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Published by hmilheiro, 2018-02-19 16:34:35

AutoSport_2095

AutoSport_2095

#2095 40
ANO 40
anos
21/02/2018
>> autosport.pt
2,35€ (CONT.)

DIRETOR PEDRO CORRÊA MENDES O SEMANÁRIO DOS CAMPEÕES

RALLYE SERRAS DE FAFE

FOTOGRAFIA ALBANO LOUREIRO/PRESS XL VITÓRIA>>GRANDERALIDEMIGUELBARBOSA
>> LUTA PELO TRIUNFO AO DÉCIMO
>> DIFERENÇA DE 1.7S NA
ESTRADA, 11,7S NA SECRETARIA
>> HYUNDAI PORTUGAL ‘ABANOU’
COMUNICAÇÃO NO CPR

DE RICARDOMOURA
WRCSUÉCIA TRIUNFO
DE THIERRY YAMAHA
NEUVILLE
R1M 2018
PÁG. 12
PÁG. 34

PRIMEIRAS
APRESENTAÇÕES

FÓRMULA 1 ‘DIZ’… HALO

O SEMANAL
NO COMPUTADOR À 2ª FEIRA

EDIÇÃO >> autosport.pt ASSINE
DIGITAL (1 ANO) JÁ!

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3

I/ I N S TA N TÂ N E O SIGA-NOS EM EDIÇÃO

#2095
21/02/2018

f l> > a u t o s p o r t . p t
facebook.com/autosportpt twitter.com/AutoSportPT

FOTO DE FAMÍLIA Não é de agora que os ralis são muito mais do que apenas competição entre os pilotos e equipas. José Luís Abreu
Quando arrancam os troços, ‘acabam-se’ os amigos, mas fora deles, é uma autêntica família. E bem grande, como se vê...
DIRETOR-EXECUTIVO
S/ SEMÁFORO EM DIRETO
[email protected]
PARADO A ARRANCAR A FUNDO “Creio que o Lance estará
noutro patamar este ano”, AHyundai Portugal
Penalizações a Equipas estão a Grande arranque Motorsport mostrou no
pilotos 20h depois do conseguir ‘disfarçar’ o de CPR, e agora fica Paddy Lowe sobre Lance Stroll na Rallye Serras de Fafe
‘acontecimento’ não a faltar mais gente apresentação da Williams parte do que um bom
Halo nos novos F1 promotor pode fazer pelo
pode ser na ‘festa’ “Precisamos de estar a meio Campeonato de Portugal
segundo dos Ferrari para que de Ralis. Quem chegasse à entrada
O SEMANÁRIO DOS CAMPEÕES NA ERA DIGITAL possamos ser competitivos”, de Fafe, de imediato começava a
ver setas para onde se dirigir, e
Siga-nos nas redes sociais e saiba Gene Haas, dono da Haas F1, em numa era em que o público gosta
tudo sobre o desporto motorizado no antevisão da época de ser bem tratado e ‘apaparicado’,
computador, tablet ou smartphone via esse é meio caminho andado para
facebook (facebook.com/autosportpt), “Lewis Hamilton vence, desta ficarem clientes. O que a Hyundai
twitter (AutosportPT) ou em vez apenas um ponto à frente fez através da sua comunicação foi
>> autosport.pt do Sebastian Vettel”, A previsão colocar-se do lado do espetador
e pensar: O que eu gostaria de ter
de Nico Rosberg sobre a próxima para me facilitar a vida? E os exem-
temporada de F1 plos surgiram. Um ‘leafleat’ simples
a dizer: “Sabia que…”, seguido de
“Fiz uma simulação de corrida informações como a entrada no
já com o halo, e tenho que dizer parque de assistência é grátis; pode
que, durante a corrida, nunca ver as equipas a trabalhar; onde
notei a sua presença. Acabas comer; onde dormir; os horários;
por te habituar a isso e acho prémios pela melhor foto; mapas;
que será o mesmo para os horários e acessos para distribuir
espectadores”, Valtteri Bottas ao público; traga a família e tire
fotos com os nossos pilotos. São
sobre a utilização do Halo coisas tão simples que até parece
incrível como ninguém se tenha
lembrado até aqui. Há tanta coisa
que se pode ‘inventar’ para que as
pessoas se sintam ainda mais mo-
tivadas para ir ao ‘quartel-general’
de um rali. Porque alguns patro-
cinadores não montam as suas
‘tendas’ e expõem os seus pro-
dutos? Pode ser feita tanta coisa.
Na ELMS, no Estoril, há três anos,
montou-se uma feira de memora-
bilia à entrada do circuito - livros,
miniaturas. A feira que costuma
existir no MotorShow, porque
não noutra escala nos parques de
assistência dos ralis? Porque não
convidar antigos pilotos e fazer
tertúlias com moderador? Não
conheço adepto dos ralis que não
goste de ouvir as histórias. Tanta
ideia que se pode ter…

4 CPR/
CAMPEONATO DE PORTUGAL DE RALIS

RALLYE SERRAS DE FAFE

MOURA
VENCE,
BARBOSA
SURPREENDE

Ricardo Moura venceu o Rallye Serras de Fafe depois duma
grande batalha com Miguel Barbosa, em que os dois pilotos
se alternaram várias vezes no comando. José Pedro Fontes
terminou no pódio, a que foi ‘promovido’ depois de polémica

penalização de Pedro Meireles

José Luis Abreu
[email protected]

FOTOGRAFIA: ZOOM MOTORSPORT/ANTÓNIO SILVA * RUI REIS FOTO * PRESS XL NEWS/ALBANO LOUREIRO * TIAGO COSTA/DIREITA 3

Arrancou em beleza o Campeo- ‘no terreno’, para Sérgio Ribeiro, CEO da Quem se chegou à frente de imediato fosse Barbosa também não ficava mal. Só
nato de Portugal de Ralis, com Hyundai Portugal: “Foi o primeiro con- foram Ricardo Moura e Miguel Barbosa, a penalização de Barbosa por falsa partida
o Rallye Serras de Fafe. Troços tacto dos pilotos com o Hyundai i20 R5 e por ‘aí’ ficaram até ao fim do rali. na SE, conhecida quase 20h depois, levou
de nível mundial, bom tempo, e, tendo em conta o período normal de a diferença final para 11.7s. Grande começo
muito público e uma lista de adaptação, fomos melhorando tempos a TRIGO DO JOIO de campeonato para Miguel Barbosa, já
inscritos como já há muito não cada classificativa. As expectativas para Quando terminou a PE1, Barbosa ficou a que se for confirmado que Moura não
se via nos ralis. E antes de passarmos as próximas provas são muito elevadas 1.10s de Moura, e daí para trás, Meireles corre mais depois dos Açores, o piloto do
às questões desportivas, o destaque vai e, tendo tudo em consideração, foi um ficou a 9.50s, Armindo Araújo a 9.70s, Skoda… ‘ganhou em Fafe’.
para a chegada à modalidade de uma excelente começo”, disse. Teodósio a 14.80s, Fontes cedeu de ime- José Pedro Fontes foi terceiro - promovido
equipa oficial, o Team Hyundai Portugal, À partida, o Rallye Serras de Fafe encer- diato 21.60s, Carlos Vieira começou logo a depois da penalização de Meireles - depois
que se fez notar com bastante ênfase rava uma questão muito curiosa, já que ter azares. Embora fosse prematuro, foi o duma prova em crescendo, em que não
em Fafe, já que nunca o CPR foi promo- ninguém fazia a mais pálida ideia onde primeiro sinal do que aí vinha. No final da entrou com o ritmo que pensava poder
vido e divulgado como a Hyundai o fez se situava face à concorrência e por isso a PE2, Armindo Araújo era terceiro a 23.90s ter. Foi ganhando confiança e ultrapassou
no passado fim de semana, utilizando as atmosfera era tensa na Praça das Comu- de Barbosa e aí ficou logo claro quem ia com distinção um período difícil da sua
ferramentas da ‘moda’, essencialmente, nidades em Fafe. Como se pode calcular, lutar pelo triunfo no rali. carreira, e podem contar com ele para as
mas não só. Passatempos, informações, para os adeptos ‘isto’ era o melhor que E assim foi, com Moura e Barbosa a tro- lutas que se avizinham.
indicações para espetadores ou visitantes podia suceder, mas infelizmente para a carem várias vezes de posição, levando a Pedro Meireles cedo percebeu que não
do parque de assistência, enfim, uma prova os candidatos que responderam à questão até ao derradeiro troço e aí, a ba- tinha ritmo para chegar mais à frente,
promoção como nunca vimos no CPR. Já chamada foram menos do que o esperado. lança pendeu por 1.7s para Moura, mas se porque testou pouco, mas ainda assim

>> autosport.pt

5

COMENTÁRIO
DO VENCEDOR

Ricardo Moura

1,7 fez o suficiente para ser terceiro. Foi pena vai andar na luta pelos triunfos. Ricardo Moura e António Costa
a ‘falsa partida’ que o penalizou, mas esta O mesmo se aplica a Carlos Vieira, que venceram um grande duelo ao
AS PENALIZAÇÕES FAZEM PARTE DOS RALIS, história não deve acabar aqui... terminou em sexto. Começou a perder décimo de segundo com Miguel
MAS SEM ELA, O RALI SERRAS DE FAFE tempo logo que o rali arrancou e só no Barbosa e Hugo Magalhães, com
TINHA ENTRADO PARA O TOP 5 DAS PROVAS ESTREIA ATRIBULADA segundo dia mostrou melhor o que fez o piloto açoriano a assegurar
MAIS EQUILIBRADAS DE SEMPRE DO CPR Os dois pilotos do Team Hyundai Portugal dele campeão em 2017. Se contasse só a a vitória: “Foi um rali muito
tiveram uma prova difícil, mas quando 2ª etapa, teria sido terceiro no rali. disputado, o Miguel (Barbosa)
foi possível ver os dois carros coreanos a A estreia do Team Hyundai Portugal foi, está de parabéns, fez uma prova
andar sem problemas ficou a certeza de pelo que se percebe, atribulada, mas quan- muito competitiva, tivemos uma
que quando tudo normalizar, o CPR tem do as peças do xadrez se juntarem, estão grande luta, e eu estou muito
ali dois candidatos aos triunfos. ali claramente dois candidatos às lutas que feliz por poder oferecer à ARC
Armindo Araújo colocou termo a cinco se anteveem para este CPR. Sport esta vitória depois do mui-
anos de ausência, mas isso não se notou Se não melhorar, quem não deverá fazer to trabalho e dedicação que têm
muito. Foram pena os múltiplos problemas parte dessas lutas é João Barros (7º), que tido, em conjunto com o esforço
que teve no carro - a válvula do motor, por já revelou que só irá fazer uma ou outra da minha parte. Nesta altura es-
duas vezes, por exemplo, condicionou-lhe prova. As coisas não lhe correram de fei- tou com um projeto profissional
por completo o resultado na prova. Neste ção em Fafe, e o melhor que conseguiu que me consome muito tempo,
contexto, um 5º lugar é mais do que po- em troços ‘normais’ foi um 5º posto na numa fase de transição da minha
sitivo, e que ninguém duvide que Araújo Lameirinha. Já não competia há meio vida e por isso tem sido mais
difícil, tenho menos tempo para
os ralis. Mas as coisas acabaram
por correr bem, foi um rali durís-
simo, disputado ao segundo e
é ótimo que os Açores estejam
aqui representados em primeiro
lugar no CPR. Isso deixa-me
feliz e bastante satisfeito pela
missão cumprida”, disse Ricardo
Moura, que confirma a presença
na ‘sua’ prova, mas nada mais
tem previsto daí para a frente:
“É um rali em que sempre fomos
competitivos, vamos fazer o
nosso trabalho para voltarmos
a ser competitivos, frente às
nossas gentes, à nossa família”,
disse Moura que é um forte
candidato a vencer as duas
primeiras provas do CPR.

CNR/ VISITE NOSSO SITE PARA Ricardo Moura e Miguel Barbosa
CAMPEONATO NACIONAL DE RALIS VER MAIS FOTOS DA reservaram para si as ‘despesas’ do
PROVA AUTOSPORT.PT
6 RALI SERRAS DE FAFE 1 D E 9 Rali Serras de Fafe, levando a
sua luta até ao derradeiro metro...
+/ MAIS
ano e isso refletiu-se na sua confiança. salto de Fafe e lesionou-se. Após 19 anos
COMPETITIVIDADE DA PROVA Quando a isso se junta um CPR em que sem competir, um duplo azar no regresso.
Não é a primeira nem há-de ser a última vez que o Rali Serras de o nível está mais alto… Joaquim Alves teve a mesma ‘sorte’, já
Fafe é tão competitivo e a verdade é que a prova da Demoporto Paulo Meireles teve uma prova complica- quedepoisdalonga recuperaçãoquefez,
teria passado diretamente para o top 5 das provas mais da, pois ainda não se conseguiu entender voltou a desistir depois de sair de estrada.
equilibradas de sempre, se não fosse a penalização de 10s que com o Hyundai da mesma forma que fazia Enquanto andou, esteve ao nível que já
sofreu Miguel Barbosa devido à ‘estranha’ falsa partida na Fafe com o Skoda. Terminou em nono. A fechar nos habituou, regular.
Street Stage. o top 10, ficou Harry Hunt, filho de… James Elias Barros esteve azarado ao aterrar
Hunt, Campeão do Mundo de F1 de 1976. mal após o salto da Pedra Sentada, danifi-
BOAS PILOTAGENS Das duas rodas motrizes falamos em texto cando a direção do seu Fiesta. Diogo Salvi
Temos atualmente um lote muito bom de pilotos, e em todas as à parte. Neste rali foi pena o azar de Ri- também ficou pelo caminho perto do fim,
categorias. Nomes mais sonantes à parte, é uma delícia ver passar cardo Teodósio na PE2, que o atirou para e na lista de abandonos ficaram também
jovens como Pedro Antunes ou Daniel Nunes, por exemplo. Temos os confins da classificação depois duma Rúben Moura, Nuno Cardoso e Manuel
bons pilotos para lá do CPR, na Taça FPAK e no Campeonato Norte. saída após ter ficado sem direção no Skoda Castro, que voltou a ter azar, pois ficou
Fabia R5. No segundo dia regressou e foi sem direção assistida na Lameirinha 2 e
COMUNICAÇÃO HYUNDAI ‘sexto’ se contarmos só com a 2ª etapa. depois capotou em Luílhas, perdendo aí as
A Hyundai Portugal MotorSport esteve muito dinâmica na Provavelmente, vamos tê-lo também chances de conseguir um bom resultado.
informação que disponibilizou sobre o Rali Serras de Fafe, o que nas lutas do top 5. Muita coisa aconteceu neste arranque
foi uma autêntica pedrada no charco nos ralis nacionais, exceção de CPR, ficando a certeza que estão
feita ao WRC e ERC, claro. Vou a Fafe há um quarto de século e foi a ALTOS E BAIXOS reunidos todos os ingredientes para
primeira vez que vi esta enorme quantidade de informação sobre a um excelente campeonato. De Moura
prova, com indicações por todo o lado, que ajudam quem ali vai para Entre os RC2, destaque para a boa estreia e Barbosa já sabemos, o Team Hyundai
assistir. Nas redes sociais, também, imensos posts informativos. A de Pedro Almeida no CPR, com o açoriano Portugal vai melhorar, José Pedro Fon-
@World+ a trabalhar muito bem. Rúben Rodrigues a começar a sua apren- tes também, Pedro Meireles vai querer
dizagem das provas do continente pois foi vingar a ‘raiva’ de perder um 2º lugar
FAFE STREET esta a primeira vez que saiu dos Açores desta forma e Teodósio, mais adaptado,
Não é fácil fazerem-se boas super especiais em cidade, mas a para competir. vai andar bem. Em suma, está tudo a
Demoporto conseguiu fazer um troço bem mais interessante do José Carlos Macedo teve um regresso juntar-se para mais um grande cam-
que a do ano anterior, e ainda por cima, transmitida em direto pela complicado, já que capotou logo na PE1, peonato. A próxima prova realiza-se
net. Foram muitos os milhares de espetadores que não deram o seu numa zona estreita e lenta. Regressou dentro de um mês, nos Açores.
tempo como perdido. no dia seguinte, mas caiu mal no segundo

-/ MENOS

HORÁRIOS
Para provas com esta extensão, confessamos ser mais adeptos de
super-especiais na sexta-feira e a prova durante o dia de sábado.
Os troços de domingo estavam quase às ‘moscas’, pois para quem
mora mais longe, dois dias de CPR é obra. Para além disso, fazer
passar os concorrentes quatro vezes na Lameirinha parece demais
e houve muita gente a queixar-se dos pisos.

FALTA DE MÃOS
Cada um é senhor de si e corre com o carro que quer, e pode, mas
é preciso consciência que apesar do número de R5 ser fabuloso,
isso de pouco vale se forem mal guiados. Logicamente, foi apenas a
primeira prova, mas há pilotos que precisam de elevar o nível para
justificar estarem a guiar um R5.

PENALIZAÇÕES
Mesmo ainda não tendo apurado ao detalhe tudo o que se passou
com as penalizações da Fafe Street, é difícil perceber como surge
apenas mais de 20 horas depois, impedindo os afetados, de
ajustarem os seus andamentos à situação. Este é um assunto que
iremos voltar, pois se tivesse calhado a outros, poderíamos estar
neste momento com um enorme bico-de-obra em mãos…

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7

M/ MOMENTO F/ FIGURA

Num rali em que os dois homens da Miguel Barbosa - É absolutamente notável a
frente trocaram de posições várias evolução que se viu neste rali e o facto de ter
vezes, ganharam entre ambos, todos mudado de tipo de notas (e navegador) não
os troços (7-5 para Moura). Mas foi no explica tudo. O piloto de Lisboa fez uma excelente
último troço que tudo se decidiu e o preparação para este arranque de CPR e surgiu
resultado dessa especial é um bom em Fafe a excelente nível. Fez um autêntico jogo
espelho do que foi o rali. Empataram de gato e do rato com Ricardo Moura, e para
ao décimo de segundo. Qualquer um quem sabe o que anda normalmente o açoriano
dos dois, Moura e Barbosa podia ter em Fafe, que é muito, esse é o melhor dado para
ganhado o rali, foi Moura a vencer, nos espantarmos com a prova que fez Barbosa.
vingando os azares que já teve em Fafe. Está um Senhor piloto de ralis.

CNR/
CAMPEONATO NACIONAL DE RALIS

8 RALI SERRAS DE FAFE 1 D E 9

ALTOS E BAIXOS
PARA CARLOS
VIEIRA

Carlos Vieira deu sequência à sua GRANDERALIDEMIGUELBARBOSA
malapata em Fafe, ainda que desta feita
tenha terminado o rali, embora apenas
no sexto lugar, o que, visto à luz dos
problemas que teve durante prova, é bom.
O Campeão Nacional em título estreou-se,
paralelamente ao Team Hyundai Portugal,
mas as coisas não correram da melhor
forma. Na PE1 o motor do i20 R5 começou
a falhar, o que obrigou a dupla a parar e a
fazer reset ao carro, e na especial seguinte,
capotou. Mais tarde, um furo acentuou
as perdas. No segundo dia, tudo correu
de forma normal e Vieira recuperou: “Não
nos correu de feição, mas fizemos uma
boa recuperação, chegámos a sexto, não
corremos riscos, estivemos perto dos da
frente, estamos contentes e a expectativa
para o resto do campeoanto é boa. O i20 R5
confirmou o potencial, mas há ainda grande
margem de progressão. Todos os percalços
impediram maior ritmo, mas o desempenho
deixa-me motivado e consciente de que
tenho todas as condições para lutar pela
defesa do título”.

FONTES NO PÓDIO Miguel Barbosa surpreendeu título, o que é uma notícia fantástica um excelente andamento. Parabéns aos
meio mundo no Rali Serras de para o CPR. Venceu seis troços, esteve vencedores, a toda a minha equipa e
José Pedro Fontes e Paulo Babo Fafe, imprimindo um anda- três vezes no comando da prova e qual- ao Hugo. Temos noção que há uma boa
terminaram o Serras de Fafe na terceira mento que ainda não se pen- quer dos dois pilotos, Moura ou Barbosa, margem de trabalho pela frente e isso é
posição, depois da penalização sofrida sava ser-lhe possível, mas a verdade seria um justo vencedor daquela que motivador e positivo. Foi um rali anima-
por Pedro Meireles na super-especial, um é que esteve muito perto de vencer. foi uma das provas mais renhidas de do, uma excelente luta com o Ricardo,
resultado muito positivo tendo em conta Perdeu por 1,7s, na estrada, perdendo sempre dos ralis nacionais: “Estou muito vamos continuar a trabalhar, mas não
que há oito meses que não competia: “Foi mais 10s na secretaria que em nada orgulhoso por estar a fazer parte deste escondo que saio um pouco desanimado
positivo. Como é óbvio entramos sempre mancharam a fantástica prestação que momento e triste por perder a vitória por porque gostava de ter saído daqui com
para ganhar, mas o ritmo de sábado não teve no rali, a sua melhor desde que veio 1,7s. Orgulhoso por aquilo que fizemos a vitória. Entrámos com o pé direito no
foi o que o pensávamos poder ter logo para esta disciplina, em 2016. Com este e aquilo que a equipa fez. Trabalhámos campeonato, agora é dar continuidade
no início. Fomos ganhando confiança e andamento será um claro candidato ao bastante bem antes da corrida e tivemos a este excelente arranque.”
acho que no segundo dia fizemos tempos
simpáticos e até diria que se cá não ARMINDO ARAÚJO A ‘ESPAÇOS’ A expectativa com o regresso de Armindo Araújo
estivessem o Ricardo e o Miguel teríamos ao CPR era grande, mas o piloto de Santo Tirso só a
feito um grande rali (risos). No segundo dia espaços pôde mostrar que têm de contar com ele
já tivemos um ritmo bom, depois do que para a luta pelas vitórias e título. Não que ninguém
passámos, um terceiro lugar entre tantas esperasse algo diferente, mas em Fafe foram
equipas boas é positivo e dá-nos confiança demasiados os problemas com o Hyundai i20 R5 da
para o futuro. Depois esperamos contar RMC MotorSport, e isso deixou claro que há trabalho
com um carro que nos vá ajudar, o C3 R5. a fazer. O quinto lugar foi o resultado possível. Quanto
Acho que foi um bom início de campeonato, ao ritmo, e tal como Armindo Araújo destacou, não
em que obtivemos pontos importantes”, vai ser problema, os cinco anos ficaram para trás, e o
disse Fontes, que revelou ter estado bem ‘ velho’ Armindo está aí para as curvas: “Estou muito
em termos físicos. satisfeito com o nível competitivo que apresentámos,
pois senti que temos ritmo para lutar pelas vitórias.
Tirámos muitas ilações e o Hyundai i20 R5 tem muito
potencial. É preciso alguma margem para que tudo
funcione no máximo e acredito que não vai demorar a
atingir esse patamar”, disse.

