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Published by hmilheiro, 2017-12-18 11:07:28

AutoSport_2086

AutoSport_2086

#2086 O SEMANÁRIO DOS CAMPEÕES 40
ANO 40
anos
20/12/2017
>> autosport.pt
2,35€ (CONT.)

DIRETOR PEDRO CORRÊA MENDES

O MELHOR E MAIS
FORTE DO ANO

FORÇA MENTAL
NUNCA VISTA

GRANDE REAÇÃO
À DERROTA
DE 2016

DHEAMSMEEMILLHTPOORNRE

confirmado +

NOVO VOLVO XC40

PÁG. 42

FÉLIXDACOSTA KAWASAKI Z900 RS

NAS24 HORASDELEMANS



3

I/ I N S TA N TÂ N E O SIGA-NOS EM EDIÇÃO

#2086
20/12/2017

f l> > a u t o s p o r t . p t
facebook.com/autosportpt twitter.com/AutoSportPT

LUTA Numa altura em que se estão perto de cumprir quatro anos do seu acidente, nunca é demais lembrar que Michael Schumacher José Luís Abreu
continua a sua luta, e entre muitas outras coisas, não pode ver o seu filho Mick Schumacher a crescer como piloto...
DIRETOR-EXECUTIVO
S/ SEMÁFORO EM DIRETO
[email protected]
PARADO A ARRANCAR A FUNDO “Eu era mais rápido que ele.
Consegui muito mais, não A final, e depois de alguns
500 Milhas Granja Reações muitos Kalle Rovanperä sei se ainda sou mais rápido receios iniciais, não só
Viana no Brasil positivas às confirmado na equipa agora, mas acho que sim!” o WEC 2018/2019 pare-
terminaram com ce estar a preparar-se
alterações feitas pela oficial da Skoda Esteban Ocon, ‘mortinho’ para para ter uma boa tem-
violentos confrontos FPAK nos calendários no WRC2. O top da reeditar as fabulosas lutas que tinha porada, como o futuro
físicos entre as disciplina está cada com Max Verstappen na Fórmula 3 da disciplina pode vir a ser bem
que já foram vez mais perto… melhor que foi há uns anos. Quando
equipas que lutavam divulgados para 2018 “McLaren com o mesmo a Porsche anunciou a sua saída,
pela vitória. Ao que motor que nós? Isso trará já depois da Audi, temeu-se pela
pressão, de certeza, mas competição, mas a verdade é que
isto chegou… esperamos que seja pressão depois do que se discutiu e ficou a
positiva. É um facto que saber nos últimos dois meses tudo
O SEMANÁRIO DOS CAMPEÕES NA ERA DIGITAL temos que vencer”, Alain faz pensar que afinal o futuro pode
ser risonho.
Prost, que terá na McLaren um ‘belo’ Com as novas regras, os mundiais
farol em 2018 de Fórmula 1 e Ralis parecem ter
tido um bom empurrão em termos
“Não estaria aqui no próximo de espetáculo, e por isso o que se
ano se não tivesse apetite está a preparar para lá de 2019 no
para vencer. Eu quero estar WEC convém ser bem pensado,
na F1” Kimi Raikkonen, está porque faz muita falta um WEC for-
te - escusado será referir Le Mans,
afastado das vitórias desde o GP da prova que tal como o Dakar vive
Austrália de 2013, mas, assegura por si só. Mas nos tempos em que
que ainda tem o que é preciso para tivemos três marcas fortes a lutar
vencer em pista - Audi, Toyota e Porsche -
o WEC estava bem, mas o problema
Siga-nos nas redes sociais e saiba é que o mal - os custos – já estava
tudo sobre o desporto motorizado no feito. Há consecutivos exemplos
computador, tablet ou smartphone via do encolher de ombros da FIA às
facebook (facebook.com/autosportpt), escaladas de valores. Será assim
twitter (AutosportPT) ou em tão difícil criar regulamentos que
>> autosport.pt o impeçam? Para já a super-época
de 2018/2019 do WEC está a ganhar
número, e não se espera drama
nenhum. Vai chegar a BMW, há
muitos interessados nos LMP1 para
fazer companhia à Toyota, mas é
preciso olhar para lá disso, e a ideia
dos protótipos com ‘semelhanças’ a
carros de estrada é excelente. Veja-
se o caso da classe GTE Pro, apesar
de ser a terceira categoria do WEC,
não é menos seguida que as outras,
bem longe disso. Sigam o mesmo
estilo para os protótipos, e se estes
forem rápidos e espetaculares, o
sucesso está assegurado...

4 F1/
FÓRMULA 1

OPORQUÊDO Lewis Hamilton alcançou em
2017 o seu quarto cetro na
SUPER-HAMILTON
Fórmula 1, não sendo por isso
DE2017 uma novidade para ele, mas
nunca se mostrara tão forte
como este ano, evidenciando
uma fortaleza psicológica
desconhecida até à época
transata que traduziu em
pista o seu inegável enorme
talento, tendo sido inúmeros
os fatores que o levaram a
superar-se

Jorge Girão
[email protected]

>> autosport.pt

5

Oinglês chegava à temporada rodava no seu escape, ser suplantado da Mercedes, que decorreu em feverei- ordens da equipa e esta não cumpriu a
deste ano depois de uma der- por Sebastian Vettel e Max Verstappen. ro em Silverstone, o inglês mostrou-se sua palavra, ao intrometer-se na luta
rota em 2016 que tinha aber- O estratagema não agradou à Mercedes descontraído, confiante e determinado, pelo título dos seus pilotos.
to feridas na sua armadura, que, muito embora tenha garantido que exalando simpatia com os jornalistas Com a quebra de confiança entre as
fruto de uma luta fratricida não se intrometeria na luta dos seus re- enquanto se defendia de um dia de frio, duas partes e, com mais dois anos de
com Nico Rosberg que durou crutas, ordenou a Hamilton que aumen- vento e chuva num chá quente. “Estou ligação entre elas, algo teria que ser
até á última curva do Grande Prémio de tasse o seu ritmo e garantisse a dobradi- mais forte, em melhor forma que nunca, feito para reparar uma relação que es-
Abu Dhabi. nha para os 'Flechas Prateadas', mesmo mais completo e o meu objetivo é voltar tava desfeita, o que acabou por tomar
Os dois homens digladiaram-se inten- sacrificando as suas possibilidades. a ser Campeão. Tenho muita confiança forma numa conversa entre Hamilton
samente ao longo da temporada, recor- Três anos de guerras intestinas, que ti- na equipa, na forma como interpretou e Toto Wolff na cozinha da casa deste.
rendo a todos os truques, alguns deles veram toques, acidentes, troca de pala- o regulamento e construiu este carro, "Visitar o Toto no final do ano passado
fora de pista, e quando, na última prova, vras, terminavam com o inglês agastado mas em breve dissiparemos todas as foi crucial para solidificar a longevi-
precisava que dois pilotos ficassem en- com a sua equipa e com a reforma de dúvidas”, afirmava então o inglês. dade no seio da equipa. Colocar tudo
tre ele e o seu colega de equipa, o agora Rosberg, que decidiu não ter que passar Curiosamente, esta jovialidade e deter- em cima da mesa e dizer o que era ne-
Tetracampeão Mundial não se escusou por novo elevado grau de comprometi- minação do piloto da Mercedes tinha cessário dizer para, depois, construir
a reduzir o andamento nas derradeiras mento para poder defender o seu título. raízes precisamente no episódio de Abu e criar uma nova e mais forte relação,
voltas na esperança de ver Rosberg, que No entanto, aquando da apresentação Dhabi de 2016, quando desobedeceu às o que fizemos”, afirmou o inglês após

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FÓRMULA 1

6

o Grande Prémio dos Estados Unidos,
quando, depois de uma vitória, ficou a
um passo do seu quatro cetro.
O austríaco concorda com o seu pupi-
lo e admite que a conversa que os dois
tiveram foi determinante para a tem-
porada deste: “Tivemos um momen-
to difícil em Abu Dhabi o ano passado,
mas reunimo-nos alguns dias depois e
tivemos uma longa noite na minha co-
zinha para colocar tudo cá fora. Talvez
todas as frustrações e as questões que
foram crescendo ao longo dos anos fo-
ram aí desmanteladas. Regressou com
uma mentalidade fantástica. Foi ficando
mais forte ao longo do ano”.

BOTTAS ALIVIA A TENSÃO conseguisse bater o inglês, uma vez que explanar em pista todo o seu imenso uma versão nunca vista anteriormente:
o próprio reconhecia que o talento de talento. “A sua relação com o Valtteri “Trabalho com ele há cinco anos e nun-
Segundo as palavras de ambas as Hamilton era superior. (Bottas) é um fator importante. O espírito ca o vi a operar num nível tão elevado.
personagens, a tensão entre Wolff e A entrada do finlandês para o lugar do dentro da equipa é fantástico e isso foi O ritmo puro dele é espetacular. O seu
Hamilton foi aliviada ainda antes de Nico Campeão do Mundo de 2016 foi decisi- uma peça importante em todo o puzzle entendimento dos pneus, a sua habili-
Rosberg revelar que iria terminar a sua va para que o inglês completasse um nos momentos difíceis”, afirmou Wolff, dade dentro do carro, que nem sempre
carreira enquanto piloto de Fórmula 1, “reset” profundo que lhe permitisse que admite que o Hamilton de 2017 era foi fácil. Uma performance sustentada a
mas a saída do alemão acabou por ser um elevado nível, que nunca tinha visto”.
determinante para o florescimento do Um dos momentos marcantes da
“novo Hamilton”. temporada de Hamilton sucedeu em
Qualquer piloto dirá que lutar pelo títu- Hungaroring, quando, numa pista em
lo com o seu colega de equipa é sempre que os Ferrari estavam claramente um
mais extenuante que ter um piloto de passo à frente dos Mercedes, a equipa
outra estrutura como adversário, uma Brackley ordenou que Bottas cedesse
vez que existe uma coabitação com- o lugar ao seu colega de equipa, na es-
pulsiva, questões políticas intra-uteri- perança de que este pudesse suplantar
nas que dividem a boxe e que desgas- os carros de Maranello, na condição do
tam psicologicamente os 'intérpretes inglês devolver o terceiro posto ao fin-
do volante'. landês, caso não conseguisse desfeitear,
O inglês reconhece que a sua coabitação pelo menos, Kimi Raikkonen.
com Rosberg era desgastante e que a Sem nunca conseguir suplantar o
entrada de Valtteri Bottas na formação Campeão do Mundo de 2007, Hamilton
de Brackley desanuviou um ambiente acabou por ceder o terceiro lugar a
que era carregado ao fim de três anos Bottas na última curva da última vol-
de lutas intensas. “Antes de mais, todos
fazem assunções. Mas, no fundo, nin-
guém sabe o que realmente aconteceu
dentro da equipa para além das pessoas
que fazem parte dela, que são capazes
de explicar a dinâmica que existia. Na
verdade, era muito desconfortável. Não
posso dizer que o ano passado foi muito
bom. Mas este ano, depois de conver-
sar com o Toto e de realmente trabalhar
nesta relação… a minha relação com a
equipa, ambos os lados da boxe, é me-
lhor que nunca”, sublinhou Hamilton.
Bottas é quase a antítese de Rosberg,
sendo apolítico e pouco dado a joga-
das psicológicas comuns ao alemão e
que foram determinantes para que este

>> autosport.pt

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ta, situação difícil, se não impossível, de com a equipa, assim como com os en- não era tão eficaz e consistente como o vencia, terminava em segundo.
imaginar se no outro 'Flecha de Prata'
estivesse ainda Rosberg, sendo de- genheiros. A partir de então, tudo pas- monolugar oriundo de Maranello, sendo Mas no Grande Prémio da Grã-Bretanha
monstrativo do ambiente desanuvia-
do que se viveu na Mercedes ao lon- sou a funcionar melhor”, reconheceu o apelidado por Toto Wolff de diva. assistiu-se a uma inversão da tendên-
go de 2017.
No final da corrida, o inglês não deixou Tetracampeão do Mundo. O Mercedes F1 W08 EQ Power+ mos- cia. O circuito situado nos arredores de
de questionar se a manobra não lhe
poderia custar o título, mas no final da trou-se um carro difícil de pilotar, pesa- Northampton serviria sempre que nem
temporada admitiu que foi um episódio
determinante para solidificar as relações HAMILTON, O APLICADO do, devido a uma longa distância entre uma luva ao Mercedes W08 EQ Power+,
no seio da equipa e preponderante para
a sua campanha rumo ao cetro. “Na Se até 2017 a Mercedes exibia uma cla- eixos na ânsia de encontrar apoio ae- cuja filosofia de gerar apoio aerodinâ-
Hungria não eramos suficientemen-
te rápidos, mas não creio que isso nos ra vantagem sobre as suas adversárias, rodinâmico, o que o tornava num devo- mico a todo custo o tornava mais 'pon-
tenha afectado. Foi um fim de semana
especial para nós, dadas as dificuldades o que a colocou consistentemente ao rador de pneus e complicado de afinar. tudo' no seu comportamento, mas que
que atravessámos, e o cenário solidificou
a dinâmica na equipa e criou um efeito abrigo de qualquer ataque da Ferrari Ainda assim, até à prova de Silverstone, nas fluidas curvas britânicas se sentia
positivo. ‘OK, é isto que estamos aqui a
fazer. É assim que operamos. Estes são ou da Red Bull, que, no fundo, eram o inglês, nem sempre com o carro mais como 'peixe na água'. Por seu lado, o
os nossos valores.’ Foi um enorme triun-
fo no que diz respeito à nossa unidade. apenas persona-
Aprofundou as fundações da relação
gens secundárias SEBASTIAN VETTEL: "O HAMILTON SAGROU-SE CAMPEÃO MUNDIAL
nas contas pelos E MERECE-O. NO GERAL, ELE FOI MELHOR E REALIZOU UM TRABALHO
títulos, este ano a MELHOR. TÃO SIMPLES QUANTO ISSO"
formação do cons-
trutor de Estugarda
viu toda a sua su-

premacia esbatida,

tendo mesmo chegado ao início da tem- competitivo nas mãos, conseguiu quatro Ferrari F70-H, que apostava sobretudo

porada com uma máquina que – apesar vitórias, mais que qualquer outro pilo- no apoio aerodinâmico utilizável, sendo

das pole-positions (oito em 10, até ao to, mantendo as suas possibilidades na por isso mais consistente, nada pode-

Grande Prémio da Grã-Bretanha), mui- luta pelo cetro bem vivas e no encalço ria fazer contra a superioridade oriun-

to por obra da “magia de Brixworth” – de Sebastian Vettel, que sempre que não da de Brackley.

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FÓRMULA 1

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Quando a Mercedes montou no seu mo- ço' e obrigá-lo a fazer o que quer sem que que, quando um piloto roda para lá dos po técnico em Silverstone, teria que ser
nolugar um novo pacote aerodinâmico, perca tempo para os demais. No entanto, limites de um carro fica exposto a erros. ele a dar o passo seguinte, se quisesse
toda a dinâmica da temporada se altera- isso é algo que se pode fazer episodica- Hamilton percebeu que, depois de a garantir o quarto cetro da sua carreira.
va, e a forma como a Scuderia arriscou mente e não de forma sustentada, dado Mercedes ter dado um passo no cam- Para tal, durante as férias, e claro, por
para se manter no encalço de Hamilton
na prova britânica – acabando Vettel e
Raikkonen por sofrerem furos nos der-
radeiros momentos da corrida – só agra-
vou a derrota dos italianos que, a partir
de então pareceram sempre estar em
desvantagem face aos seus rivais – a
dobradinha da Ferrari em Hungaroring
foi episódica e decorrente das caracte-
rísticas do circuito.
Depois da pausa estival, a forma de
Hamilton foi verdadeiramente ex-
traordinária, vencendo cinco em seis
Grandes Prémios – desde a Bélgica até
aos Estados Unidos – que o fizeram par-
tir decisivamente para o seu quarto ce-
tro - enquanto o seu rival na luta pelo
campeonato acumulava erros e pro-
blemas técnicos - selado no México.
Habitualmente é apontado que o pi-
loto inglês é o mais talentoso da sua
geração, desvalorizando o seu empe-
nho e ética de trabalho. No entanto, até
Bottas, quando chegou à Mercedes, fi-
cou surpreendido com a forma como
o Tetracampeão se aplica nas suas
funções ao longo do fim de semana
de Grande Prémio, sublinhando que a
ideia que se tem do britânico – pouco
dado ao trabalho com os engenheiros,
menos exigente na preparação física e
sempre pronto para festas – é profun-
damente errada.
É inegável que o inglês tem um talento
acima da média o que, por vezes, lhe per-
mite 'agarrar num monolugar pelo pesco-

NOVO O contrato de Lewis Hamilton com a deveremos tê-lo na categoria máxima do Ferrari em 2019, mas o contrato assinado
CONTRATO, Mercedes termina no final do próximo desporto automóvel, pelo menos, até 2020, por Vettel com a equipa de Maranello
UMA QUESTÃO ano, mas mesmo se o inglês tem diversos e muito provavelmente, até 2021. até ao final de 2020 acabou por tornar
DE TEMPO interesses para lá da Fórmula 1 – como a Alguns rumores deram conta da essa hipótese menos viável e, por outro
música por exemplo – parece certo que possibilidade de o inglês passar para a lado, Hamilton mostra-se interessado em
prosseguir com a Mercedes.
Chegou a ser dada como certa a
possibilidade de um contrato de três anos
com a formação e Brackley e de mais
de 45 milhões de euros por ano serem
anunciados ainda no mês de dezembro,
o que deverá ser pouco provável, dada a
quadra festiva que atravessamos.
Contudo, deverá ser apenas um pró-forma
a continuidade de Hamilton na Mercedes,
não sendo de estranhar que possa ser
revelado a extensão do acordo entre
as duas partes ainda antes do início da
temporada de 2018.

