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Published by hmilheiro, 2020-02-03 12:48:38

AutoSport_2197

AutoSport_2197

#2197 >> autosport.pt DIRETOR PEDRO CORRÊA MENDES
ANO 42
42
05/02/2020
Semanal anos

2,50€ (CONT.)

TO PO SEMANÁRIO DOS CAMPEÕES

10

DA DÉCADA

PILOTOS NACIONAIS
E INTERNACIONAIS

VOTAÇÃO ONLINE
A ESCOLHA É SUA!

>> CPTT ARRANCA EM BEJA >> 1º TESTE DE ARMINDO ARAÚJO >> VISITÁMOS A THE RACING FACTORY >> ÁLVARO PARENTE 2º EM BATHURST

PÁG. 42 PÁG. 38

MERCEDES
GLE 350D

ASTON MARTIN YAMAHATÉNÉRÉ 700
NA F1 EM 2021 PÁG. 32

MPORTOO SHOP

A SUA NOVA LOJA ONLINE

WWW.MOTOPROSHOP.PT

3

I/ I N S TA N TÂ N E O SIGA-NOS EM EDIÇÃO

#2197
05/02/2020

f l> > a u t o s p o r t . p t
facebook.com/autosportpt twitter.com/AutoSportPT

ESPETÁCULO Seja por que prisma for, as 12 Horas de Bathurst são um enorme espetáculo de entretenimento, e não deve haver José Luís Abreu
circuito melhor do que Mount Panorama para a realizar. Desde o seu ‘renascimento’ em 2007, com os GT, ganhou uma exposição
internacional fantástica, inclusivamente na Europa. DIRETOR-EXECUTIVO

S/ SEMÁFORO EM DIRETO [email protected]

PARADO A ARRANCAR A FUNDO “Talvez eu não o devesse ter Quando chegou à F1 em
dito, mas não o disse na TV ou 2015, com 17 anos e 166
Coronavírus vai afetar Vai arrancar o CPTT e Esta semana vamos na conferência de imprensa”, dias, tornando-se no mais
várias competições se nos últimos anos escolher o Top 10 jovem piloto de sempre a
automobilísticas, e temos destacado da década, nacional Fernando Alonso, penitenciando-se, à chegar à disciplina, Max
provavelmente também sempre o crescimento e internacional, F1 Racing. Mas já não foi a tempo pois Verstappen não demorou
a F1: Ou se anula, ou qualitativo, este ano a Honda vetou-o na Indy 500 com o muito a deslumbrar o mundo.
vote já online. seu motor. Pouco mais de um ano depois,
troca de data. não é exceção… substituiu Kvyat na Red Bull,
“O nosso grande objetivo para vencendo na estreia com a nova
O SEMANÁRIO DOS CAMPEÕES NA ERA DIGITAL Max (Verstappen), que também equipa, aos 18 anos, tornando-se
começou connosco na F1, é no mais jovem piloto de sempre
torná-lo o mais jovem campeão a vencer um GP. Daí para cá, são
mundial, um propósito vários os recordes que bateu, o
partilhado pela Honda”, Helmut mais jovem a vencer vários GP,
etc. Mas há um recorde que não
Marko, com um desejo que tem lhe vai ser fácil bater e o mais
de cumprir em 2020, senão Vettel curioso é que dificilmente será
mantém o recorde. por sua culpa. Sebastian Vettel
foi Campeão do Mundo de F1 pela
“Não me vejo como o nono primeira vez em 2010 com 23
piloto na grelha. Mas é o que anos 4 meses e 11 dias, e se Max
é. Acredito que sou melhor do Verstappen o conseguir este ano
que o nono lugar, não me gosto bate esse recorde, já que quando
de ver aqui”, Daniel Ricciardo, terminar o GP de Abu Dhabi de
F1, Verstappen terá 23 anos e dois
frustrado com a posição de 2019. meses. A grande questão é que
tudo dependerá, mais uma vez,
Siga-nos nas redes sociais e saiba da competitividade do seu Red
tudo sobre o desporto motorizado no Bull face à concorrência, pois se
computador, tablet ou smartphone via corresse em carros iguais, não
facebook (facebook.com/autosportpt), diremos todos os anos, já teria
twitter (AutosportPT) ou em sido Campeão do Mundo. Não é
>> autosport.pt novidade para ninguém que esta
questão é da maior importância, há
pilotos que todos, ou pelo menos a
maioria, se lhes reconhece grandes
capacidades, mas não estão no sítio
certo à hora certa. E Verstappen
arrisca-se a deixar fugir esse
título. Imagina Verstappen fazer
carreira na F1 sem conseguir
chegar ao título? Mais cedo ou
mais tarde isso irá acontecer, mas
se é em 2020 é cedo para o saber.
Pelo menos gostávamos que os
melhores pilotos tivessem carros
competitivamente semelhantes.
Que grande campeonato seria.

ENGTRRAENVDIESTA4

E/ A NOVA VIDAENTREVISTA
DEARMINDO
ARAÚJO
Cumprem-se 20 anos desde a estreia oficial, num agora longínquo Rali de Montelongo
ao volante de um Renault Clio preparado por amigos e que usava pneus usados com
defeito. Armindo Araújo abriu o livro sobre uma carreira que inclui cinco títulos
nacionais absolutos, dois títulos mundiais e inúmeros momentos para mais tarde

recordar. Pelo meio, o mais consagrado piloto português de ralis falou de (quase) tudo:
a paixão pelas motos de Enduro que quase o levou ao Dakar, os títulos conquistados
a pulso em todas as categorias por onde passou, os bastidores das quatro equipas
oficiais que representou (Citroën, Mitsubishi, Mini e Hyundai), as lutas no PWRC com
jovens lobos como Tänak, Mikkelsen ou Paddon, a passagem atribulada pelo WRC,
a rutura com a Motorsport Italia, a vida durante o interregno de quase seis anos,

o regresso vitorioso com a Hyundai, e o desafio de perseguir o sexto título com a jovem
e ambiciosa The Racing Factory. Armindo Araújo sem filtros, olhos nos olhos

ENTREVISTA Ricardo S. Araújo
[email protected]
FOTOGRAFIA ZOOM Motorsport
António Silva / arquivo

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E/ dentro e fora do carro. Na apresentação de o segundo ano no PWRC, desde 2008. presas importantes que já estão contigo
ENTREVISTA oficial pré-evento, num dia chuvoso em Autonomia para trabalhar o marketing há vários anos…
Vigo (Espanha), chegou ao local combi- da forma que os meus patrocinadores Estou com a Galp desde 2005 e estou
6 nado quando os próprios organizadores pedem, autonomia para tomar decisões com a Meo, na altura TMN, desde 2002.
ainda nem tinha montado a cerimónia. de estratégia comercial e técnica. Eu coor- A Câmara Municipal de Santo Tirso, por
ARMINDO ARAÚJO Profissional, disponível, sociável, foi um deno a parte técnica com a Racing Factory exemplo, está comigo desde a minha pri-
mimo de Relações Públicas para uma e a parte comercial com os meus patro- meira corrida, há 20 anos. Isto também
São 8h48 e chega- organização inexperiente e sedenta do cinadores. Ao longo destes anos, percebi demonstra aquilo que a minha carreira e
mos ao local combi- ‘buzz’ mediático. Sem experiência prévia que este é o modelo que me deixa mais a minha estrutura têm dado a estes par-
nado. Ribeiros, zona no carro (de 530cv) e numa pista que des- relaxado e confortável, quando tenho este ceiros e o nível de confiança em que fun-
de Fafe. Estamos em conhecia, foi evoluindo de forma metódica domínio sobre a minha estrutura. Como cionamos. Este crédito existe porque eu
solo sagrado dos ra- até se bater de igual para igual com figuras sabes, tenho uma equipa que me acom- só apresento projetos aos meus parceiros
lis em Portugal, a re- como os irmãos Hansen, Topi Heikkinen, panha desde os tempos do Mundial nas em que acredite verdadeiramente. E eu
gião a que milhares Craig Breen, Tom Coronel, entre outros. áreas do marketing, da comunicação, das não estava confortável com o que estava
de fanáticos religiosos No final, despediu-se com um sorriso e redes sociais, do design, etc. a acontecer nos últimos anos a esse ní-
chamam “Catedral”. ouviu de todos que a porta ficou aberta Foi então uma aposta mútua. Tu confias vel. Decidi voltar a dar maior visibilidade a
Hoje, porém, o frio, o para regressar. na The Racing Factory para te dar todas as esta equipa Armindo Araújo, para ter uma
nevoeiro e a chuva O Armindo Araújo que encontro nessa condições para lutares pelo título e teres conexão mais forte com os meus parcei-
molha-tolos reme- manhã ‘britânica’ em Fafe é o mesmo que a autonomia de que precisas, e a equipa ros e para não ter uma marca no meio que
tem-nos para uma qualquer florestal em conheci em Montalegre: frontal, prático, confia em ti para os levares a um pata- pudesse determinar ou influenciar esta
Inglaterra. Só alguns carros estacionados, determinado, olhos nos olhos, sem poli- mar desportivo e de exposição superior. relação, por muito positiva que tenha sido
uma autocaravana e o crepitar ao longe tiquices, com a confiança e o à vontade de Sim, daí este um bom alinhamento de a minha ligação com a Hyundai.
das pistolas pneumáticas denunciam a quem já viu quase tudo (de bom e de mau) ideias, de objetivos, de estratégia entre É importante perceber que as equipas ofi-
presença de um carro de ralis. neste desporto. A tarefa pela frente não mim e o Aloísio. Foi relativamente fácil ciais, hoje em dia, funcionam num modelo
Armindo Araújo e a sua pequena equipa é fácil. Há, no mínimo, mais quatro cam- montarmos este projeto porque temos completamente diferente do que aconte-
de colaboradores (e amigos) mais próxi- peões nacionais que perseguem o mes- aquilo que o outro precisa. Além de pi- ceu comigo na Citroën ou na Mitsubishi,
mos esperam dentro da autocaranava. mo objetivo de Armindo Araújo: Ricardo loto, sou um embaixador da The Racing por exemplo. Na Citroën e na Mitsubishi
Esperam que o tempo dê tréguas e que Teodósio, Bruno Magalhães, José Pedro Factory. eu era um funcionário da marca, tinha um
a mecânica fique pronta. Cumprimentos Fontes e Pedro Meireles. O campeonato do E um embaixador da Galp, da Meo, em- ordenado para correr, tinha obrigações a
da praxe, rasga-se o sorriso paciente de ano passado foi decidido por 4,06 pontos.
quem sabe, melhor do que ninguém, que Em 2017 foram 0,4 pontos. Mas isso são
num teste de pré-época é normal acordar apenas números e passado.
às 7h00 para só começar a andar às 11h30 Aos 42 anos, o que realmente faz correr
(como foi o caso). Contudo, é impossível o sangue nas veias de Armindo Araújo é
ignorar a ironia de Armindo Araújo es- o desafio e o futuro. O desafio de vencer
tar preparar a fase mais recente da sua já o próximo rali. O desafio de cimentar o
carreira a poucos quilómetros do local seu recorde de títulos na mais importante
onde fez o primeiro rali da sua vida, há e popular competição do automobilismo
20 anos. É uma espécie de versão 6.0 de nacional. E o desafio de o fazer com uma
alguém que, ninguém o esconde, nasceu jovem e ambiciosa equipa que não olhou
em berço de ouro, mas que nem por isso a meios para se dotar dos recursos téc-
deixou de subir a pulso a escada do des- nicos, logísticos e humanos. Vinte anos
porto que o apaixona desde que foi ver depois, o futuro já começou.
um rali que passava ao lado da casa dos
pais. Alguém que depois foi campeão na- Depois de um regresso à competição e
cional de Promoção, vencedor do Troféu de dois anos na Hyundai, como surgiu
Saxo, bicampeão nacional absoluto com esta nova fase e este projeto com a The
um Kit-Car (Citroën), bicampeão nacional Racing Factory?
absoluto com um Grupo N (Mitsubishi), Os dois anos que passei na Hyundai fo-
bicampeão do Mundo de Produção, que ram ótimos. Tínhamos o objetivo claro
chegou ao WRC, que regressou ao ativo de darmos o título à marca em Portugal
após uma paragem de quase seis anos e foi e conseguimos. Ganhámos seis ralis, fi-
campeão (com Luís Ramalho) à primeira zemos vários pódios e penso que de-
tentativa, com um tipo de carro (R5) que mos um enorme retorno de marketing à
desconhecia e com uma marca (Hyundai) Hyundai. Mas foi um ciclo que se fechou
que se estreava de forma oficial no CPR. naturalmente.
Alguém que se tornou uma figura públi- No final de 2019, quando decidi não con-
ca até junto do público mais generalista tinuar na Hyundai, não tinha qualquer
e menos conhecedor dos ralis, um pou- projeto definido. Foi nessa altura que o
co como acontece com Miguel Oliveira Aloísio Monteiro me contactou e disse
no motociclismo ou Tiago Monteiro na que queria conversar comigo. Tivemos
velocidade. um jantar onde ele me falou dos objeti-
Apesar de trabalhar como jornalista nesta vos, da expectativa, do sonho que ele ti-
área há quase duas décadas, só espora- nha para a Racing Factory. Mostrou-me
dicamente tive contactos pessoais com a empresa, a estrutura e convidou-me a
Armindo Araújo. Foi apenas em agosto pensar numa possível parceria. Eu que-
de 2019 que pude ver, por dentro, por- ria, obviamente, um projeto de qualidade,
que é que o piloto de Santo Tirso chegou com um carro competitivo que me per-
ao pináculo deste desporto. Convidado mitisse vencer, mas também queria mais
pela organização do TitansRX para par- autonomia. Queria recuperar a autonomia
ticipar na prova desse campeonato in- que sempre tive nos meus projetos des-
ternacional de Ralicross em Montalegre,
Armindo Araújo mostrou a sua classe

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cumprir. Era um emprego, um emprego Mesmo nestes moldes de equipa oficial, volvimento, esta paixão. Até porque é isso que a Galp faz com ações de condu-
de sonho e algo que eu sempre quis para achas que é importante para os ralis em um excelente negócio para uma marca. ção defensiva, com ações de prevenção
a minha vida. Mas a minha preocupação Portugal ter a Hyundai no CPR? Desde que criem aquilo que no mundo rodoviária, com palestras motivacionais,
era conduzir. Ponto. Claro que sim. Porque a máquina de mar- do marketing se chama engagement… com a imagem de determinação e supe-
O que aconteceu nos meus três últimos keting de uma marca é muito importante e Exatamente. É precisamente isso que eu ração que os ralis têm. Decidi seguir este
anos na Mitsubishi, inclusive quando fo- faz muito pelo desporto. A Hyundai fez um me esforço por fazer nos meus projetos. caminho sozinho com o projeto Armindo
mos campeões do Mundo, era diferen- grande investimento de marketing direto Estes parceiros grandes não podem in- Araújo porque só faz sentido que os meus
te: eu já era um piloto-gestor. O projeto nas provas, na relação com a Comunicação vestir de uma forma tímida, ou seja, da- parceiros tenham aqui uma verdadeira
Mini no primeiro ano era um projeto Team Social, com os adeptos. rem o sponsor e depois desligarem-se do ferramenta de marketing para as suas
Armindo Araújo. No segundo ano já não Isso beneficia até as outras equipas do projeto. É preciso ativar o seu patrocínio. marcas e as suas empresas. O era do auto-
era assim: eu só levava uma participa- campeonato e os projetos totalmente Podemos fazer o paralelismo com o fute- colante no carro já passou há muito tempo.
ção financeira e toda a gestão era feita privados? bol, onde as grandes marcas patrocinam Tem que ser um bom negócio e isso só é
pela equipa italiana e pela Mini, com os É sempre uma vantagem. O aparecimen- os clubes mas depois também compram possível com o engagement de que falas.
resultados que se conhecem. Enquanto to da Hyundai foi muito bom para todos o seu camarote no estádio, levam os seus Até agora fizeste cerca de 135 quilóme-
fui eu a gerir tudo, correu sobre rodas, por e eu gostava que muitas outras marcas convidados, criam toda uma relação e uma tros com o Skoda. Quais são as primei-
isso o segundo ano foi uma grande lição surgissem, desde que tenham este en- experiência com o próprio desporto. É ras impressões?
para a minha vida e para a minha carrei- Fizemos estes primeiros quilómetros em
ra. Depois estive seis anos afastado por- condições extremas de mau tempo, com
que passámos por uma crise financeira muita lama e água. Mas percebi que o car-
grande em Portugal, o financiamento aos ro é muito ágil, dá muita informação ao
projetos não existia e eu não queria pôr piloto, é fácil e previsível. Como o motor
em causa a minha carreira com algo onde tem um excelente binário, o carro tra-
eu não sentisse que tinhas as condições balha muito bem em baixas rotações, o
mínimas para correr e obter resultados, que permite um estilo de pilotagem dife-
para dignificar os meus parceiros. Foi en- rente daquele a que eu estava habituado.
tão que decidi dizer-lhes que ia fazer uma Digamos que há uma maior naturalidade
pausa, momentânea ou definitiva. a guiar o carro. Tivemos aqui o Rui Soares,
O primeiro ano na Mini e agora na Hyundai engenheiro que já está comigo há alguns
já foi o modelo moderno das equipas ofi- anos e que vai trabalhar em conjunto com
ciais: o piloto é o gestor do seu projeto. Tem o Adriano, engenheiro da Racing Factory,
que contribuir com uma grande parte do e tivemos o apoio de um engenheiro da
orçamento, tem de arranjar uma estru- Skoda Motorsport. Fiquei contente ao
tura técnica, arranjar um carro, e a mar- saber que o meu feedback do carro logo
ca é mais um sponsor, um parceiro que,
obviamente, quer retirar o maior proveito
possível do projeto. Claro que o facto de
ser uma marca automóvel impede que
tenhamos total liberdade. O piloto tem,
como é normal, que seguir os interes-
ses comerciais da marca. Eu prefiro ter a
gestão total, mas só tenho que agradecer
à Hyundai porque, se calhar, se não fosse
a marca eu hoje não estaria a correr. Foi
benéfico para ambas as partes.

E/ENTREVISTA

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ARMINDO ARAÚJO

compreender que eu construí uma car- com o engenheiro que eu queria, o Alex ESTOU COM A GALP
reira desde miúdo para ser piloto. Temos Segala, fomos campeões do Mundo. Ou DESDE 2005 E ESTOU
o sonho de subir todos os degraus, de seja, eu sabia o que me faltava, mas ha-
ser piloto oficial, de chegarmos ao WRC, via contratos comerciais que não podiam

após os primeiros quilómetros vai muito de ser campeão do Mundo do WRC, é o ser quebrados. COM A MEO, NA ALTURA
na linha daquilo que a Skoda já tinha dos sonho de qualquer miúdo que começa Curiosamente, no ano passado o TMN, DESDE 2002. A
pilotos oficiais, até de coisas menos na- neste desporto. E eu, felizmente, estava Sébastien Ogier também exigiu à Citroën CÂMARA MUNICIPAL
turais que senti. Se fosse um feedback a subir todos esses degraus, o meu so- que lhe dessem as suspensões Reiger.
completamente diferente era mau sinal, nho de carreira estava a ser cumprido, Ou seja, é fundamental que a equipa e a

porque não conseguiríamos aproveitar ano após ano. marca confiem no piloto… DE SANTO TIRSO,

a informação e a base de afinações que Em 2007 eu vou para o Mundial com a É crucial para se ter sucesso. Convém POR EXEMPLO, ESTÁ
COMIGO DESDE A
a Skoda Motorsport já tem. Mitsubishi como piloto oficial. A estrutura lembrar que nesses dois anos em que MINHA PRIMEIRA
Como é que antevês o CPR para 2020? técnica portuguesa vai para o PWRC e tí- fomos campeões do Mundo de Produção
Talvez devido ao sistema de pontuação, nhamos um contrato a dois anos. Eu faço a nós lutámos com pilotos como o Tänak,
os últimos campeonatos têm sido equi- primeira época mas no final desse ano, em Mikkelsen, Paddon, Hanninen, Flodin, Al-
librados. E o Ricardo Teodósio, Bruno dezembro de 2007, aMitsubishiPortugal Attiyah, Prokop, Toshi Arai, etc. Alguns

Magalhães, José Pedro Fontes e Pedro informa-me que não conseguiria montar deles eram meus companheiros na CORRIDA, HÁ 20
Meireles já conhecem bem os seus car- o projeto para 2008. Portanto, a minha car- Mitsubishi porque vinham do Pirelli Star ANOS. ISTO TAMBÉM
ros e as suas equipas. reira poderia ter terminado ali. Foi nessa Driver, como o Tänak. Ele era muito jovem DEMONSTRA AQUILO
Este ano temos uma situação da qual eu altura que comecei a trabalhar os meus e rápido mas não era consistente, come-
discordo totalmente que é o facto de os pi- próprios projetos como piloto e gestor. Eu tia muitos erros. As provas do Mundial

lotoscontinuaremaescolhersetepontua- prometiàMitsubishique,seelesmedes- são três dias, é preciso lutar com todas QUE A MINHA CARREIRA
ções em oito ralis que disputam, quando semoapoioquepudessem,euassumiria as armas, eu ganhei-lhe alguns ralis, ele E A MINHA ESTRUTURA
TÊM DADO A ESTES
agora o calendário tem mais uma prova a responsabilidade da Mitsubishi. Fui à ganhou-me outros. O mesmo aconte- PARCEIROS E O NÍVEL
do que em 2019, ou seja, tem 10 ralis. Isto TMN, à Galp, à Câmara Municipal, finan- ceu com o Paddon, que também vinha
faz com que os candidatos se dispersem ciei-me para completar o projeto, com a do Pirelli Star Driver.
ainda mais, porque em 2019 a regra de Mitsubishi incluída, e depois fui contratar Mas como em 2009 fizemos um excelente
pontuações era a mesma mas havia só os serviços técnicos da Ralliart Italia. Faço campeonato, dentro do pódio o ano todo,

nove ralis. Com esta dispersão há maior a época de 2008 com a Ralliart Italia mas a Mitsubishi Japão pediu-nos para lan- DE CONFIANÇA EM QUE
possibilidade de os principais pilotos es- as coisas não correm bem porque a equi- çarmos o Evo X. A Ralliart Itália começa FUNCIONAMOS.
tarem menos tempo em competição di- pa tinha uma parceria com uma marca de a desenvolver o Evo X e eu faço muitos
reta uns com os outros, o que, na minha suspensões que eu não achava que fosse testes, praticamente mudo-me para Itália

opinião, prejudica o espetáculo e faz de- a melhor, e tinha um engenheiro que eu e torno-me piloto de desenvolvimento,

pender a luta do título mais da estratégia não achava que fosse o indicado. Eu era além de fazer o Mundial.

do que da performance. Todos os pilotos muitorápidoemalgumasprovasenoutras Essa fase em Itália foi importante para ti Mundoduasvezes,haviavontadedemu-

deveriamcorrerunscontraosoutrosem não. No final do ano eu disse que iria sair em termos técnicos? dar. É aí que surge o projeto com um Mini

todos os momentos, em todas as provas. daequipaearranjaroutraestruturapara Foimuitobom,ganheimuitaexperiência completamente privado. A Motorsport

Issoéquedemonstraqueméocampeão, 2009. Foi aí que a Ralliart Italia me coloca emItálianessafasedoPWRC.Colocaram- ItaliacompraumMiniWRC,euapresento

isso é que é bom para o desporto. como prioridade da equipa e abandona o me à disposição muita informação, um oprojetoaosmeusparceiroseconsegui-

Quanto aos nossos adversários diretos, programanoCampeonatodeItáliacomo leque muito abrangente de opções téc- mos que a Mini nos autorizasse a estrear

pensoqueestarãotodosnovamentemui- Paolo Andreucci para se dedicar apenas nicas, trabalhei com vários engenheiros. o carro no Rali de Portugal, uma versão

tofortes.ORicardo(Teodósio)vemdeum ao PWRC. Perguntam-me o que eu que- Porexemplo,odesenvolvimentodoEvoX aindainferior,comtodasasfragilidadesdo

título,temumcarrodeúltimageraçãoque ria mudar, e foi aí que eu disse que queria R4 foi feito em Itália e o engenheiro com carro.Lembro-mequequandoeutesteio

já conhece muito bem, tem dois anos de correr com as suspensões Reiger e que quem eu trabalhei para fazer a homolo- carropelaprimeiravez,aquiemPortugal,

Skoda,conhecetodasasafinaçõeseéum queria o engenheiro do Paolo Andreucci. gaçãodocarrofoioAndreaAdamo(atual partimos o motor após poucos quilóme-

fortíssimocandidato.OZèPedro(Fontes) A partir do momento em que eu pas- diretor da Hyundai Motorsport). tros. Montámos outro motor para a prova

é um piloto muito experiente e o Citroën sei a correr com as suspensões Reiger e Depois de termos sido campeões do e,contratodasasexpectativas,nosábado

tem tido uma evolução fantástica nos

últimos tempos. O facto de a marca ter

saído do WRC até beneficia os R5, por-

que o foco de desenvolvimento agora é

esse e veja-se o que se passou no Rali

de Monte Carlo, onde os Citroën R5 do-

minaram a prova. O Bruno Magalhães

vai manter-se na Hyundai e isso é uma

vantagem, desconheço nesta altura se

existirá algum outro carro na equipa. O

Pedro Meireles é muito experiente, tem

um excelente carro e também é sempre

um piloto a ter em conta.

