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Neste ano, a CF traz como tema: “Fraternidade e Fome”. Deus que é Pai de todos, quer que todos os seus filhos e filhas tenham o necessário para viver com dignidade. Que ninguém passe necessidade (cf. At 2,46). A fome adoece e mata. A fome é um grave pecado social. Se há gente passando fome a fraternidade querida por Deus foi quebrada. “O Brasil sente fome.” Por isso, já é a terceira vez que a Igreja do Brasil volta ao tema da fome na CF.

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Published by MOBON, 2023-01-30 16:02:51

CF 2023 - Fraternidade e Fome: estudo dirigido

Neste ano, a CF traz como tema: “Fraternidade e Fome”. Deus que é Pai de todos, quer que todos os seus filhos e filhas tenham o necessário para viver com dignidade. Que ninguém passe necessidade (cf. At 2,46). A fome adoece e mata. A fome é um grave pecado social. Se há gente passando fome a fraternidade querida por Deus foi quebrada. “O Brasil sente fome.” Por isso, já é a terceira vez que a Igreja do Brasil volta ao tema da fome na CF.

35 Fraternidade e Fome “Dai-lhes vós mesmos de comer!” (Mt 14,16) Campanha da Fraternidade 2023


1 Movimento Boa Nova Fraternidade e Fome: estudo dirigido “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mt 14,16) Campanha da Fraternidade 2023 Dom Cavati - 2022


2 Ficha Técnica: Texto: Denilson Mariano e João Resende Diagramação: Denilson Mariano Revisão: Denilson Mariano Imagens: Reprodução Capa: CF 2023 / CNBB Impressão: Gráfica AGEP ISBN: 978-65-00-57705-1 MOBON Rua Santa Maria, 346 - Serapião II Dom Cavati - MG Fone: (33) 3357-1348 WhatsApp (31) 99310-7930 Visite nossso site: www.mobon.org.br


3 Apresentação A Campanha da Fraternidade (CF) é uma feliz e abençoada iniciativa da Igreja no Brasil. A ideia surgiu na cidade de Nísia Floresta, na Arquidiocese de Natal – RN. Em nível nacional, a primeira Campanha da Fraternidade no Brasil aconteceu em 1964, durante o Concílio Vaticano II. Cada CF busca despertar o espírito comunitário, educar para a fraternidade, renovar a consciência e tornar a todos mais comprometidos com o Evangelho e com a defesa da vida humana e do planeta. Neste ano, somos chamados a refletir o tema: “Fraternidade e Fome”. A fome adoece e mata. Desse modo, se há gente passando fome, é sinal de que a fraternidade querida por Deus foi quebrada. Jesus veio para que todos tenham vida e vida em abundância (Jo 10,10). Sua Paixão, Morte e Ressurreição, o mistério Pascal, preparado durante a Quaresma, nos aponta para um mundo onde todos possam viver com dignidade. Os primeiros cristãos entenderam bem isso; “Entre eles não haviam necessitados” (At 4,34-35). Nesse sentido vem o lema que anima essa CF, na verdade é uma ordem de Jesus para todos nós: “Dai-lhes, vós mesmos de comer!” (Mt 14,16). Nesse espírito, em comunhão com a Igreja do Brasil e particularmente com a nossa Igreja Diocesana, o Movimento da Boa Nova nos apresenta este Estudo Dirigido sobre a


4 Campanha da Fraternidade 2023. Ele está distribuído em cinco encontros que partem sempre da Palavra de Deus e buscam ver-escutar a situação da fome. A ambição e injustiças geram miséria e aprofundam a situação da fome (1º e 2º); iluminar-discernir mediante a vontade de Deus e o Ensino Social da Igreja. Fome sim, de partilha, justiça e comunhão, importa sermos parte da solução (3º e 4º); e busca pistas para o agir cristão no enfrentamento à fome, pois, fraternidade é vencer a fome (5º). É nosso anseio que cada paróquia, cada comunidade, cada batizado(a) se empenhe em abraçar essa CF 2023. “Quem tem fome, tem pressa!” Que possamos valorizar os cursos, encontros e reflexões que aprofundem o conteúdo desta Campanha, afim de favorecer não apenas a descoberta das causas da fome, mas sobretudo, seja capaz de desembocar em atitudes concretas capazes de ir à raiz dos problemas e somar forças para vencer esse drama que atinge a tantas famílias. Como uma Igreja Sinodal, num grande mutirão contra a fome, caminhemos juntos a serviço da fraternidade. É o que peço a Deus, por intercessão da Virgem Mãe, que alimentou Jesus, abençoando a todo vocês e a seus familiares, em nome do † Pai, e do † Filho e do † Espírito Santo. Amém. Caratinga, 24 de novembro de 2022. + Dom Emanuel Messias de Oliveira Bispo Diocesano de Caratinga