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entre algumas festas que o ajudam a seu colega de equipa, tendo tal sido de-
recarregar as baterias, esteve embre- terminante para que o alemão bates-
nhado em tentar perceber a fundo a se o inglês e conquistasse o seu título.
Mercedes W08 EQ Power+ e a forma de Este ano o britânico de 32 anos mos-
tirar o máximo partido da sua monta- trou-se muito mais estável, tendo sido
da, sublinhando que a sua determina- determinante para essa consistência
ção foi preponderante para o desfecho psicológica o ambiente desanuviado
da temporada. que se viveu no seio da Mercedes com
“Estudei durante o verão para anali- a saída de Rosberg e consequente en-
sar de que forma me relacionei com o trada de Bottas.
carro e, basicamente, apontar: ‘o que é Ainda assim, o inglês viveu alguns pe-
que este carro quer, tenho que o pilo- ríodos em que se revelou aquém do es-
tar desta forma.’ E depois, adaptei-me perado, sendo completamente domi-
às suas características de uma forma nado pelo seu colega de equipa, como
consistente ao longo da temporada”. aconteceu no Grande Prémio da Rússia
e no Grande Prémio da Áustria.
MENOS AUSÊNCIA QUE O HABITUAL Em Sochi, Hamilton nunca se mostrou
capaz de incomodar Bottas, ficando a
Ao longo da sua carreira não foram cerca de meio segundo do seu colega
poucos os momentos em que Lewis de equipa em qualquer um dos seg-
Hamilton se mostrou ausente, vendo- mentos da qualificação, o que o atirou
-se batido de forma concludente pelos para o quarto posto da grelha de partida.
seus colegas de equipa. Na corrida, enquanto o finlandês se batia
O exemplo mais evidente é a tempora- com Vettel pelo triunfo, apesar do Ferrari
da de 2011, quando Jenson Button, que se mostrar ligeiramente mais competi-
ninguém consegue colocar ao mesmo tivo, assegurando a sua primeira vitó-
nível do potencial detido pelo seu con- ria na Fórmula 1, o piloto de Stevenage
terrâneo, o bateu de forma clamorosa, não foi além de um desapontante quar-
terminando o Campeonato de Pilotos to posto a mais de trinta segundos do
no segundo posto com 270 pontos, con- seu colega de equipa.
tra o quinto lugar e 227 pontos do agora No final da prova, o piloto de 32 anos
Tetracampeão. queixou-se de problemas de sobreaque-
Em 2016, as 'distrações' de Hamilton cimento, mesmo sem nenhum carro à
foram profundamente aproveitadas e sua frente, ao passo que Bottas, apesar
amplificadas por Nico Rosberg, sempre de toda a pressão exercida por Vettel,
pronto para atingir psicologicamente o

Depois de ter
sido derrotado o
ano passado por
Rosberg, Hamilton
esteve este ano a
um nível superior,
não deixando muita
margem para os
seus adversários.
Apesar de ter tido
boa oposição na
primeira fase da
época, cinco triunfos
em seis corridas
após a paragem de
verão lançaram-no
para o tetra.

f1/
FÓRMULA 1

10

FIMDETEMPORADA
SEM VITÓRIAS
APÓSOTÍTULO

Apesar de todo o seu brilhantismo, ano tentei dar o meu melhor para nunca sentiu dificuldades semelhantes.
e de facto ser o justo vencedor do manter a concentração, mas estava Pouco mais de dois meses depois,
Campeonato de Pilotos, Hamilton a fazer outras coisas, sim, a celebrar Hamilton voltava a passar pelo mes-
voltou a incorrer na situação de não muito… Penso que, ainda assim, mo, vendo o seu colega de equipa con-
conseguir vencer após a conquista pilotei relativamente bem, mas não quistar a pole-position, enquanto ele
de um cetro, algo que já tinha diria que estava a 100% como estava não passava do terceiro registo da qua-
acontecido no final de 2015, quando anteriormente. O que posso dizer? lificação, caindo para o oitavo posto da
assegurou o título a três provas do Quando vencemos, vencemos, já grelha de partida devido a uma penali-
fim. pouco importa, quando faltam duas zação de cinco lugares por ter trocado
Então, Rosberg triunfou nos restantes corridas para o final da época, temos de caixa de velocidades antes do ciclo
Grandes Prémios, criando uma que aproveitar e tirar prazer. Eu tento de vida desta estar terminado.
dinâmica que carregou para o início continuar a fazer o trabalho, mas não Na corrida, o inglês recuperou até ao
da temporada seguinte, quando é tão fácil”, admitiu o Tetracampeão terceiro lugar, assistindo uma vez
conquistou quatro vitórias nas quatro Mundial. mais ao duelo entre Vettel e Bottas
primeiras corridas, ao passo que Porém, caso o inglês mantenha o nível pelo triunfo, em que este último le-
Hamilton apenas na sexta ronda subiu que evidenciou após Silverstone e, a vou a melhor.
ao degrau mais alto do pódio, no espaços antes da corrida britânica, O facto de esta derrota ter surgido após
Grande Prémio do Mónaco. será em 2018 um adversário temível, o episódio de Baku, e atendendo à fra-
Este ano, Bottas impôs-se apenas sobretudo, se a paz dentro da queza psicológica que o inglês sente
em Abu Dhabi, no Brasil foi Vettel o Mercedes se mantiver. Bottas, por sempre que se sente injustiçado – e de
vencedor, sendo difícil que possa outro lado, não quererá continuar no facto essa era o sentimento de Hamilton
criar uma dinâmica para a próxima papel de escudeiro de Hamilton, até após o Grande Prémio do Azerbaijão –
época, mas o desinteresse de porque tem um contrato de apenas as dúvidas quando à sua forma foram
Hamilton neste tipo de cenário um ano, e Vettel estará determinado surgindo, algo que ele próprio desva-
acaba por deixar um sabor em provar com um Campeonato lorizou: “Não creio que exista a neces-
agridoce, uma vez que deixa no ar com a Ferrari que os seus quatro sidade para fazer algo para lá do que já
a possibilidade de a sua motivação títulos na Red Bull não foram obra da estou a fazer. Não é que a equipa não
estar permanentemente num limbo superioridade técnica que tinha ao esteja do meu lado, ou a dar o máximo,
e de fatores extra-corridas poderem seu dispor. ou que eu não esteja a puxar por ela.
ser uma verdadeira distração, algo Hamilton mostrou este ano ser “Rei Tudo o que posso fazer é tentar inspi-
que ele reconhece, mas desvaloriza. da Fórmula 1”, mas os pretendentes rá-la com prestações como a de hoje
“Penso que nos anos anteriores, ao trono são muitos e fortes, exigindo (ndr.: no Grande Prémio da Áustria).
provavelmente, o meu foco diminuiu que o inglês se mantenha ao seu Quando olho para o ritmo de corrida,
mais que este ano. Penso que este melhor nível. na verdade eu fui o mais rápido, tive a
melhor corrida… Não creio que os pon-
tos reflitam isto. Não há nada que possa O MELHOR E MAIS FORTE DO ANO
fazer, apenas tenho que continuar a pi-
lotar como até aqui e esperar que os re- A resposta do inglês não podia ser mais
sultados melhorem”, afirmou Hamilton enfática, destruindo a oposição na pro-
após a prova do Red Bull Ring. va seguinte – o Grande Prémio da Grã-
Bretanha. Em Silverstone Hamilton
esmagou a oposição, passando defini-
tivamente a operar num nível acima dos
demais, lançando as fundações para o
seu quarto título.
Se até então tinha mostrado 'flashes'
daquilo que haveria de mostrar consis-
tentemente - como no Grande Prémio
de Espanha, com uma ultrapassagem
determinante a Vettel no limite - a par-
tir da prova britânica ninguém conse-
guiu segurá-lo.
Mesmo quando o Mercedes não era
o mais rápido, Hamilton fazia a 'dife-

>> autosport.pt

11

04

HAMILTON ASSEGUROU ESTE ANO O SEU
4º TÍTULO MUNDIAL, MAS ENTRETANTO
JÁ DISSE QUE OS 7 DE SCHUMACHER SÃO
INALCANÇÁVEIS. TALVEZ 0 5º DE FANGIO...

rença no braço', como se verificou em cial do material disponível e minimizar os sem qualquer dúvida, o Grande Prémio mau arranque e rapidamente se colo-
Spa-Francorchamps. momentos em que a força competitiva de Singapura. O alemão tinha a máqui- cou fora de prova, arrastando consigo
No traçado belga, muito embora fosse está noutra boxe do pit-lane. na perfeita para dominar como queria dois pilotos que poderiam ficar à fren-
esperado que o carro de Brackley pu- Esta foi uma das grandes armas de a prova de Marina Bay, ao passo que o te do seu rival na luta pelo campeonato
desse, pelas mãos do inglês, ser uma Hamilton ao longo de toda a tempora- inglês estava sentado no terceiro carro e colocando uma passadeira vermelha
arma competitiva em qualificação, o que da, mas sobretudo depois de Silverstone, mais rápido do plantel. No entanto, na para que Hamilton ascendesse ao co-
se verificou com a sua pole-position, na ao passo que Vettel falhou em momen- pole-position e com Verstappen ao seu mando e vencesse quase sem oposição.
corrida a história foi outra. tos-chave. O exemplo mais clamoroso é, lado, Vettel entrou em pânico com um Potencialmente, só em Singapura o pi-
Vettel era evidentemente mais rápido loto da Ferrari deitou pela janela fora 38
que Hamilton, movendo-lhe uma per- pontos – 25 da vitória do seu adversário,
seguição ao longo de toda a prova, sen- mais os 13 que lhe ganharia se vencesse
do uma presença constante nos espe- e este ficasse em quarto, cenário per-
lhos do carro prateado. No entanto, o feitamente possível. De facto, Hamilton,
inglês nunca se mostrou incomodado, mesmo beneficiando de uma equipa mais
garantindo um triunfo num dia em que oleada que a de Vettel, foi mais forte que
não tinha nas mãos o monolugar mais o alemão ao longo da temporada, supe-
competitivo em pista. rando-se quando necessário, sem nunca
Para se conquistar um campeonato é de cair em erros grosseiros, como aconte-
capital importância maximizar o poten- ceu com o seu rival – Baku, Marina Bay,
Cidade do México – sendo, por isso, o jus-
to vencedor do Campeonato de Pilotos
de 2017, como o próprio piloto da Ferrari
admite: “sagrou-se Campeão Mundial
e merece-o. No geral, ele foi o melhor e
realizou um trabalho melhor, tão sim-
ples quanto isso”.

R/12
SKODA MOTORSPORT

O MELHOR ANOSKODAMOTORSPORTFESTEJOUTÍTULOSEPROJETAFUTURO dividiu as provas entre um Ford Fiesta
DE SEMPRE RRC e um Skoda, no ano seguinte foi a
vez de Esapekka Lappi, já com a equi-
A Skoda Motorsport soma e segue, festejando neste final de temporada mais um extenso pa oficial da Skoda, ser Campeão e fi-
conjunto de títulos. Apontando para o futuro, a marca checa apresentou o seu line-up para nalmente este ano foi a vez de Pontus
Tidemand. Apesar de boas lutas com os
2018 e ‘entre dentes’, já se fala do regresso ao WRC homens da M-Sport, a marca checa tem-
-se mostrado quase imbatível. Como se
José Luís Abreu do complexo fabril - cerca de metade da Apesar do frio que se fazia sentir, cerca de não bastasse, os pilotos dos cerca de 170
[email protected] população total da cidade checa - tiveram dois graus negativos, eram aos milhares carros que entretanto já foram vendi-
oportunidade de conviver de perto com os os ‘melhores adeptos’ possíveis da Skoda, dos desde 2014, alcançaram mais 13 títu-
Afábrica da Skoda em Mlada pilotos que levam o nome da Skoda a todo e os dois pilotos não se fizeram rogados. los em Campeonatos Nacionais, naque-
Boleslav recebeu cerca de duas o mundo através dos ralis, pois Pontus Antes, entre portas, abriu-se o champa- la que é para a Skoda a sua temporada
Tidemand e Jan Kopecky rodaram com os nhe, e pelo terceiro ano consecutivo fes- mais bem-sucedida na competição au-
centenas de jornalistas, para a seus Skoda Fabia R5 num percurso dese- tejou-se o facto de um piloto que guiou tomóvel. Para além do WRC2 com a du-
nhado nas estradas da fábrica, que faria um Skoda Fabia R5 ter sido Campeão pla Pontus Tidemand/Jonas Andersson,
festa de fim de ano da Skoda inveja a muitas super especiais do WRC. do WRC2. Em 2015 Nasser Al-Attiyah a Skoda conquistou o título de equipas, e
Jan Kopecky venceu o seu terceiro título
MotorSport, e até muitos dos consecutivo na República Checa, soman-
do-se a isso triunfos no Campeonato de
cerca de 20.000 funcionários Ralis da FIA Ásia-Pacífico, Médio Oriente,
Campeonato Sul-Americano (Codasur),
Campeonato Africano de Ralis e por fim
a categoria Sub-28 do ERC.
Feita a festa foi a vez dos responsáveis
pela Skoda Motorsport anunciarem os
seus planos para o futuro, e logo com mui-
ta juventude à mistura. Em 2018, a equi-
pa de fábrica será constituída pelo atual
campeão do WRC2, Pontus Tidemand, Ole
Christian Veiby (21 anos), Juuso Nordgren
(21) e Kalle Rovanperä (17). Para além dis-

NÚMEROS >> autosport.pt

170 CARROS VENDIDOS 13
78 EQUIPAS
28 MERCADOS PAVEL HORTEK
50 PAÍSES
1833 PARTIDAS PARA RALIS Pavel Hortek é Team Manager da Skoda Motorsport e um dos obreiros
330 VITÓRIAS do sucesso da equipa. Colocámos-lhe algumas questões:
387 PÓDIOS Agora vão bem lançados, mas demoraram algum tempo a entrar.
Preferiram ver o que tinha feito a concorrência, para fazer melhor?
so, Jan Kopecký continuará também como Grupo para o projeto WRC, que fechou por- Por um lado é bom ser o primeiro no mercado, especialmente do ponto
piloto oficial, continuando a participar no tas em 2016 pelos motivos que se conhe- de vista das vendas. Quando nós arrancámos, já o Malcolm (Wilson) ti-
campeonato checo bem como em algu- cem, a verdade é que a Skoda Motorsport nha quase 100 carros vendidos com a M-Sport, mas a verdade é que nós
mas provas do WRC2: “2017 entra para a tem um passado de 116 anos no despor- tivemos que esperar pelo Skoda Fabia de estrada, essa foi a razão prin-
história da Skoda como o ano mais bem- to motorizado, e a sua presença nos ralis cipal pela qual entrámos mais tarde.
-sucedido de sempre na competição auto- remonta aos anos 70 - ainda na edição Qual é o segredo do vosso sucesso?
móvel. Esta é uma enorme conquista para do ano passado a Skoda festejou os 40 Todos sabemos que o Skoda Fabia de produção é um carro muito sólido, e
a nossa equipa, da qual todos na marca anos duma dobradinha no Rali de Monte eu penso que o segredo deste sucesso reside essencialmente no facto de
se podem orgulhar”, destaca Bernhard Carlo com o Skoda 130 RS. Depois disso nós estarmos totalmente concentrados nesta categoria, dos R5, enquanto
Maier, CEO da Skoda Auto. veio o Favorit, Felicia Kit Car, Octavia WRC, os outros, a Ford nomeadamente, tem que dividir a sua atenção entre os
Fabia WRC, até chegar aos mais recentes R5 e os WRC. Temos a nossa própria equipa, os nossos pilotos, podemos
FUTURO À PORTA e extremamente bem sucedidos, Fabia trabalhar mais de perto com eles, e isso faz diferença...
S2000 e Fabia R5. Dizem que o vosso carro é o melhor em pisos de terra, o que pensa disso?
Foi Michal Hrabánek, Diretor da Skoda Por isso, e com a Volkswagen a desenvol- Sim, parece. Talvez pelo facto de sabermos que o WRC2 é muito mais
Motorsport, que apresentou os pilotos ver o novo Polo GTI R5, para o negócio da disputado em pisos de terra que asfalto, e por isso talvez nos tenhamos
para a temporada de 2018: “Estamos feli- categoria, eis que se abre uma janela de concentrado mais nesse aspeto.
zes em manter o Pontus Tidemand e o Jan oportunidade para a Skoda, pois o WRC Há margem para o carro evoluir?
Kopecký na nossa equipa. A eles juntam- 2017 foi excelente, isso repercutiu-se um Pensamos que sim, é um desafio, mas queremos manter satisfeitos os
-se os jovens Ole Christian Veiby e Juuso pouco por todo o mundo e na cúpula do nossos clientes, muitos de longo termo, queremos que continuem a ser
Nordgren, que têm vindo a provar o seu Grupo poderá ter renascido a vontade de bem sucedidos não só nos campeonatos nacionais mas também nos in-
talento. Um novo e igualmente talentoso não perder esse comboio. Depois da VW ternacionais. Mas a verdade é que os regulamentos são muito aperta-
piloto da nossa equipa é Kalle Rovanperä, sair, faria todo o sentido ser a Skoda a dos, portanto não há muita margem. Não há nada para inventar, trata-se
que tem apenas 17 anos de idade. Desta dar sequência à sua ligação ao desporto apenas de detalhes e de afinações muito bem pensadas e executadas...
forma, estamos realmente ansiosos pelo motorizado. Hrabánek deu o mote, a es- Ajudaram no Volkswagen Polo GTI R5?
início do campeonato de 2018.” trutura está montada, há WRC 2017 fe- Posso dizer que eles não começaram do zero. Agora que vi o carro, vejo o
Já fora do palco, Hrabánek não conseguiu chados no Museu (VW Polo WRC17), há trabalho feito e suspeito que pode vir a ser o melhor R5. Basta ver o tra-
esconder um brilho nos olhos, quando know how, portanto só fica a faltar von- balho que fizeram com o Polo WRC, imediatamente ganharam. Sim, pas-
questionado se a Skoda pondera voltar tade política, e algo que não sabemos se sámos alguma da nossa experiência mas eles também a têm dos anos no
ao WRC: “Precisaríamos de dois anos de falta ou não, dinheiro. WRC, do tipo de pisos, e do que é preciso ajustar nos carros...
preparação mas embora nos sintamos có- Certo é que a Skoda vai continuar a dar Se começasse agora, faria algo diferente no Skoda Fabia R5?
modos no WRC2, está claro que queremos cartas no negócio dos R5. O Polo R5 come- Não! (risos) Como se pode ver somos muito bem sucedidos. Os treinado-
olhar para a categoria máxima”, disse. ça a competir em 2018, e só irá afirmar-se res desportivos dizem que não se deve mexer numa equipa que ganha...
Apesar de ter sido a VW a escolhida do (ou não) durante 2019. Aí sim, poderá pon-
derar-se no seio do Grupo VW se vale a
pena ter dois players na mesma categoria.
Para já, em carro que ‘vende’, não se mexe.
Resta esperar para ver o que nos reserva
o futuro, mas com os ralis a crescerem de
interesse, pelo menos o contexto é favo-
rável. Bernhard Maier, CEO da Skoda, no
seu discurso em Mlada Boleslav, disse:
“O ano de 2017 foi o nosso melhor a nível
desportivo e de negócios de sempre e o
automobilismo está no nosso ADN há 116
anos e essa tradição leva-nos ao futuro.
E os ralis encaixam bem na nossa mar-
ca”. Vamos ver o que pode acontecer,
mas uma coisa era certa. A Skoda ficava
muito bem no WRC.

