35 Fraternidade e Amizade Social Campanha da Fraternidade 2024 “Vós sois todos irmãos e irmãs!” (cf. Mt 23,8)
1 Movimento Boa Nova Fraternidade e Amizade Social: estudo dirigido “Vós sois todos irmãos e irmãs!” (cf. Mt 23,8) Campanha da Fraternidade 2024 Dom Cavati - 2023
2 Ficha Técnica: Autoria: Denilson Mariano e João Resende Diagramação: Denilson Mariano Revisão: Denilson Mariano Imagens: Reprodução Capa: CF 2024 / CNBB Impressão: Gráfica KOLORO-BH ISBN: 978-65-00-85920-1 Siglas utilizadas: CF – Campanha da Fraternidade CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil FT – Carta do Papa Francisco Fratelli Tutti, sobre a Amizade Social TB – Texto Base da CF 2024 publicado pela CNBB CDSI – Compêndio de Doutrina Social da Igreja MOBON Rua Santa Maria, 346 - Serapião II Dom Cavati - MG Fone: (33) 3357-1348 WhatsApp (31) 99310-7930 Visite nossso site: www.mobon.org.br
3 Apresentação A cada ano a Igreja do Brasil nos propõe uma Campanha da Fraternidade (CF) como motivação para uma caminhada penitencial e de sincera conversão. A Igreja nos leva a contemplar o rosto do Cristo sofredor em realidades concretas que desafiam o nosso ser cristão no mundo de hoje. Neste ano, a Igreja nos propõe o tema: “Fraternidade e Amizade Social”. Se Deus nos criou à sua imagem e semelhança e se com a vinda de Jesus, todos fomos feitos filhos e filhas de Deus, temos de viver como irmãos e irmãs de todos. Somos chamados a alargar nossa fraternidade. Chamados a uma verdadeira Amizade Social. Movidos pelo lema: “vós sois todos irmãos e irmãs” (Mt 23,8), devemos abrir os braços, a mente e o coração para reconhecer as pessoas como nossos irmãos e irmãs. Esse é o caminho de conversão para uma sociedade mais justa, humana, fraterna e solidária. Esse tema da CF 2024 retoma o Ensino Social da Igreja, sobretudo a Carta do Papa Francisco Fratelli Tutti, (“Todos irmãos”) que trata da Amizade Social. É uma oportunidade de passarmos da reflexão para a prática, de demonstrar nossa
4 fé e nosso amor cristão em atitudes concretas de aproximação, superação dos preconceitos e discriminação, sinalizando a presença do Reino de Deus no meio de nós. É nosso desejo que cada paróquia, cada comunidade, cada batizado(a) se empenhe em abraçar essa CF 2024 sobre a Amizade Social. “Somos todos irmãos e irmãs!” Que possamos nos motivar para a participação nos cursos, encontros e reflexões que aprofundam o conteúdo desta Campanha, a fim de avançarmos na construção de uma sociedade mais humanizada, vencendo o ódio, a violência, a inimizade. O Cristo sofredor, cujo rosto pode ser visto nas vítimas da violência, da fome, do preconceito nos chama à conversão, à transformação de nossa sociedade. Como uma Igreja Sinodal, num grande mutirão pela Amizade Social, caminhemos juntos a serviço da fraternidade. Maria, mãe das dores, permanecia de pé aos pés da cruz, manifestando a sua fé na ressurreição, na vida, no amor que vence a morte, o ódio e a dor. Por intercessão da Virgem Mãe, Deus abençoe a todo vocês e a seus familiares, em nome do † Pai, e do † Filho e do † Espírito Santo. Amém. Caratinga, 10 de novembro de 2023. + Dom Emanuel Messias de Oliveira Bispo Diocesano de Caratinga
5 Introdução: A origem da Campanha da Fraternidade (CF) se dá no período de realização do Concílio Vaticano II. Desde às suas origens, há 60 anos, a CF é uma ação evangelizadora da Igreja do Brasil, uma expressão de unidade e de Pastoral de Conjunto. A CF é uma Campanha de Evangelização para atingir a consciência e a vida dos cristãos, fazendo- -lhes retornar ao coração do Evangelho. A cada Quaresma, a CF nos faz atualizar o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, contemplado em uma realidade ou situação, que nos chama à conversão. Somos chamados a contemplar o rosto de Cristo crucificado no rosto dos sofredores de hoje. A CF une as exigências de conversão: penitência, oração, jejum e esmola diante de uma situação relevante que precisa ser iluminada, transformada pelo Evangelho, levando-nos a uma conversão da mente, do coração e das ações. A CF é o “modo brasileiro de celebrar a Quaresma”, buscando uma conversão pessoal, comunitária e social. Ela não esgota a Quaresma, mas aponta uma urgência de conversão para toda a Igreja. Por isso ela é aberta a todos os cristãos e às pessoas de boa vontade. Com esse Tema: Fraternidade e Amizade Social e com o Lema: “Vós sois todos irmãos e irmãs”
6 (Mt 23,8), queremos fazer um caminho de conversão quaresmal em três direções: 1. VER as situações de inimizade que geram divisões, violência e destroem a dignidade dos filhos e filhas de Deus. 2. Deixar-nos ILUMINAR pelo Evangelho que nos une como família e resgata o sentido das relações humanas baseados no respeito e na reciprocidade do bem comum. 3. AGIR conforme a proposta quaresmal, em que nos esforçamos para uma mudança, não só pessoal, mas “alargando a tenda” (cf. Is 54,2), para transformações comunitárias e sociais, na busca de uma sociedade amiga, justa, fraterna e solidária. Para isso teremos sempre presente o OBJETIVO GERAL desta CF 2024: DESPERTAR para o valor e a beleza da fraternidade humana, promovendo e fortalecendo os vínculos da amizade social, para que, em Jesus Cristo, a paz seja realidade entre todas as pessoas e povos (TB p.7). E, se “o melhor lugar do mundo é dentro de um abraço” (Jota Quest), esta CF nos leva a alargar os nossos braços, nossa fraternidade, para uma Amizade Social. Assim poderemos celebrar bem a ressurreição do Senhor, como verdadeira Páscoa, passagem de uma situação de menor fraternidade para uma situação de maior fraternidade e solidariedade como testemunhada por Jesus e anunciada como prática de vida para todos os cristãos.
