Projeto Perobeiras
Prof. José do Amaral Mendes Braga Junior
- VALORIZANDO A NOSSA HISTÓRIA -
Projeto de Resgate Cultural
A autoria como estratégia de aprendizagem
MATERIAL DE APOIO PARA SALA DE AULA
YA-HÚ – JAHU – JAÚ
2016
MMXVI
PREFÁCIO DA 1ª EDIÇÃO
Tenho imenso orgulho de prefaciar este livro. O Professor Braga,
modestamente, o chama, às vezes, de trabalho. Não seria justo intitulá-lo assim.
É um livro, na melhor acepção da palavra. Fruto de muita pesquisa e dedicação,
característica do Prof. Braga.
Iniciou-se nas salas de aula da Escola Municipal de Ensino
Fundamental – EMEF Prof. Enéas Sampaio Souza. Posteriormente, o projeto foi
também aplicado em outras escolas, mantendo sempre o mesmo espírito
democrático em que a participação do aluno era o mais importante.
Fico contente em apresentá-lo, principalmente porque foi
iniciado durante minha gestão frente à Secretaria de Educação de Jaú, quando o
Prof. Braga era professor da rede municipal. É uma demonstração do alto nível
dos trabalhos desenvolvidos nas nossas escolas municipais.
É uma experiência pioneira, mas, esperamos, não única.
Queremos que gere outros volumes, outras edições ou outros trabalhos. Como
disse a Drª. Mariluci Cristina Stefanini Braga, presidente da Comissão de Meio
Ambiente da OAB de Jaú, “só um povo que valoriza a sua história pode
desenvolver-se de forma equilibrada e sustentável”.
Prof. Durval Fiorelli
PREFÁCIO DA 2ª EDIÇÃO
Acompanhei bem de perto a primeira edição deste livro.
Trabalhava então na Secretaria de Educação, junto ao Professor Durval Fiorelli,
que a prefaciou.
Esta segunda edição do livro “HISTÓRIA DO JAHU” está
revista, ampliada e melhorada. O autor continua destacando-se em sua jornada
profissional. Recentemente recebeu o prêmio “Professor Antônio Terézio
Mendes Peixoto” por projeto realizado junto com os alunos de sua escola, agora
a EMEF “Professora Norma Botelho”.
Este prefácio é apenas uma complementação do primeiro. Levem
em consideração tudo o que lá está posto. Acrescento apenas uma reflexão: a
Educação brasileira precisa de muitos outros “Professores Bragas”.
Daltira Maria de Castro Piragine Tumolo
ÍNDICE Página
05
Apresentação 06
Os primeiros habitantes 12
A lenda do peixe Jaú 13
Potunduva, onde tudo começou 14
Frei Galvão, um santo brasileiro 15
A lenda do Banharão 16
A importância do negro em nossa história 19
A história da emancipação política de Jaú 25
Nosso herói: João Ribeiro de Barros 26
A história do nosso time, o XV de Jaú 27
Jaú, da Capital da Terra Roxa à Capital do Calçado Feminino 29
Cana-de-açúcar 30
Símbolos de Jaú 31
Mapa: município de Jaú 32
A lenda do Cano Torto 33
A pesca, ontem e hoje 34
O problema da qualidade da água 37
Galeria de fotos 48
As primeiras famílias da cidade de Jaú 53
Patrimômio perdido 54
Referências bibliográficas 55
Projetos da ONG União Pró-Jaú 66
Jogos: Conheça a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS)
Agradecimentos: Secretaria da Educação, Revisão: Vera Schwarz, Drª. Mariluci – Prof.
Antonio Vieira, Arqueólogo Fábio Grossi, Historiador Júlio Poli – Museu Municipal de
Jahu, Foto Clube de Jahu, CEDOC, Equipe de Professores de História: Adriana Marin,
Paulo Guerra, da EMEF Prof.ª Norma Botelho, Ângela da Biblioteca, Claudicéia
laboratório de Artes, Coordenadores, Direção da EMEF Prof.ª Norma Botelho, Grêmio
Estudantil da EMEF Prof.ª Norma Botelho, Comissão de Meio Ambiente e Qualidade
de Vida COM-VIDA, ONG União Pró-Jaú, Núcleo Jahu de Estudos e Pesquisas.
APRESENTAÇÃO
O Projeto “Valorizando a Nossa História” é fruto da necessidade de se
resgatar nossos valores culturais e divulgar, numa linguagem de fácil acesso ao
estudante, uma síntese crítica de nossa história. Foi pensado a partir da dificuldade –
causada pela carência de livros didáticos sobre a História de Jaú.
Aqui poderemos ver detalhes de nossa história idealizada a partir de
uma visão crítica em que damos importância ao aspecto étnico-racial. Destacamos a
importância dos índios e, antes deles os paleoíndios, como os primeiros povoadores
deste local e reunimos num só livro vários temas que costumamos ensinar aos alunos,
como a atuação dos desbravadores, a formação do povoado, a emancipação política,
nosso grande herói João Ribeiro de Barros, nossa paixão o XV de Jaú, nossos símbolos,
o escudo das armas, nosso hino, a árvore símbolo e outros.
Somos todos descendentes do Homo sapiens sapiens. Sendo assim,
todos nós fazemos parte de uma única raça: a raça humana. Mas, as etnias(povos)
são muitas. Cultura, uma palavra “chave” para nós, tudo que transformamos com
o nosso trabalho, tudo que o homem cultiva é cultura.
É a nossa herança cultural o que nos diferencia dos outros animais.
Etnias = Povos Raça = Humana = Diversas Culturas
“A raça humana é uma semana do trabalho de Deus” (Gilberto Gil)
Os primeiros habitantes
Quadro do Pintor Johann Moritz Rugendas: índios (Observe a
exuberância da mata e entre os perigos a onça pintada ).
Os primeiros habitantes
Muito se tem falado sobre os primeiros habitantes de Jaú. Porém, nota-se um
preconceito quanto aos que realmente habitaram as nossas terras em primeiro lugar. É
relativamente comum a apresentação dos fundadores do arraial do Jahú como os
primeiros a habitarem a região. Os desbravadores geralmente são mostrados como os
primeiros. Porém, os primeiros foram as etnias (povos) indígenas como os kaigang
(coroados) e guaranis. Os índios e seus ancestrais já estavam aqui há milhares de anos!
O conceito (definição) que usaremos aqui é que nossa história (de
nosso país) não começou com a "descoberta" do Brasil, oficialmente em 1500. Mas, há
milhares de anos, quando aqui já habitavam os antepassados dos nossos índios. Esta
sim é uma verdadeira descoberta e foi realizada por uma antropóloga chamada Niede
Guidon que é jauense e que desenvolve, no estado do Piauí, nordeste brasileiro, uma
pesquisa que está comprovando a presença do homem na América há pelo menos
50.000 anos
Como referência histórica, usaremos o índio Ya-Hú como marco
simbólico de nosso primeiro habitante. Afinal, é a partir da cultura indígena que
teremos a palavra Jahú sendo usada para se referir a este local e ao peixe, então comum
em nosso rio e que também leva o mesmo nome.
