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Published by hmilheiro, 2017-11-20 15:53:36

AutoSport 2082

AutoSport_2082

#2082 40
ANO 40
anos
22/11/2017
>> autosport.pt
2,35€ (CONT.)

DIRETOR PEDRO CORRÊA MENDES O SEMANÁRIO DOS CAMPEÕES

RALI DO ALGARVE

CARLOS VIEIRA

CAMPEÃO NACIONAL
DE RALIS

WRC AUSTRÁLIA

QUARTAVITÓRIA DO ANO
DE THIERRYNEUVILLE

PÁG. 12

NOVIDADES
DO SALÃO DE MILÃO PÁG. 38

LAMY CAMPEÃODOMUNDO
NA DESPEDIDA DA PORSCHEPÁG.24



3

I/ I N S TA N TÂ N E O SIGA-NOS EM EDIÇÃO

#2082
22/11/2017

f l> > a u t o s p o r t . p t
facebook.com/autosportpt twitter.com/AutoSportPT

DESPORTIVISMO É bonito e mostra bem o ambiente que se vive nos ralis. Carlos Vieira é um grande ‘achado’ para os ralis nacionais, José Luís Abreu
como a vitória o espelha bem. Pedro Meireles foi um digno rival, mostrando um grande desportivismo
DIRETOR-EXECUTIVO
S/ SEMÁFORO EM DIRETO
[email protected]
PARADO A ARRANCAR A FUNDO “Não se consegue ultrapassar,
há uma falha no design dos Numa altura em que se
Quando há acidentes O novo Buggy Super-Carlos Vieira monolugares de F1, essa é uma pondera o que pode-
em Macau, não se da x-Raid será que no Algarve. Se fosse área que podemos melhorar para rão ser os protótipos do
faz por menos, pára o futuro”, Hamilton a alertar para o quão Mundial de Endurance
mesmo tudo chega preciso, ganhava para 2020/2021, con-
para os Peugeot? 50 PE de seguida… complicado é ultrapassar na F1 fesso que gosto da ideia
dos ‘denominados’ GT/Protótipos.
O SEMANÁRIO DOS CAMPEÕES NA ERA DIGITAL “O Fernando foi o piloto mais Chamem-lhes, se quiserem,
forte que eu já enfrentei na F1, Daytona Prototypes da ACO, e se
Siga-nos nas redes sociais e saiba sem dúvida. O Schumacher diria quiserem copiem, ou baseiem-se
tudo sobre o desporto motorizado no que é de um nível parecido, o nos regulamentos dos norte-ame-
computador, tablet ou smartphone via Hamilton a mesma coisa. Depois ricanos, que já existe. Para o comum
facebook (facebook.com/autosportpt), temos o Vettel, um grande piloto, dos adeptos, e quando se trata de
twitter (AutosportPT) ou em mas um pouco abaixo deles. O Le Mans, é disso que falamos, há
>> autosport.pt quinto da minha lista talvez seja uma grande maioria de adeptos que
o Verstappen. Falta consistência, gosta mas não se preocupa com
mas tem talento e velocidade”, ‘categorias’ de megajoules e afins,
simplesmente quer identificar a
Massa numa retrospetiva sobre alguns dos marca e esperar que os andamentos
nomes que enfrentou na modalidade sejam equilibrados o suficiente para
proporcionarem boas corridas. Se
“Diria que provavelmente o único o caminho for esse concordo, cada
companheiro de equipa com quem construtor constrói o seu protótipo
eu realmente aprendi algo foi o e depois ‘enfia-lhe’ uma carroçaria
Fernando (Alonso)”, Lewis Hamilton, que tenha algo a ver com os seus
carros, ‘et voilá’, temos o problema
a assegurar que não aprendeu nada com do Mundial de Endurance resolvido.
Kovalainen, Button, Rosberg e Bottas Se tiverem o cuidado de não se es-
ticarem muito com o que pensarem
em termos de motorizações e da
sua complexidade, parece que esta
questão pode ficar resolvida. Já vi
este filme com o fim dos Grupos C
no início dos anos 90 e sinceramente
penso que há espaço para que as
três grandes competições da FIA
sejam fortes: a F1, o WRC e o WEC. Só
espero é que quem manda não seja
mais papista que o Papa ao querer
protótipos com relação direta a car-
ros das marcas. Se conseguiram dar
a volta ao texto nos GTE com algum
‘contorcionismo’, porquê pensarem
sequer exigir homologação de es-
trada? Lembrem-se que ninguém
quer um WEC só com marcas com
supercarros. Por mim simplificava
ao máximo. Carroçarias com iden-
tificação de marca…

4 CNR/
CAMPEONATO NACIONAL DE RALIS - CASINOS DO ALGARVE

CAMPEÃO
POR 0.3
PONTOS

Carlos Vieira ‘demorou’ apenas pouco mais de dois anos
para chegar ao título nacional de ralis, depois de também
já o ter conseguido na velocidade. No Algarve, a tarefa não
era fácil, mas o piloto do Citroën DS3 R5 cumpriu-a quase

na perfeição, sagrando-se um merecido Campeão

FOTOGRAFIA: AIFA/JORGE CUNHA - ZOOM MOTORSPORT/ANTÓNIO SILVA

José Luís Abreu e João Freitas Faria
[email protected]

Os desportos são áreas em que
se conseguem feitos que ficam
marcados na memória das pes-
soas por muito tempo. Este
triunfo de Carlos Vieira e Jorge
Carvalho no Rali do Algarve é
um desses belos exemplos e será tam-
bém lembrado por muito tempo. Poucos
apostavam nesta possibilidade no início
deste ano, incluindo nós, mas com muita
confiança nas suas capacidades e tam-
bém, especialmente, muita determinação,
a dupla da Sports&You alcançou um título
memorável que só ficou resolvido nos
‘metros’ finais. Foi o campeonato que
terminou com menor diferença pontual

>> autosport.pt

5

da história do CNR, 0.3 pontos, algo só pelos números finais - mas sim a vitória 0.3 Pedro Meireles e Mário Castro foram
possível pelo facto das especiais valerem em todos os troços necessários. Um pião quartos classificados na prova, segun-
pontos. Pedro Meireles chegou ao Algarve na PE3 tirou-lhe margem, perdendo aí a NUNCA NA HISTÓRIA DO CAMPEONATO dos do CNR, mas fizeram muito pouco
com 8.34 pontos de avanço e cada um dos liderança momentânea do rali para um NACIONAL DE RALIS UM TÍTULO SE TINHA para contrariar o ‘destino’. Faltou garra
13 troços valia 0.38 pontos. A diferença excelente Carlos Martins - que caso não DECIDIDO POR TÃO CURTA MARGEM... ao vimaranense, e, talvez, como muita
entre 1º e 2º (25/20 pontos) não era sufi- tivesse desistido no início do segundo dia gente, tenha acreditado que Vieira não
ciente e por isso Carlos Vieira tinha que ir de prova devido a uma saída de estrada, conseguiria ser tão ‘perfeito’. Mas foi! A
buscar o ‘resto’ com vitórias em troços. E iria dar ‘água pela barba’ a Pedro Meireles, atitude de expetativa compreende-se,
foi o que fez, logo de início, imprimindo um mas esse excesso ‘tramou-o’ e resultou no pois sabia que não tinha andamento para
andamento que o seu adversário principal seu abandono – mas isso não o ‘enervou’ Vieira no asfalto do Algarve. Tal como
não conseguiu acompanhar e aí, desde pois continuou exatamente na mesma admitiu sem o referir expressamente, foi
muito cedo, logo se começou a desenhar toada, e sem meter uma roda fora do sítio, em Mortágua que começou a perder este
o triunfo na prova, o primeiro pressuposto fez o que precisava para chegar ao título, campeonato. Para piorar ainda mais as
que era necessário. O segundo, o triunfo por 0.3 pontos. coisas, um furo ainda lhe retirou a possibi-
num número de troços que permitisse Quanto ao rali em si, os 1m44.90s com lidade de vencer o European Rally Trophy.
ultrapassar a margem, e foi aí que a ex- que ‘despachou’ o segundo classificado, o Das contas desta competição falamos em
celência da pilotagem de Vieira veio ao de turco Yagiz Avci ou os 3m36.20s com que texto à parte, sendo que esta massiva
cima, pois não era tanto vencer a prova terminou de avanço face a Pedro Meireles presença estrangeira veio provar que o
a grande dificuldade – como se prova dizem tudo sobre a sua prova. nível do nosso campeonato está um pouco

CNR/
CAMPEONATO NACIONAL DE RALIS

6 RALI CASINOS DO ALGARVE 9 D E 9

VISITE NOSSO SITE PARA
VER MAIS FOTOS DA
PROVA AUTOSPORT.PT

COMENTÁRIO
DO VENCEDOR

CARLOS VIEIRA

“AGORA SEI QUE 10 abaixo dos principais tubarões europeus. Nunes, que capotou na PE6 deixando o
POSSO DISPUTAR Os ilustres desconhecidos pilotos do ERT comando a Gil Antunes, mas um furo na
QUALQUER RALI COM CARLOS VIEIRA PRECISAVA DE VENCER andaram perto dos melhores portugueses penúltimaespecialatrasou-o,terminando
QUALQUER PILOTO...” 10 TROÇOS SE PEDRO MEIRELES FOSSE sem nunca terem feito antes esta prova. ainda assim em segundo. Ricardo Costa
SEGUNDO NO CNR...E ASSIM FOI! No sétimo lugar ficou a dupla espetáculo, e Rui Daniel Vilaça foram nonos da geral
Depois dum rali intenso em que Ricardo Teodósio/José Teixeira, que ainda e venceram a Taça de Ralis de Asfalto.
não tinha muita margem para fal- 41 venceram um troço na geral. Diogo Gago Nota final para Ricardo Moura, que regres-
har, Carlos Vieira deu uma grande fez dupla com Ricardo Faria e venceu fa- sou, mas teve o azar de ter dois furos, logo
demonstração do piloto de ralis NÚMERO DE CLASSIFICATIVAS QUE CARLOS cilmente os 2RM com bem mais de minuto na primeira especial, mas só com uma
que se tornou em apenas dois VIEIRA VENCEU AO LONGO DO ANO, MAIS DO e meio de diferença para os madeirenses roda, teve que desistir, nunca se ficando
anos. Veio para os ralis em 2015, DOBRO DO SEGUNDO... Pedro Paixão/Luis Neves que no seu Re- a saber que efeito a sua prova poderia ter
ainda a ‘meio-gás’, a sua primeira nault Clio R3T fizeram na estreia ‘conti- tido nas contas do título.
temporada a tempo inteiro foi o nental’ algarvia uma boa prova. Cai desta forma o pano sobre mais uma
ano passado, e no seu segundo Depois de um furo que o atrasou no pri- edição do CNR, que teve uma ‘decisão’ de
ano em ‘full-time’ chega ao título. meiro dia, Pedro Antunes fez um resto sonho, com os adeptos completamente
Não há muitos pilotos de ralis que de rali brilhante, vencendo entre os 2RM presos ao desenrolar dos acontecimentos,
se tenham ‘feito’ com esta rapi- ‘lusos’, confirmando um merecido título numa temporada marcada pelo acidente
dez, e se até aqui já tínhamos um de Campeão Nacional, juntando ainda a de Zé Pedro Fontes e Inês Ponte no Rali
piloto que se poderia bater por isso o ERT3 e o ERT Júnior. A fase inicial de Portugal, deixando-os fora da luta o
vitórias, a partir daqui sabemos do rali nas 2RM foi dominada por Daniel resto do ano. A partir daí a competição
também que pode lutar por títu- ficou mais aberta e para além de Vieira
los, e a este chegou depois duma e Meireles também João Barros e Miguel
luta muito intensa: “Estávamos Barbosa estiveram na luta.
sob pressão e só a vitória não A temporada ‘confirma’ mais um grande
chegava. Tínhamos que ganhar as talento dos ralis nacionais, e também a ex-
especiais quase todas. Depois, celência da Sports&you, que também está
uma classificativa foi interrom- de parabéns, pois assegurou no Algarve
pida o que nos fez ter que levar quatro títulos consecutivos de ralis com
isto até ao final e tudo isso foi três pilotosdiferentes,Pedro Meireles,Zé
muito difícil, mas estamos muito Pedro Fontes e agora Carlos Vieira, o que
felizes. O ano é muito bom, dentro é um excelente cartão-de-visita. Resta
dos altos e baixos que tivemos, agora aguardar pelo que nos traz 2018,
a evolução que tive foi notória pois esta ‘casta’ foi do melhor…
e agora sei que posso disputar Carlos Vieira e Jorge Carvalho sagraram-
qualquer rali com qualquer piloto -se Campeões Nacionais de Ralis, com
nacional e isso, a mim, dá-me um exemplar triunfo no Rali Casinos do
uma satisfação enorme. Agora Algarve. O piloto do Citroën DS3 R5 foi o
quero é saborear e usufruir do mais rápido e só não venceu dois troços
que conquistei e claro, para o ano do rali, sendo que, se virmos apenas as
continuar no Nacional de Ralis.” contas do CNR, só falhou a vitória em
dois troços.
Vieira chegou ao Algarve com 8.34 pontos
de desvantagem para Pedro Meireles, mas
as vitórias nos troços, além do triunfo no
rali, deram o merecido título, por menos
de um ponto, a Vieira. Meireles terá assim
de se contentar com o segundo lugar final,
tal como na temporada passada.

>> autosport.pt

7

Se a vitória no rali sempre esteve entre as no seu Mitsubishi Lancer Evo X. Diogo
previsões dos principais observadores, Gago venceu as duas rodas motrizes e foi
já o triunfo no número de classificati- oitavo da geral com o Peugeot 208 R2, com
vas necessário para suplantar o atraso o madeirense Pedro Paixão a levar o seu
pontual que tinha era tarefa bem mais Renault Clio R3T ao nono lugar da geral
complicada, mas Carlos Vieira realizou e ao segundo das 2WD. No Campeonato
uma prova a todos os níveis excecional, Nacional de Ralis de Duas Rodas Motrizes,
cometendoapenas umerronumtroço,e Pedro Antunes assegurou o título, que já
perdendo 20s. No final, assegura o título estava ‘preso’ por muito pouco, sendo que
por… meio ponto! Uma novidade absoluta no último troço ainda chegou à dianteira
no Campeonato Nacional de Ralis… nos concorrentes do CNR2, já que Gil An-
A prestação de Pedro Meireles tem de ser tunes perdeu tempo. Do European Rally
vista face à que realizou Vieira. Se esta pro- Trophy falaremos emartigoseparado.
va tivesse sido na terra outro galo cantaria,
mas terá sido em Mortágua que Meireles
perdeu o campeonato. Ao permitir que um
piloto com um carro que não conhecia o
batesse onde o seu Skoda Fabia R5 é mais
forte, foi-lhe fatal. Abriu a porta, e Vieira
escancarou-a agora no Algarve. Tinha
que ter feito mais e em 13 classificativas,
nunca esteve sequer perto de incomodar
Vieira. Talvez tenha pensado que este não
conseguiria vencer tantos troços, mas não
foi isso que aconteceu.
Pedro Meireles terminou o rali em
quarto da geral, segundo dos portu-
gueses, sendo que Ricardo Teodósio
foi sétimo e venceu entre os RC2N

M/ MOMENTO F/ FIGURA

Carlos Vieira dominou de forma tão Inevitavelmente, Carlos Vieira por tudo
evidente o rali, que nem sequer houve o que está escrito nesta reportagem,
dúvidas quanto a quem, em condições mas também Pedro Antunes pelo título
normais, venceria a grande maioria das nos 2WD e a classe que mostrou todo o
especiais. Nem mesmo sob a pressão ano, Teodósio pelo habitual espetáculo
de um pião no 1º dia, nem quando no e o Clube Automóvel do Algarve por
segundo um troço foi anulado e não uma prova muito bem organizada, sem
contou para as ‘contas’. Tudo Carlos Vieira qualquer falha visível. Destaque ainda
ultrapassou pelo que o ‘momento’... foi para o CNR com a decisão mais ‘apertada’
em Mortágua, aí sim abriu a porta que de sempre. Afinal, os pontos por rapidez
escancarou no Algarve... em PE são mesmo bons...

CNR/ >> autosport.pt
CAMPEONATO NACIONAL DE RALIS

8 RALI CASINOS DO ALGARVE 9 D E 9

SUPER-ESPECIAL POUCO SEGURA

A super-especial que encerrou concorrentes. Foram vários os
a primeira etapa desta prova espetadores que não evitaram
revelou alguns pontos menos um grande susto com duas
seguros. Tal era evidente nas derrapagens mais prolongadas
duas curvas orientais do traçado de Ricardo Teodósio e Grigor
em que o público surgiu colocado Grigorov que por muito pouco não
numa zona de escapatória e resultaram em acidentes pes-
aceleração em desequilíbrio dos soais graves.

CONTROVÉRSIA
NOS CALENDÁRIOS DE 2018

A divulgação pela FPAK junto dos clubes organizadores dum calendário prévio
dos campeonatos de 2018 tem provocado alguma controvérsia. As entidades
responsáveis pela organização dos eventos tem manifestado de várias formas
o seu desagrado com algumas das datas escolhidas bem como com alguns dos
pormenores do “caderno de encargos” proposto. Isso mesmo também se notou
e transpareceu numa reunião informal entre muitos dos dirigentes desses
clubes na unidade hoteleira que acolheu o quartel general deste rali.

ESTRANGEIROS ADEUS AO PILOTOS COM REUNIÃO
MUITO CHALLENGE DS3 R1 FUTURO INCERTO POSITIVA DOS
AGRADADOS ORGANIZADORES
Depois de três épocas, o Challenge DS3 Pergunta recorrente no final deste
A totalidade dos pilotos e membros R1 acabou no Algarve. Diogo Soares e Luís Rali Casinos do Algarve era qual o A realização daquela que foi a final do ERT
de equipas estrangeiras presentes Rodrigues já tinham assegurado o título, futuro da carreira dos concorrentes 2017 serviu de pretexto a uma reunião
em Portimão estava muito agradada com cinco vitórias em cinco provas, mas constante era também a res- entre os coordenadores das várias
com a escolha da FIA do Rali Casinos sendo que no Algarve os vencedores posta de que não há ainda certezas zonas geográficas que compõem esta
do Algarve como final do ERT 2017. foram Hugo Lopes/Nuno Mota Ribeiro quanto à próxima época. A maior competição. O encontro foi anormalmente
Apesar da zona ser algo periférica no depois de um bom duelo com Ricardo parte dos pilotos confessou ainda prolongado e quem esteve presente
mapa europeu, aos visitantes agra- Sousa/Luís Marques até estes desistirem, não ter planos estabelecidos ou revelou a obtenção de muitos consensos
daram não só as características da na 9ªPE. Para Victor Calisto, responsável garantidos para o próximo ano e a na manutenção desta série, do seu futuro
prova, nalguns casos bem diferentes pelo Challenge DS3 R1, o Rali do Algarve maior parte aguarda a confirmação desportivo bem como nalguns melhora-
daquelas que costumam encontrar e “é uma competição que marcou os ralis e/ou definição de várias com- mentos a introduzir possivelmente já para
penalizantes em termos de resultado, nos últimos três anos e o único troféu petições monomarca para poderem o próximo ano. O ERT 2018 deverá ter uma
mas também as ofertas turísticas do que se realizou em Portugal sendo que optar por um rumo no futuro da sua estrutura muito semelhante ao deste
Algarve e as condições climatéricas este Challenge acabou por trazer para a presença na modalidade tendo em ano, possivelmente com a introdução de
da zona, bem mais acolhedoras que ribalta jovens valores, tendo sido esse conta a também unânime falta de mais alguns eventos nas variadas zonas,
aquelas que encontram nesta altura objetivo plenamente atingido.” apoios com que se debatem. e o Algarve é, entre outras propostas,
nos seus países de origem. novamente candidato à realização da
final da próxima temporada.

– Photo credit: Citroën Racing.

