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Este estudo do mês da Bíblia 2023 nos aproxima da vivência<br>dos primeiros cristãos e podem nos ajudar a iluminar a nossa<br>vida e a vida de nossas comunidades. A chamada “carta aos<br>Efésios” parece ser uma carta dirigida a várias comunidades.<br>O que aponta para esse fato é a existência de outros<br>manuscritos antigos, com o mesmo conteúdo, mas sem o<br>destinatário “aos Efésios”. Estudiosos apontam que seria uma<br>carta destinada a várias comunidades cristãs (Igrejas) da região<br>da Ásia sob o domínio do Império Romano.<br>ISBN: 978-65-00-70067-1

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Published by MOBON, 2024-03-21 14:33:59

Carta aos Efésios - Mês da Bíblia 2023

Este estudo do mês da Bíblia 2023 nos aproxima da vivência<br>dos primeiros cristãos e podem nos ajudar a iluminar a nossa<br>vida e a vida de nossas comunidades. A chamada “carta aos<br>Efésios” parece ser uma carta dirigida a várias comunidades.<br>O que aponta para esse fato é a existência de outros<br>manuscritos antigos, com o mesmo conteúdo, mas sem o<br>destinatário “aos Efésios”. Estudiosos apontam que seria uma<br>carta destinada a várias comunidades cristãs (Igrejas) da região<br>da Ásia sob o domínio do Império Romano.<br>ISBN: 978-65-00-70067-1

Keywords: Efésios,Carta aos Efésios,Cartas Católicas,Cartas de Paulo,Mês da Bíblia,CNBB

Estudo da Carta aos Efésios “Vestir-se de nova humanidade!” (cf. Ef 4,24) Mês da Bíblia 2023


Movimento Boa Nova Estudo da Carta aos Efésios "Vestir-se de nova humanidade" (cf. Ef 4,24) Mês da Bíblia 2023 Dom Cavati - MG - 2023


2 Ficha Técnica: Texto: Denilson Mariano Diagramação e Revisão: Denilson Mariano Imagens: Fano / Reprodução Capa: CNBB / Mês da Bíblia 2023 Impressão: Gráfica Koloro - BH ISBN: 978-65-00-70067-1 Siglas: ABP - Animação Bíblica da Pastoral CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil DAp - Documento de Aparecida DVP - Dom da Vocação Presbiteral VD - Verbum Domini - Documento Papal sobre a Palavra de Deus Referências: - CNBB. “E a Palavra habitou entre nós” (Jo 1,14): Animação Bíblica da Pastoral a partir das Comunidades Eclesiais Missionárias. Brasília: Edições CNBB, 2022 (Doc. 111 da CNBB); - COMISSÃO EPISCOPAL PARA A ANIMAÇÃO BÍBLICO-CATEQUÉTICA. Carta aos Efésios: Mês da Bíblia 2023. Texto Base. Brasília: Edições CNBB, 2023; - MESTES, Carlos; OROFINO, Francisco. Carta aos Efésios: Sabedoria e esperança da comunidade. São Leopoldo: CEBI, 2023. Casa do Mobon Rua Santa Maria, 346 - Serapião II Dom Cavati - MG Fone (33) 9 8730-1348


3 APRESENTAÇÃO A Igreja do Brasil sempre nos motiva a viver, com intensidade e fé, o mês da Bíblia. Para isso, a cada ano, nos propõe estudar um livro das Sagradas Escrituras. A Carta aos Efésios foi a escolha feita pela CNBB, para o mês de setembro 2023, e traz como lema: “Vestir-se de nova humanidade” (cf. Ef 4, 24). Como de costume, nossas lideranças têm se organizado para um estudo prévio, a fim de que, em setembro, nossas Comunidades e Paróquias possam dedicar-se a este estudo, fazendo avançar o conhecimento e vivência da Palavra de Deus. Tendo sido escrita já depois da morte de Paulo e dirigida não apenas à Comunidade de Éfeso, essa Carta queria animar e firmar a caminhada dos cristãos, no seguimento a Jesus. Foi escrita para ser lida nos momentos litúrgicos da Comunidade, para animar e sustentar a fé, entre os primeiros cristãos, em uma realidade urbana e muito desafiadora à fé cristã. Nosso estudo destina-se também a uma Animação Bíblica da vida e da pastoral. Ele foi elaborado de tal forma que nos leva a conhecer o conteúdo e os temas principais da carta aos Efésios, bem como nos coloca em sintonia com o Documento 111 da CNBB, que trata da Animação Bíblica da Pastoral, a partir das Comunidades Eclesiais Missionárias.


4 Organizado em cinco encontros, temos em mãos um estudo dirigido da Carta aos Efésios, que nos aponta a sabedoria que nos revela Deus (1º Encontro). Jesus ressuscitado derrubou o muro de separação (2º encontro), chamando todos os povos, toda a Igreja, à unidade (3º encontro). Para isso, é necessário, segundo Ef 4, 24, “vestir-se de nova humanidade” (4º encontro) e da “Armadura do Cristão” (5º encontro). Em cada encontro, somos convidados a reforçar alguns eixos do projeto de animação bíblica da Igreja no Brasil. Desejamos que este estudo, preparado pela Equipe de Evangelização do MOBON, reforce o nosso caminho de Animação Bíblica da Vida e da Pastoral. E, não nos esqueçamos de que “Uma Igreja Particular terá mais unidade, quanto mais evangelizar, com o ‘Verbo que se fez Carne’ – a Palavra de Deus” (Doc. CNBB 111, n. 108). Este é o nosso anseio, por isso, contamos com o empenho de todos, para um frutuoso Mês da Bíblia em nossas Paróquias e Comunidades. Caratinga, 17 de maio de 2023. + Dom Emanuel Messias de Oliveira Bispo Diocesano de Caratinga