5 Introdução: Todos nós conhecemos o poder de uma erva daninha, quando não a enfrentamos ela cresce, rouba a vida e mata a planta. O pecado é uma “erva daninha” que ameaça a nossa vida. O pecado tem de ser enfrentado. A Igreja do Brasil, durante a Quaresma, ao contemplar os mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, nos convida a uma atitude de verdadeira conversão pessoal, familiar, comunitária e social. Trata-se de uma mudança de vida para superação do pecado, da injustiça e das situações de morte presentes em nosso meio. O Texto Base (TB) desta Campanha da Fraternidade (CF) nos lembra que a conversão não pode ser reduzida “apenas a uma atitude individualista”, somos chamados à verdadeira fraternidade universal (TB 1). A CF nasceu na Cidade de Nísia Floresta, na Arquidiocese de Natal – RN. Em nível nacional, a primeira aconteceu em 1964, durante o Concílio Vaticano II. A “CF não é uma campanha sobre a Quaresma e seus exercícios de piedade: [...] oração, jejum e esmola, caridade, Via-Sacra e tantos outros.” A CF busca despertar o espírito comunitário, educar para a fraternidade e renovar a consciência. Em resumo: “verificar a coerência com o projeto do Reino de Deus mediante a escuta mais atenta e comprometida do Evangelho” (TB 3). Neste ano, a CF traz como tema: “Fraternidade e Fome”. Deus que é Pai de todos, quer que todos os seus filhos e filhas tenham o necessário para viver com dignida-


6 de. Que ninguém passe necessidade (cf. At 2,46). A fome adoece e mata. A fome é um grave pecado social. Se há gente passando fome a fraternidade querida por Deus foi quebrada. “O Brasil sente fome.” Por isso, já é a terceira vez que a Igreja do Brasil volta ao tema da fome na CF. Em 1975, o tema foi “Fraternidade é repartir” e o lema, “Repartir o pão”, escolhidos do Ano Eucarístico e do Congresso Eucarístico de Manaus. A segunda foi no Ano Eucarístico em 1985, com o Congresso Eucarístico de Aparecida, com o lema “Pão para quem tem fome”. Neste ano de 2023, após o 18º Congresso Eucarístico Nacional, (11 a 15/11/2022, Recife-PE), a Igreja no Brasil, por meio de uma consulta pública, nos coloca, pela terceira vez, diante do flagelo da fome. O lema é uma ordem de Jesus aos seus discípulos de ontem e de hoje: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mt 14,16). “É vocação, graça e missão da Igreja obedecer e cumprir a ordem de Jesus” (TB 12). O objetivo principal desta CF 2023 é sensibilizar a sociedade e a Igreja para enfrentarem o flagelo da fome, que atinge uma multidão de irmãos e irmãs, por meio de compromissos que transformem esta realidade a partir do Evangelho. Para levar adiante o Texto Base apresenta outros objetivos mais específicos (TB p. 9). Nosso estudo contém 5 encontros que, a partir da Palavra de Deus, procura ver/escutar as causas e a situação da fome no Brasil, depois iluminar/discernir essa situação buscando a vontade de Deus para a humanidade e termina com pistas de ação para a superação da fome. Abrace essa CF e dê sua contribuição para vencer o flagelo da fome. E, não se esqueça: “Quem tem fome, tem pressa!”


7 1º Encontro: Ambição e injustiças geram miséria e fome Chave de Leitura: Lucas 12,13-21 1. Que cuidados Jesus recomenda? 2. Qual era a ambição do homem rico? 3. O que, de fato, é o mais importante? 4. O que este texto nos diz frente ao espírito capitalista? A vontade de acumular, de juntar riquezas domina as pessoas, a sede de lucro, de poder e de prazer deixam muitas pessoas cegas e dispostas a tudo para satisfazer suas vontades. Jesus nos mostra a importância de sermos livres diante dos bens econômicos e de não deixarmos que a avareza tome conta de nós.


8 Jesus, que conhece nossos corações, faz uma séria advertência: “Tenham cuidado com qualquer tipo de ganância. Porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a sua vida não depende de seus bens”. Nessas palavras de Jesus vemos uma denúncia ao espírito materialista no qual vivemos, hoje. Ele nos revela que a felicidade não está na posse dos bens. Algo que nos desafia hoje é que algumas correntes religiosas pregam justamente o contrário e acham que quanto mais bens nós temos, mais próximo de Deus ficamos! Em uma entrevista, o Papa Francisco nos recorda um dito de Santo Ambrósio: “Não é dos teus bens que tu doas ao pobre; tu só lhe devolves o que lhe pertence. Porque é àquilo que é dado em comum para o uso de todos que tu te apegas. A terra é dada a todos, e não somente aos ricos”. Foi afirmando-se nisso que o Papa Paulo VI afirmou, na Populorum progressio, que a propriedade privada não constitui para alguns um direito incondicional e absoluto, e que ninguém está autorizado a reservar para o seu uso exclusivo aquilo que supera a sua necessidade, quando aos outros falta o necessário. O Papa retoma também São João Crisóstomo: “Não compartilhar os próprios bens com os pobres significa roubá-los e privá-los da vida. Os bens que possuímos não são nossos, mas deles” (cf. ‘Cuidar de quem é pobre não é comunismo, é Evangelho’). Na parábola, o rico insensato nos faz lembrar alguns ricos de nossos dias: aqueles políticos, presidentes de multinacionais, grandes produtores, madeireiros,