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CNR/ PEDRO ANTUNES
CAMPEONATO NACIONAL DE RALIS O PILOTO QUE
MAIS TAÇAS
10 R A L I C A S I N O S D O A L G A R V E 9 D E 9 LEVOU PARA CASA

PF/ Pedro Antunes foi o piloto que mais
galardoado saiu do Rali Casinos do
YAGIZAVCIVENCEU ERT Algarve, já que confirmou o título
Yagiz Avci é o vencedor do European nacional das duas rodas motrizes, onde
Rally Trophy, competição que deu mas acabou por cair na classificação com seu Mitsubishi conter várias especifi- quase só precisava de terminar a prova,
estatuto FIA ao evento e teve no Rali o furo a meio da segunda etapa. Com os cações da velha categoria R4. O pódio mas acrescentou a isso o triunfo no
Casinos do Algarve a sua final. O melhores a rodarem quase sempre muito neste escalão ‘fechou’ com o turco Adil campeonato European Rally Trophy 3 e
piloto turco conseguiu o feito exatamente próximos, o maior adversário de Meireles Kukucsari, a correr com uma viatura da também o ERT Júnior. O título Nacional de
20 anos depois do seu pai ter também foi, contudo, Orhan Avcioglu, mas o turco Peres Competições, e William Mavitty, 2WD foi o mais importante, o resto veio
vencido esta série e de também ter pas- também perdeu muito tempo na manhã em dificuldades na sua primeira saída por acréscimo: “Correu bem, entrámos
sado por Portugal, no Rali Vinho Madeira de sábado. Assim, Avci, que teve como do Reino Unido. muito bem na prova, depois tivemos um
com um Renault Megane Maxi. Tripulando preocupação principal não cometer erros, O piloto a sair com mais troféus do Algarve furo que condicionou um pouco o nosso
habitualmente um 208 T16 da Peugeot acabou por obter uma vitória tranquila foi o português Pedro Antunes que obteve rali, mas apesar de tudo penso que no
Turquia, Avci recorreu ao seu estatuto de com mais de meio minuto de vantagem os títulos no ERT 3 e ERT Junior, escalões segundo dia conseguimos andar bem e
piloto Red Bull para garantir a presença para o checo Vojtech Stajf que primou pela em que muitos pilotos sofreram vários recuperar para os nossos adversários
em Portimão com um Skoda Fabia R5 da regularidade e foi aumentando de ritmo à revés. Diogo Soares desistiu ainda na PE1 do ERT e do Nacional, que era o mais
BRR e com “apenas com 60 km de testes, medida que se entrosava com o terreno. por despiste, Adrian Wronkowski e Jonas importante. Estamos satisfeitos com
parecia que já o conduzia há anos”. No quadro do ERT 2, o búlgaro Plamen Pipiras sentiram várias dificuldades com o nosso rali, trabalhámos bem e estou
Apontado por quase todos como favorito, Staykov viu recompensada a longa via- as suas viaturas, o mesmo acontecendo muito satisfeito. Este é um ano muito
Pedro Meireles foi o piloto que durante gem desde o seu país ao obter o títu- com o búlgaro Grigor Grigorov que mos- positivo, foi a nossa época de estreia
mais tempo comandou esta competição lo nesta categoria de que foi excluído o trou um bom andamento mas acabaria no Nacional de Ralis. Penso que nos
português Ricardo Teodósio devido ao forçado à desistência na última PE. JFF portámos bem, andámos bem quando era
para andar, conseguimos gerir quando
era para gerir e o resultado foi foi sermos
campeões, que era o grande objetivo”,
disse o piloto que já olha para o futuro:
“Estamos à espera de saber se vai haver
Troféu Ibérico de Peugeot. Se houver
penso que era uma maneira mais barata
de conseguir evoluir, antes de, quem sabe,
um dia mais tarde dar o salto.”

PEDRO MEIRELES RESIGNADO Pedro Meireles chegou ao Algarve na devido à especificidade dos troços,
“NÃO FOIAQUI QUE PERDI O CAMPEONATO...” frente da classificação, mas um forte tinha a noção que não ia conseguir,
domínio de Carlos Vieira inverteu a mas o campeonato por mim, não foi
situação: “O rali não teve muita história, perdido aqui.” (ndr.: foi em Mortágua
o Carlos esteve sempre a um nível que quando perdeu no ‘seu’ terreno, com
não conseguimos apanhar. Entrámos carros iguais). O piloto do Skoda ainda
muito ‘macios’ e eu tinha a sensação esboçou uma reação, mas não deu:
que era difícil chegar lá. Infelizmente “Na última secção íamos arriscar mais
este não foi o nosso rali e só temos um bocado, mudámos muito o carro,
que dar os parabéns aos novos mas tivemos logo um furo na primeira
campeões nacionais pelo excelente especial e depois um problema com
rali e pela conquista do campeonato”, um tubo dos travões que ficou preso. O
começou por dizer Meireles, que ao pedal estava sempre a ir ao fundo e nós
levar a decisão para o ‘asfalto’, não teve decidimos não arriscar mais. Acho que
argumentos: “Não foi aqui que perdi o podia ter feito um bocado mais do que
campeonato. Tinha a noção que é difícil fiz, mas como a distância era grande a
andar no asfalto perto dos Citroën DS3 motivação também não foi a melhor...”,
R5. Consegui no Vidreiro, mas aqui, disse.

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11

RICARDO COSTA OPINIÃO C/ C L A S S I F I C A Ç Õ E S
VENCE TAÇA
NACIONAL DE RALI CASINOS DOALGARVE 9 DE 9
RALIS ASFALTO
17/11 A 18/11/2017

542,85 KM 155.77 KM 1.º DIA 2.º DIA

DISTÂNCIA 13 TROÇOS

PROVA CARRO
TEMPO/DIF.
1º CARLOS VIEIRA/JORGE CARVALHO
A dupla do Mitsubishi Lancer Evo IX, José Luís Abreu 2º YAGIZ AVCI/BAHADIR GÜCENMEZ CITROEN DS3 R5 1:37:58.8
Ricardo Costa e Rui Vilaça, venceu entre 3º VOJTECH STAJF/MARKÉTA SKÁCELOVÁ SKODA FABIA R5 1:44.90
os concorrentes da Taça Nacional de DIRETOR EXECUTIVO 4º PEDRO MEIRELES/MÁRIO CASTRO SKODA FABIA R5 2:18.50
Ralis Asfalto e confirmou, desta forma, a 5º ANTONIN TLUSTAK/IVO VYBIRAL SKODA FABIA R5 3:36.20
conquista do título da competição. Além [email protected] 6º ONDREJ BISAHA/JIRI HOVORKA SKODA FABIA R5 4:03.20
dos bons resultados que permitiram à 7º RICARDO TEODÓSIO/JOSÉ TEIXEIRA FORD FIESTA R5 4:37.70
formação minhota alcançar os objetivos FOSTE ‘GRANDE’, 8º DIOGO GAGO/RICARDO FARIA MITSUBISHI LANCER EVO X 6:57.00
definidos para a última ronda de 2017, VIEIRA 9º RICARDO COSTA/RUI DANIEL VILAÇA PEUGEOT 208 R2 7:25.60
Costa e Vilaça ainda terminaram num 10º PEDRO PAIXÃO/LUIS NEVES MITSUBISHI LANCER EVO IX 8:32.00
bom nono lugar na geral. O resultado Carlos Vieira e ‘Jet’ Carvalho 11º PLAMEN STAYKOV/DAVID KVARATSKHELIA RENAULT CLIO R3T 9:09.20
absoluto é ainda mais digno de nota, confirmaram no Algarve 12º FERNANDO TEOTÓNIO/LUÍS MORGADINHO MITSUBISHI LANCER EVO IX “9:17.00“
pois a jornada organizada pelo Clube o seu título de Campeões 13º PEDRO ANTUNES/PAULO LEONES MITSUBISHI EVO VII 10:32.90
Automóvel do Algarve pontuava para Nacionais de Ralis, mas este 14º ADIL KÜÇÜKSARI/KERIM TAR PEUGEOT 208 R2 11:55.10
vários campeonatos nacionais e merecido triunfo começou 15º GIL ANTUNES/DIOGO CORREIA MITSUBISHI LANCER EVO IX 13:17.80
internacionais e o parque automóvel por ser cozinhado em Mortá- RENAULT CLIO R3T 14:02.50
presente foi de luxo. gua. O próprio Pedro Meireles admitiu
que não foi no Algarve que perdeu o ABANDONOS PE VENCEDORES DE PE
MR. ‘SHOWMAN’ campeonato e o que ele se refere é CAUSA
TEODÓSIO ao facto de não ter conseguido bater RICARDO MOURA PE CARLOS VIEIRA
Vieira em Mortágua, no seu terreno, PAULO NETO LÍDERES CARLOS MARTINS
Tal como se esperava, Ricardo Teodósio a terra, quando o defrontou com um DANIEL NUNES PE2 2 FUROS 1-2 E 4-13ª BISAHA ONDREJ 10
deu mais um recital de condução na sua carro igual, o Skoda Fabia R5, mas CARLOS MARTINS PE6 AVARIA CARLOS VIEIRA 3 RICARDO TEODÓSIO 1
prova, no culminar de uma temporada com um conhecimento maior. Apesar JOANA BARBOSA PE6 ACIDENTE CARLOS MARTINS 1
em que foi Campeão de Produção. de nunca o ter demonstrado, Meire- PE8 ACIDENTE 1
Terminou o rali em sétimo, logo a seguir les sabia que em condições normais PE11 EMBRAIAG.
aos R5, e ainda venceu um troço na não teria andamento para Vieira no
geral: “Foi uma prova verdadeiramente Algarve, portanto o que podia fazer CNR Serras de Fafe
espetacular, e embora com armas era colocar a pressão possível e es- Castelo Branco
desiguais, conseguimos andar ao nível perar que nem tudo corresse bem Açores
que já habituámos todos aqueles que nos ao piloto do DS3. Mas não foi isso que Espinho
seguem nas provas em que participamos, sucedeu. Aquilo a que se assistiu foi Portugal
o que por si só é motivo de orgulho. Não a uma grande demonstração de pura Vidreiro
queremos defraudar as expectativas classe e a uma mostra de que está ali Vinho Madeira
dos fãs e do público em geral”, disse um piloto de ralis totalmente ‘feito’. Mortágua
Teodósio, que com dois furos num dos Quando falei com Carlos Vieira antes Algarve
troços ficou impedido de chegar mais à desta prova do Algarve, o entusiasmo TOTAL
frente em termos de classificação. Que era grande e a fé nas suas capacidades
bom que seria poder vê-lo a correr com ainda maior. Percebi de imediato que 1 2 3 4 5 6 7 8 9
um ‘bom’ R5... Meireles iria passar um mau bocado,
mas também achei que iria dar mais 1 VIEIRA, CARLOS R 22,2 14 26,7 - 1,7 21 28,6 28,9 143,01
luta do que a que deu. Entregou-se
ao destino demasiado cedo à espera 2 MEIRELES, PEDRO 27,1 R 20 R 28,3 26,7 - 20,62 20 142,72
que algo acontecesse a Carlos Vieira,
mas para bem dos ralis, ainda bem que 3 BARBOSA, MIGUEL 8 14 12,3 14 0,8 17,6 26 17,62 - 110,34
não sucedeu, porque era injusto. Um
tudo fez para ir à procura da sorte e 4 BARROS, JOÃO 17 17,6 17,3 17,6 - 21,1 R R - 90,51
outro simplesmente esperou. Por isso,
o triunfo de Vieira merece todos os 5 TEODÓSIO, RICARDO 12 12 R 6 17 10 - - 18 75
elogios, pois que ninguém pense que
era fácil. Se a vitória de Carlos Vieira 6 FONTES, JOSÉ PEDRO 20,4 27,2 - 22,8 R - - - - 70,36
para os troços de asfalto era natural,
vencer quase todas as classificativas 7 ALVES, JOAQUIM R - 8 12 20 14 R - - 54
era um enorme desafio e isso mostra
bem o piloto em que Vieira se tornou. 8 ANTUNES, PEDRO 2 8 1 R 12 6 - 4 14 47

9 MARTINS, CARLOS R 10 - 8 - 12 R - 0,38 30,38

10 NETO, PAULO R 6 - 1 8 8 0 6 - 29

12 WRC/
CAMPEONATO DO MUNDO DE RALIS - AUSTRÁLIA

SENHOR
VITÓRIAS

Quatro. Foram quatro os triunfos de Thierry Neuville em 2017. Segundo
classificado no campeonato, o belga está longe de feitos de pilotos como

Sébastien Loeb (venceu 11 ralis em 2008), mas mostrou que consegue
ganhar em quase todo o tipo de provas e quer acabar com o domínio
gaulês na conquista de títulos mundiais

Martin Holmes com João Picado que na Hyundai não tenham vencido nada
[email protected] em 2017. Neuville, por exemplo, chegou a
Coffs Harbour com triunfos na Córsega,
FOTOGRAFIA: @WORLD/ A.LAVADINHO/ A.VIALATTE na Argentina e na Polónia. Era, já nesse
momento, o piloto com mais triunfos na
Quem dissesse, a priori, que Thier- temporada. E tinha, como missão, asse-
ry Neuville ia ganhar o Rali da gurar o segundo lugar no campeonato.
Austrália, podia ser acusado de O Rali da Austrália não começou nada
crente. A última prova do cam- bem para Neuville. Aos comandos do
peonato do mundo de ralis, onde Hyundai i20 WRC estabeleceu o melhor
Sébastien Ogier e a M-Sport já tempo no shakedown e mostrou que tinha
chegaram campeões de pilotos e cons- andamento vencedor. Mas antes disso
trutores, respetivamente, seria a festa sofreu. Quando se dirigia para a prova
dos homens de Cumbria, por certo. Mas de teste, o carro construído em Alzenau
seria, também, a oportunidade para as teve um problema. Os alarmes soaram
equipas que nada ganharam de acabar o na assistência. A equipa envidou esfor-
ano com algo positivo. Não se pode dizer

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13

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PROVA AUTOSPORT.PT

Terminado o WRC 2017 é
agora tempo das equipas
olharem para a próxima
época, que se espera que
seja tão ou mais equilibrada
que esta, dando-se assim
continuidade à atual fórmula
de sucesso da competição

ços para recuperar o carro e resolver o estrada. Mas isso não o impedia de andar 3 o Hyundai i20 WRC. Não teve um, mas
problema. Os mecânicos trabalharam a depressa e completava a etapa inaugural dois furos. Com apenas uma roda su-
tempo de Neuville ainda passar três vezes na segunda posição. “Estou satisfeito. De- O NÚMERO DE ACIDENTES SOFRIDOS PELOS plente, seguir em prova era uma utopia.
no shakedown e sair com a melhor marca. mos o máximo que conseguimos durante HOMENS DA PEUGEOT NO RALI DA AUSTRÁLIA. O belga passou para o lugar que mais
O piloto estava confiante e foi assim que o dia. Ainda quero ganhar”, esclareceu. NEM KRIS MEEKE, NEM CRAIG BREEN, NEM desejava e acabou com uma vantagem
partiu para a competição. Mas logo no Se a chuva não apareceu na abertura, a STÉPHANE LEFEBVRE SE LIVRARAM DE que, em circunstâncias normais, daria
início viu que havia um companheiro de segunda etapa foi bem diferente. Primeiro, ACIDENTES MAIS OU MENOS APARATOSOS. para gerir. Na perspetiva da Hyundai, o
equipa que lhe podia estragar os planos de porque a água começou a cair do céu. SÓ O BRITÂNICO CONSEGUIU TERMINAR A cenário não era tão bom. Em vez de dois
vencer pela quarta vez. Andreas Mikkel- Depois, porque as classificativas eram PROVA, POR FORÇA DOS REGULAMENTOS QUE carros na frente, passava a ter apenas um
sen, recrutado pela marca coreana já na no meio da floresta e, por regra, mais exi- PERMITEM ALINHAR NO DIA SEGUINTE COM e o Toyota e o Ford que o seguiam ainda
segunda metade do ano, começou melhor. gentes para pilotos e máquinas. Depois PENALIZAÇÕES tinham hipóteses de o destronar. Mas aí,
Venceu troço atrás de troço e acabou o havia, ainda, Nambucca. Um troço que se Neuville voltou a dar mostras de que é um
primeiro dia na frente. “O carro está a realizaria duas vezes e que tinha mais de piloto capaz de vencer um campeonato
comportar-se tal como eu pretendo”, 40 quilómetros de extensão. do mundo. Atacou e defendeu sempre
dizia o nórdico a meio do dia. Neuville atacou e Mikkelsen errou. O pi- que teve de o fazer e geriu a vantagem de
Neuville, por seu lado, era dos primeiros na loto nórdico bateu numa encosta com forma praticamente imaculada.

WRC/ RB/ ROAD BOOK
CAMPEONATO DO MUNDO DE RALIS
DIA 1
14
Céu nublado e pó no ar. A organização deu
A consistência e a regularidade são essen- mais um acidente, desta vez na derradeira uma diferença de três minutos a cada COMENTÁRIO
ciais para se ser bem-sucedido nos ralis do especial. O acidente teve contornos cine- equipa na partida para os troços. Foram DO VENCEDOR
campeonato do mundo. O Rali da Austrália matográficos pois aconteceu quando a vários os carros que perderam apêndices
foi bem evidente dessa realidade. Na Toyo- classificativa – a Power Stage – estava a aerodinâmicos. O de Ott Tanak foi dos THIERRY NEUVILLE
ta, Esapekka Lappi depressa ficou fora da ser televisionada em direto. mais evidentes. Perdeu a totalidade do
luta pelas melhores posições. O finlandês Na M-Sport, o Rali da Austrália não foi um difusor traseiro. Já Latvala teve problemas “Esta é uma vitória especial
teve problemas com a direção assistida espelho da temporada. Ott Tanak acabou com os intercomunicadores. Hayden e quero dedicá-la a toda a
do Yaris ainda no primeiro dia e perdeu em segundo e Sébastien Ogier em quarto. Paddon e Stéphane Lefebvre tiveram equipa. Eles trabalharam
demasiado tempo. Jari-Matti Latvala co- Mas ambos tiveram muitos problemas ao furos. Pela positiva, Andreas Mikkelsen tanto durante toda a época.
meçou por andar com um carro mais leve longo do fim de semana. A começar pelo esteve quase inalcançável. Aliás, a Nem sempre foi fácil, mas
quando perdeu o difusor dianteiro e ainda seletor da caixa de velocidades do Ford Hyundai dominou o primeiro dia. O nórdico nunca desistiram. Um grande
teve problemas de comunicação com o Fiesta, em particular no do campeão do venceu cinco troços e Thierry Neuville obrigado pelo trabalho bem
seu co-piloto devido a um cabo defeituoso. mundo, que se recusava, de forma inter- foi o mais rápido em dois. Só Ott Tanak feito por todos. Não apenas
Superadas as dificuldades iniciais, ainda mitente, a funcionar. Além disso, Ogier conseguiu contrariar esta supremacia nos ralis, mas aos que estão
sonhou com a vitória – chegou a estar a viveu um episódio que raramente se vê ao ganhar uma das passagens pela na fábrica. É certo que
9,9 segundos quando faltavam três clas- no francês. Devido aos problemas, o piloto super-especial. Kris Meeke não ganhou falhámos o campeonato, mas
sificativas – mas deitou tudo a perder com confessa que houve momentos de algum uma única classificativa, mas terminou garantimos o segundo lugar
pânico dentro do carro e a dupla entrou em segundo. Sébastien Ogier entrou em com o resultado de hoje e
no controlo de entrada de um troço um prova já campeão, mas teve problemas de isso dá-nos uma tremenda
minuto adiantada. Isso valeu-lhe igual caixa no Ford Fiesta e terminou a etapa motivação para a próxima
penalização em tempo. Yves Matton, na num distante oitavo posto. temporada. A última manhã
Citroën, deve estar a fazer contas de ca- da prova foi complicada. Nós
beça depois de mais um mau rali para a DIA 2 não quisemos arriscar em
sua equipa. Todos os carros – e são três demasia. Por isso, conseguir
– sofreram acidentes e só o de Kris Meeke 30 dos 33 carros apresentaram-se à o quarto triunfo do ano é
acabou a prova por força do Rally 2. partida do segundo dia. O grande desafio fantástico. Esta é, de facto,
teve por nome Nambucca, uma especial a forma ideal de terminar
F/ FIGURA percorrida em duas ocasiões, com 48 a época. Agora, podemos
quilómetros. A chuva apareceu e tornou aproveitar o momento antes
THIERRY NEUVILLE fechou a época como a vida mais difícil para as equipas. A de virarmos as nossas
desejava que esta tivesse sido sempre. O Hyundai continuou a dominar. Mikkelsen atenções para o próximo
piloto belga da Hyundai voltou a mostrar que abandonou com dois furos (só tinha ano.”
tem carro e capacidades técnicas para vencer uma roda suplente) mas Neuville passou
em praticamente qualquer rali do campeonato para a frente. Meeke começou a cair,
do mundo. O segundo lugar no WRC 2017 sabe- enquanto Latvala e Tanak subiram de
lhe a pouco. Mas é, por certo, uma das figuras forma. Os dois ascenderam aos lugares
a seguir no próximo ano. Dependente do futuro do pódio enquanto o britânico e o seu
de Ogier, Neuville pode ser a grande estrela da companheiro, Breen, caíram para quarto
modalidade em 2018. e quinto, respetivamente. Entretanto,
Meeke deu um toque com o C3 WRC
M/ MOMENTO e ficou pelo caminho. Mesmo sem
conseguir fazer um rali de acordo com o
A PROBABILIDADE DE FURAR duas seu estatuto, Ogier esteve sempre em
vezes não é muito elevada. Mas isso prova e subiu de oitavo para sexto ao
acontecer e só se ter uma roda suplente longo do dia.
é ainda mais raro. Foi, no entanto, isso
que aconteceu a Andreas Mikkelsen DIA 3
no 10º troço do Rali da Austrália. O
norueguês foi forçado a abandonar e Mais chuva e um final de prova ao
entregou a liderança ao Thierry Neuville nível do que se deseja para terminar o
que, a partir daí, caminhou rumo ao campeonato. Neuville começou por ver
quarto triunfo em 2017. Latvala e Tanak aproximarem-se de forma
perigosa na classificação. Mas o belga
ripostou e repôs a sua normalidade para
garantir o segundo lugar no Mundial.
Stéphane Lefebvre e Craig Breen sofreram
acidentes e desistiram. A organização
optou por cancelar o penúltimo troço
devido às más condições de piso. A
estrada seria percorrida pelos carros
de competição pela quarta vez. Na
Power Stage, Jari-Matti Latvala bateu e
a classificação voltou a mudar. Neuville
ficou em primeiro e assegurou o triunfo,
enquanto Tanak subiu a segundo, Paddon
a terceiro e Ogier, que andou sempre
muito afastado dos primeiros lugares,
acabou em quarto.

PF/ PARQUE FECHADO >> autosport.pt

15

FUTURO
DE OGIER 99,9%
DECIDIDO

Antes do início do Rali da Austrália
começar, o campeão do mundo, Sébastien
Ogier, garantiu que o seu futuro estava
praticamente decidido. Recusado o
convite da Citroën, o piloto francês tem
duas hipóteses em cima da mesa, ou
continua com a M-Sport ou retira-se
da competição. Contudo, segundo o
Autosport inglês, que cita fonte próxima
de Ogier e de Malcolm Wilson, o patrão
da equipa, o piloto está a planear a
continuidade na disciplina. “Se assim não
fosse, porque permitiria que o Malcolm
continuasse a procurar formas de
chegarem a acordo?”, justifica. Apesar
disso, e do desconforto que toda esta
situação provoca em Ogier, o campeão do
mundo remete novidades apenas para o
próximo mês. “Daqui a um mês a lista de
inscritos para Monte Carlo está fechada.
Nessa altura logo se vê se estou na lista.”