A jauense Niede Guidon em sítio arqueológico Desenho: Ya-Hú e sua amada –
no Piauí EE Prof. Tullio Espíndola de Castro
Alunas: Jéssica e Thais, da 8ª série A
A cor da madeira do pau-brasil → Brasa → Brasil
Ya-Hú (nome indígena) → Jahú→ Jaú
ORIGEM DO HOMEM E SUA EVOLUÇÃO
•Conceito tradicional de evolução: Evoluir é melhorar. Evolução é tornar um
organismo mais complexo. A evolução natural fixa sempre alternativas perfeitas;
•Definição mais atual: “Evoluir na Biologia não é melhorar. É apenas mudar,
mantendo-se adaptado(...). Não existem espécies piores ou melhores. Existem
espécies mais ou menos adaptadas a uma situação ambiental específica.
Mudadas as demandas ambientais, o quadro pode se alterar completamente”
(Neves, 2008: 26); Os microorganismos representam um terço da biomassa da
Terra. “Se complexidade fosse ‘premiada’ pela evolução, tal cifra deveria ser o
oposto” (Neves, 2008: 26); Longe de buscar formas sempre perfeitas, a seleção
natural elege a melhor entre as alternativas disponíveis, já que o processo de
geração dessas alternativas, ou seja, a ocorrência de mutações, dá-se
completamente ao acaso. “Em outras palavras, na maior parte das vezes o que a
seleção natural faz é o remendo possível” (Neves, 2008: 27).
HISTÓRIA PRIMITIVA EM JAHU.
OS NOSSOS ANCESTRAIS: PALEOINDIOS (Antes dos índios).
Aproximadamente há 10 mil anos a nossa região já era habitada pelos nossos
antepassados mais primitivos, os paleoíndios. Vários grupos de caçadores já
ocupavam este território sobrevivendo da caça, pesca e coleta de alimentos
(frutas, sementes raízes...).
Assim como os homens primitivos não eram iguais a nós muitos animais que
conviviam com eles também eram muito diferentes. Tínhamos o que chamamos
uma megafauna, animais gigantes como o mastodonte, a preguiça gigante, o
felino dente de sabre (veja as figuras a seguir)
Homens primitivos caçando um mastodonte
Chamamos de megafauna aos animais gigantes que habitavam aqui como o
mastodonte que pode ser observado na imagem acima e abaixo com os búfalos a
preguiça gigante e o felino dente de sabre, vide imagens a seguir:
Os temíveis felinos dente de sabre e o urso de cara achatada (arctodus), os
maiores predadores da América.
POVOS DO BRASIL
PRINCIPAIS TRONCOS LINGUISTICOS
•TUPI : Tupinambá, tupiniquim, Guarani, Kayabi, Tenetehara, Cinta-Larga,
Juruna, etc;
• MACRO-JÊ: Bororo, Botocudo, Kaingang, Karajá, Xokleng, Pataxó, Guató,
Cariri, Xavante, Xerente, etc;
• Nações não ligadas a um tronco lingüístico: Grupo Aruak (Terena, Palikur,
Waurá) e Karib (Kuikuru, Waiwai e Tiryó)
•Até o século XVIII, a região de Jaú (Sesmaria de Aracoara) não havia
recebido grande atenção de colonos, por ser considerada um “sertão” de
pouco valor econômico, servindo somente de passagem para os
aventureiros em de elementos culturais, via de escoamento e corredor de
influências porque sitiado busca de ouro e riquezas em terras além destes
sertões economicamente “inférteis”. A região, porém, não se encontrava
desabitada. Nas palavras de Marcel Mano: “... O planalto ocidental paulista
poderia ter facilmente servido como região de intenso tráfego, a um lado,
pelas serras de Piratininga e o litoral atlântico; por outro pela região do
Chaco que se forma a oeste da bacia do Paraná; ao norte pelos campos e
matas do Brasil central; e ao sul pelos campos férteis do Paraná e os pampas
(...) cada uma dessas áreas geográficas ocupada por populações indígenas
culturalmente diferentes – Guarani (Mbia e Nhandeva), Tupi, Guaicuru-
Mbaia, Aruak, Jê, entre outras...” (Mano, 1998:25).
Pelos textos históricos, em linhas gerais, os Campos de Aracoara parecem ter
sido palco de ocupação dos Guaianás (Guanhanã, Goianases, Goanhanaz), de
língua Jê, porém, não os únicos senhores destas terras. Outras fontes também
citam o povo Tupiniquim (língua Tupi), Bororo, Xavante e Caiapó (Jê), Carijó
(Guarani), dentre outros. Em termos arqueológicos, não há, ainda, subsídios
para elaborar teses sobre a ocupação da região (destaque - doutorado de Solange
Schiavetto, 2007)
Os guaicurus eram conhecidos como índios cavaleiros foram considerados os “piores”
índios das Américas, isto é, os índios que mais atacaram,com sucesso, os europeus.
BALANÇO ATUAL DAS POPULAÇÕES INDÍGENAS
“(...) As estimativas para a população indígena no território brasileiro, à época da
chegada dos portugueses em 1.500, são de até 10 milhões de habitantes. Acredita-
se que só na Bacia Amazônica existissem 5.600.000 habitantes. Ainda em termos
estimativos, os lingüistas têm aceito que cerca de 1.300 línguas diferentes eram
faladas em todo o Brasil. (...) Dezenas de milhares de pessoas morreram em
conseqüência do contato direto e indireto com os europeus e as doenças por eles
trazidas. (...) Hoje, no Brasil, vivem cerca de 460 mil “índios”, distribuídos entre
225 sociedades indígenas, que perfazem cerca de 0,25 % da população brasileira.
(...) Além destes há entre 100 e 190 mil vivendo fora das terras indígenas, inclusive
em áreas urbanas. Há também 63 referências de índios ainda não-contatados,
além de existirem grupos requerendo o reconhecimento de sua condição indígena
junto ao órgão federal indigenista”
Fonte: http://www.funai.gov.br/indios/conteudo.htm#ORIGEM
Guerreiro Tupi-Guarani Tupi-Guarani
Ìndios Kaingang dançando (Sul e Sudeste)
Kaingang
A lenda do peixe Jahu envolve as etnias Guarani e Kaingang
A LENDA DO PEIXE JAÚ
Em fins do século XVII (dezessete), muitos relatos já eram encontrados em
documentos preservados em museus da Província de São Paulo, que contam o
nascimento e a formação dos primeiros núcleos de população, como é o caso de Jaú,
fundado em 15 de agosto de 1853, localizado às margens de um rio com o mesmo
nome. O primeiro núcleo se instalou no "Sertão de Potunduva" e ficava diretamente
ligado à rota monçoneira de São Paulo em direção às minas de Cuiabá, através da
navegação pelo rio Tietê. Os usuários eram também conhecidos como bandeirantes
A história do nome Jaú, atribuído a um peixe e posteriormente ao município,
data do tempo monçoneiro e tem significação indígena ligada a algumas etnias como
tupi-guarani e kaigang. É pelas lendas indígenas, descobertas através de pesquisas, que
destacamos aqui duas delas, consideradas as mais importantes: a do Peixe Jaú e a dos
Coroados(Kaingang), encontradas num volume manuscrito, no museu de Campinas e
que foram coligidas entre 1890 e 1912, por Benedito Agrando Bastos.