Esta será a tua terceira época após um

interregno de quase seis anos. Como era

o teu dia-a-dia nesse período em que

estavas completamente desligado dos

ralis e do desporto automóvel? Sei que

te dedicaste aos negócios da tua família

no setor têxtil, mas não te custou corta-

res por completo os laços com este meio?

O que antecedeu essa paragem foi uma

fase difícil para mim e agora posso contar

tudo o que aconteceu. Primeiro é preciso

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à tarde estávamos em 7.º da geral quando ia fazer. Aí dá-se o maior erro da minha não concordávamos com a forma como o algumas portas abertas no WRC, mas,
partimos outro motor, por causa de uma carreira. Eu passo de gestor do meu projeto projeto estava a ser estruturado e a comu- na prática, a Mini foi o projeto possível. Eu
configuração errada na admissão de ar, a piloto que levava dinheiro para a equi- nicação que estava a ser feita. Porque era não era assim tão idiota para achar que o
entrava mais terra do que ar para o mo- pa sem ter qualquer outra intervenção impossível eu aceitar que as suspensões caminho da Mini era melhor do que um
tor. Mas mostrámos logo ali um bom ní- no projeto, porque era tudo gerido entre nos saíssem pelo topo dos amortecedo- lugar na Citroën ou na Ford. Foi apenas
vel de performance. Nesse ano tínhamos os italianos e a Mini. Ao perdermos esse res numa reta, obrigando-nos a parar na uma questão financeira.
um programa limitado de provas com o controlo, as coisas passaram a ser ge- berma, e depois o comunicado da Mini/ E é depois disso que te desligas por com-
Mini e tentámos escolher os ralis que não ridas por terceiros. Deu no que deu. Em Motorsport Italia dizia que o piloto teve pleto dos ralis, ao ponto de nem sequer ve-
fossem tão duros para o carro, gerindo o termos de imagem, a Mini e a Motorsport uma saída de estrada! Se eu ainda aguen- res ralis como espectador. Não te custou
nosso programa privado com dificuldades Italia tinham de dizer que éramos uma tei algumas destas situações, a partir de esse afastamento total?
mas sempre com a preocupação de passar equipa oficial, como a Ford ou a Citroën, determinada altura entrámos em rota de Se calhar, como gosto tanto disto foi uma
uma boa imagem dos nossos sponsors. quando na realidade desportiva estáva- colisão e eu comecei a publicar fotografias espécie de defesa. Não encontrei um pro-
O grande problema surge no segundo ano mos abaixo da época anterior como pri- do que realmente acontecia nos troços, jeto aliciante em Portugal ou no estran-
da Mini, em 2012, quando eu ia montar vados! Tínhamos muitas tendas bonitas, para provar o que eu dizia. Optei por não geiro, que realmente me convencesse.
um projeto similar ao do ano anterior, de fatos bonitos, chapéus bonitos… e nunca seguir esse caminho de mentira, porque No dia em que decidi que não teria pro-
sete ou oito provas com o Mini privado. testávamos! Nunca havia desenvolvi- não é a minha postura na vida, e a Mini jeto desportivo, também decidi que não
Há o problema entre a Prodrive e a Mini, mentos porque estávamos dependentes optou por não prosseguir com o projeto, iria ficar refém dessa decisão. A partir daí
que se separam, mas como a Mini tinha do que a Prodrive nos dava e a Prodrive porque realmente aquilo nunca teve per- nunca mais fui ver um rali, nunca mais
obrigações com a FIA decide falar com estava chateada com a Mini. Ou seja, era nas para andar. E esse desfecho acabou comprei um jornal de desporto automó-
a minha equipa para que eu complete o uma receita catastrófica. por demonstrar que aquilo que eu fazia vel, virei completamente o foco para outro
campeonato, em cima das provas que já Entrámos em rutura com a equipa porque antes, o modelo onde eu geria os meus lado, para os negócios da minha família e
projetos, se calhar era até mais válido do para novos negócios que criei. Pude viajar
que aquilo que eles fizeram. Mas foi uma de moto, que era uma coisa que eu que-
grande lição para mim. ria ter feito antes, fui para Marrocos, fiz
A última prova que eu faço com a Mini uma volta à Europa de moto. Até que no
foi o Rali da Finlândia de 2012 e nesse fim final de 2017 surge a hipótese Hyundai e
de semana eu tenho uma reunião com a deu-se um clique. No dia a seguir estava
Citroën onde o (Yves) Matton me ofere- a falar com a Galp, estava a falar com a
ce o terceiro carro da Citroën, desde que Câmara, com o Nuno (Castro), o Miguel
eu garantisse um determinado budget. O (Rodrigues), com os meus engenheiros.
problema é que eu não tinha esse budget. Parecia que nem tinha estado afastado
Já anteriormente o Malcolm (Wilson) me durante aqueles cinco ou seis anos. Voltou
tinha oferecido o carro da Stobart mas tudo a andar.
também nãoconsegui chegar aesse va- Mas durante aquela pausa na minha car-
lor. A realidade era essa: salvo raríssima reira eu ia para a empresa todos dias, es-
exceções, esses terceiros carros tinham tava com os clientes, com os funcionários
de ser pagos em parte pelos pilotos. Tive da empresa… Nem senti os efeitos de estar
afastado daquilo que tinha sido a minha
vida durante 11 ou 12 anos. Seria muito
pior se vivesse as emoções dos ralis em
seco, ir ver ralis e não estar lá dentro. Tive
centenas de convites para fazer ralis, tive
centenas de convites para fazer testes,
convites para isto e aquilo, mas para mim
simplesmente não fazia sentido.
A tua estreia absoluta nos automóveis foi
há 20 anos. O que recordas desse Rali de
Montelongo, com 22 anos, num Renault
Clio 16V e com um amigo pessoal (Pedro
Queirós) como navegador?
Eu tinha acabado de ganhar o Troféu KTM
de Enduro e como prémio fui à fábrica da
KTM na Áustria, em Mattighoffen. Estava a
dar os primeiros passos para fazer o Dakar
nas motos. O Rali de Santo Tirso passa-
va ao lado da casa dos meus pais e eu fui
ver o rali com o Pedro Queirós. Quando
passavam os carros eu dizia, meio a sé-
rio meio a brincar, “acho que conseguia
fazer melhor”. Claro que eu já fazia cor-
ridas de motos mas a ideia ficou-me na
cabeça e uns dias depois liguei ao Pedro
e perguntei-lhe se ele queria entrar co-
migo na aventura de fazer um rali. Tanto
eu como ele não tínhamos qualquer no-
ção do que era um rali. Falámos com uns
amigos, um deles alugou-me o carro, ou-
tro preparou-me o carro durante a noite,
arranjámos uns pneus usados, fomos
treinar com o meu carro do dia-a-dia, e
chegámos ao rali e por pouco não ganhá-

E/ >> autosport.pt
ENTREVISTA

10

ARMINDO ARAÚJO

vamos, fomos segundos à geral. Da parte estavam milhares de pessoas de todo o cinco quilómetros depois vejo o Arai pa- melhores do mundo e vão logo ser cam-
da manhã liderávamos o rali mas como mundo, para fazer a ligação com entre o rado, depois vim a saber que a caixa tinha peões. É um problema quando se acha
partíamos tão lá atrás e demorávamos a Citroën 2CV e as corridas. partido. Acabámos o rali no quarto lugar e que o dinheiro compra tudo e que o piloto
passar nos troços, pouca gente sabia que Outro episódio foi no Rali da Austrália de fomos campeões do Mundo, na penúltima não precisa de trabalhar a sério e subir os
estávamos na frente! 2009, quando fomos campeões do Mundo prova do campeonato. Às vezes também patamares todos.
As coisas correram muito bem, não tive pela primeira vez. Andámos o rali todo a é preciso a estrelinha da sorte. Mas essa mentalidade não existia quan-
nenhum acidente, nenhum percalço. E lutar com um set-up errado e a tentar Há pouco falaste de pilotos lançados pelo do começaste?
isso foi fundamental porque se eu tivesse recuperar tempo. No penúltimo troço fi- Pirelli Star Driver, como Tanak, Mikkelsen, A diferença é que eu nunca pedi um euro
tido algum acidente ou problema, prova- zemos um pião numa direita sobre um Paddon e outros. Em Portugal, nota-se aomeupaiparafazercorridas. Eutiveque
velmente nunca mais teria feito qualquer topo e estivemos para ‘ficar’ numa árvore. que há pouco jovens pilotos a surgirem subir os patamares todos a pulso, tive que
rali na minha vida. Alugámos outro carro e Felizmente conseguimos voltar à estrada nos ralis e ainda menos aqueles que têm ganhar em todas as categorias. No início
ganhámos logo o rali seguinte, em Castelo e à entrada para o último troço estávamos reais condições de fazer carreira. Com da minha carreira tudo tinha que correr
Branco, depois disso a equipa ajudou-me no quinto lugar, quando precisávamos de toda a experiência que acumulaste em muito bem e isso obrigou-me a dar valor
e fomos campeões da Promoção no ano ser quartos para garantir o título. Lembro- Portugal e no Mundial, vês-te um dia no ao pouco que tinha e a maximizar o que
de estreia. Obviamente que com o sucesso me que esse último troço começava numa papel de mentor de um projeto de for- tinha. Na Promoção, eu fui ao primeiro rali
que eu estava a ter nos carros, abortei a descida e antes do arranque estávamos mação e lançamento de jovens pilotos? em Fafe com um carro que estava parado
minha carreira nas motos, onde fui sem- logo atrás do Toshi Arai e reparo que ele Acredito que se a Racing Factory levar numa oficina há anos, com pneus usados
pre amador, não cheguei a profissional. tem a marcha atrás engrenada. Ele não avante a sua ideologia, talvez um dia eu e com defeito que me foram dados por-
Esse background nas motos e no Enduro se apercebe e quando liga o motor noto possa ser conselheiro da equipa numa que iam para o lixo, o carro foi arranjado
auxiliou a rápida adaptação aos carros que o carro dele dá um grande solavanco. estrutura deste género. Sei que o Aloísio à noite por um amigo meu eletricista, fui
e aos ralis? Entretanto mete primeira e arranca para Monteiro tem esse objetivo para o futu- com fatos emprestados, capacetes em-
Muito. Porque vários dos troços de rali o troço e pouco depois arrancámos nós; ro. Por outro lado, parece-me improvável prestados, os pais de amigos meus deram-
que eu faço hoje em dia, eu fazia de moto eu trabalhar diretamente com um pai ou -nos o dinheiro para pagar as despesas.
na minha adolescência e juventude. Por um investidor num jovem piloto, por- Fui construindo a minha carreira assim
exemplo, aprendi a conduzir na Serra da que noto que de uma forma geral os pais e nunca tive o meu pai a investir dinheiro
Cabreira, passei a minha infância e ado- acham sempre que os seus filhos são os nas minhas corridas, ele não me comprou
lescência a andar de moto e de carro nessa o melhor carro do plantel quando eu não
zona, até porque temos uma casa de férias tinha as bases de evolução. Isso é como
no Gerês e eu conhecia muito bem os tro- acharmos que o nosso filho é muito in-
ços da Cabreira. As motos são muito mais teligente e por isso não precisa de fazer a
agressivas, obrigam-nos a ter uma leitura primária e o ciclo, vamos metê-lo já dire-
de terreno muito rápida, não temos notas, to na faculdade. Até podemos achar que o
vamos sozinhos, temos que nos defender nosso filho vai ser médico mas não vamos
de tudo e resolver tudo sozinhos. Essa metê-lo na Faculdade de Medicina aos
endurance das motos foi importantíssi- seis anos. O problema é esta cultura que
ma. Quando nos meus primeiros ralis um existe, principalmente no sul da Europa.
colega vinha dizer-me que este ou aque- Se calhar os melhores pilotos que tivemos
le troço eram muito perigosos, os meus do norte da Europa, da Suécia, Finlândia
parâmetros de avaliação eram comple- ou Noruega, começaram a aprender nos
tamente desajustados. Porque quando lagos gelados e nas florestas com carros
eu passava num troço de moto a fundo, de 500 euros. E foi lá que andaram anos e
braço com braço com outro colega, sem anos a desenvolver as suas capacidades.
rollbar, sem cintos, sem nada… para mim Antes do dinheiro, é preciso ter a menta-
o perigo nos automóveis era uma coisa lidade certa.
distante. Condições de aderência que ou-
tros achavam impraticáveis, era o normal
nas provas de Enduro. Não vou dizer que
os ralis eram mais fáceis, mas não foram
um choque tão grande quando comecei.
Podes contar algum episódio ou momen-
to de bastidores que te tenha marcado ao
longo destes 20 anos?
É sempre difícil porque foram tantos, mas
lembro-me, por exemplo, de chegar à gala
anual de entrega de prémios da Citroën
Sport, em Paris, e quando entro no audi-
tório vejo que a imagem que estava pro-
jetada no palco era uma fotografia do meu
Saxo Kit-Car na Serra da Cabreira atrás
de dois cavalos! Num troço na Cabreira
entrámos numa zona entre muros e apa-
nhámos dois cavalos que estavam per-
didos e que correram à nossa frente du-
rante vários metros. A Citroën escolheu
essa foto para mostrar naquela gala onde

FINS DE SEMANA PERFEITOS

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R/12
RALIS

REPGORARNTDAEGEM
THERACING
FACTORY Porto. Ainda assim, depois da inaugura- dias que correm, ‘muita água correu
ção oficial das instalações da The Racing sob um moinho’ que, a cada dia que
O Autosport teve oportunidade de conhecer, ao detalhe, Factory, em S. Paio de Oleiros, não nos passa, se mostra mais produtivo e ca-
as ambições da jovem equipa liderada por Aloísio Monteiro restam grandes dúvidas: o futuro do paz de lidar com as necessidades im-
motorsport em Portugal está assegu- postas no mundo do desporto automó-
que promete dar que falar, desportivamente e não só, na rado e, em parte, passará também pela vel atual. “A nossa forte relação com a
temporada que tem início já no próximo fim-de-semana, com a The Racing Factory. Skoda Motorsport possibilita que te-
Corria o ano de 2018 quando, numa con- nhamos sido, por exemplo, uma das
realização da Baja TT Vindimas do Alentejo versa informal, Aloísio Monteiro e Fábio primeiras equipas a receber o Skoda
Vasques alinharam ideias para uma Fabia R5 Evo. Esta ligação dá-nos a pos-
Depois de termos acompanha- estrutura ligada ao motorsport. Ainda sibilidade de dar aos pilotos que cor-
do a participação de Aloísio sem grandes planos definidos sobre rem com a The Racing Factory con-
Monteiro em agosto de 2019, localização e objetivos da equipa, de- dições para conseguir atingir os seus
no Rally do Barum, na Rep. cidiram convidar Justino Reis para um objetivos. Foi também por isso que o
Checa, não tínhamos dúvi- projeto ainda sem nome. “Quando eu e Armindo Araújo (Campeonato Nacional
das sobre a enorme vontade o Fábio conversámos sobre este tema de Ralis), o Miguel Nunes (Campeonato
e qualidade por detrás de uma equipa pela primeira vez, sabíamos que para de Ralis da Madeira) e o Juan Carlos
liderada pelo piloto e empresário do termos mais hipóteses de sucesso, te- Alonso (FIA ERC) preferiram a nossa
ríamos de convidar o Justino para se estrutura. Relações de confiança como
juntar ao grupo de fundadores da ago- esta não se criam de um dia para o ou-
ra, The Racing Factory. Só com a expe- tro e é necessário investir muitas ho-
riência do Justino aliada às competên- ras em reuniões e negociações para que
cias de Marketing e Comunicação do tudo chegue a bom porto e a The Racing
Fábio, conseguimos chegar ao dia da Factory continue a crescer de forma
inauguração com vitórias no palmarés sustentada”, explicou Aloísio Monteiro
e uma comunicação acima da média”, que também manterá, enquanto piloto,
começou por referir Aloísio Monteiro, um programa ativo no Campeonato da
CEO da The Racing Factory. Europa de Ralis, aos comandos de um
Da primeira conversa informal até aos Skoda Fabia R5 Evo.

13

Se em termos organizacionais a es- em que a presença nas redes sociais
trutura de S. Paio de Oleiros se mostra e restantes media é fundamental, a
bem alicerçada, as suas instalações The Racing Factory não descurou o
inauguradas em meados de janeiro são poder da imagem, tendo nesta área
sem dúvida uma obra prima que Aloísio uma equipa cada vez mais profissional
Monteiro assume “refletir a sua imagem para ajudar a marca e os seus pilotos
enquanto empresário” uma vez que a comunicar de forma mais profis-
foram construídas propositadamente sional. “O Marketing e Comunicação
para acolher a equipa. “Para mim, para foi, é e será uma das nossas maiores
o Aloísio e para o Fábio, as instalações apostas. Com recurso a capital huma-
tinham de ser de nível mundial. Tinham no especializado, criámos uma equi-
de surpreender quem nos visitasse e ti- pa de design e gestão de redes sociais
rar, logo à partida, as eventuais dúvidas que nos permite estar a par do que de
que ainda subsistissem. Conseguimos melhor se faz no desporto automóvel
de forma organizada construir uma a nível mundial. Esta é uma área em
“casa” profissional e prática onde tan- que nunca podemos achar que já sa-
tos os clientes como os nossos cola- bemos tudo pois, todos os dias, o nos-
boradores se sintam bem. Para manter so público alvo salta de plataforma em
este espaço organizado é necessária plataforma e se queremos atingir os
muita disciplina e os nossos funcioná- nossos objetivos temos de comunicar
rios, sabem que para trabalhar na The de forma segmentada e assertiva. Até
Racing Factory vão ter de manter um agora penso que temos atingido os ob-
padrão de exigência acima da média. Só jetivos e o maior desafio para o futuro
assim podemos vir a ser uma das me- é manter esta toada positiva e que to-
lhores equipas no panorama nacional dos conheçam a The Racing Factory
e internacional”, explicou Justino Reis, não só pelos resultados desportivos,
responsável pelas operações gerais e mas também pela forma como co-
gestão de clientes. munica com o seu público”, disse ao
Num mundo cada vez mais digital e Autosport Fábio Vasques.