5 INTRODUÇÃO A Igreja do Brasil, a partir de um projeto de Animação Bíblica da Vida e da pastoral (ABP), nos convida a aprofundar a Carta aos Efésios. A Palavra de Deus é um meio e uma oportunidade “para o encontro com Jesus Cristo vivo, caminho de autêntica conversão e de renovada comunhão e solidariedade” (DAp. 248). Não podemos nos distanciar dessa fonte de vida e de esperança para nós e nossas comunidades: “Sem a Palavra bíblica facilmente se esgota o diálogo com Deus; sem a leitura da Palavra não é possível o encanto por Jesus Cristo e o encontro com Ele” (Doc. CNBB 111, n. 21). Este estudo do mês da Bíblia 2023 nos aproxima da vivência dos primeiros cristãos e podem nos ajudar a iluminar a nossa vida e a vida de nossas comunidades. A chamada “carta aos Efésios” parece ser uma carta dirigida a várias comunidades. O que aponta para esse fato é a existência de outros manuscritos antigos, com o mesmo conteúdo, mas sem o destinatário “aos Efésios”. Estudiosos apontam que seria uma carta destinada a várias comunidades cristãs (Igrejas) da região da Ásia sob o domínio do Império Romano. O estilo da “carta aos Efésios” tem ainda outra particularidade, ela é mais semelhante a uma homilia ou um sermão festivo. Há indícios de que esse texto tenha sido retrabalhado a partir da carta aos Colossenses para ser utilizado pelas comunidades cristãs da Ásia, as mesmas às quais foi destinado o livro do Apocalipse (cf. Ap 1,4.11). Tratava-se de uma carta circular, que continha uma síntese de todo o pensamento de Paulo, para ser lida durante as celebrações,


6 ajudando as comunidades a tratar questões importantes que as desafiavam. A “carta aos Efésios” teria sido escrita por volta dos anos 80 a 85, depois da morte de Paulo (Roma entre 64 e 67), durante a perseguição de Nero. O autor desta carta seria um colaborador de Paulo, alguém próximo dele, talvez Timóteo ou Tito, seus companheiros de missão, que continuavam a alimentar a fé e a ajudar a resolver os impasses surgidos nas comunidades cristãs. Embora possamos notar a presença de cristãos vindos do judaísmo (cf. Ef 1,9-10;3,3-6), a carta concentra sua atenção aos cristãos vindos do mundo gentílico (os pagãos). Daí a necessidade de acentuar um novo modo de viver, baseado no ser e no agir de Jesus. Esta carta tem como ponto central a unidade da Igreja, Corpo de Cristo (cf. Ef 4,1-16); ela se divide em duas partes: trata do chamado de Deus (Ef 1,3 – 3,21) e a maneira digna de viver esse chamado (Ef 4,17 – 6,24). Nosso estudo está dividido em cinco encontros que procuram dar uma visão de toda a “carta aos Efésios”, que nos revela o “mistério da Igreja” e a busca da unidade. Cada encontro faz um aceno ao Documento n. 111 da CNBB: “E a Palavra habitou entre nós” (Jo 1,14): Animação Bíblica da Pastoral a partir das Comunidades Eclesiais Missionárias. Será uma forma de nos aproximar desse importante documento dos Bispos do Brasil que nos motiva a fazer da Palavra de Deus a fonte de animação de toda a vida e ação evangelizadora da Igreja. Por isso, cada um de nós é convidado a “vestir-se de uma nova humanidade” (cf. Ef 4,24) que é o lema de nosso mês da Bíblia. E essa “nova humanidade” será a nossa “armadura” para testemunharmos a Jesus Cristo Vivo, por meio de um serviço de animação bíblica da vida e da pastoral, “em saída missionária” para as periferias geográficas e existenciais.


7 1º Encontro: Sabedoria que revela Deus Chave de Leitura: Efésios 1,15-23 1. O que o Apóstolo parece saber sobre a comunidade? 2. Qual é o desejo do Apóstolo para a comunidade? 3. Como aparece a soberania de Deus? 4. O que este texto traz de novo para nossas comunidades, hoje? A autoridade de Paulo é invocada logo na abertura da carta como “Apóstolo de Jesus Cristo por vontade de Deus” (Ef 1,1). Segundo o livro dos Atos dos Apóstolos, Paulo teria passado três anos na cidade de Éfeso (At 20,31). Ela era a capital da província romana na Ásia e uma das maiores cidades do Império Romano, ao lado


8 de Roma, Alexandria e Antioquia da Síria. Éfeso era uma cidade portuária, um grande centro urbano. Tinha imponentes construções e um famoso santuário dedicado à deusa Ártemis, considerado uma das sete maravilhas do Mundo Antigo. A comunidade cristã vivia no meio de uma grande diversidade religiosa, sob uma constante ameaça de perder os costumes da fé e até a identidade cristã. A carta começa com uma oração de louvor e ação de graças demonstrando que os cristãos foram escolhidos por Deus, antes mesmo da criação do mundo, para serem santos, para serem filhos e filhas de Deus e isso por amor, pura gratuidade do Pai (cf. Ef 1,4-5). Na carta quando se usa “vocês” (ou “vós”), indica os cristãos vindos do paganismo (cf. Ef 1,13) e quando se usa o “nós” indica, quase sempre, o conjunto dos cristãos: os convertidos do judaísmo e os convertidos do paganismo, ou seja, judeus e gregos; judeus e gentios (cf. Ef 1,11 e 12). No texto acima somos levados a conhecer como os cristãos das comunidades de Éfeso viviam a sua fé e seu amor mútuo em Cristo e como isso era motivo para louvar a Deus. É Deus Pai quem nós dá o seu Espírito e nos faz compreender melhor, e de forma mais profunda, quem é Jesus Cristo. É Ele que abre, ilumina os olhos da mente e nos leva a compreender herança de sermos filhos e filhas de Deus. Somos chamados a experimentar o seu Amor que age em todos aqueles que acreditam no Ressuscitado, Ele que está acima de qualquer outro nome ou autoridade no presente ou no futuro (cf. Ef 1,17-21). Deus colocou tudo debaixo dos pés de Jesus, que é a cabeça da Igreja e as comunidades, os cristãos, são o