E/14
ENTREVISTA - KALLE ROVANPERÄ

KALLE ROVANPERÄ

JÁ É PILOTO OFICIAL SKODA MOTORSPORT

SONHO SER
CAMPEÃO
DOMUNDO

A Skoda MotorSport ganhou a corrida por Kalle Rovanperä.
O jovem finlandês era também pretendido pela M-Sport

e Hyundai, mas foram os checos que levaram a melhor. O
caminho para o topo da disciplina está cada vez mais perto…

José Luís Abreu agora à equipa oficial da Skoda depois de uma vez, mas o filho, Kalle não se lem- para, aos comandos de um Peugeot 208
[email protected] ter sido também ‘cortejado’ pela M-Sport bra, pois tinha 16… meses! Mas como gere T16 R5, ‘aprender’ a pilotagem em asfal-
e pela Hyundai. Há muito que os ‘Grandes Harri a carreira do filho? to. Para um jovem nórdico acaba por ser
Kalle Rovanperä tinha apenas Chefes’ das equipas sabem o que ‘ali está’, O jovem Kalle desde cedo começou a lidar natural guiar na neve, e quando esta não
17 anos e 50 dias quando abriu e se a sua evolução continuar a dar-se com carros. Enquanto muitos vão para o existe, em bons pisos de terra, mas o asfal-
o champanhe - que não pode da mesma forma como até aqui, então karting aos oito anos, Kalle começou aí a to nunca foi a especialidade dos famosos
beber, porque não tem idade são poucos os que duvidam que está ali guiar carros de ralis. Com 11 anos, numa finlandeses voadores, exceção feita aque-
para isso - correspondente à uma das ‘next big thing’. Há outros bons das poucas vezes que teve o pai ao lado no les que pela sua categoria passaram essa
sua vitória no WRC2 no Rali da jovens prometedores, mas nenhum deles carro, capotou: “Estive o dia inteiro a andar fronteira e venceram em qualquer rali.
Austrália, tornando-se dessa forma no está num caminho sequer semelhante... com o meu primo, mas o meu pai quis dar Apesar da maior (de longe) percentagem
mais jovem vencedor de sempre duma O feito alcançado no recente Rali da um volta e… capotámos! Foi a única vez”, de troços do WRC ser em terra, um piloto
prova do segundo escalão do Mundial de Austrália foi somente mais um passo disse. Harri Rovanperä começou por co- que quer ser Campeão do Mundo tem que
Ralis. Nada que surpreenda quem segue rumo ao estrelato, num palmarés que locar o filho no Campeonato da Letónia de ser bom em todo o lado, e por isso esta pre-
‘isto’ dos ralis há muito tempo, pois o jo- já conta com um título de campeão da Ralis, pois o jovem ainda não tinha idade sença em várias provas do campeonato
vem piloto há muito que faz abrir a boca Letónia de Ralis, o menos importante para mais; o ano passado teve uma auto- italiano de ralis mostra bem quão levada
de espanto aos mais distraídos. numa carreira que tem sido bastante bem rização especial para competir também a sério está a ser a carreira do jovem Kalle
O filho de Harri Rovanperä - um bom piloto gerida pelo pai e por Timo Jouhki, mana- na Finlândia, pois com autorização dos Rovanperä: “A aprendizagem no asfalto
dos anos 90/2000 nos ralis – surpreendeu ger que trata das questões burocráticas, pais pode-se tirar a carta aos 16 anos, e tem sido boa, mas não tem sido fácil! De
o mundo dos ralis quando aos oito anos contratos e afins. foi aí que se deu o maior salto, pois come- qualquer forma, tem corrido tudo bem. Por
foi visto a guiar um Toyota Starlet de ralis, Da estratégia desportiva trata Harri çou a época com um Skoda Fabia S2000, exemplo, no último rali em Roma correu
num vídeo que conta quase com milhão e Rovanperä, ex-piloto que realizou 111 trocando a meio para o Skoda Fabia R5. bastante bem (ndr.: terminou em quarto a
meio de visualizações. E esse é só um dos provas no WRC entre 1993 e 2006, pas- Continuou a competir na Letónia, mas fez prova do campeonato italiano, logo atrás
muitos que nos últimos anos foram sen- sando por equipas oficiais como a Seat, também provas na Finlândia e Lituânia, dos melhores especialistas locais). O meu
do vistos do jovem finlandês, que chega Peugeot, Mitsubishi e… Skoda. Venceu rumando depois a Itália – já este ano - pai dá-me alguns conselhos, e também

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o Paolo Andreucci, mas eu é que tenho carro de ralis, aí parece claramente ou-
de evoluir…” tro, pois está no seu ambiente natural.
Pode parecer estranho, mas com 17 anos Apesar da Skoda estar a festejar a sua
feitos em outubro, o jovem Rovanperä já fantástica época de 2017, e mesmo com
tem cumpridos 44 ralis, que vão desde os a presença da maioria dos pilotos que
campeonatos da Letónia, Finlândia, Itália, alcançaram os principais resultados
ao Europeu de Ralis (Letónia) e também de destaque da marca, foi no jovem fin-
WRC (Austrália). Esta entrada na equipa landês que se centraram boa parte das
oficial da Skoda é mais um passo, que a atenções, mas mesmo assim, tal como
todos parece certo, para o grande objetivo tem vindo a fazer ao volante de potentes
que é ser campeão do Mundo de Ralis, e carros de ralis, não se atemorizou. Num
embora sabendo que tem ainda um lon- inglês bem mais perfeito que muitos dos
go caminho pela frente, não há nada que grandes pilotos finlandeses com que ti-
contrarie a ideia que pode não o conse- vemos o prazer de falar no passado, o
guir. Chegar ao escalão principal do WRC jovem Kalle começou por falar do facto
deverá ser uma questão de dois anos, o de se ter tornado no mais jovem ven-
primeiro para aprender os ralis em que cedor de sempre duma prova do WRC2:
conseguir competir no WRC2 em 2018, e “Acho que esse recorde vai durar muito
o ano seguinte para alcançar resultados. tempo”, disse, destacando o facto de o
Isto se não tiver feito o suficiente para an- ter conseguido aos 17 anos: “A compe-
tecipar a sua ida para o WRC, mas quan- tição não foi boa (ndr.: era o único con-
to a isso é mesmo esperar para ver, pois, corrente no WRC2), mas a experiência
afinal, trata-se de um jovem de apenas foi incrível”.
17 anos, que só em outubro do próximo Só Jari-Matti Latvala chegou quase tão
ano pode competir em qualquer rali. Até cedo aos ralis, Andreas Mikkelsen tam-
lá, só os que permitem carta com 17 anos… bém chegou bem novo, mas nada que se
compare com Kalle Rovanperä: “Penso
MAIS NOVO DE SEMPRE que era a melhor solução para mim, esta
é a melhor equipa e o melhor carro do
FoiemMlada Boleslav, na fria República WRC2, o que é bom, para mim e para a
Checa, que encontrámos o jovem Kalle minha carreira, pois para o ano só tenho
Rovanperä. O ambiente era de festa, mas que aprender os ralis, e este é o melhor
o semblante do jovem permanecia quase lugar para fazer isso. É muito bom ter este
sempre sorumbático, entremeado com tipo de suporte atrás de mim”.
um sorriso aqui e ali, revelador do des- O calendário é para já incerto (deve incluir
conforto de ter que encarar pela primei- México e Argentina, mas não Portugal),
ra vez um batalhão de jornalistas. Bem até porque os pilotos da Skoda no WRC2
diferente do que se vê quando está num só podem pontuar em sete das 13 provas,
e por isso a equipa vai escolher as que
melhor se adequem às características
de cada um. Já o jovem Kalle, corre nas…
que o deixarem: “Não vou poder estar
em todas as provas do calendário, por-
que há países em que a minha licença de
condução ainda não me permite guiar,
pois só tenho 17 anos, mas tenho pre-
visto fazer seis ou sete ralis, sendo que
para além disso talvez faça provas ex-
tra, como aconteceu este ano em Itália,
mais provas de asfalto, ou mesmo no
campeonato checo de ralis com a Skoda,
mas isso terá ainda que se ver...”, disse,
existindo a possibilidade de correr já em
Monte Carlo com a sua antiga equipa,
a TGS, gerida por Toni Gardemeister. O
seu calendário deve começar no Rali do
México, mas esta é uma informação que
carece de confirmação oficial. Mas o que
todos queremos saber é o que vai na alma
do jovem Kalle, que mostrou já saber bem
o que quer: “O objetivo é em algum mo-
mento chegar ao WRC, a uma boa equipa,
e talvez ser Campeão do Mundo um dia.
É o sonho de todos os pilotos e também
o meu”, assegura.

E/
ENTREVISTA

16

KALLE ROVANPERÄ

GENÉTICA AJUDOU? guiei o Skoda Fabia S2000 e estreei-me
com o Skoda Fabia R5 na Lituânia, e de-
Não é de agora que muita gente tem curio- pois a primeira prova com um WRC foi
sidade sobre o jovem que um dia surgiu no em Itália (ndr.: Trofeu Pucci Grossi Night
Youtube, aos oito anos, a guiar um Toyota Sprint e Memorial Bettega). Penso que
Starlet daquela forma. Daí para cá, o tem- tenho estado a evoluir bem e agora che-
po parece ter voado à velocidade que o guei a este ponto. Tenho ainda um longo
piloto tem andado nos troços: “Tinha oito caminho pela frente, mas as coisas têm
anos quando guiei o meu primeiro carro estado a correr bastante bem”.
de ralis, e a partir daí não fiz outra coisa. Já É no mínimo curioso que aos 17 anos já
não me lembro muito bem dos primeiros possua um palmarés digno de registo e
tempos, era muito novo, mas lembro-me a verdade é que já sabe o que é ser cam-
da primeira vez dentro do carro de ralis, peão, pois conseguiu-o na Letónia, e esse
foi fantástico, depois disso foi sempre considera ter sido até aqui o seu melhor
a crescer a paixão por este desporto...”. momento: “É sim, um dos meus melho-
O jovem Kalle Rovanperä nasceu preci- res momentos foi ter sido Campeão na
samente a meio da carreira do pai, Harri Letónia, o ano passado, mas talvez tam-
Rovanpera, no WRC, e por isso, durante os bém vencer o primeiro rali na Finlândia
primeiros anos é natural que o ambiente este ano, penso que são esses os meus
dos ralis se tenha interiorizado no jovem, melhores momentos até agora...”
por isso acaba por ser natural que este ca- Curiosamente, Kalle Rovanperä já sabe
minho tenha surgido: “Claro que ajudou o que é guiar um WRC, pois apesar dis-
o facto do meu pai ter sido piloto de ralis, so ter sido segredo durante muito tempo,
mas de qualquer forma há sempre mui- quando a época de 2017 se iniciou já se
to trabalho a fazer na parte que me toca, sabia que um dos pilotos que tinha sido
e eu estou a fazer o melhor que posso...” ‘testado’ por Tommi Makinen fora o jovem
Modesto, o jovem… finlandês: “Sim, guiei o Toyota Yaris WRC,
foi fantástico, o carro era muito rápido e
EQUIPA OFICIAL AOS 17 ANOS impressionante, mas a verdade é que ape-
sar de ser ainda um protótipo na altura
Há outros exemplos de jovens a che- em que o guiei, já era bastante rápido...”
gar mais ou menos cedo à alta roda dos Foi o ‘aperitivo’ do jovem finlandês que
ralis, ou pelo menos às portas, mas ne- naturalmente tem o WRC nos horizontes,
nhum deles começou a ser seguido no mas os passos estão a ser bem pondera-
Youtube aos oito anos: “O meu primeiro dos. Ao perguntarmos, quando, a respos-
rali foi aos 13 anos e depois disso tenho ta sai célere: “Não sei, não tenho pressa, o
pilotado maioritariamente nas provas importante é evoluir bem. Primeiro vamos
no Báltico(ndr.: na Letónia, em 2013, com
um Citroën C2 R2 Max), o ano passado já

AS CRIANÇAS NEM Desde 2008 que
SEMPRE VÃO ATRÁS… vemos o jovem
Kalle Rovanperä a
Para além de correr na Letónia e fazer 'tropelias' ao
em Itália, Kalle Rovanperä também volante de carros de
disputou ralis em asfalto, em Itália, ralis, e agora, com
este ano. Aí teve uma complicação 17 anos cumpridos
adicional, pois Kalle não pode guiar em outubro, chega
em estradas públicas em Itália, a uma equipa oficial
por causa da sua idade, e por isso, do Mundial de Ralis,
Harri Rovanpera teve que arranjar a Skoda Motorsport.
um carro de volante à direita para A partir daqui, o topo
que o seu filho pudesse tirar notas da disciplina é já ali
do lado ‘certo’, o do piloto, tendo ao virar da esquina...
nesse lado a perspetiva certa,
para quando fosse disputar o rali.
O navegador, Risto Pietiläinen,
seguia sentado na traseira do carro
e escrevia as notas ditadas pelo
‘pendura’ que ia no lado esquerdo
do carro. Confuso? Não faz mal, a
‘coisa’ resulta…

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PODERÁ A GENÉTICA
TER ALGO A VER?

Kalle Rovanperä é filho de Harri
Rovanpera, que foi colega de equipa de
Marcus Grönholm na Peugeot, e o facto
de ter ganhado o seu primeiro título de
ralis aos 15 anos é razão para espanto
de qualquer um, inclusivamente para
o ‘bom gigante’ dos ralis, que com a
mesma idade de Kalle, fazia motocross
e sonhava ser campeão nas motos.
Não foi, mas foi-o nos ralis. Campeão
do Mundo duas vezes. Curiosamente,
também ele tem descendência, Niclas
Grönholm, que optou pelo mesmo
caminho, o dos motores, ainda que no
ralicross: “Penso que é possível haver
algo genético que passa de pai para
filho. Por outro lado, sei que o facto do
Harri ter corrido, e feito nome, lhe abriu
portas, e desse modo pode ajudar o
filho, mas quando chega o momento
de pilotar, essa é a parte difícil. E eu
admiro o Kalle que tem um grande
talento e uma grande hipótese de se
tornar Campeão do mundo um dia. De
qualquer das formas, tem ainda um
longo caminho pela frente…”

correr com a Skoda e depois logo se vê...” também fazer as escolhas certas, por- pela frente para o conseguir; Esapekka
Claro que, tendo em conta a evolução de tanto temos que ver”, disse, fazendo-nos Lappi é um evidente potencial campeão;
Rovanperä, pode-se pensar que no pró- lembrar que muito bons pilotos nunca Teemu Suninen está a dar bons passos;
ximo ano já irá lutar pelo título no WRC2, o conseguiram ser porque havia sem- Jari Huttunen promete, mas só agora co-
mas o jovem finlandês tem os pés bem pre alguém melhor, ou apenas mais bem meça a correr de R5; e finalmente Juuso
assentes na terra e não ‘embarca’ na ‘pro- equipado, quer falemos de ter um melhor Nordgren,quechegoutardeaosralis, mas
vocação’: “Campeão do WRC2? Não, em carro ou uma melhor equipa.” Não sabe- já fez o suficiente para ser chamado para
2018 penso que não, pois nem sequer sei mos como vai ser o futuro do jovem Kalle a equipa oficial da Skoda.
ainda quantos ralis vou poder fazer. Por Rovanperä, mas a verdade é que desde Já do lado dos franceses, para além de
isso não sei se isso será possível, mas 2002 (Marcus Grönholm) que a Finlândia Ogier, que se desconfia não pretender
de qualquer forma não é esse o objeti- nãotemumnovoCampeão doMundode ficar muito mais tempo no WRC, temos
vo, mas sim continuar a aprender os ra- Ralis, e desde os anos 90 que os finlan- Stéphane Lefebvre, um piloto até ver, ba-
lis, isso sim é muito importante”, disse deses voadores deixaram de dominar a nal, Eric Camilli, idem, e Quentin Gilbert e
o jovem Rovanperä, algo que faz todo cena internacional dos ralis, que sucedeu Pierre-Louis Loubet estão a fazer o seu
o sentido, pois ninguém se destaca no nessa década com sete títulos em dez caminho mas para já não mostraram
WRC sem conhecer bem as provas, e o anos, mas a verdade é que depois de um nada de muito especial; há ainda jovens
WRC2 é uma escola perfeita, especial- longo período em que a França teve dois no WRC3 de quem se tem de esperar
mente quando ainda se tem somente 17 pilotos que saltaram bem depressa para para ver. Portanto, e apesar disto não
anos. Mais uma vez, pés bem assentes no o topo das estatísticas, Sébastien Loeb ser 'definitivo', a sensação que dá é que
chão, mas os olhos brilham doutra forma e Sébastien Ogier, a sensação que fica é a França vai perder a primazia que tem
quando a conversa ‘vira’ para o WRC, e aí que de momento a Finlândia está bastante tido no WRC, pois a 'seleção' da Finlândia
nota-se que é esse o seu grande sonho. bem melhor equipada que a França para é atualmente bem mais prometedora.
Quando lhe perguntámos, quando pen- recuperar a primazia. Curiosamente, o jo- Isto, claro, fazendo uma comparação di-
sa ser campeão do Mundo:”Ah, ah! Não vem Kalle Rovanperä é apenas o último reta entre Finlândia e França, pois paralá
sei! Claro que o objetivo é ser campeão a juntar-se a um lote muito interessan- destas duas nacionalidades há diversos
do Mundo o mais depressa possível, mas te de pilotos. Começando por Jari-Matti pilotos de várias nacionalidades a confir-
para isso acontecer, para além de ter de Latvala, que tem mais do que capacidade marem que o futuro do WRC está perfei-
evoluir e ser muito bom piloto é preciso para ser Campeão e ainda tem uns anos tamente assegurado.