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INÍCIO AUSPICIOSO GARANTIU PRIMEIROS RESULTADOS NOVAS
INSTALAÇÕES
A The Racing Factory entrou em 2019 a Racing Factory sagrou-se vencedora, por de estrear o Skoda Fabia R5 Evo, que PARAA
vencer e esse início auspicioso deu o equipas, do Campeonato Nacional de agora domina o panorama dos ralis na VELOCIDADE
mote para uma temporada com mais Todo-Terreno. sua categoria. Aloísio Monteiro e Pedro ATÉ 2025
recordações positivas do que negativas. Na Peugeot Rally Cup Iberica, Pedro Antunes formaram ainda a FPAK Portugal
O XXVI Raide TT de Góis, ainda no decorrer Antunes esteve a bom nível apesar de ERC Team, onde representaram Portugal Aloísio Monteiro mostrou-se uma
do mês de Fevereiro, marcou o arranque da ter sempre como primeiro foco a sua no Campeonato da Europa de Ralis e pessoa muito pragmática e assertiva
época no que toca ao Todo-Terreno e foi aí participação no Campeonato da Europa contribuíram para a 3ª posição final, entre quando questionado sobre o projeto
que, a parceria da The Racing Factory com de Ralis que, devido a alguma falta de várias ‘seleções’ europeias. da The Racing Factory a médio-longo
a Speedfreak deu os primeiros resultados. conhecimento das provas, acabou por Com a dupla Miguel Nunes/João Paulo, prazo. A sua experiência internacional
Vítor Santos venceu a prova e deu à equipa não correr como todos esperavam. Ainda a equipa assegurou a vitória no Rali enquanto empresário vem ao de
de São Paio de Oleiros a sua primeira assim, destaque para o bom terceiro Municípios do Funchal e Câmara de Lobos, cima quando se trata de programar e
vitória oficial. Neste evento, bem como ao lugar alcançado pelo piloto torrense prova pontuável para o Campeonato de planear o trabalho futuro e, aliado a
longo da temporada, a equipa contou com no ERC3 Junior no Rallye das Canarias Ralis da Madeira. A equipa apoiou ainda outros fatores, esta pode ser a chave
dois pilotos brasileiros que deram os seus e ainda a vitória no Rallye Serras de Luís Rego Jr, na conquista do Campeonato para o sucesso da equipa.
primeiros passos no TT Nacional. Falamos Fafe 2019, nas contas da Peugeot Rally de Ralis dos Açores. Junto às atuais instalações, nascerá
de Cristiano Batista e Aristides Mafra Cup Iberica. Ainda no Europeu de Ralis, A temporada terminou com a presença até 2025 um novo edifício dedicado a
Junior que mostraram muita qualidade Aloísio Monteiro conseguiu recuperações da The Racing Factory nas 24 Horas outra das vertentes das competição
ao longo da temporada. Lourenço Rosa e dignas de registo em todas as provas, TT de Fronteira, nas 4 horas SSV, onde automóvel: a velocidade. “Temos o
Aloísio Monteiro também fizeram alguns conseguindo alguns resultados positivos. Vítor Santos voltou a ser elemento em projeto sustentado e sabemos que,
quilómetros aos comandos dos Can-Am Ainda assim o destaque vai para o Barum destaque, subindo ao pódio final da para crescer, teremos de dar o salto
Maverick da The Racing Factory nesta Rally, na Rep. Checa, onde o piloto e CEO prova organizada pelo Automóvel Club para a Velocidade, em especial para
temporada. No final da temporada, a The da The Racing Factory teve a oportunidade Portugal. os GT. Para tal iremos construir um
novo edifício, de frente para as atuais
2020 O ANO DAAFIRMAÇÃO instalações que nos permitirá dar
resposta a outro tipo de exigências
Se 2019 foi um ano de estreia positivo, a equipa da The Racing Factory continuar a sua carreia ao lado da The Racing Factory. das maiores e mais importantes
está muito confiante para 2020, que se espera ser de afirmação da Internacionalmente, o objetivo da equipa é consolidar as suas marcas. As nossas ideias estão bem
estrutura de São Paio de Oleiros. “Com mais clientes, mais viaturas e presenças na Peugeot Rally Cup Ibérica e no Campeonato da Europa consolidadas e o projeto é para
estando presentes em mais campeonatos, não podemos facilitar nos de Ralis. Para tal, tem já quatro confirmações para o FIA ERC e um concretizar assim que os nossos
detalhes. Vamos ter que estar ao mais alto nível de profissionalismo possível candidato ao título na competição ibérica: “Estamos muito programas nos ralis completem a sua
nas mais variadas frentes até porque os nossos pilotos são tão ou mais contentes e confiantes com a opção do Pedro Almeida de correr fase de afirmação.”, garantiu o CEO da
ambiciosos do que nós!”, começou por dizer Justino Reis. pela The Racing Factory e desenvolver uma estratégia diferente na The Racing Factory.
No Campeonato de Portugal de Ralis está certo que Armindo Araújo será sua carreira, em que irá disputar um número alargado de provas Se dúvidas restassem sobre a forma
a grande aposta da The Racing Factory, sendo que, esta poderá não ser de diversos campeonatos, incluindo a Peugeot Rally Cup Ibérica e de trabalhar e implementar as ideias,
a única. “O Armindo Araújo já foi cinco vezes Campeão Nacional de Ralis e algumas provas internacionais. Para além do Pedro, um outro piloto as imagens da maquete que nos foi
isso vai ajudar-nos muito ao longo da temporada, uma vez que a partilha muito jovem irá disputar connosco a competição da Peugeot e isso fornecida pela The Racing Factory
de experiência que vamos ter é fundamental para o crescimento vem realmente de encontro a algo que iremos sempre tentar apoiar, o dissipam-nas. A imagem reflete o
deste projeto. Os objetivos são claros, mas só o vamos conseguir se desenvolvimento de novos pilotos. No FIA ERC, teremos quatro pilotos futuro da equipa e o Autosport estará
estivermos ao melhor nível. Pontualmente, no CPR, estaremos presentes inscritos em participações pontuais, e por isso teremos provas atento a todos os desenvolvimentos,
com outros pilotos e projectos fortes, nas mais diversas categorias, para dar assistência entre 2 a 3 carros o que permitirá que a nossa por forma a dar aos leitores, em
como será o caso do Pedro Almeida”, explicou o responsável da TRF. equipa consolide a presença neste importante campeonato. Desta primeira mão, todas as novidades
Ainda no que toca a provas disputadas exclusivamente em território forma penso que iremos, com toda a certeza, consolidar os nossos sobre esta nova vertente da equipa
nacional, a aposta no Campeonato Nacional de Todo-Terreno em SSV programas nestas competições e levar o nome e a imagem da equipa nortenha.
é para manter. Pedro Ferreira anunciou na passada sexta-feira que irá e de Portugal mais longe.”
competir em provas pontuais com a The Racing Factory na presente
temporada, aos comandos de um Can-Am. Mas as novidades não se
ficam por aqui: “O Pedro Ferreira é sem dúvida mais um excelente
upgrade neste plantel de pilotos da The Racing Factory. Ao Pedro, juntar-
se-ão outros nomes muito apelativos que irão colocar ainda mais foco
sobre a nossa equipa”, garante. Ainda no que concerne a competições
nacionais, a equipa estará presente no Campeonato Regional da
Madeira, com Miguel Nunes aos comandos de um Skoda Fabia R5 Evo,
enquanto que no Campeonato Regional dos Açores a equipa anunciará
em breve um programa desportivo com um piloto jovem que decidiu

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15

Q&A
ALOÍSIO
MONTEIRO

Depois de cumprido o primeiro são ambiciosos. Quer falar-nos um fundamental para nós, até porque a
objetivo do ano 2020, concretizar pouco melhor sobre a dinâmica da The Racing Factory terá mais clientes
a inauguração das instalações da The Racing Factory até 2025? neste mercado. A experiência que
The Racing Factory, como encara “Em breve, queremos não só estar trazemos de cada evento é importante
os desafios da temporada que se presentes nos ralis como também e será útil noutras provas onde
avizinha? na Velocidade [a nível internacional]. queremos participar. Para já está certa
“2020 será o ano de afirmação da Para tal, iremos construir um novo a nossa presença em 5 eventos deste
The Racing Factory a nível nacional, pavilhão, dedicado a esta vertente Europeu, mas podemos participar
com a entrada oficial no Campeonato do desporto automóvel que irá pontualmente noutros eventos tanto
de Portugal de Ralis. Vamos também albergar mais projetos desportivos nacionais como internacionais,
marcar presença no Campeonato e dar emprego a mais um grupo de inclusivamente numa prova do WRC”
Regional da Madeira com o competitivo pessoas apaixonadas pelo motorsport. Ao seu lado terá, como tem vindo a
Miguel Nunes, que também Queremos ser uma referência nesta ser hábito, o açoriano Sancho Eiró.
demonstrou bastante confiança área que tanto tem para explorar. Pensa que esta relação duradoura
na nossa equipa. Para além destas Queremos ainda criar uma Academia de pode ser importante para os
novidades, manteremos a aposta no formação, para formar jovens pilotos resultados desportivos futuros?
Campeonato Europeu de Ralis, onde ao nas mais diversas áreas (técnica, “O Sancho Eiró e eu temos uma
meu lado estará o Juan Carlos Alonso mecânica, recolha de notas e análise excelente relação dentro e fora do
e outro piloto a anunciar brevemente. de vídeos, entre outros), por forma carro e isso é muito importante
Iremos ainda procurar a consolidação a que se consiga mudar o panorama neste desporto. O facto do Sancho
dos nossos projetos na Peugeot do desporto automóvel em Portugal ser um dos melhores navegadores
Rally Cup Iberica, onde iremos contar que, como todos concordamos, portugueses da atualidade ajuda-
com o Pedro Almeida e outro piloto tem escassez de gente jovem com me imenso e estou certo que, com a
estrangeiro, e ainda no Campeonato capacidades para ombrear com os experiência que temos dos últimos
Nacional de Todo-o-Terreno SSV, onde melhores pilotos nacionais.” dois anos iremos andar mais rápido
vamos em breve anunciar mais alguns Para além de CEO da The Racing em todos os ralis. Estes objetivos não
nomes de relevo, para além do já Factory, mantém a sua carreira nos deixam pressionados até porque
confirmado Pedro Ferreira” como piloto. Quais os principais não temos nada a provar, mas sim dar
Com base na nossa reportagem, objetivos no Campeonato da o maior retorno a quem apoia este
percebemos que os seus projetos Europa de Ralis 2020? projeto e levar ainda mais longe o
para o futuro a médio longo prazo “Manter a aposta no FIA ERC era nome da The Racing Factory”.

E/16
ESPECIAL

AUTOS

NACIONAL INTERNACIONAL

TESOCPOLH1A0O DA DÉCADA
No AutoSport já passámos muitas vezes pelos difíceis momentos de escolher o Piloto ou a Revelação do Ano.
Desta feita, e como a responsabilidade é ainda maior, a escolha do Top 10 da década, nacional
e internacional, vai ser feita por si, caro leitor. Saiba como mais abaixo...
Chegou o momento de enfrentar o difícil de-
safio de escolher os melhores 10 pilotos da que escolhemos. Depois é fácil, é só votar e o siste-
década, nacional e internacional. Um repto ma faz as contas.
quase sempre controverso, mas que desta De resto, não se esqueça que a sua escolha deve ser
feita deixamos à vossa discrição, caros lei- feita, não pelo que fizeram antes desta última década,
não pelo que estão a fazer agora ou fizeram no último

tores. Nós, AutoSport, escolhemos os dez, ano, mas sim pelo que alcançaram em termos globais

Fábio Mendes e José Luís Abreu vocês, ordenam-nos. E como o vão fazer? Em parale- face aos seus nove concorrentes nestas duas listas de
lo com a publicação na edição impressa do AutoSport, pilotos nacionais e internacionais.
[email protected]
FOTOS Arquivo AutoSport será igualmente publicada online a lista e os textos que Aqui, há que levar em conta o nível da competição, as
resumem os feitos dos últimos dez anos dos pilotos máquinas à sua disposição, e finalmente a perceção

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TOP 10
NACIONAL

ÁLVARO PARENTE
ANTÓNIO FÉLIX DA COSTA
FILIPE ALBUQUERQUE
JOÃO BARBOSA
JOSÉ PEDRO FONTES
MIGUEL BARBOSA
PEDRO LAMY
PEDRO SALVADOR
RICARDO MOURA
TIAGO MONTEIRO

que cada piloto vos deixou. Provavelmente este é mes- VOTAÇÃO TOP 10
mo o melhor caminho: o 'feeling' relativo a cada piloto. ONLINE
Como se pode calcular, este tipo de listas nunca são INTERNACIONAL
fáceis de fazer, pelo que nesse contexto e para lá dos autosport.pt
dois top 10 finais que publicamos em ordem alfabética, ANDRE LOTTERER
nacional e internacional, não podemos deixar de refe- A ESCOLHA FERNANDO ALONSO
rir que de fora ficaram pilotos como Bruno Magalhães, É SUA! LEWIS HAMILTON
Ricardo Porém, César Campaniço, Carlos Vieira e Paulo ROMAIN DUMAS
Ramalho, entre outros, porque lá está, tínhamos que SEBASTIAN VETTEL
escolher dez. Entre os internacionais, deixámos de fora SEBASTIEN LOEB
nomes, por exemplo como, Daniel Ricciardo, Lucas di SEBASTIEN OGIER
Grassi, Gary Paffett, Johan Kristoffersson, Sebastien STÉPHANE PETERHANSEL
Buemi, Gabriele Tarquini, Carlos Sainz ou Thierry TOM KRISTENSEN
Neuville, pelos mesmo motivos. Há que escolher. YVAN MULLER
Agora, com estas listas publicadas, cabe a si caro lei-
tor, votar, e será daí que sairão os resultados finais.
Comente, discuta, influencie quem vem a seguir, a ideia
é debater, inclusivamente se for o caso opinar porque
na lista devia estar este e não aquele. Nós também
tivemos algumas dúvidas, mas é também para isso
que cá estamos. Tomar decisões. Faça a sua escolha
em www.autosport.pt, e em www.motosport.com.pt.
em artigos separados.

top 10 NACIONAL

>>NACIONAL ÁLVARO PARENTE

Álvaro Parente é outro dos grandes talentos saídos de Portugal para o mundo. O seu sucesso na F3 britânica e na
World Series by Renault tornaram-no num dos talentos a seguir e esteve perto de chegar à F1. O sonho não aconteceu
mas o seu talento foi aproveitado noutras competições e estabeleceu-se nos GT. Não foi preciso muito tempo para se
adaptar e tornar-se num dos melhores do mundo e a última década viu Parente colecionar sucessos nesta categoria.

Venceu os títulos no GT Open, no Pirelli World Challenge, um vice-campeonato no Blancpain GT World Challenge
America (Pro) e uma vitória nas 12h de Bathurst. É regularmente chamado para as melhores equipas e o resultado é
invariavelmente o mesmo... Parente está sempre na luta pelos melhores lugares. Independentemente da máquina à
disposição, é rápido e raramente erra. Parente já correu nos maiores palcos do mundo e vai continuar certamente a

ser uma referência no mundo dos GT.

>>NACIONAL ANTÓNIO FÉLIX DA COSTA

António Félix da Costa é um dos nossos maiores representantes no mundo do desporto motorizado. O piloto de Cascais
esteve muito perto de subir à F1, mas foi “ultrapassado” por Daniil Kvyat, uma manobra ainda hoje considerada injusta

por muitos grandes nomes ligados ao grande circo. O potencial que mostrou, em especial na Fórmula Renault 3.5,
encantou muitos mas não foi suficiente para superar outros interesses. Félix da Costa não baixou os braços e apostou no
DTM, onde conseguiu vencer, apostou no Endurance onde também venceu, em duas categorias (GTE PRO e agora LMP2), e
apostou forte na Fórmula E, onde é agora um dos melhores e mais respeitados pilotos, competindo pela equipa campeã.
Está presente desde a génese do campeonato e teve de lutar muito para chegar ao topo, algo que conseguiu com todo o
mérito. Pelo meio ainda conseguiu duas fantásticas vitórias em Macau. Junta ao seu enorme talento uma postura leve de

quem gosta do que faz. Merecia ter subido à F1, mas prova a cada vez que vai para a pista que é um dos melhores.

>>NACIONAL FILIPE ALBUQUERQUE

O piloto natural de Coimbra cedo mostrou o seu enorme talento e não foi por acaso que pertenceu ao programa de
jovens da Red Bull. O sonho da F1 terminou com a saída do programa, mas as portas ficaram abertas para outros
voos e Albuquerque competiu no DTM, passando pelos GT´s até se estabelecer no endurance, onde se tornou um
dos melhores do mundo. Nesta década destacam-se a vitória na corrida dos campeões, onde despachou um tal
de Sebastian Vettel, duas vitórias nas 24h de Daytona (uma em GTD e outra à geral), o título no campeonato norte
americano de endurance, um vice-campeonato do mundo em LMP2 e dois vice-campeonato da Europa também em

LMP2. Foi também rookie do ano em La Mans (2014) quando era piloto Audi e teve sempre excelentes prestações nos
LMP1, numa história que foi demasiado curta. Albuquerque é uma das pessoas mais simpáticas que podem conhecer

no automobilismo, uma simpatia apenas superada pelo seu talento ao volante.

>>NACIONAL JOÃO BARBOSA

João Barbosa foi o primeiro português a dar o salto para os EUA, em busca de uma carreira melhor,
numa fase em que as portas na Europa pareciam não se abrir. A mudança foi inteligente e Barbosa

tornou-se numa das estrelas do endurance americano, um reconhecimento que por vezes falta
no seu país natal. Barbosa é um dos pilotos com mais vitórias nas 24h de Daytona (3), às quais
junta mais três pódios só na última década (tem mais uma vitória na classe GTS no seu currículo).
Conquistou também um pódio em Le Mans em LMP2, foi duas vezes campeão do IMSA WeatherTech
SportsCar Championship e uma vez vice-campeão. Barbosa pode estar do outro lado do atlântico
e isso pode ter ajudado a algum esquecimento por cá, mas continua a levar a nossa bandeira aos

pódios por terras americanas, onde continua a mostrar toda a sua qualidade e talento.

>>NACIONAL JOSÉ PEDRO FONTES

José Pedro Fontes é um dos mais destacados pilotos da história do automobilismo português. Multifacetado, foi campeão
tanto nas pistas quanto nos ralis, a primeira vez na Fórmula Ford em 1995, Campeão na Velocidade (1999, 2009), Ralis
S1600 (2005), e já esta década, a que conta para este top, foi Campeão de Portugal de Circuitos e vencedor do Iberian

Supercars Trophy em 2011. Venceu duas vezes as 24h de TT Fronteira em 2010 e 2013, foi Campeão Nacional de Velocidade
e vice-campeão em 2014. O primeiro título Nacional de Ralis obteve-o em 2015, já com a equipa oficial DS3 Vodafone Team,
repetindo o feito no ano seguinte, sempre a par com o seu trabalho na gestão da Sports & You, estrutura que há mais de
duas décadas pontifica no mercado nacional e internacional. Em 2017 sofreu um terrível acidente no Rali de Portugal, que o
deixou fora das corridas cerca de 10 meses. Regressou em 2018 e ainda foi a tempo de lutar pelo título, terminando o CPR

2018 em segundo, atrás de Armindo Araújo. O ano passado, foi quarto, mas levando novamente a luta até última prova.

top 10INTERNACIONAL

ANDRE LOTTERER <<INTERNACIONAL

Andre Lotterer pode não ser considerado por alguns como escolha óbvia, mas aquilo que
o alemão conquistou na última década justifica inteiramente a presença nesta lista. No
endurance tornou-se num dos melhores pilotos do WEC (se não o melhor), sendo campeão
do mundo por uma vez e vice-campeão por três vezes, ao que junta três vitórias em Le Mans
e dois pódios na mítica prova francesa, com prestações fantásticas. Junta a isso títulos
nos Super GT japoneses, na Fórmula Nippon, uma participação na F1 e, agora, a aposta forte
na Fórmula E onde ainda não conseguiu traduzir toda a sua qualidade em resultados. Mas
Lotterer, por aquilo que fez em especial nos tempos da Audi, tornou-se numa referência no
endurance e tem tudo para vencer na Fórmula E.

FERNANDO ALONSO <<INTERNACIONAL

Fernando Alonso pode não ser o piloto com mais vitórias e mais títulos da F1, mas o seu talento coloca-o facilmente entre os
melhores. As 32 vitórias, 22 poles e 97 pódios podem parecer pouco, mas o que fez em pista é muito maior que a estatística.
Começou a última década numa Ferrari pouco competitiva, mas o seu talento colocou a equipa italiana a lutar pelo primeiro
lugar. Em cinco épocas foi vice-campeão por três vezes, sempre com um carro inferior aos seus adversários. Mudou-se
para a McLaren em busca do sucesso, mas aí encontrou ainda mais problemas e nunca teve um carro capaz de o colocar
sequer perto do topo. Em 2018, farto de lutar por migalhas, saiu da F1 mas já tinha iniciado o seu segundo plano para ficar
na história... a Triple Crown. Venceu Le Mans, e já tentou duas vezes vencer a Indy, ficando perto disso na primeira tentativa.
Entretanto sagrou-se campeão do mundo de resistência, venceu as 24h de Daytona e participou no Dakar. Um talento
tremendo que consegue ser competitivo em qualquer modalidade.

LEWIS HAMILTON <<INTERNACIONAL

Quando Lewis Hamilton entrou na F1 percebeu-se logo que estaria destinado a grandes feitos, mas poucos teriam
imaginado que o britânico iria tornar-se num dos melhores de sempre. No início da última década Hamilton era a
estrela da McLaren, mas depois de cinco épocas afastado da luta pelo título decidiu mudar de ares para a Mercedes,
na altura uma decisão considerada pouco sensata. Foi preciso esperar apenas um ano para conquistar o segundo
título da sua carreira e iniciar uma época de domínio absoluto com os Flechas de Prata. De 2014 a 2019 conquistou
cinco títulos. São 84 vitórias, 88 poles. 151 pódios numa carreira com 251 GP. Hamilton cresceu e os tempos em que
era menos forte psicologicamente são uma mera recordação. Hamilton reúne velocidade, regularidade, inteligência
em pista e uma vontade férrea de vencer. Muitos consideram-no o melhor de todos os tempos da F1. Talvez essa
afirmação não esteja muito longe da verdade.

ROMAIN DUMAS <<INTERNACIONAL

Romain Dumas é daqueles casos cada vez mais raros de um piloto que compete em categorias completamente
diferentes e consegue ser competitivo em todas elas. Dumas evidenciou-se na última década no endurance,
especialmente em Le Mans que venceu por três vezes (duas à geral e uma na categoria GTE Pro). Junta a esses triunfos
um título de campeão do mundo de endurance, vitórias nas 24h de Nurburgring, nas 24h de Spa, um pódio em Daytona,
quatro triunfos em Pikes Peak, um título em FIA R-GT. Detém também o recorde em Pikes Peak e em Nurburgring (com
o Volkswagen ID R) e juntam-se a esta lista quatro participações no Dakar. O registo é impressionante e engloba
velocidade, ralis, TT. Dumas guia qualquer tipo de máquina, em qualquer tipo de piso, sendo sempre competitivo. O
francês representa um espírito cada vez mais raro de amor pelo automobilismo, não tendo medo de sair da sua zona de
conforto, arriscando novos desafios, independentemente da categoria, conseguindo invariavelmente ser bem-sucedido.

SEBASTIAN VETTEL <<INTERNACIONAL

Sebastian Vettel começou a década de dedo em riste. O gesto que fazia cada vez que vencia repetiu-se de
forma sucessiva e a combinação Vettel/Red Bull era demasiado forte para a concorrência. O alemão cedo
deu nas vistas e a primeira vitória em Monza, à chuva, com um Toro Rosso foi a prova que aquele jovem de
21 iria deixar a sua marca na F1. Muitos o acusaram de beneficiar de um carro superior, mas Vettel moldou-
se às características dos monolugares da Red Bull de forma a tornar-se imbatível (um mérito muitas vezes
esquecido). Com a chegada da era turbohíbrida perdeu fulgor na Red Bull e mudou-se para a Ferrari, onde
liderou o ressurgimento da Scuderia. A sua estadia em Maranello tem sido feita de altos e baixos, e os
últimos tempos tem sido algo conturbados com muitas críticas e muitos erros em pista. Apesar disso,
Vettel continua a ser uma referência com 53 vitórias, 57 poles e 120 pódios em 248 GP.

top 10 NACIONAL

>>NACIONAL MIGUEL BARBOSA

Miguel Barbosa é um dos poucos pilotos da história do automobilismo português que se destacou entre os melhores
nas três disciplinas mais queridas dos adeptos em Portugal, os ralis, o TT e a velocidade. Começou pelo TT, mas teve
a coragem de se aventurar nas pistas e posteriormente nos ralis. Realizou a meio da década passada uma audaciosa
transição do TT para os ralis e, apesar dos resultados não terem sido os mesmos, a verdade é que depressa chegou às
lutas na frente. Venceu ralis do CPR e lutou muitas vezes pelos triunfos. Nunca esteve em boa posição para discutir os
títulos nas fases decisivas, embora não tenha andado longe. No TT, sete títulos de Campeão Nacional dizem tudo, três na
década de 2000, mais quatro já nesta década de 2010. E ainda ficou perto do top 10 no Dakar. Em 2011 e 2012 teve anos
de excelência ao ser campeão de TT e Circuitos GT, um título e um vice-campeonato. De 2013 a 2015 foi sempre campeão,

duas vezes no TT, uma na velocidade, e nos ralis ficou duas vezes no pódio do campeonato, 2016/2017.

>>NACIONAL PEDRO LAMY

Pedro Lamy é um piloto com uma carreira de fazer inveja, tendo competido em todos os grandes
palcos do mundo, nos melhores campeonatos. Desde a F1, passando pelo Endurance, Lamy pilotou
monolugares, protótipos e GT´s, sempre com performances dignas de registo. Na última década teve
um segundo lugar em Le Mans à geral, uma vitória na categoria GTE AM, um vice campeonato e um
campeonato do mundo de endurance em GTE AM. Lamy conduziu os melhores carros nas melhores
competições... um privilégio apenas reservado aos melhores. É um nome incontornável do endurance
internacional. Homem de poucas palavras prefere “falar” em pista onde continua competitivo como
sempre. A última década foi recheada de grandes momentos e foi um excelente representante luso.

Embora já com 47 anos, Lamy continua rápido e tem muito para dar.

