JOÃO APÓSTOLOS AOS CRISTÃOS ATUAISMensagens cristãs com base no Evangelho de João aos cristãos de nosso tempoEdson Raposo Belchior
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SUMÁRIOINTRODUÇÃO ............................................................................51. UM PARTO NOTURNO..........................................................82. FINALMENTE FICOU SACIADA........................................133. NÃO PODIA MAIS PECAR ..................................................194.ESCAPOU DAS PEDRADAS.................................................245. ENXERGAR ALÉM...............................................................286. ERA PRECISO MORRER......................................................337. EM BUSCA DE SABEDORIA ..............................................388. SACERDOTE INCRÉCULO..................................................439. FICOU COM AS MÃOS SUJAS ...........................................4710. SINAIS QUE CONVERTEM...............................................53
5INTRODUÇÃOO evangelho de João faz parte do conjunto de livros do Novo Testamento, sendo o último dos quatro evangelhos escritos sobre a vida, obra, ensinos, pregações, morte e ressurreição de Jesus Cristo. É um evangelho que se diferencia dos outros três ao apresentar Jesus sempre se dirigindo às pessoas de maneira individual, em grupos ou perante multidões. Ele está sempre dialogando, explicando, arrazoando, ilustrando, esclarecendo, confrontando, revelando. Outro aspecto deste evangelho é apresentar Jesus Cristo também em momentos particulares, pessoais e íntimos, expondo sentimentos, pensamentos, emoções, vontade e consciência, que não foram tão claramente expostos pelos outros apóstolos.As intenções ao escrever o evangelho foram igualmente claras, principalmente para enfatizar
6que seu principal objetivo era contribuir para que mais pessoas se tornassem cristãs, através dosrelatos de ensinos, pregações, milagres, relacionamentos, morte e ressurreição. O clímax dessas intenções está na declaração: “Estas coisas vos escrevi para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus”. Igualmente tinha o objetivo de reforçar a fé dos que já tinham se tornando cristãos, pautando assim pela perseverança com vistas à vida eterna. Sua identidade como autor do evangelho só aparece ao terminar o relato. No epílogo, ele diz que “era o discípulo a quem Jesus amava”, embora não diga o seu nome claramente. Papias, que viveu no início do segundo século, informou que João era o único dos apóstolos vivo ao final do primeiro século. Clemente afirmou que João escreveu o evangelho em Éfeso, depois que saiu da deportação na ilha de Patmos. Jerônimo faz referência à velhice do apóstolo João, que ficava repetindo nas reuniões a
7recomendação: “Meus filhinhos, amai-vos uns aos outros”. Esses esclarecimentos dos Pais Apostólicos nos levam a datar este evangelho no final do primeiro século.
81. UM PARTO NOTURNOTexto: João 3.1-71. “Um parto noturno” está sendo usado para dar título a esse episódio tanto porque Nicodemos usou a expressão “nascer do ventre materno”, quanto porque o apóstolo Paulo também usou essa metáfora para descrever o momento, a partir do qual uma pessoa começa a ser cristã. Em sentido espiritual, sobre essa experiência, o apóstolo Paulo escreveu as seguintes expressões: “Meus filhos, novamente estou sofrendo dores de parto por sua causa, até que Cristo seja formado em vocês” (Gálatas 4.19); “Embora possam ter dez mil tutores em Cristo, vocês não têm muitos pais, pois em Cristo Jesus eu mesmo os gerei por meio do evangelho” (I Coríntios 4.15); “Apelo em favor de meu filho Onésimo, que gerei enquanto estava preso” (Filemon 10). No sentido literal e obstetra, parto é o ato de uma pessoa vir ao mundo ao nascer. Espiritualmente passou a significar o
9momento quando uma pessoa reconhece seus pecados e aceita Jesus Cristo como seu Salvador e Senhor, tornando-se cristã. 2. Comentando esse episódio a respeito desse encontro, um pregador disse que a atitude de Nicodemos, ao procurar Jesus Cristo ao anoitecer,seria porque estava com vergonha de ser visto com ele e as pessoas pensarem que também estava se tornando cristão. Nesse sentido, para contrapor essa interpretação que refletiria uma atitude muito comum, Jesus diria mais tarde a outras pessoas: “Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras nesta geração adúltera e pecadora, o Filho do homem se envergonhará dele quando vier na glória” (Marcos 88.38). Aos depois, o apóstolo Paulo escreveu: “Não me envergonho do Evangelho, porque é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1.16). 3. Outro comentarista do episódio entendeu o gesto de Nicodemos estava carregado de emergência,