9 garimpeiros, mineradoras, que querem se enriquecer, sem se preocupar com imenso problema que isso produz no custo dos alimentos e na destruição da natureza. Em resumo, a ambição e a injustiça é que são causa da miséria e da fome. No Brasil, que é um país rico, a pobreza e a fome são fabricadas por um modo desumano de organizar a sociedade. O Brasil não vem sendo pensado para ser de e para todos. Além disso, a pessoa humana, não tem só fome de comida, tem fome de justiça, de relações justas que lhe garantam a sobrevivência; tem fome de cidadania, tem fome de beleza, tem fome de sentido, tem fome de transcendência, “tem sede de Deus” (Sl 41[42]) (TB 11). A CF 2023 nos lembra que no Brasil, “a fome não é simplesmente um problema ocasional, é um fenômeno social e coletivo, estrutural, produzido e reproduzido no curso ordinário da sociedade, que normatiza e naturaliza a desigualdade, é um projeto de manutenção da miséria em vista de perpetuação no poder. Já afirmava a nossa escritora Carolina Maria de Jesus: “Quem inventou a fome são os que comem” (TB 30). “A fome no Brasil é um escândalo! Um escândalo de proporções inimagináveis. Em nosso País, há 125,2 milhões de brasileiros que nunca sabem quando terão a próxima refeição” (TB 31). Em 1960, para cada rico no mundo, havia 30 pobres; hoje, para cada rico, há 80 pobres. A pandemia ampliou o abismo entre ricos e pobres. Desde a pandemia, de março de 2020, o país ganhou 10 novos bilionários. Multinacionais e bancos ampliaram abusivamente seus


10 lucros... A riqueza dos bilionários cresceu 30%, enquanto 90% da população teve uma redução de 0,2% entre 2019 e 2021. Os bilionários cresceram mais durante a pandemia que nos últimos 14 anos. Em paralelo, na América Latina, o número de desempregados cresce. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) apurou que a pandemia deixou 41 milhões de desempregados. O Banco Mundial estima que 50 milhões de latino-americanos cairão abaixo da linha da pobreza. O cenário atual da fome no Brasil: 6 de cada 10 pessoas, ou 125 milhões da nossa população, enfrentam diariamente dificuldades para se alimentarem e 12% dela vive em situação de Insegurança em relação à água. As pessoas negras, mulheres, povos originários, povos e comunidades tradicionais são a maioria entre as formas mais severas de insegurança alimentar e nutricional; o racismo, a discriminação e as desigualdades são estruturais na constituição e história do nosso país; a violência urbana e rural, dirigida aos defensores de direitos, população negra e indígena, atingiu níveis alarmantes. As graves crises políticas, a injustiça e a falta duma distribuição dos recursos naturais fazem morrer de fome milhões de crianças, já reduzidas a esqueletos humanos. O ser humano é considerado um bem de consumo – “usar e jogar fora” – assim teve início a “cultura do descartável”, que chega a ser promovida. Isso é sintoma de injustiça social, de uma economia que mata. Os excluídos não são explorados, mas resíduos, “sobras” humanas (EG 53).


11 A CF 2023 nos leva a contemplar Jesus sendo crucificado pela fome em milhões de brasileiros e de pessoas espalhadas pelo mundo. Somos chamados a buscar celebrar a Páscoa de pão, vida e dignidade para todos e todas. Afinal Jesus veio “para que todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10) O fechamento em nós mesmos, nos afasta da proposta do Reino: isolamento, não! proximidade, sim! confronto, não! cultura do encontro, sim! APROFUNDAMENTO: O que sabemos da fome em nossa comunidade, bairro, ou em nossa cidade? Partilhe!


12 2º Encontro: Situação da fome no Brasil Chave de Leitura: Isaías 58,1-10 1. O que Deus pede ao profeta? 2. Por que Deus não aceita aquele jejum? 3. O que, de fato, agrada a Deus? 4. O que este texto nos diz sobre Fraternidade e fome? No texto acima, Deus estimula o profeta a gritar em alta voz e sem parar, como se fosse um trombeta, para denunciar os crimes e pecados do povo e seus dirigentes. A cidade santa, Jerusalém, vivia uma religião de aparências, sem compromisso com a vida. Com cultos e ritos religiosos vazios, longe de Deus, desprovidos da prática do direito e da justiça. Por isso o jejum e a peni-


13 tência não eram acolhidos por Deus. Cada um buscava apenas o próprio interesse, exploravam os trabalhadores, alimentavam rixas, discussões e violência. O jejum desejado por Deus é outro: vencer as injustiças, libertar os oprimidos, repartir o pão com os famintos, acolher os pobres e sofredores. É isso que agrada a Deus. Em resumo, a fome pode ser vencida se a justiça for restaurada no meio de nós. O Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, no entanto, depois de 8 anos, voltou ao Mapa da Fome da ONU. Entre 2004 e 2013, políticas públicas de erradicação da pobreza e da miséria foram criadas e reduziram a fome para menos da metade do índice inicial. Em 2010, o Brasil era líder entre os países em desenvolvimento com as políticas mais eficientes no combate à fome. A situação da fome se intensificou com a má gestão da pandemia da COVID-19. “A pandemia ampliou todas as desigualdades existentes em nossa sociedade”. Com a crise, os supermercados passaram a vender ossadas e carcaças de animais. O PROCON de Santa Catarina emitiu recomendação para que os restos continuassem sendo doados e não vendidos. Essa venda é infração ao Código de Defesa do Consumidor. Existem quatro causas principais da fome: conflitos armados, choques climáticos, choques econômicos e choques sanitários. Atualmente estamos vivendo uma “tempestade”, em alguns lugares do mundo, estes quatro fatores estão acontecendo ao mesmo tempo. No Brasil, com 214 milhões de habitantes, mais da metade (58%), ou seja, 125 milhões convivem com


14 alguma forma de insegurança alimentar. Há três níveis de insegurança alimentar: leve (incerteza próxima), moderada (quantidade insuficiente) e grave (privação e fome). Mais de 33 milhões (15,5%) de pessoas enfrentam a fome em nosso país (TB 40). Mais de 800 milhões de pessoas passaram fome no mundo em 2021. O relatório nacional “Olhe para a fome“, (novembro/2021 e abril/2022), aponta que o Brasil enfrenta um retrocesso que relembra a situação da década de 1990, em que a fome tomava conta dos noticiários. É profunda a desigualdade no Brasil. O desemprego elevado, a precarização, a “uberização” do trabalho, a perda dos direitos sociais e a queda do poder aquisitivo do salário aumentam o drama da fome. A fome tem cor, gênero, raça... As mulheres e pessoas negras sofrem mais (TB 41). Os pobres são as grandes vítimas da fome e, além da fome vem o desafio da subnutrição que diminui a resistência às enfermidades e atinge sobretudo as crianças, mulheres grávidas ou em período de amamentação, os enfermos e pessoas idosas (TB 44). Mas, como chegamos a isso? Vivenciamos um desmonte das políticas públicas de enfrentamento da pobreza, da fome e da insegurança alimentar; Os trabalhadores e trabalhadoras sofreram uma drástica redução da renda a partir do aumento do número das pessoas desempregadas, subempregadas, e em trabalho informal, provocando o acelerado empobrecimento da maior parte da população (TB 49); Foi adotada uma política de austeridade fiscal que negligenciou a necessidade de políticas e serviços sociais;


15 Uma exploração predatória da natureza e dos territórios, com ameaças e ataques recorrentes aos povos e territórios indígenas e povos tradicionais, via atividades ilegais que geram violência, destruição e mortes; alta inflação e elevadas taxas de juros, com maior impacto sobre as famílias mais pobres; extinção do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA) e desmonte do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN) (TB 53). Fica evidente que as maiores causas da fome não se devem a fatores climáticos, guerras ou desastres naturais. A fome é construída. No Brasil, uma das principais causas da fome é o modelo de distribuição da terra (a estrutura fundiária, os latifúndios). É um modelo excludente, causador de enormes desigualdades. Para superar a fome é urgente uma justa distribuição da terra, uma justa reforma agrária (TB 46). Além disso, é necessária uma política agrícola mais livre do sistema econômico financeiro que não se entregue às vontades do mercado internacional que quer determinar o que deve ou não plantar. O agronegócio aquece o mercado externo, mas não promove o abastecimento local, “o mercado premia os fortes e pune os fracos” (TB 54). Urge uma política agrícola que valorize a agricultura familiar com a diversificação da produção agrícola para o consumo, que movimente o mercado local. Produzir primeiro para comer, não para lucrar e exportar (TB 47). O Papa Francisco no II Fórum Mundial da Alimentação (FAO, outubro 2022) afirmou: “A alimentação é


16 fundamental para a vida humana, de fato, participa da sua sacralidade e não pode ser tratada como qualquer mercadoria. Os alimentos são sinais concretos da bondade do Criador e frutos da terra.” Os alimentos são dons de Deus: “Respeitar os alimentos e dar-lhes o lugar preeminente que ocupam na vida humana só será possível se, além da preocupação com sua produção, disponibilidade e acesso, bem como com as medidas técnicas do comércio agrícola, tomarmos consciência de que são um dom de Deus do qual somos meros administradores.” Deus quer que aprendamos a repartir a comida e os direitos com quem passa fome (Is 58,7). A CF 2023 nos aponta que é preciso descer da cruz os crucificados pela fome. APROFUNDAMENTO: Nosso povo de comunidade enxerga essa realidade da fome ou tem fechado os olhos a ela? Por quê?


17 3º Encontro: Fome sim, de justiça, partilha e comunhão! Chave de Leitura: Mateus 14,13-21 1. Qual a reação de Jesus ao ver a multidão? 2. Qual a atitude dos discípulos diante do povo faminto? 3. Como Jesus trata o problema da fome? 4. O que este texto diz para nós, diante desta CF? Diante da multidão, Jesus se encheu de compaixão. Ele é o pastor que ama, tem carinho, cuida de seu povo. Ter compaixão vai além do sentimento, é uma ação solidária e libertadora em socorro a quem sofre. Por isso, Jesus cura os enfermos e anuncia ao povo a boa nova do Reino. Já os discípulos, que ainda não agiam com a mesma compaixão e solidariedade, querem despedir


