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Published by ANAC Assoc Nac Apos CGD, 2020-12-08 06:54:03

A NOSSA VOZ 83

A NOSSA VOZ 83

Keywords: ANAC; CGD;,APOSENTADOS

Tem a palavra a Direção

Esta edição nº 83 do boletim da ANAC reveste-se de características muito diferentes das últimas edições.

Desde logo, porque não é publicada na periodicidade trimestral habitual (já passaram 9 meses desde a edição nº 82), depois
porque não dá conta das atividades na Associação desde a última edição e, finalmente, porque ao contrário do habitual, inclui
apenas duas fotografias (de dois dos “nossos” excelentes talentos - Costa Neves e F. Costa Andrade).

Tudo isto acontece porque nestes tempos algo modificou as nossas vidas, o nosso país e também o mundo - todos fomos afeta-
dos pela pandemia denominada de COVID-19 (do inglês CoronaVirus Disease). Esta pandemia, pelas suas características inédi-
tas, e tal como já aconteceu várias vezes na história da Humanidade, apanhou todas as autoridades sanitárias mundiais despre-
venidas. As consequências são muito duras para os humanos, em especial para o grupo etário onde se insere a maioria dos
nossos Associados - os de mais de 65 anos.

Como damos nota nas páginas 9 a 11, esta não é a pandemia mais “dura” pela qual o nosso país já passou. Ao longo dos nos-
sos quase 900 anos de história como país, os nossos antepassados foram fustigados por verdadeiras catástrofes (uma delas
levou quase 1/3 da população do reino) e sempre sobrevivemos. A recolha histórica feita, embora não exaustiva, ajudará a per-
ceber a têmpera e a resiliência (como se diz agora) das nossas gentes.

Claro que a COVID-19 também afetou a vida da nossa Associação de tal forma que, desde início de março deste ano, fomos
forçados a suspender todas as atividades que decorriam no exterior, na sede e nas delegações. No entretanto tentámos retomar
algumas dessas atividades mas os factos sobrepuseram-se à nossa vontade e preferimos não expor a “nossa gente” a riscos
elevados. Essa é a razão para não relatarmos nesta edição qualquer atividade da Associação e também de não termos fotogra-
fias relacionadas com elas.

No entanto, a Associação não está em “hibernação” pois continuamos ativos no que se refere ao Grupo Europeu, a atenção aos
Associados e também no que respeita à vida interna e dos Serviços Sociais.

Como membro ativo do GEPCB, a Associação participou em reuniões que tiveram a ver com a atividade da Plataforma AGE, na
defesa dos direitos dos cidadãos com mais de 50 anos junto das entidades Comunitárias (Parlamento e Comissão), conforme
consta na página 6. A organização do Euroencontro foi adiada para data a definir, como também se dá nota no comunicado assi-
nado pelo Comité Executivo do Grupo Europeu.

Conscientes de que a pandemia iria provocar profundas alterações na vida de todos nós e de cada um em particular, em abril de
2020, com o apoio de 18 voluntários (para todas e todos, o nosso agradecimento pelo trabalho feito em prol dos colegas),
contactámos todos os Associados com 70 ou mais anos de idade (cerca de 2.000). Foram enviadas 421 cartas (não havendo
outro meio de contacto registado na BD), 904 mensagens de mail e feitos 683 contactos telefónicos. Nesses contactos procurá-
vamos saber de que forma estavam a enfrentar a pandemia, se necessitavam de apoio e também indicávamos contactos de enti-
dades que poderiam ajudar em caso de necessidade. Felizmente a generalidade dos Colegas estava bem de saúde.

No que respeita à vida dos Serviços Sociais, como será do conhecimento geral, a Assembleia de Delegados foi antecipada e
assumiu a forma digital. Infelizmente não houve debate presencial, o que empobreceu fortemente os trabalhos e as decisões
tomadas. Damos conta do facto na página seguinte. No entanto, como é nosso dever, enviámos o texto da nossa intervenção
para que conste na documentação da Assembleia e também para que todos os interessados tivessem acesso a ele (o texto está
acessível no portal dos SSCGD). Esse texto é reproduzido nas páginas 3 a 5 deste boletim.

A vida da Associação também está muito condicionada pela pandemia. Tendo em conta todas as restrições de contacto social e
julgando que as “assembleias virtuais” não são a forma mais democrática de participação dos Associados na vida da ANAC, a
Direção (em consonância com os restantes Órgãos Sociais) considera não haver condições técnicas e sanitárias para a realiza-
ção de atos previstos nos seus estatutos, nomeadamente as Assembleias Gerais Ordinárias para análise, debate e votação das
contas de 2019 (arts 24º-c) e 25º-2-b)) e do Plano de Atividades e Orçamento para 2021 (arts 24º-c) e 25º-2-c)). Por isso propôs
que as mesmas fossem realizadas em data futura, o que foi acolhido pela MAG e CF. Assim, conforme comunicado assinado
pelo senhor Presidente da MAG, constante na página 12, as mesmas ficarão adiadas para logo que estejam reunidas condições
de segurança física e sanitária para a sua realização.