7 1º Encontro: Quanto vale um ser humano? (Ver) Chave de Leitura: Gênesis 4,1-16. 1. Como Caim foi acolhido por sua mãe? 2. O que Deus pergunta a Caim? 3. Como Deus pune a Caim pelo mal praticado? 4. O que este texto diz para nossa sociedade hoje? Qual o valor, o preço, a importância da vida humana? Essa pergunta atravessa a história da humanidade até nossos dias. No texto bíblico, apesar de os irmãos terem sido gerados com a ajuda, a bênção e a proteção de Deus, isso não impediu que um se levantasse e tirasse a vida
8 do outro. Abel nada tinha feito contra seu irmão. Mas Caim, que já não agia bem, fica irado ao ver que Deus recusa sua oferta e acolhe a oferenda de Abel. Caim é expressão da violência, do ódio, do rancor que toma conta das pessoas e explode em violência, fazendo romper a fraternidade planejada e querida por Deus. Por sua vez, Deus é sensível ao sofrimento de seus filhos, o sangue dos inocentes clama a Deus e Ele vem em socorro dos sofredores. Ao mesmo tempo, Deus questiona os que estão tomados pelo desejo de morte: “Onde está o seu irmão?” [...] “Ouço o sangue do seu irmão clamando da terra por mim.” (Gn 4,9-10). Mais ainda, Deus pune os que praticam a maldade, mas não os pune com a morte. Ele coloca um sinal em Caim para que este não seja morto (cf. Gn 4,15). O autor da vida preserva a vida de todos, acredita na remissão de todos os seus filhos e filhas. Deus aponta novamente o caminho da necessária Amizade Social. Como nos recorda o Papa Francisco: somos chamados a “superar as inimizades e a cuidar uns dos outros” (FT, 57). Caim deixa um contra testemunho ao projeto de Deus que é a fraternidade. Ele inaugura a inimizade social. Para Caim e seus continuadores, a vida humana, a vida do outro, não tem valor. “O fratricídio começa quando Caim não é capaz de se alegrar com a alegria do irmão. Sua expressão mais radical é o assassinato, mas a mais sutil e
9 mais vil é a indiferença. Após a atitude de matar, o coração de Caim se exime, inclusive, da dor ou da culpa. Ele extirpa o irmão do mundo porque antes já o eliminara do próprio coração” (TB 97). O relato bíblico deixa claro que somos todos irmãos e irmãs, criados para viver no mundo cheio das maravilhas que Deus deixou para toda a humanidade. O projeto de Deus é a fraternidade universal, mas nosso agir enfraquecido pelo pecado nos leva à quebra da fraternidade. Somos todos irmãos e irmãs, partilhamos da mesma dignidade de filhos e filhas de Deus. “O outro é sempre um irmão, uma irmã que precisamos acolher, conhecer e apreciar” (TB 29). Para Deus a vida humana é preciosa, “toda vida importa”. Somos chamados a uma igualdade fundamental, temos uma “alma racional”, somos capazes de pensar, de decidir, de fazer escolhas, com liberdade, esse é o dom maior de Deus. Por isso, somos também diferentes, pensamos diferentes, fazemos escolhas diferentes... e isso é uma riqueza! Nossas diferenças, nossa pluralidade nos enriquecem e nos complementam. Às vezes, somos divergentes! Pensamos diferente, rezamos diferente... E há pessoas que são até oponentes! O problema maior está no fechamento, no pecado que nos distancia de Deus e leva a enxergar as diferenças, divergências e oposições como características dos inimigos a serem abatidos.
