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Published by hmilheiro, 2017-12-22 11:46:14

AutoSport_2087

AutoSport_2087

#2087 40
ANO 40
anos
27/12/2017
>> autosport.pt
2,35€ (CONT.)

“SER CAMPEÃOMIGUEL OLIVEIRADIRETOR PEDRO CORRÊA MENDESO SEMANÁRIO DOS CAMPEÕES

É UM OBJETIVO
PESSOAL

+

OPELENSAIO INSIGNIA

PÁG. 42

OS MELHORES INDIAN SCOUT BOBBER 2018
‘MOMENTOS’ DO ANO

O SEMANAL
NO COMPUTADOR À 2ª FEIRA

EDIÇÃO >> autosport.pt ASJSÁI!NE
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3

I/ I N S TA N TÂ N E O SIGA-NOS EM EDIÇÃO

#2087
27/12/2017

f l> > a u t o s p o r t . p t
facebook.com/autosportpt twitter.com/AutoSportPT

DECISIVO O momento do acidente de Vettel, Raikkonen e Verstappen em Singapura marcou o momento em que a Scuderia comprom- José Luís Abreu
eteu quase por completo a conquista dos títulos e de certo modo, o ano na F1
DIRETOR-EXECUTIVO
S/ SEMÁFORO EM DIRETO
[email protected]
PARADO A ARRANCAR A FUNDO “Ele atua como senhor da razão. Ele
chega e diz como serão os motores Está prestes a terminar um
‘Bate boca’ entre Sébastien Loeb vai Peugeot Rally Cup e os chassis. Parece Moisés a bom ano para o desporto
a Liberty Media e fazer três provas em Ibérica é uma dizer-nos os mandamentos”, Sergio motorizado. A F1 e o WRC
os responsáveis da 2018. Pena não serem mudaram para melhor, os
Ferrari. Mau para excelente notícia e um Marchionne, a ‘atirar-se’ a Ross Brawn resultados das mudanças
mais… fabuloso trampolim foram imediatos, e os res-
todos… para os ralis “Todos nós sabemos que a F1 é a ponsáveis estão a trabalhar mais
Ferrari e que a Ferrari é a F1. Mas do que nunca para não perder o
O SEMANÁRIO DOS CAMPEÕES NA ERA DIGITAL se eu fosse a Liberty Media não os comboio da atenção dos adeptos,
provocava”, Toto Wolff, relativamente que hoje têm, como nunca tiveram,
Siga-nos nas redes sociais e saiba tanto e tão bom por onde escolher.
tudo sobre o desporto motorizado no ao bate-boca entre Sergio Marchionne e Ross O WEC e o WTCR vão entrar numa
computador, tablet ou smartphone via Brawn temporada de transição, depois de
facebook (facebook.com/autosportpt), se ter chegado à conclusão que os
twitter (AutosportPT) ou em “É bom regressar com a equipa modelos existentes já não serviam,
>> autosport.pt com que tive tantos sucessos! Mas e o que se preconiza, tem tudo para
não tenho expetativas, só quero resultar.
divertir-me”, Sébastien Loeb, sobre o Mas a época esteve longe de se re-
sumir a estas competições, e o ano
seu regresso em 2018 ao WRC de 2018 tem muito a deixar água na
boca. Por exemplo, Albuquerque e
“O Alonso sempre culpou os Barbosa juntos na IMSA, Félix da
outros ao invés de encontrar as Costa no WEC. Vamos ter novamen-
razões para os seus erros”, Jaime te equilíbrio na F1? E no WRC? Será
que Bruno Magalhães pode repetir o
Alguersuari, pai do ex-piloto da Toro Rosso percurso de 2017? Fernando Alonso
com o mesmo nome ao jornal Diário Ara de vai ganhar em Le Mans? Vamos ter
Barcelona novamente campeonatos equilibra-
dos no CPR e CNTT? Deixo para o
fim os dois novos troféus de ralis
previstos para 2018, KIA e Peugeot.
São bem distintos, mas ambos po-
dem complementar-se duma forma
muito interessante. No KIA, jovens a
‘nascer’ e a crescer nos ralis e alguns
consagrados a manterem-se ativos,
e no Troféu Peugeot, tal como se viu
em França nos últimos anos, uma
competição que verdadeiramente
lança jovens para patamares mais
elevados. Jovens a competir a nível
Ibérico, só pode fazê-los crescer e,
no caso particular dos ralis, Portugal
precisa de ‘descobrir’ pilotos que
possam dar sequência ao que fi-
zeram, por exemplo, Rui Madeira,
Miguel Campos, Bruno Magalhães
e Armindo Araújo. E por falar nele,
será que volta em 2018?

4 E/ MIGUEL OLIVEIRA
ENTREVISTA
SER CAMPEÃO
É UM

OBJETIVO
PESSOAL

O mais bem sucedido piloto português no
Mundial de Motociclismo voltou a viver um ano

de ouro, em 2017, depois da difícil, mas
importante, temporada de estreia e natural

aprendizagem em Moto2. Constantes
demonstrações de puro talento à qual juntou-
se uma grande consistência ao longo de 18 GP's
impressionaram os rivais e levam o jovem luso
da Red Bull KTM Ajo a assumir, sem rodeios, a

candidatura ao título em 2018

Alexandre Melo
[email protected]

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5

Foi com a humildade dos grandes Vitórias, poles, voltas mais rápidas em e a KTM, parceiros sérios que têm uma
campeões e sempre com os pés corrida, tiveste de tudo um pouco. Qual intenção muito positiva em relação ao
bem assentes na terra que Miguel o balanço que fazes desta temporada? desporto motorizado, é importante. É
Oliveira apresentou-se peran- Este não foi um ano para esquecer, pelo preciso referir que a KTM, em conjun-
te os jornalistas, numa unidade contrário. Foi uma época bastante posi- to com a Red Bull, tem um projeto de
hoteleira, em Lisboa, para fazer o tiva e de aprendizagem, onde fui sem- formação de pilotos que vai da Red Bull
habitual balanço da temporada ao mes- pre muito regular. Consegui pontuar em MotoGP Rookies Cup ao MotoGP. Existe
mo tempo que realizou o também tradi- quase todas as corridas, apenas tive dois uma linha contínua para um miúdo que,
cional jantar com os fãs, que incluiu a en- abandonos, e sofri pouquíssimas quedas. com 13 anos, consegue entrar na Rookies
trega de prémios da primeira edição da Porém não quero esquecer o ano passado Cup e aspirar ao MotoGP. Já passei por
Oliveira Cup, competição destinada aos que também foi muito importante, pois todas estas etapas. Falta agora chegar
mais jovens e que como o próprio nome tive de adaptar-me a uma categoria nova. o próximo passo, que é o MotoGP.
indica é promovida por Miguel Oliveira. Todas as adversidades que encontrei fi- Desde o primeiro teste com a KTM que
Esta foi uma época onde o piloto de 22 zeram-me crescer enquanto piloto. Tudo foi notório que tiveste boas sensações.
anos, faz 23 a 4 de janeiro, regressou à contribuiu para o terceiro lugar do cam- O que sentiste nesse momento?
Red Bull KTM Ajo, equipa que já conhe- peonato que obtive em 2017. Logo no princípio do ano percebi que na
cia dos tempos de Moto3, e com a qual Quais as principais diferenças que KTM tinha algo de muito diferente. Em
agora, em Moto2, tornou-se no primeiro sentiste entre a estrutura da Leopard primeiro lugar regressei a uma equipa
piloto português a vencer uma corrida da Racing/Kalex e a Red Bull KTM Ajo? onde sabia que tudo era mais profissio-
categoria intermédia do Mundial, ‘gosto’ Em relação à Kalex do ano anterior, a di- nal. Depois sabia que tinha pessoas ao
que saboreou por três ocasiões, curiosa- ferença de entrar na KTM foi brutal, es- meu redor que estavam a trabalhar para
mente nas últimas três rondas do ano. A pecialmente pelo facto do meu chefe de mim, que me iam direcionar e dar-me as
isto juntou ainda duas poles e três voltas mecânicos ter trabalhado com o bicam- ferramentas que precisava para evoluir
mais rápidas em corrida. Aproveitando a peão do mundo de Moto2, Johann Zarco. como piloto. O Miguel Oliveira de 2016
ocasião, trocámos algumas impressões Toda essa informação que tinha passou não é o mesmo do final de 2017. Evolui
com o piloto sobre a sua época. diretamente para mim. Os dados todos muito enquanto piloto, aprendi várias
do Zarco, durante a temporada, foram coisas novas e foi graças a toda a equipa
comparados com os meus. Só por isso técnica que hoje sou esse Miguel. No iní-
a diferença é brutal. Tinha sempre uma cio da época a moto era um protótipo em
referência. A nível de estrutura, estar en- estado puro. Demorávamos 10 minutos
volvido com parceiros como a Red Bull a trocar o amortecedor traseiro em vez

E/
ENTREVISTA

6

MIGUEL OLIVEIRA

dos três minutos que demoramos ago- duvidosa a meu ver, mas ainda assim,
ra. A moto era muito mais complicada fui progredindo passo a passo, e quan-
de pilotar. Só não foi um balde de água do realmente tudo se juntou chegaram
fria porque estava na equipa certa para as três vitórias consecutivas que não
evoluir a moto. deram hipóteses aos meus adversários.
Quando é que sentiste que estavas pre- A determinado momento da época dei-
parado para vencer uma corrida? xaram de ter uma atitude de foco no de-
Foi tudo uma melhoria contínua. Existiam senvolvimento da moto para estarem
vários aspetos que me faltavam para focados em obter resultados de relevo?
ganhar uma corrida. Sensivelmente a Talvez logo a seguir ao Grande Prémio da
meio do campeonato, lembro-me que Grã-Bretanha acabámos por simplificar
foi na corrida de Assen que liderei pela as coisas. A equipa técnica disse-me
primeira vez uma contenda de Moto2. Já que a moto ia ser aquela até final do ano
tinha conquistado uma pole postion, mas pelo que não valia a pena estar a mexer
em condições não ideais. Foi uma pole muito. Desta forma as três corridas fora

Miguel Oliveira foi
um dos melhores
pilotos do plantel
de Moto2 em 2017. O
piloto luso terminou
o campeonato na
terceira posição
e foi protagonista

de um fecho de
época em grande,
com três vitórias
consecutivas nas
últimas três provas
do ano. Resultados
importantes para
ele e para a equipa,
e que deixam a nú

uma ideia clara
daquilo que podemos

esperar para 2018.
O título em Moto2 é

o objetivo, como o
próprio assume

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7

da Europa, na parte final do ano, seriam nasse competitiva de forma mais rápida.
muito importantes no aspeto técnico de O Brad veio reconfirmar as coisas que eu
terminar as corridas e ganhar experiên- ia testando. Por vezes tinha comentários
cia. Se queríamos lutar pelo título estáva- ligeiramente diferentes, mas tudo acaba
mos perante três Grandes Prémios fun- por bater certo. No final do Mundial re-
damentais. Por isso não mexemos muito velou-se uma grande ajuda em termos
na moto. A nível psicológico foi algo que de motivação até mesmo para mim. Ter
também me tranquilizou, pois fui para um companheiro de equipa mais pró-
esses eventos apenas com o objectivo de ximo, por vezes até à frente, é positivo
fazer os melhores resultados possíveis. em termos de equipa. Cria a tal tensão
O teu colega, Brad Binder, esteve lesiona- dentro da boxe que nos leva a superar
do na fase inicial da época. Essa situação a nós próprios. Em 2018 o Brad será um
prejudicou o desenvolvimento da moto? candidato ao título.
A ausência do Brad acabou por não fazer Em julho tiveste a oportunidade de tes-
diferença. Porque tivemos o Ricky Cardús tar, em Aragão, pela primeira vez um pro-
como piloto de testes e que, nessa função, tótipo de MotoGP. Esse ensaio ajudou-te
deu continuidade a um exigente progra- no que restava da época?
ma de desenvolvimento. O Ricky foi uma O teste não me ajudou em nada porque
ajuda importante para que a moto se tor- as motos são muito diferentes. Estar aos
comandos de um protótipo de MotoGP
dá a sensação de se estar dentro de uma
máquina de lavar. Não se tem noção, ou
é difícil ter-se a noção, do que é andar
com uma máquina de MotoGP. São 270
cv para 150 kg de peso, talvez 220 ou 230
kg de massa total, ou seja, com moto e
piloto. É um impacto brutal que se sen-
te. Os travões em carbono, nem sei o
diâmetro, mas têm quase o tamanho
da roda da frente. Basta travar com um
dedo e sente-se imediatamente a trava-
gem. São sensações muito diferentes e
que vão exigir uma adaptação, que não
será fácil. Existem muitos aspetos a nível
de eletrónica que, quanto mais invasiva
for, mais o piloto está limitado a nível do
tempo por volta. Como disse será uma
adaptação complicada, mas não impos-
sível, porque neste teste consegui ser
bastante competitivo.
Depois de uma época tão positiva, con-
sideras que és um dos principais candi-
datos ao título em 2018?
Sei que existe uma lista de supostos
candidatos ao título. Naturalmente insi-
ro-me nela porque tenho o objectivo pes-
soal de ser campeão do mundo em 2018.
Contudo, não estou a pensar em quem
virá em segundo ou terceiro. Existem
muitos pilotos que vão dar grandes do-
res de cabeça, enquanto outros poderão
aparecer numa corrida ou outra, mas
serão irregulares. Esta temporada fiz
algo que se revelou importante, que foi
não pensar nos outros. Tinha uma moto
nova, que precisava de ser desenvolvida
para ser competitiva e que acabou por

E/ " TENHO O OBJETIVO PESSOAL DE SER CAMPEÃO DO MUNDO EM 2018. NO
ENTREVISTA MOMENTO DA VITÓRIA TODOS OS PORTUGUESES VIBRAM, E TALVEZ POR ESSA

8 EMPATIA EMOCIONAL TENHO CADA VEZ MAIS ADEPTOS."

MIGUEL OLIVEIRA

o ser durante toda a temporada. Estive
sempre muito focado em mim próprio,
o que jogou a meu favor. Em 2018 quero
manter a mesma mentalidade.
Tens como objetivo o título mundial.
Perante esta meta tens delineada al-
guma estratégia especial para atacar
a temporada?
Gostava de ter uma estratégia para 2018,
mas é difícil. O importante é não construir
expectativas, porque as expectativas não
alimentadas contribuem para a desilusão.
Como disse anteriormente, quero estar
focado apenas em mim mesmo. Sei que
sou um candidato ao título, mas nada é
garantido. Todos os pilotos vão come-
çar a época com zero pontos pelo que
aquele que amealhar mais pontos será
o campeão. Esse é o meu objetivo. Para
tal terei de precaver-me nos dias maus,
em que a vitória seja impossível, e con-
tentar-me com um sexto ou sétimo lu-
gares de modo a não deitar tudo a perder.
Um dos momentos altos da tua tempo-
rada foi a ultrapassagem ao campeão
do mundo, Franco Morbidelli, no GP da
Comunidade Valenciana, e que te per-
mitiu embalar para a terceira vitória do
ano. Como olhas para esse momento?
Aquela ultrapassagem ao Franco sur-
giu de um planeamento estratégico que
tive de fazer e numa análise de erros
que tinha cometido anteriormente. Na
Alemanha, por exemplo, passei metade
da corrida atrás do Morbidelli e quando
o quis ultrapassar já era tarde. Aprendi
com esse erro e sabia que da próxima
vez que chegasse ao pé do Franco tinha
de fazer a ultrapassagem. Em Valência
já tínhamos uma distância suficiente do
terceiro para podermos ficar na luta, du-
rante quatro ou cinco curvas, que era o
que esperava. Ultrapassei o Franco num
sítio onde não deixei muito espaço para
ele sair. Felizmente estávamos numa di-
reita dupla, portanto dava margem su-
ficiente para o deixar sem espaço para
qualquer resposta na curva seguinte.
A partir daí vimos o Miguel Oliveira de
Sepang e Phillip Island. Imprimi o meu
ritmo para ganhar uma distância con-
fortável.
Após a corrida o Franco Morbidelli deixou
rasgados elogios ao teu desempenho.
Como sentiste essas palavras?
Foi um gesto simpático e genuíno, por-
que ele já tinha referido, anteriormente,
que eu era um sério candidato às vitó-
rias. Não foi só em Valência que esteve
atento ao meu desempenho.
Foste o mais rápido nos testes de pré-
-época em Jerez, tendo mesmo esta-
belecido o recorde, ainda que não oficial,
da volta mais rápida à pista em Moto2.
Podemos dizer que a moto de 2018 é
bem nascida?
Neste momento é difícil falar na moto

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para 2018. Sei que deixei os ensaios de Como é que sentes a paixão dos portu-
Jerez com a volta mais rápida de sempre gueses pelo motociclismo. Achas que,
de um protótipo de Moto2, mas as deci- com os teus sucessos, tem vindo a au-
sões que tomei face à moto de 2018 foram mentar?
baseadas em sensações. Isto porque, de O desporto motorizado é muito consen-
facto, tanto ao nível dos tempos como da sual porque é fácil de entender. Quem
telemetria, não houve nada de muito evi- chega em primeiro lugar é o vencedor.
dente em relação ao caminho a seguir. Depois não existem 'clubites'. Logo aí
Neste momento é também um facto que desbloqueia um leque enorme de pes-
não conseguimos encontrar meio segun- soas que podem seguir o Miguel Oliveira.
do de diferença com apenas um novo Abrange uma faixa etária enorme por-
componente técnico. A moto é aquela que todos vibram da mesma forma e
que temos, portanto se quisermos tes- cria uma relação emocional muito in-
tar muitas coisas é fácil encontrar um teressante, pois quando toca o hino a
componente que não seja válido ou que emoção é muita. O Cristiano Ronaldo
seja mais eficaz. Porém, não há uma di- pode ser o maior jogador de futebol do
ferença significativa numa biela ou num mundo, e a meu ver é, mas não faz tocar
braço oscilante, simplesmente porque muitas vezes o hino nacional. Eu já o fiz
não existe. tocar nove vezes. No momento da vitó-
Tens a mesma idade que o Maverick ria todos os portugueses vibram, e talvez
Viñales, 22 anos, um piloto com quem por essa empatia emocional tenho cada
já competiste. Como vês o facto dele vez mais adeptos. Consigo transparecer
já ter chegado ao MotoGP e de tu ainda cada vez mais cá para fora aquilo que sou
estares em Moto2? enquanto pessoa e não tanto como pilo-
O Maverick passou por equipas muito to. Acho que as pessoas acatam isso de
diferentes, que lhe deram oportunida- forma positiva.
des também muito diferentes. Em 2016, Perante tanto reconhecimento ainda
tive a época que tive, e em 2017 parecia consegues passar despercebido na rua
um piloto completamente diferente. Este aos olhos das pessoas?
é um desporto individual em que o pilo- Ainda posso andar nas ruas sem ser re-
to conta muito, mas quem está ao redor conhecido, mas quando alguém me abor-
dele, a equipa e a moto, também contam da, é sempre um prazer parar e tirar uma
muito. Viñales teve oportunidades dife- fotografia. O meu trabalho exige o uso de
rentes das minhas e chegou ao MotoGP um capacete, portanto, se sou reconhe-
mais cedo do que eu. cido fora das pistas é um bom sinal.