10pois não queria esperar o novo dia raiar, considerando seu ardente desejo de conhecer Jesus pessoalmente e verificar que tipo de experiência poderia ter. Como resultado do encontro, naquela mesma noite, Nicodemos tomou a decisão de se tornar um cristão. A urgência da conversão é um precioso ensino do Novo Testamento, declarada nos seguintes textos: “Hoje, se vocês ouvirem a sua voz, não endureçam o coração de vocês, como na rebelião” (Hebreus 3.15); “Digo-lhes que agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação!” (II Coríntios 6.2). Percebendo essa realidade, o poeta autor de um hino escreveu: “Meu amigo, hoje tu tens a escolha: Vida ou morte, qual vais aceitar? Amanhã pode ser muito tarde, hoje Cristo te quer libertar” (Hino 159 CC).4. A experiência de conversão experimentada por Nicodemos pode ser constatada em dois outros momentos posteriores de sua história. Um deles foi quando defendeu Jesus Cristo perante os fariseus,
11pela falta de um julgamento justo no confronto que acontecera (João 7.50,51). O outro momento ocorreu quando pediu a Pilatos, junto com José de Arimeteia, para tirar o corpo de Jesus Cristo da cruz, após a sua morte, para fazer o sepultamento (João 19.39-41). Com certeza, podemos afirmar que o uso da expressão “novo nascimento” no sentido espiritual passou a ser usada a partir desse encontro de Nicodemos com Jesus Cristo. Jesus dissera: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3:3). 5. Também chamado de “regeneração” pelo apóstolo Pedro (I Pedro 1.23), é um conceito cristão que descreve a transformação radical que uma pessoa começa a experimentar depois que se torna cristã, principalmente pelo poder do Espírito Santo que passa a habitar em seu coração. Torna-se uma “nova criatura” (II Coríntios 5.17), passando a ter uma “nova vida” (Romanos 6.4) . Não é uma
12reforma moral ou educacional ou religiosa, mas um milagre que Deus opera em todos aqueles que se tornam cristãos verdadeiros e sinceros.
132. FINALMENTE FICOU SACIADATexto: João 4.1-301. Há algum tempo, um dos canais de televisão divulgou uma publicidade sobre um determinado refrigerante que seria considerado o melhor para saciar a sede de uma pessoa. Para persuadir os telespectadores sobre o efeito desse refrigerante, o comercial apresentou uma pessoa num deserto sob um sol escaldante e comendo batata frita com bastante sal. Logo depois, essa pessoa sedenta encontrou o tal refrigerante em um oásis e saciou a sede.2. O episódio narrado por João apóstolo mostra uma mulher em busca de água fresca na fonte de Jacó, na localidade de Sicar, na cidade de Samaria, para beber. No ato de
14registrar o horário, João usou o relógio judaico, segundo o qual a hora sexta era meio-dia, quando estaria com muita sede. O sol estava quente e, por isso, ao chegar perto dela, Jesus lhe pediu água da fonte para também saciar a sua sede. A partir desse momento, estabeleceu-se um novo diálogo em que o assunto principal passou de água para casamento e religião. Ela confessou que tivera cinco maridos, estando agora com um companheiro e desejava intensamente viver uma genuína experiência de adoração a Deus, o Pai Celestial.3. O assunto mudou porque há um tipo de sede que nem refrigerante e nem água pode saciar. Isto pode ser ilustrado numa publicação feita há tempos por um jornal de
15nosso país, conforme se segue: “Exalcoólatra, a americana Christina Grof experimentou da meditação às filosofias orientais, na tentativa de livrar-se da dependência. Mas, o que chama de “doença do espírito” só desapareceu quando ela preencheu seus vazios internos e anseios de transcendência. Como fazer isso, é o que Christina ensina no recém-lançado livro “Sede de plenitude – apego, vício e o caminho espiritual”, da Editora Rocco” (Jornal O Globo, 17.11.96). O fato da mulher samaritana não se sentir saciada ficou evidente nos vazios matrimoniais ao se casar com cinco maridos diferentes e não encontrar satisfação, o que estava tentando no sexto relacionamento, assim como na frustração de
16ir ao monte Gerizim, onde havia sido construído um templo alternativo ao templo de Jerusalém e continuar sentindo um vazio espiritual. Ela precisava mais do que a água da fonte de Jacó. Por isso, Jesus lhe disse que se ela bebesse da água que ele lhe desse, nunca mais teria sede. Jesus estava falando, portanto de sede espiritual, sede da alma, sede interior. É um tipo de sede que nem roupa nova, nem calçado diferente, nem casa linda, nem carro do ano, nem passeio turístico, nem aventura sexual, nem drogasalucinantes, nem diversões frenéticas, nem religião formal pode saciar. A pessoa pode ter tudo o que quiser e puder dessas opções, porém não conseguirá encontrar satisfação. Nem água do poço e nem os homens que
17tivera puderam mitigar a sede da mulher samaritana. 4. A experiência com Jesus foi transformadora. A mulher samaritana largou o cântaro na fonte e correu até a cidade, declarando, em alto e bom som, que finalmente havia encontrado o Cristo, seu Salvador e Senhor. Jesus lhe falou sobre Deus e se apresentou como Messias. Era o bastante para ela perceber, pela primeira vez, que finalmente poderia saciar sua sede de água, sede de relacionamento satisfatório, sede de Deus. Ouvindo sobre a oportunidade de crer, ela o fez imediatamente e também imediatamente saiu ao encontro das pessoas para declarar que seu problema básico existencial e espiritual estava resolvido.