9 Corpo de Cristo, chamados a viver a plenitude de seu amor (cf. Ef 1,23-24). A carta deixa transparecer a própria experiência vivida por Paulo: Deus é fonte de salvação para todos os que creem em Jesus por meio da fé. Não é a Lei, não são os atos externos, os ritos ou as celebrações que salvam. O que salva é a vivência do amor, o recriar em nós as atitudes de Cristo. Ter fé não é um ato da razão, mas fruto de um encontro com Jesus, expressão mais íntima do conformar a nossa vida com a vida de Cristo. Crer vem de “credere” (cor+dare), que significa “dar o coração”, algo que envolve toda a vida, não apenas os momentos de culto ou de oração. É neste sentido que Espírito é a sabedoria que nos revela Deus. Ele nos congrega em comunidade, nos une como Igreja, Corpo de Cristo para que possamos ser os continuadores da missão de Cristo no mundo. Uma Igreja convocada a testemunhar o amor de Cristo por Palavras e Ações, em “saída missionária” para as periferias geográficas e existências. O ideal é que cada comunidade fosse também reconhecida como a comunidade de efésios: “Fiquei sabendo da fé que vocês têm nos Senhor Jesus e do amor de vocês para com todos os cristãos” (Ef 1,15). Isto é que nos faz abraçar a salvação que vem de Deus. Neste sentido é importante reforçar uma afirmação do Concílio Vaticano II, que aparece na Constituição Dogmática Dei Verbum, sobre a Palavra de Deus: “A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor” e, juntamente com a Tradição, a tem como “regra suprema da fé” (DV 21). Por isso, toda a vida e missão da Igreja só tem sentido a partir das


10 Escrituras Sagradas. A sagrada Escritura deve ser a alma da teologia (DV 21) e alma da ação evangelizadora da Igreja. E, como nos recorda São Jerônimo: “Desconhecer a Escritura é desconhecer Jesus Cristo e renunciar a anunciá-lo” (cf. DAp 247). Hoje, quando a Igreja do Brasil propõe a Animação Bíblica da Pastoral (APB) não busca nenhuma novidade. O que ela faz é reconhecer que, “se quiser evangelizar com alma, com paixão, se deseja que a fonte da Palavra sempre jorre para seu povo, não há caminho mais efetivo do que deixar-se mover pela força da Palavra em todas as suas ações e projetos. ‘Quando não se formam os fiéis num conhecimento da Bíblia conforme a fé da Igreja, no sulco da Tradição viva, deixa-se efetivamente um vazio pastoral...’ (VD 73).” (CNBB, Doc. 111, n. 24). Estamos diante da experiência de fé da comunidade de efésios que, entre os primeiros cristãos, também “eram perseverantes no ensinamento dos apóstolos...” (At 2,42). Por motivos vários, no decorrer dos tempos, fomos nos distanciando das Sagradas Escrituras. Elas perderam a sua centralidade na vida e na missão da Igreja. E quanto mais se distanciou das Escrituras, mais distante tornou-se da prática do Evangelho. À semelhança das comunidades de Éfeso, também nós estamos sob uma constante ameaça de perder os costumes da fé e a identidade cristã. A Igreja do Brasil nos aponta que “os tempos mudaram. As transformações culturais têm surpreendido em intensidade e profundidade. Muito tem se falado em mudança de época (DAp 44). Fala-se também em pós-verdade, em gerações digitais, mundo digital, em revolução 4.0. Quase tudo é


11 instável. Surgiu a expressão “sociedade líquida”. Tornaram-se líquidas as relações, as identidades, os valores fundamentais, os afetos, as crenças, os projetos de vida... A tecnologia maravilhou o ser humano, mas também desnudou suas impotências e vazios. Pessoas, comunidades e sociedades estão mergulhadas em profundas crises.” (Doc. CNBB 111, n. 28). Diante disso, também nos aponta a Igreja como caminho de esperança: “a Animação Bíblica da Pastoral se levanta como uma resposta criativa. Foi esta a inspiração dos primeiros cristãos. Foi esta a melhor explicação para tanta fecundidade evangelizadora.” (Doc. CNBB 111, n. 28). Que nosso estudo da Carta aos Efésios e nosso mês da Bíblia nos ajudem a avançar para uma verdadeira animação bíblica da vida e da pastoral. Para aprofundamento: A Igreja nasce e se alimenta da Palavra de Deus, como está a reflexão da Bíblia em nossas comunidades? Em que precisamos melhorar?


12 2º Encontro: Cristo derrubou o muro de separação Chave de leitura: Efésios 2,11-22 1. De que os pagãos de nascimento deveriam lembrar-se? 2. O que mudou com a adesão a Jesus Cristo? 3. Qual a conclusão a que chega o texto? 4. O que esse texto diz para nossas comunidades, hoje? Como vimos, a “carta aos Efésios” quando se dirige a “vós” ou “vocês” refere-se aos convertidos que vinham do paganismo, aqueles que não eram da religião de Israel, que não faziam parte do povo da promessa. É bom lembrar que os judeus, descendentes de Abraão, povo da promessa, raça eleita, não raro, se julgavam superiores aos demais povos. Também as comunidades cristãs