E/10
ESPECIAL

‘MOMENTOS’
DE2017 Estamos quase no epílogo de mais também começou (e terminou) bem a
uma temporada que fica marca- sua aventura com a M-sport ao vencer
da por duas grandes alterações de em Monte Carlo. A Toyota regressou para
regras e logo em duas das prin- uma nova ‘vida’ no WRC e venceu logo na
cipais competições motorizadas, segunda prova após o regresso. Antes do
a F1 e o WRC, que, curiosamente, início da época da F1 a Honda ambicionava
culminaram em temporadas bem interes- bater-se com a Mercedes e Ferrari, mas,
santes. Tanto num caso quanto noutro os como bem sabemos, não foi nada dis-
títulos decidiram-se já muito perto do fim so que aconteceu, mas sim um divórcio
quase litigioso com a McLaren. Bernie
da competição, mas mais importante que Ecclestone desligou-se definitivamen-
te da F1 ao mesmo tempo que regres-
isso, os novos F1 e WRC são muito mais sou Ross Brawn, integrado na equipa da
Estamos quase no final de um ano muito interessante no interessantes de ver rodar, e isso ajudou Liberty Media, que neste momento já
desporto motorizado, marcado também pelo facto do AutoSport emmuitoaocrescimentodointeressedos leva mais de um ano de trabalho. Este foi
ter atingido a bela marca de 40 anos. Nas próximas páginas, adeptos nas duas disciplinas. também ano de eleições na FPAK, mas
vamos recordar o que de mais importante se passou no ‘mundo Mas o ano esteve longe de se resumir apesar de Manuel Mello Breyner e Mex
dos motores’… somente ao que se passou nos dois mais Machado se terem unido na candidatu-
ra, foi Ni Amorim a vencer.
importantes campeonatos. Felizmente, Na Austrália, a F1 começou com a Ferrari

houve muita ‘coisa boa’ pelo meio. 2017

começou logo com Mr. Dakar a fazer o

que melhor sabe, vencer, Sébastien Ogier

>> autosport.pt

11

a bater a Mercedes, o que se prolongou Inês Ponte tiveram um grave acidente que sabe como gerir uma corrida, por 1
até meio da época com os ‘encarnados’ que os empurrou para longos meses de isso a minha tática passou por obrigar
na frente, mas depois uma série de erros recuperação que ainda decorre. Na pro- Loeb a ir aos limites. A partir dessa al- 2
da equipa e de Sebastian Vettel viraram va portuguesa do WRC, quinta vitória de tura ficou exposto aos erros e foi isso
o tabuleiro a favor da casa alemã e aca- Sébastien Ogier, numa altura que esta- que aconteceu quando teve um furo”, 3
bou por ser Lewis Hamilton, com uma se- va ainda longe de carimbar o título. Em disse. Parece simples, não é?
gunda metade de época quase imparável, Espinho, a meio do ano, Carlos Vieira es- 3 ESPETADOR MORRE
a chegar ao quarto título Mundial de F1. treou-se a vencer nos ralis, e – surpresa 2 FELIPE MASSA REGRESSOU
A temporada também começou muito – chegou mesmo ao título, depois de um NO MONTE CARLO
bem para Bruno Magalhães, que ganhou fantástico sprint final. Outro momento Depois daabrupta saídade NicoRosberg Não começou bem o Rali de Monte Carlo,
nos Açores, prova que foi o trampolim extraordinário da época foi o regresso da Mercedes, e da casa alemã fazer a já que logo na primeira especial Hayden
perfeito para uma época de sonho, pois de Robert Kubica aos comandos de um 'compensação' indo buscar Valtteri Bottas Paddon teve uma violenta saída de es-
foi conseguindo disputar as provas do F1, seis anos depois. Em Le Mans, uma à Williams, esta teve que ‘resgatar’ Felipe trada depois de ter apanhado ‘gelo negro’
ERC e manter-se até bem perto do final vitória quase inacreditável do Porsche nº Massa. O brasileiro aceitou regressar, mas e colheu um espetador muito mal colo-
no comando do campeonato, terminan- 2, que chegou a estar… em último! Para a o problema é que nem a sua velocidade cado. O troço foi de imediato interrompi-
do como vice-campeão. Toyota, ainda não foi desta… nem a motivação deram para mais. Neste do para ser prestado socorro ao ferido,
Descontente com a Honda, Fernando Na F1, em Baku, uma ‘birra' de Sebastian momento a equipa de Grove ‘desespera’ que foi transportado para o hospital de
Alonso foi ‘divertir-se’ para as Indy 500, Vettel estragou-lhe a reputação e fê-lo por um novo piloto: “Estou muito con- Nice, onde mais tarde foi confirmado o
onde esteve muito perto do brilhar. perder pontos preciosos na luta pelo tí- tente por regressar à Williams. Não per- óbito: “Estou incrivelmente triste pelo
No Rali de Portugal, José Pedro Fontes e tulo. Pouco depois ficou a saber-se que di o meu entusiasmo por correr...”, disse acidente e os meus pensamentos vão
a Porsche iria abandonar a LMP1 no fim então Massa. para a família e amigos da pessoa en-
deste ano. volvida. Estou em choque com o suce-
No início de setembro, um grande sus- dido. Lamento pela família, pelos adep-
to, com um pavoroso acidente de Tiago tos, pelo desporto”, disse Paddon, num
Monteiro, que o impediu de lutar pelo tí- acidente que lhe condicionou a mente e
tulo do WTCC que acabou por ir para as toda a época, e o que levou a ter apenas
mãos de Thed Björk. Depois de muitos um programa parcial em 2018.
meses de avanços e recuos, encontrou-
-se uma solução airosa para várias par-
tes e num acordo que meteu muita gente
à mesa, a McLaren, Honda, Renault e Toro
Rossoanunciaramumacordoqueresulta-
rá numa McLaren/Renault e Toro Rosso/
Honda em 2018. Por cá, regresso de uma
prova mítica, a Rampa da Arrábida. No TT,
Ricardo Porém venceu a Baja Portalegre
500 e sagrou-se Campeão Nacional, e no
mesmo fim de semana Sébastien Ogier
sagrou-se Pentacampeão do Mundo de
Ralis. No México, Lewis Hamilton confir-
mava o tetra. Em Portugal, uma excelen-
te novidade para 2018 com a confirma-
ção do nascimento de um novo troféu,
o Kia Picanto GT Cup, para ralis e pistas.
No Rali do Algarve, Carlos Vieira ven-
ceu a lei das probabilidades e sagrou-se
Campeão Nacional de Ralis pela primeira
vez. Também Pedro Lamy, depois de al-
gumas tentativas, sagrou-se Campeão
no WEC entre os LM GTE Am. No meio de
tantos feitos, vamos aos ‘momentos’ que
melhor resumem o ano de 2017…

JANEIRO

1 PETERHANSEL VENCE DAKAR

Pareciaque seria à segunda tentativa que
um antigo campeão nos ralis conven-
cionais, Sébastien Loeb, se iria impor na
prova ‘rainha’ do todo o terreno mundial.
Mas Stéphane Peterhansel puxou dos
galões e encarregou-se de assegurar
a sua 13ª vitória. Depois de seis triun-
fos nas motos, o Sr. Dakar já vai com
a sua sétima vitória nos carros, desde
2004, o que fez dele até 2007 a Raposa do
Deserto, e depois disso o Rei do Dakar.
Tornou-se, muito merecidamente, no
piloto mais bem sucedido na história
do Dakar, mas desta vez não foi fácil:
“O Sébastien é um piloto muito rápido

e/
ESPECIAL

12

MOMENTOS DE 2017

5

4

67 8

8 COMEÇO AZIAGO 4 SORTE E AZAR NO MONTE CARLO rica, incluindo nós, mas todos sabemos da, qual ‘sprint’ de endurance, com lutas
que há muitos problemas para resolver”, em quase todas as frentes. E por isso
PARA KRIS MEEKE Depois dum claro domínioemais de me- disse na altura Helmut Marko. Começou mesmo a forma como a Wayne Taylor
tade do rali, Thierry Neuville perdeu o rali de imediato o debate de muitos assun- Racing chegou à meta em primeiro não
Kris Meeke começou no Monte Carlo por centímetros, já que bateu numa berma tos, por exemplo, o teto orçamental ou o pode escamotear a grande corrida feita
uma época muito difícil, que mais tarde com um das rodas do Hyundai i20 WRC bónus de 100 milhões anual da Ferrari, a por João Barbosa, Filipe Albuquerque e
se veio a saber que não eram os abusos e danificou a suspensão. “Apanhámos possível passagem do Mundial de F1 para Christian Fittipaldi. No automobilismo,
do piloto o mal maior. Teve uma saída uma zona suja ao cortar uma curva e ao 25 corridas, mas: “Há contratos assinados como em todo o desporto em geral, os
larga na quarta especial e acertou na acelerar a traseira do carro deslocou cer- até 2020, está tudo regulamentado, mas vencedores morais são coisa quase ul-
última pedra que existia na berma em ca de 15, 20 cm. Foi o bastante para tocar- parece-me que há muita coisa que pode trapassada, mas no caso destas 24 Horas
muitas centenas de metros, danificando mos numa placa de cimento. Estávamos ser feita a curto prazo, como por exemplo de Daytona apetece dizer que a classe
seriamente a suspensão dianteira direi- a controlar o rali, muito confortáveis no abrir bastante mais o desporto”. Quase um passou ao lado da forma como a corri-
ta. Regressou em Super Rally, voltou a carro, é por isso um grande desaponta- ano depois, continua tudo a conversar... da se decidiu no que ao vencedor abso-
parar na 10ª especial com um problema mento”. Não o sabia na altura, mas esta luto diz respeito, depois do chega para
mecânico, penalizou no troço seguinte prova espelha bem o seu ano. Azares, 5 MANOR FECHOU lá que a (quase) todos pareceu passível
50s para efetuar reparações, realizou erros, e magnífica pilotagem. Foi quem de penalização, de Ricky Taylor a Filipe
as duas últimas especiais, mas na li- mais ganhou durante o ano. O que se temia aconteceu. A Manor não Albuquerque: “Ele (Taylor) deveria sen-
gação um carro bateu-lhe, deixando Sébastien Ogier venceu depois duma luta conseguiu encontrar um comprador e tir-se envergonhado pela forma como
o C3 WRC muito danificado. É azar a muito equilibrada com Thierry Neuville, teve mesmo de ‘fechar as portas’. A equi- venceu”, reforçou o piloto de Coimbra.
mais para uma prova só... que se preparava para entrar no dia deci- pa estava sob administração judicial des-
sivo com uma vantagem a rondar os 50s. de o início do ano, mas os responsáveis FEVEREIRO
ACIDENTE DE WEHRLEIN Ogier também se atrasou logo na fase ini- da FRP (administradores judiciais) não
cial do rali, perdendo cerca de 40s ao cair conseguiram assegurar as verbas que 9 FEZ-SE HISTÓRIA NA SUÉCIA
NA CORRIDA DOS CAMPEÕES num buraco, mas o que interessa reter é permitiam resolver o futuro imediato.
o facto de ter mudado de equipa e conti- Surgiram vários interessados, nomea- No Rali da Suécia repetiu-se o filme relati-
Pascal Wehrlein teve um grande aci- nuado a ganhar... damente um consórcio asiático, mas as vamente a Thierry Neuville, desta vez com
dente numa das mangas da Corrida dos negociações nunca avançaram muito. um erro indesculpável. Quando liderava
Campeões, capotando o seu Polaris 7 SAI ECCLESTONE, Assim, a semanas do início da nova tem- confortavelmente perdeu uma roda na
de três rodas, depois de um exagero porada e com os testes em Barcelona, aos super especial. Mau demais para ser ver-
em pista. O susto foi grande, o alemão COMEÇA UMA NOVA ERA NA F1 administradores da Manor não restou dade e muito azar para a Hyundai. Quem
saiu de lá pelo seu pé, mas o mal es- outra alternativa senão a de encerrar a aproveitou foi Jari-Matti Latvala e a Toyota,
tava feito. Foi colocado em repouso Confirmou-se a saída de Bernie Ecclestone equipa, pois não seria possível assegurar que fizeram história. Foram apenas ne-
“como medida de precaução” depois e iniciou-se uma transição com a nova sequer os salários de fevereiro. cessárias duas provas para a Toyota che-
das lesões sofridas. Consequências? 'era' Liberty Media: “Bernie tornou a F1 gar às vitórias. Já se tinha percebido que o
Perdeu a pré-época, as duas primeiras num show global, fazendo muita gente 6 24 HORAS DE DAYTONA projeto liderado por Tommi Makinen tinha
corridas, e o lugar (vamos ver) na F1... dado um grande pulo qualitativo nos úl-
A 55.ª edição das 24 Horas de Daytona timos meses antes do arranque do WRC
teve um final que, decidiamente, não 2017, mas vencer ao segundo rali esteve
merecia. Foi uma prova que até aos úl- muito acima das expetativas...
timos minutos foi plenamente disputa-

JORGE AMORIM PERDEU A VIDA MORREU JOHN SURTEES >> autosport.pt
Desapareceu um grande apaixonado John Surtees morreu aos 83 anos. O bri-
pelos automóveis. Aos 53 anos, Jorge tânico foi o único a conseguir o título de 13
Amorim perdeu a vida na sequência de campeão do mundo de F1 e de motociclis- 9
um acidente quando treinava com o piloto mo. Surtees foi Campeão do Mundo de F1
João Vinha, que se preparava para o Rali em 1964, pela Ferrari, depois de ter sido 10
Serras de Fafe. A vida foi madrasta para Campeão nas Motos. Foi um dos grandes
o vice-presidente do Clube Automóvel do do desporto motorizado. 11
Centro, com a tragédia a bater-lhe à porta.
KRIS MEEKE DO INFERNO 12
PEDRO MEIRELES VENCE EM FAFE
Pedro Meireles venceu o Rali Serras de AO CÉU NO RALI DO MÉXICO
Fafe depois de um azar de Ricardo Moura. O que aconteceu na derradeira especial
Meireles e Moura tiveram uma bela luta do Rali do México foi um dos momentos
ao segundo - o campeão de 2014 viu sol- mais incríveis da história do WRC. Apenas
tar-se um tubo do intercooler, perdendo a poucos metros do final da PowerStage,
com isso trinta segundos e quase todas Kris Meeke perdeu o controlo do seu C3
as possibilidades de vencer o rali, mas WRC e saiu de estrada. Não bateu em nada
depois foi a vez de Moura abandonar pela por milímetros, e sem saber para que lado
terceira vez em Fafe quando liderava. O estava virado, ainda fez uma pequena gin-
CNR começou competitivo e terminou cana até conseguir regressar à estrada,
com surpresa... mas fê-lo a tempo de vencer o rali com
13.8s de avanço para Sébastien Ogier. Não
10 KURT BUSCH GANHA podia haver maior drama num final de
rali, e este é um dos acontecimentos que
500 MILHAS DE DAYTONA vai diretamente para a história do WRC.
Kurt Busch pode só ter liderado apenas
uma volta das 500 Milhas de Daytona 11 FERRARI BATE MERCEDES
mas fê-lo na que mais interessa, ven-
cendo a corrida ‘rainha’ da NASCAR. O NA AUSTRÁLIA
último terço desta prova foi dominado Confirmou, a Ferrari podia dar luta à
por Chase Elliot, mas não seria o jovem Mercedes. Sebastian Vettel venceu o
piloto do Chevrolet nº 24 a vencer, ele GP da Austrália batendo a Mercedes não
que a duas voltas do final começou a ter só fruto duma estratégia mais acertada,
problemas no seu carro, perdendo várias mas essencialmente devido a um rit-
posições. Emergiu então Kyle Larson mo de corrida superior ao da Mercedes.
como líder, depois de várias ultrapassa- Um verdadeiro sinal de que este ano a
gens corajosas, entre elas a Kurt Bush. Ferrari poderia dar luta, com a Mercedes
Mas o piloto do Ford nº 41 tinha outros a ser derrotada pela primeira vez desde
planos. Esperou pela derradeira vol- a Malásia em 2016.
ta para surpreender o jovem piloto do
Chevrolet nº 42 e depois vencer a 59.ª ABRIL
edição das Daytona 500.
12 ARRANQUE ÉPICO
MARÇO
DE BRUNO MAGALHÃES NO ERC
MORREU HORÁCIO FRANCO “GanhámosparaoNacional,estounafren-
Faleceu Horácio Franco, antigo piloto te do ERC e agora vamos para casa...". A
de ralis. Tinha 63 anos. Natural de Ponta frase foi dita por Bruno Magalhães depois
Delgada, Horácio Franco foi oito vezes de vencer o Azores Airlines Rallye: "Foi
campeão açoriano de ralis, nos anos 1982, a minha melhor vitória de sempre, não
1983, 1986, 1989, 1990, 2000 e 2001, e cam- conhecia o carro, a equipa, não corria há
peãonacionaldeProduçãoem2002,numa ano e meio em terra o único rali que fiz no
longa carreira que se iniciou ainda nos último ano foi em asfalto. Carro, equipa,
anos 70. Participou em 25 edições do Rali co-piloto, pneus, tudo foi perfeito, todas
dos Açores, ficando diversas vezes no pó- as vitórias têm gosto, mas esta é especial.
dio da prova. Agora, para o ano é tentar arranjar dinhei-
ro. De resto, ganhámos para o Nacional, es-
TENSÃO NA MCLAREN-HONDA tou na frente do ERC e agora vamos para
Pouco depois do arranque dos testes, já casa...", disse Bruno Magalhães, deixando
a McLaren avaliava a possibilidade de se bem clara uma triste realidade. Portugal
'divorciar' da Honda tantos foram os pro- tem pilotos que se bem equipados, po-
blemas logo de início. Não demorou mui- dem lutar para vencer. Felizmente hou-
to a regressarem os 'fantasmas' de 2015, ve quem acreditasse, e o sonho foi (qua-
em que as coisas foram más demais para se) até ao fim...
ser verdade. A Honda optou por fazer do
zero uma nova unidade motriz e pelo que WTCC: TIAGO MONTEIRO
se viu em Barcelona, a equipa iria sofrer
muito. Éric Boullier garantia: “Como qual- ENTRA A VENCER
quer casamento, existem altos e baixos, Tiago Monteiro conseguiu materializar
não há plano nenhum para abandonar a a ‘pole-position’ em vitória na segunda
Honda”. Pois... corrida do WTCC em Marraquexe, que
lhe garantia a liderança no campeonato.
Assumindo a liderança mal se acende-
ram os semáforos verdes, nada deteve o

e/
ESPECIAL
14

MOMENTOS DE 2017

sempre acontece com uma primeira vez. tória irá recordar as suas três vitórias

Vai ficar na memória.” nos 1000 Lagos e no RAC. A sua carreira

16 EKSTROM VENCEU internacional arrancou no RAC de 1962,
com um Mini Cooper, foi protagonista da

13português da Honda no momento da lar- WORLDRX EM MONTALEGRE célebre história do Monte Carlo de 1966,

ACIDENTE ASSUSTADOR A visita do Mundial de Ralicross ao nos- quando lhe tiraram a vitória na estrada e

gada, trazendo sempre atrás de si o seu Billy Monger teve um grande acidente so país voltou a pautar-se pelo sucesso. deram-naaPauliToivonen.Paraahistória

companheirodeequipaNorbertMichelisz. durante uma prova de Fórmula 4 britâ- Casacheia,ótimascondiçõesclimatéricas fica também o facto de ter sido o pioneiro

Bomcomeço,masopiorestavaparavir... nica em Donington. O incidente ocor- emuitoespetáculoempistaforamostó- detravarcomopéesquerdo.Osfinlande-

reu quando Patrik Palmer ficou parado nicosdeumfimdesemanadepuraadre- sesdominaramosralispormuitosanose

TRIO DE ATAQUE na pista, sem que Monger conseguisse nalina vivida no imaculado traçado bar- essedomíniocomeçou exatamentecom

Lourenço Beirão da Veiga no GT Open evitá-lo, atingindo-o em cheio na abor- rosão. Num fim de semana de crescendo Timo Makinen...

com Félix da Costa e Tiago Monteiro. O dagem duma curva. Palmer foi de ime- desde os treinos livres, Mattias Ekstrom

TeamCostaCamposRacingascendeuàs diato retirado do seu carro, mas Monger conseguiu impor-se face à forte armada CHARLES LECLERC

competições de GT, com Beirão da Veiga permaneceu no seu monolugar durante VWeaumaguerridoSébastienLoebque DESTACAVA-SE NA F2

a dividir o BMW M6 GT3 com dois nomes hora e meia, enquanto a equipa médica o nunca baixou os braços. Petter Solberg e A Formula 2 teve em Barcelona o seu se-

incontornáveis do desporto automóvel extraíadocarroantesdeotransportarde Johan Kristoffersson, ao volante dos no- gundo fim de semana da temporada. A

Internacional: António Félix da Costa e helicóptero para o Hospital. Ficou sem as vosVWPoloGTIRXoficiais,cedosemos- competição'renomeada'pelaFIAredun-

Tiago Monteiro. A equipa demorou um duas pernas, mas recuperou e - de vez traram como os mais fortes candidatos, douemduascorridasdegrandeinteresse,

pouco a arrancar, mas depois terminou em quando - já corre novamente... mas o Campeão em título não deixou os mostrou mais uma vez que estão a apa-

a época em grande, com várias vitórias e seus créditos por mãos alheias, embora recercadavezmelhorescandidatospara

acertezaqueseoprojetocontinuarnoGT CARLOS VIEIRA ESTREIA-SE nocômputodatemporadaosVWtenham aascenderàF1.CharlesLeclercfoioprin-

Open vão poder lutar pelo títulos. A VENCER dado mesmo cartas... cipal, com o monegasco, piloto 'protegido'

14 ALONSO NAS INDY 500 Carlos Vieira venceu o Rallye Casino de MAIO da Ferrari, a dar ali um forte arranque para
Espinho, depois duma grande luta com Zé uma época soberba que culminou com o
Fernando Alonso anunciou a participa- Pedro Fontes, chegando ao final com uma título da F2 e com o anúncio da promoção

çãonas500MilhasdeIndianapoliscoma vantagemde4.0s,maisdoquesuficiente ELFYN EVANS ESTEVE à F1 em 2018 com a Sauber/Alfa Romeo.

AndrettiAutosportIndyCar,equipagerida para se estrear a vencer no Campeonato QUASE, QUASE... MIGUEL CAMPOS: 25 ANOS

15pelo antigo piloto da McLaren F1, Michael Nacional de Ralis, numa temporada que Elfyn Evans ficou a sete décimas da

Andretti. Tendo em conta que a data era continuavaemalta,jáqueaocabodequa- sua primeira vitória no WRC, no Rali da DE CARREIRA

concomitante com o GP do Mónaco de tro provas tinha tido quatro vencedores Argentina, e se tivesse sido ele o vence- Miguel Campos e António Costa vence-

Fórmula 1, Jenson Button regressou à distintos.ParaVieira,omelhorestavapara dor teria também sido merecido. Evans ram o Rali de Portugal entre os pilotos

McLaren,bemmaiscedodoqueesperava. vir: “Só eu sei o trabalho que fiz na pre- lideroupraticamentesempreoralieper- portugueses, com o piloto de Vila Nova

Esta foi a forma da McLaren e da Honda paração desta prova. Logicamente, esta deupelaterceiradiferençamaispequena de Famalicão a comemorar da melhor

manterem o espanhol "feliz e contente". vitória tem um grande significado, como de sempre no WRC: “Tenho um misto de forma os seus 25 anos de carreira. A pri-

emoções.Estouobviamentedesaponta- meira prova foi no Rali de Famalicão, nos

13 do por ter falhado a vitória por uma mar- Iniciados,tendofeitoaté1997muitaspro-
gem tão pequena. Sei porque não ganhei vas como amador. Nesse ano surgiu o

etenhoquetirarmuitodaquiparaapren- apoiooficialdaMitsubishi,sendoporduas

der, mas todos os créditos têm de ir para vezes o melhor Gr.N no Rali de Portugal,

o Thierry que pilotou muito bem”, acres- num total de quatro títulos nacionais na

centou o galês que... aprendeu mesmo!

