competição com 79,5
pontos.

MIGUEL CORREIA
ESTREIA-SE A VENCER
Éum dos talentos na linha de suces-
são no Campeonato de Portugal de rência nas duas rodas motrizes. Contudo, Este foi um rali de muitas surpresas. Ao RICARDO
Ralis, chegou às provas do nacional face ao bom andamento que imprimiu e longo do dia de sábado chegámos a pensar MOURA MARCOU
apenas nesta temporada e no Rali também a alguns problemas sentidos por que já não dava para chegar à vitória e PRESENÇA
Vinho Madeira alcançou a sua primeira Neto e Antunes, Correia chegou à lide- íamos começar a gerir mas, entretanto,
vitória da carreira. Estamos a falar, claro rança da prova insular à passagem pela vimos uma luz ao fundo do túnel. Con- Ídolo para quem gosta de ralis, Ricardo
está, de Miguel Correia, piloto bracarense oitava especial. Daí para a frente não mais seguimos vencer e vamos levar o caneco Moura foi uma das figuras sonantes
que levou de vencida uma das mais du- largou a liderança da corrida, chegando para o continente e para Braga.”, explicou a marcar presença no Parque de
ras provas do campeonato, superando ao seu primeiro triunfo no CPR nas duas o vencedor. Assistência do Rali Vinho Madeira. O
os experientes pilotos Paulo Neto e Gil rodas motrizes. No segundo lugar, mas com muito atraso piloto açoriano, que se encontra afastado
Antunes, ao colocar o Renault Clio R3 no “É uma sensação fantástica, não esperava para o líder, ficou Paulo Neto, que sofreu da competição por motivos pessoais e
lugar mais alto do pódio. vir cá ganhar. Espero que seja a primeira vários problemas mecânicos ao longo da profissionais, não deixou de apoiar os
Depois de ser o mais forte na Super Es- de muitas. Acho que é a melhor forma que prova madeirense. Já Gil Antunes voltou a seus companheiros na assistência
pecial, Miguel Correia iniciou o segundo tenho de agradecer aos meus patrocina- ter problemas com a bomba de gasolina do da ARC Sport. Sempre alvo de muitos
dia em desvantagem para a forte concor- dores, inclusivamente locais, a quem quero Clio R3T, que tem afetado a performance apelos para fotos e autógrafos, Moura
deixar um agradecimento muito grande. desportiva do piloto ao longo do ano. acedeu sempre com um sorriso.
Estará próximo o regresso de Ricardo
FURO AFASTOU ARMINDO DA LUTA PELA VITÓRIA Moura à competição? 

O líder do Campeonato de Portugal melhor forma, ao ser o mais rápido na carro tocou numa berma e furou. Faz
de Ralis não teve a sorte do seu lado especial de abertura, Armindo Araújo parte do jogo, são corridas, são ralis.
no regresso ao Rali Vinho Madeira. acabou por sofrer um furo na quinta No entanto este acabou por não ser
Apesar de ter iniciado a prova da especial da prova que obrigou o um mau resultado nas contas pelo
piloto a trocar o pneu em pleno troço, Campeonato. Faltam duas provas
fazendo-o perder alguns minutos que e está tudo em aberto. Saímos
o afastaram, irremediavelmente, da da Madeira satisfeitos”, explicou
luta pela vitória. “Foi um erro meu. Armindo Araújo que, ainda assim,
Isto são contingências das corridas mantém a liderança do Campeonato
em que tudo pode acontecer. O carro de Portugal de Ralis, embora mais
estava a escorregar muito de frente pressionado pelo algarvio Ricardo
e logo no início da quinta especial o Teodósio.

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9

SAÍDA DE ESTRADA
“OBRIGA” MEIRELES
ASUPER RALI
N uma época em que os re-
sultados não têm estado foi o problema de sábado, com um ex- SESSÃO DE AUTÓGRAFOS NO CASINO
de acordo com a qualidade cesso de condução, por minha culpa, FOI UM SUCESSO
já comprovada pelo pilo- que resultou num pequeno toque que
to, Pedro Meireles voltou levou à desistência. Já no domingo era Na quinta feira que antecedeu o Rali não deixa de ser surpreendente a
a não ser feliz. Durante a só mais para testar, mas infelizmente Vinho Madeira, o Casino da Madeira quantidade de público que marcou
sexta especial do Rali Vinho Madeira, não conseguimos, apesar do excelente recebeu os pilotos e milhares de fãs dos presença neste evento pré-rali. Isabel
o Campeão Nacional de Ralis de 2014 trabalho da equipa na recuperação do ralis para uma sessão de autógrafos Ramos, piloto local, mostrava-se
teve uma ligeira saída de estrada que carro. No final da 1ª classificativa co- que foi um verdadeiro sucesso. Se satisfeita com a adesão de público:
o forçou a abandonar a prova ma- meçámos a sentir o pedal dos travões a não é segredo para ninguém que os “Foi impressionante. Era 00h20 quando
deirense. A equipa de assistência do ir abaixo, um dos sintomas de quando madeirenses são verdadeiramente acabei de dar autógrafos”, disse.
piloto vimaranense trabalhou ao longo os rolamentos começam a gripar, e no apaixonados pelo desporto automóvel,
da tarde/noite e conseguiu recupe- fim levantámos o carro e vimos que a
rar o Skoda Fabia R5 para que Pedro roda estava a abanar. Continuar mais
Meireles pudesse voltar ao rali no do- três classificativas com este problema
mingo. O piloto acabaria por desistir era perigoso. Foi pena, é um rali para
no derradeiro dia de competição, com esquecer. Agora, temos mais dois ralis
problemas nos rolamentos do Skoda até ao fim do ano e é cumprir calen-
Fabia R5. “Basicamente o importante dário. Mas vamos tentar fazer o nosso
melhor nos próximos ralis.”

ADRUZILO LOPES DE NOVO
NA LUTA PELO TÍTULO

PÚBLICO MOSTROU PAIXÃO Adruzilo Lopes enfrentou o Rali um furo lento a forçar Adruzilo
PELOS RALIS Vinho Madeira sem oposição. a trocar um pneu logo após a
Bom para o piloto na luta pelos Super Especial, penalizando por
objetivos do Campeonato atraso no regresso ao Parque
Portugal GT de Ralis, mau para Fechado. Conseguindo sempre
o espetáculo que merece ver o tempos dentro dos 15 primeiros,
veterano piloto mais envolvido especial após especial, Adruzilo
em outras batalhas. A prova Lopes somou o máximo de pontos
não começou de feição para o possível na Madeira, reentrando
piloto do Porsche 997 GT3, com na luta pelo título no CPGTR.

Ainda antes da enchente na Sessão de de semana. A quantidade de público que
Autógrafos que antecedeu o Rali Vinho aderiu ao último teste dos pilotos antes da
Madeira, logo no Shakedown o público prova foi tão grande que obrigou mesmo a
madeirense deu um pequeno aperitivo de organização e as autoridades a cortarem
tudo o que se iria assistir ao longo do fim os acessos ao local do Shakedown. Mais

tarde, e já no decorrer
da prova, o público
madeirense respeitou as
regras impostas e apoiou
os pilotos do primeiro
ao último metro de cada
especial. Uma verdadeira
alegria que contagiou
todos os intervenientes
desta sétima prova do
Campeonato de Portugal
de Ralis.

Cmr/
CAMPEONATO DA MADEIRA DE RALIS

10 R A L I V I N H O M A D E I R A

CAMACHO PASSAA melhor num hipotético rali com todos
LIDERARREGIONAL os inscritos reunidos.
Outro madeirense a realizar uma muito
O Rali Vinho Madeira deixou motivos para Alexandre Camacho sorrir a todos os níveis, boa prova foi Vasco Silva. O piloto do
já que passou para o comando do campeonato insular, ao destronar João Silva da liderança Mitsubishi Lancer X seria oitavo num
rali global virtual e, contando com uma
João Freitas Faria modalidade. João Silva, comandante da regional. Alexandre Camacho e Miguel viatura a funcionar sem problemas, ba-
[email protected] competição desde a abertura em São Nunes estiveram sempre na frente e teu mesmo adversários equipados com
FOTOGRAFIA Zoom Motorsport/António Vicente, caiu duma assentada para o João Silva seguia no posto mais baixo mais modernos R5. Entre estes esteve
Silva, Oficiais RVM e AIFA terceiro posto pois Miguel Nunes tam- do pódio até desistir. Um pouco à se- Pedro Mendes Gomes aos comandos
bém subiu um degrau e é agora o piloto melhança do que tem acontecido na dum Peugeot 208 T16 da Delta Rally num
Para além de vencedor deste mais próximo do líder. restante temporada, Rui Pinto seguia processo de aprendizagem com vista à
Rali Vinho Madeira, Alexandre No topo da classificação absoluta, esta logo atrás do trio da frente até beneficiar próxima época e que acabou coroado
Camacho teve este fim de sema- edição da prova mais importante da ilha do abandono de Silva e ser terceiro entre com o quinto melhor posicionamento
na também a alegria de passar a confunde-se bastante com a disputa os locais depois duma prova em que entre os locais.
liderar o campeonato madeirense da das primeiras posições no campeonato foi subindo de forma até ser o quarto Este rali ficou marcado pelas altas tem-
peraturas sob as quais se disputou e, se
o calor não fez mossa nas viaturas mais
recentes e melhor cuidadas, a acabou
tendo como consequência um grande
número de desistências sobretudo en-
tre as equipas madeirenses que repre-
sentavam o “grosso do pelotão”. Essa
condição deixou caminho livre para
que Alexandre Mata e Ilídio Sardinha
obtivessem, respetivamente, os pontos
do sexto e sétimo postos para o cam-
peonato insular.
Também nesse contexto importa sa-
lientar o bom posicionamento final de
Bruno Rodrigues e André Camacho com

>> autosport.pt

11

ESTRANHA DESISTÊNCIA DE BASSO

Muitos eram os adeptos que os ralis têm 2 devido a um problema de transmissão
na Madeira que apostavam no triunfo de e, segundo fonte ligada ao piloto, “com
Giandomenico Basso, um sucesso que a quebra duma peça que não costuma
tornaria o italiano, com cinco vitórias, no partir neste modelo”. Apesar de nada
piloto mais bem sucedido de sempre na adiantar quanto à recolha de pontos para
prova ou, então, num forte opositor de a consolidação da liderança no TER, foi
Camacho na senda da segunda vitória no garantida nos ‘media’ a hipótese do italiano
evento. O i20 R5 com as cores da Hyundai regressar em Super Rally para satisfazer
Portugal apresentava uma configuração os muitos fãs que tem no arquipélago. No
diversa à utilizada pelo italiano neste entanto, Basso não arrancou para a segunda
modelo noutras ocasiões mas tal não etapa. A organização aprestou-se a divulgar
impediu que obtivesse o quinto tempo a o facto, posteriormente justificado com a
pouco menos de dois segundos de Armindo não receção duma peça por avião e a mesma
Araújo na classificativa inaugural. fonte acima adianta que essa ausência foi
Basso viria, contudo, a desistir logo na PE concertada entre piloto e equipa…

os pequenos Toyota Yaris da competição vida pela FPAK. Entre estes estiveram,
monomarca apoiada pela DMack. Entre entre outros, Rui Jorge Fernandes no
pilotos que costumam figurar no topo Mitsubishi Lancer Evo IX, Isabel Ramos
da classificação dos ralis madeirenses, no Renault Clio R3T, Bruno Fernandes
alguns houve que acumularam muitos no Citroën C2 R2 ou Pedro Macedo
problemas até desistirem na longa pri- numa viatura idêntica. O Campeonato
meira etapa e regressarem no último da Madeira de Ralis regressa à estrada
dia de competição para obterem mais entre 14 e 15 de setembro para o Rali do
uns pontos para a competição promo- Funchal e Câmara de Lobos.

C/ C L A S S I F I C A Ç Õ E S ACIDENTES PROVOCARAM
INTERRUPÇÕES

1º ALEXANDRE CAMACHO/PEDRO CALADO SKODA FABIA R5 2:10:21.5 O desenrolar deste Rali Vinho Madeira ficou até ao hospital. Essa demora acabou
marcado por alguns acidentes ou incidentes não tendo consequências pois Silva
2º MIGUEL NUNES/JOÃO PAULO CITROËN DS3 R5 + 39.1 que levaram à interrupção da prova. Entre apenas apresentava algumas contusões
estes o de maior significância foi o de João e Calado um ligeiro problema pulmonar e
3º RUI PINTO/RICARDO FARIA FORD FOCUS WRC + 3:23.6 Silva na PE 5. O piloto saiu de estrada de a fratura duma costela mas provocou a
forma algo violenta e obrigou o acionamento indignação perante a possibilidade de tal
4º VASCO SILVA/RICARDO VENTURA MITSUBISHI LANCER X + 8:00.4 dos meios de socorro para evacuação poder acontecer numa situação de maior
da equipa sobretudo devido ao primeiro emergência. O rali madeirense esteve
5º PEDRO MENDES GOMES/JOÃO SOUSA PEUGEOT 208 T16 + 10:22.1 diagnóstico efetuado ao navegador Victor também parado devido ao incêndio do
Calado. Hyundai i20 R5 utilizado por Pedro Paixão, o
6º ALEXANDRE MATA/NICODEMO CÂMARA CITROËN C2 R2 + 19:43.8 O dispositivo de segurança correu que obrigou à neutralização da última prova
bem até um desentendimento entre a especial e à atribuição do tempo obtido por
7º ILÍDIO SARDINHA/ÉNIO ANDRADE CITROËN C2 R2 + 22:56.1 organização e as forças policiais levar a Armindo Araújo a uma caravana que nessa
que as ambulâncias necessitassem de fase apenas pretendia cortar a linha de
8º BRUNO RODRIGUES/RICARDO ABREU TOYOTA YARIS + 27:35.1 mais duma hora para percorrer o trajeto meta no Funchal.

9º PEDRO COELHO/GUILHERME COELHO RENAULT CLIO R3 + 29:23.3

10º ANDRÉ CAMACHO/SÍLVIO MALHO TOYOTA YARIS + 30:23.5

CRM

1º ALEXANDRE CAMACHO, 120; 2º MIGUEL NUNES, 105; 3º JOÃO SILVA 92; 4º RUI PINTO, 73; 5º FILIPE

PIRES, 36; 6º PEDRO PAIXÃO, 31; 7º RUI JORGE FERNANDES, 29; 8º VASCO SILVA, 28; 9º ALEXANDRE MATA,

22; 10º DINARTE BAPTISTA, 20.

F1/12
FÓRMULA 1

QUEM
ERRA
MAIS?
Estamos este ano a assistir a um dos Campeonatos do
Mundo de Fórmula 1 mais disputados dos últimos anos,
com a vantagem a passar da Mercedes para a Ferrari e
vice-versa. Uma situação que faz dos erros determinantes

para o desfecho dos títulos. Olhando para a primeira
metade de temporada, é já notória uma tendência

Jorge Girão
[email protected]

Q uando uma temporada é sar os erros de cada um dos principais O inglês estava no segundo posto com
tão disputada como a deste intervenientes na luta pelos títulos. pneus frescos e seguia Sebastian
ano, com dois pilotos ver- Vettel, que tinha ainda de parar, a me-
dadeiramente na luta e três GP DA AUSTRÁLIA nos de 13,6 segundos, distância que a
equipas com capacidade para Mercedes considerava ser suficiente
vencer, existe uma linha de SAFETY-CAR VIRTUAL BARALHA para a eventualidade de o alemão parar
pensamento que aponta para que nas boxes durante uma situação de
os candidatos ao cetro maximizem MERCEDES Safety Car Virtual. Mas não eram esses
as capacidades do seu material nos os números da Ferrari, que apontavam
dias em que têm entre mãos o carro Quando Hamilton assegurou a pole para que, se o seu piloto detivesse
mais competitivo e não se envolvam position para o Grande Premio da uma vantagem superior a 10 segun-
em riscos desnecessários nas tar- Austrália, o primeiro da tempora- dos e se a troca de pneus corresse
des de domingo em que claramente da, todos os observadores ficaram bem, sairia das boxes no comando.
não têm a possibilidade de vencer. em estado de choque – mais de Quando Hamilton viu o seu rival a
É claro que isto é muito mais fácil seis décimos de segundo separa- regressar à pista à sua frente a sua
dizer que fazer e, por vezes, exis- ram o inglês de Kimi Räikkönen, primeira reação foi de espanto, “o
tem aparentes oportunidades que que assegurou o segundo posto. que foi que aconteceu”, pergun-
levam a excessos ou a pequenos Após os testes de inverno, era espe- tou ele à equipa através do rádio.
erros com resultados catastróficos. rado que os Mercedes tivessem algum O Mercedes W09 EQ Power+ nas mãos
Para além do impacto dos pilotos, ascendente sobre a Ferrari e a Red Bull, de Hamilton era evidentemente mais
também as equipas são responsáveis mas nunca uma diferença tão grande. rápido que o Ferrari SF71-H de Vettel,
pelos resultados, não só por que cons- Com uma supremacia tão evidente mas num circuito em que as ultra-
troem e operam os monolugares que a favor do Campeão do Mundo em passagens são praticamente impos-
entregam aos pilotos, mas também título, aguardava-se que este pudesse síveis sem uma diferença conside-
por que são os principais agentes de protagonizar uma caminhada triunfal rável de vida nos pneus – de apenas
decisão nas estratégias escolhidas. rumo à sua primeira vitória da tempo- sete volta a favor do germânico – o
Estamos na pausa de verão, com 12 rada e, na verdade, no dia da corrida, inglês nada pôde fazer para além de
corridas disputadas e nove por reali- o inglês tinha tudo sob controlo, até colocar o seu rival sobre pressão e
zar, sendo o momento certo para anali- que ambos os pilotos da Haas saíram segui-lo de perto até à bandeirada
das boxes com rodas mal apertadas,
tendo Romain Grosjean obrigado a
uma situação de Safety Car Virtual.

