Beleza natural: Ano I Número I - Edição de Estréia - Publicação da cidade de Bom Jesus da Lapa/BA
As grutas do Santuário
PEDRA, LUZ E
Página 9
ESPERANÇA
Conheça a festa, a história e a fé
de uma das maiores romarias
do Brasil
ESPECIAPOosvLpoefreevgorironsoos:da romaria O que se come em Bom Jesus da Lapa?
Página 4 Descubra na página 15
ÍNDICE EDITORIAL
Cláudio José Rocha Fonsêca, estudante de Comunicação Social da Uni-
versidade Católica de Brasília, nascido e criado em Bom Jesus da Lapa,
movido pelo amor e carinho a sua terra natal, quis prestar uma home-
nagem a essa cidade afim de divulgar ainda mais a sua história e a sua
cultura.
Assim Nasceu LAPA, TERRA MAGIA. Uma revista criada para falar do
povo, da fé, das crenças, do passado, presente e futuro da cidade. Como
é e por que a cidade já é uma das mais visitadas no país no turismo reli-
gioso.
É esperado que LAPA, TERRA MAGIA consiga atingir muitas pessoas,
levando a todos o encanto do mundo lapense.
Cidade de fé - Página 3
Bom Jesus da Lapa possui o segundo maior espetáculo religioso do Brasil
Filhos de Francisco - Página 4
Romeiros, de todo o Brasil, viajam à Bom Jesus da Lapa para visitar o Santuário
O Monge que fez história - Página 6
Francisco Mar fez da enorme Gruta um dos mais belos templos católicos
As pedras divinas - Página 9
Romeiros, de todo o Brasil, viajam à Bom Jesus da Lapa para visitar o Santuário
O que é que o lapense tem? - Página 11
Os moradores da cidade tem forte ligação com suas tradições
O gostinho da terra - Página 13
A comida de Bom Jesus da Lapa é tipicamente nordestina e naturalmente deliciosa
Cidade de fé
Dona de um dos maiores turismos religiosos do país,
Bom Jesus da Lapa recebe atualmente mais de um milhão de visitantes por ano.
S ão mais de trezentos o enorme morro de pedras no realiza vários festejos católicos EM NÚMEROS
anos de história. A Fes- meio do sertão baiano e, com e costuma ser intitulada como a
ta do Bom Jesus, como uma imagem de Cristo e uma Capital Baiana da Fé. Mas desses
é conhecida a principal de Nossa Senhora da Soledade, festejos, dois são os principais e
romaria da cidade de Bom Jesus fez dali abrigo e local de oração, motivos das peregrinações: a
da Lapa, no centro-oeste baiano, onde pregava a Palavra de Deus festa do Bom Jesus, realizada no
cresce a cada ano e hoje já é a ter- e curava doentes. Talvez Fran- dia 6 de agosto, e a festa de Nos-
ceira maior do Brasil, perdendo cisco não imaginasse no quanto sa Senhora da Soledade, realiza-
apenas para as romarias de Apa- transformaria aquele lugar. O da em 15 de setembro.
recida do Norte, em São Paulo, e morro, atualmente constituído
a de Trindade, em Goiás. O nú- de várias grutas, continua sendo São mais de 1 milhão de ro-
mero de fiéis que chega à Bom local de oração. A região que o meiros por ano que a cidade
Jesus da Lapa para visitar o seu cerca, antes vazia, povoada ape- abriga. Os peregrinos são de di-
Santuário é mais que 15 vezes nas por alguns índios, é onde versas regiões do Brasil e a Casa
superior o número de habitantes hoje se encontra Bom Jesus da Paroquial da cidade já possui
da cidade. Lapa que acatou os santos trazi- um cadastro de vários organiza-
dos por Francisco, em imagem, dores de romarias distribuídos
Tudo começou há algumas como padroeiros. em 17 estados brasileiros. E os
centenas de anos atrás, quando fiéis que visitam Bom Jesus da
um monge chamado Francis- Lapa, como é intimamente Lapa não param de crescer, fa-
co de Mendonça Mar avistou conhecida por seus moradores, zendo dela sempre uma cidade
de muita fé.
