EQUOTERAPIA
OS BENEFÍCIOS DA EQUOTERAPIA
2021
Pesquisa e Produção
Alessandra das Graças Bezerra
R.A.00105512
Carlos José Matiussi Souza
R.A.00107112
Juliana Braga Grier
R.A.00104075
CURSO DE GESTÃO DE EQUINOCULTURA - 2021
LÍNGUA PORTUGUESA – TEXTO E CONTEXTO
Professora DENISE LEMOS GOMES LUZ
A Equoterapia é um método
terapêutico e educacional que
utiliza o cavalo dentro de uma
abordagem interdisciplinar nas
áreas de saúde, educação e
equitação, buscando o
desenvolvimento biopsicossocial
de pessoas com deficiências ou
também com necessidades
especiais buscando o
desenvolvimento global.
No Brasil a terapia com cavalo é conhecida como Equoterapia, nome difundido e oficializado pela
Associação Nacional de Equoterapia (ANDE–BRASIL),desde 1998, sendo reconhecida como método
terapêutico pelo Conselho Federal de Medicina(resolução n°196/96 do Conselho Nacional de Saúde),
que foi criada com três intenções:
Homenagear a nossa língua mãe- o latim- adotando o radical EQUO que vem de EQUUS;
Homenagear o pai da medicina ocidental o grego Hipócrates de Loo(458 a 377 a.C.), que no seu livro
“ DAS DIETAS” já aconselhava a prática equestre para regenerar a saúde, preservar o corpo humano
de muitas doenças e no tratamento de insônia e mencionava que a prática equestre ao ar livre, faz
com que os cavaleiros melhorem seu tônus. Por isso, adotou- se TERAPIA que vem do grego
therapeia, parte da medicina que trata da aplicação de conhecimento técnico- científico no campo da
reabilitação e reeducação;
Tornar conhecida a palavra EQUOTERAPIA®, como palavra consolidadora dos princípios de normas
fundamentais que norteiam esta prática no Brasil, o que facilitaria o reconhecimento do método
terapêutico pelos órgãos competentes.
O trabalho de Equoterapia envolve
diversos profissionais das seguintes
áreas : Educação Física, Fisioterapia,
Fonoaudiologia, Instrutor de
Equitação, Medicina, Pedagogia,
Psicologia, Psicomotricidade, Terapia
Ocupacional e Veterinária.
O atendimento equoterápico deve ter
um componente para que possa,
também, atingir classes sociais menos
favorecidas, para não se constituir em
atividade elitizada.
Emprega o cavalo como
motivador para proporcionar
ganhos físicos e psicológicos.
Esta atividade exige a
participação do corpo inteiro,
contribuindo assim, para o
desenvolvimento da força
muscular, relaxamento e
conscientização do próprio
corpo, aperfeiçoamento da
coordenação motora, postura e
equilíbrio, e ainda se trabalha
com atividades de solo como
escovação, alimentação do
animal e caminhada ao lado.
A interação do praticante, é o termo
utilizado para designar a pessoa
com deficiência ou com
necessidades especiais quando em
atividade equoterápica, com o
animal, desde os primeiros
contatos e cuidados preliminares
até o ato de montar, desenvolve
ainda, novas formas de
comunicação, socialização,
autoconfiança e autoestima,
melhorando a qualidade de vida e a
inclusão social das pessoas com
deficiências. Objetivando assim os
benefícios físicos, psíquicos,
educacionais e sociais.
Em relação às evoluções na área de aprendizagem os ganhos ocorrem de
forma integral e não fragmentada, tratando-se de um amplo processo,
citando algumas evoluções:
Atenção e concentração;
Memória;
Raciocínio lógico matemático;
Leitura e escrita;
Ampliar o léxico, bem como no currículo oculto;
Desenvolvimento dos aspectos da linguagem e comunicação total;
Orientação espacial e temporal;
Aprimoramento das noções básicas(como cores, discriminações,
etc.)/repertório básico;
Percepções.
Esta terapia aborda o praticante de forma
holística, a riqueza do ambiente estimulatório
e o cavalo proporciona aos terapeutas uma
gama de situações, que se bem aproveitadas,
levam a um importante desenvolvimento
global.