A propósito de vida interna da Associação, e como será do conhecimento da generalidade dos Associados, recordamos que no
ano de 2021 termina o mandato dos atuais Órgãos Sociais. Uma boa parte dos seus membros já está em funções há três
mandatos, o que consideramos como suficiente para levar a cabo os desafios que nos propusemos em 2009 - renovar a Asso-
ciação e alargar as suas atividades. Por essa razão julgamos que será a altura apropriada para o “chegar à frente” de novas
caras, novas ideias. Daí que lancemos desde já o desafio para que, no momento em que o senhor Presidente da MAG inicie o
processo eleitoral estatutário, todas/todos os que tenham disponibilidade, vontade e ideias que se proponham, de forma empe-
nhada e altruísta, a tomar a rédea desta Instituição que consideramos fundamental para o bem-estar dos Aposentados da Caixa.

Terminamos desejando que tenham o melhor Natal possível, neste ano atípico das nossas vidas e que 2021 nos traga o fim
da pandemia e das suas consequências. NÓS TODOS MERECEMOS ISSO e VAMOS FICAR BEM!!!

A Direção

Ficha Técnica

Propriedade da ANAC—Associação Nacional dos Aposentados da Caixa Geral de Depósitos * Sede: Av. João XXI, 63 - piso –1 -
1000-300 LISBOA * Tel 217953815 * Fax 218036581 * Email: [email protected] * Blogue: anaccgd.blogspot.pt * Coordenação -
Cândido Vintém * Periodicidade - Trimestral * Impressão: Marsil—R. Central de Carvalhido, 374 - Moreira - 4470-584 MAIA *
Tiragem - 1.700 exemplares impressos e 1.600 digitais* Depósito Legal nº 55350/92 * Distribuição - gratuita aos Associados
da ANAC * Colaboram neste número: Cândido Vintém, Costa Neves (Né do Covelo), Delegação Norte, F. Costa Andrade,
GEPCB e Orlando Santos.

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43ª ASSEMBLEIA DE DELEGADOS DOS SSCGD

Sob convocatória da MAG dos Serviços Sociais, reuniu no passado dia 21 de novembro a sua Assem-
bleia de Delegados - a 43ª da sua vida.
Esta Assembleia esteve inicialmente prevista para 12 de dezembro, na Culturgest mas, com o agrava-
mento das condições sanitárias do país, foi decidido antecipá-la e dar-lhe o formato eletrónico.
Como referimos no texto que transcrevemos abaixo, a forma eletrónica não nos ser parece ser a mais
democrática para debate dos assuntos mais importantes para as Instituições e Associações. Desde logo
porque esse debate é impossível…
De qualquer forma, e dando voz aos Aposentados que representamos, a Direção da ANAC apresentou o
texto que transcrevemos abaixo e nas páginas seguintes. Nele é dada forma às questões que refutamos
de muito importantes para os mais de 50% dos Sócios dos Serviços Sociais que representamos nas AD.
A Assembleia decorreu de forma eletrónica, como referimos, o que na prática se traduziu apenas na vota-
ção dos pontos da ordem de trabalhos “votáveis”. Esta opção limitou muito a participação dos Delegados
e de todos os que tinham direito a voto (Seccionistas, CT, ANAC, …). Da nossa parte não deixámos de
exercer o nosso direito e de cumprir o nosso dever democrático.
Os resultados expressos quanto aos pontos em votação refletem a fraquíssima participação dos repre-
sentantes dos Sócios. Dos 394 inscritos apenas votaram 102 (pouco mais de 1/4). Os resultados foram:

Ponto III da OT - Votação do Plano de Atividades e Orçamento para 2021 (APROVADOS):
Votos a favor - 68
Abstenções -11
Votos contra - 23

Ponto IV da OT - Ratificação da nomeação do Provedor (Ratificado o nome de JOSÉ MARQUES
DE ALMEIDA):

Votos a favor - 65
Abstenções -19
Votos contra - 18

Ponto V da OT - Votação da única proposta apresentada por uma Delegada (APROVADA):
Votos a favor - 38
Abstenções - 36
Votos contra - 28

COMUNICAÇÃO PARA A 43 ª ASSEMBLEIA DE DELEGADOS DOS SSCGD

Caros Amigos

Apesar da “ausência física” a que esta pandemia nos obriga, gostaria de saudar em nome da ANAC todos os parti-
cipantes nesta assembleia virtual e desejar que dela resultem decisões serenas que engrandeçam e dignifiquem
os nossos Serviços Sociais e os seus Sócios.
Dando voz a mais de 50% dos Sócios dos Serviços Sociais, queremos centrar a nossa atenção em algumas das
questões fundamentais que nos preocupam:

1. Situação atual dos SS e o seu futuro;
2. Representação dos Aposentados nos órgãos estatutários – alteração de estatutos;
3. Qualidade da comunicação SSCGD/Sócios sobretudo com os info-excluídos (maioritariamente Aposenta-

dos);
4. Apoio à distância a Sócios e Beneficiários.