Sobre a lenda do peixe Jaú, o relato lendário diz que um jovem guerreiro
kaingang não aceitando uma troca de "cunhas" entre seu pai, o cacique “coroado”, e o
chefe guarani, por causa do amor a uma jovem índia, revoltou-se e reagiu. A troca era o
selo de um acordo de paz. O jovem perseguiu os guaranis até próximo da Serra de São
Pedro, onde, sozinho, os encurralou e lhes fez guerra, causando muitas baixas. Mas,
mortalmente ferido, retrocedeu. Cercado pelo inimigo e vendo que não tinha mais
espaço para a fuga e para que seu corpo não servisse de troféu, o jovem guerreiro
preferiu atirar-se num ribeirão, de onde surgiu mais tarde, transformado em um bagre
que recebeu o nome de Jaú. Esse nome, dado pelos kaigang, mais tarde passou também
ao rio e, depois, ao município. Tem significado no dialeto tupi-guarani de "o corpo do
filho rebelde".
Conta-se que foi encontrado um peixe ferido, que mostrava no dorso uma
malha irregular de pintas vermelhas, iguais as que usava o jovem guerreiro kaingang
que jamais foi visto novamente.
POTUNDUVA ONDE TUDO COMEÇOU
Potunduva, para os guarani e kaingang, quer dizer “local onde a vista escurece
e se faz bela” ou “águas em que se enxerga longe”. Na região de Jaú, devido ao solo
altamente fértil (terra roxa), existiam muitas árvores de grande porte. Perto do rio Tietê,
formavam, com suas copas e galhos mais altos, um túnel verde com muita sombra e um
lindo horizonte.
Quando aventureiros paulistas acharam ouro em Cuiabá, em 1719, houve uma
corrida em direção às minas, oirém a palavra, “corrida” é um modo de dizer, já que a
viagem demorava muito e por demorar tanto era comparada a ida às Índias, por isso
foi apelidada de “monção”, nome da estação chuvosa no Sudeste Asiático. As
monções desciam pelo Tietê em direção as minas de Cuiabá.
Desenho da aluna Amanda Souza, da 6ª A da EMEF Prof. Enéas Sampaio Souza
Potunduva também era escolhida pelos bandeirantes monçoneiros pela sua
beleza. Ali eles se abrigavam e descansavam nas sombras das grandes árvores. E,
quando necessário, consertavam suas embarcações. Nesse local é que aconteceu o
milagre de Frei Galvão. Manoel Portes, mestre de monções que recebeu a benção
milagrosa de Frei Galvão, era um mameluco, ou seja, mistura de branco com índio.
Mameluco = Caboclo = Branco + Índio
Mulato = Branco + Negro
Cafuzo = Negro + Índio
Um dos primeiros nomes que se deu para o local foi Barra do Ribeirão do Jahú.
Havia na foz de um rio, segundo relatos dos monçoneiros, muitos peixes Jaú.
Frei Galvão, um santo brasileiro
Antônio de Sant'Anna Galvão (1739-1822)
O milagre atribuído a Frei Galvão em Jaú data da época das monções,
no começo do Século XIX (dezenove), por volta do ano de 1810 e aconteceu em
Potunduva. Os relatos afirmam que um navegador e mestre de monções chamado
Manoel Portes estava seriamente ferido e antes de morrer queria confessar e ser
abençoado por Frei Galvão e pediu pela sua presença.
O milagre começa aí. No exato momento em que é chamado, Frei
Galvão pregava a um grupo de fiéis na cidade de Itu. De repente, ele interrompe seu
sermão e fala: “Alguém em um lugar distante necessita de meu socorro espiritual e
clama pela minha presença. Rezem pela salvação de sua alma”. Após falar isso,
permaneceu alguns minutos ajoelhado. Ao mesmo tempo, surge no meio da mata, em
Potunduva, a figura de um franciscano, na qual reconheceram Frei Galvão. Dirigiu-se
até onde Portes estava e amparou sua cabeça em seu colo. Sussurrou algumas palavras
em seu ouvido, ouviu a sua confissão e o abençoou. Logo em seguida, Frei Galvão
desaparece dentro da mata antes de Manoel Portes morrer. Em Itú, no mesmo
momento, Frei Galvão ajoelhado quebra o silêncio e afirma: “Já cumpri minha missão”.
E prosseguiu seu sermão exatamente onde tinha parado.
Quem foi Frei Galvão?
Foi um sacerdote ordenado em 1762 que fez seus estudos teológicos no Convento de
São Francisco, em São Paulo, onde viveu durante 60 anos, até sua morte, ocorrida a 23
de Dezembro de 1822. Além de fundador, Frei Galvão foi também o projetista e
construtor do Mosteiro da Luz, que as Nações Unidas declararam Patrimônio Cultural
da Humanidade. Enquanto estava vivo, em 1798, o Senado de São Paulo definiu-o
como “homem da paz e da caridade”, porque era conhecido e procurado por todos
como conselheiro e confessor, além de ser o franciscano que aliviava e curava os
doentes e os pobres no silêncio da noite.
Frei Galvão convida-nos a crescer em santidade e na devoção a Nossa Senhora da
Conceição e deixa a todos nós brasileiros a grata mensagem de sermos pessoas da paz e
da caridade, sobretudo para com os pobres e os marginalizados. Com muita fé dizemos:
“Frei Galvão, intercede pelo teu e nosso Brasil!” (Fonte Site Vaticano)
A lenda do Banharão
A palavra Banharão tem origem indígena, Bae = coisa e nharon = brava. Bae
Nharon é uma expressão tupi com o sentido de coisa brava. Posteriormente, a palavra
foi aportuguesada, ou seja, foi somada às palavras do português como banharão.
Conta a lenda que, no tempo das monções, desbravadores conheciam a região
acompanhados com alguns índios. De repente, um animal ou peixe de grande tamanho
pulou das águas, agitou-as águas formando muitas ondas e provocou um enorme
barulho. Não conseguindo identificar o que havia sido na verdade, os tupis que
acompanhavam os bandeirantes na embarcação gritaram assustados: “bae nharon”
(coisa brava). Essa palavra, posteriormente, passou a designar um poço nas imediações,
uma corredeira e mais abaixo as terras do local, as terras do banharão. Fonte: “Achados
e Perdidos de Mineiros do Tietê” de Nelson Natal Botura. e “O Banharão – Estudo
Genealógico da Família Cárdia” de Rubens Cárdia.
A Importância do Negro em Nossa História.