18 a multidão. Os discípulos procuram fugir do problema e entregar o povo à própria sorte (Mt 14,15). Jesus devolve aos discípulos a responsabilidade de ajudar a resolver o problema da fome: “Vocês é que tem de lhes dar de comer!” (Mt 14,16). Os discípulos, envergonhados, sinalizam que a comida é pouca: “Só temos aqui cinco pães e dois peixes” (Mt 14,17). Jesus aponta que a solução da fome começa com a partilha: “trazei-os aqui!” (Mt 14,18), “o pouco com Deus é muito”. Os seguidores(as) de Jesus, têm a missão de ajudar a resolver o problema da fome. Não podemos fechar os olhos e negar essa dura realidade diante de nós. A atitude de Jesus com os discípulos nos compromete com a busca de solução para a fome de pão, de justiça, de partilha e comunhão. Nós temos responsabilidade sobre o destino do mundo. O que podemos fazer para que o mundo seja mais justo, fraterno, humano e de paz? (TB 28). A má gestão pública da pandemia no Brasil foi um fator agravante do cenário da fome. A reativação da economia é insuficiente para o combate à fome. Fica evidente que a solução da fome está na busca da jus- tiça, na partilha e no não desperdício de alimentos. É preciso garantir a todos o direito à alimentação, à preservação ambiental e ao bem estar. O “Instituto Fome Zero” aponta que os motivos que levaram à crise da fome estão além do COVID-19 e envolvem crises e altas nos preços. Boa parte da crise vem da ideia de que o Brasil não precisa de estoques reguladores de alimentos. O Brasil ficou dependente de importações


19 e à mercê da variação de preços internacionais. Isso é um absurdo, diante da abundância que temos no Brasil. Durante o governo anterior (2019-2022), o Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA) foi extinto, assim como o Bolsa Família. Foi criado o Auxílio Brasil, porém sem a mesma contrapartida da presença nas escolas, vacinação, inserção nos programas sociais..., e garantia apenas até dezembro de 2022. Por causa da pobreza e da fome, reina um inaceitável silêncio internacional. Embora nos fascinem os avanços tecnológicos, não descortinamos um rumo verdadeira- mente humano para o país o mundo. As regiões mais afetadas pela fome ainda são: África, Ásia e América Latina. Se o combate à fome já era um desafio antes, a situação se intensificou com questões como o aumento dos preços que têm gerado inflação em todo o mundo. Não se pode tolerar o jogar comida no lixo, quando há pessoas que passam fome. É preciso dizer não à desigualdade e à injustiça social (EG 53). O Texto Base da CF 2023 também nos aponta a ligação estreita entre fome e sede. Onde falta água, falta energia, falta saneamento básico e a fome é maior. 42% das famílias que sofrem falta d’água também padecem a fome. Não é possível garantir a segurança alimentar sem garantir o acesso à água (TB 60). Há uma íntima relação entre fome e problema da moradia. Quem não tem onde morar, quem vive pelas ruas e, de certa forma, são invisíveis para a sociedade, é que mais sofre com a fome. O Brasil precisa de políticas públicas eficazes, capazes de atender a população mais


20 fragilizada e evitar a chamada “arquitetura hostil” que visam impedir a permanência dos pobres em espaços públicos. Isso é uma forma de torna-los ainda mais invisíveis à sociedade. Essa aversão aos pobres, aos famintos e desprezados tem o nome de “aporofobia”, uma atitude contrária ao Evangelho, contrária à vida (TB 64-66). A fome desestabiliza e desestrutura a família obrigando à migração forçada, gera violência doméstica, violência no campo e na cidade e muitos perdem o sentido da vida, às vezes enganando a fome com bebidas e drogas, daí também o aumento da criminalidade. A fome leva a substituir a comida saudável por alimentos mais baratos, mas prejudiciais à saúde, favorecendo a obesidade e, com ela, outras complicações à saúde. A fome interfere no desenvolvimento das crianças, no seu desenvolvimento intelectual e diminui a imunidade, tornando-as mais frágeis diante das doenças (TB 67-68). Por sua vez, em idosos e gestantes, a fome aumenta o risco de morte (TB 73). A CF 2023 faz o problema da fome vir à tona, pois quando não se fala, parece que a fome não existe. Daí a importância dos organismos de pesquisa que nos fazem olhar para a realidade. Não raro, queremos fugir à essa responsabilidade: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mt 14,16). No entanto, esse mandato de Jesus nos aponta para a conexão estreita entre fome e política. O sociólogo Betinho (Herbert de Souza) dizia que “a alma da fome é política” (TB 78). Não há solução para a fome apenas por meios assistencialis-


21 tas com doações de cestas básicas e distribuição de quentinhas nas ruas e viadutos. Sem políticas públicas que priorizem o combate à fome e às injustiças, que gerem emprego, veremos perpetuar o problema da fome. Para o combate à fome, um passo indispensável é criar ou reativar os COMSEAs (Conselhos Municipais de Segurança Alimentar) e fazer deles o instrumento de políticas públicas para a superação da fome (TB 83). Para vencer a fome é preciso ainda reforçar o cuidado com nossa Casa Comum: preservar a natureza, descobrir técnicas alternativas de manejo da terra, evitar os agrotóxicos, superar a “cultura do descarte” (TB 85-90). É preciso um mutirão de educação no combate à fome. Educar para a justiça, para a fraterni- dade e solidariedade, cuidar também de educar para a alimentação saudável nas escolas e universidades: “de modo nenhum separar a luta para comer da educação” (Paulo Freire) (TB 91-93). APROFUNDAMENTO: Quem vem levantando a voz, a favor dos famintos e dos mais sofridos? Partilhe!