10 E a solução não é o pensamento único. Não é a eliminação do diferente, não é agressão aos nossos irmãos. Temos de vencer a síndrome de Caim, que não raro é incentivada como um esquema social destinado a nos dividir para nos dominar com maior facilidade. Um dos objetivos específicos desta CF 2024 é (1) “ANALISAR as diversas formas da mentalidade de indiferença, divisão e confronto em nossos dias e suas consequências para toda a humanidade, inclusive na dimensão religiosa” (TB p.7). O Texto base da CF 2024 nos lembra: “Em nossos dias, observamos diversas situações que muito nos angustiam. Encontramos, por exemplo, assédio moral e sexual, defesa do aborto, devastação ambiental, feminicídios, bullying, intolerância religiosa, algumas vezes com perseguição e destruição, tráfico de drogas, tráfico de pessoas, apologias ao armamentismo, situações análogas à escravidão, discurso de ódio, corrupção e fome, esta última, tema da Campanha da Fraternidade de 2023” (TB 32). O Papa Francisco nos alerta, para o fato de que vivemos a “terceira guerra mundial em pedaços”. Já não valorizarmos a vida das pessoas. Vivemos uma “globalização da indiferença” (EG 54), as dores de tantos seres humanos já não despertam preocupação em nós. Mesmo diante da guerra, muitos permanecem insensíveis e ainda usam as redes sociais para fazer chacotas com quem sofre
11 violência. O nosso lugar, nossa casa, bairro, cidade, sem paz é sinal que foi rompida a unidade entre Deus e a humanidade. A história está marcada pela violência, pelas divisões e por derramamento de sangue; (Caim X Abel). Chegamos a uma época em que a não-fraternidade, a inimizade social se tornou o jeito de viver para boa parcela de pessoas, de grupos, de gangs e se espalha em meio à sociedade. A “Síndrome de Caim” (TB 55-56), chega sorrateiramente e toma conta de muitos, deixando um rastro de devastação, violência, instaurando o medo e a morte. É preciso ter presente que o isolamento e o fechamento nos afastam de Deus. Somos desafiados a recuperar o valor da vida humana e da vida no planeta. A vida é dom maior, mais precioso. APROFUNDAMENTO: O que Deus espera de nós diante da realidade de violência e morte em que vivemos, hoje? Dê exemplos.
12 2º Encontro: O que gera e alimenta a inimizade? (Ver) Chave de Leitura: Lucas 11,37-48. 1. Como Jesus rebate à cobrança do fariseu? 2. Como reage o especialista em leis? 3. Como Jesus se posiciona diante do especialista? 4. Em que este texto ilumina a nossa situação social? O Tempo da Quaresma é um convite à conversão, à volta para Deus. E isso se refere não apenas a gestos exteriores, mas, sobretudo, ao esforço de colocar em prática a vontade de Deus. No texto bíblico, Jesus desmascara a falsidade dos fariseus. Eles eram extremamente observantes de certas práticas religiosas: ritos de purificação, jejum, orações e dízimo. Porém, essas práticas não eram
13 acompanhadas da da justiça e da vivência do amor a Deus e aos irmãos. Pior ainda, seu interior estava “cheio de roubo e maldade” (Lc 11,39). Jesus deixa claro que as práticas religiosas só nos ajudam se nos levam à vivência do amor e da justiça. Em outras palavras, se nos levam a viver como irmãos e a alargar a fraternidade. Sem isso, as práticas religiosas se tornam ritos vazios, sem sentido, sem vida. No texto acima, Jesus enumera cinco “ais” aplicados aos fariseus e mestres da Lei. Cada “ai” tem um peso de denúncia e até condenação, indica um claro afastamento do projeto de Deus (cf. Lc 11,42-48). O modo como aqueles fariseus viviam sua fé convertia os atos religiosos em fachada para esconder práticas injustas e desumanas, entre elas o assassinato dos profetas (Lc 11,47). Nos Evangelhos a imagem predominante de Jesus é a de bom pastor, Ele sempre se mostra sensível aos sofrimentos do povo e profundamente misericordioso. Suas palavras só se tornam duras quando a prática religiosa se distancia do projeto de vida querido por Deus. As práticas devocionais não tem um valor absoluto em si mesmas, elas são instrumentos para nos conduzir ao jeito de ser de Jesus, são ferramentas a nos ajudar a perseverar na busca da justiça do Reino, na vivência da fraternidade tanto na Igreja quanto na sociedade. Por isso a CF 2024, que tem como objetivo específico (2) “COMPREENDER as principais causas da atual mentalidade de oposição e conflito, geradora
14 da incapacidade de ver nas outras pessoas um irmão ou irmã” (TB p.7). O Texto Base da CF 2024 nos aponta que entre as graves causas desta inimizade social está um problema cultural que é a “destruição da coletividade”, o alargar da falsa ideia de que o indivíduo solitário é autossuficiente. O individualismo é o que leva a pessoa a sentir-se superior às demais gerando pessoas violentas, insensíveis, desumanizadas, machistas, homofóbicas, doentias, que não conseguem unir suas práticas religiosas com uma vida coerente ao Evangelho e à prática da justiça. O TB da CF 2024 indica uma lista de atitudes que vão na contramão da Amizade Social às quais se pode aplicar os “ais” de Jesus: “Quem ingressa pelos caminhos da corrupção não vive a fraternidade” (TB 59); “Quem pratica o bullying não vive a fraternidade” (TB 60); E aponta o conjunto das atitudes desumanas, violentas e doentias como a “Síndrome de Caim” um jeito de ser e de viver que “à semelhança de uma praga [...] toma conta de tudo deixando um rastro de devastação e morte” (TB 62). Na contramão desta tendência de morte, com lucidez e espírito profético está o Papa Francisco: “O isolamento e o fechamento em nós mesmos ou nos próprios interesses nunca serão o caminho para voltar a dar esperança e realizar uma renovação, mas é a proximidade, a cultura do encontro. O isolamento, não; a proximidade, sim. Cultura do confronto, não; cultura do encontro, sim” (FT, 64).