Procuramos, a partir das etnias indígenas, ressaltar a importância de
todos os povos que formaram nossa sociedade. Nesse contexto, os povos de origem
africana são de fundamental importância em nossa história. Por mais de 50 anos nós
convivemos com a escravidão em Jaú. Os primeiros negros que aqui passaram vieram
com as monções ou passaram fugindo, geralmente para o interior do Brasil, formando
os quilombos. Em nossa região também havia quilombos, onde os negros que fugiam
se reuniam e procuravam sobreviver livres da escravidão. Um dos mais famosos de
nossa região ficava em terras que hoje pertencem ao município de Dois Córregos. No
Brasil, o mais famoso foi o Quilombo dos Palmares que tinha em Zumbi o seu grande
líder. Zumbi também é considerado um herói brasileiro e foi homenageado com um
monumento localizado próximo ao Fórum de nossa cidade.
Uma interessante particularidade de nossa história é um fato, ocorrido
em 1926. Uma herança foi deixada por uma rica fazendeira chamada Thereza de Assis
Bueno aos sete filhos de um ex-escravo que se chamava Jonas de Assis Bueno (Era
comum os negros herdarem os sobrenomes de seus donos, mas era totalmente incomum
herdar propriedades). Esse fato chocou a sociedade da época e gerou profundos e
calorosos debates. Segundo relatos dos descendentes de Jonas, a fazendeira Thereza
doou as terras ao seu escravo por entender que ele, como fiel trabalhador, ajudou a
construir sua riqueza. Nada seria mais justo que a dividisse com ele. Agiu por
agradecimento, acima dos preconceitos que existiam. (Questão para a classe: Existem
ainda hoje preconceitos étnico-raciais?)
Quadro de Almeida Jr. “A Partida da Monção”, Museu Paulista, São Paulo – SP.
As monções eram conduzidas também por índios que serviam como guias caboclos
(mistura de índios e brancos) e negros, como retratado acima.
É graças ao trabalho do negro, desde o período colonial, que muitas
riquezas foram geradas e que, posteriormente, o Brasil vai se consolidar como uma
expressiva economia capitalista construída e ainda em construção no nosso país.
Em nossa sociedade, um escravo, por melhor vestido que estivesse,
nunca usava sapatos porque lhe era proibido seu uso.
A primeira coisa que um ex-escravo fazia era comprar e calçar sapatos
para mostrar seu novo “status”, ou seja, para mostrar que era livre. Nas fotos acima,
escravos da aristocracia e um casal livre. Em nossa história, a família Assis Bueno é um
exemplo de afro-descendentes que se tornaram bem sucedidos e tiveram seu trabalho
reconhecido.
Família de negros em uma sociedade quilombola, ou seja, negros que fugiam e viviam
livres, isolados nas matas em quilombos. No registro acima, de forma semelhante ao caboclo. Pintura
realizada por Rugendas em Viagens Pitorescas pelo Brasil (1835).
Não existe um povo superior a outro, do ponto de vista cultural. Mas
culturas diferentes e conseqüentemente sociedades diferentes. Um número significativo
de índios e negros fugiram dos desbravadores. Principalmente atemorizados pela
superioridade de armamentos (armas de fogo) que os desbravadores possuíam.
Desenho realizado em oficina da escola integral pela aluna Franciele 8ªA
A história da emancipação política de Jaú
Cronologia adotada:
1853 – Fundação do povoado: primeira capela.
1856 – Curato (A capela é reconhecida “Curada”)
1857 – A palavra Jahú aparece pela primeira vez em registros (Demarcação do Curato)
1857 – Distrito de Paz
1859 – Freguesia (Paróquia)
1866 – Vila - A primeira Câmara de Vereadores
1877 – Comarca Judiciária (destaque ao trabalho político de Major Prado)
1889 – Cidade (destaque ao trabalho do político Conde do Pinhal)
A história da emancipação política de Jaú
Os bandeirantes que seguiam pelo rio Tietê escolhiam nossa região para, à
sombra de grandes árvores, fazer reparos em seus barcos. Aqui pescavam um peixe
chamado Jaú, na foz de um ribeirão. O local, desde então, ficou conhecido como Barra
do Ribeirão do Jaú. As famílias que para cá vieram, provenientes de Itú, Porto Feliz,
Capivari e sul de Minas, antes da metade do Século XIX, foram atraídas pela qualidade
da terra. Aqui se fixaram definitivamente e começaram a escrever uma nova história, a
história dos desbravadores, ou seja, o início do povoado que depois vai crescer até
alcançar a categoria de cidade.
Desbravadores é a palavra usada para referir-se aos primeiros que passaram por
aqui depois dos índios, abriram as matas “bravias” e conviveram – dependendo do caso
com conflitos ou pacificamente – com os índios.
Bandeirantes eram os desbravadores que saíam principalmente de São Paulo
para o sertão (interior) em busca de ouro.
Pouso de uma monção - Obra de Aurélio Zimmer, Museu Paulista
1853 - Fundação do povoado
A fundação data de 15 de agosto de 1853, quando, na casa de Lúcio de
Arruda Leme, foi organizada uma reunião com os cidadãos Bento Manoel de Moraes
Navarro, Capitão José Ribeiro de Camargo, Tenente Manoel Joaquim Lopes e
Francisco Gomes Botão. Ficou então deliberada definitivamente a fundação do
povoado. Depois de vários estudos decidiu-se que o povoado seria erguido numa área
de 40 alqueires, doados em partes iguais por Francisco Gomes Botão e tenente Manoel
Joaquim Lopes
As ruas, a matriz, a futura praça e o cemitério.
Desenho original realizado com nanquim por J. Raphael Toscano.
NOSSA PADROEIRA
Bento Manoel de Moraes
Navarro, um dos fundadores de nossa
cidade, propôs que o povoado fosse
dedicado a Nossa Senhora do Patrocínio.
Ofertou uma imagem da santa que
mandou esculpir em Itu. Como esse
lugarejo ficava à margem do Rio Jahu, a
padroeira recebeu a denominação de
Nossa Senhora do Patrocínio de Jaú.
Foi determinado, então, que a
data de fundação do povoado seria 15
de agosto por ser o dia da assunção de
Nossa Senhora.
A Capela do Jahú era filiada à
Paróquia (freguesia) de Brotas.
1856 - Curato
A Capela de Nossa Senhora do Patrocínio é declarada “curada” pelo Bispo
Membro do Conselho do Império Brasileiro. Isso significou que os nascimentos,
batismos, casamentos e falecimentos passaram a ser efetuados na capela local e não
mais na Paróquia de Brotas.
Reprodução da ilustração do livro “100 Anos de Arte e Fé” de J.Raphael Toscano.
1857 - Demarcação do Curato
O presidente da província de São Paulo estabeleceu, em 1857, o
contorno do Curato do Jahu. Com as delimitações da área, a palavra Jahú aparece pela
primeira vez em registros oficiais.
