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Published by hmilheiro, 2017-12-29 13:28:32

AutoSport 2088

AutoSport 2088

#2088 40
ANO 40
anos
03/01/2018

2,35€ (CONT.)

DIRETOR PEDRO CORRÊA MENDES O SEMANÁRIO DOS CAMPEÕES >> autosport.pt

TUDO SOBRE OÚLTIMODAKARDAPEUGEOT

X-RAID COM NOVO BUGGY
REGRESSO DE CARLOS SOUSA

DAKARESTREIADEANDRÉVILLAS-BOAS

ARMDINEDROEGARREASÚSJOO +
AOS RALIS

RENAULT YAMAHA
TALISMAN SPORTTOURER TRICITY 125

O SEMANAL
NO COMPUTADOR À 2ª FEIRA

EDIÇÃO >> autosport.pt ASJSÁI!NE
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3

I/ I N S TA N TÂ N E O SIGA-NOS EM EDIÇÃO

#2088
03/01/2018

f l> > a u t o s p o r t . p t
facebook.com/autosportpt twitter.com/AutoSportPT

DAKAR Está perto do arranque a 40ª edição, uma prova que se antevê das mais duras de sempre, e que marca a despedida da Peugeot da José Luís Abreu
grande maratona. Durante 15 dias, as areias do Perú, Chile e Argentina são ‘ponto de encontro’ para milhões de adeptos
DIRETOR-EXECUTIVO
S/ SEMÁFORO EM DIRETO
[email protected]
PARADO A ARRANCAR A FUNDO “Estou muito feliz pelo
Charles Leclerc estar a 2017 ficou para trás, e com a entrada
Depois de um Grande notícia. Cinco pilotos mostrar-se um grande piloto. em 2018 o nosso desejo é que este
ano de 2017 Armindo Araújo portugueses Quando existirem mudanças ano ‘motorizado’ possa ser ainda
super-interessante, nas 24 Horas na Ferrari, vamos apontar a melhor que o anterior, que, valha a
a lista de inscritos regressa de Daytona, e um deles um piloto mais jovem”, Sergio verdade, foi dos melhores em muito
do Monte Carlo ao Campeonato - Pedro Lamy - também tempo. Foi transversal à maioria
é algo pobre de Portugal de Ralis vai a Bathurst Marchionne a anunciar mudança de das competições, o equilíbrio, a
com a Hyundai política na Ferrari emoção, a incerteza nos resultados.
Como exemplo, referimos somen-
O SEMANÁRIO DOS CAMPEÕES NA ERA DIGITAL “2019 promete ser um te Le Mans, quando um Porsche
ano muito excitante pois que esteve praticamente em úl-
existem pilotos jovens com timo encetou uma recuperação
mais um ano de experiência que o levou ao triunfo. É devido
e outros pilotos, como o a histórias destas que o desporto
Daniel [Ricciardo], a terminar automóvel reúne tantos adeptos.
contrato…” Toto Wolff, a dar um Seria fantástico que 2018 pudesse
ser ainda melhor. Por exemplo, na
sinal a Bottas para se ‘mexer’… F1 deseja-se, desta feita, equilíbrio
até ao fim. O segundo pelotão da F1
“Para mim o Max Verstappen vai ter ainda mais competitividade,
é o melhor piloto do ano. É e fica por se saber onde se irá co-
muito emocionante vê-lo locar a McLaren. Quem bom seria
correr”, Mikka Hakkinen, na sua juntar-se ao ‘trio de ataque’.
Quanto ao WRC, que seja pelo me-
reflexão sobre a F1 em 2017 nos tão bom quanto 2017 - todas
as equipas venceram e também
Siga-nos nas redes sociais e saiba quase todos os pilotos. 2018 irá re-
tudo sobre o desporto motorizado no unir o plantel com maior número
computador, tablet ou smartphone via de vitórias conjuntas da história
facebook (facebook.com/autosportpt), da competição, 156.
twitter (AutosportPT) ou em Quanto aos portugueses no es-
>> autosport.pt trangeiro, estão cada vez mais no
topo das suas categorias na veloci-
dade. Nos ralis, o CPR está prestes
a reunir um novo grande plantel.
Vão nascer novos troféus de ralis
e velocidade - Peugeot Rally Cup
Ibérica e KIA Picanto GT Cup - au-
tênticas pedradas no charco.
Miguel Oliveira vai lutar pelo títu-
lo de campeão de Moto2 antes de
rumar ao MotoGP. O Autódromo
do Algarve vai cumprir 10 anos de
existência, espera-se que receba
ainda mais eventos de grande re-
levância internacional. Muito mais
haveria a dizer, mas não há espaço.
Um Bom Ano de 2018 para si caro
leitor. Obrigado.

/

4 ESPECIAL DAKAR 2018

JOGO DURO
Com Peugeot, MINI e Toyota oficiais, dificilmente o
vencedor não sairá de uma destas equipas. Quanto ao piloto

favorito, com uma prova tão dura pela frente, o melhor é
mesmo deixar a questão em aberto. Mas Peterhansel é

inquestionavelmente o principal...

José Luís Abreu fortes em todos os que nele participam ou por exemplo, o ano passado, não só por- por isso a questão passa por saber quem
[email protected] simplesmente com ele conviveram. Bem que os MINI estão mais competitivos, mas vai perder mais com esses ‘azares’. E isso
vistas as coisas, essa será, porventura, a também as Toyota Hilux oficiais. é algo impossível de antever...
Aedição de 2018 marca a 40ª vez sua maior herança… Stéphane Peterhansel venceu quatro
que homens e máquinas dão A 40ª edição do Dakar tem lugar entre 6 em nove edições disputadas na América ÚLTIMO DAKAR DA PEUGEOT
sequência à prova-maratona e 20 de janeiro, numa prova que arranca do Sul, nos três anos após o regresso, os Reforçando o facto que o Dakar deste
idealizada por Thierry Sabine, no Peru, desce para a Bolívia e termina na Peugeot venceram duas vezes. Com isto ano terá uma grande ênfase na dureza
que em 1979 colocou de pé um Argentina. Das 14 etapas, sete serão nas queremos dizer que seja em que condições do traçado, é lógico que os pilotos mais
evento sem igual, e que é para dunas. Termina na Argentina com mais for, é um nome que forçosamente se tem experientes podem sempre fugir melhor
muitos a aventura de uma vida. Agora do seis tiradas, tendo vindo a ser referido pela de destacar de todos os outros. às muitas ratoeiras desta prova. Veja-se
lado de lá do Atlântico, o Dakar continua a ASO como o Dakar mais seletivo dos úl- Mas a ‘anunciada’ dureza da prova pode o exemplo do Rali Rota da Seda em que
despertar paixões e faz, por exemplo, com timos anos. Ao contrário do que tem sido baralhar por completo as contas, pois tanto Peterhansel como Loeb tiveram
que uma estrela da ‘bola’ troque o conforto habitual, com percursos em crescendo de nunca se sabe a quem pode ‘tocar’ o azar problemas e que quem venceu foi Cyril
do lar por duas intensas semanas, mui- dificuldade, este ano sê-lo-á quase desde ou a sorte. Esquecendo os possíveis erros Després. Podemos fazer muitos exercícios
to provavelmente das mais duras da sua o primeiro quilómetro. de navegação, problemas mecânicos, ou de lógica, mas tudo acaba por entroncar
vida desportiva. Falamos de André Villas- acidentes, a prova este ano é tão dura que num facto irrefutável. Mesmo que os car-
Boas, treinador de futebol, que segue as DUREZA PODE BARALHAR ninguém deverá escapar a problemas, e ros fossem todos iguais, com quatro pilotos
pisas do seu tio Pedro, um dos pioneiros
portugueses do Dakar. Antever o que pode este Dakar pode ser
Muitos antes dele fizeram percursos se- complicado. Esquecendo o percurso, sim-
melhantes, e quase quatro décadas de- plesmente diríamos que a Peugeot é cla-
pois, o Dakar continua a ‘escrever’ ‘estó- ramente a favorita, ainda que os regula-
rias’ fantásticas de sobrevivência, sangue, mentos penalizem este ano um pouco
suor e lágrimas. Mas também de coragem, mais os buggy e atenuem também um
tenacidade, medo ou resignação. Como pouco os 4X4. Decifrando o que isto sig-
denominador comum, deixa marcas bem nifica, diremos que a Peugeot dificilmente
exercerá um domínio tão evidente como,

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CAMIÕES NOVAMENTE A KAMAZ?

Nas nove edições até aqui realizadas na América do Sul a Kamaz podem fazer alguns brilharetes.
venceu sete. As outras duas foram ganhas pela Iveco e só isto Destaque ainda para a presença portuguesa nos Camiões. No nº
era suficiente para colocar novamente a Kamaz no topo da lista 520, pilotado por Michel Boucou, temos novamente o português
de favoritos. Este ano estão inscritos 44 camiões e os russos da radicado em França, Armando Loureiro (DAF) e no nº 530, pilotado
Kamaz - Eduard Nikolaev, Airat Mardeev e Dmitry Sotnikov - vão à pelo alemão Mathias Behringer (MAN SE ), vai como mecânico
procura da sua 15ª vitória. Já os homens da Iveco são os que mais Marco Moreiras, que regressa ao Dakar depois de sete anos, ele
perto andam dos Kamaz, mas há outros a poderem imiscuir-se na que está agora South Racing, como chefe de oficina, depois de ter
luta, como por exemplo os dois homens da Tatra. Não terão tarefa estado na Volkswagen Motorsport no WRC.
fácil, já que desde a primeira vitória de Vladimir Chagin, em 2000,
a sequência de triunfos dos Kamaz só foi interrompida em três
ocasiões.
Nem depois do reinado de Chagin e Kabirov os russos perderam
o embalo, pois os jovens que os substituíram continuaram a dar
conta do recado.
Os camiões Iveco do Team De Rooy foram os únicos que
interromperam a supremacia russa. Federico Villagra (3º/2016,
4º/2017) quer subir degraus. Ales Loprais e Martin Kolomy, com os
Tatra privados, são dois outsiders com algumas possibilidades. De
resto, Martin Van den Brink (Renault, 2 vitórias em etapas em 2017)
e o bielorusso Aleksandr Vasilevski (Maz-SportAuto, 6º em 2017)

vamente com uma Toyota Hilux 4WD re-
vista, com um novo layout de motor, com
um restritor maior e uma nova afinação
de suspensões que visa dar aos pilotos
um carro mais equilibrado.
O ponta de lança da equipa volta a ser
Nasser Al-Attiyah, que leva Matthieu
Baumel ao lado. Outra dupla favorita à
vitória. No segundo carro estará Giniel de
Villiers, com Dirk von Zitzewitz ao lado,
e na terceira Hilux a dupla Bernhard Ten
Brinke/Michel Perin.
Mais uma vez, nem os homens da Mini
nem os da Toyota parecem ‘chegar’ para
os da Peugeot, olhando só para a quali-
dade dos pilotos, mas como se sabe e já
referimos, o Dakar é muito mais do que
isso. Em termos de pilotos, a Toyota está
melhor que a Mini.

como Peterhansel, Loeb, Després e Sainz mas também com um novo Mini John destaca-se o emagrecimento, e um cur- OUTSIDERS
seria sempre a Peugeot a equipa de maior Cooper Works Buggy, tendo desta for- so de suspensão que passa de 250 para
destaque. Um verdadeiro ‘Dream Team’, ma uma arma para combater a Peugeot 280 mm. Para lá das três mais fortes equipas, que
que para além disso tem um carro com no ‘seu’ terreno, e ao mesmo tempo, no Fica por dizer que no Buggy vão estar em condições normais ocuparão boa par-
muitas novidades. O novo Peugeot 3008 seio da equipa, continuam a desfrutar dos Mikko Hirvonen, Bryce Menzies e Yazeed- te do top 10 – dependendo dos azares e
DKR Maxi viu as suas vias alargadas em carros que já já foram perfeitos dominado- Al Rajhi, enquanto o Mini ‘normal’ será pi- abandonos – há um conjunto de bons
10 cm de cada lado para melhorar a esta- res do Dakar. Como desvantagem, a Mini lotado por Orlando Terranova, Nani Roma, outsiders que mais não vão fazer do que
bilidade, tendo também sido feitos alguns tem o facto do buggy ser novo, e por isso Jakub Przygonski e Boris Garafulic, que lutar por lugares de honra. Por exemplo, o
melhoramentos ao nível da suspensão. está longe do nível de desenvolvimento como se sabe tem o português Filipe ‘rallyman’ Martin Prokop, que volta com a
Foi aumentado significativamente o seu do Peugeot. Palmeiro ao lado. Ford Ranger. Do Peru chega Nicolás Fuchs,
peso mínimo, enquanto os rivais, leia-se, Entre as melhorias do Mini All4 Racing Por fim, a Toyota. A equipa vai à luta no- com um Borgward, e de Portugal chega
Mini e Toyota, estão 100 kg mais leves. Seja Carlos Sousa, que, com Pascal Maimon,
como for, a Peugeot parte para o seu úl- regressa ao Dakar num Renault Duster,
timo Dakar como favorita. pronto para lutar pelo top 10.
A Mini tem uma grande novidade este DestaqueaindaparaRonanChaboteLucio
ano. Corre com o seu habitual Mini All4 Álvarez, com duas competitivas Toyota
Racing, que foi amplamente melhorado, Hiluxe para Khalid Al Qassimi que faz uma
pausa nos ralis e corre com a versão an-
terior do Peugeot 3008 DKR. Eric Bernard
leva um Buggy e Emiliano Spataro é o co-
lega de equipa de Carlos Sousa na Renault
Argentina. Christian Lavielle também é
candidato ao top 10, mas a lista é enorme
e por isso a luta vai ser grande.

/
ESPECIAL DAKAR 2018

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ENTREVISTA CARLOS SOUSA
ACREDITO
NOTOP10 ENA
COMPETITIVIDADE
DO DUSTER
José Luís Abreu
[email protected] Carlos Sousa está de regresso! Ele que é o mais bem-sucedido
piloto português no todo o terreno, foi convidado pela Renault para
Já não anda longe de se cumpri-
rem 30 anos desde o dia em que correr no Dakar 2018. Não vai ser fácil, mas o objetivo é o top 10…
Carlos Sousa se iniciou na com-
petição automóvel ao volante de em termos de navegação estamos 100% para Carlos Sousa confirmar as positivas ro e um navegador novos. Ou seja, é todo
um UMM. Desde esse momento, o seguros. Há vários anos que nos conhe- impressões que tinha: “É um automó- um mundo novo que me espera. No en-
piloto de Almada ‘escreveu’ mui- cemos, com algumas lutas em pista, mas vel muito sólido. No entanto, admito que tanto, esta também não é uma situação
tos capítulos interessantes na história com uma amizade que se foi cimentando. estranhei o regresso à condução de um totalmente nova para mim. Já estou ha-
do TT mundial, em geral, e do Dakar em Meio a brincar íamos dizendo que, um dia, carro equipado com motor a gasolina. Um bituado a este tipo de dificuldades, pelo
particular. Teve muitos momentos altos, iríamos correr juntos. E assim que o meu motor que tem menos binário nos baixos que espero ultrapassar tudo isso o mais
alguns baixos, e numa altura em que se nome surgiu na lista de inscritos provisó- regimes, obrigando a uma pilotagem com- rápido possível.”
achava que a sua carreira poderia não ter ria, o Pascal ligou logo a perguntar se era pletamente diferente, com mais recurso
sequência, eis que vai marcar presença desta que íamos fazer dupla. O acordo à caixa de velocidades e a rotações mais CONDICIONALISMOS E OBJETIVOS
na prova, com o número 315 nas portas ficou estabelecido no momento! É uma elevadas. Mas, se tudo correr bem, no final Tendo em conta o número e qualidade do
do Renault/Duster, fruto de um convi- das referências da modalidade na arte da terceira etapa, a adaptação está feita”, plantel presente, ficar no top 10 é cada vez
te da Renault. da navegação. O seu palmarés diz tudo disse Carlos Sousa que nas suas cinco úl- mais difícil, pois aumentou muito o nú-
Apesar de quatro títulos nacionais abso- sobre a sua experiência e competência. timas participações correu sempre com mero de candidatos, mas é um cenário
lutos e 21 vitórias na geral, a carreira de Também é um especialista em mecâni- viaturas a diesel. perfeitamente possível e, para isso, Carlos
Carlos Sousa cedo extravasou a fronteira ca, pelo que a escolha não podia ser mais Agora, resta esperar pelo arranque da Sousa já definiu a estratégia: “Primeiro
de Portugal, e foi aí que os seus triunfos certa”, começou por dizer Carlos Sousa, prova. “A falta de ritmo é uma das minhas vou ter de me adaptar a tudo o que é no-
e conquistas o guindaram a um patamar que foi recentemente nomeado o Piloto maiores preocupações, pois há dois anos vidade. Mas quero andar o mais rápido
bem mais elevado, especialmente pelos dos 40 anos do Autosport, numa vota- que não me sentava num automóvel de possível, nunca esquecendo que o Dakar
seus feitos no Dakar, onde se estreou em ção dos leitores do jornal: “Adorei e estou competição, mas para a prova estou pa- ainda continua a ser uma prova marato-
1996. Como melhor resultado ostenta o muito agradecido aos leitores pelo facto de rado há dois anos, e vou estrear um car- na. É verdade que cada vez mais parece
quarto lugar de 2003, a que juntou dois terem reconhecido o trabalho que tenho
quintos lugares (2001 e 2002), três sex- feito nestes anos todos. Muito obrigado
tos (2010, 2012 e 2013), três sétimos (2005, por esta nomeação que me sensibiliza”,
2006 e 2007) e um décimo em 1997, para disse Carlos Sousa, que estava longe de
além várias vitórias em etapas. imaginar que estaria de regresso ao Dakar:
Agora, e depois de dois anos afastado das “Estava descansado em casa, quando re-
competições, o português está de regres- cebi um telefonema com o honroso e ir-
so ao mais duro rali do mundo, como um recusável convite da Renault. Apesar de
dos pilotos da equipa oficial Renault Duster estar sem correr há dois anos, a adrena-
Dakar Team, onde tem como objetivo um lina subiu de imediato e, a verdade, é que
resultado entre os dez primeiros, meta não não vejo a hora de arrancar.”
só alicerçada no potencial revelado pelo
Duster em edições anteriores, mas tam- TESTE POSITIVO
bém no facto de agora ser guiado por um
piloto de experiência superior. Entretanto, o piloto já testou o Duster e as
Ao seu lado, Carlos Sousa irá ter o ven- primeiras impressões são bastante positi-
cedor do Dakar de 2002 (com Hiroshi vas: “O Duster está muito bem construído.
Masuoka), o francês Pascal Maimon: “Se Gostei do seu comportamento e do mo-
eu vou fazer o meu 17º Dakar o Pascal tor. Como não houve a possibilidade de
Maimon vai fazer o 26, é uma pessoa que rodarmos mais cedo, optámos por fazer
eu já conhecia há muitos anos, já fez parte poucos quilómetros”, sublinha o piloto.
das organizações da ASO, de reconheci- Uma sessão que, apesar de tudo, serviu
mento dos percursos, portanto penso que

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um vulgar rali face às lutas que se tra- competitividade do Duster. Aliás, tenho apoio e acompanhamento da ‘casa mãe’ Fizemos 25 km na ligação e ficámos sem
vam nos lugares cimeiros, mas a gestão bempresentena memória ostop-3con- Renault Sport Racing, a divisão despor- combustível. Apostei tudo naquela espe-
do ritmo continua a ser essencial para a quistados em algumas etapas, resultados tiva do Grupo Renault. cial, para já por ser em Portugal, aquele
conquista de um bom resultado. E como que só são possíveis de obter por um car- Por fim, e quando pedimos a Carlos Sousa público fantástico, cada curva que fazia
a edição deste ano começa logo com vá- ro competitivo.” que nos contasse uma história deste seu sentia mais energia para a curva seguinte
rios dias no deserto, acredito que isso pode A equipa vai ter dois Duster em prova, percurso no Dakar, recordou a prova de e com aquele pessoal a vibrar claro que é
ser uma vantagem para mim. Aliás, acre- as duplas Carlos Sousa/Pascal Maimon 2007, que como se sabe foi a última que muito mais fácil, sentia-me privilegiado
dito mesmo que, ao contrário dos outros e Emiliano Spataro/Santiago Hansen. passou por Portugal (a de 2008 foi anu- dentro do carro, e eu acho que aquelas
anos, podemos chegar a meio da prova Spataro é o habitual piloto da formação e lada). pessoas todas no percurso fizeram uns
com vantagens significativas entre os está com o projeto desde o ano de estreia, “Nunca vou esquecer, jamais, a especial segundos de diferença. Só vi tanta gente
pilotos da frente. Mas o Dakar é sempre em 2012. O argentino, em 2014, conquis- da Comporta pois correu-me maravilho- assim junta quando tinha os meus 15/16
fértil em surpresas, por isso vamos ver o tou o melhor resultado para a equipa no samente bem. Quando estava prestes a anos e ia de moto para Sintra ver o Rali
que nos reserva este ano.” Quanto a obje- Dakar: 4º lugar da classe, a que corres- partir pensei, tenho que ganhar isto. E de Portugal. O Sainz não gostou nada de
tivos desportivos, Carlos Sousa confessa: pondeu a 14ª posição à geral. Em 2017, o tudo me correu bem. Eu tinha, na altura, perder e disse a brincar, 'deves conhecer
"Sonho com a conquista de um resultado Duster chegou ao final do Dakar pela quin- a certeza que para andar rápido, o mais isto'. Não conhecia, de todo, não reconhe-
nos 10 primeiros. Tenho consciência que ta vez consecutiva e, apesar dos percalços, importante era a pressão dos pneus e ci o percurso, mas passado três, quatro
a expectativa é muito elevada, tendo em terminou num positivo 22º lugar. Apesar eu sabia que ia com a melhor pressão de dias, voltámos a vencer em Marrocos e
conta a qualidade da lista de inscritos, de ser desenvolvido pela filial argentina pneus. Levámos o mínimo de gasóleo e perguntei-lhe. Então, esta também re-
mas eu acredito nessa possibilidade e na da marca, o projeto tem beneficiado do até nos faltou o combustível na ligação. conheci?”

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ESPECIAL DAKAR 2018

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F“ILEIPSETPAELMAEIRNO ‘OCORVREA’ PIARASOETORP 10
MAIS DIFÍCIL…”

Filipe Palmeiro é um dos seis abandonar no penúltimo dia do rali, com ANDRÉ VILLAS-BOAS E RUBEN FARIA
portugueses entre os carros e camiões problemas no Mini. “Acho que este ano JUNTOS NO DAKAR
este ano no Dakar. Novamente ao lado de vai ser mais difícil voltar àquela posição,
Boris Garafulic, o experiente navegador pois há bem mais concorrência, mas não SHOWDE BOLA
vai tentar contribuir para que o chileno é impossível. Considero que a primeira
faça melhor que o 11º lugar obtido em semana de prova será fundamental. Nos
2012 e 2014, o que não se afigura tarefa anos anteriores o arranque era mais soft
fácil, já que o plantel voltou a crescer e a prova ia endurecendo, mas este ano
em termos de qualidade: “O ano passado começa logo com grandes dificuldades,
até estava a correr bem até desistirmos com muito fora de pista, muita areia.
com o problema no carro”, começou Penso que mesmo na Argentina vai ser
por dizer Palmeiro, que foi terceiro na complicado e por isso o nosso carro
recente Baja Portalegre 500, em Mini tem alguma vantagem com as especiais
All4 Racing. O ano passado, a dupla mais difíceis. Como disse, não vai ser
estava a fazer um grande Dakar, sempre fácil chegar à mesma posição”, disse
a melhorar a classificação, realizando Palmeiro cujo melhor resultado no Dakar
uma estupenda prova que os levaria é um nono lugar com o polaco Martin
até ao sétimo lugar, mas acabaria por Kaczmarski.