1 . Situação atual dos SS e o seu futuro

Esta pandemia veio acentuar a necessidade de preservação dos nossos Serviços Sociais, construídos ao longo de
várias gerações, os quais enfrentam vários desafios e ameaças.
A pandemia deu-nos uma certeza – todos necessitamos de todos. Os nossos Serviços Sociais foram fundados nos
princípios da solidariedade social e intergeracional ainda muito antes de estes valores serem reconhecidos pelas
instâncias internacionais. Não tem sido fácil o seu caminho mas, sobretudo nós os mais velhos, temos a certeza de

3

COMUNICAÇÃO PARA A 43ª ASSEMBLEIA DE DELEGADOS DOS SSCGD (cont.)

que a defesa destes valores se torna cada dia mais premente.
Infelizmente já vimos escrito, sob várias formas e em alguns fóruns, que estes princípios não se coadunam com os
tempos atuais e que cada qual deveria assumir os custos inerentes às suas necessidades. Quem assim fala ou
escreve não sabe o que diz e apenas olha para o seu umbigo, julgando-se acima de qualquer ameaça à sua saúde
ou bem-estar. Não podemos ir por aí…
Por outro lado, a defesa da gestão dos nossos SS pelos Sócios é um assunto sempre em aberto. Na sua génese e
na expressão legal, esta questão é muito claramente respondida – cabe a nós fazer a sua gestão através de
órgãos democraticamente eleitos. É inquestionável esta realidade, quer a analisemos sob o prisma legal quer sob
o prisma genético.
Na nossa opinião, esta gestão democrática não pode ser afetada por razões pouco claras como a utilização dos
SS para consecução de objetivos pessoais ou de grupos alheios ao universo que constitui a “família CGD”.
As ambições ou projetos pessoais, por serem muito nefastos para o conjunto, não podem moldar a atuação de nin-
guém que queira honestamente fazer parte dos órgãos de gestão dos nossos SS.
A luta partidária, muito importante na nossa sociedade civil, deverá ser mantida fora no nosso microuniverso. Ela é
geradora de fraturas que levam ao enfraquecimento e ao desvio do objetivo fundador dos SS ou seja, do bem-
estar de todos nós.
Da parte dos eleitos exige-se compromisso, honestidade, clareza e firmeza na atuação e muita transparência na
prestação de contas aos seus pares.
Queremos, uma vez mais, deixar estes alertas porque estamos certos de que, se nós não utilizarmos a sapiência
que habitualmente caracteriza os mais velhos, a gestão dos SSCGD pelos seus Sócios poderá estar em causa.
Não queremos que, em nome da defesa dos mesmos e por menor comprometimento com os objetivos-fundadores,
nos venha a ser imposta uma gestão supostamente “profissional” e tecnocrática mas sem alma.
Terão de ser os Sócios a geri-los, de forma não amadora ou voluntarista, escolhendo os que solidariamente
ponham desinteressadamente os seus conhecimentos e capacidades ao serviço de todos nós.
Assim, a intriga, as agendas escondidas e a tibieza não podem ser atitudes presentes no universo dos nossos Ser-
viços Sociais. Por outro lado, a falta de informação transparente e atempada também prejudicam o ambiente social
da “nossa casa”. Os nossos representados exigem da nossa/vossa parte que sejam honrados os princípios de soli-
dariedade e de honestidade que levaram à sua fundação.
Neste tempo de questionamento dos valores julgamos que não pode haver divisão entre nós. Ela será imediata-
mente aproveitada por quem julga que os Serviços Sociais são apenas um custo e não um investimento no bem-
estar de todos.

2 . Representação dos Aposentados nos órgãos estatutários

Os Aposentados correspondem a mais de 50% dos Sócios dos SS. No entanto, a sua representação oficial, à luz
dos atuais estatutos, é direito e dever exclusivos da ANAC. Nós assumimo-los em plenitude mas temos consciên-
cia de que os Aposentados e os SS sairiam mais enriquecidos se o leque de representação fosse mais alargado.
Estamos completamente de acordo com o alargamento desse leque e desejamos que os Órgãos Sociais dos SS
trabalhem muito rapidamente nesse sentido.
Da nossa parte, daremos toda a colaboração necessária para que seja rapidamente conseguida a representativi-
dade proporcional dos Aposentados nas Assembleias e Órgãos estatutários.

3 . Qualidade da comunicação SSCGD/Sócios, sobretudo com os info-excluídos
(maioritariamente Aposentados)

Segundo julgamos saber, há cerca de 4.000 Sócios dos SSCGD (a maioria dos quais são Aposentados) que não
têm registado um endereço de mail na sua base de dados. Como primeira conclusão, poderemos dizer que exis-
tem mais de 20% dos Sócios que não têm acesso à informação veiculada através das “newsletters” e, por acres-
cento, do seu portal.
Não sabemos, por outro lado, o número de Sócios que não estão registados e que não utilizam o portal dos Servi-
ços Sociais, mas estamos seguros de que serão muitos mais.
Portanto, e em conclusão muito rápida, temos um número muito significativo de Sócios que não pode participar
ativa e democraticamente na vida dos Serviços Sociais.

4

COMUNICAÇÃO PARA A 43ª ASSEMBLEIA DE DELEGADOS DOS SSCGD (cont.)