Martin Holmes cia a uma competição ganha por
Jourdan Serderidis, em particular
DETETIVE HOLMES quando este garantiu o triunfo, que UM CAPOTANÇO
WRC PREPARA foi, precisamente, no dia em que fi- NA PRIMEIRA
MUDANÇASPARA2018 caram decididos os campeonatos do PESSOA
mundo de pilotos e de construtores.
Aorganização do Rali da Motorizado que se realiza no próxi- Outra das propostas é que no pró- Craig Breen foi um dos pilotos que ficou
Finlândia avançou com al- mo mês. Em primeiro lugar, o WRC ximo ano os privados possam com- pelo caminho no último dia devido a
guns pormenores acerca Trophy exclusivo para pilotos priva- petir com carros com as especifi- um acidente. O piloto explica o que
das propostas que fez para dos com carros WRC de 2016 deve cações de 2017, mas geridos pelos aconteceu. “Começou a chover e o Hayden
o campeonato do mundo de 2018 e ser posto de parte. A concretizar-se, próprios. No WRC2, não vai haver (Paddon) estava a aproximar-se. Ele tinha
que se espera que sejam ratificadas esta medida não é surpreendente, eventos específicos obrigatórios. uma melhor posição na estrada e a chuva
no Conselho Mundial do Desporto visto que a FIA nem deu relevân- Os concorrentes são livres de no- era cada vez mais intensa. Sabíamos que
mearem as provas nas quais preten- tínhamos de continuar a andar depressa
dem somar pontos para o campeo- para manter o quarto posto. Infelizmente,
nato. Outra alteração regulamentar cometi um erro numa curva para a direita.
está relacionada com os pneus. Ia um pouco depressa demais. Bati com
A partir de 2018, os proponentes a traseira do carro que capotou algumas
desejam que os pilotos de carros vezes”, afirmou o piloto irlandês da
R5 em eventos do WRC tenham a Citroën. “Não é a melhor forma de acabar
liberdade de escolher os fornece- o ano”, concluiu.
dores de pneus. Além disso, o limite
de pneus a utilizar deixa de incluir
os usados no shakedown de cada
prova.

WRC/
CAMPEONATO DO MUNDO DE RALIS

16 R A L I D A A U S T R Á L I A 1 3 D E 1 3

CARROSDERALIS
TÊMDECUMPRIRAS
REGRASDETRÂNSITO
O código da estrada é para cum-
prir e na Austrália isso não per- velocidade é de 60 km/h. Depois, o WRC2 NAAUSTRÁLIA
mite qualquer tipo de tolerância piloto foi presente ao colégio de co- TEVEAPENASUM
para as equipas que competem missários que, com acesso a alguns PARTICIPANTE
em ralis. Stéphane Lefebvre aprendeu vídeos, voltou a multá-lo, desta vez
isso na edição deste ano do Rali da em dois mil euros. A decisão teve por
Austrália e da pior maneira. O piloto base a ultrapassagem que Lefebvre
francês da Citroën, que teve uma prova fez ao carro policial. “Neste incidente,
cheia de incidentes e peripécias – furos o comportamento do condutor não
e um acidente que ditou o abandono só infringe as leis de trânsito locais
–, ainda foi multado por excesso de como são uma clara infracção do
velocidade e por ultrapassar uma via- artigo 12.1.1.c do Código Desportivo
tura não caracterizada da polícia numa Internacional de 2017”, lê-se em co-
zona de traço contínuo. A primeira municado. Apesar de tudo, a multa de
multa foi de 1200 euros e é relativa dois mil euros encontra-se suspensa
ao facto de o gaulês ter passado a 108 por três ralis. Ou seja, se o piloto tiver
km/h numa zona em que o limite de bom comportamento, não será forçado
a pagar este valor.

O jovem piloto Kalle Rovanperä estreou- o finlandês andou constantemente logo
se no Rali da Austrália ao volante de a seguir aos WRC, mas abandonou no
um Ford Fiesta R5. O finlandês efetuou, segundo dia quando sofreu dois furos no
apenas, a sua segunda prova do WRC e carro e só tinha uma roda suplente. Ainda
foi o único concorrente a pontuar para o voltou em Rally 2 para vencer o WRC2 e
WRC2, competição há muito decidida e pontuar para o campeonato. Foi 12º da
que não teve interessados em viajar até geral, mas como houve pilotos do campe-
ao outro lado do mundo para participar onato australiano que terminaram à
num campeonato em que já nada havia frente e não pontuam para a competição
para decidir. Ainda assim, Rovanperä internacional, Rovanperä alcançou esse
aproveitou para marcar presença, a pen- objetivo. “Foi uma grande prova para nós.
sar no seu futuro. O jovem nórdico está Aproveitámos e gostámos, em especial,
a dar os primeiros passos na alta roda quando os pisos estavam secos. Também
da modalidade a nível mundial e quis ganhámos no WRC2. Não era a vitória de-
aproveitar a oportunidade para conhecer sejada, mas, pelo menos, foi a primeira”,
mais uma ronda do WRC. Com o Fiesta, afirmou.

PADDON E SORDO PARTILHAM CARRO

Os planos iniciais da Hyundai de inscrever Ou seja, o neozelandês e o espanhol vão
quatro carros no campeonato do mundo de partilhar o terceiro Hyundai i20 WRC. Paddon
2018 caíram por terra por falta de financia- confirmou no Rali da Austrália que não vai
mento. A partir desse momento, a equipa estar presente na ronda de abertura da nova
coreana ficou com quatro pilotos para apenas época, o Rali de Monte Carlo. Será Dani Sordo
três carros. a ter a responsabilidade de fazer a estreia
Deste modo, a solução encontrada por Michel do carro de 2018. Paddon apenas irá pilotar
Nandan e restantes responsáveis do constru- em competição na prova seguinte, o Rali da
tor com o departamento de competição em Suécia. “(O Paddon) vai fazer mais eventos
Alzenau (Alemanha) foi de nomear Thierry onde é rápido. Quase de certeza que não es-
Neuville e Andreas Mikkelsen como pilotos a tará à partida de nenhuma prova em asfalto”,
tempo inteiro. Assim, Hayden Paddon e Dani afirmou o diretor desportivo da Hyundai,
Sordo passam a ser pilotos em part-time. Michel Nandan.

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17

SERDERIDIS COMO VI C/ C L A S S I F I C A Ç Õ E S
VOLTAA VENCER O RALI
NO WRC TROPHY RALI DAAUSTRÁLIA 13 DE 13
JOÃO PICADO
Único participante no Rali da 17/11 A 19/11/2017
Austrália com um WRC da anterior O Rali da Austrália foi, mais do que
geração, o grego Jourdan Serde- a última prova do campeonato em 947,55 KM 318,33 KM 1.º DIA 2.º DIA 3.º DIA
ridis voltou a concluir uma prova do 2017, uma espécie de antevisão
campeonato do mundo e, por conse- do que poderá acontecer DISTÂNCIA 21 TROÇOS
quência, venceu esta competição que em 2018. Thierry Neuville já
de competitiva teve muito pouco ao mostrou que será, por certo, um PROVA CARRO
longo de 2017. O piloto do Citroën DS3 candidato ao título. O mesmo TEMPO/DIF.
WRC cumpriu todas as especiais sem pode acontecer com Andreas 1º T. NEUVILLE/N. GILSOUL
furos ou problemas mecânicos e ter- Mikkelsen. O norueguês mostrou 2º O. TANAK/M. JARVEOJA HYUNDAI I20 WRC 2H35M44,8S
minou na 11ª posição da classificação que, apesar dos furos sofridos, é 3º H. PADDON/S. MARSHALL FORD FIESTA WRC A 22,5S
geral, embora a mais de meia hora do rápido e consistente. Tal não se 4º S. OGIER/J. INGRASSIA HYUNDAI I20 WRC A 59,1S
vencedor da prova, Thierry Neuville. pode dizer de Hayden Paddon e 5º E. EVANS/D. BARRITT FORD FIESTA WRC A 2M27,7S
Para Serderidis, esta ronda foi o fim Dani Sordo. Mas é por isso que 6º E. LAPPI/J. FERM FORD FIESTA WRC A 3M05,6S
de um ano em que venceu um troféu Michel Nandan já decidiu que só 7º K. MEEKE/P. NAGLE TOYOTA YARIS WRC A 3M49,5S
internacional. “Fantástico. Muito Mikkelsen e Neuville têm, para 8º R. DALTON/J. ALLEN CITROËN C3 WRC A 22M58,4S
bom pelo meu co-piloto (que só na já, um programa completo. Na 9º N. QUINN/B. SEARCY SKODA FABIA R5 A 24M39,6S
Austrália conquistou o troféu relativo M-Sport as incógnitas são muitas. 10º D. HERRIDGE/S. HILL MITSUBISHI LANCER EVO IX A 25M03,4S
aos navegadores). Foi um rali perfeito. Sabe-se que se Sébastien Ogier 11º J. SERDERIDIS/F. MICLOTTE SUBARU IMPREZA WRX STI A 29M52,3S
Planos para o ano? Não temos nada”, continuar, seja com que carro 12º K. ROVANPERÄ/J. HALTTUNEN CITROËN DS3 WRC A 32M25,4S
assumiu Serderidis. for, é o favorito à conquista do FORD FIESTA R5 A 33M16,3S
título porque, apesar de tudo, o
DMACK DÁ UM rendimento apresentado pelo PE VENCEDORES DE PE
PASSO ATRÁS francês na Austrália é coisa CAUSA
rara na sua carreira. Na Citroën, PE
No final do ano em que venceu um rali Kris Meeke é o ponta-de-lança, ABANDONOS LÍDERES
do campeonato do mundo (ndr.: Rali mas precisa de “marcar golos”
da Grã-Bretanha com Elfyn Evans), o com mais regularidade. Na STÉPHANE LEFEBVRE 18 ACIDENTE ANDREAS MIKKELSEN 1 A 9 THIERRY NEUVILLE 8
fabricante de pneus DMack pondera Austrália voltou a acertar no CAPOTOU THIERRY NEUVILLE 10 A 21
deixar o WRC. “Precisamos de um ano poste e hipotecou um excelente CRAIG BREEN 18 ACIDENTE ANDREAS MIKKELSEN 5
de desenvolvimento e aproximação resultado. Craig Breen tem
com os nossos mercados chave”, crescido e ganhado protagonismo JARI-MATTI LATVALA 21 OTT TANAK 3
afirmou o diretor da empresa, Dick na estrutura gaulesa. Já
Cormack. O responsável justifica Stéphane Lefebvre tem, por regra, JARI-MATTI LATVALA 1
esta decisão, mas não esclarece se a dificuldades em fazer tempos
marca vai mesmo deixar o campe- entre os melhores. O facto de CRAIG BREEN 1
onato. A empresa inglesa sente, por ser francês não chega para
um lado, a necessidade de trabalhar justificar tudo e o piloto sabe ELFYN EVANS 1
os seus produtos, em particular que tem de fazer mais se não
“em áreas como o pneu para asfalto quiser ser colocado no armário. HAYDEN PADDON 1
e voltar aos clientes, por exemplo, A Toyota aposta, ainda mais, no
do WRC2, explicou Cormack. “Está perfil nórdico. A aquisição de Ott SÉBASTIEN OGIER 1
na hora de dar um passo atrás. O Tanak deixa bons indicadores,
compromisso com a competição teve assim o estónio consiga dar Monte-Carlo
o seu custo no nosso programa de continuidade a esta época. Jari- Suécia
testes”, justificou. Matti Latvala tem a velocidade México
do seu lado, mas continua a França
perder insistentemente para a Argentina
regularidade. Portugal
Itália
Polónia
Finlândia
Alemanha
Espanha
Grã-Bretanha
Austrália
TOTAL

PILOTOS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13

1 OGIER SÉBASTIEN 25 19 22 22 14 26 13 19 R 17 21 17 17 232

2 NEUVILLE THIERRY 5 3 20 26 30 22 17 26 11 (44.) R 23 25 208

3 TÄNAK OTT 15 18 15 (11.) 18 17 25 R 11 25 17 8 22 191

4 LATVALA JARI-MATTI 18 30 10 17 11 2 19 5 2 9 R 13 R 136

5 EVANS ELFYN 10 8 2 (21.) 22 11 R 4 22 8 6 25 10 128

6 SORDO DANI 13 12 5 17 4 15 4 12 2 5 5 1 - 95

7 MEEKE KRIS R 2 25 R R (18.) R - 4 R 29 10 7 77

8 PADDON HAYDEN R 7 10 8 8 R R 18 R 4 - 4 15 74

9 HÄNNINEN JUHO 3 (23.) 6 R 6 6 8 1 16 12 13 R - 71

10 BREEN CRAIG 10 10 - 13 R 10 (25.) (11.) 10 11 - (15.) R 64

11 LAPPI ESAPEKKA - - - - - 3 17 R 25 4 R 2 11 62

12 MIKKELSEN ANDREAS 6 - - 6 - R 4 5 - 18 (18.) 13 2 54

MARCAS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13

1 M-SPORT 40 33 30 26 33 37 35 25 26 40 33 40 30 428

2 HYUNDAI MOTORSPORT 20 20 25 40 35 33 21 43 14 10 14 30 40 345

3 TOYOTA GAZOO RACING 24 29 14 12 20 14 30 10 40 20 12 16 16 257

4 CITROËN TOTAL 10 16 29 16 - 14 12 20 18 28 35 12 8 218

WRC2 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13

1. PONTUS TIDEMAND 25 25 25 25 18 15 25 158

2. ERIC CAMILLI 12 12 18 4 6 25 18 95

3. TEEMU SUNINEN 18 18 18 6 25 85

4. JAN KOPECKY 18 6 ? 25 18 18 85

5. OLE CHRISTIAN VEIBY 15 10 18 25 68

18

F1/ FELIPE MASSAFELIPAMASSA
PARA LÁ
Felipe Massa é um exemplo DOS NÚMEROS
de um piloto com um percurso
mente próximo, mas ainda assim deixou tinha apenas 22 anos, que evidenciavam para o Grande Prémio dos Estados Unidos
de respeito, em que o seu uma marca indelével na Fórmula 1 graças algumas arestas por limar. Mas o poten- da América, depois de ter atirado para
talento e trabalho superam em à sua maneira de estar e humanidade. cial existia. Contudo, o brasileiro acabaria fora Pedro de la Rosa em Monza. O suíço,
muito os registos estatísticos por não continuar com a Sauber precisa- deixando já antever o futuro do piloto de
DIAMANTE POR LAPIDAR mente por não aceder a ordens de equipa São Paulo, não esteve com meias medi-
conseguidos ao longo – uma situação que conheceria de uma das e chamou Heinz Harald Frentzen, que
de uma carreira de 15 anos Depois de ter descoberto Kimi Räikkönen forma diferente 10 anos depois. se estreara em 1994 com a equipa, para o
na F1. Em ano de despedida, em 2001, que, entretanto, fora contratado Durante o Grande Prémio da Europa, que substituir. Estes dois episódios acabaram
relembramos o acarinhado pela McLaren, Peter Sauber decidiu voltar se disputava em Nürburgring, Massa ro- por ser decisivos para que o homem forte
a apostar em 2002 num jovem piloto para dava no sexto posto, então o último lu- da equipa helvética optasse por deixar cair
piloto brasileiro colocar ao lado do confiável Nick Heidfeld, gar pontuável, e já perto do final da pro- Massa ao fim de apenas uma temporada.
escolhendo um desconhecido brasileiro va, Peter Sauber ordenou que o “rookie” O brasileiro haveria de voltar à formação
Jorge Girão que se sagrara Campeão da Euro Formula cedesse o lugar a Heidfeld. helvética para mais duas épocas (2004 e
[email protected] 3000 em 2001, que na prática não era mais As ordens de equipa são normais no au- 2005), depois de um ano sabático como
que uma segunda divisão da categoria tomobilismo em geral e na Fórmula 1 em piloto de testes da Ferrari, mas esta pri-
Oautomobilismovive,sobretudo, que então se afirmava a antecâmara da particular, mas também é verdade que meira 'exclusão', em 2002, não deixou de
de paixão e emoções, mas não Fórmula 1. Massa rapidamente mostrou a estas têm que servir um propósito claro, o desagradar, mostrando anos mais tarde
são poucas as vezes em que sua competitividade e rapidez, pontuan- caso contrário acabam apenas por criar o seu desapontamento com a sentença do
olhamos para os números para do logo no seu segundo Grande Prémio, tensões no seio da estrutura. fundador da equipa de Hinwil. “Fez-me
sublinhar os feitos da generali- que teve lugar em Sepang, terminando a Sem que Heidfeld estivesse na luta pelo duvidar de mim mesmo. O Peter Sauber
dade dos pilotos, como se fosse temporada com quatro pontos, contra os que quer que fosse, o jovem piloto não viu tomou a sua decisão quando comecei a
necessário consubstanciar analiticamen- sete do seu mais bem experiente colega qualquer motivo para ceder o seu lugar ficar muito melhor. Era a minha primeira
te as nossas escolhas ou o motivo que nos germânico. As indicações dadas eram conquistado em pista ao alemão e não se- temporada, mas evoluí bastante e tornei-
leva a seguir um piloto em detrimento de boas, exibindo uma excelente capaci- guiu a ordem clamada pelo patrão através -me mais forte que o meu colega de equi-
outro. No entanto, por vezes, surgem al- dade de controlo, apesar de alguns erros do rádio, causando a ira de Peter Sauber. pa, Nick Heidfeld. Não merecia ser despe-
guns que extravasam a ditadura dos nú- que lhe custaram diversos piões e aban- Mais tarde, Massa receberia uma pena- dido”, afirmou o piloto de São Paulo antes
meros – Gilles Villeneuve e Jean Alesi são donos, próprios da sua juventude, então lização de 10 lugares na grelha de partida do início da temporada de 2009.
alguns que passam imediatamente pela
cabeça, dadas as emoções e sentimentos
que emprestaram aos seus feitos. Felipe
Massa enquadra-se neste último grupo –
não venceu qualquer Campeonato, mui-
to embora tenha estado confrangedora-

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19

O INÍCIO DA ERA FERRARI completamente, dado que alguém lhe ti- última prova do ano, para perder o título
nha colocado a mão no ombro e dito: ‘tu cerca de quarenta segundos depois com a
Depois de dois anos com a Sauber, em és capaz. Existe muito trabalho para fa- ultrapassagem de Hamilton a Timo Glock
que demonstrou uma evolução segura zer para seres um piloto completo, mas és na última curva do traçado brasileiro.
contra pilotos como Giancarlo Fisichella capaz e é desta forma que o iremos con- Depois de ter feito a pole-position, assi-
e Jacques Villeneuve, Massa ingressou na seguir’. Nessa primeira corrida o Michael nado a volta mais rápida, esmagado toda
Ferrari para fazer equipa com o Michael venceu e o Felipe conseguiu um pódio, a oposição e vencer o Grande Prémio do
Schumacher, habitual triturador de com- depois, houve um ‘click’ e todas as pe- Brasil, Massa teve que lidar com uma der-
panheiros, o piloto sobre o qual a Scuderia ças caíam no sítio certo”, afirmou Rob rota quase cruel perante o seu público.
rodava e a bitola a partir da qual todos Smedley, que no início de 2014 seguiu A angústia terá sido lancinante ao longo
eram avaliados. Massa para a Williams. da sua volta de desaceleração, sentin-
As primeiras corridas de vermelho não O brasileiro foi evoluindo consistente- do-se derrotado, muito embora alguns
foram fáceis para o brasileiro, ficando mente, assegurando o seu primeiro triun- ainda celebrassem nas bancadas o seu
aquém do esperado, enquanto o alemão fo no Grande Prémio da Turquia, e se em título, tendo as lágrimas tomado conta
estava já envolvido na luta pelo seu oitavo 2007 não se mostrou ainda capaz de lu- de si durante esses momentos, como o
ceptro com Fernando Alonso. tar pelo cetro, muito embora tenha sido próprio admitiu. Mas uma vez no pódio,
Contudo, o potencial existia e na Ferrari determinante na conquista do título de mostrou, apesar de emotivo e humano,
acreditava-se que Massa poderia ser um Kimi Räikkönen, na temporada seguin- extrema dignidade perante um público
piloto de futuro – ter a sua carreira geri- te assumiu-se como o piloto de ponta da intenso a par com uma determinação
da por Nicolas Todt não lhe foi prejudicial, Ferrari, lutando pelo Campeonato até ao e liderança que pareciam poder levá-lo
seguramente – e Jean Todt, o responsável último instante da última corrida de 2008. mais longe que nunca. No fundo, a for-
máximo pela Scuderia, após quatro cor- ma como se apresentou perante o pú-
ALI TÃO PERTO blico numa situação difícil, parecia indi-
ridas, haveria de tomar uma decisão de- car que aquela derrota no último instante
terminante para o recruta do seu filho, E AO MESMO TEMPO TÃO LONGE tinha sido o catalisador para o fim de um
quando substituiu Gabriele delli Colli processo que tornaria Massa num piloto
por Rob Smedley no papel de enge- Ao longo da época Massa assumiu-se completo, como queria Smedley, e a luta
nheiro de pista do carro número seis. como o líder da Scuderia, mostrando ra- por títulos aparentava ser o seu destino.
Enquantoquearelaçãoentre ojovem pidez – conseguiu seis pole-positions “No dia seguinte já estava bem. É claro que
de São Paulo e o italiano nunca flores- contra apenas duas de Räikkönen – e não dormi naquela primeira noite, mas de
ceu, com o inglês nasceu uma longa consistência, o que lhe permitiu ser o pi- uma forma esquisita, foi algo de positivo
loto com mais vitórias ao longo do ano, para a minha vida pessoal. Aprendemos
amizade que prossegue até aos dias seis contra cinco de Hamilton, e pode- muito nestas situações. Por vezes, de
de hoje,ultrapassando atéasbarrei- ria facilmente ganhar mais duas, se na uma forma diferente, talvez fosse de mais
ras da Fórmula 1. “Ele teve alguns re- Hungria o motor do seu carro não tivesse – vencer o título na última corrida no
sultados fracos e precisava apenas partido a três voltas da bandeirada de xa- Brasil. O que me aconteceria?”, afirmou
drez quando liderava confortavelmente, Massa no início de 2009, continuando:
de se acalmar, estava muito ner- e se em Singapura o tristemente célebre “Acredito que, se merecermos algo, um
voso. Lembro-me de irmos para despiste de Nelsinho Piquet não moti- dia tê-lo-emos. O Lewis (Hamilton) teve
Nürburgring e ele estar agitado e vasse uma falha nas boxes por parte da o que era suposto ter – talvez devido ao
Ferrari, ditando o seu abandono quando que aconteceu em 2007 (ndr.: perdeu o
nervoso acerca dos seus resulta- era claramente o mais rápido do pelotão. Campeonato na última corrida, Brasil,
dos, achava que tinha que bater Este quadro acabou por criar a situação, por um ponto). Talvez a sorte estivesse
o Michael Schumacher e vencer dificilmente credível se tivesse origem em débito para com ele. Este ano (ndr.:
corridas. Eu era mais: ‘Isso aca- em Hollywood, em que o homem de São 2009) talvez a sorte me bafeje.”
Paulo, a correr em Interlagos, era Campeão
bará por acontecer, mas antes Mundial quando cruzou a linha de meta da
tens que fazer trabalho de base
ou não conseguirás’.
Modéstia à parte, o que fiz
por ele foi colocar-lhe objeti-
vos realísticos e dizer-lhe: ‘es-
tes são os objetivos e isto é o que
gostaria que tentássemos e alcançásse-
mos durante um dado período’. Ele mudou