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9

PF/ PARQUE FECHADO

VITÓRIA FÁCIL DE PEDRO
ANTUNES NOS 2WD
Orali reservado aos duas rodas
motrizes teve pouca história foi um rali que “começou muito bem. REGRESSO AO PASSADO
quanto à luta na frente, pois Pedro Entrámos fortes, com um ritmo bom DE JOSÉ CARLOS MACEDO
Antunes cedo saltou para o co- face aos nossos adversários. Estou mui-
mando e se destacou. Chegou ao final to satisfeito pelo resultado, mas mais Depois de tanto espetáculo dado aos ter acontecido, tínhamos feito a parte
de PE1 com 20.6s de avanço para Daniel do que isso também pela evolução. O comandos dos pequenos Clio, nos anos mais complicada do troço, a zona rápida,
Nunes. No segundo troço a margem pas- ano passado foi o meu primeiro ano de 90, José Carlos Macedo regressou aos vínhamos bem, o carro é fantástico, mas
sou quase para o dobro, terminando o dia campeonato nacional, foi a segunda vez ralis em Fafe, após 19 anos, agora com claro, foi a primeira vez que o guiámos em
com 1m19.0s de avanço face ao piloto da que vim fazer Fafe. Senti-me confiante, um carro da nova geração (Ford Fiesta prova. Nunca tinha guiado um 4X4, estive
Inside Motor. No dia seguinte, apesar de cada vez conheço melhor o carro. Tenho R5), e com o antigo rival Luís Lisboa ao 19 anos parado, e portanto com falta de
ter entrado em modo gestão, a margem previsto participar na Peugeot Rally Cup lado. Mas esteve azarado, já que capotou ritmo”, disse Macedo que regressou para
para Nunes foi sempre aumentado. Ibérica, onde vai haver pilotos muito logo na primeira especial, Lameirinha: cumprir a 2ª etapa, onde rodou muito
Quanto ao segundo classificado, tam- bons, e sentimos-nos preparados para “Era impensável para mim vir fazer um calmo, até que teve que abandonar fruto
bém não teve adversários, já que Paulo isso”, disse o piloto de Torres Vedras, rali para me divertir e não concluir sequer duma aterragem violenta no segundo
Neto, quem mais luta poderia dar, cedo campeão nacional de 2WD em título, a primeira classificativa, vínhamos num salto de Ruivães/Confurco, que motivou
se atrasou. Para Pedro Antunes, este que quando ao CPR deste ano, não sabe ritmo seguro, e fomos surpreendidos a desistência da equipa, já que Macedo
ainda se continua. numa zona muito estreita e lenta, em que ficou um pouco dorido. Os ralis mudaram
o carro prendeu a frente e tombou. Não muito, mas é sempre bom rever pilotos
estava ninguém, e ficámos ali. Não devia que tanto fizeram pelos ralis.

DURA REALIDADE TRAVÕES CONDICIONARAM
PAULO MEIRELES
Havia alguma expectativa face à presença
maciça de R5 em Fafe, mas quando evoluir, nesta sua estreia no CPR: “O objetivo Num rali onde costuma andar bem, estiveram muito maus, foi um massacre,
os troços começaram a rolar, cedo se era terminar o meu primeiro rali em terra Paulo Meireles teve desta feita alguns e termino este rali quando agora é que
separaram as águas, ficando claro que e evoluir de especial para especial. Penso contratempos que o impediram de estava pronto para começar. O carro é
alguns dos pilotos que deram o ‘salto’ têm que consegui fazer tudo isso, e até alcançar mostrar o mesmo que já tinha feito com muito trabalhoso, tem potencial, mas
muito trabalho pela frente. Houve quem tempos muito simpáticos, embora precise o Skoda em Fafe. Problemas com os precisa de muito trabalho. Mas foi bom e
julgasse que podia andar bem mais à de fazer muitos quilómetros no carro”, disse travões condicionaram o seu primeiro diverti-me. Nos últimos anos Fafe correu
frente, mas a realidade ‘disse’ uma coisa Pedro Almeida. dia, não permitindo que fizesse melhor melhor, mas não há provas iguais e acho
bem diferente. Por exemplo, logo a abrir o que 10º. Terminou o rali em nono, bem que fiz um resultado interessante”, disse
rali, Pedro Antunes, com um Peugeot 208 diferente do 4º lugar que obteve em Fafe Meireles, que quanto à comparação do
R2, ficou à frente de seis RC2 (R5 e S2000), o ano passado: “Melhorei no segundo dia, Skoda com o Hyundai: “O Skoda é um
algo que se foi repetindo ao longo do dia. mas neste rali deixei mais vezes o carro carro bastante mais fácil. O Hyundai tem
Significa isto que há muito trabalho a fazer ir abaixo nos arranques do que no resto bastante potencial, o Armindo e o Carlos
por parte desses pilotos, para elevar o seu da minha carreira toda. Falta de tração, vão mostrar isso, o carro é bom, mas tem
nível. Quem se destacou mais foi Pedro os pneus não trabalharam bem, os pisos que ser trabalhado”, disse.
Almeida, o único com um S2000, que aos
20 anos mostrou muito potencial para

CNR/
CAMPEONATO NACIONAL DE RALIS

10 R A L I S E R R A S D E F A F E 1 D E 9

RALI DAS HORÁRIO RALI AMARANTE/
CAMÉLIAS BAIÃO AVANÇA
DEFINIDO 18H00 VERIFICAÇÕES ADMINISTRATIVAS E TÉCNICAS (AUTÓDROMO)
21H00 PEC 1 – AUTÓDROMO DO ESTORIL (09,50 KM) António Jorge, Presidente do Clube
Já está totalmente estruturado o Rali das Camélias, 22H00 PARQUE FECHADO BAÍA DE CASCAIS Automóvel de Amarante, e a sua
prova que tem como objetivo chegar ao CPR, e que vem SÁBADO – 1 DEZEMBRO – (1ª ETAPA – 2ª / 3ª SECÇÕES) equipa continuam a preparar o Rali de
preencher uma lacuna que há muito existe no distrito 8H00 PARTIDA DA 2ªSECÇÃO – BAÍA DE CASCAIS Amarante/Baião, prova que entra este
de Lisboa - não ter ralis , exceção feita às regularidades. 9H00 PEC 2 – CASCAIS – 12,40 KM ano no CPR: “Desde a notícia da subida
A prova irá disputar-se nas regiões de Cascais, Sintra e 9H30 PEC 3 – SERRA DE SINTRA – 10,50 KM do rali ao nacional já gastei alguns
Mafra, num rali que começa no Autódromo do Estoril, 10H30 PEC 4 – MAFRA – 10,60 KM depósitos de combustível no terreno
rumando depois às míticas Lagoa Azul, Peninha e Sintra, ASSISTÊNCIA – PARQUE INTERMODAL DE MAFRA para avaliar e conhecer melhor as
para terminar num cenário completamente diferente na 11H30 FIM DA 2ª SECÇÃO – PALÁCIO N. DE MAFRA estradas. Temos vindo a avaliar, estamos
zona de Mafra, com os troços do Livramento, Codeçal e 13H30 SAÍDA DA 3ª SECÇÃO – PALÁCIO N. DE MAFRA para aí na versão 7 ou 8 em termos
Monte Godel, a marcarem presença igualmente importante. ASSISTÊNCIA – PARQUE INTERMODAL DE MAFRA de possibilidades de troços e neste
O Rali das Camélias 2018 vai partir da Baía de Cascais e 14H15 PEC 5 – CODEÇAL 1 – 9,80 KM momento já decidimos algumas coisas,
chegar aos Jardins do Casino Estoril. São admitidos todos 15H00 PEC 6 – LIVRAMENTO 1 – 8,50 KM que vamos ter. Perspetivamos um rali
os veículos que se enquadrem na listagem de categorias, 15H45 PEC 7 – CODEÇAL 2 – 9,80 KM com perto de 120 km de troços, com
grupos e classes, atualmente constantes da regulamen- 16H30 PEC 8 – LIVRAMENTO 2 – 8,50 KM uma secção em Baião e outra na zona
tação nacional de ralis. A prova conta com 79,60 km de ASSISTÊNCIA – PARQUE INTERMODAL DE MAFRA de Amarante. Acredito que vamos ter um
troços cronometrados. 18H00 FIM DA 3ª SECÇÃO – (PÓDIO) CASINO ESTORIL bom rali de asfalto”, disse António Jorge.
20H30 JANTAR DE CONSAGRAÇÃO NO CASINO ESTORIL
TOTAL KM PEC 1ª SECÇÃO: 09,50 KM DIRETO DA FAFE
STREET STAGE
ÁGUEDA STREET STAGE NO RALI DE MORTÁGUA FOI UM SUCESSO

Já está delineado o Rali de Mortágua, km), duas por Póvoa do Sebo (15,99 A Movielight, detentora dos direitos
terceira prova do CPR, sendo que a km) e, finalmente, outras duas por televisivos dos ralis, levou a cabo a
grande novidade é uma super especial Felgueira (17,98 Km). A fase de terra transmissão em direto da Fafe Street
em Águeda, a Águeda Street Stage do CPR 2018 termina com o Rali Stage, que o AutoSport também
Travocar, que terá duas passagens. de Portugal, seguindo-se a fase de transmitiu no seu site, numa iniciativa
Depois, os concorrentes rumam a asfalto com os ralis Vidreiro, (8 e 9 nova, e que urge repetir. Segundo Pedro
Mortágua onde disputam a terceira de junho), Rali de Castelo Branco (30 Falé, líder da Movielight: “Acho que
super-especial do dia, Mortágua. junho a 1 julho), Rali Vinho da Madeira correu muito bem e a prova disso são as
No sábado, o Rali de Mortágua (2 a 4 de agosto), Rali Amarante Baião cerca de 8000 pessoas que estiveram
tem mais sete troços, uma tripla (22 a 23 setembro) e finalmente Rali a ver a transmissão. O balanço é muito
passagem por Gândara/Calvos (11,63 Casinos do Algarve (17 a 18 novembro). positivo, e agora vamos tentar com os
clubes organizadores transmitir todas
as super especiais em direto”, disse.
Para além dos vários milhares a ver ao
vivo, outros tantos seguiram pela net...

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CAMPEONATO OPINIÃO C/ C L A S S I F I C A Ç Õ E S
NORTE RALIS
TRIUNFO DE RALLYE SERRAS DE FAFE 1 DE 9
FERNANDO PERES
17/02 A 18/02/2018
Fernando Peres e José Pedro Silva
venceram a prova reservada ao 299,94 KM 122,30 KM 1.º DIA 2.º DIA
Campeonato Norte Ralis e também entre
os concorrentes do Desafio Kumho DISTÂNCIA 11 TROÇOS
Portugal, depois duma acirrada luta com
Carlos Fernandes e Valter Cardoso, com PROVA CARRO
o piloto nortenho a vencer com uma TEMPO/DIF.
margem de 12,6s. Um pouco mais atrás 1 RICARDO MOURA/ANTÓNIO COSTA
ficaram Márcio Marreiros e Rui Serra, José Luís Abreu 2 MIGUEL BARBOSA/HUGO MAGALHÃES FORD FIESTA R5 1:26:07.8
a 57,1s, curiosamente, todos eles em 3 JOSÉ P. FONTES/PAULO BABO SKODA FABIA R5 +11.70S
Mitsubishi Lancer, e todos eles também DIRETOR EXECUTIVO 4 PEDRO MEIRELES/MÁRIO CASTRO CITROEN DS3 R5 +1:50.60S
com pneus Kumho, numa prova que abriu 5 ARMINDO ARAÚJO/LUIS RAMALHO SKODA FABIA R5 +1:52.40S
este ‘desafio’. [email protected] 6 CARLOS VIEIRA/JORGE CARVALHO HYUNDAI I20 R5 +2:12.50S
7 JOÃO BARROS/JORGE HENRIQUES HYUNDAI I20 R5 +2:24.50S
RICARDO MATOS D epois de ter destacado 8 ALEXANDER VILANUEVA/OSCAR SANCHEZ FORD FIESTA R5 +2:48.30S
VENCEU na antevisão que fiz do 9 PAULO MEIRELES/MARCOS GONÇALVES SKODA FABIA R5 +3:33.60S
TAÇA FPAK Rali Serras de Fafe a forte 10 HARRY HUNT/STEVE PHEE HYUNDAI I20 R5 +4:52.70
possibilidade de Ricardo 11 PEDRO ANTUNES/JORGE GONÇALVES CITROEN DS3 R5 +6:04.30
Ricardo Matos venceu com grande Moura vencer esta prova, 12 DANIEL NUNES/RUI RAIMUNDO PEUGEOT 208 R2 +6:46.90
facilidade a Taça FPAK, terminando o vejo que não me enganei, 13 EFREN LLARENA/SARA FERNANDEZ PEUGEOT 208 R2 +8:18.50
rali com mais de 2m30s de avanço para mas confesso que tive - eu e muito 14 PEDRO ALMEIDA/NUNO ALMEIDA PEUGEOT 208 R2 +8:59.00
Fernando Teotónio. O piloto bateu o seu boa gente - uma boa surpresa, com 15 RUBEN RODRIGUES/ESTEVÃO RODRIGUES SKODA FABIA S2000 +9:07.80
adversário mais perto na PE1 por 31.5s e o andamento imprimido por Miguel 16 DANIEL ALONSO/CANDIDO CARRERA CITROEN DS3 R5 +10:50.80
desde aí nunca mais deixou de ampliar a Barbosa. No início do seu terceiro 17 PAULO NETO/VITOR HUGO FORD FIESTA R5 +11:03.80
margem na frente do rali. O segundo lugar ano de ralis, o que vi em Fafe foi 18 GUSTAVO SOSA/VICTOR PEREZ CITROEN DS3 R3T +12:26.90
foi bem disputado por Fernando Teotónio um piloto que elevou claramente 19 HELDER MIRANDA/RUI TEIXEIRA MITSUBISHI EVO X +14:14.80
e José Merceano, mas este atrasou-se, o nível face ao ano passado, e logo 20 PEDRO PAIXÃO/LUIS NEVES CITROEN C2 R2 +16:28.70
acabando por ser Pedro Sá, que estava por numa prova que os seus adversá- 22 MIGUEL CORREIA/PEDRO ALVES (16994) PEUGEOT 208 R2 +18:17.10
perto, a terminar no pódio. rios conhecem de olhos fechados. 23 RICARDO TEODÓSIO/JOSÉ TEIXEIRA RENAULT CLIO R3 20:25.90
Falei com um piloto bem conhe- 24 PAULO MOREIRA/MARCO MACEDO SKODA FABIA R5 32:03.00
Classificação: 1º Ricardo Matos/C. Matos cido da nossa praça, que esteve a 25 LUIS COSTA ROCHA/JORGE CARVALHO PEUGEOT 208 R2 32:47.40
(Mitsubishi), +1:34:34.70; 2º Fernando Teotónio/R. ver troços ao vivo e que me disse: 27 PEDRO LAGO VIEIRA/RICARDO FARIA FORD FIESTA R5 37:16.50
Domingos (Mitsubishi), +2:30.90; 3º Pedro Sá/L. “Houve dois pilotos que se desta- PEUGEOT 208 R2 41:25.50
Parreira (Mitsubishi), +2:59.20; 4º Luís Mota/A. caram, não porque tinham carros
Ramos (Mitsubishi), +3:04.80; 5º José Merceano/F. melhores que os outros, mas sim PE
Pereira (Mitsubishi), +3:27.00; 6º João Castela/M. porque estavam a conduzir melhor CAUSA
Rodriguez (Peugeot), +11:55.70; 7º Manuel e isso via-se. Quando uns fizeram a PE
Martins/R. Vilaça (Peugeot), +12:13.30; 8º Sérgio fundo, outros travavam e com isso ABANDONOS LÍDERES VENCEDORES DE PE
Brás/N. Silva (Ford), +21:06.20; 9º Alexandre não há muito a dizer.” E ‘esses’ dois PE1 8
Lopes/V. Silva (Seat), +40:10.20 foram Moura e Barbosa. Claro que JOSÉ C. MACEDO PE1/PE11 ACIDENTE MOURA R. PE2 MOURA R. 5
houve muitas condicionantes por ELIAS BARROS PE1 DIREÇÃO BARBOSA M. PE3-5 BARBOSA M.
parte doutros pilotos, inevitavel- RÚBEN MOURA PE2 BOMBA ÁGUA MOURA R. PE6-7
mente, os Hyundai oficiais tiveram NUNO CARDOSO PE3 ACIDENTE BARBOSA M. PE8
problemas mecânicos, Fontes di- ANTÓNIO DIAS PE7 SUSPENSÃO MOURA R. PE9-10
ficilmente poderia estar já a 100% JOAQUIM ALVES PE8 ACIDENTE BARBOSA M. PE11
e Meireles testou pouco para Fafe. DIOGO SALVI PE11 ABANDONO MOURA R.
De Moura era esperado, e talvez o MANUEL CASTRO PE12 SUSPENSÃO
andamento de Barbosa se explique
pela mudança do sistema de notas, CNR Serras de Fafe
um bom entrosamento com Hugo Açores
Magalhães, seu novo navegador, Mortágua
e a preparação que fez pré-rali. Portugal
Tudo isso conta. Mas a verdade é Vidreiro
que na antevisão do campeonato, Castelo Branco
Miguel Barbosa disse que vai lutar Vinho Madeira
pelo título e o que mostrou em Fafe Amarante Bãio
deixa isso claro. Já o Team Hyundai Algarve
deixou claro que há ainda muito a TOTAL
fazer para colocar a equipa ao nível
que todos esperam. Registo ainda 1 2 3 4 5 6 7 8 9
a pena que foi não ter José Carlos
Macedo e Ricardo Teodósio mais 1º RICARDO MOURA 28,15 28,15
tempo em prova...
2º MIGUEL BARBOSA 22,25 22,25

3º JOSÉ P. FONTES 17 17

4º PEDRO MEIRELES 14 14

5º ARMINDO ARAÚJO 12 12

6º CARLOS VIEIRA 10 10

7º JOÃO BARROS 8 8

8º PAULO MEIRELES 8 8

9º PEDRO ANTUNES 4 4

10º DANIEL NUNES 2 2

2WD

1 PEDRO ANTUNES 27,94 27,94
2 DANIEL NUNES 20,60 20,60
3 PAULO NETO 17,42 17,42
4 HÉLDER MIRANDA 14 14
5 PEDRO PAIXÃO 12 12
6 MIGUEL CORREIA 10,42 10,42
7 PAULO MOREIRA 8 8
8 PEDRO L. VIEIRA 6 6

12 WRC/
CAMPEONATO DO MUNDO DE RALIS - SUÉCIA

RALI DA SUÉCIA

PERFEIÇÃO

Na simbologia numérica, o três e o sete significam perfeição.
O Rali da Suécia foi perfeito para Thierry Neuville. Com a vitória
na neve sueca e norueguesa, o piloto belga da Hyundai obteve
o sétimo triunfo da carreira no WRC, tornou-se no terceiro não

nórdico a vencer a específica ronda do campeonato e ainda
subiu ao primeiro lugar do Mundial
Martin Holmes com João Picado
[email protected]

FOTOGRAFIA @WORLD/ A.LAVADINHO/ A.VIALATTE

Ú nico rali disputado em pisos de forma confortável e ficou pelo cami-
de neve e gelo no campeo- nho. Já nessa altura mostrou que tinha
nato, o Rali da Suécia sur- argumentos para se tornar no terceiro
preendeu as equipas logo piloto nascido fora da Escandinávia a
no momento dos reconhe- ganhar na Suécia. Se for tido em conta
cimentos. O inverno rigo- que os dois primeiros são Sébastien
roso que se está a sentir este ano na Loeb e Sébastien Ogier, tal feito co-
Escandinávia transformou os troços locaria o belga num nível ainda mais
(ver texto em separado) e pilotos e elevado, mesmo se nunca venceu um
co-pilotos tiveram trabalho redobrado. campeonato do mundo e tem, agora,
Na Hyundai, Thierry Neuville tinha sete triunfos no WRC. Além disso, o
pressão extra. O piloto belga tinha des- arranque da época já não tinha come-
perdiçado, quase inexplicavelmente, çado bem e o piloto da casa de Alzenau
a oportunidade de fazer história na tinha perdido preciosos pontos.
edição do ano passado. O belga tinha O Rali da Suécia começou bem, mas
sofrido um acidente quando liderava para a Toyota, em particular para Ott

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COMENTÁRIO
DO VENCEDOR

THIERRY NEUVILLE

Tanak. Segundo na estrada, o estónio 384 Aí, não bastaram os dotes de piloto. “Este foi um resultado incrível!
não parecia sofrer com isso, tal como A fazer lembrar a escola francesa de Tivemos um início de época
acontecia com Sébastien Ogier. Não é O NÚMERO DE PREGOS POR CADA PNEU Loeb e Ogier, o homem da Hyundai foi desapontante em Monte Carlo,
por acaso que numa entrevista recen- COLOCADO NOS CARROS DE RALIS. irrepreensível. Minimizou os danos mas não deixámos que isso nos
te, Sébastien Loeb elege o piloto da NO TOTAL, SÃO 1536 PREGOS ESPALHADOS nos momentos em que ia ser mais deitasse abaixo. Mantivemo-nos
Toyota como um dos nomes a ter em PELOS QUATRO PNEUS PARA GARANTIR lento e perder tempo para, de seguida, concentrados e apontámos
conta e a seguir com muita atenção AS MELHORES CONDIÇÕES DE ADERÊNCIA ganhar vantagem. Foi o que aconteceu, para obter um resultado forte
em 2018. por exemplo, no momento do rali (ver na Suécia. Sabíamos que a
Bastaram, porém, três troços. Ao fim texto em separado). concorrência ia ser dura na luta
do terceiro desafio, Thierry Neuville Com Neuville na frente, a Hyundai pela vitória, mas viemos com
assumia o comando da classificação queria mais. Ainda sonhou com um o objetivo de recuperar e foi
geral. Mais cedo do que o belga tinha pódio só de i20 WRC, mas Andreas isso que fizemos na perfeição.
planeado. Mas a partir desse momento Mikkelsen e Hayden Paddon não o Não esperávamos alcançar a
não havia volta a dar. Era preciso se- conseguiram. O norueguês conse- liderança tão cedo no fim de
gurar o resultado, mesmo com dois guiu o melhor resultado com a marca semana. Tivemos de ser inteli-
dias e meio de competição pela frente. coreana, enquanto o piloto da Nova gentes e defender a margem em
determinados momentos, para
a aumentar quando pudés-
semos. Sinto que merecíamos
a vitória no ano passado, mas
talvez ainda mereçamos mais
nesta edição. Nunca iria atacar
na Power Stage porque a vitória
aí implicaria correr demasiados
riscos. Sair dessa especial com
mais dois pontos é muito bom.
Agora estamos na frente do
campeonato. Estamos de volta.
Agradeço à equipa. Temos muita
gente que trabalha incansavel-
mente todos os dias nos basti-
dores para nos darem um carro
competitivo com que possamos
lutar pelas vitórias.”