15 Há também uma “ideologia da negação” que tenta esconder a violência social, a discriminação, o racismo... um esforço de tornar invisível a inimizade social (TB 66). Para isso semeiam a divisão entre pessoas, grupos, organizações, igrejas, partidos políticos etc. Colocam as pessoas umas contra as outras e fomentam o desejo de eliminar o outro para garantir o bem estar individual ou de um determinado grupo. “Não importa explorar de forma predatória e criminosa a biodiversidade e todo o meio ambiente, pois se crê numa vida que não depende da Terra, nossa Casa Comum, mas única e exclusivamente do dinheiro e do poder” (TB 67). O clima de violência de todos contra todos, essa polarização política, religiosa, cultural, é reflexo de uma sociedade do medo: medo do futuro incerto; medo dos pobres (aporofobia), medo do diferente, medo do outro (alterofobia), “...tudo, enfim, que não seja eu mesmo, acaba por tornar-se desnecessário, ameaçador, destinado à rejeição e até mesmo à extinção” (TB 73). Neste tempo quaresmal, somos chamados à conversão, mudar nossa visão de mundo, nossa mentalidade, mudar nossas atitudes... “É preciso revigorar a consciência de que somos uma única família humana. Não há fronteiras nem barreiras políticas ou sociais que permitam isolar-nos e, por isso mesmo, também não há espaço para a globalização da indiferença” (LS 52) (TB 74).
16 A Igreja do Brasil nos convoca a enfrentar e vencer a tentação de construir muros, pois conversão é construir pontes (TB 75); o remédio para o tratamento desta “pandemia sociocultural” deve ser a amizade social, à luz da fraternidade que nasce do Evangelho (TB 76) Somos chamados a semear as sementes do bem tais como: o Pacto Educativo Global; a Economia de Francisco e Clara; o processo de escuta Sinodal 2021-2024; as Comunidades Eclesiais de Base (cf. TB 84-85). APROFUNDAMENTO: O que temos alimentado mais em nós, em nossas famílias e comunidades: o amor ou ódio? Construímos mais pontes ou muros? Dê exemplos. CNLB 1975 - 2025 Conselho Nacional do Laicato do Brasil Objetivo Geral: Celebrar com júbilo e gratidão a memória e o compromisso do CNLB na caminhada de seus 50 anos, reafirmando, profeticamente, nossa presença na Igreja e na sociedade em busca da Civilização do Amor. Profecia, Testemunho e Memória a Serviço do Reino JUBILEU 50 ANOS CNLB - Itinerário 2023 - 2025
17 3º Encontro: Somos todos irmãos e irmãs (Julgar) Chave de Leitura: Mateus 23,1-12. 1. O que Jesus recomenda em relação aos escribas e fariseus? 2. Qual era o modo de agir dos escribas e fariseus? 3. O que Jesus recomenda aos discípulos e à multidão? 4. Estamos mais parecidos com os escribas e fariseus ou com Jesus? Por que? Neste texto do Evangelho Jesus denuncia a hipocrisia (falsidade) dos doutores da Lei, que pregavam a Palavra, mas não a praticavam; impunham fardos pesados nas costas dos outros,
18 mantinham uma aparência de tremendamente religiosos, mas eram vazios por dentro. Eram muito preocupados em ocupar os primeiros lugares nas práticas religiosas e sociais, mas instrumentalizam a fé para os seus interesses pessoais. Havia uma distância enorme entre o que era anunciado e o que era vivido por eles. Tornaram-se falsos pastores, falsos profetas, pois não uniam palavra e ação, fé e vida, oração e ação. Falavam uma coisa e viviam outra. Por isso, Jesus orienta a seguir o que eles ensinavam, mas não viver como eles viviam. O Texto Base da CF 2024 nos aponta que “a Lei do Senhor jamais deixará de ser caminho de vida, mas a interpretação dos fariseus e dos escribas impõe, em seu nome, indiferença, confronto e conflito: sinônimos da morte” (TB 89). “O que incomoda Jesus é o fato de que, no caso dos escribas e fariseus, suas obras são apenas aparências, e a Palavra de Deus utilizada como mero adereço” (enfeite) (cf. Mt 23,5-6) (TB 90). A Palavra de Deus, a Religião Cristã, a Igreja são apelos à nossa conversão, indicam a necessidade de nos colocarmos no seguimento a Jesus, visam conformar o nosso modo de ser e de viver com a pessoa de Jesus: “Tende entre vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus” (Fl 2,5). Ele é o nosso único e verdadeiro mestre. N´Ele é que nos tornamos irmãos e irmãs e esse é o caminho para a vivência da fraternidade (cf. TB 91, 92, 93).
