O PESCADOR E O CAMELO MÁGICO
Por: Rafaella de Pietro Fratti
Há séculos, em um vilarejo perto do Mar Vermelho, morava um pescador chamado
Azain, ele era bem forte, tinha cabelo preto, olhos verdes e barba grande. Azain tinha um
filho chamado Safin, um menino rebelde que não respeitava os pais. Ele tinha 12 anos,
cabelos pretos e lisos e olhos castanhos.
Um belo dia, o pescador foi comprar iscas, pois iria sair para pescar em seu barco e
resolveu levar o seu filho junto. Quando estavam no caminho da loja de pesca,
encontraram Lamar, um velho pescador que também estava indo pescar. Lamar tinha
cabelos brancos, pele muito clara e olhos azuis escuros. Então Azain falou para Lamar:
- Oi Lamar, vc gostaria de ir pescar conosco?
O velho pescador, Lamar, respondeu :
- Claro! Eu só irei pegar um casaco.
Azain ficou esperando Lamar buscar a blusa, mas quando Azain se virou, não viu
mais Safin, que saiu correndo em direção a cidade. No mesmo instante, Azain saiu à
procura de seu filho. Após muita procura, resolveu entrar em uma peixaria, entrou e
perguntou ao vendedor de peixes se havia visto um menino de cabelos negros e lisos. Ao
invés de responder a Azain, o peixeiro somente falou:
- Esse peixe é mágico, diz a lenda que ele faz milagres!
O Azain não deu muita atenção ao vendedor de peixes e voltou para sua casa, na
esperança de que seu filho tivesse retornado, mas ao chegar lá, encontrou somente Lamar
pronto para a pesca. Nessa hora, os dois já muito preocupados, voltaram para cidade em
busca do menino arteiro.
Ao passar novamente na frente da peixaria, Azain comentou com seu companheiro de
pesca Lamar, que naquele local contavam uma história de um peixe mágico, mas Lamar
zombou de Azain, afinal de contas, eles nunca tinham escutado falar nesse tal peixe
mágico.
Mas, mesmo assim, resolveram arriscar e comprar esse ‘’mago dos mares’’, pois
estavam desesperados atrás do moleque e a esperança agora, era que a magia do peixe,
pudesse trazer Safin de volta aos braços do pai.
Ao sair da peixaria com o dito cujo na mão, Azain, sem querer, derrubou o peixe no
chão, mas para seu espanto, o peixe começou a flutuar em direção ao Mar Vermelho e os
dois, Azain e Lamar, mais do que depressa, seguiram aquele bicho esquisito flutuante.
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E então, aurora alcançou Sherazade e ela parou de falar. O rei, muito curioso com o
final da história, pediu para que Sherazade continuasse, mas ela prometeu que somente a
noite do dia seguinte terminaria de contar o final desse suspense emocionante.
Na noite seguinte, Sherazade continuou.
Exausto, Lamar parou de perseguir o peixe, mas Azain esperançoso em encontrar
seu filho, continuou a perseguição até o Mar Vermelho. Chegando lá, avistou Safin se
afogando. Ao ver seu filho em apuros, foi correndo pular no mar para salvá-lo, mas neste
dia, o mar estava muito perigoso, cheio de ondas e puxando tudo para longe da areia. Em
poucos minutos, pai e filho estavam em perigo e se afogando, mas, de repente, um milagre
aconteceu. O peixe mágico se transformou em um enorme golfinho que nadou em direção
para salvá-los, os dois se agarraram ao lindo golfinho que os levou para a areia e depois
sumiu em alto mar, para nunca mais voltar. A partir deste dia, Safim passou a ser um
menino honrado, dando muito gosto e orgulho para seus pais.
Daquele dia em diante, começou a lenda das histórias dos pescadores.
‘’Na próxima noite irei te contar-lhe algo mais espantoso e admirável que isso’’ -
disse Sherazade.
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OS VENDEDORES DE TÂMARAS
Por: Rafaella Suhadolnik de Almeida Garcia
Há muito tempo, na Turquia, moravam dois grandes plantadores de tâmaras.
Sultão, o grande rei, decidiu fazer um concurso para comprar as melhores tâmaras
que existiam na Turquia.
Os plantadores de tâmaras, Yasim e Yamim, começaram a disputar quem
conseguisse ser o escolhido do rei. Yasim, com medo de perder, pediu para seus capangas
colocarem veneno na plantação de Yamim.