WRC/
CAMPEONATO DO MUNDO DE RALIS

14 R A L I D A S U É C I A 2 D E 1 3

Zelândia se apresentou confiante e
revigorado, depois de uma temporada
de 2017 cheia de altos e baixos.

NO TOPO DO MUNDO
Quem também não se vai esquecer
desta edição do Rali da Suécia é Craig
Breen. O irlandês também tinha uma
história com a ronda escandinava. No
ano passado obteve um dos melhores
resultados com um WRC (foi quinto)
mas o seu rendimento em 2018 era
uma incógnita. Inclusivamente para o
piloto da Citroën que tinha ambições,
mas não equacionava a possibilidade
de ter uma prestação praticamente
irrepreensível do início ao fim. “Estou
no topo do mundo. O último ano não foi
fácil, mas os rapazes fizeram com que
tudo funcionasse”, disse Breen numa
clara alusão ao trabalho desenvolvido
pela Citroën no sentido de tornar o C3
mais competitivo.

PENALIZAÇÃO QUE VALE PONTOS
Quem passou praticamente ao lado do
Rali da Suécia foi Sébastien Ogier. O

M/ MOMENTO F/ FIGURA

Na especial anterior, o já líder da prova, Craig Breen sabe que o seu lugar na
Thierry Neuville, perdeu tempo para o segundo Citroën está a ser constantemente
classificado. Mas estava tudo controlado. No avaliado. Mas o irlandês não se atemoriza
final da mesma, o belga da Hyundai explicava com isso. Bem pelo contrário. Num rali
que tinha feito a gestão dos pneus para atacar onde não se sente tão à vontade, Breen
mais tarde. Se assim o pensou, da mesma não só foi, de longe, o melhor dos pilotos
forma o concretizou. Na segunda passagem por da marca francesa como discutiu a vitória
Hagfors, Neuville assumiu os riscos e ganhou até ao final de sábado. Passou o fim de
quase dez segundos a Craig Breen. A partir daí, semana com um discurso de prazer puro e,
e com 14 segundos de vantagem, sabia que depois do quinto posto de 2017, conseguiu
podia gerir a diferença. Ampliou-a e venceu. um lugar no pódio.

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+/ MAIS

campeão do mundo nunca conseguiu japonês, apoiado pela Toyota, deixou RAPIDEZ DE OTT TANAK SUNINEN E KATSUTA
acompanhar os mais rápidos e teve na o campeão de 2017, Tidemand, a 4,5 O piloto da Toyota ficou longe dos EM DESTAQUE
Power Stage a única forma de somar segundos. A vitória foi ainda mais sa- lugares do pódio, mas mostrou uma Um já passou para o escalão mais
mais alguns pontos além do ponto borosa porque o jovem piloto asiático capacidade para andar depressa elevado do campeonato, o outro
relativo ao 10º posto que ocupou no foi o mais rápido em 10 troços e, apesar que dificilmente seria equacionada apeou os favoritos e arrecadou a
final. Para o conseguir, consciente de ter feito meio pião no último dia, perante as circunstâncias. Segundo na vitória no WRC2. Teemu Suninen
que a sua posição na estrada não era conseguiu defender-se dos intentos estrada, logo atrás de Sébastien Ogier, apresentou-se na Suécia com o
a ideal, o francês atrasou-se propo- de Tidemand que já não foi capaz de o piloto estónio conseguiu vitórias Ford Fiesta WRC. Foi a terceira vez
sitadamente para entrar no controlo chegar ao primeiro lugar. Em terceiro enquanto o campeão do mundo fazia que pilotou um carro do género
no momento que mais lhe interessava. ficou o segundo Fabia R5 de fábrica, décimos tempos. A continuar com e, não obstante a M-Sport ter
“Foi estratégia de equipa. No nosso pilotado por Ole Christian Veiby. esta rapidez e com a consistência já passado por um pesadelo na ronda
lugar não tínhamos hipótese. Tentá- evidenciada desde o ano passado, é nórdica, o finlandês foi o melhor
mos encontrar uma posição aceitável”, DUELO SUECO NO JWRC preciso ter em conta Tanak nas contas da equipa de Malcolm Wilson. O
justificou o campeão do mundo. do título. responsável inglês sempre alertou
Denis Radstrom é o vencedor da pri- para a falta de experiência do
PILOTO TOYOTA VENCE NO WRC2 meira prova do campeonato do mundo PADDON CONFIANTE piloto, mas este mostrou que o
júnior. A competição em que todos os No primeiro rali de um programa a valor existe e tem condições para
Os representantes oficiais da Skoda, pilotos andam com Ford Fiesta R2 foi meio termo em 2018, Hayden Paddon dar cartas no futuro. Takamoto
Pontus Tidemand e Ole Christian Veiby, dominada por duas formações suecas, mostrou que a falta de confiança Katsuta chegou à Suécia como
foram surpreendidos em ‘casa’. Os mas Radstrom foi quem acabou por sentida na última temporada é coisa outsider entre os concorrentes do
homens dos Fabia R5 eram os favo- ficar com o primeiro lugar. Emil Ber- do passado. O neozelandês aproveitou WRC2. O japonês dificilmente teria
ritos, mas viram Takamoto Katsuta, gkvist acabou no segundo posto, a 7,3 a competitividade do Hyundai i20 WRC capacidade de se impor perante
em Ford Fiesta R5, viajar desde o Japão segundos do vencedor e Julius Tannert e uma boa posição inicial na estrada nomes como os pilotos oficiais
para lhes ‘roubar’ a vitória e garantir completou o pódio mas a quase cinco para discutir um lugar no pódio durante da Skoda, Pontus Tidemand e
o primeiro triunfo no WRC2. O piloto minutos de diferença. boa parte da prova e terminar num Ole Christian Veiby. Mas mostrou
meritório posto. Resultado que não só velocidade – venceu 10 troços
eleva-lhe os níveis de confiança como – e consistência para se impor
dá-lhe margem junto dos responsáveis perante a forte equipa de fábrica
da Hyundai. da marca checa.

-/ MENOS

OGIER A LUTAR PELOS PONTOS fora da luta pelos primeiros lugares.
É um caso muito raro. O cinco Sébastien Ogier, por força da
vezes campeão do mundo, títulos posição na estrada, foi uma sombra
conquistados de seguida de 2013 a do que costuma ser.
2017, surgiu na Suécia numa posição Elfyn Evans nunca foi capaz de fazer
que raramente aconteceu na sua frente à concorrência. Ao ponto do
carreira. Regularmente penalizado melhor representante da marca ter
por ser o primeiro na estrada, o sido Teemu Suninen, piloto que fez
piloto francês tem conseguido o terceiro rali aos comandos de um
lutar sempre pelos lugares da WRC.
frente. Nesta ronda, a segunda Os três Ford ficaram,
do calendário de 2018, isso não respetivamente, em oitavo, 10º e 11º.
aconteceu. Sem problemas no Ford Foi a primeira vez que a M-Sport
Fiesta, Ogier simplesmente não teve não termina com nenhum dos seus
andamento para tal e andou, apenas, Fiesta no pódio... desde o Rali da
a lutar pelos pontos. Austrália de 2016. Além disso,
nenhum dos seus pilotos conseguiu
FORD E M-SPORT SEM uma vitória em classificativas.
ANDAMENTO A prova só não foi em branco porque
Entre as quatro estruturas oficiais, Suninen obteve quatro pontos e
todas inscreveram três carros de Ogier saiu da Suécia com cinco
fábrica. Destas, a estrutura liderada (um do 10º posto mais quatro do
por Malcolm Wilson esteve sempre segundo tempo na Power Stage).

WRC/ TOYOTA GAZOO RACINGWORLD RALLYTEAM
CAMPEONATO DO MUNDO DE RALIS VALERAM AS VITÓRIAS EM TROÇOS

16 R A L I D A S U É C I A 2 D E 1 3

M-SPORT FORD WORLD RALLYTEAM
O CALVÁRIO DOS CAMPEÕES

A Ford M-Sport chegou à Suécia com de dois ralis feitos ao volante de um WRC
Ogier na liderança do campeonato de e não seria o ponta de lança da estrutura.
pilotos, fruto da vitória em Monte Carlo, Acabou por ser e obter o melhor resul-
e na frente do mundial de construtores. tado, o oitavo da geral. “Sabíamos que
Mas os elementos da equipa britânica esta prova seria difícil, especialmente
depressa perceberam que a passagem se houvesse neve fresca na sexta feira.
pelo Norte da Europa seria mais para Mas encontrámos condições ainda mais
minimizar danos do que para alcançar complicadas do que estávamos à espera.
grandes resultados. Ogier sofreu muito Se olharmos para quem foi bem-sucedido
a abrir a estrada e andou sempre longe em Monte Carlo e agora sofreu, é óbvio
dos mais rápidos. Elfyn Evans perdeu que a nossa velocidade ficou muito
logo tempo com um furo no seu carro condicionada pelas condições e não pelos
no primeiro dia, mas nunca se deu nos carros ou pelos pilotos. Não há nada
troços de neve e, ainda no segundo dia, que pudéssemos fazer para evitar isto”,
começou a pensar no Rali do México. afirmou o responsável da M-Sport Ford,
Teemu Suninen chegou com a experiência Malcolm Wilson.

No parque de assistência da Toyota, oito ocasiões, as mesmas da Hyundai,
a equipa não pôde voltar a celebrar o mas apenas com dois pilotos. Ott Tanak
triunfo como aconteceu no ano passado foi rei e senhor neste particular. Na sua
em que Jari-Matti Latvala subiu ao conta ficaram os melhores registos de
lugar mais alto do pódio. O melhor que seis classificativas. A isso, juntaram-se
a equipa conseguiu foi o quarto lugar, dois alcançados por Esapekka Lappi já
conquistado in extremis, por Esapekka no último dia de competição. Só Latvala
Lappi. Tal como aconteceu, por exemplo, ficou em branco. Aliás, o piloto foi o
com Sébastien Ogier, Ott Tanak e Lat- único que sentiu problemas mecânicos
vala foram penalizados por serem dos (diferencial) no Yaris WRC. No final, o
primeiros na estrada. O tempo perdido responsável finlandês estava satisfeito
impediu-os de, sequer, pensar num lugar porque “no geral, o desempenho dos
entre os cinco melhores. Apesar disso, carros e dos pilotos foi bom”. Makinen
os Yaris voltaram a revelar-se rápidos na optou, ainda, por salientar que Lappi “no
neve e a formação liderada por Tommi próximo ano ainda vai estar mais forte”,
Makinen alcançou o melhor tempo em disse.

LOEB “A SENSAÇÃO DENTRO
DE UM CARRO DE RALIS É DIFERENTE”

O nove vezes campeão do mundo está Desta forma, Sébastien Loeb põe logo
de regresso ao WRC em part-time. de parte qualquer objetivo ou pressão
Sébastien Loeb assume que a veloci- para obter resultados desportivos. “Não
dade e a sensação diferente que se têm coloco muita pressão. Sei que vai ser
dentro de um carro de ralis foram as complicado. Não conheço estes carros
principais razões para voltar a marcar novos e tenho de descobrir os troços
presença na disciplina onde deixou novos. Não estabeleço uma meta. Vou
a maior marca da história. O francês correr só pelo prazer. O Daniel (Elena,
explica que o principal compromisso seu co-piloto) também está contente
para 2018 é o campeonato do mundo por voltar”, afirmou Sébastien Loeb.
de ralicross. “Perante isso, tínhamos de Entretanto, e até voltar à competição
encontrar provas que dessem para con- já no próximo mês, o piloto francês faz
ciliar. Queria fazer uma prova de terra e a sua preparação. “Faço o mesmo de
o México era o melhor. A Córsega é uma sempre. Procuro manter-me em forma
prova em França e também dava para com corrida e a pedalar. Não faço nada
fazer. Em Espanha, o rali é misto, o que de especial”, disse o piloto que espera
eu sempre gostei. Assim, consigo ex- “ter um ou dois dias de testes antes
periências diferentes”, explicou o mais do rali. Não será muito mas deve ser
bem-sucedido piloto de ralis do mundo. suficiente”, concluiu.

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17

HYUNDAI SHELLMOBISWORLD RALLYTEAM CITROËN TOTAL ABU DHABI WRT
HYUNDAI TROCOU O INFERNO PELO CÉU BREENEOSTBERGANIMAMESPÍRITOGAULÊS

A entrada no campeonato de 2018 difi- para o mundial de construtores”, afirmou
cilmente podia ter sido mais complicada o responsável francês.
para a Hyundai. A equipa arrancou para a Para Nandan, a operação muito bem-
temporada com o objetivo de lutar pelos sucedida, com a vitória de Neuville e uma
campeonatos, mas foi preciso chegar boa maquia de pontos para a Hyundai,
à Suécia, segunda ronda do ano, para não significam muito. “O WRC é uma das
mostrar que a competitividade crescente competições mais duras e apertadas dos
evidenciada em 2017 é uma realidade. últimos anos. Não podemos dar nada por
O conjunto chefiado por Michel Nandan garantido.
pode assumir-se como a principal força O México vai apresentar desafios
da temporada e na neve do Norte da completamente diferentes e, por isso, as
Europa mostrou que é isso mesmo que linhas de batalha serão redesenhadas.
pretende fazer. “Este foi um rali fantás- Por agora, celebramos a vitória, duplo
tico para a nossa equipa. É muito bom al- pódio e um resultado da equipa positivo”,
cançar a primeira vitória de 2018. Depois concluiu o líder da estrutura que deixa a
da desilusão de Monte Carlo, tínhamos de Suécia na liderança dos campeonatos de
voltar à carga e obter um bom resultado pilotos e construtores.

Dos três pilotos que entraram no Rali da de que impressionou os responsáveis
Suécia ao volante dos C3 WRC oficiais, da Citroën. Kris Meeke não só teve mais
há dois que deixam o Norte da Europa dificuldades em andar depressa como foi
satisfeitos e um terceiro que já só pensa forçado a abandonar com problemas no
na próxima ronda, o Rali do México. Craig turbo do seu carro depois de ter batido
Breen obteve o seu melhor resultado no num banco de neve. De regresso no último
campeonato do mundo de ralis, o segundo dia em Rally 2, Meeke fez os três troços,
lugar, e mostrou-se capaz de ombrear mas não concluiu a prova. O britânico já
com os melhores do início ao fim. “Sempre só olha para o futuro próximo. “Dos quatro
gostei deste rali, mas admito que fiquei ralis que se seguem, já venci três e liderei
surpreendido por conseguir estar nos na Córsega, no ano passado”, sublinhou.
lugares da frente do rali durante toda a
prova e sem cometer erros”, afirmou o
piloto irlandês.
Mads Ostberg estreou-se com o carro
da formação francesa e, apesar de ter
feito apenas um teste, culminou a sua
prestação com o sexto lugar e a certeza

INVERNO RIGOROSO OBRIGOU A NOTAS NOVAS OGIER ACUSA ORGANIZAÇÃO
DE PRIVILÉGIO A PILOTOS LOCAIS
Muita neve e gelo nas estradas suecas e teve de o fazer: “Fiz notas completamente
norueguesas transformaram os troços do novas”, conta. Ott Tanak justifica que O campeão do mundo de
rali que se apresentaram como se fossem as máquinas usadas para ‘limpar’ as ralis, Sébastien Ogier, sentiu
praticamente novos para os pilotos. Isso estradas são essenciais no desenho das imensas dificuldades por
levou a um trabalho redobrado durante trajetórias. “Quando os bancos de neve ser o primeiro na estrada
os reconhecimentos pois pelo menos um são grandes, podem mudar o perfil das durante o Rali da Suécia.
terço das notas tiveram de ser novas, em estradas. É por isso que, às vezes, temos De tal maneira que andou a
particular porque algumas curvas ficaram de mudar as notas. A estrada deixa de lutar pelos últimos lugares
mais apertadas devido à quantidade de ser reta, passa a ter curvas”, esclarece o pontuáveis, uma situação
neve. Mads Ostberg (Citroën) explica que estónio da Toyota. raríssima desde que o pen-
tacampeão passou a correr
no WRC. Ainda no início, o
francês da Ford lamentava:
“Não é fácil fazer melhor com a neve fresca”, afirmou. Para o piloto da M-Sport,
esta situação não seria uma realidade se os protagonistas fossem outros.
Ogier foi mais longe e acusou os responsáveis da prova de beneficiarem
os pilotos dos países onde a prova se desenrola, Suécia e Noruega. “Eles
(organização) não jogaram o jogo. Não entraram no primeiro troço (do dia) e
passaram quatro horas antes (do último). Seria diferente se fossem pilotos
noruegueses ou suecos a abrir a estrada”, afirmou o gaulês.

WRC/
CAMPEONATO DO MUNDO DE RALIS

18 R A L I D A S U É C I A 2 D E 1 3

PF/ PARQUE FECHADO Martin Holmes

SAFARI E CANADÁ DETETIVE HOLMES
QUEREM WRC MEMÓRIASDASUÉCIA
Háduas décadas havia uma cultura
O governo do Quénia vai apoiar de ralis na Suécia completamen- na religião dos ralis. As razões eram realidade triste em torno do desporto
financeiramente a organização do Rali te diferente do que acontece na uma espécie de língua estrangeira que que eles tanto gostam e que desconhe-
Safari para que seja possível candida- atualidade. Havia uma convicção eles não conseguiam falar ou entender. ciam e que os construtores entravam
tar a prova africana ao campeonato profunda que os ralis eram um desporto Foi o momento em que os adeptos da- na modalidade para alcançar objetivos
do mundo de ralis, no sentido de em que o vencedor seria o piloto mais quele país descobriram que havia uma muito particulares.
integrar o calendário de 2020. O plano rápido e que os carros não eram mais
é estruturar uma prova com o formato do que ferramentas para os pilotos.
atual definido pela FIA e pô-la no ter- As influências comerciais eram abo-
reno já no final deste ano. Concluída minadas, uma praga no desporto. Em
essa fase, a organização quer fazer 1995, os espetadores do Rali da Suécia
do Rali Safari de 2019 uma prova ficaram em choque quando a estru-
candidata e integrar o campeonato tura oficial da Mitsubishi deu ordens
no ano seguinte. Na América do Norte, de equipa. Nesse ano, o responsável
também há a vontade de ter um rali da marca japonesa, Andre Cowan,
no WRC. No Canadá, existe um plano não conseguiu justificar aos meios de
para ter o campeonato do mundo comunicação social locais porque é
dentro de cinco anos e concretizar que tinha decidido dizer ao seu jovem
algo que não acontece desde 1979. piloto finlandês, Tommi Makinen, que
deixasse o sueco Kenneth Eriksson
vencer sem pressão. Para os suecos,
as ordens de equipa eram o anticristo

JOSÉ CAMACHO A DESPEDIDA QUE SE SERVIU NO FRIO

CADA VEZ MAIS José Camacho foi o único concorrente “Sempre tive o sonho de fazer este rali a dupla luso-espanhola desejava.
RÁPIDO português no Rali da Suécia 2018. O e falei com o Amador sobre esse desejo “Tivemos problemas na bomba da
experiente co-piloto madeirense, que e combinámos vir. Já no ano passado embraiagem logo no primeiro dia. Isso
As condições do Rali da Suécia 2018, nos últimos anos tem corrido com cá estivemos para ver como era, para fez com que andássemos sem em-
com muita neve, fizeram com que Wilson Aguiar, sentou-se na bacquet do reconhecer”, afirmou o navegador. braiagem nos arranques, nos controlos.
os troços se tornassem cada vez lado direito do Mitsubishi Lancer Evo X A ideia era simples. “Fazer a despedida O material sofreu desgaste e parámos.
mais rápidos à medida que os carros pilotado por Amador Vidal. A possibi- como co-piloto numa prova como esta”, A equipa trocou a caixa de velocidades
passavam. Bom exemplo disso foi a lidade de correrem na neve e no gelo era o objetivo de José Camacho. E foi no carro e voltámos à prova no segundo
quinta especial da prova, Hof-Finnskog suecos foi colocada em cima da mesa concretizado. A nível desportivo, a dia. Mas o diferencial não aguentou e
2. O primeiro na estrada foi Sébastien há cerca de dois anos, na Madeira. experiência não foi tão positiva como voltámos a ficar pelo caminho logo no
Ogier, em Ford Fiesta WRC. Estabeleceu primeiro troço”, lamentou o co-piloto.
a marca de 10m47,5s. O carro seguinte Ainda assim, José Camacho considera
foi o de Tanak. Ganhou 6,2s. Latvala a “experiência muito positiva. Bastante
passou depois e tirou mais 2,7s. Neu- diferente” do que alguma vez fez na sua
ville pulverizou as marcas anteriores. carreira desportiva. Agora é o fim de
Deixou Ogier a 20,5s. Mas não parou uma página. “Quero manter-me ligado
por aqui. Hayden Paddon estava na aos automóveis, mas não como navega-
no momento certo, à hora certa. Foi dor. Isso é para os mais novos que têm
o mais rápido e deixou o campeão do sangue na guelra”, explicou.
mundo a 28 segundos. Sete pilotos,
dois em Ford, dois em Hyundai, dois em
Toyota e um num Citroën separados
por quase meio minuto.