Toda atividade que desenvolva ou que
trabalhe a percepção auxilia o processo
pedagógico.
Associando a visão, audição, a percepção
tátil, enfim, as habilidades perceptuais como
um todo ao movimento do cavalo (rítmico e
dissociado) e na Equoterapia podemos
auxiliar na construção de novas aquisições
em diversas áreas.
Dentro de vários tipos de deficiências físicas,
intelectuais, motoras ou mobilidade reduzida,
iremos citar uma em que as causas ainda são
incertas, o chamado Transtorno do Espectro
Autista (TEA),entretanto acredita- se que
estejam ligadas a fatores genéticos e
ambientais, se manifestando antes da idade de
três anos de vida. Este transtorno é
caracterizado principalmente pelo
comprometimento da habilidade de
comunicação e interação social, assim como por
comportamentos estereotipados e interesses
repetitivos e/ou restritos.
E na prática de Equoterapia irá ser avaliado as
possibilidades enquanto recursos terapêuticos
no tratamento.
Em uma pesquisa realizada com crianças
com TEA, pudemos identificar grandes
benefícios com a prática de Equoterapia. E
os resultados mais significativos aplicada a
crianças autistas referem-se a postura
corporal ou gestos para iniciar ou modular
a interação social, obedecer ordens
simples, a percepção, a exploração e
relacionamento com o animal e a iniciativa
própria durante as sessões. Ainda como
resultado satisfatório, a frequência do
ajuste tônico, enquanto que a evitação do
cavalo e aversão ao contato físico
geralmente são superados.
Sendo assim é percebido uma evolução
importante tanto no que se refere a postura
e gesto, quanto ao relacionamento com os
técnicos e o animal, envolvendo contato
físico.
Com relação aos demais comportamentos como
as estereotipias e estado excitação, é
perceptível uma sensível diminuição.
E os resultados relacionados com a percepção,
exploração e relacionamento com o animal, a
baixa evitação do cavalo e também baixa
aversão ao contato físico, chama a atenção de
modo especial, pois além da busca na
aproximação com o cavalo, é muito frequente a
aceitação do contato com os membros da
equipe, principalmente contato corporal.
Podemos afirmar então que o recurso
equoterápico pode auxiliar na melhora das
relações sociais de crianças autistas
favorecendo uma melhor percepção do
mundo externo e ajuste tônico-postural
adequado.
E em relação a pessoas com Paralisia Cerebral é ideal por apresentar um padrão motor
anormal, espasticidade muscular e hiperreflexia. Esta prática traz assim vários benefícios
por adequar o tônus muscular na correção postural, melhorar a integração das
percepções proprioceptivas e táteis, facilitar as relações espaciais e temporais nas ações,
realiza automatismo de controle postural e de movimento e também irá possibilitar ao
praticante o movimento de quadril e postura, que ele não possui devido ao seu quadro
neurológico.
Segundo a ANDE- BRASIL, os seguintes benefícios da equoterapia podem
ser arrolados:
Auxilia no relaxamento do padrão anormal;
Contribui no desenvolvimento motor;
Melhora na coordenação motora fina e grossa;
Alinhamento postural;
Raciocínio lógico;
Autoestima, atenção;
Concentração;
Aumentar a capacidade de independência e decisão;
Esquema corporal;
Correção da marcha;
Ajuda a superar fobias, como a de altura e a de animais;
Estimula a sensibilidade tátil, visual, auditiva e olfativa pelo ambiente e pelos trabalhos
com o cavalo;
Promove a organização e a consciência do corpo;
Desenvolve a modulação tônica e estimula a força muscular;
Oferece a sensação de ritmo;
Aumenta a autoestima, facilitando a integração social;
Melhora a memória, concentração e a sequência de ações;
Motiva o aprendizado, encoraja o uso da linguagem;
Ensina a importância de regras como a segurança e a disciplina
E quanto AO MOVIMENTO DO CAVALO, ele
envia informações sensoriais ao praticante, que
por sua vez busca respostas apropriadas a estes
estímulos, em virtude disso, ocorre melhora nas
funções neurológicas e no processamento
sensorial.