13 conviviam com as marcas dessa separação na qual os cristãos convertidos do judaísmo se julgavam superiores aos cristãos vindos do paganismo. Isso ficou claro quando estudamos a Carta aos Gálatas em 2021 (cf. Gl 2,1-10). No caso de efésios, esta carta circular dirigida às comunidades cristãs da Ásia retoma a centralidade da Cruz de Cristo, o mistério de sua Paixão, Morte e Ressurreição, para indicar que a morte de Cristo na Cruz derruba o muro de separação. De dois povos, judeus e gregos, Cristo faz um só. Por isso, a missão da comunidade cristã feita de povos, raças e culturas diferentes é reconhecer-se como irmãos e irmãs, é cultivar e praticar a unidade querida por Deus. O capítulo segundo inicia apontando que antes os pagãos viviam como mortos. Por seguirem o modo de viver e pensar do mundo, cometiam faltas e pecados que os mantinham longe da salvação de Deus. Mas isso também era partilhado pelos judeus, que antes viviam submetidos aos desejos da carne, aos caprichos do instinto e, portanto, merecedores da ira de Deus (Ef. 2,3). Porém, Deus que é rico em misericórdia deu-nos a vida por meio de sua graça(Ef. 2,4-5). Com a vida, ensinamentos, morte e ressurreição de Jesus, por obra da misericórdia de Deus, todos fomos salvos. Na pessoa de Jesus fomos ressuscitados e chamados a “sentar no céu” (Ef 2, 6). Essa é a incomparável riqueza da graça de Deus que já habita em nós (Ef 2,7). Assim judeus e gregos, livres e escravos, formam um só povo. Do que era dividido Deus fez uma unidade. Cristo uniu a humanidade dividida, fez dela uma só povo, a Igreja, para “vestir-se de uma nova humanidade” (cf. Ef


14 4,24). Os que estavam longe foram trazidos para perto por meio da unidade gerada no sangue de Cristo (Ef 2,13). Cristo destruiu a inimizade, o ódio, entre judeus e pagãos, Ele derrubou o muro da inimizade, criando uma nova humanidade, na qual todos formam um só Corpo em Cristo Jesus, que é a nossa Paz (cf. Ef 2,14-16). A comunidade cristã é chamada a testemunhar essa paz que vence o ódio e a inimizade. Deve ser sinal constante de busca e construção da unidade querida por Cristo, ajudando a fazer da Igreja sinal e instrumento de paz, justiça e reconciliação. Nisto ela dará provas de se deixar conduzir, verdadeiramente, pelo Espírito do ressuscitado. A santidade da Igreja está em se deixar guiar pelo Espírito de Cristo. Neste sentido vem o apelo para a sinodalidade, para que aprendamos a “caminhar juntos”. Pessoas, talvez pouco ou mal informadas, ou com uma visão eclesial distorcida, têm se levantado contra a proposta do Papa Francisco de uma Igreja toda sinodal, como se a sinodalidade fosse uma ameaça à Igreja. Porém vemos que a Igreja nasceu de forma sinodal, enfrentando os desafios e dificuldades procurando escutar o que o Espírito diz à Igreja, procurando destruir os muros de separação como a inimizade e o ódio. Em nossos dias, há muita desinformação e isso faz com que pessoas boas, mas com uma visão ainda curta da realidade da Igreja, assuma atitudes de fechamento, ódio e rivalidade contra os irmãos e irmãs da mesa fé cristã. Na verdade, o processo sinodal nos convida a uma conversão pastoral e nesse sentido, a proposta de Animação Bíblica pode nos ajudar muito.


15 A Animação Bíblica da Pastoral é algo que pretende envolver “todos os agentes evangelizadores, sejam eles bispos, padres, religiosos(as), catequistas, ministros(as) extraordinários(as), coordenadores(as), administradores(as) de quaisquer instituições eclesiásticas, todos tenham o ânimo, a seiva interior originada do encontro com o Senhor mediante a Palavra. E quem O encontra, alegra-se, passa a compreender e interpretar a realidade com os critérios de sua palavra. É o caminho da conversão pastoral.” (Doc. CNBB 111, n. 32). As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (2019- 2023) “recordam a centralidade da Palavra de Deus na vida da Igreja. Isso significa que o contato com a Bíblia não pode concentrar-se somente nas celebrações ou apenas aos domingos. Com a Palavra de Deus na mão, todos são chamados a ir a todos os lugares, principalmente aonde ninguém quer ir.” (Doc. 111 CNBB, n. 81) Mais uma vez a necessidade de uma Igreja em “saída missionária”. O documento continua acentuando a necessidade de colocar a Palavra de Deus em destaque na formação dos seminaristas, não apenas para o estudo, mas para o cultivo espiritual e para a vida pastoral. Além disso: “A formação permanente do clero tenha nítida inspiração bíblica, já que o ministro ordenado é o primeiro “servo e testemunha da Palavra na Igreja e no mundo” (DVP, 117). Cada encontro ou reunião comece sempre com o texto diário da Palavra de Deus. A Animação Bíblica da Pastoral seja empenho de todos e continuamente, com especial ênfase para momentos fortes como o Mês da Bíblia. Também se busque a integração entre a Palavra de Deus


16 e as expressões populares da fé, especialmente a piedade mariana. É preciso integrar a Palavra e o sentir das pessoas, possibilitando maior presença da Sagrada Escritura na vida da Igreja” (Doc. 111 CNBB, n. 81). É verdade que “os primeiros cristãos não falaram de animação bíblica da pastoral. Mas a sua evangelização era profundamente bíblica, inteiramente perpassada pelas experiências e revelações bíblicas. E, quando o anúncio do Evangelho recebeu sua formulação escrita, quase tudo era matizado pela palavra dos evangelistas e dos apóstolos. Assim a Didaqué (um catecismo dos primeiros cristãos), bem como a fecunda teologia dos Santos Padres. Eram biblicamente animados. Muito animados.” (Doc. 111 CNBB, n. 98). Que o estudo da Carta aos Efésios nos ajude a derrubar os muros de separação, ódios e divisões gerados no meio de nossas famílias, comunidades, grupos e movimentos. Que possa nos ajudar a compreender a importância de zelar pela unidade do Corpo de Cristo, que é a Igreja e que a sinodalidade nos leve, sobretudo, a aprender a escutar o Espírito de Deus que nos fala na história e nos faz caminhar juntos na construção do Reino de Deus. Para aprofundamento: Em nossas comunidades, a relação entre grupos, movimentos e igrejas diferentes estão destruindo ou reforçando muros? O que temos escutado mais: a voz do Espírito ou as nossas vontades particulares? Por quê?