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de xadrez, assistindo em primeira cut”, e ao parar uma volta mais cedo
mão ao triunfo do piloto da Scuderia. que o líder Bottas assumiu a lide-
Com um erro de estratégia da rança, parecendo caminhar para a
Mercedes, Hamilton perdia sete pon- sua primeira vitória da temporada.
tos e Vettel ganhava outros tantos, No entanto, a corrida acabaria por se
uma diferença de 14 pontos a favor virar do avesso, quando na 29ª volta
do alemão. os dois pilotos da Toro Rosso toca-
ram-se, lançando detritos ao longo
GRANDE PRÉMIO DA CHINA de toda a Curva 14. Era inevitável a
entrada do Safety Car em pista, mas
FALTA DE AGILIDADE DA MERCEDES TRA- este surgiu demasiado tarde para
que Bottas ou Vettel pudessem en-
MA HAMILTON trar nas boxes e montar pneus no-
vos, ao passo que Räikkönen tinha
A Ferrari parecia estar um pas- trocado as suas borrachas na 27ª
so à frente da concorrência, o volta, sendo preferível ganhar po-
que foi provado com a primei- sição a voltar a passar pelas boxes.
ra linha monopolizada por Vettel e Mas Verstappen, Hamilton e Ricciardo,
Räikkönen durante a qualificação. terceiro, quarto e quinto, respeti-
O SF71-H era de facto o carro mais vamente, tinham a oportunidade
competitivo em Xangai, mas um para ficar em vantagem quanto aos
Iceman demasiado agressivo na pneus, relativamente aos dois da
primeira curva, quando lutava pela frente, mas curiosamente, apenas os
liderança com o seu colega de equi- homens da Red Bull aproveitaram.
pa, abriu a porta para que Bottas Enquanto o holandês se envolvia em
ascendesse ao segundo posto e toques e saídas de pista, Ricciardo
perseguisse o alemão da Scuderia. guindava-se ao comando, con-
Apesar de ter o monolugar mais quistando a sua primeira vitória da
performante em pista, construindo temporada seguido de Bottas e de
uma boa vantagem para o finlan-
dês da Mercedes, Vettel viu a Ferrari
enganar-se nos cálculos do “under-

F1/
FÓRMULA 1

14

QUEM ERRA MAIS?

Räikkönen, ao passo que Hamilton, em que lugar terminaria, mas Hamilton o carro a ter em Baku e Sebastian permacias e macias – as temperaturas
que seguia à frente do australiano tinha a possibilidade de vencer se es- Vettel usou-o bem para assegurar baixas ofereceram aos compostos
antes do Safety Car, terminava num pelhasse a estratégia dos pilotos da a pole position e para liderar con- uma vida que não era esperada, per-
desapontante quarto lugar. Vettel, Red Bull, mas ao permanecer em pista fortavelmente a corrida de 51 voltas, mitindo esticar cada um dos stints.
que sofrera um toque de Verstappen, perdeu 13 pontos que estavam ao seu abrindo uma vantagem expressiva Vettel, com uma liderança confor-
terminava apenas em oitavo. alcance. para Lewis Hamilton, que arrancara da tável para Hamilton, parou apenas
É difícil quantificar quantos pontos o segunda posição da grelha de partida. na 30ª volta, oito depois do inglês,
alemão perdeu devido à falha estra- GRANDE PRÉMIO AZERBAIJÃO No entanto, e apesar de a Pirelli ter mantendo a sua posição relativa face
tégica da Ferrari, dado que o incidente GANÂNCIA DE VETTEL TRAI-O levado para a prova azeri borrachas ao seu arqui-rival, mas Bottas, com
com o holandês não nos deixa perceber Uma vez mais, o Ferrari SF71-H era bastante macias – ultramacias, su- um stint bastante longo, manteve-

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-se em pista rodando no comando mais sete graças ao erro do seu rival. gem de performance ao nível dos ve-se na trajetória ideal à saída da
virtualmente, que teria de ceder as- Uma diferença de 20 pontos a favor do pneus para apostar tudo no arran- primeira curva para surpresa de Carlos
sim que parasse para realizar a sua Campeão Mundial em título. que, para, pelo menos, colocar-se Sainz, numa volta lançada, que teve
planeada passagem pelas boxes. entre os Mercedes e conseguir co- de ir para a escapatória para não en-
No entanto, 40 segundos atrás do GRANDE PRÉMIO DE FRANÇA locar sob pressão Lewis Hamilton. trar pela traseira do Ferrari adentro.
finlandês os pilotos da Red Bull di- De facto, o piloto da Ferrari arran- Resultado: três lugares de penalização
gladiavam-se e, na 40ª volta, o inevi- VETTEL NÃO CEDE E PAGA POR ISSO cou melhor que Bottas e conse- na grelha de partida para o alemão.
tável aconteceu – desentenderam-se guiu colocar-se ao lado deste, mas Podemos argumentar que o tetracam-
na travagem para a Curva 1, batendo Tirando o intenso calor que se fez sentir o finlandês não baixou os braços e, peão mundial deveria ter sido avisado
para se imobilizarem na escapató- em Paul Ricard no fim de semana que numa defesa robusta mas legítima, pela sua equipa da aproximação do es-
ria, deixando um rasto de detritos. marcou o regresso do Grande Prémio colocou o alemão numa situação em panhol da Renault, mas Vettel não tinha
O Safety Car era inevitável e Bottas de França ao calendário da Fórmula 1 que, para fazer a primeira curva te- qualquer necessidade em manter-se
estava do lado da sorte, dado que desde 2008, então tendo Magny-Cours ria de levantar o pé. Vettel não cedeu na trajetória depois de terminada a sua
poderia realizar a sua paragem nas como palco, tudo parecia indicar que e acabaram os dois na escapatória volta lançada, sendo, portanto, sensato
boxes de “borla”, mantendo o co- a Mercedes teria vantagem na pista para rumarem às boxes para repara- fugir desta para a eventualidade de
mando, até por que os restantes pi- “banhada” pelo vento Mistral. De facto, rem os danos nos respetivos carros. existir uma falha de comunicação.
lotos atrás de si decidiram também desde cedo se percebeu que era essa Vettel, depois de ter passado pela Tudo parecia correr de feição à
colocar borrachas mais frescas. a realidade, uma vez que o traçado cauda do pelotão, recuperou até Mercedes: a primeira linha garantida
Com uma neutralização bastante exigia um carro aerodinamicamente quinto, assistindo à terceira vi- e Sebastian Vettel no sexto lugar da
longa, dado que Romain Grosjean eficiente, e não com apoio aerodinâmi- tória da temporada de Hamilton. grelha de partida, tendo apenas de
enviou o seu Haas para as barreiras co absoluto, e a Pirelli levou a sua gama Num dia em que poderia ter termina- se preocupar com Kimi Räikkönen.
durante o período de Safety Car, as de pneus com um piso menos espesso, do, na pior das hipóteses, no terceiro Apesar das muitas escaramuças na
voltas passavam e as oportunida- tão do agrado do W09 EQ Power+, que posto, o alemão pagou a sua ousadia primeira volta, Hamilton e Bottas man-
des de Vettel lançar um ataque ao então estreava a Fase 2.1 do V6 tur- com os cinco pontos que diferenciam o tiveram os Flechas de Prata no coman-
comando de Bottas ia escasseando. bohíbrido idealizado em Brixworth. degrau mais baixo do pódio do quinto do, enquanto o finlandês lutava e per-
Quando a quatro voltas da bandei- A vantagem entre os Flechas de Prata lugar em que terminou. dia uma posição para Max Verstappen,
rada de xadrez a prova foi retomada, e os Ferrari não era muito vincada, que se assumiu como o persegui-
o alemão deixou a travagem para a mas era decisiva e na qualificação GRANDE PRÉMIO DA ÁUSTRIA dor aos monolugares de Brackley.
primeira curva para o último mo- Lewis Hamilton liderou a ofensiva pra- No entanto, as coisas começavam a
mento, não conseguindo manter a teada, que monopolizou a primeira ERROS NOS DOIS CAMPOS correr mal à Mercedes, curiosamente,
liderança e danificando seriamen- linha, relegando Sebastian Vettel para na 13ª volta, quando Valtteri Bottas
te o seu pneu dianteiro/esquerdo. o terceiro posto da grelha de partida. A Mercedes apresentou no Red Bull viu-se obrigado a abandonar com
O piloto da Ferrari caiu imediata- Era evidente que a Scuderia estava em Ring uma nova evolução aerodinâmica problemas hidráulicos no seu carro,
mente para o quarto lugar, perdendo desvantagem e na Q2, quando se define com flancos inspirados pela filosofia deixando Hamilton sozinho no coman-
outro para Sergio Pérez até à meta. a escolha de tipo de pneus com que os introduzida pela Ferrari em 2017, o do face a dois Red Bull e a dois Ferrari.
Com o furo de que Bottas foi ví- 10 primeiros arrancam para a corrida, que rapidamente alterou o comporta- Estrategicamente, os homens de
tima, Vettel terminou em quarto, tanto o alemão como Kimi Räikkönen mento do carro, normalmente com o cinzento estavam em desvantagem,
enquanto Hamilton assegurava a apostaram nos mais performantes centro de pressão aerodinâmico muito apesar de continuarem a liderar a
sua primeira vitória da temporada. ultramacios, ao passo que os homens à frente, criando ocasionalmente com- corrida e isso foi determinante para
O alemão via assim escapar-lhe 13 dos Flechas de Prata escolhiam os portamentos inconsistentes. Ambos o desfecho da corrida para uma equi-
pontos, ao passo que o inglês somava mais duráveis supermacios, dando- os pilotos estavam satisfeitos com pa que, desde 2014, ano em que co-
-lhes mais flexibilidade estratégica. a evolução do comportamento do meçou a exercer o seu domínio na
Vettel tinha de se apoiar na vanta- carro de Brackley, sobretudo Valtteri Fórmula 1, normalmente não tinha de
Bottas que assegurou a pole posi- se preocupar com as restantes forma-
tion para o Grande Prémio da Áustria, ções, tal era a sua vantagem técnica.
batendo o seu colega de equipa por Para agravar a situação dos homens
dezanove milésimos de segundo. da Mercedes, os comissários de
Sebastian Vettel nada podia fazer pista precisavam de arrumar con-
quanto ao poderio dos Flechas de venientemente o carro de Bottas e,
Prata, assegurando o terceiro crono, para isso, foi necessário introduzir
mas a uns expressivos três déci- uma situação de Safety Car Virtual,
mos de segundo do duo que fechou o que abria a possibilidade de realizar
a primeira linha da grelha de partida. uma paragem nas boxes menos dis-
A vida não estava fácil para o ale- pendiosa em termos de cronómetro.
mão, que teria de se aplicar a fun- Na Mercedes, com tempo para de-
do se quisesse intrometer-se en- cidir, a discussão prolongou-se,
tre os pilotos da Mercedes. Mas ele centrando-se naquilo que os seus
próprio acabaria por colocar-se adversários poderiam fazer, com a
numa situação ainda mais difícil. equipa a acabar por decidir man-
Depois de ter realizado uma volta
lançada durante a Q2, Vettel mante-

F1/
FÓRMULA 1

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QUEM ERRA MAIS?

ter Hamilton em pista, ao passo que Sebastian Vettel estava nessa situa- cutou o plano que tinha em mente a Vettel.
Ferrari e Red Bull mandaram os seus ção no Grande Prémio da Alemanha, – impor a sua lei, deixando todos
pilotos parar para trocar de pneus. a sua prova, que regressava este os seus adversários para trás… No GRANDE PRÉMIO DA HUNGRIA
A partir de então o inglês ficou sem ano tendo como palco Hockenheim, entanto, a chuva era uma ameaça à
argumentos para lutar pela vitó- um circuito onde nunca vencera. consistência da situação, deixando CHUVA TRAMOU FERRARI
ria, sofrendo ainda a afronta de ter Desde o Grande Prémio da Grã- no ar a possibilidade de tudo mudar.
de desistir devido a problemas de Bretanha, com a introdução de um Talvez por isso, o alemão apertou mais A prova magiar parecia ter tudo
alimentação de combustível quan- novo fundo plano que coadjuvou a o andamento, mesmo com a chuva para que Sebastian Vettel pudesse
do estavam cumpridas 62 voltas. nova versão do V6 turbohíbrido de já a fazer-se sentir, chegando a de- recuperar da sua deceção germâ-
O erro estratégico acabou por não Maranello estreado no Canadá, mas ter mais de nove segundos de van- nica: altas temperaturas e um cir-
custar nada a Hamilton com a sua cujo potencial só foi revelado mais tagem para os seus perseguidores. cuito sinuoso onde habitualmen-
desistência por questões técnicas – o tarde, que o Ferrari SF71-H era o Contudo, na chuva, qualquer distração te o Mercedes tem dificuldades.
abandono seria sempre o destino do carro mais competitivo em pis- paga-se caro, e na zona do circuito Nos treinos livres de sexta feira foi evi-
inglês mesmo que tivesse parado du- ta. O alemão mostrou isso mesmo cuja escapatória é mais pequena, dente que a Ferrari era a equipa mais
rante a situação de Safety Car Virtual – na qualificação, assegurando uma Sachskurve, Vettel deixou as rodas forte em pista, seguida de perto pela
o mesmo não se passando com Vettel. pole position suada, mas em que traseiras bloquear, tendo o seu Ferrari Red Bull, ao passo que os Flechas de
A falha pessoal do alemão na qualifi- a sua superioridade ficou vincada. escorregado até afagar gentilmente as Prata não conseguiam ir além da dúbia
cação ter-lhe-á custado, no mínimo, Para melhorar ainda mais a situa- barreiras de proteção. O impacto foi posição de espetadores interessados
um segundo lugar, o que representa ção de Vettel, Hamilton não passava fraco, mas o abandono era inevitável. naquilo que se passava à sua frente.
uma perda de três pontos. sequer à Q2 devido a problemas hi- Para escurecer a situação, que ini- Contudo, uma vez mais, as condições
dráulicos, o que obrigava a arrancar cialmente parecia azul como um céu climatéricas teriam uma palavra di-
GRANDE PRÉMIO DA ALEMANHA da 14ª posição da grelha de partida. limpo de verão, Hamilton, apesar de zer no desfecho do fim de semana.
Tudo parecia correr às mil maravilhas arrancar de 14º, com uma performan- Depois do calor excruciante de sexta
A DISTRACÇÃO DE VETTEL à Ferrari e ao seu piloto de ponta, que ce notável, conquistava a sua quarta feira, a chuva realizava a sua aparição
se preparava para vencer pela se- vitória da temporada, reassumindo o no sábado para a hora da qualificação.
Quando um piloto tem uma vantagem gunda vez no seu Grande Prémio e comando do Campeonato de Pilotos. Novamente, quando tinha o carro mais
clara numa determinada situação, o pela primeira vez em Hockenheim. No fundo, uma pequena distração num forte no seco, Vettel e a Scuderia viam
seu desejo é que esta se prolongue o Chegado o dia da corrida, Vettel não fim de semana em que estava a raiar “S. Pedro” a trocar-lhes as voltas e a,
máximo possível e que a consistência esteve com meias medidas e exe- a perfeição e que custou 32 pontos pelo menos, nivelar a situação entre
seja uma constante para que possa tra- as duas equipas que têm vindo a do-
duzir a sua supremacia em resultados. minar as duas últimas temporadas.

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Os homens dos carros de Maranello, cavar a vantagem suficiente para o fin- com a meta já à vista e com uma des- difícil, quando comandava, devido a
no molhado, nada conseguiram fazer landês de cinzento para parar e manter vantagem considerável, era demasiado um erro estratégico. Nesse caso, as
contra Hamilton e Bottas, que assu- o segundo posto – com intuito de usar tarde para poder ter qualquer impacto más decisões da equipa de Brackley
miram a primeira linha da grelha de os seus ultramacios frescos contra os na corrida de Hamilton, que venceu ter-lhe-iam custado mais 13 pontos.
partida para a corrida de domingo, macios já com 14 voltas de Hamilton confortavelmente, ampliando a sua Já o seu grande rival na luta pelo cetro
dia em que o sol e as temperaturas para ir buscar o líder -, Vettel viu a sua vantagem no Campeonato de Pilotos. é o principal responsável pelos resul-
elevadas voltavam a fazer-se sentir. equipa realizar uma troca de pneus No fundo, o erro da Ferrari pouco im- tados aquém do esperado. O alemão
Tecnicamente a vantagem estava do demasiado lenta, o que o atirou nova- pacto poderá ter tido no resultado de cometeu erros de pilotagem em quatro
lado dos carros de vermelho, mas mente para o escape do Mercedes nº 77. Vettel, dado que chegar à traseira do corridas que lhe custaram uns massi-
numa pista em que as ultrapassa- Numa pista em que as ultrapassa- inglês seria uma coisa e ultrapassá-lo vos 46 pontos, isto sem levar em con-
gens são quase impossíveis, estra- gens são bastante difíceis, só quando seria outra completamente diferente, sideração o impacto que as suas falhas
tegicamente a superioridade estava os pneus traseiros do monolugar de mas ficará para sempre a dúvida de tiveram nos resultados de Hamilton.
do lado dos monolugares cinzentos. Bottas se degradaram o alemão con- como os dois lidariam com a situação. O mais evidente foi o que protagonizou
A partir do muro das boxes, a Ferrari seguiu ascender a segundo mas, então, no Grande Prémio da Alemanha, quan-
fez de tudo para poder desequilibrar O QUE CUSTARAM OS ERROS? do se despistou sozinho no comando.
a Mercedes, tendo colocado os seus Somando e subtraindo os pontos
pilotos com misturas de pneus di- Ao olharmos para as falhas que apon- resultantes das falhas verificadas
ferentes para o arranque – macios támos, verificamos que do lado da desde o início da temporada, neste
para Vettel, que arrancara de quar- Mercedes é a estratégia que está a momento Sebastian Vettel liderava
to, mas ultrapassara o seu colega de impedir Hamilton de ir mais além, o Campeonato de Pilotos com 228
equipa na segunda curva, e ultrama- ao passo que no canto da Ferrari, pontos, mais 39 que os que detém
cios para Räikkönen – e promoveu a as falhas pessoais de Vettel estão a hoje, contra 219 de Hamilton, mais
entrada madrugadora do finlandês tornar a luta pelo cetro mais difícil. seis que os que ostenta atualmente.
nas boxes para obrigar a Mercedes O inglês perdeu já 20 pontos devido Podemos concluir que, neste momento,
a reagir com Bottas e permitir que o a decisões erradas tomadas no muro o alemão está a perder o campeonato
alemão ficasse com a pista livre para das boxes e não são mais porque na por desmérito próprio, ao passo que o
perseguir Hamilton, que mantivera Áustria abandonou devido a proble- inglês, apesar dos erros da sua equipa,
o comando a partir da pole position. mas mecânicos. Caso contrário, teria está na liderança… Veremos como tudo
No entanto, e depois de ter conseguido terminado no quarto posto depois corre depois do verão.
de ter sido colocado numa situação