Olhando para esta nova dupla e para a que me disse que para o fazer de moto
questão do ponto de vista dos adeptos precisaria de treinar um ano inteiro,
dos ‘motores’, “Quem é aquele ao lado pelo que era melhor ir de carro. Então,
do Ruben Faria?” Ao fim ao cabo, o ex- contactei a Overdrive e aqui estou eu”,
piloto da KTM deu a Portugal o seu disse André Villas Boas que corre pela
melhor resultado de sempre no Dakar. Toyota Overdrive Race for Good.
Brincadeiras à parte, há muito que era Quanto a Ruben Faria, segundo
conhecida a paixão de André Villas- no Dakar 2013 nas motos, deixou
Boas pelos ‘motores’ em geral e pelo as corridas para liderar a equipa
TT em particular, pois cresceu a ouvir Husqvarna em 2017, mas sem nunca
as histórias do seu tio, Pedro Villas- perder os seus hábitos de pilotagem,
Boas, um dos pioneiros portugueses já que tem guiado um SSV no
no Dakar. campeonato off-road português. Agora
Mais de 30 anos depois tudo se juntou volta à competição num novo papel
para concretizar esse sonho e por isso que o deixa bastante entusiasmado:
vamos vê-lo no Dakar, fazendo dupla “Quando o André me ligou para propor
com Ruben Faria, aos comandos de ir com ele, tive que pensar… pelo
uma Toyota Hilux. menos cinco segundos. É um grande
Vencedor da Liga Europa com o desafio e acho que podemos fazer
FC Porto em 2011, foi treinador do um bom Dakar, o que significa chegar
Chelsea e campeão da Rússia no ao bivouac todas as noites e sem ser
Zenith de São Petersburgo em 2015, muito tarde!” Em termos desportivos
e depois de terminar recentemente é uma incógnita o que pode fazer esta
contrato com a equipa chinesa que dupla, mas sabendo como correram os
treinava, André Villas-Boas tem agora testes de Marrocos, desconfiamos que
um novo desafio, o Dakar: “Falei com o não vão andar longe do top 20, e se
amigo Alex Doringer, gerente da KTM, calhar até um pouco mais à frente…

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PEDRO MELLO BREYNER/PEDRO VELOSA NOS SXS

AGORAODAKAR

Depois das 24 Horas de Le Mans, na categoria de SxS, a mais recente dis- as suas dificuldades e armadilhas ao Também Pedro Velosa está motivado:
agora é a vez de Pedro de Mello ciplina do Dakar: “Há muitos anos que longo dos 14 dias, mas penso que a “Será o meu quarto Dakar, mas este
Breyner se estrear no Dakar. sonhava em participar no Dakar e este minha grande experiência na com- terá seguramente um sabor muito
Com Pedro Velosa ao lado, vão convite da Camelia Liparoti para inte- petição é um trunfo e sei que me vai especial por toda a novidade de uma
competir nos SxS, categoria do TT em grar a sua equipa desatou-me o nó que ajudar bastante; poupar a mecânica estreia numa disciplina que está a ter
pleno crescimento em todo o mundo… faltava para concretizar este projeto. vai ser muito importante de forma a um sucesso fantástico em Portugal.
Pedro Mello Breyner e Pedro Velosa vão Estou motivadíssimo”, começou por permitir estar sempre a rolar e man- Estou certo de que vai ser uma grande
entrar na história do Dakar quando se dizer Pedro de Mello Breyner, piloto ter um ritmo constante. O teste de aventura. Vamos ter muitas cautelas
tornarem na primeira dupla portuguesa que tem uma longa carreira desportiva Marrocos foi muito proveitoso, diria na fase inicial. Nesta categoria há ainda
a correr nos SxS. Em 1982 os portu- em provas nacionais e internacionais, mesmo fundamental, porque é exata- muito para desenvolver e perceber a
gueses estrearam-se nos autos com onde se incluem as 24 Horas de Le mente o que vamos apanhar no Peru. respeito da fiabilidade destes auto-
os míticos UMM, em 1991 foi a vez de Mans: “Nesta minha primeira partici- Foi ótimo, correu bem em todos os móveis em provas como o Dakar. O
António Lopes se estrear nas motos, pação tenho como objetivo principal aspetos, com o carro, com o treino, Pedro fez uma adaptação excelente
nos camiões foi Cristóvão Leitão em chegar ao fim; estou preparado para enfim, tudo. De resto, estar integrado à areia, tem muita sensibilidade com
1994 e na edição de 2000, Ricardo Leal encarar esta prova com humildade na equipa da Camelia Liparoti e ter o o carro, e uma das suas vantagens é
dos Santos foi o primeiro português a e muita serenidade, pois trata-se do Pedro Velosa ao meu lado deixa-me a preparação psicológica, pois está
aventurar-se de Quad. Agora, a edição mais longo e duro rali TT do mundo. O muito confiante para levar o Yamaha pronto a encarar o Dakar duma forma
de 2018 marcará a estreia portuguesa maior adversário vai ser o percurso, YXZ 1000 R a Cordoba”, referiu. muito calma e muito tranquila.”

NOVAS REGRAS recente nova categoria do Dakar, e, magníficas pistas do Dakar, um
PARA OS SXS diz quem sabe, guiar aqueles carros sonho. Este ano a lista cresceu de
é um enorme prazer e fazê-lo nas oito para 13 participantes.
Chamem-lhes UTV (Utility Task O ano passado a organização
Vehicle), SSV (Side by Side Vehicle) criou uma categoria específica,
ou SxS (Side by Side), é a mais mas este ano tem classificação
à parte e novas regras pois há
limitação de velocidade, passou a
ser de 130 Km/h, e de combustível,
o que significa que haverá
reabastecimentos obrigatórios, tal
como sucede com as motos e Quads.
Na edição de 2017 arrancaram 8 e
terminaram 5, sendo que entre os
13 deste ano, destaca-se o nome do
experiente brasileiro Reinaldo Varela.
Quanto à competitividade do resto
do plantel, é esperar para ver...

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ESPECIAL DAKAR 2018

GUERRA Alexandre Melo
ABERTA [email protected]

Em 2017 Sam Sunderland tornou-se no primeiro piloto britânico a conquistar o Éverdade, já passou mais um
Dakar, contribuindo para prolongar a longa invencibilidade da KTM no evento. Natal e o ano virou pelo que de-
saguamos em mais um Dakar,
Um ano volvido são muitos e bons os rivais a quererem destronar esta dupla competição que monopoliza o
do lugar mais alto do pódio. Honda – apesar da incógnita Paulo Gonçalves - desporto motorizado no início
de cada ano civil. Em 2018 ce-
Yamaha, Husqvarna, Sherco, Hero e Gas Gas são marcas que estão à espreita da lebra-se a 40ª edição do evento organi-
oportunidade para atingir o ‘Olimpo’ zado pela Amaury Sport Organisation,
sendo também a 10ª ocasião que a gran-
de maratona monta o ‘acampamento’ na
América do Sul.
Não estamos em África, continente onde
o Dakar imortalizou-se enquanto mar-
ca, mas nem por isso a prova perdeu o
seu ‘glamour’ e deixou de preencher o
imaginário de todos aqueles que ano
após ano esperam ansiosamente pelo
mês de janeiro para testemunhar os fei-
tos destes autênticos heróis que muitas
das vezes desafiam o limite da supera-
ção humana etapa após etapa.

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BATALHA DE QUATRO RODAS de uma lesão e falhará o Dakar pela pri-
meira vez desde 2006. A marca do triplo
Nos quads a corrida será novamente muito disputada e como sempre a fiabilidade das diapasão, que celebrou a última vitória
máquinas bem como o indispensável ‘factor sorte’ será muito importante. Na lista de precisamente há 20 anos, tem ainda aos
inscritos desde logo é de destacar mais uma vez a ausência dos irmãos Patronelli, que comandos do novo protótipo o reforço e
entre si já conquistaram por cinco vezes a corrida nesta categoria. melhor estreante de 2017, Franco Caimi,
Na sua quarta participação o russo Sergei Kariakin (Yamaha) estreou-se a vencer em 2017, e o ‘escudeiro’ Rodney Faggoter.
mas para revalidar este triunfo terá muito trabalho pela frente dada a qualidade dos rivais. Quanto à Husqvarna, marca ‘prima’ da
Os antigos vencedores, Ignacio Casale (Yamaha) e Rafal Sonik (Yamaha), são sem margem KTM, aparece neste Dakar apenas com
para dúvida nomes a reter ou não fossem pilotos que conhecem como poucos os segredos dois pilotos, mas também com uma nova
do Dakar sul-americano. Para lutar pelo pódio e porque não pelo triunfo é preciso também ‘montada’. As esperanças serão todas
ter em conta Axel Dutrie (Yamaha), Jeremias Gonzalez Ferioli (Yamaha), Pablo Copetti depositadas no bicampeão do mundo de
(Yamaha) ou Nelson Sanabria (Yamaha). cross country e ralis, Pablo Quintanilla.
O piloto chileno contará nesta maratona
De interesse lusitano - depois de em senta-se na máxima força. Desde logo CAÇA AO TESOURO com o apoio de Andrew Short. O piloto
2017 termos tido 11 pilotos portugueses o facto de vir a jogo com uma nova norte-americano não tem experiên-
à partida - serão apenas três (Joaquim 450 Rally, que fez a sua estreia no co- Se no campo dos detentores do ‘caneco’ cia neste tipo de competições, pois a
Rodrigues, Mário Patrão e Fausto Mota) nhecido Rali de Marrocos e logo com a força é muita, o mesmo pode aplicar- sua carreira foi desenvolvida no moto-
ou quatro (dependendo da evolução de um saboroso triunfo pelas mãos de -se a quem está a ‘contar espingardas’ cross e supercross. Chegar ao final da
Paulo Gonçalves) a embarcar na com- Matthias Walkner. No entanto, ape- do outro lado da barricada. Começando prova já será uma vitória. De fora está
petição criada por Thierry Sabine no sar deste bom presságio e dos muitos desde logo pela Honda, que continua a Pela Renet, que continua a recuperar
capítulo das duas rodas. Apesar da quilómetros realizados em testes é no sua cruzada na tentativa de recuperar das graves lesões sofridas, no passado
significativa redução de pilotos a espe- Dakar que será feita a verdadeira ‘ro- o primeiro lugar no Dakar, algo que não mês de agosto, durante o Atacama Rally.
rança em brilhar não esmorece confor- dagem’ do protótipo de Mattighofen. sucede desde 1989 então com o francês Num segundo plano em termos de
me poderemos observar nas páginas Aos comandos da nova moto estará Gilles Lalay. equipas oficiais temos sempre de con-
seguintes. Olhando novamente para a uma equipa muito forte e que oferece Apesar do ponto de interrogação em tar com a Sherco, que apresenta Joan
‘floresta’, em 2018, para além das difi- as máximas garantias. O elenco é li- torno de Paulo Gonçalves é preciso con- Pedrero Garcia e Adrien Metge. Nesta
culdades inerentes ao percurso, que derado por Sam Sunderland, que pre- tar com Joan Barreda Bort numa equipa fileira inclui-se também a indiana Hero
atravessa três países (Peru, Bolívia e tende seguir as pisadas do malogrado que procura ‘matar este borrego’ e que MotoSports, que tem junto de si uma das
Argentina), existe também o desafio Fabrizio Meoni, Cyril Despres e Marc trabalhou muito durante o ano, nomea- grandes revelações da prova de 2017: o
de destronar a KTM, essa grande ins- Coma, pilotos que conseguiram vencer damente no Mundial de Cross Country e português Joaquim Rodrigues.
tituição no que diz respeito às corridas dois Dakar consecutivos com a KTM. Ao Ralis, na fiabilidade, o grande ‘calcanhar Destaque também para o regresso da
de todo o terreno, que já leva no seu pe- seu lado, Sunderland terá o segundo de Aquiles’ da CRF450 Rally. No entanto, Gas Gas, marca que volta ao Dakar após
cúlio 16 vitórias consecutivas no mais classificado de 2017, Matthias Walkner. importa relembrar que no último Dakar ter falhado as duas últimas edições. A
duro rali do mundo. Quem também faz parte deste ali- não foi a fiabilidade a ‘estragar o negó- representar a equipa espanhola estará
Para reter mais um ano esta impres- nhamento é Toby Price. O vencedor cio’, mas sim as penalizações, que tanta Johnny Aubert, piloto com carreira feita
sionante hegemonia, no Dakar, a KTM, do Dakar em 2016 estará no entanto na polémica acabaram por gerar. no enduro, Jonathan Barragán, outro es-
como não poderia deixar de ser, apre- posição de ‘outsider’, isto porque está há Nas fileiras da Honda é preciso não es- treante vindo do enduro, e ainda Cristian
quase um ano sem competir devido à quecer Kevin Benavides, piloto que o España, homem que em 2017 sucedeu a
fratura da perna esquerda que contraiu ano passado falhou a prova devido a Mário Patrão como vencedor da cate-
no último Dakar. Infortúnio que obrigou lesão. A grande surpresa da edição de goria Maratona. Outra grande atração
Price a desistir da corrida e claro está a 2016 terá finalmente a oportunidade de no seio da Gas Gas é o facto da forma-
uma longa recuperação que teve avan- fazer um Dakar como piloto oficial da ção do país vizinho ter no antigo piloto e
ços e recuos. No campo da KTM é ainda Honda Racing Corporation. O leque fica terceiro classificado em 2006, Giovanni
preciso contar com Antoine Méo, que completo com o norte-americano Ricky Sala, o chefe de equipa.
falhou o Dakar de 2017 por lesão, Laia Brabec e o ‘aguadeiro’ Michael Metge. Porém, como é sabido a história da pro-
Sanz - nona em 2015 - e ainda com o Passando para a Yamaha esta coloca- va não se faz apenas com equipas oficiais
estreante Luciano Benavides, que é pri- rá em campo uma nova WR450F e tem pelo que os privados terão também uma
mo do piloto da Honda, Kevin. O lote de em Adrien Van Beveren, que o ano pas- palavra a dizer para, aqui e ali, fazerem
sete pilotos oficiais da KTM é completo sado ficou às portas do pódio, e Xavier uma ‘gracinha’. Desde logo surge à ca-
pelo português Mário Patrão, que pelo de Soultrait os seus ‘pontas-de-lança’. beça a Himoinsa Racing Team. Esta é a
segundo ano seguido surge inserido na Aposta gaulesa numa equipa que não equipa de Gerard Farrés Guell, piloto que
estrutura de Mattighofen. terá em competição Hélder Rodrigues. o ano passado, aos comandos de uma
O consagrado piloto português recupera KTM, fez o ‘Dakar da sua vida’ ao ser ter-
ceiro classificado. Outro ‘semi-privado’
que nunca pode ser descartado é o sem-
pre fiável Stefan Svitko (KTM), piloto que
pauta as suas exibições pela descrição e
que em 2016 foi segundo. Neste lote é pre-
ciso também ter em conta nomes como
o herói boliviano Juan Carlos Salvatierra
(KTM), Armand Monleón (KTM), Olivier
Pain (KTM), Alessandro Botturi (Yamaha)
ou o argentino Diego Duplessis (Honda).
Tudo pilotos que estarão sempre à esprei-
ta para brilhar se existir um descuido por
parte dos ‘graúdos’.

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ESPECIAL DAKAR 2018

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NA LUTAPAULOGONÇALVES

Após 11 participações consecutivas no Dakar, Paulo Gonçalves
está em dúvida para participar na maior prova de todo o terreno

do mundo. Uma queda, enquanto treinava, complicou a vida ao
piloto português numa fase em que a Honda parece apresentar-

se mais determinada do que nunca para quebrar o domínio
da KTM. Definitivamente uma história de amor e ódio com um

evento que cada vez mais 'deve algo' ao aguerrido 'Speedy'

Alexandre Melo tudo o ombro que gera, neste momento, SEMPRE NA LUTA rumo a África. Em representação do
[email protected] maior preocupação. Condicionantes que Team Repsol/Honda, onde tinha Paulo
só após o já referido 'shakedown' Paulo Como já referimos anteriormente, bem Marques como mentor e diretor des-
Depois da notícia da ausência de Gonçalves saberá se são ou não impedi- se pode dizer que a história de Paulo portivo, Gonçalves quedou-se pela 25ª
Hélder Rodrigues, nome gran- tivas de estar à partida do seu 12º Dakar Gonçalves com o Dakar é de amor e ódio. posição, sendo o segundo melhor por-
de entre as cores portuguesas consecutivo. Tudo começou em 2006 quando a pro- tuguês nas duas rodas na chegada ao
no Dakar, eis que fomos con- va partiu pela penúltima vez de Lisboa mítico Lago Rosa (Senegal).
frontados com a notícia de que No ano seguinte, novamente na mesma
a presença de Paulo Gonçalves estrutura, o piloto nortenho melhorou
no Dakar de 2018 está envolta num ponto o seu desempenho e fechou o último
de interrogação. Dakar africano em 23º.
Um duplo soco no estômago numa cor- Em 2009, já na América do Sul, 'Speedy'
rida que tanto carinho tem por parte dos deu pela primeira vez nas vistas
adeptos nacionais. Se no caso de Hélder ao alcançar um saboroso 10º lugar.
Rodrigues pode-se dizer que a situação já Nessa mesma edição do Dakar, Paulo
era esperada, no que diz respeito a Paulo Gonçalves foi o melhor piloto com uma
Gonçalves tudo foi repentino. moto da Honda bem como o melhor pri-
Duas semanas e meia antes do início vado, sendo que entre os portugueses
do Dakar o piloto da Honda sofreu uma foi o segundo melhor.
queda enquanto treinava na zona de São No Dakar de 2010, eis que chegou o pri-
Bartolomeu de Messines. meiro abandono.
Golpe duro para o luso que já havia visto a Tal situação surgiu na sexta etapa, onde
sua preparação para o Dakar ser atrasada, sofreu uma queda que resultou na fra-
pois havia lesionado a mão direita, no pas-
sado mês de outubro, aquando da realiza- BIANCHI PRATA ASSISTENTE NA HONDA
çãodo Rali deMarrocos, prova pontuável
para o Mundial de Cross Country e Ralis. Piloto que já esteve presente em 12 edições do Dakar – 9 como mas sinto que posso ajudar mais fora da moto do que aos seus
Agora, novo contratempo, que, felizmen- piloto e três como chefe de equipa – Pedro Bianchi Prata estará comandos”. Com 43 anos, completados no passado mês de agosto,
te, após a realização de exames médicos novamente presente, em 2018, na maior prova de todo o terreno o homem de Marco de Canaveses não esconde “ter a noção de que
em Portugal e Barcelona, não encontrou do mundo. os dias como piloto profissional estão a chegar ao fim. Este é um
fraturas. O luso será assistente do chefe de equipa da Honda Racing grande passo na minha carreira ligada a estas provas pelo que
Desta forma, e num autêntico contra-reló- Corporation, Raul Castells. Uma função de prestígio para Bianchi pretendo dar o máximo para ajudar a Honda a alcançar os seus
gio, o piloto de Esposende está a lutar com Prata, que está muito bem cotado na esfera Honda, sendo que já o objetivos.”
todas as suas forças para estar presente ano passado foi chamado à última hora para substituir o lesionado
no Dakar. Assim, e de acordo com infor- Kevin Benavides. “É uma honra fazer parte desta equipa e ter sido
mação recolhida junto da assessoria do convidado pelo Raul Castells. Esta é a continuação de um trabalho
piloto português, o AutoSport sabe que o que começou no último Dakar em cima da moto, como ‘aguadeiro’,
piloto de 38 anos, antes do início da corrida, e este ano prolonga-se, fora da moto, na função de assistente do
irá fazer um derradeiro 'shakedown' aos chefe de equipa”, referiu o piloto nortenho.
comandos da Honda CRF450 Rally, por Pedro Bianchi Prata explicou ainda que irá “tentar usar todos
forma a aferir se se encontra em condi- estes anos de experiência para contribuir o mais possível para
ções para tomar lugar à partida da grande uma vitória da Honda. É sem dúvida a melhor equipa, com a melhor
maratona, onde é apontado como um dos moto, melhor estrutura e os melhores pilotos. O ano passado
grandes favoritos ao triunfo. foi espectacular poder pilotar uma moto idêntica às oficiais,
O AutoSport sabe também que Gonçalves
esteve nos últimos dias em repouso ab-
soluto, pois tem uma dor num ombro bem
como uma lesão numa perna, sendo con-

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tura de uma clavícula. ao piloto português. Para a história fi- DEIXAR MARCA na sétima etapa, não obstante ser o co-
Curiosamente o piloto português ocu- cou também o início da polémica das mandante da contenda, parou para aju-
pava o sexto lugar da classificação geral penalizações com o piloto luso a ser Sem nunca desistir de perseguir o seu so- dar o lesionado Matthias Walkner, piloto
neste que foi o primeiro de dois Dakar penalizado em seis horas por proble- nho, Gonçalves alcançou em 2015 aquele da rival KTM.
aos comandos de uma BMW. mas no motor na sua moto. que até ao momento é o seu melhor re- Chegando ao ano passado a corrida de
Em 2011 surgiu a primeira vitória em eta- Seguiu-se novo top 10, em 2013, com o 10º sultado de sempre num Dakar, a segun- Paulo Gonçalves e da Honda ficou man-
pas, ao quinto dia de competição, porém, lugar naquele que foi o último Dakar aos da posição. Apesar de ter enfrentado, chada com a famosa penalização de 48
uma queda ditou o segundo abandono comandos da Husqvarna/Speedbrain. durante a corrida, problemas ao nível de minutos pelo facto dos pilotos da insíg-
consecutivo no Dakar quando esta- Nesse mesmo ano, Paulo Gonçalves as- navegação bem como de motor, que va- nia da asa dourada terem reabastecido
va novamente na luta pelas primeiras sinou pela Honda e conquistou, já em re- leu uma penalização de 15 minutos por as motos, alegadamente, fora de uma
posições. presentação da insígnia da asa dourada, troca do propulsor, como é hábito o luso zona autorizada. Desta forma tudo fi-
No ano seguinte, Paulo Gonçalves par- o título de campeão do mundo de cross nunca virou a cara à luta. Desta forma cou comprometido, mas mesmo assim
tiu para a grande aventura inserido na country e ralis, sendo o segundo portu- igualou o resultado de Ruben Faria em o piloto de Esposende ainda conseguiu
estrutura de Pedro Bianchi Prata, aos guês a conseguir tal feito depois de Hélder 2013, naqueles que são até ao momen- recuperar até ao sexto posto final, na-
comandos de uma Husqvarna. Rodrigues. to os melhores desempenhos de pilotos quele que é o seu segundo melhor de-
O piloto de Esposende viria a fechar No primeiro Dakar com a Honda tudo ter- portugueses, na categoria moto, no Dakar. sempenho no Dakar. É assim a história
a prova no 26º posto. Este Dakar fi- minou de forma abrupta com o famoso Em 2015 chegou novo desfecho amargo. de Paulo Gonçalves no Dakar, um evento
cou marcado pelo episódio com Cyril incêndio da moto durante a quinta etapa, Depois de terminar a primeira semana onde a sorte parece nunca ter andado de
Despres, vencedor da corrida. que culminou no terceiro abandono no como líder, Paulo Gonçalves foi forçado mãos dadas com o português, que conta
Numa zona com muita lama, Gonçalves evento criado por Thierry Sabine. ao abandono após sofrer duas quedas, na sua carreira com diversos títulos em
ajudou o gaulês a sair da difícil situação Na memória de todos está o desespero que mais uma vez 'tramaram' o piloto da diferentes disciplinas, mas que sem dú-
em que ambos se encontravam, mas de Paulo Gonçalves em ver a sua 'mon- Honda. Pelo meio ficou uma vitória numa vida tem esta 'espinhaencravada',espe-
depois Despres não retribuiu a ajuda tada' desaparecer no meio das chamas. etapa e mais uma demonstração do 'ca- remos que por não muito mais tempo...
valheirismo' do piloto nortenho quando