22 4º Encontro: Ser parte da solução Chave de Leitura: Mateus 25,31-46 1. O que fazem os abençoados do Reino? 2. O que fazem os que se afastam do Reino? 3. Este texto fala da vida eterna ou da nossa vida hoje? 4. Como podemos ser parte da solução frente à realidade da fome? “Venham vocês que são abençoados de meu Pai!” (Mt 25,34). No texto bíblico a bênção de Deus está li- gada às ações de solidariedade e de promoção da vida neste mundo. Trata-se das “obras de misericórdia”, elas indicam o caminho capaz de nos conduzir à salvação. Quem pratica as obras de misericórdia se aproxima do Reino de Deus, quem não as pratica se afasta do Reino: “Afastem-se de mim, malditos!” (Mt 25,41b). Isso indica que nosso modo de viver no mundo, nossas


23 obras é que dizem se somos ou não contados entre os abençoados de Deus. Esse texto nos aponta que seremos julgados pelos pobres e sofredores, o que fizermos ou deixarmos de fazer a favor deles, dos últimos, é que marca o nosso destino na eternidade. As ações religiosas, as práticas devocionais, os cultos e celebrações existem para nos aproximar de Deus, para nos confirmar na prática das obras de misericórdia. A devoção, por mais bonita que seja, se não vem acompanhada das obras de mi- sericórdia perde o seu sentido. Os ritos religiosos se estiverem desprovidos de compromisso com a defesa da vida humana e do planeta se esvaziam e não nos aproximam de Deus. O Pai nos fez a todos irmãos e criou o mundo como nossa “Casa Comum”, casa de todos, para que todos tivessem vida em abundância (Jo 10,10). Por isso, um dos princípios da ética cristã é o destino universal dos bens: Deus criou este mundo e deu tudo para todos. Todos têm o direito ao necessário para viver uma “vida em abundância”, com austeridade. No entanto, segundo a FAO, a Organização das Nações Unidas para Alimenta- ção e Agricultura, a cada dia, morrem 35.000 crianças de fome, isto é, 10 vezes o número de pessoas mortas na destruição do World Trade Center nos EUA. Na América Latina, 44,4% da população vivem na pobreza e 19,4% na extrema indigência, perfazendo um total de 63,8% de excluídos. Dos 6 bilhões de habitantes do Planeta, ape- nas 1,5 bilhão de pessoas gozam de todos as benesses produzidas pelos sofisticados meios tecnológicos, 4,5 bilhões se encontram numa situação de total exclusão.


24 Isto nos revela que a riqueza é que gera a pobreza. Infelizmente, 20% da humanidade detém 80% dos recursos do planeta e os demais 80% só têm acesso a 20% dos bens. Na década de 1960, Josué de Castro, em seu livro “Geografia da Fome”, dizia: “metade da humanidade dorme com fome e a outra metade dorme com medo daqueles que tem fome”. Hoje, a concen- tração da riqueza se agravou ainda mais: dois terços da humanidade dormem com fome e o outro terço já nem dorme por medo dos que têm fome. O Papa Francisco denuncia que “no mundo atual, esmorecem os sentimentos de pertença à mesma hu- manidade e o sonho de construirmos juntos a justiça e a paz parece uma utopia de outros tempos” (FT 30). “Neste mundo que corre sem um rumo comum, respira- -se uma atmosfera em que a distância entre a obsessão pelo próprio bem-estar e a felicidade da humanidade partilhada parece aumentar: até fazer pensar que entre o indivíduo e a comunidade humana já esteja em curso um cisma” (FT 31). Como seria bom se, ao aumento das inovações científicas e tecnológicas, correspondesse também uma equidade e uma inclusão social cada vez maior! Como seria bom se, enquanto descobrimos novos planetas longínquos, também descobríssemos as necessidades do irmão e da irmã que orbitam ao nosso redor!” (FT 31). Bento XVI, na Caritas in Veritate (n. 47), fala do surgimento de um novo poder político, que tende a crescer - a sociedade civil. Ele aponta a importância dos micro-projetos e, sobretudo, a mobilização real de to- dos os sujeitos da sociedade civil... Isso nos sinaliza que


25 a Democracia é a forma de lidar com a incerteza e as diferenças de toda índole. Não deveria haver titubeios diante da preferência por processos democráticos, eles nos ajudam na luta contra a fome. Por isso é importante lembrar algumas iniciativas que já estão em curso para vencer a fome. Há muita gente lutando contra a fome: Igrejas, Movimentos Sociais, ONGs e outras instituições. Entre elas merece destaque a Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP), fundada em París em 1833 e está presente em 150 países, auxiliando, diariamente 30 milhões de pessoas (TB 95); a Caritas Brasileira (1956), um organismo da CNBB, umas das 170 organizações da Caritas Interna- cional, com ações na linha de campanhas emergenciais, projetos produtivos, incidência política. Tem uma rede de mais de 15 mil agentes, valoriza ações locais, comu- nitárias e territoriais (TB 96); Movimentos do Custo de Vida (MCV), Movimento contra a Caristia (MCC) (TB 97), a Pastoral da Criança (1983) (TB 98), O Movimento dos Sem Terra (MST) com ações solidárias, produção e distribuição de alimentos, formação e educação para a cidadania (TB 99), a estratégia Fome Zero, iniciada por Betinho (2003) e entre outras, a CNBB com várias ações de parceria contra a fome (TB 102); Além disso é preciso destacar a Economia Solidária que é um jeito diferente de produzir, vender, trocar e comprar sem exploração, sem querer levar vantagem e sem poluir ou destruir o meio ambiente (TB 103-105); A Economia de Comunhão (1991) com objetivo ajudar a quem se encontra em dificuldade e visando vencer as desigualdades sociais (106-108); A Economia de