1858 - Distrito
Em 24 de maio de 1858, Jaú é elevado a Distrito de Paz, sendo o
Capitão José Ribeiro de Camargo, seu primeiro juiz.
1859 - Freguesia
O Distrito do Jahu, através da Lei Provincial nº. 11, fica elevado a
categoria de Freguesia da Capela Curada do Jahu. A palavra freguesia é sinônima, nos
dias atuais, a paróquia. No período imperial, as paróquias eram as únicas entidades que
tinham poder de registrar oficialmente batismos e casamentos.
Reprodução da ilustração do livro “100 Anos de Arte e Fé” de J.Raphael Toscano.
1866 - Vila
A 23 de abril de 1866 Jaú é elevado a categoria de Vila, com uma área
de 80 km de sul a norte e 50 km de leste a oeste.
1866 - A Primeira Câmara
Nossos primeiros vereadores são eleitos por votação nas eleições de
1866. Todos os eleitos eram do Partido Liberal que fazia oposição ao partido
Conservador, diretamente ligado ao Imperador D. Pedro II. Ainda não existia prefeito e
os vereadores mais votados foram José Ribeiro de Camargo e Joaquim de Oliveira
Matozinho.
1877 – Comarca
Através de um trabalho político
do Partido Conservador, liderado por
Major Prado, criou-se a Comarca
Judiciária do Jahu instalada em 1º de
novembro de 1877. Na foto ao lado, o
líder político jauense Francisco de
Paula de Almeida Prado – Major Prado.
Fonte: Biblioteca da EMEF Prof. Enéas
Sampaio Souza – Jornal “O Primeiro
Século de Jaú”.
Fonte: página 22 do livro “100 Anos de Arte e Fé” J.Raphael Toscano
1889 - Cidade
A 6 de fevereiro de 1889, a Comarca do Jahú é elevada de Vila do Jahú
à categoria de cidade. Jaú recebe o título de cidade a partir do Projeto nº. 72 da
Assembléia Provincial, apresentado pelo deputado Conde do Pinhal. Nesse momento, o
café gerava muita riqueza e os plantios de fumo e cana de açúcar ocupavam um
segundo plano. O café era considerado o “ouro verde” e é em conseqüência dele que se
dará um grande desenvolvimento. O ciclo do café iniciou na década de 1860 e perdurou
até 1960, aproximadamente por 100 anos. Durante esse período, a cidade atingiu o
período áureo de desenvolvimento e riqueza, que ainda se pode verificar através de
suas edificações (casas, escolas, prédios públicos, como o mercadão e a delegacia)
Foto da Rua Major Prado onde se vê um conjunto arquitetônico composto por residências de estilo
“eclético”. Autor: Vicente João Pedro - Foto Clube de Jaú
Nosso Grande Herói: João Ribeiro de Barros
O comandante João Ribeiro de Barros tornou-se um grande herói,
reconhecido internacionalmente, devido à primeira travessia aérea do Oceano
Atlântico. Foi uma grande conquista para a história da aviação que tem em outro
brasileiro, Santos Dumont, o mérito de ser o inventor e o pioneiro na conquista do
sonho de voar.
João Ribeiro de Barros atravessou o Oceano Atlântico, em 28 de abril
de 1927, a bordo de um hidroavião, um tipo de avião que pode pousar em água, pois
possui casco (foto abaixo). O nome era Jahú, que também ficou conhecido como “o
pássaro vermelho”.
JOÃO RIBEIRO DE BARROS
Comandante do hidroavião JAHU, com
o qual cruzou o Oceano Atlântico em
1927, no memorável reide
internacional "Gênova – Santo Amaro",
tendo como tripulantes o navegador
Newton Braga, o co-piloto João Negrão
e o mecânico Vasco Cinquini,
substituído por Mendonça, já no Brasil.
Reide: Longa excursão a pé, a cavalo,
de automóvel, avião, etc. (Novo
Dicionário Eletrônico Aurélio versão
5.11).
A história do nosso time o XV de Jaú
A data da fundação do nosso escolheu as cores oficiais da nova
querido time, o “XV” de Jaú é 15 de agremiação: Camisas verdes e amarelas
novembro de 1924. Reunidos no bar e calções brancos.
São Pedro, alguns esportistas, entre os
quais José Pirágine Sobrinho e GALO DA COMARCA
Hermínio Cappabianca, decidiram
fundar um quadro de futebol, formado A alcunha de GALO DA COMARCA,
com jogadores locais. Naquela época, segundo apontamento do esportista
estava em evidência o Esporte Clube Manoel do Porto, publicada no Jornal
Sírio. Jaú tem uma significativa Comércio do Jahu, foi atribuída ao
influência da imigração síria. Com o clube em 1931, durante reunião da qual
fim do E.C. Sírio, decidiu-se pela participavam representantes dos clubes
formação de um novo time de futebol que compunham a 3ª Zona do
que, mediante proposta de campeonato.
Cappabianca, foi então denominado
Esporte Clube XV de Novembro de Jaú
CORES OFICIAIS DA EQUIPE
Com a aprovação dos demais
participantes daquele encontro, ao
mesmo tempo em que sugeria o nome
do time, Hermínio Cappabianca
Estádio Zezinho Magalhães
O nosso XV teve seu primeiro estádio campanha de ascensão da equipe
erguido no jauense, da 2ª para a 1ª Divisão de
tempo recorde Profissionais, em 1951. O projeto de
de 10 dias,. autoria do renomado arquiteto Vila
Era onde hoje Nova Artigas começou a ser posto em
é a vila XV e prática em 1971 e dois anos depois o
foi palco de Jausão era aberto ao público pela vez
memoráveis primeira para uma partida entre XV e
jornadas. Com Juventus, em comemoração ao
o passar do tempo, o velho e lendário aniversário da cidade, com entrada
Estádio já não mais acompanhava a franca e presença de um dos maiores
evolução. Foi desativado e assim públicos já registrados em mais de 15
nasceu o Estádio Zezinho Magalhães, anos de existência do estado quinzeano,
numa homenagem a um grande político construído graças à colaboração dos
jauense que, exercendo a presidência esportistas e do poder público.
do verde-amarelo, foi fundamental na
Jaú: da Capital da Terra Roxa
à Capital do Calçado Feminino
Sede da Fazenda Banharão onde D.Pedro II esteve hospedado (foto tirada antes de reformas sofridas da
década de 1990) Fonte: Livro Banharão – Rubens Cardia.
A nossa economia se fortaleceu,
inicialmente, com a produção de café, o
chamado “ouro verde”. Foi introduzido
em Jaú na Sesmaria do Banharão em
1846 e espalhou-se por todo o
município. É graças a ele que Jaú se
desenvolverá como uma rica cidade até
metade do século XX. Quase todo
nosso patrimônio arquitetônico e
histórico foi construído nesse período.
Inclusive a Igreja Matriz e as estações
ferroviárias, usadas para o embarque do
café. Mas o café não vai reinar para
sempre. Jaú até então era conhecida
como a Capital da Terra Roxa.