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ESPECIAL DAKAR 2018

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MÁRIO PATRÃO
NA EQUIPA DA KTM
ÀESPREITADOTOP10

Mário Patrão vai para a sua sexta participação no Dakar. O piloto de Seia, que
é o português com mais títulos nacionais de todo o terreno conquistados até
hoje, vai voltar a estar aos comandos de uma KTM da estrutura oficial, depois da

estreia como piloto da marca austríaca em 2017

Francisco Mendes o que vamos ali fazer e por isso não po- e utilizar e possui um motor mais rápido. será gerir dia após dia e fazer as coisas
[email protected] demos arriscar tudo para deitar tudo a Consegue-se atacar os obstáculos com bem sem cometer erros de condução
perder. Vamos ter duas etapas marato- muito mais força, algo que faz diferen- ou navegação. Se isso acontecer va-
Paraprepararaediçãode2018do na e por isso vai ser importante que eu ça. Por isso penso que temos uma moto mos terminar o Dakar numa posição
Dakar, Mário Patrão participou esteja no final de cada uma delas, para com algumas mais-valias em relação à de destaque.”
este ano em provas africanas, quando for necessário à equipa, esta que utilizámos em 2017.” Aos 41 anos de idade Mário Patrão pre-
como a Panafrica e o Rali de poder contar comigo como uma mais- Decidido a terminar os 14 dias de prova, parou a 40ª edição do Dakar de uma for-
Merzouga, e prepara-se agora -valia. Por isso terei de fazer uma boa Mário Patrão lembrou ainda que a pri- ma cuidada para estar a 100% no início
para enfrentar aquela que será, condução e navegação e de fazer uma meira semana de prova, no Peru, será da prova. “Fisicamente estou bem, não
segundo a organização, uma das mais gestão cuidadosa da corrida”. bastante complicada, mas não deixou tenho lesões. O ano passado quando fui
duras edições do Dakar, que terá início Quanto à nova moto que Mário Patrão de chamar à atenção para a passagem para o Dakar estava limitado, depois da
no dia 6 de janeiro, em Lima, no Peru, e já testou, o piloto de Seia deixou claro do Dakar pela Bolívia: “Vão ser etapas lesão que sofri. Fiz um bom trabalho de
termina dia 14, em Cordoba, Argentina. que existe uma enorme evolução face à muito duras onde vamos voltar a an- preparação e este foi o ano em que tra-
Desta vez, Mário Patrão vai tripular a moto que utilizou em 2017: “É uma moto dar a cinco mil metros de altitude. Além balhei mais tendo em vista o Dakar, com
nova 450 Rally que a KTM vai dispo- diferente e que revela uma enorme evo- disso, as previsões apontam para chu- mais horas de navegação e de prepara-
nibilizar aos pilotos da equipa oficial. lução quando comparada com a do ano vas intensas e derrocadas e isso tor- ção física. O trabalho está feito e agora é
Quanto a objetivos, é claro: “Terminar passado. É mais leve, mais estável, pos- na ainda mais complicada a situação preciso que as coisas corram bem, para
entre os 10 primeiros da geral. Penso sui mais força, é mais fácil de manobrar e pode estragar o Dakar. O importante alcançar um bom resultado."
que isso é possível alcançar, se tudo
correr dentro da normalidade. Desta
forma melhoraria o resultado de 2016,
quando terminei em 13º e venci a clas-
se Maratona.”
A presença do piloto português na equi-
pa que tem dominado o Dakar nos úl-
timos 15 anos é considerada como
bastante importante e Mário Patrão
mostra-se ciente do papel que irá de-
sempenhar no seio da estrutura da
KTM: ”Pretende-se dar seguimento ao
trabalho que fizemos no ano passado.
O meu papel será o de ajudar os res-
tantes pilotos da equipa, sempre que
seja necessário e que tenham algum
problema técnico. Se tiverem um pro-
blema com uma suspensão, travões ou
com o roadbook, eu posso ajudar e re-
solver. Porque nenhum deles tem tanto
à vontade como eu na área mecânica
e por isso é que eu voltei a ser chama-
do. Mas somos sete pilotos e qualquer
um pode precisar de ajuda dos outros.
O meu papel, como o dos outros, está
bem definido na equipa e isso é o im-
portante”.
Apesar da função que vai caber a Mário
Patrão na equipa da KTM, o piloto de
Seia não esconde que está no Dakar
para aproveitar todas as oportunidades
e acrescenta: “O importante é sabermos

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JOAQUIMRODRIGUES NOVA MÁQUINA
QUER CONTINUAR
A IMPRESSIONAR Precisamente para levar de venci-
da todas as dificuldades do percurso,
Pelo segundo ano consecutivo o piloto da Hero MotoSports bom resultado. Será um Dakar muito di- Joaquim Rodrigues contará com a in-
estará à partida da maior prova de todo o terreno do mundo. fícil pelo que chegar ao fim de cada etapa dispensável a ajuda de uma 'nova par-
Depois de deixar 'água na boca' com o desempenho de 2017, já poderá ser considerada uma vitória", ceira', que teve o seu início de desen-
Joaquim Rodrigues tentará este ano solidificar o estatuto de disse Joaquim Rodrigues. volvimento ainda em 2016 e a estreia
Entrando na análise do percurso, o pilo- na competição, em Marrocos, no pas-
valor nacional emergente nas grandas maratonas to português não tem dúvidas quanto a sado mês de outubro. "O ano passado
do todo o terreno internacional assinalar o ponto mais delicado do even- o projeto da Speedbrain com a Hero
to: "O Peru será o 'calcanhar de Aquiles' foi assinado, um pouco, à última hora.
Alexandre Melo mais perfeita. No entanto, como é sabi- para muitos concorrentes. Vamos ter Participei com uma moto que já tinha
[email protected] do, o tempo cura tudo, pelo que o piloto pela frente muita areia. Talvez o interes- alguns anos. Era uma boa máquina,
português apresenta-se na 40º edição do se por parte da organização seja fazer, mas como em tudo o que envolve com-
Ilustre desconhecido para muitos, Dakar com a garra de sempre para lutar desde logo, uma grande seleção no início petição, precisava de melhorias. Neste
em 2017, o piloto de Barcelos aven- por um lugar de relevo na mais dura pro- da competição. Acredito que este início Dakar estarei aos comandos de uma
turou-se nas lides do todo o terre- va de todo o terreno do mundo. Ambição de corrida será um teste muito exigente moto completamente nova. Melhorou
no, depois de uma carreira de su- no máximo, mas sem nunca perder a para pilotos e máquinas." Aocontráriode em muitos aspetos, mas isso não sig-
cesso no motocross e supercross, humildade, que é uma das imagens de 2017, onde tudo era uma novidade, desta nifica obrigatoriamente que o meu re-
em que chegou mesmo a competir marca do piloto da Hero MotoSports. "O vez Joaquim Rodrigues já sabe aquilo que sultado final vá ser melhor. No entan-
por terras do Tio Sam. Ao serviço da india- objetivo para este Dakar é precisamente vai encontrar ao longo de duas intensas to, a equipa vai-me facilitar o trabalho
na Hero MotoSports, Joaquim Rodrigues o mesmo do ano passado: primeiro é pre- semanas de competição, em que a "pre- ao disponibilizar-me uma moto nova.
ficou a bater na porta do top 10 (12º) na ciso acabar a corrida. Durante as etapas paração consiste em estar o mais forte Dará outra confiança à minha pilota-
sua primeira presença no Dakar. Só uma tentarei evitar as quedas, lesões, avarias possível em termos físicos. Tudo para es- gem, que será mais facilitada", entende
polémica penalização, após a conclusão e minimizar ao máximo os erros de na- tar preparado para a 'trilogia' que vamos o piloto nortenho que neste Dakar terá
do evento organizado pela Amaury Sport vegação. Se conseguir controlar todos enfrentar: o deserto no Peru, as elevadas novamente a companhia do indiano
Organisation, travou uma estreia ainda estes fatores estarei mais perto de um altitudes na Bolívia e o calor da Argentina.” CS Santosh ao qual junta-se o refor-
ço Oriol Mena. Apesar do Dakar ser o
grande teste à nova 'montada', Joaquim
Rodrigues realça desde já: "Foi feito um
bom trabalho, apesar de ter sido duro,
longo e com muitos testes realizados.
Como piloto dei o meu 'feedback' , no-
meadamente, ao nível da posição de pi-
lotagem, mas como não poderia deixar
de ser os engenheiros e técnicos tam-
bém desempenharam um papel crucial
na conceção da moto."

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ESPECIAL DAKAR 2018

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FAUSTO MOTA
QUERTERMINARNOTOP30

Nascido a 20 de setembro de 1977, em Marco de Canavezes,
Fausto Miguel Almeida Mota vai para a sua terceira participação
no Dakar, todas elas na América do Sul, e desta vez tem como
objetivo terminar entre os 30 primeiros da classificação geral

Francisco Mendes 30 na edição de 2018 da mítica mara- um andar mais que o outro é sempre lómetros de especial, o que nos aju-
[email protected] tona, que promete ser uma das mais mais complicado. Mas o que eu sempre da a melhorar na classificação. Este
duras dos últimos anos. “Esta é uma pretendi fazer era um Dakar sozinho, ano espero que nada disso aconteça.
D epois de em 2017 ter esta- moto com 10 cv a mais que a Yamaha o que vai acontecer desta vez, para Para além da fase inicial da prova, a
do aos comandos de uma que utilizei em 2017 e é um motor KTM saber o que posso dar e o que posso passagem pela Bolívia e a especial
Yamaha no Dakar, na com- Rally, com grande fiabilidade e que tem fazer.” Quanto à prova que terá o seu conhecida como ‘Super Fiambalá’ e
panhia de Rui Oliveira, para uma velocidade de ponta maior que a início no Peru a 6 de janeiro, Fausto que será a 11ª, onde já estivemos em
este ano Fausto Mota apos- Yamaha. Ou seja, acho que é um bom Mota não esconde que será um enorme 2011, pela sua extensão, podem muito
tou numa moto nova, toda ela conjunto e que pode ser muito impor- desafio: “Pelo traçado que apresenta bem decidir as coisas em matéria de
construída em Espanha, país de residên- tante para este Dakar, com uma estru- este ano não tenho dúvidas de que classificação geral. Por isso espero que
cia do piloto português. “É uma moto tura que me dá todas as garantias.” O será muito difícil, nomeadamente as este seja um Dakar completo.” Fausto
com um motor KTM Rally. Montámos piloto de Marco de Canavezes não es- primeiras etapas que vamos realizar Mota diz estar pronto para mais este
a moto com a 'ajuda' da experiência conde que o desafio de 2018 será mais no Peru, que vão ser muito duras. Para desafio da sua carreira e nos últimos
das minhas participações no Dakar. O exigente: “Este ano não vou ter colega além disso, espero que não tenhamos três meses tem treinado bastante:
nosso objectivo, como sempre, é ter- de equipa, vou estar sozinho, e gosta- os mesmos problemas que tivemos o “Treinei com insistência duas vezes
minar a prova.” va de terminar entre os 30 primeiros. ano passado com a neutralização de por dia e com a moto duas vezes por
A nova moto constitui uma aposta forte O facto de ir sozinho também tem van- uma etapa devido às chuvas - aca- semana para conseguir estar apto
para Fausto Mota poder lutar pelo top tagens, porque quando vamos dois se baram por faltar alguns dias e qui- para as dificuldades que vou encon-
trar. Sinto-me bem e estou ansioso por
começar mais um Dakar que é sem-
pre um grande desafio para qualquer
piloto”, acrescentou o piloto de Marco
de Canavezes.

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A 40ª edição do Rally Dakar terá lugar entre 6 e 20 de janeiro, percorrendo, pela
10ª vez consecutiva, a América do Sul. Para comemorar uma edição épica, a ASO
preparou uma prova que atravessará três países: Argentina, Bolívia e Peru (país a
que regressa depois de uma ausência de cinco anos), ao longo de 14 etapas e 15
dias (um para descanso), num total de 8793 km, 4329 Km dos quais disputados ao
cronómetro (para os autos).
Explorando setores desconhecidos, mas também propondo o tradicional e muito
exigente desafio da condução na areia de deserto (sete etapas disputadas em
dunas) e da condução em altitude, o Dakar 2018 promete ser dos mais seletivos
de todos os que se realizaram na américa do Sul desde 2009. Inicia-se no Peru (6
etapas), atravessa a Bolívia (4 etapas) e termina na Argentina (6 etapas).

PROGRAMA

SÁBADO QUARTA-FEIRA SÁBADO SEGUNDA-FEIRA

6 DE JANEIRO 1ª ETAPA 10 DE JANEIRO 5ª ETAPA 13 DE JANEIRO 7ª ETAPA 15 DE JANEIRO 9ª ETAPA

(Lima/Pisco) – 272 km (SS: 31 km) (San Juan de Marcona/Arequipa) – (La Paz/Uyuni) – 726 km (SS: 425 km) (Tupiza/Salta) - 754 km (SS: 242 km)
Arrancando do Peru, o Dakar serve logo 932 km (SS: 267 km) Cruzando a fronteira, nesta etapa pilotos e A entrada em território argentino será marcada
na etapa de abertura um dos seus 'pratos Esta etapa marcará a divisão entre motos/ navegadores mudam o 'chip', passando a ter por uma das etapas que terá a média mais alta
fortes': a areia. Com uma distância seletiva quads e autos/camiões, que terão parte do que conviver secções diárias mais longas e do rali, apesar de algumas zonas sinuosas. A
relativamente curta, será a primeira prova percurso diferente. As equipas pisarão a trilhos de velocidade mais abundantes, com confiança na navegação, aliada à ausência de
de fogo para os especialistas deste tipo de areia de Tanaca, tendo que ultrapassar uma as dunas a desaparecerem da paisagem. erros, deverá dar frutos nesta etapa.
pista e o primeiro desafio para os restantes seletiva montanha de dunas com cerca de Nesta etapa-maratona terão que gerir o
concorrentes. A descida, antes de chegar à 30 km. A ligação até Aerequipa será longa ritmo, pois qualquer passo em falso poderá TERÇA-FEIRA
margem de um lago, poderá fazer a diferença, e são previsíveis atrasos na chegada ao levar ao abandono, uma vez que não haverá
devido à delicadeza de condução que exigirá. bivouac. assistência no final. 16 DE JANEIRO 10ª ETAPA

DOMINGO QUINTA-FEIRA DOMINGO (Salta/Belén) – 795 km (SS: 372 km)
As dunas estão de regresso e logo num vasto
7 DE JANEIRO 2ª ETAPA 11 DE JANEIRO 6ª ETAPA 14 DE JANEIRO 8ª ETAPA planalto arenoso desconhecido das equipas,
que, durante a etapa e, pela primeira vez,
(Pisco/Pisco) – 278 km (SS: 267 km) (Arequipa/La Paz) – 758 km (SS: 313 km) (Uyuni/Tupiza) – 584 km (SS: 498 km) poderão contar com ajuda da assistência, mas
A etapa preparada para Pisco pela ASO O Dakar troca o Peru pela Bolívia e com isso A segunda parte da etapa-maratona sem que o relógio pare! A parte final da etapa
inclui 90% de pistas, revelando-se, desde surgem novos desafios. O deserto dá lugar à é também a que dispõe da especial mais parecerá um concurso de navegação no
logo, um excelente exercício de navegação montanha e as pistas tornam-se mais rápidas. cronometrada mais longa de todo o cruzamento onde é proibido falhar!
que colocará à prova a capacidades dos A partida para o segundo setor cronometrado rali. Não fosse isso um desafio já de si
navegadores. O facto de os carros arrancarem far-se-á nas margens do Lago Titicaca e com complexo, as equipas ainda terão que QUARTA-FEIRA
antes das motos criará dificuldades a entrada no Altiplano boliviano e a navegação enfrentar mais um duro teste nas dunas,
acrescidas às equipas, que enfrentam, apesar a 2500 metros acima do mar aparecem as desta feita, a 3500 metros de altitude. 17 DE JANEIRO 11ª ETAPA
de tudo, poucos riscos de se perderem, mas primeiras dificuldades com a altitude. Se há etapa seletiva onde se poderá
muitos de não conseguirem ser rápidas nos começar a preconizar o nome do vencedor (Belén/Chilecito) – 746 km (SS: 280 km)
'canyons' dos primeiros 40 km da especial e SEXTA-FEIRA é esta. Se o calor apertar, tornando a areia mais macia,
nas dunas seguintes. será certamente uma das etapas mais delicadas
12 DEJANEIRO da Argentina. Tal como em 2016, os tempos finais
SEGUNDA-FEIRA da etapa definirão a ordem de partida seguinte
(Jornada de descanso em La Paz) dos 25 mais rápidos (motos, carros e camiões).
8 DE JANEIRO 3ª ETAPA

(Pisco/San Juan de Marcona) – 502 km
(SS: 295 km)
É aqui que o Dakar deverá começar a 'aquecer'.
Os principais desafios do dia encontrar-se-
ão fora de pista, num 'chott', mas também
no coração dos 'canyons'. Se para os mais
experientes será apenas mais uma etapa, para
os estreantes será um duro teste de nervos.

TERÇA-FEIRA

9 DE JANEIRO 4ª ETAPA

(San Juan de Marcona/San Juan de
Marcona) – 444 km (SS: 330 km)
Após uma sessão de velocidade ao sprint
na praia, propícia para o desenrolar da
aventura lançada com quatro carros a par, os
concorrentes encontrarão cerca de 100 km
de dunas de todos os tamanhos, o que poderá
aumentar grandemente as diferenças no
cronómetro final, sobretudo para quem tiver
dificuldade em encontrar o último 'canyon'.

/
ESPECIAL DAKAR 2018

18 2018 NO DAKAR COM...

AUTOS CAMIÕES
NO. PILOTO PAÍS NAVEGADOR PAÍS MARCA NO. PILOTO PAÍS COPILOTO PAÍS COPILOTO PAÍS MARCA
PEUGEOT
300 STÉPHANE PETERHANSEL FRANÇA JEAN PAUL COTTRET FRANÇA TOYOTA 500 EDUARD NIKOLAEV RÚSSIA EVGENY YAKOVLEV RÚSSIA VLADIMIR RYBAKOV RÚSSIA KAMAZ
MINI
301 NASSER AL-ATTIYAH QATAR MATTHIEU BAUMEL FRANÇA PEUGEOT 501 FEDERICO VILLAGRA ARGENTINA RICARDO TORLASCHI ARGENTINA ADRIAN YACOPINI ARGENTINA IVECO
TOYOTA
302 NANI ROMA ESPANHA ALEX HARO BRAVO ESPANHA MINI 502 DMITRY SOTNIKOV RÚSSIA RUSLAN AKHAMADEEV RÚSSIA ILNUR MUSTAFIN RÚSSIA KAMAZ
PEUGEOT
303 CARLOS SAINZ ESPANHA LUCAS CRUZ ESPANHA MINI 503 ALEKSANDR VASILEVSKI BIELORRÚSSIA DZMITRY VIKHRENKA BIELORRÚSSIA ANTON ZAPAROSHCHANKA BIELORRÚSSIA MAZ
PEUGEOT
304 GINIEL DE VILLIERS ÁFRICA DO SUL DIRK CON ZITZEWITZ ALEMANHA TOYOTA 504 ALEŠ LOPRAIS REPÚBLICA CHECA LUKAS JANDA REPÚBLICA CHECA FERRAN ALCAYNA ESPANHA TATRA
MINI
305 MIKKO HIRVONEN FINLÂNDIA ANDREAS SCHULZ ALEMANHA FORD 505 MARTIN KOLOMY REPÚBLICA CHECA JIŘÍ STROSS REPÚBLICA CHECA ROSTISLAV PLNÝ REPÚBLICA CHECA TATRA
MINI
306 SÉBASTIEN LOEB FRANÇA DANIEL ELENA MÓNACO BORGWARD 506 MARTÍN VAN DEN BRINK HOLANDA WOUTER ROSEGAAR HOLANDA DANIEL KOZLOWSKY REPÚBLICA CHECA RENAULT
MINI
307 ORLANDO TERRANOVA ARGENTINA BERNARDO GRAUE ARGENTINA RENAULT DUSTER 507 AYRAT MARDEEV RÚSSIA AYDAR BELYAEV RÚSSIA DMITRIY SVISTUNOV RÚSSIA KAMAZ
TOYOTA
308 CYRIL DESPRES FRANÇA DAVID CASTERA FRANÇA MINI 508 ARTUR ARDAVICHUS CAZAQUISTÃO MICHEL HUISMAN HOLANDA SERGE BRUYNKENS BÉLGICA IVECO
TOYOTA
309 BERNHARD TEN BRINKE HOLANDA MICHEL PERIN FRANÇA PEUGEOT 509 TON VAN GENUGTEN HOLANDA BERNARD DER KINDEREN HOLANDA PETER WILLEMSEN BÉLGICA IVECO
BUGGY
310 BRYCE MENZIES ESTADOS UNIDOS PETER MORTENSEN ESTADOS UNIDOS TOYOTA 510 MARTIN MACIK REPÚBLICA CHECA FRANTISEK TOMASEK REPÚBLICA CHECA MICHAL MRKVA REPÚBLICA CHECA LIAZ
RENAULT DUSTER
311 MARTIN PROKOP REPÚBLICA CHECA CHECA JAN TOMÁNEK REPÚBLICA TOYOTA 511 TERUHITO SUGAWARA JAPÃO MITSUGU TAKAHASHI JAPÃO HINO
TOYOTA
312 JAKUB PRZYGONSKI POLÓNIA TIM COLSOUL BÉLGICA TOYOTA 512 SIARHEI VIAZOVICH BIELORRÚSSIA PAVEL HARANIN BIELORRÚSSIA ANDREI ZHYHULIN BIELORRÚSSIA MAZ
FORD
313 NICOLÁS FUCHS PERÚ FERNANDO MUSSANO ARGENTINA TOYOTA 514 STEVEN ROTSAERT BÉLGICA CHARLY GOTLIB BÉLGICA JAN VAN DER VAET BÉLGICA MAN SE
BUGGY
314 YAZEED AL-RAJHI ARABIA SAUDITA TIMO GOTTSCHALK ALEMANHA TOYOTA 515 ANTON SHIBALOV RÚSSIA DMITRIY NIKITIN RÚSSIA IVAN ROMANOV RÚSSIA KAMAZ
TOYOTA
315 CARLOS SOUSA PORTUGAL PASCAL MAIMON FRANÇA MERCEDES-BENZ 516 MARIK VAN DEN HEUVEL HOLANDA WILKO VAN OORT HOLANDA MARTIJN VAN ROOIJ HOLANDA SCANIA
TOYOTA
316 RONAN CHABOT FRANÇA GILLES PILLOT FRANÇA TOYOTA 517 GERT HUZINK HOLANDA ROB BUURSEN HOLANDA MARTIN ROESINK HOLANDA RENAULT
FORD
317 BORIS GARAFULIC CHILE FILIPE PALMEIRO PORTUGAL SPRINGBOK MD 518 ALIAKSEI VISHNEUSKI BIELORRÚSSIA MAKSIM NOVIKAU BIELORRÚSSIA ALIAKSEI NEVIAROVICH BIELORRÚSSIA MAZ
TOYOTA
318 LUCIO ÁLVAREZ ARGENTINA ROBERT HOWIE ÁFRICA DO SUL TOYOTA 519 JORDI JUVANTENY ESPANHA JOSÉ LUIS CRIADO ESPANHA FRANCISCO TAMAYO CALVO ESPANHA MAN SE
TOYOTA
319 KHALID AL QASSIMI E. ÁRABES UNIDOS XAVIER PANSERI FRANÇA FORD 520 MICHEL BOUCOU FRANÇA JEAN-JACQUES MARTINEZ FRANÇA ARMANDO LOUREIRO PORTUGAL DAF
TOYOTA
320 ERIC BERNARD FRANÇA ALEXANDRE VIGNEAU FRANÇA BUGGY 521 YOSHIMASA SUGAWARA JAPÃO KATSUMI HAMURA JAPÃO HINO
TOYOTA
321 ANTANAS JUKNEVICIUS LITUÂNIA DARIUS VAICIULIS LITUÂNIA RASTROJERO 522 RAFAEL TIBAU MAYNOU ESPANHA PEP SABATÉ ESPANHA RAFAEL TIBAU ROURA ESPANHA MERCEDES-BENZ
BUGGY
322 EMILIANO SPATARO ARGENTINA SANTIAGO HANSEN ARGENTINA 523 DAVE INGELS BÉLGICA MICHAŁ WRZOS POLÓNIA KURT KEYSERS BÉLGICA MAN SE
BUGGY
323 BENEDIKTAS VANAGAS LITUÂNIA R.SEBASTIAN POLÓNIA VOLVO 524 GERRIT ZUURMOND HOLANDA JASPER RIEZEBOS HOLANDA KLAAS KWAKKEL HOLANDA MAN SE
TOYOTA
324 YONG ZHOU CHINA CLAUDIO BUSTOS ARGENTINA MITSUBISHI 525 RICHARD DE GROOT HOLANDA GERARDUS BEELEN HOLANDA JOHANNES HULSEBOSCH HOLANDA DAF
MITSUBISHI
326 ALEJANDRO YACOPINI ARGENTINA MARCO SCOPINARO ARGENTINA VOLKSWAGEN 526 ED WIGMAN HOLANDA ELISABERT HENDRIK HOLANDA JOEL EBBERS HOLANDA GINAF
MITSUBISHI
327 MARCO BULACIA BOLÍVIA EUGENIO ARRIETA ARGENTINA SSANGYONG 527 MARC LEEUW HOLANDA MAURICE GERAARDS HOLANDA LAMBERTUS GLOUDEMANS HOLANDA DAF
CHEVROLET
328 CHRISTIAN LAVIELLE FRANÇA JEAN-PIERRE GARCIN FRANÇA VOLKSWAGEN 528 AVIV KADSHAI ISRAEL IZHAR ARMONY EUA MAOZ VILDER ISRAEL DAF
BMW
329 PATRICK SIREYJOL FRANÇA FRANÇOIS-X. BEGUIN BÉLGICA TOYOTA 529 RICHARD GONZALEZ FRANÇA JEAN-PIERRE COURIVAUD FRANÇA JEAN-PHILIPPE SALVIAT FRANÇA DAF
TOYOTA
330 JÉRÔME PÉLICHET FRANÇA EUGÉNIE DECRÉ SUIÇA BORGWARD 530 MATHIAS BEHRINGER ALEMANHA STEFAN HENKEN ALEMANHA MARCO MOREIRAS PORTUGAL MAN SE
MERCEDES-BENZ
331 SEBASTIÁN HALPERN ARGENTINA EDU PULENTA ARGENTINA OPEL 531 ADRIANUS VAN KASTEREN HOLANDA WOUTER DE GRAAFF HOLANDA RIJK MOUW HOLANDA RENAULT
TOYOTA
332 JUAN MANUEL SILVA ARGENTINA TOYOTA 532 MARTIN ŠOLTYS REPÚBLICA CHECA JOSEF KALINA REPÚBLICA CHECA TOMÁŠ ŠIKOLA REPÚBLICA CHECA TATRA
TOYOTA
333 MAIK WILLEMS HOLANDA ROBERT VAN PELT HOLANDA FORD 533 ANTONIO CABINI ITÁLIA RAFFAELLA CABINI ITÁLIA GIULIO VERZELETTI ITÁLIA MERCEDES-BENZ
TOYOTA
334 PETER VAN MERKSTEIJN HOLANDA MACIEJ MARTON POLÓNIA TOYOTA 534 PAOLO CALABRIA ITÁLIA GIUSEPPE FORTUNA ITÁLIA MERCEDES-BENZ
SPRINGBOK MD
335 EUGENIO AMOS ITÁLIA S. DELAUNAY FRANÇA BUGGY 535 NICOLA MONTECCHIO ITÁLIA LORIS CALUBINI ITÁLIA CARLO CABINI ITÁLIA MERCEDES-BENZ
TOYOTA
336 ISIDRE ESTEVE ESPANHA TXEMA VILLALOBOS ESPANHA TOYOTA 536 MICHEL SAUMET FRANÇA XAVIER TANCOGNE FRANÇA MAN SE
TOYOTA
337 AKIRA MIURA JAPÃO L. LICHTLEUCHTER FRANÇA NISSAN 537 SYLVAIN BESNARD FRANÇA SYLVAIN LALICHE FRANÇA DAVE BERGHMANS BÉLGICA MERCEDES-BENZ
QT
338 XAVIER FOJ ESPANHA I.SANTAMARIA ARGENTINA DESERT WARRIOR 539 RAMZI OSMANI OMÁN SAMIR BENBEKHTI OMÁN AHMED BENBEKHTI OMÁN MAN SE
TOYOTA
339 SERGEI SHIKHOTAROV RÚSSIA ANDREI SAMARIN RÚSSIA JEEP 540 ROBERT RANDÝSEK REPÚBLICA CHECA PETR POKORA REPÚBLICA CHECA DAVID SCHOVÁNEK REPÚBLICA CHECA MAN SE
TOYOTA
340 TOMAS OUREDNICEK REPÚBLICA CHECA DAVID KRIPAL REPÚBLICA CHECA VOLKSWAGEN 541 PAVEL VRŇÁK REPÚBLICA CHECA PETR LESÁK REPÚBLICA CHECA FILIP ŠKROBÁNEK REPÚBLICA CHECA TATRA
NISSAN
341 HE ZITHAO CHINA KAI ZHAO CHINA BUGGY 542 JOHN COCKBURN GRÃ-BRETANHA PIERRE CALMON FRANÇA FABIEN CATHERINE FRANÇA MAN SE
ISUZU
342 PHILIPPE BOUTRON FRANÇA MAYEUL BARBET FRANÇA TOYOTA 543 SERGE LACOURT FRANÇA PASCAL BONNAIRE FRANÇA THIERRY PACQUELET FRANÇA MAN SE
TOYOTA
343 JÜRGEN SCHRÖDER ALEMANHA M.SCHRÖDER ALEMANHA TOYOTA 544 GEORGES GINESTA ANDORRA CHRISTOPHE ALLOT FRANÇA MARC DARDAILLON FRANÇA MAN SE
TOYOTA
344 JOSÉ BLANGINO ARGENTINA FERNANDO ACOSTA ARGENTINA TOYOTA 545 ALBERTO HERRERO ESPANHA PHILIPP BEIER ALEMANHA JORDI CELMA OBIOLS ESPANHA MERCEDES-BENZ
TOYOTA
345 ROGER AUDAS FRANÇA REYNALD PRIVE FRANÇA TOYOTA
TOYOTA
346 ANDRÉ VILLAS-BOAS PORTUGAL RUBEN FARIA PORTUGAL TOYOTA

