35 Mês da Bíblia 2022 Estudo do livro de Josué “O Senhor, teu Deus, estará contigo por onde quer que vás” (Js 1,9)
1 Movimento Boa Nova Estudo do Livro de Josué “O Senhor, teu Deus, está contigo por onde quer que andes” (Js 1,9) Mês da Bíblia 2022 Dom Cavati - 2022
2 Ficha Técnica: Texto: João Resende e Denilson Mariano da Silva Diagramação: Denilson Mariano Revisão: Denilson Mariano Imagens: Reprodução Capa: cbccraftssharing ISBN - Casa do Mobon Rua Santa Maria, 346 - Serapião II Dom Cavati - MG Fone: (33) 3357-1348 Visite nossso site: www.mobon.org.br
3 Apresentação A Igreja do Brasil celebra o Mês da Bíblia desde 1971. É uma forma de tornar a Palavra de Deus mais conhecida, amada e vivida. A cada ano é escolhido um livro ou um tema bíblico, a ser estudado em nossas Paróquias e Comunidades. O Livro de Josué foi o escolhido para o Mês da Bíblia 2022. Um dos motivos para a escolha do Livro de Josué é a lembrança dos 200 anos da “Independência do Brasil” (1822). O tema central do Livro de Josué é a entrada do povo de Deus na Terra Prometida. À luz desse Li- vro, somos chamados a voltar nossa atenção sobre a importância da terra, na nossa história. A terra é um dom de Deus, que é fonte de vida para todos, e que precisa ser repartida, cuidada e preservada. O lema que conduzirá o estudo é: “O Senhor teu Deus está contigo, por onde quer que vás” (Js 1,9). A grande certeza, que já desponta, é que Deus caminha conosco, Ele está sempre ao nosso lado e, ao mesmo tempo, pede e exige a nossa fidelidade à sua Palavra. O Movimento da Boa Nova, que prioriza a evan- gelização, a partir da Palavra de Deus, e aposta nos Leigos com Bíblia nas mãos, a cada ano prepara um subsídio, a partir do Texto-Base oferecido pela CNBB. Com uma linguagem acessível e próxima do povo de nossas Comunidades, temos em mão cinco encontros, que traçam um panorama de todo o Livro de Josué.
4 Cada encontro tem um texto bíblico de referência, com uma chave de leitura, que nos faz mergulhar na Palavra de Deus. O subsídio inicia, destacando que a fidelidade a Deus é que possibilita e garante uma vida digna; e este é o desejo de Deus para todo o seu povo (1). – Depois, salienta que a hospitalidade favorece a conquista da terra; e que é preciso usar de estraté- gias, para alcançar esse objetivo (2). – Josué reparte a terra, para que todos possam viver com dignidade; e fomenta uma nova organização do povo (3). – Em seu Testamento final, Josué pede fidelidade a Deus; sem ela, o povo perde a terra e corre o risco de voltar à escravidão (4). – É preciso tomar a firme decisão de não se afastar de Deus. Isso se dá na Assembleia de Siquém; que representa para nós, hoje, um apelo à sinodalidade (= caminhar juntos) (5). A Palavra de Deus é uma fonte que não se es- gota. Revisitá-la, sempre, nos renova e nos enche de esperança. Tenham sempre ânimo e coragem para estudar, aprofundar e praticar a Palavra. Deixo aqui minha bênção sobre o João Resende, SDN e o Denílson Mariano, SDN e sobre toda a Equipe do MOBON; bem como sobre todos os leigos e leigas que irão aplicar este curso do Mês da Bíblia 2022; e todos e todas que deles participarem. Em nome do † Pai e do † Filho e do † Espírito Santo. Caratinga, 17 de junho de 2022 + Dom Emanuel Messias de Oliveira Bispo Diocesano de Caratinga
5 Introdução: O Mês da Bíblia, celebrado no Brasil desde 1971, pretende ser um tempo privilegiado para aprofundar o estudo de um livro ou uma temática bíblica. Atualmente, há o estudo de um livro do Antigo Testamento em um ano, no outro o estudo de um livro do Novo Testamento. Este ano a Igreja nos convida a aprofundar o Livro de Josué. Seu Lema é “O Senhor teu Deus está contigo por onde quer que vás” (Js 1, 9). O Livro de Josué trata da conquista da Terra de Canaã após a longa travessia pelo deserto. A Terra Prometida é a personagem principal desse livro e não Josué. A Terra é dom de Deus, mas não dispensa a iniciativa, o esforço humano; veremos que essa terra precisou ser conquistada. Deus trabalha em parceria com a humanidade. A terra é herança de Deus para o povo morar e viver em paz. A entrada na Terra marca o cumprimento da promessa de Deus feita aos patriarcas (cf. Gn 12-50). O Livro de Josué dá início aos livros denominados históricos, sendo o primeiro na sequência dos escritos bíblicos após o Pentateuco. Embora o livro de Josué apresente a conquista da Terra como fruto de uma geração, essa conquista foi fruto de um processo lento e demorado, às vezes pacífico, às vezes violento, que durou mais de dois séculos: iniciou no ano 1300 a.C. e só foi concluída no reinado de Davi (1000 a.C.). O livro pode ser dividido em três grandes partes: o relato da conquista da Terra (Js 1-12); a partilha da Terra