18Assim como aconteceu com essa mulher, Jesus continuou dizendo a outras pessoas e diz até hoje: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba” (João 7.37). Acredite, nada e ninguém poderão satisfazer sua sede espiritual, senão Jesus Cristo.
193. NÃO PODIA MAIS PECARTexto: João 5.141. Muitos de vocês já leram o provérbio que diz: “Sete vezes cairá o justo, mas se levantará” (Provérbios 24.16). Nessa mesma linha de pensamento, Jesus Cristo ensinou: “Se teu irmão pecar contra ti sete vezes no dia e sete vezes se arrepender, perdoa” (Lucas 17.34). A síntese desses textos bíblicos pode ser expressa no provérbio popular: “Errar é humano”. Em outras palavras, basta as pessoas estarem vivas para errar e, por isso, todos os seres humanos estão sujeitos a pecarem várias vezes, mesmo que não seja um estilo de vida. Aliás, o que distingue um cristão de um incrédulo é que a natureza deste é naturalmente inclinada a ter prazer numa vida pautada pelo pecado. O cristão, por outro lado, embora esteja sujeito a pecar algumas vezes, sempre que isto acontece, ele se sente desconfortável, arrependido e infeliz, razão por que busca o perdão de Deus e o
20perdão de outrem. Um dos clássicos exemplos foi o do salmista Davi, que confessava: “Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal à tua vista” (Salmo 51.4). Outro exemplo foi o do apóstolo Paulo que dizia em seu conflito interior: “O bem que quero fazer não faço, mas o mal que não quero, esse faço. Miserável homem que sou”(Romanos 7.19,24).2. Ocorre, todavia, que no episódio narrado pelo apóstolo João, Jesus Cristo foi direto e incisivo ao dizer a um homem que não poderia pecar nem mais uma vez. Ele teria que parar radicalmente de pecar. Ele não poderia mais continuar pecando. 2.1. Observando seu perfil biográfico, João apóstolo informa que o homem estava doente há trinta e oito anos. 2.2. Por inferência, podemos deduzir que sua doença era consequência de algum pecado que havia cometido e que corria o risco de continuarcometendo.
212.3. Jesus condicionou a cura total à sua atitude de abrir mão de um determinado tipo de comportamento, do qual ele precisava se afastar.2.4. Alguns exemplos atuais podem ilustrar claramente o princípio estabelecido por Jesus. Hipertensão, infarto e acidente vascular cerebral (AVC), são frequentemente associados ao tabagismo, alimentação inadequada e estresse.Diabetes Tipo 2 pode estar fortemente ligada à obesidade, má alimentação e falta de exercícios físicos. Alguns tipos de câncer estão ligados ao tabagismo, consumo de álcool, má alimentação e exposição a agentes cancerígenos. Ansiedade, depressão e Transtorno de Isolamento Virtual podem ser intensificados pelo uso excessivo de redes sociais e estresse.2.5. Comentando essa associação, o Dr. Luciano Figueiredo, do Serviço de Clínica Médica do Hospital São Lucas, em Copacabana, RJ, reconheceu que a cura dessas e de outras doenças
22está inevitavelmente ligada a deixar de praticar certos comportamentos e hábitos (https://saolucascopacabana.com.br/blog/voce-jaouviu-falar-em-doencas-adquiridas-pelo-habito/). Insistir nesses comportamentos e hábitos, que nós podemos chamar de pecados, seria tornar a doença reincidente e crônica. 3. Essa realidade não está afastada do cristão, mesmo ele sendo cristão. Pelo contrário, se um cristão perdoado continua pecando como um estilo de vida, sua atitude revela que ele não experimentou uma verdadeira conversão ou está se enganando com a falsa ideia de que é isento ou imune aos efeitos inevitáveis da prática de pecados. Não se trata apenas de receber perdão tantas vezes se arrepender, confiado na graça de Deus, porém de experimentar em seu corpo, alma e espírito as consequências do pecado. Por isso, a inevitável conclusão é de que a palavra dirigida aquele homem da história narrada pelo apóstolo João em
23seu evangelho se aplica a todos os cristãos, o que foi confirmado na sua carta: “Estas coisas vos escrevo para que não pequeis” (I João 2.1). Deixar de pecar deve ser um alvo para todos nós, mesmo que tenhamos a provisão do perdão pela graça!