347 TIM CORONEL HOLANDA TOM CORONEL HOLANDA

348 EBERT DOLLEVOET HOLANDA ARJAN ARENDSE HOLANDA

349 VAIDOTAS ZALA LITUÂNIA SAULIUS JURGELENAS LITUÂNIA

350 JORGE WAGENFÜHR BRASIL IDALI BOSSE RODRIGUES BRASIL

352 FRANCISCO LEÓN PERÚ TOMÁS HIRAHOKA PERÚ

353 HENNIE DE KLERK ÁFRICA DO SUL GERHARD SCHUTTE ÁFRICA DO SUL

354 CRISTINA GUTIÉRREZ ESPANHA GABRIEL MOISET ESPANHA

355 OSCAR FUERTES ALDANONDO ESPANHA DIEGO VALLEJO ESPANHA

357 SEBASTIÁN GUAYASAMÍN EQUADOR MAURO LÍPEZ ARGENTINA

358 F. FERRAND MALATESTA PERÚ F. FERRAND DEL BUSTO PERÚ

360 YVES TARTARIN FRANÇA JEROME MEUNIER FRANÇA

363 MAURICIO S. VELÁSQUEZ COLÔMBIA MAURICIO SALAZAR SIERRA COLÔMBIA

364 MIGUEL ÁLVAREZ PINEDA PERÚ RICARDO MENDIOLA PERÚ

365 ERIK WEVERS HOLANDA ANTON VAN LIMPT HOLANDA

366 MARTÍN MALDONADO ARGENTINA SEBASTIÁN SCHOLZ ARGENTINA

367 BALÁZS SZALAY HUNGRIA LASZLO BUNKOCZI HUNGRIA

368 RAINER WISSMANNS ALEMANHA CYRIL JEANNIARD FRANÇA

369 EELCO BEKKER HOLANDA SIJBRAND BOOIJ HOLANDA

371 OMAR GÁNDARA ARGENTINA LEONARDO MARTÍNEZ ARGENTINA

372 BORIS VACULÍK REPÚBLICA CHECA MARTIN PLECHATY REPÚBLICA CHECA

373 ALICIA REINA ARGENTINA CARLOS DANTE PELAYO ARGENTINA

377 PIERRE TUHEIL FRANÇA FRÉDÉRIC TUHEIL FRANÇA

379 GERARD TRAMONI FRANÇA DOMINIQUE TOTAIN FRANÇA

380 FRANCIS BALOCCHI FRANÇA FRANCK MALDONADO FRANÇA

381 ROBERTO NAIVIRT ARGENTINA JOSÉ LUIS DI PALMA ARGENTINA

382 IVAN SHIKHOTAROV RÚSSIA OLEG UPERENKO LETÓNIA SSV

383 JUAN CARLOS VALLEJO CHILE LEONARDO BARONIO PERÚ

384 IGNACIO VILLEGAS FRANÇA JEFF SUNDERLAND ESTADOS UNIDOS

386 MARKUS WALCHER ALEMANHA TOBIAS HENSCHEL ALEMANHA

389 HENRI VAN STEENBERGEN HOLANDA GERT BRAVENBOER HOLANDA

390 STEFANO MARRINI ITÁLIA MAURIZIO NASSI ITÁLIA NO. PILOTO PAÍS CO-PILOTO PAÍS SSV
YAMAHA
391 JESÚS CALLEJA ESPANHA JAUME AREGALL ESPANHA 351 CAMÉLIA LIPAROTI ITÁLIA CAN-AM
CAN-AM
392 FERNANDA KANNO PERÚ ALBERTO SILVA PERÚ 356 REINALDO VARELA BRASIL GUSTAVO GUGELMIN BRASIL POLARIS
CAN-AM
393 JORGE MANSILLA ARGENTINA SEBASTIÁN CESANA ARGENTINA 359 JUAN URIBE RAMOS PERÚ JAVIER URIBE GODOY PERÚ YAMAHA
CAN-AM
394 CARLOS VILLEGAS AGÜERO ARGENTINA MARÍA MATTAR SMITH ARGENTINA 361 PATRICE GARROUSTE FRANÇA STEVEN GRIENER SUIÇA YAMAHA
CAN-AM
395 JAD COMAIR LÍBANO ANTOINE ISKANDAR LÍBANO 362 LEONEL LARRAURI ARGENTINA FERNANDO IMPERATRICE ARGENTINA POLARIS
POLARIS
397 ROBERTO RECALDE PARAGUAI KARINE HILLAIRE-CORVAJA PARAGUAI 370 PEDRO DE MELLO BREYNER PORTUGAL PEDRO VELOSA PORTUGAL POLARIS
POLARIS
398 DIEGO WEBER PERÚ OSCAR MONTAÑO PERÚ 374 JULIO ROCA MERCADO BOLÍVIA HERNAN DAZA JIMENEZ BOLÍVIA

399 LUCIANO PÉREZ GACHA BOLÍVIA ÁLVARO VALDIVIA BOLÍVIA 375 JOSÉ NICOLÁS GONZÁLEZ ESPANHA ARIEL JATÓN ARGENTINA

400 PHILIPPE RAUD FRANÇA PATRICE SAINT-MARC FRANÇA 376 FERNANDO DE OLAZABAL ITÁLIA GEAN CARLOS ZARA PERÚ

401 RICARDO NEME NÉME ARGENTINA RAMIRO CORVALÁN ARGENTINA 378 JOSE DE BARROS SAWAYA BRASIL MARCELO DUARTE HASEYAMA BRASIL

404 RAMÓN NUÑEZ ARGENTINA SERGIO CASAS ARGENTINA 387 CLAUDE FOURNIER FRANÇA HERVÉ LAVERGNE FRANÇA

405 RILVER VÁSQUEZ BOLÍVIA JUAN VARGAS BOLÍVIA 388 ANÍBAL ALIAGA PERÚ JUAN PEDRO CILLÓNIZ PERÚ

406 NICOLAS FALLOUX FRANÇA FLORIAN GONZALEZ FRANÇA 396 JOSE PEÑA CAMPOS ESPANHA RAFAEL TORNABELL ESPANHA

407 MARCO PIANA FRANÇA DAVID GIOVANNETTI ITÁLIA

410 E. BALTES-MOUGEOT FRANÇA THIERRY RICHARD FRANÇA

MOTOS >> autosport.pt

19

NO. PILOTO PAÍS MARCA NO. PILOTO PAÍS MARCA
KTM
1 SAM SUNDERLAND GRÃ-BRETANHA KTM 104 JÜRGEN DRÖSSIGER ALEMANHA HUSQVARNA
KTM
2 MATTHIAS WALKNER ÁUSTRIA KTM 105 BILL CONGER EUA KTM
HUSQVARNA
3 GERARD FARRÉS ESPANHA KTM 106 SIMON MARCIC ESLOVÉNIA KTM
KTM
4 ADRIEN VAN BEVEREN FRANÇA YAMAHA 107 FERRÁN JUBANY ESPANHA KTM
KTM
5 JOAN BARREDA BORT ESPANHA HONDA 108 FAUSTO VIGNOLA ITÁLIA KTM
KAWASAKI
6 PAULO GONÇALVES PORTUGAL HONDA 109 DANNY NOGALES BOLÍVIA HUSQVARNA
KTM
7 FRANCO CAIMI ARGENTINA YAMAHA 110 ALBERTO BERTOLDI ITÁLIA KTM
KTM
8 TOBY PRICE AUSTRÁLIA KTM 111 SANTIAGO BERNAL COLÔMBIA KTM
YAMAHA
9 STEFAN SVITKO ESLOVAQUIA KTM 112 STEPHANE BOUVIER FRANÇA KTM
YAMAHA
10 PABLO QUINTANILLA CHILE HUSQVARNA 113 SEBASTIÁN URQUÍA ARGENTINA KTM
KTM
11 JUAN SALVATIERRA BOLÍVIA KTM 114 LEANDRO BERTONA ARGENTINA KTM
KTM
12 JUAN PEDRERO GARCÍA ESPANHA SHERCO TVS 115 JACK LUNDIN CANADÁ KTM
KTM
14 MICHAEL METGE FRANÇA HONDA 116 ZAO HONGYI CHINA KTM
HUSQVARNA
15 LAIA SANZ ESPANHA KTM 117 ZHANG MIN CHINA SUZUKI
QUADDY
16 OLIVIER PAIN FRANÇA KTM 118 LUC VAN DE HUIJGEVOORT HOLANDA KTM
KTM
17 ARMAND MONLEÓN ESPANHA KTM 119 OSWALDO BURGA PERÚ YAMAHA
KTM
18 ALESSANDRO BOTTURI ITÁLIA YAMAHA 120 JEROEN RAMON BÉLGICA KTM
KTM
19 ANTOINE MEO FRANÇA KTM 121 EDWIN STRAVER HOLANDA YAMAHA
KTM
20 UNIDOS RICKY BRABEC EUA HONDA 122 JAVIER GIL MERCADO ARGENTINA KTM
KTM
22 ONDREJ KLYMCIW REPÚBLICA CHECA HUSQVARNA 123 SEBASTIÁN CAVALLERO PERÚ KTM
KTM
23 XAVIER DE SOULTRAIT FRANÇA YAMAHA 124 ALEJANDRO BULOS PERÚ

24 ADRIEN METGE FRANÇA SHERCO TVS 125 DONOVAN VAN DE LANGENBERG ÁFRICA DO SUL

25 IVÁN CERVANTES MONTERO ESPANHA KTM 127 FERNANDO HERNÁNDEZ ARGENTINA

26 JOAQUIM RODRIGUES PORTUGAL HERO SPEEDBRAIN 128 MAIKEL SMITS HOLANDA

27 DIEGO DUPLESSIS ARGENTINA HONDA 129 GERRY VAN DER BYL ÁFRICA DO SUL

28 EMANUEL GYENES ROMÉNIA KTM 130 JAIRO SEGARRA ESPANHA

29 DANIEL OLIVERAS CARRERAS ESPANHA KTM 131 JHON TREJOS COLÔMBIA

30 MARIO PATRAO PORTUGAL KTM 132 ROBERTO VECCO PERÚ

31 CRISTIAN ESPANHA MUÑOZ ANDORRA GAS GAS 133 ELRIC LAMBERT FRANÇA

32 TXOMIN ARANA ESPANHA HUSQVARNA 134 GABRIELE MINELLI ITÁLIA

33 DANIEL NOSIGLIA BOLÍVIA KTM 135 ÓSCAR ROMERO MONTOYA ESPANHA

34 MARC SOLA ESPANHA KTM 137 OLIVIER HEMBERT FRANÇA

35 LOIC MINAUDIER FRANÇA KTM 138 ROMAIN LELOUP FRANÇA

36 PATRICIO CABRERA CHILE KAWASAKI 139 LAJOS HORVATH HUNGRIA

37 MILAN ENGEL REPÚBLICA CHECA KTM 141 LIVIO METELLI ITÁLIA

38 FABRICIO FUENTES BOLÍVIA KTM 142 TAKAYUKI MOMMA JAPÃO

39 BENJAMIN MELOT FRANÇA KTM 143 ÁLVARO CÓPPOLA URUGUAI

40 JOHNNY AUBERT FRANÇA GAS GAS 144 ARTURO CHIRINOS PERÚ

41 ALESSANDRO RUOSO ITÁLIA KTM 146 BRUNO RAYMOND FRANÇA

42 MAURIZIO GERINI ITÁLIA HUSQVARNA 155 GUILLAUME MARTENS HOLANDA

43 DAVID PABISKA REPÚBLICA CHECA KTM 167 BRUNO SCHEURER FRANÇA

44 RODNEY FAGGOTTER AUSTRÁLIA YAMAHA

45 DAVID THOMAS ÁFRICA DO SUL HUSQVARNA QUADS

46 MAURICIO GÓMEZ ARGENTINA YAMAHA

47 KEVIN BENAVIDES ARGENTINA HONDA

48 JURGEN VAN DEN GOORBERGH HOLANDA KTM

49 SANTOSH SHIVASHANKAR ÍNDIA HERO SPEEDBRAIN

50 MIRJAM POL HOLANDA HUSQVARNA

51 HANS-JOS LIEFHEBBER HOLANDA KTM

52 JACOPO CERUTTI ITÁLIA HUSQVARNA NO. PILOTO PAÍS MARCA NO. PILOTO PAÍS MARCA
269 SIMON VITSE
53 ARAVIND PRABHAKAR ITÁLIA SHERCO TVS 240 SERGUÉI KARIAKIN RÚSSIA YAMAHA 270 FREDERIC ALARD FRANÇA YAMAHA
271 DANIEL MAZZUCCO
54 ANDREW SHORT EUA HUSQVARNA 241 IGNACIO CASALE CHILE YAMAHA 272 JUAN CARIGNANI FRANÇA YAMAHA
273 MANUEL ANDÚJAR
55 WALTER NOSIGLIA BOLÍVIA HUSQVARNA 242 PABLO COPETTI ARGENTINA YAMAHA 274 PABLO BUSTAMANTE ARGENTINA CAN-AM
275 MARIANO BENNAZAR
56 FAUSTO MOTA PORTUGAL KTM 243 RAFAL SONIK POLÓNIA YAMAHA 276 ALEJANDRO FANTONI ITALIA YAMAHA
277 OLGA ROUCKOVA
57 PHILIPPE CAVELIUS FRANÇA KTM 245 AXEL DUTRIE FRANÇA YAMAHA 278 GIOVANNI ENRICO ARGENTINA YAMAHA
279 CHRISTIAN MASSEY
58 MACIEJ GIEMZA POLÓNIA KTM 246 JEREMÍAS GONZÁLEZ FERIOLI ARGENTINA YAMAHA 280 GIULIANO GIORDANA ARGENTINA CAN-AM
282 MARCELO MEDEIROS
59 WILLEM DU TOIT ÁFRICA DO SUL KTM 247 JOSEF MACHÁČEK REPÚBLICA CHECA YAMAHA 283 RÓMULO AIRALDI ARGENTINA YAMAHA
284 GASTÓN GONZÁLEZ
60 JONATHAN BARRAGÁN NEVADO ESPANHA GAS GAS 248 ALEXIS HERNÁNDEZ PERÚ YAMAHA 285 CARLOS JOFFRE ARGENTINA CAN-AM
286 CHRISTIAN MALAGA
61 ORIOL MENA ESPANHA HERO SPEEDBRAIN 249 NICOLÁS CAVIGLIASSO ARGENTINA YAMAHA 287 CRISTIAN CAJICÁ PINTOS REPÚBLICA CHECA YAMAHA
288 MARCOS LÓPEZ
62 PABLO PASCUAL ARGENTINA KTM 251 NELSON SANABRIA GALEANO PARAGUAI YAMAHA 289 LEONARDO MARTÍNEZ CHILE YAMAHA
290 SUANY MARTÍNEZ
63 ADRIEN MARÉ FRANÇA KTM 253 IGNACIO FLORES SEMINARIO PERÚ YAMAHA 291 PABLO NOVARA COSTA RICA CAN-AM
292 HERNÁN PAREDES
64 MARK SAMUELS EUA HONDA 254 KEES KOOLEN HOLANDA BARREN RACER 293 NICOLÁS ROBLEDO ARGENTINA YAMAHA
294 MARTÍN SARQUIZ
65 GUILLAUME CHOLLET FRANÇA YAMAHA 255 GUSTAVO GALLEGO ARGENTINA YAMAHA BRASIL YAMAHA

66 CHARLES CUYPERS FRANÇA KTM 256 WALTER NOSIGLIA BOLIVIA HONDA PERÚ CAN-AM

67 MARKUS BERTHOLD ÁUSTRIA HUSQVARNA 257 KAMIL WISNIEWSKI POLÓNIA CAN-AM ARGENTINA YAMAHA

68 EDUARDO HEINRICH PERÚ KTM 258 DANIEL DOMASZEWSKI ARGENTINA HONDA ARGENTINA YAMAHA

69 JÁNOS DÉSI HUNGRIA KTM 259 SEBASTIEN SOUDAY FRANÇA YAMAHA PERÚ YAMAHA

70 CRISTÓBAL GONZÁLEZ CHILE KAWASAKI 260 ALEXANDRE GIROUD FRANÇA YAMAHA COLÔMBIA CAN-AM

71 ALBERTO ONTIVEROS ARGENTINA HONDA 261 ZDENEK TUNA REPÚBLICA CHECA YAMAHA ARGENTINA CAN-AM

72 ARNOLD BRUCY FRANÇA KTM 262 BRUNO DA COSTA FRANÇA YAMAHA BOLÍVIA CAN-AM

73 ROSA ROMERO FONT ESPANHA KTM 263 CARLOS VERZA ARGENTINA YAMAHA BOLÍVIA CAN-AM

74 CARLO VELLUTINO PERÚ KTM 264 TOMAS KUBIENA REPÚBLICA CHECA IBOS ARGENTINA CAN-AM

75 RUDOLF LHOTZKY REPÚBLICA CHECA KTM 265 MAXIM ANTIMIROV CAZAQUISTÃO YAMAHA BOLÍVIA HONDA

76 MOHAMMED BALOOSHI E. ÁRABES UNIDOS KTM 266 DMITRY SHILOV CAZAQUISTÃO YAMAHA COLÔMBIA CAN-AM

77 LUCIANO BENAVIDES ARGENTINA KTM 268 JAN BASTIJAAN NIJEN TWILHAAR HOLANDA CAN-AM ARGENTINA CAN-AM

78 PAWEL STASIACZEK POLÓNIA KTM

79 MAX HUNT GRÃ-BRETANHA HUSQVARNA

80 LAURENT LAZARD URUGUAI KTM

81 SHINNOSUKE KAZAMA JAPÃO YAMAHA

82 PETR VLCEK REPÚBLICA CHECA HUSQVARNA

83 JESUS PURAS ESPANHA KTM

84 PATRICE CARILLON FRANÇA KTM

85 NICOLAS BILLAUD FRANÇA KTM

86 JULIÁN GARCÍA ESPANHA YAMAHA

87 STEPHANE GOURLIA FRANÇA KTM

88 JAN VESELÝ REPÚBLICA CHECA KTM

89 SAGHMEISTER SÉRVIA KTM

90 GABRIELA NOVOTNA REPÚBLICA CHECA HUSQVARNA

91 JAN BRABEC REPÚBLICA CHECA YAMAHA

92 JAKUB PIATEK POLÓNIA KTM

93 MACIEJ BERDYSZ POLÓNIA KTM

94 JOSÉ BORRELL ESPANHA KTM

95 JUAN ROJO ARGENTINA KTM

96 NICOLAS BRABECK-LETMATHE ÁUSTRIA KTM

97 SCOTT BRITNELL AUSTRÁLIA KTM

98 BALYS BARDAUSKAS LITUÂNIA KTM

99 WESSEL BOSMAN LESOTO KTM

100 LYNDON POSKITT GRÃ-BRETANHA KTM

101 FRANCISCO GÓMEZ PALLAS ESPANHA HONDA

102 IGNACIO SANCHIS ESPANHA KTM

103 SHANE ESPOSITO EUA KTM

F1/20

HALOFÓRMULA 1
DOÓDIO
AODESAFIO

Em 2017 os Fórmula 1 ficaram, no mínimo, tão sensuais como no passado – largos,
agressivos, parecendo em movimento mesmo quando parados – mas em 2018
o “mal-amado Halo” vai contra essa corrente, desagradando à maioria pelo seu
aspeto. Contudo, este dispositivo apresenta um novo desafio para as equipas,
assim como algumas oportunidades

Jorge Girão bastante tempo, sobretudo desde
[email protected] meados dos anos oitenta, no centro
das preocupações da FIA, e as tra-
A FIA acabou por ficar refém dições, de acordo com a entidade fe-
de si mesma a partir do mo- derativa, têm que se dobrar perante
mento que começou a tes- questões que ajudem a manter a in-
tar o 'Halo', ainda em 2016, tegridade física de todos os interve-
durante os treinos-livres de nientes nas corridas.
sexta-feira, uma vez que, No campo da estética, sempre muito
caso ocorresse um acidente grave em discutível, os exemplares experimen-
que este dispositivo pudesse diminuir tados pelas equipas ao longo de 2017
ou evitar lesões do piloto ou pilotos en- não eram mais que apêndices sem
volvidos, a entidade federativa ficaria qualquer integração nos chassis, o que
em maus lençóis legais. não ajuda a que se possa ter uma ideia
Quando, num último esforço, o clara sobre o seu verdadeiro impacto.
'Shield' – um pára-brisas testado por Charlie Whiting, contudo, está convic-
Sebastian Vettel no Grande Prémio da to que os carros da próxima tempo-
Grã-Bretanha – mostrou estar ainda rada, mesmo com o famigerado 'Halo',
muito 'verde' para ser introduzido em serão atraentes. “As equipas ainda não
2018, Jean Todt e os seus homens nada exploraram todas as possibilidades
podiam fazer para além de obrigar o para o tornar mais apelativo ao olhar.
uso do 'Halo' na próxima temporada. Aparecerão com designs diferentes,
Rapidamente se verificou um clamor portanto, não julgo que será tão mau
contra a introdução do 'Halo', uma vez como pensam. Até agora vimos apenas
que, segundo alguns, desvirtua as designs simples. Quando a Williams
corridas de monolugares, que sempre rodou com um branco, a mesma cor do
se disputaram com carros de cockpit carro, ficou com muito melhor aspeto.
aberto, para além de ser um apêndi- Acredito que os adeptos se habitua-
ce inestético que rouba dinâmica ao rão”, afirmou o responsável máximo
aspeto dos automóveis de Fórmula 1. pelo departamento técnico da Fórmula
Contudo, a segurança está desde há 1 e pela segurança.

