AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE CANEÇAS | junho 2023 . Nº 47 A Associação de Estudantes em balanço PÁG. 7 As novas regras dos Critérios de Avaliação Livros de Arte PÁG. 10 PÁG. 8
Num livro recentemente editado pela Tigre de Papel, A urgência da palavra impressa. A imprensa dos «intrépidos adolescentes» contra a ditadura (1970-1974), os autores (Rui M. Gomes e Jorge Ramos do Ó) apresentam-nos os jornais escolares que alunos de diversas escolas, integrando o MAEESL (Movimento Associativo dos Estudantes do Ensino Secundário de Lisboa), ou em grupos de estudantes, publicaram há 50 anos. Os 32 jornais descritos foram jornais sem autorização, autónomos, críticos do que se passava nas suas escolas, dos reitores e professores às comissões de finalistas não eleitas, combatendo programas escolares, métodos de ensino e toda a ação repressiva que restringia a liberdade na escola, mas também a guerra colonial e a ditadura que ensombraram o nosso país até 1974. 2 EDITORIAL Quão distantes estamos daqueles tempos em que se impedia a palavra! E é bom viver a liberdade: neste número do Às Avessas, a escola do segundo semestre passa pelas nossas páginas, mostrando trabalhos que saíram da rotina e que convidaram à criatividade, notícias sobre exposições e concursos realizados, textos sobre a nossa participação no Parlamento dos Jovens, visitas de estudo diferentes, como a visita aos Açores ou as viagens sustentáveis do 11.ºT, atividades, enfim, que evidenciam uma escola viva, da qual, de uma aula, pode surgir um inquérito sobre a Europa, ou uma reflexão sobre a escravatura no nosso tempo. Mais, ainda, continuando a pensar a escola, fazemos o balanço do trabalho com a Associação de Estudantes eleita, apresentamos um testemunho sobre as mentorias, atividade que iniciámos com sucesso no ano passado, e refletimos sobre os critérios de avaliação do Agrupamento, apoiados pela entrevista à subdiretora Dora Pinheiro. Como aqueles jornais clandestinos de há 50 anos, o Às Avessas apresenta-se como um jornal decidido por estudantes, mas, agora, resultado de um tempo e de uma escola diferentes, com enquadramento formativo próprio e apoio de professores. Estamos, aqui, na fotografia: o professor em fim de carreira, os alunos da redação em afirmação de futuro. Fizeram um bom trabalho. Espera-se que tenham vontade e condições para continuar este projeto, com autonomia e perseverança, e que, princípio dos princípios, continuem a ser ativos e livres. João Nuno Machado Professor bibliotecário Às Avessas, Nº 47, junho de 2023 Coordenação: Prof. João Nuno Machado Plano Gráfico e Coordenação: Prof. Antero Valério Redação: David Ventura, Diana Tavares, Maria Beatriz Santos, Miriam Faria, Sara Ribeiro, alunos do 10LH3
3 Ler Ciência é um projeto da biblioteca da Secundária e do departamento de Física e Química que consiste na leitura e respetiva apresentação crítica de livros científicos ou de divulgação científica por alunos de Física do 12.ºano. Os alunos do 12 CT4 estiveram nos dias 20 e 27 (no início da Semana Nacional da Leitura), na biblioteca, a apresentar as suas leituras, desta vez, também, com a participação da disciplina de Português. As recensões dos livros lidos foram publicadas no blogue Leituras Acordadas. Semana da Leitura Além do roteiro queirosiano da Lisboa de Os Maias, a biblioteca, com o apoio do departamento de Português, criou um novo percurso sobre a Lisboa de Pessoa, que já noticiámos. Antecipando a Semana da Leitura, o 12CT4 fez o passeio no dia 24 de março, numa manhã cinzenta, lendo o poeta e descobrindo os lugares por onde passava, perceber-lhe quotidianos, encontrar as ruas que tornou ficções. Ler Ciência Roteiros Literários «Ah, todo o cais é uma saudade de pedra!» «Ode Marítima», Poesias de Álvaro de Campos. 1ª publ. in Orpheu, nº2. Lisboa, 1915.
4 É a única atividade em que participam num mesmo momento alunos de todas as escolas do Agrupamento. O Concurso Ouvir-te Ler, organizado pelas bibliotecas e pelos departamentos de Português e do 1.ºCiclo teve a sua final no auditório, no dia 26 de abril com a participação de alunos escolhidos nas turmas do 4.ºano e com, a partir do segundo ciclo. a dos que venceram as meias-finais dos respetivos anos. Nos últimos anos, temos conseguido que alunos participem com uma pequena atuação musical (desta vez a dos alunos do curso profissional de Técnico de Ação Educativa). Todos venceram, mas os premiados pelo júri foram Laura Nunes, do 4.ºA da EB Professora Maria Costa, Afonso Ferreira, do 5.ºA, da EB dos Castanheiros, Margarida Mota, do 8.ºC, Ana Beatriz Costa, do 12.ºLH2 e Elena Ceban, aluna de Português Língua Não Materna, do 10 LH1 foram os vencedores nos respetivos ciclos e disciplina. O evento, conduzido com muita eficácia, foi dinamizado, uma vez mais, pelos alunos do 11.ºano do curso de Turismo. Ouvir-te Ler OUVIR-TE LER Concurso de Leitura Expressiva Grande Final Os melhores leitores em voz alta dos quatro ciclos do Agrupamento 26de abril 16:30h Auditório da Escola Secundária de Caneças Departamento de Português Departamento do 1. ciclo Bibliotecas do Agrupamento Ano Letivo 2022/2023 Vem apoiar os teus colegas!