24 4. ESCAPOU DAS PEDRADASTexto: João 8.1-111. Na viagem turística e religiosa que fiz há algum tempo a Israel, pude constatar que esse é um país, cuja geografia mostra um solo em sua maior parte constituído de pedras de vários tamanhos, espalhadas, inclusive à beira de rios e lagos. São tantas as pedras que eles passaram a usá-las na construção de cais, muros, casas, fortalezas, palácios, templos, calçamento de ruas, levantamento de altares e até para cumprir penalidade de morte aos acusados de transgredir as leis estabelecidas. Era a pena de morte estabelecida conforme Levíticos 20.20, 21, 27. Jesus Cristo quase foi apedrejado em várias tentativas, acusado de cometer o pecado de blasfêmia (João 10.31, 32; 11,8). Estevão, um cristão cheio de fé e do Espírito Santo foi morto a pedradas, igualmente acusado de blasfêmia (Atos 7.58,59).
252. Foi nesse ambiente cultural, religioso e jurídico que uma mulher fora julgada, condenada e sentenciada à morte por apedrejamento, em virtude do pecado de adultério. O detalhe, porém, acrescentado foi que desejaram primeiro colocá-la diante de Jesus Cristo, para fazer um teste com ele. Independentemente do que Jesus dissesse, eles iriam cumprir a pena, sem dó nem piedade. Nesse momento, mostrando que não era fariseu e nem legalista, Jesus criou uma situação de impasse, dizendo que poderiam atirar as pedras da sentença de morte quem não tivesse pecado: “Quem não tem pecados, atire a primeira pedra”. O relato do episódio feito pelo apóstolo João mostrou que, diante da realidade humana, todos foram embora, a começar dos mais velhos. Quanto mais velho, mais pecados a pessoa tem.3. Ao agir desta maneira, Jesus Cristo deixou claro, para eles mesmos, que todos os seres humanos são pecadores, o que foi ensinado mais tarde pelo
26apóstolo Paulo em sua carta aos romanos, quando deixou escrito, repetindo palavras do salmista: “Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Não há um justo, nem um sequer. Todos se extraviaram e se fizeram inúteis” (Romanos 3.10-26; Salmo 14 e 53). Ninguém, portanto, estava habilitado para cumprir a sentença de morte da mulher, que assim escapou das pedradas.4. Em seguida, além de livrar a mulher dos seus algozes, impetrou seu perdão, dizendo que se ninguém a condenava, nem ele também. Por mais que seja importante o perdão das pessoas umas às outras, o mais importante é o perdão de Deus através de Jesus Cristo. Por isso, anos mais tarde, o mesmo apóstolo João voltou a esse assunto e deixou escrito para os cristãos, em sua carta: “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos anós mesmo, não havendo verdade em nós e fazendo Deus mentiroso. Mas se confessarmos nossos pecados, Deus é fiel e justo para nos perdoar os
27pecados e nos purificar de toda injustiça” (I João 1.7-9). 4. Em seguida, recomendou que ela não pecasse mais, pois da próxima vez talvez ele não estivesse mais por perto e os seus algozes voltariam para cumprir a penalidade. Jesus lhe recomendou: “Vai e não peques mais”. Infelizmente o legalismo humano e a dureza de coração não poupam quem quer que seja, razão pela qual sempre o cristão deve pautar sua vida pela correção em suas atitudes, o que também foi recomendação do mesmo apóstolo João na sua mesma carta: “Estas coisas vos escrevi para que não pequeis” (I João 2.1). Mesmo que sejamos sempre perdoados por Deus, em sua graça, os nossos pecados podem gerar efeitos imprevisíveis, desastrosos e dramáticos em nossa vida, de nossa família e de outras pessoas, principalmente em razão das armadilhas de Satanás,que tem o contínuo propósito de nos prejudicar em todos os sentidos.