6 entre as tribos (Js 13-21); a despedida de Josué e a renovação da Aliança (Js 22-24). O livro de Josué descreve a ação de Deus na vida do seu povo escolhido, sempre pronto a combater em favor de quem lhe demonstra fidelidade. Como pano de fundo, está a teologia da retribuição. Isto é, Deus abençoa com vi- tórias a quem é fiel e castiga com derrotas quem se afasta da Aliança. Essa é uma chave de leitura para compreender porque Israel, depois de ocupar a Terra Prometida e viver nela por longos anos, a perdeu e foi levado para o exílio na Babilônia (597 e 587 a.C.). A redação final do livro de Josué se dá por ocasião da volta deste exílio (450 a 400 a.C.). Mas, os fatos são primeiro contados de pai para filho: histórias, lendas, fábulas se misturam e só depois são redigidos. O livro tem vários redatores, de épocas e grupos sociais diferentes, sua preocupação não é primeiramente escrever a história do povo, mas interpretar a história, destacando que Deus cumpre a sua promessa e pede ao povo fidelidade. O livro faz uma releitura dos fatos para mostrar o significado da conquista da Terra. O Mês da Bíblia 2022 nos ajuda a refletir sobre a importância da Terra na nossa história. A Terra é um dom que nos garante a vida com dignidade, que não é propriedade, mas presente de Deus. A Terra precisa ser repartida, cuidada, preservada. O Mês da Bíblia vem para alimentar nossa fé e nossa esperança no projeto de Deus que quer terra, pão, vida e futuro para todos. Ele nos ajuda a perceber, em toda a trajetória do povo brasileiro, a presença benevolente de Deus. Ele está conosco, mas quer que também nós estejamos com Ele, abraçando o seu projeto de justiça e fraternidade para todos.
7 1º Encontro: Fidelidade a Deus e garantia da vida Chave de Leitura: Josué 1,1-9 1. Quem era Josué? 2. O que Deus pede a Josué? 3. Que cuidados Josué deveria ter? 4. O que este texto aponta para o nosso Brasil hoje? Josué, filho de Num, significa “o Senhor salva”. Ele acompanhou Moisés e tornou-se o seu sucessor, dando continuidade à caminhada do povo. Ele tem a missão de organizar o povo para a conquista da Terra, fonte de vida e de dignidade (Js 1, 1). Josué tem consciência do caminho percorrido até ali e ruma para a Terra da Promessa, que estava situada desde
8 o deserto e o Líbano até o Eufrates (cf. Dt 11, 24-25). Uma terra do outro lado do Jordão, já ocupada por outros povos. Para melhor entender os acontecimentos, é preciso lembrar que, por volta do ano 1300 a.C, uma parte do povo explorado, que vivia nas planícies da Canaã, foge da exploração, refugiando-se nas montanhas, fugindo do controle dos reis e do faraó. A partir do ano 1200 a.C, o grupo, que saiu do Egito e atravessou o deserto, se insere nas pequenas aldeias já existentes nas montanhas de Canaã, iniciando um novo jeito de viver, partilhando a terra, os bens e as decisões. Cada vez mais, foi-se firmando a fé no Deus dos antepassados. Ele prometera a Josué que não o abandonaria, nem o desampararia. Mas para isso era preciso permanecer “firme e corajoso”. O que é pedido a Josué é um apelo, que devia ser levado a sério por todo o povo (cf. Jo 24, 15). Por isso, a insistência em ser perseverante na Palavra; aí a garantia de uma vida feliz. O sucesso da comunidade passa pela observância prática da Palavra e pelo cuidado de agir conforme a Lei do Senhor. Não se desviar dela, nem para a direita nem para a esquerda... A fidelidade era a garantia de que “o Senhor, teu Deus, estará contigo, por onde quer que andes!” (Js 1, 9). Josué é destacado como aquele que procura manter o povo no rumo da Aliança com Deus e zelando pela fidelidade do povo a Deus. Ele organiza o povo para enfrentar os reis das cidades estado, localizadas