Revista Pedra e Luz Página
Filhos de Francisco
Os romeiros que chegam anualmente à Bom Jesus da Lapa são muito religiosos
e costumam ser fiéis à romaria, retornando todos os anos
Bom Jesus da Lapa re- viajar de tão
cebe visitantes cons- longe para
tantemente. A visita ao Bom Jesus da
Santuário é uma prática comum Lapa. “Muitas
que dura o ano inteiro, mas que pessoas tra-
possui uma concentração maior tam a romaria
nos dias próximos a 6 de agosto como último
e 15 de setembro, datas das prin- meio de sal-
cipais festas religiosas da cidade. vação no caso Foto: Cláudio Fonsêca
ROMARIA HOJE A concentração é ainda maior na de doenças e
primeira data, dia da procissão outros proble-
ao Senhor Bom Jesus. mas. E essas
Entre uma festa e outra, o mo- doenças são
vimento de visitantes chega a di- tanto físicas Romeiros chegando para a romaria de Bom Jesus da Lapa de Pau-
de-arara, um dos transportes utilizados por pessoas de baixa renda.
minuir, mas não cessa. quanto espiri-
Para Pe. Adão, redentoris- tuais”, afirma
ta do Santuário, a fé é o único o sacerdote. Pe. Lucas, reden- ência espiritual, mesmo sendo
motivo que leva o torista do Santuário e faleci- passageira. Isto
romeiro a do em 2008, afirma em seu n e c e s s a r i a -
livro que o romeiro vai à mente não
cidade “em busca de um está liga-
ambiente propício a seu
recolhimento interior
afim de viver com
intensidade
uma experi-
Foto: Arley/Foto Estrela
Página Revista Pedra e Luz
do somente Fotos: Arley/Foto Estrela
a promessas ROMARIA HOJE
ou sacrifícios,
mas também a
um retiro espi-
ritual do cris-
tão conscien-
te.”
Apesar dos muitos romeiros vez que venho à romaria de Bom e carros particulares, mas ainda
muitos chegam de paus-de-ara-
que vão à cidade com o objetivo Jesus da Lapa e, se Deus permi- ra (caminhões adaptados para
trazerem grande quantidade de
de pagar uma promessa ou agra- tir, continuarei vindo nos pró- pessoas, com tábuas em suas
carrocerias para servir de acen-
decer uma graça ximos anos”, to e uma lona para proteger do
sol). Apesar de proibido, esse
alcançada, gran- “ É a nona vez que afirma Cláudia transporte ainda é utilizado por
de quantidade venho à romaria que tomou co- causa da falta de fiscalização.
são de visitantes de Bom Jesus nhecimento da Alguns pouquíssimos peregri-
que retornam ou da Lapa e romaria por nos ainda viajam a pé, prováveis
visitam Bom Je- sua mãe e visi- pagadores de promessa.
sus da Lapa pela continuarei tou o Santuário Quando vão embora, os ro-
primeira vez. Os vindo nos pela primeira meiros ressaltam o sentimento
que voltam ge- vez em 1999 de saudade, confiantes de que,
ralmente estão próximos anos ” quando conse- no próximo ano, retornarão ao
em proporção guiu uma graça Santuário da para os próximos
Cláudia, Romeira de Recife pedidos e agradecimentos.
maior, e muitos para sua filha.
já vem de várias romarias conse- “Minha filha foi curada graças
cutivas. Cláudia Silva, 39 anos, ao Bom Jesus.”, conta Cláudia.
moradora da cidade de Recife, é Os romeiros que chegam à ci-
uma dessas romeiras. “É a nona dade geralmente vêm de ônibus
Revista Pedra e Luz Página
Foto: Cláudio Fonsêca
Página Revista Pedra e Luz
Por causa de um homem chamado Francisco Mar, a Gruta virou um lugar
sagrado no qual se crê manifestar-se a especial presença divina
P or trás do grande
espetáculo reli- Cristo crucificado (intitula-
gioso que aconte- do por ele de Bom Jesus) e
outra de Nossa Senhora da
ce em Bom Jesus da Lapa Soledade, Francisco atra-
todo ano, há uma história vessou o sertão da Bahia.
de fé e persistência de um Passou fome, ficou por
monge chamado Francis- muito tempo exposto ao sol
co Mar que, ao descobrir a quente, a insetos e ao peri-
enorme elevação rochosa, go de animais selvagens.
causou uma transforma- Foram meses de cami-
ção, não só em sua vida, nhada e estima-se que Fran-
mas na de muitas outras cisco percorreu uma média
pessoas. de mil quilômetros. Ao che-
Francisco de Men- Foto: Cláudio Fonsêca
HISTÓRIA
gar no povoado-sede da fa-
donça Mar era um portu- zenda “Morro”, do Mestre
guês que nasceu no ano de Campo Antônio Guedes
de 1657 e trabalhava como de Brito, conhecido como
ourives e pintor, profis- Conde da Ponte, avistou
sões herdadas do pai. Com um enorme morro de pe-
pouco mais de vinte anos, dras. Seguiu até ele, onde
mudou-se para a cidade definitivamente ficou para
de Salvador onde resolveu Estátua de Francisco Mar localizada em frente a en- descansar.