Fotos ao lado: embarque de café.
Indústria Calçadista
Nossa indústria calçadista iniciou-se com fábricas de corte, que surgiram na década de
40, e atualmente especializou-se em calçados femininos, exportando para vários países.
A primeira oficina de calçados é produção de calçados se especializou
considerada a sapataria popular de um
italiano chamado Giuseppe Contatore. passando a cidade a receber muitos
Foi ele o precursor da antiga Casa
Contador que durante muito tempo foi turistas que nos visitam para comprar
uma referência em calçados na cidade.
Na década de 1940, os empresários calçados femininos (turismo
faziam cortes de calçados masculinos e
os vendiam aos sapateiros. Em 1950, comercial).
começava o desenvolvimento das
fábricas de calçados no Brasil que Jaú influenciada pela forte imigração
passaram a ocupar o espaço das italiana que recebeu se tornou a capital
sapatarias e, em seguida, o da fábrica do calçado feminino.
de corte. Surgiram em Jaú as primeiras
fabriquetas O destaque do setor Foto dos proprietários e funcionários da
calçadista só ocorrerá nos anos 80 e Sapataria Popular (1915). No centro da foto
acarretou uma profunda mudança no Giuseppe Contatore.
espaço urbano de Jaú. Hoje, Jaú
constitui um centro calçadista com
centenas de empresas que empregam
mais de 10 mil trabalhadores. A
Cana de Açúcar
As primeiras plantações praticadas aqui foram realizadas pelos índios
que cultivavam principalmente mandioca (o pão da terra) e amendoins. A cana-de-
açúcar foi trazida depois pelos desbravadores e plantada aqui bem antes do café.
Inicialmente a economia do povoado era auto-suficiente – os caboclos, mistura de
índios com brancos, procuravam fazer tudo que precisavam sem depender de ninguém
– e girava em torno do milho e da mandioca que serviam para a alimentação humana e
de animais de criação, como bois, porcos e ovelhas. Cultivavam também o algodão que
era usado para confeccionar as roupas utilizadas. As ovelhas forneciam a lã para os
agasalhos e a cana de açúcar era utilizada para fabricação de açúcar. Entre os primeiros
engenhos estão os dos fundadores do povoado, Bento Navarro e capitão José Ribeiro de
Camargo.
Atualmente, a cana de açúcar reina como a principal atividade agrícola
de nossa região sendo utilizado quase toda a área do município para o seu cultivo (mais
de 90 %) e emprega milhares de trabalhadores de Jaú, região e migrantes vindos
principalmente do nordeste brasileiro.
O Distrito de Potunduva, onde começa a história de Jaú, era coberto de
perobeiras e porto importante para as monções. Hoje é um centro de produção agrícola
abrigando uma importante usina de beneficiamento de açúcar e álcool e local onde
reside a população de migrantes nordestinos que ainda se deslocam para nossa região à
procura de trabalho na lavoura, sendo que muitos permanecem aqui definitivamente.
Colheita mecanizada da cana-de-açúcar na região de Jaú. Foto: Jornal Comércio do Jahu
SÍMBOLOS DE JAÚ
Brasão de Jaú
Escudo clássico flamenco-ibérico com os elementos peixe e rio que
representam a origem indígena do nome. Acima, a águia segurando a hélice do
hidroavião Jahú, alusão ao feito heróico de João Ribeiro de Barros.
O pequeno escudo da torre central é uma referência a nossa padroeira
Nossa Senhora do Patrocínio relembrando o caráter cristão de nosso povo encimado
pela coroa mural de oito torres, de argente. Como suportes ascendentes sobre uma
faixa, à esquerda uma perobeira, árvore típica de nosso município, existente em grande
quantidade e indicadora de solo fértil e à direita, um cafeeiro que representa a riqueza
gerada por essa cultura. A faixa contém, em letras argentes, a palavra indígena IBICA-
RE-IG.
IBICA-RE-IG = “Rio que leva para a terra boa”
Simbologia das Cores:
AMARELO = riqueza, glória,
explendor e mando;
AZUL = justiça, nobreza,
perseverança, zelo e lealdade;
VERMELHO = audácia, coragem,
valentia e intrepidez;
BRANCO = paz, trabalho,
religiosidade, amizade e pureza.
Peroba rosa, árvore símbolo de Jaú
Mapa do município de Jaú e cidades vizinhas
Mapa dos alunos André, Bruna e Fernanda - 8ªA do EJA - EMEF Prof. Enéas S. Souza
ONG União Pró-Jaú Desenho aluna Laís 6ªD CAIC.
A lenda do Cano Torto
Conta a lenda que as pessoas que bebessem das águas de uma fonte conhecida
como cano torto sempre voltariam à Jaú. Uma lenda urbana que envolvia a mais
famosa fonte da cidade. Acreditava-se que as moças que levassem seus pretendentes
para tomar das águas do cano torto arrumavam namorado. Essa lenda urbana nos
remete ao problema da qualidade de nossa água, pois hoje, infelizmente, não temos
mais essa fonte que foi contaminada por esgoto e hoje não funciona mais. A água é um
recurso finito, tem fim, pode acabar se nós não cuidarmos bem.
Fotos: Antigo “Cano Torto”, situado originalmente na esquina da rua Tenente Lopes
A PESCA ONTEM E HOJE
Foto da década de 40 em que pescador exibe vários peixes (jaús) até
então comuns em nossos rios.
A pesca na região do Rio Jaú sempre foi marcante na educação
alimentar e no lazer, tanto de adultos como das crianças. Servia como fonte de alimento
para as populações ribeirinhas.
Antes da pesca se descaracterizar como uma atividade tradicional, o
desmatamento de sua mata ciliar (vegetação que fica nas margens dos rios) provocou a
diminuição dos peixes. Outra causa para a diminuição do número de peixes,
notadamente na Bacia do Tietê em nossa região, foi a construção de barragens
hidroelétricas que impedem a piracema.
A poluição causada pelo esgoto doméstico e industrial se constituiu em
outro problema. A quantidade de peixes diminuiu e hoje há poucas espécies (assim
mesmo com menor tamanho e peso) incluindo as exóticas que no passado não existiam
e foram introduzidas sem critérios. Outro fator determinante para a diminuição drástica
de muitas espécies foi o uso de redes e tarrafas, causando coleta excessiva de peixes e
desrespeitando o código de pesca existente no País.
Os índios, primeiros habitantes de nossa região, usavam como
principal artefato para a captura de peixes uma espécie de lança e flechas. Já os
caboclos, usavam a tradicional vara de bambu. Isso fazia com que a pesca ficasse mais
esportiva e prazerosa evitando a coleta exagerada.
Os peixes mais abundantes em nosso rio nessas épocas áureas eram:
jaú (ultimamente encontrado raramente), jurupoca, lambari, bagre, cascudo, traíra,
tuvira, curimbatá e mandiúva, entre outros. Hoje, temos algumas espécies dessa época,
mas em menor quantidade e também espécies introduzidas como a tilápia, carpa, bagre
africano, corvina e camboja.