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LEWIS HAMILTON: "O INTERESSANTE É QUE, APESAR DO HALO NÃO
SER MUITO APELATIVO ESTETICAMENTE OU DE IR DE ENCONTRO AO ESPÍRITO
DAS CORRIDAS, EXISTE 17% DE POSSIBILIDADE DE SALVAR VIDAS."

O QUE DIZEM OS PILOTOS? portanto, de esperar um consenso ge- te, coloca de um lado os mais jovens e
neralizado entre eles, aceitando de bom do outro os veteranos como Fernando
Os pilotos são a verdadeira parte inte- grado ter a 'chinela havaiana'. Alonso, que aceita de bom-grado o 'Halo':
ressada na introdução do 'Halo', uma vez Porém, nem entre eles existe acordo, “Este dispositivo pode prevenir muitos
que o dispositivo tem como única função havendo uma cisão que, curiosamen- dos acidentes fatais que tivemos nos úl-
proteger a integridade física deles, seria, timos quinze ou vinte anos”, afirmou o
bicampeão do mundo, sendo corrobora-
do por Vettel, que se sentiu tonto quando
experimentou o “Shield” em Silverstone.
“Consigo entender as pessoas que di-
zem que não é próprio de um carro de
Fórmula 1. Por outro lado, os tempos
estão a mudar”, sublinhou o piloto da
Ferrari, que enfatizou alguns motivos
para a introdução do dispositivo: “Não
sou um grande adepto do ‘Shield’. O ‘Halo’,
pelo menos, não tem impacto na visão.
O ‘Halo’ que vimos, provavelmente, não
será o do próximo ano ou do seguinte.”
Do outro lado da barricada estão os pi-
lotos mais jovens, mais dados a correr
riscos, algo próprio da idade, liderados
pelo irreverente Max Verstappen que

f1/
FÓRMULA 1

22

considera que hoje é muito difícil que ram o jovem de 20 anos, sendo Romain apontou o francês. namarquês, que acrescentou: “Pode ter
um pneu possa embater no capacete Grosjean, que é um dos diretores da Kevin Magnussen vai mais além e aca- um efeito. Por exemplo, na primeira cur-
de um piloto – situação em que o 'Halo' GPDA (Grand Prix Drivers Association – ba por se deixar levar pelas emoções, va de Austin, em Eau Rouge, em Spa, po-
poderá funcionar de forma efetiva. “Não Associação de Pilotos de Grande Prémio), mesmo apontando algumas questões demos ter dificuldades para ver o topo.”
gosto! Os cabos das rodas são tão fortes terminantemente contra. pertinentes: “Há um motivo para que Lewis Hamilton, sempre dado a extrava-
que é difícil perder uma roda. Quando “Não creio que tenha espaço na Fórmula um Ferrari seja mais excitante que um gâncias, começou por considerar a intro-
temos peças a voar não nos protegerá. 1. Como membro e director da GPDA, Mazda. Tem a ver com paixão. Se parece dução do 'Halo' como “a pior modifica-
Não gostei da visibilidade proporcionada tenho que agradecer à FIA toda a pes- uma ‘m..da’, é uma ‘m..da’”, afirmou o di- ção de aspeto da história da Fórmula 1”,
pelo que eu experimentei e a coisa está quisa, dado que foi muito boa. O ‘Halo’
mesmo à nossa frente. Não é muito bom. é um bom dispositivo contra muitos
Não gosto. Não gostei assim que o colo- casos. Mas existem alguns problemas
caram no meu carro, portanto, o entu- que poderemos ter que não foram bem
siasmo termina ainda antes de entrar no estudados. Por exemplo, conseguir ver
carro”, sublinhou o holandês da Red Bull. os semáforos na grelha de partida, nin-
Os pilotos da Haas F1 Team corrobo- guém experimentou essa situação”,

CRONOLOGIA

1950 1968 1978 1988

INÍCIO DO CAMPEONATO DO MUNDO DE FÓRMULA 1. OBRIGATORIEDADE DE O ARCO DE SEGURANÇA SER CINCO OBRIGATÓRIA A INTRODUÇÃO DE ARCO DE SEGURANÇA SÃO INTRODUZIDOS 'CRASH TESTS' PARA A CÉLULA DE
AS MEDIDAS DE SEGURANÇA ERAM IRRELEVANTES, CENTÍMETROS MAIS ALTO QUE A CABEÇA DO PILOTO. DIANTEIRO NOS CARROS. SEGURANÇA E O TANQUE DE GASOLINA. OS PÉS DOS
NÃO SENDO SEQUER OBRIGATÓRIO O USO DE CINTOS PILOTOS PASSAM A TER QUE FICAR ANTES DO EIXO
DE SEGURANÇA. 1969 1981 DIANTEIRO.

1961 É INTRODUZIDO UM SISTEMA DUPLO DE EXTINTORES A CÉLULA DE SEGURANÇA É ALARGADA DE MODO A 1990
DE FOGO INCLUIR OS PÉS DOS PILOTOS.
ARCO DE SEGURANÇA FOI INTRODUZIDO PELA VOLANTES DESTACÁVEIS PASSAM A SER OBRIGATÓRIOS.
PRIMEIRA VEZ. 1971 1984
1991
1963 O COCKPIT PASSA A SER CONSTRUÍDO DE MODO A QUE O O TANQUE DE GASOLINA PASSA A TER QUE ESTAR ENTRE O
PILOTO POSSA SER EXTRAÍDO EM CINCO SEGUNDOS. PILOTO E O MOTOR. PASSAM A SER REALIZADOS TESTES AOS ARCOS DE
AVANÇOS NA PREVENÇÃO DE INCÊNDIOS COM SEGURANÇA, CINTOS E CÉLULAS DE SEGURANÇA.
MELHORAMENTOS NA CONSTRUÇÃO DO TANQUE DE 1972 1985
GASOLINA. CIRCUITO HIDRÁULICO DE TRAVÕES DUPLO 1996
TORNA-SE OBRIGATÓRIO. SÃO INTRODUZIDOS APOIOS PARA A CABEÇA DOS PASSAM A SER REALIZADOS 'CRASH TESTS' PARA AVALIAR
PILOTOS E LUZ DE PRESENÇA NA TRASEIRA. TANQUES DE OS EFEITOS DOS IMPACTOS FRONTAIS. INTRODUÇÃO DE PROTEÇÕES LATERAIS PARA A CABEÇA
GASOLINA PASSAM A CONTER ESPUMA DE SEGURANÇA. DOS PILOTOS.
CINTOS DE SEIS PONTOS PASSAM A SER OBRIGATÓRIOS.

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23

SAN MARINO94

O acidente de Ayrton Senna no Grande Prémio de San Marino de 1994, que
resultou no seu desaparecimento, foi talvez o mais mediatizado da história da
Fórmula 1, em grande parte devido ao elevado estatuto do brasileiro, sendo
inúmeras as teorias que circulam pelos quatro cantos do mundo a esse respeito.
Segundo os resultados apresentados oficialmente, Senna morreu devido a um
pedaço de suspensão que furou o visor do seu capacete e se alojou no seu
cérebro.
É extremamente difícil ser categórico quanto à possibilidade de o 'Halo' o poder
ter salvo, dado o componente do Williams FW15 Renault ser demasiado pequeno e,
por isso, poder facilmente passar por entre o dispositivo e o chassis.

HUNGRIA 09

O acidente de Felipe Massa foi um dos mais inusitados da história da Fórmula
1, dado que uma mola da suspensão do monolugar de Rubens Barrichello,
componente que nunca tinha apresentado qualquer problema, se soltou,
acertando no capacete do seu conterrâneo.
O brasileiro da Ferrari ficou inconsciente e com graves lesões no sobrolho
esquerdo que colocaram em causa a sua vida.
Dificilmente o 'Halo' poderia defender Massa da 'mola perdida' de Barrichello,
algo que a própria FIA admitiu.

mas acabou por mudar de ideias, muito dado momento, teremos uma cober- JAPÃO 14
embora admita que gostava de ver uma tura e, então, será totalmente seguro”.
solução mais estética: “Prestei bastan- As opiniões, como seria de esperar, O último violento acidente na Fórmula 1 foi
te atenção ao excelente briefing que nos divergem, mas seja ela qual for atual- protagonizado por Jules Bianchi, que acabaria por
foi dado (ndr.: em Hungaroring). Levo a mente, a natureza dos pilotos é ven- levar à sua morte depois de inúmeros meses em
segurança muito a sério. O interessan- cer e levar os seus carros ao limite e, coma.
te é que, apesar do ‘Halo’ não ser muito quando chegarmos ao Grande Prémio O francês saiu de pista durante o Grande Prémio do
apelativo esteticamente ou de ir de en- da Austrália deste ano, nenhum deles Japão, disputado sob chuva, embatendo num trator de
contro ao espírito das corridas, existe estará preocupado com o “Halo”, es- apoio com o capacete.
17% de possibilidade de salvar vidas. tando apenas centrados em bater os O 'Halo' talvez pudesse evitar que o capacete batesse
Mas pode ainda ser melhorado e, num seus adversários. no guindaste, mas dificilmente conseguiria suster
uma desaceleração de 254G, como foi registado
1998 2005 no incidente, e mesmo que não sucumbisse a tal
dissipação de energia, as lesões cerebrais que
OS PILOTOS PASSAM A SER OBRIGADOS A RETIRAR O OS CABOS QUE LIGAM AS RODAS AO CHASSIS PASSAM Bianchi sofreu não seriam evitadas.
VOLANTE, SAIR DO COCKPIT E VOLTAR A COLOCAR O A TER QUE AGUENTAR UMA FORÇA MÍNIMA DE SEIS
VOLANTE NO CARRO EM DEZ SEGUNDOS. TONELADAS. BRANDS HATCH09

1999 2011 Não foi um acidente ocorrido na Fórmula 1, mas o incidente que ceifou a vida
ao filho de Sir John Surtees é o que melhor exemplifica a forma como o 'Halo'
A RODAS PASSAM A ESTAR LIGADAS AO CHASSIS POR A FIA PASSA A EXIGIR DIMENSÕES MÍNIMAS poderá salvar vidas.
CABOS PARA EVITAR QUE POSSAM SOLTAR-SE DO CARRO PARA OS ARCOS DE SEGURANÇA PARA EVITAR O O jovem de 18 anos disputava uma corrida de Fórmula 2 em 2009, em Brands
DURANTE ACIDENTES. DESENVOLVIMENTO DE COMPONENTES DE DIMENSÕES Hatch, quando Jack Clarke se despistou, apanhando no capacete com uma
REDUZIDAS. roda do monolugar deste.
2000 Surtees foi levado para o hospital, onde foi declarado o seu óbito devido a
2018 lesões terminais na cabeça.
A VELOCIDADE DOS 'CRASH TESTS' É INCREMENTADA A presença do 'Halo' no carro do jovem inglês evitaria que fosse atingido na
DE TREZE PARA CATORZE METROS POR SEGUNDO. INTRODUÇÃO DO HALO PARA PROTEGER A CABEÇA DOS cabeça pela roda de Clarke, o que lhe salvaria a vida.
A DISTÂNCIA ENTRE A CABEÇA DOS PILOTOS E O PILOTOS.
ARCO DE SEGURANÇA AUMENTA DE CINCO PARA SETE
CENTÍMETROS E PASSAM A TER QUE SUSTER UMA FORÇA
DE 2,4 TONELADAS.

f1/
FÓRMULA 1

24

O QUE PODE AJUDAR
O 'HALO' A PROTEGER
O 'Halo' tem como principal objetivo de-
fender a cabeça dos pilotos de qualquer
objeto perdido na eventualidade de um
acidente ocorrer, mas nem sempre será
um escudo eficaz.
Segundo estudos da FIA, apresentados
em Hungaroring, quando esta comuni-
cou que o dispositivo seria obrigatório a
partir de 2018, o 'Halo' aumentará sig-
nificativamente a proteção mesmo em
situações de pequenos objetos, muito
embora não pudesse evitar a mola per-
dida de Rubens Barrichello que acertou
no capacete de Felipe Massa duran-
te a qualificação do Grande Prémio da
Hungria de 2009 (ver caixa).
O dispositivo foi testado em 17 situações
distintas que incluíram oito cenários di-
ferentes de contactos entre carros, si-
tuação em que protegeu os pilotos em
sete ocasiões. Para além disso, foram
ainda realizados sete testes com objetos
ambientais, tendo em seis deles o 'Halo'
protegido a cabeça do piloto.

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NOVAMENTE AS SUSPENSÕES

A suspensão dos monolugares de Fórmula 1 tem sido alvo de quando se curva, mas aparentemente em alguns carros esta
bastante interesse por parte das equipas, sobretudo pelas alteração assumia dimensões anormais, suspeitando a FIA
da frente, uma vez que a distância ao solo e a estabilidade que era propositado.
das superfícies aerodinâmicas são determinantes para a A entidade federativa pretende evitar a continuação desta
eficácia dos carros. situação e Charlie Whiting avisou as equipas que, em 2018,
No ano passado foi a Ferrari a levantar dúvidas sobre os seus carros não poderão ter uma diferença superior
suspensões que não tinham comportamentos lineares, a cinco milímetros na distância ao solo por influência da
conservando energia para alterar, ou manter, a distância ao direção.
solo em circunstâncias específicas de modo a otimizar o Segundo algumas fontes, a Red Bull gostaria de manter a
comportamento aerodinâmico dos monolugares. liberdade para desenvolver as suspensões a seu gosto, ao
A Scuderia levou a sua avante, obrigando a que a Mercedes passo que a Ferrari preferiria a introdução limitações. Por
e a Red Bull modificassem os seus sistemas, o que acabou seu lado, a Mercedes, que já tinha aventado o mesmo no
condicionar os projetos destas duas equipas. passado, gostaria de ver o regresso das suspensões ativas
Este ano as suspensões continuam no centro das atenções, à Fórmula 1, ainda que com software e hardware controlado
sendo uma vez mais estas três formações as protagonistas. pela FIA.
Segundo algumas informações, ao longo da temporada de Uma vez mais, a temporada ainda nem começou e as
2017 houve equipas que usaram o movimento da direção equipas já se digladiam fora das pistas, tendo, pelo menos
para aproximar o carro do solo, com óbvios ganhos algumas, se visto obrigadas a alterar os seus projetos que,
aerodinâmicos. no final do ano, estão já bastante avançados.
É natural que exista uma modificação da altura ao solo

Por fim, foram efetuados também dois forma as forças exercidas sobre o 'Halo' a temporada a acima do peso mínimo – poderá refletir num decréscimo de po-
testes com objectos externos, que fo- se repercutem na monocoque. sem que falhem os 'crash tests' de segu- tência dos motores.
ram bem-sucedidos. Por outro lado, o dispositivo pesa quin- rança exigidos pela entidade federativa. No entanto, a FIA possibilitará alguma
O 'Halo' terminou a sua fase de testes ze quilogramas, mas a FIA aumentou o Se do ponto de vista estrutural a tarefa liberdade na forma como os 'Halos' po-
com 88,2% de taxa de sucesso, o que, na peso mínimo do carro em apenas seis das equipas não é fácil, no campo aero- derão ser 'vestidos' precisamente para
prática, levou a FIA a introduzi-lo para a quilogramas, pressionando os técni- dinâmico existem igualmente desafios, permitir que o ar seja direcionado para
época deste ano. cos a trabalharem afincadamente para uma vez que o 'Halo' faz 'sombra' à en- o local correcto: “Vamos permitir que
reduzir o peso dos seus carros – recor- trada de ar dinâmica para o motor, que usem pequenas carenagens na par-
OS DESAFIOS DO 'HALO' de-se que o Mercedes de 2017 começou passa a ter acesso a menos ar, o que se te superior, não podem exceder vinte
milímetros da estrutura principal. Há
Quando a FIA decidiu que este ano o uma largura máxima e uma restrição
'Halo' seria obrigatório, durante o Grande para invadir a abertura do cockpit. Mas
Prémio da Hungria, em julho, as equipas penso que vinte milímetros é bastante
estavam já num processo avançado do em toda a sua extensão e podem fazer
design dos chassis a usar em 2018, o o que quiserem nesses limites”, admi-
que lhes criou um problema – teriam tiu Whiting.
que rever o projeto e integrar o dispo- A McLaren e a Toro Rosso já apresen-
sitivo de modo a passar um 'crash test' taram, em Yas Marina, nos testes após
com uma força máxima de 88kN. Não o Grande Prémio de Abu Dhabi, as suas
era uma tarefa fácil. primeiras interpretações das carena-
O dispositivo, que será fornecido por gens para o 'Halo', sendo esta uma área
uma empresa independente, fará par- de grande desenvolvimento ao longo
te integrante da célula de sobrevivência, da próxima temporada, o que poderá
sendo determinante para a performan- até permitir que o 'dispositivo que to-
ce do chassis o local onde será coloca- dos odeiam' se torne um pouco mais
do, o que obriga as equipas a aturadas atraente.
simulações de modo a perceber de que

E/26
ENTREVISTA - FÁBIO MOTA

OLHAR totalmente estranhos. Contudo, quando
EMFRENTE se comprometeu a disputar o ETCC no
início do ano, Mota estava longe de saber
Depois de uma temporada de aprendizagem bastante satisfatória Sérgio Fonseca que ia pagar um preço elevado por uma
em 2016, Fábio Mota encarava a edição de 2017 da Taça Europeia [email protected] parceria que não funcionou entre a equi-
FIA de Carros de Turismo (ETCC) com um positivismo justificável, pa sérvia Lein Racing, os donos do carro,
mas fatores alheios trocaram-lhe as voltas. Um duplo pódio noontando apenas com um orça- e a equipa eslovena Lema Racing, que
mento limitado proporcionado prestava a assistência técnica ao mesmo.
Nürburgring – Nordschleife não faz esquecer uma época em que por um grupo de patrocinado- “Foi uma época em que tudo apontava
res coeso e leal, o piloto de Vila para ser bem-sucedida e teve pontos
Cum top-3 estava perfeitamente ao seu alcance Nova de Gaia finalmente con- bons, mas também teve pontos menos
bons”, afirma Mota. “Fruto de ser o pri-
tava com um SEAT Leon TCR meiro ano desta ‘joint-venture’ houve
uma certa desorganização que levou a
da última geração e desta vez nem os alguns erros durante esta época que sa-
crificaram bons resultados. Por exemplo,
circuitos, nem os adversários, lhe eram na primeira prova em Monza, o carro não
chegou devidamente preparado, longe
das condições ideais para rodar com os
pilotos da frente. A diferença de tempos
era significativa, tal como a própria ve-
locidade de ponta em reta era inferior à
do restante pelotão, ainda por cima num

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27

RINGMEISTER

Numa época atribulada, Fábio Mota
mostrou o seu verdadeiro valor
precisamente no mais difícil circuito do
calendário, o Nürburgring – Nordschleife.
Numa prova que começou com dores, pois
uma quebra de transmissão colocou-o
como espetador logo no primeiro treino,
o piloto do SEAT Leon negro e amarelo
não desanimou, antes pelo contrário, foi
progredindo paulatinamente ao longo do
fim de semana, aforrando um terceiro e um
segundo lugares.
A vitória esteve mesmo à mão de Mota na
segunda corrida, onde fez a melhor volta:
“Eu não sabia em que posição ia e que
estava a lutar pela vitória. A comunicação
de rádio é bastante difícil num circuito
tão grande. Sei que arranquei mal e vinha
a recuperar muitos lugares, na parte do
Inferno Verde recuperei duas posições
numa só curva, mas na última volta não
tive a percepção que estava a lutar pelo
primeiro lugar. Na minha mente estava a
passar de quarto para quinto, ou de quinto
para sexto. Se soubesse, se calhar podia
ter atacado mais.”
A dantesca arena germânica é sem dúvida
um dos palcos favoritos do piloto luso:
“É um circuito que gosto imenso. É um
circuito de muito trabalho e um circuito
em que acima de tudo vence o piloto que
mais respeito tem por ele. Identifico-me
com esses valores: respeito, humildade e
trabalho.”
A atração pelo Nürburgring – Nordschleife
e a sedutora proximidade às marcas e
estruturas oficiais até já o levaram a
considerar participar no campeonato de
resistência local – VLN – mas por agora os
objetivos vindouros estão bem definidos
e passam apenas e só pelas corridas de
Turismo.

circuito rápido como Monza.” alta roda do nosso desporto. Mota, numa superiores a uma centena de milhar de truturas pecam “do ponto de vista or-
Erros da equipa em Most, quando o seu equipa dessa região europeia há quatro euros, as equipas do Leste Europeu, para ganizativo. Acho que as equipas têm
carro permaneceu nos macacos hidráu- anos, é a pessoa certa para nos dar um se tornarem apetecíveis num ambiente demasiados projetos, fazem diver-
licos para lá do período permitido, ou em olhar sobre essa evolução. tão competitivo, procuram “encontrar sos campeonatos, desde de provas de
Vila Real, onde não foi à pesagem na “Tenho uma imagem positiva destas forma de cortar custos ao longo do ano Montanha, ao campeonato da Europa
qualificação, custaram-lhe resultados equipas. Gostam muito das corridas e para proporcionar orçamentos mais fa- central ou troféus monomarca. São equi-
de vulto e preciosos pontos. “Do ponto não as encaram apenas do ponto de vista voráveis. Posso dizer que uma equipa pas que estão envolvidas em demasiados
de vista pessoal foi um ano complicado, financeiro. Quando vêem a possibilidade como a Lema prefere investir num ca- projetos, o que por vezes tem reflexos ne-
vendo estas diferenças de mentalidade, de conseguir uma boa imagem com um mião com boas condições para acomo- gativos, porque o staff acusa o cansaço
entre o lado da Eslovénia e o da Sérvia. piloto rápido, eles ajudam”, explica Mota dar beliches, do que despender dinhei- de cinco ou seis fins de semana segui-
Tentei encontrar um equilíbrio entre am- que reconhece que a Lema Racing sem- ro em hotéis e alugueres de carro. Foi o dos sem parar.”
bas as partes. Acabei por ter um trabalho pre se esforçou para contar com os seus ponto de diferenciação maior que vi em
mais exigente fora do carro que dentro serviços nas duas últimas temporadas, comparação com as equipas do sul da O FALHANÇO DO ETCC
dele”, confessa o piloto luso que mesmo mesmo que para isso tivesse que fazer Europa com que trabalhei no passado.” O piloto português viveu por dentro os
assim conseguiu terminar o campeona- alguns sacrifícios. No entanto, para além da menor expe- últimos dois anos do ETCC, uma com-
to no sexto posto, muito graças aos dois Num campeonato que exige orçamentos riência internacional, estas novas es- petição que tinha todos os ingredientes
pódios obtidos na Alemanha.