exercer as suas profissões. trada do Santuário, insinuando sua chegada à gruta. A chegada de Francisco
No ano de 1688 Francisco amar- dor, prestes a enfrentar uma via- no enorme morro aconteceu no
gou a maior decepção da sua gem a pé até achar um local onde ano de 1691. Assim que chegou,
vida. Ele foi encarregado de pin- pudesse viver uma vida tranqüi- procurou um lugar entre as pe-
tar o palácio do Governador Ge- la e sossegada. Antes de partir, dras para colocar as imagens
ral do Brasil na Bahia, o Capitão Francisco ainda tentou cobrar o que carregava e viver ali uma
General Matias da Cunha, e, em dinheiro que o Governo lhe de- vida inteiramente cristã, onde
vez de receber o pagamento na via e até escreveu uma carta ao posteriormente passou a ser
conclusão do serviço, foi vítima Rei de Portugal Dom João V pe- muito conhecido na região pela
de uma armação do Governador dindo providências para o paga- sua bondade e doação à prega-
que o levou à cadeia com alguns mento do seu trabalho. Porém, a ção, sobrevivendo humildemen-
escravos, sendo várias vezes ca- resposta do Rei só chegou anos te de pesca no Rio São Francisco
luniado, chantageado e açoita- depois, em 1695, quando Fran- e da plantação de uma pequena
do. cisco já havia adentrado o sertão horta construída próxima ao seu
Após este acontecimento, em busca de paz e cristandade abrigo. Francisco passou a cate-
Francisco resolveu largar tudo e já vivia uma vida contempla- quizar os índios das redondezas
e seguir a vida como eremita. tiva. e a pregar a palavra de Deus a
Decepcionado com o Governo, Vestido apenas de um burel viajantes que passavam por lá.
doou seus bens e deixou Salva- e carregando uma imagem de As notícias de sua caridade che-
Revista Pedra e Luz Página
HISTÓRIA garam aos ouvidos de Dom Se- para lugares mais distantes, Foto: Cláudio Fonsêca
bastião Monteiro da Vide, Ar- atraindo cada vez mais pesso-
cebispo baiano, que enviou, em as de outros lugares.
1702, um Visitador Geral que
constatou a veracidade dos fatos Francisco veio a falecer
e o crescimento de pessoas que por volta de 1722, quando ti-
passavam pela gruta para orar. nha cerca de sessenta e cinco
Francisco foi então chamado anos de idade, sendo sepulta-
de volta a Salvador, ordenado do dentro da Gruta, aos pés
sacerdote e nomeado primeiro da sua imagem do Bom Jesus,
Capelão do Santuário, em 1706, onde seu sepulcro pode até
e adotou o nome de Padre Fran- hoje ser visto. Por causa da de-
cisco da Soledade. voção dos fiéis que passavam
pela Gruta, deu-se a criação
De volta à gruta, deu con- de um festejo anual na cidade
tinuidade às suas pregações, para o santo de cada imagem
catequeses e ajuda às pessoas que Francisco possuía. Dia 06
necessitadas. Sua devoção foi de agosto, festa do Bom Jesus,
atraindo pessoas, como índios e e 15 de setembro, festa de Nos-
vaqueiros da fazenda “Morro” sa Senhora da Soledade.
que moravam naquela região,
viajantes de passagem e mine- Após sua morte, sua missão
radores que demandavam pelo evangelizadora foi continuada
Rio São Francisco. Suas obras e a por diversos sacerdotes, como
fama da Gruta foi se espalhando os redentoristas poloneses, Réplica da imagem trazida pro Francisco Mar,
atuais administradores do localizada no altar do Santuário.
Santuário.
Foto: Arley/Foto Estrela
Página Revista Pedra e Luz
As pedras divinas tólico da cidade, pode
ser admirado de qual-
quer ponto de Bom
O espaço físico do Morro da Lapa impressiona, não só pelo tamanho, Jesus da Lapa. Para os
mas pela beleza natural do lugar viajantes que passam
I r em Bom Jesus da Lapa e chegam a cidade, visitá-las é pela cidade através
não visitar nenhuma das quase tão importante como visi- da rodovia BR430, a imagem do
grutas é como ir a um bom tar o altar principal. enorme morro é privilegiada. A
pista fica bem próxima, a poucos
restaurante e não experimentar Indiscutivelmente, a natureza metros da elevação.