9 na planície. Prepara provisões, deixa um grupo em lugar seguro com as mulheres, crianças e o rebanho, enquanto outro grupo se prepara para luta (Js 1, 14), para isso era fundamental a união do povo (Js 1, 16-17). A conquista e tomada de posse da Terra é em função de um futuro de vida e de esperança: partilha, justiça e fraternidade deveriam acompanhar a luta pela Terra e a nova organização sobre ela. Os relatos são feitos de forma heroica, quase mítica, mostrando a grandeza e a importância da Terra para o povo de Deus. O Livro de Josué revela que a conquista da Terra não é trabalho de uma só pessoa, é trabalho coletivo de todo o povo. Um processo lento que exige perseverança, firmeza, coragem. Que exige fidelidade a Deus e a Seu projeto de vida. Revela também a atual necessidade de partilha dos bens e da terra. A Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, em junho de 2022, divulgou que mais de 33 milhões de brasileiros passam fome. Mais da metade da população brasileira (53,8%) vive com insegurança alimentar. Importa lembrar que, em nossos dias, a Palavra de Deus vem sendo instrumentalizada para beneficiar os interesses dos grandes, contra as reais necessidades do povo. Isso fica visível na forma de agir e de votar de algumas bancadas no Congresso: como as bancadas dos Bancos, da Bala, da Bíblia e do Boi (agronegócio). Elas manipulam a Palavra de Deus e
10 a religião, em prejuízo do povo. Fazem a cabeça do povo, apresentando-se como defensores da “moral”, da família e da religiosidade. Defendem uma política controlada pelo sistema financeiro, na liberdade individual. Vão transformando a nossa Terra, no país das desigualdades e das injustiças, como se isso fosse uma coisa normal. Enquanto, na pandemia, morreu muita gente por falta de uma política pública de saúde mais adequada, a riqueza dos bilionários aumentou em 5 trilhões de dólares e fizeram o Brasil voltar ao mapa da fome. O latifúndio invade cada vez mais as terras indígenas juntamente com as mineradoras. Os danos causados pela exploração da natureza são maiores que os ganhos. Estamos sofrendo as consequências dos transtornos climáticos, com enchentes, secas, avalanches, com perda de muitas vidas humanas, além da destruição da nossa biodiversidade. Nosso planeta está ficando desequilibrado. O nosso mês da Bíblia, com o estudo do livro de Josué, deve nos levar a ter uma consciência crítica. Olhos abertos para os acontecimentos, para a realidade, sempre nos perguntando: como anda nossa Terra brasileira? A exemplo de Josué, fazer uma leitura crítica da real situação de nossa Terra e das condições de vida do nosso povo. Nossa fidelidade a Deus deve nos conduzir a uma luta pela Terra e pela vida para todos. A partir do povo de Canaã e, hoje, dos povos indígenas, descobrir e reunir os focos de
11 resistências que estão surgindo. Nossa fé tem consequências sociais e não pode ficar indiferente aos clamores dos sofredores e aos gritos da Mãe-Terra. Cuidar bem do povo e da Terra, nossa Casa Comum, é uma ordem de Deus. A fidelidade a Deus e à Sua Palavra é garantia de vida para o seu povo APROFUNDAMENTO: Nossas decisões sociais revelam que estamos seguindo a Palavra de Deus ou nos desviando dela? Dê exemplos.
12 2º Encontro: A hospitalidade e a conquista da terra Chave de Leitura: Josué 2,1-24 1. O que faz Josué antes de começar a conquistar a terra? 2. Qual a atitude do rei de Jericó? 3. Quais as atitudes de Raab e de seu povo diante dos israelitas? 4. O que a aliança de Raab com os espiões tem a dizer para nós hoje? A vida nas montanhas de Canaã era muito sofrida: pobreza, doenças, secas prolongadas, disputa entre os clãs, guerras provocadas pelos reis cananeus, desnutrição e fome. Pesquisas arqueológicas, nos
13 cemitérios da época, revelam que quase a metade das pessoas não ultrapassava os 18 anos de vida. Para sobreviver era preciso da mútua ajuda: cooperar e defender os “estranhos”, como membros de um único povo. A hospitalidade foi fundamental, para a sobrevivência do povo e para a conquista da terra de Canaã. A hospitalidade aos viajantes, aos migrantes, tornou-se lei (cf. Gn 18, 2-8; Ex 22, 20-22; Lv 19, 33- 34); eles deveriam ser acolhidos e protegidos (cf. Gn 19, 6-8; Jz 19.20-23). A história de Raab, mulher estrangeira e prostituta, é modelo de hospitalidade. O Livro de Josué passa por várias redações e sofre alterações, para justificar certas decisões tomadas pelos líderes do povo, em tempos muito distantes de Josué. O rei Josias, por volta do ano 620 a.C, busca justificar a política de expansão do seu reinado, aproveitando a crise da Assíria, que tinha sido tomada pelos babilônios. O Livro de Josué procura legitimar a política expansionista e militarista de Josias. Daí também o uso constante da violência armada, na (re)conquista da terra. As cidades de Jericó e Hai (Js 8, 14-29) já haviam sido tomadas por Josué, no passado; assim, Josias, como legítimo descendente de Davi e Salomão, teria autoridade para promover a reconquista destas terras. A conquista da Terra começa com a estratégia da espionagem, à semelhança do que acontecera com Moisés (1300 a.C), quando a terra de Canaã não era habitada: “Javé falou a Moisés: ‘mande alguns homens para explorar a terra de Canaã, que vou dar aos filhos