5 ouvi pela primeira vez, pensei que nunca seria capaz de tal coisa. Mas quando paramos para pensar, conseguimos perceber que este castigo afinal é capaz de não ser assim tão absurdo, tal como Albert Camus, no seu ensaio filosófico, (sobre o mesmo mito) nos diz. A punição escolhida baseia-se em puxar um enorme rochedo até ao cimo de uma colina, altura em que ele cai, tendo que recomeçar a sua tarefa de novo. Ele tem que repetir esta tarefa uma vez, e mais uma vez, e mais uma vez, até à eternidade. E esta, baseando-me mais uma vez no escritor francês, é a nossa condição humana. Todos os dias nós questionamo-nos sobre a nossa fé. Desafiamos quem está acima de nós, seja este quem for. Somos egoístas, demonstramos desprezo, pensamos em nós próprios e no nosso bem-estar. E, na cabeça dos gregos, somos castigados por isso. E o nosso castigo é esta repetição das nossas tarefas, é a constante monotonia da nossa vida. Pelo nosso egoísmo, restringimo- -nos às tarefas fúteis do dia-a-dia. Não olhamos mais longe, também porque a nossa condição não nos permite. Podemos também observar o desejo da juventude eterna presente nalguns jovens dos dias de hoje. Da mesma forma que Sísifo se agarra desesperadamente ao seu desejo pela vida, também os jovens se agarram à sua juventude, mantendo a sua ignorância e ingenuidade. Todos os dias os jovens vão à escola, muitas vezes mostram desinteresse pelo conhecimento, voltam para casa, sentam-se no sofá e saciam as suas vontades, descartando as infinitas escolhas que lhes deram. E dessa forma, prendem-se na mesma rotina que não lhes oferece produtividade, tornam-se egoístas e não olham para o outro. Possuem o pior lado de Sísifo, aquele que escolhe viver apenas para satisfazer as suas necessidades. Nós estamos espelhados em Sísifo. Olhamos ao espelho e vemos aquela personagem que é considerada “o herói absurdo”. Aquele que não permite que lhe tirem a paixão pela vida. Nem a consciência da sua punição lhe tira a felicidade e a simplicidade. E porque nós somos como ele, porque todos os dias baseamo-nos na mesma rotina, nos mesmos problemas, nas mesmas questões, “é preciso imaginar Sísifo feliz”, como Camus todos os dias nos ensina. Porque à semelhança da nossa futilidade, também nós estamos presos na nossa condição pela vida. seguimos perceber porquê. Analisando Sísifo, percebemos que este despreza os deuses. Inicialmente, Sísifo despreza-os por puro egoísmo e orgulho. No entanto, mais tarde, quando Sísifo acorrenta Tânato e foge do mundo dos mortos, concluímos que a sua reação se deve ao seu desejo de viver. Na sua última hipótese, quando Perséfone lhe permite voltar para ao pé dos vivos para castigar a sua mulher, ele fica na Terra por se sentir seduzido pela graça e pela beleza da vida. Ele não consegue ouvir os deuses. A sua vontade de viver fala mais alto. Por isso, é concedido um castigo a Sísifo. Um castigo ao qual, quando Diana Tavares Os mitos da Grécia Antiga são um forte legado que nos foram transmitidos através de escrituras, vasos de cerâmica, pinturas e até esculturas. Estes mitos podem servir para explicar alguns ciclos naturais ou simplesmente para explicar as coisas que a humanidade na altura observava e não conseguia justificar, como criaturas marítimas e terrestres, o porquê das tempestades, dos sismos, entre tantos outros problemas. Por isso, os Gregos criaram deuses, atribuíram Poseidon ao mar em conjunto com todas as suas criaturas, criaram Zeus, deus das tempestades e dos trovões, criaram o Minotauro, monstro que, preso no seu labirinto, fazia a terra tremer, entre tantos outros mitos. Explicado estava a criação da terra, mas quem podia explicar o porquê da nossa existência e qual o nosso objetivo nesta vida? Sísifo é dos mitos mais conhecidos na mitologia grega, e é provavelmente relacionado com a condição perpétua do ser humano. Mas já iremos chegar lá. Comecemos por analisar a personalidade de Sísifo aquando o seu tempo de vida na Terra. Sísifo irritou Zeus por informar o pai de Egina onde este a tinha retido, então Zeus decide castigar Sísifo. De seguida, irritou, mais uma vez Zeus e Ares, deus da Guerra, acorrentando o deus Tânato, deus da morte e fazendo com que ninguém pudesse morrer. Irritou Hades e Penélope por, com a condição de voltar, ir ao mundo dos vivos para “castigar” a sua mulher. No entanto, em vez de voltar, decidiu ficar na Terra, seduzido pela água fresca e pela natureza. É impossível não realçar este desprezo que Sísifo demonstra pelos Deuses, pelos seus superiores, no qual o mesmo não dá a menor importância. Sísifo sabe o que quer. Sísifo quer viver. Por tudo o que lhe custar. O ser humano faz coisas impensáveis e muitas vezes não conseguimos pensáveis e muitas vezes não conO mito de Sísifo A biblioteca aderiu ao concurso Clássicos em Rede, uma proposta da Rede de Bibliotecas Escolares e do Centro de Estudos Clássicos da Universidade de Lisboa, que todos os anos propõe aos alunos trabalhos sobre a cultura clássica. Este ano, propunham-se trabalhos sobre Jasão e os Argonautas, Sísifo e Penélope à espera. Os trabalhos podiam ser em várias modalidades. Da nossa escola, foram a concurso um trabalho de texto, de Diana Tavares, uma escultura/instalação, em pasta de modelar, de Mariana Fernandes e um desenho de Francisco Vilela, que aqui reproduzimos.
6 Com início no dia 14 de fevereiro, na biblioteca, houve uma exposição a abordar o tema da violência no namoro. A proposta, uma atividade da responsabilidade da turma EFA S-59, do ensino noturno, inspirada num projeto iniciado em Torres Vedras, aproveitou o Dia dos Namorados para, durante o mês de fevereiro, fazer refletir sobre a violência no namoro, utilizando imagens e palavras relacionadas com o tema, bem como momentos de livros que mostram momentos de violência. Violência no Namoro No dia 9 de fevereiro estiveram na Escola Secundária de Caneças, a convite do departamento de História, a historiadora Irene Pimentel, a jornalista Patrícia Carvalho e o Dr. António Pedro Sousa Mendes, neto de Aristides de Sousa Mendes, (o cônsul português em Bordéus que, ao emitir vistos de entrada para Portugal, salvou a vida a milhares de judeus fugidos do nazismo), para participar num colóquio subordinado à temática do Holocausto. A presença dos conhecedores do tema foi uma mais-valia e uma oportunidade para os alunos ficarem com uma maior compreensão do que foi aquele terrível episódio da história europeia do século XX. Holocausto