19 O eixo, o ponto central do projeto do Reino de Deus é a fraternidade: “Todos vós sois irmãos e irmãs” (cf. Mt 23,8); e ainda: “Eis minha mãe e meus irmãos. Todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mt 12,49-50). Somos chamados a viver e testemunhar a fraternidade no mundo. Porém o mal, que penetra e cresce em nossa sociedade, tem suas raízes na quebra da fraternidade. Quando ignoramos o irmão, o pobre, o faminto, o sofredor... nos afastamos de Deus. Por sua vez, quando nos reconciliamos com os irmãos, experimentamos a alegria da reconciliação, a nossa volta para Deus, Ele mesmo vem ao nosso encontro (TB 100). Na parábola do filho pródigo (Lc 15,11-32), o pai reafirma a alegria da volta do filho perdido e o reconduz à dignidade de filho, à plena fraternidade, mas encontra resistência da parte do filho mais velho. A prática da fraternidade exige conversão da mente e do coração. A CF 2024 tem ainda, como objetivo específico, (3) “IDENTIFICAR iniciativas de comunhão, reconciliação e fraternidade, capazes de estimular a cultura do encontro” (TB p.7). O Texto Base nos recorda que “não há santidade no ódio, na indiferença, na exclusão. A santidade só se manifesta na fraternidade, na amizade sem fronteiras, para além dos nossos gostos, afetos e preferências, abrindo-nos ao outro, por mais repugnante que
20 ele nos pareça, como era o leproso para o jovem Francisco de Assis, no processo de sua conversão [...]: “o Senhor concedeu a mim, começar a fazer penitência: porque, como estava em pecados, parecia-me por demais amargo ver os leprosos. E o próprio Senhor me conduziu para o meio deles. E eu fiz misericórdia com eles. E aquilo que me parecia amargo converteu-se para mim em doçura da alma e do corpo” (TB 116). Quando nos reconciliamos com os irmãos, experimentamos a alegria da reconciliação com Deus; A Amizade Social, portanto, é reconstrução de relações que superem a dominação e a exploração. Luther King, mártir da causa da negritude, deixou-nos um testemunho: “A escuridão não pode expulsar a escuridão; apenas a luz pode fazer isso. O ódio não pode expulsar o ódio; só o amor pode fazer isso”. Somos filhos e filhas de Deus, o Batismo nos faz todos iguais em dignidade diante de Deus e da família cristã. Somos vocacionados, chamados à fraternidade, à amizade social. A fraternidade está no coração do Evangelho; O próprio mistério da Trindade nos recorda que somos criados à imagem desta comunhão divina, e que não podemos nos realizar nem salvar sozinhos. “Deus, em Cristo, não redime somente a pessoa individual, mas também as relações sociais entre os homens” (CDSI, 52); “A Palavra de Deus ensina que, no irmão, está o prolongamento permanente da Encarnação
21 para cada um de nós: ‘Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes’ (Mt 25,40). [...] ‘Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso. [...] A medida que usardes com os outros será usada convosco’ (Lc 6,36-38)”. No próprio coração do Evangelho, aparece a vida comunitária e o compromisso com os outros. A ‘saída de si próprio para o irmão’, é um dos dois mandamentos principais. Quem diz que ama a Deus (que não vê) e não ama o irmão, é mentiroso... (cf. EG 177-179) (TB 121). APROFUNDAMENTO: O nosso amor a Deus tem sido confirmado ou negado no encontro com os irmãos mais sofridos? Dê exemplos.