nenhum dos melhores pratos. foi bastante generosa com a re- O enorme morro de pedras
Há muito o que se admirar gião, criando um dos mais belos tem 94 m de altura, aproximada-
nas diversas grutas que consti- monumentos naturais do país. mente 1.800 m de circunferência
tuem o Santuário de Bom Jesus O morro de pedras, onde está e se encontra à 432 m acima do BELEZA NATURAL
da Lapa. Para os romeiros que localizado o principal templo ca- nível do mar. É composta de di-
Foto: Cláudio Fonsêca
Interior da Gruta do Bom Jesus Página
Revista Pedra e Luz
BELEZA NATURALversas grutas, dentre
Foto: Foto Estrelaelas a do Bom Jesus (50
m de comprimento, 11
m de largura e 7 m de dor do festejo católico local. Na
altura) e a de Nossa esplanada também se encontra a
Senhora da Soledade torre do sino, uma bonita cons-
(1.100 m2), as maio- trução de 40 m de altura e 6 m de
res e principais. Além diâmetro, inspirada nos antigos
dessas, o morro ainda castelos espanhóis.
abriga as grutas de São
Geraldo Magela, a de O belíssimo morro de
Santa Maria Madalena, pedras de Bom Jesus da Lapa
a de Santa Luzia, a da já teve pequenas aparições em
Ressurreição, a de Be- três filmes nacionais (Espelho
lém, a dos Mártires, a d’água, dirigido por Marcus Vi-
de São Francisco, a de nícius Cezarde; Mulheres do Bra-
São Cristóvão e a de sil, dirido por Malu de Martino;
São Afonso. e Narradores de Javé, dirigido
por Eliane Caffé). Atualmente,
No altar da gruta do o Santuário concorre a uma das
Bom Jesus, encontra-se sete maravilhas do Brasil.
uma réplica da imagem
trazida por Francisco
Mar, criada justamente
para substituir a origi- Esplanada do Santuário em missa durante a romaria
nal destruída em um
misterioso incêndio ocorrido no principal do Santuário, encontra-
interior da gruta em 1903. se a Esplanada, uma praça que
De frente à en- comporta grande quantidade
t r a d a de pessoas onde são celebradas
as missas com número elevado
de fiéis, como na épo-
ca das romarias.
Através dela,
estão espalhadas
enormes estátuas
de apóstolos e
uma de Fran-
cisco Mar,
funda-
Página 10 Revista Pedra e Luz
O que é que o lapense tem?
Foto: Cláudio Fonsêca
GENTE
Apesar de cidade pequena, a maioria das atividades empre- tural, comercial ou artística. Os
Bom Jesus da Lapa possui endidas pelos residentes de Bom veículos de comunicação (que
moradores com uma grande Jesus da Lapa têm forte ligação ainda têm como principal re-
com setores tradicionais da ci- presentante o rádio) fazem uma
diversidade cultural, dade, como o turismo (princi- intensa cobertura dos aconteci-
constantemente ativos e palmente religioso) e agricultura mentos da cidade e da região de
ligados à terra em que vivem. local. Sendo assim, o lapense é um modo peculiar; é comum ler
constantemente voltado para os um jornal ou revista oriundos da
O processo de formação problemas que envolvem o mu- cidade e sentir-se em uma con-
de Bom Jesus da Lapa nicípio, por vezes participando versa com um habitante local.
exigiu que sua popula- ativamente nas atividades da re-
ção, desde cedo, fosse gião. O espírito cordial de Bom Je-
resistente e criasse vínculos for- sus da Lapa é ainda mais eviden-
tes com a terra. O lapense tem uma forte ca- te em época de romaria; a cidade
pacidade de expressão de idéias é tomada por uma hospitalidade
A dedicação à cidade é com- e atitudes; mesmo com certa es- que abriga os numerosos visi-
ponente desse laço que a une a cassez de recursos no município, tantes. Alguns permanecem por
sua população (total de 62.199 raramente Bom Jesus da Lapa mais tempo e costumam retor-
habitantes, segundo dados do tem períodos de inatividade cul- nar à cidade não apenas pela fé,
IBGE em 2007). Não por acaso,
Revista Pedra e Luz Página 11
GENTEcomo também pelas amizades
Foto: Cláudio Fonsêcaconstruídas no município. Essa
época impulsionadora da econo-
mia, do turismo e das atividades Revista Pedra e Luz
religiosas também se mostra um
exemplo claro dos laços que a re-
gião pode estabelecer com pes-
soas de origem distante.