7 uma coisa nova, que começou no ano passado, e só este ano é que a conseguimos realizar mais facilmente e num menor espaço de tempo. A direção do Agrupamento deu-nos apoio e deu-nos a sua opinião acerca da maior parte das propostas que tentámos realizar. Por exemplo, no torneio de FIFA, eles facultaram-nos PCs, facultaram-nos o espaço, esse tipo de coisas, e ajudou- -nos imenso. Noutras coisas, como nos torneios desportivos que estamos a tentar realizar agora no final do ano, não existe essa facilidade. O pavilhão não nos é emprestado o que não faz sentido a AE de uma escola não ter acesso aos meios. Portanto, por um lado sim, é restrita, por outro não. Cerca de 58% dos inquiridos acreditam que a AE realizou de 3 a 5 propostas. O que acham disto? As propostas que nos propusemos a fazer, fizemo-las. Todas. À exceção de duas, a plantação de árvores, dada a falta de espaço na escola e a horta comunitária, que mais tarde era para ser substituído por um canil, no entanto acabaram por nos cortar as pernas. De resto, por exemplo, torneio de FIFA, torneio de cartas, torneios de computador, festa, aluno-mentor, bailes de finalistas do 12.º e do 9.º, comprometemo-nos a fazer. Para além disso, ajudámos famílias da escola com cerca de 2000€, no entanto considerámos que não valia a pena divulgar, pois não preA Associação de Estudantes recomeçou a funcionar no ano passado. Este ano, a lista vencedora foi a lista W, dirigida pela presidente Maria Inês Tavares, do 12SE1, e pelo vice-presidente Diogo Graça do 12LH1. Sendo este órgão relativamente novo na nossa escola, a redação do jornal decidiu realizar um questionário que, abrangendo cerca de 10% dos alunos da escola, permitisse ter uma ideia sobre a opinião dos alunos em relação ao trabalho efetuado pela Associação e ao impacto da Associação de Estudantes na Escola. Neste questionário abrangemos várias questões, entre elas quais as propostas que os alunos se lembravam da AE ter realizado, se consideravam que, este ano, a AE tinha feito alguma diferença na vida escolar dos mesmos e se consideravam que a Associação de Estudantes, enquanto órgão escolar, era importante para a escola. 87% dos inquiridos afirmaram ter conhecimento das propostas da AE apresentadas no início do ano. Na última pergunta, sobre a importância da AE enquanto órgão escolar, 75% dos inquiridos responderam de forma positiva. Isto reflete a opinião dos alunos em relação à importância desta organização e também o interesse demonstrado em relação a este assunto, pois os alunos mostraram-se informados em relação às propostas. Para complementar o questionário realizado, propusemos uma entrevista ao vice-presidente, Diogo Graça, para ele nos explicar melhor sobre o funcionamento da AE, as dificuldades que tiveram que ultrapassar enquanto associação, entre outras coisas. A direção do Agrupamento tem apoiado o vosso trabalho? Penso que podemos ver esta questão através de várias perspetivas. Primeiro, eu diria que sim. A Associação de Estudantes cá na escola, é uma coisa complicada de se fazer, não sei se têm noção desse aspeto. A AE é cisamos de divulgar a ajuda a pessoas. Cerca de 87% dos inquiridos afirmam ter conhecimento das propostas que divulgaram no início o ano. Podemos concluir então que tiveram uma campanha de sucesso, certo? Sim, quer dizer, fomos eleitos, portanto acabámos por ter uma campanha de sucesso. Acham que podiam ter feito algo de diferente para melhorar o vosso desempenho enquanto AE? Poderíamos. Quando nos propusemos a fazer uma lista, tentámos encontrar o maior número de pessoas que se encontravam com os mesmos princípios da nossa lista, com o que nos propusemos a fazer. No início, toda a gente participou, no entanto quando começaram a aparecer problemas, só cerca de 12 ou 13 pessoas é que ajudavam, normalmente os chefes de departamento ou os órgãos principais. Mas na festa, tenho que agradecer a toda a gente, pois todos ajudaram e participaram, demos o nosso máximo, e não havia mais nada que pudéssemos ter feito. Mas em outras questões, como por exemplo agora no baile de finalistas, não vejo muita gente a ajudar. Mais de 75% dos inquiridos consideram que a AE é um órgão fundamental para a escola. Concordam? Porquê? Sim. Primeiro, a AE é o órgão representativo de todos os alunos da escola. Todos os alunos são representados pela AE. Os alunos que votaram na outra lista de certeza que concordavam mais com as ideias da outra lista, e o mesmo acontece com quem votou na nossa. Quando somos eleitos, não somos representantes apenas de quem votou em nós, mas sim de todos os alunos. Nós tentámos representar ao máximo todos os alunos, e acho que o conseguimos fazer positivamente. Outra coisa, nós não somos apenas uma associação, também somos alunos. Os problemas que vocês sentem nós também os sentimos, principalmente nós, alunos do 12.º, que já os sentimos há algum tempo. Portanto sim, a AE é um excelente órgão, é uma excelente aposta para continuarem a fazer na escola e para não deixar que se perca ao longo do tempo, principalmente agora que estamos a dar largos passos. A Associação em balanço David Ventura Diana Tavares Maria Beatriz
8 [N.R.: Este texto resulta da recolha informal de opiniões de alunos e de professores e de uma conversa com a professora Dora Pinheiro, subdirectora do Agrupamento] Nos últimos anos, os métodos de avaliação na nossa escola têm vindo a ser modificados. É um tema que gera alguma discussão entre alunos e professores, bem como com os encarregados de educação. Os critérios de avaliação foram alterados em todos os ciclos que são lecionados no nosso agrupamento. Procurámos saber a opinião de vários elementos da comunidade escolar, e percebemos que esta é bastante díspar. A diferença de opinião é mais notória entre alunos-professores. A ideia que sempre foi transmitida aos alunos, pelos professores, é a de que os critérios servem para tornar a avaliação mais justa, e, essencialmente, para nos prepararem para o mundo lá fora. Com base neste objetivo foi criado o PASEO - Perfil do Aluno à Saída da Escolaridade Obrigatória, que serve de orientação para o peso dos domínios (que variam de disciplina para disciplina/ano, para ano/ciclo, para ciclo). Mas será que os alunos concordam com tudo isto? E os professores? Chegámos à conclusão de que não. A ideia que nos é transmitida é a de que a maioria dos alunos mostra- -se pouco satisfeita com estas alterações e alegam sentir-se “injustiçados”. Dizem que os critérios são injustos e que os prejudicaram, mas a verdade é que o maior problema não estará na formação dos critérios... mas sim na forma como são aplicados. Posto isto, podemos perceber que a “culpa” não está em quem os fez ou mandou aplicar, mas sim em quem os põe (ou não) em prática. Um dos principais objetivos desta alteração era o de fornecer aos alunos diversos tipos de elementos de avaliação, de modo a que todos tivessem a possibilidade de mostrar as suas qualidades. E, por outro lado, serem menos penalizados naquilo em que são menos bons. Uma das principais queixas dos alunos em relação a estes temas é a diferença do peso de cada domínio, uma vez que são quase todos avaliados da mesma maneira, o que não era suposto. Porque acaba quase sempre por favorecer parte dos alunos. Há disciplinas em que a diferença é quase nula, mas noutras nem por isso... Contudo, há sempre dois lados da história. Procurámos tentar perceber o posicionamento de vários professores, de áreas, anos de escolaridade e de idades diferentes. E foi aqui que encontrámos uma grande discrepância no que toca a este assunto. Há professores muito recetivos à mudança, e outros menos. Alguns mostram-se empenhados e entusiasmados em contribuir para esta alteração e outros revelam-se menos abertos à mesma. O que acaba por prejudicar, de certa forma, os alunos. Mas os argumentos utilizados por ambos os lados são válidos. Quem está a favor da mudança, defende a evolução dos métodos de ensino. Quem está menos recetivo alega não ter de se esforçar e adaptar a “novas invenções”, uma vez que não é remunerado para tal. A professora Dora, na entrevista que nos concedeu, afirmou: “O objetivo nunca foi prejudicar os alunos, antes pelo contrário. O nosso maior foco é proporcionar-lhes um bom ambiente escolar. […] Não é fácil agradar a todos. Temos professores bastante motivados e ativos na mudança e outros menos. […] Alguns dizem não ter de se adaptar a estes novos critérios e um dos seus principais argumentos prende- -se pelo facto de o sistema estar sempre a mudar. Têm o pensamento muito semelhante ao seguinte: «Isto são modas. O governo atual diz que quer as coisas de uma maneira, e a seguir vem outro e já muda tudo outra vez, e nós temos de nos adaptar.»”. Sara Ribeiro Critérios de Avaliação