Em comunicações dos anos anteriores sugerimos às Direções dos SS a análise muito cuidadosa da forma como
deveria ser gerida a comunicação com os Aposentados mais idosos. Como referido antes, sabemos que nem toda
a gente tem acesso a meios eletrónicos. Mesmo tendo-o, muitos não conseguirão descodificar o conteúdo das
mensagens impessoais e supostamente tecnocráticas dos “outsourcings” e aceder à informação nelas contidas.
Como consequência, muitos ficam afastados dos direitos que lhes são devidos. Infelizmente não fomos ouvidos e
as consequências na vida dos info-excluídos são penosas.
Apelamos, mais uma vez, para que os Aposentados não sejam marginalizados pela comunicação cibernética e
pseudo-tecnocrática pois elas não têm alma e o que caracteriza os nossos Serviços Sociais é precisamente essa
“alma” e o sentido de pertença.
Também no que se refere à participação ativa e democrática na vida dos Serviços Sociais mais uma vez manifes-
tamos aqui a nossa oposição frontal à forma como decorrem as chamadas “votações eletrónicas”, sobretudo quan-
do estão em causa decisões tão importantes como a alteração de estatutos ou aprovação de contas. Recordamos
que, aquando da votação sobre a proposta de alteração de estatutos, a participação dos Sócios atingiu um valor
que reputamos de “infeliz” e inexpressivo pois a MAG não acatou os nossos alertas.
Por isso insistimos uma vez mais em que, em votações futuras, a MAG respeite rigorosamente os estatutos e regu-
lamentos dos Serviços Sociais e envolva ativamente todos os info-excluídos e não contribua para a sua indesejá-
vel marginalização e afastamento da vida coletiva.

4 . Apoio à distância a Sócios, sobretudo aos mais idosos
No ano de 2015, conjuntamente com a Direção dos SS, participámos em várias reuniões com a entidade gestora
da “linha saúde 24”, no âmbito de um projeto então em marcha, denominado “Linha Saúde 24 Sénior”. Infelizmen-
te, por decisão do Ministro da Saúde da altura, esse projeto foi suspenso por falta de orçamento.
O objetivo deste projeto era acompanhar, via telefónica ou eletrónica, as necessidades de saúde e de assistência
dos cidadãos com mais de 75 anos. Era claramente um programa ambicioso e cuja extensão aos Sócios dos
SSCGD estava em fase de concretização.
A situação que vivemos atualmente recomendará a retomada deste projeto, nomeadamente no nosso universo.
Por um lado, temos a população idosa cada vez mais isolada, em consequência das medidas tomadas para com-
bate à pandemia. Isso impede que os nossos colegas tenham acesso aos cuidados básicos de saúde.
Por outro, e no contexto SS, o acesso aos Centros Clínicos está cada vez mais dificultado, por razões também
conhecidas por todos. Infelizmente os contactos telefónicos com os mesmos centros ou com as linhas de atendi-
mento também não satisfazem as necessidades dos Sócios e Beneficiários.
O desafio que lançamos daqui aos Órgão de Gestão dos Serviços Sociais é o de que repensemos em conjunto
uma alternativa funcional que permita que os Sócios e Beneficiários, que estão fisicamente isolados, possam ter
uma linha telefónica dedicada ou um local na internet, dotados de técnicos (um médico e pessoal de enfermagem)
onde possam aconselhar-se e obterem, por exemplo, as recomendações e as prescrições médicas de que tanto
necessitam para sobreviver.

EM CONCLUSÃO:
A defesa dos SS é uma das preocupações dos Aposentados, muitos dos quais colaboraram ativa-
mente na sua criação. E isso foi feito numa época em que o movimento associativo era muito per-
seguido.
São os Aposentados os que mais sentem e sofrem com a instabilidade que se possa gerar à sua
volta. Não poderemos caminhar por aí…
Os Aposentados necessitam de ter uma representação mais expressiva nos Órgãos estatutários
dos Serviços Sociais e serem alvo de maior atenção na comunicação.
Estará na altura de retomarmos o projeto “Saúde 24 Sénior” no âmbito da atividade dos Serviços
Sociais.
Obrigado pela atenção e desejo de um bom dia de trabalhos

(ANAC)
Lisboa, 21 de novembro de 2020

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Grupo Europeu de Pensionistas das
Caixas Económicas e Bancos

(Associação sem fins lucrativos – NIF: G-53731964)

Estimados Amigos

Na Europa continuamos a sofrer as terríveis consequências da pandemia, que está a ter um grande
impacto geral; esperamos que todos vós vos encontreis bem, junto com as vossas famílias e os vossos
entes mais queridos.

Como sabem, a COVID-19 afeta especialmente as pessoas mais idosas ou seja, o nosso coletivo
social. Esta dura realidade restringe tanto a capacidade de movimento quanto o contacto e os relacio-
namentos pessoais; não obstante, dentro das normais limitações, todos tentamos manter a nossa ativi-
dade com normalidade.

Dado que, devido ao crescimento da pandemia, desconhecemos até quando se manterão as atuais res-
trições à mobilidade, comunicamos-vos que o XXVI EUROENCONTRO fica agendado para data futura
não fixada, até que seja possível realizar o nosso evento com as condições adequadas. Chegados a
esse momento informar-vos-emos oportunamente sobre a sua convocatória; estamos certos de que
estareis de acordo com esta decisão, forçada pelas circunstâncias adversas que todos sentimos.

Entretanto, a vida continua e temos de continuar avançando. Neste sentido a AGE, Plataforma Europeia
das Pessoas Idosas, remeteu um questionário aos seus membros para recolher um projeto para a sua
próxima estratégia de atuação. Da parte do nosso Grupo Europeu respondemos às perguntas que nos
colocaram, referindo que:

- A AGE deve ser o porta-voz das pessoas mais idosas, tanto junto dos Organismos Europeus
como com outros atores económicos e sociais;

- Há que assegurar a manutenção dos recursos suficientes para o conjunto de idosos, especial-
mente daqueles que se encontram em situação mais precária;

- Deve reconhecer-se o contributo voluntário que os aposentados realizam nas nossas sociedades;
é sem dúvida uma tarefa louvável mas nem sempre devidamente valorizada;

- A experiência dos mais velhos pode ser fundamental para a transmissão de conhecimentos para
os jovens, contribuindo para o progresso da nossa sociedade.

Igualmente, é necessário estabelecerem-se objetivos sobre temas prioritários e fazer o acompanha-
mento pontual dos mesmos. Quanto às prioridades de trabalho e projetos da Comissão Europeia enten-
demos que:

- É necessário trabalhar pelo desenvolvimento de uma política sanitária comum para todos os Esta-
dos-Membros. Há que trabalhar na construção de um sistema sanitário cuja cobertura se estenda
a nível europeu;

- Há que melhorar os cuidados às pessoas idosas, garantindo até ao final dos seus dias o respeito
que lhes é devido. Isso é ainda mais necessário em momentos especialmente críticos, como o da
pandemia que todos estamos a sofrer;

- A AGE deve contribuir para o desenvolvimento de uma economia ao serviço das pessoas e fazer
valer os direitos essenciais, atuando como representante de todo o nosso conjunto social. Nesse
sentido, é necessário um programa anual que desenvolva e ponha em marcha os planos de atua-
ção da Plataforma, possibilitando que todos os membros possam participar e dar contributos.

Por último, cremos que deveria estabelecer-se uma avaliação anual de resultados e potenciar a comu-
nicação mediante informações periódicas sobre o avanço dos trabalhos. Também seria conveniente a
criação de um boletim que desse voz às atividades desenvolvidas, mantendo-nos pontualmente infor-
mados.

Proximamente a AGE celebrará a sua Assembleia anual, de cujos resultados informaremos oportuna-
mente. Entretanto, tenham muito cuidados convosco e recebam uma saudação muito Amiga.

O Comité Executivo, Michel PAGEAULT Cândido Trabuco VINTÉM
Francisco RAMÍREZ MUNUERA 1º Vice-presidente 2º Vice-presidente

Presidente

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Delegação Norte da ANAC
Ao Postigo
Por Né do Covelo

Quem é o Autor? Quero ter muito dinheiro
Mas não quero ser ladrão:
Entre o forte e o fraco, entre o rico Antes quero ser banqueiro
e o pobre, é a liberdade que oprime Para não ir prá prisão.
a lei que liberta.

Caldo de Letras

Pontapés na bola e patadas na nossa inteligência

O provérbio popular que afirma que “o que é de mais é moléstia” vem mesmo a propósito, quando se
trata dos comentadores televisivos que tanto falam sobre pontapé na bola. Parece uma disputa a ver
quem mais disparata.
Dizia-se que no tempo do salazarismo que o futebol era o ópio do povo. Mas mudaram os tempos e ago-
ra é muito pior que ópio. A quem convém isto?
Liga-se a TV a qualquer hora e temos mais do mesmo. Graças a Deus, há sempre a excelente RTP2, para
não sermos bombardeados com futebolite. Muito se tem escrito e falado sobre estes excessos. Mas o
certo é que quem podia e devia intervir quase nada faz.

P.S.: Vejo por vezes canais espanhóis e nada de semelhante se passa ali, apesar de nuestros hermanos
terem os melhores clubes do mundo.

José Hélder ([email protected])
JN – 28 Agosto 2020

Viva o futebol

Vamos à farmácia e temos de esperar em filas de dois em dois metros. Vamos à padaria e temos de espe-
rar em filas de dois em dois metros. Vamos ao hipermercado e temos de esperar em filas de dois em dois
metros para entrar e de dois em dois metros para pagar na caixa. São proibidas todas as aglomerações
de pessoas para evitar contactos. Mas… Diz-se que o futebol poderá acabar com o distanciamento social!
Irão mesmo realizar-se jogos? E, a ser assim, os jogadores vão andar a dois metros uns dos outros? Não
haverá contactos, inevitáveis nos desportos colectivos? Se no futebol puder haver proximidade, já todos
poderemos ir aos magotes à farmácia, à padaria, ao hipermercado. Já poderemos beijar, abraçar, cumpri-
mentar e até fazer sexo. Viva o futebol, que vai libertar o voleibol, o basquetebol, o andebol, o hóquei, o
café, o cinema.

Américo Leite ([email protected])
JN – 14 Abril 2020

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Delegação Norte da ANAC

A VIDA E O TEMPO DE DEPOIS DO TEMPO NESTES DIAS DIFÍCEIS QUE NOS
ATORMENTAM

Porque o tempo não para e nunca pode voltar para trás, muitas vezes, quando nos damos conta:

- Sem saber como nem para onde, sem dar por ele, já nos fugiu entre os dedos aquele tempo que parecia dar para tudo e que nunca mais iria
acabar.
- A luz lânguida e passageira do fim de tarde já deu lugar à negritude de mais uma noite sem fim.
- Estamos no fim de mais uma semana que já passou, de mais um mês que terminou e de mais um ano que, sem dar por ele, já por nós passou.
- Passaram 50, 70 ou 80 anos e com eles, sorrateiramente, foi toda a nossa vida que com eles se esvaiu.
- Damo-nos conta de ter perdido um amigo, ter partido o amor da nossa vida, e vemos então que é já tarde para voltar atrás.
- Damo-nos conta das oportunidades irremediavelmente desperdiçadas, do deslumbramento do nascer do sol e da magia do entardecer não
vividas.
- Perdemos o encanto da irrequietude, da traquinice, da candura e dos beijos das crianças que, entretanto, cresceram e da beleza das flores que
não colhemos.
- Damo-nos conta de que perdemos o melhor do nosso tempo para ser felizes, para viver, para amar, para recordar, reviver e, porque não tam-
bém, para perdoar.