17 3º Encontro: Chamados à unidade em Cristo Chave de leitura: Efésios 4, 1-16 1. Que comportamento se espera da comunidade? 2. Qual a raiz desse chamado à unidade? 3. Qual a meta para a edificação do Corpo de Cristo? 4. O que este texto tem a dizer para nós hoje? O capítulo terceiro da “Carta aos Efésios” faz uma retomada da missão de Paulo, lembra o período em que ele esteve na prisão em favor do anúncio do Evangelho feito aos pagãos (gentios). O que Paulo ensinava ele o tinha recebido como revelação de Deus, como uma sabedoria vinda da contemplação do mistério de Cristo morto e ressuscitado (cf. Ef 3,2-3). Há um apelo à unidade da qual os pagãos são chamados a participar, formando um só corpo, participantes da mesma promessa feita aos


18 judeus (cf. Ef 3,6). Judeus e pagãos, uma vez convertidos, são todos iguais e participam da mesma dignidade de filhos e filhas de Deus. A Igreja é o lugar de experimentar o amor de Deus pela fé em Jesus. Aí todos podem aproximar-se de Deus sem medo, sem culpa, em total confiança (Ef 3,12). Cristo age em nós e pode realizar muito mais que pedimos ou imaginamos (Ef 3,20). No capítulo 4 chegamos ao tema central da “Carta aos Efésios”: a unidade do Corpo de Cristo. Um apelo para que a comunidade se comporte de modo digno à vocação que recebeu (Ef 4,1); os cristãos devem “suportar-se uns aos outros no amor” (Ef 4,2); “manter laços de paz para conservar a unidade do Espírito” (Ef 4,3). Pela ação do Espírito Santo nasce a Igreja que é o corpo de Cristo, continuadora de sua missão, que caminha no mundo, na certeza de participar da glória eterna. Salienta-se que “há um só Senhor, uma só fé e um só batismo” (Ef 4,5), Deus Pai é a fonte da unidade da comunidade. E conclui com a grande meta para todas as comunidades, para toda a Igreja: “que todos juntos nos encontremos unidos na mesma fé e no conhecimento do Filho de Deus, para chegarmos a ser o ser humano perfeito que, na maturidade do seu desenvolvimento, é a plenitude de Cristo” (Ef. 4,13). Chegar à maturidade da fé é um desafio para nossas comunidades. No Brasil 90% do povo é batizado, mas apenas 10% a 15% são praticantes, ou seja, testemunham publicamente a sua fé. Temos muitas pessoas batizadas que se dizem católicas, mas que não se reconhecem como Igreja. Uma parcela é refém de uma mentalidade clerical que dificulta a corresponsabilidade e a participação do leigo como sujeito eclesial (cf. Doc. CNBB, 105


19 n. 120) Temos muitos cristãos leigos e leigas que reduzem o ser cristão a uma missa dominical ou a assumir uma tarefa no interior da Igreja. Leigos de sacristia, mas ainda imaturos na fé. O cultivo constante do encontro com a Palavra conduz a comunidade para a maturidade na fé. A Igreja será tanto mais unida, quanto mais fiel for à Palavra do Senhor. O que gera divisões, rixas, rivalidades, é o distanciamento da Palavra, a superficialidade em que é praticada. Ou ainda, fruto de desvios como a leitura fundamentalista da Bíblia que se apega à letra e não percebe a ação do Espírito, ou leitura intimista, individualista, que fecha a pessoa em torno de si mesma ou da família e não contempla o todo da realidade. A Palavra de Deus nasce do chão da vida das comunidades para iluminar e alimentar a vida das nossas comunidades. A Palavra de Deus sempre tem respostas para os nossos questionamentos. Vale perguntar o que o autor desta carta diria para nossas comunidades? O que diria para os cristãos que não conseguem exercer o perdão, a misericórdia, para aqueles que insistem no uso da violência e das armas? O que diria para os que ainda não superaram os preconceitos contra os pobres, contra os negros, contra os homossexuais e insistem em atitudes de aporofobia (ódio aos pobres), de racismos, de violência às mulheres e homofobia? O que o autor da carta diria para nossas comunidades que se distanciaram dos grupos de reflexão ou círculos bíblicos, que se distanciarm do cultivo semanal de encontro com o Senhor nas Escrituras e na Eucaristia? Neste sentido, a Igreja do Brasil nos lembra que “o discípulo missionário não necessariamente conhece seu