28 5. ENXERGAR ALÉMTexto: João 9.1-15; 24-411. Sobre esse tema, um pensador se expressou assim: “Enxergar além do que os olhos podem ver, é um dom daqueles que aprenderam a linguagem da alma” (Adrian Gras). É a capacidade de ultrapassar a fronteira das aparências, utilizando a intuição, a razão, o sentimento e o espírito para compreender profundamente situações, pessoas e o futuro. Esta experiência é possível quando o olhar de uma pessoa supera a distração, o óbvio e o acostumado, percebendo muitas vezes o que outras pessoas não percebem. Não é apenas enxergar o que esteja distante fisicamente no horizonte, mas chegar ao ponto de até mesmo ver o invisível, numa profunda e nítida interpretação do que esteja acontecendo ou venha a ocorrer.2. Esta história narrada pelo apóstolo João é mais do que descrever o milagre que aconteceu ao um cego de nascença que passou a ter visão. Enquanto
29os apóstolos viam apenas uma pessoa cuja tragédia seria consequência dos seus pecados ou dos pecados de seus pais, num interpretação ainda equivocada das causas espirituais que levam indivíduos a terem uma vida infeliz, Jesus esclareceu que aquela situação seria uma oportunidade para manifestar a glória de Deus. Para Jesus Cristo, há situações que geram oportunidade para que Deus manifeste o seu poder, seu amor e sua graça. 3. A cura física de ter a visão pela primeira vez na vida ocorreu depois que Jesus “cuspiu na terra, com a saliva fez lodo, untou com o lodo os olhos do cego e disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que significa o Enviado). Foi, pois, e lavou-se, e voltou vendo”. A partir daí estabeleceu-se um clima de dúvidas, contestações e injúrias sobre a veracidade da cura e sobre a identidade e sinceridade do cego. Para dirimir a questão, levaram-no aos fariseus e os pais foram chamados,
30a fim de que o fato pudesse ser esclarecido. Agora, os cegos eram os duvidosos, os contestadores e os fariseus que não acreditavam no milagre. Anos mais tarde, escrevendo sobre a dificuldade de pessoas em acreditar no evangelho, o apóstolo Paulo fez o seguinte esclarecimento teológico: “Odeus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus” (II Coríntios 4.3,4). 4. O auge dessa história de enxergar além não foi o fato de o cego começar a ver com seus olhos, o que foi um grande milagre, mas o momento quando ele voltou a se encontrar com Jesus Cristo, depois de toda a confusão. O diálogo é digno de ser reproduzido: “Jesus ouviu que o tinham expulsado e, encontrando-o, disse-lhe: Crês tu no Filho de Deus? Ele respondeu, e disse: Quem é ele, Senhor, para que nele creia? E Jesus lhe disse: Tu já o tens visto, e é aquele que fala contigo. Ele disse: Creio,
31Senhor. E o adorou”. Este foi o momento quando o homem enxergou além, porque não estava apenas enxergando as pessoas e a natureza ao seu redor. O homem estava enxergando que Jesus Cristo é o Salvador, Senhor e Messias. Enxergando além, ele pode acreditar em Jesus Cristo, fazendo na mesma hora sua profissão de fé e adorou em ato de culto pessoal. Esse foi o momento da manifestação da glória de Deus referida por Jesus Cristo.5. Para sintetizar esse tipo de experiência, Jesus esclareceu que a atitude de duvidar ou não acreditar nele mostra o que chamamos de cegueira espiritual, que é incapacidade de entender e aceitar as revelações de Deus, tanto as que estão registradas na Bíblia, quanto as que chegam aos nossos ouvidos e surgem diante de nossos olhos. Sua etiologia está na dureza de coração, falta de sensibilidade no sentimento e obscurecimento da inteligência, podendo ser associada a mágoas, vitimismo, apego ao materialismo, inveja, orgulho
32pessoal ou influência diabólica. Por isso, sempre é oportuna a oração do salmista, quando deixou escrito o seu pedido: “Abra os meus olhos, ó Senhor” (Salmo 119.18). Também é sempre oportuna a intercessão de pedir que Deus abra os olhos de alguém, como fez Eliseu: “Senhor, abre os olhos dele para que veja” (II Reis 6.17). Só assim poderemos enxergar além e experimentarmos a glória de Deus em nossa vida.
33 6. ERA PRECISO MORRERTexto: João 11.1-131. No reino animal, na classe dos insetos, na ordem Lepidoptera, na família Papilionoidea existem as borboletas, que tanto embelezam os campos comsuas variadas cores e nos atraem, quando temos a oportunidade ver apenas uma delas ou várias em seus voos a uma velocidade de 2,9 metros por segundo. Ocorre, todavia, que antes se serem borboletas, elas existem em forma de lagartas ou taturanas, que precisam morrer para formar um casulo, num processo chamado de metamorfose. Sem a morte da lagarta não existirá borboleta. A lagarta precisa morrer para que a borboleta viva.2. No reino vegetal, a semente que é lançada na terra para que uma planta possa nascer também precisa morrer. Na semente está todo o potencial de vida da árvore, porém, esse potencial só se realiza no processo morte e vida que exige a germinação da semente. Morre semente, nasce broto, morre
34broto, nasce uma jovem planta que morre para se tornar árvore, gerar flores e frutos e produzir novas sementes. As sementes que não morrem para germinar são consideradas em estado de dormência. 3. Para falar dos benefícios espirituais e eternos que os seres poderiam desfrutar, incluindo a nossa ressurreição, através de sua morte na cruz do Calvário, como ilustração Jesus Cristo usou a metáfora do grão de trigo. Ele disse: “Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, permanece ele só; mas, se morrer, produz muito fruto\" (João 12.24). Jesus precisava morrer para ressuscitar e nos abençoar espiritual e eternamente. Neste caso, referiu-se ao que acontece com as sementes no reino vegetal. 3. No caso de Lázaro, embora suas irmãs Marta e Maria pedissem a presença de Jesus Cristo em sua casa para curar sua doença, o relato feito por João apóstolo é claro em informar que a demora de Jesus culminou em produzir sua morte. João apóstolo,
35sem nenhum constrangimento, relata que Jesus Cristo só chegou a casa quatro dias depois da morte e do sepultamento, dizendo, conforme NVLH: “Lázaro morreu e, para o bem de vocês, estou contente por não ter estado lá, para que vocês creiam. Contudo, vamos até ele”. Era como se Jesus estivesse dizendo, em outras palavras, que Lázaro precisava morrer, a fim de que todos pudessem ver o seu poder de ressuscitar um defunto sepultado há quatro dias. Jesus já havia ressuscitado a menina que acabara de morrer (Marcos 5.42,42) e o menino que estava a caminho cemitério (Lucas 7.14,15). Agora o milagre seria ainda maior. As irmãs desejam a cura da enfermidade de Lázaro, mas Jesus Cristo deixou que ele morresse e fosse sepultado para ressuscitá-lo, deixando todos maravilhados. Lázaro não estivera em estado de coma e nem havia desmaiado. Ele morrera e fora sepultado. Estava patenteado o seu inegável e incomparável poder.