V/18
VELOCIDADE - IMSA ROAD AMERICA

APCOIRMTAUGDUOEPSAERS com o Oreca dos vencedores parado no
FO regresso de João Barbosa primeiro terço da volta de consagração.
ao volante do Cadillac daoi uma corrida louca e muito in- parado devido a um incidente de bicicleta, A luta pela vitória espelhou aquilo que
Action Express não foitensa ao longo dos 180 minutos João Barbosa conseguiu a sétima posição foi visto na qualificação, com os LMP2 a
suficiente para permitir que de duração, com a estratégia a da grelha de partida com o Cadillac DPI da dominarem os DPI, e com o Oreca da JDC
os vencedores das 24 Horas desempenhar um papel decisivo Action Express. Miller, não o da pole position mas o outro
de Daytona conseguissem no destino que a prova trilhou. O Nos GTLM, o melhor tempo foi para o Ford carro pilotado por Stephen Simpson e
GT de Dirk Muller, enquanto que nos GTD Misha Goikhberg. Isto porque também
que não mudou foi a supremacia a melhor prestação foi para o Porsche este Oreca decidiu copiar a estratégia do
melhor que um pálido sétimo dos LMP2 face aos DPI e isso ficou bem 911 GT3R de Patrick Long, enquanto que carro vencedor, ficando no terceiro lugar
lugar, a mesma posição de evidente na qualificação. Cinco pilotos Álvaro Parente, no Acura NSX GT3 da o Cadillac DPI de Eric Curran e Felipe Nasr.
Álvaro Parente na categoria estiveramnalutapelapolepositioneColin categoria GTD, foi apenas sétimo. Para a dupla de pilotos americano e bra-
GTD. Se fosse golfe diríamos Braun – o pole position nas duas últimas sileiro, mais uma volta e teriam chegado
que os portugueses estão a corridasdocampeonato–rubricouome- DEVAGAR PARA VENCER à vitória, pois fecharam a última volta a
jogar acima do par e o título lhortempocom1m53,213s,estabelecendo 2,389s do vencedor que, tal como o se-
começa a ser uma miragem. a marca a bater. Juan Pablo Montoya não A vitória na corrida de Road America, um gundo classificado, ficou sem gasolina
A vitória ficou para o Oreca sefezrogadoeatirouoAcuraPenskeDPI dos mais espetaculares circuitos conven- sensivelmente a meio da volta de regresso
LMP2 da Core Autosport paraapole,imediatamenteultrapassado cionais norte americanos, acabou no colo às boxes depois da bandeira de xadrez.
de Colin Braun e Jon Bennett, ao volante O Cadillac de Jordan Taylor e Render van
pelo Cadillac DPI de Rener van der Zande do Oreca LMP2 da Core Autosport. Depois der Zande também jogou à roleta russa
de duas pole postion nas duas corridas com o consumo, tal como o Mazda de
José Manuel Costa que nem chegou às boxes para celebrar, anteriores, finalmente chegou a vitória à Harry Tincknell e Jonathan Bomarito, mas
[email protected] sendobatidoporRickyTaylor.Masapole equipa Core. O triunfo sorriu-lhes depois a deusa da sorte nada quis com eles e
Fotos: IMSA, R. Dole, M. Levitt postion acabaria nas mãos de Robert de uma prova onde algumas bandeiras ambos foram forçados a abortar a estra-
amarelas ajudaram uma estratégia de tégia desenhada e a encaminharam-se
Alon, no Oreca LMP2 da JDC Miller, que, de consumo arriscadíssima que terminou para as boxes para um breve reabas-
tecimento. Renúncia que cobrou preço
rajada, fez duas voltas rápidas, deixando elevado no caso do Mazda da Joest Racing
que terminou no oitavo lugar, enquanto
a fasquia nos 1m51,933s. No regresso à o Cadillac DPI conseguiu recuperar até à
quarta posição.
competição, depois de umas semanas No arranque, Robert Alon conseguiu ficar
na frente de Ricky Taylor, mas van der
Zande e Montoya encarnaram persona-
gens de “Destruction Derby” e embateram

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19

um par de vezes um no outro, dando a do circuito de Road America. Como tinha suficiente para chegar ao final. STOCK CAR – CORRIDA DO MILHÃO
oportunidade para os dois Mazda Joest parado antes desta bandeira amarela, Fe- A amarela não surgiu e depois de muitos
subirem na classificação. lipe Nasr reclamou o comando da corrida nervos, Ricky Taylor não arriscou e parou FÉLIX DA COSTA
Uma bandeira amarela em todo o circuito, na frente do futuro vencedor, Colin Braun, para reabastecer a cinco minutos do fim da NO PÓDIO
logo no final da primeira volta quando que tinha acabado de receber o Oreca das corrida, seguindo-se na volta seguinte Bo-
Gustavo Yacaman (que em 2017 andou mãos do “gentleman driver” Jon Bennett, marito. Quem ficou em pista? Colin Braun O piloto português foi convidado pela
no International GT Open com um BMW que, refira-se, fez um excelente trabalho, e Stephen Simpson! Ambos conseguiram Hero a participar na célebre Corrida
M6 GT3 da Teo Martin Motorsport) fez um melhor que em outras ocasiões. esticar o tanque de combustível para lá do do Milhão de Stock Car, que alinhava
pião com o Ligier LMP2 e plantou o carro No campo da Action Express as coisas não sensato e obtiveram um primeiro e segun- também com carros para Lucas di Grassi
na escapatória. No recomeço, Alon conse- correram nada bem à dupla João Barbosa do lugares, na frente de um Filipe Nasr que e Bruno Baptista. Em mais uma mostra
guiu rechaçar os ataques de Ricky Taylor. e Filipe Albuquerque que, depois do sétimo tinha parado antes da bandeira amarela de talento, Félix da Costa foi mesmo
Nova bandeira amarela em todo o cir- lugar na qualificação, teimavam em não e pôde ir de pé no fundo. Faltou-lhe uma o melhor representante da estrutura,
cuito, quando um Ferrari da categoria conseguir entrar nos cinco primeiros - volta... uma única volta seria suficiente saldando com um pódio – terceiro lugar
GTD (Francesco Piovanetti) fez um pião rodando entre o sexto e o sétimo lugares para ser o brasileiro a reclamar a vitória. – a sua quarta participação na prova
e acertou no muro da zona do “kink” uma - nem em fazer valer a estratégia que, Ainda assim, foi uma boa operação para brasileira.
das zonas mais conhecidas e mais difíceis desta feita, não foi muito ousada. Nasr e Curran, pois aumentaram a sua Alcançou a terceira posição na
O drama começou a desenhar-se quando vantagem na liderança do campeonato. qualificação, a apenas 18 milésimas
Robert Alon parou nas boxes e acertou Sem brilho, Filipe Albuquerque e João Bar- do autor da pole, e durante a corrida
numa das pistolas de troca de pneus, sen- bosa fecharam a corrida de Road America apresentou-se sempre em grande nível,
do por isso penalizado com um “drive no sétimo lugar final. tendo liderado boa parte da contenda.
through” que o atirou de forma violenta No final o piloto mostrou-se
para fora dos 10 primeiros. O auge do dra- GT: VITÓRIAS PARA FORD E PORSCHE naturalmente feliz, partilhando
ma chegou quando Alon foi colocado fora o sentimento nas redes sociais:
de pista por um Acura NSX da categoria Na categoria GTLM a Ford beneficiou da “Acabei em 3° a corrida do Milhão.
GTD, situação que fez sair nova bandeira mesma estratégia dos vencedores da Liderei a maior parte da corrida mas
amarela, estendida a todo o circuito. geral para bater a BMW, embora neste acabámos por perder dois lugares no
Filipe Albuquerque deu um ar da graça caso tenham sido outros a arriscarem e último pit stop. Prometo voltar em
do Cadillac nº5 da Action Express, che- a deixar depositada no Ford GT da Chip 2019 para trazer o Milhão para casa!
gando a segundo no recomeço da corrida Ganassi Racing Ford GT a vitória. Richard Obrigado Equipe Hero por tudo.” O
e passando por Colon Braun. O piloto da Westbrook e Ryan Briscoe conseguiram português deixou ainda uma palavra
Core Autosport acabaria por perder mais resistir a tudo, desde um toque com um ao vencedor: “Parabéns ao meu amigo
algumas posições quando a equipa dese- carro da categoria GTD e o Porsche de Rubinho Barrichello pela vitória!” O
nhou a estratégia ganhadora: na última Nick Tandy (posteriormente penalizado brasileiro repetiu o triunfo de 2014
ronda de paragens para reabastecimento, devido a isso), até à estratégia agressiva nesta 10ª edição da prova. Barrichello
a equipa atestou o depósito até ao limite. do BMW M8 GTLM pilotado por Connor de parou a três voltas do final e saiu das
Apostava a Core Autosport numa ban- Phillippi e Alexander Sims. Uma paragem boxes na frente de Max Wils, que então
deira amarela e ela surgiu a 40 minutos mais curta colocou o M8 GTLM na frente liderava, feito que o permitiu vencer,
do final da prova, cortesia de Sebastien do Ford GT. Mas a vantagem do M8 foi-se relegando Wils para o lugar intermédio
Saavedra, colega de equipa de Gustavo derretendo como gelo ao sol, por um lado do pódio. “Agradecer a Deus por estar
Yacaman, que não quis ficar atrás do seu pelo andamento demolidor de Westbrook, aqui – vou sempre emocionar-me,
compatriota e acertou no muro da entrada por outro pela necessidade de andar de- porque não me posso esquecer do
das boxes. Era a oportunidade para colo- vagar para tentar chegar ao final. problema de saúde que tive no começo
car em prática a estratégia de consumo: O Ford acabou por passar pelo BMW a do ano. Com 46 anos, competitivo desse
Colin Braun, Ricky Taylor, Jonathan Bo- dois minutos do final da corrida, enquanto jeito, só posso agradecer aos céus de
marito e Stephen Simpson ficaram em o M8 ficou sem gasolina e nunca chegou verdade”, afirmou o brasileiro. AD
pista crentes que iria aparecer mais uma às boxes. Não resultou a estratégia como
bandeira amarela que lhes ofereceria a sucedeu com os vencedores da geral e os
oportunidade de poupar o combustível últimos lugares foram reservados para
Phillippi e Sims. O segundo lugar ficou
C/ C L A S S I F I C A Ç Õ E S para o Corvette de Tommy Miller e Oliver
Gavin, seguido do outro Corvette, pilota-
POS. EQUIPA CLASSE CARRO PILOTOS TEMPO/DIF. do por Antonio Garcia e Jan Magnussen.
Os líderes do campeonato, Joey Hand e
1 CORE AUTOSPORT P ORECA LMP2 JONATHAN BENNETT/COLIN BRAUN 2:40:44.562 Dirk Muller (Ford GT), eram os grandes
favoritos à vitória, mas uma suspensão
2 JDC-MILLER MOTORSPORTS P ORECA LMP2 MISHA GOIKHBERG/STEPHEN SIMPSON 2.389 partida despejou-os para o sétimo lugar
da classe GTLM.
3 WHELEN ENGINEERING RACING P CADILLAC DPI FELIPE NASR/ERIC CURRAN 2.397 Nos GTD, primeira vitória para Christina
Nielsen, acompanhada por Patrick Long,
4 KONICA MINOLTA CADILLAC DPI-V.R P CADILLAC DPI RENGER VAN DER ZANDE/JORDAN TAYLOR 10.573 ao volante de um Porsche 911 GT3, no
campeonato IMSA. A piloto deu uma boa
5 ACURA TEAM PENSKE P ACURA DPI DANE CAMERON/JUAN PABLO MONTOYA 17.056 ajuda a Long para bater o Lamborghini
Huracán GT3 e do Ferrari de Alessandro
6 TEQUILA PATRON ESM P NISSAN DPI JOHANNES VAN OVERBEEK/PIPO DERANI 21.512 Pier Guidi e Cooper MacNeil. Na compa-
nhia de Katherine Legge, Álvaro Parente
7 MUSTANG SAMPLING RACING P CADILLAC DPI FILIPE ALBUQUERQUE/JOAO BARBOSA 23.862 ajudou o Acura NSX GT3 a terminar uma
corrida complicada no sétimo lugar da
8 MAZDA TEAM JOEST P MAZDA DPI JONATHAN BOMARITO/HARRY TINCKNELL 32.276 categoria.

9 TEQUILA PATRON ESM P NISSAN DPI SCOTT SHARP/RYAN DALZIEL 33.229

10 ACURA TEAM PENSKE P ACURA DPI HELIO CASTRONEVES/RICKY TAYLOR 33.983

1 FORD CHIP GANASSI RACING GTLM FORD GT RYAN BRISCOE/RICHARD WESTBROOK A 3 VOLTAS

2 CORVETTE RACING GTLM CHEV. CORVETTE C7.R OLIVER GAVIN/TOMMY MILNER A 3 VOLTAS

1 WRIGHT MOTORSPORTS GTD PORSCHE 911 GT3 R PATRICK LONG/CHRISTINA NIELSEN A 3 VOLTAS

7 MEYER SHANK RACING GTD ACURA NSX GT3 KATHERINE LEGGE/ÁLVARO PARENTE A 3 VOLTAS

20 WRX/
RALICROSS - CANADÁ

KRISTOFFERSSON

BATE OS
LEÕES

Num circuito onde inicialmente os Peugeot pareciam ser
os mais rápidos, Johan Kristoffersson emergiu a partir da Q3
para vencer as restantes qualificações e alcançar a pole para
a Meia-final 1. E como é hábito quando parte da pole position,

o atual Campeão do Mundo esteve aí novamente imbatível,
voltando a aplicar a mesma receita na Final

Duarte Mesquita 208 WRX, depois de uma estreia menos Petter Solberg no arranque, com este a do Audi S1 quattro passava a ser um favo-
[email protected] bem conseguida na Suécia. Na Meia-final fechar o lote dos três qualificados para a rito à vitória, mas ainda na primeira volta
FOTOGRAFIA Oficiais WRX 1 Kristoffersson esteve igual a si mes- Final. A Meia-final 2 foi mais emocionan- um problema no eixo traseiro esquerdo
mo, conseguindo um arranque perfeito te, com Andreas Bakkerud a surpreender veio ao de cima, fruto dum ligeiro toque
Asétima prova do Mundial de e impondo uma condução sem erros que no arranque os dois Peugeot oficiais que ocorrido precisamente no arranque. O
Ralicross 2018 disputou-se sacudia a pressão de Mattias Ekström, o partiam da linha da frente (Loeb na pole norueguês acabaria por sucumbir assim
no fim de semana passado segundo classificado após ultrapassar com Timmy Hansen a seu lado). O piloto aos ataques dos pilotos dos Peugeot, bem
no circuito de Trois-Rivieres, como ao de Janis Baumanis, na melhor
no Canadá. Foi a primeira de C/ C L A S S I F I C A Ç Ã O exibição do ano do piloto letão com o Ford
duas provas que a caravana Fiesta RXS da equipa de Manfred Stohl.
do World RX disputa este ano no con- FINAL SUPERCAR CANADÁ Na última volta, de forma surpreenden-
tinente americano, estando agenda- te, Loeb errava e batia de traseira contra o
da uma visita ao circuito de Austin nos CL PILOTO CARRO TEMPO muro exterior, com o seu carro a ir abaixo,
Estados Unidos, a 28 e 29 de setembro. 6 VOLTAS EM 5M00,190S o que o fez perder imenso tempo e a se-
Depois de um primeiro dia marcado pe- 1º JOHAN KRISTOFFERSSON VW POLO R A 0,696S gunda posição para Baumanis.
las vitórias de Sébastien Loeb na Q1 e Q2, A 2,147S
Johan Kristoffersson, que era apenas 9º 2º TIMMY HANSEN PEUGEOT 208 WRX A 3,366S HANSEN NÃO CONFIRMOU AMEAÇA
classificado no final da Q2, apareceu a A 4,038S
partir da Q3 para voltar a realizar uma 3º SÉBASTIEN LOEB PEUGEOT 208 WRX A 9,950S Na Final a primeira fila era ocupada por
exibição impressionante, vencendo as Kristoffersson e Timmy Hansen, com o
duas últimas qualificações e concluin- 4º MATTIAS EKSTROM AUDI S1 QUATTRO piloto da Volkswagen a apresentar-se
do assim a classificação intermédia no como principal favorito a vencer, se bem
primeiro lugar, o que lhe garantia a pole 5º PETTER SOLBERG VW POLO R que Hansen parecia poder ser o único pi-
para a Meia-final 1. Na Meia-final 2 ficava loto capaz de incomodar Kristoffersson.
Loeb com a pole depois de um bom con- 6º JANIS BAUMANIS FORD FIESTA RXS No arranque o sueco do Polo saltou para
junto de corridas de qualificação, onde o a frente mas Hansen seguia muito perto
francês sentiu-se bem mais à vontade VOLTA MAIS RÁPIDA: LOEB (PEUGEOT) EM 47,573S da sua traseira até à secção interior em
ao volante da nova versão do Peugeot terra, onde um erro na travagem para a
CAMPEONATO MUNDO PILOTOS 7º KEVIN HANSEN (PEUGEOT) 88 esquerda após o salto fez com que per-
1º JOHAN KRISTOFFERSSON (VW) 195 PONTOS 8º NICLAS GRONHOLM (HYUNDAI) 86
2º SÉBASTIEN LOEB (PEUGEOT) 140 9º JANIS BAUMANIS (FORD) 64
3º TIMMY HANSEN (PEUGEOT) 140 10º TIMUR TIMERZYANOV (HYUNDAI) 55
4º ANDREAS BAKKERUD (AUDI) 139 PRÓXIMA PROVA: LOHÉAC (FRANÇA) A 1 E 2
5º PETTER SOLBERG (VW) 139 DE SETEMBRO DE 2018
6º MATTIAS EKSTROM (AUDI) 134