9 vários alunos as diferentes instituições em Portugal. Iniciativa da empresa Inspiring Future, estiveram presentes várias universidades, como a UL, a Universidade de Coimbra, a Universidade Lusófona, a Universidade Católica, o ISCTE, entre muitas outras instituições do ensino superior e superior politécnico. Para além disso, estiveram também presentes organizações que planeiam cursos e estágios no estrangeiro, nomeadamente para aprender novas línguas. Com a visita destas universidades, os alunos juntaram-se nos corredores, causando um ambiente há já algum tempo perdido, bastante presente nos tempos pré-pandemia. Este ambiente encontra-se representado nas fotos. As universidades estiveram presentes apenas durante um dia, na parte da manhã. A organização deste evento destinado aos alunos do secundário procura divulgar cursos e escolas do ensino superior, universitário e politécnico, que possam ajudar a boas escolhas e a traçar objetivos. Mais informação em https://inspiring.future.pt/ . No passado dia 28 de fevereiro, a nossa escola acolheu várias universidades, nos corredores de acesso ao bar, de forma a dar a conhecer aos Os Inspiring Todos os anos, os alunos são desafiados a propor um benefício para a sua escola através da utilização de uma verba específica disponibilizada pelo Orçamento Participativo das Escolas (OPE) - um euro por cada aluno (mais ou menos 1200€ na Secundária e 500€ na EB dos Castanheiros). Este ano, o OPE esteve tematicamente direcionado para a inclusão, procurando ser um instrumento para a promoção da solidariedade e da inclusão. Com um tempo curto disponível para divulgar esta informação, ainda foi realizada uma reunião de esclarecimento destinada aos delegados de turma e interessados. Mas, apesar de o tempo ter sido curto, um grupo de alunos do 8.ºano apresentou uma proposta para a instalação de uma rádio escolar na Secundária. Pela música e pela informação propõe-se conseguir uma maior integração de todos na comunidade. A votação da proposta, por sufrágio direto e secreto de todos os alunos da Secundária foi no dia 24 de março - dia do estudante. Agora, com a proposta aprovada e a verba necessária disponibilizada, começa uma nova etapa, a de adquirir e aplicar os equipamentos necessários. E para o ano, se tudo correr bem, temos música ao pé do bar. OPE uma rádio para a escola
10 elaborados pelos alunos, a revalorização da materialidade dos instrumentos didáticos e pedagógicos tem-se tornado essencial, constatando-se que o envolvimento que estes apresentam em atividades práticas continua a ser um meio de excelência para a consolidação de conhecimentos. A compreensão da arte moderna através da exposição, em aula, a conceitos e imagens de obras plásticas ou através do contacto direto com estas no museu, foi complementada com a produção de composições plásticas O projeto pedagógico interdisciplinar “Livros de arte”, concretizado pelas turmas do 9.º ano no presente ano letivo, desenvolveu-se no âmbito das disciplinas de Educação Visual, História, Inglês, Francês e Espanhol, pretendendo dar resposta a um conjunto de objetivos de aprendizagem próprios de cada uma destas disciplinas, mas também, à necessidade cada vez mais premente de repensar os meios e as estratégias de apropriação e produção do conhecimento. Face à inevitável e avassaladora desmaterialização/digitalização das fontes de informação e dos produtos do conhecimento Livros de Arte
11 individuais e de grupo, bem como com a pesquisa e o tratamento de informação para a produção de um documento sobre o tema, redigido em língua estrangeira e devidamente estruturado de acordo com normas bem definidas através de um guião. Os livros apresentados por cada turma, abordando cada um deles um movimento da arte moderna (fauvismo, cubismo, futurismo, expressionismo, abstracionismo lírico, abstracionismo geométrico e surrealismo), foram concebidos como objetos de comunicação polivalentes, sendo eles próprios um suporte expositivo, permitindo o acesso simultâneo à imagem e à informação escrita, neste último caso através de códigos QR associados aos documentos produzidos e integrados nas composições plásticas. Embora nem todos os grupos de trabalho tenham conseguido concretizar atempadamente os documentos escritos, destaca-se a boa participação da generalidade dos alunos na concretização do projeto. Prof. Paulo Falardo O rosto atrás da máscara
eleitoral). Destas reuniões apurou-se uma lista do 8º ano e uma do 9º (lista In9var), sendo que a primeira acabou por desistir, restando apenas a do 9º ano responsável pela construção da Carta de Recomendação do ensino básico de Caneças e que foi defendida ao longo de todas as sessões (distrital e nacional). A sessão escolar, bem como as diversas iniciativas realizadas no primeiro semestre, já foram noticiadas no último número do Às Avessas. Nos dias 27 e 28 de março a lista eleita (In9var) participou com sucesso na sessão distrital (em Lisboa na Escola Virgílio Ferreira) para defender as propostas da Carta de Recomendação apresentada para o efeito. Algumas das medidas foram aprovadas para integrar as propostas nacionais e a lista foi apurada para a sessão nacional, destacando-se a eleição de Francisco Tavares como presidente / porta-voz da O Parlamento dos Jovens, criado em 1995, é um projeto de cidadania desenvolvido pela Assembleia da República com o objetivo de promover e incentivar o trabalho democrático aos alunos do Ensino Básico e Secundário, simulando o processo das Eleições Legislativas de Portugal e do funcionamento do Poder Legislativo. Este projeto três fases: escolar, distrital e nacional, ao longo das quais se reflete como se agiria se se fosse deputado da Assembleia da República, por que etapas se passa e o que é necessário para resolver um problema. O tema deste ano foi “A saúde Mental dos Jovens – Que Desafios? Que Respostas?” A Escola Secundária de Caneças participou, pela primeira vez, no ano letivo passado, tendo dado continuidade a essa experiência este ano. No ano passado o grupo do ensino básico ficou em sexto lugar na lista nacional, como suplente, no entanto não teve oportunidade de participar na sessão nacional Nos dias 8 e 9 de maio de 2023 estivemos presentes (enquanto eleitos para o enino básico) na sessão nacional. Dois dias que foram o resultado de muito trabalho desde o início do ano letivo, não só do presidente e vice-presidente eleitos, mas de todos os integrantes dos grupos de trabalho, incluindo a professora Dália Botinas. Nesta sessão estiveram presentes apenas o nosso