364. Por mais que seja importante viver e viver cada vez melhor e com saúde, durante muitos anos, desfrutando da longevidade que nos tem sido inclusive concedida por Deus também através do desenvolvimento da medicina, além de saber que a morte será inevitável, também precisamos entender que somente através de nossa morte é que poderemos desfrutar da ida ao paraíso e depois da nossa ressurreição. Era disso que Paulo apóstolo falava quando escreveu seu texto aos filipenses, descrevendo seu apego à vida e também sua visão do que acontece depois da morte: “Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte. Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho. Mas, se o viver na carne me der fruto da minha obra, não sei então o que deva escolher. Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor” (Filipenses 1.20-23). Precisamos amar a vida e
37aceitar que também será preciso morrer para experimentarmos a salvação eterna prometida e garantida por Jesus Cristo. Lenine Gondim, em um texto na Revista Ultimato, escreveu realistamente: “Aceitar uma mensagem de morte não é fácil, pois muitas vezes somos levados a crer que ser cristão é sinônimo de prosperidade, de bem-estar, de vida sossegada e de sucesso a todo custo” (https://www.ultimato.com.br/comunidadeconteudo/e-preciso-morrer). Todavia, ser cristão também é incluir a morte na agenda diária, inclusive para que todas as bênçãos prometidas por Deus possam ser experimentadas também na eternidade.
38 7. EM BUSCA DE SABEDORIATexto: João 12.20-241. A atitude de buscar pode incluir uma série de opções em diversas áreas da vida cotidiana. Pode ser, por exemplo, a atitude de buscar informações sobre variados assuntos no Google. Pode ser a atitude de buscar a solução de um problema matemático apresentado por um professor em sala de aula. Pode ser a atitude de buscar as razões pelas quais uma pessoa se comporta de determinada maneira. Pode ser a atitude de buscar a melhor empresa no mercado de ações para ter maiores rendimentos. Pode ser a atitude de buscar a cura de determinada doença através de pesquisas científicas. Pode ser a atitude de buscar a melhor faculdade para se estudar e conseguir reconhecimento acadêmico. 2. Esses homens, vindos da Grécia até Jerusalém para participar dos cultos realizados no templo, disseram a Filipe que estavam em busca de Jesus
39Cristo. Foram muito claros no pedido: “²¹ Senhor, queríamos ver a Jesus”. Por mais que a cidade fosse formosa, o templo magnífico e as pessoas interessantes, eles buscavam ter um encontro com Jesus Cristo. Esse mesmo desejo tivera Nicodemos ao buscar Jesus na calada da noite. Esse mesmo desejo tivera Zaqueu ao subir em uma árvore. Esse mesmo desejo tivera a multidão, depois da multiplicação dos pães, indo atrás de Jesus em seus barquinhos.3. Uma vez que eram gregos, podemos supor três opões sobre a identidade deles. Eram gregos ou eram judeus gregos ou eram prosélitos (gregos convertidos ao judaísmo). Em qualquer das hipóteses, estavam na terra da sabedoria,certamente conhecedores dos famosos filósofos da Grécia. Isto nos leva a inferir que estariam também buscando Jesus Cristo pensando em conhecer sua sabedoria. Focando especificamente nos filósofos gregos, Aristóteles chegou a ter um tipo de
40conhecimento de Deus a partir da razão, mas era uma sabedoria sobre Deus insuficiente. Platão, com sua metafísica, concluiu a existência da alma, mas sua sabedoria não proporcionava conhecimento suficiente sobre a salvação dela. Da mesma maneira, outros filósofos como Pitágoras, Heráclito, Parmênides, Zelão, Eleia proporcionaramconceitos de democracia, ética, lógica e investigaram a natureza da existência, influenciando o conhecimento humano, porém não conseguiram chegar aos pés de Jesus Cristo em termos espirituais e eternos. Por isso, esses gregos estavam buscando Jesus com algum objetivo específico.4. O interesse dos gregos em buscar Jesus provocou uma movimentação inesperada. Filipe imediatamente disse a André e os dois comunicaram o fato a Jesus Cristo. A reação de Jesus Cristo foi surpreendente. Se buscavam sabedoria, ouviram Jesus dizer: “É chegada a hora
41em que o Filho do homem há de ser glorificado”. Entre as suas declarações, salta aos olhos a antecipação de sua morte, como caminho para que os gregos pudessem encontrar mais do que sabedoria. Pudessem encontrar salvação eterna. Jesus disse: “E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. E dizia isto, significando de que morte havia de morrer” (João 12.32,33). Por isso, anos mais tarde, o apóstolo Paulo escreveu aos coríntios: “Os gregos buscam sabedoria, mas nós pregamos a Cristo crucificado” (I Coríntios 1.22).5. Quem busca Jesus Cristo também em nossos dias, precisa olhar para a cruz do Calvário, onde ele foi morto em nosso lugar, para perdão de nossos pecados e garantia da vida eterna. Por mais que o nascimento de Jesus Cristo tenha sido um milagre,por mais que ele tenha feito muitos milagres e por mais que seus ensinos sejam maravilhosos para o coração humano, o fato mais importante de todos foi sua crucificação. Uma das grandes contribuições