Outro animal que foi muito explorado como alimento foi a tartaruga e
o cágado, que eram pescados com as mãos. Hoje, esse animal proliferou muito devido
às condições de desequilíbrio ecológico e em virtude a sua adaptação à poluição do rio.
O Problema da Qualidade da Água.
Uma região que abriga uma população de aproximadamente 200 mil
habitantes necessita cerca de 600 milhões de litros de água por dia, usando um índice
per capita (para cada pessoa) que varia de 50 a 100 litros. Mas pode chegar até 300
litros ao dia, dependendo do clima que estiver fazendo na cidade. No calor, o consumo
e desperdício de água é muito maior. É muita água!
Para agravar a situação, além de termos uma necessidade de grande
quantidade de água, é muito antigo o costume de jogar os esgotos da cidade e muitos
tipos de lixo nos rios. Até a metade do século, como as cidades eram pequenas, a
poluição se limitava a pequenos trechos do rio. Os esgotos eram lançados diretamente,
sem tratamento, mas eles eram constituídos apenas de águas de drenagem urbana, ou
seja, águas de chuva que caiam sobre as ruas e habitações. As águas imundas, isto é,
aquelas provenientes de banheiros e as de cozinha, eram recolhidas em fossas, às vezes
no interior dos próprios domicílios de onde eram periodicamente removidas. A partir de
meados do século XIX, na Europa e logo depois também nos Estados Unidos,
começou-se a usar as descargas hidráulicas nos vasos sanitários, o que exigia de
imediato grandes quantidades de águas.
Esse contexto deu origem ao hábito de se ligar o esgoto sanitário
doméstico aos esgotos de águas pluviais e provocou a degradação dos rios que
passaram a receber o esgoto in natura, ou seja, sem tratamento. BRANCO, (1996).
Localização
O Município de Jaú, assim como a cidade, é cortado por um rio, que
passa no vale do Rio Jaú. O Rio Jaú tem sua nascente fora dos limites do município. Ou
seja, a cabeceira dos córregos que o formam pertence às cidades vizinhas de Brotas,
Dois Córregos e Torrinha. É formado pela junção de dois córregos: Córrego Lageado e
Ribeirão do Bugio.
O Córrego do Bugio nasce na Serra do Tabuleiro, mais conhecida
como Serra de Brotas, no município de Torrinha. Alcança o município de Dois
Córregos, onde se encontra com o Córrego da Prata, formando o Ribeirão do Bugio.
Quando o Ribeirão do Bugio se encontra com o Córrego do Lageado, passa a
ser chamado de Rio Jaú.
O Rio Jaú tem como principais afluentes os córregos: na margem esquerda,
Lageado (Peixe), Veadinho, São João, Antunes, Barreiro, São Joaquim, Figueira, Morro
Vermelho, Arca de Noé, Regato e Olho D’água. Na margem direita, das Bugio, Prata,
Palmeiras, Saltinho, Matão, João da Velha, Santo Antônio, dos Pires, São José, Jatay,
Pouso Alegre (Mandaguay) e Ribeirão da Prata (das Pedras).
A direção que o rio toma é sudeste a noroeste e deságua no Rio Tietê, nas
proximidades da região conhecida como Marambaia. Sua extensão total desde a
nascente na Serra de Brotas, até atingir o Rio Tietê é de aproximadamente 70 km.
É rio de planalto, mas apresenta característica de rio de planície na área
urbana, por causa dos contornos que ele forma (rios de planaltos, geralmente não fazem
tantas curvas).
Enchente de 1922 na Travessa Municipal – Bairro de Potunduva
A cidade, estando situada no vale do rio, viveu por muitos anos grandes
problemas de enchentes, muito comuns no período das chuvas. Muitas dessas
enchentes (vazantes) adquiriram aspectos catastróficos, como a que ocorreu no dia 19
de janeiro de 1965, quando o rio rapidamente elevou o nível de suas águas em
aproximadamente três metros acima de seu nível normal.
As maiores cheias registradas pelo Foto Clube são as de 1922, 1961 e 1965,
conforme arquivo da ONG. União Pró-Jaú.
Enchente de 1965 vista da Praça da República (ao fundo o cano torto).
Galeria de Fotos:
Jaú antigo Largo do Teatro, antes da construção do Jardim de Baixo, atualmente Praça da República.
Jaú antigo. Foto da Rua Major Prado ao lado do Jardim Público (Jardim de Cima) hoje, totalmente diferente,
Praça Siqueira Campos
Foto de Jaú com destaque para o terceiro prédio da matriz.
Foto do antigo Jardim de Cima – Fonte: Foto Clube de Jaú
Jaú antigo. Rua Marechal Bittencourt (fonte: Livro “O Primeiro Século de Jaú”)
Foto de Jaú - Largo da Prefeitura - Prédio inaugurado em 1891. Além da prefeitura, funcionavam no local
o fórum e a cadeia. Na frente, um jardim de estilo francês comum nos jardins públicos da época e ao fundo
a estação ferroviária: patrimônios destruídos.
Queda da ponte da Rua Major Prado na enchente de 1922. Ao fundo, a antiga Igreja São Sebastião e sede
de uma fazenda .
Embarque de café em 1927, o chamado ‘Ouro Verde”.
Jaú - Rua Visconde do Rio Branco, em 1953. No fundo, o prédio que atualmente abriga a Delegacia
Regional de Ensino e a torre da Matriz
Jaú - Vista da cidade em 1953 – A Capital da Terra Roxa.
Jaú - Atual foto da Rua Major Prado, ao lado da prefeitura. Conjunto arquitetônico relativamente
preservado. Infelizmente, muito já foi destruído e é difícil encontrar um quarteirão ainda preservado
Praça da República - Vista atual do coreto no centro do Jardim de Baixo, lazer privilegiado para toda a
população que pode freqüentá-lo.
Jaú atual - queimadas de cana-de-açúcar fazem parte da nossa paisagem
Vista atual de Jaú, Capital do Calçado Feminino
Escola Dr. Pádua Salles a mais antiga de Jaú
O Colégio S. José foi fundado em 1901 para atender a clientela feminina de Jaú. Era
administrado pelas Irmãs de S. José de Chambérry e pouco a pouco foi também
atendendo às cidades da região. Construído pela Sociedade de Instrução cujos
fundadores foram o Coronel Paula Prado e Capitão Vicente Sampaio. A direção foi
confiada à Irmã Maria Celestina. No final da década de 1920, foi ampliado para a
instalação da Escola Normal Livre. O prédio sofreu reformas e modificações, foi
ampliado e hoje nele funciona a Fundação Educacional Dr. Raul Bauab.
O Atheneu Jauense foi fundado em 29 de fevereiro de 1901, para atender a comunidade
masculina da cidade. Em 1926, passou a ser denominado “Gynnasio Municipal de
Jahu”. Mais tarde, em 1949, através de um decreto, “Colégio São Norberto”. Desde
1915, essa Instituição foi entregue à Ordem dos Cônegos Premonstratenses. Serviu,
durante muitos anos, não só a comunidade masculina jauense, mas também da região.