E/18
ENTREVISTA - OTT TÄNAK

Ott Tänak realizou pela
primeira vez uma temporada
em que juntou à rapidez que

sempre teve a consistência
necessária para vencer ralis
e lutar por lugares cimeiros.
Ironicamente, quando chegou

ao ‘ponto de rebuçado’
que Malcolm Wilson tanto
tempo procurou, sem grande
sucesso... Ott Tänak foi-se

embora para a Toyota

DAEEMOATNTCTIÄPANÇAÃKO

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19

PERFIL
OTT TÄNAK

Data de Nascimento
15 de outubro de 1987
Local de Nascimento
Kuressaare (Estónia)
Ralis WRC 79 (1º Portugal 2009 – 20º)
Títulos 0
1º Rali no WRC Portugal 2009
Vitórias 2 (Sardenha e Alemanha 2017)
2ºs/ 3ºs Lugares 4/5
Vitórias em troços 79
Pódios 11
Pontos PowerStage 31
Vitórias em PowerStage 4
Abandonos 16

Martin Holmes e José Luís Abreu então o dinheiro com que lhe acenaram de correr com um Subaru Impreza STi Ott Tänak é dos melhores produtos
[email protected] foi demais para recusar: “Tenho que N14 em duas provas do WRC, por su- saídos da bem-sucedida Pirelli Star Driver.
olhar para o futuro e decidir onde terei gestão de Markko Märtin: “Andava a Ganhou essa iniciativa em 2010, já depois
Avida é por vezes assim. Desde a melhor posição. Conheço a M-Sport guiar Volkswagen e Renault na Estónia de se tornar vice-campeão nacional de
2011 com ligações à M-Sport, muito bem, as pessoas, como trabalha mas um dos meus patrocinadores dis- ralis da Estónia em 2008 e 2009, tendo
e depois de vários anos de e como desenvolve o carro, e este novo se que se eu quisesse evoluir na car- a possibilidade de competir em seis
avanços e recuos, Ott Tänak carro é mesmo como eu gosto. Tenho reira deveria pedir ao Markko Martin provas do PWRC e demonstrando, desde
vai sair pela primeira vez da o que preciso na M-Sport", disse na que me ajudasse. Fui falar com ele, e logo, todo o seu potencial. Protegido do
sua zona de conforto ao acei- altura. Como se sabe, a opinião mu- assim foi, ele passou a ajudar-me e antigo piloto Markko Martin, que lhe abriu
tar rumar à Toyota Gazoo Racing, equi- dou pouco depois:“Estamos encanta- esse momento, basicamente, foi o co- algumas portas e lhe transmitiu muita da
pa que regressou este ano ao WRC. O dos com esta contratação, para nós é a meço da minha carreira de profissio- sua experiência, Tänak ganhou duas provas
estónio vai ter ao seu lado Jari-Matti mistura perfeita de juventude e expe- nal nos ralis. Foi um grande passo para do PWRC em 2010, terminando o ano
Latvala e Esapekka Lappi. Pode pa- riência. Já estávamos de olho nele há quem vem da Estónia”, disse Tänak. No apenas em quarto do campeonato ganho
recer estranho que tenha dado este muito tempo”, disse Tommi Makinen na ano seguinte, 2010, optou pelo Pirelli por Armindo Araújo.
passo exatamente na altura em que altura. Já Malcolm Wilson, responsável Star Driver - competição que nasceu Em 2011 correu de Ford Fiesta S2000, no
o seu estatuto na M-Sport iria, pela máximo da M-Sport, admitiu que vai para descobrir novos talentos - com SWRC, vencendo três vezes, e no fim do
primeira vez, permitir-lhe assentar ter saudades de Ott Tänak: “É com o um programa no WRC: “Foi um grande ano estreou-se de WRC. Já em 2012, Tänak
arraiais na equipa principal, fosse ao coração pesado que a equipa diz adeus passo para mim. Não tinha orçamento iniciou a temporada plena de confiança,
lado de quem fosse, mas a verdade é ao Ott (Tänak) e ao Martin (Järveoja) para fazer o WRC ou mesmo uma ca- obtendo um oitavo lugar no exigente Rali
que o namoro da Toyota já tinha algum que foram boa parte do nosso suces- tegoria menor, pelo que, basicamente, de Monte Carlo, deixando a promessa de
tempo e o valor do contrato que Tommi so este ano. Não há piloto em quem te- no final de 2009 era muito importante causar sensação noutras provas.
Makinen lhe colocou à frente não de- nha depositado mais fé, e dado tantas que arranjasse uma maneira de che- Em 2012, com a M-Sport no WRC ganha
verá ter feito o estónio demorar muito chances, mas sempre lhe vi potencial. gar ao WRC. Obviamente o Pirelli Star o seu primeiro troço, lidera pela primeira
tempo a dizer que sim. Curiosamente, Nunca tive dúvidas da sua velocida- Driver era a melhor forma de progre- vez um rali e alcança o primeiro pódio,
não muito tempo antes de se ter ficado de, isso vi logo no primeiro momento dir”. Malcolm Wilson arranjou um carro na Sardenha, curiosamente o rali em que
a saber que aceitara ir para a Toyota, o e nestes últimos anos ele evoluiu e é a Ott Tänak e colocou Markko Martin obteve o seu primeiro triunfo cinco anos
estónio tinha dito que a prioridade da agora um piloto completo. Vencedor a gerir a equipa. Foi aí o começo de um depois. Faz um ano sabático em 2013,
sua escolha iria recair na equipa que de ralis e potencial candidato ao títu- plano de cinco anos para a carreira do regressando em 2014 com a M-Sport/
lhe desse melhores condições para ser lo. Não é fácil dizer adeus, mas dese- estónio. Num ano em que teve Hayden DMack, realizando épocas com muitos
Campeão, e por isso, tendo em conta o jamos-lhes o melhor para o futuro”, Paddon como adversário, e chegou altos e baixos, e só em 2016 se afirmou
que se viu este ano, isso significaria fi- disse, com grande dignidade. mesmo a dar luta a Armindo Araújo no como um piloto mais consistente, ficando
car na M-Sport, mas pelos vistos, das PWRC, Tänak começou a fazer-se no- perto de vencer por duas vezes. Em
duas uma, ou acreditou piamente que COMO TUDO COMEÇOU tar. Isso levou a que, em 2011, se tenha 2017, teve, pela primeira vez, uma época
Makinen lhe vai dar um carro com que estreado com o Ford Fiesta S2000, com- consistente entre os melhores pilotos do
pode lutar pelos lugares cimeiros, ou Recorde-se que Tänak cedo foi notado petindo no SWRC, ‘Super 2000 World WRC. Demorou, mas agora já é considerado
por Malcolm Wilson, em 2009, depois dos potenciais campeões para 2018.

Rally Championship’, conseguindo cin-
co pódios e três triunfos, terminando o
ano no segundo lugar da competição
atrás de Juho Hanninen. Tal permitiu-
-lhe assegurar a sua primeira parti-
cipação com um WRC, estreando-se
com a Stobart Ford World Rally Team
no Rali da Grã-Bretanha aos comandos
de um Ford Fiesta RS WRC, com pneus
DMack, e com a equipa oficial no Rallye
du Var, uma prova de que Wilson tinha
grande fé nas suas capacidades.

E/
ENTREVISTA

20

OTT TANAK

ALTOS E BAIXOS franzir o sobrolho a Wilson: “A chegada a DMack, em 2016: “Foi uma grande ex- Finalmente as coisas correram de for-
da DMack à minha carreira foi mesmo, periência para mim, foi a primeira vez ma normal em 2016, e por isso para
Em 2012 Tänak realizou uma época in- muito, muito importante. que tive oportunidade de desenvolver a temporada de 2017 muitos tinham
teira com o Ford Fiesta RS WRC, mas Acho que foi o fator chave para o meu qualquer tipo de pneus. esperança que finalmente se ‘esta-
teve aí muitos altos e baixos, que o dei- regresso ao WRC. Eu sabia a partir No fim do ano conseguíamos ver que belecesse’.
xaram de fora em 2013, perdendo o lu- desse momento que o meu regresso havia ralis em que os pneus trabalha- Foi exatamente isso que sucedeu.
gar na M-Sport para Thierry Neuville. ao WRC se iria dar. vam bastante bem, e noutros, notava- Apesar de ter mudado de navegador,
Foi uma temporada muito infeliz: “Não Então, no final de 2014, o Mikko -se que era preciso trabalho. passando a ter Martin Jarveoja a seu
sei bem o que se passou, outros pilotos Hirvonen anunciou a sua retirada e Penso que em termos globais os lado, numa troca que se deu por razões
continuaram mas eu fui posto de lado isso abriu uma vaga inesperada na Michelin ainda são os melhores, mas familiares. Raigo Molder tinha compe-
pela M-Sport. É a vida, mas sabia que M-Sport”, disse Tanak, que por isso penso também que é bom que outros tido com ele desde 2008, eram ami-
seria difícil voltar ao WRC”, disse, re- foi novamente chamado à equipa de fabricantes se possam aproximar. gos há muito tempo, mas não foi por
gressando em 2013 à Estónia para correr Malcolm Wilson para nova época com- O trabalho da DMack vai na direção aí que as coisas pioraram, bem antes
em Subaru de Grupo N: “Não pensei que pleta em 2015. Que cumpriu novamente certa”, disse Tanak sobre uma época pelo contrário.
tivesse perdido toda e qualquer hipóte- com muitos altos e baixos. em que terá, finalmente, convencido
se de voltar ao WRC, até porque ainda Por exemplo, o 'Titanak' no México, Malcolm Wilson. PILOTO COMPLETO
era muito novo. Guiei carros diferentes, quando se despistou na fase inicial de Fica na retina o choro convulsivo nos
e basicamente comecei com uma em- um troço e caiu com o carro numa lagoa. braços de Sébastien Ogier, quando O ano começou logo bem com um fan-
presa e de certa maneira isso era mais Momentos assustadores que fizeram o estónio perdeu o Rali da Polónia já tástico pódio em Monte Carlo, ajudan-
importante, pois guiar carros de Grupo mais pela sua ‘promoção’ do que todas muito perto do fim, devido a um furo. do a um bom resultado de conjunto da
N era mais um hobby, para me divertir." as prestações até à altura. Terminou em segundo, posição que M-Sport - na memória ficou a forma
Mas em 2014 houve um fator que terá Os adeptos mais ‘ferrenhos’ dos ralis já repetiu em Gales, deixando a certeza como guiou no último troço do rali, quase
sido, quiçá, decisivo na sua carreira, o conheciam bem, mas o ‘Titanak’ le- que se estava a aproximar do mere- sem motor, que trabalhava apenas em
a DMack, que lhe permitiu regressar vou-o às TV de todo o mundo. No fim cido primeiro triunfo. Foi ainda ‘pre- três cilindros. Mostrou-se este ano um
ao Mundial de Ralis, no WRC2, fazen- do ano, desta feita Wilson não o ‘largou’, miado’ pelos adeptos com o ‘Piloto do piloto rápido, como sempre, mas agora
do também provas na categoria prin- mas mandou-o para a segunda equipa, Ano no WRC’. bem mais maduro.
cipal, o WRC. Depressa voltou a fazer Ainda assim cometeu alguns erros -

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O CÉLEBRE'TITANAK'!

Há um acontecimento na carreira de Ott Tänak que teve tanto se partiu. O carro capotou e foi parar à água. Acho que já estava
de assustador como de fantástico, já que Ott Tänak e o seu fora do carro antes de ele começar a afundar pois é daqueles
navegador Raigo Molder despistaram-se no Rali do México de momentos em que reages o mais depressa possível. Foi ‘ok’ sair
2015, depois de verem partir-se uma peça do Ford Fiesta WRC, com do carro mas não consegui desligar o intercomunicador. O carro
a dupla da M-Sport a capotar ravina abaixo aterrando com o carro começou a ir ao fundo e foi-me arrastando. Mas, felizmente, ainda
com o tejadilho para cima, num lago de uma barragem. O carro tive força suficiente para soltar a ficha do intercomunicador
rapidamente se afundou, mas com a sua tripulação a escapar mesmo a tempo e depois tudo ficou bem. O carro afundou-se e nós
ilesa e a nadar para a margem enquanto o Fiesta submergia. Raigo sobrevivemos. Mas não conseguimos falar com a equipa durante
Molder ainda conseguiu salvar as notas e a história acabou bem, bastante tempo e os nossos telemóveis ficaram no carro, debaixo
mas aqueles momentos foram dramáticos, não só para piloto de água. Isso fez com que toda a gente se assustasse. Felizmente,
e co-piloto, como também para toda a equipa da M-Sport que o Raigo ficou bem e conseguiu salvar as notas! Ando sempre com
demorou 17 minutos a ter notícias sobre o paradeiro de Tänak e um pequeno pato que serve de mascote e, por isso, sabia que tudo
Molder: “Havia uma pequena bossa na estrada, travei aí e algo ia acabar bem!”, disse o estónio.

como na Córsega e Portugal, quando vencer na Alemanha e assegurei bons Gazoo Racing é na Finlândia, e isso pode- te, preparando o meu carro para o rali
deu um toque a danificou a suspensão pontos em Espanha”, disse. rá também ter pesado um pouco, mas é seguinte e isso. Eu fazia várias coisas,
quando liderava o rali - mas a ansiada assim a vida, pois não há nada mais per- mas também gostava da mecânica. Mas,
primeira vitória chegou na Sardenha, FUTURO É COM A TOYOTA manente que a mudança: “Certamente olhando para trás, para a minha vida, a
curiosamente onde uns anos antes ti- Foi nessa altura em que se ficou a sa- que vai ser duro. Basicamente, estive minha grande apoiante tem sido a mi-
nha obtido o seu primeiro pódio. Os al- ber que iria para a Toyota, e depois de toda a minha vida competitiva com a nha mulher, Janika. Ela fez de mim quem
tos e baixos continuaram – agora menos sete anos na M-Sport, certamente vai M-Sport, nunca estive noutro lado. O eu sou agora. É uma excelente pessoa”,
comprometedores. Na Polónia voltou a estranhar um pouco. Claro que a Toyota Malcolm apoiou-me muito, não só ele, disse Ott Tänak, que para o ano tem um
cometer um erro, capotando, mas de- é já uma equipa evoluída, vai estar bem mas toda a equipa. Permitiu-me traba- desafio diferente numa nova realidade
pois veio o Rali da Alemanha, e aí obte- mais perto de casa, pois a base da Toyota lhar na M-sport de forma permanen- - vai ter que se adaptar ao novo carro,
ve nova bela vitória, e logo em asfalto: aos métodos, ao engenheiro e aos ob-
“Esperei pela primeira vitória dema- jetivos da equipa.
siado tempo. Digamos que esperava Quem achar que o que mostrou em 2017
que ela aparecesse um pouco antes da transita para 2018 com a maior das fa-
Sardenha. As coisas estavam a correr cilidades, não é bem assim. A este nível,
bem desde o início do ano, estava com qualquer piloto precisa de algum tempo
um bom feeling no carro, fui três vezes para atingir o máximo das suas capaci-
ao pódio mas não conseguia ganhar. dades e da nova máquina que guia. Claro
Portanto, o Rali da Sardenha foi o pri- que a classe, rapidez e experiência aju-
meiro evento em que tudo se juntou, dam muito, mas mais vale esperar para
e vencemos. Claro que esperava boas ver, e não será já em Monte Carlo, pois
prestações na Polónia e Finlândia que aí, o terceiro lugar do ano passado é o
são os meus ralis favoritos, mas iro- seu único bom resultado na prova do
nicamente foi onde tive os piores re- Sul de França.
sultados da época. Não é o seu melhor rali, mas se calhar,
É como é, mas depois compensei ao sem pressão...

E/22
ENTREVISTA A THED BJÖRK

SPUREICMOEDIREOPICSATMAPSEÃO

Thed Björk, a Volvo e a Polestar Cyan Racing fizeram história Thed Björk nasceu a 14 de dezembro de Mas foi no campeonato sueco de turis-
com a conquista do Mundial de Turismos. O piloto sueco chegou 1980 em Vretstorp, Suécia. Iniciou-se nos mos que fez o seu nome, com um título
a estar muito longe do topo, mas um conjunto de circunstâncias karts mas notabilizou-se na Formula 3 conquistado em 2006 e dois vice-cam-
sueca e nórdica, conquistando os dois peonatos em 2005 e 2009. Com a criação
abriram-lhe uma janela de oportunidade que não desperdiçou... títulos em 1999. Foi para os Estados Unidos do campeonato escandinavo de turismos
competir na Barber Dodge Pro Series. (que agregou o campeonato sueco e o
Fábio Mendes estasiado no final da corrida principal em Aí conseguiu prestações interessantes dinamarquês) em 2011, Björk encontrou
Losail. O piloto da Polestar Cyan Racing em 2000 e em 2001 competiu em várias o seu terreno de caça mais profícuo com
[email protected] tinha acabado de se sagrar campeão do categorias, com mais sucesso nos GT onde três títulos consecutivos (2013,2014,2015),
ornar-me o primeiro campeão mundo de turismos, no último ano do acabou em 3º, com 11 pódios em 12 provas. todos eles com a Volvo. Foi uma das es-
do mundo sueco em pista é algo regulamento de TC1. Foi uma caminhada Participou também pela primeira vez no colhas para iniciar o projeto do WTCC,
com que sonhei a minha vida longa e difícil, mas o piloto sueco cumpriu STCC para substituir Roberto Colciago, juntamente com Dahlgreen e Ekblom,
toda desde que comecei. É o mo- o sonho de todos os que competem no conseguindo um 2º lugar numa das provas mas foi o único que se manteve, tendo
mento mais alto da minha car- desporto motorizado… ser o melhor do do fim de semana. Competiu também na mostrado desde início que era o mais forte
reira”. Thed Björk era um homem mundo na sua categoria. Formula 3000 e nas 24h de Le Mans, assim do trio.Édelea primeiravitórianoWTCC,
como no DTM. na China, no ano passado.

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“Sermos campeões este ano é um feito proposto a Volvo teria de ser praticamente impressões indicavam um Michelisz campeonato, estava em desvantagem.
fantástico pois tal não era o nosso objetivo perfeita. A época foi muito interessante e muito mais forte, mas nem isso tirou o Foi um campeonato ganho de forma fria,
inicialmente. Tínhamos planeado fazer as corridas muito renhidas, mas de alguma foco a Björk: “Tivemos de trabalhar mui- mas muito merecida.
as coisas de forma mais faseada, mas forma a Volvo conseguiu aliar uma postu- to depois dos treinos livres para tentar “Foi o campeonato que mais trabalho me
os responsáveis tomaram a decisão de ra inteligente em pista com alguma sorte. contrariar o andamento do Michelisz. deu vencer. Foi tanto esforço colocado por
acelerar o processo e tentar o título este Björk fez da regularidade o seu ponto forte Pensámos muito no briefing mas che- toda a equipa, num campeonato com um
ano. Tivemos de dar tudo para que tal e, embora tenha conquistado apenas duas gámos à conclusão que não valia a pena nível altíssimo, onde foi preciso dar tudo
acontecesse.” vitórias e mais cinco pódios, conseguiu fazer grandes revoluções. Apostámos em para conseguir vencer. Estou a viver um
Com a saída da Citroën e da Lada estava sempre acabar perto dos lugares cimeiros. afinar os detalhes.” sonho. Quando era miúdo sonhei em ser
claro que o WTCC, tal como o conhece- Catsburg, por exemplo, chegou a liderar O resto é história, os travões tramaram campeão de F1 mas tal não foi possível.
mos desde 2014, se encaminhava para o campeonato, mas a sua inconsistência a vida a Norbi e o sueco, com a ajuda de No entanto consegui realizar o sonho de
o fim. Com menos duas marcas e com custou-lhe o título. Girolami teve azar nas toda a equipa, sagrou-se campeão mun- me tornar piloto de competição e vencer
uma grelha cada vez menos recheada, os primeiras rondas e nunca mais recuperou, dial. Muller ficou com o lugar de Girolami títulos noutras categorias. Consegui-o e
promotores tinham de agir rapidamente mas mostrou o seu real potencial. e serviu de guarda de honra ao sueco, é uma felicidade tremenda poder festejar
e a Volvo entendeu que restava pouco “Para mim, o campeonato foi ganho em uma prova clara que a equipa apostou esta conquista.”
tempo para rentabilizar o investimento Macau, uma pista que eu desconhecia todas as fichas na vitória de Björk – “O Uma nota final para a Volvo e a Polestar
feito. A equipa não olhou a meios e foi e onde os meus adversários já tinham Yvan foi fantástico ao segurar o Huff na Cyan Racing que tiveram a coragem
buscar Nick Catsburg e Nestor Girolami corrido várias vezes. Tentei apenas manter corrida de abertura. Foi um excelente de entrar num campeonato com um
para se juntarem a Thed Björk (o úni- a minha liderança no campeonato pois o esforço conjunto, que tornou a minha regulamento muito exigente e com
co que conseguiu ser competitivo em Michelisz estava muito rápido.” tarefa muito mais simples.” uma concorrência fortíssima, tendo
2016), colocando em pista o melhor trio O campeonato de Björk teve outros três Pode parecer que estamos a desvalorizar sida obrigada a acelerar o processo de
de pilotos do campeonato e contrataram momentos chave: a lesão de Monteiro, a a vitória do sueco, mas a ideia é comple- maturação para poder lutar pelo título,
também Yvan Muller como consultor e penalização de Michelisz na China e a falha tamente a oposta. Pretendemos valori- conquistando, no final do segundo ano,
piloto de testes da equipa. O V60 TC1 tinha de travões de Norbi em Losail. Tiago era zar a conquista de Björk, que conseguiu os campeonatos de construtores e pilo-
mostrado potencial no ano transato, mas claramente o piloto mais forte da Honda e segurar o primeiro lugar em condições tos. Um esforço louvável, com resultados
esperarqueaVolvoconseguissesuplantar estava lançado para uma luta renhida com difíceis. Enfrentou um Monteiro prova- bem saborosos. Assumiram a vontade
a Honda, com muito mais experiência e o sueco. A lesão acabou prematuramente velmente na melhor forma de sempre de serem campeões e deram os passos
com uma máquina cada vez mais refinada, com o sonho luso, mas Michelisz fez uma no WTCC e aguentou-se na frente do certos para ter sucesso num curto es-
era claramente ambicioso. segunda metade de campeonato notável campeonato. Enfrentou um Michelisz paço de tempo. Fala-se que os suecos
O início do ano mostrou exatamente isso, e foi provavelmente o piloto mais rápido rapidíssimo e manteve-se líder. Esteve preparam um TCR para o futuro a curto
e as prestações dos Honda, especialmente neste intervalo de tempo. A penalização sempre no sítio certo para aproveitar os prazo. Pela amostra que tivemos, e caso
de Tiago Monteiro, evidenciavam que a na China retirou pontos importantes ao deslizes dos adversários. Teve de manter- os rumores se confirmem, é melhor
aposta de risco poderia não dar certo e húngaro. -se focado e calmo nas últimas rondas do continuar a contar com eles na luta pelas
que para vencer os títulos a que se tinha Na última corrida do ano, as primeiras ano onde, devido ao pouco tempo neste vitórias no futuro.

E/24 O SENHOR DAKAR
ENTREVISTA QUE GOSTAVA
STÉPHANE PETERHANSEL
DE VOLTAR A ÁFRICA

Em menos de 40 anos de história da prova,
Stéphane Peterhansel já venceu a grande
maratona de todo o terreno por 13 vezes.
Conhecido por 'Monsieur Dakar' esteve
na última Baja Portalegre e disse,
ao Autosport, que por ele a prova
voltava às origens

João Picado estivemos em Marrocos a testar. Demos o Carlos (Sainz). Toda a gente na equipa Com o fim do programa da Peugeot para
[email protected] o nosso melhor para preparar o próximo trabalha nesta direção - tentar vencer o Dakar, já está a planear o seu futuro?
Dakar. Estamos preparados. Sabemos com a Peugeot. Não tenho nada. Não tenho nada porque,
Aos 52 anos, Stéphane que a pressão está do nosso lado. Espero Quais são as diferenças mais evidentes do como a Peugeot me perguntou se este
Peterhansel passou que consigamos fechar o programa da carro deste ano para o do próximo Dakar? seria o meu último Dakar ou não, eu res-
boa parte da sua vida Peugeot Sport com uma vitória. Quero É fácil de ver e de explicar. A base do carro pondi que não sei. Não preparei nada para
a ganhar. Em particu- ganhar, mas se não for eu, espero que é a mesma, mas tem mais 20 centímetros o futuro. Não fiz contactos com ninguém.
lar, destacou-se naque- seja outro piloto da equipa Peugeot, seja de largura. Esta não é a única modifica- Neste momento, só quero estar totalmente
la que muitos conside- o Sébastien (Loeb), o Cyril (Despres) ou ção, mas é a mais importante. concentrado no último Dakar. Depois, tudo
ram a corrida mais dura e exigente
do mundo, o Dakar. Ao todo, são 13 os
triunfos nesta maratona. Primeiro, nas
motos. Fez nome na modalidade quando
a maratona ainda era africana e ligava a
Europa à capital do Senegal. Mas nem a
passagem para os automóveis e, pos-
teriormente, a mudança de continente,
impediram o francês de continuar ga-
nhar. Também na América do Sul, o seu
palmarés é invejável. Presente na Baja
Portalegre 500 pela segunda vez conse-
cutiva ao volante de um SSV, Stéphane
Peterhansel explicou ao Autosport que
quer vencer pela terceira ocasião conse-
cutiva. O piloto também falou do seu fu-
turo, do da modalidade, em particular, do
Dakar, e dos sonhos que, possivelmente,
já não irá realizar.
Autosport: Já venceu o Dakar 13 vezes.
É um número tremendo. Está numa das
melhores equipas. Perante isto, o seu
objetivo é voltar a vencer. Mudou algu-
ma coisa na forma de preparar a prova?
Stéphane Peterhansel: Não. Nós vence-
mos os dois últimos Dakar. Temos a no-
ção que toda a gente pensa que somos os
melhores. Mas nós continuamos a traba-
lhar. Continuámos a desenvolver o carro.
Voltámos a fazer muitos testes. Na sema-
na passada (ndr.: antes da Baja Portalegre)

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depende do prazer que eu tenha durante a Relativamente ao Dakar, acho que a quem defende o ambiente, Um dos meus sonhos era participar num
próxima prova. A seguir a isso, logo se vê. vai ser muito interessante. A pró- entre outros fatores. Mas rali do WRC. Não tenho qualquer interes-
Para mim, não é necessário que tenha de xima edição começa no Perú, que a próxima edição será a se em fazer velocidade, mas, na minha
continuar a correr. Mas isto é uma parte é um país fantástico. Depois pas- 40ª. Ou seja, já começa a opinião, o tipo de competição mais inte-
muito importante da minha vida. Sei que ressante foi o WRC. Já fiz alguns ralis em
no dia em que parar vou sentir falta de al- samos na Bolívia e acabamos na ser uma prova ‘velha’. França, mas nunca tive tempo e oportu-
guma coisa. Enfim, não faço ideia de como Argentina. Pode ser uma prova E se pudesse decidir. Mudaria o Dakar nidade para correr no WRC.
vai ser o futuro para mim. muito interessante. Algumas edições na para África? Podemos, um dia, vê-lo a correr de WRC?
Como vê o futuro do todo o terreno? América do Sul não o foram porque ti- Sim, sem dúvida. Para mim, o espírito e Não. Isso está fora de questão.
nham demasiadas pistas parecidas ao a aventura associados à prova são em Nem que seja só pela diversão?
WRC. Mas ter um percurso entre o Perú, África. A prova, para mim, continua a fazer Eu sou um piloto profissional. Se tiver de
a Bolívia e a Argentina vai ser bom. A or- sentido em África. Mas isso não é possível. desenvolver um projeto para correr de
ganização é bastante boa e o retorno me- Peguemos no exemplo de Le Mans. A ACO WRC, encontrar patrocinadores e condi-
diático continua a ser bom, não apenas e a FIA acordaram que a prova pontuaria ções para correr, não me interessa. Estou
em França, mas em todo o planeta. Acho para o campeonato do mundo de resis- cansado disso.
que ano após ano é mais complicado or- tência. Gostaria de ver a mesma solução Mas se pudesse, por exemplo, fazer uma
ganizar uma prova como o Dakar, devido para o todo o terreno? participação pontual com um Citroën?
O Dakar é uma prova muito longa. Acho Porque não? Mas é preciso preparação,
que, na minha opinião, se tivermos dois testar. Quando ganhas, tens os olhos
eventos principais, como o Dakar em ja- em cima de ti, és o centro das atenções.
neiro e outro durante o verão, como acon- Quando comecei a correr de carro, seja
tece com o Rali Rota da Seda, que se realiza no Dakar, seja nas corridas de gelo, ain-
durante 15 dias, essa é a melhor solução. da tentei ir para o WRC. Mas já era dema-
Duas provas grandes em continentes di- siado velho para isso. Passei a minha vez
ferentes é o melhor. mas estou muito contente com a minha
Que tipo de competição gostaria de expe- carreira.
rimentar além do todo o terreno?

E/
ENTREVISTA

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STÉPHANE PETERHANSEL

“O NOSSOESPÍRITO
DE GRUPOESTÁ
NO MÁXIMO”

Quatro pilotos e palmarés de fazer ou fomos campeões antes de
inveja a qualquer um. Stéphane estarmos na mesma equipa. Temos
Peterhansel é o piloto mais bem- imenso respeito uns pelos outros.
sucedido no Dakar, mas a seu lado Sabemos que se fizermos um bom
tem um piloto como Sébastien Loeb, trabalho, provavelmente vamos
nove vezes campeão do mundo conseguir ganhar. O problema não
de ralis, Carlos Sainz, bicampeão são os adversários. É a forma como
do mundo de ralis e vencedor da gerimos a nossa própria corrida. Por
maratona de TT, e Cyril Despres, que exemplo, o Seb (Loeb) sabe que na
também se notabilizou na jornada última edição cometeu demasiados
africana e depois sul-americana. erros para poder vencer. Se eu
A gestão dos palmarés e respetivos não for capaz de triunfar no
egos é, para quem está de fora, próximo Dakar, é porque não fui
uma tarefa difícil e os responsáveis suficientemente rápido ou errei em
desportivos da Peugeot Sport demasia. Esta é uma corrida contra
têm de o fazer com pinças. Mas, o tempo. Não é, necessariamente,
para Stéphane Peterhansel, isso é uma corrida contra os outros
mesmo o mais fácil. “Sabe, fiquei concorrentes. O espírito de grupo
surpreendido porque é bastante está no máximo”, explicou Stéphane
simples. Todos nós vencemos Peterhansel.

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“O NÍVELEM
PORTALEGRE
É MUITOALTO”

Depois de ter participado pela Peterhansel notabilizou-se por ser de enduro. Pensava que era o melhor extremamente interessante. Quem o faz
primeira vez ao volante de um SSV na rápido e muito bom nas dunas. Sendo piloto do mundo. E quando cheguei a corre regularmente neste tipo de provas.
Baja Portalegre 500, em 2016, este Portalegre uma prova bem diferente, Portalegre para correr de moto, não Sei que, para mim, não é possível ganhar.
repetiu a 'dose'. Por isso mesmo, quisemos saber como a vê: consegui ganhar. Os pilotos portugueses Não temos o melhor SSV porque tem
quisemos saber o motivo que o fez Lembro-me perfeitamente da primeira são muito rápidos, conhecem bem o características a pensar em provas mais
voltar: vez que participei. Foi de moto. Quando terreno e têm bastante experiência. longas, como em Marrocos. É um pouco
Em primeiro lugar, porque o desporto isso aconteceu, já tinha ganhado o Sei que é assim, mesmo quando corro pesado. Mas, no final, tentamos sempre
motorizado é a minha paixão. Ninguém me Dakar, tinha sido campeão do mundo de SSV. O campeonato nacional é dar o nosso melhor.
diz que preciso de fazer esta ou aquela
corrida. No ano passado divertimo-nos
imenso. Tenho excelentes recordações
com a Andrea, a minha co-piloto e minha
mulher. Fomos muito bem-recebidos, em
particular pela Yamaha Portugal. O melhor
de tudo é que a prova de Portalegre
é muito interessante, com pistas
espetaculares, uma excelente organização,
setores longos, um com 350 quilómetros.
Para mim é perfeito com o SSV da Yamaha
porque não é muito rápido, é técnico. É a
oportunidade que tenho de ter prazer sem
qualquer tipo de pressão, mas é, também,
uma forma de fazer um treino a pensar no
Dakar porque, apesar de andar com um
SSV, tem semelhanças. Por isso, não posso
dizer que esteja aqui só para me divertir
ou só para treinar. É uma mistura das duas
coisas.

PEUGEOTSUPER-FAVORITANODAKAR

Apesar de terem existido ajustes nas Para Stéphane Peterhansel, espera- depois da intensa batalha com o não a minha última participação, ainda
regras, o Team Peugeot Total será se mais um belo duelo com Sébastien Sébastien (Loeb), que ficou mesmo como está por decidir. Para mim, o Dakar
novamente o grande favorito à vitória Loeb, piloto que tem tido uma rápida uma das melhores recordações da minha é mesmo uma questão de equilíbrio,
no Dakar, até porque não se sabe o que aprendizagem no TT, para onde levou a carreira. O problema é que quanto mais como se fosse um ritual que dura o
poderá valer o novo Buggy Mini da X-Raid. classe que sempre mostrou nos ralis: “A vezes vencemos, mais queremos vencer ano inteiro. Recarregamos as baterias,
A juntar a isto, os Peugeot foram sensação de vencer outra vez o Dakar outra vez! Este ano vai ser ainda mais preparamo-nos física e mentalmente.
amplamente modificados para maximizar no ano passado foi absolutamente especial, pois é a 40ª edição da prova A tensão começa a aumentar por volta
o nível de performance, tendo sido fantástica: senti uma enorme libertação, e a minha 29ª participação. Se será ou de setembro e transforma-se em pura
melhorados os pontos mais fracos do emoção em dezembro, quando a única
carro que tem agora um novo nome: coisa em que pensamos é arrancar e
Peugeot 3008DKR Maxi. A arquitetura de fazer quilómetros, e quando as coisas
base não sofreu alterações: duas rodas começam, a única coisa que nos passa
motrizes animadas por um motor de 3.0 pela cabeça é andar a fundo.
litros biturbo. Contudo, as vias foram Para mim é algo de realmente único
alargadas em 10 cm de cada lado para poder conduzir por estas paisagens
melhorar a estabilidade, tendo também magníficas, quase sempre a fundo e para
sido feitos alguns melhoramentos além disso o Peugeot 3008DKR Maxi é,
ao nível da suspensão, reforçando as pura e simplesmente, o melhor carro
caraterísticas de condução. que alguma vez conduzi. Tem imensa
O carro já foi exaustivamente testado, tecnologia, como as peças em fibra de
tendo realizado mais de 18.000 km de carbono que compõem a sua estrutura,
testes em Marrocos, Portugal e França. aliada à fiabilidade, à performance e ao
Porém, os novos regulamentos favorecem puro prazer de condução. Para nós, o
menos o Team Peugeot Total, tendo em objetivo é fazer com que a Peugeot vença
conta o aumento de peso mínimo imposto outra vez e encerrar o nosso programa
ao Peugeot, enquanto que os rivais viram na forma mais positiva possível”, disse
o seu peso mínimo diminuído, mas com Peterhansel, que certamente quererá
mais margem de manobra noutras áreas. encerrar esta aventura Peugeot no topo.

N/28
NOTÍCIAS

ADNATCÓONSITOAFNÉALSI2X4

HORAS DE LE MANS

António Félix da Costa foi confirmado no programa da BMW
Motorsport no Mundial de Endurance, o que significa que passa

a disputar dois dos mais importantes campeonatos FIA da
atualidade. E pelo meio há 24 Horas de Le Mans... vezes dois!

José Luís Abreu
[email protected]

É a notícia que os portugueses que com talento de corrida puro
gostam de velocidade internacio- significa que estamos bem
nal esperavam. António Félix da posicionados para alcançar
Costa foi confirmado como um bons resultados na nossa
dos quatro pilotos da BMW Motorsport primeira época em território
para a super temporada de 2018 e 2019 desconhecido”.
do Mundial de Endurance, que como Quanto ao programa de clientes
se sabe, inclui duas edições das 24 do BMW M6 GT3, Jens Marquardt
Horas de Le Mans, a segunda prova de revelou também que o carro
2018, depois de Spa Francorchamps, irá correr novamente nas 24
e a fechar, a oitava prova do super- Horas do Nurburgring com
-calendário. Martin Tomczyk, Nick a Rowe Racing e nas
Catsburg e Augusto Farfus comple- 12 Horas de
tam o line-up, sendo estes os pilotos
regulares da equipa no WEC, que será Bathurst com a BMW Team Schnitzer.
reforçada por Tom Blomqvist, Philipp Na Formula E, para além de António
Eng e Alexander Sims nas 24 Horas
de Le Mans 2018 e 2019 e nas 1500 Félix da Costa e Tom Blomqvist, que
Milhas de Sebring 2019. Outro anúncio vão correr pela MS & AD Andretti,
interessante feito pelos responsáveis Alexander Sims será o piloto
da BMW passa pelo facto de Alex de reserva oficial.
Zanardi ir disputar as 24 Horas de Nos ‘States’, a BMW
Daytona de 2019 num BMW M8 Team RLL terá para
GTE ‘modificado’ tendo em todas as provas do
conta as suas ‘nuances’ IMSA WeatherTech
físicas.
Para Jens Marquardt,
líder da equipa: “Os
nossos pilotos do
WEC têm estado en-
volvidos no trabalho
de desenvolvimen-
to do BMW M8 GTE
desde o princípio e
a combinação de
experiência nos GT

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29

CAMPEONATO DE PORTUGAL DE RALIS
COM NOVIDADES

Já é conhecido o calendário do Campeonato de Portugal de Ralis – mudou novamente

de nome – e há algumas novidades de monta. A primeira e mais evidente é que o Rali de

Espinho sai da competição, sendo substituído pelo Rali de Amarante/Baião. Ambas as

provas são em asfalto, pelo que nesse aspeto nada mudou.

A outra mudança tem a ver com o escalonamento das provas, com a antecipação do Rali

de Mortágua, que passa para o fim de abril, com a prova da Escuderia Castelo Branco, o

Rali de Castelo Branco, a passar para o fim de junho.