repórter Romeu Malaínho, o presidente Francisco Tavares e a vice-presidente Matilde Palhota, bem como a Carolina Duarte, nossa especial convidada pelo seu empenho e acompanhamento incansável em todo este processo. Este evento aconteceu quando, após a inscrição dos alunos, começaram os preparativos para a sessão escolar e mobilização de recursos para envolver e sensibilizar a comunidade escolar para a temática da saúde mental. Para isso, tínhamos agendadas reuniões semanais de preparação, debate, regras de ação, bem como planificação de atividades, formas de intervenção na comunidade escolar, para além dos encontros diários para dar seguimento a todas as medidas decididas no âmbito da nossa temática (especialmente para a sessão escolar e respectivo processo sessão distrital com maioria substancial dos votos dos deputados. A última etapa foi a sessão nacional, nos dias 8 e 9 de maio, na Assembleia da República – Palácio de S. Bento, onde a experiência se tornou mais realista por ocuparmos as bancadas onde os deputados eleitos debatem e votam os assuntos da nação. Em termos de balanço considera-se que foi uma atividade enriquecedora para todos os envolvidos, de muitas aprendizagens e os objectivos cumpridos. Foi possível conhecer muitos jovens vindos de todo os cantos do mundo (porque estiveram presentes alunos das ilhas, da Europa e do resto do mundo), incluindo os deputados de vários partidos, ministro da educação (João Costa) e presidente da Assembleia da República (Augusto Santos Silva) que acompanharam as comissões de trabalho do Parlamento dos Jovens, assim como o debate final. E, tal como os deputados dos vários pontos do país, também foi interessante pernoitar no Hotel Star Inn, 12 Parlamento dos jovens Um testemunho
13 solução à remediação medicamentosa de forma sistemática, mascarando muitas vezes a raiz dos problemas. Foi interessante, importante e a repetir, apesar do trabalho acrescido ao de um normal ano letivo e foi um orgulho chegar à fase final. Carolina Duarte Francisco Tavares Matilde Palhota (9ºD) Romeu Malaínho junto ao aeroporto de Lisboa, entre os dias 8 e 9 de maio, permitindo um convívio mais próximo com os deputados envolvidos nesta fase, de uma forma mais descontraída e animada. Esta experiência também permitiu perceber como funciona o parlamento e as formas de decisão, a representação partidária, o papel das comissões parlamentares, numa das quais, o Francisco Tavares foi o presidente que defendeu, exemplarmente, as propostas de escola, destacando-se a sua brilhante interpelação ao deputado do PS sobre a subvenção /comparticipação das consultas de psicologia e outras medidas adotadas com vista a promover a saúde mental dos jovens, (no caso, a psiquiatria) e evitar a recorrente Ter participado no Parlamento dos Jovens foi uma experiência muito importante e benéfica para o meu desenvolvimento escolar e pessoal. Rodeado de mentes repletas de sentido crítico, todas com um objetivo comum, fazer e eleger propostas para melhorar a saúde mental em Portugal, senti que, no contexto somente escolar, fomos poucos, mas conseguimos fazer aprovar três propostas que considero serem muito pertinentes; consegui desenvolver várias qualidades que já tinha e adquiri outras a trabalhar com o grupo que dispomos. Apesar de termos enfrentado alguns problemas no início desta etapa (como a complexa gestão do grupo, por dificuldades de organização, ultrapassámos muito positivamente este problema com a ajuda da professora Dália Botinas e com a distribuição de tarefas entre todos), o que originou um grupo mais reduzido, mas que efetivamente tinha em conta qual era o objetivo de todo este projeto. Já em contexto “competitivo” (podemos, sim, chamar “competitivo”), na fase regional do Parlamento dos Jovens, eu e a minha colega e amiga Maria Inês Tavares fomos representar a escola, cuja experiência foi muito interessante, tanto por estar pela primeira vez dentro de um contexto mais político, tanto por conseguir perceber mais como funciona um parlamento. Embora o primeiro dia tenha sido deveras enfadonho, para mim, por todo o tempo que tivemos de esperar, pela demora de todas as atividades e por uma medíocre gestão da mesa eleita para esta edição do Parlamento dos Jovens, foi possível conhecer outras pessoas, com as quais gostei de debater diversos temas e conhecer melhor. No segundo dia, mais tranquilo e gratificante, soubemos que medidas iriamos ter de trabalhar e formámos grupos de trabalho, contudo, no grupo onde estivemos inseridos, o trabalho não fluiu de uma forma rentável (o que pode ser completamente normal quando, com somente uma hora, com grupos com cerca de dezasseis pessoas, quase todos conhecidos somente no dia anterior, sem um “líder” que monitorize o trabalho do grupo, é totalmente percetível na minha opinião que não funcione e que não se obtenham os resultados esperados). Fora este percalço, o segundo dia foi muito positivo, no que toca às propostas eleitas para serem avaliadas na sessão nacional do Parlamento dos Jovens, e às relações que se desenvolveram e levar para fora desta toda experiência. Ter participado neste projeto foi algo muito positivo para mim e convido (a todos os que lerem este artigo) para, no próximo ano letivo de 2023/24, se informarem e, se possível, participarem neste projeto, que, penso ser muito benéfico para o desenvolvimento de cada um. Agradeço, por fim, a todo o trabalho e ajuda que alguns colegas da lista do básico nos deram (e também a muito positiva colaboração da Associação de Estudantes). Guilherme Guedes, 12ºLH3 Parlamento dos jovens Secundário . Depoimento
14 escolar. Deste modo, todos os discentes tiveram a oportunidade de desenvolverem competências num ambiente natural, que propicia a aprendizagem no terreno. No âmbito da disciplina de Biologia e Geologia, realizou-se uma visita de estudo à ilha de S. Miguel, no arquipélago dos Açores. A viagem decorreu entre os dias 21 e 24 de fevereiro de 2023 com o objetivo de complementar os conteúdos programáticos das disciplinas de Biologia e Geologia e de Física e Química A. Esta visita contou com a presença de cerca de 60 alunos das turmas do 11º ano do curso de Ciências e Tecnologias e de quatro (4) professores acompanhantes, dois dos quais organizadores da visita. Os alunos tiveram a oportunidade de visitar lugares como o Parque Terra Nostra, a Gruta do Carvão, a Lagoa das Furnas, a Caldeira Velha e várias paisagens panorâmicas que foram muito do agrado de todos. Esta viagem teve uma adesão muito positiva por parte dos alunos, não só por ter havido um contacto mais próximo com fenómenos naturais (vulcanismo), cuja dimensão é, muitas vezes, subestimada, como também pelo facto desses fenómenos serem trabalhados do ponto de vista conceptual em sala de aula. A abordagem in loco é diferente da aprendizagem que os alunos apreendem no dia-a-dia, em ambiente Visita aos Açores Maria Beatriz A viagem de finalistas deste ano decorreu nas férias da Páscoa, e os finalistas viajaram para diversos lugares por iniciativa própria, não tendo havido a organização de uma viagem proposta pela Associação de Estudantes. Alguns foram para Punta Umbria, outros para Andorra e para o Sumol snowtrip. Para estes alunos foi uma ótima experiência como comemoração do final do secundário, com festas, desafios e espetáculos. Viagem de Finalistas