22 4º Encontro: Já não vos chama servos, mas amigos Chave de Leitura: João 15,12-21. 1. Qual é o mandamento de Jesus? 2. Porque Jesus nos chama de amigos? 3. Porque o mundo pode nos odiar? 4. Em que esse texto ilumina a nossa missão? O Evangelho de João deixa claro que só podemos dar fruto se estivermos unidos a Jesus que é a verdadeira videira. Ele é o tronco e nós os galhos, sem Ele não somos nada e precisamos de podas, de conversão, de mudança de mentalidade, do modo de viver para podermos produzir mais. Em seguida
23 o Evangelho nos aponta o caminho dessa nossa ligação com Jesus: a amizade. Ele nos faz seus amigos, - não servos ou empregados -, mas amigos aos quais comunica a Boa Nova do Reino, pelos quais dá Sua vida e nos pede simplesmente que façamos como Ele. Que aprendamos a nos amar uns aos outros, esse é o caminho para que os nossos frutos permaneçam. É aos amigos, que Jesus revela o rosto misericordioso de Deus; Ele convoca seus discípulos e discípulas como amigos para que deem continuidade à Sua missão de anunciar a Boa Nova; é com eles que Jesus deseja partilhar a mesa do pão e do vinho (Eucaristia), bem como a mesa do serviço (lava pés) (cf. Jo 13,1-17); E, depois de ressuscitado, lhes exige o amor que se abre aos irmãos. Jesus não é carente de nosso amor, quando nos pede para amá-lo, redireciona esse amor ao povo, aos pobres, aos pequenos, aos sofredores e o faz, insistentemente, por três vezes: “Pedro, tu me amas, apascenta meu rebanho...” (cf. Jo 21,15-19). A CF 2024 tem como um dos seus objetivos específicos (4) “REDESCOBRIR, a partir da Palavra de Deus, a fraternidade, a Amizade Social e a comunhão como elementos constitutivos de todo ser humano” (TB p.7). Mas, o que é Amizade Social? Essa é uma das contribuições do Papa Francisco aos ensinamentos da Igreja em sua Exortação Apostólica: Fratelli Tutti (“Todos Irmãos”). Nela o Papa apresenta a fraternidade aberta, baseada
24 na Amizade Social e no amor político, tendo o diálogo como caminho necessário para a cultura do encontro. Amizade Social é o “amor que ultrapassa as barreiras da geografia e do espaço” (FT, 1); É “uma fraternidade aberta, que permite reconhecer, valorizar e amar todas as pessoas, independente das sua proximidade física (FT, 1); É “comunicar com a vida o amor de Deus, recusando impor doutrinas numa guerra de ideias”; “é viver livre do desejo de domínio sobre os outros” (FT, 4); É “o amor que se estende para além das fronteiras” (FT, 99), “a todo ser vivo” (FT, 59) (TB 16); Amizade Social é “o amor que rompe as cadeias que nos isolam e separam, lançando pontes formando uma grande família que sabe de compaixão e dignidade” (FT, 62); é a nossa “vocação para formar uma comunidade feita de irmãos que se acolhem mutuamente e cuidam uns dos outros” (FT, 96); é “a capacidade diária de alargar o meu círculo de amizade, chegar àqueles que espontaneamente não sinto como parte do meu mundo de interesses, embora se encontrem perto de mim” (FT, 97); Amizade Social é aquela que não exclui ninguém é a “fraternidade aberta a todos” (FT, 94) (TB 16). O Texto Base nos ilumina com as palavras de Bento XVI, na sua Mensagem para o 43º Dia Mundial das Comunicações Sociais (24/05/2009) com especial destaque para as redes digitais a
25 serem utilizadas a serviço da fraternidade: “A amizade é um grande bem humano, [...] é gratificante ver a aparição de novas redes digitais que procuram promover a solidariedade humana, a paz e a justiça, os direitos humanos e o respeito pela vida e o bem da Criação. Estas redes podem facilitar formas de cooperação entre povos de diversos contextos geográficos e culturais, consentindo-lhes de aprofundar a comum humanidade e o sentido de corresponsabilidade pelo bem de todos” (TB 120). Nosso caminho quaresmal nos leva a retomar a importante caminhada sinodal em nossa Igreja, como esforço de conjunto de caminhar juntos procurando ouvir, discernir, captar o que o Espírito diz à Igreja (cf. Ap 3,13). A caminhada sinodal, foi iniciada em 2021, num grande processo de escuta, que celebrou a sua primeira Assembleia Geral em outubro de 2023 e continuará em curso até a Assembleia de outubro de 2024. Importa destacar que a sinodalidade não é algo novo, mas o jeito de viver a comunhão na Igreja dos primeiros cristãos (cf. At 2,42-47; 4,32-37). A sinodalidade revelou-se “um grande clamor pela superação da indiferença e do individualismo [...] Desde a superação das mazelas em nossas relações interpessoais até a resolução dos conflitos intraeclesiais (dentro da igreja) – como as disputas de poder, o clericalismo e as dificuldades de diálogos entre grupos ideologicamente contrastantes
26 – a Amizade Social parece ser o caminho que o Espírito tem indicado à Igreja” (TB 122). Que possamos reforçar a amizade entre os membros de nossa comunidade de fé e nossa comunidade de convivência no dia a dia. Sejamos uma expressão viva da amizade querida e vivenciada por Jesus com seus discípulos. Ele nos faz seus amigos para que possamos recriar o sentido da amizade: ser capaz de “acolher a todos, todos, todos”. E essa amizade não está apenas na linha do amor-afeto, mas sobretudo na linha do amor- -atitude como se expressa na Carta de Paulo aos Coríntios: ser paciente, prestativo, não invejoso, não orgulhoso, sem ira, sem rancor, capaz de alegrar-se com a justiça, com a verdade, de perdoar, de suportar... por amor, pois “o amor jamais passará” (cf. 1Cor 13,1-13). APROFUNDAMENTO: Temos crescido no amor atitude, alargando a vivência cristã de defesa e preservação da vida para além do nosso campo religioso? Dê exemplos.