26 Francisco e Clara (2019) por meio da qual jovens de todo o mundo buscam uma outra economia possível, um pacto para “Realmar a Economia” (TB 109-111). É fundamental ajudarmos a estabelecer parcerias só- lidas entre esses diversos organismos e movimentos de combate à fome. Sozinhos podemos ir mais rápido, mas somente juntos poderemos ir mais longe. Ubuntu, “sou quem sou, porque somos todos nós”, representa uma filosofia e uma ética antiga africana. Uma pessoa com ubuntu tem consciência de que o que atinge a uma pessoa atinge a todos. Sabe que não é uma ilha, somos continentes interligados uns com os outros. Se tem um passando fome, todos somos responsáveis, devemos ser parte da solução. APROFUNDAMENTO: Como podemos ser parte da solução frente à realidade da fome? Dê sugestões.


27 5º Encontro: Fraternidade é vencer a fome Chave de Leitura: Eclesiástico 4,1-10 1. Como agir diante dos famintos e sofredores? 2. A que não se deve dar ocasião ou motivo? 3. O que fazer diante do opressor? 4. O que esse texto diz para nossa realidade hoje? A figura do pobre, do faminto desmascara a injustiça social, as estruturas que acumulam riquezas nas mãos de alguns e condenam muitos à miséria e fome. Não podemos ser cúmplices dessa injustiça: “Arranque o oprimido do poder do opressor e não seja covarde em fazer justiça” (Eclo 4,9). Deus nos move para socorrer o pobre, o oprimido, o sofredor. É a solidariedade que salva vidas, salva o mundo. A solidariedade é caminho para o enfrentamento da fome, ela passa pela união de pessoas e instituições”. “Um mundo diferente está sendo gerado em meio à pandemia... Compaixão e fraternidade são princípios básicos, e podemos começar já agora... nossa ação deve contemplar três níveis: o assistencial, promocional e o sociopolítico (TB 160).


28 O Texto Base da CF 2023 indica algumas Propostas de AÇÃO PESSOAL (TB 166), indicando o que cada um pode fazer diante do drama da fome: partilhar algo com aqueles que mais necessitam; jejuar e doar a quem precisa; questionar o próprio estilo de vida e de alimentação; ser solidário(a) com os que passam fome; colaborar nas campanhas de arrecadação de alimentos; abolir o desperdício de alimentos e buscar reaproveitamento saudável; realizar uma doação significativa para a Coleta Nacional da Solidariedade; participar dos Conselhos de Direitos (humanos, da criança e do adolescente, da juventude, da pessoa idosa, de saúde...); praticar o voluntariado; envolver-se nos trabalhos que já existem: Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP), Pastorais Sociais, Caritas etc.; participar das discussões sociais de políticas públicas; envolver-se na política com espírito crítico e nas iniciativas públicas (governamentais ou não) de combate à fome e pobreza em seu município (TB 166). Propostas de AÇÃO COMUNITÁRIO-ECLESIAL (TB 167), indicando o que nós podemos fazer comunitariamente: divulgar e motivar a Coleta Nacional da Solidariedade, (Domingo de Ramos); fazer um levantamento das pessoas e famílias que passam fome; colocar murais, na igreja, centros de catequese, cozinhas comunitárias etc., com notícias atuais, a respeito da situação da fome na comunidade; articular os Meios de Comunicação e as mídias digitais para divulgar ações de superação da miséria e da fome; promover rodas de conversa; valorizar e incrementar as hortas comunitárias; conectar as comunidades, paróquias, movimentos, associações e dioceses às experiências de enfrentamento à fome; desenvolver pequenas feiras de produção agroecológica e cooperativismo; promover o Serviço da Caridade e as Pastorais Sociais na superação da fome;


29 E ainda, realizar encontros com catequistas, ministros extraordinários e agentes pastorais sobre a relação “Eucaristia e fome”; envolver-se em iniciativas ecumênicas e interreligiosas para a superação da fome; divulgar as boas experiências na promoção do bem-viver; fazer eco às vozes que se levantam contra a fome; promover as “sextas-feiras da fraternidade”, a exemplo do Papa nas “sextas-feiras da misericórdia”; valorizar a Jornada Mundial dos Pobres em âmbito comunitário, paroquial, diocesano, regional e nacional; investir e apoiar as Casas de Francisco e Clara em vista de uma economia inclusiva; criar escolas ou grupos de Fé e Política; realizar a Semana Social em cada Diocese, vivenciada por todas as paróquias, movimentos, associações; promover formações sobre a Doutrina Social da Igreja; manter portas abertas em nossas igrejas para o acolhimento imediato e para o cuidado continuado dos pobres e necessitados (EG 2, 17, 46-49) (TB 167). Propostas de AÇÃO SOCIOPOLÍTICA (TB 168): o que nós – sociedade cidadã – podemos fazer e cobrar daqueles que elegemos? A – SOCIEDADE CIVIL: propor o tema da fome nas associações de bairro, sindicatos, partidos políticos, câmaras municipais, estaduais e federal; ouvir os pobres e famintos; promover o voluntariado no campo da assistência social; realizar pesquisas que levem а produção e comercialização de alimentos sadios, mais baratos para a mesa do pobre; fiscalizar a aplicação do orçamento público; realizar, a partir dos CRAS, ações de solidariedade; organizar grupos de orientação e educação alimentar, economia doméstica, horta em casa etc., promover audiências públicas sobre a situação da fome, suas causas, consequências e soluções; desenvolver atividades interdisciplinares nas escolas sobre