No dia seguinte, Yamim acordou e viu toda a sua plantação seca e ficou
desesperado, sem saber o que tinha acontecido. Quando olhou para as tâmaras do Yasim,
descobriu que foi ele, pois as dele estavam belíssimas e então chorou por muito tempo.
Yamim f icou muito furioso e pediu a seus capangas para que matassem Yasim. Eles foram
até a sua casa, no meio da noite e atiraram na casa inteira, mas viram depois que não tinha
ninguém, porque Yasim tinha ido a um supermercado.
Quando Yasim voltou para sua casa, viu que estava destruída com muitos tiros e
ficou morrendo de medo, apavorado. Decidiu então, fugir para Capadócia. Lá, viveu com
muito medo e sozinho. Cansado da vida que estava vivendo, resolveu voltar para pedir
perdão a Yamim.
Retornando para Turquia, viu que Yamim estava super bem, tinha conseguido
vender as tâmaras ao rei e ficou muito rico. Ele, ainda com muito medo, chegou bem
quietinho na casa de Yamim e quando o viu, disse:
- Como ousas voltar a minha casa depois de acabar com a minha plantação?! Tentei
te matar, mas você fugiu.
Yasim, com muito medo respondeu:
- Yamim, peço com todas as minhas forças perdão pelo o que fiz, vivo desde quando
fugi de minhas terras, com a tristeza de ter acabado com sua plantação. Morei durante todo
esse tempo sozinho, passando fome e com medo, mas criei coragem para vir até você te
pedir perdão. Para que confie em mim novamente, trabalharei para você dia e noite em
troca de comida e uma cama para dormir, além de dinheiro para arrumar a minha casa e
vendê- la.
Yamim, bem desconfiado, porém muito bonzinho, aceitou as desculpas de Yasim e
deu um voto de confiança à ele.
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Os tempos passaram, eles se tornaram grandes amigos e os únicos produtores de
tâmaras da Turquia.
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O GÊNIO, OS XEIQUES E O MERCADOR
Por: Sophia Machado Prata
Na noite seguinte, Dinazarde disse à irmã:
- Por Deus, maninha, se não estiver dormindo, conte-nos uma de suas belas
histórias para atravessarmos o serão desta noite.
Sherazade disse - sim - e começou a contar:
A história se passou no deserto, e os personagens são o gênio, os três xeiques e o
mercador. O gênio era o vilão, os xeiques as vítimas, e o mercador o fugitivo.
Quando o mercador e os três xeiques
estavam conversando, depois de um tempo, do
nada uma poeira surgiu e quando eles viram essa
poeira, era um gênio. Ficaram muito assustados
com isso e o gênio, querendo algo, começou a
ameaçar eles que, naquela hora, só pensavam no
que o gênio tinha planejado ou armado fazer com
eles.
Enquanto pensavam nisso, o gênio já
estava pensando em coisas piores para fazer
com eles, porque estava cheio deles, não
aguentava mais eles e nisso os xeiques e o
mercador tomaram coragem e perguntaram:
- O que você pretende fazer com a gente?
O gênio respondeu :
- Não interessa a vocês.
Os xeiques e o mercador disseram :
- Se tem a ver com a gente, interessa sim.
Então, continuaram discutindo por um bom tempo, até que o gênio falou:
- Então vou falar, quero matar vocês!
Ele queria matá-los porque já estava cheio deles.
Nesse momento, o mercador fugiu, então o gênio falou:
- Só sobrou vocês, os xeiques, porque o mercador fugiu.
Neste instante, Sherazade parou de contar a história.
Na noite seguinte, Dinazarde pediu à irmã:
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- Se estiver acordada, nos conte uma de suas belas histórias.
Sherazade disse sim e começou a contar...
Depois do que o gênio falou para eles, os xeiques que só tinham sobrado eles, o
gênio pensou bem e disse:
- Podem ir procurar o mercador.
E eles foram procurar. Procuraram e não acharam, então voltaram e o gênio não
estava mais lá. Então decidiram desistir de procurar e o mercador ficou sumido.
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A PASSAGEM SECRETA
Por: Sophia Silva de Campos Pereira
Disse Sherazade: conta-se, ó rei venturoso, que há muito tempo, nos jardins de um
reino bem distante no Oriente, havia uma passagem secreta que levava ao subterrâneo.