27 5º Encontro: Alargar a tenda da fraternidade (Agir) Chave de Leitura: Isaías 54,1-10. 1. O que o Senhor pede ao povo? 2. Porque não é preciso ter medo? 3. Que garantia o Senhor dá a seu povo? 4. Em que esse texto ilumina a nossa realidade? O profeta Isaías descreve a esperança que se renova com a volta do Exílio na Babilônia. É um tempo de alegria, de recomeço, de reconstrução da vida e das relações, tempo de grande esperança. O profeta compara esse momento com o tempo da travessia do deserto, à espera da Terra prometida, na qual o povo vivia em tendas, tudo era provisório, mas a vida era cheia de esperança. É com esse espírito que abraçamos a CF 2024 e, com esperança, ousamos buscar pistas de ação que concretizem a Amizade Social em nossas famílias, comunidades e localidades onde habitamos e construímos nossa vida.
28 As tendas são nossos espaços de convivência, que precisam ser alargados, ampliados para proteger aqueles que se encontram fora e não permitir que a amizade fique restrita a alguns poucos familiares e amigos. Supõe nossa abertura interior e nosso empenho cotidiano para incluir os vários excluídos: de afeto, de pão, de moradia, de emprego, de dignidade humana e social. Alargar as tendas implica fincar as estacas para além de nosso terreno religioso, avançar no campo social e político. Ser uma Igreja em “saída missionária para as periferias”, na qual a nossa fé, nossa espiritualidade terão forças para levedar a sociedade com o fermento do Evangelho, se converterão em luz em meio a tantas trevas, serão como o sal que tempera e conserva a vida humana, a vida do planeta e a dignidade de todas as pessoas. O Texto Base da CF 2024 nos indica que as estacas são “os fundamentos da fé que não mudam, mas podem ser deslocados e colocados em terrenos sempre novos, acompanhando o povo que caminha na história. [...] É assim que muitos imaginam a Igreja: uma morada ampla, mas não homogênea capaz de dar abrigo a todos, mas aberta, que deixa entrar e sair (cf. Jo 10,9), e em movimento para o abraço com o Pai e com todos os outros membros da humanidade. Alargar a tenda exige acolher outros no seu interior, dar espaço à sua diversidade” (TB 124). As cordas têm a finalidade de manter as lonas esticadas, de não deixar encolher nosso esforço de fraternidade, indicam também o testemunho de
29 Jesus, dos Apóstolos, dos primeiros cristãos, de tantos santos e santas de Deus, de tantos mártires da caminhada que deram a vida pela causa do Reino. Os testemunhos são “cordas”, que nos firmam na prática dessa amizade social. Que “perante as várias formas atuais de eliminar ou ignorar os outros, sejamos capazes de reagir com um novo sonho de fraternidade e amizade social que não se limite a palavras” (FT, 6) (TB 125). Como pistas para o agir a CF 2024 aponta outros objetivos específicos: (5) ACOLHER os ensinamentos da Igreja sobre a fraternidade universal; (6) APROFUNDAR a compreensão da comunhão e da fraternidade para a paz em todas as situações da vida; (7) CONSCIENTIZAR sobre a necessidade de construir a unidade, superando divisões e polarizações; (8) ESTIMULAR a espiritualidade, os processos e as estruturas de comunhão na Igreja e na sociedade; (9) INCENTIVAR e PROMOVER iniciativas de reconciliação entre pessoas, famílias, comunidades, grupos (TB p. 7). Além disso o Texto Base (n. 128 a 130), nos indica uma variedade de pistas de ação na dimensão pessoal, comunitária, social: Ações pessoais: rezar pela fraternidade e pela paz; cultivar a prática do perdão e da solidariedade; ser em todas as situações um agente de reconciliação e de paz; participar de iniciativas como “É tempo de cuidar”; “Pacto pela vida e pelo Brasil”; “Pacto Educativo Global”; “Economia de Francisco e Clara” etc; aprofundar estudo da bíblia e da Fratelli Tutti; descobrir formas criativas de trabalhar a CF...