MORREU TIMO MAKINEN 15

Desapareceu outra das lendas dos finlan-

deses voadores. Tinha 79 anos. Foi com ele

que nasceu, no início dos anos sessenta,

o epíteto de ‘Finlandês Voador’. Depois

dele, o termo passou por várias gera-

ções de pilotos, em que se incluem nomes

como Hannu Mikkola, Timo Salonen, Ari

Vatanen, Markku Alen, Henri Toivonen,

Juha Kankkunen, Tommi Makinen,

14 Marcus Gronholm, entre outros. A his-

16

17 > > a u t o s p o r t . p t

15

19 RAIKKONEN AGASTADO

O finlandês era o menos satisfeito dos pi-
lotos que subiram à tribuna dos Príncipes
do Mónaco para a cerimónia do pódio
e os motivos eram óbvios: arrancou de
primeiro,liderou atéàs paragensnasbo-
xes, momento em que perdeu o comando
definitivamente para Sebastian Vettel. O
alemão trocou de pneus cinco voltas de-
pois do seu colega de equipa e, com um
ritmo intenso, conseguiu ganhar o tem-
po suficiente para mudar os pneumáticos
e sair na frente de Raikkonen, surgindo
imediatamente teorias sobre a possibili-

18 19 dade de a Ferrari ter favorecido Vettel e o
campeão de 2007 não conseguiu escon-
der a sua insatisfação.

categoria, tendo depois entrado oficial- provocando grandes estragos na secção 20 FINAL DRAMÁTICO NAS 24 HORAS
mente para a Peugeot, marca com a qual dianteira do carro. A recuperação tem sido
veio a ser campeão Nacional em 2001 e vi- longa e ainda prossegue. mais vezes, mais uma que o 'seu' Monte DE NÜRBURGRING
ce-campeão da Europa de Ralis em 2003. Carlo, em que soma quatro triunfos. Esta
17 OGIER IGUALA ALÉN foi asegunda eúltimavitóriado anopara Depois de três dias de intenso calor no
FANTÁSTICA BRAGA STREET STAGE Ogier. Mas o ano acabou bem... Nordschleife e 23h30 de muito bom tem-
A ‘Braga Street Stage’ embelezou forte- EM PORTUGAL po na corrida, foi na última meia hora
mente o Rali de Portugal. Realizada nas 18 TIAGO MONTEIRO FURIOSO que tudo se resolveu nas 24 Horas de
ruas do Centro Histórico de Braga foi um Sébastien Ogier confirmou em Fafe a sua Nürburgring, já que depois de um afli-
marco na vida da Cidade e um ótimo car- quinta vitória no Rali de Portugal. O pri- COM A YOKOHAMA tivo problema mecânico lhes ter 'rou-
taz para o rali. Mais de 180 mil pessoas meiro triunfo em Portugal, que foi tam- No final da primeira corrida do WTCC em bado' a liderança a duas horas do fim
tiveram a oportunidade de ver ao vivo bém a primeira vitória na sua carreira, foi Nürburgring, Tiago Monteiro mostrou-se da corrida, o Audi R8 LMS com o nº 29
um evento desportivo de nível mundial. em 2010 (Citroen C4 WRC), depois 2011 furioso com a Yokohama, culpando os assegurou uma vitória dramática de-
(Citroen DS3 WRC), 2013 (Volkswagen Polo pneus japoneses pelo furo que o privou pois duma troca muito oportuna para
LUKYANUK SOFRE ACIDENTE R WRC), 2014 (Volkswagen Polo R WRC) de obter bons pontos. O piloto português pneus de chuva.
EM TESTES e agora 2017 (Ford Fiesta WRC 17). Desta da Honda afirmou que em três anos de
Alexey Lukyanuk sofreu um violento forma, o piloto francês igualou Markku ‘visita’ do campeonato ao Nordschleife o ALONSO ‘ROOKIE DO ANO’
acidente quando testava para uma pro- Alén, que precisamente há trinta anos as- fornecedor de pneus não conseguiu ‘dar
va na Letónia. Os dois carros presentes na segurou a sua quinta vitória em Portugal. conta do recado’: “Estou muito furioso NAS INDY 500
sessão rodavam em sentido contrário e o Na altura o AutoSport escreveu "A 'quinta' com a Yokohama. Todos os anos temos
embate foi inevitável. Lukyanuk ficou em de Markku Alén", pois Portugal era uma problemas. Não é aceitável a este nível de As Indy 500 de Alonso terminaram
estado grave e um dos co-pilotos, Alexey prova fetiche para o finlandês, e agora é a campeonato. (Néstor) Girolami perdeu a em fumo a 21 voltas do fim. Depois
Lyadukhin, não resistiu aos ferimentos vez de Ogier, que com este quinto triun- corrida e eu posso perder o campeonato do seu companheiro de equipa Ryan
e acabou mesmo por falecer. O estado fo tem em Portugal a prova que venceu aqui”. Infelizmente para o português, não Hunter-Reay ter abandonado com o
clínico dos três feridos foi grave e o rus- foi aí que perdeu o campeonato... motor Honda do seu monolugar par-
so demorou vários meses a regressar à tido, os receios na Andretti Autosport
competição. aumentaram, mas ninguém estaria à
espera de a 21 voltas do fim a mesma
ZÉ PEDRO FONTES E INÊS falta de sorte acontecesse a Fernando
PONTE ACIDENTADOS Alonso. Mas foi exatamente isso que
José Pedro Fontes e Inês Ponte sofreram sucedeu, sendo o terceiro motor Honda
um aparatoso acidente no segundo dia a não aguentar a corrida. O espanhol
do Rally de Portugal, que atirou a dupla rodava na altura apenas na nona po-
para o hospital e para longas recupera- sição, mas estava a lutar para se che-
ções. Ao piloto do Porto foi-lhe diagnos- gar às posições cimeiras nas últimas
ticada uma fratura do fémur, enquanto a decisivas 10 voltas da corrida. Apesar
navegadora de Cascais teve uma fratura do abandono Alonso saiu do seu carro
da bacia. O acidente ocorreu 500 metros perante os aplausos do público, rendi-
após o início do troço, com o Citroën DS3 do ao seu talento que lhe valeu o ‘título’
R5 a embater com violência numa árvore, de ‘Rookie do Ano’.

20 TAKUMA SATO FAZ HISTÓRIA

NAS INDY 500

Takuma Sato tornou-se no terceiro pilo-
to da Andretti Autosport, em quatro anos,
a vencer as 500 Milhas de Indianápolis.
Feito conseguido após um final da corrida
emocionante, em que aguentou a fortís-
sima pressão de Hélio Castroneves numa
‘final’ de 11 voltas após a última situação
de bandeiras amarelas. Pouco depois de
Fernando Alonso ter terminado a sua
‘aventura’ americana com o motor par-
tido. A 101ª edição das Indy 500 teve, de
facto, um pouco de tudo aquilo que faz
da grande ‘clássica’ americana aquilo que
ela é: especial.

e/
ESPECIAL

16

MOMENTOS DE 2017

21 22

21 BOURDAIS SOBREVIVE quase ainda para fazer parte do WEC, primeiro lugar pelo melodrama de que se 25
com a ByKolles LMP1, mas acabou por revestiu o êxito da Porsche e também
A ACIDENTE A 365 KM/H não avançar no último momento. Neste porque permitiu que uma equipa da clas- 26
altura ainda continuava em equação para se LMP2 liderasse quase até final, termi-
Sébastien Bourdais foi assistir à corrida, a Williams. E também Sergey Sirotkin… nando no segundo lugar... voltas que tinham a duas horas do fim.
apesar de ser obrigado a recorrer a mu- A Porsche esteve prestes a perder a 85ª Para o alemão e também para Bamber
letas, depois de dias antes ter deixado o 23 FINALMENTE, OTT TÄNAK edição das 24 Horas de Le Mans quando foi a segunda vez que se impuseram em
hospital onde foi operado a fraturas da viu o 919 Hybrid nº 1 ficar pelo caminho a La Sarthe, enquanto para Hartley foi a tão
pélvis e anca, na sequência do acidente Aos 29 anos, Ott Tänak conseguiu a sua quatro horas do fim, mas depois viu re- perseguida primeira. Filipe Albuquerque
sofrido durante a qualificação das Indy primeira vitória no WRC ao triunfar num nascer as esperanças quando o seu ou- e os seus companheiros de equipa na
500: “Senti a primeira ‘guinada’ na curva duríssimo Rali da Sardenha. Finalmente! tro carro, o nº 2, logrou encetar uma recu- United Autosports conseguiram aquilo
1, depois outra vez na entrada da curva 2 e Ott Tänak teve de esperar mais de 70 pro- peração quase inacreditável - de ‘último’ que inicialmente podiam considerar de
acabei por perder o controlo. Senti algo de vas no escalão principal do Campeonato para primeiro em 19h21m - depois de na inesperado, um brilhante quinto lugar
selvagem, porque ia ainda a fundo e isso do Mundo de Ralis para vencer a sua pri- primeira parte da corrida se ter 'afunda- entre os LMP2 e um surpreendente sexto
diz bem da forma como estava compro- meira prova no WRC, depois de no ano do' na classificação e, na altura, ter ficado lugar na geral.
metido com a curva. Lembro-me de quase passado já ter estado perto de o fazer. a 17 voltas do primeiro. Timo Bernhard, AINDA NÃO FOI DESTA, TOYOTA
tudo, exceto de alguns segundos quando Tänak mostrou a maturidade necessá- Brendon Hartley e Earl Bamber nunca Não há adepto que não tenha ficado sen-
fui submetido a várias forças G. Sabia que ria para complementar a sua rapidez e deixaram de acreditar e acabaram por sibilizado e triste pelo que aconteceu em
tinha partido algo e sentia muitas dores, venceu o Rali da Sardenha, aproveitan- se impor, anulando a diferença de duas 2016 à Toyota. Mesmo um adepto inde-
mas estava vivo”, referiu Bourdais, que do da melhor forma um erro de Hayden fetível da Porsche. Por isso, este ano, e
sobreviveu a um impacto de 365 km/h. Paddon, quando o neozelandês parecia depois do que se viu nos treinos livres e
Um testemunho à eficácia das barreiras também estar a caminho do seu melhor qualificação destas 24 Horas de Le Mans,
Safer, do sistema HANS e também à se- resultado da época.
gurança do Dallara DW12 da IndyCar. “O
carro fez mesmo um bom trabalho em 24 BRUNO MAGALHÃES
termos de secção dianteira, porque não
tenho quaisquer ferimentos nos meus pés CONTINUAVA A LUTAR
ou pernas. Mas se pudesse ter evitado as
fraturas na pélvis e anca teria sido ótimo. Decidindo correr prova a prova, Bruno
Mas acho que não há mais ninguém que Magalhães lá foi conseguindo apoios
possa dizer que sobreviveu a uma colisão para continuar a correr e a manter-
de frente a 365 Kkm/h. É um grande tes- -se no topo do ERC. Mas por vezes as
temunho à segurança”, disse. coisas correram mal, como no Chipre:
"Infelizmente a nossa prova acabou mais
JUNHO cedo, fruto de uma saída de estrada algo
estranha e caricata. Numa zona muito
22 ROBERT KUBICA VOLTA A UM F1 complicada que havíamos assinalado
corretamente nas notas, o Kajto acabou
No início de junho ficou a saber-se que por ter uma saída e, na sequência dis-
Robert Kubica iria fazer o seu primeiro so, o Baran veio assinalar a sua posição
teste com um Fórmula 1, desde 2011, ao dando a devida informação. No entan-
pilotar em Valência, um Renault/Lotus to, foi essa mesma informação que me
de 2012. O piloto polaco tinha pilotado distraiu, pois ao tentar compreender se
pela última vez um F1, em fevereiro de tudo estava bem acabei por perder o
2011, precisamente em Valência, poucos ponto de travagem imediatamente, pois
dias antes do seu trágico acidente em já estávamos em cima dessa curva tão
Andorra, que quase lhe acabou com a complicada. Mas saímos do Chipre na
sua carreira do piloto, e mais importan- liderança do campeonato após 4 pro-
te, com a vida. vas”, disse Bruno Magalhães.
Depois de fazer uma tentativa de vol-
tar aos circuitos, o ano passado, Kubica 25 INACREDITÁVEL TRIUNFO NA
tem testado vários carros nos últimos
tempos, incluindo de GP3, da Fórmula E PORSCHE EM LE MANS
e o LMP2 Dallara da SMP Racing. Esteve
A 85ª edição das 24 Horas de Le Mans fica
na história por variadíssimas razões. Em

>> autosport.pt

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23 24

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muitos pensavam que era desta. Mas não tisfação e, ao mesmo tempo, orgulho por 28 'COISAS' AQUECERAM
foi. E há quem fale já em ‘maldição’. Claro ser eu o escolhido para liderar a FPAK.
que são apenas coincidências, mas é cer- Tenho consciência da responsabilidade fez-me um 'brake-test', o que não espe- NA FORCE INDIA
to que este tipo de situações repetidas, que a partir de agora, face às expetati- rava. Acho que não fez de propósito, mas
causam mossa. vas criadas, recai sobre os meus om- não foi correto, aquilo não era necessário, O ano passado houve uma ‘guerra aber-
bros. É tempo de cerrar fileiras e colocar ele arriscou danos no carro, e eu tive um ta’ entre Lewis Hamiton e Nico Rosberg,
TRÊS PROVAS mãos à obra, porque há muito trabalho a pouco. Passei-o e levantei a mão e mos- e este ano, a outro nível, foi a vez da Force
fazer”. Ni Amorim é o quinto presidente trei-lhe que não estava contente”, disse India, entre Sergio Pérez de Esteban Ocon.
E TRÊS VENCEDORES NO TT da história da FPAK, que foi fundada em Vettel. Hamilton foi mais tarde às boxes Foram boas e más notícias para a equipa
Terceira prova, terceiro vencedor dife- 1994 – sucedendo à Comissão Desportiva devido a um problema com a fixação de de Silverstone. Por um lado deram nas
rente, num campeonato de todo o terre- Nacional (CDN) como organismo federati- encosto de cabeça do seu monolugar e vistas, por outro, perdiam possíveis me-
no que, claramente, teve dois pontas de vo –, depois de César Torres, Vasconcelos nesse dia todos perderam. Menos Lance lhores resultados. Otmar Szafnauer disser
lança, Ricardo Porém e João Ramos. Mas Tavares, Luís Pinto de Freitas e de Manuel Stroll, que obteve o seu primeiro pódio “inaceitável” o que aconteceu com os seus
quando estes falham, houve sempre al- Mello Breyner. na F1 e não foi segundo, por milímetros, dois pilotos em Baku, e os sinais que esta-
guém à espreita, como aconteceu na Baja já que perdeu essa posição sobre a meta vam a dar eram verdadeiramente preocu-
TT do Pinhal, com um triunfo merecido de 26 'BIRRA' DE SEBASTIAN VETTEL para Valtteri Bottas. Mesmo assim tor- pantes: “A pior coisa que pode acontecer
Alejandro Martins. nou-se no primeiro estreante a terminar é bateres no teu colega de equipa”. Sergio
Não é novidade nenhuma que o ritmo e a QUASE ESTRAGOU TUDO... no pódio aos 18 anos, isto apenas na sua Perez disse que o toque entre ambos ar-
competitividade é importante para a ob- oitava corrida. ruinou o pódio para a Force India – “é to-
tenção de vitórias, mas há uma máxima Sebastian Vettel perdeu as hipóteses talmente inaceitável para a equipa”, disse.
do automobilismo que há de permanecer duma melhor classificação no GP do 27 TIAGO MONTEIRO SAI DE VILA Ocon terminou em sexto e Perez desistiu
“até ao fim dos dias”. Para vencer, primei- Azerbaijão de F1 em virtude de ter sido quando já estava fora dos pontos. “Estou
ro há que terminar. penalizado com um Stop & Go de 10 se- REAL NA LIDERANÇA DO WTCC feliz com a performance e desapontado
gundos por "condução perigosa" em vir- No final da jornada do WTCC em Vila com o que aconteceu. Vamos discutir isto
NI AMORIM, tude de um 'encosto' a Hamilton depois de Real Tiago Monteiro estava satisfeito e não acontecerá no futuro”, disse Ocon.
julgar que o inglês lhe fez um 'brake test' com os resultados conseguidos e, so- Mas a ‘coisa’ ainda piorou…
NOVO PRESIDENTE DA FPAK quando o pelotão rodava atrás do safety bretudo, com o regresso à liderança do
Ni Amorim foi eleito o novo Presidente da car. Vettel estragou tudo ao reagir intem- campeonato. “A vantagem não é muita, JULHO
Federação Portuguesa de Automobilismo pestivamente. Foi 'barafustar' com o seu mas atendendo às circunstâncias, so-
e Karting (FPAK), com 47 votos, mais três adversário, como se isso lhe valesse de bretudo devido ao que sucedeu na qua- 28 IMSA: BARBOSA
que Manuel Mello Breyner, que somou alguma coisa e ao bater no Mercedes de lificação, foi bom regressar ao comando
44. Ni Amorim tem a seu lado na Direção Hamilton foi justamente penalizado: “Ele do campeonato. Foi um fim de semana E ALBUQUERQUE VENCEM EM
nomes como Álvaro Portela e Fernando difícil mas compensador”, disse.
Campos Ferreira, como Vice-Presidentes, WATKINS GLEN
bem como Camilo Figueiredo e Francisco
Mora como vogais, entre várias outras João Barbosa e Filipe Albuquerque, jun-
personalidades. “Sinto uma grande sa- tamente com Christian Fittipaldi, vence-
ram as 6 Horas de Watkins Glen, disputa-
das no circuito nova-iorquino, pondo fim
à invencibilidade de Ricky e Jordan Taylor
no campeonato IMSA WeatherTech. A
tripla do Cadillac DPi-V-R. nº 5 da Action
Express Racing passou pela liderança
mais do que uma vez, mas a estratégia
pareceu, perto do final, jogar a favor do
Oreca 07 da JDC Miller Motorstport. Mas
a 10 minutos do fim João Barbosa fez
o seu ataque ao protótipo guiado por
Stephan Simpson e passou o protótipo
amarelo, tirando partido do tráfego. O
americano, contudo, não deu um minu-
to de descanso ao piloto português até à
bandeirada de xadrez.

e/
ESPECIAL

18

MOMENTOS DE 2017

29 LIGAÇÃO DE RON DENNIS co, em Höljes, na Suécia. Uma vez mais
À McLAREN TERMINOU DE VEZ cerca de 40.000 espetadores invadiram

Este ano fechou-se um capítulo da his- esta pequena aldeia do norte da provín-

tória da McLaren e da Fórmula 1 com o cia de Värmland, num festival de cor-

afastamento definitivo de Ron Dennis da ridas, de música e de muita festa, mas

estrutura de Woking, mas o seu legado semMatthiasEkstrom,quetevequecor-

permanecerá na formação britânica O rer no DTM.

inglês, que quando ingressou no mundo

da categoria máxima do desporto auto- ANDRÉ COUTO SOFRE

móvel dificilmente imaginou que che- VIOLENTO ACIDENTE

garia onde chegou, abandonou a equipa André Couto sofreu um grande aciden-

em que foi instrumental da mesma for- te numa prova do Campeonato da China

ma que chegou, por imposição. No início deGT, realizadano Circuito Internacional

da década de 80 a formação fundada por de Zuhai. Foi uma prova complicada por

Bruce McLaren estava no limiar da sua más condições meteorológicas, já que

existênciaeaMarlboro,oseupatrocina- estamos numa altura do ano em que os

dor principal, forçou a entrada de Dennis tufões são frequentes naquela zona do

para a gestão da equipa, assistindo-se à globo. O acidente de Couto produziu-se

30 fusão entre a McLaren e a Project-4. Um após o recomeço da prova, que esteve
percurso que terminou definitivamente neutralizada devido a um carro parado

este ano… na pista. O piloto de Macau despistou-se

29 LOLA DO TEAM BIP... VENCE com o Nissan GT-R Nismo da Spirit Z, que
ficou bastante destruído na colisão com

CORRIDA DO FIA MASTERS os rails. Couto saiu pelo seu pé mas a re-

Foiaoscomandosdeumdosautomóveis cuperação foi longa…

com mais história em Portugal, um Lola

T292doantigoTeamBIP,nopassadopilo- SERGIO MARCHIONNE ZANGOU-SE

tado por Carlos Gaspar, que Diogo Ferrão Sergio Marchionne pediu uma “resposta

eoInglêsMartinStrettonconquistarama enérgicaeimediata"daFerrariapósoGP

suaprimeiravitórianopopularcampeo- da Grã-Bretanha de F1. Em declarações

nato FIA Masters Historic Sports Cars, claramente a “falar para dentro” o presi-

que se realizou no âmbito do Grand Prix dentedisseoquetodaagentejápercebia,

HistoriquedeFrance,disputadonocircui- que a Mercedes estáva agora à frente na

to de Magny-Cours, debaixo de um forte batalha pelos títulos de 2017:: “Eu sei que

temporal. Para Diogo Ferrão: "Não podia vocês são a mesma equipa do Mónaco

estar mais feliz. Uma vitória inesquecí- e do início da temporada, mas nós não
31 vel num carro com um palmarés muito podemos lamentar este resultado ne-
importante. Já é uma honra poder con- gativo, mas sim reagir de imediato. Nós

duzi-lo, pelo que levá-lo à vitória numa sempre soubemos que nosso oponente

competição internacional é um sonho émuitoforteedominanteháváriosanos.

de criança”, disse. Estou convencido de que iremos regres-

30 SEBASTIAN VETTEL DESCUL- sar onde estávamos", disse Marchionne
que curiosamente se esqueceu que Vettel

POU-SE... E SAFOU-SE! ainda estava na frente do campeonato.

E pronto! Foi o que bastou. A FIA decidiu Era apenas um ponto, mas o suficiente

não tomar qualquer outra atitude face para estar na frente...

32ao pedido de desculpas apresentado por FIA IMPÔS LEI DO ‘CHINELO’

Sebastian Vettel. No seu comunicado, a

federação referiu: "À luz destes desen- NA F1

volvimentos, o presidente da FIA, Jean Tal como sucedeu muitas vezes no pas-

Todt, decidiu que o assunto deve ser en- sado,dumareuniãodoGrupoEstratégico

cerrado. Contudo, e face à ofensa e às da Fórmula 1 voltou a não sair qualquer

suas consequências, o presidente da FIA decisão, o que não foi propriamente uma

32 deixa claro que numa possível repetição novidade e por isso, contra a vontade de
de tal comportamento o assunto será de nove das dez equipas de Fórmula 1 a FIA

imediatoremetidoparaoTribunaldaFIA impôsoHaloparaserintroduzidonadis-

parainvestigação."Vetteladmitiuaculpa ciplina já no próximo ano.

e isso foi suficiente para Jean Todt e a FIA Não é por acaso que nove das dez equi-

não levarem o caso mais além. pas de F1 não o quisessem, é que apesar

31 KRISTOFFERSSON de contribuir muito para a segurança dos
pilotos, esteticamente é horrível.

IMPARÁVEL NO WRX A FIA alegou motivos de segurança, e

A prova mais especial do Mundial de quandoissosucedenãotemque"passar

Ralicross, na Suécia, teve como vence- cartão"aninguém,simplesmentedecide.

dor Johan Kristoffersson, um filho da terra.