"O PETER SAUBER TOMOU A SUA DECISÃO QUANDO COMECEI A FICAR
MUITO MELHOR. FEZ-ME DUVIDAR DE MIM MESMO. ERA A MINHA PRIMEIRA
TEMPORADA. NÃO MERECIA SER DESPEDIDO"

F1/
FÓRMULA 1

20

FELIPE MASSA

A Williams foi um
porto de abrigo que
acolheu Massa numa
altura em que o
próprio sabia já não
vir a ter condições
para lutar por
títulos. No entanto,
encontrou um berço
de estabilidade e
confiança que por
vezes lhe faltou em
outras alturas da
sua carreira

O DESTINO VIRA AS COSTAS

A temporada de 2009, porém, revelar-
-se-ia afinal uma época sem sorte para
o brasileiro logo desde a pré-temporada,
dado que a Ferrari, tal como a McLaren,
em parte devido aos recursos centrados
na luta pelos cetros da época anterior, não
apresentou um carro competitivo para o
novo regulamento técnico, ficando longe
da batalha pelas vitórias, onde a Brawn e
a Red Bull eram as protagonistas.
Ainda assim, Felipe Massa, muito embora
longe das posições a que estava habituado
desde que vestira de vermelho, foi, uma
vez mais, impondo-se no seio da Scuderia,
até que a sorte quase o abandonou com-
pletamente na qualificação para o Grande
Prémio da Hungria.
Uma mola solta do Brawn de Rubens
Barrichello acabaria por atingir o capa-
cete do seu conterrâneo, enviando o pi-
loto da Ferrari para o hospital e para um
estado comatoso. Muito embora a sua vida
nunca tenha estado verdadeiramente em
risco, a sua visão e, por conseguinte, a sua
carreira, esteve em perigo.

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21

15

O NÚMERO DE ÉPOCAS EM QUE FELIPE
MASSA FOI PRESENÇA NO CAMPEONATO DO
MUNDO DE FÓRMULA 1

“Não me lembro de nada (ndr.: relativo as corridas”, reconheceu o piloto que no loto – Massa regressou à competição na No entanto, o poder na Ferrari tinha mu-
ao acidente). Lembro-me do ‘run’ ante- seu regresso encontraria uma Ferrari primeira prova de 2010, o Grande Prémio dado, emergindo Alonso como o centro
rior, mas não do acidente. Não me lembro diferente e um novo colega de equipa – do Bahrein, e nem lhe correu mal, baten- das atenções no seu seio. “É desapontante
sequer de ter acordado, três dias depois. Fernando Alonso. do o seu colega de equipa na qualificação, quando olhamos para esse período, dado
Lembro-me de meia hora depois de ter assegurando o segundo posto atrás de que ele voltou a uma equipa diferente. Era
acordado. Pensava que não falhara se- O REGRESSO Sebastian Vettel, e terminando na mes- uma equipa bastante equilibrada entre
quer uma corrida. Estava a discutir com Depois de ter falhado o resto da temporada ma posição, mas desta vez a quinze se- ele e o Kimi, quando ele teve o seu aci-
a minha mulher. Disse que iríamos para de 2009 – para recuperar, antes de mais, gundos do espanhol que fora recrutado dente, quando um batia o outro devia-se
Valência (ndr.: onde se disputava o Grande enquanto homem e, depois, enquanto pi- pela Scuderia durante o inverno. a mérito e ele regressou a uma equipa que
Prémio da Europa), três semanas mais era centrada no Fernando, algo em que o
tarde. Ela respondeu: ‘não me parece’. Fernando é muito bom. Não estou a dizer
Falei com o médico e disse-lhe, ‘a minha que é correto ou incorreto, é apenas um
mulher está a dizer estas coisas estúpi- facto que a Ferrari se tornou na equipa
das'", afirmou o brasileiro antes do início do Fernando e ele regressou e teve difi-
da temporada de 2010, depois ultrapas- culdades em lidar com isso a curto pra-
sar uma experiência marcante e que o zo”, afirmou Smedley, que continuava a
poderia ter levado para longe das pistas. ser o engenheiro de pista de Massa, no
Porém, depressa Massa percebera a situa- final de 2016.
ção pela qual estava a passar e os desafios Enquanto o espanhol se batia pelo título,
que tinha pela frente. “Rapidamente com- que haveria de perder na última corrida
preendi o que estava a acontecer. Voltei para Vettel, Massa foi evidenciando di-
para o Brasil, onde fizeram um modelo ficuldades em acompanhar o seu cole-
à escala da minha cabeça para os aju- ga de equipa e, no dia em que se mos-
dar a analisar a segunda operação. Era trou ao nível do bicampeão mundial, em
mais sério do que eu pensava, mas nun- Hockenheim, ouviu através do rádio as
ca, nunca senti que tinha que abandonar palavras: “Fernando is faster than you”

F1/
FÓRMULA 1

22

FELIPE MASSA

(“O Fernando é mais rápido que tu”). O CONFORTO DA WILLIAMS bater-se com ele. Ajudar a equipa a cres- a milhões de espetadores.
Ao contrário da situação pela qual passou cer, voltar a colocá-la no topo do meio O destino dar-lhe-ia até, graças ao
em 2002 ao serviço da Sauber - Heidfeld Felipe Massa terminaria a sua passagem do pelotão”, afirmou Smedley antes da abandono de Nico Rosberg no final de
não tinha nada para ganhar - desta vez pela Ferrari no final de 2013, oito tempo- despedida de 2016 de Massa. 2016, mais uma temporada de Fórmula
havia muito em jogo, uma vez que Alonso radas de grandes momentos, de suces- Depois de três anos em que se bateu 1, oferecendo-lhe a possibilidade de
estava claramente na luta pelo título, ao sos, derrotas, ilusões e desilusões, en- igual para igual com Bottas, o brasilei- realizar uma vez mais o último “seu
contrário do brasileiro, e este, com um for- contrando guarida na Williams em 2014. ro resolveu terminar a sua carreira e no Grande Prémio”, tendo realizado uma
te sentimento de grupo, ainda que relu- O brasileiro sabia que, em circunstân- Brasil, depois de abandonar por despiste, performance digna daquele Massa de
tantemente, cedeu o seu lugar ao piloto de cias normais, não iria ter a possibilidade teve uma caminhada apoteótica até às 2008/2009, batendo por ironia do des-
Oviedo. A ordem emanada da Ferrari era de voltar a vencer ou lutar por títulos, boxes, com o público a gritar pelo seu tino, o mesmo Fernando Alonso peran-
justificada, mesmo sendo na altura proi- mas a sua paixão pelas corridas ain- nome e as equipas a irem para o pitlane te quem teve que se vergar na Ferrari.
bida. Ainda frágil da situação de risco que da lhe corria nas veias e a formação de para o homenagear, enquanto a prova Não ganhou títulos, mas sua história
vivera em 2009, este foi um episódio que Grove, que tinha caído na cadeia com- ainda decorria com Safety-Car. não deixa ninguém indiferente e a sua
em nada favoreceu a confiança de Felipe petitiva da Fórmula 1, precisava de um Foi como se o destino, que o fintara em ausência será notada quer no paddock
Massa, que na verdade nunca recuperou piloto com experiência de equipas gran- 2008 e 2009, se unisse para de uma si- quer entre os muitos fãs, dado ter sido
verdadeiramente. O mundo da Fórmula 1 des para inverter a tendência de queda tuação desapontante, terminar o úl- sempre fiel às suas raízes e ao seu cará-
pode ser bastante cruel e os homens da dos últimos anos. timo “seu Grande Prémio” com uma ter num mundo rarefeito em que muito
Scuderia não tiveram qualquer pejo em Isso garantia um ambiente onde o bra- saída de pista, lhe dar algo verdadei- dificilmente isso acontece.
pensar em resultados, deixando para se- sileiro se sentiria desejado, o que foi de- ramente único – o reconhecimento A sua capacidade de se colocar na pele
gundo plano a recuperação do piloto que terminante para que voltasse a ganhar e respeito de todos os que estavam dos outros foi determinante para essa
abdicara de uma vitória no “seu Grande a confiança do passado. “Foi muito im- naquele circuito em uníssono frente fidelidade a si mesmo, tendo uma expe-
Prémio” para que Kimi Räikkonen pudes- portante. Ele podia ter abandonado. Se riência frustrante com Ayrton Senna, a
se conquistar o seu único título e o derra- olharmos para o que ele conquistou quem pedira um autógrafo, sido deci-
deiro Campeonato de Pilotos conquistado enquanto piloto, o dinheiro que ganhou siva. “Fiquei muito chateado, mas isso
pela formação de Maranello. “Nem sem- – se isso é importante, todas as coisas ajudou-me muito como profissional.
pre foram justos com ele e ele sabia dis- que contam para as pessoas que olham Hoje, é quase impossível eu não aten-
so, apesar das palavras ditas pelas pes- para status – ele conseguiu tudo isso. der um fã. Especialmente se for uma
soas. Penso que foi muito duro para ele, Tem muitas ‘medalhas’, não precisava criança”, admite.
mas continuou e conseguiu ainda alguns de fazer mais nada. Penso que, mental-
bons resultados com um carro que não era mente, foi muito importante ele ter vindo
muito bom”, afirmou Smedley em 2016. para aqui (ndr.: para a Williams), ter um
colega de equipa forte como o Valtteri e

SMEDLEY: "NEM SEMPRE FORAM JUSTOS COM ELE E ELE SABIA DISSO,
APESAR DAS PALAVRAS DITAS PELAS PESSOAS. MENTALMENTE FOI
MUITO IMPORTANTE ELE TER IDO PARA A WILLIAMS"

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23

N/ N Ú M E R O S CARREIRA NA F1

268 GRANDES PRÉMIOS ANO EQUIPA MOTOR GP  VITÓRIAS POLES PÓDIOS PONTOS
15 ÉPOCAS
11 VITÓRIAS 2017 WILLIAMS MERCEDES 18 42
16 POLE POSITIONS
15 VOLTAS MAIS RÁPIDAS 2016 WILLIAMS MERCEDES 21 53
41 PÓDIOS
42 ABANDONOS 2015 WILLIAMS MERCEDES 19 2 121
1166 PONTOS
936 VOLTAS NA LIDERANÇA 2014 WILLIAMS MERCEDES 19 1 3 134
4536 KM LIDERADOS
14798VOLTAS EM CORRIDA 2013 FERRARI FERRARI 19 1 112
74039 KM DE CORRIDA
2012 FERRARI FERRARI 20 2 122
(*) ATÉ AO GP DO BRASIL DE 2017
2011 FERRARI FERRARI 19 118

2010 FERRARI FERRARI 19 5 144

2009 FERRARI FERRARI 9 1 22

2008 FERRARI FERRARI 18 6 6 10 97

2007 FERRARI FERRARI 17 3 6 10 94

2006 FERRARI FERRARI 18 2 3 7 80

2005 SAUBER PETRONAS 18 11

2004 SAUBER PETRONAS 18 12

2002 SAUBER PETRONAS 16 4

OS COLEGAS DE EQUIPA DE MASSA

PILOTOS GP  ANOS

NICK HEIDFELD 16 2002

GIANCARLO FISICHELLA 18 2004

AS 11 VITÓRIAS DE MASSA NA F1 JACQUES VILLENEUVE 19 2005

Nº ANO GP CARRO MICHAEL SCHUMACHER 18 2006

11 2008 BRASIL INTERLAGOS FERRARI F2008 V8 KIMI RAIKKONEN 45 2007-2009

10 2008 BÉLGICA SPA-FRANCORCHAMPS FERRARI F2008 V8 FERNANDO ALONSO 77 2010-2013

9 2008 EUROPA VALÊNCIA FERRARI F2008 V8 VALTTERI BOTTAS 59 2014-2016

8 2008 FRANÇA MAGNY-COURS FERRARI F2008 V8 FELIPE NASR 5 2014

7 2008 TURQUIA ISTAMBUL FERRARI F2008 V8 SUSIE WOLFF 3 2014-2015

6 2008 BAHREIN SAKHIR FERRARI F2008 V8 LANCE STROLL 19 2017

5 2007 TURQUIA ISTAMBUL FERRARI F2007 V8 PAUL DI RESTA 1 2017

4 2007 ESPANHA BARCELONA FERRARI F2007 V8

3 2007 BAHREIN SAKHIR FERRARI F2007 V8

2 2006 BRASIL INTERLAGOS FERRARI 248 F1 V8

1 2006 TURQUIA ISTAMBUL FERRARI 248 F1 V8

Apesar de nunca
ter ganhado o
Campeonato do
Mundo de Fórmula
1, Felipe Massa
construiu uma
carreira que lhe
granjeia o respeito e
a admiração no seio
dos adeptos

24 WEC/
WEC/6 HORAS DO BAHREIN

LAMY

CAMPEÃO NA
DESPEDIDA
DA PORSCHE

Terminou com um triunfo da Toyota a época do WEC, sim por encerrado novo capítulo no Am. Na LMP2, a Vaillante Rebellion
numa corrida que ficou ainda marcada pela despedida da endurance, um capítulo interessante, assegurou o título, com Bruno Senna,
Porsche dos LMP1. Pedro Lamy realizou uma prova perfeita e especialmente quando estiveram em Julien Canal e Nicolas Prost. Na GTE
competição a Porsche, Audi e Toyota. Pro, James Calado e Alessandro Pier
conquistou o titulo mundial em GTE AM A excelência tecnológica destes carros Guidi foram os campeões e como já
é grande, mas os custos ditaram que refrimos, na GT-Am o título foi para a
Fábio Mendes tem que ser dado novo passo, e por isso Aston Martin, com Pedro Lamy, Paul
[email protected] agora vai haver dois anos de transição Dalla Lana e Mathias Lauda.
até novas regras. Tudo recomeça a 5 A corrida começou com os Porsche
C aiu o pano sobre a temporada de maio de 2018, com as 6 Horas de a chegar à liderança logo na primei-
do WEC, num dia que redun- Spa. Sem Porsche, mas com Toyota, ra curva, mas as aspirações do nº 2
dou em excelentes notícias que já teve Fernando Alonso a testar, ficaram comprometidas quando nas
para as cores portuguesas, e deverá tê-lo também nas próximas primeiras voltas ficaram com um ‘mar-
já que Pedro Lamy e os seus 24 Horas de Le Mans. cador’ entalado na frente do carro, o
colegas de equipa assegu- No Bahrein, ficaram-se a conhecer que obrigou a uma paragem não pla-
raram o título na categoria GTE Am. os campeões de LMP2, GTE Pro e GTE neada. Entretanto o Toyota nº 8, com
Depois de seis anos, a Porsche dá as-

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25

PEDRO LAMY CAMPEÃO triunfou no V8 Star alemão e nas 24
DO MUNDO “VENCER Horas de Spa. Em 2004 voltou a vencer
as 24h de Nürburgring Nordschleife
COM A ASTON MARTIN e nesse mesmo ano triunfou na
É MUITO ESPECIAL” categoria GTS das Le Mans Endurance
Series. Em 2005, novo triunfo nas
Pedro Lamy e os seus companheiros, do Paul e do Mathias e com a Aston na Formula Opel Lotus Nations Cup. Em 24h de Nürburgring Nordschleife e no
Paul Dalla Lana e Mathias Lauda, Martin, marca para a qual tanto gosto 1992 foi a vez da competitiva Formula 3 ano seguinte, triunfo no GT1, nas Le
sagraram-se campeões do Mundo de de guiar”, disse. alemã e também o triunfo no Masters Mans Series e também nas 6 Horas de
Resistência na categoria GTE AM ao Para o piloto português, este é mais de Formula 3. Depois vieram os anos Vallelunga. Já em LMP1 com a Peugeot
vencerem as 6 Horas do Bahrein. Em um a juntar a uma longa lista que da F1, em que se tornou no primeiro venceu as Le Mans Series e depois de
toda a época - composta por nove nunca nos cansamos de recordar. Nas piloto português a pontuar na disciplina ter estado perto de vencer Le Mans na
corridas - a equipa do Aston Martin pistas de velocidade tudo começou rainha do desporto automóvel, e já geral, só voltou aos triunfos depois de
Racing V8 Vantage GTE conseguiu sete em 1989 com a vitória na Formula depois da F1, regressou aos triunfos ter saído da Peugeot. Em 2010 venceu
pole positions e quatro vitórias. Como Ford Portugal, no ano seguinte, 1990, já nos GT. O primeiro em 1998 no FIA novamente as 24h de Nürburgring
se calcula, Pedro Lamy não podia estar venceu a Formula Opel Lotus Nations GT (GT2). Em 2001 venceu as 24h de Nordschleife, o que repetiu em 2011. Já
mais contente: “O campeonato esteve Cup e no ano seguinte a Formula Opel Nürburgring Nordschleife, feito que nos GTE Am, com a Labre Competition
renhido até ao final, mas conseguimos Lotus Euroseries, repetindo o triunfo repetiu no ano seguinte. Em 2003 ganhou nas 24 horas de Le Mans de
vencer. Ambicionávamos este título 2012, foi segundo em 2014 no Mundial
há quatro anos! Toda a equipa está de FIA de Endurance de pilotos GT Am,
de parabéns, foi uma conquista muito terceiro na mesma categoria em 2015,
trabalhada e merecida. Para mim, novamente terceiro em 2016 e agora o
vencer com a Aston Martin é muito título da categoria LMGTE Am. Isto são
especial. Ao longo da minha carreira ‘apenas’ os triunfos, mas na carreira de
já venci muitas corridas com a marca Lamy há muitos outros lugares e feitos
e, por isso, é uma honra conquistar de destaque…
o título de campeão mundial ao lado

C/ C L A S S I F I C A Ç Õ E S

1 ANTHONY DAVIDSON/KAZUKI NAKAJIMA/SÉBASTIEN BUEMI TOYOTA TS050 HYBRID LMP1 6H01M26.294S
2 TIMO BERNHARD/BRENDON HARTLEY/EARL BAMBER PORSCHE 919 HYBRID
3 ANDRE LOTTERER/NEEL JANI/NICK TANDY PORSCHE 919 HYBRID LMP1 A 1 VOLTA
4 KAMUI KOBAYASHI/MIKE CONWAY/JOSE MARIA LOPEZ TOYOTA TS050 HYBRID
5 BRUNO SENNA/JULIEN CANAL/NICOLAS PROST ORECA 07 LMP1 A 1 VOLTA
6 OLIVER JARVIS/HO-PIN TUNG/THOMAS LAURENT ORECA 07
7 NELSON PIQUET JR./DAVID HEINEMEIER/MATHIAS BECHE ORECA 07 LMP1 A 3 VOLTAS
14 SAM BIRD/DAVIDE RIGON/JAMES CALADO FERRARI 488 GTE
15 JAMES CALADO/ALESSANDRO PIER GUIDI/HARRY TINCKNELL FERRARI 488 GTE LMP2 A 13 VOLTAS
16 HARRY TINCKNELL/ANDY PRIAULX/RICHARD LIETZ FORD GT
21 PEDRO LAMY/PAUL DALLA LANA/MATHIAS LAUDA ASTON MARTIN VANTAGE LMP2 A 13 VOLTAS
22 MATT GRIFFIN/MOK WENG SUN/KEITA SAWA FERRARI 488 GTE
LMP2 A 14 VOLTAS

LMGTE PRO A 24 VOLTAS

LMGTE PRO A 24 VOLTAS

LMGTE PRO A 25 VOLTAS

LMGTE AM A 29 VOLTAS

LMGTE AM A 29 VOLTAS

Buemi ao volante, passava o Porsche e Nakajima foi uma prova imaculada fantástica mesmo com problemas na a equipa pediu ao nº 51 para dar o lugar
nº 1, colocando-se na frente. mas para Davidson foi uma vitória direção assistida do carro de Senna. aos primeiros líderes. Foi no entanto
Os germânicos tentaram fazer resul- algo dolorosa com uma fratura de um A vitória foi decidida nas boxes com James Calado e Alessandro Pier Guidi
tar uma estratégia arrojada, com um dedo do pé esquerdo quando estava a equipa Rebellion a jogar melhor as a conquistarem o título em GTE Pro.
stint triplo, mas tal não surtiu efeito prestes a entrar no carro. A Toyota suas cartas. Senna manteve -se no Em GTE AM a prova foi dominada de
pois o ritmo dos Toyota era superior. conseguiu assim a quinta vitória da carro, num stint triplo, enquanto o fio a pavio pelo Aston Martin nº 98 de
Para piorar a situação, Tandy teve um época, a segunda consecutiva e mais nº 38 trocou de pneus e piloto. Senna Pedro Lamy, Mathias Lauda e Paul Dalla
contacto forte com o Porsche RSR nº uma vez com uma volta de avanço. saiu com 25 segundos de avanço e Lana, que venceram confortavelmente,
86, do qual resultou um furo, muitos manteve a liderança até ao final para arrecadando o título mundial na cate-
danos e uma penalização. SENNA E PROST EM LMP2 conquistar assim o merecido título. goria. É mais um triunfo numa carreira
Mas para a Toyota não foi também Em LMP2 Canal e Senna conquistaram Em GTE Pro a Ferrari dominou as opera- recheada de sucessos para Pedro Lamy,
um dia sem incidentes com o nº 7 de o título na classe. Foi uma vitória suada ções, com ambos os carros na liderança um dos pilotos mais respeitados do
Kobayashi a envolver-se com o então pois o nº 38 da Jackie Chan Racing da corrida. O nº 71 de Bird e Rigon es- campeonato e que conquista o título
líder em GTE Pro (Porsche nº 92), que Dc Racing chegou a ter 50 segundos tava na frente mas foi obrigado a uma mundial com classe. Está assim encer-
obrigou o japonês a regressar às boxes de vantagem. No entanto, o Rebel- alteração de estratégia que deu ao nº rada a época do WEC, com ainda muito
e a perder a vaga no pódio. Para Buemi lion nº 31 encetou uma recuperação 51 o primeiro lugar até ao final, quando por decidir para o futuro.