15 Porto Nos dias 7 e 8 de Março, o 11º T foi ao Porto. A viagem (de comboio) foi programada pelo nosso grupo para que vivêssemos a experiência de uma viagem organizada por uma empresa turística, numa perspetiva de sustentabilidade e de promoção da saúde. O objetivo do grupo era orientar os colegas e os respetivos professores, neste caso eles seriam os nossos turistas. O programa da visita ao Porto incluiu uma visita a três igrejas barrocas (Santa Clara, São Francisco e Clérigos), provar a sua gastronomia, e conhecer espaços típicos do Porto como o Mercado do Bolhão ou a Ribeira. No dia 8, acompanhados pela chuva que nos surpreendeu logo à saída do Hotel, fomos a Gaia visitar um navio cruzeiro que faz o percurso do rio Douro e descobrir as famosas caves de vinho do Porto (Ferreirinha). Raquel Fernandes Loulé Nos dias 29 e 30 de março foi a vez de nos deslocarmos a Loulé, uma cidade próxima do «sol e mar» característicos da oferta turística algarvia, mas o nosso objetivo era mostrar outros lados deste destino. Começámos o nosso dia na escola às 7 da manhã a partir para Loulé em autocarro, uma viagem aproximada de 3 horas. Tivemos uma receção bastante calorosa por uma guia turística responsável pelo nosso grupo, visitámos então o solar Gama Lobo, onde nos foi mostrado e apresentado o projeto “Loulé criativo” no qual a cidade dá a conhecer algumas oficinas e alguns artesãos da cidade, entre elas (cordofones, têxteis, cobre e barro). Na parte da tarde, visitámos a zona histórica de Loulé onde estão incluídos o Castelo, o Polo Museológico dos frutos secos e os Banhos Islâmicos, a Igreja Matriz e a Ermida de Nª Srª da Conceição. A turma passou a noite no Hotel Rural Rocha da Gralheira onde também jantámos e, antes disso, ainda deu para alguns testarem a água da piscina. No dia 30 de manhã a turma dirigiu-se à imperdível Mina de Sal-Gema, a única mina visitável de sal-gema em Portugal, cuja espetacular beleza, associa ao interesse geológico, as potencialidades de exploração turística. Na parViagens sustentáveis Na continuidade do seu projeto de cidadania, os alunos do 11º T (curso profissional de Técnico de Turismo), depois da ida a Madrid (que noticiámos no número anterior), deslocaram-se ao Porto, a Loulé e a Coimbra.
16 te da tarde realizámos uma caminhada pelo Parque Natural da Ria Formosa, o único no Algarve, habitat de cerca de 300 espécies de aves, esta caminhada foi começada na Quinta do Lago um dos resorts e condomínios mais ricos de Portugal. No regresso a Lisboa a turma teve o prazer de visitar duas das aldeias típicas algarvias “Alte” e “Salir” onde podemos observar a tradição algarvia das chaminés personalizadas e das casas brancas. Sara Nunes Coimbra E concluímos este projeto com uma ida a Coimbra, no dia 18 de Abril. A viagem foi organizada pelo grupo de Coimbra, que assumiu o objetivo de orientar os colegas e os professores numa visita à cidade, neste caso eles seriam os nossos turistas, a quem procurámos que tivessem uma experiência diferente. O programa de Coimbra começou pela Biblioteca Joanina e Universidade de Coimbra (uma das universidades mais antigas, fundada pelo D. Dinis), almoçámos no restaurante (“O Cantinho dos Reis”) de gastronomia típica, e, depois de um grande almoço conjunto fomos ver o Mosteiro de Santa Cruz (fundado em 1131 pelo primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques) e à Sé Velha (com construção no início no século XII, durante o reinado de D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, é uma das nossas primeiras catedrais românicas, com intervenção posterior do Gótico e do Renascimento). Depois de conhecimento histórico e gastronómico, dedicámos o final da visita à promoção da saúde através da prática desportiva e fomos fazer canoagem no rio Mondego, bela e fresca maneira de terminarmos a visita num dia com algum calor primaveril. Patrícia Valente
17 Relação do Humano com a Natureza As alterações climáticas estão cada vez mais a crescer, e o que devemos fazer para as precaver? Os carros elétricos são uma solução, mas para toda a gente não haverão. Quanto aos gases emitidos, temos como exemplo o metano! Poderão estes ser contidos ou não poluentes como o butano? Em relação ao ambiente o que podemos nós fazer? Algumas fábricas mandar fechar, para parte da poluição se desfazer! Com a morte de alguns animais acabar! E para o ser humano devemos alertar, que o mundo temos de consertar, protegendo a biodiversidade, como se fosse uma antiguidade! Leonor Falcão, 10ºCT2 Relação do Ser Humano com a Natureza O Ser Humano precisa da Natureza, Pois sem ela não consegue viver. Cuidar dela é o nosso dever, Para a vida nos conceder. A água, a terra, o fogo e o ar, São os quatro elementos fundamentais. Deles pudemos usufruir, Sem afetar os efeitos ambientais. Acreditar que pouco é muito, Apanhar o lixo é mudar o mundo. Do elefante ao mosquito, Sem esquecer o periquito. Ações conscientes são as que temos de seguir, E para a política dos 5 R’s devemos contribuir. Repensar, recusar, reduzir, reutilizar e reciclar, Para estar sempre a somar. Aos cientistas temos de agradecer, Pelo que têm a oferecer. A Natureza devemos respeitar, Para o nosso mundo continuar. Inês Matos, 10ºCT3 Rotina O ser humano é um ser da natureza que a trata tão mal como um animal à sua presa. No outro dia fui à praia e foi com muita tristeza que vi a natureza ser tratada como cobaia. No dia seguinte fui a uma florista e desta vez vi um turista deitar uma garrafa ao chão sem qualquer po de preocupação. Ontem fui caminhar e reparei no nosso ar está cada vez mais coberto e percebi que o futuro é incerto. Está na hora de acordar e de agir com consciência, de proteger a natureza e cuidar da sua essência. Não nos podemos esquecer que somos parte da natureza, e que devemos respeitá-la e preservá-la com delicadeza. Margarida Gouveia, 10ºCT3 Clima e desenvolvimento A “Radiografia ao Planeta. JÁ!” foi o tema proposto no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e nos domínios da componente curricular de Cidadania e Desenvolvimento, que envolveu um projeto com as disciplinas de Português, Inglês, Filosofia, Física Química A e Biologia e Geologia, nas turmas CT2 e CT3 do 10.ºano. Os vários trabalhos foram realizados com entusiasmo por parte dos alunos, que produziram flyers, folhetos e posters na língua portuguesa e inglesa. No dia dois de março, os flyers/folhetos foram disponibilizados à comunidade escolar e os posters foram expostos ao longo da Escola Secundária de Caneças. Decorreu também no Auditório uma palestra subordinada ao tema “Alterações Climáticas e Políticas de Desenvolvimento Sustentável” ministrada pela Professora Doutora Ana Delicado do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, tendo os alunos sido acompanhados pela Diretora de Turma e por vários docentes do Conselho de turma. No âmbito deste projeto foi igualmente proposta a escrita de um poema sobre o tema “Alterações Climáticas e Políticas de Desenvolvimento Sustentável”. Houve um envolvimento satisfatório na execução da atividade com grande empenho e motivação por parte dos alunos. Publicamos os poemas selecionados.