PetterSolbergesteveazaradoeAndreas TRIUNFO DE CYRIL DESPRÉS

Bakkerud aproveitou para terminar em NO RALI ROTA DA SEDA

segundo. O primeiro fim de semana de Cyril Despres e David Castera venceram

julho é tradicionalmente marcado pela o Rali Rota da Seda. A dupla da Peugeot

disputa da prova rainha do campeo- assegurou novamente o triunfo na pro-

nato, o chamado fim de semana mági- va, sucedendo... a si próprios, pois já ti-

>> autosport.pt

19

33 nham vencido também o ano passado, SegundoaPorsche,esterealinhamentodo
ainda com o 2008 DKR. Depois de uma 'motorsport' resulta da nova direção tra-

fase inicial da prova em que fizeram pa- çada pelo plano 'Porsche Strategy 2025',

pel secundário atrás de Sébastien Loeb/ em que a Porsche irá desenvolver GT e

Daniel Elena e Stéphane Peterhansel/ carros totalmente elétricos, começando

Jean-PaulCottret,adupladeex-motards pelo 'Mission E' de estrada.

35acabou por ser a que problemas menos FÉLIX DA COSTA COM VIDA DI-

graves teve e com isso, venceu. Sabendo

de antemão que em termos de velocida- FÍCIL NA FÓRMULA E

de pura não têm andamento para Loeb e A época de Fórmula E que terminou a

Peterhansel, Després e Castera fizeram meio deste ano (neste momento já ar-

a sua corrida, e beneficiaram dos azares rancou outra, e começou bem) foi pobre

dos seus colegas de equipa. para António Félix da Costa e totalmente

condicionada pela falta de competitivida-

'ACIDENTE E MEIO' NUMA de do monolugar da MS Amlin Andretti:

SEMANA PARA OGIER “Esta foi uma época muito dura na fór-

Sébastien Ogier, ponta de lança da mula E. Simplesmente voltámos a não

M-Sport no Rali da Finlândia, não durou ter andamento para estar mais à frente.

34 mais do que quatro troços, ficando afas- Eu e o Frijns lutámos e procurámos vá-
tado da possibilidade da obtenção de um rias soluções de afinação de set up mas

bomresultado.Estefoiosegundoacidente há pistas em que nos falta velocidade

de Ogier numa semana, já que lhe acon- pura. Terminámos uma época que tal-

teceu o mesmo nos testes, sendo que o vez tenha sido das mais duras da minha

primeiro foi forte, ao contrário do segun- carreira, agora é tempo de começar já a

do que não foi por sua culpa, mas sim do trabalhar para a próxima, testar, evoluir

material. No acidente nos testes, o susto e garantir que damos um salto pois nin-

queaduplaapanhoufoigrande,especial- guém na equipa, e muito menos eu, quer

mente para Julien Ingrassia… voltar a ter um ano como este!”

33 ESAPEKKA LAPPI ESTREIA-SE 36 LUCAS DI GRASSI CAMPEÃO

A VENCER NO WRC Sébastien Buémi teve um fim de sema-

O rookie Esapekka Lappi estreou-se a na muito mau na decisão da Formula E.

vencer no WRC e logo no fabuloso Rali Perdeu a liderança do campeonato por

da Finlândia, apenas a sua quarta pro- culpa própria, originada pelo seu apa-

va no escalão principal. A equipa Toyota ratoso despiste logo nos treinos livres.

foi a estrela de um fim de semana que Resultado,nofimdaprimeiracorrida'dis-
35 deixou o Mundial de Pilotos ao rubro, parou' para todo o lado, acusando tudo e
com Thierry Neuville a igualar o azara- todos do que lhe estava a acontecer.

do Sébastien Ogier. Campeão finlandês Quem aproveitou foi Lucas Di Grassi, que

de karting, Campeão finlandês de ralis, se tornou no terceiro campeão da úni-

Campeão da Europa de Ralis, Campeão ca competição de monolugares elétri-

do WRC2 e... nova coqueluche do WRC. cos:“Estajornadacomeçouhátrês anos,

EsapekkaLappiganhouoseuquartorali quando começámos a primeira tempo-

ao volante de um WRC e, mesmo se isso rada. Tivemos muitos bons resultados,

aconteceunaprovaque melhor conhece cheguei a Londres para lutar pelo cam-

eapósumproblemamecânicoqueafas- peonato,apesardeserdesclassificadode

touLatvala,ofeitodoprotegidodeTommi umavitória.Naépocadoisfoiamesmasi-

Makinenéaindamaisimpressionantese tuação.Novamentefuidesclassificadode

atendermos ao facto de ter feito apenas uma vitória e agora, finalmente, cheguei

11 dias de testes desde que assinou pela aquisemserfavorito,10pontosatrásetive

Toyota, no ano passado. de conter os nervos e ficar calmo e fazer

Refira-sequequandoassinoupelamarca o trabalho. Estou contente pela equipa,

japonesaLappipensavaqueiriaserpiloto por toda a gente na Abt Schaeffler Audi

36 titularlogoapartirdoMonteCarlo,masa Sport.Elesmerecem-no.Possodizerque
contratação de Latvala e a maior expe- esta foi a época mais difícil. Tive de fazer

riência de Hänninen obrigaram-no a es- umacorridacomumfibularpartido.Tive

perar até ao Rali de Portugal pela estreia. asorteemalgumascorridaseéextrema-

34 PORSCHE ABANDONA LMP1 mente satisfatório poder agora celebrar”,
rematou o piloto brasileiro.

Tal como se esperava, a Porsche con-

AGOSTOfirmou o que já todos desconfiavam e

anunciou a saída da LMP1, já no fim deste
ano, e mudar-se para a Fórmula E, com o LOEB TESTOU CITROËN C3 WRC

arranque previsto para 2019. Entretanto, Sébastien Loeb testou o C3 WRC em es-

em 2018 a Porsche vai intensificar a sua tradas de asfalto no sul de França. Um

presençanosGT,distribuindoasuaatual regresso que se fez através da estrutura

estrutura da LMP1 nas várias competi- PSAMotorsport–queincluiastrêsmar-

ções que deve realizar com a estrutura casdogrupoPeugeotCitroën.Atarefado

oficial, centrando esforços no Porsche alsaciano passava por ajudar a tornar o

911 RSR no WEC, 24 Horas de Le Mans e C3 WRC mais competitivo no Mundial

IMSA WeatherTech SportsCar. de Ralis. O francês gostou do carro em

e/ vorecidos com mais pressão no turbo; GRAVE ACIDENTE 37
ESPECIAL os Lexus passaram a utilizar um res-
tritor de maior diâmetro; enquanto os DE TIAGO MONTEIRO 39
20 Ferrari seriam penalizados com mais
peso e menor pressão no Turbo. “Com Tiago Monteiro sofreu um grave aci- 41
MOMENTOS DE 2017 as mudanças, os BMW e os Lamborghini, dente em testes da Honda no circuito de
mantendo o mesmo BOP, ganham mui- Barcelona. O acidente teve lugar na rápida sensação estranha porque o corpo espera
asfalto - nem tanto em terra - e acaba- ta competitividade em relação ao nosso curva 1, depois duma falha nos travões do uma desaceleração e nada acontece. Não
ram por vir a ser confirmadas três pro- Ferrari. Esta medida parece-me total- Civic, e a recuperação ainda dura, não se é ponto ideal para isso acontecer, muito
vas (México, Córsega e Catalunha) com mente injusta”. E assim foi, até ao final, sabendo ainda quando Monteiro regres- menos quando se roda a 255 Km/h e se
a equipa em 2018. caiu no campeonato, e não foi pouco… sa à competição. Aquando do acidente, o trava tarde. Ainda tentei afastar-me das
piloto português liderava o WTCC com 12 barreiras, passar pela direita, ir pela curva
37 PONTUS TIDEMAND CAMPEÃO SETEMBRO pontos de avanço face a Ted Björk (Volvo): dois, mas infelizmente o carro saltou na
“Aconteceu na última série de voltas, do relva e começou a rodar. Bati muito forte
WRC2 41 FRANCISCO MORA último dia. Faltavam dez minutos para ter- de traseira e depois de lado, e o ‘chicote’
Pontus Tidemand e Jonas Andersson as- minar a sessão, é extraordinário como as foi a parte que me afetou mais, todo o lado
seguraram o título de campeões do WRC2 CAMPEÃO DO CNVT coisas são”, começou por dizer Monteiro, direito do meu corpo ficou afetado e do-
logo ao primeiro match point, no Rali da Francisco Mora tem sido um dominador que explicou depois o acidente: “No fim da rido. Antes, percebi que ia bater e prote-
Alemanha: “Agora, vamos ver, pois já é das competições TCR que se disputam reta, que é o ponto mais forte de travagem gi-me, mas não me lembro do impacto.
tempo de dar um passo em frente. Vamos no nosso país e um dos títulos da disci- naquele circuito, fiquei sem travões. É uma Curiosamente, lembro-me do impacto do
trabalhar forte, mas precisamos duma hi- plina foi-lhe neste período virtualmen- Nordschleife muito bem, mas este pôs-me
pótese”, disse Tidemand. Para já, foi con- te atribuído, dada a vantagem conse- KO”, disse Tiago Monteiro, que confessou
firmado na Skoda para 2018, pois não há guida pelas vitórias obtidas... só nesta ter sido esta a primeira vez que se aleijou
lugares vagos no WRC. visita a Braga, no início de setembro, num acidente: “Corro há 20 anos, já tive
foram três: “foi um ano quase perfeito.
39 TRAVÕES A FUNDO Sabíamos que havia carros bem com-
petitivos como os VW e Audi, mas nós
NA FORCE INDIA fomos muito constantes ao longo do
Sergio Pérez e Esteban Ocon deixaram ano, preparámos bem as corridas, fo-
de ser livres para lutar em pista, depois de mos metódicos, e a experiência do ano
terem voltado a bater um no outro, duas passado foi frutuosa. Temos uma equi-
vezes, a segunda das quais com conse- pa competente, tínhamos tudo para ser
quências para Sergio Pérez que teve que campeões e conseguimos. Terminámos
desistir em consequência disso. Os dois o ano com sete vitórias, na primeira cor-
pilotos tiveram dois encontros imedia- rida”, disse Mora.
tos e isso foi a gota de água para Otmar
Szafnauer, Chefe da Equipa. Tudo co- SUPER-ÉPOCA
meçou com maior evidência no Canadá.
Houve vários episódios aqui e ali, como DO MUNDIAL DE ENDURANCE
por exemplo em Baku, e depois em Spa, Fazer as mesmas coisas vezes sem con-
com os responsáveis da equipa a perce- ta à espera que 'devolvam' melhores
beram finalmente que não valia a pena resultados está fora de questão e por
paninhos quentes: “Vi o que todos viram isso, depois dos maus sinais existentes
pela TV, mas parece que o Sergio apertou para a disciplina que tiveram lugar nos
o Esteban contra a parede e saiu-se mal. últimos tempos - saída da Audi, anún-
No futuro, não vão voltar a ter essa opor- cio da saída da Porsche, muitas indefi-
tunidade. Deixámo-los livres até aqui, mas nições - os responsáveis pelo Mundial
se eles não foram capazes de lidar com a de Endurance decidiram inovar com um
questão de formaa beneficiar a equipa,a calendário que abarca parte de duas
partir deste momento deixaram de po- temporadas automobilísticas de 2018
der lutar um com o outro. Agora passa- e 2019, e que tem duas 24 Horas de Le
mos a gerir a corrida a partir do pitwall” Mans pelo meio.
disse Szafnauer. O calendário começa em 2018 de for-
ma 'normal', mas termina pouco mais
MICK SCHUMACHER de um ano depois com a realização das
segundas 24 Horas de Le Mans, num
HOMENAGEOU O PAI calendário de oito provas.
Mick Schumacher, filho de Michael
Schumacher, homenageou o seu pai ao HAMILTON VIRA ‘TABULEIRO’
rodar com o Benetton B194 em Spa. O jo-
vem piloto alemão, com apenas 18 anos, EM MONZA
guiou o carro com que o pai obteve a pri- Grande dia para a Mercedes no GP de Itália
meira pole e também o primeiro título da de F1 em Monza, com um triunfo, dobra-
carreira, em 1994: "Conseguir pilotar um dinha, e a cereja no topo do bolo, a lide-
carro de F1 em Spa é simplesmente in- rança do Mundial de Pilotos por parte de
crível e para mim foi muito especial dar Lewis Hamilton. O piloto inglês realizou
esta volta. Nunca tinha visto tanta gente a corrida esperada, saiu na frente e foi-
num só lugar num fim de semana de cor- -se distanciando de Valtteri Bottas, que
ridas. Quanto ao carro, o Fórmula 3 tem o secundou bem. Sebastian Vettel ape-
muita potência na F3, mas muito menos nas conseguiu chegar ao terceiro lugar e
velocidade de ponta e este F1 anda mais, Hamilton passou a liderar o Mundial de
o motor chega ao limitador”, disse. Pilotos com três pontos de avanço face
ao homem da Ferrari.
MIGUEL RAMOS IRRITADO

COM BOP NO GT OPEN
Miguel Ramos chegou ao fim da primei-
ra metade do GT Open no topo da clas-
sificação ex-aqueo com a dupla Biagi/
Venturini, mas ciente que a partir de
Silverstone os McLaren iriam ser fa-

>> autosport.pt 21

42 38 38 ACIDENTE DE SINGAPURA também fez o suficiente para assegurar
o título principal. Com o final da Rampa de
alguns acidentes, alguns bem fortes na 40 Depois da pesada derrota em Monza, o Boticas terminou também o Campeonato
ChampCar, Indy, na Fórmula 1, mesmo Grande Prémio de Singapura apresenta- Nacional de Montanha Valvoline 2017, fi-
no WTCC, onde estou há dez anos. Tive 43 va-se à Ferrari como uma oportunidade cando definidos os nomes dos campeões
alguns bem fortes, especialmente o do de ouro para poder virar o Campeonato de de uma das mais competitivas épocas de
ano passado no Nordschleife, mas em 20 rescindido depois de quase três anos Pilotos a seu favor, mas Sebastian Vettel sempre desta disciplina: “Estou muito,
anos de corridas, foi a primeira vez que de pequenos avanços e grandes re- deitou tudo a perder no arranque e assis- muito feliz por mim e pela minha equipa
me aleijei. Tive muita sorte em 20 anos, cuos. A McLaren e a Honda acabaram, tiu de fora à vitória de Lewis Hamilton, e em especial pelo meu irmão, mentor
mas este ‘doeu’…”. Que recupere a 100% e deram lugar à McLaren-Renault. A quesedistancioupontualmente.Era im- deste projeto, a quem devo este momento
é o que desejamos. McLaren pagou 78 milhões de euros possível para o alemão saber que Kimi e a quem agradeço do fundo do coração.
DIVÓRCIOS E NOVOS CASAMENTOS pela rescisão do contrato, valor a que Raikkonen estava ao lado e à esquerda Parabéns também ao Pedro Salvador, um
A McLaren, Honda, Renault e Toro se junta o que deixará de receber da de Max Verstappen, e Vettel, na ânsia adversário duríssimo e que deu um sa-
Rosso anunciaram a sua 'separação' Honda, que se estima em cerca de 100 de tapar o caminho ao holandês, acabou bor muito especial a esta conquista, algo
e novos ‘casmentos’. A McLaren se- milhões de euros. por levar este a Raikkonen a tocarem-se que eu já perseguia desde 2014”, disse
parou-se da Honda e confirmou um A Toro Rosso vai usar motores Honda com as consequências a sobrarem tam- Rui Ramalho.
acordo para fornecimento de moto- nos próximos anos e esta é apenas bém para si, Vettel, já que a pancada que
res com a Renault até 2020. O contrato uma parcela dos vários 'negócios' en- Raikkonen deu foi muito forte no carro do O REGRESSO DA RAMPA
McLaren-Honda, previsto até 2024, foi tre a Toro Rosso, McLaren, Renault e seu companheiro de equipa. Raikkonen
Honda. Foi ainda anunciado que Carlos arrancou muito bem e manteve sempre DA ARRÁBIDA
Sainz Jr. seria piloto da Renault, mas a sua linha, Verstappen arrancou pior A Rampa da Arrábida regressou depois
apenas no próximo ano, e não logo a mas não deslocou o seu Red Bull, e foi de 11 anos de ausência. O público não fal-
partir da Malásia, mas como agora Vettel que faz claramente uma diagonal, tou e o espetáculo foi a condizer. Foram
se sabe, a troca deu-se mais cedo… atravessando o seu Ferrari na frente de milhares os espetadores que acorreram
Verstappen. à Serra da Arrábida, nos arredores de
Setúbal, para assistirem ao regresso da
40 VOLKSWAGEN GANHOU rampa ao calendário do desporto moto-
rizado nacional, pelas mãos do Clube de
TUDO NO WRX Motorismo de Setúbal. Os heróis do dia
foram Mário Silva e Nuno Veiga, que ven-
Mais uma vitória para Johan ceram as competições Rampa Regional e
Kristoffersson que assim selou o título Regulariadade Histórica, respetivamen-
de Campeão Mundial de Ralicross 2017 te, e um imenso público que compareceu
com duas provas ainda por disputar. A em massa para acarinhar este regresso
PSRX Volkswagen também ganhou o tão aguardado. Foi preciso esperar 11 anos
campeonato de equipas, coroando uma para se voltar a ouvir o roncar dos moto-
temporada dominante dos Polo GTi RX res de competição na Serra da Arrábida.
preparados pela Volkswagen Motorsport.
Solberg envolveu-se numa embrulhada IMSA: ALBUQUERQUE E BARBOSA
com Janis Baumanis (Ford Fiesta RXS),
acabando por bater forte nas barreiras JUNTOS A TEMPO INTEIRO
situadas do lado de fora. O norueguês não Filipe Albuquerque vai para a IMSA a tem-
conseguiu sair do interior do seu carro, po inteiro, onde irá correr ao lado de João
obrigando à amostragem da bandeira Barbosa no nº 5 da Action Express. O bra-
vermelha e novos procedimentos de par- sileiro Felipe Nasr junta-se a Eric Curran
tida. Solberg foi levado para um hospital no outro carro da equipa, o nº 31. Uma se-
próximo, tendo-lhe sido diagnosticado mana depois, Filipe Albuquerque acabou
uma clavícula partida. por conseguir o seu primeiro título da épo-
ca ao vencer a Taça Norte Americana de
BREEN VENCE EM MORTÁGUA Endurance com João Barbosa e Christian
Fittipaldi.
Craig Breen venceu o Rali de Mortágua
mostrando que o ritmo de um piloto do OUTUBRO
WRC fica a muitas 'milhas' de distância dos
melhores pilotos do campeonato portu- 43 BRUNO MAGALHÃES
guês. O piloto irlandês, que veio substituir
José Pedro Fontes, ainda a recuperar de VICE-CAMPEÃO DA EUROPA
lesão sofrida durante o Rali de Portugal, Bruno Magalhães saiu de estrada na sé-
não deu qualquer hipótese à concorrên- tima especial do Rali Liepaja, terminan-
cia começando o dia com 52s de atraso, do assim as hipóteses de ser Campeão
depois de problemas com os travões o te- Europeu de Ralis. Apesar de ser uma ta-
rem levado a sofrer uma penalização de refa muito difícil, a dupla lusa estava na
50 segundos à entrada da super-especial, luta para o que desse e viesse, mas uma
convertendo no segundo dia o atraso num chuvadarepentina surpreendeu opiloto,
triunfo de 27.3s sobre Carlos Vieira, que com AlexeyLukyanuktambémasairde
por sua vez, levou a melhor sobre Pedro estrada. O choque numa árvore foi forte
Meireles, como melhor português e foi e o piloto foi ao Hospital por precaução.
para o Algarve a depender apenas e só Termina o sonho, mas o resultado da épo-
de si próprio para ser campeão. ca, vice-Campeão Europeu de Ralis, fica
acima de todas e quaisquer expetativas
42 CNM: RUI RAMALHO CAMPEÃO que o piloto, a sua equipa e os adeptos
tinham no início da temporada. É quase
Não houve surpresas na decisão do inimaginável estar num momento a lutar
Campeonato Nacional de Montanha. para fazer uma prova, e de repente os as-
Pedro Salvador fez o que precisava e
triunfou em Boticas, mas Rui Ramalho

e/
ESPECIAL

22

MOMENTOS DE 2017

tros alinharem-se ao ponto de chegar ao e nas três corridas, alguém falha por ele. À sua frente só estão agora os 'mons- 44
último rali do ano a lutar pelo título. Bruno Mas o endurance é um ‘jogo’ de equipa tros' Juan Manuel Fangio e Michael
e Hugo Magalhães terminaram o ano e por isso ‘pagam’ todos. A prestação de Schumacher. Ironicamente, o novo te- 47
como Vice-campeões da Europa de Ralis. Filipe Albuquerque em pista foi soberba, tracampeão do Mundo alcançou o feito
mas não deu mesmo para mais… numa corrida que... até bandeira azul viu, 51
MORREU HÉLIO RODRIGUES quando foi dobrado por Max Verstappen.
Hélio Rodrigues, jornalista que passou 47 FRANCISCO ABREU dial com esta equipa", disse Ogier, antes
pelo Motor, Volante e esteve no (e com) o 45 FESTA A TRIPLICAR NA de se desfazer em lágrimas. Entretanto,
AutoSport até 2016, morreu aos 57 anos. VENCE TCR IBÉRICO já foi confirmado pelo menos por mais
Com uma carreira absolutamente bri- Francisco Abreu venceu o TCR Ibérico, M-SPORT um ano na M-Sport…
lhante, fruto dos grandes conhecimentos depois de Francisco Mora ter ficado sem
e paixão que tinha por este desporto. Mais hipóteses de lutar pela competição no Elfyn Evans venceu o Rali da Grã- NOVEMBRO
recentemente deve-se a ele a maior fatia Algarve: “Este título Ibérico deixa-me Bretanha, no que foi o seu primeiro triunfo
do sucesso do AutoSport Histórico, onde muito satisfeito pois é o corolário de uma no WRC; a M-Sport assegurou o título de KIA PICANTO GT CUP
fazemos reviver o passado das ‘corridas’. época onde o azar e alguns erros nos pre- Construtores, um feito notável duma equi- É NOVIDADE EM 2018
Foi Redator Principal desta casa durante judicaram. Sou o primeiro campeão ibéri- pa semi-oficial sem total apoio de fábri- A Kia e a CRM Motorsport voltaram a
muito tempo e mesmo depois de ter op- co TCR e isso é algo que tenho de destacar, ca; e finalmente, a cereja no topo do bolo, aliar-se para darem corpo a uma nova
tado por um caminho diferente para a juntamente com mais um vice-campeo- Sébastien Ogier assegurou o seu quinto competição, a Kia Picanto GT Cup, que vai
sua vida, continuou ligado ao AutoSport nato nacional.” O madeirense marcou título Mundial. Em declarações à WRC permitir a descoberta de novos valores
através dos seus escritos. Deixou-nos depois presença no TCR Europe Trophy, TV: "Eu não sei o que dizer. Foi um ano como também a permanência de muitos
com uma fabulosa herança de textos onde terminou em nono: “O balanço tem difícil. Obrigado a todos na M-Sport e ao outros em atividade. Este irá ser um tro-
que ajudaram grande parte dos adeptos de ser positivo, pois consegui entrar num Malcolm. É fantástico ser campeão mun- féu monomarca de velocidade e ralis, que
lusos a moldar o seu conhecimento. Até ritmo muito elevado de um plantel de pi- se vai disputar com um Kia Picanto com
sempre, Hélio. lotos de altíssima qualidade. Penso que motor 1.0 Turbo de 140 cv. Impulsionada
fizemos um excelente trabalho.” pela Kia, esta competição pretende ser
CARLOS SAINZ NA RENAULT uma rampa de lançamento de novos va-
Carlos Sainz tinha previsto rumar à 51 PORÉM VENCE EM PORTALEGRE
Renault em 2018, mas isso aconteceu
mais cedo do que o previsto, pois já correu E É CAMPEÃO
com a equipa francesa no GP dos Estados Apostado em vencer pela quarta vez con-
Unidos. Com esta troca, Brendon Hartley secutiva, Ricardo Porém entrou para a Baja
foi o 759º piloto a correr na F1. Depois de Portalegre 500 com a possibilidade de vol-
Pierre Gasly, foi a vez do piloto da Porsche tar a ser campeão nacional. Enfrentou João
se estrear, e foi também confirmado no Ramos, que liderou até desistir e aprovei-
GP dos EUA com a Toro Rosso. O piloto tou o abandono do adversário para con-
neozelandês substituiu Pierre Gasly, que quistar o título e fazer o poker na última
por sua vez iria lutar pelo título da Super prova da Taça do Mundo de TT. O piloto de
Formula no Japão, no mesmo fim de se- Leiria venceu pela quarta vez consecuti-
mana. Só que não, pois um tufão anulou o va a prova do Alto Alentejo, e assegurou
evento e Gasly foi para o Japão… passear. o seu segundo título nacional de TT, de-
Sorte madrasta. Contudo, a Toro Rosso/ pois duma temporada equilibrada em ter-
Red Bull decidiu ‘despachar’ Dannil Kvyat mos de andamento, mas em que Ricardo
com efeitos imediatos e ficou formada Porém soube ser melhor nos momentos
a dupla da equipa de Faenza em 2018, decisivos. Entre os T2 foi Rui Sousa o ven-
Gasly e Hartley. cedor,tambémele Campeão,algoquese
tornou 'efetivo' quando se soube da anu-
44 RENÉ RAST CAMPEÃO DO DTM lação da Baja TT Rota do Douro.