42do teólogo John Stott, em seu livro “A Cruz de Cristo” foi esclarecer que o símbolo universal da fé cristã não é a manjedoura, mas a cruz e ensinar o motivo pelo qual Cristo morreu na cruz. Neste caso, a crucificação de Jesus Cristo foi o clímax da sabedoria de Deus para salvar o homem pecador e lhe conceder vida eterna. Por isso, quando Jesus é visto na cruz do Calvário, esse é o momento quando mais atrai pessoas que experimentam conversão em vez de apenas admiração ou encanto. Olhe também agora para Jesus na cruz e veja o que fez por você. Mais do que sabedoria, você achará salvação eterna, mediante o perdão de seus pecados.
43 8. SACERDOTE INCRÉCULOTexto: João 18.19-241. Sempre ocorre uma reação de surpresa ao sabermos que algum sacerdote se converte ao evangelho, como aconteceu com o padre Antônio Teixeira de Albuquerque, que se tornou o primeiro pastor batista ou o padre José Manual da Conceição, que se tornou o primeiro pastor presbiteriano no Brasil e vários outros ao longo dos tempos, aqui no Brasil. Ocorre, todavia, que antes dessas conversões aqui no Brasil, existem outros nomes famosos na história protestante, como Martinho Lutero, João Calvino, Ulrico Zuínglio, Thomas Müntzer. Na verdade, ainda no início do cristianismo, conforme registro feito por Lucas no Livro de Atos: “Assim, a palavra de Deus se espalhava. Crescia rapidamente o número de discípulos em Jerusalém; além disso, um grande número de sacerdotes obedecia à fé” (Atos 6.7).
442. Procurando descobrir as causas da conversão desses e de outros sacerdotes, tanto do judaísmo quanto do catolicismo, os estudiosos levantam as seguintes razões: a busca por uma interpretação bíblica literal, a valorização da pregação e a experiência pessoal com a fé evangélica, constatando que suas doutrinas professadas não se alinhavam com os ensinos do Novo Testamento, reconhecendo a Bíblia como autoridade final em termos de crenças e doutrinas. O anseio por uma experiência pessoal com Jesus Cristo se concretizou na experiência de conversão, incomparável às experiências que tinham com as crenças, doutrinas e rituais até então praticados.3. No entanto, ao narrar a experiência do sumo sacerdote Caifás no seu privilegiado encontro pessoal que teve com Jesus Cristo, o apóstolo João se deteve em detalhes para mostrar que nele o que prevaleceu foi a incredulidade. Mesmo tendo oportunidade de estar com Jesus Cristo face a face
45(Mateus 26.57), fazendo várias perguntas de fundamental importância (Marcos 14.60-62) e ouvir do próprio Jesus a promessa de sua volta a este mundo (Marcos 14.62), Caifás revelou um coração endurecido para com agressivo (Mateus 26.67). Suas reações mostram uma alma ciumenta e furiosa, pois um dos seus guardas esbofeteou Cristo Jesus (João 18.21) e sua atitude foi de acusá-lo de blasfêmia (Mateus 26.65). Mais ainda: além da incredulidade, também estava apegado à posição de honra que o cargo religioso lhe oferecia, evitando o risco de ser expulso (João 12.42,43).4. Se as pessoas religiosas também dependem daquilo que seus sacerdotes ensinam e pregam em termos espirituais, elas precisam compreender que correm risco de estarem afastadas do caminho de Deus e dos verdadeiros ensinos de Jesus Cristo e dos seus apóstolos. Nesse sentido, torna-se relevante dar atenção ao testemunho do exsacerdote Nivaldo Lisboa Soares declarou numa
46entrevista: “Eu fiz uma relação de quarenta doutrinas que eu ensinava fora da Bíblia, mas vou citar apenas quatro. Eu rezava missa para defuntos, missa de sétimo dia, missa para tirar as almas do purgatório, e a Bíblia fala que não adianta rezar para quem já morreu, na Bíblia não fala em Dia de Finados, não fala em purgatório e eu rezava missa para tirar as almas do purgatório, eu estava errado, a Bíblia só tem a salvação para quem se arrepende dos seus pecados e aceita Jesus e passa a obedecer a Bíblia Sagrada como única regra de fé e prática, ela só tem a Salvação ou a condenação” (https://comunhao.com.br/ex-padreconta-como-aceitou-cristo-e-diz-eu-estava-nocaminho-errado-eu-ensinava-muitas-coisaserradas/). Além de não estar em sintonia com a Bíblia e de não agradar a Deus em sua religiosidade, os fiéis que dependem de sacerdotes incrédulos deixam de ter a garantia da salvação eterna, tendo o inferno como destino após a morte.