Lá moravam em uma vila, todas as famílias de gênios do Oriente. Eles eram puros e
inteligentes, sempre muito unidos. Eram fortes, altos, tinham cabelo comprido e todos no
reino sabiam que eles tinham o dom de, com seus anéis dourados, realizarem desejos.
Eles tentavam se esconder do rei Kinzam, desde que há muitos e muitos anos,
quando ele ainda era somente uma criança, sem querer, causou um incêndio que provocou
a morte de muitos gênios.
O rei Kinzam era teimoso, egoísta e ambicioso, tinha pele clara e cabelos escuros,
vaidoso, gostava de vestir-se com roupas de tecidos finos e de oferecer grandes festas,
onde fazia questão de servir rebuscados pratos típicos do Oriente e as mais doces frutas
secas que seu dinheiro pudesse comprar.
O rei vivia com sua esposa, a rainha Yasmim, e seus dois filhos, a mais velha,
princesa Samira, e o príncipe Eliah, que ainda era um bebê.
Em uma tarde ensolarada, enquanto o rei passeava a cavalo ao redor de seu
palácio, encontrara pelo caminho, um gênio, que, pela primeira vez, havia deixado o lugar
onde morava com os demais gênios para conhecer o que havia além do seu mundo. O rei,
ao avistá-lo, resolveu pedir a ele, barras de ouro para aumentar ainda mais sua fortuna e o
gênio logo respondeu:
- Claro, tudo para Vossa Majestade!
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Pois sabia que havia uma lei muito antiga que o obrigava a obedecê-lo. Então, o
gênio tirou seu anel dourado do dedo, mentalizou o pedido do rei e as barras de ouro
surgiram.
O rei Kinzam, que há tanto tempo não convivia com um gênio, com medo de nunca
mais ter outra oportunidade como essa, pensou rapidamente se deixaria ou não o gênio ir
embora dali, e achou melhor mandar seus guardas aprisionarem o gênio no porão do
palácio.
No dia seguinte, o rei ordenou para que buscassem o gênio e assim que o viu, pediu
a ele muitas pedras preciosas. O gênio, a contragosto, respondeu:
- Claro, tudo para Vossa Majestade!
E, em pouco tempo, o castelo estava cercado das mais variadas pedras preciosas.
Maravilhado por ter seus desejos realizados novamente, o rei resolveu pedir ao gênio a
mais rara flor da Pérsia que estivesse plantada nos jardins do palácio, para presentear a
rainha e lhe disse que dessa vez iria ajudá-lo a encontrá-la, e o gênio respondeu:
- Claro, tudo para Vossa Majestade, mas não sei como o rei poderia me ajudar.
E o rei, depois de dizer que fazia questão de ir junto com o gênio em busca da flor,
pois na verdade, sua intenção era descobrir como o gênio realizava os seus desejos, eles
foram transportados pelo gênio para o jardim real.
O rei, ao se ver do lado de fora do palácio, fingia procurar ali e prestava atenção em
todo movimento que o gênio fazia, até que o rei viu um buraco, debaixo de alguns galhos
secos, que pareciam terem sido colocados ali de propósito, e então perguntou ao gênio:
- Diga-me, gênio, o que há dentro deste buraco?
Então, a aurora alcançou Sherazade e ela parou de falar. Mas o sultão, curioso pela
continuação da história, exclamou:
- Sherazade, como é cativante e peculiar a sua história, volte a contá-la para mim
agora mesmo!
O dia já havia clareado totalmente, viam-se os raios de sol refletidos em seus rostos,
já não sentiam mais sono, então Sherazade deixou-se levar pela curiosidade que estava
aguçando o Sultão e disse:
- Ó rei venturoso, soube que o gênio respondeu o seguinte argumento: ‘’Não sei,
Vossa Majestade, mas estou vendo daqui uma flor da mais bela espécie, logo ali, do outro
lado do chafariz. Vou trazê-la para ver se é do vosso agrado’’ E imediatamente pediu ajuda,
em pensamento, à Alá, para que o rei saísse de perto do buraco. Porém, o rei Kinzam,
intrigado, pulou no buraco antes que o gênio pudesse fazer algo e acabou atravessando a
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passagem secreta e indo parar na vila dos gênios. O gênio não teve outra alternativa, a não
ser seguí-lo.