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21

KRISTOFFERSSON Ele ajudou-me e no domingo de manhã fiz
AGRADECEU A o que ele me disse, “sai da praia e volta
SOLBERG para as corridas!” Hoje o dia foi fantásti-
co. Tive que dar o máximo na Meia-final e
Um mês de folga poderia ter feito o sueco depois na Final pois sabia que os Peugeot
relaxar mas algumas coisas nunca mu- iriam ser rápidos novamente. A Final foi
dam. Johan Kristoffersson voltou a ser im- boa, a primeira curva foi um desafio, mas
batível e teve um domingo sublime para assim que chegámos à frente percebi que
reforçar ainda mais a defesa do seu título as coisas estavam boas para nós. Adoro
mundial. No final fez o resumo da prova esta cidade e esta pista. Ganhei aqui no
aos jornalistas: “Vocês pensaram no início ano passado e estou muito feliz por poder
que eu tinha deixado o meu ritmo de cor- deixar o Canadá novamente com esta sen-
rida na praia? (risos) Eu também! Agora sação de vitória. Este é um grande resul-
a sério, o sábado foi duro. Apanhei muito tado para mim e para a PSRX Volkswagen
tráfego nas minhas corridas e não con- e obrigado novamente ao Petter.”
segui fazer as coisas funcionarem para
mim. Estava mesmo frustrado no final do
dia. Mas, vocês sabem que ter um com-
panheiro de equipa como o Petter Solberg
é realmente bom. Senti que estava a per-
der um pouco nas secções em terra e
sentei-me com o Petter para conversa-
mos sobre tudo no carro e na condução.

desse tempo valioso para Kristoffersson. Quando este fez também a sua Joker-lap, to vencedor da Final, depois de mais um têm 139 e Ekström é o sexto com menos
Atrás, as posições estavam a mudar vol- Hansen voltou ao segundo lugar nova- domínio perfeito durante toda a prova. O 5 pontos. No campeonato de equipas, a
ta após volta com os pilotos a passarem mente. Loeb conseguiu segurar Ekström atual Campeão do Mundo passa agora a diferença entre a PSRX Volkswagen e o
pela sessão da Joker-lap. Hansen era o na luta pelo terceiro lugar e Solberg acabou ter a sua liderança no campeonato segu- Team Peugeot Total cifra-se agora nos 54
segundo classificado durante a primei- por não conseguir ultrapassar o Audi S1 ra por 45 pontos, Loeb e Hansen dividem pontos, antes da visita do campeonato
ra metade da Final até ser ultrapassado, quattro terminando em quinto na frente o segundo lugar da geral ambos com 140 a Lohéac em setembro próximo, preci-
no momento da sua Joker-lap, por Loeb. de Baumanis. Kristoffersson foi um jus- pontos, enquanto Bakkerud e Solberg samente a prova caseira da Peugeot.

E/22
ENTREVISTA
HENRIQUE CHAVES

HENRIQUE CHAVES: HenriqueChavesco-
O NOVOTALENTO meçou 2018 com
PORTUGUÊS NO um novo desafio…
ENDURANCE mostrar o seu ta-
lento no mundo do
O piloto luso está focado no ELMS, num ano que entende endurance. Depois
de aprendizgem. Porém, o talento e ritmo estão lá e será de três épocas
uma questão de tempo até que as virtudes se traduzam nos monoluga-
res, Chaves apos-
em resultados. Aproveitámos a pausa de verão, tou no ELMS para
para saber como tudo tem corrido mostrar do que era
capaz, com a AVF
ENTREVISTA Fábio Mendes by Adrián Vallés, equipa onde evoluiu
[email protected] nos monolugares até 2017. Agora que
FOTOGRAFIA JB Photo/José Bispo a maioria das competições entram na
pausa de verão, pedimos ao jovem piloto
para nos fazer um balanço da época até
agora. A conversa começou com a últi-
ma prova, as 4h de Red Bull Ring, uma
prova difícil para a equipa do português
que se deparou com grandes desafios
desde o início:
“Tivemos o teste na quarta feira antes
da prova e notámos logo que sofríamos
muito de subviragem, um problema que
já sabíamos que íamos enfrentar, numa
pista sinuosa com curvas de media ve-
locidade, no segundo e terceiro setor.
Tentámos arranjar soluções de todas
as formas, mas sem sucesso. O tempo
que obtivemos na primeira sessão de

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23

testes foi o melhor de sempre naque- depois algumas decisões menos con- Sabíamos que esta era uma das pistas -nos e lutar pelos melhores resultados
la pista para nós, com depósito cheio. seguidas, eu próprio voltei a ter proble- mais complicadas para nós. Silverstone possíveis. Já em Monza estávamos atrás
Para a qualificação usámos essa base mas com o carro e ainda tive de cumprir poderá ser também difícil, mas depois da G-Drive na luta pelo primeiro lugar e
de afinação com alguns ajustes, tendo um “drive through” devido a um toque temos Spa que vemos com mais algum tivemos problemas, na Áustria aconte-
em conta a temperatura e a meteoro- do meu colega. Fiz os meus dois stints otimismo e por fim Portimão, onde es- ceu o mesmo quando estávamos no top
logia. Não estávamos à espera de um com segurança, para levar o carro até pero fazer um bom resultado, mesmo 5. Queremos mostrar a nossa qualidade
bom resultado na qualificação e o meu ao fim e só nos últimos momentos da que a pista não seja a ideal para nós.” e por vezes é a máquina que nos falha,
colega ainda foi penalizado por ter ex- prova puxei mais para entender o po- mas este tipo de falhas fazem parte des-
cedido os limites de pista. Fomos com tencial do carro, caso estivéssemos na APRENDIZAGEM É A PALAVRA DE OR- te desporto e temos agora que tentar
expectativas muito baixas e a qualifi- luta por lugares melhores, e consegui encontrar a causa destas falhas, resol-
cação serviu mais como um teste para ser o segundo mais rápido dos chassis DEM ver o que tem de ser resolvido e esperar
entendermos um pouco melhor o carro. Dallara, conseguindo inclusive fazer A fiabilidade da máquina não tem sido a que não se repitam. Tínhamos noção
Na corrida tentámos fazer uma prova melhor que o Felipe Nasr. Creio que o ideal, mas há um processo de aprendi- desde o início que esta época seria um
de trás para a frente. Sabíamos que esta top 5 poderia ter sido possível apesar zagem que é necessário para chegar aos trabalho de desenvolvimento e apren-
pista não nos favorecia tanto, mas como de tudo, mas o desfecho não foi o que bons resultados que, embora por vezes dizagem. Claro que o facto de ter sido o
somos dois pilotos rápidos, achámos que, desejávamos, mesmo que as expectati- frustrantes, não desanimam Chaves: mais rápido do ELMS no fim de semana
se conseguimos até agora andar no top vas fossem baixas. O Filipe Albuquerque “Estes problemas são de facto um pou- do prólogo, termos andando em terceiro
3 nas outras corridas, tínhamos capaci- ainda passou por mim e mesmo com o co frustrantes, mas queremos mostrar- em Paul Ricard, termos estado na luta
dade de pelo menos tentar chegar aos carro “preso por arames” ele conseguia com o primeiro em Monza, deu-nos mo-
lugares cimeiros. O meu colega de equipa ser mais rápido, enquanto eu tinha de tivação extra, mesmo não tendo mate-
fez um excelente arranque, chegámos lutar muito com o carro.” rializado os resultados. Não vemos estas
a estar com o mesmo ritmo da G-Drive, O carro do piloto luso tem estado a ser falhas como algo desmoralizador, mas
que acabou por vencer a corrida, mas desenvolvido pela Dallara, e apesar das sim como algo que nos leva a trabalhar
surgiu um Full Course Yellow (FCY) e dificuldades sentidas o otimismo é a cada vez mais e melhor. Tento sempre
nessa altura tivemos um problema com palavra de ordem para as provas que ver as coisas de uma forma ambiciosa
um carro, que se desligou por comple- restam e os bons resultados podem e positiva e é assim que sempre fiz, se-
to, o que nos fez perder 30 segundos. ainda surgir: não já tinha atirado a toalha ao chão.”
Não sabíamos onde o carro estava em “A Dallara tem estado a desenvolver O balanço de 2018 até agora é positi-
pista e quando ele regressou às boxes o spliter dianteiro, que é o grande pro- vo, embora o jovem piloto quisesse já
surgiram as bandeiras verdes, o que blema do carro e esperamos ter melho- ter mostrado outro tipo de resultados,
acabou com a nossa corrida. Tivemos res resultados agora no final da época. fruto da ambição e do ritmo mostrado:

E/
ENTREVISTA

24

HENRIQUE CHAVES

“Há coisas que me deixam contente até que têm experiência de outro tipo de
agora. O andamento que conseguimos corridas, mas isso não chega. Temos de
demonstrar é muito bom. Eu quero ser aprender com os erros e usar isso para
piloto profissional e sei que embora haja melhorar e depois podermos enfrentar
pessoas que entendam todo o trabalho os desafios com confiança e tomarmos
que está feito, é necessário mostrar em as decisões certas. “
pista resultados, e este andamento é
muito positivo. Temos alguns porme- RESISTÊNCIA FOI OPÇÃO ACERTADA
nores a melhorar, mas são os porme-
nores que depois podem decidir uma A opção do endurance é cada vez mais
corrida. Creio que é o que falta, mas de uma aposta ganha por parte de Henrique
resto estou contente com o andamento Chaves, que está muito satisfeito com a
da equipa e tenho um engenheiro novo opção que tomou:
com quem gosto de trabalhar. Tem-nos “Cada vez mais gosto de endurance e
faltado uma pontinha de sorte e espero acho que foi uma escolha muito acer-
que, tal como no ano passado, chegue tada. Há muitos jovens a entrar para a
ainda antes do final, para ainda chegar- F1 por exemplo. Via uma porta muito
mos aos sucessos.” pequena para me tornar profissional
A inexperiência neste tipo de compe- nos monolugares e creio que a mudan-
tição paga-se cara e a equipa, embora ça foi acertada, uma vez que quero fazer
com experiência de outras competições, carreira e no endurance as perspetivas
começa agora a lidar com a nova rea- são melhores. Foi uma decisão acertada
lidade e os erros que servirão de base tanto da minha parte como do meu pai,
para os sucessos do futuro: a quem estou grato por ter tido a visão
“Só o engenheiro tem experiência de para mudarmos.”
endurance. O resto da equipa, na glo- A realidade competitiva é agora dife-
balidade, tirando uma ou outra exceção, rente e o número de provas é menor em
está ainda a descobrir este mundo. Claro relação ao passado nos fórmulas, mas
nada que desanime o piloto que, embo-

Progredir no mundo
das corridas não
é fácil e tomar as
opções certas,
também não. No
entanto, Henrique
Chaves está a fazer
um percurso com
passos firmes e bem
pensados, dos quais
são bem reveladoras
as suas palavras:
"Cada vez gosto mais
de endurance e acho
que foi uma escolha
muito acertada. Há
muitos jovens a entrar
para a F1, por exemplo.
Via uma porta muito
pequena para me
tornar profissional
nos monolugares e
creio que a mudança
foi acertada."

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25

cia que é um mundo difícil e caso as
coisas não corram como gostaria, te-
nho sempre o plano B e é para isso que
trabalho agora.”
No que diz respeito à aprendizagem em
pista, 2018 tem servido para evoluir e
para mostrar competência em áreas que
até agora não tinham sido tão relevantes:
“Este carro a nível de afinações é mais
complexo e uma mudança ligeira tem de
ser transmitida ao engenheiro. Temos
de ter essa sensibilidade para fazer pe-
quenos ajustes e descobri que tinha
essa capacidade de passar essa infor-
mação, ao contrário do que acontecia na
Fórmula Renault 2.0, em que não havia
grandes margens para mudanças. Acho
que o engenheiro também gosta da for-
ma como transmito essa informação.
Aprendi também a gerir melhor o con-
sumo do combustível e dos pneus. É algo
que me agrada, pois exige mais do piloto
ao nível da inteligência. Nos Fórmula o
talento é importante, mas no endurance
temos de aliar isso à gestão dos pneus,
do combustível, das ultrapassagens.
Essa complexidade é que pode ajudar
a diferenciar os pilotos. Essa mudan-
ça felizmente favorece-me em pista.”

ra gostasse de competir mais tempo, a consistência que ele tem é muito im- resultados e acabar o semestre com uma RETROSPETIVA DA CARREIRA
está muito contente com o tempo em
pista e com a oportunidade que agora portante numa corrida de endurance boa média. Mas é inevitável e o bichinho Henrique Chaves fez também o balan-
tem pela frente:
“Quanto mais corridas fizermos, mais e é a diferença entre um piloto que faz das corridas está sempre lá e a vonta- ço da sua carreira desportiva. O sucesso
depressa temos capacidade de nos
adaptarmos a qualquer tipo de situa- várias corridas e outro que tem mais de de voltar à pista é grande. Com este nos karts não se refletiu da forma que
ção. O Filipe Albuquerque compete no
ELMS e no IMSA. Basicamente não pára tempo fora do carro entre provas. Mas calendário é mais fácil conciliar tudo, gostaria nos fórmulas, mas conseguiu
e acho que isso lhe dá um ritmo que lhe
permite ser rápido em qualquer carro. em cada fim de semana de corrida temos muito mais fácil do que no ano passado. brilhar no ano passado, depois de alguns
Ele já é rápido por natureza claro, mas
esta sucessão de corridas permite-lhe muito tempo no carro, o que é também Ainda há alguma dificuldade em certas bons desempenhos, o que lhe abriu as
ser ainda mais competitivo. No final das
sessões, quando me sento e comparo gratificante.” pessoas na faculdade entenderem o que portas para os desafios deste ano:
os tempos com os pilotos que andam
com o mesmo carro que eu, e neste mo- nós, pilotos, fazemos. Olha-se muito para “No primeiro ano de Fórmula que fiz caí
mento uma das minhas referências é o
Felipe Nasr, que também compete no ESTUDOS VS PISTA o futebol e não se entende que enquan- um pouco de pára-quedas pois foi nesse
IMSA, vejo que ele é ligeiramente mais
constante que eu, se calhar devido ao Neste momento o piloto tem de con- to eles apenas precisam de um ou dois ano a primeira vez que me sentei num
número de corridas que tem. Depois
de Monza ele fez as 24h de Le Mans e ciliar a sua atividade desportiva com dias para se deslocarem e jogarem, nós fórmula. Foi uma espécie de ano zero
duas corridas no IMSA enquanto eu fiz
ginásio e faculdade. A diferença passa os estudos na faculdade, algo que nem precisamos de uma semana para testar para mim e seria de pura aprendizagem,
também por aí. Há alturas em que sou
tão rápido ou mais rápido que ele, mas sempre foi fácil, mas que agora está fa- e fazer as corridas. O apoio dos meus pois tudo era novo e muito diferente do

cilitado com o calendário mais espaça- pais é importante e torna-se mais fá- que estava habituado. No segundo ano

do do ELMS. Embora continue a levar cil lidar com isto quando as pessoas que esperava mais e não obtive os resulta-

os estudos muito a sério, espera não nos rodeiam nos apoiam. Estou a tirar dos que ambicionava. No terceiro ano

ter de usar tão cedo os conhecimentos gestão de empresas. Espero não vir a consegui finalmente o pódio que tanto

adquiridos na sala de aula, dando pri- usar o meu curso pois a minha paixão queria. Andei várias vezes no top 5 na

mazia aos conhecimentos adquiridos é os automóveis. Mas tenho consciên- Fórmula Renault 2.0 Eurocup, um cam-

em pista:

“A pausa do ELMS

para Le Mans coin- "TENTO SEMPRE VER AS COISAS DE UMA FORMA AMBICIOSA E POSITIVA E É
ASSIM QUE SEMPRE FIZ, SENÃO JÁ TINHA ATIRADO A TOALHA AO CHÃO."
cidiu com a época de
exames e foi bené-
fico para mim pois

consegui melhores

E/
ENTREVISTA

26

HENRIQUE CHAVES

peonato muito competitivo, onde corri

com o Lando Norris por exemplo. O meu

irmão disse-me que iria vencer uma

corrida esse ano, mas no final da época

do 2.0 essa vitória não chegou. Surgiu a

hipótese de ir fazer o teste ao Bahrein

nos 3.5 já a pensar no futuro, e, entre-

tanto, abriu-se uma hipótese de fazer a

corrida, o que me deixou supercontente.

Tinha pouca experiência com o carro e

tinha feito apenas dois dias de testes em

Jerez no meu segundo ano de fórmulas.