A LESTE "O CAMPEONATO (ETCC) TINHA TUDO PARA DAR CERTO, MAS A FALTA
DE HUMILDADE DA ORGANIZAÇÃO DEU NO QUE DEU. CHEGÁMOS A MONZA
Apesar do espetacular crescimento do E NÃO SABÍAMOS COM QUE REGULAMENTOS ÍAMOS CORRER, SÓ NA VÉSPERA."
automobilismo nos países da Europa de
Leste, as equipas daí provenientes ainda
estão a tentar ganhar o seu espaço na

E/
ENTREVISTA

28

FÁBIO MOTA

para ser o sucesso que não foi, inclusi- maus lençóis. Todavia, este era um cená- NOVO CAPÍTULO de GT4 em que possas correr sozinho. O
vamente, prémios monetários. rio possível de evitar. “Se as pessoas do conceito das corridas de GT sempre foi a
“O campeonato tinha tudo para dar certo, Eurosport Events tivessem mais cons- Com o fim do ETCC, Mota olha agora para partilha do carro e isso foi um dos mo-
mas a falta de humildade da organiza- ciência da metamorfose das corridas novas oportunidades. “O panorama das tivos de rumar às corridas de Turismo,
ção deu no que deu”, explica Mota, dan- de Turismo desde o lançamento do corridas de Turismo está interessante, te- apesar de ter tido sempre excelentes
do como exemplo flagrante o arranque conceito TCR, tudo isto teria sido mui- mos a maior parte dos grandes constru- companheiros de equipa, dentro e fora
atabalhoado da edição de 2017: “Este to fácil de evitar e podia ter tornado o tores interessados na categoria. Vamos de pista.”
ano chegámos a Monza e não sabíamos ETCC uma verdadeira alternativa ao ter a entrada de dois construtores como Como tal, as prioridades estão bem defi-
com que regulamentos técnicos iriamos TCR Internacional. a Hyundai e a Peugeot que vão animar o nidas: “Se não conseguir objetivar o TCR
correr. Foi só na véspera, na sexta-fei- Houve equipas que chegaram a meio do mercado dos TCR e obviamente que isso europeu, em algum campeonato TCR
ra, que o Eurosport Eventos chegou a TCR internacional e pararam. Podiam me faz querer continuar nos Turismos”, ver-me-ão no próximo ano.”
acordo com a WSC, que detém os direi- muito bem ter começado a tempora- reconhece.
tos do TCR. Acho isso inaceitável para da no ETCC. Estamos a falar de uma A criação do TCR Europe Series, com seis ATENTO AO QUE SE PASSA POR CÁ
um campeonato em que só a inscrição diferença de 10 a 12 carros por prova, provas, é “o passo óbvio para quem fez
são 22.000 euros. Entrares no avião na para 16 ou 18.” duas épocas no ETCC. É a minha pre- Tendo competido em Portugal, onde
quinta-feira para ires para uma corrida Para o piloto nortenho não há qualquer ferência e estou a analisar propostas. venceu a classe na Taça de Portugal de
e não saberes com que regulamentos dúvida que “o trabalho comercial não foi Temos três equipas que, de certa forma, Circuitos, no Iberian Supercars Trophy e
vais correr é algo inadmissível.” feito, o trabalho do defeso não foi feito. gostavam de ter o Fábio Mota a repre- no Campeonato de Portugal de Circuitos,
A incapacidade da FIA em encontrar um Não houve um esforço para saber que sentá-las neste campeonato, mas eu um regresso “não está fora da equação”,
regulamento técnico comum para as cor- carros estavam a ser comprados e por não consigo ainda nesta altura do ano admite Mota que ao mesmo tempo co-
ridas de Turismo nacionais, a impossi- quem, e se podiam ser potenciais clien- confirmar se vou estar presente, ou em loca muitas interrogações sobre “o cus-
bilidade de usar a maquinaria do WTCC tes. Apesar de nestas duas épocas ter que moldes vou estar presente.” to-benefício de correr atualmente em
e o veto das marcas do Grupo VAG em sido sempre muito bem tratado, não Depois de uma participação no euro- Portugal”.
homologar as suas viaturas, com medo havia organização, nem havia um or- peu de GT4, o piloto de 30 anos não tem O piloto gaiense não se deixa seduzir
que pudessem ser utilizadas numa sub- ganigrama coeso de quem tratava do planos para regressar às corridas de GT. com o formato de dois pilotos por carro
-categoria do WTCC, deixou o ETCC em quê, o que levou ao falhanço do ETCC...” “Gostei muito de correr no GT4, mas jul- usado na competição rainha da veloci-
go que não existe qualquer campeonato dade nacional. “Acho que as pessoas que

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29

WTCR? "A minha opinião é que o conceito TCR é pessoas que fiquei 100% contente”,
SENTIMENTOS uma ideia excelente por agora, uma boa admite.
MISTOS! fórmula para todos", afirma Mota que não Apesar das homologações das viaturas
dúvida que "o campeonato se vai tornar estarem congeladas para os próximos
Atento ao que se passa nas corridas de mais económico, mas também a estrutura dois anos, o facto do campeonato mundial
carros de Turismo um pouco por todo o mediática e de promoção será mais coesa servir de bitola para todos os outros
mundo, Mota partilha da opinião que a e influente, o que no fim vai justificar campeonatos regionais e nacionais faz que
adopção do conceito TCR por parte do a diferença de orçamentos para o TCR haja quem receie uma escalada de custos
WTCC , dando forma à Taça do Mundo International Series." com reflexos nas raízes da categoria.
FIA de Carros de Turismo – WTCR em O regulamento técnico do TCR será "Se nos dois últimos anos tive condições
2018, foi a melhor solução encontrada usado no WTCR por dois anos, sendo para correr num carro TCR, que é um carro
para o campeonato principal organizado uma incógnita o que virá a seguir e excelente, resta saber como será em
pelo Eurosport Events. Todavia, o piloto é precisamente esta indefinição que 2020 ou 2021 e como vão estar os custos
português teme as consequências a longo preocupa o piloto português. de participação", interroga-se o piloto
prazo desta associação. "O meu maior medo é que isto possa tornar nortenho que está expectante quanto ao
os carros do TCR, dentro de dois ou três futuro, pois "as marcas ainda vão estar
anos, em carros demasiado caros. Posso mais presentes e isso assusta-me um
dizer que sinceramente não sou daquelas bocado como piloto não profissional."

estão à frente do campeonato português Conhecedor da realidade dentro e fora nosso campeonato implica que este não europeus na próxima década, combi-
preocuparam-se em ter orçamentos de portas, Mota assegura: “Qualquer pi- seja uma rampa de lançamento para no- nando as corridas com os seus afaze-
compatíveis com a realidade nacional, loto que correu no campeonato portu- vos valores. E isso faz-me questionar o res profissionais. “Seis ou sete corridas
mas fizeram-no de uma forma negati- guês em 2017 vai lá fora e faz boa figura, custo-benefício do nosso campeonato.“ no continente europeu, na quinta-feira
va, acabando por desvirtuar o conceito principalmente aqueles com menos de Enquanto o Campeonato de Portugal de estamos no circuito e à segunda-feira
das corridas de Turismo. Puseram um 30 anos de idade. Porém, esses pilotos Velocidade de Turismos não é uma pre- estamos de volta ao trabalho. Para quem
campeonato de Turismo à imagem de não estão a fazer apostas sensatas, por- ferência a curto prazo, Mota espera con- tem que combinar dois estilos de vida é
um campeonato de endurance”. que infelizmente a falta de visibilidade do tinuar a competir nos principais palcos o formato ideal”, salienta.
Mota acredita que há outras formas de O piloto português não esconde o desejo:
reduzir os custos e adaptar o conceito “Gostaria de me tornar mais próximo de
TCR à realidade do país. “Provavelmente uma marca. Sei que não será já. Espero
não em 2018, mas espero que, no futuro, que o próximo ano seja uma rampa de
possam pensar em criar mecanismos lançamento e que possa provar ainda
para travar a evolução tecnológica dos mais. Ter condições para lutar por um
carros que competem em Portugal. Não título europeu é o objectivo da minha
precisamos de correr com a última ge- carreira desportiva.”
ração de carros TCR em Portugal. Pode 2017 não será com certeza o ano de que
limitar-se os regulamentos, criar con- Mota guardará as suas melhores me-
sensos, se calhar criar um BOP nacio- mórias desportivas, mas todos aque-
nal. Mas tornem o campeonato entre os les que lhe são próximos reconhecem
60-65 mil euros por carro, com os pneus que a sua humildade sincera e capaci-
certos, com uma estrutura mediática não dade de superar as dificuldades, nem
muito cara e possível de concretizar. Acho sempre lutando com armas iguais, vão
que há muito trabalho para ser feito para ajudando a formar um piloto cada vez
nos podermos orgulhar do campeonato mais completo e respeitado nos pad-
português.” dock europeus.

N/30 PROJETO OFICIAL
NOTÍCIAS

DA HYUNDAI PORTUGAL

ARMINDOARAÚJO
DE AROEGSRREASLSIOS
O ano de 2018 inicia-se com
Armindo Araújo vai regressar ao Campeonato de excelentes notícias para Hyundai Portugal decidiu apoiar
Portugal de Ralis com o apoio da Hyundai Portugal, os ralis portugueses com este projeto, que inclui também
a confirmação do regresso Carlos Vieira. Curiosamente, os
num projeto que inclui também o atual Campeão de Armindo Araújo à competição. dois pilotos vão correr sob o mes-
Nacional, Carlos Vieira Cinco anos após a abrupta saída do mo ‘teto’, a Hyundai Portugal, mas
WRC, e depois de muito tempo de
José Luis Abreu silêncio sobre tudo o que se pas-
[email protected] sou em 2012, o único bicampeão do
mundo dos ‘motores’ em Portugal
LEIA E ACOMPANHE TODAS regressa ao ativo da forma que
AS NOTÍCIAS EM AUTOSPORT.PT sempre disse ser condição ‘sine
qua non’ para voltar. Um projeto
oficial com condições para lutar
pelas vitórias e títulos.
Com um excelente RC2 desenvol-
vido pela Hyundai MotorSport, a

BATHURST Desta forma, em Daytona, passam a ser corrida na LMP2 com a Jackie Chan DC Brundle e Ferdinand Habsburg, sendo
E DAYTONA PARA cinco os portugueses presentes. Antes Rac, naquela que é a prova de abertura que, curiosamente, também este último
PEDRO LAMY António Félix da Costa havia sido con- do IMSA SportsCar Championship: “Estou também faz a sua estreia nas corridas
firmado num LMP2 da Jackie Chan DC muito feliz por competir nas 24 Horas de de sport-protótipos e na prova norte-
Ocontingente português nas 24 Racing quando já se sabia que o con- Daytona, especialmente numa estrutura e -americana.
Horas de Daytona vai ser bem ex- tingente português iria contar com João com uma equipa de pilotos tão forte. Estou Álvaro Parente também marca presença,
tenso, com a confirmação da pre- Barbosa, Filipe Albuquerque e Álvaro ansioso por guiar o carro e trabalhar com ele que já não faz parte do programa da
sença de Pedro Lamy, que se junta Parente. a equipa que venceu a sua categoria nas McLaren GT. Depois de seis anos ligado
a João Barbosa, Filipe Albuquerque, Álvaro Com o BMW M8 GTE preparado para a 24 Horas de Le Mans em 2017, pelo que é diretamente à equipa de Woking, agora
Parente e António Félix da Costa. Para estreia competitiva, António Félix da aequipaperfeitaparaas minhas primei- é tempo doutros projetos e para já está
além disso, o Campeão do Mundo de GTE Costa irá assistir-lhe de perto, embora ras 24 Horas de Daytona”, disse. Félix da prevista a participação nas 24 Horas de
Am no Mundial de Resistência vai ainda, competindo noutro carro, na sua primeira Costa faz equipa com Ho-Pin Tung, Alex Daytona, pois tem confirmada a disputa
uma semanadepoisdeDaytona,marcar da Taça Norte Americana de Endurance na
presença na pista de Mount Panorama, do classe GTD com a Michael Shank Racing,
lado de lá do globo terrestre, para correr aos comandos do Acura NSX nº 86 que
também nas 12 Horas de Bathurst. dividirá com Katherine Legge e outro piloto
Na Austrália, Pedro Lamy corre pela pri- ainda por definir, inscrito em GTD: “Estive
meira vez aos comandos de um Audi R8 com a McLaren nos últimos cinco, seis
LMS GT3 do Team WRT, fazendo equipa anos, mas este ano as coisas mudaram.
com os seus habituais colegas na Aston Estou feliz por terem apostado em mim
Martin, Paul Dalla Lana e Mathias Lauda. todos estes anos, tentei ajudá-los e obter
Antes, em Daytona, a tripla corre com o os melhores resultados possíveis e acho
Ferrari da Spirit of Racing, neste caso, que conseguimos muitas coisas boas.
também com o brasileiro Daniel Serra. Sinto-me muito feliz por ter sido parte
De acordo com o que o piloto luso revelou desse programa”, disse. Os testes (Roar
ao AutoSport, a permanência na Aston Before the Rolex 24) realizam-se já nos
Martin continua em equação - “estamos próximos dias 5 a 7 de janeiro, sendo que
a conversar” - pelo que nada deve mudar a corrida está agendada para o fim de
a esse nível. semana de 27 e 28 de janeiro. Pedro Lamy
ruma daí às 12 Horas de Bathurst, que se
realizam de 2 a 4 de fevereiro, no fim de
semana seguinte.

com apoios técnicos e estruturas gem’ será o modelo mais visto no continuará com o modelo sul co- >> autosport.pt
diferentes, que a seu tempo serão Campeonato de Portugal de Ralis reano, havendo ainda um quarto
divulgadas pela marca. O carro 2018. Para além de Carlos Vieira carro, que poderá ser alugado pela 31
é, naturalmente, o Hyundai i20 e Armindo Araújo, o AutoSport sua equipa.
R5, que pelo andar da ‘carrua- sabe que Manuel Castro também Quem o viu no RallySpirit sabe bastante motivado e consciente
que Armindo Araújo não perdeu da responsabilidade que é defen-
capacidades, e a partir daqui há der as cores da Hyundai no CPR.
tempo para testar e ganhar ritmo Agradeço a todos os que ajudaram
para o arranque do CPR: “Estou na viabilização deste projeto, que
muito satisfeito por contar com o vamos tentar retribuir com vitó-
apoio da Hyundai Portugal nes- rias”, disse Carlos Vieira.
te meu regresso à competição e Outro ponto que tem de ser am-
estou também muito motivado plamente destacado é a aposta
para conduzir o Hyundai i20 R5. da Hyundai Portugal. Para Sérgio
Criámos um projeto ambicioso e Ribeiro, CEO da Hyundai Portugal:
vamos trabalhar no sentido de lu- “Estamos muito entusiasmados
tar pelas vitórias e pela conquista com a dupla de pilotos que es-
do título absoluto do Campeonato tamos a apoiar e vamos segura-
de Portugal de Ralis em 2018”, mente lutar para garantir os dois
disse o piloto. primeiros lugares do campeonato.
Noutro Hyundai i20 R5 também É um projeto que está a ser pre-
apoiado pela Hyundai Portugal parado há já algum tempo, por-
vai estar Carlos Vieira, atual que nos quisemos certificar que
Campeão Nacional de Ralis, que tínhamos as melhores condições,
decidiu trocar o DS3 R5 pelo equipas e pilotos para vencer”,
Hyundai i20 R5: “Estou muito feliz, disse.
é para mim um orgulho enorme Efetivamente, este é um processo
representar a Hyundai, poder vir que se arrasta há algum tempo.
a participar num projeto apoiado Desde cedo houve sempre muita
por uma marca é algo com que vontade das partes, e para bem
sempre sonhei. Este final de ano dos ralis o desfecho foi positi-
tem sido fantástico para mim, vo. Agora, os restantes detalhes
primeiro a conquista do título e relacionados com a equipa de
agora esta oportunidade. Estou cada piloto, o plano de provas e
opções técnicas serão conheci-
dos somente na apresentação
das respetivas equipas quando
o anunciarem.

SKODA12, FORD4,
CITROËN 3, HYUNDAI2…

LISTA POBRE Numa altura em que se preparam para natural, pois há bem mais, e com melhores
NO RALI DE MONTE CARLO chegar ao ‘mercado’ mais dois carros de pilotos – há exceções, como na Estónia, em
ralis da categoria R5, o VW Polo GTI R5 e o que um piloto de um World Rally Car foi o
Já é conhecida a lista provisória de Bouffier, um especialista da prova Citroën C3 R5, a Skoda, que tem o carro mais Campeão; na Dinamarca foi a vez de um não
inscritos do Rali de Monte Carlo, e monegasca. O francês venceu o rali bem sucedido da categoria, vai evoluí-lo... homologado Suzuki Maxi; na Lituânia foi
por hora não há surpresas. Para já em 2011, na altura com um Peugeot porque ‘descansar’ à sombra dos louros não um Mitsubishi Mirage Proto; em Espanha
desconhece-se quem poderá estar 207 S2000, ainda no IRC, e já esteve é hipótese. o Campeão foi o piloto de um Peugeot 208
aos comandos do terceiro Fiesta em 2014, 2015 e 2016 com a M-Sport Em 2017 o Skoda Fabia R5 venceu três N5. Os Grupo N tradicionais continuam a
WRC. De resto, a lista apresentada nesta mesma prova, tendo em 2014 dos seis campeonatos FIA regionais. desvanecer-se na cena internacional dos
não tem grandes surpresas, com terminado em segundo e desistido Na Europa, os pilotos do Skoda Fabia R5 ralis. Modelos Mitsubishi triunfaram apenas
Sébastien Ogier e Elfyn Evans com os nas restantes duas participações. venceram 12 campeonatos noutros tantos no Chipre, na Rússia e na Ucrânia, e, por fim,
Fiesta da M-Sport/Ford. Na armada Entre os R5, destaque para Eric países, comparado com quatro ganhos por um Subaru no Luxemburgo.
Hyundai estão Thierry Neuville, Andreas Camilli e Teemu Suninen em Ford pilotos aos comandos de Ford Fiesta R5, Isto prova que os regulamentos R5 são bem
Mikkelsen e Dani Sordo. A Toyota corre Fiesta R5, assim como Kevin Abbring, três com Citroën DS3 R5, dois por Hyundai sucedidos, e os R5 o patamar ideal para
com Jari-Matti Latvala, Ott Tanak e em carro idêntico. i20 R5 e um com o Peugeot 208 T16 R5. o passo final antes do WRC, que só tem
Esapekka Lappi e, por fim, na Citroën, Jan Kopecky e Kalle Rovanpera vão Mas apesar dos R5 continuarem a ser os lugar para cerca de uma dezena de pilotos,
apenas Kris Meeke e Craig Breen. estar com o Fabia R5, Stéphane carros que mais vencem – o que também é metade da Fórmula 1. MARTIN HOLMES
Para o lugar vago no terceiro Fiesta, o Serrazin com um Hyundai i20 e Yoann
principal candidato parece ser Bryan Bonato em Peugeot 208 R5.

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EMERSON NOVAS
FITTIPALDI AVENTURAS

(PARTE II) Na parte I da carreira de Emerson Fittipaldi recordámos
os primeiros tempos da história do brasileiro, as alegrias
CONHEÇA ESTA E MUITAS e tristezas, bem como os anos de glória. Nesta segunda
OUTRAS HISTÓRIAS EM AUTOSPORT.PT
metade é a vez da aventura Copersucar-Fittipaldi e do
posterior renascimento americano

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Guilherme Ribeiro época anterior. Voltando um pouco atrás do volante, e, juntamente com Divila e precisava de muito mais rodagem, as-
[email protected] – e embora a história da Copersucar- - que havia trabalhado com os ‘ma- sim como de uma equipa técnica mais
Fittipaldi já tenha sido abordada nes- nos’ na modificação dos seus carros experiente. Por isso 1976 voltou a ser um
Quando já era um dado adquiri- tas linhas na edição nº 1875 – a equipa de Turismo e GT nos tempos em que ano de experiências, com Fittipaldi a al-
do que Emerson Fittipaldi iria nasceu da cabeça de Wilson Fittipaldi competiam no Brasil (o próprio Divila cançar como melhores resultados três
continuar na McLaren em 1976, e do seu grande amigo e jovem enge- chegou a pilotar karts, antes de se de- sextos lugares, mas chegando mesmo
caiu como uma bomba a notí- nheiro Ricardo Divila. Ao contrário de dicar de vez à engenharia) e novamente a não se qualificar. E, com o tempo, vie-
cia de que o bicampeão mun- Emerson, Wilson nunca passou de um com Wilson e Emerson na F2 - decidiu ram ao de cima vários problemas. Em
dial iria trocar a conceitua- piloto mediano, mas aproveitou o emba- avançar para a criação de uma equipa primeiro lugar, Divila não se sentia ca-
díssima equipa inglesa pela formação lo do seu irmão para vir para a Europa, de F1, garantindo o apoio da refinaria de paz de se impor a um piloto da craveira e
que o seu irmão Wilson havia montado, correndo na F2 e chegando mesmo a açúcar estatal Copersucar, assim como experiência de Emerson, como um bom
a Copersucar-Fittipaldi. Foi, decerto, ser piloto oficial da Brabham por duas outros patrocínios menores no Brasil. diretor técnico poderia fazer, enquanto
um dos maiores choques de sempre de épocas. No entanto, cedo percebeu que Wilson retirou-se temporariamente da entre os ‘manos’ surgiam naturais mal-
qualquer “silly season” da história da F1, o seu maior talento não estava atrás competição em 1974 para trabalhar com -entendidos familiares. A frustração de
ainda para mais tendo em conta que o Divila – que contava apenas 28 anos – um bicampeão mundial em lutar ape-
carro não tinha dado boas indicações na na conceção do novo carro, que se es- nas por magros pontos fez-se sentir,
treou em 1975 pelas mãos de Wilson assim como a pressão dos patrocina-
Fittipaldi, sem resultados palpáveis. dores e imprensa brasileiras, que não
Wilson e Divila reconheceram ter sido compreendiam porque é que a equipa
demasiado ambiciosos, por isso es- demorava tanto a produzir resultados.
tavam a projetar um monolugar bem Para 1977 Divila ficou apenas encar-
mais conservador para 1976, e quan- regue do desenvolvimento e a equipa
do as negociações entre Emerson e contratou um novo designer, e os re-
Teddy Mayer não correram como es- sultados melhoraram de imediato, com
perado, conseguiram persuadir o bi- dois quartos lugares e um quinto nas
campeão a alinhar também na equipa primeiras quatro provas, mas à medida
familiar. Dito e feito. Wilson retirou-se que as restantes equipas iam evoluin-
de vez e Emerson tornou-se no piloto da do os seus monolugares, a Copersucar
Copersucar, iniciando a época com um ficava para trás, e Emerson só voltou
surpreendente quinto lugar nos treinos aos pontos com um quarto lugar na
no G.P. do Brasil. Mas o entusiasmo foi Holanda. Mesmo assim, 11 pontos na
sol de pouca dura, pois rapidamente se segunda época pareciam indicar um
viu que a equipa estava subfinanciada movimento ascendente, e quando a

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equipa contratou Giacomo Caliri para a primeira metade da temporada com ajudar a manter a equipa à tona, inca- da razão, juntando-se ao seu irmão na
1978, que adaptou o F5 do ano anterior o monolugar da temporada anterior, e paz de gerir e pilotar ao mesmo tempo, aventura Copersucar em 1976, Fittipaldi
à tendência do efeito-solo iniciado pela na segunda a tentar acertar um chassis desmotivado e claramente batido pelo tinha passado ao lado de uma carreira
Lotus no ano anterior, esperava-se de- que precisava de tempo para amadu- seu colega de equipa, Emerson optou que poderia ter sido bem mais rechea-
finitivamente a chegada aos bons re- recer. No final da época, a Copersucar por se retirar da competição no final de da, e aos 34 anos estava acabado para
sultados de forma consistente. retirava o apoio à equipa dos irmãos 1980 e passar a trabalhar na gestão da o desporto automóvel…
A época, de facto, não poderia ter co- Fittipaldi, sendo substituída pela cer- Fittipaldi ao lado de Wilson. Sem dinhei-
meçado melhor, quando Emerson vejeira Skol, mas surgia uma nova ja- ro, já que a Skol não cumpriu o contrato, RENASCIMENTO AMERICANO
conseguiu um espetacular segundo nela de oportunidade quando estes a formação brasileira ainda se arrastou Com a sua retirada da competição,
lugar no G.P. do Brasil, disputado em conseguiram comprar a estrutura da por mais duas épocas sem qualquer Fittipaldi dedicou-se não só à sua equi-
Jacarepaguá. No entanto, a primeira defunta Wolf. Pela primeira vez, toda a resultado de relevo até que, no final de pa, mas também aos seus crescentes
metade da época foi afetada por vá- produção e desenvolvimento dos car- 1982, abriu falência. A conclusão era negócios no Brasil. Pelo meio, para se
rios problemas de fiabilidade, e só na ros foi deslocada para Inglaterra – o clara: ao decidir com o coração em vez divertir e ‘matar saudades’, correu oca-
segunda metade os resultados vol- facto de se trabalhar dos dois lados do
taram a aparecer, com cinco idas aos Atlântico não ajudava nada – e a equi-
pontos nas últimas oito provas. Ainda pa técnica era invejável: Ricardo Divila,
assim, a pressão aumentava, já que Harvey Postlethwaite, Peter Warr e um
os resultados continuavam a não ser jovem universitário chamado Adrian
consistentes e as vitórias eram ainda Newey, aliados a um segundo piloto
uma miragem. A frustração de todos muito rápido, mas conhecido por arris-
os envolvidos aumentava, a pressão car demais, Keke Rosberg. Inspirados
também, e as mudanças continuas de no trabalho da Wolf entre 1977 e 1979,
designer só pioravam as coisas - em a equipa deitou as mãos ao caminho
1979 Fittipaldi só conseguiu um ponto com renovada esperança, mas depois
graças ao sexto lugar conseguido na de um pódio de Rosberg na Argentina
Argentina. O carro havia sido dese- e outro de Fittipaldi em Long Beach, os
nhado pelo genial Ralph Bellamy e era resultados apareceram apenas espo-
considerado um dos melhores e mais radicamente e a Fittipaldi andava mais
caros designs da época, mas o conceito pelo fundo da tabela. Cansado de maus
foi demasiado radical e a equipa passou resultados e do esforço necessário para