René Rast é o novo Campeão do DTM, GT OPEN:
depois de ter aproveitado bem o facto de
Mattias Ekstrom não ter conseguido me- GRANDES PRESTAÇÕES LUSAS
lhor do que terminar em nono na corrida Miguel Ramos terminou a época do GT
decisiva. O piloto da Red Bull terá começa- Open com seis subidas ao pódio, termi-
do a perder um campeonato que liderava nando o campeonato na quinta posição:
confortavelmente na primeira corrida do “Este campeonato é extremamente com-
último fim de semana, em que sofreu uma petitivo, mas a falta de potência no nosso
penalização que o fez perder cinco luga- Ferrari desde Silverstone impediu-nos
res na grelha, facto que aliado a uma má de conseguir estar na linha da frente”. O
qualificação, levou a que tivesse muitas Team Costa Campos, de Beirão da Veiga,
dificuldades ao arrancar 'lá atrás'. Para Félix da Costa e Tiago Monteiro teve uma
Ekstrom, nem WRX nem DTM… época quase sempre em crescendo, che-
gando à fase final da temporada a lutar
ELMS: ÀS ‘TRÊS’ NÃO FOI DE VEZ... consistentemente com os melhores e a
A primeira parte das 4 horas de Portimão ganhar corridas.
deixou no ar a possibilidade de Filipe
Albuquerque e seus ‘pares’ chegarem TETRA PARA HAMILTON
ao título, mas uma penalização por exces- Não foi exatamente como Lewis Hamilton
so de velocidade no pitlane acabou com a queria, mas a verdade é que o piloto in-
essa esperança. Pela terceira vez em três glês assegurou no México o seu quarto
anos, Filipe Albuquerque chega à última título Mundial de Fórmula 1. Com a con-
corrida com hipóteses de ser campeão cretização do seu quarto título Mundial,
Lewis Hamilton fez história na Fórmula 1
e igualou Alain Prost e Sebastian Vettel.

45 >> autosport.pt
48 49
23
46

50

lores no automobilismo português e uma que tive foi notória e agora sei que posso Lady Sings” e mais uma vez aconteceu do WTCC. A equipa chegou ao Qatar,
fórmula que permite a pilotos mais expe- disputar qualquer rali com qualquer pi- algo semelhante, mas em letão! Depois onde tudo se iria decidir, na liderança de
rientes continuarem em atividade com loto nacional e isso, a mim, dá-me uma de terem passado pelo comando da prova ambas as classificações, mas as contas
custos controlados. satisfação enorme.” várias vezes durante as 24 horas de cor- ainda poderiam mudar, pois a diferença
rida, e quando já nada indicava que Igor não era muita entre Thed Björk e Norbert
ESTREIA VITORIOSA 48 PEDRO LAMY Skoks, Rudolf Skoks e Arvis Pikis pudes- Michelisz. Só que as coisas correram mal
sem vencer, eis que problemas mecâni- para o lado do húngaro da Honda e o jogo
DE HENRIQUE CHAVES CAMPEÃO LM GTE AM cos das duas equipas que rodavam na sua de equipa da Volvo foi perfeito ao ponto
Henrique Chaves aproveitou da melhor Pedro Lamy, Paul Dalla Lana e Mathias frente redundaram no triunfo dos letões, dos títulos nunca terem estado, sequer,
forma a sua estreia na última jornada Lauda são os novos campeões da cate- o seu primeiro em Fronteira. em discussão.
da World Series 3.5 Formula V8. O pilo- goria GTE Am do Mundial de Endurance.
to português preparava-se apenas para O trio do Aston Martin nº 98 confirmou 50 ALFA ROMEO REGRESSA À F1 ADEUS WTCC, BEM-VINDO WTCR
dois dias de testes mas foi convidado para a vitória na corrida e chancelou o títu- O Campeonato do Mundo FIA de Carros
correr, e fê-lo da melhor forma, ao vencer lo da categoria: “O campeonato esteve EM PARCERIA COM A SAUBER de Turismo (WTCC) adotou a regulamen-
a primeira corrida do programa, batendo renhido até ao final, mas conseguimos Aí está o regresso esperado da Alfa Romeo tação TCR, perdeu o estatuto de cam-
por 1.654s o Campeão da categoria, o bra- vencer. Ambicionávamos este título Fórmula 1, para já apenas através duma peonato do mundo e passou a Taça do
sileiro Pietro Fittipaldi. Pouco tempo de- há quatro anos! Toda a equipa está de parceria com a Sauber e a Ferrari. A mo- Mundo FIA: WTCR - FIA World Touring
pois, ficou a saber-se que o futuro pode parabéns, foi uma conquista muito tra- torização dos monolugares da equipa Car Cup. O campeonato TCR International
passar pela ELMS. balhada e merecida. Para mim, vencer em 2018 irá ser renomeada Alfa Romeo Series e a Taça Europeia FIA de Carros de
com a Aston Martin é muito especial. Ao e a equipa passa a denominar-se Alfa Turismo (ETCC) também desaparecem.
49 CARLOS VIEIRA CAMPEÃO longo da minha carreira já venci muitas Romeo Sauber F1 Team. Desta forma, o O Eurosport Events ficará o promotor da
corridas com a marca e, por isso, é uma ano de 2018 marca o regresso da marca WTCR, assegurando a organização lide-
NACIONAL DE RALIS honra conquistar o título de campeão Alfa Romeo à F1, o que não sucedia desde rada por Ribeiro os direitos da regulamen-
Carlos Vieira e Jorge Carvalho sagraram- mundial ao lado do Paul e do Mathias e 1985. Segundo Sergio Marchionne: "Este tação TCR à WSC Ltd de Lotti.
-se Campeões Nacionais de Ralis, com com a Aston Martin, marca para a qual acordo com a Sauber F1 Team é um passo
um exemplar triunfo no Rali Casinos do tanto gosto de guiar”, disse. significativo na reformulação da marca PEUGEOT RALLY CUP IBÉRICA
Algarve. O piloto do Citroën DS3 R5 foi o Alfa Romeo, que desta forma regressa Vai nascer em 2018 a Peugeot Rally Cup
mais rápido e só não venceu dois tro- 24 HORAS DE FRONTEIRA: CONTAS à F1 depois duma ausência de 32 anos”, Ibérica, um troféu com seis provas, divi-
ços do rali. Vieira chegou ao Algarve com disse Marchionne. didas equitativamente entre Portugal e
8.34 pontos de desvantagem para Pedro BARALHADAS Espanha. A competição é diretamente
Meireles, mas as vitórias nos troços, além A fiabilidade teve um forte papel na DEZEMBRO apoiada pela Peugeot Portugal e a Peugeot
do triunfo no rali, deram-lhe o merecido tí- decisão da 20ª Edição das 24 Horas de Espanha, que uniram esforços para a or-
tulo, por menos de um ponto: “Estávamos Fronteira, e quando tudo apontava para 46 WTCC: VOLVO E THED BJÖRK ganização conjunta. Claramente, um tro-
sob pressão e só a vitória não chegava. um desfecho, tudo mudou na última hora féu de ralis que tem o potencial de contri-
Tínhamos que ganhar as especiais qua- de corrida, com as duas equipas que ro- FAZEM HISTÓRIA buir para o surgimento de novos valores
se todas. Foi muito difícil, mas estamos davam na frente a atrasarem-se devido a Foi um ano histórico para a Volvo e para na modalidade.
muito felizes. O ano é muito bom, dentro problemas mecânicos. Os ingleses dizem a Polestar Cyan Racing com a conquista
dos altos e baixos que tivemos, a evolução que nada está assegurado até que a “Fat do Mundial de Pilotos e de Construtores

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A SELEÇÃO
DO ANO

Mais uma época que chega ao fim. O que fica são as
memórias de 12 longos meses. Tempo no mundo das duas

rodas de festejos, conquistas, marcos históricos e ainda
de despedidas numa viagem que nos deixou sem duas

figuras que contribuiram fortemente para a mediatização
deste desporto

Alexandre Melo e Francisco Mendes sendo até ao momento o último piloto 5 momento ímpar mas que acabou pra-
[email protected] norte-americano que conseguiu tal feito. ticamente por ser o canto do cisne, em
Young foi o vencedor pela primeira vez 2017, para a marca de Iwata, não obstan-
1 DAKAR: YES WE CAN 3 PORTO EXTREME XL LAGARES: da prova lusa quebrando assim uma se- te estarmos apenas na quinta jornada da
quência de três vitórias consecutivas do temporada. Até ao final do ano apenas por
Pela primeira vez em 39 edições da maior SÓ PARA OS DUROS espanhol Alfredo Gomez. mais uma ocasião tivemos a Yamaha a
prova de todo o terreno do mundo um pilo- Pela 13ª vez as maiores figuras do extreme cantar vitória.
to proveniente de terras de Sua Majestade enduro mundial reuniram-se no norte de 4 YAMAHA X 500
subiu ao lugar mais alto do pódio. De seu Portugal para mais uma edição da Porto 5 GALINHA VELHA FAZ BOM CALDO
nome, Sam Sunderland, este britânico Extreme XL Lagares. Um grande espe- O Grande Prémio de França, realizado no
conseguiu aos 27 anos atingir um mar- táculo que foi testemunhado por muitos circuito Bugatti-Le Mans, ficará para sem- O Grande Prémio da Holanda, realizado
co histórico, fruto de uma prova muito fãs apaixonados por esta disciplina que pre na, bem sucedida, história da marca desde a primeira edição do Mundial na
regular, isenta de erros e à qual aliou a leva até ao limite as capacidades de pi- do triplo diapasão na classe maior. Isto 'catedral' de Assen, viveu mais um mo-
necessária velocidade nos momentos lotos e máquinas. O sul-africano Wade porque com a vitória de Maverick Viñales, mento glorioso em 2017. Valentino Rossi
certos. Ao mesmo tempo prolongou o em solo gaulês, a Yamaha chegou à sua
bem sucedido legado da KTM no Dakar, 500ª vitória no Mundial de MotoGP. Um
ao oferecer à marca de Mattighofen a 16ª
vitória consecutiva no evento.

2 ADEUS 'KENTUCKY KID'

Dia 22 de maio de 2017. O fatídico dia em
que aos 35 anos, Nicky Hayden desapare-
ceu depois de não resistir aos graves fe-
rimentos cerebrais originados após uma
colisão, perto do circuito de Misano, com
um automóvel enquanto treinava de bi-
cicleta. Uma semana de agonia que ter-
minou com a notícia que todos temiam. O
ponto final numa carreira que teve o seu
momento mais alto, em 2006, quando sa-
grou-se campeão do mundo de MotoGP,

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tornou-se, aos 38 anos e 129 dias, no sé- pista de Mugello. Pela primeira vez des- 7 SER PIONEIRO para um luso nas 600cc. Estava dado o
timo mais velho piloto de sempre a con- de 2008 as corridas das três categorias mote para uma época de excelência por
quistar um Grande Prémio, sendo mes- em disputa tiveram no lugar mais alto do O circuito de Termas de Río Hondo é um parte de Oliveira.
mo o mais veterano da ‘Era Moderna’ a pódio três pilotos provenientes do país local que ficará para sempre ligado à his-
conseguir tal feito. Mais um recorde para da bota. Andrea Migno, em Moto3, Mattia tória do motociclismo nacional. Tudo por- 8 A PRIMEIRA VEZ
a ilustre carreira do nove vezes campeão Pasini, em Moto2, e Andrea Dovizioso, que foi na pista argentina que assistimos
do mundo que, no entanto, só averbou um em MotoGP, contribuiram para um do- ao primeiro recital de Miguel Oliveira em Construtor estreante em MotoGP, a KTM
triunfo na última época. mingo inesquecível para os tiffosi. No Moto2. O homem da Red Bull KTM Ajo somou os seus primeiros pontos na se-
caso da classe rainha a festa foi a do- tornou-se no primeiro piloto português a gunda corrida do ano, o Grande Prémio da
6 FRATELLI D'ITÁLIA brar, pois pela primeira vez na história conseguir uma pole position em Moto2 e Argentina. Foram apenas três os pontos
do evento um piloto transalpino venceu, a terminar no pódio, no caso, em segun- obtidos, fruto da 14ª e 15ª posições de Pol
Um dos pontos altos da temporada em solo pátrio, uma corrida do Mundial do, uma corrida da respetiva categoria. Espargaró e Bradley Smith, respetiva-
de 2017 ocorreu no sempre fervoroso aos comandos de uma Ducati. Pelo meio estabeleceu a volta mais rá- mente, mas este foi o ponto de partida
Grande Prémio de Itália, que decorreu na pida da contenda, facto também inédito para uma temporada de clara evolução

e/
ESPECIAL

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MOMENTOS DO ANO

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da casa de Mattighofen. Até ao final da Já em MX2 a vitória ficou para o suíço ria do Mundial com os auto intitulados 14
temporada destacaram-se classificações Jeremy Seewer. Em 2018, Águeda está 12+1 títulos mundiais.
no top 10 bem como acessos diretos à Q2, de novo no Mundial. sitivo quinto lugar. Só ao alcance dos
fase decisiva da qualificação. Nada mau 12 RECUPERAÇÃO SUPERSÓNICA predestinados.
para a estreia nestas lides. 11 '12+1' PARA SEMPRE
O finaldo mês de agosto terminou com 13 AIA NO RADAR DA SUPERBIKES
9 VIVE LA FRANCE Aos 70 anos Ángel Nieto faleceu depois um acidente de Valentino Rossi duran-
de não resistir aos graves ferimentos te um treino com uma moto de enduro, Depois de um ano de ausência, o
Arredada dos lugares cimeiros do MotoGP cerebrais contraídos na sequência de que resultou na fratura da tíbia e peró- Autódromo Internacional do Algarve rece-
há alguns anos, a França encontrou uma uma colisão com um automóvel en- nio da perna direita. Chegou a falar-se beu novamente o Mundial de Superbikes e
nova referência no seu motociclismo de quanto estava aos comandos de um em retirada, mas a verdade é que 21 as suas competições adjacentes. Jonathan
velocidade. Falamos do bicampeão do quadriciclo em Ibiza. O adeus de uma dias após ter sido operado o nove vezes Rea dominou em Portimão ao vencer as
mundo de Moto2, Johann Zarco. Não obs- figura que lançou as bases do sucesso campeão do mundo estava de regres- duas corridas realizadas e lançou mais
tante ser um novato na classe maior e pi- que o motociclismo espanhol tem vindo so às pistas e alinhou no GP de Aragão. uma pedra na construção do tricampeo-
loto da satélite Yamaha Tech 3, Zarco im- a ter até aos dias de hoje. Desapareceu o Aí mostrou toda a sua fibra de grande nato. O evento algarvio ficou ainda marca-
pressionou tudo e todos. Liderou a corrida segundo piloto mais laureado da histó- campeão e fechou a corrida num po- do pela primeira vitória, a solo, do género
de Losail (Qatar) na estreia em MotoGP e feminino numa prova a contar para um
obteve a primeira pole position e pódio Mundial de velocidade tutelado pela FIM.
junto do seu público, ou seja, no Grande
Prémio de França. Sem dúvida um nome
a reter no futuro do campeonato.

10 ELITE REGRESSA A ÁGUEDA

O Crossódromo Internacional de Águeda
recebeu, em julho, a 11ª ronda do MXGP,
que não visitava Portugal desde 2013. Em
2017 a capital portuguesa do motocross
voltou a ser visitada pelos melhores pi-
lotos do mundo, que proporcionaram um
grande espetáculo para os muitos adeptos
presentes. Antonio Cairoli foi o vencedor
do evento em MXGP, onde o português
Rui Gonçalves terminou na 17ª posição.

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Falamos da espanhola Ana Carrasco que 15 BINÓMIO DE SUCESSO 17 Oliveira a tornar-se no primeiro pi-
triunfou no Mundial de Supersport 300. loto português a vencer uma corrida
Pela primeira vez na história do Mundial tinção dos feitos do norte-irlandês pela de Moto2. A receita foi repetida em
14 LENDAS DAS DUAS RODAS de Superbikes um piloto conquistou três Coroa Britânica enobreceu ainda mais Sepang e Valência num final de épo-
títulos consecutivos. Falamos de Jonathan as recentes conquistas. ca igual ao registado no ano de 2015,
Diferentes especialidades, mas o mesmo Rea que em conjunto com a Kawasaki então em Moto3. Três vitórias nas três
significado: a consolidação de um lugar no têm marcado um domínio incontestável 16 SER PIONEIRO (PARTE 2) últimas corridas do ano que ajudaram
'Olímpo dos campeoníssimos'. No Mundial nos últimos anos na categoria. Recordes à obtenção do terceiro lugar final do
de Motocross (MXGP), Antonio Cairoli atrás de recordes para um binómio que Avisossistemáticos já tinham sido da- campeonato e que deixam muita 'água
conquistou o seu nono título mundial na parece estar sempre insaciado. A dis- dos durante o decorrer da época. No na boca' sobre aquilo que poderá ser
disciplina, o primeiro desde 2014. No trial, traçado australiano de Phillip Island a época de 2018.
Toni Bou arrebatou o 22º título mundial chegou a consagração com Miguel
consecutivo, conquistas que estão divi- 17 TETRA MAIS JOVEM
didas pelo trial outdoor e indoor. Números
impressionantes de dois embaixadores Com somente 24 anos Marc Márquez tor-
destas duas espetaculares disciplinas. nou-se no mais jovem piloto de sempre a
obter quatro títulos mundiais na classe ra-
inha. Uma conquista muito saborosa para
o piloto da Honda, que garantiu o quarto
cetro mundial em cinco anos de MotoGP
após uma intensa batalha com Andrea
Dovizioso. Dois pilotos que marcaram a
temporada de 2017 e em que o título as-
sentava bem, fosse qual fosse o vence-
dor. Franco Morbidelli, em Moto2, e Joan
Mir, em Moto3, foram os campeões das
restantes categorias em competição.

TT/28
ANO DE
RECORDESAFRICA ECO RACE

NO AFRICA
ECO RACE
A 10ª edição do Africa Eco Race irá ter à partida mais
de 200 concorrentes, que vão passar por Marrocos, Mauritânia e Senegal.