30 Ações Comunitárias: Coleta Nacional da Solidariedade (Domingo de Ramos, dia 24/03) – 60% Fundo Diocesano; 40 % Fundo Nacional de Solidariedade - CNBB; alargar as ações de uma “Igreja em saída”; educar para o bom uso das redes sociais; praticar o ecumenismo e o diálogo interreligioso; promover estudos da Doutrina Social da Igreja; capacitar para enfrentar os discursos de ódio; cursos da CF nas comunidades; reforçar os Grupos de reflexão; participar das iniciativas online da CNBB. Ações Sociais: organizar, apoiar campanhas contra o racismo e os vários preconceitos; promover a democracia, a paz; popularizar a Justiça Restaurativa; fomentar as pastorais e movimentos que cuidam dos migrantes e dos que estão nas “periferias existenciais”; dar passos para o AMOR POLÍTICO. A política é o mais alto grau da caridade, dar de comer a um desempregado é expressão de amor, mas assegurar o direito ao trabalho a muitos, é expressão intensa de amor porque os emancipa e os dignifica. A caridade política engloba a todos, mas “o núcleo do autêntico espírito da política” é o “amor preferencial pelos últimos”, na construção da cultura do diálogo, da reconciliação e da paz, a favor do bem comum e a promoção dos mais pobres (cf. TB 21). A partir dos últimos construir fraternidade universal que abrace a todos, sem discriminação, pois “somos todos irmãos e irmãs” (cf. Mt 23,8). APROFUNDAMENTO: O que podemos fazer para alargar nossas ações de Amizade Social a nível comunitário e social? Dê exemplos.
31 Cânticos da CF 2024 01. Surprezas do Reino (Mi- Balada ) L.: Pe. Francys Silvestrini Adão, SJ - Belo Horizonte - MG 1. Teu Reino, Senhor, que surpresa, / tem jeito de um homem qualquer, / que ousa lançar as sementes / e espera pra ter o que quer. / Teu Reino, Senhor, põe a mesa, / com jeito e dom de mulher, / que escolhe servir com beleza, / mostrando os sabores da fé. Tão perto, tão dentro, / no meio de nós quer ficar, // Vem, reina, Senhor, faz-nos filhos / que amam e se deixam amar. (bis) 2. Teu Reino, Senhor, é a certeza / do jeito e do olhar de ancião, / que vê sem temor o futuro, / amando o céu e o chão. / Teu Reino, Senhor, é a leveza / do riso tão bom de um bebê, / que é pura promessa de vida / doada às mãos de quem crê. 02. Construir Fraternidade (Fá+ Pop) L.: Pe. José Antônio; M.: Paulo Felix – Matipó - MG 1. Vem, meu povo, construir a sociedade / onde todos, como irmãs e como irmãos, / no respeito, na justiça e na amizade, / cantem juntos, gritem forte esta canção: Nossa marca é o amor e a unidade / que superam diferenças e barreiras; / um amor que se revela na amizade / pessoal e social, além fronteiras. 2. Sou o Pai que aos filhos ama e quer salvar. / Dói em mim ver divisões, indiferença. / Como a mãe que quer a todos abraçar, / me machuca tanta guerra e violência. 3. Ao amor e à conversão eu te convido / ser família, respirar fraternidade. / Em teu meio, que ninguém seja excluído. / Ser Igreja é construir comunidade.
32 03. Hino da Campanha da Fraternidade 2024 L.: Douglas Diego Palmeira Rocha; M.: David Melo Costa 1. Conduzidos a este deserto, / Deus nos chama à libertação da indiferença e divisão: / “Onde está tua irmã, teu irmão?” “Eis a hora! / O Reino está perto, Crê na Palavra e na conversão (Mc 1,15). “Vós sois todos irmãos e irmãs” / é Palavra de Cristo, o Senhor; / pois a fraternidade humana deve ser conversão e valor. / Seja este um tempo propício / para abrir-nos, enfim, ao amor! 2. A Quaresma nos chama a assumir / um amor que supera barreiras, / desejando abraçar e acolher, / se estendendo além das fronteiras (FT 99), / rompendo as cadeias que isolam, / construindo relações verdadeiras (FT 62). 3. Misericórdia, pecamos, Senhor, / sem no outro um irmão enxergar. / Mas queremos vencer os conflitos, / pela cultura do encontro lutar. / Em unidade na pluralidade, / um só Corpo queremos formar! 4. O Senhor nos propõe Aliança / e nos trata com terno carinho. / Superemos divisões, extremismos / ninguém vive o chamado sozinho. / Só assim plantaremos a paz: / “Corações ardentes e pés a caminho”. 5. “Alarga o espaço da tenda” / e promove a amizade social, / vence as sombras dum mundo fechado, / construindo Igreja sinodal. / Convertidos, renovados veremos / novo céu, nova terra, afinal (Ap 21,1-7).
34 Oração da Campanha da Fraternidade 2024 Deus PAI, vós criastes todos os seres humanos com a mesma dignidade. Vós os resgatastes pela vida, morte e ressurreição do vosso Filho, JESUS CRISTO, e os tornastes filhos e filhas, santificados no ESPÍRITO. AJUDAI-NOS, nesta Quaresma, a compreender o valor da Amizade Social e a viver a beleza da fraternidade humana aberta a todos, para além dos nossos gostos, afetos e preferências, num caminho de verdadeira penitência e conversão. INSPIRAI-NOS um renovado compromisso batismal com a construção de um mundo novo, de diálogo, justiça, igualdade e paz, conforme a Boa Nova do Evangelho. ENSINAI-NOS a construir uma sociedade solidária, sem exclusão, indiferença, violência e guerras. E que MARIA, vossa Serva e nossa Mãe, nos eduque para fazermos vossa santa vontade. AMÉM!