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sionalmente em provas de karts, mas o 500 pela McLaren em 1975, no entanto loto que tinha ficado gravemente ferido bres e duras, a Michigan 500, disputada
regresso à competição estava aparen- ele considerava os carros demasiado na prova de Michigan semanas antes. naquela Superspeedway. Porém, 1986
temente descartado até que, no início inseguros. Com os novos monolugares Iniciou-se assim uma longa e bem-su- trouxe muito mais dificuldades e os pri-
de 1984, Ralph Sanchez, manager de em fibra de carbono, Fittipaldi aceitou cedida parceria entre os dois homens. meiros dois terços da temporada foram
uma equipa de IMSA, o contactou para lançar-se na aventura e, aos 37 anos, 1984 mostrou também que ‘Emmo’, marcados por problemas constantes
voltar a colocar o capacete e disputar estava de regresso. A equipa de Romero como era chamado nos EUA, tinha uma de fiabilidade, com os resultados a mal
as 3 Horas de Miami. Após muita in- era muito pequena, mas a estreia em enorme capacidade de adaptação, pois aparecerem, salvando-se a época por
sistência, Emerson acedeu e, de ime- Long Beach correu bem, com um fan- não tardou a mostrar um ritmo muito um excelente final de temporada que
diato, sentiu-se à vontade, colocando o tástico quinto lugar – demonstrando convincente nos diferentes tipos de incluiu uma vitória em Road America,
March-Chevrolet GTP na pole-position efetivamente que três anos sabáticos ovais americanas. facto que deu a Emerson o sétimo lugar
e estando na luta pela vitória até ficar em nada havia afetado a sua veloci- Depois de deixar o fabrico dos seus pró- no campeonato. Na temporada seguinte,
irremediavelmente atrasado por pro- dade inata – mas em Indianápolis as prios chassis Wildcat no final de 1983, a Pat Patrick trocou os motores Cosworth
blemas de transmissão. O que acon- coisas não correram bem e abando- Patrick Racing atravessou uma longa DFX pelos Chevrolet, mas nem assim os
tece é que Emerosn tomou o gosto por nou bem cedo com problemas mecâ- fase de adaptação, o que não permitiu resultados apareceram com frequência,
um eventual regresso e pelos ‘States’ e, nicos. Acabado o contrato com Romero, a Emerson Fittipaldi andar regular- sendo a temporada marcada por uma
dessa forma, aceitou o convite do dono Emerson foi convidado pela também mente nos lugares da frente durante falta de fiabilidade gritante, ainda assim
de uma pequena equipa do campeona- pequena H&R Racing, voltando a mos- os anos seguintes. Isto não quer dizer alternada por duas excelentes vitórias
to CART, Pepe Romero, para disputar as trar ser capaz de extrair o melhor de que a equipa estivesse mal, mas falta- em Cleveland e Toronto, mas que não
primeiras rondas até Indianápolis (basi- um carro inferior nas duas provas que vam os ‘pozinhos mágicos’ para andar deu para mais que um 10º lugar no final
camente, até aonde o dinheiro da equipa disputou, mas a sua carreira nos EUA na luta pelos títulos, assim como uma do campeonato.
chegava…). Há que dizer que Fittipaldi só assentou definitivamente quando o maior fiabilidade, mas, ainda assim, Porém, os ventos eram mesmo de mu-
sempre cresceu com um fascínio pela conceituado Pat Patrick o convidou para ‘Emmo’ foi sexto no campeonato de dança e em 1988 os resultados começa-
mítica oval americana e chegou a le- a sua equipa, para substituir um tal de 1985, tendo mesmo vencido a sua pri- ram a aparecer. Ainda com os chassis
vantar-se a hipótese de correr na Indy Chip Ganassi, um jovem promissor pi- meira prova e logo uma das mais céle- March, Fittipaldi conseguiu um fantás-

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tico segundo lugar em Indianápolis e esteve na luta pela vitória, assumindo que permitiram ao brasileiro assegu- a Fittipaldi, com o apoio da Marlboro,
vários pódios, até que Patrick decidiu uma liderança razoável na fase final, até rar uma boa liderança sobre o piloto assinou pela equipa oficial da Penske
trocar para a Lola. No entanto, a ver- que uma bandeira amarela juntou todo oficial da Penske, Rick Mears, selando ao lado de Mears e Danny Sullivan, um
são T88 era problemática e não restou o pelotão. Um erro nos reabastecimen- assim o título com mais uma vitória trio de luxo do qual se esperava o do-
à equipa outra alternativa que usar tos deixou-o com o carro demasiado em Nazareth. A America estava assim mínio da época de 1990, mas vários
os chassis de 1987, o que não impediu pesado e não conseguiu aguentar os rendida ao talento de ‘Emmo’. problemas afetaram o novo chassis
Fittipaldi de conseguir mais duas vi- ataques de Al Unser Jr. nas últimas vol- A parceria que tanto sucesso havia dado PC-19 e Emerson conseguiu apenas
tórias, em Mid-Ohio e Road America, tas, mas, usando toda a sua experiência desfez-se, como era de esperar, no final alguns pódios, incluindo um terceiro
para conseguir outro sétimo lugar no nas dobragens, ‘Emmo’ aproximou-se de 1989, mas Pat Patrick acabaria por lugar em Indianápolis e uma vitória em
campeonato. E em 1989 Patrick reuniu do americano e na volta 199 aproveitou se envolver na formação apoiada pela Nazareth para assegurar o quinto lugar
a verdadeira “dream team”. O veterano o facto e atacou Unser. Ambos fizeram Alfa Romeo em vez de se retirar. Quanto final. 1991 não foi muito melhor, sendo
manager planeava retirar-se da moda- a curva 3 lado-a-lado, mas na curva 4
lidade e entrou em parceria com o seu o Penske derrapou ligeiramente devi-
antigo piloto Chip Ganassi - que nunca do à turbulência de mais um retarda-
mais correra ao mesmo nível depois do tário, e Fittipaldi e Unser tocaram-se,
acidente e decidira retirar-se - e, com sendo este o mais azarado, pois bateu
o apoio da Marlboro – certamente im- no muro, enquanto Fittipaldi segurava
pulsionado pelos tempos áureos de o carro para conseguir a tão almejada
Fittipaldi na McLaren, haviam-se jun- vitória em Indianápolis. Unser aplau-
tado a Patrick em 1986 – e um negócio diu do lado da pista na volta de consa-
com Roger Penske para o fornecimento gração, no que parecia ser uma ironia,
dos novíssimos PC-18, e com Mo Nunn mas o americano assumiu que estava
como diretor desportivo, ‘Emmo’ tinha mesmo a dar os parabéns a Fittipaldi,
sérias hipóteses de lutar pelo título. A já que ambos tinham corrido todos os
equipa correu com os chassis Penske da riscos aceitáveis e tudo não passara
época anterior nas duas primeiras pro- de um acidente de corrida. As Indy 500
vas, permitindo ao brasileiro amealhar foram apenas o ponto de partida para
importantes pontos, para estrear o PC- uma época sensacional, já que Emerson
18 em Indianápolis. E, de facto, tudo cor- não tardou a vencer de forma conse-
reu bem. Emerson conseguiu o terceiro cutiva as provas de Detroit, Portland e
posto na grelha e, durante toda a prova Cleveland, seguido de um par de pódios

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marcado pela irregularidade, e apesar cia, muito graças aos motores Ilmor/ xar Emerson apeado, por isso conseguiu meadamente os concessionários au-
de excelentes exibições e pódios pelo Mercedes, mas notou-se que ‘Emmo’ já um acordo com Carl Hogan para fazer tomóveis e as plantações de laranjas
meio a época terminou apenas com o não tinha a mesma velocidade quando alinhar mais um carro para o vete- no Brasil. E quando sobrevoava estas
registo de uma vitória, em Detroit, e comparado com os mais jovens Unser raníssimo brasileiro. No entanto, o peso no seu pequeno avião em meados de
novo quinto lugar no campeonato. Mas Jr. e Tracy. Ainda assim, venceu em da idade não enganava e a qualidade 1997, despenhou-se com violência, so-
em 1992 a Penske estava de volta aos Phoenix e estava à beira de nova vitória do novo Penske também não ajudava frendo graves lesões na coluna. O seu
bons velhos tempos, e Fittipaldi, Tracy em Indianápolis quando errou já na fase muito, por isso a última temporada de filho Luca, de apenas seis anos, ficou
e Mears trataram de o provar. Emerson final da prova e bateu no muro. Graças Fittipaldi como piloto foi bastante cin- ileso mas teve que afastar os abutres do
fez uma temporada brilhante, vencendo a uma regularidade impressionante, zenta, embora se destacassem boas pântano onde tinham caído até que os
em Surfers’ Paradise, Cleveland, Road Emerson conseguiu o vice-campeo- prestações em qualificação e os quartos socorros finalmente chegassem. Mais
America e Mid-Ohio para assegurar o nato, mas já longe de Unser Jr.. Porém, lugares em Nazareth e Milwaukee. Na uma vez sobreviveu e conseguiu re-
quarto lugar final. a roda da fortuna girou muito depressa véspera da Michigan 500, Fittipaldi, que cuperar quase totalmente. A partir daí,
Em 1993 os Penske pareciam ter tudo para a Penske e a equipa iniciou uma iria completar 50 anos em Dezembro, Emerson dedicou-se à expansão dos
para dominar a época, mas a combina- espiral descendente em 1995, que iria ligou a Roger Penske para anunciar seus negócios, trabalhando também na
ção Mansell/Newman-Haas surpreen- durar até à desastrosa (e trágica) tem- a sua retirada no final da temporada. produção de etanol a partir da cana de
deu tudo e todos, e a época foi marcada porada de 1999, e os Penske-Mercedes Michigan tinha tudo para dar certo, já açúcar e renovando os seus interesses
por um duelo entre as duas velhas gló- só ocasionalmente demonstravam toda que ‘Emmo’ fez o quarto tempo na gre- na área automóvel. Ainda assim, o ‘bi-
rias da F1, ‘exiladas nos States’. Mansell a sua rapidez, tendo mesmo falhado a lha, mas um acidente com Greg Moore chinho’ da competição não desapare-
adaptou-se muito depressa às ovais, qualificação para Indianápolis. Mais na primeira volta atitou-o com uma ceu e em 2003 criou uma parceria para
mas em Indianápolis não conseguiu uma vez ‘Emmo’ tentou jogar na re- enorme violência contra o muro, num inscrever uma equipa no campeonato
aguentar a pressão de Emerson nas gularidade, conseguindo a sua última choque estimado em 160G, que deixou CART, a Fittipaldi-Dingman Racing, que
voltas finais e tocou no muro, acaban- vitória em Nazareth, mas não foi além o veterano piloto muito maltratado. Diz- fez correr… Tiago Monteiro. A formação
do por ser ultrapassado pelo brasilei- do 11º lugar final. se que Fittipaldi só não morreu porque extinguiu-se no final da época com a
ro que, pela segunda vez na carreira, a sua condição física era comparável a crescente crise da CART mas, apenas
conseguia vencer a Indy 500. Fittipaldi RETIRADA (PRATICAMENTE) um atleta entre os 20 e os 30 anos, e não ‘na desportiva’, Emerson esteve perto
ainda venceu em Portland e Mid-Ohio, de 50. Mas se sobreviveu e recuperou de regressar às 24 Horas de Daytona
realizando uma época marcada por FORÇADA quase totalmente, a carreira acabou em 2005 numa equipa que incluía o seu
uma regularidade impressionante, mas nos muros de Michigan naquela pri- sobrinho, Christian Fittipaldi, e experi-
não conseguiu bater o rookie inglês na A Penske decidiu reduzir as suas ope- meira volta. Dividindo o tempo entre mentou o campeonato falhado Masters
luta pelo título. No entanto, em 1994 os rações para dois carros em 1996, ano os EUA e o Brasil, Fittipaldi dedicou- GP. Três anos mais tarde decidiu fazer
Penske cilindraram toda a concorrên- marcado pela cisão entre CART e IRL, -se aos seus inúmeros negócios, no- o Campeonato Brasileiro de GT com o
mantendo Unser Jr. e Tracy. No entanto, seu irmão Wilson, conseguindo alguns
não era intenção de Roger Penske dei- resultados de relevo. Mas o seu grande
feito foi o regresso à alta competição no
WEC, na categoria GT-Am, ao volante de
um Ferrari da AF Corse, para promover
os 1000 Km de Interlagos no renascido
WEC em 2014. Mesmo terminando em
último, a exibição foi meritória e com-
preendia-se o interesse promocional da
sua presença, embora a crise económi-
ca que assolava o Brasil acabasse por
excluir a ronda do calendário. Fittipaldi
esteve em situação de falência pouco
tempo depois, devido aos vários inves-
timentos que tinha, mas ao que consta
está de novo a relançar os negócios no
ramo automóvel. Por muito que Piquet
e Senna tenham alcançado uma fama
muito maior, Emerson Fittipaldi foi o
primeiro grande ídolo internacional do
Brasil no desporto automóvel.

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YAMAHA

» TRICITY 125

URBAN FREERIDER

A Yamaha deu recentemente um salto de gigante em
termos da adoção das 3 rodas em modelos da sua gama -
considerando o recente lançamento da sua revolucionária
Niken, apresentada nos Salões de Tóquio e Milão - realidade
que nos deixa curiosos em relação a futuros modelos mais
consensuais e de cilindradas intermédias, entre a sua
Tricity de 125 cc e a incrível Niken de 900 cc

Pedro Rocha dos Santos realidade que, por preconceito, achamos plásticos. Comparando com outras para a Tricity pois entre carris de elétri-
[email protected] sempre que uma moto de três rodas não scooters citadinas tradicionais aquilo cos, calçada, empedrado, piso em mau
tem possibilidade de competir com uma que obviamente mais diferencia a Tricity estado, trânsito e passeios, que há que
Quisemos reforçar as sensações moto tradicional de duas rodas, sendo das restantes é de facto o seu peso. No subir sempre que queremos estacionar,
que nos transmitem as motos penalizada pelo seu peso e falta de agi- entanto, o excesso de peso resultante a Tricity revelou-se um perfeito ‘todo o
de 3 rodas e perceber o porquê lidade. A Tricity começou por contrariar da adopção das duas rodas dianteiras é terreno’ citadino.
desta evolução na estratégia da essa ideia e conquistou de imediato o largamente compensado pela vitalidade Nada nem ninguém nos consegue supe-
Yamaha. E, na expectativa de nosso respeito e admiração. e desempenho que a Yamaha dotou o rar em ambiente urbano aos comandos
podermos vir a ensaiar a nova Ao nos ‘fazermos à estrada’ notámos motor de 125cc da sua Tricity. de uma Tricity. A scooter da Yamaha
‘afilhada’ de Valentino Rossi, pois foi alguma falta de proteção frontal, pois o O binário máximo da Tricity é atingi- ‘engole’ tudo o que são obstáculos e
Valentino que trouxe ao palco a Niken pequeno pára-brisas que monta pare- do logo às 5.500 rpm razão pela qual a imperfeições à sua frente, com uma
na apresentação aos media em Milão, ceu-nos mais um complemento estético mesma revela uma enorme disponibi- capacidade de sobreposição surpreen-
decidimos solicitar à Yamaha a sua ver- que apenas protege a zona do painel de lidade de potência nos regimes baixos dente e com uma sensação de segurança
são ‘entry lever’ em matéria de 3 rodas, informação. Aqui recomendaríamos a e médios saindo como uma bala nos verdadeiramente inatingível em qual-
a já famosa Tricity 125. adopção de um pára-brisas ligeiramente semáforos citadinos. Chegámos mesmo quer outra moto de 125 cc.
A primeira impressão é a de uma scooter mais alto, sobretudo se no nosso dia a a ‘picar-mo-nos’ com algumas outras O sistema dianteiro de bielas em para-
bastante compacta, muito simples em dia somos obrigados a fazer trajetos de scooters e a Tricity revelou, para além lelogramo funciona na perfeição e ao
termos de acabamentos e informação auto-estrada. da agilidade já comprovada, também contrário dos sistemas mais sofisticados
disponível no painel, com um velocíme- O banco é bastante confortável e do uma enorme sensação de potência no das Piaggio MP3, que incluem eletró-
tro de dimensões que destacam bem a ponto de vista prático, a Tricity, ao ser arranque e nos médios regimes. Depois nica na gestão do funcionamento dos
velocidade a que circulamos e restante uma scooter de plataforma plana, en- em velocidade de ponta a Tricity sai algo mesmos e que de vez em quando nos
informação básica como nível de com- tre os aventais e o banco, permite-nos penalizada atingindo os 95 km/h com pregam algumas partidas, o da Tricity
bustível, odómetro total e parcial, relógio transportar sobre a mesma todo o tipo dificuldade. A velocidade máxima que é totalmente mecânico, simples e muito
e indicação da temperatura exterior. Os de bagagem, função que é ainda facili- atingimos em auto-estrada, a descer, eficaz.
restante indicadores de piscas, luz de tada pelo gancho retrátil que permite foi de 115 Km/h, e numa moto ainda por O sistema da suspensão dianteira é
máximos, temperatura do motor e óleo suspender, por exemplo, uma pasta rodar, pois tinha apenas cento e poucos composto por duas forquilhas para
estão no topo do painel digital. Tudo de ou mochila. kms quando nos foi disponibilizada. cada roda, sendo que apenas uma é
simples leitura e de grande evidência. No primeiro dia decidimos estudar bem No segundo dia o teste decorreu na telescópica e funciona como suspensão
A adaptação à Tricity é imediata e ao as suas características e qualidade de cidade de Lisboa e aí a Tricity revelou e a segunda serve apenas de reforço e
arrancarmos a primeira sensação que construção onde nesta matéria confir- toda a sua raça e ADN citadinos com guia. No entanto, o seu desempenho é
temos é a de uma enorme agilidade, mamos a extrema qualidade dos seus que foi criada. E Lisboa é a cidade ideal bastante efetivo e agradou-nos bastante

39

FT/ F I C H A T É C N I C A o seu comportamento, até mesmo em dução tipo ‘kart’ pois compensávamos em simultâneo nos três discos - dois à
mau piso. alguma ligeira derrapagem da roda tra- frente e um atrás - tornando a travagem
125 CC Quem eventualmente pense que este seira com contra-brecagem da direção. muito segura e doseada.
sistema tem um comportamento ‘es- Muito divertido e seguro também. Ou seja, por mais que abusássemos na
CILINDRADA tranho’ em curva, desengane-se, pois A travagem é combinada, ou seja, tanto condução da Tricity esta mostrou-se
a Tricity oferece uma segurança ex- o travão do lado esquerdo como o do sempre à altura dos nossos desafios e
11 CV traordinária a curvar inclusivamente em lado direito atuam nos travões dian- correspondeu com segurança às nossas
limites de inclinação impensáveis e que teiros como no traseiro e a sua inter- provocações e, à medida que evoluía
POTÊNCIA não ousaríamos arriscar em scooters venção é também bastante efetiva. um clima de confiança mutúa, demos
convencionais de duas rodas. O grip Inclusivamente em caso de necessidade por nós a praticar quase uma condu-
7,2 L extra de que as duas rodas dianteiras de travagens mais bruscas, a utiliza- ção tipo “freeride” onde não existiam
dotam a Tricity garante uma sensação ção de pressão nas duas manetes atua limites. Sem dúvida alguma que pode-
DEPÓSITO de enorme segurança em qualquer si- mos afirmar que até hoje, em ambiente
tuação, realidade que nos leva sempre urbano, foi a Scooter que mais gozo nos
164 KG a testar cada vez mais os seus limites e, deu conduzir.
em simultâneo, a surpreender-nos com Deixamos aqui uma nota para os ope-
PESO o resultado... realmente impressionante. radores de Renting que funcionam na
Chegámos quase a adoptar uma con- cidade de Lisboa ou em qualquer outra
4 625€ urbe do país, a Yamaha Tricity é a me-
lhor garantia de um cliente plenamente
PREÇO BASE satisfeito no eventual aluguer de uma
scooter para utilização urbana. O risco
MOTOR MONOCILÍNDRICO, A 4 TEMPOS, de acidente é minimizado graças a uma
REFRIGERAÇÃO LÍQUIDA, SOHC E 4 VÁLVULAS TAXA segurança extra providenciada pelo
DE COMPRESSÃO 11,2:1 POTÊNCIA MÁXIMA equilíbrio perfeito entre a ciclística e a
11CV ÀS 7.500 RPM BINÁRIO MÁXIMO 11,7 motorização da Tricity. No futuro uma
NM ÀS 7.250 RPM LUBRIFICAÇÃO CÁRTER versão elétrica ou híbrida seria uma
HÚMIDO ARRANQUE ELÉTRICO TRANSMISSÃO opção perfeita também.
AUTOMÁTICA POR CORREIA SUSPENSÃO Uma nota final sobre a capacidade algo
DIANTEIRA FORQUILHA TELESCÓPICA DUPLA, limitada existente debaixo do banco
CURSO DE 90MM SUSPENSÃO TRASEIRA BRAÇO para transporte de volumes já que um
COM CURSO DE 90 MM TRAVÃO DIANTEIRO 2
DISCOS DE 220 MM TRAVÃO TRASEIRO 1 DISCO
DE 230 MM PNEU DIANTEIRO 90/80-14 PNEU
TRASEIRO 130/70-13 COMPRIMENTO 1.980 MM
LARGURA 750 MM ALTURA 1.210 MM ALTURA DO
BANCO 780 MM DISTÂNCIA ENTRE EIXOS 1.350
MM DISTÂNCIA MIN. AO SOLO 125 MM

40

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capacete integral cabe à justa no es- mesma e também um pequeno com- perfil identico colocado na própria Numa recente viagem a Paris, a convite
paço disponível. Para uma utilização partimento na frente do lado direito chave de ignição. Muito engenhoso da Yamaha para testarmos a nova
urbana intensiva recomendamos para colocação de chaves, óculos ou de facto. X-Max 125, constatámos nas ruas da
talvez o investimento numa top box, carteira. Pormenor de segurança in- Ficou assim ainda mais alta a nossa capital francesa a enorme percenta-
melhorando assim o espaço disponível teressante é um pequeno botão no expectativa sobre o que a Yamaha gem que representam as scooters de 3
para bagagem. A Tricity inclui uma canhão da ignição que aciona uma tem estabelecido como estratégia rodas, realidade dominada para já pe-
pequena luz na bagageira que facilita tampa que fecha a mesma só sendo para este segmento de mercado de las MP3 da Piaggio e pelas Metropolis
a identificação de objetos dentro da possível abrir com um elemento de motos de 3 rodas que oferecem uma da Peugeot, nas cilindradas de 300 e
segurança acrescida e que tem como 400 e para a qual outras marcas esta-
vantagem extra a possibilidade de rão certamente a pensar apresentar
serem conduzidas com carta de carro, modelos concorrentes.
independentemente da cilindrada, já Para já a Tricity provou que em am-
que são consideradas triciclos. biente urbano o seu conceito é de
facto imbatível. Esperamos para ver
CONCORRÊNCIA A YAMAHA TRICITY NÃO TEM CONCORRÊNCIA DIRETA APENAS OPÇÕES DE MAIOR CILINDRADA QUE SÃO: que evolução este segmento irá ter
no seio da marca do diapasão para
PEUGEOT METROPOLIS - 400 CC PIAGGIO MP3 300 - 300 CC PIAGGIO MP3 500 - 500 CC além da muito exclusiva Niken de 900
cc. Chegámos até a pensar como se
36 CV 23,1 CV 38,8 CV comportará em todo o terreno uma
versão adaptada da Tricity com pneus
POTÊNCIA POTÊNCIA POTÊNCIA mistos... ou até mesmo, sendo mais
ousados, imaginar uma versão produ-
256 KG 226 KG 262 KG zida de raíz dentro do conceito X-ADV
da Honda, de uma scooter aventureira
PESO PESO PESO polivalente, mas neste caso de 3 rodas
e que a Yamaha já apresentou como
9 299€ 8 610€ 10 455€ ‘concept bike’, a O3GEN.
Até lá a Tricity vai a todas e proporcio-
PREÇO BASE PREÇO BASE PREÇO BASE na novas sensações de condução ur-
bana nunca antes possíveis. A Yamaha
Tricity é uma verdadeira Freerider
para condução em ambiente urbano
adverso às duas rodas... Lisboa é, ou
antes, foi um palco de excelência que
permitiu provar todas as qualidades
que acabámos de referir resultantes
desta experiência... Bravo Tricity.