Primava pela qualidade de ensino.
As primeiras famílias da cidade de Jaú
As primeiras famílias que viviam aqui eram indígenas das etnias Kaingang
(Coroados). Depois dos indígenas, já com a presença dos primeiros exploradores, os
bandeirantes monçoneiros, formam-se famílias de caboclos com a miscigenação, ou
seja, a mistura de brancos com índios. Importante destacar que entre os bandeirantes, os
chamados caraíbas, havia homens que não eram, culturalmente falando, nem índios
nem brancos. A ocupação e o povoamento da região onde hoje se localiza Jaú
iniciaram-se nas últimas décadas do século XVIII. Através das monções, as terras
marginais do Tietê foram desbravadas e conhecidas, surgindo o povoado de Potunduva,
parada estratégica para aqueles que, partindo de Porto Feliz, seguiam em direção a
Cuiabá e Iguatemi, em busca das jazidas de ouro. Essa colônia sobreviveu enquanto
duraram as expedições bandeirantes de caça ao índio e às jazidas de ouro. Os seus
moradores são os primeiros habitantes, depois dos índios. O porto foi abandonado na
década de 1820. Aqui ficaram famílias de caboclos, misturas de brancos com índios,
que viviam de forma isolada.
Índios Kaingang (Caingangues) que vivem hoje em aldeias no sul do país. Observe que apesar de
conservarem traços da cultura original, adotaram costumes do homem branco como as roupas dos
curumins (crianças indígenas) e o chapéu do índio adulto fazendo seu tradicional artesanato. Seu aspecto
físico lembra o caboclo.
O povoamento, agora já considerando o local onde se situa a cidade de
Jaú, recomeçou aproximadamente em 1830, sendo Antônio Dutra o pioneiro a retomar
as terras e a invadir um imenso território que mais tarde englobaria as fazendas de
Pouso Alegre de Baixo, Pouso Alegre de Cima e Santo Antônio. Após a morte de Dutra,
seus filhos dividiram as terras em dois lotes que foram adquiridos legalmente por
Francisco Gomes Botão e Joaquim de Oliveira Matozinho.
O povoado já existia de fato na década de 40. Porém, foi em 1853 que
os fundadores se reuniram para decidir sobre a organização e fundação do povoado.
Bento Navarro encomendou a escultura da imagem de Nossa Senhora do Patrocínio
para ser colocada na capela onde hoje é a Igreja Matriz. Como a primeira missa
celebrada ocorreu no dia 15 de agosto de 1853, o líder político, Osório Ribeiro de
Barros, reconheceu por Lei esta data como da fundação de Jaú. Décadas depois, em 6
de fevereiro de 1889, é que a Vila de Jaú passou para categoria de cidade.
A partir daí, pioneiros foram chegando e o sertão foi sendo ocupado.
Clareiras foram abertas, raízes fincadas e laços familiares foram se formando. Na
década de 40, entre outras, chegaram várias famílias os primeiros Campanhãs, o
Capitão José Ribeiro de Camargo, os Paes de Barros e os Amaral Carvalho e se uniram
aos Gomes Botão, aos Oliveira Matozinho, aos Mira, aos Navarro, que aqui já estavam.
Na década seguinte, a família Almeida Prado começou a chegar, num momento
histórico da cidade conhecido como “A Tribuna de Itu”, quando pioneiros da família
vieram e compraram as terras de um dos fundadores da cidade, a família Gomes Botão.
O primeiro integrante da família Almeida Prado que chegou aqui foi o
Tenente Lourenço de Almeida Prado, no final de 1859. Depois, três irmãos e dois
cunhados chegaram e começaram a crescer com uma característica bem marcante: o
casamento entre parentes. Dessa forma, na terceira geração dessa família eles já
somavam 317 descendentes e conservavam uma forte unidade no patrimônio em terras.
Francisco de Paula de Almeida Prado, o Major Prado só toma posse de suas terras em
Jaú em 1865, e vai ser o integrante que mais vai se destacar política e economicamente.
Sua presença vai ser marcante na vida do povoado. Através de seu filho Vicente de
Almeida Prado, advogado e político, vai se formar uma facção política conhecida como
vicentistas que se opunham à liderança de outra família de fundadores da cidade, os
Amaral Carvalho, politicamente, os carvalhistas.
Os pioneiros e fundadores da cidade de Jaú eram liberais e estavam na
liderança desde a fundação a cidade. Só começam a perder e dividir o poder em 1860,
quando os Almeida Prado fundam o Partido Conservador.
O Carvalhismo é uma expressão política nascida na liderança de
Antônio Pereira do Amaral Carvalho, renomado cirurgião com grande liderança em
nossa política. As disputas pelo poder entre os pioneiros marcaram a história de Jaú
durante o Império – liberais contra conservadores – e, depois, durante toda a república
velha – vicentistas contra carvalhistas. É importante destacar que conviveram com
outras correntes políticas, inclusive anarquistas que eram influenciados por imigrantes
italianos e espanhóis. Podemos destacar como “lideranças” destes o Dr. Tolentino
Miraglia e João Camargo Penteado. A grande disputa entre vicentistas e carvalhistas se
deu nas décadas de 20 e 30. Todos eram republicanos e em 1932 as famílias se uniram
em nome de São Paulo e lutaram juntos na Revolução Constitucionalista que teve a
participação de muitos jovens jauenses, unidos pelo ideal constitucionalista.
Revolução de 1932 = Guerra Civil = conflito armado dentro de um país
O presidente da época, Getúlio Vargas, governava, desde a revolução de 1930, sem uma
Constituição (conjunto das leis máximas que regem um país). O Estado de São
Paulo enfrenta todo o Brasil em nome de uma Constituição,. Perdemos militarmente,
mas ganhamos politicamente. Em 1934, o Brasil teve uma nova Constituição.
Todas as famílias que construíram
nossa cidade são importantes. É
fundamental destacar que no início as
famílias se uniram para esta construção
e por muito tempo investiram seus
esforços e muito dinheiro para tornar
Jaú uma bela cidade. Infelizmente, esse
espírito coletivo de amor à cidade
desapareceu nos dias atuais.
O Grêmio Recreativo Jahuense, na esquina das Ruas Tenente Lopes e
Visconde do Rio Branco – atual Diretoria Regional de Ensino (foto acima) – era o
reduto dos carvalhistas em Jaú nas décadas de 20 e 30. O prédio foi construído para
fazer oposição ao Jahu Clube, onde se reuniam os vicentistas.
Na época, Vicente Prado, do Partido Republicano Jahuense, e Antonio
Pereira do Amaral Carvalho, do Partido Republicano do Jahu, disputavam o comando
da política local.
Foto de reunião dos vicentistas em seu reduto político, o Jahu Clube
Foto de um sarau (reuniões culturais comuns na época) na Inauguração do Jahu Clube, em 1915