26 WTCC/
GRANDE PRÉMIO DE MACAU

HUFF,OREI
DOCIRCUITO

DA GUIA

Robert Huff e Mehdi Bennani repartiram os triunfos nas
corridas, enquanto na frente do campeonato Norbert Michelisz
recuperou alguns pontos a Thed Bjork. Os dois pilotos vão para

o Qatar separados por 6.5 pontos, favoráveis ao sueco

Fábio Mendes este fim de semana ao WTCC, teve um
[email protected] encontro de primeiro grau com as barrei-
Fotos: Galen Chan e Oficiais ras do circuito, algo que Catsburg repetiu
(passou à Q2 mas o carro não foi reparado
Rob Huff é conhecido como o a tempo de iniciar a sessão qualificativa),
“Sr. Macau” e fez questão de assim como Po Wah Wong. Ehrlacher fi-
mostrar no último fim de se- cou perto de passar à Q2 mas a inexpe-
mana que o título de especia- riência no traçado teve a sua influência.
lista do Circuito da Guia se jus- A Q2 continuou a dar muito trabalho aos
tifica plenamente. O britânico comissários de pista com mais chapa ba-
venceu pela primeira vez esta época, e tida (Girolami, Bennani, Filippi) e a passa-
se tem motivos para estar desapontado gem à Q3 ficou decidida em apenas uma
com 2017, tem sempre o prémio de con- tentativa, dados os sucessivos atrasos.
solação de vencer uma das corridas mais Gleason fez a melhor qualificação da épo-
apetecidas do ano. ca, ficando à porta da Q3, atrás de Chilton,
No entanto, o fim de semana começou Bjork, Michelisz, Guerrieri e Huff. Para os
com outro especialista dos traçados ci- quatro pilotos que ficaram sem tempo na
tadinos a impor-se: Michelisz liderou a Q2 foi decidido que os tempos usados para
tabela de tempos em ambas as sessões definir o grid invertido seriam os tempos
de treinos e mostrava que os Honda esta- da Q1 e foi Bennani que ficou com a pole
vam competitivos, mesmo com os 70 kg para a corrida de abertura.
de lastro. Quem não deu nas vistas foram Na Q3, Huff foi arrasador e bateu o recor-
os homens da Volvo que passaram pelas de de pista do traçado macaense, seguido
sessões de treinos de forma muito discre- de Michelisz, Chilton, Bjork e Guerrieri. No
ta, com a equipa ainda a tentar descobrir MAC3 a Honda venceu facilmente perante
os segredos da pista. uma concorrência com muitos estragos
A qualificação foi recheada de inciden- que apenas rodou para acumular os res-
tes, como é hábito em Macau, com quatro petivos pontos. A corrida de abertura teve
bandeiras vermelhas mostradas e vários apenas um líder e Bennani fez questão de
abandonos. Ma Qing Hua, que regressou segurar até ao fim o primeiro lugar, sem
ser incomodado por Coronel, que seguiu

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2ª CORRIDA (PRINCIPAL) CITROËN 27
1º ROB HUFF HONDA
2º NORBERT MICHELISZ CITROËN 38’15.740
3º TOM CHILTON HONDA +8.142
4º ESTEBAN GUERRIERI VOLVO +8.684
5º THED BJÖRK +9.228
1ª CORRIDA CITROËN +21.237
1º MEHDI BENNANI CHEVROLET 12M26.832
2º TOM CORONEL HONDA +1.952S
3º RYO MICHIGAMI VOLVO +3.265S
4º THED BJÖRK HONDA +3.627S
5º NORBERT MICHELISZ +4.577S

à distância os progressos do marroquino. assumiu a 4ª posição com um ritmo fre- Por falar em lutas pelo título, foi um fim ao seu nível em Macau. São agora 6.5
Michigami manteve-se na 3ª posição ao nético. O argentino ainda conseguiu subir de semana negativo para a Volvo. Bjork os pontos que separam Bjork de Michelisz
contrário de Gleason que caiu de 4º para à 3ª posição, mas um erro perto do fim di- foi o melhor da equipa e conseguiu man- e 12.5 os pontos que separam a Volvo da
10º. O japonês aguentou a pressão de Bjork, tou que Chilton regressasse ao seu lugar ter a liderança, mas Michelisz está mais Honda. O traçado de Losail vai receber a
que tentou passar o piloto da Honda, sem original e ficasse com a última vaga do próximoetudo ficarádecidido em Losail. grande final do WTCC, provavelmente a
sucesso, e ficou à mercê de Michelisz. Mas pódio. Szabo foi um dos destaques, con- Os Volvo não se deram bem com os ares última vez que os atuais TC1 irão rodar
na penúltima volta o húngaro cometeu um quistando o 10º posto e assim marcando de Macau, com Catsburg e Girolami a não em pista, dadas as negociações que de-
erro e bateu contra as proteções do circui- os primeiros pontos no WTCC, enquanto apresentarem o mesmo nível de outras correm para que o WTCC passe a usar a
to, provocando um tampão que impediu Michigami caiu de 7º para 15º, depois de corridas. Nota de destaque para os mecâ- regulamentação TCR. As opiniões são
os restantes carros de passar, levando à um erro na curva Lisboa. Para a Honda nicos das equipas, que foram obrigados a maioritariamente positivas de ambos os
mostragem de bandeiras vermelhas e foi um bom fim de semana. Michelisz fazer horas extra, mas que conseguiram lados e se tudo correr como os rumores
ao final antecipado da corrida. Bennani foi competitivo e foi no geral melhor que reparar os muitos danos do acidente da apontam, as atuais máquinas deixarão
venceu, Coronel foi 2º e Michigami subiu Bjork, seu adversário na luta pelo titu- corrida de abertura. Se a corrida princi- de competir. Temos então em perspeti-
à 3ª posição. Michelisz não pagou dema- lo. Guerrrieri foi novamente chamado pal fosse logo a seguir, como é costume, va uma final emocionante para a ronda
siado caro pelo seu erro, preservando a para substituir Monteiro e voltou a dar as contas do título seriam agora bem di- que poderá ser de adeus a estas fantás-
5ª posição que ocupava quando bateu, boa conta de si, apresentando um anda- ferentes.Destaque positivo para Szabo ticas máquinas, que infelizmente se tor-
mantendo-se assim na luta pelo título. mento muito interessante, especialmen- que mostrou um nível interessante, ao naram caras demais para a realidade do
A Corrida principal foi feita com a pista te à chuva. Michigami ajudou também contrário de Ehrlacher que não esteve campeonato.
molhada, como começa a ser hábito nas nas contas pelo título de construtores,
corridas do WTCC a oriente. Bruno Correia com o pódio na corrida de abertura. Os
ainda teve oportunidade de dar duas vol- homens que comandam os Citroën ti-
tas à frente do pelotão, uma vez que a cor- veram ainda mais motivos para estar
rida começou com Safety Car. Huff não satisfeitos. Bennani e Huff venceram e
permitiu que ninguém se intrometesse aproveitaram o facto de estarem com 0
entre ele e a sua 9ª vitória no Circuito da kg de lastro para brilhar. Chilton é ainda
Guia e venceu uma corrida controlada de o líder do troféu WTCC (para pilotos inde-
forma brilhante, de início ao fim, mesmo pendentes) mas tem apenas 0.5 pontos
que nas primeiras voltas tenha sofrido a de vantagem sobre Bennani que, curio-
forte pressão de Michelisz. Na frente, as samente, ultrapassou um dos candidatos
posições mantiveram-se inalteradas, à ao título (Catsburg) e é agora 3º da geral.
a exceção de Bjork que não foi capaz de Chilton, Bennani e Huff vão lutar na últi-
impedir a ultrapassagem de Guerrieri, que ma ronda pelo trofeu de independentes.

V/28 GRANDE PRÉMIO DE MACAU/TAÇA DO MUNDO DE F3 course yellow’ e após outro recomeço,
VELOCIDADE Sette Câmara susteve bem Maximilian
‘TWIST’FINALCOM Gunther, mas o mesmo já não se pode di-
VITÓRIADEDANTICKTUM zer quando Ferdinand Habsburg passou
para segundo. Daí até final, foi o que já se
sabe, com ambos a lutarem em cada me-
tro do circuito até irem longe demais na
última curva. Foi Dan Ticktum a vencer

VitóriasensacionaldeDanielTicktum Ferdinand Habsburg passou de forma que depois de arrancar de oitavo, tinha na frente de Lando Norris e Ralf Aron, que
no Grande Prémio de Macau de muito audaciosa Sérgio Sette Câmara, passado Lando Norris e Maximilian depois de partir de 13º foi o melhor rookie.
Fórmula 3, depois duma corrida na última direita de 90º imediatamente Gunther ao mesmo tempo, na travagem Ferdinand Habsburg ainda terminou
em quarto, apesar de ter apenas três

emqueosprotagonistasforamou- antes da meta, com os dois pilotos para para a curva do Hotel Lisboa, passou a rodas no carro, na frente de Maximilian

tros. Sérgio Sette Câmara e Ferdinand lá dos limite dos monolugares, o que re- linha de meta 0.568s na frente de Lando Günther e Pedro Piquet: “Foi uma cor-

Habsburg desentenderam-se e o piloto sultou mal para ambos já que o brasileiro Norris. rida incrivelmente agitada,” disse um

da Motopark aproveitou a dádiva… perdeuatraseiraebateudeimediatonas Na fase inicial da corrida Joel Eriksson Ticktum notavelmente satisfeito. “Ate

Oanopassadoporestaalturaestávamos barreiras e Habsburg saiu muito largo e passou Callum Ilott, o homem da pole, e esta corrida, o meu fim de semana ti-

a festejar mais um triunfo de António também foi bater mais à frente, isto com depois duma ‘full course yellow’, na tra- nha sido azarado, pelo que tive agora

FélixdaCostanoGPdeMacaudeF3,mas a meta à vista. vagemparaoHotelLisboa,IlotteEriksson a sorte que me faltou antes, com o que

este ano, sem portugueses para apoiar, Quemaproveitou,logicamente,foiopiloto bateram,comSetteCâmaraapassarpara aconteceu na última curva. Não tenho

pelo menos tivemos animação, que teve daRedBullJúniorTeam,DanTicktum,que afrentepoucodepois,jáqueErikssonteve palavras para descrever o que senti ao

o seu ponto alto na derradeira volta da venceudeformasupreendente.Ticktum, que parar com danos no carro. Nova ‘full cruzar a meta”, disse.

Fórmula 3.

O triunfo foi para Dan Ticktum, mas o pro-

tagonismo da corrida esteve muito longe

de ser seu antes da bandeirada de xadrez,

já que uma bela luta entre Sérgio Sette

Câmara e Ferdinand Habsburg marcou

boa parte da corrida.

Depois de travarem um duelo muito in-

teressante, que se prolongou mesmo à

parte interior do circuito, onde todos os

locais eram bons para quem seguia atrás

se ‘mostrar’ ao líder. Mas este estado de

espírito foi longe demais entre os dois

pilotos, já que na entrada para a última

reta, depois da zona sinuosa do circuito,

GRANDE PRÉMIO DE MACAU/TAÇA DO MUNDO DE GT
SEXTA VITÓRIA DE MORTARA EM MACAU

Edoardo Mortara venceu a Taça do Mundo marca. Já Augusto Farfus (BMW), Já Farfus teve que ir às boxes, ficando
de GT na sequência duma corrida muito terminou a uns longínquos 12.312s, sem hipóteses de disputar os primeiros
equilibrada, em que os homens do pódio depois de lhe terem batido e obrigado lugares, apesar do bom andamento
terminaram separados por pouco mais de a ir às boxes. demonstrado. Por isso foi Robin Frinjs a
segundo e meio. Depois do enorme acidente da encetar uma perseguição a Mortara, com
Este triunfo do piloto na Taça do Mundo primeira corrida, que eliminou meio Maro Engel logo atrás.
de GT foi obtido depois duma corrida pelotão, a pista molhada levou a O Safety-Car teve que entrar duas vezes,
cheia de incidentes e duma enormíssima que houvesse cuidados redobrados. devido a um acidente de Lucas di Grassi e
pressão do piloto da Audi, Robin Frijns. Edoardo Mortara arrancou na frente, e pouco depois devido a outro incidente,
Esta conquista permite a Mortara ter Raffaele Marciello suplantou Augusto com o Porsche 911 GT3 de Darryl O’Young.
agora um total de seis vitórias no circuito Farfus com um toque pelo meio, mas No recomeço, Edoardo Mortara conseguiu
da Guia, duas na Fórmula 3, e agora isso valeu ao italiano o abandono afastar-se um pouco de Frinjs e Engel,
quatro nos GT. pois o ‘empurrão’ danificou o radiador mas este trio rodou sempre muito junto
A exemplo do que se passou com o WTCC do Mercedes, que, naturalmente, até final, nunca deixando descansado
também a corrida decisiva da Taça do rapidamente sobreaqueceu o motor. qualquer dos três pilotos, que cortaram a
Mundo de GT arrancou atrás do Safety meta separados por 1.357s.
Car, mas acabou por ser um Mercedes C/ CLASSIFICAÇÃO Nenhum dos três cometeu qualquer erro
a vencer. Depois do claro domínio nas e por isso, apesar da muita disputa, as
sessões de treinos e primeira (atribulada) 1º Edoardo Mortara (Mercedes) 18 voltas posições não mudaram. Para Mortara:
corrida, esta foi muito disputada com “Era fácil comer erros, mas no fim correu
Edoardo Mortara (Mercedes) a vencer 2º Robin Frijns (Audi) +0.618s tudo bem. Todas as minhas vitórias
com pouco mais de meio segundo em Macau foram sempre especiais e
de avanço para Robin Frijns (Audi). O 3º Maro Engel (Mercedes) +1.357s depois de um ano difícil como este era
Mercedes de Maro Engel fechou o pódio, importante ganhar esta corrida pela
terminando a 1.357s do seu colega de 4º Augusto Farfus (BMW) +12.312s Mercedes”, disse.

5º Chaz Mostert (BMW) +13.041s

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FÉLIX DA COSTA

COM PÓDIO NA
STOCK CARBRASIL

António Félix da Costa regressou ao Brasil grelha de partida para a primeira corrida da relação aos outros pilotos, por isso não deu Félix da Costa abandonou cedo: “Na partida
para correr na Stock Car e mais uma vez Goiânia 500, isto quase dois anos depois para passar o Zonta. Mas foi bom. Aprendi o (Denis) Navarro travou mais tarde e
encantou os nossos irmãos brasileiros. de ter pilotado um carro da Stock Car pela muito nessa corrida”, disse. encostou o seu carro ao meu, mas aí deu
Mesmo com o cansaço acumulado de uma última vez. Na segunda corrida, no domingo, em Goiânia, para continuar. Mas fez o mesmo na segunda
semana de testes intensivos com o novo A competir pela HERO, o piloto luso substituiu volta, travou mais tarde, apoiou-se em mim,
BMW M8 GTE em Paul Ricard. Betinho Valério adaptou-se com grande C/ CLASSIFICAÇÃO mas quando ganhei tração levei outra batida
“Fiquei com o stint da noite e pilotei da meia- rapidez. e fui empurrado para a relva, com o carro
noite às 3h da manhã, depois das 5h30 às Na corrida saiu do sexto lugar e chegou CORRIDA 1 danificado.
10h da manhã”. ao pódio pela terceira vez na Stock Car, na Foi pena, porque ia ser muito divertido”, disse
Depois de 10 horas de voos e do ‘jet lag’ primeira vez que correu a solo, terminando 1º Daniel Serra (Eurofarma RC) 42m21.479s o piloto português, feliz com a experiência.
resultante de fusos horários diferentes, a primeira corrida atrás somente de Daniel “Fiquei muito contente, a experiência faz
o piloto luso chegou ao Brasil, viu e quase Serra, líder destacado do campeonato, a 2º Ricardo Zonta (Shell Racing) a 1.021s diferença e fui apanhado em alguns detalhes
venceu. Stock Car Brasil e do experiente Ricardo que agora faria de forma diferente, mas
Logo na primeira sessão de treinos livres, Zonta: “A disputa foi muito boa. O carro 3º Félix da Costa (Hero Motorsport) a 2.154s fiquei muito contente por dar à Hero o seu
Félix da Costa esteve em muito bom nível, estava bem competitivo. Apesar de não ter primeiro pódio.”, disse o piloto que daqui a
depois passou as duas primeiras fases da ido mais para frente, foi uma boa experiência. CORRIDA 2 muito pouco tempo arranca para a sua época
qualificação e assegurou o sexto lugar na Cometi erros ao economizar o ‘push’ em de Fórmula E.
1º Átila Abreu (Shell Racing) 52m03.0s

2º Max Wilson (Eurofarma-RCM) a 0.677s

3º Cacá Bueno (Cimed Racing) a 0.789s

NT António Félix da Costa (Hero Motorsport)

HENRIQUECHAVES BRILHA
NAWORLD SERIES 3.5V8

Henrique Chaves venceu a sua corrida de depois de uma corrida fantástica. Estava
estreia na World Series 3.5 V8, que realizou no habituado a uma outra realidade e de repente
passado fim de semana no Bahrein. O piloto o inesperado acontece e estou muito feliz. Nas
que este ano disputou a Fórmula Renault sessões de treinos livres procurei aprender
Eurocup, procura agora alternativas para dar tudo ao máximo. Sentia-me muito confortável.
sequência à sua carreira, mas apesar da boa Depois consegui nas qualificações o segundo
prestação, não será nesta competição que melhor tempo. Percebi que estava nas minhas
irá evoluir, pois… acabou. A falta de interesse mãos chegar aos lugares do pódio. Fiz um
das equipas levou a que a organização tenha excelente arranque e passei de imediato
anunciado o seu fim, mas o brilho de vencer para primeiro e daí em diante só pensava na
na estreia já ninguém lhe tira: “Nunca imaginei vitória. Mantive o foco, não me deixei intimidar
que fosse possível, foi um resultado fabuloso pela pressão do adversário atrás de mim,
que só por acaso é o campeão (ndr.: Pietro
Fittipaldi), e fiz o meu trabalho. Correu tudo
na perfeição” disse o piloto que foi quinto na
segunda corrida, depois dum arranque menos
bom e um toque de um adversário, que o levou
para a cauda do pelotão. Recuperou até ao
quinto posto. “É um marco na minha carreira
sobretudo porque desconhecia por completo o
carro e o campeonato”, concluiu.