>>NACIONAL PEDRO SALVADOR

Num pais com mais vontade de apostar no desporto motorizado, bastaria metade do talento que tem para ter tido uma
carreira de sucesso a nível internacional. Quando se fala nos maiores talentos nacionais o seu nome é invariavelmente
referido. Pedro Salvador é daqueles que nos fazem duvidar se os pilotos serão mesmo humanos, tal a forma como controla
as máquinas que guia. Merecia ter tido uma carreira internacional (e tinha capacidade mais que suficiente para ter sucesso),
mas deliciou os fãs nacionais nas pistas e rampas. Na última década foi campeão nacional e duas vezes vice-campeão
nacional de velocidade, Campeão da Taça de Portugal de Sport-Protótipos, Campeão Transit Trophy, e duas vezes campeão
nacional de montanha (a que soma mais quatro títulos anteriores). Tem vencido em todas as competições onde participou e
não tem medo de correr onde quer que seja. Fica sempre no ar aquela dúvida do que poderia ter sido a carreira de Salvador

se conseguisse dar o salto para fora. Mas fica a certeza de que é um dos maiores talentos que este país já viu.

>>NACIONAL RICARDO MOURA

Ricardo Moura tem disputado poucas provas nos últimos dois anos, mas o que fez antes justifica perfeitamente a
sua presença nesta lista. O açoriano, que se iniciou nos ralis em 1999, cedo começou a dar nas vistas, acabando por

marcar uma era nos ralis açorianos. Venceu o campeonato regional absoluto dez vezes consecutivas, entre 2008
e 2017, com um Mitsubishi Lancer Evo IX (2008-2014), e com um Ford Fiesta R5 (2014-2017). Mas o que o elevou a
outro patamar foi a sua ida para o continente, logo em 2009, onde correu no Campeonato Nacional de Ralis. Venceu
a Produção, alcançando os títulos em 2010, 2011 e 2012, preâmbulo do que seriam as suas excelentes prestações
no campeonato principal, que venceu três vezes, em 2011, 2012 (Mitsubishi Lancer Evo IX) e 2013 (Mitsubishi Lancer
Evo IX/Skoda Fabia S2000. Ainda hoje é um dos mais destacados pilotos nacionais e quando participa em provas, luta

pelos triunfos, quer seja no CPR ou na 'sua' prova, o Rali dos Açores, que venceu em 2016.

>>NACIONAL TIAGO MONTEIRO

Tiago Monteiro será sempre um nome relembrado pelos fãs de automobilismo nacional, por ter sido o primeiro português
num pódio de F1. Mas a sua carreira vai muito para lá desse feito. Na última década cimentou a sua posição nos turismos
e tornou-se numa peça chave do esforço da Honda no WTCC. Pelo meio teve participações em Le Mans, nos V8 Supercars. A
sua carreira seria suficiente para falar da qualidade de Monteiro como piloto, mas a vida obrigou-o a mostrar que é muito
mais do que apenas um talento ao volante. O acidente em 2017 num teste com a Honda roubou-lhe a hipótese de lutar pelo

título de campeão do mundo, quando estava na melhor forma de sempre (era o grande favorito à vitória final) e obrigou
a uma recuperação longa e penosa, mas cumprida com sucesso de forma incrivelmente rápida. Monteiro tornou-se num
exemplo de coragem e determinação, numa das histórias mais emocionantes do automobilismo que teve o seu ponto alto no

seu regresso às vitórias em Vila Real, um prémio merecido.

top 10INTERNACIONAL

SEBASTIEN LOEB <<INTERNACIONAL

É curioso que Sébastien Loeb ganhou seis dos seus nove títulos de Campeão do Mundo de Ralis ainda na década de
2000, mas os três campeonatos que alcançou já nesta última década de 2010, de modo nenhum o podiam ter deixado
de fora desta lista, ainda mais pelo que fez depois de sair do WRC a tempo inteiro. Correu no FIA GT, na Porsche
Supercup, no WTCC (Mundial de Turismos), no Dakar e finalmente também no Mundial de Ralicross.
Não voltou a ser Campeão do Mundo em quaisquer destas disciplinas, mas a sua versatilidade permitiu-lhe vencer
provas no Global Rallycross, FIA GT e WTCC, competição em que terminou duas vezes no pódio do campeonato. Venceu
também no Mundial de Ralicross e ainda teve tempo de ir duas vezes ao pódio do Dakar, lutando pelas vitórias na
grande maratona. Por fim, ainda voltou a ganhar provas no WRC, onde permanece com a Hyundai. Tem claramente um
lugar reservado na história do desporto automóvel.

SEBASTIEN OGIER <<INTERNACIONAL

Quando Sébastien Ogier surgiu na Citroën Junior WRT em 2009 não demorou muito a ‘afrontar’ Sébastien Loeb, não
só através das suas prestações, mas também na forma como não quis ficar à sombra do seu compatriota. A primeira
vitória surgiu no Rali de Portugal de 2010 e nessa altura já muitos lhe auguravam um futuro fantástico nos ralis, o que
Ogier confirmou com grande veemência nos anos seguintes. Rumou à Volkswagen em 2013 e aí deu início a um longo
reinado de triunfos no WRC ofuscando por completo os seus colegas de equipa. Venceu quatro campeonatos com a
marca alemã, dominando por completo a modalidade. A VW saiu do WRC, Ogier foi para a M-Sport/Ford onde ajudou a
reerguer a equipa, vencendo dois campeonatos e oferecendo a Malcolm Wilson títulos que a Ford já não conseguia
desde 1981. Triunfou em quase um terço dos 150 ralis que fez no WRC, foi ao pódio 80 vezes. Tem lugar assegurado
entre os ‘grandes’ da modalidade e será reconhecido como um dos melhores de todos os tempos.

<<STÉPHANE PETERHANSEL INTERNACIONAL
Das 13 vitórias que Stéphane Peterhansel tem no Dakar, curiosamente, seis delas foram ainda alcançadas no século
passado, mas sendo este um top da década os seus quatro triunfos no Dakar entre 2012 e 2017 são muito significativos,
até porque dois deles foram alcançados de Mini 4X4 e outros dois com o buggy Peugeot. O Sr. Dakar teve nesta década
dois grandes opositores no Dakar, Carlos Sainz e Nasser al Attiyah, mas é mesmo ele que detém o maior número de
triunfos, juntando neste último ano também a conquista da Taça do Mundo de TT. Já não andará longe da retirada, mas
o seu legado será incomum. Logicamente, já não tem a mesma capacidade física, mas a sua experiência numa das mais
difíceis provas de endurance do mundo valeu-lhe mais triunfos que aos seus fortes oponentes. Ficará certamente na
história do todo-o-terreno mundial, e quando olharmos para a sua carreira como um todo será excecional, mas desta
feita referimos-nos apenas aos últimos 10 anos. De qualquer forma, mais ninguém conseguiu melhor no Dakar.

TOM KRISTENSEN <<INTERNACIONAL

O “Sr Le Mans” entrou na última década já na fase final da sua carreira, mas nem por isso deixou
de ser um dos melhores. Depois de nos primeiros anos do novo milénio ter vencido em Le Mans por
seis vezes consecutivas, Tom Kristensen mostrou que era mortal e que também tinha momentos
menos bons. Ainda assim, tem o impressionante registo de nunca ter terminado a mítica prova
francesa abaixo do terceiro lugar. Na última década conseguiu vencer Le Mans pela última vez e
subiu ao pódio em La Sarthe por mais quatro vezes. Venceu também Sebring por duas vezes (mais
um pódio) e sagrou-se campeão e vice-campeão do mundo de endurance. Deixou a competição em
2014 mas o que fez nessa primeira metade da década foi suficiente para confirmar (se é que havia
dúvidas) que o dinamarquês foi um dos melhores de sempre do endurance.

YVAN MULLER <<INTERNACIONAL

Yvan Muller é um nome nem sempre apreciado por cá, mas os feitos do francês em pista colocam-no num
patamar de excelência. A sua postura por vezes arrogante, a agressividade que coloca em pista e algumas
manobras no limite, podem não agradar a muitos, mas o seu talento é inquestionável e os resultados
falam por si. Quatro vezes campeão do WTCC, cinco vezes vice-campeão, bem como campeão e vice-
campeão no BTCC, são os destaques no seu currículo e que fazem dele o piloto mais bem sucedido dos
turismos. A era TC1 não lhe correu da melhor forma, não tendo sido capaz de bater Jose Maria Lopez, mas
continuou a ser um dos melhores (em 11 épocas apenas terminou uma vez fora do top3). Em 2017 pendurou o
capacete no que parecia ser o início da sua reforma, mas o surgimento do WTCR “obrigou” Muller a regressar
às pistas, provando que ainda era capaz de vencer e de lutar pelo título como fez em 2018.

E/22
ESPECIAL

MOTOS

NACIONAL INTERNACIONAL

TESOCPOLH1A0O DA DÉCADA
Chegou o momento de escolher os dez melhores pilotos da década,
nacionais e internacionais. E quem irá votar é você, caro leitor…
No motociclismo, a década passada ficou
marcada por momentos muito altos dos e já atingiu o pináculo, o MotoGP, lutando agora por
homens das duas rodas em Portugal. Paulo se afirmar numa das mais competitivas séries mo-
Gonçalves e Rúben Faria dividiram o melhor torizadas do mundo. Lá fora, Marc Marquez marcou
resultado de sempre de um português no uma era, e ainda está longe de dar o ‘assunto’ como
terminado. Mas há muitos mais nomes que se des-

Dakar, mas infelizmente, aquele que foi um tacaram e quem vai escolher quem são os melhores

Paulo Araújo e Jorge Ró Jr. dos melhores, já não está entre nós, Paulo Gonçalves. é você, caro leitor.
A década ficou também marcada pela consistente No MotoSport escolhemos os dez, você, ordena-os.
[email protected]
FOTOS Arquivo AutoSport ascensão de Miguel Oliveira pela ‘escada’ das ca- E como vai fazer? Em paralelo com a publicação na
tegorias de promoção do Mundial de Motociclismo, edição impressa do jornal AutoSport, será igualmente

aVuOtToAÇsÃpO OoNrLtIN.pE t >> autosport.pt

A ESCOLHA É SUA! 23

publicada online, em www.motosport.com.pt., a lista e TOP 10
os textos que resumem os feitos dos últimos dez anos NACIONAL
dos pilotos escolhidos. Depois é só votar e o sistema
faz as contas. Não se esqueça que a sua escolha deve HÉLDER RODRIGUES
ser feita, não pelo que fizeram antes desta última dé- HUGO BASAÚLA
cada, não pelo que estão a fazer agora ou fizeram no IVO LOPES
último ano, mas sim pelo que alcançaram em termos LUÍS CORREIA
globais face aos seus nove concorrentes nestas duas MÁRIO PATRÃO
listas de pilotos nacionais e internacionais. Faça a sua MIGUEL OLIVEIRA
escolha em www.motosport.com.pt. PAULO GONÇALVES
RÚBEN FARIA
RUI GONÇALVES
RUI REIGOTO

TOP 10

INTERNACIONAL

ANTONIO CAIROLI
CYRIL DESPRES
GRAHAM JARVIS
JONATHAN REA
JORGE LORENZO
MARC COMA
MARC MARQUEZ
RYAN DUNGEY
RYAN VILLOPOTO
TONI BOU (TRIAL)

top 10 NACIONAL

>>NACIONAL HÉLDER RODRIGUES

Hélder Rodrigues deixou o seu nome bem gravado na história do motociclismo português na última década. O piloto
de Aruil tornou-se o primeiro luso a sagrar-se campeão do mundo numa disciplina de duas rodas motorizadas - foi
em 2011 que o “Estrelinha” venceu o campeonato mundial de Rallies Cross Country. De facto, a história dos pilotos
portugueses no Dakar prova foi reescrita por Rodrigues. Foi o primeiro luso a liderar a classificação geral, foi o

primeiro a terminar no pódio e é ele que tem o maior número de vitórias em etapas no Dakar em moto, com 8 triunfos.
Além disso, muito poucos pilotos se podem orgulhar de terminar todas as edições do Dakar em que participaram. 9º,
5º, 5º, 4º, 3º, 3º, 7º, 5º, 12º, 5º e 9º foram os resultados de HR entre 2006 e 2017, foram onze participações concluídas,

dez delas no Top 10! Piloto oficial da Yamaha e da Honda ao longo da sua carreira, Hélder é atualmente conselheiro
dos pilotos da marca da asa dourada, tendo ajudado a Honda a vencer o Dakar 2020.

>>NACIONAL HUGO BASAÚLA

Hugo Basaúla “construiu” grande parte do seu palmarés na última década e tornou-se o único piloto na história
da FMP a conquistar títulos em todas as seis classes seniores de MX e SX em Portugal: ao todo foram 16 títulos
conseguidos em sete anos. No Supercross, o “Basa” teve três anos consecutivos no topo das classes SX Elite e
SX1 mas, em 2016, perdeu a placa n.º 1 na derradeira ronda. O filho do ex-futebolista Basaúla Lemba, recuperaria as
duas coroas em 2017 e 2018, igualando assim os 5 títulos de Joaquim Rodrigues em SX Elite. No Motocross, o n.º 747
dominou entre 2015 e 2017, anos em que conquistou o ceptro na categoria MX Elite. HB representou também Portugal
por 8 vezes no MX das Nações. A partir de 2018, o “Basa” passou a dedicar-se em exclusivo ao Supercross, deixando
de disputar a totalidade dos campeonatos de MX. Com esta alteração na sua carreira, Basaúla conseguiu focar-se em

provas internacionais, dando nas vistas em eventos de Supercross um pouco por toda a Europa.

>>NACIONAL IVO LOPES

Ivo Lopes passou pelo mini motocross aos 5 anos, seguido das minimotos, e dos campeonatos espanhóis. Após sucesso nas Mini
GP70 e um 12º no Campeonato de Madrid, passou para as 85cc e logo foi vice-campeão nacional e 3º no Campeonato Mediterrânico.

O ano de 2009 trouxe-lhe novo vice-campeonato, ganhando cinco das seis corridas, tendo sido o ano da estreia nas 125 pré-GP,
com um quarto lugar final. No começo da década fez apenas uma corrida em Albacete, concluída em segundo, seguindo para a
Red Bull Rookies Cup em 2011, onde andou nos primeiros quatro, notavelmente com 2º e 4º em Silverstone e dois quartos em
Assen… Alguma dispersão e uma queda na segunda manga em Portugal baixaram-no para oitavo, com mais dois pódios em 2012.
A passagem para as Moto2 em Espanha trouxe dificuldades, mas também uma excelente vitória no Estoril com uma Supersport
de especificação inferior. Voltando aos Campeonatos Nacionais, ganhou em Supersport 600, antes de passar à “classe rainha” das

SBK, vencendo todas as corridas em 2018, e duas em 2019 apesar da troca da Yamaha para a BMW.

>>NACIONAL LUÍS CORREIA

Luís Correia trabalhou em duas frentes na última década e, em ambas, teve sucesso: se por um lado conquistou
vários títulos nacionais no Motocross, por outro disputou várias temporadas no Mundial de Enduro. Piloto com
origens no Motocross, LC somou cinco títulos de campeão nacional de Motocross entre 2010 e 2012. Mas em 2013
surgiu uma oportunidade imperdível: integrar a equipa oficial da Beta no campeonato do mundo de Enduro a tempo
inteiro. Nos quatro anos consecutivos em que competiu na classe E3, o piloto da Moçarria foi 4º, 6º, 5º e 7º numa clara
demonstração de todo o seu talento. No seu último ano com a Beta, Correia conseguiu ainda o título de campeão
nacional de Enduro Absoluto e Elite 2. De regresso ao Motocross em 2017 e 2018, LC juntou mais três títulos ao seu
palmarés, tornando-se o segundo piloto com mais coroas nesta disciplina em Portugal. Correia foi também um dos

melhores lusos na história dos ISDE, tendo terminado três vezes no Top 6 da classificação geral individual.

>>NACIONAL MÁRIO PATRÃO

Mário Patrão conquistou na última década o estatuto de piloto com mais títulos de campeão nacional na história
da FMP. O piloto de Seia chegou a 2010 já com 15 coroas no seu palmarés e a série de sucessos consecutivos não

parou. Entre 2010 e 2014, ninguém esteve à altura do então piloto da Suzuki no campeonato nacional de Todo-o-
Terreno. Campeão de TT Absoluto ininterruptamente entre 2008 e 2014, Patrão ganhou a alcunha de “Mr. Baja”, tal
foi o domínio exercido durante estes sete anos. Em 2018, o beirão alcançou o seu 25.º título e superou assim Paulo
Gonçalves na lista de pilotos com mais títulos em Portugal. Foi também na última década que Mário Patrão iniciou
a sua carreira nos Rally Raids. 30º e 36º nas suas duas primeiras participações no Dakar com a Suzuki, seria depois
de mudar para a KTM que alcançaria o seu melhor resultado de sempre, o 13º lugar em 2016. O talento de Patrão não

passou despercebido à equipa oficial da KTM no Dakar, estrutura na qual está inserido desde 2017.

top 10INTERNACIONAL

ANTONIO CAIROLI <<INTERNACIONAL

O piloto italiano, nascido em Patti na Sicilia a 23 de Setembro de 1985, iniciou a sua carreira de
motocross em 2002 pilotando uma Yamaha, máquina com que conquistou três títulos mundiais
na década anterior . Em 2009 foi pela primeira vez campeão do mundo na classe rainha de
450cc no seu ano de estreia. Transferindo-se para a KTM em 2010, inicia um período de ouro
aos comandos da moto austríaca que lhe trouxe cinco títulos consecutivos de 2010 a 2014.
O domínio de Cairoli no motocross mundial traduziu-se em 169 corridas ganhas e 85 grandes
prémios. Voltou a ser campeão do Mundo em 2017, o seu último título. No total da sua carreira
os nove títulos mundiais conquistados, torna-o no 2º piloto mais vezes campeão do Mundo,
apenas suplantado pelo belga Stefan Everts que conquistou 10 títulos.

CYRIL DESPRES <<INTERNACIONAL

O piloto francês de rali-raid ficou bem conhecido dos portugueses em 2012, depois de ter
deixado Paulo Gonçalves atolado, imediatamente depois de ter sido desatascado pelo piloto
português. Cyril Despres foi o grande dominador do Dakar, em alternância e grande concorrência
com Marc Coma. Venceu o Dakar por cinco vezes, três das quais na década 2010-2019, antes
de passar para os automóveis. Para além de muitas outras vitórias em provas do mundial de
Rally Raids, Despres foi por três vezes vencedor do Red Bull Romaniacs e duas vezes do Erzberg
Rodeo, as principais provas da cena mundial de extreme enduro. Cyril Despres abandonou a sua
carreira de piloto de motos e passou a conduzir automóveis no Dakar, onde obteve um terceiro
lugar em 2017.

GRAHAMJARVIS <<INTERNACIONAL

É o mago do extreme enduro e o mais vitorioso de sempre nesta difícil categoria do offroad, mas antes foi
um excelente piloto de trial, disciplina que lhe deu as competências que mais tarde se tornaram as suas
verdadeiras armas no extreme enduro. Nascido em Inglaterra em 21 de Abril de 1975, Graham Jarvis continua a
competir e a vencer ao mais alto nível, agora já com 45 anos, o que o tornou num fenómeno de longevidade. No
trial, Jarvis venceu a sua primeira prova com 10 anos e foi campeão inglês por cinco vezes, ganhou quatro vezes
o Scottish Six days e chegou a nº4 do mundo. No Extreme enduro, Jarvis venceu cinco vezes o Erzberg Rodeo,
seis vezes o Red Bull Romaniacs, cinco vezes o Hells Gate, três vezes o Roof of Africa e quatro vezes o Red
Bull Sea to Sky. Aos 45 anos Graham Jarvis continua a vencer e a ser uma inspiração na categoria de extreme
enduro que tem vindo a crescer de forma muito relevante ao longo desta última década.

JONATHAN REA <<INTERNACIONAL

Jonathan Rea é um caso único de sucesso: terceira geração de pilotos da Irlanda do Norte, pois já o avô e pai competiam,
distinguiu-se por conquistar cinco campeonatos de Superbike, feito só por si já inédito, mas ainda mais por os vencer
consecutivamente entre 2015 e 2019. Rea também detém o maior número de vitórias em Superbike, fazendo dele o piloto
mais bem-sucedido na história do campeonato. Anteriormente fora vice-campeão mundial de Supersport. Depois de uma
dupla vitória em Assen, em 2010, ainda pilotou pela Honda até 2014, vindo a juntar-se à Kawasaki como companheiro de
equipa de Tom Sykes em 2015. Talvez estranhamente para alguém que até então passara toda a carreira com a Honda, foi
aí que Rea encontrou verdadeiro sucesso. Dominou a temporada e conquistou o seu primeiro título de Superbike com 14
vitórias. Desde então manteve o título em 2016, 2017, 2018 e 2019. Em 2018 conquistou a sua 60ª vitória, superando Carl
Fogarty. A sua combinação de suavidade e condução isenta de erros deverá continuar a trazer-lhe sucessos.

JORGE LORENZO <<INTERNACIONAL

O ano passado, Jorge Lorenzo chocou o mundo ao anunciar que se ia retirar. A sua carreira foi recheada de sucessos e de marcas
únicas. Com 47 vitórias, Lorenzo é o segundo piloto espanhol com mais sucesso na classe rainha e, com cinco títulos mundiais (2 de
250cc e 3 de MotoGP), é o terceiro espanhol com mais vitórias em Grand Prix, atrás de Angel Nieto e Marc Márquez. Em 2010, Lorenzo
tornou-se no segundo piloto espanhol a conquistar o título mundial da classe rainha. Aos 20 anos e 345 dias foi o terceiro piloto mais
jovem a vencer em três classes de Grand Prix, atrás de Marc Márquez e Pedrosa. No GP do Japão do ano passado, alinhou no seu 200º
Grande Prémio na classe rainha, tornando-se o sétimo piloto a alcançar este marco e o segundo piloto espanhol e o mais jovem a fazer
200 largadas na categoria. É também o quarto piloto mais jovem a vencer na categoria intermédia, com apenas 18 anos, a caminho
de se tornar o segundo piloto mais jovem a conquistar o título das 250 aos 19 anos e 178 dias. Vice-campeão em três ocasiões (2009,
2011, 2013), terminou entre os três primeiros em oito, de 2009 a 2016, marcando indelevelmente a década passada do Mundial.

top 10 NACIONAL

>>NACIONAL MIGUEL OLIVEIRA

Nenhuma lista de desportistas portugueses estaria completa sem mencionar Miguel Oliveira, primeiro português a participar no Mundial
de Velocidade a tempo inteiro e o atleta nacional com mais visibilidade mediática. Com apenas 9 anos de idade, Miguel iniciou a sua

carreira nas Mini GP, com sucessos em Portugal e Espanha à medida que progredia através das várias categorias de iniciação, vencendo
sempre. A década passada viu-o chegar a vice-Campeão do país vizinho em 2010, vencendo cinco das sete provas do calendário, antes da
sua estreia no campeonato do mundo em 2011. Em 2012, conquistou dois pódios (Catalunha e Austrália) para um oitavo lugar no mundial
de Moto3, vindo a dar, em 2013, o primeiro pódio à Mahindra antes de ter sido recrutado pela KTM Red Bull Ajo para 2015. Com a Mahindra
conquistou seis vitórias, três 2ºs lugares e uma ‘pole’, garantindo o título de vice-campeão do mundo a apenas seis pontos do vencedor.
Em 2016, ascendeu à categoria de Moto2, e um ano depois era de novo vice-campeão mundial. Em 2019 tornou-se no primeiro português a

participar e pontuar na MotoGP, terminado a década com resultados excecionais que fazem antever um futuro ainda mais brilhante.