20 Senhor porque o estuda, mas porque com Ele se encontra. É este o lugar da Leitura Orante em toda a Igreja particular que pretende animar biblicamente sua evangelização (Doc. CNBB 111, n. 106). Muito importante para a Animação Bíblica da Pastoral é superar as tendências a abordagens individualistas da Palavra [...] ‘É muito importante a leitura comunitária porque o sujeito vivo da Sagrada Escritura é o Povo de Deus, é a Igreja’ (VD 86). A abordagem individualista da Escritura alimenta espiritualidades ambíguas. Tende a fazer de Deus um ídolo” (Doc. CNBB 111, n. 107). E termina por reforçar a importância da reflexão da Palavra para a unidade da Igreja: “Uma Igreja Particular terá mais unidade quanto mais evangelizar com o “Verbo que se fez Carne” – a Palavra de Deus. Uma Igreja Particular caminha para a unidade quando movida pela Palavra de Deus, pois é a Palavra, com os sacramentos, que sustenta a unidade da Igreja. A difusão da Leitura Orante, pessoal e comunitária, promove vivamente a unidade, pois é o mesmo Senhor a falar a tantos diferentes e diferenças” (Doc. CNBB 111, n. 108). Que o estudo da Carta aos Efésios nos ajude a firmar a unidade de nossas famílias e comunidades. Que ajude a valorizar as diferenças como uma riqueza e nos abra sempre mais ao espírito e à prática da sinodalidade que nos leva a discernir juntos, buscar caminhos juntos, planejar, executar e avaliar juntos, de maneira participativa e corresponsável. Derramai sobre nós, Senhor, o Espírito da unidade, da comunhão e da sinodalidade. Para aprofundamento: O Ecumenismo é uma bênção ou uma ameaça para a Igreja? Por quê?


21 4º Encontro: “Vestir-se da nova humanidade” Chave de Leitura: Efésios 4,17-32 1. Que recomendações são feitas à comunidade? 2. De que cada um(a) é chamado(a) a revestir-se? 3. Que outras recomendações são feitas? 4. Temos vivido essas recomendações, hoje? A “carta aos Efésios”, ao afirmar a unidade da Igreja, insiste em recomendar que os cristãos não vivam como os pagãos, “cuja mente é vazia”, e enumera uma série de atitudes erradas: “inteligência cega”; “longe de Deus”; “coração endurecido”; “na ignorância”; “perderam a sensibilidade”; “levados pela libertinagem”; “entregues


22 à imoralidade (Ef 4,17-19). Este acento indica a vida nova à qual a comunidade foi chamada, um estilo de vida condizente com o Evangelho de Jesus. Jesus é o referencial a ser seguido. Para vivermos como “ressuscitados” temos de colocar nossos passos nos passos de Jesus, recriar em nós as suas atitudes e jeito de ser. A necessidade do “vestir-se de nova humanidade” não é um conselho teórico, mas uma prática de vida, que implica atitudes concretas de conversão: abandonar a mentira e dizer sempre a verdade (cf. Ef 4,25); abandonar a raiva e o ressentimento contra os irmãos (cf. Ef 4,26- 27); abandonar o roubo e ocupar-se de trabalho digno (cf. Ef 4, 28); abandonar a conversa inconveniente pela boa palavra que edifica (cf. Ef 4,29); enfim, não ser causa de tristeza para o Espírito Santo, afastando-se de toda aspereza, desdém, raiva, insulto, maldade, perdoandose mutuamente, como Deus nos perdoa (cf. Ef. 4,30-32). A “carta aos Efésios” nos apresenta Cristo como a imagem perfeita do Pai. Jesus é o Filho que abraça a missão que o Pai lhe confiou, vem ao mundo para nos revelar o amor misericordioso de Deus Pai e em tudo lhe foi fiel, não recusando-se nem mesmo passar pela cruz por causa da incompreensão e maldade do povo. Por isso, nós seres humanos, criados à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1,27), agora temos um modelo mais próximo a seguir: Jesus Cristo. Ele assumiu a nossa humanidade, a nossa fragilidade, a nossa pequenez. Ele, com sua vida simples, pobre, humilde, nos mostra que é possível viver o projeto de amor misericordioso de Deus Pai. Ele soube viver a justiça, a santidade, a verdade e a


23 paz. Por isso somos chamados a vestir-nos desta "nova humanidade" em Cristo Jesus que é para nós “caminho, verdade e vida” (Jo 14,6). Esta imagem do homem novo nos faz voltar à experiência batismal, que não é apenas um banho, mas um novo nascimento (cf. Rm 13,14; Gl 3,27; Cl 3,10); que não é uma mudança superficial, mas uma conversão profunda, que significa romper com tudo aquilo que é contrário ao Evangelho. Esta renovação acontece pela ação do Espírito Santo que modela o agir de cada um e de toda a comunidade segundo o Ensinamento e a prática de Jesus. A comunidade é uma célula viva da Igreja. Uma célula composta de vários membros. Assim para que a comunidade tenha o rosto de Cristo, é fundamental que cada um procure viver a Palavra. Que cada um(a) vista-se da nova humanidade, deixando-se guiar pelo Espírito de Deus e não pelo espírito das trevas, do ódio, da inveja, da rigidez, da rivalidade, da guerra... A vida nova em Cristo nos leva a buscar a sabedoria que vem de Deus, a viver como sábios, como quem busca sempre discernir a vontade de Deus em cada momento ou situação: “outrora vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor” (Ef 5,8). E vai além pede que denunciemos as obras das trevas, pois “o que é denunciado, torna-se manifesto pela luz” (Ef 5,13). Em nossos dias as redes sociais tornaram-se um meio de popularização da comunicação. Porém, elas têm sido utilizadas para disseminar a violência, o ódio, o racismo, a discriminação, até mesmo a morte. As notícias falsas ou enganosas, as “fake News” invadem as redes sociais e se alastram, velozmente, impulsionadas por robôs e