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GP MACAU

PRIMEIROS AVENTUREIROS
O Grande Prémio de Macau foi o melhor legado desportivo
deixado pelos portugueses em 500 anos de presença no Sérgio Fonseca
Extremo-Oriente. Contudo, se nas últimas décadas [email protected]

nos fomos habituando à presença dos nossos compatriotas Estávamos em 1954 quando qua-
na prova, no início, nem sempre foi assim. tro amigos portugueses à con-
versa no Hotel Riviera, que hoje
Até 1989 a presença portuguesa na prova foi esporádica... já não existe, decidiram fazer
algo diferente em Macau - uma
CONHEÇA ESTA E MUITAS gincana contam alguns, uma
OUTRAS HISTÓRIAS EM AUTOSPORT.PT caça ao tesouro dizem outros - numa
altura em que existiam apenas cerca
de pouco mais de 300 carros na pro-
víncia ultramarina.
Felizmente, enquanto desenvolviam a

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31

Foi das mentes lusas que nasceu a ideia do nasci-
mento do GP de Macau, e o que recordamos é não só

essa história, mas também a natural presença dos
nossos compatriotas na prova asiática

FOTO: DAIMLER

ideia convidaram Paul du Toit, um suíço O Governador da Província, o Almirante a prova sempre recebeu na metrópole a VITÓRIA LUSA À PRIMEIRA
residente em Hong Kong, e a quem er- Joaquim Esparteiro, gostou da ideia ar- devida atenção, mas, apesar da primei-
roneamente a imprensa anglófona gos- rojada de organizar uma corrida de au- ra edição ter sido ganha por um portu- Entusiasmada pelo acontecimento que
ta de chamar “pai do Grande Prémio”, tomóveis pela cidade, colocando à dis- guês, a presença lusa no cartaz despor- vinha a pôr em pulgas a recatada par-
a ver “in loco” o Circuito da Guia e este, posição os recursos necessários, como tivo e cultural mais relevante de Macau cela de terra portuguesa que um dia foi
membro da associação automóvel da a Polícia ou o Exército, que durante dé- nunca foi numerosa, nem desportiva- a porta de entrada para a grande China,
antiga colónia britânica e filho de um cadas a fio assumiram o papel de co- mente notável. a influente comunidade portuguesa e
ex-piloto, rapidamente percebeu que missários de pista. Quando o ano passado António Félix macaense aderiu em peso à primeira
aquele percurso de seis quilómetros e Assim, quase por obra do ocaso, nas- da Costa venceu a prova de Fórmula 3 edição do evento e vários foram aque-
duzentos metros, que passava pela am- ceu aquele que ainda é nos dias de hoje e Tiago Monteiro triunfou na Corrida da les que quiseram participar, quase todos
pla marginal asfaltada e com subidas e o maior evento de desportos motoriza- Guia, sendo o primeiro piloto português eles usando as suas viaturas do dia a dia.
descidas em empedrado, tinha potencial dos do Extremo Oriente. a fazê-lo, foi a primeira vez que se ouviu A primeira edição do Grande Prémio
para mais que uma simples brincadeira Com a colaboração da delegação de por duas vezes “A Portuguesa” no mes- contou com duas provas, sendo que a
de domingo. Macau do Automóvel Club de Portugal, mo fim de semana do Grande Prémio. primeira de Velocidade-Regularidade,
realizada no sábado, para carros de

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Turismo, foi ganha pelo cabo da avia- sorriu a uma cara conhecida. Filho do Na segunda edição da prova, as espe- um infeliz encontro com uma árvore,
ção inglesa Bob Ritchie, num Fiat 1100, Tesoureiro do Governo de Hong Kong, ranças lusitanas recaiam principalmente amolgando a porta do lado esquerdo e
seguido pelo vice-cônsul de Portugal educado em Londres, mas com imenso em Mário Lopes da Costa, o único local parte do guarda lamas, nada que uma
em Hong Kong, Meneses Ribeiro, e pela jeito, tanto para tocar trompeta, como à partida. O genro do Governador ad- ida às “boxes” não tivesse resolvido, mas
sua esposa, Maria Fernanda Ribeiro, para montar a cavalo, foi o gosto pela quiriu à fábrica um Ferrari 500 Mondial que lhe custou seis lugares na classifi-
que mais tarde viria a vencer a primeira mecânica que levou o português ra- Scaglietti Spyder, uma viatura com pe- cação. Daí até ao fim da corrida, Lopes
Corrida de Senhoras do evento, ambos dicado na ex-colónia britânica, Eddie digree, conduzida dois anos antes por da Costa recuperou até ao segundo lu-
em Vauxhall Velox. O “I Grande Prémio Carvalho, a chefiar a Far East Motors, Alberto Ascari e Luigi Villoresi nas 12 gar, apenas não conseguindo superar
de Macau”, com a duração de “quatro ho- uma das mais importantes conces- Horas de Casablanca. Lopes da Costa o bem conduzido Mercedes 190 SL de
ras ao estilo-Le Mans”, como foi ampla- sionárias automóveis de Hong Kong. E ia partilhar a condução do carro com Douglas Steane.
mente divulgado pela organização, de- depois de convencer os seus patrões a Macedo Pinto, mas a aventura termi- Em frente a 25.000 espetadores (ou
correu no dia seguinte, com as bancadas deixarem-no usar um dos seus melhor nou cedo. Quando liderava e já arran- 50.000 dependendo da fonte), Macedo
construídas em bambu repletas de es- preparados Triumph TR2, que hoje está cava aplausos das bancadas, o tenente Pinto terminou no terceiro lugar, com
petadores expectantes e o Governador exposto no Museu do Grande Prémio, descuidou-se e bateu nos sacos de areia um MG A, abrilhantando a cerimónia de
na tribuna principal. Carvalho superou os carros iguais que delimitavam o circuito, sendo força- entrega de prémios para júbilo da comu-
Com o espaço limitado a 20 concorren- de Paul du Toit e de outro português, do a abandonar prematuramente com nidade portuguesa. O terceiro piloto luso
tes, apenas 16 carros compareceram à também ele residente em Hong Kong, danos na “bella macchina”. em prova, Eduardo Noronha, terminou
partida. Apesar da dureza do circuito, Reginaldo da Rocha. O único macaen- Sem desmoralizar após uma primeira no 12º posto com o Femcar Special uti-
os comissários relataram que “a parte se que correu na prova foi Fernando tentativa frustrante, Lopes da Costa re- lizado na edição anterior por Carvalho.
interior do circuito era muito má - muito Macedo Pinto, um dos quatro amigos gressou em 1956 para colocar pela últi- Lopes da Costa finalizou o tempo de
suja e com areia solta”, e da parca pre- da tertúlia do Hotel Riviera, que guiou o ma vez no século XX a bandeira portu- serviço no Macau Português e retor-
paração das viaturas da época, o que é seu MG Special ao quarto lugar. guesa no mastro da cerimónia do pódio nou à metrópole, vendendo o Ferrari
certo é que a maioria dos concorrentes Após o sucesso na primeira participa- do Grande Prémio. ao norte-americano residente em Hong
chegou ao fim e não houve acidentes ção, Eddie Carvalho regressou para de- O Ferrari nº16 partiu do segundo posto, Kong, George Baker, que o utilizou pela
de salientar, com a excepção daquele fender o título em 1955, mas, num ano mas rapidamente assumiu a primazia, primeira vez na edição de 1957. Eduardo
protagonizado pelo britânico Gordon em que foi feito um esforço para melho- que haveria de perder quando come- Noronha trocou o Femcar por um Jaguar
“Dinga” Bell, em Morgan Plus 4, que se rar o piso do circuito, ao volante de um çou a chover. De acordo com os rela- Special e qualificou-se num surpreen-
despistou a alta velocidade após per- Femcar Special, o vencedor da edição tos da época, Lopes da Costa levantou dente terceiro lugar. Contudo, o car-
der uma roda. inaugural não foi além de um modesto propositadamente o pé. Mesmo assim, ro britânico acusou problemas, tendo
Para gáudio do público local, a vitória quinto lugar. o elegante “Cavallino Rampante” teve Noronha terminado no sexto lugar.

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convenceu o amigo George Lee a em- Campeonato Britânico de Fórmula 3,
prestar o seu Lotus 22 a Filipe Nogueira, Simões começou a sua primeira parti-
pois considerava que um piloto com tais cipação no Circuito da Guia ao volante
capacidades e experiência não poderia do Ralt RT32 - Alfa Romeo/Novamotor
passar o fim de semana em Macau a ver da West Surrey Racing da pior forma,
os outros correr. acabando por bater com a roda traseira
Apesar de desconhecer o Circuito da esquerda nos muros da zona do Ramal
Guia, o ilustre concorrente metropoli- dos Mouros ainda na primeira sessão
tano não teve problemas em obter um de treinos-livres. O “patrão” da ASM
tempo mínimo para se qualificar para Team iria recuperar tempo de pista na
uma corrida que juntou carros de GT e segunda sessão de treinos-livres, para
monolugares. se qualificar na 25ª posição numa ses-
Infelizmente, este velho e mal preparado são em que não teve oportunidade para
Lotus do estábulo da Theodore Racing montar os pneus mais macios.
não resistiu à dureza da prova, tendo à A primeira corrida – na altura a prova
segunda volta a transmissão quebrado, de Fórmula 3 decidia-se pelo somatório
já depois de uma saída de pista e quan- das duas mangas – Simões debateu-se
do já liderava a corrida. Filipe Nogueira com problemas de instabilidade no seu
fez um mau arranque, mas não perdeu carro causadas por um amortecedor de-
muito tempo a recuperar as posições feituoso, que terá ajudado ao acidente à
perdidas, chegando mesmo a suplan- oitava volta na Curva da Maternidade.
tar o Renault Alpine guiado por Mauro Recuperada a viatura, trocados os amor-
Bianchi, tio do malogrado Jules Bianchi, tecedores, na segunda manga do dia,
que se sagraria vencedor ao fim de uma Simões partiu do 24º posto para termi-
contenda de 60 voltas e de mais de três nar no top 10, o que lhe daria o 17º lugar
horas de duração, naquela que seria a entre os 28 participantes, caso tivesse
última vitória de um carro com tejadi- dado o número mínimo de voltas para
lho no Grande Prémio. ficar classificado. A primeira manga foi
Os portugueses do território teriam que ganha por um tal de Eddie Irvine, que
esperar até 1988, cinco anos depois da curiosamente tripulava o outro car-
introdução da Fórmula 3, até voltarem ro West Surrey Racing e que também
a ter um piloto da distante metrópole tinha o próprio Dick Bennetts, o ainda
por quem torcer na prova principal do proprietário da equipa que atualmen-
Grande Prémio. te milita no BTCC, como engenheiro.
Mas como o irlandês ficou pelo cami-
SAUDOSOS ANOS 80 nho logo no início da segunda manga,
foi o italiano Enrico Bertaggia quem fez
Ao participar na corrida de Fórmula 3 da a festa no final.
Agora ao volante de um Ralt RT33 - Alfa
35ª edição do Grande Prémio, em 1988, Romeo, mas da equipa Dawson Auto
Developments, Simões ficou freguês da
António Simões foi o primeiro piloto prova e regressou em 1989 ao Circuito
da Guia. Contudo, desta vez a sorte não
profissional português a competir no esteve de todo com o piloto lisboeta.
Na Meca asiática do jogo, Simões qua-
evento da “Pérola do Oriente”. lificou-se na 10ª linha de partida, de-
pois de um toque nos treinos-livres e
Esta participação, que despertou um problemas de caixa-de-velocidades,
mas o pior estava para vir. Ainda nos
enorme interesse local, custou 14 mil li- primeiros metros da segunda parti-
da da primeira manga, o piloto francês
bras (3640 contos na época e uma quan- Laurent Daumet acabaria por entrar
pela traseira do monolugar da equipa
Com a prova a ganhar importância na cipação de um piloto residente na me- tia bem diferente dos 50/60 mil euros de Andy Dawson, concluindo assim e
mais cedo o fim de semana do portu-
região, a “corrida ao armamento” fez-se trópole, Joaquim Filipe Nogueira. que agora custa correr nesta mesma guês para enorme desgosto da plateia.

sentir e os pilotos locais deixaram de po- O piloto de Algés, um dos mais concei- corrida) e só se consumou tardiamen- A DESCOBERTA DA CORRIDA DA GUIA

der acompanhar, optando por participar tuados pilotos portugueses da sua ge- te, graças ao apoio da Kawai Steel, a que Com o Grande Prémio a caminhar no
sentido de se tornar uma prova exclu-
nas provas de suporte que começaram ração, deveria ter competido com um não estará estado isenta a influência de sivamente de monolugares, deixan-
do de ser possível aos GT e peque-
a florescer e que tornaram o programa Brabham F3-4, mas o carro ficou retido Carlos Dantas Guimarães, então res- nos Protótipos rivalizar com os novos
Fórmula 2, houve a necessidade de en-
do evento cada vez mais apelativo e em São Francisco, na Califórnia, quan- ponsável máximo pela coordenação caixar os potentes carros derivados de
estrada no programa. Por diversas vezes
abrangente. Em 1958 já não havia um só do fazia escala para Hong Kong, por fal- do evento. Recorde-se que a empresa ao longo da história as comissões que
lideraram o destino da prova estudaram
piloto luso à partida da prova principal ta de papéis de embarque. O irónico da japonesa de aços tornou-se nesse ano

do cartaz. Macedo Pinto ainda chegou situação é que estes tinham sido colo- o primeiro patrocinador a juntar o seu

a aparecer inscrito com um Ferrari 250 cados dentro do próprio carro pelo seu nome à prova, pagando 300 mil dólares

GT da Scuderia Drago, mas a participa- mecânico, José Bitton. por isso. Dois anos mais tarde, a Kawai

ção não se materializou. Felizmente, Teddy Yip, sócio de Stanley Steel deixaria a sua marca na prova ao

Ho na poderosa Sociedade de Jogos de conceder a sua cor lilás ao Reynard 903

O PRIMEIRO METROPOLITANO Macau, grande entusiasta da prova e VW que Michael Schumacher conduziu

Só 12 anos depois da primeira edição, em que um dia decidiu apostar num miú- na controversa vitória na corrida de

1966, é que a prova contou com a parti- do brasileiro chamado Ayrton Senna, Fórmula 3 e que hoje podemos encon-

trar em exposi-

ESTÁVAMOS EM 1954 QUANDO QUATRO AMIGOS PORTUGUESES, À ção no Museu do
CONVERSA NO JÁ DESAPARECIDO HOTEL RIVIERA, DECIDIRAM FAZER Caramulo.
ALGO DIFERENTE EM MACAU. ASSIM VIRIA A NASCER ESTA BELA PROVA... Depois de uma
temporada em
que deu boa
conta de si no

34

a possibilidade de organizar uma cor- nascia a Corrida da Guia. Ao longo da sua cores nacionais na prova. Antes de par- Acontece que nem só um carro novo e
rida de resistência nas ruas de Macau. história a corrida sofreu inúmeras alte- tir para o continente asiático, o piloto de um circuito desconhecido se coloca-
Ficaram na gaveta projetos para corri- rações, mas afirmou-se como a corrida Vila Real adquiriu um BMW 635CSi na ram no caminho de Fernandes na sua
das de 12 e 24 horas. Curiosamente, a de Turismo de excelência do continente Bélgica, à equipa Juma Racing da fa- primeira prova transcontinental. O 34º
Corrida da Guia acabou por ser fruto do asiático até aos dias de hoje, sendo palco mília Mampaey, tendo o carro germâ- Grande Prémio de Macau ficará para
único projeto de “endurance” que real- de alguns dos mais carismáticos con- nico seguido diretamente para Macau, sempre marcado pela visita indeseja-
mente ganhou vida, a “Guia 101”, uma frontos entre construtores. Contudo, a onde o campeão nacional de Velocidade da e fora de época do tufão Nina. O pri-
prova de 101 voltas ao Circuito da Guia prova só foi “descoberta” pelos “portu- de 1982 teve o primeiro contacto com meiro dia do evento ainda se realizou
organizada à parte do Grande Prémio gueses da Europa” em 1987! uma máquina preparada pela Alpina sob um sol glorioso, mas a chegada do
em 1969 e que não teria seguimento Numa iniciativa inédita, Manuel para provas de resistência e que mais tufão cancelou todas as atividades de
após a primeira edição. Fernandes foi convidado pela Real tarde seria um dos ex-líbris da marca sábado. Com as ruas alagadas e estra-
Assim, em 1972, com o nome “Guia 200”, Companhia Velha para representar as de Munique nos circuitos portugueses. gos em infra-estruturas do circuito, e

Ayrton Senna (à esq.) faz parte
da lenda do GP de Macau
e António Félix da Costa
venceu em 2012 e 2106.

André Couto venceu em 2000
e Pedro Lamy (foto pág. 33),
também teve boas prestações

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35

mesmo cortando o número de corridas gostou de uma boa aventura e, como leu o segundo lugar na classe “Sport”. loto de ralis Stig Blomqvist, juntaram-
no programa, a Comissão Organizadora muitos da sua geração, não conseguiu Outro português, Pedro Lobo, vence- -se as respeitáveis equipas de fábrica
não teve outra solução que pedir auto- passar incólume ao vírus do Grande dor da Taça ACP no ano anterior, filho da Nissan e Toyota. Para ombrear com
rização ao Governador para realizar al- Prémio. Cinco anos antes tinha sido da figura mais influente de Macau an- a fina flor da especialidade, fresco de
gumas das principais na segunda-feira. segundo classificado na Taça ACP, uma tes do surgimento de Stanley Ho e que se sagrar bicampeão nacional de velo-
E assim foi… das principais corrida de suporte, e no alinhava quase sempre com um dos cidade de Grupo A, Amorim ia munido
Depois de se qualificar no 15º lugar, numa ano seguinte quase morria num aciden- melhores carros à disposição dos pilo- com o Ford Sierra Cosworth RS 500 da
corrida de 25 voltas, que durou mais de te a testar ilegalmente o seu carro nas tos locais, também participou na pro- Promogrupo.
uma hora e disputada inicialmente com ruas de Coloane. va, no entanto, o Toyota Corolla GT, não A sua estreia no Sudeste Asiático, po-
o piso molhado, “o português” fez uso Despistou-se e o carro rebolou pela chegou ao fim. rém, foi tudo menos fácil. Problemas de
da sua experiência em circuitos citadi- montanha a baixo até ser parado por embraiagem, que seriam resolvidos com
nos, ou não fosse ele um orgulhoso vila- um outro carro que antes tinha também A ESTREIA DE AMORIM a compra de uma nova a Blomqvist, pois
-realense, para levar o 635 CSi pintado encontrado o mesmo destino. Em 1987, também ele estava a conduzir um Sierra
de verde ao 9º lugar final. conseguiu reunir verbas para alinhar à Ni Amorim foi o segundo piloto da me- nesse fim de semana, aliados a um ra-
Apesar de não ter andamento para os partida da principal corrida de Turismos trópole a “descobrir” o circuito das sete pport muito longo e pneus Michelin de-
homens da frente, neste caso, os BMW da sua terra Natal com um Mitsubishi colinas. Ainda em 1989, já na altura um sadequados, ditaram que o atual presi-
M3 da Schnitzer, cada passagem de Lancer Ex Turbo 1800, um carro aluga- piloto de referência das corridas na- dente da FPAK não tivesse ido além do
Fernandes era esperada com ânsia pelo do à PKK Racing de Nick Cheang e que cionais de Turismo, o piloto da cidade 10º lugar na qualificação. Amorim ficou
público. O piloto da Vilauto oferecia uma um ano antes tinha participado no Rally do Porto fez a sua estreia na Corrida a dez segundos do tempo obtido por
contemplação suplementar ao contro- Hong Kong-Pequim. da Guia. Rouse, embora o portuense frisasse
lar habilidosamente a traseira nervosa Depois de se qualificar na 25ª posição, Na altura a mais relevante corrida de que as diferenças entre os carros eram
do BMW, deixando sempre a impressão “Oumundzai” (filho de Macau) ficou pelo carros de Turismo do Sudeste Asiático abismais (e eram...), alegando que o seu
que o 635CSi estava a ser conduzido bem caminho vítima de um dos muitos aci- estava aberta aos Grupo A e nesse ano RS 500 custava 11 mil contos e Andy
para lá dos seus limites. dentes que apimentaram o espetáculo colocou frente a frente alguns pesos pe- Rouse pedia 45 mil para vender o dele.
Curiosamente, no fim de semana da es- daquela segunda-feira. sados da disciplina. Na corrida de domingo, Amorim fez o
treia de um português da metrópole na Aliás, Antunes foi um dos pioneiros lu- Viajaram até ao Oriente Andy Rouse que lhe competia, rodando desde iní-
Corrida da Guia, outro português este- sófonos na Corrida da Guia. Em 1984, ao e Tim Harvey, com os Ford Sierra, que cio atrás dos “grandes” até que o turbo
ve presente em prova, Danilo Antunes. volante de um BMW 323i, completou a sem os restritores que eram obrigados do Sierra “lusitano” cedeu, quando a
Uma personagem incontornável da vida corrida com três voltas de atraso em a usar na Europa debitavam mais 200 meio da maratona de 26 voltas, altura
de Macau e que nos deixou no início do relação ao vencedor, o enorme Jaguar cv, Emanuele Pirro e Altfrid Heger, com em que o piloto portuense seguia em
ano passado. Danilo Antunes sempre XJS de Tom Walkinshaw, o que lhe va- os BMW M3 da Schnitzer. À armada eu- nono. Esta participação seria apenas o
ropeia, que contava também com o pi- primeiro capítulo de Amorim em Macau.
Ao mesmo tempo que Amorim se es-
treava no Circuito da Guia, outro por-
tuguês, muito menos conhecido por cá,
mas muito acarinhado em Macau, tam-
bém fazia o seu debute. Rui Valente fez
a sua estreia com um Toyota Corolla GT
AE86, um carro preparado localmente,
cujo motor foi acabado de montar pelo
“mestre” Teixeira na véspera da pro-
va com a ajuda de um miúdo chamado
Isaías do Rosário que anos mais tarde
veríamos a correr no CNV.
O Toyota preto qualificou-se in extre-
mis na 32ª posição e, depois de crava-
das umas pastilhas de travões Endless
à TOM’S Toyota, Valente conseguiu levar
com muito esforço o carro japonês ao
21º posto, terminando classificado com
menos de seis voltas que o vencedor,
Tim Harvey. Depois desta experiência,
Valente iria ser presença na Corrida da
Guia por muito mais anos.
Aliás, o piloto luso radicado em Macau
continua ativo e ainda no último fim de
semana colocou o capacete para con-
duzir um MINI Cooper S preparado por
si na “Taça CTM” do 64º Grande Prémio
de Macau.
A presença lusa no Macau Português
até à transferência de poderes, a 20 de
dezembro de 1999, não termina aqui. Na
década seguinte o número de compa-
triotas por quem torcer cresceu e será
alvo de um merecido reconhecimento
nestas páginas numa próxima opor-
tunidade.