>>NACIONAL PAULO GONÇALVES

Paulo Gonçalves começou a sua carreira em 1991 mas foi na última década que chegou ao topo do mundo. Com 13
participações no Dakar, ‘Speedy’ atingiu o estatuto de lenda desta prova e foi o único piloto a competir de moto nos
três ”capítulos” que este Rally já teve: África, América do Sul e Arábia Saudita. O piloto de Esposende terminou quatro
vezes no Top 10 e registou como melhor resultado o 2.º lugar em 2015. Para a história fica também o título de campeão
mundial de Rallies Cross Country conquistado em 2013 face a Marc Coma. Com a determinação que sempre lhe foi
reconhecida, o minhoto bateu-se contra o espanhol até à última prova e derrotou-o por apenas quatro pontos. Mas a
carreira de Gonçalves não se resume só ao seu palmarés, isto porque h Humildade, altruísmo, “fair play” e espírito de
sacrifício foram características bem vincadas na sua maneira de ser enquanto desportista mas também enquanto ser

humano. Paulo Gonçalves faleceu após uma queda ao km 276 da sétima etapa do Dakar 2020.

>>NACIONAL RÚBEN FARIA

Rúben Faria fez história no Dakar na última década. Depois de ser uma das revelações da prova em 2006 e 2007, foi em
2010 que a carreira do piloto de Olhão iniciou uma nova fase. Contratado para ser o companheiro de equipa de Cyril Despres

na equipa oficial da KTM, o algarvio foi 11º, 8º e 12º nos três primeiros anos. Em 2013, Rúben Faria ganhou o estatuto de
“aguadeiro” mais rápido do planeta ao terminar o Dakar na 2ª posição a apenas 10m43s de Despres. Vários azares marcaram

os anos seguintes mas, ainda assim, o algarvio registou um ótimo 6.º posto em 2015. A sua derradeira participação nesta
prova seria em 2016 aos comandos de uma Husqvarna, mas que acabaria com a fratura de um pulso na sexta etapa.

A experiência de Rúben Faria foi reconhecida pela indústria e, depois de dirigir a equipa oficial da Husqvarna, foi convidado
para ser o diretor geral da equipa oficial da Honda. Em conjunto com Hélder Rodrigues, foi um dos arquitetos do triunfo da

marca da asa dourada no Dakar 2020.

>>NACIONAL RUI GONÇALVES

Rui Gonçalves é o melhor piloto português de Motocross de todos os tempos. Depois do título de vice-campeão mundial
de MX2 em 2009, o transmontano ascendeu à classe MXGP, na qual fez oito temporadas completas consecutivas. Em 2011
mudou-se da KTM para a equipa oficial da Honda e registou o seu melhor resultado de sempre na classe maior do Mundial

de Motocross: o 6º posto. Nas três temporadas seguintes, o n.º 999 rodou sempre próximo dos lugares do Top 10 e teve
uma consistência digna de nota. Em 2018, fez a sua despedida do MXGP em Águeda, colocando um ponto final numa carreira

de 16 anos a tempo inteiro no Mundial de Motocross, durante a qual participou em 225 Grandes Prémios dos quais venceu
quatro e subiu ao pódio em 11. Rui Gonçalves é também o segundo piloto da história do Motocross das Nações com mais

participações... Foram 17 anos a representar Portugal neste evento! No final de 2019, Rui Gonçalves anunciou a celebração de
um contrato com a Sherco para começar uma nova carreira nos Rally Raids.

>>NACIONAL RUI REIGOTO

Um exemplo de longevidade, o flaviense Rui Reigoto veio do Enduro para conquistar vários Campeonatos Nacionais de velocidade
nos anos noventa, tendo sido um dos portugueses com mais sucesso no G.P. de Macau que venceu em Supersport em 1998 e 2000.

Apesar de só um dos seus campeonatos ter sido ganho na década passada, o transmontano há muito radicado em Lisboa ganhou
notoriedade por regressar, aos 40 anos, para vencer de novo entre uma geração mais nova. Após o regresso em 2017, já em Yamaha,

Rui Reigoto conquistou seis vitórias e manteve-se invicto no Nacional de Superbike até à última prova do Campeonato no Estoril,
onde mesmo com uma violenta queda garantiu, mesmo dorido, o seu oitavo título nacional de velocidade. Problemas de saúde em
2018 não o impediram de alinhar de novo, vencendo a primeira prova do ano, mas com lesões e contratempos só conseguiu mais
um quarto lugar após o cancelamento da final no Estoril. Alinhando em 2019 num dos mais competitivos campeonatos dos últimos

anos, ainda assim o veterano acabou em 7º e averbou dois pódios e 3 quartos lugares na sua Yamaha.

top 10INTERNACIONAL

MARC COMA <<INTERNACIONAL

Nascido em Avia perto de Barcelona a 7 de Outubro de 1976, Marc Coma deixou a sua marca no mundo dos rally raids.
Iniciou a sua carreira profissional como piloto de enduro tendo sido campeão nacional de Espanha na categoria de
Juniores em 1995, o seu primeiro título. Foi relativamente bem sucedido no enduro, tendo feito parte da equipa espanhola
vencedora dos Six Days, sagrando-se campeão do mundo de menos 23 em 1998. 2002 marcou o seu inicio em rally raid
com a primeira participação no Dakar onde deu nas vistas e foi contratado para a equipa KTM Repsol. Foi Campeão do
Mundo FIM Cross-Country Rallies por seis vezes, três das quais na década 2010-2019, tornando-o no piloto com melhor
palmarés de sempre nesta categoria. Foi cinco vezes vencedor do Rally Dakar em 2006/09/11/14/15 e segundo classificado
por duas vezes. Depois de se retirar da carreira de piloto em 2015, Marc Coma foi diretor desportivo do Rally Dakar entre
2016 e 2018. Em 2020 Marc Coma somou mais uma experiência no Dakar como co-piloto de Fernando Alonso.

MARC MÁRQUEZ <<INTERNACIONAL

Marc Márquez já é dos pilotos mais galardoados de sempre e aos 27 anos continua a bater recordes. Tendo contabilizado 56
vitórias na categoria rainha em 2019, tornando-se apenas o quarto piloto a fazê-lo, o espanhol de Cervera ultrapassou a seguir
o recorde de 58 poles de Mick Doohan, pois já vai em 62. Já antes, no G.P. da República Checa, Márquez também empatara com
o grande Mike Hailwood com 76 vitórias em Grandes Prémios, e há agora apenas três pilotos à sua frente em termos de vitórias
absolutas no mundial: Angel Nieto (90), Valentino Rossi (115) e Giacomo Agostini (122). Em termos de pódios, o seu próximo
alvo é a lenda do MotoGP Giacomo Agostini. O italiano conquistou 95 pódios na categoria rainha e, até pela sua forma atual, o
campeão deverá ultrapassá-lo. Começando a década com vitória e o seu primeiro título nas 125 e seguindo-o com outro nas
Moto2 em 2012, os seus 6 Campeonatos de MotoGP foram todos conquistados na década passada, (em 2013, 14, 16,17 18 e 19)
o que o torna, sem dúvida, o piloto, senão o desportista, da década. Humilde e acessível aos fans, ainda vive em casa dos pais...

RYAN DUNGEY <<INTERNACIONAL

O piloto americano nasceu a 4 de Dezembro de 1989 e participou no campeonato americano AMA Supercross e Motocross,
entre 2006 e 2017. No AMA Supercross foi campeão por cinco vezes, uma vez 2º e três vezes 3º. Obteve 39 vitórias em
grandes prémios nesta categoria. No Motocross Outdoor, Dungey foi ainda mais dominador com 43 vitórias apesar de ter
vencido menos títulos - 4 em 2009, 2010, 2012 e 2015, e ainda três segundos lugares em 2011, 2013 e 2014. No total das
duas categorias obteve nove títulos e 82 vitórias, tornando-se num dos pilotos de maior sucesso na história do motocross
americano, mostrando uma polivalência e capacidade de adaptação em ambas as categorias apesar das diferenças
evidentes de condução que isso implica. Venceu ainda o Motocross das Nações por três vezes. Ryan Dungey retirou-se da
competição como piloto no final da época 2017, mas é hoje proprietário e Diretor da equipa Honda Geico oficial que disputa
os campeonatos americanos.

RYAN VILLOPOTO <<INTERNACIONAL

Nasceu a 13 de Agosto de 1988 e correu nos principais campeonatos americanos, entre
2005 e 2014. Foi o grande rival de Ryan Dungey com quem repartiu o domínio do Motocross e
supercross americano na década 2010-19. Treinado pelo "mago" Aldon Baker", Ryan Villopoto
conquistou quatro títulos em Supercross, garantindo ainda para o seu palmarés três títulos
em Motocross. Curiosamente Villopoto foi fiel à Kawasaki ao longo de toda a sua carreira,
tendo disputado todas as corridas e conquistado todos os seus sete títulos com a marca
japonesa. Os seus três títulos consecutivos no AMA Motocross em 250 (2006 /07/08) e
depois os quatro títulos consecutivos em 450 Supercross (2011 a 2014), gravaram para
sempre o seu nome na história do motocross.

TONYBOU <<INTERNACIONAL

Nascido em Piera, na Catalunha, a 17 de Outubro de 1986, Toni Bou é o mais titulado piloto de
sempre da história do trial mundial. Com 33 anos continua a participar e a vencer tudo, tanto no
mundial de trial outdoor como no mundial de Trial Indoor (X-Trail). A sua primeira vitória foi no
campeonato de trial catalão, de cadetes aos 12 anos, tenho ganho em 2001 o seu primeiro título
nacional em juniores. A sua primeira vitória numa prova do mundial foi conseguida em 2006, ano
em que terminou o campeonato do mundo de outdoor no 5º lugar e foi 3º no indoor. Em 2007
venceu os seus primeiros dois títulos mundiais e a partir daí nunca mais deixou de ser campeão do
mundo, título que revalida ano após ano. No final da época 2019 Toni Bou contabilizou o 13º título
mundial de outdoor, assim como o 13º título mundial de X-Trial. Uma lenda viva!

28 CPTT/
CAMPEONATO DE PORTUGAL DE TT - APRESENTAÇÃO

CAMPEONATO DE PORTUGAL DE TODO O TERRENO AM 48 cinco provas, pelos motivos já referi-
dos atrás, o CPTT recebe este ano as
MAISEMELHOR novas Baja TT Vindimas do Alentejo,
evento do CPKA, novo clube que já o
Arranca no próximo fim-de-semana a edição de 2020 de Portugal de Todo o Terreno AM|48. ano passado tentou colocar no terreno
do Campeonato de Portugal de Todo o Terreno AM 48. Foi lembrado e nunca será esquecido. uma prova relativa à Taça de Portugal
Se os anos anteriores já Têm sido bons em termos Numa competição que apresenta mui- de Todo-o-Terreno, mas que foi anu-
competitivos, com bons carros, pilotos e equipas, tas novidades, uma repetição que se lada devido à situação de alerta ver-
este ano ainda será melhor. Até por haver mais provas… saúda: Novamente, a AM48, empresa melho colocada de pé pela Autoridade
de Alejandro Martins patrocina o cam- Nacional de Emergência e Proteção
José Luis Abreu provavelmente, o melhor de toda a peonato, e a juntar a esta boa notícia Civil.
[email protected] Europa. Ainda por cima, este ano, mui- teremos também o regresso a tem- A segunda novidade surge por parte
FOTOS AIFA/Jorge Cunha; ZOOM tas novidades, quer seja em termos de po inteiro de Alejandro Martins, que do Automóvel Clube de Portugal, a Baja
MotorSport/António Silva novas provas, como também de pilo- depois de recuperado da sua lesão, TT ACP, que traz para o campeonato
tos, equipas e carros, acrescentando irá correr o CPTT 2020 a tempo intei- outra novidade: a areia!
A s apresentações dos últimos ainda mais ao já de si grande parque ro, aos comandos do Mini com que já A competição inicia-se já para a sema-
anos do CPTT podem estar a automóvel que temos no nosso país. correu em Portalegre. na com a Baja TT Vindimas Do Alentejo,
tornar-se repetitivas, mas a Ficou para trás um ano muito difícil Quanto ao plantel que se espera para continua no início de março com a Baja
verdade é que, mais uma vez, para o todo o terreno luso, com a perda este ano, pode ficar a conhecê-lo em TT ACP. No fim desse mesmo mês, o
está prestes a arrancar um campeo- de Paulo Gonçalves, que não foi esque- artigo à parte, mas as grandes novi- primeiro de dois eventos da Escuderia
nato que será, uma vez mais, muito cido na apresentação do Campeonato dades são mesmo as novas provas Castelo Branco, a Baja TT Do Pinhal.
do Campeonato de Portugal de Todo Segue-se a Baja de Loulé, no fim-de-
o Terreno AM|48. -semana da Páscoa, em maio o regres-
Depois do ano de 2019 ter ficado mar- so ao Alentejo para a Baja TT Capital
cado por uma competição apenas com Dos Vinhos de Portugal.
Depois, um longo período de quatro
meses sem provas, algo que se jus-
tifica com o risco de incêndio que é
muito elevado nesse período, e bem
mais susceptível de acontecer – ain-

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29

CALENDÁRIO CPTT 2020

7/9 FEVEREIRO
BAJA TT VINDIMAS DO ALENTEJO
6/8 MARÇO
BAJA TT ACP
27/29 MARÇO
BAJA TT DO PINHAL
9/11 ABRIL
BAJA DE LOULÉ
8/10 DE MAIO
BAJA TT CAPITAL DOS VINHOS DE PORTUGAL
11/13 DE SETEMBRO
BAJA TT IDANHA A NOVA
29/31 OUTUBRO
34ª BAJA PORTALEGRE 500

da já tenham infelizmente recente-
mente havido incêndios bem graves
em março e outubro, como foram os
casos do Pinhal de Leiria e outros na
zona Centro. Por fim o CPTT termi-
na com a Baja TT Idanha-a-Nova em
setembro e a 34ª Baja Portalegre 500
em Outubro.
Mais uma vez esta competição tem
todos os ingredientes para ser um
sucesso.

CPTT/

30

AS NOVIDADES
DAS PROVAS!

O Campeonato de Portugal de Todo o Terreno 2020 surge percorrido em zonas de areia. A nova prova denomina- Santos revelou que a Baja TT do Pinhal continuará a
este ano com duas excelentes novidades em termos de se Baja TT ACP-Santiago/Grândola, é a segunda do ser uma prova muito técnica e dura, diferente de tudo
provas, depois de épocas algo atribuladas, por exemplo com campeonato, e disputa-se entre 6 e 8 de março. Pontuável o resto, mas a ECB está a tentar melhorar o percurso,
a anulação por duas vezes da Baja TT Rota do Douro. para o Campeonato de Portugal de Todo Terreno, esta nova tentando tirar as zonas mais íngremes e difíceis que
As novidades são a Baja TT Vindimas do Alentejo, evento prova do Automóvel Club de Portugal tem lugar, como o tantos problemas causaram no passado. Quanto à Baja
do CPKA, novo clube que já o ano passado tentou colocar próprio nome indica, nos concelhos de Santiago do Cacém TT Idanha-a-Nova, manterá as boas características que a
no terreno uma prova relativa à Taça de Portugal de Todo- e Grândola, com passagem ainda por alguns caminhos têm celebrizado.
o-Terreno, mas que foi anulada devido à situação de alerta delineados no município de Sines. Pedro Figueiredo representou o Clube Automóvel do
vermelho colocada de pé pela Autoridade Nacional de A 1ª Edição da Baja ACP, que deverá contar com uma Algarve e explicou que a Baja de Loulé terá algumas
Emergência e Proteção Civil, com a prova a ser suspensa por extensão na casa dos 300 km e boa parte do percurso alterações significativas. O prólogo, que se realizará
razões de segurança, que se prenderam com o elevado risco desenhado em pisos de areia, inicia-se em Santiago do entre Loulé e Salir é uma completa novidade, e os
de incêndio rural. Cacém, com três Setores Seletivos no dia 7, incluindo setores seletivos terão partes comuns.
Este ano, a prova do CPKA abre a competição, com o o prólogo, na região de Grândola. Finalmente, no dia 8, Por fim, o regresso ao Alentejo com a Baja TT Capital Dos
Presidente do clube, Humberto Vairinhos a explicar cumprem-se os restantes dois Sectores Seletivos, e a Vinhos de Portugal, com Carlos Medinas da Sociedade
pormenores sobre a sua prova: “Esta é uma data de cerimónia de Pódio e entrega de Prémios em Santiago do Artística Reguenguense a explicar que metade da sua
emergência, tivemos que ter respeito pelos pilotos da FMP, Cacém. prova será completamente nova com a entrada de Portel
Motos, Quads, SSV, que começam o seu campeonato em As Motos, Quads e SSV também correm, como prova extra na equação. Os dois setores seletivos serão iguais, mas
fevereiro e nós tínhamos que colocar a nossa prova antes. campeonato. com metade totalmente nova, sendo a segunda parte
No futuro pretendemos ficar nesta altura, vamos ver com Quanto a Portalegre, Orlando Romana explicou que a Baja da prova nas habituais pistas de Reguengos, ainda que
a federação e com os outros clubes. Quanto ao percurso, 500 contará este ano também para a Taça FIM de TT cada vez mais as zonas de Vinha/Olival e agora também
o traçado que tínhamos previsto para setembro passado, (Motos), o que já acontece nos Autos, tornando a prova Amendoal, sejam maiores. Como se percebe, muitas
não foi aprovado para este ano, devido às cada vez mais ainda mais relevante a nível internacional. novidades nos ‘caminhos’ do CPTT, sendo a areia muito
situações a nível de ambiente. Cada vez é mais difícil fazer Representando a Escuderia Castelo Branco, Nuno Almeida bem-vinda.
provas de TT. Muita gente não se apercebe disso.
Conseguimos um bom cocktail de zonas sinuosas, técnicas,
e grandes retas, se estiver seco será certamente a prova
mais rápida do campeonato, se chover podemos ter
muita lama. Temos todos os ingredientes para fazer uma
excelente prova. Vamos tentar atingir um bom patamar
organizativo.
A segunda novidade surge por parte do Automóvel Clube de
Portugal, a Baja TT ACP, que traz para o campeonato outra
novidade: a areia!
Orlando Romana explicou que 50% do traçado será

NOVOS PILOTOS E CARROS

As novidades são boas em termos de mas há muitos mais que serão conhecidos a
provas, mas não o são menos em termos breve trecho.
de carros e pilotos. Apesar de haver ainda Alexandre Ré, um dos protagonistas do
alguma indefinição, sabe-se, por exemplo campeonato do ano passado, vai marcar
que Miguel Barbosa regressa ao TT, presença em Beja, mas com um SSV,
disciplina a que se vai dedicar em exclusivo, estando por isso ainda em dúvida a sua
embora já se saiba que não vai à primeira participação no CPTT 2020.
prova (ler em separado). Tiago Reis regressa Mas há bastantes mais nomes importantes
com a mesma receita que lhe permitiu o do panorama do TT nacional. Alexandre
título nacional em 2019, João Ramos vai Franco está de regresso com o BMW Evo
voltar a tentar ser novamente Campeão X1, Miguel Casaca corre com o Mitsubishi
com a ‘Dama negra’, a sua Toyota Hilux, Nuno Racing Lancer, André Amaral, com uma Ford
Matos está confirmado com o FIAT Fullback Ranger, Paulo Rui Ferreira, deverá surgir
Proto, Edgar Condenso está de volta com em uma ou outra prova com a sua Toyota
uma nova máquina, a Ford Ranger que era Hilux, Nuno Madeira também se mantém
de Pedro Dias da Silva, e este último troca na competição com o KIA Sportage TT, o
a Ford pela Volkswagen Amarok que era mesmo sucedendo com César Sequeira,
de Pedro Ferreira, mas também não vai à que corre com o Mini Cooper Proto. Manuel
primeira prova. Alejandro Martins regressa Correia regressa com o Mitsubishi, e, entre
com José Marques, aos comandos do Mini alguns outros, também estarão em Beja Rui
John Cooper Works Rally com que o piloto Marques e Nuno Tordo.
realizou a Baja de Portalegre 2019. São É, como se percebe, um plantel interessante,
estes alguns dos nomes para já avançados, numa competição cada vez mais rica.

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ALEJANDRO MARTINS “FPAK DEVE APOSTAR MAIS NESTA MODALIDADE”

Alejandro Martins está de regresso ao CPTT a tempo inteiro, nós bons em muitas coisas, temos também de o ser na mais
depois de já ter corrido na última Baja de Portalegre. Tendo fulcral de todas, a segurança.
ele próprio sofrido um acidente no Rali de Marrocos de De resto, Alejandro Martins regressa ao CPTT duplamente,
2018, que o levou a um longo período de recuperação, por um lado enquanto piloto inscrito no campeonato, por
recordou a importância que a segurança tem nas provas outro novamente como patrocinador: “Estou muito feliz
de desporto motorizado, deixando um alerta para as ações pelo facto deste campeonato ter mais corridas, é pena
que podem por em risco a vida dos concorrentes: “Hoje em não contarem seis. Temos bons pilotos, bons carros, a
dia se tivermos um acidente num percurso, numa corrida, competição promete e estou muito feliz por isso.
acho que provavelmente demoraríamos horas dentro de um A nível de países, seguramente que este é o melhor
carro até poder sair de lá. Há situações no meio da serra, campeonato, não tenho dúvidas nenhumas disso, e portanto,
está a chover, não vai lá nenhum meio terrestre. Acho que como já chamei à atenção, acho que a federação deve olhar
tem de haver mais segurança, pensar um bocadinho nisto, para isto com outros olhos, apostar mais nesta modalidade
nos pilotos e navegadores. Temos o Campeonato mais em todos os sentidos. Quanto aos objetivos, passam por
competitivo da Europa, senão o maior do Mundo” começou lutar pelos lugares da frente. Estou convicto que tenho essa
por dizer Alejandro Martins, que levanta uma questão que capacidade e, prova a prova, verei se tenho condições para
faz todo o sentido ser vista ainda com mais atenção. Sendo ficar nos primeiros lugares”, disse.