24 outros mecanismos. Atrás disso está um engenhoso mecanismo de domínio das mentes, da vontade e dos corações que minam a fé cristã, desviam as pessoas da verdade do Evangelho e as distanciam da prática de Jesus. Os donos dessas grandes redes não têm interesse em coibir ou barrar as “fake News”, pois ganham muito dinheiro com o número de acessos ou cliques nas postagens. Em sua tentação no deserto, Jesus teve de enfrentar a tentação do poder econômico: “Eu te darei tudo isso, se te ajoelhares diante de mim...” (Mt 4,9; Lc 4,7). E Jesus venceu apoiando-se nas Escrituras Sagradas: “Você adorará ao Senhor seu Deus e somente a ele servirá” (Mt 4,10; Lc 4,8). Assim, vale-nos perguntar como caminhar para uma verdadeira animação bíblica da vida e da pastoral que nos favoreça: “vestir-nos dessa nova humanidade”? Como caminhar à luz da Palavra para que possamos ter em nós o jeito de ser e de agir de Jesus? O Documento 111 da CNBB nos recorda que: “antes de mais nada é preciso sempre ter presente: os interlocutores de uma animação bíblica da pastoral são sujeitos e não somente destinatários. De fato, não recebemos a Palavra para guardá-la para nós mesmos. Assim nos ensina Jesus: “O que vos digo na escuridão, dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do ouvido, proclamai-o sobre os telhados” (Mt 10,27). Aliás, o episcopado brasileiro já se manifestou acerca do tema: “Os interlocutores da animação bíblica da pastoral são todos os membros do Povo de Deus: os leigos, enquanto presença da Palavra de Deus em forma de ‘fermento na massa’; os consagrados enquanto presença da Palavra


25 de Deus na vivência dos conselhos evangélicos; os ministros ordenados enquanto presença da Palavra de Deus no exercício do tríplice múnus de ensinar, santificar e liderar” (Doc. 97 CNBB, n. 68). (Doc. CNBB 111, n. Se todos somos agentes da animação bíblica da vida e da pastoral em que podemos reforçar essa animação bíblica em nossas comunidades? Como reacender a chama de nossos grupos de reflexão que são semeadores da Palavra em nossas famílias? Como recuperar o encanto com nossas celebrações dominicais, que nos levam ao encontro com o Ressuscitado? Como resgatar a presença viva da Palavra em nossa catequese, que nos insere no caminho de iniciação à vida Cristã? Para fazer avançar a animação bíblica é preciso um empenho maior de todos e cada um(a) de nós, como sujeitos da animação bíblica, sujeitos da ação evangelizadora. Para Aprofundamento: As redes sociais estão nos humanizando ou desumanizando? Onde podemos nos firmar para não sermos dominados por ela?


26 5º Encontro: A “armadura” do Cristão Chave de leitura: Efésios 6,10-20 1. Por que é necessário revestir-se da armadura de Deus? 2. De que é composta essa armadura? 3. Qual a recomendação final? 4. Os cristãos leigos e leigas estão revestidos dessa armadura de Deus? Dê exemplos. No final do capítulo 5 desta “carta aos Efésios” há uma exortação, um convite a que todos “sejam submissos uns aos outros no temor a Cristo” (Ef 5,21), ou seja o amor a Cristo deve nos levar a um respeito mútuo, sem


27 dominação de um sobre o outro. Porém, o texto que segue a esta exortação tem sido tirado deste contexto mais amplo e utilizado para justificar uma submissão das mulheres. Na verdade o autor recorre à relação matrimonial para falar da relação da Igreja com Cristo. E esta relação é que marca o caminho para a vivência matrimonial: o amor e o cuidado de Cristo com o povo, com as comunidades são sinais e modelo para a relação entre os casais: “maridos amem suas mulheres como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela” (Ef 5,25). Da mesma forma a obediência dos filhos a seus pais e dos escravos a seus senhores devem ter como eixo o modo de viver e de agir de Cristo, procurando sempre a vontade de Deus, deixando de lado as ameaças, vivendo a fraternidade, como irmãos na fé (cf. Ef 6,1-9). A forma de ser e de agir de cada um, quer no seio da família, quer na comunidade ou na sociedade deve espelhar-se em Cristo e ser regida pela verdade do Evangelho. Por isso o chamado a vestir a “armadura de Deus”. A ser um militante de Cristo no mundo de hoje. Para isso é preciso estar firme no Senhor: “fortaleçamse no Senhor e na força de seu poder” (Ef 6,10); “Vistam a armadura de Deus para poderem resistir às manobras do diabo” (Ef 6,11). O autor da carta utiliza-se de uma imagem muito comum na época, que era a vestimenta dos soldados romanos. Por meio dela, ele indica os elementos necessários para que os discípulos de Cristo testemunhem a sua fé em meio aos desafios do dia a dia. Provavelmente essa parte da carta tenha sido inspirada pela leitura da Escritura como aparece no livro da Sabedoria 5,17-23:


28 - a armadura de Deus (cf. Ef 6,11-13): buscar em Deus forças para resistir ao poder do mal; permanecer firme na fé e superar as adversidades; - o cinturão da verdade (cf. Ef 6,14): agir sempre guiado pela verdade, iluminado pela Palavra de Deus, na sinceridade com Deus e os irmãos; - a couraça da justiça (cf. Ef 6,14): estar pronto a rejeitar toda injustiça; a couraça protege o peito, representa a justiça nos profetas: Deus fará justiça ao seu povo oprimido; implica serem guardiões de relações familiares, comunitárias e sociais baseadas na justiça e no direito; - os pés calçados com zelo (cf. Ef 6,15): sem raiva, ódio ou rancor, até mesmo para com os inimigos; mas com o desejo ardente de promover a paz, ainda que seja longa a caminhada; levar sempre o Evangelho da paz, que destrói muros e constrói pontes; - o escudo da fé (cf. Ef 6,16): a proteção contra as ameaças dos inimigos; para desfazer por meio do amor os que nos atacam com violência e ódio; a fé é que leva a enxergar a vitória para além da cruz; ainda que aparentemente derrotados, com Cristo, somos vencedores; - o capacete da salvação (cf. Ef 6,17): a certeza da vitória definitiva, pensamentos guiados pela fé no ressuscitado, que nos defende dos pensamentos mesquinhos do mundo; faz-nos manter viva a esperança em qualquer situação; - a espada do Espírito (cf. Ef 6,17): essa espada é a Palavra de Deus, lida a partir do ressuscitado, fonte de