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TESTES MOTO2

MIGUELOLIVEIRA No final, Oliveira ficou no topo da tabela os testes de Jerez para trabalhar tendo
ARRANCA PARA de tempos, à frente de Francesco Bag- em vista a próxima temporada. Cinco
2018 COMO naia e Álex Marquéz, mostrando que a deles conseguiram mesmo juntar-se ao
CANDIDATO AO marca austríaca está no bom caminho, piloto português e rodar abaixo do tem-
TÍTULO já que apesar de Miguel Oliveira se ter po da pole position conseguida por Álex
dedicado a experimentar novas solu- Márquez em maio - Francesco Bagnaia,
Francisco Mendes dade ao bom desempenho registado no ções para a sua moto, o piloto portu- Brad Binder, Mattia Pasini, o regressado
[email protected] final da temporada de 2017. guês baixou os seus tempos em mais Danny Kent e o próprio Márquez.
O português completou, nos dois dias de meio segundo no último dos dois Estes testes de Jerez marcaram igual-
Ocircuito de Jerez de la Frontera de testes em Jerez, 145 voltas. Um dos dias de testes, conseguindo inclusive mente a estreia do campeão do Mundo
acolheu dois dias de testes priva- pontos de ordem centrais em ambos assinar a volta mais rápida de sempre de Moto3, Joan Mir, na categoria inter-
dos em que participaram algumas os dias foi a afinação da KTM, tendo-se neste circuito na categoria de Moto2, ao média do Mundial de velocidade aos
equipas de Moto2, num total de 25 também testado os novos chassis, braço rodar em 1m41.518s. comandos da Kalex da Marc VDS Estrella
pilotos presentes. Miguel Oliveira arran- oscilante e suspensões, novidades em “Tivemos dois dias de testes bastante Galicia e de Romano Fenati, vice-cam-
cou os trabalhos para a nova temporada relação às quais já se retiraram algumas positivos em Jerez. Conseguimos traba- peão do Mundo de Moto3, com Kalex da
com o melhor tempo, dando continui- conclusões. lhar na afinação da moto, bem como em Marinelli Rivacold. Mir acabou por ser
novas suspensões, num novo chassis e o melhor estreante, terminando na 16ª
ainda num novo braço oscilante. Ten- posição da tabela de tempos, a 1,223s
tamos sempre tirar conclusões para de Oliveira, enquanto Fenati foi 23º, a
melhorar a moto durante as férias de 1,672s do piloto português.
inverno. Conseguimos ser rápidos e Agora segue-se o período de paragem
senti-me muito confortável, embora obrigatória no Mundial, até ao final de
haja sempre espaço para melhorias”. janeiro, altura em que Miguel Oliveira
Para além de Miguel Oliveira foram mui- e o restante plantel de Moto2 vão abrir
tos os pilotos de Moto2 que aproveitaram as hostilidades da pré temporada.

GP DE MACAU

MOTORAFASTOUANDRÉ PIRES DE CORRIDADRAMÁTICA

Um problema no motor da Kawasaki ZX10R pela morte do piloto britânico, Daniel Hegarty
durante o ‘Warm-Up’ da 51ª edição do GP de Macau (Honda), na sequência de um violento acidente à
forçou o abandono do transmontano André Pires passagem da sexta volta, o que acabou por levar a
da prova asiática. organização a terminar a corrida mais cedo.
Depois de ter melhorado o seu ritmo e os seus Hegarty, de 31 anos, 16º classificado na corrida
registos ao longo de todos os dias do evento o de 2016, foi retirado de ambulância depois de
piloto luso apostava forte nas 12 voltas da corrida ter batido na barreira de proteção na Curva
para alcançar uma boa classificação naquela que dos Pescadores, de acordo com o relatório de
era a sua quinta participação no Circuito da Guia. incidentes da organização, acabando por morrer a
“Estava tudo a correr dentro do que tínhamos caminho do hospital.
programado e planeado para esta participação A vitória na 51ª edição do GP de Macau acabou
mas tivemos um problema no motor no ‘Warm- assim por ser conquistada por Glenn Irwin (PBM
Up’ e não tínhamos peças para poder reparar Ducati), que saindo da pole position garantiu a
o mesmo. Tivemos assim que ficar de fora da sua primeira vitória no GP de Macau, liderando
corrida o que foi um grande ‘balde de água fria’, a corrida desde a primeira volta e terminando
mas as corridas são mesmo assim e nada havia com uma vantagem de 1,1s sobre Peter Hickman,
a fazer”. enquanto Michael Rutter foi terceiro a mais de
A corrida acabou contudo por ficar marcada sete segundos de Hickman.

37

TESTES MOTOGP

CONTADOR A ZERO

Menos de 48 horas após
o emocionante final da
temporada de 2017, arrancou
a preparação do novo ano
no circuito Ricardo Tormo,
em Valência. E bem se pode
dizer que tudo continua
‘na mesma’, isto é, com o
campeão do mundo, Marc
Márquez, no primeiro lugar

Alexandre Melo C/ C L A S S I F I C A Ç Ã O
[email protected]
1º MARC MÁRQUEZ (HONDA) 1M30.033S
É já uma tradição - em MotoGP - o 2º MAVERICK VIÑALES (YAMAHA) 1M30.189S
início dos trabalhos de prepa- 3º JOHANN ZARCO (YAMAHA) 1M30.389S
ração do novo ano começarem 4º DANI PEDROSA (HONDA) 1M30.436S
poucos dias após o final da épo- 5º VALENTINO ROSSI (YAMAHA) 1M30.519S
ca em curso e na mesma pista que,
curiosamente, acolhe o último Grande comandos da mal-amada M1 versão o bom desempenho de Jack Miller, que Por último, nota para as estreias do
Prémio da temporada. 2017 ao estabelecer o terceiro melhor deixou ‘agua na boca’ para aquilo que campeão do mundo de Moto2, Franco
Durante os dois dias de trabalho na tempo no final das duas sessões. Ainda pode vir a ser o futuro. O novo reforço Morbidelli, bem como de Takaaki Na-
pista valenciana começou um longo no campo da Yamaha importa referir da satélite Pramac Racing estreou-se kagami e Xavier Siméon aos comandos
trabalho de ‘afinação dos motores’ que a violenta queda que Valentino Rossi aos comandos de uma Ducati Des- de protótipos de MotoGP. Morbidelli
irá somente desaguar no próximo mês teve no primeiro dia de testes e da qual mosedici GP17, e mostrou-se desde acabou por levar a melhor na batalha
de março, em Losail (Qatar), quando o piloto italiano saiu ileso ao contrário os primeiros momentos à-vontade dos estreantes à qual faltou o lesionado
começar a nova época. da moto, que ficou destruída. com a moto italiana. Assinou o sétimo Thomas Lüthi. Concluídos os testes
Enquanto esse momento não chega Nuns testes onde a Ducati e a Suzuki melhor tempo dos testes e bateu em oficiais de Valência, até ao final do
ficamos pelo início da ‘história’, que estiveram discretas, esta última só mais de meio segundo o seu tempo da mês irão decorrer mais ensaios, mas
teve em Marc Márquez o principal rodou no segundo dia, pois os pilotos qualificação para o GP da Comunidade de caráter privado, até entrarmos na
protagonista. O piloto da Honda ficou (Andrea Iannone e Álex Rins) viram-se Valenciana, então aos comandos da pausa de inverno, que apenas termina
com o melhor tempo no cômputo geral a contas com uma virose, é de destacar Honda da Marc VDS. no final de janeiro.
das duas sessões ao ‘cravar’ um crono
de 1m30.033s, marca conseguida aos
comandos da RC213V versão 2017,
mas com evoluções, apesar de ter sido
testado o novo protótipo da marca da
asa dourada.
O registo obtido pelo tetracampeão
do mundo de MotoGP ficou a menos
de 0.2s do seu tempo da pole no GP da
Comunidade Valenciana e bateu em
mais de 0.1s a melhor marca do pri-
meiro dia de testes, que ficou nas mãos
de Maverick Viñales aos comandos
da Yamaha M1 com chassis de 2016.
Se a Honda e Márquez voltaram a mos-
trar superioridade sobre a concorrên-
cia, já a Yamaha vive por estes dias
muita indefinição quanto ao futuro.
Os pilotos oficiais, Maverick Viñales
e Valentino Rossi, testaram vários
chassis com diferentes evoluções do
motor, sendo que pelo meio foi também
testado o protótipo do motor que vai
apresentar-se em pista no próximo
campeonato. Isto tudo sem a moto de
2018 estar ainda pronta e com o priva-
do Johann Zarco a dar nas vistas aos

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NDUOCVIADTAID2E0S18 NO
SALÃO EICMA
EM MILÃO

O Salão EICMA 2017 ficou marcado por ser a 75ª edição da
Exposição internacional de motos. Nos derradeiros 13 anos
a revista italiana Motociclismo tem vindo a organizar uma
votação pública para eleger a “Moto Mais Bela do Salão” e
a Ducati, a jogar em casa, saíu já vencedora por nove vezes.
Este ano voltou a repetir-se a afirmação da Ducati com a
melhor Moto do EICMA, com a sua fantástica Panigale V4 a
ter mais de 60% da votação, ou seja, mais de 16.000 votos

Pedro Rocha dos Santos ainda uma série de upgrades - alguns DUCATI MONSTER 821 Resultado as três Ducati Monster têm
[email protected] inspirados nas cores de Moto GP. Entre agora um design semelhante, sendo
os apelativos ‘ingredientes’ podemos A última Ducati da gama Monster ren- que a maior alteração na 821 é ao nível
ADucati Panigale V4 Speciale encontrar suspensões Ohlins NIX30 de de homenagem à Monster 900 que da eletrónica com full ride-by-wire,
conseguiu bater a MV Agusta 43 mm, amortecedor de direção Ohlins precisamente há 25 anos veio revo- controle de tração configurável em 8
Dragster RC e a nova Honda e amortecedor traseiro também da lucionar a gama de motos da Ducati. níveis distintos, três níveis de ABS e
CBR 1000R que obtiveram o Ohlins, Quickshift da Ducati e bate- Inclui painel de informação TFT a cores três mapas de motor.
segundo e o terceiro luga- ria de Iões de lítio de última geração e Quickshift da Ducati em opção. Tal
res, respetivamente. A tão que ajuda a diminuir o peso da 959 como a Monster 797, a 821 herda o look DUCATI MULTISTRADA 1260 S
aguardada Ducati Panigale V4 S com os Corse. Inclui ainda escape racing da desportivo da sua irmã 1200, evidente A Multistrada 1260 S, como o nome in-
seus 226 cv de potência e as suas linhas Akrapovic e uma pintura e decoração no novo depósito e farol dianteiro. dica, monta agora um motor TestStretta
incrivelmente agressivas dificilmente muito apelativas. O banco do pendura tem um novo DVT com 1260cc que debita, segundo a
não seria a eleita do ano, por mérito, Estará disponível durante o primeiro design mais afilado e agressivo e o Ducati, 85% do seu binário abaixo das
apesar de ter a vantagem de ser uma trimestre de 2018. escape também é semelhante ao as- 3.500 rpm. A potência máxima do novo
italiana em Milão. simétrico da 1200.
DUCATI 959 PANIGALE CORSE
A DUCATI APRESENTOU 6 NOVIDADES DUCATI
MONSTER
NO SALÃO EICMA PARA ALÉM DA 821

ACLAMADA E VENCEDORA PANIGALE

V4 SPECIALE:

DUCATI 959 PANIGALE CORSE

De acordo com o que refere a Ducati o
modelo 959 Panigale é aquele que pro-
porciona o equilíbrio perfeito entre po-
tência, peso, controle e performance.
Certamente em resultado da com-
binação entre o motor de 959cc
Superquadro e um quadro monoco-
que super leve.
A Ducati 959 Panigale Corse inclui

39

DUCATI
PANIGALE V4

suspensões integrais Ohlins de ajuste Ao nível do quadro também houve DUCATI SCRAMBLER 1100 SPECIAL
manual. Esta versão inclui todas as inovação. A Ducati desenvolveu um
características da versão S menos o novo quadro que se chama “Front A nova Scrambler 1100 vem aumentar
ajuste eletrónico das suspensões e Frame” que, como o nome indica, é a oferta da Ducati na gama Scrambler
como opção um escape especial da um semi-quadro frontal, compacto e e introduz um novo motor V Twin de
Termignoni e um pára-brisas frontal leve, que utiliza o próprio motor como 1079 cc, o mais potente da gama, com
em fibra de carbono. elemento estruturante, conseguindo 86 cv. Estará disponível em 3 versões
assim manter o peso da versão S nos distintas: a Scrambler 1100 standard,
DUCATI PANIGALE V4 195 kg, 2,5 kg mais leve que a versão a Scrambler 1100 Sport e a Scrambler
959 Corse. 1100 Special. A nova Scrambler 1100
A nova Ducati Panigale V4 vem subs- Com suspensões eletrónicas semi- inclui agora eletrónica da Bosch, com
tituir a icónica 1299 no topo da gama -activas Ohlins à frente e atrás nas ABS em curva, controle de tração,
da marca Ducati. versões S e Speciale, na frente são ajustável em 4 níveis, e ride-by-wire.
A nova V4 monta um novo motor de 4 Ohlins NIX-30 de 43mm e atrás TTX36. Inclui ainda 3 modos de motor, Active,
cilindros em V com 1103cc e reclama Suspensões Showa Big Piston na ver- Journey e City, este último reduz a
uma potência de 211 cv para 195 kg são normal e atrás amortecedor Sachs potência para os 75cv.
de peso, o que com estas referências assim como o amortecedor de direção. A Scrambler 1100 monta novas sus-
passará a ser a superbike a bater em Os travões estreiam um novo sistema pensões à frente e atrás sendo Ohlins
2018 pelas restantes marcas. Stylema da Brembo, com pinças mo- na versão Special e Kayaba nas res-
A gama V4 apresentada compreende nobloco, uma evolução do M50. tantes. Os travões são de duplo disco
três modelos: a V4 standard , a V4 de 320 mm à frente. O sistema de ilu-
S com suspensões Ohlins semi-ati- DUCATI minação é agora inteiramente de tec-
vas e a V4 Speciale, edição limitada a SCRAMBLER nologia LED. O quadro é em treliça de
1500 unidades, que inclui uma série de 1100 SPECIAL aço sendo o sub-quadro em alumínio.
componentes de topo nomeadamen-
te um escape completo em titânio e DUCATI XDIAVEL S
uma série de componentes em fibra
de carbono. A nova Panigale V4 in- Apelidada de “Techno Cruiser” pela
clui obviamente o que existe de mais Ducati a nova versão da XDiavel parece
sofisticado em eletrónica: ter saído de um filme de ficção cientí-
fica. Para 2018, para além da nova cor,
ABS em curva da BOSCH EVO Iceberg White, a XDiavel monta novas
Controle de Tracção EVO da Ducati suspensões e uma nova posição do
Controle de deslize Ducati guiador.
Controle EVO Ducati de cavalinho
motor é de 158cv e o binário de 95 ftlb. Ducati Pwer Launch
A Multistrada 1260 S monta também um Ducati Quickshift UP/Down
novo quadro com braço oscilante mais Controle de travão de motor EVO
longo e inclui electrónica mais sofisticada Controle eletrónico das suspensões
com conectividade via Bluetooth. EVO da Ducati
A Ducati optou pelo sistema eletrónico da
Bosch 9.1ME, que controla o ABS, as luzes
em curva, o controle de tração e o con-
trole de cavalinhos, com oito diferentes
ajustes possíveis. A versão S inclui ainda
suspensão semi ativa que interage com
o sistema eletrónico da Bosch.
A Multistrada inclui para além da ver-
são S uma versão Pikes Peak, com

DUCATI DUCATI
MULTISTRADA XDIAVEL S
1260 S

40 CB1000R “NEO SPORTS CAFÉ”

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HONDA AFRICA TWIN
NOVIDADES 2018 ADVENTURE SPORTS
NO SALÃO EICMA
EM MILÃO

A Honda apresentou a sua gama completa de modelos para
2018 na noite de abertura do salão EICMA de Milão, com a
introdução de cinco modelos novos e dois extensivamente
atualizados, juntamente com versões concept (protótipos) de
dois modelos lendários Honda

Pedro Rocha dos Santos CB300R E CB125R motos de cilindrada bastante mais alta, tada para a aventura. A nova versão
[email protected] Partilham o mesmo look moderno como seja o painel de instrumentos Adventure Sports da CRF1000L Africa
e minimalista, com especificações LCD, iluminação de LEDs e sistema Twin assinala o 30º aniversário do
Anovagamaabrangetodaalinha premium abrangentes que apelam a ABS de base IMU. lançamento na Europa de um dos no-
de modelos da Honda, desde a condutores jovens e aos que procuram mes mais celebrados da história do
moto de entrada de 125 cm³ à subir ao próximo nível. A CB300R e a AFRICA TWIN ADVENTURE SPORTS motociclismo mundial. Com o mesmo
Gold Wing de 2018, enrique- CB125R foram ambas construídas para A Versão “Adventure Sports” da Africa esquema cromático do modelo original,
cendo assim ainda mais a vasta uma condução divertida, com motores Twin assinala o 30º aniversário do este novo modelo foi construído para
gama de modelos do maior fa- de baixo peso e rotação livre. Mas tam- modelo original e oferece uma capa- ir anda mais longe nos trilhos e nas
bricante mundial de motos. bém estão equipadas com forquilhas cidade ainda mais versátil e orien- aventuras fora de estrada. O depó-
USD de especificações elevadas e 41
CB1000R “NEO SPORTS CAFÉ” mm de diâmetro, suspensão traseira CB125R
com regulação da pré-carga da mola,
Vem trazer uma identidade elegante, pinças dianteiras radiais de 4 êmbolos
única e nova à gama de modelos naked e diversas outras características ha-
da Honda. Este novo conceito de estilo bitualmente encontradas apenas em
é moderno e minimalista, misturando
inspirações sports naked e café racer CB300R
com resultados fantásticos. Apesar
de todos os componentes terem sido
selecionados com o efeito estético em
mente, não falta nada à CB1000R em
termos de performances e especifica-
ções: menos 12 kg de peso e mais 15
kW de potência em relação à anterior
geração da CB1000R originam 20% de
melhoria na relação peso/potência. Os
múltiplos modos de condução, com
diferentes combinações de potência,
travão-motor e controlo de binário
combinam-se com o sistema de ace-
lerador eletrónico TBW.

41

GOLD WING DE 2018 tores de carta A2 graças à inclusão de
versões destes modelos limitadas a 35
kW. Todos estes três modelos viram
o limite de rotação dos seus motores
subir 900 rpm (até ás 7.500 rpm), per-
mitindo assim a utilização natural de
todas as performances do motor a uma
faixa de rotação mais elevada; tanto
a NC750X como a Integra também
beneficiam da inclusão do sistema
HSTC de controlo de binário variável.

sito desta nova versão tem mais 4,5 Throttle-by-wire, 4 modos de condu- combina as funcionalidades de uma PROTÓTIPO
litros de capacidade do que a CRF1000L ção, sistema de controlo de binário scooter com o dinamismo de uma moto Versões protótipo de dois modelos pe-
Africa Twin base, suspensões de maior HSTC e sistema Hill Start Assist para de aventura – surge agora equipada quenos mas com uma história enorme.
curso, posição de condução mais alta assistência aos arranques em subida. com ainda mais capacidade off-road, Ao lado de todos estes novos modelos,
e maior altura ao solo, para além de O novo chassis apresenta um quadro neste modelo para 2018. A inclusão temos dois protótipos – ambos com
punhos aquecidos, proteção de cárter de dupla trave em alumínio, suspensão de um sistema HSTC de controlo de o logótipo original da Honda – que
de maiores dimensões e barras de dianteira de duplos braços sobrepostos binário e de um interruptor G a per- conferem um aspecto atraente mas
proteção das carenagens. e monobraço oscilante Pro-Arm. mitir mudanças de velocidade mais com alguma nostalgia à participação
O modelo base da Africa Twin recebe X-ADV diretas, oferece um leque alargado de da Honda no salão EICMA de 2017.
quatro modos de condução e um novo A X-ADV de 2017 – a primeira “moto performances para quando termina
acelerador eletrónico para além de SUV” – oferece agora maiores per- o alcatrão e começam os trilhos. A MONKEY
uma gama de atualizações de per- formances off-road com sistema de versão de 35 kW da X-ADV alarga a A Monkey, um modelo muito amado e
formance. As atualizações do mo- controlo de binário HSTC da Honda atração deste modelo aos detentores especial para a Honda, aparece agora
delo-base da Africa Twin também e interruptor G para a sua caixa DCT de carta A2. exposta numa proposta que monta
estão refletidas na versão Adventure de dupla embraiagem. A X-ADV está um motor monocilíndrico horizontal
Sports, incluindo sistema de gestão mais pronta que nunca para a ação GAMA NC de 125 cm³ numa plataforma incon-
do motor por acelerador eletrónico fora de estrada, após entrar de rom- A evolução da popular gama NC conti- fundível, agora equipada com toques
Throttle-by-wire e quatro modos de pante no mercado em 2017 e vender nua para 2018, com a fantástica e ape- modernos tais como luzes de LED,
condução, controlo de binário HSTC de quase 10.000 unidades nos primeiros lativa gama de modelos NC. Composta sistema Smart Key, forquilha USD e
parâmetros alargados e revisões ao 8 meses. A “moto SUV da Honda” – que pela NC750X, NC750S e Integra está instrumentos digitais.
nível da admissão e do escape, para agora também ao alcance dos deten-
respostas ainda mais poderosas na SUPER CUB SUPER CUB
faixa de média rotação. CB4 A Super Cub concept é um protóti-
INTERCEPTOR po do que seria a versão moderna
GOLD WING DE 2018 deste clássico instantaneamente re-
Faz a sua primeira aparição em terri- conhecível. Tendo alcançado no mês
tório europeu e oferece novos níveis passado a fantástica marca de 100
de prazer de condução, conforto e milhões de unidades vendidas, esta
luxo, com especificações premium. versão concept vem escrever agora
O seu monumental motor de seis ci- um novo parágrafo na história de 59
lindros opostos possui agora 4 válvu- anos da Super Cub, numa proposta
las por cilindro, acelerador eletrónico ultramoderna da atração continuada
deste modelo clássico.
MONKEY
CONCEPT BIKE - CB4 INTERCEPTOR
Finalmente a Honda apresentou ainda
no seu Stand durante a EICMA em
Milão uma fantástica Concept Bike
e que dá pelo nome CB4 Interceptor,
desenvolvida pelo gabinete de de-
sign da Honda em Roma. Com base
na Concept Bike CB4 anteriormente
apresentada, este novo projeto define
linhas futurísticas para uma hipotética
Café Racer onde se nota a influência
do design italiano no aspecto perfilado
das suas linhas e formas. Entre ou-
tros pormenores futurísticos podemos
observar uma espécie de turbina no
frontal da carenagem que converte a
energia cinética da moto em energia
que alimenta o painel de informação
touch screen montado sobre o de-
pósito. O painel fornece informação
constantemente permitindo ao piloto
seguir o seu trajeto através de mapas
digitais, ou simplesmente comunicar
através de outro tipo de tecnologias.