NI AMORIM PRESIDENTE DAFPAK
“PARQUE AUTOMÓVEL FORA DE SÉRIE”

MIGUEL BARBOSA CRÍTICO Presente na apresentação do CPTT esteve período homólogo do ano anterior. Contas que
DA DATA DE ARRANQUE DO CPTT também Ni Amorim, Presidente da FPAK, não tiveram o crédito das provas de todo-o-
que se congratulou com o aparecimento de terreno, face ao reduzido número de provas,
Miguel Barbosa, sete vezes campeão nacional de todo-o-terreno, anunciou novas provas, bem como com o retorno do cenário esse que está prestes a mudar. “Acho
ontem o seu regresso à modalidade após quatro épocas no CPR. desporto motorizado em 2019: “Este ano temos que o nosso país merece, nós temos um parque
Já o vimos na Baja Portalegre 500 em 2019, com aquela que será a sua condições, a todos os níveis, para termos um dos automóvel absolutamente fora de série na área
nova ‘montada’ para 2020, uma Toyota Hilux da equipa Overdrive, mas melhores campeonatos dos últimos anos. Cinco de todo-o-terreno e depende muito de nós um
ironicamente o piloto não vai marcar presença na primeira prova da provas para um campeonato como o CPTT era bom Campeonato em 2020”.
competição porque esta se disputa-se muito cedo na temporada, e a manifestamente pouco (ndr, o ano passado, mais
Overdrive, que esteve, como bem se sabe, muito representada no Dakar, com uma vez, a Baja TT Rota do Douro foi anulada por
várias Hilux, não tem carro disponível a tempo da primeira prova do CPTT: “A decisão do organizador), sete parece-nos muito
data é completamente infeliz, não podemos ter uma prova nesta data por mais ajustado, mais a Taça Ibérica, das quais já
vários motivos, a começar pelo facto do evento mais importante do mundo definimos as nossas datas, só falta a federação
do TT, que é o Dakar, e lá temos pilotos, mecânicos, carros, logística, equipas, espanhola. Temos um parque automóvel no CPTT
que estão presentes no nosso campeonato nacional, portanto não é possível absolutamente fora de série, portanto, está tudo
tê-las cá ao mesmo tempo e por isso temos que ver isto como um todo. preparado para mais um grande ano”, começou
Por outro lado é muito cedo e os pilotos, mais ou menos profissionais, por dizer Ni Amorim, que relembrou também os
precisam do início do ano para reunir apoios, reunir com empresas, e números do relatório de Impacto Mediático do
finalizar os seus projetos, seja desportivamente, seja em termos técnicos Automobilismo e Karting elaborado pela Cision
ou em termos financeiros, e depois isso também deixa um grande vazio no final de 2019, que redundou num retorno
no campeonato de quatro meses”, disse Miguel Barbosa que, quanto total acumulado superior a 60 milhões de euros,
ao seu novo projeto, acrescentou: “Estou muito satisfeito por regressar valor que representa um aumento de 50%, face
ao todo-o-terreno integrado num projeto ambicioso, muito profissional aos cerca de 40 milhões contabilizados em
e extremamente motivador. Depois de Portalegre, onde gostei imenso
de pilotar a Hilux e onde confirmamos todo o seu potencial, surgiu a MOVIELIKE NOVAMENTE PROMOTOR
oportunidade de fazermos esta temporada com uma Toyota da equipa
Overdrive o que permite ambicionar lutar por vitórias e pelo campeonato.” A Movielike é pelo segundo ano consecutivo que já estão estabelecidos com alguns canais
“Agradeço aos meus patrocinadores e ao Jean-Marc Fortin todo o empenho Promotora do CPTT, com Pedro Falé a destacar de TV, estamos a desenvolver um projeto no
em tornar este desafio uma realidade e estou muito satisfeito por poder a aprendizagem que a nova empresa teve em Cabo, a fim de criar um bloco alargado de quatro
anunciar a minha participação na temporada de 2020 nestes moldes”, 2019, primeiro ano nessa nova função: “Temos a seis horas diárias que seja direcionado aos
refere Miguel Barbosa, que confirmou que este ano não irá fazer provas do ainda um longo caminho de aprendizagem a desportos motorizados (ndr, em geral e não
Campeonato de Portugal de Ralis. percorrer, mas em 2020, para além dos acordos específico do todo o terreno) num projeto
que pretendemos fazer arrancar ainda neste
primeiro trimestre”, disse Pedro Falé, CEO da
Movielight, que acrescentou continuar a tentar
junto dos canais de TV mais espaço para o
desporto automóvel. “Acreditamos que os live
streaming dos prólogos do TT, à imagem do que
já tem sido feito nos ralis, é sem dúvida uma
mais valia, que gera mais visibilidade e com
isso mais retorno para todos os envolvidos no
campeonato”, concluiu.

F1/32
FÓRMULA 1

RACINGPOINT
SERÁASTON MARTIN EM2021

O bilionário Lawrence Stroll 45,6 milhões de ações ordinárias da em- entregue – passando a Racing Point F1 a com a Aston Martin, via o fornecimento
comprou parte substancial presa (16,7%) do capital da Aston Martin, chamar-se Aston Martin F1. de mecânicas AMG para os modelos da
avaliados em qualquer coisa como 238 Aliás, o documento entregue na Bolsa de casa de Gaydon, e porque não custa nada
da Aston Martin e nem milhões de euros. O total da participa- Londresdiz,claramente,“a Aston Martin pensar que Lawrence Stroll possa dar o
pestanejou: em 2021 o nome ção da “Yew Tree Overseas Limited”, o Lagonda rubricou um acordo legal sob o nome Aston Martin aos propulsores da
consórcio liderado por Lawrence Stroll qual a equipa Racing Point F1 passará a casa de Estugarda.
da casa de Gaydon será o (que inclui o presidente da JCB, Anthony chamar-se Aston Martin F1 com efeito
nome da sua Racing Point Banford, o ex-patrão da Power Corp Ca- a partir de 2021. Este é um contrato com ASTON MARTIN F1
que abandona o longo nome nada, Andrew Desmarais e o milionário uma duração inicial de 10 anos, passando
de 2020 por um mais singelo da moda de Hong Kong, Star Chou) pode a Aston Martin Lagonda a ter uma parti- Com este negócio leonino do bilionário
Aston Martin F1. Vamos contar- chegar a 20%, depois do negócio fechado. cipação económica na equipa.” canadiano, a Racing Point será, a partir
lhe como tudo aconteceu e Segundo algumas fontes próximas do O acordo de patrocínio da Aston Martin de 2021, a equipa oficial do construtor
lembrar que a Aston Martin já negócio, Lawrence Stroll avançou como avança assim em 2021 e terá um período britânico. Ou seja, além dos logótipos da
sempre faz nos seus negócios: colocou inicial de quatro anos prorrogável median- casa de Gaydon, o carro deverá receber o
esteve na Fórmula 1. o dinheiro onde tem a boca e arrema- te determinadas condições já acordadas. tradicional verde, mas a “Pantera Cor de
tou esta fatia do capital que o coloca no Quanto à Racing Point, tudo ficará na mes- Rosa” ainda não disse a sua última pala-
José Manuel Costa conselho de administração com cargo ma, ou seja, Sergio Perez tem um contrato vra na Fórmula 1, pois a BWT, a empresa
[email protected] executivo. E quando se falou de Fórmula de longa duração com Lawrence Stroll e austríaca de águas minerais, continua
1 nem pestanejou: encetou conversas o filho do bilionário, Lance, naturalmente com alguns milhões para gastar (foram
Obilionário pai de Lance Stroll com a Red Bull para acabar com o con- vai continuar, acreditamos, até ao final quase 40 milhões pagos em 2019 à Racing
tem uma tendência para fazer trato de parceria com a equipa de Milton da sua carreira. O bilionário canadiano Point) e Stroll pode querer ficar com esse
as coisas em grande e, depois Keynes – a casa de bebidas austríacas tem um acordo de longa duração com a dinheiro.
dos rumores que o apontaram já anunciou, oficialmente, que no final Mercedes para o fornecimento de motores Muitas questões estão a ser levantadas
como o comprador de parte do de 2020 acaba o acordo de patrocínio, e acredita-se que os laços entre as duas sobre a presença no Mundial de Endurance
capital da Aston Martin, che- mas as duas empresas vão ficar unidas equipas se vão reforçar. Primeiro, por- (WEC), mas pelas informações recolhidas
ga-se á frente, começa por injetar 379 até que o último hipercarro Valkyrie seja que a Daimler tem uma ligação técnica junto de algumas fontes o desenvolvi-
milhões de euros na empresa para me- mento do Valkyrie sob as novas regras
lhorar o “cash flow” e compromete-se a
pagar 4,764 euros por ação num total de

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33

“hypercar” para o WEC continua e o pro- e 1960, a casa britânica esteve ativa. É O QUE DISSERAM...
jeto para esta competição não conhecerá verdade que só fez cinco provas com os
recuos sendo articulado com a Red Bull modelos DB4 (1959 e 1960) e DB5 (1960), >> LAWRENCE STROLL
Advanced Technologies, empresa subsi- mas nunca pontuando no Mundial de
diária da Red Bull F1 Team. Construtores. Conseguiu como melhor “Para além dos 600 milhões de euros de investimento, estou ansioso de trabalhar
resultado nos treinos um segundo lugar com a administração e a gestão da Aston Martin Lagonda para rever tudo e melhorar
O REGRESSO DA ASTON MARTIN À F1 (GP da Grã Bretanha de 1959 com Roy alguns aspetos da operação da empresa e do marketing. Queremos continuar a
Salvadori no circuito de Aitree com o investir no desenvolvimento de novos modelos e tecnologias, para recuperar o
A marca de Gaydon já esteve na Fórmula 1 DBR4) e, em corrida, Roy Salvadori foi
quando Lionel Martin decidiu investir nos duas vezes sexto classificado, no GP de equilíbrio da produção priorizando a
monolugares depois de muito sucesso Portugal de 1959 (Monsanto) com o DB4 procura ao fornecimento. Eu e os meus
nos carros de Sport. Recordamos que e no GP da Grã Bretanha do mesmo ano parceiros acreditamos plenamente
tudo começou em 1913, há mais de uma e com o mesmo DB4. A Aston Martin dis- que a Aston Martin é uma das grandes
centena de anos, quando dois londrinos putou seis provas em quatro países: em marcas de luxo globais. Acredito que
decidiram construir o seu próprio carro. Inglaterra em 1959 com Roy Salvadori (6º) esta combinação de capital e da minha
Robert Bramford e Lionel Martin pegaram e Carroll Shelby (abandono com mag- experiência tanto na industria automóvel
num velho Isotta Fraschini e fizeram o neto partido) e 1960 com Roy Salvadori como em construir marcas globais de
primeiro Aston Martin numa garagem (abandono, direção) e Maurice Trintignant sucesso, será essencial para cumprirmos
de Kensigton. (11º); em Itália em 1959 com Roy Salvadori o potencial da Aston Martin.”
Com o apoio de um milionário britânico, (abandono com motor partido) e Carroll
o conde Louis Zborowski, a Aston Martin Shelby (10º); na Holanda em 1959 com Roy >> ANDYPALMER CEODAASTONMARTIN
desembarcou nas corridas em 1921. Uma Salvadori (abandono, sobreaquecimento)
árvore em Monza matou o conde Zboro- e Carroll Shelby (abandono, motor) e em “O senhor Stroll oferece uma forte
wski, mas a marca continuou a participar 1960 com Roy Salvadori, que não chegou e comprovada experiência quer no
na competição, tendo sido David Brown a participar devido a um desaguisado setor automóvel quer nas marcas
o homem que, depois da segunda guerra em termos de dinheiro; finalmente, em de luxo, o que, acredito, será de
mundial, “meteu a mão na massa” e deu à Portugal, em 1959, Carrol Shelby terminou muita importância para a Aston
Aston Martin a dimensão competitiva que em 8º e Roy Salvadori foi 6º. Contas feitas, Martin Lagonda. Claro que também
forjou a sua história nos carros de Sport. a Aston Martin fez 518 voltas e cumpriu anunciámos planos para o nosso
Foi o britânico quem decidiu levar a As- 2646 quilómetros em corrida. envolvimento na competição em
ton Martin para a Fórmula 1 e, em 1959 colaboração com a Racing Point.
Quero aqui agradecer à Red Bull, que
continuaremos a patrocinar este ano,
pela sua parceria e pelo apoio que
nos deu de uma forma que me permite
agradecer-lhes hoje.”

>> REDBULL

“Após o anúncio da Aston Martin Lagonda, podemos confirmar que o construtor britânico
irá continuar a ser parceiro da equipa da Red Bull Racing até ao final da temporada de
2020. Porém, o contrato não será renovado no final deste ano. A Red Bull Racing aceitou
libertar a Aston Martin da sua cláusula de exclusividade na Fórmula 1, que por sua vez
permitiu gerar o investimento necessário para refinanciar e encontrar alternativas dentro

da competição. Agradecemos à Aston
Martin o seu apoio nos últimos quatro
anos, onde alcançámos 12 vitórias, 50
pódios e seis “pole position” juntos.
Desejamos aos funcionários e acionistas
da Aston Martin Lagonda o melhor para
o futuro e o nosso foco permanece em
trabalharmos juntos esta temporada de
2020 e fechar a nossa parceria em alta.”

v/34
VELOCIDADE - 12 HORAS BATHURST
FINALME12HNBATTHUREST
BENTLEY!
Mount Panorama foi palco de mais uma espetacular corrida
de resistência. A primeira jornada do Intercontinental GT
Challenge, em Bathurst, foi repleta de emoção, drama e
surpresas (como habitualmente) e, no final, a Bentley conseguiu
quebrar o enguiço e vencer. Álvaro Parente, no McLaren 720 S
GT3, subiu ao pódio depois de mais uma excelente prestação

Fábio Mendes posições nos primeiros treinos, chegan- tinham ainda experimentado durante ligeira vantagem sobre o Mercedes #77
[email protected] do a sexto na última sessão. Os inciden- o fim de semana. Apesar do calor que e o McLaren #60 que fechava o top 3.
FOTOS Oficiais tes em pista foram frequentes, com vários já se fazia sentir àquela hora, foram as O Porsche #911 já estava algo distan-
carros a sentirem de forma intensa a exi- temperaturas mais frescas que os pi- te com um furo e uma penalização a
Foram39máquinasempista,dividi- gência do traçado australiano. Na sessão lotos encontraram, mudando o com- atrapalhar as contas da equipa. A prova
das por cinco categorias (Pro: GT3 de qualificação, que atribuía as dez vagas portamento das máquinas. O Porsche
Profissional; PAM: GT3 Pro-Am; para o Shootout que decidia a pole posi- #911 perdeu a liderança logo na primei-
SIL:GT3Silver;GT4; Invitational)e tion, Matt Campbell no Porsche 911 GT3 R ra curva, graças a uma excelente ma-
11 as marcas representadas, numa #911 (M.Jaminet/P.Pilet/ M.Campbell ) foi nobra do Mercedes #999 (F.Fraga/M.
das provas mais relevantes do pa- o mais rápido, com o tempo de 2:03.4336, Buhk/ R.Marciello) de Maxi Buhk, com
norama internacional do endurance. É seguido do Mercedes AMG GT3 #77 Barnicoat a seguir o exemplo do ale-
uma prova relativamente nova (início em (M.Engel/L.Stolz/ Y.Buurman) de Maro mão, passando o Porsche e instalan-
2007 neste formato), mas que vai interes- Engel e do #60 com Parente ao volante, do-se na segunda posição. No final da
sando cada vez mais as marcas envolvi- que fechou o top3. No Shootout decisivo, primeira hora era o homem da McLaren
das na categoria GT3. foi novamente o #911 a ficar com o melhor a liderar a corrida.
Esteano, a representaçãoportuguesafi- registo (2:03.555) com Campbell a repetir As primeiras três horas foram repletas
cou a cargo de Álvaro Parente, vencedor o feito da Q2, conquistando a pole. O piloto de incidentes, com o Audi #22 a ficar
da edição 2016 da prova, na altura aos co- do Porsche levou a melhor sobre Parente fora de combate depois de uma vio-
mandos de um McLaren 650S GT3. Este que ficou com o segundo tempo (+0.224). lenta saída de pista no topo do Mount
ano regressou para representar as cores Raffaele Marciello (Mercedes #999) e João Panorama, isto depois do Aston Martin
da marca britânica, mas agora ao volan- Paulo de Oliveira (Nissan #18) ficaram em #188 ter também batido forte já na des-
te da nova máquina, o 720S GT3, com terceiro e quarto, respetivamente, en- cida, mais ou menos na mesma zona
Tom Blomqvist e Ben Barnicoat como quanto Laurens Vanthoor no Porsche #1 onde o Lamborghini #6 também bateu
colegas de equipa. Parente juntava-se foi quinto. No final do dia de sábado a gre- e ficou fora de prova. Estes incidentes
assim a uma lista de luxo com grandes lha estava reduzida a 34 carros. Os vários obrigaram a várias saídas do Safety Car
nomes do automobilismo australiano e incidentes foram deixando de fora cinco e as estratégias variaram muito, com o
internacional. máquinas (Ferrari #27, Nissan #35, Aston limite de tempo dos pilotos ao volante
Martin #62, Lamborghini #29, Mercedes a ser fator fundamental nas escolhas
MERCEDES MOSTROU-SE NOS #777). Também o Bentley #8 sofreu da- (cada piloto podia fazer turnos de 2h
nos severos, mas foi reparado a tempo e meia no máximo, com uma hora de
TREINOS, PORSCHE NA QUALIFICAÇÃO da corrida. pausa obrigatória, e no total o tempo
de condução não podia exceder as 4h
Nos treinos livres os Mercedes AMG GT3 ARRANQUE FORTE PARA O #60 e 40 min. para equipas de três pilotos).
começaram a destacar-se, sendo os mais A meio da prova o Bentley #7
rápidos em três das cinco sessões de pre- O arranque foi feito, como habitual, nas (J.Gounon/M.Soulet/ J.Pepper) tinha-
paração. Para o #60 de Álvaro Parente, primeiras horas da manhã, com pou- -se instalado na frente da prova, com
foi um começo muito discreto, com o ca luz, em condições que os pilotos não
McLaren a surgir longe das primeiras

QUEBRADO O ENGUIÇO >> autosport.pt

A história da Bentley em 35
Bathurst finalmente teve
um final feliz. Em 2015 PÓDIOSUADO
chegaram pela primeira PARAÁLVARO
vez ao Mount Panorama e PARENTE
por pouco não venceram.
Foram terceiros em 2016 e Na corrida, o trio do carro #60 esteve
2017. Em 2018 mostraram sempre envolvido na luta pela vitória,
um excelente andamento, tendo passado por diversas vezes
mas não terminaram a pelo comando da classificação. No
prova e em 2019 foram entanto, duas penalizações acabaram
sextos. Ficou sempre no ar a impressão que os Bentley tinham o que era por atrasar Álvaro Parente e os seus
preciso para vencer em Bathurst, mas a sorte não lhes sorria. Em 2020, colegas de equipa, conseguindo ainda
a Bentley e a M-Sport conseguiram finalmente vencer, naquela que foi a assim, um excelente segundo lugar, a
primeira vitória no IGTC, depois do #7 ter largado da 11º posição. pouco mais de quarenta segundos da
equipa vencedora.
C/ C L A S S I F I C A Ç Ã O Álvaro Parente falou sobre os
desafios desta jornada:
1 #7 J.GOUNON/M.SOULET/ J.PEPPER BENTLEY CONTINENTAL (PRO) 314 VOLTAS “No início do fim-de-semana tivemos
+41.524 alguns problemas que nos podiam ter
2 #60 A.PARENTE/B.BARNICOAT/ T.BLOMQVIST MCLAREN 720S GT3 (PRO) criado dificuldades para os restantes
+44.460S dias, mas conseguimos ultrapassá-
3 #888 S.VAN GISBERGEN/ J.WHINCUP/M.GOETZ MERCEDES AMG GT3 (PRO) +45.880S los e rapidamente nos mostrámos
+1M03.039S competitivos. Sabíamos que a corrida
4 #911 M.JAMINET/P.PILET/ M.CAMPBELL PORSCHE GT3 (PRO) +1M10.524S seria dura, como pudemos constatar,
+1M36.097S mas estivemos sempre na luta pelos
5 #77 M.ENGEL/L.STOLZ/ Y.BUURMAN MERCEDES AMG GT3 (PRO) +1 VOLTA lugares cimeiros. A vitória esteve
+1 VOLTA muito próxima, mas numa prova tão
6 #999 F.FRAGA/M.BUHK/ R.MARCIELLO MERCEDES AMG GT3 (PRO) +1 VOLTA longa tudo conta para a classificação
final, e este segundo lugar é um
7 #912 D.WERNER/M.CAIROLI/ T.PREINING PORSCHE GT3 R (PRO) excelente resultado”, afirmou Álvaro
Parente.
8 #59 D.STOREY/F.ROSS/ M.KODRIC MCLAREN 720S GT3 (SILVER) O piloto do Porto faz um balanço
muito positivo da sua terceira
9 #1 E.BAMBER/L.VANTHOOR/ C.LOWNDES PORSCHE GT3 R (PRO) passagem pelo circuito do Mount
Panorama, aludindo ao facto de
10 #4 S.GROVE/B.GROVE/ B.BARKER PORSCHE GT3 R (PAM) reencontrar caras conhecidas.
“Foi um fim-de-semana fantástico!
estava a ser um pesadelo para a Audi quanto o McLaren #60 começava a ter vá- a 25 minutos do fim e o #999 a furar a dez Lutei pela pole-position, estivemos
que, depois de ver o #22 bater forte, rios problemas técnicos que o atrasavam. minutos da bandeira de xadrez. Quem lu- em contenção pela vitória e
viu o #2 ter problemas com um sen- Enquanto isso, o BMW M6 GT3 da crou foi o #60 que subiu para segundo, conquistámos um excelente segundo
sor e o #222 a ter também problemas Walkenhorst Motorsport # 34 foi retira- embora por pouco tempo pois o #999 de- lugar. Foi bom ter voltado a trabalhar
com a roda traseira direita. O décimo do após danos sofridos num incidente com pressa recuperou a posição. O McLaren com a McLaren e com o Ben, que
aniversário da Audi em Bathurst não um canguru nas etapas iniciais da corrida. estava com pneus usados e sem possibi- foi meu companheiro de luta nos
teve a festa desejada. A Bentley parecia ter via aberta para a lidade de lutar de forma séria pela posição. Estados Unidos há alguns anos. Foi
primeira vitória em Bathurst, mas um O Bentley #7 conseguiu assim segurar também positivo conhecer o Tom e
APESAR DO SUSTO, furo nos momentos finais da prova ainda a liderança até ao final e vencer a prova, a 59Racing. Agora é olhar em frente
assustou a equipa. Por sorte, o furo suce- com o #999 em segundo e o #60 na ter- para a restante temporada”, afirmou
O BENTLEY #7 VENCEU deu perto da entrada das boxes, na reta ceira posição. Só que uma penalização Álvaro Parente.
A três horas do fim, era ainda o #7 que se- deConrad,com oBentley a trocaropneu aplicada já depois da corrida despromoveu
guia na liderança, enquanto o Bentley #8 e regressar à pista à frente dos Mercedes o #999 para sexto levando a que Álvaro
ficava fora de prova com um furo a impedir #77 e #999 que, entretanto, tinha subido Parente subisse para segundo, à frente
o regresso às boxes da máquina britâni- na classificação. do Mercedes #888 que fechou o pódio.
ca da M-Sport. Os Mercedes #77 e #888 Em definitivo, porém, a sorte não estava Apesar dos problemas o #911 terminou
( S.van Gisbergen/ J.Whincup/M.Goetz) do lado dos Mercedes, com o #77 a furar em quarto e o #77 fechou o top 5.
estavam no encalço do carro verde, en-

N/36 Corajosamente, Pedro Almeida
NOTÍCIAS vai deixar os R5 e correr
de Peugeot 208 Rally4 em
PEDRO ALMEIDA Portugal e no estrangeiro, le-
COM HUGO vando a seu lado Hugo Magalhães.
O objetivo é aprender ao bater-se
MAGALHÃES com os melhores, de modo a evoluir
EM 2020 e poder, mais tarde, alemejar a outros
voos: “Em primeiro lugar quero dar
Pedro Almeida já tem definido o projeto desportivo de 2020, as boas-vindas ao Hugo, que desde
e vem aí novo carro, um Peugeot 208 Rally4, um novo co- a primeira hora se mostrou entu-
piloto, Hugo Magalhães, e um calendário alargado que vai siasmado com o projeto que apre-
além das provas realizadas em Portugal sentamos e por acreditar num jovem
José Luís Abreu piloto de 22 anos. É uma mudança
[email protected] radical pois vamos deixar o Skoda
R5 e guiar um Peugeot 208 Rally4,
LEIA E ACOMPANHE TODAS numa decisão muito ponderada e que,
AS NOTÍCIAS EM AUTOSPORT.PT estamos em crer, é mais um passo
firme na consolidação da aprendi-
zagem que queremos construir. A
escolha do Hugo tem muito a ver com
o que queremos fazer, não só neste
ano mas no que projetamos para o
futuro. Esta época vamos apostar
na realização de um conjunto de ra-
lis fora de Portugal, na Copa Ibérica
Peugeot 208 mas também no ERC, e
o Hugo, pela experiência e por tudo
o que nos pode trazer, acabou por
ser a escolha natural para as nossas
ambições”, disse.
Pedro Almeida e Hugo Magalhães
vão estar em Fafe na primei-
ra prova do calendário nacional
com o novo carro, e as provas em
Portugal – CPR2 e CPR Junior -
são parte integrante do calendário
de 16 corridas que o piloto tem
programadas. “Queremos somar
quilómetros, testar limites e no-
vas experiências, que no futuro
nos vão dar consistência, por isso
esta nossa aposta num calendário