Como resultado, o CPR 2018 passa a ter as provas de terra e asfalto agrupadas, com os

primeiros ralis a realizarem-se em piso de terra, sendo que após o Rali de Portugal se

inicia a fase de asfalto que arranca no início de junho com o Rali Vidreiro e se estende

até outubro, com a prova do Algarve. Nota curiosa para o facto do Rali de Amarante/

Baião estar previsto realizar-se em piso de asfalto depois de até aqui aproveitar os

bons troços de terra por CALENDÁRIO
onde passava o Rali de
Portugal. O calendário tem 17-18 DE FEVEREIRO RALI SERRAS DE FAFE (TERRA)
nove provas, e a exemplo
do que sucedeu este ano, 22-24 DE MARÇO AZORES AIRLINES RALLYE (TERRA)
os concorrentes terão de
nomear oito para participar. 27-28 DE ABRIL RALI DE MORTÁGUA (TERRA)

17-20 DE MAIO VODAFONE RALI DE PORTUGAL (TERRA)

08-09 DE JUNHO RALI VIDREIRO CENTRO DE PORTUGAL (ASFALTO)

30 DE JUNHO A 01 JULHO RALI DE CASTELO BRANCO (ASFALTO)

Quanto ao resto, quando 02-04 DE AGOSTO RALI VINHO DA MADEIRA (ASFALTO)

forem publicados os 22-23 DE SETEMBRO RALI AMARANTE/BAIÃO (ASFALTO)

regulamentos, se saberá. 17-18 DE OUTUBRO RALI CASINOS DO ALGARVE (ASFALTO)

CALENDÁRIO DO CAMPEONATO DE
PORTUGAL DE VELOCIDADE DE 2018

O Campeonato de Portugal de Velocidade arranca no Estoril, em abril, e termina em

outubro, em Portimão. A competição tem cinco provas, passa por todos os circuitos de

Portugal, com os eventos a serem mais C A L E N D Á R I O

ritmados - exceção feita à altura do verão 13 A 15 DE ABRIL RACING WEEKEND ESTORIL
após Vila Real. O CPV arranca novamente 26 E 27 DE MAIO RACING WEEKEND BRAGA

com o International GT Open no Estoril e 23 E 24 DE JUNHO RACING WEEKEND VILA REAL

termina em Outubro no AIA, novamente 15 E 16 DE SETEMBRO RACING WEEKEND BRAGA 2

com a European Le Mans Series (ELMS). 26 A 28 DE OUTUBRO RACING WEEKEND PORTIMÃO

C/ C A L E N D Á R I O S 2 0 1 8

SportsCar Challenge, Jesse Krohn, depois de se ter destacado no progra- CAMPEONATO DE RALIS DA MADEIRA
Alexander Sims e Connor de Phillippi ma GT3 da BMW. Os restantes pilotos
sendo que nas provas de Endurance são Bruno Spengler, Marco Wittmann, 23 E 24 DE MARÇO RALI DE SÃO VICENTE ASFALTO
a equipa contará ainda com Bill Timo Glock e Augusto Farfus. ASFALTO
Auberlen, Augusto Farfus, Philipp Para António Félix da Costa esta é a 13 E 14 DE ABRIL RALI PORTO SANTO LINE ASFALTO
Eng e Nicky Catsburg: “Com o Connor confirmação do bom trabalho que tem ASFALTO
De Phillippi, passaremos a ter outro vindo a fazer desde que em 2014 rumou 11 E 12 DE MAIO RALI DA CALHETA ASFALTO
especialista nos GT na equipa. Estou à BMW Motorsport, num percurso ASFALTO
também satisfeito com o facto do nos- digno no DTM, feito de bons resultados 08 E 09 DE JUNHO RALI MUNICÍPIO DE SANTA CRUZ ASFALTO
so Júnior da BMW Motorsport, Jesse nos GT, de caminho desbravado para ASFALTO
Krohn, ter sido promovido à equipa a BMW na Fórmula E, e mais recente- 06 E 07 DE JULHO RALI DO MARÍTIMO
de fábrica. Aproveito este momento mente de trabalho iniciado no desen-
para expressar mais uma vez o meu volvimento do carro que vai dar corpo 02 A 04 DE AGOSTO RALI VINHO DA MADEIRA
respeito e admiração pelo Bill Auberlen ao futuro da BMW nas pistas, o BMW
pois não há outro piloto que esteja tão M8 GTE: “Vou estar em dois dos mais 14 E 15 DE SETEMBRO RALI MUNICÍPIOS FUNCHAL E CÂMARA DE LOBOS
de perto associado à BMW como ele. importantes campeonatos Mundiais
400 corridas com um só construtor FIA. Além da Fórmula E, também irei 26 E 27 DE OUTUBRO ZOOM IGEST RALI DO FAIAL
é único.” correr no WEC com o BMW M8 GTE!
Quanto ao DTM, os novos pilotos da Estou desde já ansioso por este duplo e CAMPEONATO DE RALIS DOS AÇORES CNTT
BMW são Philipp Eng e Joel Eriksson. enorme desafio, e estou orgulhoso por
Este último trânsita da Fórmula 3 eu- continuar a representar esta enorme 22 A 24 DE MARÇO AZORES AIRLINES RALLYE TERRA 16/17 MAR. BAJA TT DO PINHAL
ropeia, onde foi vice-campeão atrás família BMW. 24 Horas de Le Mans 07/08 ABR. BAJA TT DE LOULÉ
de Lando Norris e Eng vai para o DTM 2018, aqui vou eu”. 04 E 05 DE MAIO XXXVII RALI SICAL ASFALTO 25/27 MAI. BAJA TT CAPITAL VINHOS DE PORT.
16/17 JUN. BAJA TT GAS
01 E 02 DE JUNHO XXIX RALI ILHA AZUL ALEM MAR TERRA 07/08 SET. BAJA TT IDANHA-A-NOVA
25/27 OUT. BAJA PORTALEGRE 500
30 DE JUN.E 1 DE JUL. LOTUS RALI TERRA

11 E 12 DE AGOSTO RALI SANTA MARIA ASFALTO

14 E 15 DE SETEMBRO RALI ALÉM MAR/40º RALI ILHA LILÁS ASFALTO

12 E 13 DE OUTUBRO VII PICO PLAY AUTO AÇOREANA ASFALTO

CAMPEONATO DE PORTUGAL CAMPEONATO DE PORTUGAL
DE KARTING
DE MONTANHA
14/15 ABRIL CIRCUITO DE BRAGA

07/08 ABRIL RAMPA DA PENHA 26/27 MAIO CIRCUITO DE LEIRIA

11/13 MAIO RAMPA INTERNACIONAL DA FALPERRA 09/10 JUNHO CIRCUITO DE VIANA DO CASTELO

02/03 JUNHO RAMPA SERRA DA ESTRELA 15/16 SETEMBRO CIRCUITO DO BOMBARRAL

16/17 JUNHO RAMPA SANTA MARTA 20/21 OUTUBRO CIRCUITO DE PALMELA

14/15 JULHO RAMPA DO CARAMULO OPEN DE PORTUGAL DE KARTING

28/29 JULHO RAMPA DE MURÇA 17/18 MARÇO (MINHO)

07/08 SETEMBRO RAMPA SENHORA DA GRAÇA TAÇA DE PORTUGAL DE KARTING

29/30 SETEMBRO RAMPA DE BOTICAS 3/4 NOVEMBRO AIA ALGARVE

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JACKIE Guilherme Ribeiro
STEWART [email protected]

HÁBIL(PARTEII) Na primeira parte da história da
EM PISTA… carreira de Jackie Stewart fa-
EFORADELA lámos de controvérsia, de ge-
nialidade e de muitos dos seus
Depois de na passada semana termos publicado a primeira feitos em pista. Destes últimos
parte da história de Jackie Stewart, desta feita, vamos recordar temos mais para recordar, mas
também falaremos da pressão que exer-
a segunda parte da sua carreira e do seu papel de promotor ceu quanto aos melhoramentos das con-
da segurança no desporto automóvel dições de segurança de carros e circuitos.
Na primeira parte terminámos a falar das
CONHEÇA ESTA E MUITAS épocas de 1966 e de 1967 - neste último
OUTRAS HISTÓRIAS EM AUTOSPORT.PT

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ano ficámos no momento em que com- de para lutar pelas vitórias, mas Jackie conseguindo o seu terceiro triunfo da mitiram a Jackie chegar à ultima prova, o
petia na F2 ao volante dos carros de Ken Stewart lesionou-se num pulso nos trei- carreira em Zandvoort à chuva e, pou- G.P. do México, em condições de lutar com
Tyrrell, que era responsável pelo progra- nos da prova de Jarama, a contar para o cos meses depois, no G.P. da Alemanha, Graham Hill pelo título, mas sofreu com
ma competitivo da Matra naquela fórmula Europeu de F2, e ficou assim de fora dos disputado sob forte chuva e nevoeiro no problemas mecânicos e nunca conseguiu
até que a marca francesa resolveu dar o G.P. de Espanha e do Mónaco. A tem- temível Nürburgring. Apesar das con- acompanhar o ritmo do piloto da Lotus,
salto para a F1. Stewart chegou a acor- porada de 1968 foi marcada por múlti- dições dantescas e de se tratar de uma que esteve simplesmente impecável e
do com Ken Tyrrell, num momento que plas tragédias, a começar pela morte de das pistas mais perigosas do calendário, venceu a prova e o campeonato - sem
chegou à F1 uma das mais emblemáticas Clark em Hockenheim, seguido de Mike Stewart aproveitou bem os novos pneus dúvida um bálsamo de alegria num ano
formações da sua história. Spence, Ludovico Scarfiotti e Jo Schlesser, Dunlop especialmente concebidos para trágico para a Lotus, depois das perdas
entre outros, o que reforçou a pressão de chuva intensa e deu um verdadeiro re- de Clark e Spence.
STEWART E TYRRELL Stewart em busca de melhores condi- cital de virtuosismo, vencendo com mais A superioridade de Ken Tyrrell foi tal que,
DUPLA IMPARÁVEL ções de segurança. Regressado à com- de quatro minutos de vantagem sobre o para 1969 a Matra rendeu-se às evidências
De imediato se percebeu que a combi- petição na Bélgica, o escocês mostrou segundo classificado. A sua regularidade, e deixou de lado o seu V12 para desenvol-
nação Matra-Cosworth tinha capacida- de imediato estar na luta pelas vitórias, aliada a uma terceira vitória nos EUA, per- vimento, apoiando a full-time a operação

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de Ken Tyrrell, que inscrevia Stewart e pouco quem, e a March sofreu isso na
Beltoise. De imediato se percebeu que o pele em ambas as categorias. Se a ven-
conjunto era o mais competitivo do pe- da de novos chassis foi rentável para os
lotão, principalmente com a introdução cofres, o carro foi concebido muito à pres-
do novo MS80 com a chegada à Europa. sa e cedo se percebeu que não só era di-
Depois de vencer na África do Sul, es- fícil de guiar como também não era nada
treou o novo carro com uma vitória em fiável. O génio de Ken Tyrrell e de Stewart
Espanha, à qual se seguiram outras na permitiu à equipa alguns grandes resul-
Holanda, França, Inglaterra e Itália, o que tados e exibições com os March, dando a
permitiu a Stewart e à Matra conquista- primeira pole à marca de Bicester no G.P.
rem antecipadamente o título de pilotos da África do Sul e a primeira vitória logo
em Monza, ainda a três provas do fim da de seguida, em Espanha, mas os proble-
época. No entanto, em 1970, a formação mas constantes de fiabilidade não tarda-
de Jean-luc Lagardère considerou que o ram a fazer-se sentir. Se bem que habi-
seu V12 já estava otimizado, e tendo fei- tualmente mais preformantes do que os
to um acordo com a Simca – parte inte- carros oficiais, a dupla da Tyrrell – Stewart
grante do Grupo Chrysler desde o início do e o estreante François Cevert (a partir da
ano – não podia permitir que Ken Tyrrell segunda metade da época) deparavam-se
usasse motores Ford. Porém, “Uncle Ken” com um carro em estado de subdesen-
e Stewart eram apoiados pela marca da volvimento, que só permitiu ao campeão
oval azul e não estavam convencidos da em título mais dois pódios, na Holanda e
fiabilidade dos motores de Vélizy, sendo Itália. E, na segunda metade da época,
assim obrigados a procurar outra marca. Ken Tyrrell, financiado pela Ford e pela
No estado adiantado da época, restou a Elf, contratou o jovem projetista Derek
novata March que, concebida em 1969, ti- Gardner e encarregou-o de construir o
nha-se proposto a entrar com uma equipa primeiro monolugar com o nome Tyrrell.
de fábrica na F2 e F1 em 1970, mas viu-se Stewart tinha também previsto o seu re-
rapidamente a operar com pouco dinheiro gresso às 24 Horas de Le Mans, pilotando
e como uma verdadeira distribuidora de um Porsche 917 inscrito por John Wyer, ao
chassis cliente. lado de Steve McQueen, que se encontra-
Como diz o ditado, depressa e bem há va então na fase de rodagem de um dos

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mais icónicos filmes sobre esta modali- der, muito a contragosto da organização segurança, além de um maior número de Nos treinos para o G.P. de Itália, Jochen
dade, Le Mans. McQueen era um ávido belga, o que tornou Stewart cada vez mais comissários, o que foi considerado dema- Rindt, que havia dominado a época com
amante da velocidade e já tinha corrido impopular junto da própria CSI e de mui- siado oneroso pela organização. Desta o seu Lotus 72, faleceu num violento aci-
ocasionalmente, mas a seguradora não tos espetadores e jornalistas, habituados vez, os pilotos não estavam tão unidos e dente. Jackie e Helen Stewart eram amigos
aceitou cobrir a sua participação em Le ao risco inerente da competição. Porém, a maioria parecia disposta a correr, o que íntimos de Jochen e Nina Rindt, sendo aliás
Mans e o projeto ficou sem efeito. dizia-se que cada piloto que começava a levou Stewart a anunciar a saída da GPDA vizinhos na Suíça, onde viviam no exílio
Pelo meio, viveram-se momentos de ten- época de F1 tinha cerca de um terço de se a votação relativa ao boicote não fos- fiscal, e o choque afetou profundamente
são e tragédia. Já em 1969 os pilotos, orga- probabilidades de morrer pelo meio, e esta se aprovada. No entanto, o veteraníssimo Jackie, que mesmo assim disputou a prova
nizados na Grand Prix Drivers Association taxa elevadíssima começava a pesar na Jack Brabham impôs a sua voz, conside- e conseguiu um surpreendente segundo
– presidida à data por Jo Bonnier, grande consciência dos pilotos, à medida que as rando que se este boicote não fosse em lugar, pese um dos maiores desgostos da
amigo de Stewart, e depois pelo esco- velocidades aumentavam. Novas tensões frente, a GPDA perderia qualquer força de sua vida, como o próprio afirmou. Nas últi-
cês – tinham boicotado o G.P. da Bélgica, rebentaram em 1970, depois da trágica reivindicação futura, e os organizadores mas três provas da temporada, enquanto
depois do escocês reportar a quase total morte de Piers Courage na Holanda. Os alemães tiveram que se “desenrascar” e os estreantes Emerson Fittipaldi e Reine
inexistência de rails ao longo do rapidís- pilotos exigiram que o Nürburgring fos- passar a prova para Hockenheim naquele Wisell tentavam assegurar o título pós-
simo traçado. À CSI não restou senão ce- se alvo de várias obras para reforçar a sua ano. Mas a tragédia não acabou. tumo para Rindt, Stewart e Cevert es-
treavam o novo Tyrrell 001. Logo na pri-
meira prova, no Canadá, Stewart colocou
o novo carro na pole, mas foi traído pela
fiabilidade, e todos sabiam que aquelas
três provas eram uma experiência para
o ano que se seguiria.
Desde que se empenhou a fundo na sua
carreira na F1, Stewart deixou gradual-
mente de correr nos Sport-Protótipos
à parte uma ou outra ocasião, embora
continuasse na F2, tanto com a Matra
como, em 1970, com John Coombs. Porém,
depois de gorada a participação em Le
Mans em 1970, o escocês aceitou o convi-

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te de Jim Hall para pilotar o revolucionário marcou o início de uma campanha vito- e o trabalho como comentador televi- cido título ao jovem prodígio brasileiro,
Chaparral 2J no campeonato Can-Am e foi riosa que fez, indubitavelmente, lembrar sivo nos EUA, fizeram com que Stewart após somente duas temporadas e meia
dos poucos a conseguir domar o mons- Jim Clark e a Lotus. Stewart venceu em tivesse cruzado o Atlântico por 87 vezes de competição, enquanto o novo Tyrrell
truoso e inovador carro, batendo por duas Espanha e no Mónaco, passou por uma em 1971. E toda esta agitação teve conse- 005chegavafinalmente naÁustria,per-
vezes em qualificação os omnipresentes prova desastrosa na Holanda onde os quências claras sobre a sua saúde, com mitindo a Stewart terminar a época em
McLaren, apenas para ser habitualmen- pneus Goodyear jamais se adaptaram o escocês a sofrer uma mononucleose alta, com as vitórias no Canadá e nos EUA,
te recompensado com uma fiabilidade às condições frias e chuvosas do dia da no defeso, que o deixou muito debilitado conseguindo assim o vice-campeonato.
desastrosa. Na verdade, o Chaparral era corrida, retomando o ciclo vitorioso nos no início da época, vendo-se também Previa-se mais uma épica luta entre
um carro demasiado ousado para o seu G.P. de França, Inglaterra e Alemanha. E, a braços com uma úlcera gástrica. Para Stewart e Fittipaldi em 1973, agora com
tempo, e grande parte das tentativas de apesar de um raro abandono na Áustria, agravar a situação, a evolução do Tyrrell o 006, uma versão ainda mais refinada
Jim Hall ficaram goradas por este pen- Jackie saiu de Österreichring com o título 003 e o modelo 004 introduzidos para a do 005 que tão boa conta de si dera nas
samento tão “fora da caixa”. No entanto, no bolso. Depois de nova desistência em época de 1972 não tinham o mesmo an- últimas provas do ano anterior. E, tal como
em 1971 foi a vez de Carl Haas o convidar Itália, Jackie venceu ainda o G.P. do Canadá damento que a nova evolução do Lotus 72. em 1972, o escocês dedicar-se-ia a tempo
para fazer a época completa ao volante sob uma chuva torrencial, fechando a E se Stewart venceu a primeira prova da inteiro à F1, competindo apenas de forma
do também inovador Lola T260. No en- época com o quinto lugar nos EUA, numa época, na Argentina, não demorou a ficar muito esporádica no ETCC com os Ford
tanto, o Lola teve sempre problemas de prova vencida por François Cevert, con- patente que o grande favorito ao título Capri desenvolvidos pela Ford Colónia, no
conceção crónicos que o impediram de firmando a Tyrrell como a clara campeã era Emerson Fittipaldi e o seu Lotus. De âmbito da sua colaboração com a marca
lutar regularmente contra os McLaren, de Construtores da época (o único título facto, assim aconteceu, já que os Tyrrell americana. 1973 foi o apogeu da luta entre
e só todo o talento de Stewart conseguia conseguido pela marca). foram afetados por vários problemas de Ford e BMW, e Stewart deu alguma ajuda
extrair o melhor do instável carro, permi- No entanto, o ritmo elevadíssimo de fiabilidade e Stewart teve mesmo de se à filial germânica da oval azul, chegando
tindo-lhe vencer em St. Jovite e Mid-Ohio, Stewart, desde a F1 e consequentes ses- ausentar na Bélgica para tratar definiti- a correr ao lado de… Fittipaldi – outros
terminando o campeonato em terceiro, sões de testes – Jackie tinha sido o princi- vamente os seus problemas estomacais. tempos definitivamente – na tentativa
bem atrás de Revson e Hulme. pal mentor de um negócio entre a Tyrrell Regressado em França, venceu a prova de bater a BMW, algo que não foi conse-
De volta à F1, a época de 1971 foi, talvez, e a Goodyear que garantia à equipa de graças ao azar de Chris Amon, mas Tyrrell guido. Voltando á F1, Fittipaldi entrou me-
aquela em que Stewart dominou com Ockham sessões de testes exclusivas – e Gardner trabalhavam já arduamente no lhor, vencendo na Argentina e no Brasil,
maior à vontade o campeonato. Depois ao campeonato Can-Am, mais os seus novo monolugar, preparando a época de enquanto Jackie conseguia dois pódios.
de um segundo lugar obtido ainda com compromissos promocionais com a Ford, 1973. Deste modo, Fittipaldi ganhou uma Mas, com a estreia do 006 na África do
o 001, a estreia do novo Tyrrell 003-Ford Goodyear e Elf, Moët & Chandon, Rolex vantagem decisiva que deu um mere- Sul, o sucesso regressou à equipa de Ken

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Tyrrell, que conseguiu mais uma vitória prova em França. que bastantes vozes discordem – Cevert Lotus estavam mais rápidos e Stewart
na África do Sul. Mas havia algo mais para lá dos resultados estava pronto para assumir a liderança parecia destinado a ir para o Canadá ain-
Um abandono e consequente vitória de quepassavanamente deJackie Stewart. da equipa e lutar pelo título em 1974, e da com o campeonato por decidir, ainda
Fittipaldi em Espanha pareceram dar van- O escocês, então a caminho dos 34 anos, especulava-se que o segundo carro iria para mais quando furou na fase inicial da
tagem à Lotus, mas não passou de ‘fogo de pensava insistentemente em retirar-se, para Patrick Depailler (apoiado pela Elf) prova e perdeu muito tempo na troca de
vista’, já que Stewart venceu em seguida sabendo que a sua mulher sofria imenso ou para a estrela da Ford nos turismos e pneus, caindo para 20º. Se alguém pen-
na Bélgica e no Mónaco e reestabeleceu o com o receio da perda de Jackie, princi- grande promessa nos monolugares Gerry sasse que a motivação do piloto estava em
equilíbrio que marcaria a temporada. Na palmente depois do que havia acontecido Birrell (apoiado pela oval azul), entre ou- baixo ficou muito enganado, pois Stewart
verdade, o Lotus era um carro no apo- com Jochen Rindt, e também ciente de que tros. Cevert nunca soube de nada e dava iniciou uma recuperação fantástica que
geu do seu desenvolvimento e perfei- havia já conseguido muito mais do que habitualmente o seu melhor, por si e pela o levou até ao quarto posto… e como na
tamente afinado, enquanto o Tyrrell 006 inicialmente pensara. E nada melhor que equipa, secundando Stewart nas suas Lotus Chapman não deu ordens de equi-
foi sempre muito difícil de pilotar, o que fechar a carreira no seu centésimo Grande vitórias na Holanda – marcada pela trá- pa e Peterson manteve-se na frente de
deixava os seus pilotos por vezes algo Prémio e com o terceiro título mundial. No gica morte de Roger Williamson – e na Fittipaldi, o escocês garantia assim a sua
desconcertados. entanto, para não causar grande especu- Alemanha. terceira coroa. Porém, a época ficaria mar-
A meio da época, após mais duas vitó- lação e para evitar aumentar o sofrimento O segundo lugar na Áustria deixou o es- cada, mais uma vez, pela tragédia, já que
rias na Bélgica e no Mónaco, Stewart ti- de Helen, Stewart comunicou a retirada cocês praticamente com as mãos no tí- na última prova, em Watkins Glen, Cevert
nha apenas um ponto de vantagem sobre em meados de 1973 apenas a Ken Tyrrell tulo, e viria a consegui-lo em Itália, depois cometeu um erro de pilotagem nos treinos
Fittipaldi, mas começava a notar-se uma e a Walter Hayes. Para o escocês – se bem de uma performance extraordinária. Os e enfaixou-se nos rails, que cederam, ma-
tendência – enquanto na Tyrrell Cevert fi- tando instantaneamente o piloto francês.
cava satisfeito com o lugar de segundo pi- Quando chegou ao local, Stewart ficou, tal
loto e se empenhava em aprender o mais como muitos outros, em choque ao ver o
possível com o seu conceituado colega de corpo do seu amigo, e tanto ele como Ken
equipa, na Lotus Fittipaldi via-se amea- Tyrrell concordaram de imediato em não
çado pelo fogoso Ronnie Peterson que, correr em sinal de luto. Mas Jackie deu
depois de ter sofrido alguns incidentes, uma última prova das suas capacidades
mas também muito com azares mecâ- de sofrimento. Apesar da dor da perda
nicos na primeira metade da temporada, do seu colega de equipa e grande amigo,
tinha finalmente vencido a sua primeira Stewart quis tranquilizar os mecânicos da
equipa – uma falha mecânica, humana ou
não, ainda não estava descartada – e ali-
nhou na última sessão de treinos, fazendo
o quinto tempo. Depois, retirou-se, para
não mais voltar a competir…

REFORMA? NÃO OBRIGADO…

Apesar da tragédia, Jackie Stewart nunca
mais se desligou do mundo motorizado.
O escocês foi o primeiro piloto a aperce-
ber-se por completo da capacidade co-
mercial da sua profissão – Stirling Moss
já havia inaugurado esta via, mas os pa-
trocínios eram então proibidos, e só foram
legalizados pela CSI em 1968 – e tanto os

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seus resultados, salários como atividades de corridas. Apesar do descontentamen-
promocionais deixaram-no rapidamen- to de Helen, Jackie acabou por aceitar e
te milionário. apoiar a vocação do filho, colocando os
Negociante hábil, Jackie manteve inúme- seus meios financeiros e contactos na
ras parcerias comerciais quase até aos área à disposição. Após as primeiras ex-
dias de hoje, nomeadamente a sua liga- periências, que demonstraram algum
ção à Ford, que durou 40 anos, além de potencial por parte do filho, Jackie criou
ser embaixador de várias marcas como a Paul Stewart Racing para apoiar a sua
a Goodyear, Rolex e a Heineken. Esta ca- trajetória nos sucessivos escalões dos
pacidade inata de se mover na alta-roda monolugares, destacando-se desde logo a
da sociedade abriram-lhe portas, tor- exímia preparação dos carros e o cuidado
nando-se amigo de magnatas, despor- dispensado com os patrocinadores e a im-
tistas, artistas e até da realeza, não só em prensa, principalmente quando a equipa
Inglaterra, mas também do rei Hussein saltou para a F3000. No entanto, rapida-
da Jordânia, entre outros. Deste modo, foi mente Paul se apercebeu que estava longe
capaz de aumentar a sua fortuna, dedi- de se ombrear com os melhores, e no final
cando-se sempre também a obras filan- de 1993 optou por se retirar e juntar-se ao
trópicas e a numerosas fundações, e con- pai na gestão da equipa e da carreira de
tinuou a desempenhar um enorme papel jovens talentos. Pelo meio, a Paul Stewart
de promotor da segurança no desporto Racing destacou-se como uma das me-
automóvel. Foi também membro ativo de lhores formações na F3 Inglesa, vencendo
vários clubes desportivos ligados ao au- oito títulos, e também conquistando vitó-
tomobilismo em Inglaterra, destacando- rias na F3000 com futuras estrelas, como
-se a sua passagem pela presidência do David Coulthard e Gil de Ferran. No entan-
British Racing Drivers’ Club (BRDC) entre to, a equipa gerida por pai e filho viria em
2000 e 2006. Foi também um reputado breve a ter o desafio mais ambicioso da
comentador televisivo, principalmente sua história – a Fórmula 1.
nos EUA, e não só, mas também nos Jogos A Ford estava desejosa de retomar o seu
Olímpicos. E, em 2001, recebeu a Ordem lugar como uma das principais fornece-
do Império Britânico. doras de motores da disciplina, e em 1995
Pelo meio, teve ainda uma efémera pas- trabalhava, sem grande sucesso, com a
sagem pela F1 como dono de equipa. Tudo Sauber. Ciente de que dificilmente ganha-
começou quando o seu filho mais velho, ria alguma coisa com a formação helvé-
Paul, decidiu, aos 17 anos, tornar-se piloto tica, os líderes do departamento técnico

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e comercial discutiram várias hipóteses Europa em Nürburgring, Johnny Herbert
com Jackie Stewart. Jackie preferia que a conseguiu dar à Stewart a sua primeira
Ford construísse uma equipa e ele fosse vitória, o que deixou a equipa no quarto
geri-la, mas os interesses de marketing lugar entre os Construtores, à frente da
ditavam sobretudo a presença da marca Benetton e da Williams.
americana como fornecedora de motores, No entanto, a Ford quis comprar a equipa,
por isso Stewart acabou por concordar e após muita insistência e uma avultada
em dar o seu nome à equipa, com a Ford soma Jackie e Paul resolveram abdicar
a fornecer gratuitamente motores de fá- dosonhofamiliar.A equipafoi renomea-
brica e a cobrir metade do salário da du- da Jaguar (pertencente ao Grupo Ford),
pla de pilotos, entre outros compromissos mas problemas internos levaram a cin-
menores. Deste modo nascia a Stewart co épocas maioritariamente falhadas,
Grand Prix, que se estreou na F1 na épo- acabando a equipa por ser vendida em
ca de 1997, com Rubens Barrichello e Jan 2005 à Red Bull, com os resultados que
Magnussen. Jackie conseguiu atrair vários hoje conhecemos…
patrocinadores,masaprimeiratemporada Stewart mantem-se extremamente ati-
foi muito atribulada, com boas exibições, vo no cenário automobilístico mundial,
mas uma fiabilidade a deixar muito a de- aparecendo regularmente na F1 e em
sejar, apesar de, sob forte chuva, Rubens Meetings Históricos, assim como em en-
Barrichello ter conseguido um espeta- contros de antigos pilotos, e é ainda em-
cular segundo posto no G.P. do Mónaco. baixador de várias marcas.
As coisas pioraram em 1998, com muitos No entanto, apesar desta vocação co-
motores partidos e performances bas- mercial que sempre teve, nunca deixou
tante cinzentas até que, com a compra de ser um gentleman das pistas, e é um
total da Cosworth por parte da Ford du- dos pilotos mais reverenciados da história.
rante esse ano, o construtor america- Infelizmente, um revés surgiu-lhe nes-
no construiu um novo motor que, aliado ta fase final da vida, com a sua adorada
ao excelente design do Stewart SF3 e ao Helen a padecer de demência.
talento de Barrichello e Herbert, rapida- Mas, com a sua habitual resiliência,
mente surpreendeu os mais incautos. Stewart lançou uma fundação para in-
Barrichello chegou a liderar no Brasil e vestir na cura da doença, que denomi-
fez a pole à chuva em França, e os pilo- nou Race against Dementia, e o projeto
tos andaram regularmente nos pontos, tem florescido.
chegando mesmo ao pódio. E, para re- Esperemos que a semente lançada tenha
matar em beleza, numa prova de loucos sucesso, tal como tantas outras iniciati-
em condições de seco/molhado no G.P. da vas de Jackie.

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A NOVA KAWASAKI
Z900 RS

39

Se a Z900 já era uma
referência, a versão RS
acrescenta-lhe detalhes
de corpo e alma de deixar
os fãs rendidos. Estamos
perante uma neoclássica
de primeira...

Pedro Rocha dos Santos no corrente ano, moto que conhecemos
[email protected] bem devido inclusivamente ao nosso en-
volvimentodiretocomomediapartnersdo
AnovaKawasakiZ900RSéuma Troféu ZCUP.PT. A eletrónica do motor da
neoclássica com base na fan- Z900 foi alterada para permitir à RS ofe-
tástica Z900 e de linhas retro. recer um binário ainda maior nas baixas
E é realmente tudo aquilo que e médias rotações, sendo que até às 7.000
até agora temos vindo a es- rpm o motor da RS tem um punch ainda
pecular em torno das notícias mais agressivo do que a sua irmã Z900.
que temos obtido e dos teasers pouco A nova Z900 RS tem ainda atributos extra
reveladores que a Kawasaki tem vindo acima da sua antecessora pois o controle
a divulgar. de tração é agora mais efetivo e alguns dos
Uma moto que invoca a fantástica Z1 seus componentes são inclusivamente de
dos anos 70 e que é uma homenagem maior desempenho - caso por exemplo
à mesma. das pinças de travão que passaram a ser
O motor é o da sua irmã Z900 que tem feito flutuantes e as luzes que passaram a ser
furor no mercado desde o seu lançamento de LED tanto à frente como atrás.

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Mas aquilo que melhor identifica esta nova de escape. O acabamento do escape em PORMENORES FT/ F I C H A T É C N I C A
Z900RS é de facto o seu novo depósito que aço inox é também de extrema qualidade.
invoca claramente, quer pelo seu forma- A Z900 RS monta um guiador alto e largo As suspensões dianteiras são as mesmas 948 CC
to em pingo quer pela sua decoração, a ao estilo anos 70 que contribui para o da Z900, invertidas de 41 mm, mas agora
famosa Z1. De acordo com a Kawasaki o look desportivo retro da RS - cerca de 30 montam suportes para pinças radiais; CILINDRADA
quadro foi totalmente redesenhado para mm mais largo que a Z900, 65 mm mais
poder encaixar o novo depósito de 17 litros alto e 35 mm mais próximo do condutor. A suspensão traseira ao contrário dos 110 CV
na posição ideal. A partir da colocação do O banco está a uns meros 835 mm de duplos amortecedores da Z1 monta apenas
depósito é que foram desenhados os ou- altura embora exista uma opção ainda um amortecedor horizontal totalmente POTÊNCIA
tros elementos alusivos à Z1, como o banco mais baixa em cerca de 35 mm e mais regulável;
e o topo do mesmo, tendo-se conseguido confortável . As peseiras estão colocadas 17 L
uma linha plana na sua conjugação que mais à frente cerca de 20 mm e mais a Os travões montam agora pinças radiais
é muito do agrado dos puristas de motos baixo outros tantos comparativamente com discos de 300 mm, com ABS e controle DEPÓSITO
vintage. com a Z900. de tração com 2 modos e posição off;
O escape é outro elemento de época, mas Os manómetros são também inspirados 215 KG
ao contrário da Z1 que apresentava quatro nos retro da Z1, e por isso redondos com No escape optou-se por um 4 em 1
ponteiras, a Kawasaki optou por um 4 em 1 um LCD multifuncional entre os dois e apesar de se terem estudado uma série de PESO
, com as curvas de escape e o coletor numa que indica a velocidade engrenada, odó- diferentes opções. O som é grave e alto;
só peça, sem mais ligações nem válvulas metro, trip meters duplo, nível de com- n.d. €
As luzes são agora totalmente de
tecnologia LED, na frente e atrás, sendo que PREÇO BASE
o farol de 17 cm de diâmetro uma vez aceso
a sua aparência é de um farol dos anos 70; MOTOR 948 CC ARREFECIMENTO LÍQUIDO,
4 CILINDROS PARALELOS, DOHV, 16 VÁLVULAS
O desenho da pequena tampa posterior do POTÊNCIA 110 CV ÀS 8.500 RPM BINÁRIO
banco foi obviamente inspirado no banco 72,6 FT/LB ÀS 6.500 RPM QUADRO DE TRELISSA
da Z1 assim como o próprio farol traseiro; EM AÇO SUSPENSÃO DIANTEIRA INVERTIDA
TOTALMENTE AJUSTÁVEL SUSPENSÃO TRASEIRA
Os LED apresentam uma luz sólida não AMORTECEDOR HORIZONTAL SISTEMA BACK LINK
segmentada semelhante às luzes de uma A GÁS AJUSTÁVEL EM PRÉ CARGA E HIDRAULICO
lâmpada tradicional; TRAVÕES DIANTEIROS DISCO DUPLO DE 300
MM COM PINÇAS FLUTUANTES DE DE 4 ÊMBOLOS.
As jantes, embora forjadas, imitam no TRAVÕES TRASEIROS DISCO DE 250 MM COM
seu desenho as jantes de raios e são de PINÇA DE UM SÓ ÊMBOLO PNEUS FRENTE 120/70-
belo efeito. No entanto pensamos que as 176 E TRÁS 180/55-17 CORES CASTANHO CANDY
verdadeiras jantes de raios poderão ser COM LARANJA CANDY, SPARJK BLACL METÁLICO,
uma opção e que eventualmente a versão MATTE GREEN METÁLICO COM FLAT EBONY
Café Racer as traga de origem;
ainda são algo permitidos com modera-
bustível, consumo instantâneo e médio, ção mas no modo 2 a intervenção é mais
temperatura do líquido de refrigeração e drástica.
temperatura exterior, relógio e indicador As belas jantes raiadas têm dimensão
de condução económica. para montar uma enorme variedade de
A Z900 RS inclui ainda controle de tração pneus desde os mais clássicos aos mais
com dois modos e modo desligado. No desportivos para uso em Track Days.
modo um, menos intrusivo, os cavalinhos

METZELER 41
LANÇA NOVO
MC360 PROGRIP 3095 PX-1

A Metzeler reforçou a sua gama de O capacete 3095 PX-1 da Progrip realça as novas
pneus direcionada para Motocross, tendências de aspeto desportivo da marca italiana no
Supercross, Cross-Country e Enduro mercado off road, combinando segurança, conforto e
com o lançamento do novo MC360, design.
disponível nas versões Mid Soft e Casco aerodinâmico com múltiplas entradas de ar,
Mid Hard. interior removível e lavável com sistema de rápida
A versão Mid Soft do MC360 é remoção das almofadas em caso de emergência, fechos
direcionado para os terrenos mais de espessura dupla e perfil ajustável a qualquer tipo de
macios, enquanto a opção Mid Hard é neck brace são algumas das principais características
destinada aos terrenos mais difíceis. deste modelo da Progrip cujo casco é totalmente
Os pneus Metzeler MC360 permitem concebido em plástico ABS de grande durabilidade e
um alto nível de tração, desempenho resistência a altos impactos.
e durabilidade, e o seu fabrico O capacete 3095 PX-1 tem um peso de 1350 gramas e
contempla compostos 100% de está disponível do tamanho XS ao XXL em três cores:
carbono preto que oferecem não Azul Água e Preto, Preto Mate e Amarelo Fluo.
só uma maior resistência aos furos
como também proporcionam uma
melhor performance e estabilidade.
O Metzeler MC360 está homologado
para poder circular na estrada.

BEL-RAYTHUMPER RACING 4T ALPINESTARS TECH 10
Os óleos Bel-Ray Thumper Racing 4T são
desenvolvidos especificamente para As Tech 10 da Alpinestars são umas das principais referências
motores monocilíndricos a quatro tempos de do mercado, cuja inovação torna estas botas tecnicamente
competição. nas mais desenvolvidas de sempre.
Combinam os ésteres sintéticos de elevada Desde a sua forma anatómica ajustável aos movimentos e
qualidade com óleos de base mineral resistente aos impactos, ao seu sistema de fecho totalmente
altamente refinados, garantem a máxima
proteção contra o desgaste de válvulas, novo composto por fivelas
cilindros, segmentos e pistões, aumentando a mais leves e de maior
vida útil do motor, e oferecem ainda a máxima durabilidade, cada
performance e entrega de potência enquanto componente que
tornam o desempenho da embraiagem mais compõe as novas botas
consistente. Tech 10 da Alpinestars
A gama Thumper da Bel-Ray disponibiliza foi desenvolvido em
ainda o Gear Saver para transmissões e competição pelos
o Friction Modified que permite reduzir
os atritos e a temperatura do motor, melhores pilotos do
aumentando a sua vida útil. mundo para garantir a
melhor performance e

proteção.

+42

HÁMUITOPARA João Tomé responsáveis de design da marca e líder
CONHECERNO [email protected] do projeto do XC40, explicou que come-
çaram a sério no projeto em 2014 e cedo
NOVO VOLVO XC40 Nunca, como agora, surgiram perceberam que tinham tudo a ganhar
tantos novos modelos, com em não fazer um XC60 mais pequeno.
É a nova coqueluche da Volvo. Fomos a Barcelona pôr nomes, conceitos e pontos de “O XC40 é um primo do XC60 e não um
o XC40 à prova e ficámos convencidos com o novo SUV da partida nunca antes vistos em irmão. Tem personalidade própria, vê-se
determinadas marcas. O Volvo isso bem na grelha da frente invertida,
marca, cada vez mais orgulhosa da sua herança sueca. XC40 entra nesta nova moda e, que lhe dá um ar mais robusto, no vinco
O XC40 veio para ficar... claro, no espantoso crescimento dos SUV. pronunciado junto às portas, que foi um
Os Sports Utility Vehicles são já de todas belo desafio conseguir”, admite-nos um
LEIA MAIS ENSAIOS E ACOMPANHE as espécies, tamanhos, feitios e preços. Anders Gunnarson entusiasmado.
TODAS AS NOVIDADES EM AUTOSPORT.PT A Volvo já tinha duas opções no mundo
dos SUV. O modelo mais pequeno – e mais DO SOM ESCONDIDO AO ESPAÇO
recente – o XC60, depressa se tornou no
mais vendido de toda a marca. Agora o Voltando ao XC40, a plataforma utili-
novo miúdo na cidade é, também ele, um zada é a nova CMA (Compact Modular
SUV, um pouco mais compacto do que o Architectura), feita em parceria com os
XC60, mais em conta, mas igualmente chineses da Geely. A imagem é bem dinâ-
premium e com novos e entusiasmantes mica e isso ajuda a que seja um SUV com
conceitos tecnológicos. uma boa altura ao solo (21,1 cm) e com ar
Comecemos pelo princípio. Em 2013 a elegante e imponente. Não sendo pensado
Volvo decidiu continuar a apostar nos SUV. para todo o terreno, tem boas caraterís-
Em conversa com o AutoSport, um dos ticas nesse domínio, especialmente nas
versões com tração integral.

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43

O espaço é um dos pequenos milagres do nos materiais escolhidos, mas também algum partido da condução. Com boas o condutor na faixa certa e guia o XC40
XC40. Parece ser um SUV bem pequeno, pelas soluções inteligentes. Não faltam respostas e recuperações, a plataforma por breves segundos – exige sempre que
mas com 4,42 metros de comprimento, locais para colocar os cartões, espaço é convincente e ágil num modelo que se as mãos estejam no volante.
1,86 de largura e 1,65 de altura, é maior em para carregar o telemóvel por indução e dá muito bem na cidade. Nos consumos, A Volvo espera ter no XC40 versões elé-
todas as dimensões do que, por exemplo, um sistema multimédia de grande nível. as unidades em teste ainda não nos per- tricas e híbridas no futuro.
um Nissan Qashqai e aproxima-se do O ecrã central tátil de 12” com o sistema mitem tirar conclusões definitivas. Já é possível encomendar o modelo. O
Mercedes GLA. Sensus é o mesmo a que a Volvo já nos No equipamento disponível não faltam lançamento será em março, das versões
A boa habitabilidade é outra das boas ca- habituou, com uma utilização ao estilo opções no equipamento de segurança D4 e T5, mas com tração integral. Os outros
raterísticas do XC40, que supera o BMW X1 tablet. É possível que quem não aprecie os ativa e passiva, bem como sistemas de motores só estarão disponíveis em maio. O
no espaço para os ocupantes e só perde na ecrãs táteis sinta falta de um botão central apoio à condução. Não só a câmara de 360 mais apetecido deve ser o D3, com tração
bagageira: tem 460 l (pode ir até aos 1336l). físico, mas este funciona bem. graus, como o Pilot Assist. Além de servir dianteira e motor Diesel de 150 cv (começa
A funcionalidade está por todo o veículo e como cruise control adaptativo, mantém nos 39 mil euros).
a bagageira aproveita o fundo falso, para PERFORMANCE DE BOM NÍVEL
ficar dividida em dois espaços, incluindo
ganchos para pendurar as compras. Nesta apresentação tivemos ao nosso
Nas bolsas das portas da frente que são dispor a versão D4 Momentum, com
forradas a tecido é possível guardar um motor Diesel de 190 cv e caixa automá-
portátil, sem qualquer problema, além tica Geartronic de 8 velocidades e tração
de garrafas. A Volvo tirou dali as colunas, integral.
apostando num novo subwoofer colocado O conforto foi nota dominante, bem como
atrás da ventilação central. Há ainda uma a suavidade na transição das velocidades.
gaveta por baixo do banco do condutor. O XC40 mantém-se convincente, como
A atenção aos pormenores no interior os outros SUV da Volvo, e embora até
é, de facto, premium e cativante, não só tenha uma altura ao solo razoável, não
adorna muito nas curvas e permite tirar

+44

VOLKSWAGEN

» T-ROC

MODERNIDADE PRAGMÁTICA

Para que nada falte na gama SUV da Volkswagen, a marca
lançou o T-Roc. O modelo que é fabricado na AutoEuropa,
em Palmela, vem juntar-se aos irmãos Tiguan, Tiguan
Allspace e Touareg. Fomos descobri-lo na versão a 1.0l a
gasolina com 115 cv…

André Duarte ta materiais distintos – alguns plásticos a App Connect (que integra MirrorLink, condução, com a sua utilização a revelar-
[email protected] são agradáveis ao toque, outros nem tanto Apple CarPlayTM e Android AutoTM da -nos rapidamente as suas potencialidades
(por exemplo, nos painéis e puxadores das Google). e limitações. Na versão com motor 1.0l,
Nascendo naturalmente à luz da portas convivemos com alguns plásticos o pequeno 3 cilindros suporta bem as
nova filosofia de design da mar- espartanos). Porém, há a possibilidade de AO VOLANTE exigências numa condução em ritmos
ca, combinando um aspeto de se escolher entre quatro cores diferentes Uma vez no lugar do condutor, a instru- calmos. Porém, a potência de 115 cv e
espírito aventureiro e moderno, para os plásticos – a contornar as saídas mentação é intuitiva e tem uma boa oferta binário de 200 Nm levam-nos a recorrer
o Volkswagen T-Roc caracte- de ventilação, painéis nas portas, consola de informações, comandos e funcionali- com frequência à troca de relações na
riza-se por uma carroçaria de central e tablier – e sete tonalidades para dades à disposição. caixa manual de 6 velocidades – colocan-
linhas definidas – retas e esculpidas – a revestimentos interiores. O T-Roc é um modelo muito perceptível na do por vezes uma ou duas abaixo – para
que junta pormenores que lhe garan- Respira-se a sensação de um modelo de
tem um laivo de off road, num modelo traços modernos, pensado para o dia a dia,
de medidas perfeitamente talhadas para numa utilização que se quer pragmática,
ambientes urbanos e que tem por base a sem descurar no entanto a estética visual.
plataforma modular transversal (MQB) da Um bom exemplo disso está, por exemplo,
marca – comprimento de 4234 mm (252 na possibilidade de as costas do lugar
mm menos que o Tiguan); largura de 1819 traseiro central, quando puxadas, fazerem
mm; altura de 1573 mm. descobrir um lugar para a colocação de
Os plásticos que contornam a zona inferior dois copos e também darem acesso ao
da carroçaria atribuem-lhe um cunho porta bagagens.
aventureiro, saltando também à vista No geral, há uma boa sensação de espaço
agradáveis detalhes exteriores cromados. interior – tanto nos lugares dianteiros
Um conjunto que, no global, apresenta como traseiros – com cotas de habita-
personalidade, atribuída por um design bilidade que cumprem os requisitos de
de linhas muito característico, que o faz um SUV compacto. A bagageira é uma
distinguir-se no dia a dia dos demais. referência que, com 445l se assume como
a maior do segmento, segundo a marca.
INTERIOR Em termos de conectividade e infoentre-
tenimento, o ecrã de 8” no centro do tablier
No interior há a sensação do prolonga- revela-se extremamente intuitivo e fun-
mento das linhas direitas e definidas do cional. Os sistemas de infoentretenimento
exterior ao traçarmos uma panorâmica de 8” polegadas podem ampliar-se com
com o olhar pelo habitáculo. Este apresen-

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45

FT/ F I C H A T É C N I C A

1.0 / 115 CV

GASOLINA

10,1 S

0-100 KM/H

5,1 L / 6,4 L (AUTOSPORT)

100 KM

117

G/KM- CO2

25 651€

PREÇO BASE (VERSÃO STYLE)

IMAGEM EXTERIOR E INTERIOR /
ESPAÇO / CONDUÇÃO
BINÁRIO EM BAIXAS / ALGUNS
PLÁSTICOS NO INTERIOR

MOTOR GASOLINA 4 CIL. INJEÇÃO DIRETA,
TURBO, INTERCOOLER, 999 CM3 POTÊNCIA
115 CV / 5500 RPM BINÁRIO 200 NM /
2000-3500 TRANSMISSÃO DIANTEIRA,
CAIXA MANUAL DE 6 VEL. SUSPENSÃO TIPO
MCPHERSON À FRENTE E EIXO DE TORÇÃO
ATRÁS TRAVAGEM DV/D PESO 1270 KG
MALA 445L DEPÓSITO 50L VEL. MÁX.
187 KM/H

fazermos algumas ‘compensações’ – algo Porque, convenhamos, são apenas 115 longe dos 5,1l anunciados. No fundo, as De propensão para ambientes urbanos,
que principalmente se vive a baixas ve- cv extraídos de um pequeno motor 1.0l, contingências de um pequeno motor, permite realizar viagens mais longas sem
locidades, circulando, por exemplo, no para um veículo com uma arquitetura para um modelo com uma arquitetura ser penalizador para os seus ocupantes.
trânsito citadino. Também em recupera- de generosas dimensões. A suspensão de outra índole. Dentro do segmento dos SUV compactos
ções ou ultrapassagens é necessário ter cumpre no dia a dia, e ainda que apresente oferece espaço à altura e é muito intuitivo
algumas precauções, devendo-se por isso alguma rigidez em pisos mais degradados, BALANÇO FINAL em estrada. Ainda que o motor seja, em
preparar tais situações atempadamente. não se revela desconfortável. A direção é Se quisermos um modelo que associe certos momentos, humilde na resposta,
Em momentos de maior exigência no eficaz. Nota para o Front Assist com City uma estética moderna e diferenciada, num olhar global, as suas características
pedal do acelerador, é com algum es- Emergency Braking e Lane Assist, de pragmatismo de utilização e agradabi- acabam por amenizar esse facto. É por
forço que nos entrega tudo o que tem. série. Os consumos são de 6,4l média, lidade de condução, o T-Roc é um deles. isso uma boa aposta para o quotidiano.

+

BMW Igualmente a valorizar o papel do condutor, a ex-
celente posição de condução, graças a um volante
» 116D SPORT redesenhado, de óptima pega e ajustável em altura
e profundidade, mas também a um banco revestido
NÃO É DEFEITO, É FEITIO, ESTÚPIDO!... a tecido, com bons apoios laterais e todos os ajustes
necessários. Sinónimo ainda de correto acesso à
Com a concorrência a apertar, a BMW decidiu, já este ano, atualizar o seu modelo maioria dos comandos (só o botão rotativo do iDrive
de entrada, tornando-o mais desportivo, moderno, tecnológico, mas também surge recuado em demasia...), aos vários espaços de
mantendo muitas das “particularidades” bastas vezes apontadas. Algo que, arrumação, mas também de uma visibilidade traseira
contestam os adeptos da marca, “não é defeito, é feitio, estúpido!...” quase inexistente.
Quanto aos restantes passageiros, impossível não
Francisco Cruz em preto, faróis em LED de contornos também ne- reparar no acesso mais complicado através das
[email protected] gros, jantes de novo design, ponteira de escape em portas traseiras, sendo que, uma vez no interior, o
cromado escurecido e farolins traseiros também eles melhor mesmo será limitar a lotação a dois adultos.
Dado a conhecer em 2011, o atual BMW Série enegrecidos. Sem esquecer duas novas cores, Azul Já que um potencial ocupante do lugar do meio terá
1 acaba de receber, já este ano, o seu mais Seaside e Sunset Orange, por 579€. de viajar com a cabeça próxima do tejadilho e de
recente restyling. O qual é também uma res- Já no interior do habitáculo e a par da conhecida qua- pernas abertas.
posta a rivais como o Audi A3, o Mercedes- lidade de construção e solidez, melhores materiais e Além de, a exemplo dos restantes, com dificulda-
Benz Classe A ou o Volvo V40, sustentada acabamentos, assim como um tablier redesenhado des em acomodar os pés debaixo dos assentos dos
numa imagem mais desportiva, em maior e agora mais centrado no condutor. Sendo que, novo, bancos da frente.
qualidade e mais tecnologia. Tudo premium, claro está! é também o painel de instrumentos, além da rede- Na bagageira, mantém-se o acesso alto, para uma
Aliás, e começando pelo design, enalteça-se o facto senhada consola central, ligeiramente virada para o capacidade de carga inicial de 360 l, mas que pode
de a BMW não se ter coibido, sequer, de criar novas condutor, e com um ecrã digital a cores no topo, tátil chegar aos 1200 l, mediante o rebatimento na hori-
versões - Sport Line Shadow, M Sport Shadow e M140i apenas quando com o carro imobilizado. Parte da mais zontal das costas dos bancos.
Edition Shadow. No primeiro caso, com as diferenças recente evolução do sistema de info-entretenimento Ao passo que, em termos de equipamento, o pack
a surgirem na grelha frontal tipo rim com moldura iDrive, agora também com novo e mais intuitivo layout. Line Sport Shadow (3.235€), a par de soluções pró-
-segurança, como a chamada de emergência, o
Driving Dynamic Control, o sistema de experiência
de condução com três modos (Comfort, Eco Plus,
Sport e Sport+), Controlo Dinâmico de Estabilidade
(DSC) e Controlo Dinâmico de Tracção, destacam-se
dos restantes.
Quiçá não tão impressionante, mas ainda assim agra-

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47

FT/ F I C H A T É C N I C A

1.5 / 116 CV davelmente eficaz, o tricilíndrico 1.5 litros turbodiesel direção precisa, mas principalmente de um equilíbrio,
de 116 cv que o “nosso” 116d equipava, acoplado, agilidade e até inserção em curva, que, graças tam-
GASÓLEO neste caso, a uma convincente caixa manual de seis bém aos efeitos da tração traseira, dá gosto explorar.
velocidades. União que, além da boa disponibilidade De resto e a ajudar à festa, a possibilidade de acionar
10,3 S e agradável capacidade de aceleração, oferece ainda um modo de condução mais desportivo, Sport+, que
consumos reais na ordem dos 6 litros. desliga o ESP, mas mantém o controlo dinâmico de
0-100 KM/H Bem melhor, sem dúvida, que a vibração e sonoridade tração activo, além de tornar a resposta do motor
que também se fazem notar; ainda que, também e chassis mais desportiva.
3,7 aqui, os indefectíveis jurem a pés juntos que, “não Opção que só não ajuda ao conforto em maus pisos
é defeito, é feitio!”. - algo que nem mesmo o modo Comfort consegue
100 KM Inquestionavelmente positivas, são, sem dúvida, as garantir - ou até mesmo os consumos - melhor
sensações de condução que, mesmo com um trici- salvaguardados com o “Eco Pro”. Mas, lá está, “não
97 líndrico, este 116d garante. Resultado não apenas da é defeito, é feitio, estúpido!”

G/KM- CO2

30 750€

PREÇO BASE

COMPORTAMENTO / POSIÇÃO
DE CONDUÇÃO / CONSUMOS
ACESSO AOS LUGARES TRASEIROS /
HABITABILIDADE / SONORIDADE
E VIBRAÇÃO DO MOTOR

MOTOR 3 CIL. EM LINHA, INJEÇÃO DIRETA,
TURBOCOMPRESSOR DE GEOMETRIA VARIÁVEL
E INTERCOOLER, 1496 CM3 POTÊNCIA 116 CV
/4000 RPM BINÁRIO 270 NM / 1750-2250 RPM
TRANSMISSÃO E DIREÇÃO TRASEIRA, COM CX.
MANUAL DE SEIS VEL. SUSPENSÃO TIPO MCPHERSON
À FRENTE E INDEPENDENTE ATRÁS TRAVÕES DISCOS
VENTILADOS/DISCOS SÓLIDOS VEL. MÁX. 200 KM/H
PESO 1395 KG CAPACIDADE DA BAGAGEIRA 360 L
/1200 L DEPÓSITO DE COMBUSTÍVEL 52 L

E/ Dando cumprimento ao estabelecido no n° mais importantes provas de desporto au- leitores uma informação atual, rigorosa abordagem e de análise dos factos noti-
1 do artigo 17° da Lei 2/99, de 13 de Janeiro, tomóvel disputadas em território nacional e de qualidade, opinando sobre tudo o ciosos, com total abertura à interatividade
ESTATUTO Lei da Imprensa, publica-se o Estatuto e no estrangeiro, relata acontecimentos que se passa na área do automóvel e dos com a sua comunidade de leitores. 4. O
EDITORIAL Editorial da publicação periódica AutoSport: ligados à competição automóvel, bem como automobilistas, numa perspetiva plural, re- AutoSport pratica um jornalismo pautado
1. O AutoSport é um semanário dedicado temas que versam o automóvel como bem cusando o sensacionalismo e respeitando pela isenção, sem comprometimentos
ao automóvel e aos automobilistas, nas de consumo, tanto na área industrial como a esfera da privacidade dos cidadãos. 3. ou enfeudamentos, tendo apenas como
suas mais distintas vertentes: desporto e comercial. O AutoSport pauta as suas opções edito- pressuposto editorial facultar a melhor
competição, comércio, indústria, segurança 2. O AutoSport está comprometido com riais por critérios de atualidade, interesse informação e a melhor formação aos seus
e problemática rodoviária. O AutoSport o exercício de um jornalismo formativo e informativo e qualidade, procurando apre- leitores, seguindo sempre as mais elemen-
edita, semanalmente, conteúdos sobre as informativo e procura oferecer aos seus sentar aos seus leitores a mais completa tares normas deontológicas.

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