29 vida e de esperança para os cristãos e para o mundo; a Palavra da vida e verdade que é Jesus. O texto conclui com um apelo à oração incessante por toda a comunidade, por todos os cristãos e para que o dirigente tenha em sua boca a Palavra do Senhor para que possa “anunciar ousadamente o mistério do Evangelho” pois esse é o “seu dever” (Ef 6,19-20). Nesta “carta aos Efésios” a obra da Salvação de Deus é descrita como uma Nova Criação (Ef 2,20) na qual aquele(a) que se encontra com Cristo e, por meio do Batismo, se torna membro vivo de seu Corpo que é a comunidade-Igreja. Cristo, Palavra viva do Pai, é a cabeça da Igreja, nele está a direção de nossa missão no mundo. Cristo é o rumo e o prumo de nossa ação evangelizadora. Somos, pois, chamados a vestir-nos da "nova humanidade" em Cristo, recriar em nós seu jeito de ser e de agir. E, por meio de seus ensinamentos, ajudar a mundo a caminhar na justiça, na solidariedade e na paz. O Documento 111 da CNBB nos recorda que “vivemos um tempo de incertezas e perplexidades. A atual crise de referências é capaz de gerar distanciamento da Palavra de Deus ou fazer leituras a partir de perspectivas que a própria Palavra condena. A forte individualização, que, aliada ao consumismo, vem marcando o mundo de nossos dias, corre o risco de levar ao distanciamento da vida em comunidade e consequentemente à diminuição do contato com a Palavra de Deus. […] Estamos num tempo em que a dispersão e a fragmentação exigem que focalizemos nossa ação evangelizadora na vida em comunidade e no contato com a Palavra de Deus.” (Doc. CNBB 111, n. 292).


30 E continua: “Sobre o contato com a Palavra de Deus, tem crescido a consciência de que estamos num tempo em que a Animação Bíblica da Pastoral adquire a característica de urgência. […] E isso exige a coragem de “entrar decididamente, com todas suas forças, nos processos constantes de renovação missionária e de abandonar as ultrapassadas estruturas que já não favorecem a transmissão da fé” (DAp 365). (Doc. CNBB 111, n. 294). “Não deixemos, portanto, que este tempo tão propício à Animação Bíblica da Pastoral se torne mais um tema a ser superado quando outra novidade surgir, pois, como bem sabemos, não se trata de uma novidade. Ao contrário, trata-se de sermos como o escriba que tira do seu tesouro ensinamentos novos e antigos (Mt 13,52). Ele o faz exatamente porque sabe que tem nas mãos um tesouro” (Doc. CNBB 111, n. 296). E que nosso estudo do mês da Bíblia 2023 nos conduza a dar passos firmes para efetiva animação bíblica da vida e da pastoral em nossas comunidades. Para Aprofundamento: O que é preciso para que os cristãos leigos e leigas sejam verdadeiros sujeitos na Igreja e na sociedade? Dê exemplos.


31 Cânticos para o Mês da Bíblia 01. Igreja sinodal (Mi-, Balada Country) L. Mariano M: Jakson Moreira 1. Caminhar juntos é ser Igreja / é um mistério de comunhão / pelo batismo somos ungidos / feitos sujeitos pra missão. O Espírito Santo está em nós / de um jeito especial // : pra caminharmos todos juntos / como Igreja sinodal. (Bis) 2. Povo de Deus, já irmanados / de mãos dadas, todos iguais. / A natureza da nossa Igreja / é missionária, é sinodal. 3. Nossos carismas e ministérios / são nossa força e nossa luz. / Se sinodal, não for a Igreja / não é a Igreja de Jesus. 02. Aleluia! Cantam os anjos! (Ré+, Balada) L.: Ângela Castelani - e M.: Crisógono Sabino Aleluia! Cantam os anjos! / Aleluia! As criaturas! / Aleluia! Digamos todos: / ouçamos as Escrituras! O Evangelho é Jesus Cristo, / Boa Nova a anunciar: / que, no amor do Senhor, / toda vida vamos renovar. 03. A grande oferta! (Mi+ Balada) L. e M.: Crisógono Sabino A grande oferta de Deus é Jesus, é Jesus! / É Ele o Cordeiro imolado, na cruz, foi ao mundo ofertado. / Por Ele é que nós ofertamos, no altar do Senhor, / nossos dons, com amor.


32 1. Em Cristo Jesus, ofertamos / a história e a vida do povo. / À luz de sua graça, buscamos viver mundo novo. / A nossa alegria expressamos, / no mundo, em que nós caminhamos. / O nosso trabalho, os frutos da terra, / com a bênção de Deus partilhamos. 2. O vinho e o pão nós trazemos, / os dons, no altar, consagrados. / Se é pouco, com a bênção de Deus, será multiplicado. / Ninguém ficará excluído, / se achegue o que está desvalido. / Os dons que nós temos, no altar, nós queremos / que sejam, no amor, repartidos. 04. Igreja Santa! (Ré-, Balada) L. e M.: Crisógono Sabino Leigos e leigas, Igreja Santa! / Povo Deus, construindo o Reino de amor, / de justiça e de paz, de união, fraternidade. / Comunguemos este Pão da unidade! 1. Povo de Deus reunido, / viemos aqui, como irmãos, / pra nesta mesa do altar, / com Cristo, fazer comunhão. 2. Batizados no mesmo Espírito, / formafimos um único corpo. / A Igreja cresce unida, / ao zelar com amor pelo outro. 3. Filhos de Deus pela fé, / em Cristo Jesus, o Senhor, / formamos a Igreja viva, / no Espírito Santo de amor. 4. Membros do Corpo de Cristo, / unidos na força do amor, / sairemos, daqui, em missão, / pra anunciar o Cristo Senhor.


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