‘MEX’ ESTREIA PORSCHE 911 GT3
EM RALIS DE TERRA

‘Mex’ Machado dos Santos e o terra: “A participação no Rally Serras de a fazer um rali de terra em Portugal, sensações fortes e inesquecíveis a quem
carismático Porsche 911 GT3 vão unir Fafe e Felgueiras deve-se ao convite feito onde as suas características de o vir passar na estrada”.
forças em prol do espetáculo e participar pelo Bicampeão espanhol de ralis, Sergio elevada potência, tração traseira e som Uma postura descontraída, mas também
no Rallye Serras de Fafe e Felgueiras, Vallejo, que me desafiou a regressar, inebriante, aliadas ao estilo de condução profissional, como nos habituou nos seus
estreando o carro germânico em como forma também de internacionalizar que queremos adotar, proporcionarão projetos, que, de resto, não poderia estar
ralis com pisos de terra, em Portugal. o seu projeto e equipa, mas também
Depois de há 11 anos ter revolucionado de mantermos a tradição de ambos
o panorama dos ralis nacionais, ao corrermos de Porsche, que já vem do
participar com um inédito Porsche 911 passado”.
GT3 no CNRs, Mex Machado dos Santos Quanto a objetivos, “Mex” Machado
prepara-se para voltar a escrever história. Santos admite que “passam pela diversão
Desta vez, o Bicampeão de Ralis de GT pessoal e, claro, o entretenimento do
(2008 e 2009) promete voltar a causar público, deixando o resultado desportivo
sensação, com um regresso esporádico para segundo plano”.
à mais importante competição de ralis Para o piloto, que terá como navegador
disputada em Portugal, novamente ao Luís Sá, “esta será uma oportunidade
volante de um Porsche 911 GT3, mas única para o público de ver um carro tão
agora numa prova disputada em piso de emblemático como o Porsche 911 GT3

BREVES >> autosport.pt

37

>> FÓRMULA E E-PRIX SANYA CANCELADO
DEVIDO AO CORONAVÍRUS

alargado e internacional” rematou nível elevado mais à frente. Estes O E-Prix de Sanya, ronda chinesa da Fórmula
Pedro Almeida. são os nossos objetivos e este é o E que se realizaria a 21 de março, foi
Ao lado do piloto de Famalicão vai caminho que vamos trilhar” acres- cancelado devido à contínua propagação
estar Hugo Magalhães que vê neste centou Hugo Magalhães. do coronavírus. A decisão foi tomada pela
projeto um desafio muito interessan- O co-piloto disse ainda que o ali- Província de Hainan, Governo Municipal
te. “Gosto de desafios e mais ainda ciante deste projeto é a sua dimen- de Sanya, a Fórmula E, a FIA, a Enova
de contribuir para o crescimento de são internacional. “O Pedro precisa Holdings e a Federação de Automobilismo e
jovens pilotos, como o Pedro. Há um de ter estas experiências sob pena Motociclismo da República Popular da China.
longo caminho pela frente, nós sa- de aqui em Portugal estagnar. Não A situação continua a ser monitorizada e
bemo-lo, mas a forma estruturada quer dizer que vamos para fora e está em estudo a viabilidade de potenciais datas alternativas, caso a situação melhore.
como o Pedro me apresentou o pro- vamos ganhar. Quer dizer que va-
jeto, a ambição que demonstrou, e o mos estar junto de outros pilotos, de >> HONDAVETA
facto de poder fazer um conjunto de diferentes graus de competitivida- ALONSO
provas internacionais, levou a uma de, em novas corridas e em novos NAS INDY 500
rápida identificação com o convite”, traçados, e todas estas coisas novas
começou por referir Hugo Magalhães. vão ser experiências positivas e vão A Honda vetou a possibilidade de Fernando
“Tenho na minha carreira somado contribuir para o crescimento do Alonso correr com a Andretti nas 500
diferentes experiências e para mim Pedro como piloto. E poder ajudar Milhas de Indianapolis. O acordo parecia
é gratificante transmitir aos mais a potenciar tudo isto dá-me um estar encaminhado, mas os japoneses
novos os conhecimentos adquiridos. prazer enorme”. Pedro Almeida e negaram a hipótese, logicamente, devido aos comentários depreciativos do espanhol
Passo a passo vamos exigir mais Hugo Magalhães fazem a estreia no quando marca e piloto estiveram juntos a trabalhar com a McLaren na F1. Fernando
de nós, vamos querer aprender e Rali Serras de Fafe, prova a realizar Alonso terá agora que se virar para outro lado para conseguir disputar a edição 2020
trabalhar melhor, para estar a um no final do mês de fevereiro. das 500 Milhas de Indianápolis e procurar mais uma vez chegar à Tripla Coroa do
automobilismo.
mais de acordo com o nome escolhido
para a equipa - “Live the Moment” (em >> W SERIES COMPETIÇÃO PONTUAR
português, “Vive o Momento”) -, que terá PARAA SUPERLICENÇA
o apoio técnico da estrutura de Sergio
Vallejo Racing e da formação Extreme Raid. A W Series continua a cimentar a sua posição no automobilismo e agora as pilotos
participantes nesta competição podem receber pontos para a Superlicença.
A série recebeu um sistema de pontuação de 15-12-10-7-5-3-2-1 pela FIA, que a coloca em pé
de igualdade com a NASCAR Cup, Indy Lights, Fórmula Renault Eurocup, Euroformula Open,
Super Fórmula Lights, Supercarros australianos e WTCR. Este sistema só será válido a partir
deste ano, o que implica que os resultados do ano passado não receberão pontos para a
Superlicença.

>> PORSCHE CUP
BRASIL REGRESSA
AO ESTORIL

Foi apresentado o calendário oficial 2020 da
Porsche Cup Brasil. O Campeonato vai ter seis
etapas de sprint e três de endurance, com o
Autódromo do Estoril a ser palco da única dupla
jornada, voltando a ter no programa corridas
sprint e de endurance. A exemplo do ano passado, a Porsche Cup Brasil vai novamente deixar
terras de Vera Cruz, cruzar o Atlântico e assentar arraiais em Portugal entre 11 e 14 junho, a
terceira etapa Sprint do campeonato e a primeira de Endurance em 2020.

>> GROUP 1/TROFÉU MINI
CALENDÁRIO E NOVIDADES

Já é conhecido o calendário das provas do Group 1 Portugal e Troféu Mini para 2020.
Tudo começa com um Test Day no Autódromo do Estoril, nos dias 13 e 14 de março, e no
mês seguinte, também no Estoril, os dias 25 e 26 de abril marcam o arranque das duas
competições. Segue-se Pau, a 30 e 31 de maio, facultativa, depois o Algarve nos dias 11 e 12 de
julho. O regresso do verão faz-se a 12 e 13 de setembro em Braga. Depois Jerez de La Frontera,
uma das novidades no calendário, a 17 e 18 de outubro, e a encerrar a época, regresso ao Estoril
para os já tradicionais 250 km, nos dias 21 e 22 de novembro.

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YAMAHA

» TÉNÉRÉ 700

DUALSPORT SEM COMPLICAÇÕES

A marca “Ténéré” remete-nos para um passado histórico
marcado por mil e uma aventuras e vitórias obtidas nas
competições mais duras disputadas mundialmente nas
últimas décadas. Essa é a essência que inspira a Yamaha e que
pretende recuperar no seu novo modelo Ténéré 700 de forma
a proporcionar a todos os que procuram na moto o prazer da
aventura e da liberdade a melhor forma de o concretizarem

Pedro Rocha dos Santos para os Pirelli de origem em termos de CICLÍSTICA proporciona um binário extraordinário
[email protected] ruído e em condução mais agressiva em desde as baixos rotações, garantindo su-
alcatrão. A Michelin garante ainda que os O chassi é simultaneamente leve, estreito bidas de regime com um simples rodar de
AYamahaTénéré700éumaver- seus pneus Anakee Wild têm uma dura- e compacto, proporcionando uma boa punho. A estrutura do quadro em formato
dadeira Dual-Sport e monta de bilidade suoerior em cerca de mais 50% ergonomia e uma boa sensação na con- de diamante é formada por tubos de aço
origem pneus Pirelli Scorpion do que qualquer outro pneu dual-sport dução da moto. O quadro da Ténéré 700 de alta tensão e conta com um reforço
Rally STR, pneus que mos- do mercado (não pudemos comprovar). é totalmente novo, desenhado de raíz, inferior de dois tubos, que permitem ser
traram na sua apresentação, especialmente estudado para ser um desmontados, ao contrário do sub-quadro
em que estivemos há cerca de MOTOR “berço” natural do fantástico motor CP2 da que está soldado à estrutura principal
ano e meio atrás, um comportamento de Yamaha, o conhecido motor de tecnologia de forma a garantir os níveis de rigidez e
excelência, com um desempenho em es- O motor bicilíndrico de 700 cc mostrou- CrossPlane que a Yamaha tem utilizado flexibilidade necessários.
trada fantástico e fora de estrada, em piso -se mais “redondo” do que em outros nos seus modelos MT, XSR e Tracer e que
seco, um desempenho também correcto modelos da marca que também utilizam
embora limitado pelo desenho de pouco a mesma unidade, com uma resposta
relevo, com tacos de grande largura e suave mas poderosa sempre que exi-
pouco profundos e de uma borracha macia gida, contribuindo para uma condução
que tende a gastar-se mais rapidamente. desportiva e agressiva sempre que so-
Sugerimos à Yamaha Motor Portugal, licitada, permitindo um enorme controle
que nos cedeu a unidade para testes, que da moto, dispensando inclusivamente
neste ensaio que pretendiamos realizar as eventuais ajudas electrónicas que
fora de estrada fossem montados pneus o modelo não inclui. O motor do tipo
com maior desempenho offroad, já que CrossPlane garante valores de binário
o objectivo era o de testar a Ténéré 700 mais altos em todos os regimes, debita
no seu ambiente de eleição. A Yamaha uma potência máxima de 72 cv às 9.000
Motor Portugal acedeu à nossa intenção rpm e tem um binário max. de 68Nm às
e propõs montar uns Michelin Anakee 6500 rpm. A Yamaha realizou também
Wild, pneus que se revelaram adequados melhoras na caixa de ar, no sistema de
paraumautilizaçãoforadeestrada, tendo injecção e no sistema de arrefecimento.
em estrada um bom comportamento O escape proporciona um som grave e
em curva, garantindo boa aderência e envolvente em perfeita harmonia com
segurança na travagem, perdendo apenas um motor silencioso, sem ruídos nem
vibrações em excesso.

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GOSTÁMOS

SUAVIDADE E CONTROLE NA ENTREGA DE POTÊNCIA
AGILIDADE E FACILIDADE OFFROAD
PRECISÃO EM CURVA E EFICIÊNCIA NA TRAVAGEM
CONFORTO E AUTONOMIA

A MELHORAR

DECORAÇÃO SÓBRIA
APOIO DA PONTEIRA DE ESCAPE SOLDADO AO QUADRO
PROTEÇÃO AERODINÂMICA NÃO AJUSTÁVEL
LARGURA DO MOTOR NO LADO DIREITO (EMBRAIAGEM)

As suspensões dianteiras são Kayaba é igualmente ajustável em compressão bilidade de montagem de todo o tipo de
invertidas de 43mm, contam com a pos- de mola e extensão no hidráulico. O braço pneus mistos existentes no mercado,
sibilidade de ajuste de compressão e ex- oscilante é em alumínio, leve e com uma pese embora os Pirelli Scorpion STR que
tensão e incluem válvula de extração de estrutura de alta resistência. O amortece- monta de origem terem sido considerados
ar das mesmas. O seu curso é de 210mm, dor traseiro KYB monta ainda um depósito os melhores pneus Adventure de 2019,
o qual se mostrou suficiente na leitura e de compressão do tipo “piggyback” e um realidade que pudemos comprovar du-
absorção de todo tipo de irregularidades manípulo para facilmente ajustarmos a rante o nosso teste. A nível da travagem
que encontrámos nos mais diversos ca- pré-carga. a Yamaha decidiu montar pinças Brembo
minhos. Na traseira monta um amorte- As rodas são de 18” atrás e de 21” na frente pois são aquelas que garantem um me-
cedor também da KYB do tipo LINK que para garantirem uma melhor condução lhor tato em offroad e um maior poder de
proporciona um curso de 200mm e que em qualquer tipo de terreno e a possi- travagem em estrada, com dois discos

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CONCORRÊNCIA KTM 790 ADVENTURE R - 799 CC dianteiros de 282mm e um traseiro de ESTILO E ESTÉTICA
245mm. Aqui os pneus Anakee Wild da
HONDA AFRICA TWIN 1100 L - 1.084 CC 94 CV Michelin mostraram segurança acrescida Aconfiguração de moto de “Rally” é evi-
e efetividade na travagem. dente e a associação com as motos que
102 CV POTÊNCIA disputam o Dakar e as provas mais duras
TRIUMPH TIGER 900 - 888 CC de deserto está patente no perfil da nova
POTÊNCIA 189 KG Ténéré. Frente alta, com 4 faróis de LED,
95 CV protegidos por um écran transparente
232 KG PESO e esguio com defletores laterais, bem
POTÊNCIA ao estilo mais “Pro” das motos de alta
PESO 15 120€ competição. O painel digital tem uma
192 KG configuração vertical e pela sua posição
14 550€ PREÇO BASE permite uma excelente visualização,
PESO mesmo quando conduzimos de pé na
PREÇO BASE moto. Talvez aqui um vidro anti-re-
11 700€ flexo pudesse melhorar ainda mais a
leitura de toda a informação. O painel
PREÇO BASE inclui ainda um suporte transversal
para montagem de todo tipo de instru-
mentação de navegação, smartphones,
GPS, e ou câmaras fotográficas do tipo
GoPro’s. Lateralmente existe acesso a
uma tomada de corrente com 12 volts e
um segundo espaço, localizado no sítio
oposto, eventualmente para instalar
uma ficha usb ou uma segunda tomada
de 12 volts.

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CONFORTO E EQUIPAMENTO na traseira, realidade que aumenta a para enfrentar o desafio que nos pro- FT/ F I C H A T É C N I C A
sensação de controle e a facilidade de pomos realizar. Ágil e segura, tanto em
A Ténéré monta ainda uma excelen- condução por parte do utilizador. estrada como fora dela, confortável e 689 CC
te proteção de cárter em alumínio e Em termos de ajudas electrónicas a com autonomia para percorrer etapas
proteções de mãos em plástico ultra Ténéré 700 tem apenas ABS que pode de cerca de 350 kms, revela-se uma CILINDRADA
resistente. Dois outros pormenores ser desligado num simples botão situado moto muito intuitiva na sua condu-
definem a atenção que a Yamaha de- no painel de informação, embora no ção e com um motor de potência e 72 CV
dicou a este modelo no sentido de ga- percurso offroad que realizámos, de binários comprovados em anteriores
rantir a abrangência na sua utilização. terra compactada com muita pedra e modelos mas com um tato de entre- POTÊNCIA
Primeiro o guarda lamas dianteiro pode gravilha, sentíssemos a falta de alguma ga suave e controlável que dispensa
ser ajustado na sua distância ao pneu, ajuda do ABS na roda dianteira, realidade ajudas electrónicas ( mesmo ). Calçada 16 L
garantindo que em percursos de muita que foi superada pelo excelente tato e com os melhores pneus mistos da
lama este não venha a bloquear a roda perfeita dosagem proporcionada pelas actualidade, e com excelentes travões DEPÓSITO
dianteira e, segundo, os dois espaços pinças da Brembo. Brembo e suspensões ajustáveis, tanto
que encontramos junto ao guarda lamas Subir para a moto não é difícil e, ape- na compressão como na extensão, a 187 KG
traseiro para encaixar perfeitamente a sar da altura oficial de assento estar nova Ténéré 700 tem a capacidade de
nossa mão e levantar a moto pela tra- nos 875 mm, os dois pés chegam ao enfrentar todo o tipo de situações e de PESO
seira em caso de necessidade. chão com facilidade e em simultâneo. nos levar até onde a vista alcançar… o
Apesar do seus 187Kg a seco e 204 Kg Existe ainda um kit que baixa a altura limite está mesmo no horizonte. 9 850€
atestada, a Ténéré 700 mostrou-se muito do assento em 35mm, muito útil para Uma das suas grandes qualidades está
ágil na condução, muito intuitiva em utilizadores de estatura mais baixa. A relacionada com o factor “FUN” que PREÇO BASE
pilotagem offroad, uma perfeita sintonia posição de condução é bastante na- a condução da Ténéré proporciona…
entre ciclística e motor garantindo diver- tural e o assento confortável, sendo Uma condução fácil e intuitiva, que TIPO DE MOTOR REFRIGERAÇÃO LÍQUIDA, 4 TEMPOS,
são pela facilidade que demonstrou na suficientemente estreito na zona dos transmite confiança e que nos leva a 4 VÁLVULAS, DOHC, 2 CILINDROS CILINDRADA 689 CM3
condução. O peso está distribuído 48% joelhos para podermos melhor controlar explorar cada vez mais os seus limi- POTÊNCIA 72 CV ÀS 9000 RPM BINÁRIO 68 NM ÀS
à frente e 52% atrás proporcionando a moto em percursos fora de estrada. As tes e os nossos também, permitindo 6500 RPM Nº DE CILINDROS 2 DISTRIBUIÇÃO
mais leveza na frente e maior tração peseiras são em alumínio e vêm com o evoluir sem riscos excessivos. DOHC CICLO 4 TEMPOS VÁLVULAS POR CILINDRO
seu interior em borracha que pode ser A Yamaha Ténéré 700 está disponível em 2 ALIMENTAÇÃO INJEÇÃO REFRIGERAÇÃO
facilmente retirado para se obter maior 3 cores distintas: Branco “Competition LÍQUIDA SISTEMA DE ARRANQUE ELÉTRICO TAXA
aderência em condução fora de estrada. White”, Azul “Ceramic Ice” e em Negro COMPRESSÃO 11.5:1 TIPO DE QUADRO ESTRUTURA
“Power Black”. TUBULAR EM AÇO, BERÇO DUPLO SUSPENSÃO
CONCLUSÃO Com um PVP 9.850 euros (+ despesas DIANTEIRA SUSPENSÃO TELESCÓPICA INVERTIDA
de homologação ) a Ténéré 700 torna-se CURSO DIANTEIRO 210 MM SUSPENSÃO TRASEIRA
A nova Yamaha Ténéré 700 é uma moto numa companheira ideal das próximas BRAÇO OSCILANTE, TIPO LINK CURSO TRASEIRO 200
que pelas demonstradas característi- aventuras em duas rodas com uma re- MM TRAVÕES DIANTEIROS DUPLO DISCO DE 282
cas está apta para tudo, uma espécie lação preço/qualidade/desempenho MM TRAVÕES TRASEIROS DISCO DE 245 MM RODA
de “canivete suíço” que em qualquer difícil de bater. DIANTEIRA JANTE DE RAIOS DE 21” MEDIDA PNEU
situação tem sempre a opção certa DIANTEIRO 90/90 R21 RODA TRASEIRA JANTE DE
RAIOS DE 18” MEDIDA PNEU TRASEIRO 150/70 R18
COMPRIMENTO 2365 MM LARGURA 915 MM ALTURA
1455 MM DISTÂNCIA ENTRE EIXOS 1590 MM ALTURA
DO ASSENTO 880 MM DISTÂNCIA AO SOLO 240 MM
CAPACIDADE DO DEPÓSITO 16 L

42 AUTO+mais

SMART José Manuel Costa primeiro, escolher a linha de equipamento
[email protected] (Passion, Pulse ou Prime); segundo, esco-
» FORTWO E FORFOUR EQ lher o pacote de equipamento (Advanced,
FuiatéValêncianomeiodadepres- Premium, Exclusive); finalmente, escolher
SEDUÇÃO ELÉTRICA são Glória para conhecer os reno- a cor, sendo que para cada modelo há
vados Smart ForTwo e ForFour, nove opções.
Giorgio Moroder, produtor musical que foi a origem de um agora totalmente elétricos. Não se Como equipamento de série um volante
dos carros mais estranhos, o Cizetta W16, fez uma música entusiasme muito, porque estes multifunções forrado em pele, sensores
são modelos de transição para de estacionamento traseiro, ecrã sensível
que dizia “estaremos sempre juntos, juntos em sonhos a próxima geração, já responsabilidade ao toque de 7 polegadas que inclui um
elétricos”, a qual me permiti “adulterar” para oferecer da Geely no que toca á tecnologia e da sistema de busca de estações de car-
um slogan à Smart: “estaremos sempre juntos, juntos na Mercedes no que toca ao estilo. Ou seja, regamento, Bluetooth, ar condicionado
sedução elétrica” agora que a marca alemã passou a ser não há muitas novidades, exceto no estilo automático, rádio DAB e Android Auto.
apenas elétrica e faz parte do portfólio da Geely chinesa da frente de cada um dos carros e nos O carregador interno tem 22 kW que, diz
farolins traseiros, além daquilo que muda a Smart, é capaz de carregar a bateria
LEIA MAIS ENSAIOS E ACOMPANHE no interior em termos de conectividade e entre os 10 e os 80% em 40 minutos. Nos
TODAS AS NOVIDADES EM AUTOSPORT.PT na forma como a Smart se está a transfor- pacotes opcionais Passion Advanced,
mar, também, numa marca de serviços. Pulse Premium e Prime Exclusive há uma
longa lista de equipamento com volantes
POUCAS DIFERENÇAS diferentes, revestimentos internos, etc..

A renovada gama Smart, como acabei SMART SÓ COM OFERTA ELÉTRICA
de dizer, não está assim tão diferente da
anterior, exceção feita ao redesenhar da Depois de oferecer versões elétricas em
face das duas versões e dos novos farolins ambos os modelos desde 2007, a Smart
traseiros. Mantiveram-se as versões de anunciou em 2018 que iria fazer a tran-
dois lugares fechada e cabriolet e o quatro sição completa para ser uma marca “de
lugares que partilha a sua base e quase mobilidade elétrica total”. A transição
tudo o resto com o Renault Twingo. está feita e o ForTwo e o ForFour rece-
A Smart – que passa ser propriedade da beram um estilo evolutivo, como referiu
Mercedes e da Geely – nascendo uma Gorden Wagener. A grelha dianteira foi
nova empresa que terá sede em Ningbo, rebaixada e alargada, mesmo que a maior
na China, local onde os futuros Smart, parte seja apenas decorativa, pois as
totalmente elétricos vão passar a ser necessidades de arrefecimento são muito
construídos. diferentes. E pela primeira vez o duas
Numa ótica de simplificação, a Smart ele- portas e o quatro portas têm uma face
geu uma forma simples, em 3 passos, para diferente, mesmo que seja algo pouco
individualizar o seu ForTwo ou ForFour: percetível. Como referimos, há novos

>> autosport.pt/automais

43

farolins traseiros com tecnologia LED,
sendo opcionais os faróis Full LED.