47 9. FICOU COM AS MÃOS SUJASTexto: João 19.8-16; Mateus 27.24,251. A expressão “mãos sujas” foi usada pelo filósofo Jean Paul Sartre numa peça teatral por ele escrita e apresentada pela primeira vez em 2 de abril de l948, em Paris, retratando um drama político num país fictício. Desde então, a expressão passou a ser usada comumente no debate público para rotular agentes políticos associados à corrupção, desvios de verbas públicas, envolvimento com ilícitos graves ou omissões que resultam em mortes e tragédias sociais. Embora seja muito usada no meio político, seria injustiça negar que pode ser usada em outras áreas profissionais, significando também situações em que igualmente possa existir escândalos financeiros ou responsabilidade em virtude de violências praticadas.2. Mesmo que tivesse vivido ainda no primeiro século de nossa era, sem saber dessa peça teatral apresentada na França, no século XX, o
48Governador Pôncio Pilatos quis evitar que seu nome ficasse associado a essa idéia, declarando em alto e bom som que ia “lavar as mãos” quanto à responsabilidade pela morte injusta e dolosa de Jesus Cristo. Para que o ato fosse público, mandou trazer uma bacia com água e toalha, dizendo a todos: “Estou inocente do sangue desse justo”. 3. Não posso julgar se espiritual e psicologicamente Pilatos conseguiu limpar as mãos, na medida em que o tempo passou e ele as olhava diante da sua consciência. O que posso é compartilhar a lenda de que ele ficou com a compulsão de lavar as mãos todos os dias, porque as olhava e tinha a impressão de ainda ver nelas manchas de sangue. Como consequência de uma consciência pesada, acabou cometendo suicídio. Embora seja uma lenda, uma pessoa realmente pode desenvolver um quadro de transtorno obsessivo compulsivo depois de uma experiência traumática. O trauma pode atuar como um gatilho para o TOC em indivíduos já
49predispostos ou, em alguns casos, desencadear o transtorno isoladamente.4. Independentemente do que possa ser atribuído a algum político ou ao que tenha acontecido a Pôncio Pilatos ou a quem quer que seja, em termos cristãos, \"mãos sujas\" simboliza impureza moral ou falta de integridade, impedindo o fiel de expressar em suas atitudes e comportamentos um estilo de vida coerente com os valores e princípios estabelecidos por Deus. Para ter uma idéia dessa associação, basta lembrar o radicalismo do salmista, quando escreveu: “Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem estará no seu lugar santo? Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente” (Salmos 24.3,4). Também o apóstolo Paulo ao se despedir da liderança de Éfeso, disse palavras com esse significado: “Portanto, no dia de hoje, vos protesto que estou limpo do sangue de todos. Porque nunca deixei de
50vos anunciar todo o conselho de Deus. De ninguém cobicei a prata, nem o ouro, nem o vestuário. Sim, vós mesmos sabeis que para o que me era necessário a mim, e aos que estão comigo, estas mãos me serviram” (Atos 20.26,27, 33,34).5. Se uma pessoa comete pecados e reconhece que está com as mãos sujas, a limpeza não se dará com o uso da água para que as mãos fiquem limpas, como fez Pôncio Pilatos. Aliás, o profeta Jeremias transmitiu a palavra de Deus em seus dias, dizendo: “Não há sabão ou detergente que chegue para vos lavar. Vocês estão sujos com uma culpa que não sai assim. Vejo-a continuamente perante os meus olhos, diz o Senhor Deus” (Jeremias 2.22). A única maneira de lavar as mãos, os pés, o corpo, a alma, a consciência e o espírito é através do sangue derramado por Jesus Cristo na cruz do Calvário. Esse é o ensino da Bíblia: “Se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos