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Published by hmilheiro, 2018-01-15 14:50:02

AutoSport_2090

AutoSport_2090

#2090 40
ANO 40
anos
17/01/2018
>> autosport.pt
2,35€ (CONT.)

DIRETOR PEDRO CORRÊA MENDES O SEMANÁRIO DOS CAMPEÕES

CARLOS SAINZ

DOS DUROSDAKARNAFRENTE,MAS...

RAZIA NOS TUDO
PORTUGUESES EM ABERTO
NAS MOTOS
ASVITÓRIAS SURPRESA +
NA FÓRMULA 1 PÁG.14
L2UºISNOOLAIFVREIICRAA

ECO RACE

PÁG. 12

OPEL

INSIGNIA 1.5 TURBO PÁG.46

O SEMANAL
NO COMPUTADOR À 2ª FEIRA

EDIÇÃO >> autosport.pt ASSINE
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3

I/ I N S TA N TÂ N E O SIGA-NOS EM EDIÇÃO

#2090
17/01/2018

f l> > a u t o s p o r t . p t
facebook.com/autosportpt twitter.com/AutoSportPT

IMENSO Esta foto dá bem ideia da dimensão do que por vezes os pilotos do Dakar têm pela frente, e este ano, existiram José Luís Abreu
vários ‘berbicachos’ desta estirpe para ultrapassar. Quantas tentativa fez aquele Toyota até passar duna? Ou foi à volta...
DIRETOR-EXECUTIVO
S/ SEMÁFORO EM DIRETO
[email protected]
PARADO A ARRANCAR A FUNDO “Para mim, a performance
Kubica foi mais do que boa. Não Esta semana surgiram
É verdade que a Ao que tudo indica, Da forma que o Dakar vi nenhuma limitação”, Mario duas notícias que dão
qualificação não podem ser nada tem decorrido, conta de mudanças na
ajudou, mas depois mais nada menos Isola, falando acerca do que viu do teste forma como os adeptos
daquela recuperação que quinze os R5 só no último metro do polaco em Abu Dhabi. das duas disciplinas
Félix da Costa não da prova se vai ficar podem passar a ver
merecia ‘aquelas’ presentes no Rallye “Ter um piloto americano é uma Fórmula 1 e WRC. A Fórmula
bandeiras amarelas… Serras de Fafe… a conhecer ambição, mas de momento não 1 vai lançar um serviço de
o vencedor… há nenhum pronto para a F1, na streaming online, pedindo-lhes
minha opinião”, Gunther Steiner, para já, sugestões, para depois,
O SEMANÁRIO DOS CAMPEÕES NA ERA DIGITAL adequarem o serviço. No WRC,
diretor da Haas,que tme uma ambição, foi anunciada a transmissão
mas é realista… online, de todos os troços da
disciplina, a que se juntam já os
“Nesta altura, é tudo uma habituais serviços que o WRC+
questão de sobrevivência, já disponibiliza. O WRC custa
ainda há um longo caminho 89.99€ por ano, a F1 deverá ser
a percorrer”, Carlos Sainz, bem bem mais cara. Mas mesmo muito
mais. Tão cara que desconfio que
na frente da prova, mas ainda não vá ficar com muitas saudades
‘convencido’… da Eurosport2 Xtra, que como
se sabe, cá em Portugal não se
“Não tenho dúvidas que o aguentou, porque as pessoas
Duster pode ser um futuro não aderiram em número
candidato à vitória do Dakar”, suficiente. Se o preço do WRC+
não será demais para os adeptos
Carlos Sousa, confiante que a máquina ‘hardcore’, desconfio que o da F1 é
pode lá chegar… bem capaz de fazer achar a Sport
TV a última Coca-Cola do deserto.
Siga-nos nas redes sociais e saiba Quanto aos promotores do WRC+,
tudo sobre o desporto motorizado no fizeram uma fuga para a frente,
computador, tablet ou smartphone via pois conhecem o número de
facebook (facebook.com/autosportpt), adeptos que visita o WRC.com, a
twitter (AutosportPT) ou em World Rally Radio e o Live Text,
>> autosport.pt durante os ralis. São aos milhões
pelo mundo e muitos milhares
em Portugal. É muito bom, mas
infelizmente a grande maioria,
não vai pagar 89.99€ por ano.
Já nem falo da F1. É caro para a
nossa realidade. Mas os que o
tiverem, vão adorar. É assim,
a forma de ver ‘coisas’ está a
mudar em todo o lado, o futuro
será assim, e muito rapidamente
os adeptos vão ter que começar
a pagar para ‘ter coisas’, porque
quem tem conteúdos não
sobrevive… se os oferecer.

/
DAKAR 2018

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DAKAR DOS DUROS

A cinco etapas do final da prova, Carlos Dakar, e o pluri vencedor do prova é só mais uma das Feira), Carlos Sainz lidera com 1h06m37s de avanço para
Sainz lidera o Dakar com boa margem, inúmeras vítimas de percalços no que muitos apelidam Nasser Al-Attiyah, que por sua vez tem Peterhansel sete
mas depois de tudo o que já sucedeu até já como o Dakar mais duro de sempre. minutos mais atrás. Isto porque o francês ultrapassou
Não que se espere que isso não suceda numa prova um motard fora da pista e bateu numa pedra que lhe
aqui, prognósticos… só em Córdoba como o Dakar, toda a gente tem percalços aqui e ali, como destruiu a suspensão traseira esquerda do seu Peugeot
atascanços, mas este ano tem sido demais e Marc Coma 3008 DKR Maxi. Cyril Després parou para ajudar, mas o
José Luís Abreu e a sua ‘trupe’ talvez tenham ido um pouco longe demais, estrago estava feito. Peterhansel ainda pode chegar ao
[email protected] pois se este percurso é admissível para profissionais, são segundo lugar, mas ao primeiro, em condições normais,
bem pagos para ‘levar’ com tudo isto e com mais alguma não chega. Bom, como este Dakar anda, nem vale a
FOTOS OFICIAIS coisa, a verdade é que a essência do Dakar passa tam- pena fazer antevisões, pois muito pouca coisa tem sido
bém por ser um bom desafio para privados, mas não um normal nesta prova.
Não há memória recente duma razia tão acen- autêntico martírio. Todos os anos há muitos exemplos
tuada na caravana. Este não é o Dakar com de ‘Dakar Heroes’, mas este ano foram longe demais. NINGUÉM SE LIVRA
mais abandonos de sempre, mas por este Até compreendo que do ponto de vista do adepto seja
caminho, será dos que tiveram mais histórias interessante, pois quando se vão ler notícias, tudo pode Este foi um abandono de ‘alto perfil’, mas recordemos
para contar… ter mudado numa questão de minutos, mas também não sucintamente o que tem sido o ‘martírio’ neste Dakar.
Razão tinha Bruno Famin, diretor da Peugeot me esqueço do fabuloso duelo que Loeb e Peterhansel Alguns auto infligidos, como o de Bryce Menzies, que
Sport, quando no final da etapa 5 se saiu com uma frase travaram o ano passado, quase até ao último dia de prova, capotou violentamente, outros ‘azarados’ como o de
quase ‘profética’: “Não fazemos qualquer ideia de como com um “ora agora andas tu, ora agora ando eu”. Este Yazeed Al-Rajhi e Garafulic/Palmeiro, que bateram de
vai acabar”. Não que imaginasse que dois dias depois a ano é mais, “ora agora atascas tu, ora agora atasco eu…” frente no meio do deserto.
classificação geral da prova seria novamente baralhada, No momento em que escrevemos estas linhas (quando o Na etapa 3, Mikko Hirvonen perdeu duas horas atascado
com Stéphane Peterhansel a perder 1h47m, caindo para jornal lhe chegar às mãos, já se terá realizado a etapa de 3ª numa duna; Nani Roma caiu mal duma duna, desmaiou
o terceiro lugar da geral. Esta é a imagem de marca deste e o navegador teve de deitar mão ao volante para ca-

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potar propositadamente o Mini; Al-Attiyah e de Villiers Menzies, na etapa 1, quando foi quarto. Desde aí, foi fra- o polaco foi subindo e agora é sexto da geral. Dos sete
perderam tempo nesta etapa com atascanços e furos, o quinho demais. No fim da terceira etapa, o melhor Mini da Mini da X-Raid, Mikko Hirvonen não se deu bem com
sul-africano deixou ali 1h13m. Na etapa 5, o buggy mini de X-Raid era oitavo da geral, Orlando Terranova. Na etapa a areia fina do Perú e o melhor resultado em etapas que
Yazeed Al-Rajhi teve que ser tirado… do Oceano Pacífico. seguinte, o melhor era Jakub Przygonski, em 10º. Com Yazeed Al Rajhi fez foi um 9º, abandonou quando era 28º.
Distraiu-se, e o carro acabou dentro de água. Sébastien os abandonos à sua frente e com alguma consistência, Nani Roma teve o acidente que já referimos, Orlando
Loeb caiu num buraco entre dunas, demoraram várias Terranova sentiu-se mal na altitude da Bolívia e caiu
horas para o tirar dali, mas o pior foi Daniel Elena, que C/ C L A S S I F I C A Ç Ã O muito na classificação. Boris Garafulic e Filipe Palmeiro
se aleijou. Terminou ali o Dakar para Loeb. Se calhar, atrasaram-se logo na etapa 2 e desde aí foi sempre a
para sempre… 1 CARLOS SAINZ (ESP) PEUGEOT 27H04M00S subir. Jakub Przygonsk salva a honra do convento, mas
Até que chegou a etapa 7 e ‘foi-se’ Peterhansel. Isto só é pouco para uma estrutura que venceu quatro vezes
para falar de alguns, pois o espaço é pouco, porque de 2 NASSER AL-ATTIYAH (QAT) TOYOTA +01:06:37 seguidas o Dakar.
resto dava para escrever… um livro. Por exemplo, um Da Toyota cedo se percebeu que em termos de andamento
‘Sheik’, Al Qassimi, teve que ser retirado de um rio por 3 STEPHANE PETERHANSEL (FRA) PEUGEOT +01:13:42 puro não chega para os Peugeot, mesmo depois de to-
um agricultor e o seu trator. das as mudanças regulamentares que favoreceram os
4 BERNHARD TEN BRINKE (NLD) TOYOTA +01:23:00 seus carros. As diferenças que existem neste momento
MINI APAGADA são fruto de mais ou menos azares, e da qualidade dos
5 GINIEL DE VILLIERS (ZAF) TOYOTA +01:37:09 pilotos, claro…
Este Dakar está a correr muito mal à Mini. A X-Raid De qualquer forma, ter os seus três carros no top 5 é
trouxe para esta prova o novo buggy e os habituais All4 6 JAKUB PRZYGONSKI (POL) MINI +02:28:36 sinal que, com um bocado mais de sorte, ainda podem
Racing muito renovados. Esperava-se mais de qualquer levar a vitória para casa. De resto, o segundo pelotão tem
dos lados. Para que se perceba que algo não correu nada 7 MARTIN PROKOP (CZE) FORD +02:43:30 aguentado estoicamente tudo o que o Dakar lhes atira
bem para aqueles lados, veja-se que a melhor posição para cima, e destes destacam-se Martin Prokop (Ford),
em que um Mini esteve na geral até agora foi com Bryce 8 SHEIKH KHALID AL QASSIMI (ARE) PEUGEOT +02:55:42 Khalid Al Qassimi (Peugeot), Peter Van Merksteijn (Toyo-
ta) e Nicolas Fuchs (Borgward), que encerram o top 10.
9 PETER VAN MERKSTEIJN (NLD) TOYOTA +04:59:41 Mas apesar da desistência, o destaque maior tem que
ir para o italiano Eugenio Amos, que num competitivo
10 NICOLAS FUCHS (PER) BORGWARD +06:34:09 SMG Buggy, o que Sainz pilotou há uns anos, chegou a
ser sexto, ao cabo da etapa 5, caindo para nono depois
15 LUCIO ALVAREZ (ARG) TOYOTA +08:24:25 da chegada à altitude da Bolívia, quando apanharam
longas retas que o motor do buggy não ‘gostou’ nada…
19 MIKKO HIRVONEN (FIN) MINI +09:22:52 Faltam 5 etapas (quando tiver o jornal na mão já só fal-
tarão quatro) e apesar de parecer que tudo está muito
21 BORIS GARAFULIC (CHL) MINI +11:12:33 bem encaminhado para que Carlos Sainz possa repetir
a vitória de 2010, a verdade é que tudo estava também
28 ORLANDO TERRANOVA (ARG) MINI +17:50:43 encaminhado para Peterhansel vencer…

39 CYRIL DESPRES (FRA) PEUGEOT +44:46:05

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DAKAR 2018

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DAKAR DE CARLOS SOUSA FICOU A MEIO!

“O POTENCIALDODUSTERÉENORME!”
Carlos Cousa abandonou o Dakar a caminho
da oitava etapa, no arranque para a segunda ETAPA 3: “Não conseguimos realizar uma etapa limpa. contrámos alguns Toyota atascados e saímos da pista
metade da prova, devido a uma fuga de óleo Perdemos cerca de 20 minutos em dois ‘atascanços’. para os contornar. Não foi a melhor solução! Atascámos
no radiador, que não pôde ser reparada a meio O Duster passa as dunas com bastante facilidade e o várias vezes e perdemos algumas dezenas de minutos.
da etapa maratona. Foi o cúmulo dos azares do motor é muito interessante”. Depois descobrimos uma fuga de óleo no Duster que
piloto luso nesta sua nova aventura no Dakar, ETAPA 4: “Ao km 40 partiu-se o coletor de escape e não conseguimos detetar a origem.”
pois apesar de antes já ter tido muitos contratempos, tivemos um furo e um pequeno ‘atascanço’ quando vi ETAPA 8: “A fuga de óleo no radiador era maior do que
nenhum o havia impedido de levantar a cabeça e seguir um motard caído a precisar de assistência.” pensávamos e perdeu três litros em 30 km. É evidente
em frente. ETAPA 5: “Ao km 20 ficámos apenas com tração traseira que íamos ficar pelo caminho com o motor partido. Por
Pelo que se viu na primeira semana de Dakar era per- no Duster. A partir daí, os ‘atascanços’ foram sucessivos isso, com a equipa, tomámos a decisão de abandonar.
feitamente possível ao piloto luso chegar ao top 10, mas e optámos por parar. Ficámos à espera de um camião e Esta desistência tem um sabor ainda mais amargo.
a verdade é que alguns problemas do Duster, a que se ao fim de umas horas conseguimos fazer a reparação. Nunca tive uma etapa isenta de percalços e gostava de
juntou um Dakar duríssimo, levaram a que nem a supe- Até ao final da etapa, o espírito dentro do carro não era ter demonstrado o verdadeiro potencial do Duster. Com
rior experiência do piloto evitasse algumas armadilhas. o melhor. Estávamos cansados e desanimados, mas um bom programa de desenvolvimento e de testes, e
Depois do colega de equipa ter ficado pelo caminho decidimos ir até ao fim. Claro que nos passou pela cabeça com o envolvimento da ‘casa mãe’, não tenho dúvidas
muito cedo na prova, o Renault Duster logo havia de se desistir. As hipóteses de conquistar um bom resultado que o Duster pode ser um futuro candidato à vitória no
‘lembrar’ de furar o radiador numa altura em que era esfumaram-se. Mas tínhamos de continuar.” Dakar. Teria sido possível fazer melhor nalguns dias,
quase impossível repará-lo sem ajuda. Um dia antes, ou ETAPA 6: “Na segunda parte da etapa, já na Bolívia, não fossem alguns ‘atascanços’, um ou outro percalço
um dia depois, e teria sido possível continuar em prova, imprimi um ritmo mais forte e estivemos perto do top- técnico e uma ou outra dificuldade de navegação. Mas
mas o Dakar é assim mesmo. 10. Mas ninguém pode negar que o Dakar de 2018 não é também teria sido importante eu realizar mais do que
Foram pouquíssimas as vezes em que Carlos Sousa apenas dos mais difíceis dos últimos anos”. um simples ‘shakedown’ antes da prova. O potencial do
mostrou o que podia fazer no carro, e quando olhamos ETAPA 7: “Foi mais um dia bastante difícil. Aliás, as Duster é enorme! Só precisa do apoio e envolvimento
para a classificação ao cabo de oito etapas e percebe- pessoas não imaginam o quanto foi este Dakar. En- oficial da marca para ser ganhador”, disse.
mos que estão no top 10 pilotos como Jakub Przygonski
(Mini), Martin Prokop (Ford), Khalid Al Qassimi (Peugeot),
Peter Van Merksteijn (Toyota) e Lucio Alvarez (Toyota),
aí ficamos com a certeza que bastaria um pouco mais
de sorte para que fosse possível o top 10. Não foi, o Dakar
deste ano foi matreiro para muita gente, e um deles foi
Carlos Sousa.
Depois de resolvida a questão duma penalização mal
atribuída, e das primeiras ‘maleitas’ com um rótula de
suspensão partida, que ‘levou’ 45m, o terceiro dia ficou
marcado por vinte minutos perdidos, a etapa 4 foi a me-
lhor de todas, com um 13º lugar, que lhe permitiu subir a
15º da geral. Só que no dia seguinte, o quase abandono,
ao perder 5h36m49s devido a ter ficado apenas com
tração traseira no Duster, o que redundou em ‘atascanços’
sucessivos. A partir daí uma boa classificação estava
fora de causa, mas o pior estava para vir, já que depois
surgiu o problema irresolúvel, e nem sequer chegaram
ao início da oitava etapa. Qual Duster, Mini, Peugeot ou
Toyota, este Dakar, só mesmo de Chaimite!

VILLAS-BOAS E RUBEN FARIA DE FORA NA 4ª ETAPA
FICA PARA A PRÓXIMA

Não acabou bem e terminou cedo a participação de e caímos com o nariz do carro. O Dakar, infelizmente,
André Villas-Boas e Ruben Faria no Dakar. A dupla foi terminou para nós. Mais sorte da próxima vez!
uma das muitas que sofreu com as armadilhas desta Obrigado a todos pelas vossas amáveis mensagens
edição e deu por terminada a participação após um de apoio“, disse. Depois do 42º lugar na primeira
acidente no deserto. Ao abordar uma duna, a Toyota etapa, André Villas-Boas e Ruben Faria mostraram na
Hilux caiu de bico e o impacto foi forte, o que provocou segunda tirada que levavam a lição bem estudada.
dores ao piloto, que acabou por ser transportado Confiante, na Etapa 3 André Villas-Boas subiu quatro
para o Hospital por precaução: “É pena porque o posições na classificação geral, com a dupla a ser
André estava a fazer uma boa estreia”, disse Jean muito regular, um pouco acima do top 40. Fica para o
Marc Fortin, patrão da Overdrive. Foi mais o susto, e ano, já que, logo por azar, André Villas Boas escolheu
depressa André Villas-Boas descansou toda a gente: para se estrear aquele que deverá ser um dos mais
“Eu e o Ruben (Faria) ficámos bem. Saltámos uma duna duros Dakar de sempre.

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CAMIÕES EDUARD NIKOLAEV,
APESAR DO SUSTO

A MÃO AMIGA Eduard Nikolaev continua a liderar comodamente Nikolaev, que terminou a etapa com quase uma
DE FILIPE PALMEIRO o Dakar entre os camiões. No final da Etapa 7 o hora de vantagem para Federico Villagra na geral.
piloto russo da Kamaz tem uma vantagem mini- Se Nikolaev não tem conseguido repor o seu
Quando regressar a Portugal, Filipe Palmeiro há- mamente confortável de 49m47s sobre Federico Kamaz em cima das rodas tão rapidamente, a
de trazer histórias suficientes para escrever um Villagra, ainda que, como se viu nos carros com história deste Dakar poderia ser bem diferente
livro sobre este Dakar. Ao lado de Boris Garafulic, os Peterhansel, não significa tudo numa prova nos Camiões. Classificação: 1º Eduard Nikolaev/
problemas que tiveram na Etapa 2, que os atirou para como estas. É em condições normais uma boa Evgeny Yakovlev/Vladimir Rybakov (Kamaz),
lá do 60º lugar, terminaram com a esperança de um vantagem, que lhe permite reduzir o andamento 28h15m06s; 2º Federico Villagra/Ricardo Adrian
bom resultado, e por isso, a partir daí, têm feito bons e fugir às armadilhas. Federico Villagra bem Torlaschi/Adrian Arturo (Yacopini YPF Infinia
resultados em etapas e estão neste momento, no fim tem tentado dar mais luta, mas tem apenas Diesel Team De Rooy), a 46m25s; 3º Martin
da etapa 9, no 21º lugar da geral. Mas fique a saber conseguido manter a pressão sobre o russo, que Macik/Frantisek Tomasek/Michal Mrkva (Big
que o navegador português correu mundo através da teve imensa sorte, a saber, na etapa 5, quando Shock Racing), a 3h29m25s; 4º Siarhei Viazovich/
foto em que aperta a mão a Nani Roma, que teve de tombou o seu camião nas dunas. Perdeu apenas Pavel Haranin/Andrei Zhyhulin (Maz-Sportauto),
ir para o hospital na sequência de um forte acidente: 16 minutos e esta pode ter sido a operação a 3h59m35s; 5º Airat Mardeev/Aydar Belyaev/
“Quando um amigo está naquela situação um aperto certa para uma possível vitória no Dakar para Dmitriy Svistunov (Kamaz), a 4h23m20s.
de mão ajuda bastante”, disse na altura, ele que uns
dias antes tinha também estado ao lado de Pedro
Velosa, aquando do abandono deste e de- Pedro Mello
Breyner devido a acidente. Só quem lá anda sabe a
importância destas atitudes. Em termos desportivos,
agora é só rodar para chegar ao fim.

SXS
REINALDO VARELA DOMINA

Reinaldo Varela domina por completo a se que a categoria SxS está apenas no seu
classificação reservada aos Side by Side (SxS), segundo ano no Dakar, reuniu 11 buggies, entre
categoria que é a mais desequilibrada deste os quais o de Pedro de Mello Breyner e Pedro
Dakar. O brasileiro tem mais de hora e meia de Velosa, que desistiram logo na segunda etapa,
avanço face ao segundo classificado, com o devido a acidente. Classificação: 1º Reinaldo
passo decisivo a dar-se na sétima etapa quando Varela/Gustavo Gugelmin (Can-Am), 40h15m31s;
converteu um avanço de 20 minutos em mais de 2º Juan Carlos Uribe/Uribe Javier (Godoy Can-
uma hora. Am), a 1h34m31s; 3º Patrice Garrouste/Steven
Nesta categoria e com este ‘Dakar dos duros’, os Griener (Polaris), a 2h32m27s; 4º Anibal Liaga/
pequenos SxS pouco podem fazer mais do que Juan Pedro (Polaris Cilloniz), a 7h25m08s; 5º
sobreviver às armadilhas e é aí que se têm dado Claude Fournier/Szymon Gospodarczyk (Polaris),
os avanços e recuos na classificação. Recorde- a 7h39m23s.

DAKAR 2018

IMPREVISIBILIDADE
MÁXIMA
Alexandre Melo dência clara no que diz respeito à luta pelo
A 40ª edição do Dakar está a ser uma das mais [email protected] triunfo. Ultrapassado o Peru e as elevadas
disputadas no que diz respeito à batalha pelo primeiro altitudes da Bolívia terão de ser obrigato-
Odeserto do Peru colocou riamente as pistas rápidas e as dunas da
lugar. Mudanças de líder em quase todas as etapas, em sentido, desde o primei- Argentina a decidir a 40ª edição da prova
diferenças curtas, desilusões e pilotos de diferentes ro quilómetro, toda a carava- criada por Thierry Sabine.
marcas a destacarem-se são tudo ingredientes de um na do evento organizado pela Após nove etapas, oito na prática porque
evento que tem correspondido às expectativas. Como Amaury Sport Organisation. houve uma tirada que foi cancelada de-
Que o digam o vencedor do ano vido às más condições meteorológicas,
dizia alguém, prognósticos só no fim do jogo passado, Sam Sunderland ou o ‘nosso’ é impossível fazer um prognóstico sobre
Joaquim Rodrigues, pilotos que foram quem irá ser consagrado como vencedor
para casa mais cedo do que aquilo que em Córdoba, local onde terminará esta
todos esperavam. odisseia, ou não estivessem os seis pri-
Porém, apesar das muitas dificuldades meiros separados por muito pouco, facto
vividas, a corrida continua sem uma ten- que não tem sido muito habitual nos últi-
mos anos. Se aprofundarmos mais a aná-
lise vemos que os dois primeiros fecha-

ram a primeira fase do Dakar separados, >> autosport.pt
imagine-se, por 26 segundos. No final da
primeira metade do rali o comando ficou QUADS BEM ENCAMINHADOS
nas mãos de Adrien Van Beveren. Aos
comandos da nova WR450F, o piloto da Se nas motos a luta pela vitória está ainda em aberto, o mesmo
Yamaha já venceu uma etapa e é para já não se pode dizer na categoria destinada ao quads. Após uma
o único que segurou o primeiro posto por semana de competição, Ignacio Casale possui uma confortável
doisdiasconsecutivos. Van Beverentem vantagem para os rivais e só um imponderável, algo em que o
a responsabilidade nos seus ombros de Dakar é fértil, poderá tirar o segundo triunfo ao piloto chileno no
liderar as ambições da Yamaha, que de evento organizado pela Amaury Sport Organisation.
uma assentada, na Bolívia, perdeu Xavier Três vitórias nas três etapas inaugurais marcaram, desde logo,
de Soultrait e Franco Caimi, ficando ape- o território para os ‘outros’ pelo que agora temos tido um Casale
nas com o ‘aguadeiro’ Rodney Faggotter. em ‘modo gestão’, pois sabe muito bem que para ser primeiro,
Já no campo da Honda a luta pela vitória primeiro é preciso chegar ao fim.
é feita com dois pilotos: Kevin Benavides Quanto à batalha pelos restantes lugares do pódio, tudo
e Joan Barreda Bort. O primeiro está a está em aberto numa categoria onde a resistência e o fator
realizar uma corrida muito certinha, sem sorte são cruciais. Jeremías González Ferioli, o estreante
erros, e já teve a honra de ser o primeiro Nicolas Cavigliasso, Axel Dutrie, Simon Vitse e o peruano Alexis
argentino a liderar o Dakar na categoria Hernández estão na guerra por um lugar de destaque no pódio
moto. Já Barreda Bort, apesar da rápidez de Córdoba, cidade argentina onde termina o Dakar de 2018.
- venceu três etapas - tem tido os proble- Fora destas contas estão já o vencedor de 2017, Sergei Kariakin,
mas de sempre, ‘pequenas questões’ que e os experientes Rafal Sonik e Pablo Copetti, que não resistiram
até hoje sempre o impediram de vencer o à dureza da primeira semana de uma prova que, à data de fecho
seu primeiro Dakar. Nesta edição de 2018, desta edição, já teve seis vencedores diferentes em etapas.
para além de um erro de navegação logo
na fase inicial da corrida, que lhe custou OS ‘OUTROS’
minutos preciosos, o piloto espanhol ficou
também debilitado do joelho esquerdo Inseridos entre os 10 primeiros, à data
após uma queda durante a sétima eta- de fecho desta edição, estão também
pa, onde curiosamente saiu vencedor. dois pilotos que fazem da regularida-
Em claro défice físico, apesar de não ter de e ‘paciência’ em competição as suas
nenhuma fratura, Joan Barreda Bort não grandes armas. Falamos dos ‘privados’
atira a toalha ao chão em busca do sonho Gerard Farrés Guell – terceiro em 2017
que há muito persegue. Veremos se será – e de Stefan Svitko, segundo em 2016.
desta que tem a recompensa. Passando Numa grande maratona, como é o Dakar,
para a KTM, marca que nos últimos 16 anos não será surpresa se estes dois pilotos,
saiu vencedora, as hipóteses de manter caso não tenham problemas e aprovei-
esta incrível sequência continuam bem tem azares alheios, venham com o de-
vivas ou não encerrasse a primeira me- correr das etapas a subir ainda mais na
tade da competição com três pilotos en- classificação geral.
tre os seis primeiros. Em contas simples, De destacar também a boa corrida que
tem 50% de hipóteses de garantir o pri- tem vindo a fazer Johnny Aubert, piloto
meiro lugar. que, tal como Antoine Méo, tem carreira
Matthias Walkner e Toby Price estão en- feita no enduro e está neste Dakar a exibir
volvidos numa guerra onde têm sido mui- uma grande solidez exibicional.
to consistentes. Ainda não venceram ne- Aubert defende as cores da equipa ofi-
nhuma tirada, mas também não é menos cial da Gas Gas, que após dois anos de
verdade que não cometeram erros ou ausência tem estado a muito bom nível,
tiveram problemas que deitassem tudo pois Jonathan Barragán, outro piloto com
por terra. escola de enduro, lidera a sempre impor-
Continuando nas hostes de Mattighofen tante classificação dos estreantes e está
destaque também para a prova em cres- à espreita para entrar no top 10.
cendo que Antoine Méo tem vindo a fazer Nesta fila de espera estão também no-
e que o permite estar a discutir a vitória. O mes como o boliviano Daniel Nosiglia,
gaulês, que falhou o último Dakar por le- José Ignacio Cornejo (substituto do le-
são, já conquistou duas etapas, o mesmo sionado Paulo Gonçalves), o já referido
número de Sam Sunderland, que como foi Pablo Quintanilla ou Laia Sanz, que ainda
referido já abandonou. e sempre continua a ser a melhor piloto
Na ‘prima’ Husqvarna é que as coisas não feminina em prova.
estão muito famosas. Problemas mecâni- Por último, palavra para os estreantes,
cos em mais do que uma etapa já compro- aqueles que amanhã poderão vir a ser
meteram a corrida de Pablo Quintanilla, as estrelas do Dakar.
que era apontado como um dos grandes Para além de Jonathan Barragán tam-
favoritos à vitória. Vencer etapas e tentar bém Luciano Benavides, irmão mais novo
o melhor resultado possível é o que am- de Kevin, e Oriol Mena têm dado cartas.
biciona o bicampeão do mundo de cross Benavides já esteve durante muito tem-
country e ralis. po na frente da classificação dos ‘rookies’,
enquanto Mena assumiu a liderança da
indiana Hero MotoSports após o preco-
ce abandono de Joaquim Rodrigues. Na
prática, uma edição muito equilibrada e
imprevisível quanto ao desfecho final.

/
DAKAR 2018

10

QUERIDA CASINHA

Depois de ter abandonado precocemente a 40ª edição volta a Portugal e concentrar-me a 100% na minha
do Dakar devido a uma violenta queda na primeira recuperação. Recebi alta médica, mas a organização
etapa, Joaquim Rodrigues já está de regresso a do Rali Dakar ainda não decidiu tratar do meu voo de
Portugal, onde dará seguimento ao seu processo de regresso como lhe compete. É de lamentar. Estarei
recuperação. Porém, o retorno a casa não foi fácil para esquecido?”, questionou o piloto da Hero MotoSports.
os lados do segundo melhor estreante do Dakar em Poucos dias dias depois deste desabafo, o impasse
2017. Tal situação foi relatada através da sua página foi resolvido e após uma “viagem longa e díficil”,
oficial de Facebook. Aí deu conta de ter recebido alta Joaquim Rodrigues já se encontra no Porto, onde vai
hospitalar na unidade onde estava, em Lima, mas que ser internado numa clínica de modo a saber se terá de
a entidade organizadora do Dakar, a Amaury Sport ser submetido a uma intervenção cirurgica. Recorde-se
Organisation, ainda não tinha tratado do seu voo de que, na sequência da queda na primeira etapa do
regresso ao país natal. Dakar, o piloto de Barcelos contraiu uma fratura na
“Aqui estou eu. A verdade é que já poderia estar de vértebra L5, que situada na região lombar.

SAM SUNDERLAND JÁANDA

A quarta etapa do Dakar de 2018 ficou levaram Sunderland ao ‘tapete’
marcada pelo abandono do vencedor poucos quilómetros depois de ter
do último Dakar. Numa corrida onde caído.
era líder e já tinha conquistado duas Porém, a compressão de dois discos
etapas, Sam Sunderland foi forçado a lombares, que impediam o piloto da
desistir depois de uma queda. KTM de movimentar as pernas, está a
Após esse incidente, o piloto britânico desaparecer e Sam Sunderland já se
ainda regressou aos comandos da levanta e anda, o que pode indicar que
sua KTM 450 Rally, mas o facto de o britânico residente nos Emirados
ter começado a sentir as pernas Árabes Unidos não necessite de ser
dormentes e dores nas costas sujeito a uma intervenção cirúrgica.

SHERCO DESILUDE

Após a primeira fase da 40ª edição mundo, dos três pilotos oficiais durante a quinta jornada, que
do Dakar bem se pode dizer que com que a Sherco se apresentou ‘trouxe’ consigo a fratura de um
a equipa oficial da Sherco tem à partida, somente Joan Pedrero tornozelo.
sido uma das grandes desilusões Garcia está em competição. Azar a mais para uma equipa
da prova. Uma situação algo Isto porque o francês Adrien que agora deposita todas as
inesperada até porque nas provas Metge e Aravind Prabhakar já suas fichas somente num
de preparação para o Dakar, abandonaram. Metge sofreu piloto, Pedrero Garcia, que em
nomeadamente os Panafrica Rally uma queda na segunda etapa, 2017 venceu o Panafrica Rally.
e Rali de Marrocos, as indicações que resultou na fratura de uma No Dakar, em que já foi quinto
deixadas tinham sido muito perna. O mesmo doloroso destino (2011 e 2013), tem estado muito
encorajadoras. A verdade é que na teve o indiano Prabhakar que apagado, estando já muito longe
maior prova de todo o terreno do não evitou também uma queda, do top 10.

CONTRARIAR A LÓGICA

Aqueles que acompanham com mais atenção o termos profissionais e pessoais” da sua vida.
automobilismo, nomeadamente o Mundial de Ralis Porém, este desafio terminou na quarta etapa devido
(WRC), certamente que estarão recordados de quem a uma queda, nas dunas do Peru, em que lesionou uma
foi Jesús Puras. Piloto espanhol que durante a sua clavícula. Um incidente que se seguiu a uma outra
carreira participou em 37 ralis entre 1991 e 2002, tendo queda violenta, esta na segunda etapa, e que já tinha
conquistado, com a equipa oficial da Citroën, a mítica deixado muito dorido o mais velho piloto inscrito, na
Volta à Corsega em 2001, triunfo que abriu caminho categoria moto, deste Dakar.
para os sucessos, anos mais tarde, de Sébastien Loeb. O objetivo de chegar a Córdoba ficou impedido
Retirado dos ralis e agora com 54 anos, Jesús Puras de concretizar-se de forma abrupta, mas ficou a
decidiu participar pela primeira vez na maior prova experiência de uma aventura que certamente teve o
de todo o terreno mundial, o Dakar. No entanto, esta mesmo ou até maior significado que os muitos anos
estreia não aconteceu, como seria de esperar, nos em que este piloto, nascido em Santander, esteve
autos, mas sim na categoria moto, onde elegeu uma no Mundial de Ralis. Quem sabe se para o ano não
KTM para enfrentar um dos “maiores desafios em regressa agora que o ‘bichinho’ entrou.

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11

FAUSTO MOTA
A PROGREDIR
NA CLASSIFICAÇÃO

Francisco Mendes que lhe permitiu ascender ao 47º lugar
[email protected] da classificação geral, a 8h38m40s do
líder da prova.
O Dakar não é uma prova fácil A cada etapa está mais perto de al-
para os pilotos que estão cançar a meta traçada para esta edi-
longe de ter um apoio como ção do Dakar, terminar, se possível,
aquele que é evidenciado fazê-lo no top 30: “Chegar a Córdoba
pelas equipas de fábrica. na Argentina é o nosso principal ob-
Que o diga o único portu- jetivo e terminar no top 30 é outa das
guês em prova na categoria de motos, nossas ambições. Se não tivermos
Fausto Mota, que apesar das dificulda- muitas etapas anuladas devido ao mau
des inerentes ao percurso, tem conse- tempo podemos andar um pouco mais
guido progredir na classificação geral. para conseguir alcançar esse objetivo,
Depois de deixar o Peru para trás a mas o importante é mesmo chegar a
caravana do Dakar chegou à Bolívia, Córdoba”, lembrou o piloto português.
onde as dificuldades aumentam, muito As dificuldades com as condições me-
por culpa das etapas em altitude, das teorológicas levaram já a organização
chuvas e do frio. do Dakar a cancelar a nona etapa, que
Fausto Mota conseguiu passar bem teria lugar na última segunda-feira,
estas tiradas, nomeadamente a pri- entre Tupiza e Salta, na Argentina, num
meira etapa maratona que ligou Uyuni total de 513 quilómetros, 242 dos quais
a Tupiza, na Bolívia, naquela que foi a de especial cronometrada.
etapa mais longa da prova com cerca Na base desta decisão estão as fortes
de 500 quilómetros. chuvas que inundaram por completo
“Foi uma etapa muito dura, com muita o bivouac de Tupiza e por isso os pilo-
lama e onde foi preciso rodar com al- tos e as equipas de assistência foram
guma cautela de forma a evitar erros enviados para Salta, no mesmo país,
e a não hipotecar o nosso objetivo que por um percurso alternativo.
é terminar a prova”, afirmou Fausto “O adiamento destas etapas não me
Mota. favorece, porque realizámos provas
Sempre na luta e a progredir na clas- muito regulares e é nestas etapas mais
sificação geral, o piloto de Marco de longas que podemos ganhar posições
Canavezes alcanço na etapa marato- na geral. Resta esperar que continue a
na a sua melhor classificação até ao correr bem para podermos estar em
momento ao terminar a tirada que se mais um final do Dakar”, acrescentou
concluiu em Tupiza na 46ª posição, o Fausto Mota.

TT/12
AFRICA ECO RACE

AFRICA ECO RACE

VITÓRIA SURPRESA

DEMATHIEU SERRADORI

O Mini de Vladimir Vasilyev prémio depois de tanta luta contra a
era favorito ao triunfo, mas adversidade.
foi Mathieu Serradori a levar Vasilyev depressa se instalou na frente
a melhor na edição deste ano da corrida, inicialmente com pouca
do Africa Eco Race, nos autos. margem face a Serradori e Thomasse,
Depois duma intensa luta de mas com o passar dos dias a margem
quase dez dias com o russo, foi crescendo um pouco, cifrando-
vencedor do ano passado, -se em 16m35s no final da 5ª Etapa,
Mathieu Serradori e Fabian com Thomasse bem mais atrás, já a
Lurquin asseguraram em 1h25m02s.
Dakar a mais bela vitória A diferença de Vasilyev para Serradori
da sua carreira foi-se mantendo à volta do quarto de
hora, o que sucedia na etapa 7, mas
José Luís Abreu na seguinte, uma tirada com imensas
[email protected] dunas na Mauritânia, revelou-se fatal
para o russo, que depois de esperar
V ladimir Vasilyev e Konstantin pelo seu adversário para ir atrás dele
Zhiltsov não conseguiram nas dunas, caiu numa armadilha, atas-
vencer dois anos seguidos, cando e perdendo muito tempo, tendo
com os russos a termina- depois também um problema mecânico
rem em segundo, depois de no Mini. Resultado: cedeu 1h22m13s
muito terem sofrido na areia e caiu para segundo, 1h05m50s atrás
mauritana. Pascal Thomasse e Pascal de Serradori. Faltavam três etapas e
Larroque levaram o seu Optimus ao já nada mudou até final.
lugar mais baixo do pódio, um bom Nos Camiões, Gerard De Rooy venceu
com o seu Iveco, um ‘calendário’ na
frente de Tomas Tomecek, em Tatra.
Como se sabe, Elisabe Jacinto desistiu
logo nos primeiros dias.

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13

AFRICA ECO RACE

PORTUGAL BRILHA EM DAKAR

A 10ª edição do Africa Eco em Dakar. Contudo, os últimos dias Já Rui Oliveira não conheceu uma der- Com isto viu Martin Benko ascender
Race, competição que do Africa Eco Race foram realizados radeira semana de prova fácil. ao lugar mais baixo do pódio.
caracteriza-se por percorrer com muita estratégia e calculismo de Com alguns problemas acabou por No entanto, o piloto da CRN Competi-
caminhos do antigo Dakar forma a garantir o segundo lugar do perder a terceira posição da geral na tion não baixou os braços e na penúl-
africano, ficou marcada por pódio, a melhor forma de se estrear sétima etapa da prova, ao terminar em tima etapa da prova voltou a subir ao
um duplo pódio português, neste tipo de provas. 13º a 1h49m20s do vencedor da tirada. terceiro lugar da geral, depois de quatro
com Luís e Rui Oliveira a etapas bastante regulares e em que
alcançarem o segundo e aproveitou da melhor forma os erros
terceiro lugares de navegação de Martin Benko.
depois de uma corrida notável No final da prova, Luís Oliveira subli-
para as cores nacionais nhou: “Foi um bom resultado na minha
estreia em provas deste género. É certo
Francisco Mendes que ainda estou a aprender e a habi-
[email protected] tuar-me à navegação, mas penso que
é muito bom terminar no pódio e por
É certo que a vitória do italiano isso tenho de agradecer a todos aqueles
Paolo Ceci na categoria de mo- que me ajudaram e à minha equipa.”
tos começou a desenhar-se Nota ainda para João Rolo que não con-
a partir da quarta etapa da seguiu concretizar o sonho de chegar
prova, altura em que o vete- a Dakar.
rano Pal Anders Ullevalseter O piloto português que competia na
conheceu problemas mecânicos que o prova na categoria malle et moto, ou
deixaram irremediavelmente afastado seja, sem qualquer tipo de apoio, nun-
da luta pela vitória. ca escondeu que essa seria a grande
Contudo, o que ninguém esperava é que dificuldade de concretizar o sonho de
o jovem Luís Oliveira, que fazia a sua chegar ao Lago Rosa, em Dakar, no
estreia na prova africana, aguentasse o Senegal, no último dia de prova.
ritmo e acabasse por ser a surpresa da Depois de muito esforço e superação,
prova ao garantir o segundo lugar final. João Rôlo foi obrigado a abandonar
Oliveira, que já tinha ganhado uma a competição após a nona etapa do
etapa na primeira semana de prova Africa Eco Race, por acumulação de
em território marroquino, surpreen- penalizações desportivas por excesso
deu a concorrência ao conseguir duas de tempo.
vitórias em etapas, nas sempre difíceis O piloto de Anadia terminou a nona
areias da Mauritânia. etapa na 24ª posição, mas já não ali-
É certo que uma das suas vitórias nhou na 10ª e antepenúltima etapa,
acabou por lhe ser retirada, depois deixando assim a prova a dois dias
de revistos os tempos, mas a verdade do seu final.
é que o piloto de Sintra deixou toda a
gente surpreendida com o andamento
imposto e pela sua capacidade de rodar
ao ritmo do experiente Paolo Ceci.
Para fechar com chave de ouro, Luís
Oliveira conquistou ainda a vitória
na última especial, os 22 quilómetros
percorridos nas areias do Lago Rosa,

C/ CLASSIFICAÇÃO

1º PAOLO CECI 47:21:53
2º LUÍS OLIVEIRA + 01:26M:20
3º RUI OLIVEIRA + 06H43M27
4º FELIX JENSEN + 08H33M27
5º JONATHAN BLACKBURN + 08H43M06
6º NATHAN RAFFERTY + 09H58M45
7º JULIEN SANCHEZ + 10H00M24
8º HENRIK RAHM + 10H56M23
9º JAN ZATKO + 11H36M35
10º FRANCO PICCO + 13H07M13

F1/14
FÓRMULA 1
QUANDO TODOSASVITÓRIASSURPRESANAFÓRMULA1
OS ASTROS
SE ALINHAM
Vivemos num mundo onde a lógica vai imperando e a Fórmula 1 não escapa a
essa ditadura. No entanto, ocasionalmente, alguns resultados desafiam a razão,
contrariando tudo o que era esperado. Junte-se ao inesperado a estreia de uma
equipa improvável e temos verdadeiros episódios que marcam o folclore dos
Grandes Prémios

Jorge Girão do automobilismo. Talvez a última grande fortes. No essencial, menorizar os feitos Ferrari, que permitiu que o finlandês ven-
[email protected] surpresa tenha sido o triunfo do errático delas será sempre injusto, uma vez que cesse a sua única prova da temporada,
Pastor Maldonado que, quando todos es- não basta estar no sítio certo no momen- apesar do italiano ser o mais rápido dos
Para uma equipa de Fórmula 1, peravam que cometesse um dos seus ha- to certo – é preciso também agarrar as dois, como demonstra a distância a que
depois de conceber um carro bituais erros, ainda por cima sob pressão oportunidades com as duas mãos e não terminou do 'Iceman' – menos de um
competitivo, o objectivo prio- de Fernando Alonso, liderou do semáforo a deixar escorregar por entre os dedos. segundo.
ritário passa por reduzir o nú- até à bandeirada de xadrez, conquistando Nas últimas temporadas a formação de
mero de variáveis ao longo de a sua primeira, e única, vitória, e a 114ª e, QUEM SERÁ A PRÓXIMA? Silverstone, que nasceu como Jordan,
um fim de semana de corridas, para já, última da Williams. tem sido a que mais próxima tem esta-
de modo a que possa explanar comple- Mas, como demonstram os números, a Presentemente, de todas as estruturas a do das três equipas de ponta – Mercedes,
tamente o potencial dos seus monolu- formação de Grove tinha já provado pro- competirem na Fórmula 1, apenas uma Ferrari e Red Bull – mas apesar da feroz
gares e, dessa forma, alcançar o melhor fusamente o sabor embriagante das vi- nunca conseguiu vencer – a Haas F1 Team, competição entre estas, e de alguns pro-
resultado possível. tórias, o que não emprestou ao triunfo do que tem apenas duas temporadas – mas blemas de fiabilidade da equipa de Milton
Hoje, todas as estruturas presentes no venezuelano aquela sensação de evento se levarmos em consideração as mudan- Keynes, em 2017 nenhum dos pilotos da
mundo dos Grandes Prémios possuem marcante, como outros verdadeiramen- ças de identidade, a Force India é a restante Force India subiu ao pódio, tendo sido
poderosas ferramentas de simulação, que te inesperados que elevaram ao panteão que também nunca teve a oportunidade Lance Stroll, em Baku, o único a furar o
lhes permitem, muitas vezes em tempo dos vencedores equipas que nunca an- de ver um dos seus pilotos subir ao de- monopólio das três grandes.
real, analisar quais os cenários que se tes tinham subido ao degrau mais alto grau mais alto do pódio. O Grande Prémio do Azerbaijão foi a gran-
abrirão na eventualidade de terem que do pódio, que, em alguns casos, nunca a O mais próximo que já esteve desse feito de oportunidade de 2017 para assistirmos
antecipar uma paragem nas boxes, por tal coisa aspiraram, e que ficaram redu- até agora foi no Grande Prémio da Bélgica a uma vitória improvável, uma vez que
exemplo. Mesmo no passado já havia zidas a esse sucesso, muitas vezes fruto de 2009. Num fim de semana sem gran- foram diversos os pilotos de ponta que
formas de tentar limitar surpresas desa- das circunstâncias. des alterações meteorológicas, Giancarlo erraram e/ou tiveram problemas, mas os
gradáveis, ainda que de uma forma mais Porsche, Anglo American Racers, Penske, Fisichella arrancou para a corrida da po- dois pilotos da formação de Vijay Mallya
empírica e menos científica, ao contrário Shadow, Stewart, BMW Sauber e Toro le-position, mas acabou ultrapassado desentenderam-se, criando a oportu-
do que acontece atualmente. Rosso encaixam nesta categoria – as por Kimi Raikkonen, graças ao KERS da
Ainda assim, e mesmo com todos os pla- equipas que têm um triunfo solitário.
nos realizados por estrategas para inúme- Em todos os casos as equipas que ditavam
ras eventualidades, ao longo de 67 anos de leis em cada um dos períodos falharam
existência da Fórmula 1 foram diversos os por um motivo ou por outro de forma cla-
capítulos em que se assistiu a vencedo- morosa, mas, ainda assim, para poderem
res improváveis, que desafiaram todas as ascender ao degrau mais alto do pódio
probabilidades e toda a lógica que, apesar cada uma destas sete equipas teve que
de tudo, reina num mundo que na sua es- realizar o seu trabalho, e bem, e evitar os
sência é de paixão – o grande paradoxo erros daquelas que, em teoria, eram mais

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15

nidade para Felipe Massa, em Williams, corridas de resistência e de ter apenas devido a um carro ultrapassado e que era tos da Porsche, tendo o americano qua-
vencer na forma de uma bandeira verme- pontualmente competido nas provas de ainda uma evolução do 718, um bilugar, lificado-se no sexto posto, a 1,7s de Jim
lha para limpar a pista dos destroços dos monolugares, ao olhar para as tabelas que apesar de tudo lhe garantiu o terceiro Clark, o autor da pole-position, que dei-
carros de Sergio Pérez e Esteban Ocon. O de vitórias não será sem surpresa que se lugar no Campeonato de Construtores. xara Graham Hill, no segundo lugar, a
brasileiro acabou por abandonar devido a verificará que o construtor alemão tem Os alemães, contudo, para 1962 criaram dois décimos.
um amortecedor partido, ficando a vitória apenas uma vitória na Fórmula 1 como um carro completamente novo, concebido Dificilmente Gurney era apontado como
nas mãos de Daniel Ricciardo. construtor. segundo o novo regulamento, tendo por um favorito à vitória, recaindo essa con-
Poderá em 2018 a Force India conquistar o Com um carro que pouco mais era que um base um chassis tubular, ao qual era aco- dição nos britânicos. Na verdade, o piloto
seu primeiro triunfo? Como nos episódios 718 apenas com um lugar, as primeiras ex- plado um motor de oito cilindros opostos. da Porsche, depois de ter passado pelo
que contamos de seguida, tudo terá que periências da marca de Zuffenhausen no Leve – o motor era arrefecido a ar, dispen- quarto lugar, caiu para quinto, rodando, por
correr bem aos homens de Silverstone mundo dos Grandes Prémios não foram sando os pesados radiadores – e baixo, o esta ordem, atrás do inglês, John Surtees,
no dia em que tudo correr mal às três muito bem-sucedidas, até por que os 1.5 804 parecia destinado ao sucesso, mas do escocês, de Bruce McLaren e de Jack
grandes e, ainda assim, na próxima tem- litros do seu automóvel pouco podiam rapidamente ficou claro que era pouco Brabham.
porada terá seguramente a oposição da fazer contra os 2.5 litros da maior parte potente face à concorrência, causando Porém, a partir da 10ª volta a corrida co-
McLaren e da Renault, também elas se- da concorrência. igualmente problemas de comportamen- meçou a ir ao encontro do americano.
dentas de triunfos… No entanto, quando em 1961 o regulamen- to a Dan Gurney e a Jo Bonnier, os pilotos Primeiro foi o australiano e o neozelan-
Difícil? Impossível? Talvez, mas são os to técnico da Fórmula 1 passou a limitar os da equipa. dês a terem problemas, tendo o primeiro
resultados que desafiam a lógica que fa- motores a 1.5 litros, a Porsche passaria a No entanto, o único verdadeiro monolu- abandonado com problemas na suspen-
zem destes episódios únicos e os tornam estar no mesmo plano que as suas rivais. gar de Fórmula 1 construído pela Porsche são traseira.
parte do folclore da Fórmula 1. Ainda assim, e numa época em que am- haveria de assegurar o triunfo singular O piloto da Porsche continuava 'apenas' no
bas poderiam ser consideradas marcas do construtor. quarto posto a trinta e cinco segundos do
1 PORSCHE GP DE FRANÇA 62 do mesmo gabarito, a marca alemã viu a No Grande Prémio de França, disputado líder, subindo a terceiro na 12ª graças aos
Ferrari dominar inapelavelmente a con- em Rouen-Les-Essarts, a qualificação problemas de motor de Surtees.
Apesar de ao longo da sua história a corrência sem que nada pudesse fazer correu melhor que o habitual aos pilo- O Porsche parecia condenado à terceira
Porsche se ter dedicado sobretudo às posição, mas na 33ª passagem pela meta
o americano estava já no segundo lugar,
beneficiando da entrada nas boxes de
Clark, que abandonaria com problemas
de direção.
Faltava ainda Hill, que, apesar de ter sido
abalroado por um retardatário desgover-
nado sem travões, liderava confortavel-
mente, com trinta segundos de vantagem
para Gurney.
Porém, a sorte, nesse longínquo dia quen-
te de 8 de julho de 62, estava definitiva-
mente do lado da Porsche, que veria o
americano herdar a liderança e a vitória
com os problemas de injeção no motor
do BRM de Hill.
Estava assim consumada a primeira vitó-
ria da marca de Zuffenhausen na Fórmula
1, e para já a única, curiosa e precisamente
quando a Ferrari não pôde tomar parte no
Grande Prémio devido às greves do setor
industrial italiano. No final da temporada
a Porsche abandonaria a categoria.

2 AAR – ANGLO AMERICAN RACERS

GP DA BÉLGICA 67

A All American Racers nasceu dos es-
forços de Dan Gurney e de Carroll Shelby,
em 1964, tendo sido contratado Len Terry,
ex-projetista da Lotus, para conceber o
primeiro chassis da equipa, que tinha a
particularidade de poder competir nas
500 Milhas de Indianápolis e na Fórmula
1, consoante o motor aplicado.
Na Fórmula 1 a equipa era conhecida como
Anglo American Racers – por estar ba-
seada no Sussex ao lado da Weslake, que
haveria de lhe fornecer os seus moto-
res V12 de 3.0 litros – e disputou o seu
primeiro Grande Prémio do Mundial em
Spa-Francorchamps, em 1966. Muito em-
bora fosse obrigada a usar os vetustos
Coventry-Climax de quatro cilindros e 2.7

16 f1/

litros, as qualidades do chassis criado nos infortúnio abater-se-ia sobre a formação Por outro lado, a McLaren e a Penske 3
Estados Unidos da América e que usava de licença americana, quando Donohue realizaram uma sessão de testes em
profusamente o titânio, permitindo-lhe se despistou nos treinos-livres, morren- Osterreichring e, num fim de semana que o atrasaram.
ser bastante leve, garantiu a Gurney os do posteriormente das lesões sofridas. em que a chuva foi uma presença assí- Roger Penske vingava assim o desapa-
seus primeiros pontos logo na segunda A equipa falhou a prova de Monza, mas dua, James Hunt garantiria a pole-position recimento do seu amigo Donohue um
corrida da estrutura, o Grande Prémio de John Watson ocupou o lugar do america- seguido de Watson na única sessão dis- ano antes no mesmo palco, deixando
França, com um quinto lugar. no no Grande Prémio dos Estados Unidos, putada com a pista seca antes da corrida. definitivamente a Fórmula 1 no final da
Já em Monza o americano teve à sua dis- mantendo-o para a época seguinte. No dia da corrida, a chuva voltou a ser uma temporada, farto da Europa.
posição o poderoso V12 construído em Para 76 a Penske tinha um monolugar ameaça, mas todos os pilotos arrancaram Por seu lado, Watson perdia a barba que
Inglaterra, mas diversos problemas de novo, o PC3, que posteriormente fora evo- com slicks, tendo o irlandês assegurado o caracterizava, devido a uma aposta
fiabilidade levaram a dois abandonos con- luído para PC4, passando a evidenciar o comando nos primeiros metros, segui- com o patrão.
secutivos, até que no Grande Prémio do alguma competitividade, o que permi- do de Ronnie Peterson, ao passo que Jody
México, o último da temporada, voltou a tiu ao barbudo irlandês conquistar dois Scheckter iniciava uma recuperação que
garantir um quinto lugar. terceiros lugares, mas sempre longe dos o levaria ao comando na 10ª volta, já de-
O resultado mexicano oferecia esperan- vencedores. pois de o sueco ter suplantado o homem
ça à formação anglo-americana, mas em Contudo, isso haveria de mudar em da Penske.
1967 a fiabilidade foi o principal problema Osterreichring, o circuito onde Penske Contudo, na 12ª volta Watson voltava
de um carro que se mostrava performan- vira no ano anterior o seu piloto, e ami- novamente, e deste feita, definitiva-
te, qualificando-se consistentemente nos go, Donohue, sucumbir. mente, à liderança. O irlandês começou
cinco primeiros lugares. A prova austríaca disputava-se duas se- a destacar-se dos seus perseguidores,
No Grande Prémio da Bélgica, disputa- manas depois do marcante Grande Prémio terminando com dez segundos de van-
do no dantesco circuito antigo de Spa- da Alemanha, onde Niki Lauda sofrera o tagem para Jacques Laffite, que subira
Francorchamps, todos os astros se alinha- seu terrível acidente, e a Ferrari decidira ao segundo posto graças aos problemas
ram para Gurney e para a Anglo American não realizar a deslocação até aos Alpes de pressão de óleo de Gunnar Nilsson,
Racer. Austríacos, o que colocou de fora dois o terceiro, à desistência de Schekter e
Num anormal dia de calor nas Ardenas, o carros capazes de lutar pelos triunfos. às dificuldades nos travões de Peterson,
americano arrancou mal do segundo pos-
to, caindo para o oitavo lugar nos primei-
ros metros, mas rapidamente começou a
sua recuperação e à 10ª volta era já terceiro
no encalço de Jackie Stewart, em BRM, e
do inalcançável Jim Clark, no novíssimo
Lotus 49 Ford Cosworth.
Duas voltas depois, a sorte começava a ba-
fejar Gurney, quando o escocês da equipa
de Colin Chapman parou nas boxes com
problemas numa vela de ignição, atra-
sando-se irremediavelmente.
Mais tarde, Stewart começou a ter dificul-
dades com a caixa de velocidades, permi-
tindo a aproximação do americano, que
ascendeu ao comando na 21ª volta. Sem
que o seu Eagle Weslake evidenciasse os
problemas que revelara anteriormente,
Gurney tornou-se o segundo homem a
triunfar num Grande Prémio com o seu
próprio chassis, uma semana depois de
ter vencido as 24 Horas de Le Mans com
a Ford. Depois de uma temporada de 68
desapontante, a formação de origem nor-
te-americana regressaria definitivamen-
te aos ‘States’.

3 TEAM PENSKE GP DA ÁUSTRIA 76

A Penske é conhecida sobretudo pe-
las suas vitórias nas 500 Milhas de
Indianápolis, sendo a recordista com 16
triunfos, mas nos anos setenta andou
também pela Fórmula 1, criando uma
base em Poole, Inglaterra.
Roger Penske conseguiu o financiamento
para a operação e participou na tempo-
rada de 75, após ter participado em algu-
mas corridas de 74, mas o PC1 Cosworth,
o monolugar construído pela equipa para
os Grandes Prémios, não se mostrou ver-
dadeiramente competitivo, recorrendo o
'Capitão' a um March 751 para manter o
seu piloto de eleição, Mark Donohue, em
competição.
No entanto, no Grande Prémio da Áustria o

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1

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4 SHADOW RACING 4 competitiva, nos dois primeiros anos na Kylami e três anos depois, no mesmo cir-
Fórmula 1 a equipa americana somou três cuito, Tom Bryce, que apanhou com um
GP DA ÁUSTRIA 77 e com o seu logótipo, um homem coberto. pódios – sempre terceiro lugares – vol- extintor no capacete, após atropelar um
A formação da Califórnia começou por tando a conquistar outro em 75 e mais comissário de pista que desavisadamente
A Shadow foi fundada por Don Nichols no competir na CanAm, mas a sedução da um em 76. a atravessou na reta da meta do circuito
final dos anos setenta, uma figura miste- Fórmula 1 era demais para que Nichols lhe Apesar das temporadas respeitadoras, sul-africano para apagar um princípio de
riosa que, segundo alguns, fora agente da pudesse resistir, e, em 73, e sem grande a tragédia andou muitas vezes de mão incêndio no outro Shadow.
CIA no Extremo Oriente, ganhando esta sucesso no campeonato da América do dada com a Shadow, tendo, em 74, perdido No entanto, no Grande Prémio da Áustria
teoria força com o nome da equipa (‘sha- Norte, estreou-se no mundo dos Grandes Peter Revson numa sessão de testes em do mesmo ano a sorte da equipa, agora
dow’, que em Português significa sombra) Prémios. com licença britânica, iria mudar.
Apesar de não ser consistentemente Num circuito molhado, mas com ten-
dência a secar, Alan Jones, que assumiu
o lugar de Bryce, arrancou apenas do 14º
lugar, mas o Shadow DN8 foi ficando mais
eficaz à medida que a água desapare-
cia do asfalto austríaco e na 12ª volta era
já quarto, beneficiando do abandono de
Mario Andretti, devido ao motor partido do
seu Lotus, que liderara desde o arranque.
O australiano continuou a sua demanda
e rapidamente chegou ao segundo posto,
mas nada podia fazer contra James Hunt,
que liderava confortavelmente e rodava
num ritmo inalcançável para os demais.
Jones chegou mesmo a ter que se preo-
cupar com o Lotus de Gunnar Nilson, que

f1/

18

arrancara com pneus de chuva, mas de- tar pneus de chuva durante um chuvis- 5 que estavam parados no semáforo da
pois de trocar para slicks rapidamente se co passageiro. saída das boxes, aguardando que este
aproximava do Shadow. Dois candidatos à vitória estavam fora 1 enquanto construtor, dado ser um tra- passasse a verde.
No entanto, também o motor do Lotus de cogitação, mas David Coulthard pare- çado de motor, o melhor componente da Hamilton,completamente distraído, não
sueco, tal como o de Andretti, uma ver- cia capaz de levar a água ao seu moinho. equipa sediada em Hinwil. parou, entrando pela traseira do Ferrari
são de desenvolvimento da Cosworth, Contudo, a água foi de mais para o esco- Kubica mostrou competitividade desde e causando o seu abandono e o do fin-
cederia,oque deixavaJonesdescansado cês, uma vez que quando a chuva regres- cedo, acabando com o segundo posto na landês. O polaco ficou em posição privi-
no segundo posto. sou, agora de forma insistente, a McLaren grelha de partida, mas Lewis Hamilton, legiada para vencer, oportunidade que
A 11 voltas da bandeirada de xadrez Hunt manteve o seu piloto em pista com slicks, sempre muito à-vontade para dançar Kubica não deixou fugir, conquistando
via o seu V8 Cosworth, igualmente de que entrou em pião e abandonou. com os muros canadianos, conquistou a a sua primeira vitória na Fórmula 1, as-
desenvolvimento, ceder quando tinha a A corrida de 66 voltas ia de episódio pole-position, batendo o polaco por mais sim como a da BMW Sauber F1.
vitória no bolso, entregando de bandeja o em episódio, surpresa em surpresa, e de seis décimos de segundo. O então piloto de 24 anos ficou bem po-
triunfo ao australiano da Shadow. Giancarlo Fisichella, que ficara no coman- O piloto da McLaren Mercedes estava sicionado na luta pelo título, instando a
A temporada de 77 acabaria por ser o pon- do com a desistência de Coulthard, acaba- numa classe aparte e, depois de manter marca bávara a prosseguir o desenvol-
to alto da vida da Shadow, que daí para ria por imitar o escocês, não conseguindo a liderança no arranque, rapidamente vimento do F1.08, mas esta manteve-se
a frente não voltaria ao pódio. Em 1980, manter-se numa pista encharcada com conseguiu construir uma vantagem para irredutível e fiel ao seu plano inicial e, de-
depois de apresentar um carro pouco slicks no seu Benetton. o jovem da BMW Sauber, que levava no pois da vitória no Canadá, com o objetivo
competitivo que não permitia sequer aos Tudo parecia encaminhar-se para o re- seu encalço Kimi Raikkonen. da temporada alcançado, centrou o seu
seus pilotos qualificarem-se, Nichols de- gresso às vitórias da Williams e para o pri- No entanto, na 15ª volta, Adrian Sutil, em foco no carro de 2009, a temporada em
cidiu terminar a aventura a meio do ano. meiro triunfo de Ralf Schumacher, mas, Force India, parou em pista com proble- que supostamente lutaria pelos títulos,
já perto final, um furo no pneu traseiro/ mas de caixa de velocidades, precipitando muito embora Kubica tenha estado na
5 STEWART GRAND PRIX direito no Williams do alemão colocava a entrada do Safety-Car, o que levou a que corrida pelo campeonato quase até à
um ponto final nas suas aspirações, aca- a maior parte dos pilotos rumassem às última prova.
GP DA EUROPA 99 bando por terminar num desapontante boxes para trocar de pneus e reabastecer. Em 2009 a BMW Sauber apresenta-
quarto lugar. Foi então que Hamilton, que até então es- ria um carro muito pouco competi-
Quando Jackie Stewart, juntamente com Herbert, sem cometer erros e com para- tava imperial, cometeu um erro de prin- tivo, apesar do seu longo período de
o seu filho Paul, decidiram ingressar na gens nas boxes no momento certo, ficava cipiante. A McLaren fora demasiado lenta gestação, acabando o construtor ger-
Fórmula 1 com a sua própria equipa em na liderança de uma corrida que 'ninguém nas operações de boxes, perdendo o in-
1997, depois bons resultados nas cate- queria ganhar', mas o inglês agarrou o glês posições para Raikkonen e Kubica,
gorias de promoção, esperava-se que o triunfo com as duas mãos, oferecendo à
ultra-profissional escocês criasse uma Stewart a sua primeira vitória na Fórmula
estrutura que rapidamente se assumis- 1, e a única.
se como uma pretendente ao estatuto de Então, já Jackie Stewart, que como es-
equipa de ponta, até porque era bem finan- cocês que é sempre teve olho para fazer
ciada e passava a ser a formação oficial dinheiro, tinha vendido a sua estrutura
da Ford, roubando esse título à Sauber. à Ford, que em 2000 a transformaria em
No entanto, e apesar de algumas pro- Jaguar Racing, para no final de 2004 ser
messas no que diz respeito a performan- adquirida pela Red Bull, que se mantém
ce, a fiabilidade foi sempre um problema em competição até hoje.
para equipa, com recorrentes problemas
de suspensão a afligirem os seus pilotos 6 BMW SAUBER F1
na primeira temporada, ao passo que os
V10 construídos pela Cosworth nunca se GP DO CANADÁ 08
mostraram donos de uma confiabilidade
capaz de garantir algum descanso aos A Sauber estreou-se na Fórmula 1 em
homens da Stewart. 1993, assumindo-se rapidamente como
Em 1999, o SFR3 Ford CR-1 aguentava e uma equipa do meio do pelotão, mas ra-
era consistentemente capaz de termi- ramente esteve em posição de conseguir
nar nos pontos, sobretudo pelas mãos alcançar a sua primeira vitória na cate-
de Rubens Barrichello, que ia na terceira goria, depois de ter sido muito bem-su-
temporada com a Stewart, tendo subido cedida no mundo da resistência – com
por duas vezes ao pódio através de dois triunfos em campeonatos e em Le Mans.
terceiros lugares, um em San Marino e ou- Mas quando em 2005 a BMW anunciou
tro em Magny-Cours, neste caso em par- que adquirira o controlo da estrutura de
te devido a um fim de semana de chuva. Hinwil, as vitórias estavam claramen-
Em Nurburgring, o palco do Grande Prémio te nos planos do construtor bávaro, que
da Europa da época, nem a chuva na concebera uma estratégia clara – primeiro
qualificação ajudou o brasileiro e Johnny pódio em 2007, primeiro triunfo em 2008
Herbert, tendo o inglês se quedado pelo e lutar pelo título em 2009.
14º posto da grelha de partida, imediata- O primeiro objetivo foi alcançado – com o
mente à frente do seu colega de equipa. pódio de Nick Heidfeld em Hungaroring –
Heinz-Harold Frenzen, com um motor es- e esperava-se que o segundo fosse igual-
pecial da Honda na tentativa de se manter mente conquistado, sobretudo depois de
na luta pelo título, arrancou da pole-posi- Robert Kubica ter subido por três vezes ao
tion para a liderança onde se manteve até pódio e Heidfeld uma nas seis primeiras
imediatamente depois da sua paragem corridas de 2008 – em três dos casos ao
nas boxes planeada, quando abandonou segundo degrau.
com problemas elétricos no seu Jordan. O Circuit Gilles Villeneuve era um palco
Entretanto, já Mika Hakkinen se tinha propício para que a BMW Sauber conquis-
atrasado irremediavelmente, ao mon- tasse o seu primeiro triunfo na Fórmula

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19

mânico por abandonar a Fórmula 1 no não passaram sequer da Q2, arrancan-
final do ano. do da 14ª e 15ª posições, respetivamente.
Os pilotos da BMW Sauber, a terceira for-
7 TORO ROSSO GP DE ITÁLIA 08 ça da temporada, também não estiveram
muito melhor, tendo Nick Heidfeld asse-
A Scuderia Toro Rosso surgiu na Fórmula gurado o 10º lugar e Robert Kubica o 11º.
1 em 2006, mas a sua linhagem advém Na pole-position, surpreendentemente,
da Minardi, que se estreou na categoria estava Sebastian Vettel aos comandos de
máxima do desporto automóvel em 1985. um Toro Rosso Ferrari, que suplantara na
A pequena equipa de Faenza nunca este- qualificação Heikki Kovalainen, ao passo
ve em condições de vencer uma corrida que Felipe Massa, outro dos candidatos ao
de Fórmula 1, sendo o seu maior feito ter título, não ia além do sexto posto.
conseguido sobreviver, apesar de muitas Com a chuva a manter a pista molhada
dificuldades, ao longo de 21 temporadas. no dia da corrida, a prova foi iniciada com
Em 2005, durante o Grande Prémio de Safety-Car, o que ajudou o jovem alemão,
Itália, a Red Bull anunciou que comprara que assim via a sua vantagem da grelha
a estrutura fundada originalmente por de partida mantida, sem confusões da
Giancarlo Minardi. primeira curva.
O objetivo era torná-la num ponto de pas- Quando a prova começou verdadeira-
sagem no seu programa de jovens pilotos, mente, Vettel, com a visão desimpedi-
de forma a que estes pudessem ganhar da, agarrou a oportunidade com as duas
experiência e estofo e, posteriormente, mãos, abrindo rapidamente uma vanta-
ingressarem na sua estrutura de ponta gem confortável para Kovalainen de dois
– a Red Bull Racing. segundos, que foi expandido,cruzando a
No entanto, e curiosamente, acabaria linha de meta com mais de doze segundos
por ser a Toro Rosso a primeira a dar um de vantagem para o McLaren Mercedes
triunfo à companhia de bebidas energé- do finlandês.
ticas austríaca. Num dia em que era fácil cometer erros,
Normalmente, o Grande Prémio de Itália o piloto que posteriormente tornar-se-
é disputado sob um glorioso sol mediter- -ia tetracampeão mundial, esteve irre-
rânico de outono, que no Parco di Monza preensível, mostrando que tinha futuro
assume uma luz muito peculiar, mas em na Fórmula 1, passando a ser o mais jo-
2008 todo o fim de semana foi afligido por vem a vencer um Grande Prémio.
chuva, o que baralhou os planos das prin- Desde então, a Toro Rosso não voltou a
cipais equipas. vencer, nem sequer a atingir ao pódio, o
Na qualificação, Kimi Raikkonen, Ferrari, que diz bem do feito protagonizado por
e Lewis Hamilton, McLaren Mercedes, fo- Sebastian Vettel.
ram apanhados pelas circunstâncias e

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20 WRC/
CAMPEONATO DO MUNDO DE RALIS

MPRAUARNLTTIDISIIDRA2AOL0DDD18OEE do WRC com 12 meses de experiência, o A Hyundai, equipa que mais vitórias ob-
que deixa no ar a possiiblidade de ainda teve em 2017 e que foi quem mais luta
O Mundial de Ralis de 2018 foi apresentado em Inglaterra, numa mais e melhor espetáculo. deu à M-Sport, reafirma a sua deter-
cerimónia que trouxe algumas novidades. Dentro de semana e Foram os Campeões do Mundo de Pilotos minação em fazer melhor. Para isso foi
e Navegadores em título, Sébastien Ogier buscar Andreas Mikkelsen, que, a par
meia a neve e o gelo do Rali de Monte Carlo são o primeiro desafio e Julien Ingrassia, que abriram a Cortina com Thierry Neuville, prometem uma
para pilotos e equipas... da nova época, eles que vão para uma equipa mais consistente. Dani Sordo e
segunda temporada com a M-Sport e o Hayden Paddon dividem o terceiro carro,
José Luís Abreu com Martin Holmes ciar a transmissão de todos os troços Ford Fiesta WRC, depois de um ano em exceção feita ao Rali de Portugal, em
[email protected] do campeonato, ao vivo, através da sua que recolocaram a Ford no caminho das que os homens de alzenau terão quatro
plataforma online. vitórias ao mais alto nível nos ralis. carros: “Vencer quatro vezes e ter sido
Foi no NEC, em Birmingham, no Depois de uma das mais imprevisíveis Agora, com a certeza de maior apoio da competitivos em muitas outras provas
Autosport International, que temporadas de sempre na modalida- Ford Performance, esbatem-se diferen- dá-nos a motivação para fazer ainda
de, o Mundial de Ralis de 2018 promete ças e criam-se confições para uma nova melhor este ano”, disse Thierry Neuville,
equipas e pilotos deram o tiro mais do mesmo, com Citroën, Hyundai, época que se espera, pelo menos, tão segundo no WRC em 2017. Depoisdeum
M-Sport/Ford e Toyota a arrancarem boa quanto a anterior: “Todas as equipas bom regresso ao WRC, a Toyota Gazoo
de partida para o WRC 2018. A para o segundo ano das novas regras têm as suas hipóteses, todos os carros Racing quer melhorar ainda mais. Tendo
podem ser vencedores, há pilotos muito triunfado duas vezes em 2017, por inter-
maior novidade passa pelo ‘WRC fortes em todas as equipas, portanto, médio de Jari-Matti Latvala e Esapekka
para nós é dar o melhor e esperar para Lappi, os finlandeses estão determinados
All Live’ com o promotor a anun- ver”, começou por dizer Ogier, que vai em elevar o nível, algo bem provável de
ter a seu lado na equipa Elfyn Evans - e suceder, já que Ott Tanak trocou a M-S-
Teemu Suninen pelo menos em oito ralis. port pela equipa de Tommi Makinen: “Se

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REVOLUÇÃONACOBERTURA
DO WRC

Os adeptos do WRC vão poder ser visto em qualquer aparelho, “quer seja computador, smart
tirar partido duma cobertura sem TV, smartphone ou tablet”, disse Ciesla. Tudo isto arranca já
precedentes do WRC, já que a forma com o Rali de Monte Carlo: “O WRC All Live é o passo lógico
como a disciplina vai ser divulgada do desenvolvimento do WRC+. Será também uma ferramenta
irá mudar por completo. importante para jornalistas, equipas, organizadores e Delegados
Pela primeira vez na história da de Segurança que trabalhem no WRC”. Claro que tudo isto tem
competição, todas as especiais um custo, 8.99 euros por mês ou 89.99 euros por 12 meses em
de todos os ralis do Mundial serão www.wrcplus.com.
televisionadas, e as transmissões
não se ficarão por aqui, já que
também as cerimónias de abertura,
conferências de imprensa, sessões
de autógrafos e pódios serão
transmitidos.
O Promotor do WRC vai oferecer
mais de 25 horas de cobertura
de cada rali, com um live stream
contínuo, incluindo análises dos
especialistas da WRC TV, com
notícias de última hora, entrevistas
e reações no parque de assistência:
“Os adeptos do WRC terão agora a escolha e a flexibilidade de
assistir à ação em qualquer momento das provas, em qualquer
rali, durante um fim de semana. Os adeptos podem escolher o
que querem ver, quando e onde estiverem”, revelou Oliver Ciesla,
Promotor do WRC.
Para esta cobertura a WRC TV irá ter mais câmaras nos troços,
as habituais onboard em cada carro, helicópteros, drones e
uma equipa de produção de quase 100 pessoas. Tudo pode

HYUNDAI/MICHEL NANDAN “OS CARROS DE 2018
CONTINUARÃO A ESTAR TODOS MUITO PRÓXIMOS…”

conseguirmos lutar pelos pódios em todos A Hyundai Motorsport não esteve muito que tinha disponíveis para fazer estas carro, simplesmente existirão alguns
os ralis e formos consistentes, acredito longe de poder ser ela própria campeã mudanças. A meio da temporada deverão ajustes aerodinâmicos. Prevejo que
que temos uma hipótese de lutar pelos em 2017. Teve carro, teve piloto (não surgir novos jokers tendo em vista o os carros de 2018 continuarão a estar
títulos. Consistência é a palavra chave”, pilotos), mas também teve falta de motor, provavelmente na ligação da todos muito próximos, tal como na
disse Latvala. Depois duma temporada consistência e menor fiabilidade. E é transmissão ao motor e talvez também temporada passada. Vimos que a Toyota
difícil, a Citroën acredita ter resolvido as isso que quer resolver para este ano. alterações no diferencial: “Estamos a deu passos muito seguros ao longo de
maleitas do C3 WRC, e dessa forma Kris Para já vai começar a temporada de trabalhar nisso, como tal, ainda não 2017 e acreditamos que vão continuar
Meeke e Craig Breen querem fazer esque- 2018 com as mesmas especificações sabemos exatamente no que vamos assim. A Ford também apresentou
cer 2017. A grande novidade é o regress com que terminou a temporada de 2017 usar o joker, mas, provavelmente, algo alguns jokers no final da temporada,
de Sébastien Loeb em três provas, no no carro de Thierry Neuville. A equipa no diferencial central. Não acredito principalmente no diferencial e no
lugar de Craig Breen - México, Córsega e usou todos os jokers de homologação que vão existir grandes revoluções no desenho do carro, porque o de 2017 foi
Espanha. Khalid Al Qassimi fará algumas um pouco apressado. Para além disso,
provas, bem como Mads Ostberg, que para não espero muitas mudanças, porque
já tem só confirmado o Rali da Suécia: “O o carro tinha uma boa performance. As
ano passado tivemos sete pilotos a vencer mudanças que fizemos foram mais para
ralis, das quatro equipas, e isso diz bem da melhorar a fiabilidade, que foi o nosso
competitividade do campeonato. 2018 vai ponto fraco o ano passado. Em Monte
ser um grande desafio, mas é para isso Carlo, vamos ter dois chassis novos e um
que aqui estamos, para ir à luta”, disse do ano passado”, disse Michel Nandan,
Kris Meeke. diretor da Hyundai. Apesar de Dani Sordo
Para a semana, no AutoSport, faremos a e Hayden Paddon terem previsto partilhar
apresentação detalhada da competição. o terceiro carro ao longo do ano, vai haver
O WRC de 2018 arranca a 25 de janeiro. uma exceção entre as 13 provas do WRC
2018, e essa exceção é precisamente o
Rali de Portugal, prova em que a Hyundai
MotorSport irá ter, pela única vez durante
o ano, quatro carros. MH

WRC/

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FORD

AUMENTAAPOIO NOWRC

AFord vai dar melhores condições ganização global da Ford Performance, a gados em poder oferecer um apoio ainda ótimo ver que o apoio aumenta à medida
à M-Sport para se bater com as partir da sede da Ford em Dearborn, EUA, maior”, acrescentou. que procuramos defender os títulos do
restantes equipas oficiais do WRC. liderada por Mark Rushbrook, diretor Recorde-se que a Ford e a M-Sport têm Mundial de Ralis em 2018”, disse Malcolm
Depois dos títulos alcançados em global para o Motorsport: “O relaciona- uma parceria contínua desde 1997. Como Wilson, diretor-geral da M-Sport.
2017 pela estrutura de Malcolm Wilson, os mento de 20 anos da Ford com a M-Sport especialista na disciplina nomeado pela “Temos com o Sébastien (Ogier) e o Elfyn
homens da Ford ficaram sensibilizados e redundou em sucessos sem paralelo em Ford, a M-Sport produz veículos Ford (Evans) outra forte equipa e o suporte
apesar de não regressarem como equipa todos os escalões dos ralis, algo de que para diversos escalões dos ralis, desde o técnico adicional permitirá avançar-
de fábrica, incrementaram o apoio. Não estamos muito orgulhosos. Também campeonato FIA R2 até ao escalão mais mos no desenvolvimento do Ford Fiesta
é ainda um regresso totalmente oficial, estabeleceu o Fiesta como referência alto, o WRC. WRC. A competição estará mais cerrada
mas é bem melhor do que aconteceu para os ralis em todo o mundo”, disse Quase 400 Ford Fiesta desenvolvidos do que nunca, mas estou confiante de
até aqui. Rushbrook. “No ano passado apoiámos pela M-Sport estão atualmente em com- que, juntamente com o apoio dos nossos
Desta forma, a M-Sport Ford World Rally a M-Sport com o desenvolvimento do petição nos ralis a nível global: “Temos parceiros, podemos produzir os mesmos
Team liderada por Malcolm Wilson irá be- novo Fiesta WRC que viria a vencer o desfrutado de um relacionamento fan- altos níveis de desempenho e confiança
neficiar de apoio técnico adicional da or- campeonato. Este ano estamos empol- tástico com a Ford ao longo dos anos e é que tiveram tanto sucesso em 2017.”

GERARD QUINN EXPLICA ENVOLVIMENTO DA FORD

Finalmente surgiu a confirmação oficial do maior Não penso que alguma ilação se possa tirar daí.
envolvimento da Ford no Mundial de Ralis, com O que é importante é que o nome da Ford passa a
o incremento do apoio à M-Sport. Presente na estar mais fortemente associado à M-Sport. Nem
apresentação do WRC no NEC, em Birmingham, todos podem ter a nossa marca.
esteve Gerard Quinn, responsável máximo pela Mas especificamente o que muda este ano?
Ford Performance na Europa, que revelou mais Temos agora um cometimento global maior,
detalhes: fornecendo o tipo de tecnologia que é necessária
O que muda na relação da Ford com a para evoluir o carro, que já foi tão bem sucedido
M-Sport? em 2017. Tendo esses recursos para desenvolver
Nada muda em termos da relação da Ford com e evoluir o carro de 2018 é muito significativo
a M-Sport. Temos sido parceiros desde 1997 no que isso pode significar para o programa
(quando a Ford deixou de estar diretamente em termos gerais. Isto cobre a parte técnica e
ativa no WRC, através de Boreham). O que muda dinheiro.
é o nosso envolvimento no desenvolvimento do Foi suficiente para persuadir Sébastien Ogier
Fiesta deste ano, que será maior, mas isso seria a ficar na M-Sport em 2018…
algo que faríamos de qualquer forma, porque é O Seb (Ogier) é um indivíduo muito focado
assim que a nossa relação tem sido nas últimas e motivado e eu penso que isso é muito
duas décadas. importante para a equipa, mas a chave para a
O nome da equipa inclui agora a Ford, mas sua permanência foi o nosso cometimento para
surge depois de M-Sport. O que será que isso continuar a apoiar a M-Sport e subir degraus no
nos diz da relação entre ambas as entidades? apoio financeiro e técnico… MH

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TEEMU SUNINEN MADS OSTBERG TOMMI MÄKINEN
EM OITO RALIS “NÃO DECIDIMOSAINDA “PROVÁMOS QUE
COM A M-SPORT QUANTOS RALISVAMOS O TOYOTAYARIS WRC
FAZER, OU COM QUE MARCA…” PODE VENCER RALIS”
A M-Sport confirmou que Teemu Suninen
vai fazer oito ralis com o Ford Fiesta Uma das surpresas da apresentação do Mundial de Ralis A Toyota apresentou a sua equipa de ralis, bem como o Yaris
WRC e o Monte Carlo e Alemanha com foi a confirmação de Mads Ostberg no Rali da Suécia com WRC, que tem algumas mexidas, especialmente na frente,
o Fiesta R5 da M-Sport no WRC2. O o terceiro carro da Citroën, ao lado de Kris Meeke e Craig mas mantém o essencial da sua base do ano passado.
finlandês só não tem previstos os ralis Breen. Depois de um ano de ‘aprendizagem’ marcado por dois
da Córsega, Argentina e Austrália. Em Depois de ter sido piloto oficial da equipa em 2014 e triunfos e vários bons resultados, a equipa apresenta-se
2017 Suninen fez dois ralis com o Fiesta 2015, sendo nesses dois anos o piloto que mais pontos este ano com outras aspirações: “Depois duma época de
WRC, terminando em sexto na estreia, somou para a estrutura, Mads Ostberg explicou como 2017 muito interessante, estamos ansiosos por construir
na Polónia, e em quarto na Finlândia, chegou a este acordo: “Em primeiro lugar, o Rali da Suécia ‘em cima’ do que já conseguimos. Já provámos que o Toyota
um começo prometedor, inclusive, com é a única prova que tenho garantida de momento. Mas Yaris WRC pode vencer ralis, o que foi algo fantástico
tempos mais rápidos em especiais, e que temos ambições e motivação para fazer mais. Não tenho conseguido pela equipa, mas a competição também nos
o levou a ter esta oportunidade em 2018: mais provas confirmadas mas estou a trabalhar nisso. mostrou áreas em que temos de melhorar. Com mais tempo
“Pode ser uma boa temporada para nós Certamente gostaria de estar em mais provas este ano, e mais aprendizagem conseguimos evoluir a dianteira
e estou muito feliz com o meu programa mas não decidimos ainda como o vamos fazer, quantos do carro, e isso dá-nos agora uma melhor performance
para 2018. O ponto alto vão, com certeza, ralis, ou com que marca. Ainda temos o nosso Fiesta aerodinâmica, e também levámos a cabo melhoramentos
ser os oito ralis com Ford Fiesta WRC. (WRC), e de momento não estamos a pensar vendê-lo, mas no arrefecimento do motor. Estou convicto que vamos
Temos uma grande oportunidade para sim alugá-lo para outros pilotos que queiram fazer provas. continuar a aprender, pois faz parte da nossa missão fazer
provar o nosso potencial. O plano é É muito bom regressar, só tenho boas memórias com a carros cada vez melhores”, disse Tommi Mäkinen, diretor
começar estes ralis de forma tranquila, Citroën, foram dos melhores anos da minha vida. Desde da equipa que venceu os ralis da Suécia e Finlândia, e
sem pensar que ‘é agora ou nunca’, nem aí tem sido difícil, é complicado ser piloto privado, um que tem como maior novidade a entrada de Ott Tanak na
nada do género. Não precisamos de nos enorme desafio”, disse Mads Ostberg. MH estrutura, substituindo Juho Hänninen, que regressa ao
focar na nossa posição no campeonato papel de piloto de testes. O carro foi um pouco modificado
de pilotos. A atitude que teremos é na frente, tendo um novo capot e entradas de ar, o que visou
pensar rali a rali e dar sempre o máximo. melhorar a aerodinâmica, dando mais apoio na frente. Estas
Temos que nos assegurar que damos o modificações já foram testadas no final de 2017, aquando
máximo nesta oportunidade. Estou muito da preparação para o Rali de Monte Carlo, que se realiza de
entusiasmado e expectante por voltar 25 a 28 de janeiro.
ao volante de um carro de topo de ralis e
quero aprender o máximo que conseguir”,
disse Teemu Suninen.

NOVA CONFIANÇA NA CITROËN Yves Matton, diretor da Citroën Racing, marcou condições de asfalto muito traiçoeiras, e o triunfo
igualmente presença no Autosport International em Espanha, mostraram que o carro está bem
Show, mostrando-se satisfeito com o trabalho feito melhor, e no bom caminho. Estou muito confiante
a meio do ano passado no Citroën C3 WRC que que os pilotos serão capazes de lutar em todos os
permitiu à equipas resolver muitos dos problemas ralis pelas primeiras posições”, começou por dizer
detetados na primeira metade da época. Os Matton, que falou também das alterações feitas
resultados melhoraram a olhos vistos e, partindo no carro: “As principais evoluções foram feitas em
dessa base, a equipa pretende este ano mostrar termos de fiabilidade. No ano passado tivemos
que o facto de estar no topo das estatísticas do alguns problemas desde o início da época com
WRC não é por acaso: “Penso que ficou claro que algumas peças. O trabalho mais recente foi feito na
o trabalho que fizemos no verão passado nos suspensão e na geometria do carro. Já testámos
permitiu melhorar o carro em todos os tipos de piso. algumas das novas peças, mas há outras que só
O ano passado vimos desde o princípio da época as colocaremos para o Monte Carlo. Depois dessa
que o carro tinha o ritmo certo, mas não em todo prova, teremos coisas novas, que estamos a testar
o lado. O nosso segundo lugar na Alemanha, em agora, para melhorar o carro nos pisos de terra.”

24 CPR/
CAMPEONATO DE PORTUGAL DE RALIS 2018

ALTO NÍVEL
Numa altura em que estamos a cerca de um mês do arranque do A juntar a estes está confirmado oficial- claramente um piloto que depois de
Campeonato de Portugal de Ralis fazemos um ponto da situação mente o regresso da Citroën Vodafone cumprir a sua adaptação ao carro, in-
relativamente ao que já se sabe ou está ainda em dúvida. Quanto Team, novamente com a dupla José Pe- terrompida o ano passado, pode lutar
dro Fontes e Inês Ponte, sendo que a por pódios. Duas más notícias são as
às certezas que existem, são excelentes... navegadora campeã terá que cumprir confirmações dos programas reduzidos
o que falta da sua recuperação, até que de dois pilotos com capacidade para lutar
José Luís Abreu com Gonçalo Cabral / 16 Válvulas possa sentar-se no DS3 R5 da equipa - por vitórias,João Barros e Carlos Martins.
até lá será Paulo Babo a correr ao lado Ao primeiro, não lhe correu bem a época
Há uns dias, em conversa com [email protected] de Fontes. de 2017, e para 2018 confirma a presença
Armindo Araújo - que este ano Miguel Barbosa também já confirmou ao no Rallye Serras de fafe aos comandos
vai regressar ao Campeonato mudem as suas apreciações, criando-se AutoSport que irá para a terceira época do seu Ford Fiesta R5, mas daí para a
de Portugal de Ralis - o piloto assim condições para se juntarem ainda nos ralis com objetivos mais ambiciosos. frente não tem nada definido, devendo
dizia-nos que os altos e bai- mais pilotos e uma melhor competição. Depois de ter vencido pela primeira vez no entanto fazer mais ralis. Já Carlos
Nesta altura há ainda muitas indefini- uma prova do CNR o ano passado, o pi- Martins confessou ao AutoSport que
ções, bem como algumas notícias menos loto do Skoda Fabia R5 quer fazer ainda a sua vida profissional não lhe permite
melhor que em 2017. disputar todo o campeonato, mas sendo
xos da mais importante prova positivas, mas, em termos gerais, a prin- Ainda não o confirmou publicamente, certo que estará em Fafe, devemos vê-lo
mas Pedro Meireles deverá continuar em mais provas, ficando por saber quais
portuguesa de estrada são cíclicos. Já se cipal competição de ralis tem condições no CPR aos comandos do seu Skoda e com que carro. Na abertura do CPR
Fabia R5, ele que o ano passado esteve será novamente com o DS3 R5 com que
viveram momentos muito baixos, que para voltar a ter um nível ainda mais muito perto de chegar ao seu segundo chegou a liderar o último Rali do Algarve.
título de ralis. Entre os pilotos que devem correr de R5,
não foram há muito tempo, mas nos elevado que aquele que o campeonato Já Manuel Castro, depois do seu com- destaque ainda para António Dias, que
plicado ano de 2017, em que viu arder o também deve correr este ano no CPR
últimos anos tem havido um aumento de de 2017 mostrou. seu Hyundai i20 R5 no Rali de Portugal, com um Skoda Fabia R5.
facto que lhe afetou fortemente a épo-
nível da competição, que apesar de ainda A começar, e como não podia deixar de ca, regressa revigorado este ano e com MAIS DÚVIDAS, MENOS CERTEZAS
vontade de mostrar o mesmo tipo de
continuar a ser muito suportada pela ser, pela confirmação do regresso aos andamento com que nos brindava nos Daqui para a frente quase tudo é uma
tempos do Skoda Fabia S2000, sendo incógnita. Ricardo Moura marcou o ano
‘carolice’, o atual contexto económico ralis de Armindo Araújo, que foi seduzido passado presença em Fafe, Açores e Al-

do nosso país já vai permitindo que aqui pelo projeto oficial da Hyundai Portugal,

e ali vão surgindo projetos bem melhor que juntou também sob o seu ‘chapéu’,

alicerçados. A confirmação recente da o Campeão Nacional de Ralis em títu-

vinda de mais uma equipa oficial para o lo, Carlos Vieira. Os dois pilotos vão ser

CPR, a Hyundai, é uma excelente notícia, colegas de marca, na estrutura oficial,

porque, ao fim ao cabo, uns acabam por mas cada um deles terá uma estrutura

‘puxar’ os outros, e quando uma com- técnica diferente por trás. Vieira a Sports

petição sobe de qualidade, isso faz com & You, Armindo, ao que se diz, a RMC,

que pilotos, equipas e até patrocinadores algo que o piloto não confirma para já.

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O calendário do Campeonato de Portugal CARLOS VIEIRA “TEMOS TODAS AS CONDIÇÕES
de Ralis prevê nove provas, os pilotos PARA CONTINUAR A SER COMPETITIVOS”
têm que escolher oito para participar,
dos quais vão contar os melhores sete Depois de ter assegurado o título
resultados. Destaque para a divisão Nacional de Ralis em 2017, Carlos Vieira
entre terra e asfalto e para a entrada do foi convidado pela Hyundai Portugal
Rali Amarante Baião, que se disputará no para fazer parte do projeto oficial, o que
final de setembro. O Rali de Espinho, por deixou, naturalmente, o piloto muito feliz:
seu lado, saiu do nacional de ralis. “Vimos o nosso trabalho ser reconhecido
com este projeto da Hyundai. Não
17/18 FEVEREIRO RALI SERRAS DE FAFE (TERRA) esperava um reconhecimento assim.
Fiquei muito feliz e vou fazer o melhor
22/24 MARÇO RALI DOS AÇORES (TERRA) possível pela imagem da marca e ser
assistido pela Sports & You. Quando
27/28 ABRIL RALI DE MORTÁGUA (TERRA) soube que podia ter oportunidade de
ser apoiado pela marca fiquei muito
17/20 MAIO RALI DE PORTUGAL (TERRA) contente, no fundo, ia ter um carro
que quando o vi andar na Madeira
8/9 JUNHO RALI VIDREIRO (ASFALTO) pareceu-me bastante bom. Parece muito
competitivo”.
30 JUN. E 1 JUL. RALI DE CASTELO BRANCO (ASFALTO) Quanto a objetivos para 2018: “Todos
sabemos que para mim o título do CPR
2/4 AGOSTO RALI DA MADEIRA (ASFALTO) chegou mais cedo do que eu esperava,
e antes do Rali do Algarve sempre disse
22/23 SETEMBRO RALI AMARANTE BAIÃO (ASFALTO) que se conseguisse ganhar era muito
melhor, mas se fosse segundo não ficava
17/18 OUTUBRO RALI DO ALGARVE (ASFALTO) mal. A época tinha sido competitiva,
muito boa e estaria preparado para
este ano de 2018. Agora com este novo tentar o melhor possível. Penso ainda
Hyundai temos todas as condições que vamos estar entre os pilotos
para continuarmos a ser competitivos. competitivos e por isso espero ter uma
Sabemos que Zé Pedro vai entrar, palavra a dizer na discussão do título”,
tenho um companheiro de equipa que disse Carlos Vieira que, juntamente com
será um forte candidato ao título, o a equipa, está a ultimar as coisas: “O
Pedro Meireles estará na luta, poderão carro está reservado e penso que ainda
aparecer outros e o nosso objetivo é em janeiro vamos andar nele”, concluiu.

CITROËN VODAFONE TEAM DE REGRESSO

garve, e este ano ainda não comunicou o O Citroën Vodafone Team está de títulos de Pilotos e Navegadores que de Portugal, pois seríamos uma das
que irá fazer, continuando a ser, por isso, regresso ao Campeonato de Portugal conquistámos em 2015 e 2016, embora primeiras formações a usá-lo numa
uma hipótese para o CPR. E que falta fazia... de Ralis com José Pedro Fontes e Inês existam outras questões a equacionar, prova do WRC, como também nos
Ricardo Teodósio já revelou que está a Ponte, colocando-se assim um ponto nomeadamente o modo como nos permitiria partir em busca de um bom
trabalhar para colocar um projeto para final no interregno devido ao acidente iremos sentir aquando do regresso. resultado que nos fizesse ‘esquecer’
lutar pelas vitórias, portanto, está a tentar sofrido no Rali de Portugal: “É com Antes do arranque da temporada iremos o nosso acidente na anterior edição.
correr de R5. Em Fafe está garantido. Com enorme alegria que anunciamos o realizar vários testes de adaptação, Estamos a envidar todos os esforços
que carro, logo se vê. nosso regresso e da equipa Citroën mas uma coisa são esses ensaios, outra para que tal aconteça, mas ainda nada
Joaquim Alves pode regressar com o seu Vodafone Team. Foi enorme este coisa é a competição, no terreno de está assegurado quanto à data em que
Ford Fiesta R5, Pedro Almeida deve correr intervalo que se tornou obrigatório jogo. Vamos iniciar o ano com algumas o iremos poder estrear”.
com um Skoda Fabia S2000, e a partir da- para que ambos pudéssemos recuperar cautelas e a apalpar terreno e, caso O piloto acrescenta ainda: “Assinalamos
qui, nomes como Luís Rego Jr. ( Ford Fiesta dos ‘estragos’ provocados pelo nosso tudo esteja perfeito do lado humano, o crescendo em torno do CPR, com mais
R5), Miguel Nunes (correu na Madeira e acidente, seguindo à risca as instruções vamos, decerto, alcançar um bom marcas envolvidas no campeonato e, com
em Mortágua de R5), Diogo Salvi ou Elias dos médicos, a quem aproveito para resultado em Fafe.” elas, o regresso de pilotos de renome,
Barros são nomes que podem aparecer agradecer publicamente por todo A novidade maior da formação será a junto com as enormes qualidades dos
ocasionalmente em alguns ralis. Depois, o trabalho realizado. Num projeto estreia do novo Citroën C3 R5, modelo nossos habituais adversários, pelos
há ainda pilotos como Adruzilo Lopes e desta envergadura, o nosso principal que será homologado em abril: “O meu quais nutrimos o maior respeito. As
Vítor Pascoal,que o ano passado lutaram objetivo consiste na revalidação dos objetivo é estrear o novo C3 R5 no Rali notícias que já têm vindo a público
aos comandos dos Porsche 997 GT3. São para a nova temporada de 2018 do
portanto ainda muitas as incógnitas do CPR, nomeadamente ao nível da
CPR 2018, que ao longo dos próximos 30 categoria R5, permitem antever equipas
dias se deverão desfazer, sendo que a esta extremamente competitivas e muito
equação falta ainda juntar os nomes que bem preparadas, algo que não nos irá
irão confirmar presença nas duas rodas facilitar a tarefa, tornando as lutas pelos
motrizes, bem como que provas a Peugeot lugares de topo difíceis, mas também
Rally Cup Ibérica irá fazer com o CPR. O muito mais interessantes. Daqui a mês
que existe já é muito positivo, mas até ao e meio veremos em que patamar é que
arranque da competição, no Rallye Serras cada um se coloca, definindo a partir
de Fafe, a 17 e 18 de fevereiro, ainda pode de então a estratégia para as provas
haver muitas e boas novidades. seguintes.”
Paulo Babo vai iniciar a temporada
substituindo Inês Ponte, situação que
se manterá até a navegadora Campeã
Nacional estar totalmente recuperada.

CPR/

26

MIGUEL BARBOSA “SERÁ DIFÍCIL, CARLOS MARTINS EM FAFE
MAS ISSO MOTIVA-NOS”
Carlos Martins decidiu o ano passado regressar ao Grupo N
Miguel Barbosa realizou em 2017 o seu segundo da dificuldade do desafio que enfrenta, mas isso onde travou um bom duelo com Ricardo Teodósio, e se não
ano nos ralis, numa temporada em que o piloto também é um fator de motivação extra: “Em tudo tivesse sido um azar com o motor do seu bem preparado
português evoluiu claramente. O piloto do Skoda o que entro é para ganhar, mas temos que ter Mitsubishi Lancer, poderia ter levado a discussão do título
ficou satisfeito com os resultados e destaca a consciência quando é que estamos preparados até ao fim. Assim, o piloto de Serpa ficou com espaço
primeira vitória no CNR: “2017 foi como esperava, para o fazer e da concorrência que temos. É preciso para disputar uma prova com o DS3 R5 da Sports & You,
com altos e baixos, mas acho que a nossa ter presente que é uma modalidade totalmente no Algarve, onde chegou mesmo a passar pela liderança
performance foi melhor do que em 2016. Tivemos nova para nós. Também temos consciência de que - acabou por desistir. Este ano vai marcar presença no
alguns dissabores, também porque em 2016 2018 será bastante difícil, mas isso motiva-nos. arranque do campeonato, em Fafe, com o DS3 R5 da Sports
tivemos uma abordagem mais cuidadosa. Já estava Acho que em 2018 podemos ter condições para & You. Daí para a frente prefere confirmar prova a prova a
à espera de algumas batidas, que fazem parte da lutar pelos lugares cimeiros, mas o título é uma sua presença no CPR, dado a vida pessoal não lhe permitir
aprendizagem. Acabámos o ano em terceiro no junção de vários fatores ao longo do ano e das disputar o campeonato na íntegra. Mas pelo que se viu no
campeonato e alcançámos a nossa primeira vitória muitas provas e muito pode acontecer. Sentimos Algarve, quando regressar, será para lutar bem na frente.
no Nacional de Ralis [Rali da Madeira], o que foi que estamos cada vez mais preparados, sinto que
um marco e que me deixou bastante satisfeito. ainda nos falta algum caminho de preparação e de ano passado não: “Foram vários os fatores
Tivemos o infortúnio de desistir no Rali de Portugal evolução, mas estamos a trabalhar para isso e acho que influenciaram o ano de 2017. Logo em
com um problema técnico, que nos tirou uma que 2018 será ainda melhor do que 2017”, disse Fafe nunca tive o carro em condições, devido
pontuação importante, mas fomos perdendo Miguel Barbosa, que vê com muito bons olhos o a problemas elétricos e o motor a falhar.
pontos ao longo do ano. Foi um ano de altos e regresso de Armindo Araújo: “Em primeiro lugar, é Noutros tive a frustração de não conseguir
baixos, mas, no geral, acho que foi uma temporada de salutar a vinda de mais uma marca para o CPR. acompanhar os Citroën no asfalto. Ainda
positiva e que me deixa confiante para o que aí O Armindo dispensa apresentações. Acho que vai assim, lutámos até à última prova pelo
vem”. começou por dizer Miguel Barbosa. Quanto à lutar sempre pela vitória e pelo campeonato e só campeonato. Fomos mais consistentes, mas,
luta pelo título este ano, o piloto tem consciência vejo pontos positivos neste seu regresso”. na Madeira, um erro meu, resultou num toque
e abandonámos. Era segundo do CNR e isso
JOÃO BARROS SÓ ASSEGURA FAFE faria com que chegasse a Mortágua mais
descansado, mas depois aí desistimos. Tive
João Barros não ficou feliz com a sua momentos bons, mas não foi a época que
temporada de 2017 e decidiu que este ano só me divertiu mais, e eu tenho que me divertir
irá disputar algumas provas, assegurando, nos ralis. Sofri um bocadinho e sinto essa
para já, apenas a presença no Rali Serras de desilusão por não ter atingido o nível que
Fafe. O piloto vai mudar o seu envolvimento, queria em 2017. Mas enquanto me divertir, vou
alegando que perdeu um pouco alegria de andar lá...”
correr, admitindo, contudo, que irá regressar
pontualmente: “No ano de 2017 tentámos
ser mais competitivos, mas não foi isso
que sucedeu. Dou os parabéns ao Carlos
Vieira, mas para nós foi um ano com alguns
dissabores. Em algumas provas diverti-me
bastante, noutras saí frustrado com a falta de
andamento. Fiquei fora da luta em Mortágua,
em que tive um problema de travões no carro
e deitei a toalha ao chão no campeonato”,
começou por dizer o piloto, que em 2015 e
2016 venceu provas, mas, curiosamente, o

MANUELCASTRO “ACREDITO QUE >> autosport.pt
CONSIGO SER MAIS COMPETITIVO”
27
Depois duma época entre o céu e o superar. De positivo deixámos o mais
inferno, Manuel Castro está de regresso interessante, como a competitividade do E SE SINTRAVOLTAR
em 2018 para deixar para trás muito carro, como ficou provado em algumas AO NACIONAL DE RALIS?
do que sucedeu o ano passado, e para especiais. O ritmo não foi sempre o
além de fazer nova aposta no Hyundai melhor, também por azares alheios à Há muito que o dizemos. Não faz qualquer sentido o principal
i20 R5, reforçou-a, com a aquisição de equipa. Sabíamos que era um ano 0, um campeonato de ralis em Portugal não ter uma prova que seja, há
um segundo carro que alugará a quem o carro novo, com poucos quilómetros em tantos anos, bem mais perto de Lisboa, onde existe uma enorme
quiser pilotar. Tendo em conta tudo o que terra, e fomos um pouco vítimas disso, legião de adeptos de desporto motorizado em geral, e dos ralis em
se passou em 2017, não foi certamente mas estávamos cientes de que tal podia particular. Mas isso pode estar agora mais perto de mudar, porque
um ano fácil, mas para a frente é que é acontecer. Mas sou persistente nas este ano, em outubro ou novembro, tudo se está a preparar para
o caminho e é isso que Manuel Castro minhas decisões e não vamos desistir. que seja recuperado o Rali das Camélias, prova que durante muitos
pretende fazer. Adquirimos um novo i20 R5, que tem um anos pertenceu ao principal campeonato de ralis, na zona de Sintra
“2017 foi um ano muito caricato para mapa do motor diferente e permite mais e Mafra.
mim, desde logo por ter estreado potência e binário. Nota-se bastante Logicamente, a prova, caso se confirme, terá que passar pelos
um carro em Portugal, o novíssimo essa diferença. Agora tenho de ver em processos habituais de candidatura ao CPR, e se tudo correr como
Hyundai i20 R5, por termos trabalhado a terra onde posso melhorar. O carro foi esperam os seus responsáveis, abre-se a possibilidade de em breve
comunicação como nunca tinha sido feito melhorado pela Hyundai Motorsport e o distrito de Lisboa voltar a ter uma prova do CPR.
nos ralis em Portugal, e, infelizmente, acredito que temos todas as condições A ideia, que já está algo avançada, ainda que faltem confirmar
devido a algumas peripécias durante para ter um carro muito competitivo. detalhes muito importantes, passa por fazer uma prova com partida
a temporada que nos impossibilitaram Falta-nos perceber ainda um pouco junto à Baía de Cascais; chegada aos jardins do Casino do Estoril;
de fazer o campeonato completo, tal melhor as afinações, mas acredito que parque de assistência na Praça da Maratona no autódromo do
como queríamos, e que nos deixaram em 2018, com mais trabalho, consigo ser Estoril ou em Mafra (faz parte das muitas indefinições que ainda
um amargo de boca que não foi fácil de mais competitivo.” existem); reagrupamento a meio do dia frente ao Palácio de Mafra;
troços em alcabideche, Lagoa Azul, Peninha, Sintra, Gradil, Codeçal
- tudo nomes que fazem soar ‘campainhas’ junto dos adeptos. O
processo, sem estar totalmente concretizado, está em andamento.
Se acontecer, a Serra de Sintra regressa aos ralis, o que não
acontece - exceção feita ao Rally de Portugal Histórico, que é uma
prova de regularidade – desde a Volta Galp de 1993.

RICARDOTEODÓSIO EM FAFE DE R5 Ricardo Teodósio anunciou vez, com um projeto bem
oficialmente a sua presença em pensado e bem nascido, já
Fafe com um R5 da equipa ARC que pretendo continuar a boa
Sport: “Não posso para já dizer embalagem que o título de Grupo
que vou fazer o campeonato N me deu. Nesta fase não se
todo, mas pelo menos em Fafe pode revelar tudo, até porque
vamos estar presentes com quem me conhece sabe que não
um R5, com a ARC Sport”, disse gosto de falar antes do tempo,
Ricardo Teodósio. O carro deverá mas a verdade é que quero
ser o Skoda Fabia R5 da equipa, estar em condições de lutar de
embora o piloto não o tenha igual para a igual, com os meus
referido, estando neste momento adversários, pelas vitórias em
numa fase de negociações com 2018. E quero começar já em
vários possíveis patrocinadores: Fafe, vencendo o primeiro troço”,
“Estamos, talvez, pela primeira referiu Ricardo Teodósio.

FE/28
FÓRMULA E - MARRAQUEXE

FÓRMULA E

EMMARRAQUEXE

Felix Rosenqvist venceu a corrida de Marraquexe da Fórmula E
depois duma ultrapassagem já bem perto do fim da corrida.
Félix da Costa encetou uma boa recuperaão, só interrompida
por uma ‘azarada’ situação de bandeiras amarelas…

José Luís Abreu apenas terceiro. Bird preferiu assegu- muito bom, mesmo que só tenham pois enquanto faziam a sua operação
[email protected] rar os 15 pontos que o último lugar do existido três corridas ainda”, disse. de boxes, quem já lá tinha ido, rodava
pódio lhe garantia que imiscuir-se na António Félix da Costa esteve bem na lento na pista. O piloto português per-
Felix Rosenqvist estava a de- luta com os dois pilotos que rodavam primeira metade da corrida, tendo che- deu pelo menos 35 segundos, e por isso
ver a si próprio um triunfo em imediatamente à sua frente. gado a rodar na 10ª posição, depois de pouco mais conseguiu fazer, saindo
Marrocos, já que depois de ter Para Buemi, depois de só ter somado ter arrancado de 19º, lugar em que es- para a pista na 14ª posição, lugar em
perdido a vitória o ano passado um ponto em Hong Kong, o segundo lu- tava quando parou. Aí foi prejudicado que terminou a corrida. Muito azar,
nesta mesma pista, desta vez gar foi um mal menor, pois teve alguns por uma situação de bandeiras ama- mas são assim as corridas.
cerrou os dentes e foi à procura problemas técnicos no carro. relas (full course yellow) ao parar uma Como curiosidade, registe-se o facto da
da sorte, que conseguiu já muito per- Também Bird, na fase inicial da corrida, volta antes disso suceder. Todos os pi- pole de Sebastien Buemi, 1:20.355s, ser
to do final, fruto duma ultrapassagem teve que ceder a posição a Rosenqvist lotos que pararam na volta seguinte, mais baixa que o registo da pole de Felix
muito bem conseguida a Sébastien depois dum problema momentâneo a grande maioria, foram beneficiados, Rosenqvist o ano passado, 1:21.509s.
Buemi, com o sueco a conseguir a sua com o carro, que o levou a abrandar.
segunda vitória consecutiva da época. Nelson Piquet Jr. também esteve bem,
Depois da cosmopolita Hong Kong, a foi quarto, muito perto de Bird, com a
Fórmula E rumou ao continente africa- Panasonic Jaguar Racing, e fez a me-
no para a terceira corrida da temporada, lhor volta. Ganhou uma posição na tro-
numa prova que voltou a ser interes- ca de carro, surgindo na frente de José
sante, novamente repleta de inciden- María López, que regressou à Formula
tes, que já são imagem de marca da E com a Dragon. Já o campeão da tem-
competição. Com as disputas em pista porada passada, Lucas di Grassi, teve
sempre em ‘alta’, Rosenqvist, piloto da mais uma corrida para esquecer, de-
Mahindra Racing, perseguiu sempre de sistindo novamente, não tendo ainda
perto o líder da corrida, Buemi, ultra- qualquer ponto este ano.
passando o piloto da Renault e.dams na Nas palavras do vencedor, Rosenqvist:
curva 7, já muito perto do fim. Uma ma- “Foi uma das corridas mais difíceis da
nobra que lhe garantiu o triunfo, che- minha carreira, mas a mudança de mo-
gando com isso ao comando da ABB FIA nolugar correu muito bem e lançou-
Formula E, competição que agora lidera, -nos para a vitória. Depois, foi só forçar
com quatro pontos de avanço para Sam um pouco no final e conseguir vencer.
Bird, piloto da DS Virgin Racing que foi Liderar o campeonato nesta altura é

C/ C L A S S I F I C A Ç Ã O >> autosport.pt

1 FELIX ROSENQVIST MAHINDRA RACING 48:04.751 29

2 SÉBASTIEN BUEMI RENAULT E.DAMS +0.945 FÓRMULA E
‘FULL
3 SAM BIRD DS VIRGIN RACING 4.817 COURSE
YELLOW’
4 NELSON PIQUET PANASONIC JAGUAR RACING +0.792 TRAMA
FÉLIX
5 JEAN-ERIC VERGNE TECHEETAH 5.684 DA COSTA

6 JOSÉ MARÍA LÓPEZ DRAGON 4.253 Não foi um dia fácil para António Félix da Costa, em Marraquexe,
palco da 3ª ronda da FIA Formula E, depois de uma situação de
7 NICK HEIDFELD MAHINDRA RACING 11.890 bandeiras amarelas ter obrigado o Português a perder muito
tempo, caindo várias posições no momento de paragem na boxe
para mudança de carro, o que acabou por impedir o piloto da
BMW de terminar nos lugares pontuáveis.
Depois de uma sessão de qualificação nada feliz, onde um
toque na sua volta rápida o obrigou a ter de largar apenas do
19º lugar da grelha de partida, Félix da Costa entrou ao ataque
e de imediato iniciou uma excelente recuperação até ao 10º
lugar, posição que ocupava aquando da paragem na boxe para
mudança de carro. A operação de boxe correu bem ao piloto
luso, que, no entanto, viria a ser um dos azarados do dia, visto
que, justamente após
o seu regresso à pista,
surgiu uma situação de
bandeiras amarelas, a
qual obriga os pilotos
a reduzirem o ritmo,
quando a maioria dos
seus adversários tinha
ficado mais uma volta
em pista, logo, ganhado
clara vantagem face
ao piloto português.
Neste cenário, AFC caiu
para o 15º lugar, mas perdeu mais de 30 segundos, ficando com
a corrida estragada e totalmente fora da luta pelos lugares
pontuáveis, acabando por terminar num inglório 14º lugar final:
“Se na qualificação o meu erro na volta rápida comprometeu a
posição de partida, na corrida penso que fiz tudo o que estava
ao meu alcance, ataquei desde o início, recuperei nove lugares,
mas com o tempo perdido devido às bandeiras amarelas fiquei
com a corrida estragada e limitei-me a levar o carro até ao final.
Foi um dia difícil, que poderia até ter acabado bem, mas o fator
sorte hoje não me acompanhou.”
A corrida acabou por ser ganha pelo sueco Felix Rosenqvist,
seguido de Sebastien Buemi, com Sam Bird a fechar os lugares
do pódio. Apesar de não ter pontuado, AFC continua a ser o
melhor colocado da sua equipa, MS & AD Andretti Formula E
Team, ocupando o 10º lugar do campeonato com 8 pontos, todos
eles conquistados na primeira jornada de Hong Kong.
A Fórmula E segue agora para a América do Sul, mais
precisamente para Santiago do Chile, palco da próxima jornada,
no fim de semana de 3 de fevereiro. Até lá António Félix da
Costa não terá descanso, com as míticas 24 Horas de Daytona,
marcadas para o último fim de semana de janeiro, corrida onde
AFC fará a sua estreia absoluta ao volante de um Oreca LMP2 da
equipa de do famoso ator Jackie Chan.

8 TOM BLOMQVIST ANDRETTI FORMULA E 3.999

9 NICOLAS PROST RENAULT E.DAMS +0.719

14 ANTÓNIO FÉLIX DA COSTA ANDRETTI FORMULA E 14.201

E/30
ENTREVISTA - NUNO COUCEIRO

“OS TURISMOS

VÃO CRESCER

PODEMAPARECER MAIS
DAUPAESUGMEAORTCEATSANLVOECZAAMHPYEUONNDAATIO,

Tudo se iniciou no Karting, há 36 anos, quando Nuno Couceiro uma ajuda, ele foi campeão europeu logo bou. Com o meu irmão Pedro tivemos a
começou por ajudar, do lado de fora, a carreira do seu irmão nesse ano. Depois, com o meu irmão, ideia louca de criar uma competição de
Pedro. Os anos passaram e de ‘manager’ passou a promotor, criámos uma equipa de karting, por onde fórmulas em Portugal, de raiz, a partir
passaram muitos pilotos, como o Félix da duma folha em branco. Avançámos para
tendo hoje a seu cargo o principal campeonato da velocidade Costa, o Filipe Albuquerque e o Armando a Fórmula Novis, que teve o seu sucesso
nacional. Em entrevista, recordámos o seu percurso, ao que Parente. O meu verdadeiro trabalho de no contexto do país que somos. Muitos
não faltaram também temas atuais... manager só apareceu quando o Filipe bons pilotos passaram por ali. Foi giro,
foi para Itália”, disse Nuno Couceiro, que, juntámos-nos a outros troféus, Citroën,
AutoSport/16 Válvulas assim que começou tudo isto”. Foi desta nesse âmbito, hoje só ‘tem’ Filipe Albu- a Renault com o Moisés Martins, o Paulo
[email protected] forma que encontrou a sua primeira querque e Rafael Lobato. Ferreira na altura tinha a Fórmula BMW.
grande vocação neste meio e a partir daí A partir daí, cada um foi para seu lado, e
“Esta aventura começa em 1979, tudo correu sobre rodas: “Nunca pensei CHEGOU A PROMOÇÃO há 10 anos, o Paulo Ferreira, que hoje em
quando comprei um kart, ten- ser manager, apenas fui irmão mais Foi assim que se deu o tiro de partida, dia é meu sócio e grande amigo, desa-
do começado a competir em velho. Depois, quando ele já corria em numa carreira que a determinada altura fiou-me a criar um projeto de turismos,
1980, aos 20 anos”. Foi desta tudo e mais alguma coisa, ligou-me um se viu alargada no seu âmbito, o de pro- perguntando-me: Porque é que não fa-
forma que Nuno Couceiro nos amigo meu do Porto a dizer que tinha motor: “É uma história engraçada. Em zemos velocidade em Portugal, que está
contou como tudo começou nos um miúdo e que gostava que eu olhasse 1998 tínhamos uma equipa na Fórmu- tão fraca? Porque não tentarmos criar
desportos motorizados. Como o próprio para ele, e lá fui falar com o Danilo Rossi. la Ford onde ganhámos com o Ricardo um troféu de turismos em Portugal? Eu
admite: “A falta de jeito fez com que de- Esse miúdo era o Álvaro Parente, isto em Megre. Tínhamos feito um investimento disse-lhe. ‘Ó Paulo, não quero trabalhar
cidisse ajudar o meu irmão Pedro e foi 1998. Um fora de série! Decidimos dar-lhe forte, mas depois a Fórmula Ford aca- com a federação’. Não é que me desse

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31

FOTOS: NUNO ORGANISTA

mal, mas não concordava com o cami- bem. Onde há uma lacuna grande é que Estoril, Portimão, Vila Real e Braga, por que se passa. O último piloto a cumprir
nho, tinha alguns atritos, mas o Paulo nos Turismos temos três categorias: TCR, duas vezes, pois a maioria dos pilotos é todos os passos foi o António Félix da
dizia, ‘vamos, vamos’, e eu, pronto, ‘ok’, TCC e TCS, mas em Portugal, ou se corre da zona. Para além disso, queremos ter Costa. Hoje em dia, temos uma ‘escola
e lá avançámos. Éramos para fazer um para vencer na geral, ou não se corre, e todas as corridas em direto, com exceção primária’, na minha opinião, muito má,
troféu de turismos. Quando apresentá- nós vamos tentar incentivar mais pilotos de Vila Real (ndr.: que deve passar na TV e, por isso, com o karting que temos em
mos a proposta foi-nos contraproposto a correrem noutras categorias este ano. É pública), em live stream. Isso seria um Portugal, acho que não teremos tan-
pelo Luiz Pinto de Freitas: ‘Porque é que um campeonato em que acreditamos, eu boost muito grande”, disse Couceiro, tos pilotos no futuro, não há pilotos a
em vez do troféu não tomam vocês con- e o Paulo (Ferreira) achamos que vai ser que assegura o regresso de “um ou dois internacionalizarem-se, mas não por
ta de um campeonato nacional’. E foi o futuro e a prova disso é o novo WTCR. pilotos de peso”, sem poder revelar os falta de qualidade. Apostou-se muito no
daí que começou, fizemos um acordo. Precisamos da boa vontade de todos. O nomes. low-cost, nos troféus monomarca, o que
Os primeiros anos foram com algum TCR Ibérico correu muito mal, porque o Nuno Couceiro falou ainda dos Super- dificulta. Existe qualidade, vi algumas
atrito, mas no fim do percurso do Luiz que acordámos com o promotor espa- cars, competição que nasceu o ano provas em 2017 e vi miúdos com muita
Pinto de Freitas as coisas já estavam a nhol não correu como queríamos, houve passado, e onde já há planos para lhe qualidade. A FPAK cometeu um erro, que
correr bastante bem, infelizmente o Luiz falhas de todas as partes, mas, na nossa dar sequência: “Chegou a pensar-se ainda deve conseguir corrigir, ao marcar
faleceu”, recordou Nuno Couceiro, que opinião, mais deles, porque se focaram em alargar os Legends, mas ponderá- 80 ou 90 por cento do calendário coin-
desde aí se manteve com os principais mais em fazer o trabalho deles, o que mos bem e vamos ter Supercars com cidente com o calendário da velocidade,
campeonatos de velocidade nas mãos. não critico, mas esperava mais empenho regulamento próprio, em que estamos isso numa altura em que vai ser lançado
Saltando no tempo, para 2017, chegamos do lado espanhol. Abandonámos o TCR a trabalhar. Se abríssemos os Legends, o escalão de iniciados e um miúdo que
a uma temporada em que se consolidam Ibérico, para já, e, ou nós vamos para seria complicado, pois há investimentos quiser fazer as duas competições, não
os TCR, categoria que se mostra acer- Espanha, como empresa, ou então acho fortes e nos Supercars há carros bem pode. Existem muitos miúdos com qua-
tada a vários níveis, tendo mesmo sido que acabou. Para já vamos focar-nos em mais recentes e muito mais baratos que lidade, mas, se não os deixarem correr,
‘promovida’ a competição principal de Portugal. Mas claro que gostávamos de ir iriam suplantá-los. É preciso cuidado nem os apoiarem, vão acabar por ‘morrer
turismos a nível mundial. Por cá, coisas a Espanha”, revelou Nuno Couceiro, que com as decisões deste tipo, têm que ser na praia’. Gostava sinceramente de ver
boas e más: “Para mim ficou aquém do tem bons planos para 2018: “Temos duas muito bem ponderados os prós e contras mais miúdos, como os que formámos,
que gostava de ter feito, em termos de vertentes, os Clássicos e os Turismos. Os e tem que haver espaço para todos cor- o António, o Filipe, o próprio Armando
mediatismo e retorno em que fomos Clássicos estão bem e recomendam-se. rerem. Há que ter muito cuidado com a Parente, a irem lá para fora. Desejava
apenas superados pelos ralis. Gostava Temos trabalho a fazer, principalmente interseção das categorias, para não as ver mais miúdos a correrem lá fora e a
de ter mais carros na grelha, chegámos a na categoria 1300, mas no geral estão matar. Está a ser tratado, dentro de mui- terem sucesso, é o meu primeiro desejo.
ter 12 e 14, mas o ideal seriam 16 a 20. Foi bem. Os Turismos acho que vão crescer, to pouco tempo vai saber-se qualquer Em relação à velocidade, e não falo das
um campeonato competitivo, aceso, com podem aparecer mais duas marcas no coisa”, acrescentou Nuno Couceiro, que outras categorias por não sentir capa-
lutas interessantes, que acredito ser o campeonato, provavelmente a Peugeot terminou esta conversa falando duma cidade, gostava que crescesse mais, que
futuro, e por isso gostava que crescesse. e talvez a Hyundai. Se conseguirmos grande paixão, o karting: “Sinceramente aparecessem mais pilotos nos iniciados.
Às vezes somos criticados por não fazer- por 8 a 10 TCR na grelha fico contente e estou muito apreensivo com o que se Vamos ajudar no que pudermos ajudar”,
mos mais promoção, mas estamos bem depois ter mais carros das outras duas está a passar no karting em Portugal, já concluiu Nuno Couceiro, que tem a difícil
a nível de retorno mediático. Claro que categorias. Fizemos um calendário mais há sete ou oito anos que alertei a FPAK tarefa de puxar para cima uma modali-
poderíamos estar melhor, mas estamos virado para Portugal, com provas no para isso. Não estou de acordo com o dade complicada de gerir.

N/32 TCR
NOTÍCIAS

RAFAEL LOBATO Ajuventude e o potencial de
QUERIR PARA Rafael Lobato começam a ‘pe-
O ESTRANGEIRO dir’ novos voos e é isso que o
piloto, juntamente com o seu
Rafael Lobato tem vindo a cimentar o seu nome no ‘management’, estão a fazer, tendo O piloto de Vila Real teve como má-
panorama nacional, e depois de três anos ao mais planos para competir no estrangeiro, quina o novíssimo Audi RS3 LMS,
já este ano. Nada está confirmado, que mostrou ser um carro com uma
alto nível, pondera a internacionalização numa altura em que as negocia- boa base, mas, segundo Lobato, de-
ções ainda decorrem, mas o piloto masiado penalizado pelo BoP, um
Fábio Mendes de Vila Real é perentório em afirmar efeito que foi visível também no TCR
[email protected] que pretende um novo desafio na International. O trabalho da equipa
sua carreira e que apenas compe- em encontrar o melhor set-up foi
LEIA E ACOMPANHE TODAS tirá no campeonato nacional se as árduo, mas a meio da época, já com
AS NOTÍCIAS EM AUTOSPORT.PT oportunidades a outro nível não se
materializarem. Segundo o piloto,
há planos para que possa manter-
-se a competir nos TCR, ou até uma
mudança para os GT, mas nada está
finalizado. Lobato está feliz com o seu
percurso até agora no campeonato
nacional e considerou que a edição
de 2017 foi bastante competitiva, com
vários carros a lutarem por vitórias e
comandamentosmuitosemelhantes,
proporcionando boas lutas.

FALECEU WEC GINETTA
DAN GURNEY PREPARADA
PARA ENFRENTAR
Dan Gurney faleceu no passado A sua esposa, Evi, e a família, janeiro de 2018. Com o pesar mais OS TOYOTA
domingo, aos 86 anos, após divulgaram algumas palavras: “Com profundo, com gratidão nos nossos
complicações decorrentes duma um último sorriso na sua bela face, corações pelo amor e alegria que nos Otimismo e ambição parecem ser as linhas mestras
pneumonia. O piloto, que é uma das Dan guiou rumo ao desconhecido deu durante a sua passagem pela do novo projeto da Ginetta que apresentou a sua nova
lendas do automobilismo norte- pouco depois do meio-dia a 14 de terra, nós dizemos adeus”. máquina LMP1, o G60-LT-P1. O carro foi apresentado
americano, depois de vencer na como uma máquina vencedora e com potencial para
Fórmula 1, em Le Mans, na Indy e na se bater com os híbridos da Toyota pela vitória em Le
NASCAR, teve a sua própria equipa, a Mans. Quem o disse foi Lawrence Tomlinson, presidente
All American Racers, usando o nome da marca, que não teve receios em apontar os tempos
Eagle – com que venceu o Grande feitos pelos LMP1 em 2017 como referência para a nova
Prémio da Bélgica de 1967. Gurney máquina: “Se formos ver os tempos, os LMP2 fizeram
venceu quatro GP, em 86 corridas 3:25 em qualificação e 3:27 em corrida, ou seja, 9
com a Ferrari, BRM, Porsche, Lotus, segundos mais lentos que os LMP1 Híbridos. Se virmos
Brabham, Eagle e McLaren. Triunfou a diferença de pesos, a melhoria na potência, a melhoria
também nas 24 Horas de Le Mans de nos pneus e a melhoria aerodinâmica em relação aos P2
1967, pela Ford, ao lado de AJ Foyt, é difícil não antever que poderemos estar muito perto
prova em que iniciou a tradição de dos Híbridos. Estamos prontos para lutar com a Toyota.
abrir o champanhe no pódio. A sua A única diferença é que eles usam um sistema híbrido
carreira na Indy resultou na criação e nós não.”
do item aerodinâmico, Gurney flap, Como pontos fortes Lawrence Tomlinson apontou o
sendo que, na NASCAR, venceu cinco custo do carro, comparando-o com os custos de um
corridas em Riverside, na Califórnia. LMP2 : “Era difícil convencer as pessoas a juntarem-se

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mais conhecimento de causa, foi pos- É a hora certa para tentar um novo a Speedy Motorsport o Seat Leon nar o campeonato na 4ª posição,
sível entender melhor o carro alemão desafio e para dar mais um passo TCR da equipa. O líder da estrutura, vai trocar de equipa, passando a
e tirar maior proveito dele. em frente, o que pode ser importante, Pedro Salvador, convidou o piloto de fazer parte da estrutura da Veloso
É mais um nome que poderá abando- tanto na evolução como piloto, como Braga a experimentar as sensações MotorSport. Embora esteja ainda
nar o campeonato nacional, caso as para o seu currículo. dos TCR, uma máquina diferente a ultimar alguns pormenores com
negociações cheguem a bom porto, daquelas a que está acostumado. os patrocinadores, o piloto já tem o
o que todos querem, pois pode ser ARAÚJO TESTOU SEAT DA SPEEDY Araújo não se fez rogado e aceitou plano definido e espera apenas re-
mais um digno embaixador a levar as Hugo Araújo, que foi campeão sentir o pulso a uma das disciplinas unir os apoios necessários para lhe
nossas cores pelas pistas do mundo. da Super 7 By KIA, testou com com maior crescimento ao nível do dar luz verde. Ao nível da ambição,
automobilismo mundial. O piloto a vontade do vilarealense passa por
ficou satisfeito com os tempos obti- fazer sempre o melhor possível,
dos e com o que sentiu ao volante do tendo em vista a conquista do título.
carro, mostrando-se surpreendido Esteve colocada em cima da mesa a
com a performance da máquina. hipótese de fazer o TCR Europe, mas
Araújo admite que o teste lhe abriu a escolha recaiu no campeonato
o apetite, mas não aponta ainda o nacional. Recorde-se que a Veloso
caminho que irá seguir em 2018, Motorsport apoiou Francisco Mora
mantendo a mente aberta para di- na conquista do bi-campeonato em
versas possibilidades. 2016 e 2017, teve ao seu encargo o
único Audi RS3 LMS presente nas
FLORINDO COM A VELOSO pistas nacionais e testou em no-
vembro o novo I30 TCR da Hyundai.
MOTORSPORT O início da temporada de 2018 está
marcada para abril, no Autódromo
Edgar Florindo, que foi apoiado pela do Estoril.
Speedy Motorsport no seu ano de
estreia, em que conseguiu termi-

a nós, sem apresentar algo concreto. Já foi tentando 12 HORAS DE BATHURST:ÁLVARO
no passado e não funcionou. Nós temos agora o nosso PARENTE DE MERCEDES-AMG GT3
projeto para apresentar e parece-nos uma boa forma de
atrair pessoas para os LMP1. Se compararmos os custos Álvaro Parente voltará este ano às 12 Horas de Bathurst, evento que apresenta um plantel fortíssimo, com
com um LMP2, são apenas 200/300 mil mais do que os a mítica prova que venceu em 2016, dividindo um dos alguns dos melhores pilotos do mundo da categoria:
LMP2.” Mercedes-AMG GT3 inscritos pela Strakka Racing com “Bathurst é uma pista fantástica e já lá obtive alguns
A Manor já confirmou que vai usar este chassis e estão Maximillian Buhk e Maximillian Götz. bons resultados nos últimos dois anos. Estou mais do
ainda a decorrer conversações com outra equipa para a Depois de ter revelado o seu programa para a Taça que pronto para voltar em 2018 e lutar pela vitória.
compra de mais três carros, o que significa ter dois em Norte-Americana de Endurance, com um Acura NSX Muito obrigado à Strakka Racing por me ter oferecido
pista. O responsável pela marca britânica diz ainda que da Michael Shank Racing, e outro para o Pirelli World esta oportunidade”, afirmou com entusiasmo Álvaro
há equipas interessadas e com capacidade para investir Challenge, com um Bentley Continental GT da K-PAX Parente. A prova australiana realiza-se entre os dias 2 e
no novo modelo, mas aceita que haja um período de Racing, o português anuncia agora que estará presente 4 de fevereiro, estando já inscritos mais de 62 carros,
avaliação para entender a qualidade do produto, apesar na corrida que abre o Intercontinental GT Challenge, 32 deles na classe GT3.
de estar convencido que surgirão mais interessados
assim que o potencial da máquina for provado em pista.

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HISTÓRIAS
DOS RALIS

PORCARLO CAVICCHI

Nesta rubrica são apresentadas três histórias do Mundial RALI SAFARI 1981
de Ralis escritas por Carlo Cavicchi no seu livro Destra3
lunga chiude, uma edição de autor publicada em 2016. SHEKHAR MEHTA
EASAPOSTAS SUSPEITAS
Carlo Cavicchi foi um dos maiores jornalistas desportivos Cedo se percebeu que naquele
da sua época, tendo trabalhado particularmente sobre rali algo não bateu certo. Poder- e experiente Rauno Aaltonen, de 43 anos,
os ralis entre os anos 70 e 90, para revistas como a se-ia insinuar um complot, ma- com uma vasta experiência de pilotagem
Autosprint, SportAutomoto e Quattroruote. Embora não nipulação, fraude, etc… Porque pelo mundo inteiro, um palmarés formi-
ligado à competição na atualidade, Cavicchi mantém aquela edição do Safari de 1981, dável, mas a quem faltava precisamente
ligações a revistas sobre automóveis. Neste livro conta flagelada por chuvas torrenciais, a prova queniana. E não era por falta de
foi tudo menos linear. tentativas. Até então já tinha participado
variadíssimas histórias de pilotos italianos e internacionais O vencedor foi Shekhar Mehta, um dos 17 vezes na prova, muitas delas com re-
com quem se cruzou ao longo da sua vasta carreira, e que pilotos que mais se destacou na história sultados de grande relevo: sétimo em 1971,
fazem lembrar como eram os ralis numa época em que a da grande maratona africana e que vinha sexto em 1972 e 1974, segundo em 1977,
competição não estava tão padronizada e era muito mais de duas vitórias consecutivas em 1979 e terceiro em 1978, quinto em 1979 e segundo
próxima do público. Outros tempos. Escolhi três histórias 1980, às quais se somava outra em 1973, em 1980. Mehta e Aaltonen eram colegas
que me pareceram interessantes para os leitores e fiz uma sem contar com inúmeras classificações de equipa, ao volante dos ultrarresistentes
tradução livre, acrescentando alguns pormenores lidos em e performances de prestígio nos restan- Datsun, grandes dominadores da prova
outras obras. tes anos. Não que Mehta fosse um simples africana e um sucesso de vendas como
Texto: Guilherme Ribeiro; Fotos: Martin Holmes Rallying especialista do Safari, já que também cor- nenhuma outra marca nos mercados lo-
[email protected] ria ocasionalmente nas restantes provas cais. Mas para quê toda esta introdução?
do WRC, destacando-se nas mais duras, Precisamente porque Aaltonen e Mehta
CONHEÇA ESTA E MUITAS mas certo era que na África Oriental esta- não se suportavam, eram dois animais
OUTRAS HISTÓRIAS EM AUTOSPORT.PT va, definitivamente, em casa. No entanto, em fúria, maestros daquelas estradas e
naquele ano de 1981, o piloto queniano de capazes de dar tudo por tudo, embora se a
etnia indiana e conhecido pelos seus mo- um as coisas corriam bem e ao outro fal-
dos gentis, viu-se acossado por um grupo tasse sempre ‘um bocadinho assim’ para
de jovens pilotos que queriam acabar com conseguir o sucesso para o qual tanto se
o seu reinado no Safari. Entre os seus ad- esforçava. Pois bem, depois de um do-
versários contava-se também o veterano mínio da Datsun desde o início, no final
da segunda etapa Mehta liderava face a

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Aaltonen, com os pilotos separados por passar o vau bem mais a norte, mas aca- esse indiano de m****”. Certo é que não tar”. Aaltonen estava furibundo e a histó-
apenas cinco minutos, mas já com uma baram por ficar retidas na corrente revolta. faltaram encontrões entre os dois car- ria não acabou ali. Já que ele recorreu ao
boa vantagem sobre os restantes adver- Mehta perdeu doze minutos e a liderança ros nesta última secção, com Aaltonen a Automóvel Clube do Quénia (que rejeitou
sários. Sentindo o sucesso nas mãos, e da prova no processo. Mas África, hostil e queixar-se de ser nitidamente empur- de imediato o protesto) e também à FIA.
não querendo correr o risco de o perder caprichosa, estava pronta a fazer pagar a rado por Mehta, o queniano a queixar- Mas, após um mês de espera, também
devido a uma ‘luta de galos’, a direção da Aaltonen o preço da liderança pois, pouco -se de obstrução e da falta de lealdade perdeu esse recurso e colecionou o seu
marca nipónica deu ordens para manter depois, partiu uma barra estabilizadora e para com a equipa do finlandês, a par de enésimo segundo posto, contra as qua-
posições ao início da noite. O diretor da perdeu cerca de meia hora. Prova resol- um corrupio de acusações mútuas entre tro vitórias do rival. Mehta viria a vencer
equipa, Wakabyashi, um homem de di- vida? Não, de todo, pois Rauno, com um dois dos maiores especialistas de sempre a sua quinta e última edição do Safari em
mensões improváveis para um japonês, ritmo demoníaco, ganhou nove minutos no rali queniano… E, mal chegou a rampa 1982, enquanto Aaltonen – obviamente –
deu ordens a Mehta para abrandar por- a Mehta e, noutro troço, mais catorze, de consagração, Aaltonen deixou bem deixou a Datsun para assinar pela Opel,
que a equipa queria, em absoluto, ven- faltando-lhe apenas onze para alcançar claro à equipa a sua intenção de protes- dedicando-se em exclusivo ao rali que-
cer. De início, Mehta não compreendeu, o queniano. Uma vida numa prova nor- tar o resultado. Não, não contra a decisão niano, mas a vitória fugiu-lhe sempre até
até lhe ser dito que Rauno já havia feito mal, mas uma vantagem mínima para se de anular o dito controlo do rio, porque á sua retirada definitiva do desporto mo-
o mesmo. Porém, era de noite, os pilotos estar descansado no Quénia. E, na para- estava ciente que essa opção não teria torizado em 1987. Pronto a dar os para-
estavam esgotados pela fadiga após uma gem matutina do derradeiro dia, Mehta e grande validade, mas sim o controlo ho- béns a Mehta, de uma forma demasiado
prova com milhares de quilómetros ao vo- Aaltonen estavam no mesmo minuto. A rário em que tinha perdido meia hora de entusiástica, estava o veterano diretor de
lante, uma boa dose dos quais ainda por par. Faltava uma última secção, mas antes atraso, já que apresentava um erro muito prova Bharat Bhardwaj, um indiano Sikh.
percorrer, e mal sabiam se Wakabyashi se rebentou a polémica. A direção de prova grande: a soma de quilómetros parciais Não tardaram a surgir boatos relativos
tinha expressado bem ou se eram eles que decidiu anular o controlo horário do rio. não correspondia à soma de quilóme- que os dois, sob pseudónimo, haveriam
não tinham compreendido devidamente. Porquê, não se sabe, mas assim foi deci- tros total indicada. “Não podes fazê-lo, a feito uma aposta elevadíssima sob pseu-
O que aconteceu quando retomaram a dido. Aaltonen, que corria com Drews, por equipa não aceita protestos dos seus pi- dónimo na vitória de Mehta. Mas não só:
prova foi o finlandês começar a pressionar sua vez já no seu décimo terceiro Safari, lotos”, intimou-o Wakabyashi, consciente Bhardwaj teria feito outra aposta avultada
como nunca na sua vida. Queria vencer espumava de raiva com a decisão, gritan- de estar a dar uma ordem a alguém que relativa ao número de pilotos que finali-
aquele maldito Safari, queria pelo menos do de dentro do habitáculo: “Não passa, não correria mais para ele: “Somos nós zariam o rali. Tinha apostado no 26, 25 e
consegui-lo antes de pendurar o capacete. não passa, não passará com facilidade os concorrentes e nós não iremos protes- 24, e se não tivessem anulado o controlo
Partindo com o pé a fundo no acelerador dorio, teriam terminado…23. Noentanto,
logo no primeiro controlo horário alcan- todas as vozes não tardaram a remeter-
çou na estrada o adversário que não terá -se ao silêncio. Depois de uma vida como
visto tudo isto com bons olhos. Depois, ‘dono daquilo tudo’, Bhardwaj só organi-
numa estrada que ligava Marigat ao Lago zaria mais uma edição do Safari, antes de
Beringo, um rio galgou as margens e foi ser definitivamente dispensado. E Mehta
um calvário para atravessá-lo. Oito equi- nunca mais venceria depois de 1982.
pas escolheram alongar o percurso para

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RALI DA COSTA DO MARFIM 1981 ca, onde tudo lhe aconteceu, mais do que inscrevia o seu Escort, a fazer o
que a imaginação poderia fazer prever. esforço suplementar de alinhar na
ARI VATANEN Mas, primeiro, os factos sobre aque- prova africana, enquanto Fréquelin e
SE O SEURIVALTEM la prova. No Campeonato do Mundo Todt tentavam um golpe local: em vez
UM CORAÇÃO FORTE… de Marcas liderava a Talbot, graças à de alinharem no pequeno Talbot, que
D e um grande campeão como vitória na Argentina e aos inúmeros não estava propriamente preparado
Ari Vatanen já se escreveu mundial no WRC, ao volante de um segundos postos da dupla Fréquelin/ para as duríssimas provas africanas,
imenso e tudo por um con- Ford Escort privado. Estava-se no ano Todt. Naquele ano o regulamento pre- fá-lo-iam com o Peugeot 504 V6, um
junto de bons motivos: era de 1981 e Ari tinha como companhei- via que se podiam somar um máximo potente coupé que desde meados dos
rapidíssimo, obteve muitas ro de aventuras David Richards, que de sete resultados (obviamente, os sete anos 70 brilhava nas picadas daquele
e grandes vitórias nos ra- posteriormente entraria na história melhores), e a Talbot já o havia conse- continente. Como a Talbot fazia par-
lis e no todo o terreno, lutou sempre da competição num papel bastante guido. Assim, para quê arriscar uma te do Grupo Peugeot, a equipa fran-
contra a melhor concorrência e fi- diferente. Daquele ano mágico, recor- viagem longa e muito dispendiosa à cesa chegava desta forma à Costa do
cou conhecido por ser protagonista dam-se os grandes sucessos: as vitó- Costa do Marfim quando ainda exis- Marfim com uma superestrutura por
de vários acidentes espetaculares (e, rias na Grécia, Finlândia e Brasil, assim tia mais uma hipótese de melhorar a trás e com o favoritismo nos prognós-
infelizmente, de um bastante sério, como os segundos postos na Suécia e pontuação de Blomqvist na Finlândia? ticos. A prova começou com um verda-
na Argentina). Como se não bastasse no RAC. No entanto, uma prova-chave Diferente era o ponto da situação no deiro calvário, já que entre Agboville e
tudo isto, conseguiu ainda um título para conseguir o título mundial foi a da Mundial de Pilotos já que, a duas pro- Dimbokro rebentou uma tempestade
Costa do Marfim, a penúltima da épo- vas do fim, Fréquelin e Vatanen esta- tão forte que de imediato reduziu as
vam muito próximos, com o francês a estradas a um verdadeiro lamaçal.
contar apenas com dois pontos de van- Fréquelin teve problemas de direção
tagem sobre o finlandês. Deste modo, e terminou muito atrasado, abaixo da
Vatanen convenceu a Rothmans, o 20ª posição, enquanto Vatanen, apesar
sponsor da equipa de David Sutton de cometer alguns erros, era 11º, mas

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muito mais perto de entrar nos lugares de sorte, que, embora não colocasse
pontuáveis e passar para o comando o Escort como novo, ao menos permi-
da classificação no mundial. Porém, tisse que este continuasse em prova
apenas a 15 km do final da primeira na esperança que as habituais heca-
etapa, um grande camião complicou tombes permitissem a Vatanen con-
a vida do finlandês. O Ford, que rolava seguir alguns pontinhos. Vatanen e
a alta velocidade, encontra-se subita- Richards não falavam em mais nada
mente numa curva com um brutal ca- do que na ajuda inesperada, generosa
mião que estava a fazer uma manobra, e providencial dada pelos seus rivais
ocupando toda a largura da estrada. O mais diretos na luta pelo título, sem
impacto foi brutal e o Escort acabou pensar no sofrimento que os aguar-
bastante danificado. Mas, pouco de- dava por mais três etapas. De facto, o
pois, chegava Fréquelin que, incrédulo, Ford, aos sacões, lá regressou à es-
assistiu ao cenário defronte dos seus trada, embora muito longe da forma
olhos. Um sinal do destino? Parecia em que deveria, continuando a pa-
que sim: Vatanen ‘ao tapete’ e o título recer-se com o chapéu de um pobre,
mundial a um passo. Mas a sequência andando mais do que correndo. No
disto não foi assim tão óbvia porque entanto, a seleção natural dos ralis
os ralis não são (ou não eram) uma africanos fazia a sua parte, diziman-
disciplina normal, e os protagonistas, do os concorrentes, um após outro, e
por sua vez, não são (ou não eram) pi- a prova tornava-se num manual de
lotos quaisquer. Assim, o que sucedeu? resistência para quem tentava sim-
Fréquelin não passou direto, ao invés, plesmente terminar. Por outro lado, a
parou e ajudou o seu rival a puxar o car- luta pela vitória animava-se na últi-
ro, que tinha ficado enfiado debaixo da ma etapa - muito curta e que passava
frente do camião. Depois, graças exclu- muito perto da fronteira com o Gana,
sivamente ao trabalho de oito mãos, o que viria a ser rica em golpes de teatro.
carro inglês voltou a mover-se e, num Eklund ficava preso num lamaçal e a
estado lastimável, conseguiu chegar à sua assistência tentava retirá-lo, blo-
assistência. Por sua vez, o Peugeot re- queando, por conseguinte, Mehta, que
gressou à sua prova e consegui subir perdia assim mais de trinta e seis mi-
imenso na classificação geral. nutos. Por sua vez, Salonen quebrava
Enquanto os mecânicos da Ford ten- o alternador, mas isso não o travaria,
tavam a todo o custo uma reparação com a piloto a conseguir uma grande
vitória, deixando a Datsun matemati-
camente na luta pelos Construtores. E,
finalmente, um longo e surpreendente
período de espera decorreu no contro-
lo de Alepe: Ambrosino, que estava a
um passo de controlar, tinha o motor
parado e demorara cinco minutos. E,
quando controlava, tinha perdido o
tempo quase estritamente necessá-
rio para que Fréquelin terminasse em
quinto e não em sexto… Atrás, não ha-
via quase ninguém, aliás, chegaram a
Abidjan apenas nove viaturas. A últi-
ma, com um atraso de um dia, quatro
horas e dois minutos... era o Escort de
Vatanen, que conseguia assim dois
pontos inesperados, que o mantinham
na luta pelo mundial. Título esse que
seria seu no final da prova seguinte, já
que o finlandês terminaria em segundo
enquanto Fréquelin abandonaria. Em
1981 Vatanen foi assim Campeão do
Mundo graças a um gesto do qual na
época pouco se falou, mas que ficou na
história como uma das páginas mais
bonitas e românticas de todo o longo
percurso da competição automóvel.

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RALI DO RAC 1975 o seu valor ao volante do Stratos, que
contava pela primeira vez com o mo-
BJÖRNWALDEGÅRD OFEITO tor de 24 válvulas. Os adversários eram
MAIS BELOEMAISAMARGO muitos, de qualidade e muito bem ape-
trechados. Em suma, aquela edição do
P oderiam, um dos maiores pi- RAC prometia.
lotos e um dos mais lendários Após a primeira jornada da prova,
diretores desportivos, conse- Waldegård ocupava já o comando, com
guir um dos mais formidáveis 26 segundos de vantagem sobre Timo
feitos da história dos ralis que Mäkinen (Ford), que precedia por pou-
não ficasse registado em re- co Blomqvist (Saab), Clark (Ford), Rohrl
sultados? Sim, poderiam. Tudo suce- (Opel) e Pond (Opel), seguindo-se a
deu em 1975, num frio mês de novem- grande maioria dos rivais. No entanto,
bro, na magnífica atmosfera britânica. os festejos duraram pouco, porque na
Disputava-se o RAC, uma prova monu- segunda especial da segunda etapa
mental com partida e chegada a York um semieixo do Stratos do piloto sueco
com 73 provas especiais de permeio, quebrava… Adeus rali? Estatisticamente
igualmente divididas entre troços muito sim, mas aqui começa a lenda. Depois
enlameados, outros brancos de neve e das reparações Waldegård chegava ao
outros submersos por uma neblina cer- controlo horário cinco minutos depois
rada. Daniele Audetto dirigia a equipa do tempo máximo permitido, ao adi-
da Lancia, mas estava prestes a juntar- cionar-se os vinte e quatro minutos
-se à direção desportiva da Ferrari de perdidos em prova. A sua prova pa-
Lauda e Regazzoni, na Fórmula 1. Björn recia estar definitivamente acabada
Waldegård estava ansioso por provar se não lhe fosse ordenado continuar
na mesma. Finda a especial, o Stratos
parou junto de uma cabine telefónica,
no interior da qual estava um agita-

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do Audetto, que continuava a colocar para o hotel, porque estamos mortos o momento para dar tudo. Eu vou fa- dos! No fim, o sueco manteve o terceiro
moeda após moeda enquanto gritava de fadiga, porque eramos os únicos na zê-lo, e se tu não o sentes, juntamen- lugar na classificação final. E com um
à direção de prova que o atraso (para assistência, depois de teres mandado te com quem está contigo, desiste.” balanço incrível: venceu 45 provas es-
além do tempo máximo) apresentado embora os outros.” Tudo lógico e jus- Michele Noviello era nativo da Apúlia e peciais contra oito de Roger Clark - se-
pelo sueco era apenas culpa dos res- tificável se Audetto, um dos maiores chegara a Turim com uma mala amar- gundo classificado - quatro de Fowkes,
tantes corredores à espera de controlar atores que Hollywood deixou escapar, rada por um fio e um coração sem igual. três de Brookes e Drummond, duas de
e que não o haviam deixado passar. De não deixasse em campo as estrepi- Era quatro vezes maior que Audetto e Vatanen e Lampinen, e apenas uma do
fora, imóvel no habitáculo, Waldegård tosas palavras que se seguem: “Ok, tinha força para levantar um touro. Não vencedor, Timo Mäkinen…
fixava com os seus olhos azuis este Michele. Tens razão. Pactos são pac- percebia bem o que se passava, e os Na Lancia, era uma festa, com muitas
italiano que gritava e esbracejava para tos. Mas o que está em jogo não é um seus olhos estavam brilhantes: “Está palmadas nas costas e cumprimen-
convencer o fleumático responsável dos simples rali, é o desafio entre Itália e bem, se é assim, partimos de novo. tos. Waldegård foi levado em triunfo,
comissários desportivos, aguardando estes bastardos dos ingleses. Temos Mas estou aqui para burro de carga, Audetto gritava que esta era a Itália
por novas ordens. a nossa história, a história dos nos- isto não é vida…” das corridas, Noviello adormecera no
“Go! Go!.” Partia a ordem de Audetto, sos pais e aquela que os nossos filhos Três horas depois a corrida recomeçou, Lancia Hpe de assistência e assim ficou
ainda a quente, e Björn arrancava, dei- vão ouvir. Não jogamos a vitória mas Waldegård continuou a obter sucesso por sete horas. Porém, os comissários
xando duas marcas de borracha no as- a honra. Tens direito a estar cansa- após sucesso, demolindo os tempos desportivos, após uma reunião, delibe-
falto. Por enquanto, corria sob apelo, do e se achas que deves desistir de dos rivais nas especiais - apesar de, raram e decidiram que não, o Stratos
depois ver-se-ia. No final da segunda tudo, estás no teu direito. Por favor, pelo meio, chegar a correr meia etapa número 2 estava fora da classificação
etapa, às portas de York, numa área de prepara apenas umas ferramentas, sem o capot anterior após a rutura dos geral. Nada a fazer: ultrapassando o
serviço da Esso, Daniele Audetto che- um jerrycan, umas chaves e duas ou encaixes na sequência de um toque tempo máximo de prova, não se está
gava acompanhado do mecânico de três peças sobressalentes importan- numa ponte - chegando ao terceiro mais classificado. Nunca.
assistência rápida, o gigante Michele tes para colocar no meu carro. Eu vou lugar absoluto. Para os que viveram Porém, hoje, repassando as crónicas
Noviello: “Daniel, disseste-nos para continuar sozinho, e vou fazê-lo por- aqueles tempos, e para quem gosta de daquela prova, não se lê nada em lado
continuar até tão longe, sem parar, que o Bjorn deve continuar, deve ven- ‘antiguidades automobilísticas’, quem algum, carro e piloto não aparecem
sem dormir, sem comer, porque tínha- cer, deve pairar bem alto a bandeira não se lembra das imagens do Lancia em nenhum lado, ninguém se lem-
mos de demonstrar o valor do Stratos. tricolor da Casa que defendemos. Eu Stratos sem o capot traseiro, os ele- bra mais. No entanto, foi uma história
Agora, como em qualquer promessa, também estou muito cansado, sinto- mentos mecânicos à mercê das pedras épica, e esquecendo-a comete-se um
existe algo em troca. Agora vamos -me literalmente desfeito. Mas este é dos troços, numa luta contra tudo e to- grande erro na epopeia dos ralis.

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HONDA

» X-ADV 2018

UM CONCEITO INOVADOR DE ENORME SUCESSO

O seu lançamento em 2017 e o enorme sucesso alcançado
na sua comercialização, com mais de 10.000 unidades
vendidas no mundo inteiro, levou a Honda a fazer uma série
de melhoramentos no modelo de 2018, sobretudo na sua
aptidão para o fora de estrada

Pedro Rocha dos Santos no sentido de garantir no modelo de modo normal D. O modo S, o programa
[email protected] 2018 uma maior capacidade de carga desportivo, tem 3 graus diferentes
debaixo do seu banco conseguindo possíveis que permitem ajustar melhor
A Honda X-ADV chegou ao agora uns importante 21 litros. Para o desempenho da X-ADV em condução
mercado no último ano, ten- além do anteriormente referido, a desportiva - e claro, com a possibili-
do granjeado de imediato X-ADV de 2018 monta um pára-brisas dade de acionar o interruptor G para
de um enorme sucesso co- com a possibilidade de ser ajustado melhorar o desempenho Off-Road.
mercial. A prová-lo estão os em 5 posições distintas, um guiador O motor bi-cilíndrico da Honda, com
números: mais de 10.000 em alumínio de secção variável, pro- 745 cc e 54 cv, está perfeitamente
unidades vendidas no mundo inteiro. teções de mãos tipo Africa Twin, um adaptado à caixa DCT e proporciona
Registos que levaram a marca a fazer painel de instrumentos e informação um excelente binário a baixas e médias
uma série de melhoramentos no mo- ao estilo Rally idêntico ao da CRF450. rotações, garantindo uma aceleração
delo de 2018, sobretudo na sua maior Monta também descanso central, para enérgica e progressiva desde baixas
aptidão para o fora de estrada. Nesse além do sistema Smart Key que pro- velocidades. A X-ADV de 2018 incor-
sentido, a Honda X-ADV recebe, em porciona uma maior facilidade na sua pora também um controle de binário
2018, um novo sistema de controle de utilização diária. Inclui ainda acesso a (HTSC) com dois níveis de intervenção
binário selecionável a vários níveis e corrente de 12V e luzes totalmente em e que pode ser desactivado para me-
um interruptor G que permite passa- tecnologia LED. As suspensões dian- lhorar a condução Off-Road. A versão
gens de caixa mais rápidas e diretas, teiras e traseiras são de longo curso de 35 Kw/47 cv estará também dis-
realidades que combinadas permitem e absorvem de forma mais efetiva ponível para os portadores de carta de
à X-ADV ter um melhor desempenho todas a imperfeições do terreno. A condução A2 sendo posteriormente
Off-Road. Com uma carroçaria ele- roda dianteira de 17” e a traseira de possível passar a full power num con-
gante e sólida a Honda X-ADV 2018 15”, ambas raiadas, montam pneus de cessionário Honda. Está disponível
está agora mais preparada para a sua todo o tereno. Os travões incluem ABS nas cores Candy Red (nova em 2018),
utilização em todo o terreno, existindo e as duas pinças de colocação radial Mate Silver, Digital Metalic Silver, Pearl
também uma versão de 47cv para e 4 êmbolos garantem uma travagem White e Grand Prix Red (idêntico à cor
utilizadores com carta A2. A Honda sempre efetiva em qualquer situação. de famíla das CRF). O PVP da versão
redesenhou também parte do quadro A transmissão DCT da Honda, de em- de 2017 é de 11.500 euros pelo que a
braiagem dupla, de série na X-ADV, versão de 2018, atendendo aos me-
permite uma seleção de caixa mais lhoramentos introduzidos, é natural
curta para uma resposta mais viva no que suba ligeiramente.

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FT/ F I C H A T É C N I C A

745 CC

CILINDRADA

54 CV

POTÊNCIA

13,1 L

DEPÓSITO

238 KG

PESO

11 500€

PREÇO VERSÃO 2017

MOTOR DE 2 CILINDROS, SOHC, COM REFRIGERAÇÃO
LÍQUIDA, COM 4 VÁLVULAS POR CILINDRO TAXA DE
COMPRESSÃO 10,7:1 POTÊNCIA MAX. DE 54 CV ÀS
6.250 RPM BINÁRIO MAX. DE 68 NM ÀS 4.750 RPM,
ARRANQUE ELÉ. CAPACIDADE DE ÓLEO 4,1 LITROS
EMBRAIAGEM HIDRÁULICA MULTI-DISCO EM BANHO
DE ÓLEO, DCT COM DUPLA EMBRAIAGEM HIDRAULICA,
CX DE 6 VEL. TRANSMISSÃO FINAL POR CORRENTE,
QUADRO TIPO DIAMANTE EM AÇO COMPRIMENTO
2245 MM LARGURA 910 MM ALTURA 1.375 MM
DISTÃNCIA ENTRE EIXOS 1590 MM ALTURA DO
BANCO 820 MM DISTÂNCIA LIVRE AO SOLO
162 MM SUSPENSÃO DIANTEIRA TELESCÓPICA
AJUSTÁVEL SUSPENSÃO TRASEIRA PRO-LINK
MONO AMORTECEDOR AJUSTÁVEL RODA DIANTEIRA
RAIADA DE 17” RODA TRASEIRA RAIADA DE 15” PNEU
DIANTEIRO 120/70-17 PNEU TRASEIRO 160/60-15
TRAVÕES DE DISCO À FRENTE ATRÁS COM ABS DE 2
CANAIS

42

>>motosport.com.pt

HONDA

» X-ADV TURBO

AUMENTO DE POTÊNCIA E DIVERSÃO

D esde o seu lançamento em faz a gestão de todo o sistema.
2017 que a Honda X-ADV Resultado: a X-ADV debita agora 90 cv
tem sido um enorme su- de potência, quase o dobro da versão
cesso de vendas, quer pelo original e com um incremento brutal
seu conceito revolucionário do binário no 2 cilindros da Honda.
de utilização polivalente no Para além da montagem do Turbo a
segmento das Maxi Scooters, quer Greaser Garage montou um novo sis-
também pelas suas prestações e enor- tema de escape que passa por debaixo
me prazer de condução. do banco e termina numa ponteira
O seu motor de 2 cilindros paralelos de titânio precisamente no extremo
de 745 cc debita 55 cv de potência com posterior do banco, de efeito estético
uma entrega suave e progressiva, aju- muito bem conseguido.
dado pelo sistema de dupla embraia- Mas a intervenção não ficou apenas
gem eletro-hidráulico da Honda, o já pelo motor da X-ADV. Também a car-
conhecido DCT, que permite ainda roçaria foi redesenhada e realizada
passar de caixa manualmente através manualmente para dotar a X-ADV de
de botões situados no guiador. umas linhas mais agressivas. Foram
Os valores de potência algo conserva- também realizados reforços no quadro
dores com que a Honda dotou o motor e proteções no sentido de a dotar de
da sua X-ADV deixaram antever o maior desempenho off-road.
interesse de alguns preparadores em Nesse sentido foram também adotados
explorar esta realidade e em tentar novos pneus, no caso, uns Continental
obter um maior desempenho do bi- de todo o terreno, com tacos, deixan-
cilíndrico. do absolutamente claro e evidente o
Foi por isso que os italianos da Greaser objetivo desta preparação.
Garage decidiram meter mãos à obra Pudemos ver ao vivo no Salão EICMA,
e incorporar um compressor volumé- em Milão, esta fantástica preparação
trico no seu último projeto que tem que nos deixou totalmente fascinados.
precisamente uma Honda X-ADV por Falámos com o seu criador, Giorgio
base. Pellegrino, que nos comentou que a
Numa parceria com a Magistrati Honda tinha ficado muito impres-
Racing, uma empresa italiana espe- sionada com este projeto e que, in-
cialista em eletrónica de competição e clusivamente, pondera, num futuro
em sistemas turbo para motos - já de- próximo, poder comercializar um Kit
senvolveram no passado precisamente Turbo específico para o modelo X-ADV
um sistema turbo para montar numa e que poderá ser facilmente montado
Yamaha T-MAX - foi desenvolvido por qualquer concessionário, com a
para a X-ADV um sistema específico colaboração da própria Honda.
que incorpora uma turbina, um inter- Brutal... e mal podemos esperar para
cooler e uma centralina eletrónica que que seja uma realidade.

43

BLUSÃO VALPARAISO 2 CAPACETE DROIRD

O blusão Valparaiso 2 da Alpinestars é uma O Droid é um capacete concebido com
excelente opção para o turismo de aventura, soluções técnicas inovadoras e design
composto pela tecnologia DRYSTAR que agressivo para aqueles motociclistas que não
lhe confere máxima impermeabilidade e querem passar despercebidos.
ventilação. Dotado de proteção de queixo, conta com duas
O Valparaiso 2 possui excelentes saídas de ar ajustáveis individualmente para evitar o
características de conforto graças embaciamento da viseira.
às aberturas de ar do Jet Ventilation O Droid está equipado com um sistema de dupla viseira
System (JVS) e à sua proteção e o seu revestimento conta com tecidos hipoalergénicos e
bastante ergonómica ao nível dos antitranspirantes.
ombros e cotovelos.
Este produto pode ser combinado OXFORD RAINSEAL
com as calças Valparaiso 2, também WATERPROOF
disponíveis nas cores cinza e preto,
ou com qualquer outras calças mais As Oxford Rainseal Waterproof
casuais. Overboots são a solução perfeita para
quem não quer andar de moto com os
NOVOS SPORT FORCE+ pés frios e molhados nos dias de chuva
DA MITAS e temperaturas mais baixas.
O seu design inteligente possui costuras
Os novos pneus Sport Force+ da Mitas interiores totalmente resistentes à
incorporam materiais e tecnologia avançada, água, enquanto a proteção esquerda é
tornando-se na escolha acertada para os reforçada na zona do pedal de mudanças
utilizadores de motos desportivas. para facilitar o manusear da caixa.
Estes novos Sport Force+ proporcionam maior De aplicação fácil por deslizamento sobre
durabilidade graças à nova tecnologia adotada a bota, estas proteções conferem ainda
na composição dos pneus da Mitas e a elevada uma fixação elástica ajustável por
estabilidade, aderência e controlo da moto em uma fivela junto ao tornozelo.
viagem garantem o maior prazer de condução Disponível em quatro
aos utilizadores. tamanhos: S (39-41),
M (41-43), L (44-
47) e XL (48-50).

+44 timento/colocação a fazer-se de forma
totalmente automática, não demorando
BMW Em época de Reis, Francisco Cruz mais que 20 segundos, além de podendo
agarrámos naquele [email protected] ser feita com o carro a velocidades até
» 218I CABRIO LUXURY que seria um ‘presente’ 50 km/h.
muito especial e fomos Exibindo exteriormente todos Garantia igualmente de ótima estanqui-
PARA TODAS AS ESTAÇÕES para a estrada com os predicados já conhecidos da cidade e até insonorização, como única
o BMW 218i Cabrio. nova família Série 2, a começar crítica, só mesmo a forma como condi-
Proposta em que, mais nas linhas, dimensões e porme- ciona a capacidade da bagageira, quan-
do que o tricilíndrico nores estéticos, a verdade é que do recolhida. Fazendo com que, de uma
o renovado BMW Série 2 Cabrio capacidade de carga inicial de 335 litros
a gasolina de 136 poucas diferenças apresenta, em termos (mais que, por exemplo, num A3 Cabrio),
cv ou até mesmo a estéticos, face aos restantes irmãos. A fiquemos reduzidos a não mais que uns
meteorologia, são não ser, no óbvio - a capota. De lona, com meros 280 litros, num espaço que já tem
duas camadas, e com o sistema de reba- acesso alto e um pouco apertado, está
as necessidades mal iluminado e nem sequer consegue
familiares que beneficiar do facto das costas dos bancos
traseiros rebaterem praticamente na ho-
limitações impõem! rizontal. Uma vez que a transposição da
bagageira para o habitáculo é feita através
de uma espécie de janela apertada!
Mas se a bagageira impõe limitações ao
transporte de mais do que um ‘pendu-
ra’, os lugares traseiros, agudizam-nas!
Juntando a uma acessibilidade e, espe-
cialmente, processo de saída, nada fácil,
uma habitabilidade em que é notória a
falta espaço para pernas e pés; em que as
laterais são demasiado intrusivas, e em
que até os assentos demasiado baixos
obrigam a viajar numa posição pouco
confortável, com os joelhos mais altos
que as ancas. Isto, sem esquecer a maior
limitação: atrás, só cabem dois, já que, a
separar os dois assentos laterais, está
uma prateleira em plástico.
Bem melhor, sem dúvida, o panorama nos
lugares dianteiros, com o acesso baixo a
ser compensado por uma ótima habita-

FT/ F I C H A T É C N I C A POSIÇÃO DE CONDUÇÃO /FUNC.
CAPOTA /EQUILÍBRIO DO CONJUNTO
1.5 / 136 CV
CONSUMOS / ACESSO LUGARES
GASOLINA TRASEIROS / BAGAGEIRA COM CAPOTA
RECOLHIDA
9,4 S
MOTOR 3 CIL. EM LINHA, INJEÇÃO DIRETA,
0-100 KM/H TURBOCOMPRESSOR E INTERCOOLER, 1499 CM3
POTÊNCIA MÁX. 136 CV / 4400 RPM BINÁRIO
5,5 L MÁX. 220 NM / 1250-4300 RPM TRANSMISSÃO
TRASEIRA, COM CX. MANUAL DE 6 VEL. SUSPENSÃO
100 KM TIPO MCPHERSON COM MOLAS HELICOIDAIS À
FRENTE E MULTI-LINK COM MOLAS HELICOIDAIS
129 ATRÁS TRAVÕES DV/D VELOCIDADE. MÁX. 243 KM/H
PESO 1575 KG MALA 335 L (280 LITROS COM TETO
G/KM- CO2 RECOLHIDO) DEPÓSITO 52 L

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bilidade, acrescida das ótimas sensações >> autosport.pt/automais
transmitidas pela qualidade na constru-
ção e materiais, pela excelente ergonomia 45
e pela funcionalidade proporcionada pelos
vários espaços de arrumação. dose de desenvoltura, ainda que a exigir
Já quanto ao condutor, certamente apre- médias nos consumos de 8,0 l/100 km. E,
ciará a já proverbial ótima posição de con- isto, mesmo com modo “Eco Pro” quase
dução que a maioria dos BMW tende a sempre selecionado.
oferecer, neste caso, graças um volante Melhor, sem sombra de dúvida, aqueles
de ótima pega e um banco desportivo que são, no fundo, os principais atributos
(414,63€) com bons apoios laterais e de qualquer Série 2, Cabrio inclusive, com
idêntico apoio lombar (195,12€), ambos especial destaque para as qualidades
multireguláveis. O último, a pecar apenas dinâmicas do chassis, a excelente dis-
na oferta de uma visibilidade traseira, tribuição de pesos (melhor, inclusive,
pelo menos, aceitável - algo só garanti- que no Série 1!), a firmeza e feeling da
do através da inclusão dos sensores de suspensão, além do peso e tato da di-
estacionamento traseiros (e dianteiros), reção. Sem esquecer as sensações de
disponíveis apenas como opcionais ou condução que só um verdadeiro tração
então enquanto parte do nível de equi- traseira consegue transmitir. E que, no
pamento Line Luxury (2.430,89€), que o caso deste BMW 218i, também elas aju-
‘nosso’ carro ostentava. Porque a verdade dam a fazer deste Cabrio uma proposta
é que, nem mesmo nestas gamas mais para todas as estações.
baixas, a política da marca bávara, quanto
ao equipamento disponibilizado com a
versão base, mostra quaisquer alterações
- é o mínimo, e já chega!
Disponível no mercado nacional com três
motorizações a gasolina (preços a partir
de 39.079€) e três a gasóleo (preços a
começarem nos 46.659€), o Série 2 Cabrio
que tivemos oportunidade de testar exibia
o mais pequeno dos blocos a gasolina
- um três cilindros com injeção direta,
turbocompressor e intercooler, a anunciar
uma potência máxima de 136 cv e um
binário de 220 Nm, que, graças também
à agradabilidade da caixa manual de seis
velocidades, acaba conseguindo exibir-se
em plano agradável, oferecendo uma boa

+

OPEL

» INSIGNIA GRAND SPORT1.5TURBO INNOVATION

MAIS E MELHOR

Quando nasceu em 2008 o Insignia afastou-se
por completo do ‘velhinho’ Vectra, e o pulo que esta
nova versão deu é igualmente significativo. E depois do
sucesso que o levou a ser Carro Europeu do Ano 2009,
a responsabilidade deste modelo é grande. Mas
também o são os seus argumentos...
José Luís Abreu [email protected]

EstenovoOpelInsigniarenovou-se nem sequer falta o ‘head up display’ nos o enorme Insignia. As recuperações são ‘brincarmos’ com as qualidades dinâ-
para continuar a dar forte luta sistemas de assistência à condução. muito boas e compreende-se que a caixa micas do carro. É fácil de conduzir, mas
a carros como, por exemplo, o Mais baixo 29 milímetros, com vias alar- de velocidades seja longa, pois este é cla- não perdoa abusos com facilidade, tem
Volkswagen Passat e o Skoda gadas em 11 mm e a distância entre eixos ramente um carro para longas viagens. Se boa estabilidade direcional e reage bem
Superb. Assim de repente, à pri- aumentada em 92 mm, está agora mais levarmos o Insignia aos limites do motor, a rápidas mudanças de direção.
meira vista, é um grande carro. esguio. Não é um ‘coupé’, mas não anda este não se ‘envergonhará’. Dentro do Em curva, tem um comportamento neu-
Grande não só por ter agora mais espaço lá longe. No interior este é claramente o contexto, é um excelente motor. tro. A direção é precisa e ‘joga’ muito bem
para os passageiros, mas fundamental- melhor habitáculo de sempre na Opel. Os A caixa de velocidades é boa, muito sua- com o eixo dianteiro do carro e a sensação
mente porque se quisermos ser racionais passageiros de trás têm mais 2,5 cm para ve, mesmo com trocas rápidas quando com que ficamos é que tudo se passa
e olhar com atenção para este modelo, é acomodar as pernas e este era um ponto testamos o modelo com um ritmo mais mais lentamente do que na realidade, pois
certo que vamos pagar bem menos que em que o Insignia anterior não brilhava. elevado, mostrou-se sempre precisa, mas o carro é muito suave, não nos devolve
por um BMW ou um Mercedes equiva- quem o adquirir tem que levar em conta nada de muito brusco, parece que o que
lentes, e ainda ter mais potência. O topo MOTOR que se for andar maioritariamente em estamos a fazer é feito a uma velocidade
de gama da Opel afigura-se uma boa al- percursos sinuosos não desfrutará tanto, bem menor.
ternativa aos modelos ‘premium’. Bom, Este Insignia vem equipado com o motor já que a caixa é longa. Se for para fazer Em jeito de conclusão, este novo Insignia
mas não há bela sem senão... 1.5 litros turbo de 165 cv, que é silencioso, essencialmente estrada, maravilha. tem argumentos para, pelo menos, dar
Com preços a partir de 28.680€ este muito suave na sua utilização e modera- Conseguem-se médias à volta dos sequência ao sucesso do seu irmão mais
novo Insignia Grand Sport foi renovado damente económico, se a nossa condução 7.2l/100 km, sem grandes preocupações velho. Foi bom o trabalho feito pelos ale-
em toda a linha, os engenheiros da Opel for focada no menor gasto possível de na condução, e depois de repor o ‘contador’ mães, quer seja na estética ou no espaço
baixaram-lhe o peso em cerca de 175 kg combustível, ou seja, temos lá os 165cv, a zeros, fiz 100 km como a minha avó, e aí que melhorou um bom bocado. A qualida-
e apresenta-se elegante como nunca. mas somos nós que temos que entrar desci o consumo absoluto para 6,7l/100 de de construção não mudou muito, mas é
Outra coisa que me seduziu é o bem estar em modo ‘Ecotec’. Se o consumo não for km. Por outro lado, cheguei aos 9l/100 km um forte argumento da marca. Também o
a bordo. Claro que, para quem já conhece uma preocupação, e quisermos sempre quando a condução foi feita para testar as comportamento como o conforto do carro
a Opel, é ‘duro’, mas é bastante funcional andar a explorar tudo o que de melhor valias do carro. melhoraram face ao modelo anterior, e no
e tem espaço para dar e vender no habi- tem o motor, então digo-lhe que o binário Apesar do tamanho, este Insignia é ágil e caso específico deste motor, 1.5 turbo, é
táculo e também na bagageira. De resto, é excelente, e desde muito cedo o motor este motor é mais do que suficiente para muito interessante no contexto.
tem força para mover com grande ritmo

>> autosport.pt/automais

47

FT/ F I C H A T É C N I C A

1.5 / 165 CV

GASOLINA

8,9 S

0-100 KM/H

5,7 L / 7,1 L (AUTOSPORT)

100 KM

130

G/KM- CO2

34 380€

PREÇO BASE

ESPAÇO / CONFORTO / ILUMINAÇÃO

CONSUMO / CAIXA DE VELOCIDADES
LONGA

MOTOR 4 CIL. EM LINHA, INJEÇÃO DIRETA
E TURBO, 1490 CM3 POTÊNCIA MÁX. 165
CV / 2000-4500 RPM BINÁRIO MÁX. 250
NM / 2000-4100 RPM TRANSMISSÃO
TRAÇÃO DIANTEIRA, CAIXA MANUAL DE 6
VEL. SUSPENSÃO INDEPENDENTE TIPO
MCPHERSON À FRENTE E INDEPENDENTE
MULTIBRAÇOS ATRÁS TRAVÕES DV/D
VELOCIDADE MÁX. 222 KM/H
PESO 1440 KG MALA 490 L / 1450 L
DEPÓSITO 62L

E/ Dando cumprimento ao estabelecido no n° mais importantes provas de desporto au- leitores uma informação atual, rigorosa abordagem e de análise dos factos noti-
1 do artigo 17° da Lei 2/99, de 13 de Janeiro, tomóvel disputadas em território nacional e de qualidade, opinando sobre tudo o ciosos, com total abertura à interatividade
ESTATUTO Lei da Imprensa, publica-se o Estatuto e no estrangeiro, relata acontecimentos que se passa na área do automóvel e dos com a sua comunidade de leitores. 4. O
EDITORIAL Editorial da publicação periódica AutoSport: ligados à competição automóvel, bem como automobilistas, numa perspetiva plural, re- AutoSport pratica um jornalismo pautado
1. O AutoSport é um semanário dedicado temas que versam o automóvel como bem cusando o sensacionalismo e respeitando pela isenção, sem comprometimentos
ao automóvel e aos automobilistas, nas de consumo, tanto na área industrial como a esfera da privacidade dos cidadãos. 3. ou enfeudamentos, tendo apenas como
suas mais distintas vertentes: desporto e comercial. O AutoSport pauta as suas opções edito- pressuposto editorial facultar a melhor
competição, comércio, indústria, segurança 2. O AutoSport está comprometido com riais por critérios de atualidade, interesse informação e a melhor formação aos seus
e problemática rodoviária. O AutoSport o exercício de um jornalismo formativo e informativo e qualidade, procurando apre- leitores, seguindo sempre as mais elemen-
edita, semanalmente, conteúdos sobre as informativo e procura oferecer aos seus sentar aos seus leitores a mais completa tares normas deontológicas.

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