Fui com a mente aberta e numa perspe-

tiva de aprendizagem. O trabalho com

o engenheiro nesse fim de semana foi

excelente e permitiu-me evoluir, tanto

que na qualificação consegui o segundo

melhor tempo. Fiquei muito feliz e mais

ainda quando consegui o mesmo lugar

na segunda qualificação. Nesse dia ain-

da tive a corrida que venci, graças a um

arranque espetacular e depois a liderar

a corrida toda. Foi um fim de semana

memorável. Ouvir o hino nesse dia foi

algo de especial. Afinal o meu irmão der que a forma como pilotava nos 2.0 ELMS, mas deverão surgir novos desa- periência, não era o cenário ideal para
ter uma boa prestação. Para 2019 pode
tinha mesmo razão e isso abriu-me era mais indicada aos 3.5. Esse era um fios aliciantes em 2019: ser uma possibilidade.”
A equipa está satisfeita com o desempe-
as portas para o endurance este ano.” campeonato superacessível, os carros “O meu futuro passará no próximo ano nho do piloto, que sabe que pode render
mais. A postura neste ano é de aprendi-
Por vezes o sucesso depende do carro eram fantásticos e diz quem sabe que, pelo ELMS, mas ainda este ano pode- zagem e o melhor está reservado para
as lutas pelos melhores lugares:
em que se compete e Chaves conseguiu em teoria, com os pneus Pirelli, os 3.5 rá haver hipótese de fazer a ronda de “Tenho mostrado do que sou capaz. Sei
que o carro pode ser mais rápido. Tenho
num fim de semana mostrar o seu va- seriam mais preformantes que os F2. Shangai do WEC. Estamos a avaliar essa tentado andar no máximo, mas sem
exageros e sem ultrapassar os limites
lor, num carro que se adequava mais ao Fiquei com pena que o campeonato ti- hipótese e não é certo que avance, até para evitar danos no carro e para não
perdermos tempo de pista. Além do
seu estilo de condução: vesse acabado até porque o desejo era pelos poucos carros LMP2 em pista que que tenho mostrado, acredito que ain-
da possa fazer melhor se arriscar um
“O engenheiro com que trabalhei nesse dar o salto para lá, mas a vitória abriu não nos darão a aprendizagem que gos- pouco mais, mas para já não se justifi-
ca, pois o foco é aprender e nas corridas
fim de semana já me tinha dito nos 2.0 portas para a resistência. Claro que fica a taríamos. O que está em cima da mesa é não tivemos ainda a hipótese de lutar
até ao final pelos lugares que queremos.
que o meu estilo de condução era mais curiosidade em saber como poderia ter fazer as 24h de Daytona já em janeiro de Quando essa oportunidade chegar po-
demos mostrar mais ainda.”
indicado para caros com mais “down- corrido nos 3.5, mas é uma dúvida que 2019. É essa prova que queremos fazer Os GT poderão também ser uma hipó-
tese para o futuro, depois de ter visto e
force”. Os 2.0 produzem 300 kg de apoio vai ficar para sempre. Quero focar-me de preparação para o ELMS em 2019. Le gostado do ambiente que se vive nas

enquanto os 3.5 devem ter perto de 1000 nesta nova realidade e espero que tudo Mans também é um dos nossos objeti-

kg. Numa curva no Bahrein onde nos fo- corra bem.” vos, mas depende também da formação

camos mais, ele disse-me que poderia dos pilotos. Se tivermos uma formação

ganhar tempo se fizesse como nos 2.0 FUTURO RISONHO PELA FRENTE de três pilotos com um entrosamento

e isso aconteceu, o que me fez enten- O futuro do jovem luso passa ainda pelo bom há a possibilidade de irmos a Le

Mans. Este ano, com

dois pilotos jovens

"O MEU FUTURO PASSARÁ NO PRÓXIMO ANO PELO ELMS, MAS AINDA ESTE ANO e com um terceiro
PODERÁ HAVER HIPÓTESE DE FAZER A RONDA DE SHANGAI DO WEC. O QUE ESTÁ piloto que não co-
nheceríamos, a par

EM CIMA DA MESA É FAZER AS 24H DE DAYTONA EM JANEIRO DE 2019 de uma equipa ain-
da com pouca ex-

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27

Depois de uma
carreira iniciada nos
karts e da passagem
pelos fórmulas
é no endurance
(ELMS) que o
jovem piloto luso
continua a escada
de crescimento
no competitivo
mundo do desporto
automóvel

marcas presentes no WEC.
“Segui as 24h com atenção e no prólo-
go estive com o Félix da Costa na boxe
da equipa BMW e aquilo é de facto de
outro mundo. É uma luta contra a pis-
ta, já me disseram que a noite é terrível,
assim como o amanhecer. Gostava de
experimentar os GT. Fui convidado para
fazer o Super Trofeo Lamborghini nas
24h de Spa, mas não consegui ir. Mas
está nos meus planos experimentar
esses carros.”
Henrique Chaves é o mais recente mem-
bro da família do endurance. Os pilotos
portugueses têm dado cartas neste tipo
de competição e Chaves tem mostrado
qualidade para singrar da mesma forma
que os compatriotas.
Os resultados ainda são modestos, mas
o andamento tem sido bom e as lutas
pelos lugares de topo irão ser cada vez
mais frequentes. Mais um nome a ter em
conta nas próximas provas e mais um
candidato a fazer soar “a portuguesa”
nos quatro cantos do mundo.

CONTEÚDO PATROCINADO 8 | AGOSTO | 2018

ANTÓNIO SILVA

UM TALENTO QUE DESPERTA EM BALTAR

Tem apenas 6 anos de idade, FOTOS: JOSÉ LOURENÇO
está a fazer a primeira época
oficial no Karting e já deu nas do Pedro ficou parado na pista. O António acontece. Entretanto, ele experimentou Portugal, em Baltar, António Silva pôde
vistas na Kart Kid Race School não conseguiu sair da pista e encostou o um kart mais rápido da equipa Praga estrear-se entre o pelotão da categoria
e no Troféu Rotax. António Silva kart dele ao do Pedro e levou-o até à box. (Paulo Pita Racing Team) e adorou. Agora Academy, onde foi uma das surpresas ao
Achámos aquilo muito bonito porque são é difícil convencê-lo a voltar ao outro kart. obter logo o segundo lugar nos treinos
é uma das promessas esses os valores que queremos que ele Além disso, na equipa Paulo Pita o António cronometrados. Na Final 1, o jovem piloto
que desponta nas categorias tenha, dentro e fora do desporto”. sente-se como se estivesse em família, é conseguiu cortar a meta no segundo lugar,
de iniciação do Karting nacional. Uma das primeiras experiências a ‘sério’ muito acarinhado e apoiado em todos os só atrás do ucraniano Luka Fedorenko, mas
no Karting aconteceu quando António momentos. Este apoio do Pedro Moura viria a ser penalizado em cinco segundos
Ogosto do pequeno António Silva Silva tinha apenas cinco anos, na Taça e da equipa é algo que nos deixa muito e terminou num positivo quarto lugar. Na
pela velocidade é inato. Os Bridgestone, em Viana do Castelo, e o descansados. A nossa vida profissional Final 2, António Silva voltou a terminar no
carrinhos sempre foram o seu jovem estreante subiu logo ao pódio. Este limita-nos no acompanhamento do António top 5 e deixou excelentes indicações para
brinquedo preferido, mas tudo ganhou ano foi um dos pilotos da nova Kart Kid mas ficamos muito tranquilos porque o resto da temporada.
outra dimensão quando os pais lhe Race School, onde é o piloto mais jovem, sabemos que está bem estregue. Temos Apesar de também praticar futebol e
ofereceram uma pequena Moto4 a gasolina mas destacando-se imediatamente pela muito que agradecer ao Pedro Moura e ténis, o pequeno António gostava de ser
como prenda de Natal. Daí até à primeira rapidez sempre que teve o kart em boas à família que é a Paulo Pita Racing Team engenheiro mecânico... mas não tem
experiência num kart, na pista do Cabo do condições. “Quando as coisas não corriam Praga Portugal”, afirma Liliana Silva. dúvidas sobre o seu grande sonho: “Ele
Mundo, foi um pequeno passo... e algo que bem com o kart ele ficava muito desiludido. adormece sempre a dizer-nos que quer ser
mudou por completo o percurso do jovem Isso também faz parte do desporto porque ESTREIA NA ROTAX piloto de Fórmula 1”, revela o pai. O sonho
piloto de Baltar. nem sempre podemos controlar o que Na recente prova do Rotax Max Challenge é o primeiro passo.
Fascinado pela experiência e pela
adrenalina de um kart, não foi difícil aceitar
o convite de Pedro Moura, pai do campeão
nacional de Iniciação, Pedro Moura Jr.,
para começar a treinar no Kartódromo de
Baltar (que tinha estado fechado durante
um período).
O pequeno ‘Toninho’ – como é
carinhosamente tratado no paddock –
tornou-se um amigo inseparável de ‘Pex’
Jr. e ambos começaram a explorar a paixão
por tudo o que envolvesse motores, desde
o Karting às corridas de MotoGP e Fórmula
1 que veem na televisão e na Internet. “O
António vive as corridas de forma muito
intensa”, refere a mãe, Liliana Silva. “Ele
adora ver vídeos da Fórmula 1 e do MotoGP,
o ídolo dele é o Valentino Rossi. Nós não
precisamos de o tirar da cama para ele
ir treinar, faça chuva ou faça sol. Nunca
quisemos influenciá-lo para estar nas
corridas. O facto de ter um amigo como o
Pedro Moura ajuda muito. Há pouco tempo
eles estavam a treinar em Baltar e o kart

JOAQUIM SILVA
E PEDRO MOURA,
PAIS DOS AMIGOS
E PILOTOS
ANTÓNIO SILVA
E PEX JR.

COM O APOIO DE:

28

8 | AGOSTO | 2018

PILOTO MADEIRENSE ESTEVE NA LUTA PELA VITÓRIA EM HUNGARORING

FRANCISCO ABREU DO KARTING PARA A ELITE DO TCR EUROPE

Aos 24 anos, Francisco Abreu
é um dos exemplos de como
uma carreira bem estruturada
desde o Karting – onde foi o
único português a ganhar uma
prova do WSK – pode originar

um percurso de sucesso na
Velocidade, dentro e fora de
portas. O piloto madeirense
está a cumprir um sonho no
TCR Europe Series ao volante
do novo Peugeot 308 TCR.

POR RICARDO S. ARAÚJO

Natural de uma ilha verdadeira- FRANCISCO ABREU NA FRENTE DO PELOTÃO bandeiras portuguesas no pódio, já que os protótipos que eu guiei nos primeiros
mente apaixonada pelo despor- o Francisco Mora ganhou essa corrida. O anos após o Karting eram carros marcan-
to automóvel, Francisco Abreu “Correr em Spa foi cumprir o sonho de Peugeot tem muito potencial e nesta fase tes, mais rápidos do que os TCR, mas
tornou-se um dos melhores valores do uma vida porque lembro-me de ver as todos os dados que são recolhidos pelos não havia o fator da identificação com
automobilismo nacional e, neste mo- corridas de Fórmula 1 desde muito cedo. dois carros que competem no WTCR o público que os Turismos têm. Isso é
mento, está a cumprir o sonho de correr Todo o circuito é verdadeiramente fabu- e pelo dois carros do TCR Europe são importante também para o investimento
em algumas das mais famosas pistas loso mas curvas como Eau Rouge ou muito importantes. A Sports&You está das marcas”.
da Europa no TCR Europe Series, onde o Radillon são indiscritíveis. Na Hungria a fazer um excelente trabalho e espero Fundamental para este percurso de
compete com o Peugeot 308 TCR pre- tivemos uma evolução incrível desde os continuar nesta ‘onda’ na próxima prova, sucesso na Velocidade foi a base téc-
parado pela Sports&You e apoiado pela treinos, ao ponto de termos estado na na Holanda”, referiu Francisco Abreu, que nica e psicológica que Francisco Abreu
Peugeot Portugal. frente da segunda corrida durante algu- já conseguiu dois nonos lugares e uma construiu no Karting: “É a base de tudo.
O piloto do Funchal, campeão ibérico mas voltas. Foi pena não termos duas quinta posição numa época que ainda Parece um ‘cliché’ mas foi o Karting e
de TCR em 2017, campeão nacional de passará por Assen, Monza e Barcelona. as lutas ao décimo de segundo que me
Velocidade em 2015 e vice-campeão na- Em Portugal, o piloto madeirense partilha prepararam, por exemplo, para chegar
cional nas duas últimas épocas, esteve na o 308 TCR com outro jovem valor, Rafael ao TCR Europe e rodar ao lado de pilotos
luta pela vitória na ronda no Hungaroring, Lobato, afirmando que “os pilotos que bem mais experientes e que no primeiro
em Budapeste, conseguindo o quinto disputam os primeiros lugares no TCR treino livre já estão a rodar em tempos de
lugar na segunda corrida do fim de se- Portugal têm muito talento e o campeo- qualificação. É por isso que todos nós
mana húngaro, depois de problemas de nato só precisa de grelhas maiores. Acho em Portugal temos de olhar com muita
travões o terem impedido de manter-se que esta fórmula é acertada em termos atenção para os campeonatos de Karting
na frente do pelotão. Um resultado que de budget, competitividade e retorno e assegurar o futuro do nosso desporto”,
surgiu após outro fim de semana difícil de para os patrocinadores. Por exemplo, concluiu Francisco Abreu.
esquecer, quando se estreou no mítico
circuito de Spa-Francorchamps.

SONHO CONCRETIZADO
EM SPA-FRANCORCHAMPS
Francisco Abreu parte sempre à des-
coberta em cada prova, já que nunca
correu nos traçados que fazem parte
do calendário do TCR Europe em 2018:

AO LADO DE SAINZ E KVYAT NA TONYKART

Francisco Abreu iniciou-se no Karting (KF3), vencedor da Taça de Portugal, da para mim, sempre me
com oito anos e foi bicampeão regional Taça da Madeira e do Open de Portugal. concentrei em manter esta
da Madeira, campeão nacional de Karting Em 2011, numa altura em que era piloto paixão, mas construindo
oficial da Tonykart, tornou-se no primeiro uma carreira também
e único português a ganhar uma prova do fora do desporto”, revela na Fórmula 4 francesa e obteve um pódio
WSK (World Series Karting), em Portimão. o jovem madeirense, no emblemático circuito citadino de Pau.
“A fase da equipa oficial da Tonykart foi que se licenciou em
o topo da minha carreira no Karting. Tive Gestão na Universidade
companheiros de equipa como o Carlos Nova e que atualmente
Sainz Jr. ou o Daniil Kvyat, que já faziam trabalha numa consultora
30 corridas por época e que gastavam de IT (Tecnologias da
qualquer coisa como 300 mil euros Informação). Em 2012, após sair do
por ano. Como eram valores absurdos Karting, Francisco Abreu fez uma época

29

>>motosport.com.pt M O T O G P REPÚBLICA CHECA

DIVIDIR
PARA

REINAR

Numa semana de tensão máxima, na imprensa, entre Andrea
Dovizioso e Jorge Lorenzo, foram precisamente os dois pilotos
da Ducati a discutir a vitória em Brno. Caiu para o lado de ‘Dovi’,
que iniciou a guerra verbal, no seu 100º Grande Prémio ao serviço
da Ducati. Já no Parque-Fechado, em frente a todas as objetivas,
os dois pilotos cumprimentaram-se e deram a sensação de ter

enterrado o ‘machado de guerra’. Tudo está bem quando
acaba bem. Marc Márquez que o diga

ACOMPANHE TODA A INFORMAÇÃO Alexandre Melo
DIARIAMENTE EM MOTOSPORT.COM.PT [email protected]

N o desporto motorizado são di-
versos os casos de confronto
em pista e não só entre colegas
de equipa. São situações sem-
pre indesejáveis e que para além de
prejudicarem a imagem dos próprios
pilotos têm como principal vítima a
equipa, no caso, a Ducati, na perse-
guição dos seus objetivos.
Porém, desta vez, tal situação não teve
efeitos nefastos. Devido à animada
troca de galhardetes na imprensa tive-
mos, em Brno, Jorge Lorenzo e Andrea
Dovizoso de ‘faca nos dentes’ cada vez
que iam para a pista. O primeiro round
foi ganho por ‘DesmoDovi’ ao somar a
primeira pole position do ano. Lorenzo,
quarto na qualificação, começou o
fim de semana mais ‘murcho’, pois
demorou um pouco mais a colocar
em ‘ponto de rebuçado’ a sua moto.
Quando o fez discutiu de forma aguer-
rida a vitória com Andrea Dovizioso,
nomeadamente na segunda fase da

31

C/ C L A S S I F I C A Ç Ã O

MOTOGP

1º ANDREA DOVIZIOSO (DUCATI) 41M07.728S

2º JORGE LORENZO (DUCATI) + 0.178S

3º MARC MÁRQUEZ (HONDA) + 0.368S

4º VALENTINO ROSSI (YAMAHA) + 2.902S

5º CAL CRUTCHLOW (HONDA) + 3.768S

CAMPEONATO

1º MARC MÁRQUEZ 181 PTS; 2º VALENTINO ROSSI 132 PTS; 3º

ANDREA DOVIZIOSO 113 PTS; 4º MAVERICK VIÑALES 109 PTS; 5º

JORGE LORENZO 105 PTS

contenda. Numa corrida onde a Du- a sua táctica: controlar a corrida e ir foi surpreendido por Cal Crutchlow,
cati não se ressentiu com os seu já embora quando entende ser o momen- que foi o melhor piloto entre os homens
habituais problemas de pneus, os dois to decisivo. O espanhol rodou sempre das equipas satélite ao ser quinto. A
pilotos animaram as coisas. Dovizioso, nas primeiras posições, mas nunca agonia da Yamaha, em Brno, piorou
que liderou grande parte do Grande esteve totalmente confortável para ir com o abandono de Maverick Viñales,
Prémio, resistiu de forma exímia à mais além. Percebendo isso não arris- o primeiro da época. O espanhol não
pressão de Lorenzo. Este para além de cou e ao ser terceiro somou o oitavo evitou uma queda, logo na primeira
querer bater o seu colega foi ainda in- pódio do ano em 10 Grandes Prémios volta, que envolveu ainda o ‘wildcard’
comodado pelo seu futuro colega, mas já realizados. Melhor ainda, mesmo de Stefan Bradl e Bradley Smith.
na equipa oficial da Honda. Falamos calculadora na mão, aumentou em três Johann Zarco continua a estar dis-
de Marc Márquez. Um incómodo que pontos a sua liderança no campeonato, creto e foi apenas sétimo, enquan-
atrapalhou o seu principal objetivo. tendo agora 49 pontos de vantagem to a Suzuki também teve um fim de
Quando se livrou de vez do compatriota para o segundo, Valentino Rossi. Isto semana duro, pois Andrea Iannone e
já foi tarde para lançar o ataque final. num fim de semana em que celebrou Álex Rins não foram além da 10ª e 11ª
Para a história fica a segunda dobra- o seu 100º Grande Prémio em MotoGP, posições, respetivamente. Já entre os
dinha do ano para a Ducati, depois da todos eles realizados ao serviço da estreantes, Franco Morbidelli levou
registada em Mugello, terreno caseiro. Honda. a melhor sobre Hafizh Syahrin, 13º e
Segue-se o Grande Prémio da Áustria, Já Rossi, precisamente na corrida em 14º respitavamente, mas é Syahrin
no Red Bull Ring, onde a equipa lidera- que tornou-se no primeiro piloto da que lidera a tabela pontual destinada
da por Gigi Dall’Igna terá certamente história do Mundial a somar mais de aos estreantes. O Mundial prossegue,
uma palavra a dizer ou não tivesse 6000 pontos, não foi além do quarto este fim de semana, com a realização
vencido o evento em 2016 e 2017. posto. O italiano não mostrou ritmo do Grande Prémio da Áustria no Red
para lutar por mais e no final quase que Bull Ring.
SEGURAR AS PONTAS