14 de Israel’” (Nm 13, 1). A releitura dos acontecimentos mostra agora Josué, em uma ação militar, para reconquistar a cidade, como parte de um plano divino. Os espiões que Josué enviou chegam à casa da prostituta Raab, na cidade de Jericó. Eles são acolhidos por ela e protegidos das ameaças do rei. Raab põe em prática a lei da hospitalidade, honrando o dever sagrado de acolher o estrangeiro, conforme a fé do povo de Israel. Mesmo ariscando a sua vida e a de sua família, Raab enganou o rei e escondeu os dois israelitas (Js 2, 4-6). Após a saída dos perseguidores, ela faz uma confissão de fé: “Sei que Javé deu a vocês esta terra e estamos apavorados” (Js 2, 9). Ela reconhece a grandeza e o poder de Deus, que é dono da terra. Assim Jericó, a terra de Javé, será conquistada pelos israelitas. Por exercer a hospitalidade com os membros do povo de Deus, ela tem direito a exigir o pacto de aliança, pela qual os israelitas protegeriam a ela, na hora da conquista. Ela não os denunciaria e eles usariam de misericórdia para com ela e sua família. Esta aliança não leva em conta o moralismo, mas a fidelidade às promessas de Deus. A senha para os israelitas identificarem a casa de Raab seria um cordão vermelho, amarrado na janela de sua casa, que invoca o sangue nos umbrais das casas dos israelitas, por ocasião da saída do Egito (cf. Ex 12-13) A figura de Raab tornou-se muito importante, a ponto de ser lembrada na genealogia de Jesus e em outros textos do Novo Testamento (cf. Mt 1, 5; Hb 11, 31; Tg 2, 25).
15 Josué, de posse das informações e sabendo que os cananeus estavam com medo, parte com todo o seu povo em direção ao rio Jordão. Ele ordena ao povo purificar-se e ouvir a Palavra. Os sacerdotes iriam à frente com a Arca da Aliança e, quando seus pés tocassem as águas do rio Jordão, elas ficariam separadas em dois blocos, para que o povo atravessasse (Js 3). Se a saída do Egito trouxe a liberdade, a travessia do Jordão significava uma nova vida, com a posse da terra. Cada um dos representantes das doze tribos deveria pegar uma pedra do leito do rio, como memória da travessia do rio Jordão e do Mar Vermelho. A memória da caminhada é um ponto de referência na história do povo Deus (Js 4). O acampamento de Guilgal lembra que Deus tirou do meio do povo a vergonha do Egito. Ali, a nova geração dos israelitas foi circuncidada, como sinal da pertença ao povo de Deus. Neste local, os israelitas celebraram a Páscoa (Js 5), memória da libertação do Egito. Josué sente que a Terra onde está é sagrada, porque é propriedade de Deus, por isso tira as sandálias, lembrando Moisés. Esses relatos da conquista mostram uma ação miraculosa de Deus; há uma liturgia, ligada a traços de uma guerra santa, pois, não se trata de uma crônica dos fatos, mas de uma releitura (Js 6). O rei Josias (620 a.C.), para ampliar suas conquistas, usa da religião, para justificar a violência sobre outros povos. O nome de Deus é usado para justificar a violência, o avesso
16 da proposta do reino de justiça e paz, anunciada por Jesus. Não podemos nos esquecer de que Jesus é chave para a leitura e interpretação de toda a Escritura Sagrada (cf. Mc 9, 2-13; Lc 9, 28-36). É a partir de Jesus, que temos de reler Josué e sermos capazes de nos indignar contra toda forma de violência. Importa destacar a fidelidade do povo a Javé. Quando alguém pisava na bola com Deus, perdendo o foco da Aliança, as lutas do povo terminavam em derrotas. Hoje, quando perdemos a conexão com Deus, batemos com a testa no barranco. Outro fato marcante era a presença da Arca da Aliança, com as tábuas da Lei. Para atacar o povo de Deus, os inimigos tinham como “senha” a ausência da Arca no meio deles. Isso nos leva a perguntar: como está a nossa Arca dos Grupos de Reflexão em nossas Comunidades? A pandemia é a única culpada da decaída dos Grupos? Comunidade sem esta “Arca dos Grupos de Reflexão” perde sua vitalidade. É a vivência da Palavra, refletida em grupos, que nos motiva e dá sentido à nossa caminhada cristã. Outra coisa importante é o cuidado de Josué, em preparar as estratégias de lutas da conquista da Terra. Elas eram planejadas, tendo em vista a situação do terreno e as informações que colhia... APROFUNDAMENTO: Nossos planejamentos pastorais e sociais levam em conta alguma estratégia ou ficam no amadorismo? Em que precisamos melhorar?