Como sempre, chegar a Dakar é o objetivo

Francisco Mendes que considera ser o holandês Gerard de
[email protected] Rooy o principal favorito à vitória este
ano entre os camiões, piloto que é um
Nove anos, 10ª Edição. 2018 especialista do Dakar e se vai estrear
marca já uma década de no Africa Eco Race.
Africa Eco Race, um evento Estreante, o português João Rolo mos-
que nasceu em 2009 e que foi tra-se satisfeito com a sua participação:
ocupar o ‘lugar’ deixado vago “Estive inscrito no Lisboa-Dakar
pela ida do ‘outro’ Dakar para 2008, que infelizmente
a América do Sul. Como tem vindo a su- não partiu. No ano
ceder, lentamente, o evento continua a passado não
ganhar expressão, o que se prova pelo consegui ali-
recorde de participantes, entre pilotos, nhar no Africa
autos e motos, e co-pilotos. Eco Race, depois
O evento arranca a 31 de dezembro de estar inscrito,
no Mónaco, e conta com os vencedo- por uma questão
res do ano passado, Vladimir Vasilyev de saúde. Agora
(autos), Gerard De Rooy (Camiões) e vou finalmente
Pal Anders Ullevalseter (Motos). Para realizar o sonho
além de Elisabete Jacinto nos Camiões, de participar com
participam ainda três pilotos portu- o objetivo apenas de
gueses nas motos: João Rolo (KTM), chegar a Dakar com a
Pedro Oliveira e Rui Oliveira, ambos moto inteira, apesar de
em Yamaha. alinhar numa categoria
Elisabete Jacinto é a ‘veterana’ da co- - malle et moto - em que
mitiva lusa, já que vai participar pela tenho de pilotar e dar as-
nona vez no Africa Eco Race, e tem as- sistência à moto. Espero por isso
pirações a um lugar no pódio: “A meta uma grande aventura neste Africa
é chegar ao pódio. Sei que não sou can- Eco Race”, referiu.
didata, mas vou lutar para terminar no Uma das grandes novidades da edição
pódio, já que a fiabilidade do meu ca- deste ano do Africa Eco Race é a reali-
mião me permite, nas etapas de grande zação de duas etapas maratona, onde os
exigência de navegação, lutar de igual participantes não vão contar com assis-
para igual com os camiões mais rápi- tência. “É a etapa 500 milhas que será
dos. O número de camiões inscritos é realizada na Mauritânia. Serve para
bastante superior ao do ano passado. assinalar o 10º aniversário da prova e
A prova vai passar em locais onde já será cumprida em dois dias, nos quais
passou, mas que nos últimos anos esti- não é permitida nenhuma assistên-
veram fora do percurso, e há duas eta- cia mecânica”, afirmou José Marques,
pas maratona que podem fazer toda a o navegador de Elisabete Jacinto na
diferença, já que são indicadas para os apresentação da Edição 2018 do Africa
veículos mais fiáveis como é o caso do Eco Race que decorreu no Museu do
meu camião”, afirmou Elisabete Jacinto, Desporto, em Lisboa.

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A RETER PROGRAMA

* UM PERCURSO VARIADO COM MUITA AREIA E DUNAS 3ª FEIRA 2 JANEIRO ETAPA 1 NADOR / DAR KAOURA 639KM
* POUCAS LIGAÇÕES
* VÁRIOS INÍCIOS E FINAIS DIRETAMENTE NO BIVOUAC 4ª FEIRA 3 DE JANEIRO ETAPA 2 DAR KAOURA / AGDAL 479 KM
* ROAD BOOK ESPECÍFICO
* MUITA NAVEGAÇÃO 5ª FEIRA 4 DE JANEIRO ETAPA 3 AGDAL / ASSA 421 KM
* DUAS ETAPAS EM ‘LOOP’
* BIVOUACS AUTÊNTICOS, NO MEIO DO ‘NADA’ 6ª FEIRA 5 DE JANEIRO ETAPA 4 ASSA / FORT CHACAL 501 KM
* 12 ETAPAS, 1 DIA DE DESCANSO
* 6500 KM SÁBADO 6 DE JANEIRO ETAPA 5 FORT CHACAL / DAKHLA 632KM

DOMINGO 7 DE JANEIRO DAKHLA - DIA DE DESCANSO

2ª FEIRA 8 DE JANEIRO ETAPA 6 DAKHLA / CHAMI 650 KM

3ª FEIRA 9 DE JANEIRO ETAPA 7 CHAMI / CHAMI 508 KM

4ª FEIRA 10 DE JANEIRO ETAPA 8 CHAMI / AMODJAR 478KM

5ª FEIRA 11 DE JANEIRO ETAPA 9 AMODJAR / AMODJAR 486 KM

6ª FEIRA 12 DE JANEIRO ETAPA 10 AMODJAR / AKJOUJT 453 KM

SÁBADO 13 DE JANEIRO ETAPA 11 AKJOUJT / ST LOUIS 558 KM

DOMINGO 14 DE JANEIRO ETAPA 12 ST LOUIS / DAKAR 292KM

N/30
NOTÍCIAS A Peugeot Rally Cup Ibérica
é um novo Troféu que tem
NASCEU como ‘suporte’ a Peugeot
A PEUGEOT RALLY Portugal e a Peugeot
Espanha, empresas que uniram
CUP IBÉRICA esforços para a organização con-
junta, em 2018, de um troféu de
Os importadores da Peugeot Portugal e Espanha juntaram-se ralis envolvendo ambos os paí-
para colocar de pé um Troféu Ibérico de ralis baseado nos ses. Num troféu em que também
está envolvida a Sports & You,
Peugeot 208 R2. Três provas em Portugal, outras tantas em a Peugeot Rally Cup Ibérica irá
Espanha, dão corpo a um dos melhores troféus que podiam contar com um calendário de seis
provas, divididas entre Espanha e
nascer na Península Ibérica… Portugal, em provas de asfalto e
de terra, num conjunto de eventos
José Luís Abreu e datas para conhecer oportu-
[email protected] namente.
O carro é o Peugeot 208 R2, e no
LEIA E ACOMPANHE TODAS que se refere a prémios, a Peugeot
AS NOTÍCIAS EM AUTOSPORT.PT Rally Cup Ibérica tem previsto dis-
tribuir no próximo ano um mon-
tante superior a 100.000€, a atri-
buir no conjunto das seis provas
do calendário, acrescendo a este
valor, no final da temporada, um
prémio final, que também fica por
conhecer.

CHILE PODE TOYOTA CONTINUA NO WEC
RECEBER WRC
EM 2019 A Toyota anunciou que vai continuar e outros desenvolvimentos. Estou
no WEC na próxima temporada. A determinado em assegurar que os
Os promotores do WRC Etcheverry, disse que seria um evento marca japonesa decidiu permanecer carros daqui a 100 anos continuam
continuam à procura de novos muito importante para o Chile: “Os na competição com o TS050 HYBRID, divertidos. Desde 2012 que estamos
eventos e o Chile pode ser o ralis são a segunda modalidade mais mas só assegurou a continuidade no WEC com carros de tecnologia
próximo novo destino do WRC importante no Chile, apenas atrás do até ao final da próxima temporada, híbrida. Além de querermos ser
em 2019. O país sul-americano futebol. Estamos há 18 anos no RallyMobil que, recorde-se, será maior do que o mais rápidos que os concorrentes,
– por onde também passa o (Campeonato do Chile) e o passo habitual. também aprendemos muito, para a
Dakar – candidatou-se ao WRC e mais natural é subir ao WRC. Estamos Não foi para já anunciado o line-up construção dos nossos carros de
verá a sua prova ser avaliada na semana prontos para este desafio e estamos de pilotos, e continua em aberto a estrada. Desde essa data, melhorámos
anterior ao Rali da Argentina. Depois, muito confiantes com os troços que participação de Fernando Alonso nas muito a nossa eficiência em gastos
o promotor do WRC vai decidir se o rali vamos apresentar, são em terra e muito 24 Horas de Le Mans: “Já passaram de combustível nos nossos carros de
deve, ou não, entrar no campeonato em desafiantes, talvez, os melhores do mais de 100 anos desde que começou estrada e a nossa tecnologia híbrida.
2019, no que seria um 14º rali para o mundo”. a haver corridas automóveis. Estão É também por estas evoluções que
campeonato. O promotor do WRC, Oliver Para 2019, o regresso do Japão também é a aproximar-se tempos de grandes vamos continuar por aqui”, disse Akio
Ciesla, revelou que esta proposta trará uma hipótese, num evento que conta com mudanças, com a automatização, Toyoda, presidente da Toyota Motor
excelentes troços na zona dos Andes e um forte apoio da Toyota. Neste momento, o surgimento dos carros elétricos Corporation.
permitirá também alargar o número de a Croácia já terá mais dificuldades em
adeptos da competição: “Estamos muito entrar no WRC a curto prazo.
próximos de um acordo. Este será um rali
baseado numa floresta, com troços muito
interessantes e em zonas montanhosas
até 2000 metros de altura. Do que vimos
até agora, o Chile pode perfeitamente
receber o WRC”, disse Ciesla.
Já o organizador do rali, Sebastian

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SÉBASTIEN LOEB
EM TRÊS PROVAS DO WRC 2018

ÁLVARO A Citroën Racing divulgou o seu programa que está previsto para o Rali do México,
PARENTE para 2018, confirmando-se a presença curiosamente uma prova que a equipa
DE BENTLEY de Sébastien Loeb em três provas do francesa venceu o ano passado, sendo
COM A K-PAX WRC, no México, Córsega e Catalunha. Na portanto um rali em que se sabe que o
equipa principal vão ficar: Kris Meeke, carro deste ano esteve bem. Na Córsega,
Álvaro Parente confirmou que vai voltar a trabalhar com o Jim (Haughey)”, sublinhou o ponta de lança da equipa; Craig Breen, o mesmo se pode dizer,
marcar presença no Pirelli World Challenge, português. Para a temporada de 2018 Álvaro que irá pilotar o segundo Citroën C3 WRC basta ver a exibição de Kris Meeke este
em 2018, integrando um projeto da K-PAX Parente terá que enfrentar um outro desafio, em 10 provas; Khalid Al Qassimi, que irá ano até desistir com um problema no
Racing, equipa com a qual se sagrou terá um novo carro para conhecer e levar surgir num terceiro carro, nos ralis que motor. Por isso, o C3 WRC também deverá
Campeão em 2016. ao limite. escolher. Stéphane Lefebvre irá ajudar ser competitivo na Córsega.
O português tem vindo a ser um dos O piloto do Porto estrear-se-á aos comandos a ‘vender’ o novo Citroën C3 R5, na sua Na Catalunha, se a divisão terra/asfalto
protagonistas da competição, conquistando de um Bentley Continental GT3, que lhe época de estreia no WRC2. se mantiver, dois terços do rali serão em
ao longo de duas temporadas 10 vitórias apresentará algumas características Sébastien Loeb não será o D. Sebastião asfalto, e na terra, porque não disputa o
e 18 pódios, mais que qualquer outro novas e que nunca tinha experimentado ‘Salvador’ da Citroën – que esteve campeonato, Loeb partirá de trás.
piloto: “Vencemos o campeonato no nosso na sua carreira. Contudo, o português está mal este ano - mas a sua experiência Na terra apanha estrada mais limpa
primeiro ano juntos e terminámos em seguro de que terá na equipa californiana poderá ajudar bastante a equipa. Já (se não chover muito) e no asfalto, é o
segundo (ndr.: GT Sprint) esta temporada. Os a estrutura certa para que todo o processo testou o Citroën C3 WRC em pisos de que sabemos. Portanto, três ralis muito
resultados são fantásticos porque a equipa de adaptação seja o mais célere possível. asfalto e terra, e agora irá competir pela bem escolhidos e boas oportunidades
é verdadeiramente boa. O profissionalismo “Será muito interessante. É uma grande primeira vez desde o Rali de Monte- para a equipa brilhar, ficando
e a forma como trabalhamos juntos tem mudança no que diz respeito à pilotagem Carlo 2015. Sébastien Loeb e Daniel por saber que testes Loeb fará antes,
sido fantástico e essa é uma das principais do carro, com o volante à direita. Espero Elena vão regressar a um Citroën WRC pois se assim não for o ritmo poderá ser
razões que me levam a regressar. Sinto que que me possa adaptar rapidamente a essa oficial em competição, num ‘evento’ um problema.
todos trabalhamos na mesma direção e é situação e penso que não será complicado.
um grupo muito aplicado que efetua o seu O resto depende de mim e da equipa e passa
trabalho muito bem e que tem as mesmas por aprender o carro o mais rapidamente
ambições que eu. O Jim Haughey [ndr.: o dono possível. Penso que isso é algo que fazemos
da K-PAX Racing] é também um dos motivos bem na K-PAX Racing. Adaptamo-nos
que me levam a voltar. Quero continuar a rapidamente, extraímos o máximo do
trabalhar com ele. Ele adora as corridas e potencial do carro através das afinações,
adora fazer as coisas bem. Eu adoro esse dado termos os ingredientes certos para
espírito. Estou muito satisfeito por voltar a isso”, sublinhou Álvaro Parente.

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EMERSON
FITTIPALDI OPRIMEIRO
PRODÍGIO(PARTEI)
BRASILEIRO
CONHEÇA ESTA E MUITAS

OUTRAS HISTÓRIAS EM AUTOSPORT.PT

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Guilherme Ribeiro dos grandes feitos das lendas europeias título em 1967, com cinco vitórias em 10
[email protected] durante anos a fio e, claro, o homem que provas. Era também um nome ampla-
mais empolgou o povo brasileiro com os mente respeitado nas provas de sprint e
Emerson Fittipaldi nasceu a 12 de sucessos de Chico Landi, o que não im- resistência que abundavam, ficando co-
dezembro de 1946 em São Paulo, pediu que o casal Fittipaldi continuasse nhecidos os especiais preparados pelos
filho de Wilson Fittipaldi Sr. – fi- a competir ocasionalmente. ‘manos’, como um VW Karmann-Ghia
lho de emigrantes italianos que Deste modo, os jovens Wilson Jr. e coupé com motor Porsche e, mais tarde,
haviam partido para o Brasil, Emerson cresceram com memórias cla- um VW Beetle ‘silhueta’, amplamente
como tantos dos seus conterrâ- ras dos feitos dos seus pais e de nomes modificado, que não raras vezes tinha
neos, em busca de uma vida melhor – e europeus como Fangio, Ascari, Farina e ‘pernas’ para os carros de GT e Sport mais
de Józefa “Juzy” Wojciechowska, tam- companhia, por isso não é de todo incom- habituais no parque automóvel local, como
bém ela emigrada no Brasil após fugir da preensível que, assim que a idade o per- os Ford GT40 e os Lola T70.
União Soviética, já que provinha de uma mitiu, ambos – com o apoio dos pais – se No final de 1968, sem nada a provar no
família russo-polaca de oficiais czaristas. estreassem em provas locais de motos e, Brasil, Emerson juntou as suas economias
Apesar desta mistura de culturas, a famí- a partir dos 18 anos, passassem para os e partiu para a Europa, instalando-se em
lia Fittipaldi adaptou-se rapidamente ao karts, já que esta era a idade mínima legal Inglaterra, numa tentativa de provar o seu
Brasil e teve sucesso nos negócios, o que para os pilotar. Assim, enquanto não podia valor aos ‘olheiros’ das principais equipas,
permitiu ao casal Fittipaldi iniciar-se no progredir, Emerson conjugava os estudos tendo para tal comprado um Merlyn de
fértil cenário da competição local, com- e a competição nas duas rodas (e em hi- Formula Ford, com o qual se inscreveu
petindo ambos em provas de sprint e en- droaviões) com o trabalho de preparação nos campeonatos ingleses da modalida-
durance, e mesmo nas motas, no caso de dos karts do seu irmão e de outro jovem de. Se bem que estivesse consciente que
Wilson Sr., durante os anos 30 e 40. Com a talento brasileiro que começava a des- o financiamento não era suficiente para
II Grande Guerra e a interrupção da com- pontar, José Carlos Pace. Rapidamente os o ano todo, principalmente se arriscasse
petição, Wilson Sr. dedicou-se de novo aos “manos” Fittipaldi destacaram-se como demais, Emerson deu tudo e o sucesso
negócios, mas o regresso da modalidade preparadores e construtores de karts de na categoria não tardou a chegar, não só
depois de 1945 levou-o a uma nova ver- elevadíssima qualidade, o que tornava as em Inglaterra como em provas europeias.
tente – o mais velho dos Fittipaldi tornou- suas carreiras financeiramente viáveis, já De tal modo Fittipaldi impressionou tudo
-se num conceituadíssimo comentador que as vendas dos seus Minikarts dispa- e todos pela sua rapidez que, em julho, o
desportivo, sendo o narrador de muitos ravam. E, graças a uma pequena artima- conceituado dono de equipa e da escola
nha, Emerson conseguiu estrear-se nos de pilotagem Jim Russell chegou a acor-
Decerto que o automobilismo brasileiro contou com karts com 17 anos, e rapidamente acom- do com a equipa de Formula 3 da Lotus
muitos e bons nomes desde os seus primórdios, panhou Pace e Wilson na luta pelas vitó- paracolocarojovemFittipaldi ao volante
mas, se excluirmos as aventuras ocasionais de Chico rias e pelos pódios, destacando-se como deum dos seus Lotus59,depoisdealgu-
Landi e de “Nano” da Silva Ramos na Europa, não um dos maiores talentos do cada vez mais mas sessões de treinos. Se dúvidas havia
se pode dizer que, antes de Emerson Fittipaldi, competitivo cenário brasileiro, permitin- quanto à sua adaptação, basta dizer que
um piloto brasileiro tivesse “assentado arraiais” no do-lhe avançar para provas de turismo e Emerson foi aos pontos na estreia na ca-
Velho Continente para estabelecer uma carreira bem- de resistência em 1965, muitas vezes com tegoria, venceu a sua terceira prova de F3
sucedida no topo da pirâmide desportiva. Foi esse o carros preparados pela própria família. e na segunda metade da época mais sete
grande feito de Emerson, que passou para a história Aos 20 anos, estreou-se nos monolugares rondas… o que lhe permitiu ser campeão
como um dos melhores pilotos de sempre da F1 e no extremamente popular campeonato na estreia, com meia época disputada.
IndyCar. Esta é a primeira parte do revisitar duma nacional de Formula Super Vee, com um Em setembro desse mesmo ano, estava
longa e interessante carreira. carro construído por si e pelo seu irmão, Emerson a caminho do título, quando foi
Na próxima semana, a segunda parte… que rapidamente se tornou um ganhador contactado por Frank Williams tendo em
(e um grande sucesso de vendas), permi- vista a sua participação no Mundial de
tindo a Emerson vencer o seu primeiro F1 de 1970, ao volante de um dos dois De
Tomaso que planeava inscrever no ano
seguinte. Williams era reconhecido como
um negociante de carros nas categorias
menores e por inscrever alguns jovens
pilotos na F2 e F3, mas em 1969 tinha-
-se lançado com um Brabham privado
para Piers Courage na F1, e o inglês seria
o primeiro piloto na parceria entre Frank
e os italianos da De Tomaso. Embora fos-
se bastante lisonjeiro, Fittipaldi declinou
a proposta, uma decisão ponderada e
muito consciente, já que o brasileiro esta-
va consciente da necessidade de ganhar
experiência, em vez de saltar tantos pas-
sos de uma vez. E foi esta a resposta que
deu no final da época a Colin Chapman,
quando o lendário patrão da Lotus o con-
vidou para ser segundo piloto da equipa
em 1970, apesar de sentir que estava na
presença de uma das figuras mais míti-
cas da história da Formula 1. Ainda assim,
Colin compreendeu o ponto de vista do

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jovem brasileiro e contratou-o para lide- o que levou Frank Williams a contactar Fittipaldi ficou com ‘as orelhas a arder’ na travagem para a Parabólica, ironica-
rar a operação da Lotus na F2, ao mesmo novamente Fittipaldi para pilotar o seu De quando falhou uma travagem no meio mente no sítio do acidente de Emerson,
tempo que faria alguns testes para se fa- Tomaso. Porém, Chapman decidiu não fu- da aspiração e se despistou, destruindo o e morreu pouco depois devido aos feri-
miliarizar com a F1. E Emerson não de- gir o diamante que tinha em mãos e ofe- seu carro novo. Pelo meio, durante o fim de mentos sofridos. Tal como ocorrera dois
sapontou ao longo da época de 70, com receu-lhe um contrato para a Formula 1. semana, Rindt e o seu manager e grande anos e meio antes por ocasião da morte
um carro claramente longe de ser o mais A estreia em Brands Hatch não produziu amigo, um tal de Bernie Ecclestone, pro- de Clark, Chapman e a Lotus ficaram em
performante do plantel, conseguiu quatro um resultado significativo – Fittipaldi foi puseram a Fittipaldi correr na equipa de choque, e a equipa naturalmente não ali-
pódios e um excelente terceiro lugar no apenas oitavo – mas em contrapartida F2 que ambos iriam gerir a partir do ano nhou no Grande Prémio.
campeonato. Quando a época terminou há que ter em conta que passou parte da seguinte, já que Jochen pensava cada vez Chapman tinha forjado uma intensa ami-
em Hockenheim, Fittipaldi já era uma es- corrida sem quarta velocidadeecom um mais em retirar-se da competição ou en- zade com Rindt, e ficou completamente
trela em ascensão na F1… escape partido, e que até lá a sua melhor tão diminuir a quantidade de provas na devastado pela morte do austríaco, pon-
volta ficou a menos de um segundo de época, e o austríaco indicou Emerson para do novamente em causa a continuidade
ALEGRIA E TRISTEZA NA FORMULA 1 Rindt, que corria com o modelo 72, mui- o substituir. Fittipaldi aceitou, mas, horas da Lotus na F1. Para piorar, o seu segun-
to mais avançado. E, em Hockenheim, depois, Rindt sofria uma falha mecânica do piloto, o prudente John Miles, tinha-o
Os bons resultados na primeira metade Emerson estreou-se a pontuar com um
da temporada ao volante do Lotus 59B de excelente quarto lugar. Depois de desis-
Formula 2 decidiram Chapman a inscrever tir na Áustria, Chapman decidiu inscre-
Emerson como terceiro piloto no G.P. De ver três Lotus 72 em Itália, dando assim
Inglaterra em Brands Hatch, depois de ter oportunidades iguais aos seus pilotos.
experimentado no início da época o espa- Infelizmente, seria mais um fim de se-
nhol Alex Soler-Roig, que era então mais mana totalmente marcado pela tragédia…
um gentleman driver do que um aspiran- Na sua busca eterna pela rapidez,
te a profissional. De imediato o brasileiro Chapman decidiu que em Monza, que
estabeleceu uma excelente ligação com ainda não tinha chicanes, os Lotus 72
Jochen Rindt, estimulada pelo convívio com o seu típico formato em forma de
no pelotão da F2, em que este era reco- cunha iriam correr sem qualquer tipo de
nhecidamente o melhor piloto, e o espí- apêndice aerodinâmico para maximizar
rito de entreajuda permitiu rapidamente a velocidade de ponta. Claro está que os
a Emerson mostrar serviço ao volante do carros se tornavam muito mais instáveis e
velho Lotus 49. Pelo meio, naquele que foi vulneráveis, mas em teoria poderia com-
um ano trágico na competição automóvel, pensar, só que logo nos primeiros treinos
Piers Courage falecia no G.P. da Holanda,