Ao contrário do que sucedeu nos últi-
mos dois Grandes Prémios, desta vez
Marc Márquez não conseguiu aplicar

32 M O T O 2 REPÚBLICA CHECA

>>motosport.com.pt

FABULOSO! porque o terceiro, Álex Márquez, está
já a 51 pontos de Oliveira e na República
Pela segunda vez esta temporada Miguel Oliveira subiu ao lugar mais alto da hierarquia. Checa somou o segundo abandono da
E tal como em Mugello foi através de uma exibição de antologia que deu continuidade época ao não evitar uma queda quando
lutava pelas primeiras posições. Muita
à maravilhosa gesta que tem sido a época de 2018. Um triunfo que permitiu ascender à irregularidade para quem pretende ir
liderança do campeonato, primeiro piloto português a conseguir tal feito no Mundial, pelo mais além.
Para a Red Bull KTM Ajo este foi o terceiro
que a corrida ao inédito título de Moto2 está mais lançada do que nunca triunfo do ano e se já havia terminado a
primeira fase da época com uma vitória,
Alexandre Melo momentos. No passado fim de semana, no na derradeira volta ao circuito de Brno. Brad Binder em Sachsenring (Alemanha),
[email protected] circuito de Brno, tivemos a felicidade de Aí o vice campeão do mundo de Moto3 agora inicia a fase decisiva da temporada
assistir a mais um momento inolvidável. em 2015 manteve o sangue frio, como se da melhor forma.
No desporto em geral não exis- Oliveira realizou uma corrida muito só- pedia, e bateu Luca Marini, o meio irmão “Sabia desde o início que o ritmo da cor-
tem vencedores injustos até lida e inteligente, inserido sempre entre de Valentino Rossi, após uma intensa rida não ia ser muito alto, portanto, teria
por que o conceito ‘justiça’ tem os primeiros. Para tal também ajudou e batalha, que só ficou resolvida nas últimas apenas de me focar nas ultrapassagens
muito que se lhe diga nestas muito o facto de ter realizado uma boa duas curvas, e que será seguramente um e em não perder muito tempo. Quando
andanças. Porém, aos olhos de qualificação, algo que tem sido raro em dos grandes momentos da atual época o Lorenzo Baldassarri veio de trás e nos
quem acompanha o fenómeno 2018. O luso foi quarto e igualou assim o de Moto2. ultrapassou a todos, pensei que podia ter
facilmente é percetível o que é simples- seu melhor registo da época que datava de Segundo triunfo do ano, quinto no total algo extra. Então quis liderar a corrida nas
mente vencer e o vencer com distinção Losail (Qatar), a ronda inaugural da época. da sua carreira, e que permite saltar para últimas voltas e tentar defender-me de
para ficar na história. Prestação que foi conseguida devido a o comando do campeonato com dois alguns ataques. O Luca Marini acabou
Miguel Oliveira está inserido neste segun- uma mudança de abordagem na qualifi- pontos de avanço sobre o anterior líder, por tentar ultrapassar-me nas últimas
do lote tal como os grandes campeões que cação, onde teve o seu foco em preparar Francesco Bagnaia, que em Brno teve voltas, mas consegui defender a minha
conhecemos. Basta ver que as vitórias do a moto para realizar somente uma volta de contentar-se com o terceiro posto. linha bastante bem e atacar no momento
piloto luso, quer em Moto2 ou nos tempos rápida ao longo da sessão cronometrada. É entre estes dois pilotos, os únicos a certo. Sou líder do campeonato neste mo-
de Moto3, são daquelas que deixam marca Voltando à corrida propriamente dita, tudo pontuar em todas as corridas da época, mento. É uma posição onde nunca estive
tal é a categoria que está inerente a esses ficou resolvido, como seria de esperar, que será decidido o título de 2018. Até no Mundial, mas tenho estado a lutar por
ela. O objetivo é, como equipa, continuar
a fazer um bom trabalho. Sabemos que
a moto não é perfeita, mas estamos a
trabalhar nisso mesmo e vamos tentar

33

MOTO 3

DUASCARAS

O Grande Prémio da República para Barcelona, onde foi operado com vitória em Moto3 colocando assim
Checa, no circuito de Brno, teve um sucesso, sendo que já esta semana um ponto final num objetivo que há
pouco de tudo para a equipa italiana irá tentar participar no Grande Prémio muito perseguia. Numa corrida que
da Gresini, uma das principais da Áustria no Red Bull Ring. Quanto teve o incrível número de sete líderes
formações do atual plantel de Moto3. à ‘operação’ no campeonato não foi diferentes, o jovem piloto italiano
Inicialmente o quadro ficou negro totalmente desastrosa, pois o piloto superiorizou-se na derradeira volta
com a aparatosa queda do então de Madrid baixou para o segundo posto e mostrou que pode ser um plano ‘B’
líder do campeonato, Jorge Martín, e apenas a três pontos do novo líder para o título caso Jorge Martín não
na primeira sessão de treinos Marco Bezzecchi, que foi apenas sexto esteja na máxima força.
livres. Este incidente teve como na corrida de Brno. Com o concorrente No pódio esteve também Arón Canet,
consequência uma fratura no braço direto a não conseguir capitalizar segundo pela quarta vez em 2018, e o
esquerdo e o adeus precoce ao fim na totalidade a sua ausência, Jorge herói local Jakub Kornfeil, que já havia
de semana checo. Com este cenário ganhou um novo alento para o que aí conquistado de forma inesperada a
pensou-se imediatamente o pior para vem, apesar de não estar a 100% em pole position. Para Kornfeil este foi o
o piloto espanhol, no que diz respeito termos físicos. seu primeiro pódio em solo checo e
à luta pelo título. Porém as coisas Já do outro lado da boxe da Gresini quarto da carreira em Moto3, categoria
não foram assim. chegou outra boa notícia. Fabio di onde compete desde o início desta
Martín foi imediatamente transferido Giannantonio somou a sua primeira denominação.

C/

MOTO3 CLASSIFICAÇÃO

1º FABIO DI GIANNANTONIO (HONDA) 39M09.124S

2º ARÓN CANET (HONDA) + 0.112S

3º JAKUB KORNFEIL (KTM) + 0.339S

4º ENEA BASTIANINI (HONDA) + 0.560S

C/ C L A S S I F I C A Ç Ã O 5º GABRIEL RODRIGO (KTM) + 0.771S

CAMPEONATO

1º MARCO BEZZECCHI 133 PTS; 2º JORGE MARTÍN 130 PTS; 3º

FABIO DI GIANNANTONIO 116 PTS; 4º ARÓN CANET 112 PTS; 5º ENEA

BASTIANINI 97 PTS

MOTO2

1º MIGUEL OLIVEIRA (KTM) 39M22.324S

2º LUCA MARINI (KALEX) + 0.070S

3º FRANCESCO BAGNAIA (KALEX) + 0.525S

4º LORENZO BALDASSARRI (KALEX) + 0.745S

5º XAVI VIERGE (KALEX) + 3.362S

CAMPEONATO

1º MIGUEL OLIVEIRA 166 PTS; 2º FRANCESCO BAGNAIA 164 PTS;

3º ÁLEX MÁRQUEZ 113 PTS; 4º LORENZO BALDASSARRI 106 PTS; 5º

BRAD BINDER 101 PTS

que este sonho de todos nós seja um
objetivo que se torne realidade em breve”,
disse Miguel Oliveira.

PORTUGUÊS AFRICANO
Para as cores nacionais o evento che-
co ficou ainda marcado pela estreia no
Mundial, através de um ‘wildcard’, de
Sheridan Morais, natural da África do
Sul mas naturalizado português. O piloto,
que já passou pelo Mundial de Supersport
e Superbikes, qualificou-se no 29º posto
com a Kalex inscrita pela Willi Race Racing
Team, sendo que na corrida foi 24º. Na
calha estão mais presenças, em 2018,
como ‘wildcard’.

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SUZUKI

» SV650X 2018

PRAZER MÁXIMO DE CONDUÇÃO NO ESTILO CAFÉ RACER

Em 2018 a Suzuki SV650X foi praticamente a única
novidade apresentada pela marca, se bem que a sua
base - o modelo SV650- fosse já conhecida e venerada
por uma legião de fãs

Pedro Rocha dos Santos um prazer imenso na sua condução, tacar o quadro tubular de trelissa em tos. Também o amortecedor traseiro
[email protected] revelando-se uma desportiva muito aço que utiliza o motor como reforço permite o mesmo tipo de afinação o
divertida, fácil e ágil, e sobretudo com estrutural eliminando assim a neces- que é mais normal.
A transformação estética é ex- um comportamento irrepreensível, sidade de uma estrutura em berço A travagem, efetiva e perfeitamente
celente e sobre a base SV foi graças a uma excelente ciclística e do sub-quadro e contribuindo para a doseável, é assegurada por dois discos
possível, através da adopção a um quadro muito bem desenhado. diminuição do peso total do conjunto. de 290 mm com pinças Nissin de 2
de alguns elementos ao es- Mas passemos diretamente ao ensaio As suspensões dianteiras de 41 mm pistons na dianteira e disco de 240 mm
tilo “café”, transformar por que realizámos com um modelo dis- montam ajuste de pré-carga de mola na traseira assistidos por ABS à frente
completo o modelo original. ponibilizado pela Motéo, importador no topo das mesmas, funcionalidade e atrás. Os pneus Dunlop Roadsmart III
A baquet/assento ao estilo clássico da Suzuki em Portugal. pouco comum neste segmento de mo- estão em linha com as características
Racer, a pequena cúpula frontal e os A posição, apesar de desportiva, é
avanços tipo Clip-On que obrigam a relativamente confortável embora o
uma postura mais desportiva, mu- look retro do assento e o seu desenho
daram por completo a popular SV e baixo penalizem ligeiramente este,
conseguiram dar-lhe um look neo- realidade compensada pelo excelente
clássico equilibrado e esteticamente desempenho das suspensões.
muito apelativo. O esquema cromático O painel digital LCD de informação,
da SVX em tons de cinzento e antracite ajustável na sua luminosidade, é de
combina perfeitamente com o conceito leitura fácil, contém toda a informação
e posicionamento retro do modelo. normalmente necessária ao condutor e
Com o fantástico motor V-Twin de é complementado por luzes avisadoras
645 cc que debita 75 cv, com um enor- laterais. Está bem posicionado e dá um
me “punch” a baixa rotação e com as toque de modernidade no conceito
suspensões reforçadas este ano de retro da SVX.
toda a gama SV, a SVX proporciona A nível da sua ciclística há que des-

35

FT/ F I C H A T É C N I C A

645 CC

CILINDRADA

75 CV

POTÊNCIA

14,5 L

DEPÓSITO

198 KG

PESO

7 399€

PREÇO BASE

TIPO BICILÍNDRICO, REFRIG. LÍQUIDA, 4 da moto e revelaram um comporta- líquido e uma taxa de compressão 11.2:1
TEMPOS, DOHC, 4 VÁLVULAS BINÁRIO 43,7 NM mento bastante aceitável, mesmo e DOHC com 4 válvulas por cilindro. A
EMBRAIAGEM MULTIDISCO EM ÓLEO, CAIXA em condução mais agressiva, sendo alimentação é feita por um sistema
6 VELOCIDADES QUADRO TRELIÇA EM AÇO as suas dimensões de 120/70-17” na de dupla válvula de borboleta, uma
SUSPENSÃO DIANTEIRA 41 MM AJUSTÁVEL EM frente e 160/60-17” atrás. comandada pelo condutor e outra de
PRÉ-CARGA DE MOLA SUSPENSÃO TRASEIRA O bicilíndrico em V a 90º de 645 cc forma eletrónica e que proporciona um
AMORTECEDOR AJUSTÁVEL EM PRÉ-CARGA DE que monta a SVX tem arrefecimento maior equilíbrio e entrega de potência
MOLA TRAVÕES D2 DISCOS DE 290 MM PINÇA
NISSIN 2 PISTONS COM ABS À FRENTE E DISCO
DE 230 MM COM ABS ATRÁS

36

>>motosport.com.pt

mais suave do motor. da mistura e reduz a emissão de gases
A nível electrónico a SVX inclui um poluentes, facilitando o desempenho
sistema de assistência a baixa rotação do catalizador e a conformidade com
que permite compensar nos arranques os limites impostos pelo Euro 4.
mantendo a rotação do motor mais alta A SVX é uma moto muito divertida de
e suavizando o seu funcionamento. conduzir e que proporciona uma sen-
Um sistema que proporciona de facto sação de enorme agilidade e facilidade
uma enorme suavidade e que elimina na sua condução, mesmo quando a
batimentos de motor sem prejudicar a levamos a limites e realizamos uma
enorme sensação de entrega propor- pilotagem mais desportiva. O seu de-
cionada pelo binário do bicilíndrico da sempenho é mesmo entusiasmante,
SVX de 63.7 Nm às 8.100 rpm, quase quase viciante, fruto de acelerações
idêntico ao regime em que o motor vigorosas com subidas de rotação rá-
atinge a potência máxima de 75 cv pidas a atingirem regimes altos com
às 8.500 rpm. enorme suavidade, realidade que com-
A Suzuki dotou este motor de tecno- pensa a ausência de controle de tração,
logia de redução de fricção com tra- e tudo feito quase sem vibração, o que
tamento especial dos pistons e das para um biciclíndrivo em V é mesmo
camisas dos cilindros assim como em surpreendente.
outros componentes móveis do motor. A Suzuki SV650X de 2018 está dis-
A nível da ignição o motor da SVX ponível somente numa cor designada
inclui velas duplas por cilindro o que por “Metallic Oort Grey Nº 3 “, ou seja,
contribui para uma melhor combustão cinza, e com o PVP de 7.399 euros.

37

CONCORRÊNCIA

TRIUMPH BONNEVILLE SREET CUP

55 CV

POTÊNCIA

200 KG

PESO

10 400€

PREÇO BASE

38

CSABA Guilherme Ribeiro disputadas e reuniam o melhor da en-
KESJÁR [email protected] genharia local, com bons pilotos, uma
POR DETRÁS FOTOGRAFIA Andris Stals boa diversidade de marcas e corridas
DADCEOFRETRIRNOA por toda a Europa Central e Oriental.
N a minha inocência, E, claro, a presença da omnipresente
sempre pensei que na Skoda nos ralis europeus, com equi-
União Soviética e nos pas de fábrica capazes de lutar pelos
restantes países de ma- triunfos na geral no Grupo 1 e 2, ironi-
triz comunista, o cha- camente liderados por um norueguês,
mado Bloco de Leste, a John Haugland.
competição fosse essencialmente Descobri este mundo graças a uma
composta por ralis e provas tipo publicação num blog sobre um pilo-
todo-o-terreno e até eventual- to chamado Csaba Kesjár. Sim, só o
mente por corridas de turismo, nome já enrola a língua, mas este jo-
usando-se carros de fabrico local vem fez a tal demonstração ao volan-
e de qualidade baixa. Sabia que te de um Zakspeed durante o fim de
alguns pilotos – que eu supunha semana em que se assistiu à disputa
serem filhos dos “maiorais” dos do Grande Prémio da Hungria de 1987.
partidos dos vários países - cor- Melhor ainda, este piloto corria já na
riam no ocidente e que se reali- Europa Ocidental e era apontado como
zavam provas de F3, Turismos e uma grande promessa da F3 Alemã!
MotoGP na Checoslováquia e na 30 anos depois da sua morte trágica,
Alemanha de Leste. Qual não foi quando estava a caminho da ascen-
o meu espanto quando descobri são que o poderia levar ao sucesso
que o karting estava muito im- nos palcos mundiais, recordamo-lo.
plantado por todos esses países;
que as provas eram levadas de UMA FAMÍLIA DEDICADA AOS AU-
uma forma relativamente profis-
sional; que os circuitos – maiorita- TOMÓVEIS
riamente citadinos – se multipli-
cavam; e que as competições de Csaba Kesjár – que aparece também
monolugares eram extramente referido com Kesjár Csaba, já que na
Hungria é comum tratar-se alguém
pelo nome de família em particular

Um certo dia a Fórmula 1 decidiu cruzar a Cortina
de Ferro pela primeira vez, abrindo-se então a um mercado
completamente novo, com o Grande Prémio da Hungria de

1986. Um ano depois, um piloto nascido na Hungria fazia
uma demonstração ao volante de um Zakspeed.
Chamava-se Csába Kesjár e ficaria na história