Acostumado a ter todo o poder para si, e seus pedidos tidos como ordens, o rei
disse em alto e bom som:
- Não sabia que moravam escondidos debaixo de meu jardim, sem a minha
autorização, mas agora que sei, vocês terão de voltar a cumprir minhas ordens e quem não
o fizer, terá como punição, a morte.
Os gênios ficaram apreensivos com toda aquela situação inesperada, mas nada
puderam fazer de imediato, porque sabiam que o rei não abriria mão de fazer valer a lei e
cumprir a ameaça que fizera.
Enquanto o rei estava distraído, dando mil e uma ordens a alguns gênios, Said, o
gênio mais velho de todos eles, discretamente resolveu chamar alguns dos seus para
discutirem e tentarem encontrar um meio de sair daquela situação. Foi quando um dos
gênios disse:
- Temos que ter um bom plano para que tudo isso acabe, já que o rei nunca soube
pedir algo para o bem de seu povo e sim, somente para ele e os seus, e só quer nos
escravizar!
- Já sei! - exclamou Said. Que tal se todos nós nos juntássemos e usássemos
nossos anéis para fazer uma corrente muito forte e mandássemos o rei para bem longe
daqui?
Sherazade então afirmou:
- Meu senhor, com muito gosto, honra e orgulho, hoje a noite irei contar-lhe algo
muito mais emocionante.
E naquela noite, Sherazade dirigiu-se aos aposentos do Sultão, onde ele já estava a
sua espera e continuou a contar a história:
A ideia de Said foi espalhada entre os gênios por toda a vila. Para que o plano desse
certo, todos os gênios haveriam de se juntar e unir os poderes de seus anéis mágicos,
formando uma forte corrente em torno do rei Kinzam, para expulsá-lo de lá e de suas vidas
naquele momento. E assim foi feito. Eles prometeram, uns aos outros, de que para
manterem a paz e a ordem na vila onde moravam e o rei bem longe do acesso a eles,
nunca mais nenhum deles iria sair dali e que fechariam de vez a passagem secreta, que
dava acesso ao jardins do palácio.
Felizmente, o gênio que havia sido aprisionado pelo rei, conseguiu conhecer a vista
fora da vila, mesmo que por pouco tempo, já que logo encontrou o rei e foi aprisionado por
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ele. E se não fosse o rei ter pulado no buraco, sabe-se lá por mais quanto tempo o pobre
gênio teria sido mantido afastado dos seus, e se conseguiria retornar à vila.
Soube-se que, depois daquele dia, que foi expulso da vila, até hoje, o rei Kinzam,
nunca mais encontrou um gênio para satisfazer os seus desejos e nem uma outra
passagem para a vila.
Os gênios esperam que o rei tenha aprendido a lição. Afinal, se ele tivesse
demonstrado ser uma pessoa generosa e bondosa, ao invés de ganancioso e cruel, já que
havia uma lei que garantia que os gênios tinham de obedecê-lo, talvez um dia os gênios
considerassem perdoá-lo pelos erros do passado e voltassem a conviver com o rei.
Ó rei venturoso, você não imagina a próxima história que irei lhe contar, se o rei me
preservar e não me matar...
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Autores
Beatriz Caldana Perrella
Felipe de Melo Ribeiro
Gabrielle Fernandes Nakano
Guilherme Kalil Muradi Baptista
Isabella Ferreira Silva
Larissa Trevisan Leandrini
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Leonardo Seraphim de Arruda
Letícia Pires Spinelli
Lucas Santana Ferrarese
Lucca Marcandali Issa
Luíza Gomes Albernas
Manuela Spanholeto Anversa Barbosa
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Milena Rocha Palácio
Mirela Pardi Garbelotto Belli
Murilo de Souza Castaldello
Naômi Costa Moraes
Pedro Henrique Mattos Rodrigues
Pedro Wosniak Prado
Rafaella de Pietro Fratti
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Rafaella Suhadolnik de Almeida Garcia
Sophia Machado Prata
Sophia Silva de Campos Pereira
5º ano D - 2020
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Ficha técnica
Escola Villare
Ensino Fundamental
Direção: Lígia Colonhesi Berenguel
Coordenação Pedagógica: V ivian Munhoz e Talita Rafaela Calvo Garcia
Professora: P atrícia Arevalo
Professora auxiliar: Larissa Gimenes
Desenho da capa: L arissa Trevisan Leandrini
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