17 3º Encontro: Partilha da terra e organização do povo Chave de Leitura: Josué 13, 1-7 1. A conquista da terra terminou com Josué? 2. Qual a certeza da conquista da terra? 3. Qual a ordem que Deus dá para Josué? 4. O que este texto tem a dizer para nós hoje? Para construir uma sociedade onde seus habitantes tivessem direito à vida, era necessária a partilha da Terra. Era preciso uma “reforma agrária”, para que todos pudessem ter acesso ao necessário para viver. O latifúndio cria uma sociedade dividida, onde poucos têm muito e muitos não têm quase nada. Josué então divide as terras conquistadas com as tribos, de acordo com a necessidade de cada uma. Josué deixa claro que a terra é obra das mãos de Deus, é um dom de Deus, que possibilita a vida do povo. Terra é garantia de vida, de autoestima e de felicidade. Ela é distribuída entre os seus habitantes, para que a vida seja humanizada,
18 digna para todos. Isso nos lembra que estamos na Terra só de passagem, temos a missão de preservá-la, para que as gerações futuras tenham possibilidades de sobreviverem, também com dignidade. Josué recebe de Deus a ordem de fazer a partilha da Terra (Js 13, 1-7). Para que fosse feita com justiça, foram necessários o esforço humano, o mapeamento da Terra e a acolhida da vontade de Deus, através do sorteio. Os capítulos 13 a 19 do livro de Josué narram como os territórios ocupados foram repartidos entre as tribos. Citam as cidades de refúgio e da tribo dos levitas, que não receberam Terra, para que se ocupassem do cuidado espiritual do povo. Ainda aparecem diversos relatos sobre a partilha da Terra. No Egito, os israelitas sentiram na pele os sofrimentos provocados por um governo centralizado, que usava da mão de obra escrava. Agora, chegando à Terra prometida, eles encontram as cidades-estado, que tinham também governo centralizado. A partir do sofrimento, inicia-se uma vivência mais participativa, mais hospitaleira. Os israelitas organizam o sistema tribal de governo, com a participação e o envolvimento de todos, na busca de uma sociedade igualitária, com defesa e produção em comum. Era um governo mais participativo, e comprometido com a causa do povo. O sistema tribal ficava assim constituído: Sociedade igualitária: fundada no interesse comum e organizada a partir da base: família patriarcal – clã – tribo (Nm 1, 1 – 2, 34);
19 Autonomia produtiva: a Terra pertence ao povo e é distribuída entre as famílias ou grupos. Proíbe a acumulação (Ex 16), celebra o ano jubilar e o ano sabático, para devolver a Terra aos seus antigos donos e permitir o descanso da Terra (Lv 25, Dt 15, 1-18); Exército ocasional improvisado: para se defende- rem, as tribos se reúnem e organizam suas forças, para lutar contra o inimigo comum (Jz 4, 6-10); As leis defendem o sistema igualitário: os manda- mentos se baseiam no compromisso mútuo, preservan- do a liberdade e prescrevendo relações sociais, justas e fraternas (Ex 20, 1-17; Dt. 5, 1-21); O poder participado e subsidiário: as decisões são tomadas pelos anciãos (chefes da família, de clã e de tribo). Grandes decisões são tomadas em assembleias do povo. (Ex 18, 13-27; Nm 11, 16-25; Js 24); Fé unicamente em Javé: Deus libertador, promove a liberdade e a vida para todos, através da fraternidade e da partilha (Ex 31, 15; 22, 20-26; Dt 24, 6-22); Culto descentralizado: para celebrar a vida e a história, nas famílias e, depois, nos santuários; celebra a presença e a ação de Javé, que liberta o povo e o põe em marcha para a vida (Ex 19, 1-18; Dt 26, 1-11; Js 24, 1-28; Jz 17); Sacerdotes-levitas a serviço do povo: exercem uma liderança, que não permitia a acumulação dos bens. Não podiam ter Terras e deveriam viver de seu trabalho, ao lado dos pobres e necessitados (Nm 18, 20; Dt 12, 12.18-19; 14, 27; Js 13, 14).