CONHEÇA ESTA E MUITAS
OUTRAS HISTÓRIAS EM AUTOSPORT.PT

>> autosport.pt

39

– nasceu a 9 de fevereiro de 1962 em nou-se num dos ícones do cenário au-
Budapeste, num meio extremamente tomobilístico, sendo terceiro na Classe
propício ao desenvolvimento da sua Júnior em 1975, segundo em 1976 e
paixão pela mecânica e pelo desporto conquistando finalmente o título em
automóvel. O seu avô foi um dos pio- 1977, com apenas 15 anos. Avançando
neiros do automobilismo húngaro, en- para as categorias superiores, venceu
quanto que o seu pai, János Kesjár Sr. a terceira divisão em 1978, a segunda
foi um pluricampeão nacional húnga- em 1979 e, em 1980, “tomou de assalto”
ro, vencendo 15 títulos nacionais em com enorme sucesso o principal cam-
diferentes categorias durante os anos peonato de karts existente no país. Aos
50 e 60. Quanto ao seu irmão mais 18 anos era mais que evidente que a
velho, János Jr., também manifestou Hungria tinha um novo grande talento.
desde cedo interesse pela competição, Claro está que, não fosse a Cortina de
embora sem o sucesso dos restantes Ferro, Kesjár podia tentar singrar no
familiares, tal como um sobrinho de karting internacional e fazer carreira
Csaba, também chamado János, que no Ocidente mas, à falta de possibi-
competiu nos turismos e nas ram- lidades melhores, repetiu a dose em
pas locais durante os anos 90, mas 1981 e preparou-se para uma carreira
um grave acidente levou-o a trocar nos monolugares locais, enquanto se
as pistas pelos ralis, aonde competiu matriculava em engenharia na Escola
até ao início deste século. Técnica Bánki Donát, em Budapeste.
Voltando ao nosso homem, Csaba No cenário de Leste, não existia uma
sempre foi, desde miudinho, um “pe- escala de progressão nos monoluga-
trolhead” e mal teve idade para poder res, pelo menos na maioria dos países.
lançar-se nos karts começou a com- O nível de investimento era baixíssi-
petir, em 1975, ajudado pela estrutu- mo, já que estamos a falar de equipas
ra familiar, nomeadamente o seu pai. com apoios e patrocinadores estatais
Talentoso, simpático e muito bem-pa- e os carros seriam equivalentes a uma
recido o adolescente rapidamente tor- mistura entre Fórmula 3 e Fórmula 2,

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muitos deles semi ou totalmente ar- era suficiente para bater carros mais mérito alcançado em representação do contactado (e contratado) por Horst
tesanais. Mas não se pense que esta potentes e bem preparados, como os seu país, teve autorização para com- Schübel, dono de uma das melho-
fórmula, conhecida no Ocidente como Estonia, mas o jovem piloto era pre- petir na Europa Ocidental em 1986. res equipas de Fórmula 3 Alemã, para
Formula Easter, não era sofisticada. sença habitual nos pontos, embora Para ajudar, a abertura à economia correr ao lado de um jovem que viria
Enquanto Colin Chapman trabalhava conseguisse apenas uma vitória, em de mercado gerou novos sponsors, a dar muito que falar, chamado Bernd
no Lotus 78, a “malta do lado de lá” de- 1983, no sinuoso circuito de Albena, dispostos a apoiar um piloto nacio- Schneider, em 1987. O campeonato
senhava e testava carros com efeito- depois de Alexander Medvetschenko nal fora de portas, e Kesjár decidiu de F3 Alemã, a par com o Inglês e o
-solo. Muitos engenheiros mecânicos (URSS) e Jiri Cerva (Checoslováquia) disputar o Campeonato Austríaco de Italiano, era um dos mais competitivos
das universidades envolviam-se nos terem sido desclassificados dos dois Fórmula Ford em 1986. Não era o mais da Europa, e a dupla de jovens conta-
projetos automóveis, à semelhança primeiro lugares por usarem motores conceituado nem competitivo, mas era ria com um Dallara F387-VW para lu-
do que acontecia no mundo automo- de 1400 cc, em vez do máximo permi- o que dava para fazer no país vizinho, tar pelas primeiras posições. Porém,
bilístico “conhecido” de então. Cada tido, 1300 cc. ao mesmo tempo que permitia ao pi- neste escalão, Kesjár sentiu as pri-
país tinha o seu campeonato e a co- loto adquirir uma experiência valiosa meiras dificuldades da sua meteórica
roa de glória era a Taça da Paz e da OS TEMPOS DA PERESTROIKA com carros bastante diferentes dos que carreira, devido ao desconhecimento
Amizade, uma espécie de Mundial de estava habituado a pilotar. Contudo, dos circuitos e às dificuldades com as
Formula Easter, que incluía provas A chegada ao poder de Mikhail teria uma ajuda importantíssima, já afinações de uma máquina muito mais
nos diferentes países, destacando- Gorbachev na URSS em 1985 acar- que iria pilotar um Reynard para a complexa face ao que estava habitua-
-se Most (não o autódromo atual, na retou enormes mudanças na estru- conceituada Walter Lechner Racing, do. No entanto, ao longo da época o
Checoslováquia), Poznán (Polónia), tura política daquele país e de todo o sem dúvida uma das equipas que mais húngaro não tardou a adaptar-se às
Riga ou Kiev (União Soviética), Schleiz Bloco Comunista e acabaria mesmo investia na formação de talentos, evi- pistas, à tecnologia e a um diferente
(Alemanha de Leste), Resita (Roménia) por conduzir ao desmembramento denciando bem até que ponto fora do grau de profissionalismo. Desta feita
e Albena (Bulgária). da URSS e à queda dos regimes co- Bloco de Leste havia alguma noção foi crescendo ao longo da tempora-
Kesjár começou pelo Campeonato munistas em vários países do mundo. de que Kesjár era especial. E o hún- da para terminar o campeonato em
Húngaro que, espantosamente, ven- Graças à Perestroika (reestruturação) garo não se fez rogado, adaptando-se 14º, com 12 pontos marcados, tendo
ceu no seu ano de estreia, em 1982, e à Glasnost (abertura) verificou-se com enorme facilidade para dominar como melhor resultado um quarto
repetindo a dose em 1983, 1984 e 1985, uma gradual introdução da economia o campeonato de fio a pavio, conquis- lugar. Venceu, ainda, a prova de en-
para se tornar no melhor piloto húnga- de mercado no Bloco de Leste, com tando assim mais um título para o seu cerramento da época, disputada ex-
ro da década de 80. Quanto à Taça da particular influência na Hungria (caso já imenso palmarés. tracampeonato, em Hockenheim. Já
Paz e da Amizade, a pequena estru- contrário, também nunca teria havido Com as credenciais dadas por Walter Schneider sagrou-se campeão e em
tura familiar que apoiava Kesjár não Grande Prémio logo em 1986). Deste Lechner, Kesjár foi rapidamente 1988 assinou pela Zakspeed para com-
modo, Csaba Kesjár, depois de todo o

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petir na Fórmula 1. oportunidade de pilotar um F1 – o que uma excelente forma de satisfazer e médicos chegaram, Kesjár foi decla-
Quem sonhava ser o primeiro hún- o tornou, para sempre, um pioneiro – captar mais fãs húngaros, assim como rado morto no local, fruto de múltiplas
garo e primeiro homem do Bloco de surgiu ainda em 1987, quando Erich atrair sponsors locais. Estava previsto lesões na cabeça. O húngaro era um
Leste a chegar à F1 era Kesjár, e este Zakowski, dono da Zakspeed, decidiu que Kesjár fizesse a demonstração na piloto extremamente popular na co-
estava empenhado ao máximo para dar-lhe uma oportunidade para reali- sexta-feira, após os treinos, mas como munidade da F3, e os seus colegas de
brilhar na Fórmula 3 em 1988 e mos- zar uma demonstração ao volante de os carros não podiam deixar o pitla- profissão, chocados com o aconteci-
trar todas as suas capacidades, depois um dos seus carros imediatamente ne entre sessões de treinos oficiais, mento, uniram-se para pressionar a
da dura aprendizagem. No entanto, a antes do início do G.P. da Hungria. Era a iniciativa teve de ser abortada. No direção de prova a cancelar o evento
entanto, a oportunidade de pilotar um e, apesar de toda a pressão por parte
dos Zakspeed 871 Turbo surgiu após o dos patrocinadores, conseguiram-no,
final do Grande Prémio, perante “casa pela memória do jovem de 26 anos.
cheia”. Csába deveria fazer apenas O acidente não tardou a trazer ao de
três voltas e Zakowski avisou-o para cima numerosas teorias da conspira-
não passar da terceira velocidade para ção, embora a análise dos destroços
evitar incidentes. No entanto, foi por apontasse para uma falha nos tra-
pouco que Kesjár não se despistou na vões. Ainda assim, sem se verificar
primeira curva, quando se surpreen- qualquer desaceleração ou tentativa
deu com a enorme eficácia dos tra- de mudança de direção, houve quem
vões de um F1, mesmo estando frios. falasse numa perda de consciência, ou
mesmo num suicídio. O que alimentou
A TRAGÉDIA muitas destas teorias foram as his-
tórias que circulavam sobre o piloto
Csaba Kesjár renovou com a Schübel não querer alinhar, e só ter treinado
Rennsport para 1988, repetindo a devido às pressões dos patrocinado-
Campanha na F3 Alemã mas, ciente da res. A verdade absoluta será difícil de
grande promessa que tinha em mãos, saber, mas cada vez mais se aponta
o conceituado dono de equipa deci- para um problema de saúde. Kesjár
diu concentrar todos os esforços no tinha desmaiado alguns dias antes
húngaro e alinhar com um só Dallara da prova e começou a pensar-se num
F388-VW. Infelizmente, cedo se viu diagnóstico de epilepsia, o que expli-
que as equipas equipadas com chas- ca a relutância em competir, e os co-
sis Reynard tinham uma vantagem mentários de algumas pessoas que
razoável comparativamente ao novo assistiram aos treinos indicam mesmo
Dallara. Porém, à medida que começa- que o mais certo é o piloto ter sofrido
vam a dominar as afinações da nova uma perda de consciência, devendo-
montada e que a confiança de Kesjár -se o pedal do travão partido a meio
aumentava, também surgiam os re- à força do impacto.
sultados, e a meio da temporada Csaba Csaba Kesjár nunca chegou à Fórmula
contava já 33 pontos, graças a uma 1. Por muito talentoso que fosse, falta-
regularidade impressionante, mais ria saber se algum dia se iria adaptar
do dobro do que alcançara num ano totalmente à competição na Europa
inteiro em 1987. O campeonato che- Ocidental e se teria o talento neces-
gou então a Nuremberga, para correr sário para avançar para patamares
no famoso circuito de Norisring, sen- superiores, já que tudo tem de ser
do a corrida de F3 a principal prova de relativizado. Circulava, contudo, o ru-
suporte das 200 Milhas de Norisring, a mor que o piloto iria testar a sério pela
contar para o Campeonato do Mundo Zakspeed no final de 1988, e avançar
de Sport-Protótipos. Deste modo, era para a F3000 em 1989, já que tinha
uma das provas mais importantes do donos de equipa interessados e cada
campeonato de F3, e uma grande opor- vez mais sponsors disponíveis. Mesmo
tunidade de brilhar frente ao público, assim, não deixou de ser um pioneiro
sponsors e managers de equipa. e, quando a Cortina de Ferro caiu no
No entanto, os sonhos e a vida de final de 1989, demorou ainda 11 anos
Kesjár acabaram nesse dia 24 de ju- até que um piloto desses países che-
lho quando, na segunda sessão de gasse à F1, no caso, o checo Tomaš
treinos de sexta-feira, o húngaro pas- Enge, em 2001, com a Prost. E ainda
sou na linha de meta a mais de 200 mais dois anos até que aparecesse o
km/h numa volta lançada mas, ao primeiro piloto húngaro de F1, Zsolt
aproximar-se do famoso gancho de Baumgartner, em 2003, com a Jordan.
Dutzendteich, o carro não travou e O maior legado de Csaba Kesjár foi ter
seguiu à mesma velocidade contra as aberto à Europa Central e Oriental o
barreiras de pneus, sendo lançado pelo sonho da Fórmula 1. E, no Leste, ainda
ar e capotando, caindo do outro lado hoje é amplamente lembrado. Como
das proteções, no meio das árvores, piloto e como homem.
virado para baixo. Quando os para-

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CLAUDIO
LANGES
TÃO ADPEPARREECSSEUA
COMO
DESAPARECEU…

Naqueles tempos de transição da década de 80 para a de 90
proliferavam pequenas equipas de Fórmula 1, não raras vezes

vítimas das pré-qualificações, mas que, ocasionalmente,
eram capazes de conseguir “o tal milagre”. A EuroBrun (1988-

1990) foi uma delas, e já no seu último ano contratou um
piloto pagante, de seu nome Claudio Langes…

Guilherme Ribeiro diamente pela competição, disputando tamente para a F3 Europeia, correndo que o piloto não conhecia pistas fora de
[email protected] o seu primeiro campeonato de karting mesmo numa prova em finais de 1981 Itália. Para 1983, Langes renovou com a
apenas em 1978, mais precisamente o ao volante de um Ralt RT3-Toyota pri- Anson, cujo novo SA4 estava equipado
Pois bem, Claudio Langes ra- Campeonato Italiano de 125 cc. Ironia vado. E, em 1982, decidiu prosseguir por um motor Alfa Romeo. Infelizmente,
pidamente tornou-se célebre das ironias, parece que Langes não era com a mesma opção, arranjando o tão os progressos ao longo da época foram
em termos estatísticos, já que totalmente desprovido de talento nas indispensável pacote de patrocínios poucos e Claudio ficou-se pelos 11 pon-
em 14 Grandes Prémios falhou categorias de base, já que conseguiu para assinar pela conceituada Trivellato tos e um nono lugar, num desempenho
a pré-qualificação em todos, um espetacular título no seu primeiro Racing, desta vez ao volante de um semelhante ao da temporada anterior.
batendo apenas por uma pro- ano de competição. No entanto, à me- Dallara 382-Alfa Romeo. No entanto, os Porém, os resultados razoáveis e uma
va o “nosso” Pedro Matos Chaves (que dida que foi avançando para os esca- pneus Pirelli da equipa italiana nunca mala cheia de liras ajudaram-no a as-
falhou a pré-qualificação nas 13 ron- lões superiores dos karts, a sua estrela se mostraram eficazes e ainda antes do sinar pela Eddie Jordan Racing em 1984,
das que disputou pela Coloni em 1991). não voltou a brilhar da mesma forma. meio da época Claudio negociou a sua uma equipa bem mais ambiciosa e es-
Provavelmente, foi o único facto a tor- Em 1981 avançou para os monoluga- transferência para a pequena Anson truturada e com a qual Langes pode-
ná-lo “famoso”, porque, de resto, a sua res, correndo na popular categoria de Racing, uma formação inglesa que ali- ria sonhar com a luta pelo título. Com
carreira automobilística pautou-se por promoção Formula Fiat Abarth, aon- nhava com o seus Anson SA3C-Toyota, a melhor combinação do campeonato,
total discrição, chegando à Fórmula 1 de terminou no quarto posto da geral, desenhados por Gary Anderson. Mesmo o Ralt RT3-Toyota, Claudio não foi bri-
como um dos mais evidentes pilotos- num campeonato vencido por um tal se se tratava de uma pequena marca, lhante, mas também esteve bem longe
-pagantes da história… de Alessandro Nannini, conseguindo os resultados melhoraram um pouco de desiludir, mostrando mais uma vez
pelo caminho uma vitória. e o piloto italiano conseguiu 10 pontos que era mais do que um piloto pagan-
A CARREIRA COMEÇA COM UM TÍTULO Provavelmente entusiasmado por este para terminar em nono no campeona- te. Langes conseguiu um terceiro lugar
Claudio Langes nasceu a 20 de julho de começo promissor, Langes conseguiu to. Nada mau para uma época de adap- em Donington, três segundos lugares
1960 em Brescia, mas interessou-se tar- arranjar patrocínios para saltar dire- tação, principalmente tendo em conta em Österreichring, Enna-Pergusa e