O movimento tridimensional é rítmico, repetitivo e
variável.
A variedade de movimentos do cavalo, permite
ao terapeuta adequar cada praticante de acordo
com sua necessidade (informações sensoriais),
junto com sua terapia, o que permite alcançar um
objetivo comum.
Para entender melhor esse processo, é
necessário saber que a cada passo do
cavalo, o centro de gravidade do
praticante é deslocado da linha média,
estimulando assim, as reações de
equilíbrio, que proporcionam a
restauração do centro de gravidade
dentro de sua base de sustentação.
Nesse momento, o sistema vestibular á
acionado, estimulando suas conexões
entre os canais semi-circulares, onde as
células ciliadas captam a movimentação
da endolinfa provocada pelos
movimentos da cabeça com o cerebelo,
córtex cerebral, medula espinhal, nervos
periféricos tanto no sentido ascendente
quanto descendente. (Tatiana Lermontov,
2004).
Dentro da coluna vertebral
está a medula espinhal,
que é a conexão de todo
nosso corpo com SNC. A
chave do movimento
tridimensional está na
cintura pélvica do
praticante. O cavalo ao
deslocar-se ao passo gera
oscilações, que são
transmitidas pela coluna
vertebral até o SNC, em 30
minutos temos de 180 a
220 oscilações.
Sabemos que as informações chegam ao cérebro de forma pulverizada –
em várias regiões ao mesmo tempo, chegam ao cérebro através dos inputs
cerebrais e essas informações “marcam” redes neuronais. Essas “marcas”
são feitas por sinapses, que são trocas de substâncias químicas, elétricas
entre células nervosas que são denominadas neurônios. As sinapses
ocorrem porque há um estímulo que a desencadeia, os neurônios
estimulados e utilizados, fixam-se como instrumento do pensamento
durante um período crítico, com isso, fazem novas conexões para outras
informações sejam armazenadas.
Essas conexões formadas
podem levar a uma mudança
na arquitetura cerebral, o que
causa uma série de novos
ajustes, dando-se, assim, o
desenvolvimento do cérebro.
Os neurônios aumentam ou
diminuem sua atividade, de
acordo com a excitação ou
inibição de impulsos elétricos
com outros neurônios a eles
conectados. (CIELO, 1998)
Ao montarmos no cavalo, o
cérebro está em plena
atividade, em alerta,
permitindo que ocorram
ajustes posturais, de fala, de
respiração, dentre outros,
onde este praticante está
sempre em alerta,
aumentando seu estado de
vigília, melhorando a
atenção (base do
aprendizado), chegando
enfim, a concentração que é
onde realmente ocorre o
aprendizado.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Equoterapia. Brasília, 1999.
CIRILLO, L.C. Fundamentos básicos sobre Equoterapia. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE EQUOTERAPIA, 1., 1999,
Brasília-DF. Anais... Brasília: Ande Brasil, 1999. p. 13-17.
FINNINE, Nancie R. O manuseio em casa da criança com paralisia cerebral. 3. ed. São Paulo: Manole, 2000.
GRESSO BRASILEIRO DE EQUOTERAPIA, 1., 1999, Brasília-DF. Anais... Brasília: Ande Brasil, 1999. p. 221-222.
MEDEIROS, Mylena; DIAS, Emilia. Equoterapia, bases e fundamentos. 1. ed, Rio de Janeiro: Compyringht, 2002.
SALVAGNI, G. O volteio na Equoterapia: reabilitação, atividade lúdica, integração social e esporte. In:
CONGRESSO BRASILEIRO DE EQUOTERAPIA, 1., 1999, Brasília-DF. Anais... Brasília: Ande Brasil, 1999. p. 45-48.
SCHWARTZMAN, José Salomão. Autismo infantil. São Paulo: Memnon, 1995.
XAVIER, Cristóvão de Castro. Paralisia Cerebral: Diagnostico Diferencial. In: Paralisia Cerebral: Neurologia,
Ortopedia e Reabilitação. Rio de Janeiro: Guanabara, 2004
http://equoterapia.org.br/
http://equoterapia.org.br/articles/index/articles_list/138/81/0
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