A causa dessa cordialidade
pode ser descoberta em pou-
co tempo de convivência com a
população lapense: seus consti-
tuintes são agitados, falantes e
propensos à festividades e reu-
niões, talvez uma conseqüência
da vida interiorana, que conecta
mais ainda os habitantes. É mui-
to comum reconhecer algum co-
nhecido nas ruas ou em conver-
sas. Ainda que grande parte da
população seja de classe média
baixa (evidenciando problemas
típicos, como a concentração de
renda), o otimismo do lapense é
facilmente percebido.
A população revela-se bas-
tante miscigenada, fruto da pre-
sença de etnias diferentes na re-
gião desde a época colonial. Nas
práticas religiosas, como o can-
domblé, e na culinária, a cultura
afro-descendente ocupa um im-
portante espaço, bem como nas
comunidades remanescentes de
quilombos que se localizam na
região. Há uma pequena partici-
pação de grupos indígenas.
Percebe-se que o perfil do mo-
rador lapense reproduz as carac-
terísticas do próprio ambiente
em que vive. Um povo motiva-
do pela fé e transformador das
suas possibilidades.
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O gostinho Foto: stock.xchng
da terra
Com um cardápio tipicamente nordestino,
Lapa também conquista os seus visitantes pela boca
O s hábitos ribeirinhos comida pesada
de Bom Jesus da Lapa
têm uma influência do Nordeste é
predominante na culi-
nária local. Os pratos típicos altamente consu-
são, em sua maioria, à base de
peixes encontradas no Rio São mida na cidade. Nos
Francisco, dos quais o mais co-
mum é o surubim. A moqueca é pequenos restaurantes SABORES E SABERES
um dos principais atrativos dos
restaurantes da cidade, que se típicos, comidas como Ra-
localizam no Centro e na Praça
Marechal Deodoro da Fonseca, bada, Sarapatel, Buchada de
espécie de point noturno ampla-
mente freqüentado. Bode e outras do gênero são
A culinária nordestina é mar- facilmente encontradas.
cante em Bom Jesus da Lapa.
Mesmo sendo de clima quente O calórico e delicioso estabelecimentos, a
e estando praticamente o ano campeã em vendas
inteiro debaixo de sol Acarajé, a famosa gu- desse prato é a famosa
Baiana do Acarajé, que
forte, a loseima baiana, é um pode ser encontrada sen-
tada no seu banquinho, atrás
dos mais pedidos pe- do seu caldeirão de dendê, no
interior da praça central. O vata-
los visitantes de Bom pá e o caruru, complementos do
Acarajé, também costumam
Jesus da Lapa. Apesar de ser muito pedidos separa-
damente pelos visitantes.
ser ofe- recido em alguns Por não ser litoral e es-
tar distante da orla, Bom
Foto: Raquel Balceiro Jesus da Lapa oferece pouca
variedade de mariscos, com
Moqueca de Surubim com camarão destaque para o camarão
seco.
O café da manhã e lanche
da tarde também não fogem
das tradições regionais. Além
do famoso café com leite, tam-
bém costumam fazer parte da
mesa o beiju de Tapioca, o Cus-
cuz de Milharina e o biscoito fri-
Revista Pedra e Luz Página 13
to, sem esquecer o original pão pio. “Os romeiros gostam muito
com manteiga. O pão de queijo da comida daqui. Moqueca de
também é muito comum no café peixe, tatú ensopado, codorna
da manhã dos assada, sarapa-
lapenses, apesar “ A comida tel, rabada e
de característico da Lapa é muito mocotó são
de Minas Ge- os pratos
rais. diversificada. que eles
Para Joana Existem muitos m a i s
gostam.”
Pereira, cozi- pratos que é a Maria Oli- Cuscuz de Milharina
nheira há 15 cara da cidade ”
anos em um veira, cozinhei- ber usar os temperos na medida
hotel da cidade, Joana, Cozinheira lapense ra de uma lan- correta, como o cominho, a pi-
menta do reino, o coentro seco e
SABORES E SABERES definir a culi- chonete na feira verde, a salsa, a cebola e a cebo-
linha”.
nária lapense é muito difícil. “É municipal, conta que o segredo
O cardápio é farto e conside-
muito diversificada. Existem de preparo dos pratos locais é a ravelmente calórico, mas calo-
rias a parte, o sabor dos pratos
muitos pratos que é a dosagem dos temperos. “A co- deixa saudade em quem passa
por lá. É comendo pra crer.
cara da cidade.”, afir- mida da Lapa é bem nordestina,
ma Joana. Segundo e toda comida nordestina
ela, a época da costuma ser bem sabo-
romaria é a que rosa. E pra isso
mais se diver- é preciso
sifica o cardá- sa-
Foto: Lucas Hiara
Acarajé Revista Pedra e Luz
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