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19

OSTBERG C/ C L A S S I F I C A Ç Õ E S
IMPRESSIONA
CITROËN COMO VI RALI SUÉCIA 2 DE 13
O RALI
O norueguês Mads Ostberg não escondeu, 15/02 A 18/02/2018
durante todos os dias no Rali da Suécia, João Picado
de como estava contente por voltar a um 1400,79 KM 314,25 KM 1.º DIA 2.º DIA 3.º DIA
carro oficial no WRC. “Trabalhei para isto No gelo nórdico, a Hyundai voltou
durante muito tempo. Este é o melhor a mostrar que tem o melhor DISTÂNCIA 19 TROÇOS
rali do campeonato. Este ano, na minha conjunto da atualidade. Já em
opinião, foi um rali completamente novo. 2017 isso se tornava cada vez PROVA CARRO
Fiz notas completamente diferentes e mais evidente. A especificidade TEMPO/DIF.
os troços pareciam muito diferentes”, de Monte Carlo não permitiu que 1 THIERRY NEUVILLE/NICOLAS GILSOUL
afirmou. O piloto nórdico pilotou, pela o construtor coreano validasse 2 CRAIG BREEN/SCOTT MARTIN HYUNDAI I20 COUPE WRC 2H52M13.1S
primeira vez, o C3 WRC. E mostrou uma esse crescimento, mas no Rali 3 ANDREAS MIKKELSEN/ANDERS JAEGER CITROEN C3 WRC +19.8
rápida adaptação. Os tempos apareceram da Suécia a supremacia dos 4 ESAPEKKA LAPPI/JANNE FERM HYUNDAI I20 COUPE WRC +28.3
logo no shakedown e, nos primeiros comandados por Michel Nandan 5 HAYDEN PADDON/SEBASTIAN MARSHALL TOYOTA YARIS WRC +45.8
troços do rali, Ostberg andou a lutar pelo não se escondeu debaixo da 6 MADS OSTBERG/TORSTEIN ERIKSEN HYUNDAI I20 COUPE WRC +54.4
pódio. Entretanto, começou a sofrer com neve. Um, três e quatro. Não 7 JARI-MATTI LATVALA/MIIKKA ANTTILA CITROEN C3 WRC +1:15.3
algumas mudanças nas afinações do fosse um impressionante Craig 8 TEEMU SUNINEN/MIKKO MARKKULA TOYOTA YARIS WRC +2:04.9
carro gaulês que não teve a oportunidade Breen e Neuville e companhia 9 OTT TANAK/MARTIN JARVEOJA FORD FIESTA WRC +2:52.2
de testar. Mesmo mais lento, não deixou tinham feito o que muito bem 10 SEBASTIEN OGIER/JULIEN INGRASSIA TOYOTA YARIS WRC +3:44.4
de impressionar. “O que ele fez com o entendessem da concorrência. 11 TAKAMOTO KATSUTA/MARKO SALMINEN FORD FIESTA WRC +8:45.4
carro, o que ele fez foi brilhante. Ele não O rigor do inverno sueco teve, 12 PONTUS TIDEMAND/JONAS ANDERSSON FORD FIESTA R5 +9:14.4
pôde testar todas as afinações e é bril- também, o condão de vulgarizar 13 OLE CHRISTIAN VEIBY/STIG RUNE SKAERMOEN SKODA FABIA R5 +9:18.9
hante como geriu isso”, afirmou o diretor pilotos excecionais. É o caso de 14 ELFYN EVANS/DANIEL BARRITT SKODA FABIA R5 +9:44.9
da equipa, Pierre Budar. Sébastien Ogier. O francês há FORD FIESTA WRC +9:47.4
muito que se queixa quando tem
KEN BLOCK PODE de abrir a estrada – que é quase PE
VOLTAR AO WRC sempre. Mas com muita neve CAUSA
COM ESTATUTO e gelo, as dificuldades foram PE
OFICIAL ainda mais claras. Em 19 troços, ABANDONOS LÍDERES VENCEDORES DE PE
o campeão do mundo conseguiu PE1 A 2
O fabricante norte-americano, a Ford, está tempos entre os cinco primeiros AMADOR VIDAL PE10 MECÂNICO OTT TANAK PE3 A 19 TANAK 6
a estudar a possibilidade de Ken Block apenas por três ocasiões. Não foi KEVIN ABBRING PE13 ACIDENTE T. NEUVILLE NEUVILLE 5
voltar ao campeonato do mundo de ralis. caso único. Ott Tanak, segundo YAZEED AL-RAJHI PE19 DESISTÂNCIA BREEN 3
O piloto, uma das imagens de marca do na estrada, também foi incapaz KRIS MEEKE PE19 DESISTÂNCIA PADDON 2
construtor, deixou o Mundial de ralicross de andar com os da frente de LAPPI 2
no final do ano passado e, além do pro- uma forma consistente. Mas o MIKKELSEN 1
grama que tem, pondera regressar a uma estónio, apesar de tudo, saiu da
modalidade em que já competiu. Suécia com o melhor tempo em Monte Carlo
O director da Ford Performance, Mark seis classificativas. Um encontro Suécia
Rushbrook, confirmou essa possibilidade imediato com o C3 WRC de Kris México
à imprensa inglesa. O responsável da Meeke e desempenhos menos França
marca não tem dúvidas que “o Ken é um conseguidos noutros momentos Argentina
piloto fabuloso”, mas, mais do que isso, relegaram o piloto da Toyota para Portugal
tem “uma exposição nas redes sociais o nono posto, mas a espaços Itália
muito grande para a Ford. A relação mostrou uma capacidade nunca Finlândia
funciona”, explica. evidenciada pelo campeão Ogier. Alemanha
Espanha
Turquia
Grã-Bretanha
Austrália
TOTAL

PILOTOS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13

1 NEUVILLE THIERRY 14 27 41

2 OGIER SEBASTIEN 26 5 31

3 LATVALA JARI-MATTI 17 6 23

4 LAPPI ESAPEKKA 6 17 23

5 TANAK OTT 18 3 21

6 MIKKELSEN ANDREAS 3 18 21

7 BREEN CRAIG 2 18 20

8 MEEKE KRIS 17 0 17

9 PADDON HAYDEN 0 10 10

10 EVANS ELFYN 8 0 8

11 OSTBERG MADS 0 8 8

MARCAS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13
14 40 54
1 HYUNDAI 33 20 53
2 TOYOTA 18 28 46
3 CITROEN 33 10 43
4 M-SPORT FORD

WRC2 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13

1 JAN KOPECKY 25 0 25

2 TAKAMOTO KATSUTA 0 25 25

3 EDDIE SCIESSERE 18 0 18

4 PONTUS TIDEMAND 0 18 18

F1/20
RED BULL
A NECESSIDADEFÓRMULA 1

DE UMANOVA
FILOSOFIA

A Red Bull apresentou na passada segunda-feira o seu monolugar de 2018
e, depois de um ano problemático, a formação de Milton Keynes espera na

próxima temporada estar pronta para voltar à luta pelos títulos

Jorge Girão
[email protected]

Oano passado, quando o RB13
foi apresentado, os homens de
marketing da companhia de
bebidas energéticas, sempre
bastante oportunos e arroja-
dos, aproveitaram a carga do
número que definia o mais recente pro-
duto da equipa para a inverter a seu fa-
vor, colocando perto dele o slogan “RB13
unluky for some” (ndr.: RB13 azar para
alguns), mas acabou por ser na porta de
Milton Keynes que o azar bateu.
O regulamento de 2017 parecia ir ao en-
contro das capacidades da Red Bull, que
sempre teve na aerodinâmica a sua prin-
cipal arma, mas foi precisamente este
aspecto a atrasar a equipa, que devido
dificuldades de correlação de dados en-
tre o túnel de vento e a pista, devido aos
pneus mais largos, chegou à primeira
corrida com um carro pouco competiti-
vo, atrasando-se mais de um mês no seu
programa de desenvolvimento.
Sem poder lutar de igual para igual com
a Mercedes e a Ferrari no início da época
e com a fiabilidade da unidade de potên-
cia Renault a obrigar Max Verstappen e
Daniel Ricciardo a alguns abandonos nos
primeiros Grandes Prémios e na pon-
ta final do campeonato, lutar por títulos
tornou-se uma impossibilidade para os
homens da Red Bull.
Ainda assim, e com Adrian Newey foca-
do no projecto depois das distrações com
o Aston Martin Valkyrie, após o meio da
temporada, o RB13 mostrou-se bastan-
te competitivo, permitindo a que o jovem
holandês conquistasse dois triunfos em
performance pura, evidenciando uma
capacidade notável de reação e de desen-

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21

volvimento por parte de toda a estrutura um carro de apresentação é produzido. tros sem dificuldades técnicas. ciados pelo Ferrari SF70H, o que acaba por
de Milton Keynes. Não tem sido incomum ter o carro termi- O tempo irascível que costuma caracte- ser lógico, dada a competitividade que o
nado, colocado a funcionar pela primeira rizar a Grã-Bretanha neste altura do ano RB13 evidenciou na ponta final de 2017.
NADA É DEIXADO AO ACASO vez e expedido para Espanha para o início impediu que Daniel Ricciardo, o piloto de Apesar de todo o cuidado colocado pela
dos testes tudo no mesmo dia”, lia-se no serviço, pudesse rodar com asfalto seco, Red Bull na preparação da temporada de
Com a forte possibilidade de a Renault comunicado emanado pela Red Bull, que mas, ainda assim, a equipa terá reunido 2018, e de a base vista nas últimas corri-
deixar de fornecer à Red Bull os seus V6 acrescentava: “Existe um propósito – mas dados suficientes para verificar se tudo das do ano passado ser bastante prome-
turbohíbridos no final da próxima época, não o faríamos se a isso não fossemos funciona como o esperado. tedora, os homens da estrutura de Milton
podendo a equipa ficar obrigada a usar obrigados e, este ano, não fomos. É prefe- Keynes estarão, ainda assim, nas mãos
unidades de potência da Honda a par- rível terminar o carro cedo e lidar com as UM APETITE PELA RUTURA do que a Mercedes e a Ferrari poderão ter
tir de 2019, este ano poderá ser a última contrariedades agora, quando o carro está encontrado durante o defeso. Contudo,
oportunidade da se bater pelos títulos em pista a curta distância da fábrica, em O objectivo da equipa é claro e bem ex- com a genialidade de Newey totalmente
num futuro mais ou menos próximo e os vez de usarmos uma das oito ultra-pre- plícito no slogan escolhido para este ano dedicada à causa, não será de estranhar
responsáveis de Milton Keynes não estão ciosas sessões de testes a fazer o mes- – “an appetite for disruption”, (ndr.: um que Verstappen e Ricciardo possam ter
a deixar nada ao acaso. mo no Circuito Barcelona – Catalunya”. apetite pela rutura) – enfatizando que, nas mãos o melhor chassis do plantel,
Adrian Newey está de novo completa- A empenho da Red Bull é notório, ten- depois de ter visto a Mercedes e a Ferrari colocando enorme pressão na Renault,
mente empenhado na conceção e desen- do sido a primeira equipa a colocar o seu digladiarem-se pelos títulos em 2017, esta que terá que apresentar uma unidade
volvimento do monolugar da formação monolugar em pista, logo na segunda- temporada a Red Bull tem a intenção clara de potência mais performante e fiável.
dirigida por Christian Horner, equipa que -feira, realizando em Silverstone um dia de ser o fator desequilibrador do padrão Depois de um ano em que o slogan de
mudou a sua filosofia a fim de se apresen- de filmagens – sessão em que as equipas observado na época passada e protagoni- lançamento se virou contra si, em 2018 os
tar competitiva desde o início da tempo- podem realizar até 100 km com pneus zar uma rutura com esse passado recente. homens da Red Bull esperam que o mote
rada. “O padrão dos últimos anos tem sido de controlo da Pirelli – para verificar os No entanto, o RB14 TAG-Heuer pintado do início da temporada se concretize e,
realizar a apresentação ‘agressivamente sistemas do RB14 TAG-Heuer e corrigir com uma decoração temporária que pre- realmente, criem um impacto inesperado
tarde’. Isto permitia ao departamento de qualquer problema antes de chegar aos tende esconder algumas soluções aerodi- no equilíbrio competitivo entres as 'três
design o máximo de tempo para adicio- testes que se iniciam na próxima semana, nâmicas, evidencia alguma familiaridade grandes'. Brevemente todos poderemos
nar elementos positivos ao carro antes onde o objetivo será acumular quilóme- com o seu antecessor, ainda que seguindo tirar conclusões.
do ponto em que o design é congelado e a tendência de apresentar flancos influen-

F1/
FÓRMULA 1

22

WILLIAMS pontos de uma temporada para a outra. modo a poder percorrer novos caminhos,
OPONTO No entanto, a subida de forma da Williams, Paddy Lowe, só no início do ano passado
DE VIRAGEM? apesar de um chassis competente e fiável, ficou disponível para ingressar em Gro-
deveu-se mais ao facto de ter as unidades ve, demasiado tarde para ter qualquer
Depois de quatro temporadas numa deriva de perda de potência da Mercedes, as dominantes impacto no FW40.
de competitividade, para 2018 a Williams alterou radicalmente da atual era, e aos falhanços da Ferrari e da Porém, o monolugar deste ano foi con-
o conceito do seu carro, o FW41 Mercedes, esperando poder Renault, que a um verdadeiro regresso da cebido a todos os níveis de acordo com a
inverter essa tendência equipa de Grove aos seus dias gloriosos. visão do homem que foi um dos mentores
Quando estas duas marcas acertaram nas do sucesso que a Mercedes goza na ‘Era
Jorge Girão Williams o seu derradeiro título, ao passo exigências para serem, minimamente, Turbohíbrida’. “O carro tem diversas novas
[email protected] que a última vitória, enquanto verdadeira competitivas no palco dos turbohíbridos, a características, a maior parte delas não
contendora - o triunfo de Pastor Maldo- equipa britânica viu-se relegada para um são óbvias, mas externamente a equipa
Longe vão os anos em que a equipa nado no Grande Prémio de Espanha 2012 posto secundário, inclusivamente, sendo perseguiuumconceitoaerodinâmicodife-
de Sir Frank Williams dominava a foi um episódio único - remonta a 2003, batida pela Force India, que tem também rente, que nos permitiu alguns progressos
Fórmula 1, levando até que Ayrton ainda pelas mãos de Juan Pablo Montoya ao seu dispor os motores do construtor na performance aerodinâmica”, admitiu
Senna afirmasse que, para a for- em Interlagos. germânico. o técnico inglês, que acrescenta: “Todos
mação inglesa pilotaria de borla, Com a introdução das unidades de potên- Desde 2014 a Williams perseguiu uma os carros de Fórmula 1 são uma evolução
na ânsia de conseguir colocar as cia, em 2014, a formação de Grove voltou via de baixo arrasto aerodinâmico, que do que foi feito anteriormente, até certo
mãos num daqueles inacessíveis bólides a subir na tabela classificativa, terminan- resultou bem nas duas primeiras épocas, ponto, mas o FW41 envolve a desistência
com suspensão ativa e os extraordinários do no terceiro posto do Campeonato de mas foi perdendo validade, o que obrigou de algumas direções que foram tomadas
motores V10 da Renault. Construtores, resultado que repetiu no a que no ano passado os homens de Grove no passado.
Em 1997 Jacques Villeneuve ofereceu à ano seguinte, apesar de ter perdido 63 fossem obrigados a aplicarem-se para No geral, a filosofia que estamos a ver
poderem manter o quinto lugar na compe- emergir é uma nova abordagem a uma
tição de construtores, a uns massivos 103 colaboração entre a aerodinâmica e o
pontos da sua rival de Silverstone e com design para alcançar um resultado de
menos 55 que os que conseguira em 2016. funcionamento ótimo.
Era evidente a necessidade de mudar A aerodinâmica, estrutura e peso são os
todo o conceito. principais pontos de equilíbrio a ter em
conta quando se concebe um carro de
UM NOVO CONCEITO Fórmula 1, e todo o trabalho, juntamente
com um número de alterações radicais
Na verdade, a própria equipa sabia que ao packaging para incorporar mais de-
2017 seria um ano de sacrifício com uma senvolvimentos oriundos da Mercedes
filosofia que não estava ajustada às ne- HPP, trouxe-nos até ao FW41.
cessidades, uma vez que o homem que Esperamos que o carro realize um pro-
iria liderar o departamento técnico de

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Uma das coisas que podemos medir é na esforço tremendo com o FW41 e estou cialmente destinado. Segundo diversas
performance absoluta. Portanto, apesar ansiosa por ver o Lance e o Sergey irem fontes, a decisão pelo russo deveu-se
de relutantes em apontar que queremos para a pista no final do mês”, afirmou a aos muitos rublos do jovem apoiado
o terceiro lugar, ou quarto ou quinto, dado Chefe de Equipa da estrutura britânica. profundamente pelo SMP Bank, cujo
que não conseguimos prever o que os ou- Stroll, depois de uma época de estreia em logo se vislumbra no FW41 Mercedes.
tros fizeram, gostaríamos de verificar um que progrediu e aproveitou as oportunida- Claro que a Williams nega categorica-
ganho de tempo por volta relativamente des que se lhe depararam, conquistando mente que a escolha de Sirotkin se deva
aos autores das pole-positions do ano um pódio no ´Casino’ que foi o Grande a questões financeiras, mas o piloto
passado”, enfatizou Lowe. Prémio do Azerbaijão, será este ano o líder de 22 anos terá uma enorme pressão
Apesar da moderadamente confiante, em pista da Williams, mas muito embora para se ver livre da etiqueta de ‘pilo-
o técnico inglês não se atreve a apontar se mostre entusiasmado com a época que to-pagante’.
um objetivo claro, muito embora o quarto se avizinha, evidencia-se muito comedi- Para o russo é tudo novo, apesar de
lugar no Campeonato de Construtores do: “Antes de qualquer nova temporada ter sido piloto de desenvolvimento da
esteja sempre presente. existem sempre muitas questões por Renault, mas mostra-se determinado
Lowe está consciente de que a Mercedes, a responder, o que torna tudo muito mais e garante estar a ser bem integrado no
Red Bull e Ferrari estão fora do alcance da interessante. Após uma temporada com seu no novo ambiente.
Williams, mas por outro lado admite que a equipa, mal posso esperar por voltar à “Estou verdadeiramente entusiasma-
na próxima temporada a luta pela melhor pista e perceber como se comporta o novo do para esta temporada. Passei muito
posição atrás das ‘Três Grandes’ será ainda carro. Até irmos para a pista não sabemos tempo na fábrica, estou quase a viver
mais intensa e com a possibilidade de o que os nossos adversários estão a fazer, lá, presentemente, o que tem sido uma
surgirem novos contendores. mas estou entusiasmado e otimista com grande motivação para mim e para
“Esperamos estar lá em cima, mas reco- o carro que a equipa construiu. O ano todos. É um grande prazer começar a
nhecemos que será consideravelmente passado foi de profunda aprendizagem trabalhar devidamente com todos os
mais duro em 2018. Obviamente que as para mim, agora mal posso esperar o que mecânicos e engenheiros e está a correr
três equipas da frente estão estabele- me reserva 2018”, apontou o canadiano muito bem. Tenho treinado arduamente
cidas numa boa posição. Temos a Force de 19 anos. e tenho estado no simulador regular-
India que realizou um trabalho fantástico Sirotkin assegurou o lugar deixado vago mente, experimentando diversas afi-
e bateram-nos no campeonato. Temos por Massa no ’último grito’, depois de um nações, diferentes pistas, fazer o banco
também a McLaren com um novo motor: teste em Abu Dhabi em que, segun- e também a participar em reuniões
serão uma ameaça. E temos a Renault a do os responsáveis da equipa,
emergir. Portanto, são já seis equipas das se mostrou mais con- técnicas, conhecer toda gente. Tem
nove com as quais estamos a competir. sistente que Robert sido divertido com todos os rapa-
Não assumimos nada como adquirido.” Kubica, a quem o zes dos diversos departamentos.
volante pa- Tempos agitados, mas estou
PILOTOS INEXPERIENTES recia ini- mesmo a gostar. Estou a
preparar-me para a tem-
gresso no que diz respeito à performance A Williams, desde há longos anos, que é porada da melhor forma
relativamente a 2017”. uma equipa que relegou a importância possível”, assegurou
Um dos problemas crónicos da Williams dos pilotos para segundo plano, fruto o novo recruta da
ao longo dos últimos anos, quase desde de lutas fratricidas que a levaram a Williams.
que Adrian Newey deixou a equipa para perder títulos – primeiro entre
se juntar à McLaren em 1997, é a falta de Alan Jones e Carlos Reut-
sofisticação aerodinâmica, tendo deixado mann, em 1981, e, de-
de ser uma equipa líder para ser uma pois, entre Nelson
seguidora. Piquet e Nigel
Como seria de esperar, nas fotos divulga- Mansell, em
das pela formação de Grove, o carro não 1987 – levan-
esteve presente na cerimónia de Londres, do a que Frank
são poucos os aspetos relevantes para lá Williams centras-
de componentes aerodinâmicos do ano se os seus recursos
passado, mas é possível perceber que os em assegurar mono-
flancos são amplamente inspirados nos lugares competitivos
do Ferrari de 2017. para depois ter uma fila de
Contudo, Lowe aponta que todos os obje- pilotos a bater-lhe à porta.
tivos colocados pelos técnicos da Williams No entanto, este ano, na opinião
foram alcançados e já superados, muito de alguns, a formação de Grove foi
embora seja rápido a desvalorizar falsos demasiado longe, mantendo Lan-
otimismos. “De forma geral, alcançámos ce Stroll, que realizará em 2018 a sua
os objetivos que nos colocámos inter- segunda temporada, e substituindo o
namente, mas estamos a dar o máximo veterano Felipe Massa, que foi empurrado
até ao último instante. Chegámos à fase para a reforma, por Sergey Sirotkin, um
em que estamos a encontrar soluções estreante.
no túnel de vento e questionamos-nos: A Williams terá, assim, uma das duplas
Conseguiremos levá-las para a primeira mais inexperientes do plantel, só superada
corrida? pela da Scuderia Toro Rosso, porém, Claire
Conseguimos chegar aos objetivos de Williams, regressada da sua licença de
performance a que nos colocámos, mas maternidade, mostra-se encorajada com
temos que fazer algumas ressalvas. Serão os seus recrutas. “Estou entusiasmada
esses objetivos suficientemente ambi- por voltar a apresentar o nosso novo car-
ciosos e transferir-se-ão para a pista? ro, para uma nova temporada, com uma
Isso terá ainda que ser verificado. nova e excitante dupla de pilotos. Ao longo
de muitos meses, a equipa efetuou um

f1/
FÓRMULA 1

24

HAASMAISUMA
TEMPORADA EXIGENTE

Surpreendentemente, a Haas foi a primeira equipa a apresentar
o carro de 2018, através da divulgação de fotos nas redes
sociais e no seu website. A equipa espera que o VF-18 a aproxime
do topo do segundo pelotão, tendo a Ferrari como bitola

Jorge Girão temporada – a mais difícil para uma jo- Guenther (Steiner) tivemos uma conversa lamento, o VF-18 é uma evolução do seu
[email protected] vem equipa, uma vez que enfrenta pela honesta na Cidade do México sobre a dire- antecessor, com a integração do disposi-
primeira vez a dura realidade de conce- ção que temos que tomar e a forma como tivo de proteção da cabeça dos pilotos. “A
Gene Haas entrou no mundo ber um novo carro enquanto desenvol- vamos melhorar”, afirmou o americano, maior parte da evolução do carro deve-se
dos Grandes Prémios em 2016 ve outro – sem uma quebra competitiva, que avisou: ”Não é segredo que usamos à introdução do Halo”, afirmou Guenther
para promover a sua marca – diz bem da resiliência da estrutura, que muito equipamento da Ferrari, portanto, Steiner, o chefe de equipa da Haas F1 Team,
uma companhia que constrói tem na Dallara o seu parceiro no campo ela é o nosso ponto de referência. Temos acrescentando: “Os aerodinamicistas ti-
máquinas CNC na Califórnia – do chassis e a Ferrari na área das unida- que estar a meio segundo dos Ferrari para veram que realizar alguns estudos, mas
numa plataforma global, de- des de potência, periféricos, suspensões sermos competitivos. O ano passado não os designers tiveram que trabalhar ar-
pois de ter conquistado toda a América e caixa de velocidades. estivemos. Diria que estivemos entre um duamente para modificar o chassis para
do Norte, México incluído, com o intuito No entanto, em 2018 a Haas F1 Team vol- segundo a um segundo e meio dos Ferrari. que o Halo pudesse suster as forças exi-
de se afirmar como uma companhia de tará a passar por um duro teste e o 8º pos- No geral, talvez tenhamos estado a dois gidas. O peso mínimo do carro foi aumen-
produtos premium. “As pessoas veem o to no Campeonato de Construtores está segundos da pole-position, portanto, te- tado, devido ao Halo, e tem um centro de
que podemos fazer na Fórmula 1 e acre- longe de estar assegurado, dada a espe- mos que recuperar um segundo para ser- gravidade mais elevado simplesmente
ditam que a Haas Automation consegue rada subida de forma da Sauber, que terá mos competitivos.” devido ao posicionamento do Halo. Mas
construir máquinas industriais de nível V6 turbohíbridos semelhantes aos da todos estamos no mesmo barco.”
mundial”, disse o americano, cuja equipa estrutura de Kannapolis, e, sobretudo, EVOLUIR EM VEZ DE REVOLUCIONAR O italiano aponta que o determinante
é a primeira oriunda dos Estados Unidos da McLaren, ambas batidas pelos ame- Depois de ter construído dois carros com para que a equipa possa progredir em
da América desde 1986, continuando: ricanos em 2017. conceitos completamente distintos nos 2018 face à temporada passada será a
“Ser um concorrente na Fórmula 1 ofe- Talvez consciente de que a próxima tem- últimos dois anos, fruto de um novo regu- capacidade que a Haas terá que eviden-
rece-nos um nível de credibilidade que porada, apesar da estabilidade regula- ciar para extrair todo o potencial do seu
não alcançamos através da publicidade mentar, será determinante para afirmar monolugar: “O nosso carro de 2017 era
tradicional.” a equipa num mundo extremamente exi- bastante bom, mas nem sempre tirá-
No entanto, habituado a vencer corridas gente, Haas, ainda antes da revelação das mos dele o seu máximo, e esse é o nos-
na NASCAR, onde possui igualmente uma fotos da sua nova máquina, deixou alguns so objetivo de 2018. Tornámos o carro
equipa, o Gene Haas, um homem conhe- avisos: “Parece que todos (ndr.: todas as o mais leve possível de modo a poder
cido pela sua constante atenção ao mais equipas) vão melhorar. Identificámos ter o máximo de lastro. Conseguimos
ínfimo detalhe e para quem o trabalho está os nossos pontos realizar um bom trabalho de modo a
sempre por acabar, não está na Fórmula 1 fracos e eu e o podermos colocar peso onde desejar-
apenas para marcar presença, querendo mos”, afirmou Steiner, que voltará a ter
mais, que continuar a terminar no 8º posto. como pilotos Romain Grosjean e Kevin
A época de estreia da Haas pode ser con- Magnussen.
siderada um sucesso, tendo terminado no
8º lugar do Campeonato de Construtores,
somando 29 pontos. Em 2017 aumentou o
seu pecúlio para 47, mas manteve a mes-
ma posição na tabela classificativa.
No entanto, o facto de ter ul-
trapassado a sua segunda

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QUAIS AS TENDÊNCIAS? APROXIMAÇÃO DA
MERCEDES E FERRARI?

O ano passado estas duas equipas apresentaram
conceitos muito distantes, mas acabaram por estar
em termos de performance muito equilibradas.
Para esta temporada, com o atual regulamento
no seu segundo ano, espera-se uma aproximação
de filosofias entre as duas, com a formação dos
'Flechas de Prata' a diminuir a distância entre eixos,
ao passo que a Scuderia deverá efetuar a alteração
inversa, não sendo de estranhar que se encontrem
a meio caminho – muito embora deva ser difícil
confirmar, uma vez que nenhuma delas deverá
revelar as dimensões dos seus bólides.
A Ferrari deverá manter o 'high-rake' – configuração
em que a traseira do carro está mais elevada que
a frente para maximizar o apoio aerodinâmico –
ao passo que a Mercedes, que tem apresentado
um monolugar bastante 'plano', deverá seguir a
tendência iniciada pela Red Bull.
A equipa de Brackley deverá também apresentar
uns flancos semelhantes aos dos monolugares de
Maranello do ano passado, uma tendência que se
verificará ao longo de todo o plantel, como já se viu
com a Williams e a Haas.

Os testes de pré-temporada estão ao virar da esquina, momento em O RED BULL SERÁ FIÁVEL?
que as equipas irão aferir se os carros que conceberam para 2018
reagem da forma como esperavam e que permitirá aos adeptos ter A formação de
uma ideia sobre o equilíbrio de forças para a próxima temporada Milton Keynes
tem vindo a
Os ensaios de inverno são dinâmicos usados no ano passado, março, as equipas que conseguiram ser a última
sempre esperados com normalmente, carregados com apa- assegurar uma fiabilidade aceitável a apresentar
grande expectativa por relhos de medição para certificar que passarão a olhar para a performance os seus
todos, seja pilotos, equi- os dados obtidos em túnel de vento dos seus carros, colocando algumas monolugares
pas, jornalistas ou adeptos, batem certo com os observados em componentes que poderão ser mon- nos últimos
dado que é quando as ten- pista – a famosa correlação de dados. tados no carro para o primeiro Grande anos na
dências começam a emergir. Aos pilotos exige-se que rodem con- Prémio da temporada. tentativa de dar a Adrian Newey mais tempo para
Nem sempre são conclusivos, uma sistentemente sem cometer erros, Algumas equipas, com ferramentas desenvolver ideias, o que por vezes se tem virado
vez que os tempos dependem de inú- dado que qualquer saída de pista pode de simulação mais sofisticadas e nas contra à equipa, sobretudo ao nível da fiabilidade,
meros fatores que não são conhecidos danificar componentes únicos, obri- quais confiam cegamente, poderão uma vez que não tem tempo para todas as
fora de cada uma das boxes – peso, gando a que, em alguns casos, o carro até esperar até Melbourne para es- simulações na sua fábrica antes de chegar à pista.
configuração da unidade de potência, fique imobilizado nas boxes devido à trear um novo pacote aerodinâmi- Este ano a Red Bull alterou a sua filosofia, e
utilização do DRS, pilotos que levan- falta de peças. co, sem que este passe pelos testes, adiantou algumas semanas todo o processo,
tam o pé para esconder os tempos, Falhas estruturais são também o pe- ganhando assim algumas semanas ansiando chegar a Melbourne num bom estágio
etc – sendo o fator mais relevante a sadelo das equipas – como já se veri- de desenvolvimento, o que pode- competitivo.
capacidade que cada carro tem para ficaram no passado com a Haas e com rá ser determinante em termos de Uma das grandes curiosidades dos testes
rodar consistentemente sem proble- a Mercedes, que viram asas dos seus performance. de Barcelona será verificar se os carros de
mas, o que, normalmente, significa carros cederem – uma vez que isso Isto leva a que seja difícil perceber se Milton Keynes serão fiáveis, um dos grandes
que as simulações realizadas na fá- resulta de uma falha de construção os testes que se realizarão no Circuit desideratos dos responsáveis da formação. A
brica são fiáveis. ou de projeto, obrigando a aturadas e Barcelona – Catalunya serão uma Renault tem provocado as maiores dores de
A primeira semana de testes será demoradas paragens para perceber imagem fidedigna do equilíbrio de cabeça à Red Bull durante os ensaios de inverno,
sobretudo para verificar sistemas e o sucedido e encontrar uma solução, forças que veremos no Grande Prémio mas no passado também foi possível verificar
trabalhar na fiabilidade dos mono- por vezes de recurso. da Austrália. No fundo, a fiabilidade componentes das carroçarias das máquinas
lugares, sendo normal que todos os Só na segunda sessão de testes, que será a base de qualquer carro bem- da equipa a ficarem queimadas devido a um
carros rodem com apêndices aero- se realizará entre os dias 6 e 8 de -nascido. 'packaging' demasiado agressivo.

R/26
PEUGEOT RALLY CUP IBÉRICA
ANDA ANDA...
ARARRIRBIBAA
Já são conhecidos mais alguns detalhes da Peugeot Rally
Cup Ibérica. Conheça-os em pormenor...

José Luís Abreu Rallye de Ferrol, em Espanha, (20 e 21 de P/ PRÉMIOS
[email protected] julho) e o Rallye Princesa das Astúrias POR PROVA
(14 e 15 de setembro), ambas as provas
Quem se recorda do Speedy em asfalto. Depois dá-se uma nova 1º 5000 € *
González lembra-se certamen- incursão no WRC, com a realização do 2º 4000 € *
te da expressão “andale, anda- Rali da Catalunha/Espanha (1ª Etapa/ 3º 3000 € *
le, arriba, arriba”. Mas como Terra) e que tem lugar entre os dias 25 4º 2000 € *
nesta competição Ibérica os jo- e 28 de outubro. A temporada encerra 5º 1500 € *
vens pilotos da marca do leão, a com a última prova do Campeonato de 6º 1000 € *
Peugeot, serão oriundos dos dois países, Portugal de Ralis, a 17 e 18 de outubro, 7º 800 € *
o ‘portinhol’ passa a ser a língua oficial. no Rali Casinos do Algarve, novamente 8º 650 € *
Depois de ter sido anunciada em dezem- em pisos de asfalto. Como se percebe, 9º 550 € *
bro, só agora estão finalizados todos os são quatro as provas em afalto, duas 10º 500 € *
detalhes inerentes à competição, que, em Portugal, outras duas em Espanha,
já se sabe, arranca no Vodafone Rally e duas em pisos de terra, no caso, as do 1º JÚNIOR 1 000 € *
de Portugal e tem previsto distribuir WRC, perfazendo desta forma as seis
120.000€ de prémios, em seis provas. provas da competição. * 50% DO VALOR EM VOUCHER DE PEÇAS PEUGEOT
A Peugeot Portugal e a Peugeot Espanha,
em conjunto com a Sports & You, já têm PRÉMIOS EXCELENTES do na classificação geral, em termos enquanto o piloto espanhol Sérgio
definido o calendário, prémios e ins- de Peugeot Rally Cup Ibérica. Quanto Vallejo assume as funções de res-
crições relativos à primeira edição da Quanto aos prémios, no final da épo- à inscrição na competição, o valor ponsável das relações com pilotos e
Peugeot Rally Cup Ibérica, e as notícias ca terão sido distribuídos mais de único de inscrição é de 1900€, o qual equipas. Mais informações na Sports &
são boas. Em termos de calendário, des- 120.000€, ou se preferir, 20.000€ por contempla dois fatos de competição e You (tel. 224 160 161) ou via mail: [email protected]
taque para a participação dos Peugeot rali, distribuídos da forma que pode o Kit de imagem do Troféu. Quanto à sportsandyou.pt.
208 R2 em duas provas do Mundial de ver na tabela em cima, sendo que, inscrição nas provas, há algumas mais A organização conta com um conjunto
Ralis, Portugal e Catalunha/Espanha. convém não esquecer, que metade do caras que outras, como é normal, mas de equipas entre os 15/20 carros. No
O arranque da competição dá-se na valor dos prémios são em Voucher de o valor total ronda os 4.000€ para as final, “vamos dar a oportunidade de o
prova portuguesa, que decorre de 17 a Peças Peugeot, que, como é lógico, vão seis provas. vencedor conseguir realizar um sonho
20 de maio, sendo que os concorrentes ser precisas durante a competição. Tal como já era conhecido, a logística e ao mesmo tempo dar-lhe as condi-
disputam apenas a primeira etapa da Para além disso, em cada rali será é da Sports & You, e a organização ções necessárias para que esse sonho
prova do ACP. No mês de junho terá lu- dado um prémio de 1000€ (também das duas representações ibéricas da sirva para mostrar as suas qualidades
gar a primeira prova em asfalto em solo com asterisco) ao piloto Junior me- Peugeot. Na Sports & You, o respon- como piloto e o ajude para poder evo-
nacional, com o Rali de Castelo Branco lhor classificado (idade inferior a 27 sável do projeto é José Pedro Fontes, luir na carreira.”
(30 de junho e 1 de julho), seguindo-se o anos), sendo este prémio a acumular
com o prémio relativo ao lugar obti-

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27

C/ CALENDÁRIO

RALI DE PORTUGAL 17/20 DE MAIO (TERRA)

RALI DE CASTELO BRANCO 30 DE JUNHO/1 DE JULHO (ASFALTO)

RALLY DE FERROL 20/21 DE JULHO (ASFALTO)

RALLY PRINCESA DE ASTURIAS 15/17 DE SETEMBRO (ASFALTO)

RALLY DA CATALUNHA 25/28 DE OUTUBRO (1ªETAPA/TERRA)

RALLY CASINOS DO ALGARVE 17/18 DE NOVEMBRO (ASFALTO)

28 ERC/
CAMPEONATO DA EUROPA DE RALIS

ERC2018
PROMMUEITTAE
ANIMAÇÃO

Apesar de ainda não estar confirmada a presença de Bruno
Magalhães, o campeonato europeu de ralis deste ano deverá

ser bastante interessante ao nível competitivo

João Freitas Faria estreou nesta série o ano passado. A PROJETO DE BRUNO MAGALHÃES eventos está nesta altura em causa devido
[email protected] competição torna à estrada a 24 de agosto à falta de apoios.
para aquela que foi considerada a melhor AINDA POR CONFIRMAR Numa situação idêntica está um dos
OERC 2018 não foi alvo de ne- prova de 2017 e um dos emblemas do seus adversários no passado, Alexey
nhuma revolução e o esquema campeonato, o Barum Czech Rally Zlin. Apesar de ser sua intenção aproveitar toda Lukyanuk. O russo também pretende
de anos anteriores deverá ser Face à sua exclusão do WRC, o Rali da a experiência adquirida em 2017 com o regressar a este campeonato mas volta a
mantido pelos seus promo- Polónia regressa a esta fórmula entre Skoda Fabia R5, bem como das provas que debater-se com falta de apoios. Principal
tores, a FIA e a Eurosport 21 e 23 de setembro com piso de terra e compõem um calendário praticamente opositor de Magalhães em 2017 e cam-
Events, que voltam a apostar sediado em Mikolajki em substituição do inalterado, Bruno Magalhães está ainda peão nos últimos três anos, Kajetan
em várias plataformas na mediatiza- seu conterrâneo disputado em torno de bastante longe de poder confirmar a sua Kajetanowicz poderá ficar de fora pois
ção daquela que é a amais antiga com- Rzeszow. A época volta a terminar, de 12 presença na série proposta pelo Eurosport a sua carreira vinha sendo suportada
petição internacional da modalidade. a 14 de outubro, em Liepaja, na Letónia. em que, recorde-se, foi vice-campeão maioritariamente pela Lotos e a empresa
A temporada volta a arrancar em São Regulamentarmente não se re- na última temporada. Se é crível que o petrolífera polaca deverá canalizar grande
Miguel, ilha em que se disputa o Azores gistam alterações de vulto às re- piloto de Lisboa venha a conseguir reu- parte do seu orçamento desportivo para
Airlines Rali entre os dias 22 e 24 de gras já estabelecidas em 2017. nir os apoios para voltar a arrancar para o regresso de Robert Kubica à Fórmula
março próximos. Mês e meio depois, No campeonato principal e ERC3 voltam o Azores Airlines Rallye, que venceu o
de 3 a 5 de maio, e, tal como em 2017, a a contar as seis melhores pontuações ano passado, a deslocação aos restantes
caravana ruma a Las Palmas para a dis- obtidas nos oito eventos do calendário.
puta do Rally Islas Canarias em asfalto. Para as competições juniores U28 e U27
Próximos geograficamente, seguem- voltam a contar apenas seis provas das
-se dois eventos em piso de terra. quais serão tidas as quatro melhores
Na Grécia disputa-se o Rali da Acrópole pontuações, número igual ao que agora
entre 1 e 3 de junho, enquanto o Chipre passa a vigorar também no campeonato
recebe o campeonato para a prova com feminino e no ERC2.
o nome daquele país de 15 a 17 do mes- Para pontuar no ERC é necessário estar
mo mês. Entre 20 e 22 de julho dá-se inscrito na competição, um registo com
o regresso ao asfalto para a realiza- uma taxa que foi reduzida em 2018 para
ção do Rally di Roma Capitale, que se 1000€ no ERC1 e 500€ nos ERC2 e ERC3.

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29

1 através da Williams. Quem ingressa jovens a defrontar os referência nesta de extender o seu programa à totalidade Tom Kristensson que será apoiado pela
no ERC este ano é o campeão húngaro competição. Um dos exemplos vem de do calendário júnior U28. ADAC na equipa oficial Opel. Também o
Norbert Herczig que alinha com um Skoda Marijan Griebel, que como campeão jú- Num regresso da marca checa a este cam- espanhol Efren Llarena arranca nesta
Fabia R5 da BRR apoiado pela MOL. nior U28 de 2017 tinha direito a alinhar peonato, a Skoda Alemanha irá apoiar fórmula com um Peugeot 208 R2 apoiado
numa prova do Mundial com um WRC, o campeão daquele país, Fabian Kreim, pela federação espanhola depois da sua
ESPAÇO AOS JOVENS mas preferiu alinhar em seis eventos do na disputa do campeonato Junior U28, vitória na Beca Junior R2. Numa viatura
O Eurosport volta aapostarbastante nas ERC com uma viatura R5. O alemão, que competição a que também adere com idêntica mas da consagrada Sainteloc
competições juniores e na valorização também surgirá na prova alemã do WRC um Fabia R5 o polaco Hubert Ptaszek. estará o austríaco Simon Wagner que
deste campeonato como fórmula de e em todo o campeonato daquele país, Com presença garantida nos Açores e a recentemente brilhou com um Mazda
aprendizagem e promoção. estará então ao volante dum 208 T16 R5 pretender disputar a restante temporada 323 GT-R no Janner Rallye face a pilotos
Nesse sentido assinou um novo acordo da Peugeot do seu país. Beneficiando do surge o norueguês Frank Tore Larsen num mais experientes e melhor equipados.
com a Peugeot Sport na viabilização dos apoio de 100.000 € como campeão U27 Ford Fiesta R5. As novas regras vigentes no ERC2 já ali-
meios para atribuição dos prémios aos do ano passado, o britânico Chris Ingram O campeonato Junior U27, destinado aos ciaram o russo Sergei Remenik e Tibor
pilotos laureados. Como já aconteceu em alinha em duas provas com um Skoda pilotos com menos de 27 anos em viaturas Erdi para nova participação nesta com-
2017, serão, como tal, muitos os pilotos Fabia R5 da Motorsport Italia mas preten- R2, regista este ano a adesão do sueco petição.

R/
RALIS

30

KIAPICANTO GTCUP

DO SONHOÀ
REALIDADE

Bruno Lima subiu a pulso até se tornar uma referência
na produção de escapes para o mundo motorizado.
Fundador da Metal Custom, é mais um fornecedor
com passaporte português do novo troféu do
automobilismo nacional, o Kia Picanto GT Cup!

Luís França exclusivo para um troféu. É sinal de que Para fundir o aço
[email protected] estou a crescer. Quando, em 2011, criei a inoxidável e criar os
Metal Custom, fazia bicicletas e ninguém diversos segmentos
Desta vez a viagem foi cur- me conhecia”, recorda.
ta. Muito curta. Quis o destino da linha, a tocha
(ou a mera casualidade) que a PEÇA FUNDAMENTAL utilizada por Bruno
oficina de Bruno Lima, funda-
dor e principal responsável da Para o primeiro teste oficial do Kia Picanto Lima necessita
Metal Custom, se encontrasse GT Cup, montado com duas configurações de estar a uma
a menos de 1 km das instalações da CRM de suspensões distintas e a nova admis- temperatura de 1400
Motorsport, na freguesia da Adroana, ’pa- são, Bruno preparou “três linhas de escape graus centígrados
redes-meias’ com o Circuito do Estoril — diferentes”, ciente de que só com a nova
o esclarecimento e referência necessá- unidade de comando eletrónica é que a sílios. É por isso que as ferramentas de corte. No final, limpa-se tudo o que são
rios para quem nunca se aventurou por equipa da CRM Motorsport e ele próprio se trabalho de Bruno Lima incluem “uma rebarbas e limalhas do corte e volta-se
estas bandas. poderão assegurar da especificação que máscara, uma vareta 3.16, uma máquina a desengordurar. Só depois é que inicio o
Longe de ser decisiva, a proximidade apre- melhor se ajusta ao carro. “As diferenças TIG para soldar, um difusor e um par de processo de fabrico”.
goa ao cultivo de uma relação de boa vi- residem no último segmento. Uma das li- luvas”, embora na maior parte das vezes No estudo e desenho de uma nova linha de
zinhança, precisamente o que veio a su- nhas tem o catalisador antes da ponteira solde com as mãos desprotegidas. Tudo escape, o artista da Metal Custom procu-
ceder através do projeto Kia cee’d TCR de escape, para retirar calor ao turbo, e para garantir que o tubo de aço inoxidá- ra, acima de tudo, um padrão de coerência
estreado, em 2017, pela empresa de Tiago outra, uma peça com um restritor interno. vel se mantém limpo e sem manchas: entre funcionalidade e estética: “O siste-
Raposo Magalhães, e que este ano con- A última solução é uma linha direta, sem “Assim que o tubo vem do fornecedor, ma de escape é uma peça fundamental
tará com os serviços do laureado Manuel nenhum destes componentes, mantendo a primeira coisa a fazer é escová-lo com de um automóvel, uma espécie de válvula
Gião (outro tema que, a seu tempo, tam- o catalisador de origem que se encontra uma máquina própria para o efeito. Segue- externa do motor. Uma curva mal dese-
bém iremos explorar no AutoSport). “A entre o tubo de escape e o turbo”, revela. se o desengorduramento e o processo de nhada produz imediatamente um efeito
colaboração com o Bruno surgiu de uma Após o primeiro contacto com o Kia
necessidade da CRM Motorsport e o re- Picanto GT Cup no Circuito do Estoril,
sultado foi tão positivo que não tivemos Tiago Raposo Magalhães mostrava-se
dúvidas em prolongar esta associação en- seguro sobre a opção que melhor respeita
tre as partes”, confirma o rosto da equipa as credenciais do projeto: “Para nós, não
que irá promover, em conjunto com a Kia faria sentido comprometer o ambiente e a
Portugal e o apoio oficial da FPAK, o mais imagem verde que a Kia já aplica nos seus
recente troféu monomarca do desporto modelos de série, incluindo o Kia Picanto,
motorizado português. optando por um sistema completamente
Já para o rapaz nascido em Viana do direto, sem catalisador. Remover o cata-
Castelo, mas residente no concelho de lisador do sítio em que se encontrava ori-
Sintra desde os 3 anos de idade, a opor- ginalmente e passá-lo para o fim da linha
tunidade de ver o nome da sua empresa de escape ajuda o turbo e toda a mecâni-
associado ao Kia Picanto GT Cup é des- ca, e respeita, ao mesmo tempo, as nossas
crita como “a realização de um sonho”. preocupações ambientais. Encontramos
E acarreta ainda o conforto e confiança a solução perfeita — performance sem
de que o caminho traçado há sete anos descurar o ambiente”.
continua a conduzi-lo rumo ao sucesso:
“Como é óbvio, fiquei muito contente. É a BASE DE QUALIDADE
primeira vez que estou a fazer tantas li-
nhas de escape para o mesmo carro e em Como em todos os projetos de relevo, para
se obterem os melhores resultados são
necessárias as melhores práticas e uten-

Da época em que o primo, >> autosport.pt
francês, lhe enviava
para Portugal revistas 31
sobre customização de
automóveis, aos dias
de hoje, em que aplica
em veículos de duas
e quatro rodas aquilo
que aprendeu enquanto
serralheiro, o homem a
quem lhe faz “comichão”
coisas originais traçou
um longo caminho

Cada linha de escape do Kia
Picanto GT Cup produzida
pela Metal Custom
apresenta três segmentos
principais (“downpipe”,
linha e ponteira) e sete
subsegmentos

A retirada de
temperatura sobre

o turbo melhora
imediatamente o
rendimento de um
motor de combustão

“Os escapes são um
complemento do que eu
realmente faço: criação,
desenvolvimento e fabrico de
peças de metal, como guarda-
lamas, quadros de motas e
bicicletas ou depósitos de
gasolina”, afirma Bruno Lima

O PERCURSODAMETALCUSTOM

Da serralharia do pai a produtor de escapes para a competição automóvel decorreram Produzir as três linhas de balhosa, tal como o tubo de escape”. O
cerca de 20 anos. Pelo meio, Bruno Lima fez uma ‘perninha’ no TT, aprendendo o teste consumiram cerca desenho final foi pensado para redu-
ofício enquanto se entretinha a construir pára-choques, triângulos de suspensão, de 40 horas de trabalho. zir a temperatura junto ao turbo, “com
mangas de eixo e roll-bars de pick-ups Nissan Navara, mas também da Toyota Hilux Após a escolha final pelo o alargamento do tubo de escape e do
da South Racing que foi ao Dakar. Foi após essa experiência no todo o terreno que último segmento”. Os materiais utiliza-
decidiu fundar o seu próprio negócio, maioritariamente focado no estudo, desenho departamento técnico dos, “incluindo o flexível”, são da “melhor
e conceção de linhas de escape. Começou com bicicletas e motas, adicionou-lhes da CRM Motorsport será qualidade” e todas as soldaduras foram
os automóveis e nunca mais parou, com o seu trabalho e criatividade a receberem produzido um molde que “realizadas com a atmosfera controla-
elogios e prémios. Em 2017, contribuiu para que o concessionário lisboeta da Harley- reduzirá para um dia útil a da, para não haver fraturas”, assegura.
Davidson vencesse o concurso “The Battle of Kings”, promovido a nível europeu pela construção de cada unidade “Aplico um processo de soldadura com
famosa marca norte-americana, com o escape para a bonita “Metal Snake”. Pode purga, de modo a também cozer por den-
contactá-lo por email ([email protected]) ou por intermédio da página e dissipação do calor no turbo”, explica. tro, e utilizo uma tocha com um pirex e
de facebook da empresa, em www.facebook.com/metalcustom Munido de um motor de três cilindros com difusor. Temos que eliminar o oxigénio
998 cc e 100 cv, o Kia Picanto 1.0 T-GDI GT durante o processo de soldadura e daí
na sua eficiência. É por isso que, para mim, prometer a estrutura original do carro e Line não representou uma dificuldade haver a necessidade de se obter uma
as coisas têm de ser fluidas. Têm que fazer quero, sobretudo, facilitar a vida a quem acrescida para o patrão da Metal Custom. atmosfera controlada”. Palavra de Lima,
sentido, passar nos sítios certos. Há casos terá o trabalho de montar e desmontar o “O princípio básico dos automóveis é sem- Bruno Lima.
em que podia colocar um tubo direto, mas sistema de escape. Depois, procuro ter pre igual, esteja debaixo do capot um mo-
sei que esteticamente ficaria mal. Prefiro sempre os diâmetros corretos para os tor V12 ou um bloco de três cilindros. É
realizar mais quatro soldaduras para que o motores funcionarem de forma eficiente. mais um desafio pela quantidade de li-
trabalho se ajuste ao carro e dessa forma Com um diâmetro superior ao indicado, o nhas de escape que tenho de produzir do
o resultado seja muito melhor”. carro pode andar menos. Perde pressão que propriamente por qualquer questão
Assegurar-se das dimensões corretas e o motor fica sem compressão. Foi algo técnica, até porque o Picanto é um carro
e garantir que a nova linha de escape se que aprendi nas motos, por exemplo. Se for simples de se trabalhar e com uma es-
ajusta aos encaixes originais são outras demasiado pequeno, acaba por ser menos trutura-base de qualidade”.
das suas prioridades: “Não gosto de com- eficiente na sua função de escoamento Ainda assim, adianta que “o carro ainda
tem algumas curvas e o charriot [su-
bestrutura do chassis] é uma parte tra-

32 OACOnãoquerabusosporparte se esse nível não se verificar, então
dos privados e irá penalizar fomos enganados.”
N/ PRIVADOS quem for mais rápido que os Esta é uma medida de segurança,
Toyota. Os organizadores do uma vez que o EoT não pode ser alte-
PODEM SERNOTÍCIAS WEC confirmaram isso, com o intuito rado antes de Le Mans, o que poderia
PENALIZADOS de inibir os privados de fornecerem dar uma vantagem aos privados na
SE FOREM dados falsos em relação à performan- mítica prova francesa, caso o EoT
MAIS RÁPIDOS ce das suas máquinas, dada a entra- estivesse adulterado. Depois de Le
QUE OSTOYOTA da de novos carros (Ginetta, Oreca e Mans, o EoT poderá ser alterado, não
Dallara), o que colocaria em causa
Mais equilíbrio nas provas de resistência leva o EoT (Equivalence of Technology).
ao aperto das regras para os privados Na base está a seguinte regra: “Todos
Fábio Mendes os concorrentes e fabricantes que
[email protected] deliberadamente forneceram infor-
mações erradas, tentarem influenciar
LEIA E ACOMPANHE TODAS o processo EoT, ou cujo nível de de-
AS NOTÍCIAS EM AUTOSPORT.PT sempenho é superior ao resultado
esperado, poderão ser penalizados
antes, durante ou após uma corrida”.
As regras estabelecem uma pena-
lização mínima de cinco minutos de
paragem e pode mesmo ser atribuída
uma volta de penalização no final
da prova.
Vincent Beaumesnil afirmou: “A ra-
zão pela qual os não híbridos possam
ser mais rápidos pode apenas ser
atribuída a não terem sido forneci-
dos dados corretos. O que estamos
a dizer é que nós estamos a dar um
determinado nível de performance e

DESAFIO TOTAL/ O Desafio Total/Mazda 2018 iniciar-se-á
MAZDA 2018 em Castelo Branco em março, com a Baja
ESTÁ DEFINIDO TT do Pinhal e a terminar em festa na 32ª
Baja Portalegre 500, no último fim de
Ultimam-se os preparativos para aquela “Mantendo-se como iniciativa sem Mazda Motor de Portugal por esta semana de outubro.
que será a 11ª temporada do Desafio paralelo no panorama do todo o terreno competição. “Cumprida que está a A nova estrutura da competição irá
Total/Mazda, numa entrada na segunda nacional, o Desafio Total Mazda tem primeira década, decidimos redefinir permitir que, pela primeira vez na
década que se inicia com uma novidade proporcionando, ao longo dos anos, a sua estrutura, passando este ano a sua história, Pilotos e Navegadores
de monta: serão seis as provas e todas um crescente grau de competitividade abranger as 6 provas do Campeonato contem com o mesmo número de provas
do Campeonato Nacional de Todo o e interessantes lutas no seio do seu Nacional de Todo o Terreno. Naturalmente pontuáveis. Tendo que estar inscritos no
Terreno 2018. pelotão e até, por diversas vezes, em que isso significa abdicar de Fronteira, Desafio e participar num mínimo de 4 das
Iniciativa única no panorama do todo termos de geral das provas que integra”, prova por quem continuaremos a ter um 6 provas para poderem lutar e reclamar
o terreno nacional, o Desafio Total referiu José Santos, responsável da grande carinho”, acrescenta. os respetivos títulos.
Mazda proporcionou, ao longo dos Aos comandos dos Mazda Proto, dotados
seus primeiros 10 anos de vida, boas de um kit de carroçaria que lhes dá a
disputadas na modalidade e uma boa silhueta do SUV Mazda CX-5, os inscritos
opção para quem queira competir na irão lutar pelas melhores pontuações
disciplina. atribuídas ao top 10 de cada Baja TT.
Mas, se até aqui o alinhamento do Para 2018, o Pacote de Prémios mantém-
calendário se dividia entre algumas das se inalterado, distribuindo-se um total de
provas do Nacional de TT e o encerramento 53.500 euros pelos Pilotos.
se fazia invariavelmente nas 24 Horas
Vila de Fronteira, desta feita a aposta da
organização irá recair na totalidade das
6 bajas que compõem o campeonato de
2018, organizado pela FPAK.

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33

KUBICA IRÁTESTAR COM A MANOR

Se não dá na F1, tenta-se no WEC.
Robert Kubica irá estar presente
no teste de três dias da Manor,
em Aragão, que começa hoje
mesmo. O piloto polaco irá estar
aos comandos do novo Ginetta
G60-LT-P1, com vista a uma
possível vaga na equipa britânica
para o campeonato do mundo de
endurance.
Kubica já testou com a ByKolles em
2017 mas estará este ano decidido
em juntar os compromisso da F1,
com o campeonato WEC, à imagem
de Fernando Alonso. A Manor já
tem confirmados para este ano
Oliver Rowland e Charlie Robertson,
que ocuparão duas das vagas
disponíveis para este ano, uma
vez que a equipa fará alinhar dois
carros no campeonato.

sofrendo mais modificações até a úl- nhumas benesses às equipas pri- TCR MORBIDELLI SOFREU ACIDENTE
tima ronda do campeonato, as 24h de vadas depois de Spa, se forem mais NO TESTE DE BOP
Le Mans. O processo que poderá levar lentas que a Toyota.
às penalizações ainda não foi escla- A performance dos Toyota não foi Decorrem os testes que irão determinar
recido, mas a é premente a vontade alterada,tendosidoapenasdiminuída o Balance of Performance de 2018 para
de manter os LMP1 com um nível de a capacidade do depósito para 35 kg o o WTCR e para os campeonatos TCR,
performance equilibrado, quer para que poderá equivaler a 11 voltas a Le na pista de Valência, em Espanha. Em
híbridos e quer para não-híbridos. Mans. A capacidade dos privados foi pista estiveram 11 máquinas que antes
Por outro lado não serão dadas ne- aumentada em 52.9 kg. de passarem para as mãos dos pilotos
designados para o teste, rodaram com os
pilotos das equipas para ultimar afinações. TCR, e teve a ajuda de Gianni Morbidelli, que
Na lista de pilotos das equipas sofreu um acidente com o Megane, devido
encontramos Mario Ferraris (Alfa Romeo a um problema no sistema de travagem.
Giulietta), Rahel Frey (Audi RS3 LMS), Josh Morbidelli foi levado para o centro médico
Files e Esteban Guerrieri (Honda Civic nas onde lhe diagnosticaram lesões ligeiras no
versões de 2017 e 2018), Gabriele Tarquini pé direito.
(Hyundai i30 N TCR), entre outros.
Já Dan Lloyd ficou responsável por pilotar os
carros, às ordens dos homens da FIA e do

KART KID RACE SCHOOL JÁ TEM DATAS BRUNO OLIVEIRA TERMINA
DEFINITIVAS DAS PROVAS DE SELEÇÃO EM SEGUNDONARÚSSIA

Faltam cerca de duas semanas para E é precisamente em Braga, no dia 24 Bruno Oliveira confirmou na derradeira Na prova russa a dupla Bruno Oliveira
que muitos jovens dos 5 aos 10 anos de fevereiro, no Largo do Pópulo, que etapa da prova de abertura da Taça do / Paulo Marques, aos comandos de
de idade, face aos custos reduzidos decorrerá a primeira fase de seleção Mundo de Todo o Terreno o excelente uma Nissan Navara, encontrou pistas
de participação, possam iniciar-se no de novos talentos para o Karting, para desempenho que mostrara na etapa extremamente rápidas e totalmente
Karting. Uma modalidade que passará depois disputarem o Troféu Kart Kid Race inaugural, ocupando no final da Baja cobertas de neve e onde o piloto do
a ser acessível como qualquer outra, School, constituído por sete provas e Northern Forest a 2ª posição na Azores TT Team se estreou na condução
face ao conceito adotado pela Kart que acompanhará o Open, o Campeonato Categoria T2. com pneus de pregos.
Kid Race School, iniciativa da New e a Taça de Portugal de Karting. Uma No final do rali o piloto e o seu navegador
Sale, Lda, entidade que conta com o semana depois, no dia 3 de março, a Kart subiram ao pódio da prova após uma
apoio da Federação Portuguesa de Kid Race School estará no Kartódromo excelente prestação: “Adaptei-me muito
Automobilismo de Karting (FPAK), do Internacional de Palmela, para a segunda bem à condução com pneus de pregos,
Instituto Português do Desporto e da fase de seleção, proporcionado assim aos tivemos todo o cuidado para não cometer
Juventude (IPDJ) e da Cidade Europeia jovens de todo o País, a possibilidade de erros e saio daqui com uma vontade
do Desporto em 2018: Braga. virem a ser pilotos de Karting. enorme de cá voltar. Sinto que poderei
evoluir muito mais e o prazer de condução
é indiscritível”, afirmou Bruno Oliveira.

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YAMAHA

» R1M 2018 NO CIRCUITO DE PORTIMÃO

ALTA PERFORMANCE COM MAIS CONTROLE

A convite da Yamaha Europe Portugal fomos tomar contacto
e ensaiar em pista a nova Yamaha R1M de 2018, expoente
máximo tecnológico da gama da marca do diapasão
em termos de motos desportivas, ao Circuito do AIA –
Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão

Pedro Rocha dos Santos
[email protected]

S endo uma máquina de 200
cv com cerca de 200 kg de
peso, quase semelhante a
uma moto de competição,
era com alguma ansiedade e
apreensão que iríamos rodar
no circuito de Portimão, um circuito
muito técnico que obriga a trajetórias
bem estudadas e definidas para se
conseguir um encadeamento fluido ao
longo de todo o seu percurso - curvas
cegas, subidas e descidas, uma ver-
dadeira ‘montanha russa’, Algarvia
neste caso . Soubemos entretanto que
o circuito tinha sido recentemente
asfaltado nas zonas que anteriormente
estavam mais danificadas tendo sido
eliminadas algumas das imperfeições
mais críticas anteriormente apontadas

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no mesmo, realidade que viemos a
verificar e que contribuiu para uma
maior suavidade e segurança na nossa
experiência.
Esteticamente a R1M é belíssima. Este
ano a Yamaha optou por acentuar os
tons negros em deterioro dos alumí-
nios, tanto na ciclistica como no mo-
tor, mantendo no entanto o belíssimo
depósito em alumínio escovado. Os
elementos da carenagem, baquet e
guarda-lamas em carbono conferem
um look de exclusividade que assenta
na perfeição na personalidade racing
da R1M e a versão que testámos mon-
tava ainda uma belíssima ponteira
em titânio da Akrapovic, mantendo
o elemento catalítico.
EVOLUÇÃO EM 2018
Na apresentação prévia realizada em
boxes por elementos da direção da
Yamaha foi-nos dado a conhecer as

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características da R1M, versão 2018, do tipo de condução pretendida e do
e percebemos que a grande evolução comportamento que pretendemos em
para este ano estava no software de aceleração, em travagem e em curva.
gestão das fantásticas suspensões Também do ponto de vista mecânico
Ohlins SEC, as mais sofisticadas que houve evolução já que na versão de
existem em motos de série, agora 2018 da R1M passamos a poder reduzir
com um interface mais simples para sem embraiagem, passando o sistema
o piloto realizar afinações em função de Quick Shift a atuar no acelerador,

CONCORRÊNCIA HONDA CBR 1000RR FIREBLADE SP1 - 999CC KAWASAKI ZX10 RR - 998CC produzindo o ‘ Blip’ ou toque de ace-
lerador que normalmente realizamos
APRILIA RSV4 RR FACTORY - 999CC 192 CV 200 CV para facilitar a redução, exigindo no
entanto que o punho de acelerador
201 CV POTÊNCIA POTÊNCIA se encontre fechado. Esta realidade
levou algum tempo a habituar-nos
POTÊNCIA 195 KG 198 KG para deixarmos de fazer o instintivo
“Blip” manual e dei por mim em pis-
N.D. KG PESO PESO ta, ao longo da sessão, quase sempre
a esquecer que o sistema o poderia
PESO 23 000€ 22 490€ fazer por mim.
A nível da eletrónica a R1M também
22 571€ PREÇO BASE PREÇO BASE introduziu para este ano alguns me-
lhoramentos. O sistema de controle de
PREÇO BASE elevação da roda dianteira, apelidado
de função de LIF pela Yamaha, está a
agora mais suave e natural permitindo
dois níveis de intervenção ou desliga-
do. A unidade de controlo de todos os
sensores da moto permite aferir várias
realidades como a inclinação da moto,

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FT/ F I C H A T É C N I C A a aceleração e a travagem doseando da eletrónica, embora em tão pouco A sessão decorreu com a presença de
o controlo de tração, o ABS, o LIF e tempo seja difícil tirarmos conclusões Rui Reigoto e a orientação em pista
998 CC a entrega de potência do motor em definitivas num circuito tão técnico de Miguel Praia que, através de um
função do modo selecionado. e exigente. A sensação é de estar- recente acordo com a Yamaha, irá ao
CILINDRADA mos numa verdadeira Superbike de longo de 2018 organizar alguns cursos
MAIS SEGURANÇA NA TRAVAGEM competição, extremamente precisa de pilotagem no AIP. Será certamen-
200 CV Relativamente à travagem a mesma é e eficaz em circuito, uma moto ágil e te uma excelente oportunidade para
assegurada na frente por dois discos com uma aceleração brutal graças ao todos aqueles que pretenderem de-
POTÊNCIA de 320 mm com pinças monobloco seu motor de tecnologia crossplane. senvolver o seu desempenho em pista
de montagem radial e por um disco Os pneus semi-slick da Bridgestone, e também poderem eventualmente
17 L traseiro de 220 mm , ambos com ABS especialmente montados para a ses- rodar nas fantásticas Yamaha R1 num
sensível à inclinação da moto e tam- são, rapidamente começaram a dar dos circuitos mais incríveis do mundo.
DEPÓSITO bém pelo sistema de travagem misto, mostras do ritmo que a R1M permitia
simultâneo dianteira e traseira, que dá impôr mas mostraram-se à altura do CONCLUSÃO
201 KG pelo nome de ‘Unified Brake System’ desafio. A R1M inclui ainda a função de
e que actua na pinça traseira sempre Launch Control que permite um arran- Toda esta sofisticação, quase de moto
PESO que travamos com o travão dianteiro. que perfeito muito útil em competição. de competição/cliente, tem obvia-
No entanto, em circuito e em travagens O circuito do AIP é realmente exigente mente um custo que, se considerarmos
24 495€ mais agressivas vimo-nos obrigados a e obrigou-nos a rodar com alguma todos os seus atributos e os melho-
levar também o pé ao pedal do travão moderação pois de forma alguma ramentos realizados este ano, assim
PREÇO BASE traseiro para ajudar a colocar a moto queríamos arriscar uma queda. No como os componentes em carbono
na trajetória correcta. A R1M tem ainda entanto, permitiu-nos testar o com- que a versão R1M inclui, os cerca de
MOTOR 4 CILINDROS , 4 TEMPOS, DOHC, 4 VÁL. POR controle de Slide ou derrapagem na portamento da R1M em pista e sobre- 25.000 euros podem justificar.
CILINDRO E REFRIGERAÇÃO LÍQUIDA, 998 CC, 200 CV roda traseira que permite uma aborda- tudo a facilidade com que se mudam No entanto, a versão base será certa-
ÀS 13.500 RPM, 112,4 NM ÀS 11.500 RPM INJEÇÃO gem agressiva e controlada em curva os parâmetros de afinação eletrónica e mente uma opção válida e por cerca de
ELE., RIDE BY WIRE, ESACAPE 4 EM 1 EMBRAIAGEM garantindo maior confiança ao piloto. das suspensões, embora para se obter menos 6.000 euros. Se pretenderem
MULTIDISCO EM BANHO DE ÓLEO CAIXA DE 6 VEL., a afinação ótima em circuito requeira sofisticação e exclusividade máxima
TRANSMISSÃO FINAL POR CORRENTE, QUADRO EFICÁCIA EM PISTA algum estudo mais aprofundado das então a R1M é a vossa moto mas te-
DELTABOX EM ALUMÍNIO SUSPENSÃO DIANTEIRA A sessão de cerca de 1 hora permi- diversas opções e o teste das mesmas rão que a encomendar diretamente à
OHLINS INVERTIDA DE 43MM COM REGULAÇÃO ELE., tiu-nos testar algumas afinações em pista até se chegar à afinação per- Yamaha através de um processo de
SUSPENSÃO TRASEIRA MONO AMORTECEDOR OHLINS das suspensões e das várias opções feita para cada um. inscrição que tem acesso neste preciso
COM REGULAÇÃO ELE. TRAVÃO DIANTEIROS 2 DISCOS link https://r1m.yamaha-motor.eu/
DE 320MM COM PINÇAS RADIAIS MONO-BLOCO,
COM ABS ATIVO EM CURVA E SISTEMA DE TRAVAGEM
MISTO, TRAVÃO TRASEIRO COM DISCO DE 220 MM
ALTURA MÁX. 1150MM, ALTURA DO BANCO 860MM
DISTÂNCIA ENTRE EIXOS 1404MM COMPRIMENTO
2055MM CAPACIDADE DO DEPÓSITO 17 LITROS

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STEFANO
MODENA

SUPERSTIÇÕES

E MÁ SORTE

Continuando a falar sobre pilotos italianos que não chegaram Guilherme Ribeiro algumas posses, o que permitiu a Mode-
tão longe quanto prometiam, Stefano Modena foi, talvez, um [email protected] na estrear-se nos karts no início da sua
dos casos mais evidentes de que nem talento, palmarés e adolescência e, em 1978, conseguir o tí-
De facto, uma das particularida- tulo mundial na categoria de Juniores. Ao
dinheiro conseguem estabelecer um piloto nos escalões mais des do desporto automóvel é, mesmo tempo, ganhou numerosas pro-
altos da modalidade se o equipamento não colaborar… precisamente, o binómio ho- vas tanto dentro como fora de portas e foi
mem-máquina, e se uma das Campeão Italiano de 125 cc em 1980 e 1981,
CONHEÇA ESTA E MUITAS componentes falha, não há feitos que lhe granjearam rapidamente a
OUTRAS HISTÓRIAS EM AUTOSPORT.PT grande forma de “dar a volta fama de um dos melhores pilotos da es-
ao texto”. E o caso de Stefano Modena é cola italiana. Assim, ainda com 19 anos,
mais do que exemplar. Interessante no- estreou-se no Campeonato Italiano de
tar que, para alguém tão supersticioso e Formula Ford, rapidamente afirmando-se
dado a coincidências, Stefano Modena como uma das suas maiores promessas,
tenha nascido… em Modena a 12 de maio embora não tivesse conseguido o título
de 1963. Numa cidade que viu nascer Enzo nas duas temporadas em que disputou
Ferrari e que alberga as fábricas da Ma- aquele campeonato, até porque nunca
serati e De Tomaso, rapidamente o jovem deixou de se focar nos seus estudos, di-
Stefano adquiriu um grande interesse pelo plomando-se em secretariado financeiro.
desporto motorizado, muito fomentado Depois de dois anos de aprendizagem
pelo seu pai Leonello. A sua família tinha nos monolugares, Modena deu o passo

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seguinte ao chegar à F3 Italiana em 1985, donos com uma vitória em Vallelunga, a da fisicamente preparado para aguentar fase já tardia da temporada. Modena re-
pilotando para a Euroracing de Giampaolo partir daí o italiano começou a destacar- uma corrida num circuito tão duro como cebeu uma oferta de Ron Dennis, que lhe
Pavanello, que então operava também a -se claramente da restante concorrência Adelaide com a potência brutal dos turbo propôs ser o piloto de testes da McLaren
equipa de F1 da Alfa Romeo. Infelizmente, graças a uma regularidade implacável e BMW e, depois de três paragens para tro- e, pago pela Honda, fazer o Campeonato
a combinação Ralt RT30-Alfa Romeo nun- a mais duas vitórias, em Birmingham e ca de pneus devido a travagens queima- Japonês de F3000, mas Stefano recusou
ca se revelou eficaz e Stefano terminou o Imola, para chegar à última ronda com o das, acabou por ter que encostar na boxe terminantemente, preferindo de longe ar-
ano com boas performances, mas ape- título matematicamente ganho. As suas completamente exausto e abandonar, ranjar lugar numa equipa mais pequena.
nas cinco pontos, decidindo, no entan- performances chamaram a atenção dos ainda antes do meio da prova. Para mui- Talvez tivesse sido o seu maior erro, mas
to, manter a confiança na equipa, ainda ‘patrões’ da Fórmula 1, e a Benetton não tos, isto foi um sinal de fraqueza e de falta atendendo à carreira na Fórmula 1 do piloto
para mais tendo a Alfa Romeo deixado a tardou a convidá-lo para testar, mas seria de força de vontade, já que um estreante que tomou o seu lugar – uma tal promes-
F1 como Construtor no final dessa tem- com a Brabham que o homem de Modena deveria dar sempre o máximo dos máxi- sa italiana de seu nome Emanuele Pirro –
porada. Talvez fruto de um enfoque mui- faria a sua estreia. mos e nunca pensar sequer em desistir. também poderia ter ido perfeitamente dar
to maior na F3 em 1986, Stefano Modena No entanto, uma análise mais racional ao mesmo. E, quando a Brabham confir-
teve uma época muitíssimo mais positiva ALTOS E (MUITOS) BAIXOS do assunto pode muito bem sacudir es- mou que não iria alinhar em 1988, restou
ao volante do Reynard 863-Alfa Romeo, tes preconceitos. Modena era um piloto apenas uma hipótese, que não deixava de
tendo vencido três provas para termi- NA FÓRMULA 1 franzino e, atirado para um carro turbo agradar a Modena – Giampaolo Pavanello
nar em quarto no Campeonato Italiano em corrida no final da época, natural- tinha decidido juntar forças com Walter
de F3, pese alguma irregularidade, mas Depois de ter testado o Benetton ape- mente podia não aguentar o ritmo, o que Brun para criar uma equipa de Fórmula
destacou-se ao terminar em segundo nas após ter garantido o título de F3000, não invalidava que tivesse mentalidade 1, a EuroBrun, que iria alinhar com dois
no prestigiado Grande Prémio do Mónaco Modena foi convidado por Bernie de campeão. carros. Modena ficou com um e o outro
de F3 e, no final da época, ao Vencer a Ecclestone para disputar o G.P. da No entanto, a Brabham estava à venda, já foi para o promissor estreante argenti-
Taça Europeia de F3, sucedendo preci- Austrália ao volante do Brabham-BMW, que Ecclestone queria dedicar-se na tota- no e protegido de Fangio, Óscar Larrauri.
samente a Alex Caffi. Não restavam as- já que o inglês tinha cedido já Riccardo lidade aos seus negócios e à FOCA, e ainda No entanto, se bem que regularmente
sim dúvidas sobre as capacidades do jo- Patrese à Williams para a última prova não havia comprador interessado naquela batendo o argentino em qualificação e
vem piloto que, apoiado pela Marlboro, (substituindo Mansell), já que este tinha
assinou pela Onyx Racing de Mike Earle contrato com a formação de Grove para
para competir na F3000 em 1987. Se no as épocas seguintes. Era uma excelente
primeiro terço da época alternou aban- oportunidade para o jovem rookie se afir-
mar, mas as coisas não correram como
previsto, já que o piloto não estava ain-

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em corrida, Modena rapidamente cons- dio, ironicamente aquele que seria o últi- que tinha feito pouco mais que evoluir o nhado por Harvey Postlethwaithe – que
tatou que o projeto EuroBrun não tinha mo da mítica escuderia fundada por Jack carro do ano anterior e não tinha dinhei- saiu da equipa logo em seguida – nume-
lá muitas condições para ter sucesso, já Brabham no longínquo ano de 1962. No ro para o desenvolver, e o motor Judd V8 rosos sponsors e motores Honda cliente,
que a equipa estava subfinanciada e, com resto da temporada, Modena colecionou continuava a ser pouco fiável e potente e, com as especificações de 1989.
motores atmosféricos e numa grelha cada 11 abandonos em 16 provas, mas as suas mais uma vez, Modena colecionou aban- Infelizmente, desde cedo que se notaram
vez mais preenchida, estava condenado performances estavam em conformida- donos, não indo mais além de um séti- falhas de comunicação entre a equipa
a lutar pelos últimos lugares. O seu me- de com as do muito mais conceituado e mo posto no Canadá com o carro novo, inglesa e os técnicos da Honda, e o carro
lhor resultado seria um 11º lugar no G.P. experiente Martin Brundle, o que mos- fechando assim a época apenas com os ficou também demasiado pesado, o que
da Hungria mas, sem o desenvolvimen- trou, evidentemente, que Modena era dois pontos ganhos nos EUA. anulava em parte o efeito da potência do
to esperado, os EuroBrun passaram a ter um diamante cada vez mais polido. No No final de 1990 a Brabham estava nova- novo motor quando comparado ao Ford
grandes dificuldades para se qualificarem entanto, o piloto italiano refere que, ao mente à venda, e especulou-se aberta- dos anos anteriores. Ainda assim, Stefano
na ponta final do campeonato, e Modena lado de Brundle, aprendeu muito do que mente que Modena poderia ser o substi- aproveitou a elevada taxa de abandonos
falhou por quatro vezes a qualificação. lhe seria útil para a sua restante e curta tuto de Nigel Mansell na Scuderia, mas no nos EUA para terminar em quarto, e em
A sua cotação ainda estava em alta, e em carreira na Fórmula 1. final o lugar foi para o francês Jean Alesi, San Marino rodava em terceiro quando o
1989 foi convidado para integrar a regres- Ironicamente, Joachim Luthi, tal como que havia brilhado com a Tyrrell em ape- motor quebrou. Se estas performances
sada Brabham, que havia mantido prati- muitos homens de negócios que inves- nas ano e meio de competição. Não que tiveram o seu quê de sorte à mistura, no
camente a mesma estrutura, mas agora tiram na Fórmula 1 em finais de anos oi- Modena estivesse propriamente ansioso Mónaco Modena qualificou-se num es-
sob a batuta do suíço Joachim Luthi, ao tenta e inícios de noventa, não tinha pro- por pilotar um dos carros da Ferrari, já que petacular segundo lugar, e segurou esse
lado de Martin Brundle. Com pneus Pirelli, priamente o seu dinheiro alicerçado em a equipa de Maranello e as suas constan- lugar atrás de um inalcançável Ayrton
tanto Modena como Brundle brilhavam esquemas 100% legais, e ainda antes do tes guerras políticas internas contrasta- Senna ao longo de grande parte da prova,
em qualificação, e por oito vezes o ita- final da época foi parar à prisão, deixando vam com o temperamento extremamente até que, uma vez mais, o motor quebrou. A
liano qualificou-se no top 10. No entanto, a equipa em pantanas. A gestão interina reservado e até distante de Modena. Outra recompensa chegou, finalmente, ao cabo
o Brabham BT58-Judd não era nem fiá- da equipa manteve Modena para 1990 hipótese era a Benetton, mas Piquet in- de uma performance brilhante no Canadá,
vel nem rápido, e só no Mónaco a equipa mas teve que arrancar a nova temporada fluenciou fortemente a equipa no sentido que lhe deu o segundo lugar, mas na se-
conseguiu uma exibição brilhante, ten- com o BT58, que ainda assim se mostrou de contratar o seu compatriota e amigo gunda metade da época a incapacidade de
do ambos os carros a rodar em terceiro suficientemente eficaz para que Modena Roberto Moreno, por isso Modena não desenvolver o carro deixou a Tyrrell cada
e quarto quando um cabo da bateria do marcasse dois pontos, graças a um quin- conseguir chegar às ‘grandes’. Ainda as- vez mais vulnerável no meio do pelotão,
carro de Brundle se soltou, obrigando-o to lugar na prova de abertura nos Estados sim, conseguiu uma possível promoção na e Modena só voltou a pontuar com um
a uma longa paragem. Modena herdou o Unidos. A estreia do BT59-Judd na tempo- carreira quando assinou pela Tyrrell para sexto lugar no G.P. do Japão, ainda assim
terceiro lugar e levou o seu Brabham até rada europeia só deixou bem evidentes as substituir Alesi. Mais uma vez, a equipa do terminando a temporada em oitavo no
ao fim, conseguindo o seu primeiro pó- carências monetárias da equipa inglesa, ‘Tio Ken’ conseguiu um bom carro dese- campeonato, com 10 pontos.

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Novamente sem lugar numa equipa de damente se deteriorou dentro da Jordan. ção provou ser algo difícil e os resulta- desta vez com a JAS Motorsport, mas o
ponta em 1992, Stefano Modena assi- Modena voltou a falhar a qualificação na dos tardaram a aparecer daí que, apesar 155 TS era um carro já muito datado, e os
nou pela Jordan, que tanto brilhara no seu Alemanha e em Itália e a sua sorte já es- de uma regularidade excelente, Stefano resultados foram uma desilusão, o que
ano de estreia em 1991. A caminho dos 29 tava traçada quando, na última ronda da não conseguiu ir mais além que sexto ao só agravou ainda mais a desmotivação
anos, decerto que Stefano esperava ter época, na Austrália, o piloto italiano conse- volante do seu BMW 318i, terminando o de Modena. Porém, ele ainda perseverou
finalmente um monolugar que lhe per- guiu o sexto lugar, a melhor performance campeonato em 12º. Porém, em 1994, a e, em 1998, com o novo 156 e de regresso
mitisse andar regularmente na luta pelos e o único ponto da época para a Jordan. No Euroteam trocou os carros bávaros pelos à Euroteam, deu o seu melhor no STW,
pontos, à imagem de de Cesaris e Gachot entanto, o homem de Modena estava fora Alfa Romeo 155 TS e Modena rapidamente mas a época foi ainda pior, fruto de vá-
no ano transato, mas Eddie Jordan tinha, da Jordan e, completamente desmotiva- teve andamento para lutar pelos lugares rias falhas no desenvolvimento do carro,
entretanto, assinado um contrato com a do por não arranjar um lugar competitivo da frente, conseguindo uma vitória em só escapando dois excelentes resultados
Yamaha para o fornecimento de motores na Fórmula 1, deixou de vez a categoria. Vallelunga logo no início da época, ape- no final do ano, quando disputou as ron-
V12 de fábrica que, de imediato, se reve- sar de um conjunto de falhas mecâni- das de Monza do Campeonato Italiano.
laram assustadoramente pesados, lentos OCASO NOS TURISMOS cas atrapalharem a primeira metade da Na mesma equipa e com o mesmo carro,
e pouco fiáveis. E, a partir daqui o ano de temporada. Na segunda metade, o piloto os resultados melhoraram significativa-
Modena foi sempre a descer. Não se quali- Modena ainda não contava 30 anos quan- foi presença habitual nos pontos e voltou mente em 1999 e Modena conseguiu pra-
ficando na primeira prova na África do Sul, do teve que pensar num novo rumo a dar a vencer por mais duas vezes, para con- ticamente o dobrodos pontosdoano an-
e poucas semanas depois, em Espanha, à sua vida, e o próprio assumiu, anos mais seguir um bom sexto lugar final, com 116 terior, mas ainda assim o Alfa Romeo não
o que deixou Modena cada vez mais sob tarde, que talvez só tivesse continuado a pontos, ao mesmo tempo que era convida- era máquina para os Audi, Opel e Honda,
pressão, ao mesmo tempo que a péssima pilotar porque não se imaginava a fazer do pela equipa oficial da Alfa Romeo para e mesmo sendo o melhor piloto da Alfa, o
fiabilidade do carro o desmotivava. Esta qualquer outra coisa. Com a F1 fora de hi- disputar as últimas rondas do ultra-co- melhor que conseguiu foram três quar-
conjuntura só o tornou mais distante e pótese e os Sport-Protótipos moribundos, meptitivo DTM. Com o Alfa Romeo 155 V6 tos lugares. Com o STW a ser substituído
frustrado com a equipa, e mais propenso Modena decidiu passar, tal como muitos Ti oficial, Modena mostrou ao que vinha e pelo regressado DTM em 2000, Modena
a erros e a forçar em demasia a mecânica dos seus conterrâneos, para os turis- venceu ambas as provas da jornada dupla manteve-se na Euroteam, que iria ali-
para tentar compensar a falta de veloci- mos, assinando com a BMW Euroteam de estreia, em AVUS, conseguindo ainda nhar com os Opel Astra V8 Coupé, mas
dade do carro, pelo que o ambiente rapi- para disputar o Campeonato Italiano de mais um duplo pódio em Singen. mais uma vez este carro estava longe das
Superturismos. No entanto, a adapta- Deste modo, Modena optou por dispu- performances dos Mercedes e dos Audi
tar em 1995 o DTM e o nascente ITC, mas e a Euroteam não era a equipa principal,
para seu desapontamento, não foi es- por isso a maior parte da época resultou
colhido para ficar na equipa principal da em vários abandonos e resultados mui-
Alfa Romeo, mantendo-se ao volante to abaixo do valor do piloto, só conse-
dos carros de Arese, mas de regresso à guindo finalmente destacar-se com um
Euroteam. A fiabilidade deixou bastante quarto lugar em Hockenheim, a última
a desejar e a temporada no DTM foi uma ronda do ano.
desilusão total, embora no ITC ainda se Desta vez já não havia volta a dar para
‘safassem’ algumas prestações regulares o veterano Modena. A idade já pesava, a
nos pontos, tendo como melhor resulta- motivação depois da F1 não mais fora a
do o segundo lugar em Hockenheim. O mesma e, sem carros competitivos em
DTM e o ITC fundiram-se para a tempo- perspetiva e não querendo repetir um
rada de 1996, tentando assim recriar um ano como o de 2000, Modena optou por
possante campeonato de turismos, mas retirar-se em definitivo do desporto mo-
Modena ficou na mesma na Euroteam, e torizado, tornando-se piloto de testes
os resultados ficaram claramente abaixo da Bridgestone, posição que ocupa até
do esperado, andando pelo fim dos luga- aos dias de hoje. Casado com a princesa
res pontuáveis à exceção de três pódios, Sveva Altieri e radicado em Roma, Stefano
para terminar num distante 12º lugar no Modena divide a sua vida entre a família e
campeonato. Porém, o ITC era uma ver- esta ligação ao desporto. Talvez o grande
dadeira bolha e, com os custos a disparar problema de Modena fosse precisamente
e o desinteresse de alguns construtores, o o seu temperamento reservado, que não
campeonato morreu na praia, e a princi- o tornava atrativo para os sponsors e di-
pal categoria alemã passou a ser o STW, ficultava a sua integração nas equipas,
disputado segundo os regulamentos mui- porque com quem ele privou afirma que
to mais acessíveis dos Superturismos. se tratava mesmo de um dos pilotos mais
Modena manteve-se ligado à Alfa Romeo, rápidos da sua geração.
Além disso, Stefano era extremamente
supersticioso, recusando-se a ter o seu
carro no lado esquerdo da garagem, e não
deixando alguém tocar no carro quando
estava já no seu interior aparte o mecâ-
nico que lhe apertava os cintos, por isso
não foram raras as vezes em que Modena
saiu do carro ao mínimo toque, para voltar
a sentar-se no cockpit.
E usava as luvas viradas do avesso, algo
que ele ainda hoje diz que nunca se tra-
tou de superstição, mas sim de motivos
práticos…
Sem dúvida uma personalidade estranha,
mas um piloto brilhante.

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Rali da Catalunha de 1995 ficará também provocou uma quantidade de
danos colaterais. A ideia de Colin McRae
RALI DA CATALUNHA 1995 parasempregravadonosanais e Carlos Sainz juntos na mesma equipa,
dos ralis como o ano em que a quando ambos tinham aspirações a ser
FIA descobriu uma das fraudes campeões mundiais de ralis no final da
mais elaboradas da história do época, era o quadro no qual o drama iria
Odesportomotorizado,quelevou ser inevitável. E assim foi! No final da se-
a Toyota a ser banida das competições gunda etapa do Rali da Catalunha, Sainz
internacionais de ralis por um ano. Mas, liderava com oito segundos de vantagem
sobre Colin McRae, na frente do Toyota de
POLÉMICA pordetrásdascortinas,foitambémuma Didier Auriol, com o Subaru de Piero Liatti
um minuto atrás. O diretor e team mana-
E ALDRABICE provaemqueumintriganteconjuntode
ordens de equipa foi dado, o que envolveu
não só os resultados finais da prova, mas

Para lá da ‘marosca’ da Toyota que redundou em forte castigo,
o Rali da Catalunha de 1995 ficou também marcado pela

polémica entre Colin McRae, Carlos Sainz e David Richards…

Martin Holmes com Guilherme Ribeiro
[email protected]

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ger da Prodrive, David Richards (DR), de- cutir a situação com o Carlos mas ele iria Colin não iria abrandar o seu ritmo nas tempo e vencido o rali o meu contrato não
lineou a situação: “Acordamos que, assim obviamente beneficiar com as ordens de especiais, enviaram dois dos mais ex- estaria ali para o ano seguinte – ou até
que resolvermos a ameaça do Didier, Car- equipa, por isso não quis saber. À partida perientes managers, Nigel Riddle e John para o rali seguinte. Era uma chamada de
los será autorizado a vencer este rali. Esta do último dia, a minha mente estava deci- Spiller, para ficar perto do fim da última atenção que não me podia dar ao luxo de
medida destina-se a proteger a situação dida. Eu iria tentar e vencer o rali. Quando especial, organizando uma paragem con- ignorar. Tive que pensar muito bem nas
da Subaru na luta pelo título de Constru- o Carlos percebeu que eu estava na luta trolada e mostrando a Colin exatamente o consequências de confirmar a vitória e,
tores, mas também ajudará a tornar o Rali respondeu de imediato, e foi uma luta real tempo que teria que esperar até terminar mais uma vez, desafiar descaradamen-
RAC num momento desportivo particu- entre nós. Ele sabia que eu não tinha con- a especial. Contudo, Colin não parou por te David Richards. Eventualmente, o meu
larmente interessante para ambos. E, tam- cordado com as ordens de equipa e que eles. Ele queria que o público visse que pai persuadiu-me a seguir as instruções.
bém, ajudará a persuadir o Carlos de que não iria abrandar. Se ele não me conse- nos tempos das especiais ele era o piloto Controlámos um minuto mais tarde, e en-
a nossa equipa não está sempre a tentar guisse bater, teria que confiar na equipa mais rápido - terminando as etapas com treguei a vitória ao Carlos.”
trabalhar contra ele, como ele supõe!” para trocarmos posições antes do final. nove segundos de vantagem sobre Sainz Mas, por detrás deste cenário, muito mais
Na sua autobiografia, Colin disse poste- Eu assumi o comando e tinha todas as - e qualquer ajuste seria feito nos restan- estava em jogo além da vitória no Mundial
riormente que “estava um Campeonato de intenções de lá ficar até ao fim.” tes controles. De novo Colin: “Era decerto de Pilotos. Nos dias anteriores à prova,
Construtores, assim como um de Pilotos, pedir-me demasiado naquele dia. Estava Carlos disse que queria deixar a Subaru
em jogo, e Richards não queria que tomás- ESCREVER DIREITO… determinado a ir até ao fim e (o meu co-pi- para assinar com a Toyota em 1996, daí
semos riscos desnecessários. Uma ordem loto) o Derek (Ringer) apoiava-me clara- que Richards estava a tomar medidas de-
de equipa nunca é discutida e decerto eu POR LINHAS TORTAS mente. Ele disse-me para prosseguir e eu sesperadas para Carlos não comprometer
não concordei com ela. Davdi Richards Mas a equipa estava segura nas suas fi-lo. Eu sabia que eles poderiam ainda dar o seu futuro com outra equipa. Este caso
simplesmente impôs-se, disse-me que intenções. Quando eles perceberam que a vitória ao Carlos mantendo-nos para- fez-me pensar no que se teria passado
aquela era a forma como as coisas iriam dos para passar o controle atrasados, mas que era tão importante para a confiança
ser e que eu teria de abrandar. Não conse- essa era uma opção menos bonita e eles de Sainz, e porque é que Sainz necessitava
gui aceitar porque era injusto. Ali estavam teriam de a evitar. David Ricahrds estava de uma demonstração de apoio tão visível
dois pilotos com iguais oportunidades de à minha espera e não me lembro sequer por parte da equipa para eventualmente
lutar pelo título mundial, e eu senti que de o ver tão zangado. E eu nem sequer ti- decidir renovar contrato. Quando Sainz
ambos estávamoscomdireitoalutar por nha danificado o carro! Ele não estava com anunciou que iria para a Toyota, apesar
ele. Não havia nada ali (entre nós). O Carlos disposição para qualquer tipo de humor. dos esforços amáveis da Subaru para aju-
estava apenas oito segundos na minha Tinha o resultado nos Construtores que dar o espanhol a conquistar um terceiro
frente após o final da etapa e eu acredi- queria, mas não estava satisfeito porque título mundial, pode imaginar-se como é
tava que podia vencer. Isso deixar-me-ia eu tinha desafiado as ordens de equipa e que Richards e McRae se sentiram. Teria
com cinco pontos de vantagem à partida toda a gente o sabia. Ele perguntou-me o a ordem de manter posições sido dada
do RAC. Conseguia ver o campeonato ao que eu iria fazer sobre o assunto e eu disse: se Carlos tivesse assinado com a Toyota
longe e queria-o – ou pelo menos uma ‘Vou controlar e vencer o rali.’ Obviamente antes da largada? Não confiava suficien-
hipótese desportiva de lutar por ele. Não esta não era a resposta que ele queria e temente Carlos na Subaru para desejar
me parecia estar a pedir muito. Tentei dis- disse-me: ‘Se fosse a ti, pensaria muito ficar com eles? Era a pior situação para
seriamente nessa decisão.’ Ele também um team manager. Richards trabalhou
falou com o meu pai e a ameaça era bem no sentido de dar um título a um dos seus
clara. Penso que se tivesse controlado a pilotos, apenas para Sainz planear sair
no final de 1995 e, assim, perder todas as
hipóteses de publicitar qualquer sucesso
que ele conseguisse.
Depois, havia a questão dos patrocina-
dores. Na Finlândia (duas provas antes da
Catalunha), Richards disse aos jornalistas
que as negociações com a Repsol tinham
sido confirmadas, já que ele esperava que
Sainz se mantivesse na equipa em 1996.
Contudo, Sainz suspeitava da agenda de
Richards e sentia a sua posição precária,
que seria Sainz ser Campeão do Mundo e
depois deixar a equipa, o título teria mui-
to menos valor para a Subaru. Mas, tendo
em conta a crise da Toyota que rebentou
na Catalunha, Sainz e McRae tornaram-
-se nos únicos pilotos capazes de vencer
o título na última ronda, o Network Q RAC
Rally. Sainz liderou o rali em Inglaterra no
segundo e terceiro dias, mas nas condi-
ções sombrias do último dia McRae des-
tacou-se e venceu o rali com 36 segun-
dos de avanço, conquistando o título por
cinco pontos. A Subaru conquistou o seu
primeiro 1-2-3 no WRC, assim como o
Mundial de Marcas e de Pilotos, mas per-
deu Carlos Sainz. E, sem a oportunidade
de assinar pela Toyota, Sainz partiu para
a Ford em 1996 e levou o patrocínio da
Repsol com ele.

+44

NISSAN Filipe Pinto Mesquita no e arejado. Na versão N-CONNECTA
[email protected] 18’’, o nível de equipamento é já bastante
» QASHQAI 1.2 DIG-T N-CONNECTA 18’’ completo, com destaque para o “Escudo
Com resultados de vendas mui- de Proteção Inteligente – Drive Assist
LÍDER TENTA SORTE A GASOLINA to mais expressivos nas mo- Pack”, onde se pode encontrar uma série
torizações diesel, mas com os de funcionalidades que ajudam condutor
Líder no mercado mais apetecível dos últimos anos mercados e o mundo a começar e passageiros a sentirem-se mais segu-
(SUVs/Crossovers), mas cercado por feroz concorrência, o a olharem para os motores a ga- ros: Alerta Inteligente de Manutenção de
Nissan Qashqai soube, mais uma vez, reinventar-se e dar solina com outros olhos, a ver- Faixa, Identificador de Sinais de Trânsito,
resposta à altura. Resta saber se a versão a gasolina 1.2 são 1.2 DIG-T do Nissan Qashqai também Sistema de Faróis Inteligente, Sistema
DIG-T N CONNECTA 18, menos amada que a diesel, está ganha protagonismo e começa a suscitar Inteligente Anticolisão com deteção de
apta para entrar no “campeonato da popularidade”… interesse. Mas será que vale a pena? peões e retrovisor interior anti-encadea-
Para já uma certeza: mantendo uma ex- mento automático são itens oferecidos a
LEIA MAIS ENSAIOS E ACOMPANHE celente posição de condução, sobrelevada, custo zero. Depois, a tecnologia a bordo
TODAS AS NOVIDADES EM AUTOSPORT.PT que faculta uma ótima visibilidade, com não dispensa Câmara Inteligente de Visão
umtejadilhopanorâmicoemvidropropício 360⁰, Botão Start/Stop, Audio Streaming
a ‘curtir’ os tímidos raios de Sol próprios via Bluetooth e Chave Inteligente. Como
da época, que parece dar a sensação de está indicado no próprio nome da ver-
estarmos na presença de um carro ainda são, as jantes de liga leve de 18’’ também
maior, estão reunidas todas as condi- compõe o conjunto, tal como logótipo
ções para passar bons momentos a bordo. NISSAN em 3D, enquanto no habitáculo,
Tanto mais que as melhorias operadas os bancos Monoform, os estofos em te-
no habitáculo também saltam à vista, cido N-CONNECTA e o revestimento dos
com um espaço interior mais moder- puxadores interiores das portas em PVC

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tornam esta versão mais especial e rica FT/ F I C H A T É C N I C A sões e jantes de 18’’ mais aerodinâmicas, dinâmica, mas a firmeza da suspensão
em termos de equipamento. dão ao conjunto um ar mais elegante. favorece agora mais o comportamento,
Melhor ou pior equipado, o Qashqai não 1.2 / 115 CV Resta perceber o que vale a dinâmica do que o conforto.
renega nunca a sua vocação familiar, ex- do Qashqai 1.2 DIG-T, a versão gasolina, Nota negativa merece o sistema de ar-
plorada, por exemplo, na oferta de diversas GASOLINA nitidamente menos popularizada que ranque assistido em subidas, que acaba
funcionalidades de arrumação, mas tam- a equivalente a diesel. Com 115 cv de por criar mais dificuldades do que facilitar
bém na modularidade dos bancos trasei- 10.6 S potência e 190 Nm de binário, o ‘coração’ a vida ao condutor, dada a sua lentidão
ros, rebatíveis na configuração 60/40 ou deste Qashqai não sofre de bradicardia, em termos de desativação nos momen-
na totalidade, o que estica a capacidade 0-100 KM/H mas está longe de ter um desempenho tos-chave.
da bagageira dos 430 para os 1598 litros. vigoroso e excitante. Linear na subida de Em resumo, não restam dúvidas que a
Aliás, a mala inclui um sistema de com- 5,6 L / 7,4 L (AUTOSPORT) regime e até bastante elástico, o motor renovação do Qashqai permitiu reco-
partimento de bagagem flexível, bastante aparece penalizado por relações de caixa locar o mais vendido Crossover/SUV
interessante, com ajuste de prateleiras e 100 KM demasiado longas, o que, é certo, favorece dos últimos anos na ‘crista da onda’.
18 configurações diferentes de divisores. os consumos (5,6 l/100 km anunciados Modernização da imagem, reforço da
De dentro para fora, também se perce- 129 e 7,4 l/100 km realísticos), mas também segurança e equipamento, na versão
be a renovação da imagem do Qashqai tira brilho às performances e à agradabi- N-CONNECTA, são trunfos a considerar.
(que cresceu 17 mm, medindo agora 4394 G/KM- CO2 lidade de condução, até porque o Qashqai Mas na versão a gasolina, 1.2 DIG-T, o
mm) com subtis mas eficazes alterações já pesa 1330 kg. Ainda assim, o modelo Qashqai ainda tem dificuldade em com-
operadas em termos de carroçaria: novos 25 150€ COM CAMPANHA nipónico cumpre perfeitamente os ‘mí- bater o populismo da motorização diesel,
pára-choques dianteiro e traseiro (com nimos olímpicos’ para quem procura um mais eficiente em muitos aspetos dinâ-
inserções prateadas no avental inferior), (29.150€ PREÇO SEM CAMPANHA) automóvel cuja dinâmica não é a priori- micos e naturalmente nos consumos,
novo desenho para as entradas de ar, dade, mas não tem a ‘simpatia’ do ‘irmão’, mas também mais cara 2.900 €.
faróis de nevoeiro em posição mais baixa e EQUIPAMENTO / PREÇO / DINÂMICA cujo superior binário lhe permite outra Num ou noutro caso, o Qashqai pode
luzes de “boomerang” de maiores dimen- desenvoltura a velocidades mais baixas. beneficiar de um desconto que a Nissan
ARRANQUE ASSISTIDO EM SUBIDAS / Ainda assim, referência positiva merece designa por ‘Prémio Tecnologia’ que na
RELAÇÕES DE CAIXA a direção cuja transparência fortalece a versão N-Connecta chega aos 3.000 €
empatia com a estrada, meio caminho e pode ainda beneficiar de 1.000 € de
MOTOR 4 CIL., INJ. DIRETA, TURBO, andado para que a segurança e o conforto desconto de retoma.
1197 CM3 POTÊNCIA 115 CV / 4500 da condução saiam privilegiados. Neste Ora, contas feitas, um Nissan Qashqai 1.2
RPM BINÁRIO 190 NM / 2000 RPM capítulo, a Nissan voltou a encontrar DIG-T por 25.150 € não se pode dizer que
TRANSMISSÃO DIANTEIRA, CX. MANUAL 6 um bom compromisso entre conforto e não seja atrativo!
VEL. SUSPENSÃO INDEPENDENTE À FRENTE
E EIXO DE TORÇÃO ATRÁS TRAVAGEM DV/D
PESO 1331 KG MALA 430 LITROS (ATÉ
1598 LITROS) DEPÓSITO 55 LITROS VEL.
MÁX. 185 KM/H

+

RENAULT

» GRAND SCÉNIC DCI 110 HYBRID ASSIST

A CAMINHO DO FUTURO

Numa época em que a hibridização surge como o passo
intermédio, a Renault só agora estreia a tecnologia, introduzindo-a
na Grand Scénic. A qual, graças ao incremento eléctrico, ganha
desenvoltura, melhores consumos e um preço mais acessível - o
que pode bem ser o primeiro passo rumo a um outro futuro

Francisco Cruz no portão traseiro. Ou, quando observado agora uma divisão 60/40. Ajustando em novo porta-luvas, idêntico ao do Captur; a
[email protected] o interior, através do pequeno indicador profundidade, além de reclinando e re- consola central deslizante entre os lugares
de consumo elétrico e de recuperação batendo as costas, de forma a facilitar o da frente; já para não falar numa bagageira
Até aqui mais conhecida pela de energia, localizado no canto superior acesso à terceira fila. Esta, constituída por a anunciar 596 litros, quando com apenas
aposta declarada na mobilidade esquerdo, ao lado do velocímetro. dois bancos individuais, mostra-se não só cinco lugares em uso, e onde não falta
100% elétrica, a Renault decidiu E já que falamos do interior, referência, fácil de montar/desmontar, como tam- sequer um alçapão e lugar específico para
fazer uma ligeira travagem na igualmente, para a melhoria clara, prin- bém mais vocacionada para ocupantes arrumar a chapeleira, extensível.
evolução (galopante) do auto- cipalmente, nos revestimentos, acom- mais pequenos, devido ao pouco espaço. De resto, óptimo é também equipamento
móvel, dando a conhecer aque- panhada de uma maior atenção ao por- E se o conforto é elevado, a funcionalidade de série que esta versão Hybrid Assist
le que é o seu primeiro modelo híbrido: menor. não o é menos, com o novo Grand Scénic a garante, a começar, no domínio da se-
a Renault Scénic dCi 100 Hybrid Assist. Perceptível, por exemplo, num tablier do oferecer um total de 63 espaços de arru- gurança e da ajuda à condução.
Basicamente, uma variante alternativa qual se destaca um painel de instrumen- mação no habitáculo, com destaque para o Não faltando sequer o alerta de fadiga do
do famoso monovolume francês, que, tos digital e cujo layout muda consoante
conjugando um motor a diesel com um o modo de condução escolhido - Sport,
sistema elétrico de 48V, garante presença Comfort, Eco, Neutral e Perso - no Multi-
condigna, num segmento em que a marca Sense, mas principalmente o já conhecido
ainda não tinha sequer representante. e enorme ecrã digital táctil (8,7”) do R-Link
E onde quase não tem rival direto! 2, central de comando para praticamente
No entanto, e apesar de se tratar de uma tudo o que diz respeito ao automóvel.
versão menos poluente, poucos são os Tecnologicamente evoluído, o Grand
elementos estéticos que o denunciam, Scénic é também extremamente confor-
com esta versão Hybrid Assist a distin- tável, graças a bancos dianteiros iguais aos
guir-se, exteriormente, apenas através da Espace, e apesar de com os da segunda
da assinatura “Hybrid Assist” colocada fila, de fácil acesso, já não individuais - têm

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47

FT/ F I C H A T É C N I C A

condutor, alerta de transposição involun- Facto que, ainda assim, não chega a ser Mas que também convida à descontrac- 1.5 / 110 CV
tária da faixa de rodagem, reconhecimen- desagradável, numa proposta de desem- ção na condução, aproveitando a vocação
to de sinais de trânsito, sistema de ajuda penho claramente familiar, até mesmo da suspensão para o conforto, ao mesmo HÍBRIDO
ao estacionamento dianteiro/traseiro pelo facto de pagar apenas Classe 1 nas tempo que contribuímos para os excelen-
com câmara de marcha-atrás e sistema portagens. tes consumos... 12,4 S
de travagem de emergência ativa com
deteção de peões. Ou os 5 anos de garantia. 0-100 KM/H
Convincente mostrou ser também a
conjugação entre o conhecido 1,5 litros 3,6 L
turbodiesel de 110 cv e 260 Nm, e o sistema
elétrico composto por um pequeno motor 100 KM
elétrico de 10 kW, apoiado por uma bateria
de iões de lítio de 48V. Cujo carregamento 94
se faz apenas e só com o aproveitamento
da energia desperdiçada na travagem e G/KM- CO2
na desaceleração, a qual é depois utilizada
para garantir mais ânimo (15 Nm mais) nas 35 920€
acelerações, sem prejuízo de consumos ou
emissões - a demonstrá-lo, os 5,0 l/100 (PREÇO DA VERSÃO ENSAIADA)
km obtidos, por nós, como média.
E sem quaisquer cuidados, mas apro- HABITABILIDADE / CONSUMOS /
veitando as capacidades de um sistema SISTEMA HÍBRIDO
propulsor que é também pouco ruidoso,
fazendo-se notar bem mais pela forma COMPORTAMENTO MUITO FILTRADO /
como se sente a desaceleração. SISTEMA DE TRAVAGEM AUTÓNOMA /
SEGUNDA FILA SEM BANCOS INDIVIDUAIS

MOTOR 4CIL., EM LINHA,
TURBOCOMPRESSOR DE GEOMETRIA
VARIÁVEL, INTERCOOLER E INJEÇÃO DIRETA
COMMON-RAIL 1461 CM3 POTÊNCIA 110
CV / 4000 RPM (14 CV DO MOTOR ELÉ.)
BINÁRIO 260 NM / 1750 RPM (15 NM DO
MOTOR ELÉ.) TRANSMISSÃO DIANTEIRA,
COM CX. MANUAL DE 6 VEL. SUSPENSÃO
TIPO MCPHERSON COM MOLAS
HELICOIDAIS À FRENTE E MULTI-LINK COM
MOLAS HELICOIDAIS ATRÁS TRAVAGEM
DVD PESO 1615 KG MALA 533 L (189 LITROS
COM TRÊS FILAS DE BANCOS) DEPÓSITO 53
L PESO 1615 KG MALA 533 L (189 LITROS
COM TRÊS FILAS DE BANCOS)

E/ Dando cumprimento ao estabelecido no n° mais importantes provas de desporto au- leitores uma informação atual, rigorosa abordagem e de análise dos factos noti-
1 do artigo 17° da Lei 2/99, de 13 de Janeiro, tomóvel disputadas em território nacional e de qualidade, opinando sobre tudo o ciosos, com total abertura à interatividade
ESTATUTO Lei da Imprensa, publica-se o Estatuto e no estrangeiro, relata acontecimentos que se passa na área do automóvel e dos com a sua comunidade de leitores. 4. O
EDITORIAL Editorial da publicação periódica AutoSport: ligados à competição automóvel, bem como automobilistas, numa perspetiva plural, re- AutoSport pratica um jornalismo pautado
1. O AutoSport é um semanário dedicado temas que versam o automóvel como bem cusando o sensacionalismo e respeitando pela isenção, sem comprometimentos
ao automóvel e aos automobilistas, nas de consumo, tanto na área industrial como a esfera da privacidade dos cidadãos. 3. ou enfeudamentos, tendo apenas como
suas mais distintas vertentes: desporto e comercial. O AutoSport pauta as suas opções edito- pressuposto editorial facultar a melhor
competição, comércio, indústria, segurança 2. O AutoSport está comprometido com riais por critérios de atualidade, interesse informação e a melhor formação aos seus
e problemática rodoviária. O AutoSport o exercício de um jornalismo formativo e informativo e qualidade, procurando apre- leitores, seguindo sempre as mais elemen-
edita, semanalmente, conteúdos sobre as informativo e procura oferecer aos seus sentar aos seus leitores a mais completa tares normas deontológicas.

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ANÚNCIOS. EDIÇÃO ESCRITA AO ABRIGO DO NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO. CONTACTO [email protected]


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