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criticado duramente por ter à viva força imediato quem mais brilhou foi o piloto teve uma generosa proposta da Scuderia, John Player Special, que deu à Lotus a
obrigado os pilotos a correr sem asas e, brasileiro que, apesar de se encontrar mas iria implicar que ele se dividisse entre sua lendária pintura preta e dourada, a
farto da fragilidade dos Lotus, batia com doente, foi terceiro classificado nos trei- F1 e Sport-Protótipos e, aparte algumas equipa de Hethel tinha finalmente con-
a porta, não só da equipa, mas da própria nos, mas na largada para a prova caiu para prestações ocasionais no WEC e no ETC, dições para prosseguir o desenvolvimen-
F1 e de uma carreira ao mais alto nível. A oitavo. Porém, uma boa recuperação, alia- Emerson sempre preferiu especializar-se to do Lotus 72, que atingiria o seu apogeu
equipa optava por se ausentar no Canadá, da a alguns azares mecânicos dos adver- na F1, traço que marcaria a sua carreira. entre 1972 e 1973. Ao contrário do novo
mas a dobradinha da Ferrari, com Ickx na sários, deixou Emerson no comando das Ironicamente, depois de ter o melhor carro Tyrrell, difícil de afinar, o Lotus 72 estava
frente, deixava o título póstumo de Rindt operações e, a partir daí, conseguiu con- em 1970, a Lotus não ganharia nenhum à vontade em qualquer traçado, e depois
em risco, e Chapman entendeu ser essa a solidar uma boa liderança e vencer, ape- Grande Prémio em 1971 (algo que não de um início mais positivo do campeão
melhor forma de homenagear o seu piloto. nas na sua quarta prova de F1. Ao vencer, acontecia desde os anos formativos de em título Jackie Stewart, Fittipaldi não
Deste modo, para o G.P. dos EUA a Lotus garantiu o título póstumo para Rindt, e o 1958 e 1959), fruto do desenvolvimento demorou a mostrar ao que vinha, ob-
apresentou-se com Fittipaldi e outro es- terceiro lugar de Wisell permitiu à Lotus simultâneo do modelo 72 e do revolu- tendo a sua segunda vitória da carreira
treante, o sueco Reine Wisell, para tentar garantir o título de Construtores a uma cionário Lotus 56B, de tração integral e em Espanha, para depois ser terceiro na
defender a liderança nos dois títulos. De prova do final. Logo a seguir, Fittipaldi propulsionado por uma turbina Pratt & chuva torrencial do Mónaco e vencer de
Whitney, inspirada no Lotus 56 que havia novo na Bélgica, enquanto Stewart, além
brilhado em Indianápolis em 1968. Com as de se debater com o seu novo carro, recu-
turbinas a gás proibidas do lado de lá do perava de uma mononucleose e de uma
Atlântico, Chapman tentou o conceito na úlcera gástrica, atribuída à sua intensís-
Europa, mas cedo se percebeu que o carro sima agenda de 1971. Emerson não pôde
era demasiado pesado, pouco fiável e difí- com Jackie em França (depois do azar
cil de pilotar, só apresentando boas pres- de Amon), mas venceu de seguida em
tações à chuva. Além disso, Emerson e a Inglaterra, na Áustria e em Itália, selando
sua mulher de então, Helena, sofreram um assim o seu primeiro título de Campeão
grave acidente de automóvel que obrigou do Mundo com apenas 25 anos, recorde
o piloto a ausentar-se do G.P. da Holanda, esse apenas derrubado em 2005 pelo
por isso a temporada foi marcada por uma espanhol Fernando Alonso, aos 24 anos.
enormeirregularidade,comdestaquepara Segundo o piloto, o Lotus 72E, a versão de
os pódios em França, Inglaterra e Áustria, 1973, era ainda melhor que a do ano ante-
e para as muitas quebras mecânicas, além rior e, se bem que começando com a ver-
das dificuldades de adaptação aos recém- são D nas provas fora da Europa, Fittipaldi
-generalizados pneus slicks por parte do venceu na Argentina e no Brasil, em frente
modelo 72. Quanto ao Lotus de turbina, ao seu público, e foi terceiro na África do
Fittipaldi apenas alinhou com ele na Race Sul, no que parecia ser uma boa réplica
of Champions e no International Trophy, a Jackie Stewart. No regresso à Europa
duas provas extracampeonato, e depois Emerson ainda venceu em Espanha, mas
no G.P. de Itália, com a nuance de ter sido depois foi terceiro na Bélgica e no Mónaco,
inscrito pela World Wide Racing, gerida enquanto Stewart vencia ambas. O cam-
por Peter Warr, devido ao processo cri- peonato parecia extremamente equili-
minal pendente sobre a Lotus relativa ao brado entre os dois melhores pilotos da
acidente de Rindt, mas nem numa pista época, mas os meses de Verão foram vi-
de alta velocidade o carro convenceu, já tais para a definição deste. Se Jackie e a
que Emerson não foi além do oitavo posto. Tyrrell tiveram um conjunto de provas cin-
zentas, em que apenas salvaram alguns
OS ANOS DE GLÓRIA pontos, Emerson Fittipaldi sofreu com o
azares mecânicos e alguns acidentes. Em
Com o projeto do Lotus 56B definitiva- França, quando lutava com o estreante
mente arrumado e o novo patrocínio da Jody Scheckter pela liderança, Emerson
cometeu um dos seus raros erros e tentou
forçar a ultrapassagem, a colisão subse-
quente resultou no abandono de ambos,
oferecendo de bandeja a primeira vitória
ao seu colega de equipa, Ronnie Peterson.
E, na Holanda, um despiste devido a uma
falha mecânica nos treinos deixou-o fisi-
camente debilitado, obrigando-o a desis-
tir com poucas voltas cumpridas. Stewart
voltou aos bons resultados na Alemanha,
enquanto Emerson não ia além do sexto
posto. Por isso quando o pelotão chegou
a Itália, Fittipaldi precisava de vencer e
esperar que Stewart ficasse em quarto
para poder ter condições de adiar a de-
cisão do título. Só que a quebra de forma
de Fittipaldi correspondeu à formidável
ascensão de Ronnie Peterson, que de-
pois de muitos azares mecânicos e aci-
dentes – o seu estilo ‘maximum attack’
não ajudava nada – conseguiu finalmen-
te vencer o G.P. de França e ‘tomar-lhe o

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gosto’, vencendo na Áustria. Em Itália os da equipa. Fittipaldi concluiu a época com sas equipas, nomeadamente a Tyrrell e a na McLaren. Embora nunca tivesse ga-
Lotus estavam mais rápidos, e quando um segundo lugar no controverso G.P. do Brabham, mas quando foi abordado pela nhado um campeonato, desde 1968 que
Stewart furou bem cedo na prova, deixou Canadá e um sexto nos EUA, terminando Marlboro – desiludida por dois anos de a equipa fundada por Bruce McLaren ra-
Peterson e Fittipaldi a rodar isolados na a época em segundo, mas dando à Lotus experiência caótica na BRM – que acei- ramente estava fora da luta pelos pontos
frente. Chapman tinha dito que os pilotos mais um título de Construtores. tou tornar-se no seu patrocinador pes- e até pelas vitórias, e a equipa gerida por
não iriam lutar desnecessariamente, mas Para 1974 Fittipaldi discutiu com diver- soal e apoiar a sua escolha, esta recaiu Teddy Mayer considerou oportuno ter um
se houvesse hipóteses de maximizar as piloto de ponta que pudesse, finalmente,
chances de Emerson ser campeão, seriam conseguir o tão almejado título. E com o
dadas ordens de equipa. Acontece que o apoio da Marlboro e da Texaco, aliado ao
escocês fez uma recuperação fenomenal, eficaz design de Gordon Coppuck com o
que o levou até ao quarto posto já perto M23, introduzido na época anterior e cla-
do final, por isso o brasileiro tinha que to- ramente melhorado para 1974, a equipa de
mar o comando para ter chances de lutar Woking mostrou de imediato ao que vinha.
pela vitória… mas a placa com a ordem de Se Fittipaldi ficou com o G.P. da Argentina
inverter posições nunca surgiu. Fittipaldi arruinado por pequenos problemas, o seu
atacou ao máximo, Peterson respondeu, veterano colega de equipa Denny Hulme
e o sueco conseguiu vencer com menos conseguiu aquela que seria a sua última
de um segundo de avanço, permitindo a vitória, e no Brasil, defronte do seu públi-
Jackie ser campeão. Embora as hipóteses co, Emerson conseguia a primeira vitória
fossem poucas, Fittipaldi ficou muito desi- da temporada. Cedo se percebeu que os
ludido com Chapman, que aparentemente Lotus estavam fora da contenda, já que o
não deu a ordem porque não lhe apeteceu, 72 começava nitidamente a acusar a ida-
e decidiu deixar a Lotus no final do ano, de, e que a luta seria entre os McLaren e
embora frisando sempre a sua admiração os Ferrari de Lauda e Regazzoni, com o
por Peterson, como homem e como piloto, jovem Scheckter no seu Tyrrell sempre
e que nunca surgiram problemas dentro muito perto, dando origem a uma das

37

épocas mais espetaculares da história era Regazzoni que liderava, seguido de para a época no G.P. de Espanha. Como é prontamente ameaçou suspender-lhe
da F1, marcada por um enorme equilí- Scheckter, Lauda e Fittipaldi, separados sabido, a prova disputou-se no circuito de a licença por três provas, mas a tragédia
brio até ao fim. por nove pontos. A quebra mecânica dos Montjuïc Parc, mas desde a véspera dos causada pelo acidente de Rolf Stommelen,
Rapidamente ficou claro que os Ferrari dois Ferrari em Monza, aliados ao segun- treinos que pilotos e diretores desportivos causando ferimentos sérios no piloto e
eram os mais rápidos, porém, mais in- do lugar de Emerson, mais a vitória do pi- manifestaram abertamente a sua preo- provocando quatro mortos, acabou por
consistentes, já que Lauda estava pela loto da McLaren no Canadá permitiu-lhe cupação com as péssimas condições de relegar tudo o mais para segundo plano
primeira vez num carro de topo e come- entrar para a última prova empatado com segurança do circuito, nomeadamente os e, logicamente, não houve nenhum óbice
teu alguns erros, e Regazzoni não tinha Regazzoni (embora com vantagem em rails muito mal (ou nada) fixados ao solo à participação do Campeão do Mundo nas
a mesma velocidade pura do seu colega número de vitórias), sendo que Lauda es- e entre si. É certo que a cruzada pela se- provas seguintes. Porém, as aspirações
de equipa, enquanto Scheckter estava tava já afastado da luta e Scheckter tinha gurança iniciada pela GPDA através de fi- do título complicaram-se quando, após
no seu primeiro ano completo na F1. E, apenas hipóteses matemáticas. Num dia guras como Jackie Stewart e Jo Bonnier já um segundo lugar no Mónaco, Fittipaldi
tal como todos os rivais, Fittipaldi teve péssimo para o suíço da Ferrari, que nun- tinha produzido resultados importantís- teve uma sequência de provas sem pon-
os seus fins de semana para esquecer, ca conseguiu as afinações ideais e afun- simos, mas em meados da década de 70 tuar. Quando regressou aos pontos, com
o que manteve a luta acirrada durante dou-se na classificação, Emerson jogou à os promotores e as entidades federativas um quarto lugar em França e depois uma
toda a temporada. Depois de um tercei- defesa em Watkins Glen e fez os possíveis ainda detinham muito poder, e perante a vitória sob uma chuva torrencial nas vol-
ro lugar em Espanha, o brasileiro voltou para terminar no melhor lugar sem for- ameaça de boicote dos pilotos ao Grande tas finais em Inglaterra, a distancia para
a vencer, desta vez na Bélgica, seguindo- çar a mecânica, obtendo o quarto lugar e Prémio, os organizadores ameaçaram o Ferrari de Niki Lauda já era substancial,
-se uma sequência de classificações nos o seu segundo título mundial de Pilotos. com o arresto dos bens de todas as equi- e a McLaren continuou a dar provas de
pontos, deixando-o a meio da época no Em 1975 a McLaren fez mais uns ‘upgra- pas, o que iria arruinar o campeonato. Não grande inconsistência no final da tem-
comando, mas com os quatro primeiros des’ ao M23 e adivinhava-se uma con- restou outra alternativa a não ser correr, e porada, embora dois segundos lugares
separados apenas por… oito pontos. Mas tinuidade da luta do ano anterior, prin- Emerson decidiu publicamente assumir nas duas últimas rondas chegassem para
o grosso do azar de Fittipaldi ainda esta- cipalmente contra os Ferrari. Fittipaldi que não iria partir para a prova, depois de deixar o piloto brasileiro vice-campeão
va para vir, com abandonos em França, começou bem a época ao vencer na ter feito os serviços mínimos nos treinos pela segunda vez.
Alemanha e Áustria, entremeados por Argentina e fazer segundo no Brasil, mas para se qualificar no último lugar na gre- Depois desta retrospetiva de parte da
um segundo lugar em Inglaterra, o que depois de problemas na África do Sul, vi- lha, retirando-se para as boxes após a carreira de Fittipaldi, na próxima sema-
invertia a balança a favor dos rivais. Agora ria a tomar uma atitude bastante radical volta de formação. Jean-Marie Balestre na publicaremos a segunda parte…

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INDIAN

» SCOUT BOBBER 2018

SIMPLESMENTE IRRESISTÍVEL

Desde que a Polaris decidiu fechar a produção de motos
Victory e concentrou toda a sua dinâmica no setor das
duas rodas na marca Indian Motorcycles que esta se tornou
numa marca de referência no mercado. Desta forma, deixou
para trás aquela imagem de motos icónicas do passado,
apresentando novos modelos - atuais e tecnologicamente
avançados - que disputam quota de mercado de igual
para igual com outras marcas há muito estabelecidas,
nomeadamente da própria Harley Davidson

Pedro Rocha dos Santos pica roda dianteira sobredimensionada, Com o seu belíssimo motor de 1133 cc e posição de condução mais agressiva,
[email protected] característica das Bobbers originais, 94 cv de potência, para 255 kg de peso, a com os pisa-pés colocados numa posi-
que nasceram nos USA no período pós Scout Bobber demonstra uma enorme ção mais perto do condutor e um guiador
O conceito neoclássico conti- II Grande Guerra com o aproveitamento agilidade na sua condução. Com o curso tipo Bobber mais curto que nos coloca
nua a inspirar quase todas as e adaptação das grandes e pesadas da suspensão dianteira reduzido em 26 numa posição mais dobrada sobre a
marcas no mercado se aten- motos militares. mm em relação às Scout normais e uma frente da moto, a Bobber convida-nos
dermos aos vários modelos A Scout Bobber tem um look que nos
que ultimamente têm sur- conquista de imediato e que à sua pas- CONCORRÊNCIA TRIUMPH BONNEVILLE BOBBER / 1.200CC
gido. A Indian Motorcycles sagem não deixa ninguém indiferente.
soube tirar partido desta tendência e O seu banco tipo selim monolugar é de TRIUMPH BONNEVILLE BOBBER BLACK 77 CV
capitalizar no seu passado histórico efeito estético muito bem conseguido / 1.200CC
com vários modelos revivalistas dentro e enquadra-se de forma quase mágica POTÊNCIA
do segmento de cruisers de linhas retro nas linhas da mota, reforçando a ex- 77 CV
e clássicas. clusividade e agressividade do conceito 228 KG
A linha Scout, com os seus diferentes Bobber. Todo o ‘sex appeal’ da Scout POTÊNCIA
modelos, tem vindo a marcar a es- Bobber tem como objectivo conquistar PESO
tratégia ao nível do segmento ‘entry um segmento de mercado mais jovem, 237,5 KG
level’ das cruisers da Indian, contra- que olhava para as Indian como para 12 900€
riando o mito de que as cruisers têm motos de tradição sobretudo conota- PESO
que ser motos pesadas e com pouca das com o passado. O look vintage está PREÇO BASE
potência. No entanto, era necessário na moda e o fenómeno está para durar 14 250€
associar um fator de moda para poder se considerarmos todo o efeito que tem
posicionar a Indian Motorcycles como gerado nos mais variados setores da PREÇO BASE
referência definitiva neste segmento e sociedade criando uma onda Hipster
no mercado em geral, esperando com que tem marcado em termos urbanos
isso captar novos targets de clientes. as tendências de moda, tendências que
Com esse objectivo nasceu a Scout vão para além do género de motos e que
Bobber, uma Scout rebaixada, com definem um modo de vida, um modo
linhas e decoração agressivas, com a tí- de estar e de ser também.

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a testar os seus limites e não apenas a guarda-lamas, o guiador, os escapes, os uma peça de extensão para o suporte FT/ F I C H A T É C N I C A
rodar descontraidamente. piscas, o farol, os espelhos e até mesmo de matrícula, realidade que por questões
Os acabamentos da Indian Scout Bobber o conta kms analógico-digital têm um legais obriga a esta adaptação já que 1200 CC
são excelentes e o look agressivo e es- acabamento em lacado negro mate que a posição original da matrícula neste
curecido está patente em quase todos os reforça o temperamento da Bobber. O modelo nos Estados Unidos é lateral. CILINDRADA
seus elementos. O depósito, o quadro, os guarda lamas traseiro recortado leva Com um selim que nos coloca numa
100 CV
HARLEY DAVIDSON FORTY-EIGHT / 1.202 CC MOTO GUZZI BOBBER / 850 CC YAMAHA XV950 R
POTÊNCIA
67 CV 55 CV 54,3 CV
12,5 L
POTÊNCIA POTÊNCIA POTÊNCIA
DEPÓSITO
245 KG 199 KG 251 KG
244 KG
PESO PESO PESO
PESO
11 900€ 9 990€ 9 995€
13 990€
PREÇO BASE PREÇO BASE PREÇO BASE
PREÇO BASE

MOTOR 1133 CC 8V V-TWIN POTÊNCIA 100
CV BINÁRIO 97,6 6.000 RPM ALIMENTAÇÃO
INJECÇÃO ELE. CAIXA DE 6 VEL. SUSPENSÃO
DIANTEIRA TELESCÓPICA DE 41MM DE CARTUCHO
COM 120MM DE CURSO SUSPENSÃO TRASEIRA
AMORTECEDORES CONVENCIONAIS DUPLOS COM
50MM DE CURSO QUADRO ESTRUTURA CENTRAL
DE LIGA DE ALUMÍNIO TRAVÃO DIANTEIRO DISCO
DE 298MM COM PINÇA DE DOIS PISTONS TRAVÃO
TRASEIRO DISCO DE 298MM COM PINÇA DE 1
PISTON RODA DIANTEIRA EM LIGA DE 16” X 3,5“
RODA TRASEIRA EM LIGA DE 16”X 3,5” PNEU
DIANTEIRO 130/90-16 PNEU TRASEIRO 150/80-16
ESCAPE DUPLO COM CROSSOVER DISTÂNCIA
ENTRE EIXOS 1562 MM ALTURA DO BANCO 649
MM ALTURA AO SOLO 123 MM ALTURA MÁXIMA
1154 MM COMPRIMENTO 2229 MM LARGURA
MÁXIMA 926 MM

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posição mais baixa que numa Scout viamente de pisos deteriorados, pelo mar que o seu comportamento também mais agressiva acusou talvez a falta
convencional; os nossos pés assentam que na sua condução há que cuidar nos surpreendeu e se mostrou muito de um segundo disco mas, mesmo
perfeitamente no chão e imaginamos de evitar buracos e saliências mais acima da média no seu segmento. A assim, chegou sempre para manter
que condutores de estatura relativa- agressivas na estrada, realidade que Scout Bobber trava e curva de for- um nível de segurança aceitável. Claro
mente baixa tenham também esse se manifesta de forma desagradável ma efetiva e neutra, como se de uma que com todo este desempenho em
privilégio, o que permite que a Bobber na nossa estrutura física e sobretudo moto de um segmento mais estradista curva raras eram as vezes em que, em
da Indian tenha uma maior abrangên- na nossa coluna. De qualquer forma, se tratasse, sobretudo graças a um estrada aberta e sinuosa, não che-
cia em termos de potenciais clientes. a grande dimensão dos seus rodados, quadro resistente e bem desenhado gávamos aos limites da mesma com
A Indian Scout Bobber é muito fácil tanto à frente como atrás, permite di- e a umas suspensões que, apesar do alguns elementos a acusarem o toque
de conduzir e apesar da posição obri- minuir a agressividade provocada pelo pouco curso, se revelaram efetivas em no asfalto, nomeadamente as nossas
gar a uma postura um pouco fechada pouco curso das suspensões. bom piso. A travagem em condução botas, o que era uma boa sensação
sobre a moto, assim que começamos A embraiagem é bastante leve e nada
a rodar percebemos que a mesma se cansativa, sendo combinada com uma
justifica dado o temperamento do seu caixa precisa e silenciosa que tornam
motor, com um binário que realmente a condução da Scout Bobber num ver-
se afirma numa faixa bastante alargada dadeiro prazer. O rodar do punho trans-
nas médias rotações, ou seja, naquelas mite uma aceleração precisa e impõe
onde normalmente rodamos na maioria uma evolução enérgica e progressiva
das situações. no desempenho da moto, entusias-
O som do seu motor é rouco e grave mante até.
e condiz com o conceito de moto da Em matéria de ciclística podemos afir-
Bobber. Surpreendeu-nos muito ao
nível das vibrações, quase nulas, onde
pensamos que a Indian fez um bom
trabalho, dotando o seu V2 de uma
enorme suavidade e silêncio o que
contribui para um maior conforto em
velocidade de cruzeiro ou em trajetos
mais longos.
A Scout Bobber, devido ao pouco curso
das suas suspensões, não gosta ob-

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dada a agressividade com que a Scout assemelham aos que a Indian adop- raiadas, opções de bancos ainda mais porcionou-nos a satisfação de termos
Bobber permitia ser conduzida. tou, acusando assim a concorrência retro, banco para o pendura, malas de ensaiado um modelo que traz consigo
A Indian Scout Bobber é de facto uma efectiva da marca americana. Também couro laterais, enfim, uma lista de enor- uma enorme nostalgia e herança de
moto belíssima e que conquista cora- a Moto Guzzi e a própria Yamaha ofe- mes possibilidades que permitem uma marca mas que em simultâneo esta-
ções. Este novo segmento das Bobbers recem modelos neste segmento e ob- personalização extrema deste modelo. belece um ‘turning point’ da Indian no
tem já concorrentes de peso, nomea- viamente a Harley Davidson com a sua Foi com alguma tristeza que de- mercado global, quer pela moderni-
damente a nova Triumph Bobber, so- Forty-Eight. A Indian Scout Bobber volvemos a Scout Bobber à Indian dade e qualidade de construção quer
bretudo a nova Bobber Black de 2018 inclui uma extensa gama de acessórios Motorcycle Lisboa que gentilmente pelo desempenho dinâmico da sua
que inclui uma série de melhoramentos da marca para a sua personalização nos cedeu o modelo para testes tal a Bobber e sobretudo pela atração fatal
em relação à de 2017, inclusivamente que podem ser encontrados no site da relação de cumplicidade que criámos revelada nas suas linhas e estética.
nos acabamentos em negro que se marca, desde guiadores de 16”, a rodas com a mesma. A Scout Bobber pro- Simplesmente Irresistível.