20 O sistema tribal era “um sistema alternativo de sociedade, que se concretizou graças à partilha igualitária da economia (Terra e produção) e à participação igualitária na política. Essas duas coisas implicavam sérias mudanças no modo de ver e de agir. Durou cerca de 250 anos”. A fidelidade a Javé e a memória das lutas do povo eram o apoio do sistema tribal, que teve altos e baixos. Sofreu muito a influência dos cananeus. Este sistema é uma inspiração, para repensarmos o sistema das sociedades de hoje, com suas formas de governo, de modo especial para uma participação popular mais atuante. É um convite para não ficarmos indiferentes, diante das coisas públicas. Assumir nosso compromisso de cidadania. Não é sem motivo que o Papa Francisco vê, nos movimentos populares, uma alavanca para a transformação da sociedade. As minuciosas listas com a distribuição da Terra, que aparecem no livro de Josué, são uma demonstração da alegria e da gratidão pelo dom de Deus; e mostram que Terra conquistada é Terra partilhada. Importante lembrar que Terra, Teto e Trabalho são os três Ts do Papa Francisco, frisados sempre nos encontros mundiais com as lideranças dos movimentos populares (2014, 2015, 2016 e 2017): “Terra, Teto e Trabalho, aquilo pelo qual lutais, são direitos sagrados. Exigí-lo não é estranho, é a Doutrina Social da Igreja.” APROFUNDAMENTO: Inspirados por esta partilha da terra e organização do povo, em que precisamos avançar em nossa Igreja e sociedade? Dê exemplos.
21 4º Encontro: Fidelidade, o Testamento de Josué Chave de Leitura: Josué 23,1-16 1. Como Josué prepara o seu Testamento? 2. Em que consiste o Testamento de Josué? 3. O que acontecerá com o povo se for infiel a Javé? 4. O que este texto diz para a caminhada dos leigos/as hoje? Josué é descrito como o juiz, o líder do povo de Deus, que não perde a sintonia e o foco do projeto do Deus Libertador. Sente, quando o povo se desvia deste projeto. Ele se penitencia, diante da derrota da primeira arrancada contra Hai, e usa de franqueza com Deus (Js 6, 3-8). Em sua vida, martelava aquele
22 mantra: “Seja firme e corajoso, não tenhas medo”. Ele tinha certeza que, sendo fiel à Palavra de Deus, ele e o povo seriam bem sucedidos, em todos os empreendimentos (cf. Js 1, 6-9). Josué, no exercício de sua liderança, zelava pela memória da caminhada do povo e pela fidelidade a Deus. Aí estava a garantia da promessa feita aos antepassados, e a certeza da vitória nas lutas e conquistas do povo. Esta memória, sempre viva, dava sustentação na caminhada do presente, e firmava o esperançar no futuro. Sentindo o peso da idade, e vivenciando a responsabilidade da sua missão de animar o povo a perseverar na caminhada, Josué convoca todo Israel, com seus anciãos, chefes de família, juízes e oficiais, para uma assembleia, onde ele iria deixar o seu Testamento. O Testamento de Josué não é de coisas materiais. É o testemunho da sua experiência de fé; da certeza da presença de Deus na caminhada do povo; e da fidelidade a Deus, que garantia a conquista da terra e a permanência do povo nela. Josué deixa, no seu Testamento, a recomendação, para que o povo seja sempre fiel à lei de Deus. Não se desviar dela, nem para um lado e nem para outro. Ela é o foco, que vai nortear toda a caminhada do povo. Josué recomenda ao povo muito cuidado, para não cair na idolatria, adorando deuses falsos. Eles têm propostas bonitas, mas são falsos e enganadores. Por isso, recomenda: “apeguem-se unicamente a Javé, seu Deus” (Js 23, 8).
23 Em seu Testamento, a preocupação de Josué é que o povo não se acomode, e não reproduza o sistema opressor, que tira a vida e a liberdade do povo. O miolo, o cerne de seu Testamento é este: “Amem a Javé, seu Deus” (Js 23, 11). No entanto, se o povo for infiel a Deus que o libertou, e se misturar com a idola- tria das nações vizinhas, Javé usará esta infidelidade como chicote, nas mãos dos inimigos, para surrar seu povo; e como espinhos, nos seus olhos. Fica claro, no Testamento de Josué, que o destino do povo está nas mãos do próprio povo. Isso nos aponta para as eleições deste ano de 2022. Nossa participação nesse processo e nosso voto podem ser uma ferramenta, para recuperar a dignidade de vida do povo, favorecer oportunidade de Terra, Teto e Trabalho para todos; pode ajudar a defender e proteger a Mãe Terra. Por isso, não podemos perder nem o rumo e nem o prumo do Deus libertador. Onde vamos reconhecer a presença de Deus, acima ou no meio do povo? O Deus que, na Bíblia, caminhou com seu povo, na posse da terra, deseja o quê para seu povo, hoje? O Testamento de Josué é ainda muito oportuno, para uma avaliação das lideranças de nossas Comu- nidades e da Sociedade em geral. Um líder deve ter o senso do coletivo, o foco no bem comum; deve ser capaz de partilhar as decisões a serem tomadas. Ter o sentimento do povo marginalizado, e não das elites. Isto é possível, quando, a exemplo de Josué, o líder cultiva a contemplação de Deus, procura
24 Deus nas pessoas, nos fatos, nos acontecimentos. Quando cultiva a intimidade com a Palavra de Deus, meditando-a e guardando-a e seu coração, para guiar suas ações e decisões. Ser ativo participante, na reflexão da Palavra na Comunidade. Líder é todo aquele/a que conduz a Arca da Aliança, quer dizer, a Palavra de Deus, nas atividades e lutas da Comuni- dade, independentemente de ter ou não um cargo específico. Precisamos recuperar a centralidade das nossas Comunidades. Recuperar a Comunidade, como o eixo da vivência da nossa fé. A vida em Comunidade é o caminho, para que os leigos e leigas sejam verdadeiramente sujeitos, na Igreja e na Sociedade. Além da valorização do Culto Dominical, precisamos promover os Conselhos Pastorais e Econômicos, para que sejam verdadeiramente operantes. A vida em Comunidade recupera as relações fraternas. Tudo isso é caminho para uma Igreja sinodal, como nos aponta o Papa Francisco. Os Cristãos Leigos e Leigas devem ter a coragem, a firmeza e a estratégia de Josué, na transformação da nossa Sociedade, e no cuidado da mãe Terra, que, a exemplo do povo sofrido, clama por socorro. O Documento de Aparecida, repetindo Puebla (DP 786), nos lembra que “os Cristãos Leigos são homens e mulheres da Igreja, no coração do mundo; e ho- mens e mulheres do mundo, no coração da Igreja” (DAp 210). A 40ª Assembleia do Conselho Nacional
25 de Leigos do Brasil (ocorrida de 16 a 19 de junho de 2022) está nos convidando a assumir o Dinamismo Sinodal Missionário, em saída para as periferias. Nossas Comunidades não podem se acomodar, em suas atividades internas. Somos chamados a ser Co- munidades “em saída, para as periferias” geográficas e existenciais, para as periferias sociais e ecológicas. Precisamos nos envolver nos Movimentos Sociais, encontrar as ferramentas que nos favoreçam transformar a Sociedade, para a inclusão dos pobres e sofredores, cuidando para que haja vida para todos. A saída missionária recupera as relações de solidariedade. A fidelidade a Deus e à Sua Promessa nos compromete a buscar vida e esperança para todos. APROFUNDAMENTO: O que podemos fazer para que os Conselhos Pastorais e Econômicos de nossas Comunidades e Paróquias sejam, de fato, operantes? Dê exemplos.
26 5º Encontro: Assembleia de Siquém, apelo à Sinodalidade Chave de Leitura: Josué 24,1-28 1. Como foi celebrada a Assembleia de Siquém? 2. Qual foi a proposta desta Assembleia? 3. Qual foi a resposta do povo? 4 Como foi firmada a Aliança de Siquém? O livro de Josué termina com um grande acontecimento: a Assembleia de Siquém, onde é celebrada a Aliança de compromisso do povo com Deus. Esta Aliança de Siquém nos lembra a Aliança do Sinai, que celebrou o Êxodo, o movimento de libertação da escravidão do Egito. Agora, trata-se da conclusão do movimento da Conquista e Partilha da Terra com esta Aliança. Esta Assembleia começa, com um relato da memória da ação
27 de Deus, caminhando, libertando e promovendo a vida de seu povo. Um relato que traz à memória os patriarcas; menciona a liderança de Moisés, na caminhada do Êxodo e do deserto; lembra a ação de Deus, na derrota dos inimigo; e a conquista da Terra fértil. Este capítulo procura valorizar o passado, atualizar a ação de Deus na vida do povo (presente) e acenar para um futuro de união e fraternidade. Josué reúne as 12 tribos de Israel, convoca os anciãos, os chefes, os juízes, os administradores e fala a todo o povo. Ele destaca que a mão protetora de Deus acompanhou toda a trajetória de conquista da terra, e garantiu o sucesso. Na liderança de Josué, é interessante notar como ele procurava sempre despertar a memória do povo: Abraão e sua descendência (Js 24, 3-4); Moisés e a saída do Egito (Js 24, 5-7); a travessia do Jordão (Js 24, 8-10); a tomada de Jericó (Js 24, 11-13). Procurava mostrar que Deus é o referencial, é o foco que o povo não podia perder. Zelava sempre pela fidelidade do povo a Deus, que nunca descuidava de seu povo. Incentivava o povo a fazer a faxina de tudo que era sinal de idolatria, quer material, quer de ideia. A pauta principal da Assembleia de Siquém foi a proposta colocada por Josué ao povo reunido: Escolher ser fiel a Deus e a seu projeto, deixando de lado as idolatrias dos povos vizinhos. Josué é muito firme em sua liderança; e arremata, dizendo: “Escolham hoje a quem vocês querem servir”; e dá o seu testemunho:
28 “Quanto a mim e à minha família, serviremos ao Senhor!” (Js 24, 15). Diante desta decisão, o povo, a uma só voz, assume o compromisso de fidelidade ao Senhor: “Longe de nós, abandonarmos o Senhor, para servir a deuses estranhos” (Js 24, 16). Josué lembra ao povo que compromisso com Deus é coisa séria. Com Deus não se brinca. Ele lembra ao povo que Deus é fiel na sua Aliança, não aceita concorrência. No livro de Josué, se oficializa o culto a um único Deus. Um Deus ciumento, um Deus da memória. No entanto, é importante lembrar que o Livro de Josué teve a sua redação final, depois do Exílio da Babilônia. A causa do povo ter perdido a terra e voltado para a escravidão foi o esquecimento da Aliança, foi ter esquecido a Deus. O Livro tenta ajudar o povo a voltar à sua fidelidade a Deus. Não tem como, andar em dois caminhos: ou levamos à frente a construção de uma sociedade justa e fraterna, onde todos tenham vida e liberdade; ou vamos reforçar um sistema de morte, onde o povo é reconduzido à perda de seus direitos trabalhistas, de seus direitos previdenciários, de sua dignidade no trabalho, enfim, a uma nova forma de escravidão. Em cada momento da história, Deus suscita lideranças, para a defesa e garantia da vida de seu povo. Deus criou o mundo para todos. Ele nos oferece uma vida digna. Quer que sejamos felizes, já neste mundo. Ele quer que todos tenham acesso à terra, teto e trabalho. Quer vida em abundância para todos os seus filhos e filhas. A
29 história do povo de Deus é um espelho para nós. Assim como eles reconheceram a mão de Deus, agindo a favor da vida do povo, nós também somos chamados a abrir os olhos e reconhecer, no hoje de nossa história, a mão operosa e generosa de Deus, agindo no meio de nós. O Senhor continua a descer, para libertar o seu povo, e para conduzi-lo a dias melhores, à plena dignidade de filhos de filhas de Deus. A pauta da Assembleia de Siquém é muito provocante, para o momento eleitoral que estamos vivendo. Também nós temos de tomar uma decisão. Que tipo de Sociedade estamos querendo: a que busca a vida prá todos, ou a que segue um projeto de morte? Uma sociedade onde todos tenham liberdade e qualidade de vida, sem tanta desigualdade, ou a que alimenta a violência, a injustiça, o ódio e o racismo? A nossa resposta será dada: no nosso compromisso com a defesa da vida, e nas urnas. É preciso alargar a visão, iluminar os olhos da mente e do coração, para compreendermos a esperança, à qual o Senhor nos chamou e chama (cf. Ef 1, 18). A Assembleia de Siquém nos lembra da importância de caminhar juntos. Este é o desejo de Deus para nós e para toda a Igreja. Sínodo significa “caminhar juntos”. A nossa Igreja, conduzida pelo Papa Francisco, está nos lembrando que a Sinodalidade não é uma novidade, faz parte da natureza da Igreja. Recentemente, tivemos lampejos desta Sinodalidade: no Sínodo da Amazônia e na Assembleia Eclesial Latino-Americana e Caribenha.
30 Precisamos caminhar juntos, na missão. É preciso ir pegando o ritmo, o dinamismo da Sinodalidade, a começar de nossos Conselhos Pastorais Comunitários, Paroquiais e Diocesanos, Conselhos Municipais de Saúde, Educação, Assistência Social e outros. A Sinodalidade deve se converter, no nosso jeito de ser e de agir; deve fazer parte de nossa cultura. Somente um espírito sinodal e uma cultura sinodal serão capazes de transformar as nossas estruturas, para que sejam mais participativas. Por isso, precisamos sinodalizar nossas reuniões, nossas decisões, nossos Conselhos, nossas Pastorais, nossas Celebrações. Que tudo seja guiado pelo Espírito, que nos leva a caminhar juntos, decidir juntos, planejar juntos, avaliar juntos... APROFUNDAMENTO: A sinodalidade está animando ou amedrontando as nossas lideranças? Por quê? O que podemos fazer para avançar neste caminhar juntos?
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34 Oração para Escuta de Deus “Deus onipotente e misericordioso, desejamos ler a Bíblia e entender a vossa Palavra, que é luz e segurança para nossos passos. Abrí os olhos da nossa mente e do nosso nosso coração. Que o Espírito Santo nos ilumine a fim de que possamos compreender o que dizem as Escrituras. Que possamos sentir o coração ardente, como os discípulos de Jesus no caminho de Emaús. Que possamos encontrar sentido, coragem, esperança e rumo para nossa vida, para a vida de nossa família e para a vida de nossa comunidade. Mas, sobretudo, que eu e todos os cristãos possamos aprender a ter fé, amar e viver mais intensamente a vossa Palavra no serviço aos irmãos mais pobres e necessitados.” Amém!