41

BLUSÃO SPRINT LADYVENICE

A pensar no Inverno a Sprint apresentou o Lady Venice um blusão 100% impermeável e respirável com
forro térmico destacável, ajuste na cintura e entradas de ar nas partes frontal e traseira.
Fabricado em Polytex, Reflect Tech e membrana BW-TEX, o blusão tem dois bolsos exteriores e quatro
bolsos interiores. Com proteções semi-rígidas com homologação CE nos ombros, cotovelos e dorsal,
o blusão Sprint Lady Venice está disponível em Preto/Vermelho, dos tamanhos L0 a L6, pelo PVP
recomendado de 139,97 euros

NOVOS KITS DE PLÁSTICOS
POUSA-PÉS POLISPORT
DA ZETA PARAA KLR 650

Os novos pousa-pés de alumínio da Zeta A Polisport lançou agora no mercado os kits de
proporcionam um maior controlo da moto plásticos réplica da Kawasaki KLR 650. Agora, as
graças a uma maior área de apoio da bota peças para uma das mais populares motos estão
e à elevada aderência dos pinos de aço disponíveis exclusivamente através da Polisport.
inoxidável. A qualidade e os padrões utilizados na produção
Maquinados a CNC, com design leve e dessas peças são os mesmos que a Polisport
acabamento anodizado, os pousa-pés de coloca em todos os seus kits de plástico réplica
alumínio da Zeta estão disponíveis em de off road.
três cores compatíveis com as principais Com este kit pode renovar os plásticos da sua KLR
marcas de motos de Motocross: preto, 650 e fazer com que a sua Kawasaki pareça nova.
vermelho, azul e laranja.
NOLAN N 100-5

O N 100-5 é o novo topo de gama do segmento dos capacetes modelares.
Novidade no catálogo de 2018 da Nolan, este modelo distingue-se pelo desenho
elegante, pelas características técnicas de topo e pela grande variedade de cores e
esquemas gráficos.
Com dimensões compactas e disponível com dois tamanhos distintos de calota,

apresenta-se com homologação dupla P/J, viseira exterior ampla para melhor
campo de visão e viseira interior escura, ajustável em diversas posições e
com um útil sistema de recolha automática.
A pensar num maior conforto para o utilizador, o sistema de ventilação
AirBooster permite maior eficácia na distribuição de ar na cabeça
dos utilizadores e para um ajuste mais fácil da fivela, vem equipado
com um eficaz fecho micrométrico.
Pensado não só para viajar, como também para o dia a dia,
apresenta o interior em tecido Clima Confort, muito confortável,
destacável e lavável, microperfurado para uma respiração e
ventilação mais eficazes e preparado para receber o sistema de
comunicação N-Com.

+42

RENAULT Filipe Pinto Mesquita em harmonia, quer seja nos lugares da
[email protected] frente, quer seja nos três traseiros, que
» TALISMAN SPORTTOURERDCI130EXECUTIVE apresentam boas quotas de habitabili-
Direcionada para particulares, dade e excelente assistência em termos
SEM PRECONCEITOS mas também (e muito) para de conforto, cortesia dos bancos de pele
empresas, a versão Executive e tecido (com um padrão apenas pouco
A questão não é nova: Premium ou não Premium? A da Talisman Sport Tourer dCi original). Mas grande parte dos holofotes
Talisman Sport Tourer dCi 130 Executive é a resposta da 130 pode ser uma aposta equi- estão direcionados para o sistema R-LINK
Renault para quem quer uma viatura Premium sem o peso librada por tudo o que tem para 2 (acessível a partir do écrã tátil central de
financeiro que normalmente a designação traz de série! E oferecer. Exteriormente, a maior carri- 8,7’’, em forma de tablet da consola cen-
não lhe faltam argumentos para… abanar os preconceitos! nha da Renault alguma vez concebida tral), a partir do qual é possível controlar
destaca-se pelas formas tonificadas da a maior parte das funções de segurança
LEIA MAIS ENSAIOS E ACOMPANHE carroçaria, sobretudo, no capot e na linha e comodidade, que, neste caso, até in-
TODAS AS NOVIDADES EM AUTOSPORT.PT de cintura, que oferecem uma perceção cluem sistema de massagens (três tipos
de robustez que chega a impressionar, e com diversos graus de intensidade), algo
para a qual contribuem também as jantes muito pouco vulgar numa carrinha deste
de 18’’. Com 4866 mm de comprimento é segmento. A tecnologia MULTI-SENSE
fácil, igualmente, adivinhar a forte vocação controlada a partir de um botão rotati-
familiar que consta no seu ADN. vo, também marca presença e permite
Por dentro, a Talisman ST abraçou a adequar a personalidade da Talisman à
tendência da moda nos interiores para personalidade de quem a conduz, com
os veículos do segmento D: linhas esti- os modos selecionáveis Sport, Normal,
lizadas, suaves, onde a funcionalidade Confort, Personalizado ou Eco, que fazem
ganha terreno face à ostentação artificial. variar o conforto/rigidez da suspensão,
Comprimento, largura e espaço convivem a dureza da direção, a velocidade de res-

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FT/ F I C H A T É C N I C A

posta do acelerador e do motor, alterando 1.6 / 130 CV bancos nas configurações 1/3 ou 2/3 para com os 1490 kg de peso da carrinha.
também o ambiente a bordo, com ilu- otimizar a versatilidade, com a ajuda da Mas a qualidade mais notada na dinâ-
minação diversificada de acordo com a GASÓLEO funcionalidade Easy Break que, através mica desta Sport Tourer está mesmo no
‘personalidade’ adotada. da mala, permite transformar o espaço equilíbrio do chassis, aliado ao fantástico
Sendo o modelo topo de gama da Renault, 10,8 S interior. O portão traseiro pode ser elé- sistema 4CONTROL (um extra de 1.100 €
o Talisman só podia oferecer um elevado trico, mas isso implica somar 550 € aos que vale bem a pena), que dá à carrinha
grau de segurança, com diversos sistemas 0-100 KM/H 40.020 € finais. um comportamento seguro e divertido,
de assistência à condução a zelarem pela A agradabilidade de condução não cons- difícil de encontrar no segmento, mesmo
proteção dos passageiros (ângulo morto, 4,5 L / 6,3 L (AUTOSPORT) ta na lista de equipamento de série da se o sistema de quatro rodas direcionais
transposição involuntária de faixa de ro- Talisman Sport Tourer dCi 130 Executive, (as rodas traseiras acompanham a dire-
dagem, câmara de marcha-atrás, ajuda ao 100 KM mas se houvesse uma lista de sensações, ção das dianteiras em velocidades até 50,
estacionamento, máximos automáticos, certamente estaria lá. Apenas é ligeira- 60 ou 80 km/h, dependendo do tipo de
regulador de velocidade adaptativo, alerta 108 mente perturbada pela caixa manual condução selecionada no MULTI-SENSE,
de excesso de velocidade e reconheci- de seis velocidades, que parece dema- ou viram no sentido oposto até um má-
mento dos sinais de trânsito, head up G/KM- CO2 siado “vaga” no manuseamento (por ximo de 3,5⁰ para facilitar manobras de
display). mais 1.560 €, a caixa automática EDC é baixa velocidade e/ou estacionamento)
Mas, fundamental para quem opta pela 40 020€ melhor opção). Com eficaz insonorização, exige alguma habituação, sobretudo, a
Sport Tourer em vez da berlina Talisman, a suavidade do motor também ajuda e velocidades mais elevadas.
é a capacidade da bagageira, e aí, a carri- PREÇO BASE serve de estímulo às boas sensações Por 40.000 €, esta Talisman Sport Tourer
nha coloca mais um trunfo em cima do… experimentadas, num bloco que distri- Dci 130 Executive é um caso para levar
asfalto. 572 litros ou 1681 litros (na má- EQUIPAMENTO / HABITABILIDADE / bui energia de forma rápida para quem muito a sério, caso não sofra do ‘síndroma
xima exploração da modularidade) são MOTOR / SISTEMA 4CONTROL só tem para oferecer ‘magros’ 130 cv. A Premium’ pois consegue juntar o fator
argumentos de peso para quem precisa resposta dos 320 Nm de binário logo às emocional ao racional, o que não é pro-
de carregar consideráveis volumes na TATO DA CAIXA DE VELOCIDADES / 1750 rpm deixa a descoberto a facilidade priamente fácil no seu segmento e ainda
mala. Há ainda a hipótese de rebater os COMUTAÇÃO DE MÉDIOS / MÁXIMOS com que todo o conjunto tem em lidar oferece garantia de 5 anos.
LENTA

MOTOR 4 CIL., INJ. DIRETA, TURBO,
1598 CM3 POTÊNCIA 130 CV / 4000
RPM BINÁRIO 320 NM / 1750 RPM
TRANSMISSÃO DIANTEIRA, CX. MANUAL
DE 6 VEL. SUSPENSÃO IND. MCPHERSON
À FRENTE E EIXO DE TORÇÃO ATRÁS
TRAVAGEM DV/D PESO 1490 KG MALA 572L
DEPÓSITO 52 LITROS VEL. MÁX. 205 KM/H

+44

BMW

» 525D TOURING

IMPOSSÍVEL NÃO GOSTAR...

Acossada pela Mercedes e pela nova Classe E,
a BMW respondeu à altura com a nova Série 5
Touring, recolocando-a entre as principais referências
do segmento, repleta de atributos e argumentos.
Que, no caso da unidade por nós testada, nem mesmo
os 30 mil euros em opcionais conseguiram esconder!

Francisco Cruz diurnas em LED mais rasgadas, pára- funcionalidade devido aos vários es- que garante, quase exige um período
[email protected] -choques dianteiro mais desportivo e paços de arrumação, além de um ele- de habituação!
cavas das rodas mais marcadas. Além vado conforto e perceção de qualidade, E se, em termos de equipamento, os
Carrinha topo de gama na oferta de a emoldurar jantes de 20” (1.934€) resultantes dos excelentes materiais 30 mil euros que o nosso carro exi-
da marca de Munique, a BMW com pneus Pirelli PZero 245/35 à frente que revestem todo o espaço. Já para bia, explicam muito da forma como
está já disponível em Portugal e 275/30 atrás, parte do pack despor- não falar da posição de condução a esta nova Série 5 deve ser encarada,
naquela que é, não apenas, a tivo “M” (3.869€) que também inclui roçar a perfeição, a que se só falta uma impossível será não referir o sistema
sua 7ª geração, mas também travões e suspensão desportivos. melhor visibilidade traseira; colmatada, de estacionamento remoto (442,76€),
um importante salto evoluti- Já no interior, e começando pela baga- é certo, por um sistema de câmaras que permite estacionar a viatura, com
vo - pelos materiais utilizados e que geira, uma capacidade de carga inicial 360º. Mas, face à quantidade de planos o condutor já no exterior. Ainda que
lhe garantem uma redução no peso de de 570 litros (mais 10 l que na gera-
cerca de 100 kg, pela nova plataforma ção anterior), num espaço acessível
CLAR que também serve de base ao através de generoso portão eléctrico,
Série 7, assim como pela evolução feita, e onde também existem espaços de
em todos os aspetos, de cima a baixo. A arrumação por baixo do piso falso
ajudar a recolocar esta proposta onde (com esticador), mas não ganchos
ela, efetivamente, merece estar: no porta-sacos. Lapso significativo, face
topo do segmento. à facilidade com que as compras se
Com mais 36 mm no comprimento espalham num interior que, mediante
(4,935 m), 8 mm na largura (1,868 m), o rebatimento 40/20/40 das costas
10 mm na altura (1,498 m) e 7 mm na dos bancos (botões no topo das costas
distância entre eixos (2,975 m) que a e nas laterais da mala), pode mesmo
antecessora, a nova Série 5 não apenas chegar aos 1.700 litros. Ou suportar
cresceu em todos os sentidos, como até 730 kg, fruto da inclusão de uma
também ganhou uma estética exterior suspensão pneumática.
mais imponente. Da qual faz parte uma Impressionante é também a habita-
grelha frontal tipo duplo rim mais larga bilidade, mesmo com cinco adultos,
e de lamelas ativas, óticas com luzes a que se junta ainda uma excelente
ergonomia nas linhas, uma óptima

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45

FT/ F I C H A T É C N I C A

2.0 / 231 CV

GASÓLEO

6,8 S

0-100 KM/H

4,9 L

100 KM

129

G/KM- CO2

97 466€ VERSÃO ENSAIADA

67.490€, SEM OPCIONAIS

COMPORTAMENTO / MOTOR / CAIXA
DE VELOCIDADES / HABITABILIDADE /
CAPACIDADE DE CARGA
PREÇO / “OBRIGATORIEDADE” DE INCLUIR
OPCIONAIS / VISIBILIDADE TRASEIRA

MOTOR 4 CIL. EM LINHA, INJEÇÃO DIRETA,
TURBOCOMPRESSOR DE GEOMETRIA VARIÁVEL
E INTERCOOLER, 1995 CM3 POTÊNCIA 231 CV
/ 4000 RPM BINÁRIO 500 NM / 2000 RPM
TRANSMISSÃO TRASEIRA, CAIXA AUT. DE 8 VEL.
SUSPENSÃO DUPLOS TRIÂNGULOS COM MOLAS
HELICOIDAIS À FRENTE E ATRÁS TRAVÕES
DISCOS VENTILADOS À FRENTE E ATRÁS VEL.
MÁX. 245 KM/H PESO 1780 KG MALA 570 L
DEPÓSITO 66 L

fazendo-o apenas em linha reta, para excelente caixa automática desporti- não só configurar o layout do mostrador fortemente desportivos (possui dois
frente ou para trás, através do pequeno va Steptronic de 8 velocidades e com digital, mas também melhorar a eficácia modos indicados para essas alturas,
ecrã na chave, já que não permite rodar (ótimas) patilhas no volante, oferece do ar condicionado, iluminação e dire- Sport e Sport+), prima por um conforto,
o volante. disponibilidade, capacidade de acele- ção. Além de disfrutar do Assistente estabilidade, eficácia, e até sumptuosi-
Como motor, no caso da unidade por ração e recuperações em praticamente de Rota Eficiente e da função Velejar. dade, que facilmente deixam qualquer
nós ensaiada, o já conhecido quatro todos os regimes. Sem, por outro lado, Com tantos e tão bons atributos de base, um rendido!
cilindros 2.0 litros turbodiesel naquela prejudicar demasiado os consumos, a verdade é que seria quase impossí- Na verdade, quase conseguindo fazer-
que é a sua versão mais potente e mo- cujas médias ficaram pelos 8,2 l/100 vel não gostarmos desta BMW 525d -nos esquecer os 30 mil euros “gastos”
derna, com 231 cv de potência e 500 Nm km. Graças também à utilização do Touring em estrada. Onde, mais do uma em fazer desta Série 5 a proposta des-
de binário. E que, acompanhado de uma conhecido modo Eco Pro, que permite particular apetência para momentos lumbrante que hoje em dia é...

+

MAZDA métrico 40:20:40 e inclinação das costas dos bancos
ao nível do tronco num máximo de 24 graus. Um dos
» CX-5 2.2 SKYACTIV 175 CV AWD novos destaques é o portão da bagageira (506l) com
acionamento elétrico – incorpora ganchos no piso
APOSTA NA QUALIDADE para as redes de retenção, facilitando a arrumação. Só
os locais para o efeito nas portas, sendo um modelo
Em 2017 chegou ao mercado nacional a segunda geração do Mazda CX-5. de pendor familiar, não são de grandes dimensões,
Fomos conhecê-la na sua versão topo, com motor 2.2 SKYACTIV-D de 175 cv numa realidade oposta se falarmos nos espaços
e tração integral e damos-lhe conta de todos os detalhes nas próximas linhas… de arrumação existentes na consola central. Em
termos de conectividade e infoentretenimento, a
André Duarte INTERIOR maioria das funcionalidades estão centradas no ecrã
[email protected] central, sensível ao toque, de 7”, colocado no topo do
Quando no habitáculo somos prendados com um interior tablier, com, por exemplo, ligação Bluetooth, acesso
Elegante e imponente. É assim o Mazda CX-5. caracterizado por materiais de agradável qualidade, com ao e-mail, SMS e navegação.
Um modelo assente na filosofia de design frisos cromados em diversas zonas – contornos das
KODO – A Alma do Movimento da marca, que saídas de ventilação, puxadores, botões na consola AO VOLANTE
se reveste de linhas discretas que ornam um central, contorno do seletor – a conferirem uma aura
conjunto que funciona de forma agradável no global de charme pelo contraste que fazem com a A forma como o CX-5 se move na abordagem em
seu todo. Além dos plásticos que envolvem tonalidade reinante em preto. curva, num subtil adorno que quase faz esquecer as
as zonas interiores na dianteira, traseira, lateral e Nos lugares dianteiros os passageiros podem gozar suas dimensões e pensar que circularmos com um
cavas das rodas, destaque para uma frente vigorosa, de devida comodidade em viagem, conforto esse que modelo mais pequeno é muito curiosa. A resposta,
com uma expressiva grelha com o logo da marca também se encontra atrás, podendo acomodar-se se, por exemplo, pisarmos a fundo num arranque
ao centro; uma silhueta fluída de que damos conta devidamente três passageiros, e ainda que o do meio parado, faz-se com um certo ‘esforço’ auditivo, não
olhando-o da lateral; uma traseira em que sobressaem conviva com um encosto para as costas mais rijo, primando pela desenvoltura, com a caixa automática a
as duas ponteiras de escape, o spoiler e o peculiar não sai tão penalizado em termos de espaço como é transferir a potência mediante as suas possibilidades.
design dos faróis. apanágio em inúmeros modelos. Mas uma vez embalado, é difícil de o parar. O chassis
Os bancos traseiros contam com rebatimento assi- permite-nos fazer às curvas com total confiança e a
tração integral, um regalo, garante-nos que podemos
ter sempre ‘chão’ para as necessidades, apoiados
numa direção de bom tato e numa suspensão que
prima pelo conforto, no asfalto e fora dele – onde mais
se evidencia a sua capacidade. Numa experiência off
road, num piso plano mas algo degradado, é possível
circular na casa dos 100 km/h sem que o conforto

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47

FT/ F I C H A T É C N I C A

saia penalizado. Nota apenas para o surgimento de funções facilita ações como a de atender chamadas, 2.2 / 175CV
vibrações no volante e ruídos oriundos da carroçaria a regular o rádio ou selecionar sistemas de assistência
partir dos 50/60 km/h. Interessante também perceber à condução sem dele tirarmos as mãos. GASÓLEO
que o consumo médio da versão de tração integral
com 175 cv, 7l/100 km, não varia praticamente nada BALANÇO FINAL 9,5 S
em relação à versão de tração dianteira com 150 cv - A versão com tração integral e 175 cv garante-nos
ambas com caixa automática - em que assinalámos o melhor que o CX-5 tem para oferecer. Ao espaço, 0-100 KM/H
registos médios de 6,9l/100 km. conforto e bem estar próprios do modelo, indepen-
Neste processo de condução, o Head Up Display dentemente da versão, acresce um sistema de tração 5,8 L / 7,0 L (AUTOSPORT)
projetado diretamente no vidro é um grande aliado, integral que agrada, aliado a uma interessante dispo-
facilitando-nos em muito a consulta de informações nibilidade de potência. 100 KM
como a velocidade a que circulamos, os limites ou a No fundo, uma proposta para quem quiser um ‘plus’
navegação. O painel de instrumentos é também muito nas qualidades que a versão de 150 cv e tração dian- 152
completo na informação prestada e o volante multi- teira já oferece.
G/KM- CO2

49 399€

PREÇO BASE

PRAZER DE CONDUÇÃO / CONFORTO
/ INSONORIZAÇÃO / CHASSIS /
SUSPENSÃO / ESPAÇO
LOCAIS DE ARRUMAÇÃO AS PORTAS /
RESPOSTA DO MOTOR

MOTOR: DIESEL, 4 CIL., INJEÇÃO DIRETA,
TURBO DE GEOMETRIA VARIÁVEL,
INTERCOOLER, 2191 CM3 POTÊNCIA
175 CV / 4500 RPM BINÁRIO 420 /
2000 RPM TRANSMISSÃO DIANTEIRA,
TRANSMISSÃO AUTOMÁTICA DE 6 VEL.
SUSPENSÃO MCPHERSON À FRENTE E
MULTI-LINK ATRÁS TRAVAGEM DV/D
PESO 1535 KG MALA 506L DEPÓSITO
58L VEL. MÁX. 206 KM/H

E/ Dando cumprimento ao estabelecido no n° mais importantes provas de desporto au- leitores uma informação atual, rigorosa abordagem e de análise dos factos noti-
1 do artigo 17° da Lei 2/99, de 13 de Janeiro, tomóvel disputadas em território nacional e de qualidade, opinando sobre tudo o ciosos, com total abertura à interatividade
ESTATUTO Lei da Imprensa, publica-se o Estatuto e no estrangeiro, relata acontecimentos que se passa na área do automóvel e dos com a sua comunidade de leitores. 4. O
EDITORIAL Editorial da publicação periódica AutoSport: ligados à competição automóvel, bem como automobilistas, numa perspetiva plural, re- AutoSport pratica um jornalismo pautado
1. O AutoSport é um semanário dedicado temas que versam o automóvel como bem cusando o sensacionalismo e respeitando pela isenção, sem comprometimentos
ao automóvel e aos automobilistas, nas de consumo, tanto na área industrial como a esfera da privacidade dos cidadãos. 3. ou enfeudamentos, tendo apenas como
suas mais distintas vertentes: desporto e comercial. O AutoSport pauta as suas opções edito- pressuposto editorial facultar a melhor
competição, comércio, indústria, segurança 2. O AutoSport está comprometido com riais por critérios de atualidade, interesse informação e a melhor formação aos seus
e problemática rodoviária. O AutoSport o exercício de um jornalismo formativo e informativo e qualidade, procurando apre- leitores, seguindo sempre as mais elemen-
edita, semanalmente, conteúdos sobre as informativo e procura oferecer aos seus sentar aos seus leitores a mais completa tares normas deontológicas.

PROPRIEDADE FOLLOW MEDIA COMUNICAÇÃO UNIPESSOAL, LDA. – NIPC 510430880, RUA MANUEL INÁCIO Nº8B 2770-223 PAÇO DE ARCOS REDAÇÃO RUA MANUEL INÁCIO Nº8B 2770-223 PAÇO DE ARCOS GERÊNCIA PEDRO CORRÊA MENDES
[email protected] DIRETOR PEDRO CORRÊA MENDES [email protected] DIRETOR-EXECUTIVO JOSÉ LUÍS ABREU [email protected] COLABORADORES ANDRÉ DUARTE, FRANCISCO MENDES, MARTIN HOLMES,
JORGE GIRÃO, JOÃO F. FARIA, JOÃO PICADO, NUNO BRANCO, NUNO BARRETO COSTA, RODRIGO FERNANDES E GUILHERME RIBEIRO FOTOGRAFIA AIFA/JORGE CUNHA, ANDRÉ LAVADINHO, ZOOM MOTORSPORT/ANTÓNIO SILVA
DESIGNER GRÁFICA ANA SILVA [email protected] IMPRESSÃO SOGAPAL, S. A.,SOC. GRÁFICA DA PAIÃ, S. A. DISTRIBUIÇÃO VASP – DISTRIBUIDORA DE PUBLICAÇÕES, S. A., TIRAGEM 15 000 EXEMPLARES REGISTO NA ERC 105448
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