+42

OPEL Francisco Mendes INTERIOR
[email protected]
» INSIGNIA GS 2.0 TURBO D INNOVATION Ao entrarmos neste Insignia Grand Sport
Com um espírito desporti- percebemos de imediato que estamos
QUALIDADE AO MAIS ALTO NÍVEL vo, esta berlina é algo que perante um carro onde tudo bem pensado.
todos desejaríamos ter re- Este Insignia tem 4897 mm de compri-
Apostada em conquistar o mercado das berlinas cebido na noite de Natal. mento, 1863 mm de largura (sem espe-
executivas, a Opel tem no seu Insignia Grand Sport com Classe, espaço e conforto lhos) e 1455 mm de altura, dimensões
andam de mãos dadas, re- que se traduzem por uma boa gestão do
motor diesel de 2.0 litros e 170 cv, uma proposta forte velando que na Opel a aposta é for- espaço interior, nomeadamente ao nível
para deixar em sentido a concorrência te e que nada foi deixado ao acaso. dos bancos traseiros onde os passageiros
Este Insignia Grand Sport assume-se contam com uma amplitude bastante
LEIA MAIS ENSAIOS E ACOMPANHE assim como um dos mais sérios concor- considerável para as pernas, ao mesmo
TODAS AS NOVIDADES EM AUTOSPORT.PT rentes do setor dos executivos Premium, tempo que na largura o Insignia acomoda
tentando bater-se em plano de igual- facilmente três ocupantes.
dade com outras marcas germânicas Os bancos são AGR e o do condutor possui
como a Mercedes- Benz, BMW e Audi, um maior número de regulações, sendo
ou mesma a sueca Volvo. estas também mais amplas do que na
Com um motor diesel de 2.0 litros e 170 versão anterior - a posição é também mais
cv, um dos motores mais enérgicos no baixa, no caso do condutor, por exemplo,
capítulo diesel, com 400 Nm de binário ganha agora uns expressivos três centí-
disponível logo às 1750 rpm, este Insignia metros no curso em altura. Na prática, tal
Grand Sport apresenta uma boa respos- integra melhor quem segue ao volante,
ta, tanto nas fases de aceleração, como o que proporciona uma experiência de
de recuperação, mostrando-se capaz condução mais envolvente e intensa.
de responder com alma sempre que é A disposição dos comandos e do interface
solicitado e revelando o que melhor de do infoentretenimento é bastante boa e o
si nos tem para oferecer. head up display reforça o caráter digital da
instrumentação, que conta ainda com um

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grande ecrã tátil sem moldura que confere FT/ F I C H A T É C N I C A até sete dispositivos à Internet, ao mesmo aparece melhorada e que resulta bem com
um toque de sofisticação ao tablier. tempo que garante variados serviços pro- osmodosdeconduçãoTour eSport,tendo
Para simplificar a interação do condutor 2.0 / 170 CV videnciados por operadores num centro ainda um modo Normal que mais não é
com os diferentes sistemas, muitos dos de comando e operações, entre os quais a que conciliar as duas vertentes.
comandos são controlados no ecrã. A GASÓLEO resposta automática em caso de acidente Este sistema ganha relevância pela forma
consola central foi desenhada para ter três e a localização e bloqueio do veículo em de resposta do acelerador, atuação da
zonas funcionais independentes. De cima 8,9 S situação de roubo. Com a nova geração direção e variação do amortecimento, o
para baixo, surgem primeiro os comandos Insignia tem lugar um novo serviço de que permite abordagens diferentes do
do sistema de informação e entreteni- 0-100 KM/H Assistente Pessoal que permite aos uti- condutor consoante a sua vontade. Com
mento, seguindo-se os da climatização lizadores, por exemplo, solicitarem a re- estas situações ganha-se um maior con-
e os dos equipamentos de assistência 5,5 L / 6,3 L (AUTOSPORT) serva de hotéis e pedirem a identificação forto quando é necessário em estradas em
à condução. de parques de estacionamento junto dos que o piso é mais irregular e uma resposta
A bagageira beneficia de um portão tra- 100 KM operadores do centro OnStar. mais capaz em estradas mais sinuosas,
seiro de grandes dimensões, que revela como em serra, o que é um aposta muito
uns impressionantes 490l de capacidade, 145 AO VOLANTE acertada.
mais do que suficientes para uma família
de dimensão média, já que pneu suplente G/KM- CO2 A postura dinâmica do Opel Insignia GS VEREDITO
está sob o piso de carga. Se rebatermos os 2.0 revela uma eficácia e notória qualidade
encostos dos bancos traseiros, aí vamos 48 880€ de rolamento, seja em auto-estrada ou Ao redesenhar o Insignia a Opel mostrou
atingir os 1450l de capacidade. em cidade. O conforto para o condutor e que quer ‘lutar’ de igual para igual com
PREÇO BASE passageiros é a palavra de ordem, mesmo as mais conhecidas marcas Premium
EQUIPAMENTO quando levamos o Insignia para estradas do mercado e bem se pode dizer que a
CONFORTO / QUALIDADE DOS mais sinuosas, onde a caixa automática de jogada foi perfeita e que a Opel revela neste
O equipamento foi reforçado e o Insignia ACABAMENTOS /DISPONIBILIDADE oito velocidades responde com suavidade Insignia GS 2.0 Turbo todo o seu ADN de
disponibiliza, por exemplo, head up dis- DO MOTOR / VISUAL APELATIVO às solicitações do acelerador. qualidade e capacidade de engenharia.
play e câmara de 360 graus - consiste em O sistema de direção é muito preciso e o O Grand Sport impressiona pela sua
quatro câmaras, uma colocada em cada EQUIPAMENTO OPCIONAL carro oferece uma diversão que não está agilidade, pela panóplia de tecnologia,
lado do automóvel que permitem obter à altura de todos. Conduzir esta berlina é segurança, conforto e capacidade da sua
imagens de todos os ângulos, facilitando MOTOR TIPO 4 CIL. EM LINHA, INJEÇÃO de facto um prazer enorme. Ajudando ao bagageira mais ampla.
as manobras de estacionamento e de DIRETA, TURBO DE GEOMETRIA VARIÁVEL, comportamento do Insignia, destaque Ou seja se não recebeu um Insignia neste
baixa velocidade. INTERCOOLER, 1956 CM3 POTÊNCIA 170 CV para o sistema FlexRide, opcional, uma Natal, tem razões para ficar descontente
Para além disso contamos ainda com / 3750 RPM BINÁRIO 400 NM / 1750-2500 solução que apesar de não ser inovadora com o Pai Natal.
o regulador de velocidade adaptativo, RPM TRANSMISSÃO DIANTEIRA, CX AUT.
avisador de transposição de faixa com DE 8 VEL. SUSPENSÃO TIPO MCPHERSON À
correção automática da direção, alerta FRENTE E MULTILINK ATRÁS TRAVÕES DISCOS
para tráfego vindo de cruzamento pela VENTILADOS / DISCOS PESO 1582 KG MALA
traseira, luzes LED Matrix IntelliLux, enfim, 490-1450L DEPÓSITO 62 L VELOCIDADE
muita tecnologia que ajuda na condução MÁXIMA 223 KM/H
e no dia a dia. Naturalmente que o ONStar
está disponível com um novo assistente mente de topo, assim como a conectivi-
pessoal, e o sistema de info entreteni- dade com o exterior, sendo assegurados
mento IntelliLink foi melhorado. pelos mais recentes sistemas IntelliLink,
Aliás, o entretenimento é verdadeira- compatíveis com Apple CarPlay e Android
Auto. Muitas funções do smartphone são
integradas no IntelliLink, ao mesmo tempo
que a bateria do aparelho móvel pode ser
carregada através de sistema sem fios.
Já o sistema Opel OnStar, por seu lado,
faculta um ‘hotspot’ Wi-Fi 4G para ligação

+44

SEAT

» ATECA 1.4 TSI

ESPAÇO E ENERGIA Q.B.

A Seat aproveitou o melhor que o Grupo Volkswagen tem
para oferecer para criar o seu primeiro SUV. Uma nova
plataforma, muito espaço, equilíbrio interessante e um
motor a gasolina capaz, mas pouco poupado. Este é o
Ateca 1.4 TSI de 150 cv

João Tomé bilidade do Tiguan, mas compensa em evidencia, abaixo dos 29 mil euros. O rotações mais elevadas e até é suave,
[email protected] equipamento. Os principais rivais são o conforto também tem nota positiva, revelou-se uma boa surpresa nesta
Nissan Qashqai, Kia Sportage ou Hyundai com a suspensão a absorver bem as gama de preços.
Muito para além de uma Tucson. irregularidades da estrada. Os consumos não são o ponto forte deste
moda, os SUV são uma Com uma posição de condução elevada, O Ateca permite um uso calmo no dia motor. Fizemos médias num percurso
certeza que veio para ficar muito boa, muitas regulações no volante e a dia, mas consegue ser bem rápido com cidade e autoestrada acima dos
e para se alastrar. O Ateca um conforto acima da média, temos tam- quando lhe pedimos uma resposta mais 7l/100 km, mas com uma condução
foi o primeiro Sports Utility bém uma boa visibilidade para a estrada. pronta do acelerador. Mesmo não sendo mais intensa é fácil aproximarmo-nos
Vehicle da Seat, chegou o O ecrã tátil de oito polegadas funciona o SUV mais entusiasmante de conduzir, dos 10 l/100 km. É fácil controlar o Ateca,
ano passado e, agora, tem desde novem- bem, é funcional, mesmo não sendo o este 1.4 TSI de 150 cv que se dá bem com na estrada, com a suspensão a ser firme
bro a companhia do mais compacto Arona mais fácil de navegar.
– e, em breve, vai ter a companhia de outro Ointerioré muitosemelhanteao que en-
irmão maior, para sete ocupantes. contramos no Seat Leon, com qualidade
As linhas simples e sóbrias contrastam de construção acima da média. Não falta
com alguns dos SUV mais exuberantes espaço no Ateca, tanto nas arrumações à
do mercado, mas o Ateca é uma aposta frente, como no espaço para os ocupantes
segura da Seat, que nos vai convencendo atrás. É mais alto do que o Qashqai, o que
a pouco e pouco, pormenor a pormenor, ajuda aos ocupantes mais altos. A ba-
quilómetro a quilómetro. gageira supera a do Sportage e Qashqai,
A beneficiá-lo está a plataforma usada e com 510l.
o apoio global do grupo Volkswagen no
novo modelo, que é rival do VW Tiguan e EXCELENTE PERFORMANCE NO 1.4 TSI
bebe muito do primo do mesmo grupo.
E já tem prémios em pouco mais de um Podenãosertãopoupado quanto as ver-
ano de vida, incluindo o carro de frotas sões diesel, mas o 1.4 TSI é o motor com
do ano, em Espanha. Também foi eleito melhor performance e uma boa escolha
o melhor Crossover do Ano, nos prémios para quem não faz muitos quilómetros
Essilor Carro do Ano/Troféu Volante de por ano. O 1.4 TSI com 150 cv, além de
Cristal 2017. ser convincente nos arranques (faz dos
O Ateca usa a mecânica do Volkswagen 0-100 km em apenas 8,5 segundos)
Tiguan e pode não ter a mesma flexi- e nas recuperações, também tem um
preço convidativo para a potência que

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FT/ F I C H A T É C N I C A

1.4 / 150 CV

GASÓLEO

8,5 S

0-100 KM/H

5,4 L

100 KM

123

G/KM- CO2

29 289€ VERSÃO ENSAIADA

(DESDE 24 MIL EUROS NO MOTOR 1.0)

CONDUÇÃO / EQUIPAMENTO

CONSUMOS

MOTOR 4 CIL. EM LINHA, TURBO, 1395 CM3
POTÊNCIA 150 CV / 5000 RPM BINÁRIO
250 NM / 1500 RPM TRANSMISSÃO
DIANTEIRA, CAIXA MANUAL DE 6 VEL.
SUSPENSÃO TIPO MCPHERSON À FRENTE
E BARRA DE TORSÃO ATRÁS TRAVÕES
DISCOS VENTILADOS / DISCOS PESO 1359 KG
MALA 510L DEPÓSITO 50L VELOCIDADE
MÁXIMA 201 KM/H

o suficiente para não oscilar muito nas mentas indicadas, para usar da melhor Com o FR pode contar com os acaba- na mesma cor da carroçaria. Os bancos
curvas. Neste aspeto, o Ateca é mais ágil forma um SUV, na cidade ou fora dela. mentos dos níveis Reference, Style e também têm bom suporte e têm um ar
do que o rival Nissan Qashqai. A direção, XCellence,garantindo ainda mais dina- mais desportivo. Resumindo, o Ateca é
não sendo das que mais feedback dá ao NOVO LOOK COM O FR mismo e caráter desportivo. As barras do um dos SUV mais cativantes de conduzir
condutor da estrada, é precisa quanto Com muitos opcionais convincentes (um tejadilho e os frisos das janelas surgem e completos do mercado, mesmo não
baste e é fácil orientarmos o nariz deste deles dá apoio na direção, mantendo o com revestimento em preto, diferencian- sendo dos mais flexíveis na configuração
SUV para onde queremos ir à saída das Ateca na sua faixa), tem quatro níveis do fortemente o modelo. Um olhar mais dos bancos, nem dos mais modernos e
curvas. A caixa manual de seis velo- de equipamento – além do Reference, atento desvenda, à frente, a grelha com luxuosos no interior. O motor 1.4 TSI está
cidades é competente e precisa, num Style e XCellence, surgiu também o FR, um desenho próprio e com acabamento longe de ser dos mais poupados, mas tem
conjunto que dá ao condutor as ferra- que equipava a unidade que testámos. em preto mate, e ainda o pára-choques outras qualidades.

+

RENAULT

» TWINGO EXCLUSIVE TCe 90 EDC

‘TRENDY’ E ‘BOA ONDA’!

A imagem é (quase) tudo! Parece ser este o lema da
versão Exclusive do Twingo TCe 90, que auxiliado pela
caixa automática EDC soma agora alguns pontos extra.
Linha ‘trendy’ e espírito ‘boa onda’ piscam o olho aos mais
jovens, que terão no caráter ‘descontraído’ do motor a
gasolina de 90 cv, um bom companheiro para passeios ou
viagens

Filipe Pinto Mesquita fazer mergulhar condutor e passageiros visual e ajudando a consolidar a imagem dois - são acanhados e vivem da genero-
[email protected] numa sensação de ‘bom-gosto’. Parte da jovem e atrevida. Menos bem conseguido sidade do condutor e passageiro da frente.
consola dianteira e uma parte do centro é a habitabilidade do espaço interior. Os Para compensar, não faltam pequenos
AúltimageraçãodoTwingopou- do volante recebem a cor da carroçaria, lugares dianteiros não oferecem qualquer espaços de arrumação, como porta-ob-
co tem a ver com a primeira. funcionando tudo em perfeita harmonia tipo de problema, mas os de trás - apenas jetos nas portas dianteiras e traseiras, no
Perdeu-se a fórmula original painel de bordo, na consola central (este é
e o espírito revolucionário, mas até amovível) e atrás, por cima do porta-
isso não impediu que, na sua -bebidas, na mini-consola central traseira,
‘terceira vida’, o pequeno uti- podendo estender-se os compartimentos
litário da Renault deixe de marcar passo de arrumação em gaveta sobre o banco
com forte personalidade, que esta versão traseiro (50€), sem esquecer o útil porta-
Exclusive vem demarcar ainda mais. -óculos do lado condutor. Na bagageira, o
A imagem exterior revela-se, desde logo, facto do motor ser traseiro deixa apenas
mais atrativa, combinando um estilo ‘vin- 219l disponíveis (ou 980l com os bancos
tage,’ com moderno. Retrovisores em pre- rebatidos), que servem, contudo, para a
to, vidros escurecidos, faróis de nevoeiro maior parte das necessidades diárias de
com iluminação em curva e stripping transportes de volumes.
exclusive servem para atrair atenções, Em matéria de equipamento, o Twingo TCe
por onde quer que passe e qualquer que 90 EDC apresenta-se bem ‘apetrechado’.
seja a cor escolhida (verde pistachio, preto Bancos com regulação em altura, vidros
estrela ou branco cristal). Depois, o padrão e retrovisores elétricos, ar condicionado
de xadrez nas listas laterais e, sobretudo, automático, regulador e limitador de velo-
no teto de lona (extra de 950 €) também cidade, sensores de chuva e luminosidade
‘piscam o olho’ aos condutores mais jo- e volante em couro são de série, itens a que
vens, e fazem toda a diferença, na altura se juntam ainda o completo computador
de ser ‘trendy’. de bordo, a função stop&start e o modo
Bem alinhado com a imagem do exte- ECO. Para além de um original e destacável
rior, o habitáculo também se destaca, suporte de telemóvel (com ligação USB), é
voltando a usar o mesmo padrão de xa- possível encontrar mais duas saídas USB
drez nos estofos dianteiros e traseiros e para conectar equipamentos à ‘vida real’,
para além de uma tomada de 12v. Apenas
o facto dos vidros traseiros terem apenas
abertura lateral e não em altura, é menos
abonatório, bem como o facto do sistema
R-Link ser extra e estar incluído no Pack
Techno (1000 €), que acrescenta também

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FT/ F I C H A T É C N I C A

o sistema de ajuda ao estacionamento km reais). A ajudar à agradabilidade da em contrapartida, oferecendo um com- 0.9 / 90 CV
traseiro com câmara de marcha-atrás. condução está uma direção comunicativa, portamento dinâmico melhorado, que
É fácil encontrar a posição ideal de condu- com amplo raio de viragem e perfeita para privilegia (e bem!) a segurança em de- GASOLINA
ção, sempre ligeiramente alta, mas sem enfrentar os desafios da urbe, o ambiente trimento da máxima diversão, que este
perder a envolvência, e partir… à aventu- de eleição deste Twingo, a que se junta Twingo poderia oferecer por ser um carro 10,8 S
ra! O motor 0.9 litros turbo, com 90 cv, é uma caixa automática EDC, de seis rela- de tração traseira.
energético, com uma entrega de potência ções (longas para otimizar os consumos,), No final, contas feitas, pode contar com 0-100 KM/H
‘redondinha’ (apesar da sobrealimenta- que apenas poderia ser mais rápida. 15.750 € (+ 1.450 € do que a versão de
ção do motor), o que torna agradável a Um defeito menos notado que a sus- caixa manual), com a Renault a dar-lhe, 4,8 L / 6,3 L (AUTOSPORT)
condução em qualquer regime, sem se pensão que se revela pouco macia, em troca, um Twingo divertido, ágil, seguro
revelar demasiado guloso (6,3 litros/100 comprometendo o conforto global, mas, e com uma imagem diferenciadora. 100 KM

108

G/KM- CO2

15 750€

PREÇO BASE

IMAGEM MODERNA / AGILIDADE
DINÂMICA

DUREZA DA SUSPENSÃO / ESPAÇO
NOS LUGARES TRASEIROS

MOTOR 3 CIL., INJ. ELETRÓNICA E
TURBO, 898 CM3 POTÊNCIA 90 CV /
5500 RPM BINÁRIO 135 NM / 2500 RPM
TRANSMISSÃO TRASEIRA, CX. AUTOMÁTICA
6 VEL. EDC SUSPENSÃO INDEPENDENTE
MCPHERSON À FRENTE E EIXO RÍGIDO DE
DION ATRÁS TRAVAGEM DV/TAMBORES
PESO 993 KG MALA 219-980L DEPÓSITO
35L VEL. MÁX. 165 KM/H

E/ Dando cumprimento ao estabelecido no n° mais importantes provas de desporto au- leitores uma informação atual, rigorosa abordagem e de análise dos factos noti-
1 do artigo 17° da Lei 2/99, de 13 de Janeiro, tomóvel disputadas em território nacional e de qualidade, opinando sobre tudo o ciosos, com total abertura à interatividade
ESTATUTO Lei da Imprensa, publica-se o Estatuto e no estrangeiro, relata acontecimentos que se passa na área do automóvel e dos com a sua comunidade de leitores. 4. O
EDITORIAL Editorial da publicação periódica AutoSport: ligados à competição automóvel, bem como automobilistas, numa perspetiva plural, re- AutoSport pratica um jornalismo pautado
1. O AutoSport é um semanário dedicado temas que versam o automóvel como bem cusando o sensacionalismo e respeitando pela isenção, sem comprometimentos
ao automóvel e aos automobilistas, nas de consumo, tanto na área industrial como a esfera da privacidade dos cidadãos. 3. ou enfeudamentos, tendo apenas como
suas mais distintas vertentes: desporto e comercial. O AutoSport pauta as suas opções edito- pressuposto editorial facultar a melhor
competição, comércio, indústria, segurança 2. O AutoSport está comprometido com riais por critérios de atualidade, interesse informação e a melhor formação aos seus
e problemática rodoviária. O AutoSport o exercício de um jornalismo formativo e informativo e qualidade, procurando apre- leitores, seguindo sempre as mais elemen-
edita, semanalmente, conteúdos sobre as informativo e procura oferecer aos seus sentar aos seus leitores a mais completa tares normas deontológicas.

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