+42

NISSAN André Duarte modelo mais vendido no total do mer-
[email protected] cado de passageiros; enquanto o X-Trail
» CROSSOVER DOMINATION é líder entre os Crossover familiares do
ANissan é uma marca de re- segmento C, com 504 unidades vendi-
NO REINO DA NISSAN ferência no segmento dos das. Só o Juke não replica a performance
Crossover, com 59 mil uni- dos seus irmãos, estando em quarto do
O Nissan Crossover Domination é já um habitué da dades vendidas em 11 anos seu ‘campeonato’, com vendas de 1.767
marca para assinalar os seus bons resultados, fazer uma de percurso em Portugal. Um unidades.
registo que lhe granjeia a lide-
retrospetiva de passado, olhar o presente e apresentar rança em solo nacional e que tem como EXPERIÊNCIA OFF-ROAD
o futuro na sua gama Crossover. Na última semana teve joia da coroa o Qashqai, a celebrar o seu
lugar a sua quinta edição, da qual lhe damos conta nas 10º aniversário. No acumulado de janeiro Foi neste contexto, e num ano em que
a outubro deste ano, o mercado de au- chegaram ao mercado os renovados
próximas linhas... tomóveis de passageiros experimentou Qashqai e X-Trail (em termos estéticos,
um crescimento de 7,8%, enquanto o de condução, de tecnologia e comodidade
LEIA MAIS ENSAIOS E ACOMPANHE segmento de crossover cresceu 21,5%. interior), que teve lugar a mais recente
TODAS AS NOVIDADES EM AUTOSPORT.PT Por subsegmento, os crossovers com- edição do Nissan Crossover Domination,
pactos (Juke) cresceram 7,7% e os mé- que rumou ao Cabo da Roca, depois de já
dios (Qashqai e X-Trail) 39,8%. No caso ter passado por locais como os cabos de
da Nissan, neste período, foram mais de Finisterra e de Trafalgar, em Espanha, em
7,3 mil unidades vendidas. Só em 2017 e que a marca aproveitou para apresentar
até outubro passado foram comercia- uma versão especial do Juke e abordar a
lizadas 5.079 unidades do Qashqai, que sua visão de futuro com o IMx (ver caixas).
continua a ser líder do segmento e o 6º O evento decorreu ao longo de um percur-
so de 120 km nos quais tivemos ocasião

de estar ao volante do novo Nissan X-Trail >> autosport.pt/automais
- na versão de 130 cv e caixa automática
XTronic - em cerca de 60 km. Pelo meio, 43
um pequeno percurso em terra batida,
com inclinações e declives algo pronun- NISSAN
ciados, e um piso marcado por algumas E PLAYSTATION
perturbações e pedras soltas. O modelo LANÇAM VERSÃO
mostrou que, no caso da versão de tração ESPECIALJUKE
dianteira, e apesar dos seus cerca de 1600
kg, possibilita aos seus utilizadores es- Com o intuito de assinalar a colaboração de longa
capulidelas a terrenos mais acidentados data entre a Nissan e a Playstation - iniciada com a GT
e transposição de alguns obstáculos que Academy – e o lançamento do novo Gran Turismo Sport
podem gerar receio a um primeiro olhar, em outubro passado, nasceu o Nissan Juke GT Sport
permitindo pequenas aventuras em fa- Playstation. Uma edição limitada e numerada de 500
mília, sem o risco de se ficar a ‘patinar’ unidades (para Portugal e Espanha) que tem por base
em algum trajeto. Já no trânsito urbano, o modelo com motor 1.2 DIG-T N-Connecta de 115cv.
as suas dimensões fazem ter naturais Esta versão especial surge com: jantes de 18” em
cuidados, mas para essas situações, os Tokyo Black; logótipo exterior GT Sport na traseira;
seus irmãos, Qashqai e Juke, são os mais placa interior numerada; tapetes personalizados
talhados. No global, a experiência X-Trail GT Sport; caixa premium e porta-chaves numerado;
foi uma pequena mostra de um percurso proteções de entrada GT Sport; apoio central de
de nota no mundo dos crossover. Com esta braços; antena barbatana de tubarão e decoração
trajetória, resta aguardar pelo 6º Nissan exterior especial no tejadilho, capot e laterais. Para
Crossover Domination. fazer jus à versão, os clientes são ainda prendados
com uma PlayStation 4 e o jogo Gran Turismo Sport.
Em termos de cores, está disponível em: Ink Blue,
Pearl White e Magnetic Red. O preço cifra-se nos
18.100€ (campanha em vigor e pintura metalizada).

IMx A VISÃO DE FUTURO

No salão Automóvel de Tóquio a Nissan apresentou o
IMx. Um protótipo de crossover, autónomo e elétrico,
que representa a aposta de mobilidade inteligente
da marca para o futuro. São anunciados 600 km de
autonomia, tração integral - dois motores elétricos,
um acoplado ao eixo dianteiro e outro ao traseiro,
produzem 320kW de potência e 700 Nm de binário - e
capacidade de condução totalmente autónoma.
O IMx conta com a última versão do ProPILOT, modo
que quando selecionado faz recolher o volante (que é
reposto no modo de condução normal) para o interior
do painel de instrumentos e reclina os assentos,
oferendo maior espaço e comodidade a todos os
ocupantes. Incorpora também a nova plataforma
de veículo elétrico da marca, que permite ao piso
ser completamente plano, o que resulta num amplo
habitáculo e numa melhoria dinâmica do automóvel.
Pode também, de forma autónoma, deixar-nos num
local e ir-nos buscar quando necessário, num exemplo
daquilo que será o futuro da mobilidade.

+44

VOLKSWAGEN

» GOLF R

EQUILÍBRIO PERFEITO

Há mais de 40 anos nas linhas de produção,
o Golf é um modelo muito querido do público.
Por isso, poder privar com a sua versão mais
desportiva, R, tem tanto de fascínio quanto
de curiosidade. Fomos conhecê-la e a satisfação
não podia ser maior

André Duarte gradualmente esquecemos tudo. Uma se reflete num andamento que decorre ta é traduzida num fluxo de potência
[email protected] áspera e envolvente sonoridade oriunda com muita fluidez, fazendo-nos sentir e aumento da velocidade, sem nunca
do bloco 2.0l TSI instala-se no habitá- deslizar no asfalto. levarmos um ‘coice’, ainda que fiquemos
Aexpectativa é naturalmente culo, numa gradação auditiva que vai Traçamos então um destino em percurso agarrados ao banco.
grande quando nos encon- oscilando ao ritmo do dançar do acele- sinuoso que nos faz dedilhar as passa- O Golf R permite-nos assim abordagens
tramos perante um cartão de rador. No processo, a eficácia na entrega gens de caixa através das patilhas de em curva limpas, com inserções e saídas
apresentação deste calibre: de potência às quatro rodas, garantida volante, um processo obrigatório para muito eficazes e sempre com uma repar-
310 cv (+10 cv que a versão pelo binómio caixa DSG/ tração integral extrairmos em pleno o seu verdadeiro tição da tração a preceito, transmitindo
anterior); um binário de 400 4Motion, impressiona, com os 310 cv a potencial. Seja num pisar vigoroso, ou uma enorme sensação de à-vontade
Nm (+20 Nm); 4,6s dos 0 aos 100 km/h; serem muito bem distribuídos, algo que em reduções mais decididas, a respos- e confiança, sem perdermos a noção
tração integral permanente 4Motion;
suspensão adaptativa DCC e caixa au-
tomática DSG de 7 velocidades.
Tudo parece demasiado bom para ser
verdade. Mas é. E é com esse encanto
que nos sentamos ao volante, sendo re-
cebidos por bancos desportivos cómodos,
confortáveis e com um fantástico apoio
lombar.
Start & Stop pressionado e o motor 2.0l
TSI cumprimenta-nos com uma branda
erupção de potência. Para explorarmos o
seu eu em vários ambientes, existe um
leque de modos de condução à escolha
– Eco, Comfort, Normal e Sport (há tam-
bém o Individual). Mas se os demais são
‘aperitivos’, é no modo Race que somos
catapultados para a verdadeira essên-
cia R deste Golf. Pisamos o acelerador e

>> autosport.pt/automais 45

FT/ F I C H A T É C N I C A

2.0 / 310 CV

GASOLINA

4,6 S

0-100 KM/H

7,0 L / 7,9 L (AUTOSPORT)

100 KM

160

G/KM- CO2

55 779€

PREÇO BASE

RESPOSTA DO MOTOR/TRAÇÃO
INTEGRAL/COMPORTAMENTO/
CONFORTO/PRAZER DE CONDUÇÃO

PREÇO

MOTOR GASOLINA, 4 CIL., INJEÇÃO MISTA
DIRETA/INDIRETA, TURBO, INTERCOOLER,
1984 CM3 POTÊNCIA 310 CV / 5500-6500
RPM BINÁRIO 400 NM / 2000-5400
TRANSMISSÃO INTEGRAL, CAIXA AUTO. DSG
DE 7 VEL. SUSPENSÃO TIPO MCPHERSON
À FRENTE E MULTI-LINK ATRÁS TRAVAGEM
DV/D PESO 1505 KG (VERSÃO 3P) MALA 343L
DEPÓSITO 55L VEL. MÁX. 250 KM/H

real da velocidade a que circulamos. temos um belo sistema de travagem, que tiva de ralis. Um pormenor interessante, colocados de uma maneira subtil, que
Desfrutamos de uma sintonia perfei- está sempre pronto a atuar e nunca se se quisermos levar a veia desportiva mais podem fazer passar despercebido ao
ta com o conjunto, como um fato por mostra ‘cansado’, aconselhando-se a a sério, é termos um monitor de potência cidadão comum este exemplar de grande
medida que assentará bem a todos os distribuição de um pedal para cada pé. e um cronómetro para darmos largas à coração. No exterior a veia R encontra-se
que seguirem no lugar mais desejado. Por outro lado, a suspensão adaptativa imaginação. Em matéria de consumos, nas inserções na grelha dianteira espe-
Tudo isto sai beneficiado pela relação DDC cria um compromisso perfeito entre não sendo a preocupação primordial de cífica, laterais e tampa da bagageira; no
peso/potência e respetivas proporções conforto e estabilidade, contribuindo para quem adquire um modelo com estas pára-choques dianteiro específico, com
compactas, colocando-nos em mãos por a satisfação e bem estar de cada viagem. características, conseguem-se registos entradas de ar alargadas; nas belas jantes
um exemplar ágil, vigoroso e viciante. No fundo, o Volkswagen Golf R transporta de 7,9l/100 km numa utilização cuidada Cadiz de 18”, que escondem pinças de
Para lidarmos com os naturais excessos, o nosso imaginário para uma classifica- e 16,9 km a explorar a sua alma. O que travão R em preto; nas discretas saias
não deixa de impressionar, atendendo laterais em preto; no spoiler traseiro;
às performances que permite. na dupla ponteira de escape; no difusor
Se até aqui tudo parece idílico, é quando específico e nas óticas traseiras escure-
chegamos ao preço, em comparação cidos. Já no interior, é no volante e bancos
com a concorrência, seja ela mais ou desportivos, nos apoios de cabeça com
menos direta, que surge, talvez, o senão o logótipo R bordado e nas inserções em
do Volkswagen Golf R. Por exemplo, o aço inoxidável iluminadas que surgem os
Honda Civic Type R, com motor 2.0l com seus traços mais distintivos.
320 cv e tração dianteira, tem um preço
a começar nos 46.900€, enquanto o Ford BALANÇO FINAL
Focus RS, com motor 2.3l com 350 cv e
tração integral, cifra-se nos 50.525€. Numa palavra, equilíbrio. O modelo
conjuga todos os seus elementos com
ESTÉTICA SUBTIL tocante harmonia, tornando a condução
uma experiência que queremos repetir a
Se em ação as sensações são de nos todo o instante, permitindo-nos tirar um
deixar rendidos, visualmente depara- grande partido da sua alma sem preci-
mo-nos com um Golf que se vê revestido sarmos de ser um Sébastien Ogier. E isso
de alguns atributos diferenciadores, mas vale ouro.

+

OPEL

» INSIGNIA GRAND SPORT 1.6 TURBO D 136CV INNOVATION

UM FAMILIAR DE REFERÊNCIA MOTORIZAÇÕES E VERSÕES DISPONÍVEIS

Com um design de referência ao estilo de um coupé e uma combinação de visual A nova geração Insignia oferece uma gama alargada
desportivo com aerodinâmica extraordinária, o Insignia Grand Sport é uma aposta de eficientes transmissões e motores a gasolina e a
forte da Opel no conforto e elegância gasóleo, todos com turbocompressor.
A gama de motores do novo Insignia Grand Sport
Francisco Mendes expressivos três centímetros no curso em altura. Na inicia-se com um motor a gasolina 1.5 Turbo que
[email protected] prática, isto integra melhor o condutor com o automó- surge em duas versões com patamares de potência
vel, o que proporciona uma experiência de condução distintos de 140 cv e 165 cv.
Asegunda geração do Opel Insignia adota um mais envolvente e intensa. Já a linha de motores Diesel integra o popular tur-
formato esguio e alongado e o seu interior A disposição dos comandos e do interface do infoentre- bodiesel 1.6 de 110 cv e 136 cv (versão ensaiada). Já
transborda de classe com linhas simples. tenimento é bastante boa e o head-up display reforça acima do 1.6 situa-se o turbodiesel 2.0 com 170 cv
Com uma frente alongada, faróis rasgados o caráter digital da instrumentação, que conta ainda de potência, versão topo de gama.
e uma dupla asa a emoldurar o logótipo da com um grande ecrã tátil sem moldura que confere Além das caixas de seis velocidades de comando
marca, o Insignia aparece muito agradável um toque de sofisticação ao tablier. manual, que são de série em todas as versões, o novo
à vista. Para simplificar a interação do condutor com os dife- topo de gama propõe em opção uma transmissão
No conjunto, as formas suaves da carroçaria do Insignia rentes sistemas, muitos dos comandos são controlados automática de seis velocidades e uma novíssima
Grand Sport são um contributo decisivo para o notável no ecrã. A consola central foi desenhada para ter três caixa de oito velocidades.
coeficiente aerodinâmico de 0.26, que torna o novo zonas funcionais independentes. De cima para baixo,
topo de gama da Opel num dos automóveis mais surgem primeiro os comandos do sistema de informa- EQUIPAMENTO
aerodinâmicos de sempre nesta classe de veículos. ção e entretenimento, seguindo-se os da climatização
e os dos equipamentos de assistência à condução. O equipamento foi reforçado e o Insignia disponibiliza
INTERIOR Os passageiros dos bancos traseiros beneficiam da um head-up display, câmara de 360 graus que consis-
reformulação das proporções, ganhando espaço útil te em quatro câmaras, uma colocada em cada lado do
Ao entrar no Insignia percebemos que a Opel deu uma em comprimento e em largura. Da mesma maneira automóvel, que permitem obter imagens de todos os
grande atenção ao detalhe, o que está patente nas que o volume da bagageira salta aos olhos dos mais ângulos, facilitando as manobras de estacionamento e
superfícies suaves, materiais e acabamentos de alta distraídos, podendo ir, no Grand Sport, de 490 a 1450 de baixa velocidade. Para além disso contamos ainda
qualidade que dão o mote num ambiente que reflete litros, consoante a posição dos bancos. com o regulador de velocidade adaptativo, avisador
a filosofia de design da Opel: “arte escultural aliada à de transposição de faixa com correção automática
precisão alemã”. da direção, alerta para tráfego vindo de cruzamento
Os bancos são AGR e o condutor possui um maior pela traseira, luzes LED Matrix IntelliLux, enfim,
número de regulações, ganhando, por exemplo, uns muita tecnologia que ajuda na condução e no dia a
dia. Naturalmente que o ONStar está disponível com
um novo assistente pessoal e o sistema de infoen-
tretenimento IntelliLink foi melhorado.

>> autosport.pt/automais

47

Já o sistema Opel OnStar, pelo seu lado, faculta um A estabilidade é enorme, beneficiando da maior dis- FT/ F I C H A T É C N I C A
‘hotspot’ Wi-Fi 4G para ligação até sete dispositivos tância entre eixos e das vias mais largas em 11 mm,
à Internet, ao mesmo tempo que garante variados enquanto as jantes de 17 polegadas ajudam ao conforto. 1.6 / 136 CV
serviços providenciados por operadores num centro Mesmo nas estradas onde o alcatrão é mais degradado
de comando e operações, entre os quais a resposta a travagem é muito eficaz, enquanto a caixa manual GASÓLEO
automática em caso de acidente e a localização e de seis velocidades é um verdadeiro mimo, bastante
bloqueio do veículo em situação de roubo. suave, precisa e respondendo sempre a preceito. 10,5 S
O facto de estarmos aos comandos de um carro com
AO VOLANTE 4897 mm de comprimento, mais 55 mm do que a 0-100 KM/H
Sentados ao volante do Insignia GS 1.6 Turbo D de 136cv versão anterior, não preocupa, já que este Insígnia
sentimos de imediato que estamos aos comandos de Grand Sport revela uma enorme aderência do eixo 4,3 L / 5,2 L (AUTOSPORT)
um carro que nos transmite uma enorme sensação dianteiro, que beneficia a abordagem em curvas rá-
de segurança e conforto. pidas, realizadas com uma enorme suavidade. Já em 100 KM
autoestrada o Insígnia Grand Sport é um verdadeiro
‘papa’ quilómetros, com o condutor a gozar de uma 114
enorme tranquilidade e segurança.
G/KM- CO2
VEREDITO
28 680€
Com o Insignia GS 1.6 Turbo D de 136cv a Opel encontrou
a fórmula de rivalizar com outras conhecidas marcas PREÇO BASE
germânicas, aliando o conforto e a qualidade a um
eficaz comportamento e consumo de um carro que CONFORTO / DISPONIBILIDADE DO
tem tudo para suplantar o sucesso da primeira geração MOTOR / VISUAL APELATIVO
Insignia, eleita Carro do Ano europeu em 2009, e da
qual foram produzidas mais de 950.000 unidades. EQUIPAMENTO OPCIONAL

MOTOR TIPO 4 CILINDROS EM LINHA
POTÊNCIA MÁXIMA 136 CV / 3500-4000 RPM
BINÁRIO MÁXIMO 320 NM / 2000-2250 RPM
TRANSMISSÃO DIANTEIRA, CX MANUAL DE 6
VELOCIDADES SUSPENSÃO TIPO MCPHERSON
À FRENTE / EIXO DE TORÇÃO ATRÁS TRAVÕES
DV / D PESO 1503 MALA 490-1450L DEPOSITO
62 L VEL. MÁX 211 KM/H

E/ Dando cumprimento ao estabelecido no n° mais importantes provas de desporto au- leitores uma informação atual, rigorosa abordagem e de análise dos factos noti-
1 do artigo 17° da Lei 2/99, de 13 de Janeiro, tomóvel disputadas em território nacional e de qualidade, opinando sobre tudo o ciosos, com total abertura à interatividade
ESTATUTO Lei da Imprensa, publica-se o Estatuto e no estrangeiro, relata acontecimentos que se passa na área do automóvel e dos com a sua comunidade de leitores. 4. O
EDITORIAL Editorial da publicação periódica AutoSport: ligados à competição automóvel, bem como automobilistas, numa perspetiva plural, re- AutoSport pratica um jornalismo pautado
1. O AutoSport é um semanário dedicado temas que versam o automóvel como bem cusando o sensacionalismo e respeitando pela isenção, sem comprometimentos
ao automóvel e aos automobilistas, nas de consumo, tanto na área industrial como a esfera da privacidade dos cidadãos. 3. ou enfeudamentos, tendo apenas como
suas mais distintas vertentes: desporto e comercial. O AutoSport pauta as suas opções edito- pressuposto editorial facultar a melhor
competição, comércio, indústria, segurança 2. O AutoSport está comprometido com riais por critérios de atualidade, interesse informação e a melhor formação aos seus
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