Por isso, por falta de tempo:
- Nunca deixes de fazer na hora tudo aquilo que te pode fazer feliz, dar satisfação, prazer e alegria, porque o depois pode nunca mais voltar.
- Nunca deixes de ter alguém junto de ti ou sentires-te só mesmo nas horas infindáveis e negras da solidão.
- Porque os teus filhos subitamente deixarão de ser só teus, vive intensamente com eles todo o tempo que o tempo te conceder para os acompa-
nhares.
- Porque o ontem já passou e o amanhã pode nunca mais chegar, tenta eliminar para sempre da tua vida o “Depois”.
- Nunca esqueças que o depois eu ligo…, o depois eu faço…, o depois eu falo…, o depois eu mando…, o depois se verá…, esses depois pode-
rão nunca mais acontecer.

Como se tudo se pudesse resolver depois, deixamos tudo para depois, esquecendo-nos tantas vezes que:

- Depois o café arrefece…
- Depois as prioridades mudam…
- Depois os encantos perdem-se….
- Depois o cedo se faz tarde e a melancolia passa…
- Depois as coisas mudam… e as surpresas aparecem...
- Depois… os filhos crescem… e a gente envelhece…
- Depois… o dia fica noite… e a manhã pode nunca mais voltar... a vida acaba e esse tal “depois” poderá nunca mais chegar.

Por isso procura:
- Nunca deixar nada para depois porque, enquanto se esperas pelo depois, perdem-se os melhores momentos, os melhore amigos e até os
melhores amores.
- Viver a vida intensamente sem pensar no dia seguinte, dia esse que pode nunca mais chegar, aprendendo com a sabedoria dos que nos ante-
cederam e nos ensinaram que: amanhã poderá ser tarde, nunca esquecendo a voz dos que nos precederam porque:

“A vida pode ser compreendida olhando para trás, mas tem que ser vivida olhando para a frente”. (KierKegaard)
“Na vida todos temos um segredo inconfessável, um arrependimento irreversível, uma ambição inatingível e um amor inesquecível. (Diego Mar-
chi)
“O homem não tem o poder de criar a vida, nem qualquer direito de destruí-la”. (Gandhi)
“A vida não é só existir. É existir e criar, saber disfrutar e sofrer e não dormir sem sonhar” (G. Maranon)
“A verdadeira sabedoria de saber viver consiste em eliminar tudo o que não indispensável” (Lyn Yutang)
“Temos que viver e não apenas que existir”. (Petrarca)
“O que é importante não são os anos da tua vida, mas sim a vida dos teus anos” (A. Lincoln)
“Faz de cada dia uma pequena vida”, (Q. Horácio)
“Em três partes se divide a vida: o passado, o presente e o futuro. O passado é certo, o presente é breve e o futuro é incerto”. (Séneca)
“A vida é demasiado curta para que a façamos mesquinha”. (B. Disraeli)
“A vida é fascinante. Só temos que a olhar através dos óculos corretos”. (A. Dumas)
“A vida não foi feita para que possas entendê-la, mas para que possas vivê-la”. (J. Santayana)
“A vida merece ser vivida com entusiasmo e alegria. É o dom mais precioso que possuímos”. (R. Tagore)

Porque amanhã poderá ser tarde, depois de ler esta mensagem, faz por ter tempo hoje para a compartilhar com os teus melhores amigos.
Neste contexto do nosso grande descontentamento, mesmo assim e até mais por isso, em substituição dos tradicionais votos de Boas-Festas,
peço a todos os meus estimados e queridos amigos e companheiros da já longa jornada das nossas vidas que, por favor, façam tudo o que esti-
ver ao seu alcance para que, mais uma vez e em família, com saúde, paz e alegria, possam todos viver em toda a sua plenitude, a mensagem de
amor, de fraternidade e de esperança, anunciada pelos anjos a todo o universo na noite santa do primeiro Natal, em que o filho de Deus feito
menino, portador dessa mensagem de boa nova, veio ao mundo e nasceu pobre no desconforto dum presépio na cidade de Belém.
E porque Natal é e sempre será Natal, com muita amizade, transcrevo um soneto maravilhoso da poetisa brasileira do MPNSP Ziver Ritta, com o
título:

A VELHICE Embora existam velhos neste mundo,

Cercado pelos netos envelheço, À espera apenas de morrer na cama,
Sem sonhos, ilusões ou desenganos. Velhice é tempo para alguns fecundo.
As rugas e os cabelos cor de gesso,
São obras mais do tempo do que danos.

Envelhecer, de certo, tem um preço, Pois esta vida, quando vale a pena,
Que a vida sempre exige dos humanos.
Mas é a única maneira que conheço, Dizia um sábio, quando a gente ama,
De viver durante muitos anos. É muito curta para ser pequena!