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Monza e, por fim, uma vitória no cir- turbo Renault, estreado em meados de patrão Lamberto Leoni, deixando o ter- dores para conseguir “comprar” o lugar
cuito sueco de Knutstorp, terminando 1985! Ao lado de Roberto Moreno, seu ceiro carro para “aluguer”. Langes não na equipa italo-suíça, claramente uma
o campeonato num relevante quarto futuro colega de equipa na EuroBrun, conseguiu impressionar e a sua cota- das piores do plantel, a par da Coloni e
lugar, com 36 pontos. Langes só fez duas provas, já que os ção parecia apenas baixar, até que em da caótica Life. A formação começou
recursos da equipa eram parcos, ces- 1988 conseguiu finalmente um contrato a temporada com o monolugar do ano
LONGOS ANOS NA F3000 sando esta a atividade após mais duas a “full-time” na categoria. anterior, o ER189-Judd, e na primei-
rondas a competir apenas com Moreno. ra prova Langes ficou já bem longe de
Claro está que estes resultados no No entanto, Langes ainda surpreendeu Foi com a GA Motorsports que Claudio Moreno – que passou as pré-qualifica-
Europeu de F3 o motivaram para avan- na prova extracampeonato organizada Langes disputou quase toda a tempo- ções e terminou a corrida – apenas ba-
çar para a categoria superior, a recém- nas Antilhas Holandesas, num circuito rada de 1988, começando pela primeira tendo o Coloni de Gachot e o desastroso
-criada F3000. Porém, esta temporada citadino na ilha de Curaçau, e que ser- vez com um programa para a totalidade Life. Ironicamente, este seria o padrão
inaugural da F3000 foi algo confusa, viu como encerramento da temporada. do campeonato! A equipa era compos- da temporada, já que Claudio apenas
já que muitas equipas recorreram aos O plantel presente não é de desvalori- ta por dois pilotos pagantes – Langes e conseguia bater regularmente os Life,
velhos F1 atmosféricos tornados subi- zar, já que contou com grande parte Gregor Foitek – mas contava com bom ficando mesmo atrás do igualmente
tamente retrógrados pelo recurso de das equipas e pilotos que estiveram equipamento, sob a forma do novo Lola horrível Coloni-Subaru e dos AGS, cla-
todas as equipas aos motores turbo presentes ao longo da temporada, e T88/50-Cosworth. Era a ocasião de dar ramente numa época bem pior do que
entre 1983 e 1985. Com as portas das Langes foi convidado para pilotar um o salto, mas a temporada de Langes foi o habitual. Pior que isso, o italiano che-
melhores equipas fechadas, Langes March 85B-Cosworth para o seu an- extremamente irregular, marcada por gou a ser batido por mais de 5 segundos
assinou pela Barron Racing para pilotar tigo patrão Eddie Jordan, terminando algumas boas exibições na primeira por Gachot, e já com a evolução de 1990,
um Tyrrell 012-Cosworth, precisamen- uma prova pontuada por numerosos metade da época, que culminaram com o ER189B-Judd, conseguiu ficar ainda
te o monolugar que a Tyrrell estreou acidentes e quebras mecânicas num um quinto lugar em Monza e um quar- mais distante dos seus rivais diretos,
em 1983 e foi evoluindo até à estreia surpreendente terceiro lugar. to em Enna-Pergusa, seguindo-se dois a tal ponto que a motivação começou
do novo 014, equipado já com o motor acidentes, em Birmingham e Brands a faltar. E com o budget cada vez mais
No entanto, Langes estava tudo me- Hatch, sendo dispensado pela equipa apertado, a EuroBrun optou por mandar
nos referenciado como um dos maio- na penúltima ronda do campeonato. Langes dar apenas algumas voltas na
res talentos da F3000 e em 1986 viu-se Para a última prova, Langes correu com pré-qualificação, evitando assim uma
desempregado, só conseguindo um lu- a Barcelona Motorsports, mas sem me- multa, conscientes de que o italiano
gar na F3000 a meio da época, quan- lhorar o resultado. Preparado para uma não iria nunca conseguir ultrapassar
do foi contratado pela BS Automotive última tentativa na F3000 e com ajuda aquela barreira. No entanto, o chassis
para substituir o norte-americano Ken dos seus sponsors, Claudio assinou era apenas uma evolução (fraca) do mo-
Johnson, ao volante de um Lola T86/50- pela conceituada Forti Corse em 1989, delo (já de si fraco) do ano anterior, por
Cosworth. As performances de Langes pilotando um Lola T89/50-Cosworth. isso nem Roberto Moreno conseguia já
foram ligeiramente melhores, conse- Se a época foi bem mais regular, com “tirar coelhos da cartola”. E no G.P. de
guindo pontuar no seu traçado-feti- o piloto a terminar constantemente França, Langes melhorou substancial-
che de Enna-Pergusa, e alcançando no top 10, só pontualmente se viram mente, ficando a apenas 0.5 segundos
depois um sexto posto em Le Mans- performances acima da média, como do seu colega de equipa. E a partir do
Bugatti, terminando assim em 17º, com o segundo lugar em Enna-Pergusa e o momento em que a Coloni trocou o pe-
três pontos. Nesse mesmo ano Claudio sexto em Brands Hatch, a par de alguns sadão Subaru V12 pelo Cosworth, os
estreou-se no ETCC ao volante de um erros o terem impedido de lutar mais EuroBrun ficaram definitivamente nos
Alfa Romeo 75 da Brixia Corse, preci- vezes pelos pontos. E, no final da épo- últimos lugares das pré-qualificações,
samente nos 500 Km do Estoril, mas ca, disputou pela única vez uma prova com Langes sempre batido por Roberto
abandonou. Parecia claro que a F3000 de Sport-Protótipos no campeonato Moreno. E, após o G.P. de Espanha, o di-
era um escalão a mais para o piloto, IMSA, abandonando cedo. nheiro acabou e a EuroBrun já não foi ao
que voltou a ficar no desemprego em Japão e Austrália, terminando assim a
1987, disputando pelo meio duas provas DESASTRE TOTAL NA FÓRMULA 1 carreira do homem de Brescia.
com a Brixia Corse, até que encontrou Escusado será dizer que Langes ficou
novamente “emprego” na F3000 com A EuroBrun tinha optado por regressar com o “rótulo” de piloto pagante e ex-
a FIRST Racing, desta vez ao volante a uma equipa de dois carros, contratan- tremamente lento, sendo muitas vezes
de um March 87B-Cosworth. No en- do Roberto Moreno à Coloni, mas de- citado como um dos piores pilotos da
tanto, o contrato do piloto era apenas sesperava por um piloto pagante para história da F1. No entanto, a sua carreira
para algumas provas e a equipa estava o segundo monolugar. Langes, cujo so- não acabou ali, tendo o piloto prosse-
maioritariamente centrada em Gabriele nho sempre foi ser piloto de Fórmula 1, guido para o Campeonato Italiano de
Tarquini, o candidato ao título, e no seu conseguiu reunir todo o seu avultado Turismos, aonde arranjou uma vaga na
financiamento e carteira de patrocina- Conrero Squadra Corse, ao volante de
um Opel Kadett Gsi 16V, andando regu-
larmente a lutar pelos últimos lugares
pontuáveis. Segundo as informações
disponíveis, tudo indica que Langes
terá continuado a correr nos turismos
mais uns anos em Itália, embora fora
dos principais campeonatos, por di-
versão, conseguindo alguns sucessos.
De seguida, dedicou-se aos negócios
de família, envolvendo-se em segui-
da no ramo das telecomunicações e,
de momento, é dono da Global Natural
Resources Holding Ltd.

+44

JAGUAR André Duarte e também alusivos à versão R-Sport.
[email protected] A destacar a consola central com
» F-PACE 2.0D R-SPORT 180 CV compartimento lateral; moldura Satin
OJaguar F-Pace é um modelo Chrome do ecrã táctil de 10” (que ga-
COMPETENTE que não deixa ninguém in- rante o acesso a rádio, climatização,
diferente. Às naturais gene- dados ecológicos de condução, câmaras,
Os SUV são uma tendência cimentada no mercado rosas dimensões a versão InControl Apps, InControl Pro Services,
automóvel e nenhuma marca quer ficar para trás. No caso R-Sport confere interes- navegador web, contactos, bluetooth,
da Jaguar, em 2016 o F-Pace inaugurou a representação da santes condimentos visuais: computador de bordo e controlo dinâ-
pára-choques dianteiro e traseiro espe- mico de volume); proteções das em-
marca neste particular. Fomos para a estrada cíficos; acabamentos das portas R-Sport baladeiras metálicas iluminadas com
com a proposta 2.0 diesel com 180 cv na cor da carroçaria com frisos Grained anagrama Jaguar; tapetes premium;
na sugestiva versão R-Sport Black; proteções das embaladeiras me- pedais sport brilhantes e JaguarSense
tálicas e grelhas laterais Satin Chrome com iluminação da consola superior.
LEIA MAIS ENSAIOS E ACOMPANHE com logo da versão; jantes em liga leve O espaço é agradável nos lugares dian-
TODAS AS NOVIDADES EM AUTOSPORT.PT de 19” e faróis Bi-Xénon com luzes diur- teiros, enquanto nos traseiros o lugar do
nas em LED com formato “J”. meio é muito penalizado pelo túnel da
transmissão, que faz com que tenha-
INTERIOR mos de ter as pernas exageradamente
No habitáculo temos um interior com abertas, condicionando muito a vida a
materiais de qualidade, agradáveis ao bordo, tanto para esse passageiro, como,
toque, ainda que este seja talvez sóbrio em consequência, para os outros dois.
e conservador em demasia, carecendo A bagageira é generosa ao prendar-nos
de pormenores mais entusiasmantes com 650l.

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AO VOLANTE escolhido, a grandeza das suas propor- Os travões reagem bem e apenas a FT/ F I C H A T É C N I C A
ções é de fácil percepção, aliada a uma direção podia ser mais informativa,
Antes de premirmos o Star & Stop até sensação de segurança permanente. É principalmente no modo Dynamic. Por 2.0 / 180 CV
podemos pensar que os 180 cv oriundos neste contexto que somos convidados a outro lado, a visibilidade traseira é algo
do bloco de 4 cilindros 2.0 diesel, que conhecê-lo melhor e com mais intem- reduzida. GASÓLEO
estimulam a tração traseira, escasseiam pestividade. Para tal, selecionamos o
para os seus 1795 kg de peso. Mas numa modo Dynamic e passamos a caixa de 8 BALANÇO FINAL 8,5 S
proposta que avança uma aceleração velocidades para o modo Sport, optando
de 8,5s dos 0 aos 100 km/h e 430 Nm por recorrer às patilhas para o efeito. O Jaguar F-Pace 2.0d R-Sport é um mo- 0-100 KM/H
de binário máximo entre as 1750 e as O som do bloco diesel torna-se uma pre- delo de proporções generosas que tem
2500 rpm, percebemos que há motivos sença constante nas subidas de regime no comportamento um grande trunfo. 5,1 L / 6,5 L (AUTOSPORT)
para ficar expectante. e as relações sucedem-se sem darmos Ainda que o motor 2.0l represente a
A consola central é muito intuitiva e conta, enquanto os 180 cv fazem-se entrada de gama no capítulo diesel e 100 KM
rapidamente nos deixa familiarizados sentir no eixo traseiro, que nos garante por isso não seja aquele que transmite
com os quatro modos de condução – uma tração de nota e nos revela uma mais alma, é o mais racional para uma 134
Dynamic, Normal, Eco, Neve/Chuva/ potência que surpreende, atendendo às utilização regular, atendendo aos con-
Gelo – e com as duas opções de caixa, proporções e peso do veículo. Dá gosto sumos que permite realizar. G/KM- CO2
D (normal) e S (desportivo). principalmente em regimes médios e Claro que a linha de equipamento
Em estrada rapidamente deixamos altos, situações em que temos de ter R-Sport acresce 10.927€ à fatura face 75 532€
o modo Eco de lado, dada a resposta maiores cuidados, porque o bem estar à versão base, estabelecendo o preço
pouco expedita fruto de uma parame- a bordo facilmente nos pode desvirtuar final nos 75.523€. Um valor mais elevado PREÇO BASE
trização focada nos consumos. Pela da velocidade a que circulamos. que a concorrência e também pelo qual
disponibilidade de potência o Normal O movimento de massas é bem supor- já é possível adquirir-se propostas mais PRAZER AO VOLANTE / SUSPENSÃO
torna-se assim o eleito para o quoti- tado pelo chassis/suspensão, permitin- vigorosas do próprio F-Pace. No entan- / CHASSIS / COMPORTAMENTO
diano. Independentemente do percurso do-nos abordagens confiantes, mesmo to, tudo depende do gosto e propósito DINÂMICO
em percursos mais sinuosos e por isso de utilização de cada um. Agora, uma
não tão naturais para este modelo. Mas coisa é certa, independentemente da : PREÇO / ESPAÇO LUGAR CENTRAL
é em estrada aberta e curvas de maior motorização, esta é uma proposta em TRASEIRO / VISIBILIDADE TRASEIRA
amplitude que o F-Pace se sente mais que se sente estar-se num SUV pre- / LOCALIZAÇÃO DOS BOTÕES PARA OS
à vontade, moldando-se muito bem em mium e uma boa opção para viagens em VIDROS NA DIANTEIRA
cada trajeto, com um comportamento família, seja de fim de semana ou para
muito límpido e eficaz. ‘aquelas’ férias, já que, seja pelo espaço MOTOR GASÓLEO, 4 CIL. EM LINHA, INJ.
ou prestações, irá sempre agradar. DIRETA, TURBO COM GEOMETRIA VARIÁVEL,
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camente e aquecidos. No caso do do condutor, com
AO TRABALHO! posicionamento alto e pouco apoio lateral, a somar a
volante em pele de ótima pega e ajustável em altura
Com o mercado das pick-up em contínuo crescimento na Europa, a Mercedes-Benz e profundidade.
tornou-se na primeira marca premium a arregaçar as mangas e a oferecer uma Difícil, a visibilidade traseira, ainda que atenuada por
proposta de trabalho, com atributos de veículo mais exclusivo. Sentados ao volante sistema de câmaras 360º, de série na versão Power.
da Mercedes-Benz X 250d 4MATIC, fomos ao trabalho! Numa cabina de acesso fácil, graças aos estribos,
elogios também para a habitabilidade nos lugares
Francisco Cruz imponente grelha frontal metalizada, óticas em LED traseiros, com bastante espaço para três adultos,
[email protected] com sistema de luzes inteligente, faróis de nevoeiro mesmo com os bancos colocados tipo anfiteatro.
cromados, jantes em liga leve de 19”, barras no tejadilho Estes beneficiam não só de ar condicionado auto-
Primeira proposta do género na história da anodizadas, vidros escurecidos, retrovisores exteriores mático Thermotronic, mas também de vidros late-
marca da estrela, a Mercedes-Benz Classe X aquecidos, reguláveis e rebatíveis eletricamente, e rais elétricos e janela no óculo traseiro, deslizante
é, no entanto, uma espécie de produto adap- piscas integrados, além dos estribos laterais. eletricamente.
tado, que, embora a estética não o revele, A pensar na componente laboral, uma caixa metálica De resto e sobre o equipamento, uma palavra para
tem por base a já bem conhecida Nissan com 2.141 m2 e com capacidade máxima de 1,1 de a presença de soluções como o Active Brake Assist,
Navara. Revista, no entanto, como forma toneladas, a qual pode receber um Hard-Top fixo, ou sistema de monitorização da pressão dos pneus,
de corresponder às exigências impostas a qualquer uma cobertura em plástico rígido, ou enrolável. sistema Parktronic, assistente de sinais de trânsito,
modelo com a estrela na frente. Já no interior, uma elevada qualidade de construção assistente de faixa de rodagem, sensor de chuva,
Resultado deste esforço, a manutenção, apenas, de e principalmente de materiais, com as semelhanças sistema de assistência no arranque, Cruise Control
pormenores como os puxadores das portas, com a di- com os SUV da marca alemã a advirem do volan- e regulação de velocidade em descida.
ferenciação para a pick-up nipónica a ser feita através te, comandos, botões e hastes, já para não falar no Equipada com as mesmas motorizações da “irmã”
de, e no caso da versão mais equipada, Power, uma acesso sem chave Keyless Go ou do sistema Comand Nissan Navara, a Mercedes-Benz Classe X que testá-
mos exibia a versão mais potente do conhecido quatro
cilindros 2.3 turbodiesel de origem Renault-Nissan,
com 190 cv de potência. Neste caso, acoplado à mesma
opcional caixa automática de variação contínua de

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FT/ F I C H A T É C N I C A

2.3 / 190 CV

GASÓLEO

11,8 S

0-100 KM/H

7,9 L / 10,0 L (AUTOSPORT)

100 KM

207

G/KM- CO2

68 158€

PREÇO BASE (VERSÃO ENSAIADA)

COMPORTAMENTO EM ALCATRÃO /
QUALIDADE DE CONSTRUÇÃO E DE
MATERIAIS / HABITABILIDADE

UTILIZAÇÃO EM CIDADE / ESCASSEZ DE
ESPAÇOS DE ARRUMAÇÃO / CONSUMOS

MOTOR 4 CIL. EM LINHA, COM
INJECÇÃO DIRECTA COMMON-RAIL,
TURBOCOMPRESSOR DE GEOMETRIA
VARIÁVEL E INTERCOOLER, 2299 CM3
POTÊNCIA 190 CV/3750 RPM BINÁRIO
450 N.M/1500-2500 RPM TRANSMISSÃO
INTEGRAL, CAIXA AUTOMÁTICA DE 7
VELOCIDADES SUSPENSÃO INDEPENDENTE
DE TRAVESSAS DUPLAS À FRENTE E
INDEPENDENTE DO TIPO MULTI-LINK ATRÁS
TRAVAGEM DV/DV PESO 2234 KG MALA
N.D. DEPÓSITO N.D. VELOCIDADE MÁXIMA
176 KM/H

sete relações (1.400€) existente na Navara, a qual só quando a velocidades um pouco mais elevadas, em direcção pesada e - essa, sim — muito à imagem de um
não consegue evitar consumos reais na ordem dos alcatrão, a verdade é que a Classe X desmistifica, por carro de trabalho, a que se junta depois um sistema
10 l/100 km. completo, tal ideia, mostrando-se, também aqui, mais de travagem competente, válido, até mesmo fora de
No entanto e se há aspecto em que a Classe X verda- próxima dos SUV. Já que, graças ao trabalho feito estrada, onde não só a tracção integral 4x4 acoplável
deiramente nos surpreendeu foi no comportamento. pelos engenheiros da Mercedes ao nível das molas e com redutoras (engrenagem por botão), mas também
Pela facilidade de condução, estabilidade e segurança, amortecedores traseiros, praticamente anula a falta os excelentes ângulos de ataque (30,1º), ventral (22º)
mesmo naquele que é, tradicionalmente, o piso menos de peso atrás, mantendo-se sempre estável e segu- e inclinação lateral (49,8º), além de na passagem a
adequado para estas propostas: o alcatrão. ra - inclusive, em estrada molhada e escorregadia! vau (600 mm), fazem dela uma solução para todos
Membro de uma família - as pick-ups - conhecida Equipada com um opcional bloqueio do diferencial os obstáculos que lhe ponhamos à frente.
pela instabilidade que revela da parte do eixo traseiro, traseiro (610€), a pick-up alemã conta ainda com uma O que é que estão à espera?!... Vamos ao trabalho!

E/ Dando cumprimento ao estabelecido no n° mais importantes provas de desporto au- leitores uma informação atual, rigorosa abordagem e de análise dos factos noti-
1 do artigo 17° da Lei 2/99, de 13 de Janeiro, tomóvel disputadas em território nacional e de qualidade, opinando sobre tudo o ciosos, com total abertura à interatividade
ESTATUTO Lei da Imprensa, publica-se o Estatuto e no estrangeiro, relata acontecimentos que se passa na área do automóvel e dos com a sua comunidade de leitores. 4. O
EDITORIAL Editorial da publicação periódica AutoSport: ligados à competição automóvel, bem como automobilistas, numa perspetiva plural, re- AutoSport pratica um jornalismo pautado
1. O AutoSport é um semanário dedicado temas que versam o automóvel como bem cusando o sensacionalismo e respeitando pela isenção, sem comprometimentos
ao automóvel e aos automobilistas, nas de consumo, tanto na área industrial como a esfera da privacidade dos cidadãos. 3. ou enfeudamentos, tendo apenas como
suas mais distintas vertentes: desporto e comercial. O AutoSport pauta as suas opções edito- pressuposto editorial facultar a melhor
competição, comércio, indústria, segurança 2. O AutoSport está comprometido com riais por critérios de atualidade, interesse informação e a melhor formação aos seus
e problemática rodoviária. O AutoSport o exercício de um jornalismo formativo e informativo e qualidade, procurando apre- leitores, seguindo sempre as mais elemen-
edita, semanalmente, conteúdos sobre as informativo e procura oferecer aos seus sentar aos seus leitores a mais completa tares normas deontológicas.

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