isto e provar que a escravatura permanece no mundo atual é angustiante e desesperante. Pessoas que, como nós, querem conseguir sustento próprio, a partir do seu trabalho, sem a ajuda de terceiros, são todos os dias enganadas na procura desesperada por ter uma vida estável. O que ainda provoca mais agitação e descontentamento da minha parte é o facto deste tema ser tão ignorado política e mundialmente. Portugal, um país que demonstra ser tão democrático e pacífico, esconde os problemas para debaixo do tapete, para mostrar ao resto do mundo a “perfeição”. Até o simples facto da ONU ter no artigo dos direitos humanos a proibição da escravatura, mas posteriormente, colocar nos seus objetivos a abolição da mesma é irónico. Isto prova que vivemos num mundo que se preocupa com a imagem superficial que transmite aos outros e não com os verdadeiros problemas. A política tornou-se superficial. Os direitos humanos foram escritos, mas muitas vezes não são aplicados. E todos os dias escolhemos ignorar o que os nossos olhos não veem. Assim todos os dias somos confrontados com produtos que podem ter sido feitos ou colhidos por mão escrava, e os nossos governantes nada fazem para o impedir, permitindo que esta atrocidade permaneça nas sombras. Enquanto tentava encontrar informação para a apresentação, uma das coisas que mais me irritou foi o facto de encontrar maioritariamente Por volta do mês de abril estivemos a falar, na aula de História A do 10LH3, sobre o tema da escravização no tempo dos descobrimentos. No âmbito desta matéria, foi-nos proposta a realização de um trabalho / apresentação sobre a escravatura moderna. Acho que nos meus anos enquanto estudante, nunca tinha feito um trabalho que me incomodasse tanto. Nos dias de hoje, é normal os alunos serem bombardeados com práticas de sensibilização em relação aos mais diversos temas importantes da nossa sociedade, desde alterações climáticas até à poluição ou a escassez de água e de matérias-primas. No entanto, quando me apresentaram este trabalho de uma forma tão direta, tive uma grande dificuldade em conseguir organizá-lo e apresentá-lo da forma ideal, dado que a única coisa que consigo encontrar na Internet são puras estatísticas e números. Em História abordamos todo o tipo de temas, muitos deles impensáveis, hoje em dia. Para mim, a escravatura seria um deles. Ver e trabalhar 18 Sobre o trabalho Diana Tavares escravo mercado de escravos na Líbia (800 dólares a peça) in https://www.iabolish.org/libyan-markets-sell-slaves- -for-800-apiece/
19 velas, um passeio por Lisboa, de Belém à Baixa e, finalmente o encontro com o Atlântico, numa praia de Cascais, e com Sintra terminaram a apresentação possível da nossa região. A noite de dia 16 foi tempo para jantar partilhado entre alunos, professores e famílias de acolhimento dos alunos indianos, que culminou com um pequeno espetáculo, no qual participaram os nossos alunos, o grupo Move Cool Dance e terminou com uma atuação dos alunos indianos, que realizaram uma dança tradicional do seu país (tendo sido convidados a assistir, os nossos formandos do ensino noturno de nacionalidade indiana). Depois, num final bem-disposto, a dança tomou o lugar e toda a gente dançou. apenas estatísticas e números e não conseguir encontrar casos concretos e situações reais. Ou seja, para além de ignorarem este problema tão grave, tornam as pessoas em simples números. Não as mostram. Escondem-nas nos algoritmos. Porque no fundo é tudo o que nos apresentam, não é? Estatísticas do aumento da poluição, do aquecimento global, da inflação, e todo o tipo de problemas políticos e sociais. No entanto, o que difere todos os outros problemas deste é o facto de aqui se tratar de pessoas e não de gases ou de dinheiro. Ou seja, nós estamos a igualar dinheiro a vidas reais. À liberdade. Um país que defende tanto a liberdade, que dedica um feriado à mesma, que tem todas as razões para a proclamar, permite ter mais de 20 mil pessoas a fazerem trabalho escravo?! Agora, quando passar, em viagem, por um campo agrícola, ou por uma obra de larga escala, vou pensar neste trabalho. Vou pensar na quantidade de pessoas que NÃO escolheram ter a vida que têm. Vou pensar no facto de o governo não agir e não resolver este problema tão grave. Vou pensar se realmente, alguma vez na história, toda a humanidade teve acesso aos seus mais simples e merecidos direitos. De 9 a 17 de maio, recebemos a visita, no âmbito de um projeto de intercâmbio internacional com a St. Mark’s Senior Secondary Public School, de Nova Delhi, Índia, de uma delegação composta por 10 alunos e quatro professoras. Este projeto, iniciado em 2017, com o curso profissional de Técnico de Turismo, está inserido no programa People-to-people Exchange - ASEF Classroom Network (ClassNet) da Asia-Europe Foundation, fundação que promove a realização de projetos de intercâmbio internacionais entre escolas dos continentes asiático e europeu, a que o nosso Agrupamento está associado. Tendo os alunos do 11.ºT como anfitriões, os colegas indianos e suas professoras passaram connosco dias muito preenchidos, que se iniciaram com receções do Presidente da Junta da União de Freguesias de Caneças e Ramada (no dia 10) e do Presidente da Câmara (no dia 11), tendo visitado Caneças e recebidos pela Associação dos Amigos de Caneças no Centro Interpretativo das Fontes de Caneças; atividades na Escola, visitas à Escola Agrícola da Paiã, ao Mosteiro de São Dinis e São Bernardo, de OdiIntercâmbio com escola indiana