F. Costa Andrade (Membro do MPNSP, do GPLGSP e da ONE)

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PESTES, PANDEMIAS, EPIDEMIAS E OUTRAS DOENÇAS

Antes de falarmos sobre pestes, epidemias e pandemias deveremos precisar estes conceitos recorrendo
a quem sabe - a OMS (Organização Mundial de Saúde):
Peste é uma doença infeciosa causada pela bactéria Yersinia pestis. Existem três formas princi-
pais: peste bubónica, peste septicémica e peste pneumónica. Os sintomas mais comuns são febre, fra-
queza e dor de cabeça. Os sintomas geralmente começam a manifestar-se de um a sete dias após expo-
sição à bactéria.
Pandemia é um termo usado para uma determinada doença que rapidamente se espalhou por diversas
partes de diversas regiões (continental ou mundial) através de uma contaminação sustentada. Neste que-
sito, a gravidade da doença não é determinante e sim o seu poder de contágio e sua proliferação
geográfica. “Pandemia não é uma palavra para ser usada à toa ou sem cuidado. É uma palavra que, se

usada incorretamente, pode causar um medo irracional ou uma noção injustificada de que a luta termi-
nou, o que leva a sofrimento e mortes desnecessários”, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-
geral da OMS, durante a proliferação da Covid-19 em março de 2020.
É preciso destacar que Pandemia tem conceito diferente de Epidemia. As epidemias são classificadas
quando existe o aumento de casos até um máximo de infeções e depois uma diminuição dos mesmos.
Difere da pandemia que, grosso modo, ocorre em todo um continente ou em todo o mundo ao mesmo
tempo.

Mas será a COVID-19 a pior peste, pandemia ou epidemia pela qual o nosso país passou?
A resposta é simples, ou complexa, conforme queiramos.
Para os que nascemos e vivemos entre os séculos XX e XXI, a resposta é simples e é sim - por uma
razão muito óbvia (esta é a única que sentimos diretamente na pele e que afeta diariamente a nossa vida
e saúde).
No entanto a resposta é muito mais complexa se quisermos ser rigorosos. De forma nem científica nem
exaustiva recorremos à história para tentar ajudar a compreender como o nosso país foi afetado por elas
desde a sua fundação como Estado independente:

PESTES, PANDEMIAS, EPIDEMIAS E OUTRAS DOENÇAS EM PORTUGAL

ANO FACTO HISTÓRICO NOTAS E CONSEQUÊNCIAS
1188 Peste (Negra?) entra em Portugal
1202 Nova vaga da peste Morte de cerca de um terço da população do Reino
1223 Nova vaga da peste
As populações acreditavam que era um castigo divino. O medo do contágio levava a
1302 Vaga de lepra atinge o país que fosse pedido aos monarcas o afastamento dos doentes para espaços próprios,
as gafarias, localizadas fora de muralhas e geralmente invocando a proteção de S.
1312 Nova vaga da peste Lázaro, tal como aconteceu em Santarém em 1302. O Hospital-Colónia Rovisco
1348 Três formas da Peste Negra chegam a Pais (Tocha), inaugurado em 1947, foi a última leprosaria construída em Portugal.
Portugal (bubónica, pulmonar e intestinal), Destinava-se ao tratamento e estudo da doença, seguindo um modelo de interna-
1384 durante o verão, por via marítima mento compulsivo. Na década de 1970, devido aos avanços na cura da lepra, foi
encerrado.
1414 Uma nova variante de peste "ajuda" nas Morte e fome em todo o Reino
"Guerras Fernandinas" - teve particular
incidência sobre os castelhanos que cerca- 75 a 100 milhões de vítimas em todo o mundo (30% a 60% da população mundial).
vam Lisboa Em Portugal não existem dados mas terá tido a mesma incidência (mais de 30% da
Nova vaga de peste negra, trazida por bar- população). No Mosteiro do Lorvão morreu a maioria das monjas.
cos estrangeiros
Cerca de 150/200 mortos diários nas tropas sitiantes

Muitos mortos, incluindo a Rainha D. Filipa de Lencastre (19/07/1415, em Sacavém)

1423 Epidemia não identificada grassa na região
de Coimbra (provavelmente de varíola)
1437
1438 Surto de peste na região de Lisboa Muitas vítimas, incluindo o rei D. Duarte
1464
1466 Epidemia de origem desconhecida grassa
1468 na região Centro
Epidemia de origem desconhecida estendeu
-se a todo o país

Segunda vaga da epidemia

Vaga muito destruidora na região de Coim-
bra

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PESTES, PANDEMIAS, EPIDEMIAS E OUTRAS EM PORTUGAL (cont.)