INTERIOR LIGEIRAMENTE ForFour), tendo uma velocidade máxima, e assim alargando a autonomia. O facto de ajuda muito nas manobras e a esguei-
para todos os modelos, de 130 km/h. usar uma bateria mais pequena permite rarmo-nos no tráfego urbano.
REDESENHADO A bateria dos novos Smart elétricos per- tempos de recarga curtos. Numa tomada As ruas de Valência não foram grande
manece com 17,6 kWh e uma autonomia doméstica a recarga é feita em 3,5 horas, desafio para os três Smart que conduzi –
No interior há uma consola central rede- de 150 km que, na realidade, ronda os 112 enquanto que, com a “Wall box” de 22 kW, ForTwo, ForTwo Cabrio e o ForFour – mas
senhada que oferece novos espaços de km, um valor que está bem abaixo daqui- a carga da bateria chega dos 10 aos 80% algumas coisas permaneceram, o que não
arrumação, um deles à frente da alavanca lo que os rivais oferecem, reclamando a em 40 minutos. Os Smart elétricos não espanta: sendo curto e alto, é natural que
da caixa de velocidades, e dois porta copos Smart que a média diária de um condutor têm capacidade de carregamento rápido. as suspensões sejam duras e nas bandas
redesenhados. O sistema de info entre- europeu está muito abaixo da autonomia Quanto a preços, o Smart EQ ForTwo sonoras o carro tem mais a tendência a
tenimento oferece melhor integração do autorizada, acreditando os responsáveis arranca nos 22.845 euros, o ForFour EQ saltar do que absorver a lomba. Carregar
smartphone e ligação a outros dispositi- da marca que dará para andar dois dias inicia os preços nos 23.745 euros e, final- uma bateria de 96 células de iões de lítio
vos, passando a utilizar mais aplicações sem carregar o carro. mente, o ForTwo EQ Cabrio arranca nos na barriga ajuda a melhorar o centro de
dos smartphones e aplicações próprias 26.395 euros. gravidade. Em cidade, apesar da dureza
que podem ser transferidas para o seu PREÇOS ELEVADOS da suspensão, sem as bandas sonoras e
telemóvel. A aplicação para smartphone Para ajudar o condutor, os novos Smart POUCA DIFERENÇA NA CONDUÇÃO as lombas, o Smart ForTwo é divertido
foi redesenhada e mostra agora o nível de elétricos estão equipados com um sistema e nas rotundas até dá para brincar um
carga da bateria, permitindo controlar à de recuperação de energia cinética basea- Curiosamente, a transição entre os moto- bocadinho. O Smart ForFour é um pouco
distância a climatização. do num radar, o que permite ao carro redu- res térmicos e elétricos não criou nenhum mais benigno, mas como já acontecia,
A mecânica elétrica manteve-se a mes- zir a velocidade automaticamente atrás do prurido e muitos até aplaudiram, pois, as gosto mais do ForTwo.
ma, ou seja o motor de 80 CV e 160 Nm, veículo que segue à frente de uma forma mecânicas de combustão interna não A curta autonomia pode ser uma dor de
permitindo chegar dos 0-50 km/h em ideal para recuperar o máximo de energia eram fantásticas. O motor elétrico ade- cabeça para alguns, mas sendo um ci-
4,8 segundos (4,9 para o Cabrio e 5,2 para qua-se perfeitamente ao ForTwo e no tadino os 153 km (que na realidade não
o ForFour) e dos 0-100 km/h em 11.6 se- curto ensaio que fiz ao carro – e também supera muito os 120 km) são mais que
gundos (11,9 para o Cabrio e 12,7 para o ao ForFour – isso ficou provado. suficientes, ainda por cima quando o carro
O motor continua o mesmo com 60 kW (82 recarrega entre os 10 e os 80% da bateria
CV) e 160 Nm, o que permite performances em apenas 40 minutos. Portanto, não me
interessantes... na cidade. Acelera dos parece que a autonomia ou o tempo de
0-60 km/h em 4,8 segundos com uma carga sejam obstáculos á compra. Já os
velocidade máxima de 130 km/h, che- preços, esses sim poderão ser um obs-
gado dos 0-100 km/h em 11,6 segundos. táculo e o grande desafio para a Smart
O ForTwo EQ destaca a sua agilidade e em 2020. Porém, sinceramente, não sinto
mesmo pesando qualquer coisa como nenhuma saudade dos motores térmicos
1085 kgs, não sentimos a falta dos motores dos ForTwo e ForFour.
de combustão. O curto raio de viragem

44 AUTO++ mais

MERCEDES

» GLE 350D

RIVAL DO VOLVO XC90

Pode parecer estranho que tenha eleito como grande rival
do GLE o XC90 da Volvo e não escolhido o BMW X5. Porém,
isso explica-se de forma simples: o Mercedes GLE é um
carro equilibrado, confortável, refinado, silencioso e pouco
desportivo, sendo mais um devorador de quilómetros. Dai a
escolha do XC90 da Volvo

LEIA MAIS ENSAIOS E ACOMPANHE José Manuel Costa INTERIOR DE QUALIDADE
TODAS AS NOVIDADES EM AUTOSPORT.PT [email protected]
A Mercedes continua a melhorar os in-
OGLE é a segunda geração do teriores dos seus modelos e no caso do
modelo com este nome, mas GLE a casa alemã rejeitou as já conheci-
na realidade carrega consigo das saídas de ar em forma de escape dos
a herança do original Classe motores a jato, por troca com algo mais
M, nascido em 1997. Aquele convencional. Onde não há diferenças
que a Mercedes reclama é nos ecrãs e quase dá vontade de levar
ter sido a origem do segmento SUV pipocas para dentro do carro e assistir a
Premium, evoluiu muito no estilo e um filme: os dois ecrãs de 12,3 polegadas,
nas dimensões. O carro tem mais 80 que fazem de painel de instrumentos e de
mm na distância entre eixos, é maior albergue para o sistema de info enterteni-
que o anterior carro e mistura linhas mento, integrados numa zona superior do
do passado com a linguagem de estilo tabliê. Ambos oferecem muita informação,
atual, num conjunto muito interessante mas aqui tenho que apontar, talvez, um
que disfarça as maiores dimensões do pouco de informação a mais. Depois, há
carro. Mas quando chegamos às vielas muitas combinações para a aparência dos
e ruelas de Lisboa... caramba, o GLE é instrumentos, do ecrã, muitas coisas para
mesmo grandinho. Mas a visibilidade personalizar, enfim, podiam os senhores
é boa e com a ajuda dos sensores e até da Mercedes simplificar um nadinha as
a câmara traseira ou em visão de 360 coisas.
graus, tudo é mais simples. Claro que percebo porque razão a
Mercedes oferece tantas opções. O
Command, o sistema de info entreteni-

>> autosport.pt/automais

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FT/ F I C H A T É C N I C A

3.0 / 272 CV

GASOLINA

6,9 S

0-100 KM/H

5,8 L / 7,8 L (AUTOSPORT)

100 KM

184

G/KM- CO2

97 725€

PREÇO VERSÃO ENSAIADA

ESTILO, QUALIDADE, HABITABILIDADE,
REFINAMENTO

CAIXA DE VELOCIDADES, PREÇO

MOTOR 6 CIL. EM LINHA TURBODIESEL
COM INJEÇÃO DIRETA E INTERCOOLER
POTÊNCIA 272 CV/3400 – 4600
RPM BINÁRIO 600 NM/1200 – 3200
RPM TRANSMISSÃO INTEGRAL
PERMANENTE COM CAIXA AUTOMÁTICA
DE 9 VELOCIDADES SUSPENSÃO DUPLO
TRIÂNGULO SOBREPOSTO À FRENTE E EIXO
MULTIBRAÇOS ATRÁS TRAVÕES DV/DV
PESO 2235 KG MALA 630/2055 DEPÓSITO
68 L VEL. MÁX. 230

mento, reclama a casa de Unterturkheim, mentos são agradáveis ao toque, há muito bom, por isso, sendo um dos motores que movimentos da carroçaria. O carro incli-
é inteligente e rapidamente vai aprender espaço para arrumar “tralha” dentro do encarece um pouco o preço, é dos mais na-se nas curvas, é verdade, mas apenas
quais são as suas preferências sobre esta- habitáculo e várias tomadas USB, porém, interessantes do GLE. Fácil de explorar, para não deteriorar o conforto. O com-
ções de rádios, destinos mais procurados, da nova versão C, mais pequena. Ou seja, este bloco do GLE combina muito bem portamento é excelente, o carro segue as
as pessoas a quem mais telefona, enfim, na ausência de um smartphone compa- com as novas características do renovado nossas instruções ao volante, mas tudo
saberá os seus hábitos e deverá sugerir, tível convirá ter um conversor. SUV da Mercedes. isto é um opcional. Seja como for, vamos
sempre, o que quer ouvir ou fazer. Cuidado O espaço atrás é enorme, com mais 70 Os consumos do GLE 350d não são exce- muito bem sentados, o carro é confortável,
para que, em caso de vida dupla, o GLE não mm para arrumar as pernas que no an- cionais, mas a Mercedes conseguiu que seja qual for o modo de condução, e apesar
o denuncie... A Mercedes deixou de lado o terior GLE, e o acesso é amplo graças às este bloco a gasóleo, grande, seja capaz das dimensões, não custa levar o GLE a
comando rotativo de outrora e isso demora generosas portas traseiras. O portão da de andar a maior parte do tempo abaixo quase todo o lado.
um pouco mais a utilização do sistema bagageira tem abertura e fecho elétrico, dos 10 litros de combustível por cada 100 Com esta renovação, a Mercedes deu ao
Command, surgindo agora um “touchpad” com a mala a oferecer mais 165 litros que o quilómetros, tendo a média final ficado GLE o que lhe faltava, ser um carro com-
e botões, sistema menos preciso para ser anterior para um máximo que oscila entre em, para mim excelentes, 7,8 l/100 km. pleto. Os quase 100 mil euros que custa
usado sem olhar e que, por ser pequeno, 630 e mais de dois mil litros de capacidade. Claro que puxando pelo bloco e tentando podem parecer escandalosos, mas face
custa mais a operar. Há ainda botões para Uma verdadeira caverna! dar mais animação na condução, o GLE aos rivais – e continuo a considerar mais
controlar o sistema de climatização, os 350d toca os dois dígitos. Mas só nessas um rival do XC90 da Volvo que do BMW
modos de condução do Active Dynamics e MOTOR GRANDE condições. X5 – estamos perante um carro completo.
mais uma série de funções. O que não me Suave na utilização, silencioso, refinado
parece bem são as duas hastes colocadas O bloco de seis cilindros em linha turbo- UM DEVORADOR DE QUILÓMETROS e com um estilo que seduz, pois mescla
atrás do volante e que controlam a caixa diesel mostra-se suave e com 272 CV e musculo com sensualidade. O interior está
e o combinado luzes/sistema de limpeza 600 Nm, suficiente para mexer as mais Para o GLE, a Mercedes engendrou um bem pensado e desenhado, o sistema de
do para brisas. O plástico é fraco e destoa de duas toneladas do GLE. Já não é um sistema de suspensão que mistura o info entretenimento não nos exaspera e o
face aos restantes materiais do habitáculo. V6, mas é um bloco moderno com boa melhor de um sistema pneumático com conforto, graças aos modos de condução,
Os bancos são confortáveis, os acaba- insonorização. A caixa rima bem com o E-Active Body Control, sistema que é aquilo que nós quisermos. Há espaço no
o motor, o sistema de tração também é não funciona apenas como controlo dos interior, a eletrónica oferece capacidade
fora de estrada de qualidade e, tal como
a Volvo explicou com o XC90, não é pre-
ciso oferecer um carro demasiadamente
desportivo ou ostensivo para ter sucesso.
Ou seja, a Mercedes estudou muito bem a
concorrência e o seu desempenho antes
de dar vida a este GLC. Honra o segmento
que criou com o ML e, mesmo não nos
tirando o fôlego à primeira vista, permite
que o GLE seja, porventura, o melhor do
segmento e que mais o surpreenderá no
dia a dia. Isto se 100 mil razões em forma
de euro não o façam recuar.

AUTO+ mais

RENAULT INTERIOR MUITO DIFERENTE que é oferecido em todos os Zoe, mesmo
no mais barato. Claro que não tem opções
» ZOE ZE 40 Como disse, o habitáculo do Zoe está to- de personalização, mas os grafismos
talmente diferente do anterior... e para são interessantes e a informação é clara
UM ENORME PASSO EM FRENTE! melhor! Primeiro percebem-se os me- e inteligível. A meio do carro lá está o
lhores materiais e maior abundância de “tablet” que não é de série em todos os
O renovado Zoe manteve o que tinha de melhor o citadino plásticos revestidos e suaves ao toque. Zoe (os mais baratos só como opcional)
elétrico, corrigindo aquilo que estava menos bem no carro, Depois, destaca-se um ecrã de generosas e tem 9,3 polegadas. Colocado na hori-
tornando-o numa interessante proposta elétrica dimensões colocado na consola central. Os zontal, destaca-se da consola, com uma
mais atentos já perceberam que por baixo posição que permite uma visualização
José Manuel Costa e o Opel e-Corsa, isto para não falar do do “tablet” estão os comandos da clima- mais fácil e um acesso simples. Depois
[email protected] Mini elétrico. Portanto, os dias de domínio tização vindos do... novo Clio. É verdade, a há uma série de botões sem função por
solitário do Zoe estão a acabar. Renault elevou a fasquia e colocou muito cima dos comandos da climatização, o
ArenovaçãoqueaRenaultimpôs A tentação de mudar a fórmula do Zoe daquilo que está no Clio agora no Zoe, dei- que revela como o interior do Clio veio
ao Zoe não é inocente. Lembra- era forte, mas a Renault manteve as di- xando claro – juntamente com a alteração para o Zoe tipo “Plug and Play” e algumas
se de algum utilitário totalmen- mensões iguais nos quatro metros de feita na frente que o coloca mais perto do coisas não são usadas no modelo elétrico.
te elétrico nos últimos anos? comprimento, não mexeu muito no estilo Clio – que a casa francesa quer ligar os dois Há várias portas USB, verdadeiras e não
Pois... mas os tempos de eldora- e na volumetria do carro e deixou tudo o carros e assim alavancar as vendas do as novas USB-C, o carregador sem fios
do em que a Renault aproveitou que era bom intocado. A plataforma é a Zoe. Por isso mesmo é que há muito mais do smartphone, o botão do travão de
para dominar o segmento e as vendas mesma desde 2012 e a maior diferença qualidade no interior, mais tecnologia e um mão e a alavanca da caixa. Há que dizer
de veículos elétricos na Europa – mais é mesmo o aumento da capacidade das desenho muito mais agradável. que o sistema de carregamento sem
de 35 mil unidades em 2018 e quase 45 baterias. Ainda assim, a Renault apro- Outra grande diferença reside na posição fios é lento, aquece bastante o telefone
mil vendidas em 2019 – estão a acabar. veitou para dar um “jeito” à frente do de condução: anteriormente, o banco es- e este pode sair disparado do seu local
O engraçado Honda E está a chegar e a Zoe, deixando-o mais perto do resto da tava fixo no que toca á altura e o volante em face de uma curva mais acentuada
PSA está a fazer o cerco à casa francesa gama. Olhem, gostei! Já no interior, tudo não podia ser regulado em profundidade; ou uma travagem brusca, isto porque não
com o Peugeot e-208, com o DS3 Etense está diferente. hoje o banco continua a não regular em há uma barreira forte que o mantenha
altura, mas o volante tem ampla regu- posicionado.
lação em profundidade. Ou seja, o Zoe Outra coisa com que a Renault se preo-
pode ser encarado como um carro para cupou no novo Zoe foi onde encontrar
usar fora da cidade que não vai ficar com espaço extra e como deixar a ideia que o
cãibras nas pernas e nos braços. Zoe é um carro responsável. Bom, o tabliê
O volante também é novo e atrás está um e a consola central é feita com o material
ecrã de 10 polegadas totalmente digital

>> autosport.pt/automais

47

resultante da reciclagem de garrafas de finos e que oferecessem mais espaço. Já direção leve e precisa e apesar dos 326 FT/ F I C H A T É C N I C A
plástico e cintos de segurança. Um toque espaços para arrumação há de sobra nas kgs da bateria, que elevam o peso para os
interessante e que, apesar de ser um ma- portas, apoiando o pequeno porta luvas. 1502 quilos, o Zoe é surpreendentemente R135 / 135 CV
terial reciclado, dá muito bom aspeto ao ágil! É verdade, o Zoe consegue divertir e
habitáculo, juntamente com os materiais COMPORTAMENTO SAUDÁVEL com a ajuda do binário imediato tudo se ELETRICO
de melhor qualidade que já referi. torna mais interessante.
O habitáculo do Zoe não aumentou e Para um modelo elétrico, o Zoe tem um Para os mais conhecedores, o Zoe passa 9,5 S
por isso a habitabilidade está na mes- comportamento muito saudável e um a ter o motor R135, ou seja, tem o equi-
ma e quem se senta atrás tem algumas conforto assinalável. Claro que em estra- valente a 135 CV e 245 Nm de binário, 0-100 KM/H
dificuldades para arrumar as pernas. das mais degradadas o Zoe anda ali meio tornando o carro mais reativo, chegando
As costas dos bancos não têm bolsas tonto aos saltinhos, mas na maior parte dos 0-100 m/h em 9,5 segundos com 17,7 kW/18,9 KW (AUTOSPORT)
por isso mesmo, mas a Renault poderia do tempo – até porque as nossas estra- uma velocidade máxima de 140 km/h.
ajudar com bancos redesenhados, mais das estão cada vez melhores em redor Claro que com estas características o Zoe KW/100 KM
das cidades – o Zoe é muito composto e é menos eficiente que o anterior modelo,
curva com à vontade. Consegue mesmo mas é bem mais espigado. A bateria de 0
ser divertido, especialmente em cidade 52 kWh oferece uma autonomia de 400
onde o binário imediato do motor elétrico km, algo que é mais que o Honda e e bem G/KM- CO2
permite ganhar corridas dos semáforos mais que a dupla e-208/e-Corsa. Claro
e a sua capacidade de recuperar a ace- está que a Renault sabe que na vida real 23 690€ PREÇO BASE
leração, autoriza que nos esgueiremos as coisas são diferentes e na realidade,
do tráfego. Ou seja, na cidade o Zoe está aponta para uma autonomia de 370 km. 27.490€ PREÇO DA VERSÃO ENSAIADA
como peixe na água, mas com o novo Isto sem ligar a climatização, pois aí a coisa
motor mais potente e a maior bateria, este piora, com a autonomia a descer para os MATERIAIS / DIREÇÃO /
elétrico consegue, agora, ser divertido fora 238 km. O consumo energético não é o COMPORTAMENTO DINÂMICO
do casco urbano. Aí temos direito a uma melhor e não consegui menos que 18,9
kW/100 km, reclamando a Renault 17,7 HABITABILIDADE NOS BANCOS
kW/100 km. O que quer isto dizer? Bom, TRASEIROS / MODO ECO LIMITATIVO
que será capaz de fazer 370 km sem gran-
des problemas e, se carregar no botão Eco, MOTOR ELÉTRICO R135 POTÊNCIA MÁX. (CV/
o ar condicionado passa a assoprar e as RPM): 135/4200 – 11.163 BINÁRIO MÁX. (NM)
limitações de performances são muitas. 245 TRANSMISSÃO DIANTEIRA DIREÇÃO
O pedal parece ter sido desligado e os PINHÃO E CREMALHEIRA ASSISTIDA ELETR.
ganhos são mínimos. Esqueça! SUSPENSÃO (FT/TR) MCPHERSON/EIXO DE
Já mais interessante é o modo “B”, ine- TORÇÃO TRAVÕES (FR/TR) DISCOS VENTILADOS
xistente anteriormente, que aumenta a VEL. MÁX. (KM/H) 140 DISTÂNCIA ENTRE
capacidade de regeneração de energia. EIXOS (MM) 2588 LARGURA DE VIAS (FR/TR
Curiosamente, não se pode desligar total- MM) 1506/1489 PESO (KG) 1502 CAPACIDADE
mente pois sente-se uma maior desacele- DA BAGAGEIRA (L) 388/1225 CAPACIDADE DA
ração mesmo desligando o “B”. Com este BATERIA (KWH) 52 PNEUS (FR/TR) 195/55 ZR16
ligado, não temos o “e-pedal” da Nissan,
mas não fica muito longe. E se tiver algum levando o Zoe a perder dinheiro, conseguiu
cuidado e sensibilidade, poderá conduzir dar-lhe maior qualidade no habitáculo,
o Zoe quase sem tocar no travão. uma frente nova que lhe assenta bem e
O título diz tudo: um enorme passo em a flexibilidade mantida para comprar o
frente sem mudar aquilo que é essencial carro com bateria ou alugando a mesma,
e que eram pontos positivos do Zoe. Tenho permitindo ao Zoe ser mais barato que
de tirar o chapéu aos homens da Renault os outros e mais flexível em termos de
que não se encostaram à “bananeira” financiamento. E no final deste ensaio
confortável que é vender um em cada posso dizer que as novidades que estão
cinco carros elétricos comercializados no a chegar – exceto o Honda e que a marca
Velho Continente. Mais... a Renault, sem japonesa não me deu o prazer de ensaiar,
estragar a relação custo/benefício nem pelo que não sei o que vale – não vão tirar o
Zoe do poleiro facilmente. Se quer abraçar
a defesa dos ursos polares e ser mais um
na guerra contra as alterações climáticas,
tem no Zoe um belo início de conversa.
Um automóvel elétrico que é séria opção
ao novo Clio.

E/ Dando cumprimento ao estabelecido no n° mais importantes provas de desporto au- leitores uma informação atual, rigorosa e abordagem e de análise dos factos noti-
1 do artigo 17° da Lei 2/99, de 13 de Janeiro, tomóvel disputadas em território nacional de qualidade, opinando sobre tudo o que se ciosos, com total abertura à interatividade
ESTATUTO Lei da Imprensa, publica-se o Estatuto e no estrangeiro, relata acontecimentos passa na área do automóvel e dos automo- com a sua comunidade de leitores.
EDITORIAL Editorial da publicação periódica AutoSport: ligados à competição automóvel, bem como bilistas, numa perspetiva plural, recusando 4. O AutoSport pratica um jornalismo pau-
1. O AutoSport é um semanário dedicado temas que versam o automóvel como bem o sensacionalismo e respeitando a esfera tado pela isenção, sem comprometimentos
ao automóvel e aos automobilistas, nas de consumo, tanto na área industrial como da privacidade dos cidadãos. ou enfeudamentos, tendo apenas como
suas mais distintas vertentes: desporto e comercial. 3. O AutoSport pauta as suas opções edito- pressuposto editorial facultar a melhor
competição, comércio, indústria, segurança 2. O AutoSport está comprometido com riais por critérios de atualidade, interesse informação e a melhor formação aos seus
e problemática rodoviária. O AutoSport o exercício de um jornalismo formativo e informativo e qualidade, procurando apre- leitores, seguindo sempre as mais elemen-
edita, semanalmente, conteúdos sobre as informativo e procura oferecer aos seus sentar aos seus leitores a mais completa tares normas deontológicas.

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