Na sequência da análise, constatou-se ainda que, para os inquiridos, as palavras que mais simbolizam a União Europeia são “Paz”, mencionada 136 vezes, e “União”, mencionada 129 vezes. Estes resultados revelam a importância atribuída pelos participantes à ideia de paz e ao sentimento de união e de pertença veiculados pela União Europeia, algo que vai de encontro aos valores desta organização que promove a integração, cooperação e prosperidade entre os seus membros, tendo como lema “Unidos na Diversidade”. Contudo, é importante salientar que é necessário arranjar mecanismos para informar devidamente os jovens acerca da União Europeia e as suas vantagens, pois somente assim poderemos construir um futuro onde a união e a prosperidade sejam uma realidade para todos os cidadãos europeus. Leonor Helena, 11ºSE1 No passado dia 9 de maio, celebrou-se o Dia da Europa não só na nossa escola como também nos diversos países do continente europeu. Esta data comemorativa assinala o aniversário da histórica “Declaração Schuman”, proferida pelo ministro dos negócios estrangeiros francês Robert Schuman, em 1950. Esta declaração é amplamente reconhecida como o marco inicial que estabeleceu as bases para a formação da atual União Europeia e é, por isso, um dia relevante na história do continente. Nesse sentido, foram expostos diversos cartazes no átrio da escola, que contemplavam informação relevante acerca dos países da União Europeia. Adicionalmente, no âmbito da disciplina de Geografia, os alunos da turma do 11ºSE1 percorreram as salas de aula, durante o período da manhã, com o intuito de divulgar a importância da comemoração desta data, que celebra a paz e a unidade no continente europeu. Neste seguimento, foi ainda realizado um inquérito aos alunos das demais turmas, constituído por três simples questões, que totalizou 413 respostas, das quais 382 são válidas. Da análise das respostas é possível concluir que praticamente todos os inquiridos se sentem cidadãos europeus (373), mas que grande parte não considera que os jovens estejam suficientemente informados acerca das vantagens da União Europeia (325). 20 9 de maio Dia da Europa
21 No início do ano, uma professora falou sobre um suposto “programa de mentoria”, onde um aluno que se sentisse confortável em uma, ou mais, disciplinas podia tentar ajudar outros que tivessem algumas dificuldades. Estando no 12º ano, decidi inscrever-me no programa, em parte com o desejo de ajudar outros, por outro lado, para conseguir, de alguma forma, tornar-me melhor a ajudar os outros. Não tinha grande ideia do que me esperava, pensava que os alunos que ia encontrar não se empenhavam, que teria de ser eu a ter a iniciativa, a puxar por eles. Mas isto não podia estar mais longe da verdade porque tive a sorte de me serem atribuídas duas alunas do 11.ºano. Elas precisavam de ajuda em duas das disciplinas em que eu tinha uma maior facilidade e que me tinha inscrito como mentor (Matemática A e Física e Química A). Apesar de inicialmente haver uma certa incerteza em exporem as suas dúvidas (como seria de esperar de qualquer pessoa), rapidamente conseguimos superar este problema. Como tínhamos liberdade total por parte da escola, não precisávamos de seguir nenhum horário, bastava-lhes pedir que, num certo dia, nos encontrássemos para esclarecer as dúvidas que lhes tinham surgido. Como já disse, desde o início que temi que as minhas mentorandas não se aplicassem, mas fui surpreendido. Com o passar do tempo, elas apresentavam cada vez mais dúvidas, não querendo com isto dizer que tivessem mais dificuldades, mas que percebiam melhor onde e porque falhavam. Para além disto, era também cada vez mais percetível o crescente empenho em melhorar, já que as dúvidas espalhavam- -se por diferentes conteúdos, ou seja, estavam a estudar não só a matéria que abordavam naquele momento em aula, mas também os conteúdos passados. Creio que houve um desenvolvimento positivo por parte das mentorandas, apesar de acreditar que poderia ter sido ainda maior, mas penso que ambos os lados ficaram satisfeitos com o que alcançámos. Não posso falar com total certeza em nome das minhas mentorandas, mas penso que, tal como eu, ficaram satisfeitas, não só a nível de resultados, mas também a nível da experiência que tiveram. Por outro lado, penso que tive a oportunidade de melhorar em muito com este programa. Ganhei consciência de onde falhava como mentor, onde podia melhorar, onde tinha mesmo de mudar e onde estavam os meus pontos fortes e como me podia servir deles. Este programa também me trouxe com clareza o ano passado, obrigou-me a rever e estudar conteúdos que eu tomava como concluídos. Mas não posso ver isto de forma negativa, já que me ajudou a rever assuntos que eventualmente me serão pedidos quando chegar ao exame nacional. No entanto, tenho também de ser realista e admitir que houve falhas. Se calhar o começo tardio do programa, talvez, a inicial incerteza de ambos os lados, ou até alguma saturação, já que os momentos de avaliação ficavam sempre juntos, pelo que, como mentor, tinha de me dividir entre estudar aquilo que eu próprio precisava e ajudar as minhas mentorandas. Mas penso que no geral, estas falhas podem ser esquecidas, quando comparadas àquilo que foi conquistado. Para concluir, não posso dizer que o programa tenha sido fácil ou simples, mas creio que todas a dificuldades valeram a pena. Com apenas algumas horas, nem sempre todas as semanas, penso que eu e as duas alunas conseguimos ganhar algo. Não posso, portanto, acabar sem tentar incentivar todos os que se sintam à vontade para ajudar os outros a fazê-lo e que aqueles que têm dificuldades e que querem e se empenham em superá-las, que participem e se inscrevam neste programa. Pedro Gonçalves, 12ºCT4 Programa de Mentoria um testemunho
22 Repurpose A turma 11ºAV1 apresentou uma exposição de interpretações da obra do pintor modernista Amadeo de Souza Cardoso. Estes trabalhos foram realizados com base em materiais reciclados.
23 Semana das Línguas e das Artes
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