30 o tema da fome; organizar hortas comunitárias, envolvendo as pessoas aposentadas. B – GOVERNO MUNICIPAL, ESTADUAL e FEDERAL: implementar políticas públicas eficazes para erradicação da fome; incentivar a produção diversificada de alimentos na agricultura familiar; investir na alimentação escolar; valorizar a compra de alimentos da agricultura familiar para merenda escolar; ampliar os mercados populares de alimentos e as feiras livres populares, investindo numa logística de armazenagem, transporte, conservação etc.; combater os lixões ilegais, em que as pessoas vivem em situação análoga à escravidão; estimular o pequeno produtor e o pequeno comércio; investir no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE); garantir uma política de preços da cesta básica acessível a toda população; incentivar a produção diversificada de alimentos na agricultura familiar; realizar uma justa reforma do sistema tributário nacional; corrigir o valor per capita repassado pelo Fundo Nacional de Educação (FNDE) para ampliar a alimentação escolar... “Vencer a fome de uma vez por todas” é “um dos maiores desafios da humanidade”. É “um objetivo ambicioso”. Francisco lembra a necessidade urgente de soluções inovadoras para transformar o nosso modo de produzir e consumir. “As nossas ações são o nosso futuro. Melhor produção, melhor nutrição, um ambiente melhor e uma vida melhor”. Cuidado com a nossa Casa Comum, uma casa de todos, para todos, preservada para garantir a vida e bem-estar de toda a humanidade. APROFUNDAMENTO: Quais serão os nossos gestos concretos, a partir desta CF 2023?


31 Cânticos da Campanha da Fraternidade 2023 01. És bendito, Senhor (Ré- Pop ) L.: Pe. Zé Antonio M.: Paulo Felix Delesposte 1. Com ternura, Deus criou todo este mundo, / e nos fez com muito amor e para o amor. / Pôs em nós este desejo tão profundo / de amar e dar à vida mais sabor. És bendito, Senhor, pela terra, / Mãe de todos e casa comum! Que oferece os seus dons e espera / que não falte o alimento a nenhum. 2. Toda fome é um clamor que chega aos céus. / É denúncia do egoísmo e da ambição. / É mentira se dizer que ama a Deus, / se não sente a dor que fere o seu irmão. 3. Cristo ensina a compaixão que é pessoal. / Não querer que cada um cuide de si. / Mas também fala do amor que é social. / Todos juntos pra seu Reino construir. 4. Eis o tempo de mudar, voltar às fontes, / quando a Igreja tinha tudo em comum. / Perceber que nossa meta e horizonte / é que todos, no amor, sejamos um. 02. Louvor a vós, ó Cristo (Si+ Canção) M.: Fabrício Lopes – Pedra Bonita - MG Louvor a vós, ó Cristo, / Rei da eterna glória. / Rei da eterna glória! Numa nuvem resplendente fez-se ouvir a voz do Pai: / Eis meu Filho muito amado, escutai-o, todos vós


32 03. Hino da Campanha da Fraternidade 2023 L.: Clark Victor Frena e Geovan Luiz Alberton 1. Vocação e missão da Igreja: / responder ao apelo do Senhor, / de sermos no mundo a certeza / da partilha, milagre do amor. Ó Bom Mestre, a vós recorremos , / ajudai-nos a fome vencer. / Recordai-nos o que nós devemos: / “Dai-lhes vós mesmos de comer”. 2. Jesus Cristo, Pão da vida plena, / em sua mesa nos faz assentar. / E sacia a nossa pobreza, para um mundo mais justo formar. 3. Unidos nesse tempo propício, / de jejum, oração, caridade, / recordemos, pois é nosso ofício, cultivar e plantar a bondade. 4. A ausência da fraternidade / nos leva a desviar o olhar / do irmão que tem necessidade / de valor, alimento e lugar. 5. A fome agravada no mundo, / vem de uma visão arrogante. / A carência do amor mais profundo, / que nos torna irmãos tão distantes. 6. Nas cidades e em todo lugar, / que se abra o nosso coração / à alegria de poder partilhar / o pão nosso em feliz oração.


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34 Oração da Campanha da Fraternidade 2023 Pai de bondade, ao ver a multidão faminta, vosso Filho encheu-se de compaixão, abençoou, repartiu os cinco pães e dois peixese nos ensinou: “dai-lhes vós mesmos de comer”. Confiantes na ação do Espírito Santo, vos pedimos: inspirai-nos o sonho de um mundo novo, de diálogo, justiça, igualdade e paz; ajudai-nos a promover uma sociedade mais solidária, sem fome, pobreza, violência e guerra; livrai-nos do pecado da indiferença com a vida. Que Maria, nossa mãe, interceda por nós para acolhermos Jesus Cristo em cada pessoa, sobretudo nos abandonados, esquecidos e famintos. Amém (TB 2023)


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