ANO FACTO HISTÓRICO NOTAS E CONSEQUÊNCIAS
1469 Vaga muito destruidora na região de Lisboa
1478
1492 Surto muito destruidor na região de Évora A pandemia gera fome e esta potencia a pandemia. Em 1492 D. João II produz uma
1495 profunda reforma dos sistemas sanitários (quarentenas, rede de esgotos, criação de
1503 Nova vaga da pandemia, na região de Lis-
boa, onde fica durante 17 anos lixeiras, desinfeção de domicílios, etc)
1505
1514 O surto de peste alastra-se a Évora
1521
1569 Epidemia de origem desconhecida, em
consequência da fome originada pela
1579 devastação das sementeiras provocada por
tempestades
1598
Chega a Lisboa uma nau vinda de Roma e Em 1506 os cristãos novos foram acusados de propagar a doença e, por isso, mas-
1630 traz um foco de epidemia que chega até sacrados, tendo o ataque começado no Convento de São Domingos, no Rossio. D.
1645 Évora Manuel I manda vir de Veneza uma relíquia de S. Roque para proteger Lisboa. A
1647 Novo surto epidémico atinge Lisboa corte desloca-se para Almeirim
1658 Epidemia de encefalite letárgica, trazida do
1721 Norte de África, espalha-se em Lisboa. D. Manuel I manda construir cemitérios e equaciona a evacuação de Lisboa
1723 Alastrou ao Porto
1808 Entrada em Lisboa da "Peste Gran- D. Manuel I morre em consequência dela. Chegou a equacionar-se e evacuação da
de" (=surto forte da Peste Negra), importada população de Lisboa e do Porto
1833 de Veneza ou do Oriente
Mais de 60 mil vítimas só em Lisboa. Em 08 de julho de 1569 instala-se o pânico e
1861 Repetição da "Peste Grande" Lisboa ficou despovoada em três dias. Em 1570, depois da peste grande, Lisboa
1899 passou a celebrar anualmente uma procissão para agradecer o auxílio de São
1910 Início da "Peste Pequena" (=surto menos Sebastião e de Nossa Senhora da Saúde, que se mantém até aos dias de hoje.
grave da Peste Negra)
O surto agrava-se em meados de Outubro de 1579. Em Janeiro seguinte as autori-
Surtos de tifo e desinteria em todo o país e dades declaram-se incapazes para atalhar o mal, que então afetava já outras
depois de varíola regiões. A Corte desloca-se cada vez mais para norte, fugindo ao contágio. No prin-
cípio da Primavera o surto é agravado pela falta generalizada de recursos para
aquisição de alimentos e mezinhas, situação que piora até Maio.

A epidemia manteve-se durante cinco anos. O país será devastado por diversos
surtos de cólera, varíola e sífilis. O «mal de que Deus nos livre», a peste, chega a
Lisboa em 1598, numa urca proveniente da Galiza. Fez milhares de mortos, surgiu
em outubro de 1598, manteve uma grande virulência durante dez meses decrescen-
do, então, de intensidade. Porém, um ano depois recrudesceu, vindo a enfraquecer
progressivamente e desaparecendo, finalmente, em 1603.

Em 1631 são detetados casos de tifo e disenterias. Lisboa, Sintra e Cascais são
atingidas por picos de mortalidade em anos sucessivos. A cidade de Coimbra é
afetada por febre tifoide entre 1630 e 1632. De 1636 a 1637 a varíola junta-se a
febres de causa desconhecida de perfil endémico nas regiões de Lisboa, Alentejo e
Algarve.

Vinda de África, chega a "Peste do Algarve" Durou cinco anos e a população de Tavira foi reduzida em 10%

Novo surto de "Peste bubónica" Adquire grande virulência em Lisboa em 1649. Nesse ano afeta várias cidades
algarvias e até 1650 está presente em Silves, Faro e Loulé. Faro terá perdido entre
um quinto a um terço da sua população

Durante o cerco a Elvas, pelas tropas espa-
nholas, grassa o tifo exantemático

Primeiros casos de febre-amarela, provavel-
mente importados do Brasil

A febre-amarela espalha-se por Lisboa Vários surtos, de diversas intensidades, ocorreram durante 140 anos

Com as Invasões Francesas aparece um Provocou mais vítimas do que os combates resultantes das invasões
surto de tifo exantemático
Com origem no rio Ganges, a primeira epidemia chegou a Portugal, trazida por
Provavelmente trazida de Ostende por soldados estrangeiros que vieram apoiar as forças liberais na guerra civil portugue-
navios afetos a D. Pedro IV, aparece uma sa (1832-1834). Expandiu-se por todo o país, através da circulação de soldados,
epidemia de cólera no Porto e depois alas- comerciantes e pedintes, provocando mais de 40 mil mortos. Oito surtos, de diver-
tra a Lisboa sas intensidades, ocorreram durante 80 anos. Em 1910, a Madeira foi atingida por
um surto, afetando 35% dos habitantes da vila piscatória de Câmara de Lobos
Surtos de cólera e de febre-amarela em levando, em alguns casos, à morte de famílias inteiras. Em 1971, identificou-se um
todo o país foco no bairro do Alto da Margueira Velha (Almada), originado pela tripulação de um
Provavelmente vinda de Bombaim rebenta petroleiro que estava a ser reparado nos estaleiros da Lisnave.
no Porto uma epidemia de peste bubónica
Epidemia de cólera na Madeira O Rei D. Pedro V é uma das vítimas

Registados 320 casos, sendo 112 mortais. Uma das vítimas é o Dr. Câmara Pesta-
na

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PESTES, PANDEMIAS, EPIDEMIAS E OUTRAS EM PORTUGAL (cont.)

ANO FACTO HISTÓRICO NOTAS E CONSEQUÊNCIAS

1918 Pandemia da "Gripe Espanhola" ou Paralelamente apareceram surtos de tifo exantemático, varíola e difteria. Mais de
"Pneumónica" atinge todo o país, em três 100.000 vítimas em Portugal e entre 50 a 100 milhões em todo o mundo. A crise
socioeconómica agravou os efeitos da doença, impondo a requisição de produtos
vagas sucessivas, sendo a segunda (agosto alimentares e a criação de armazéns reguladores de preços para assegurar o aces-
so a bens de primeira necessidade. A Direção Geral da Saúde foi incumbida da
-outubro) a mais mortífera gestão da luta nacional contra a pneumónica, definindo as medidas profiláticas e
estruturando o sistema de assistência. Foram adotadas restrições à atividade eco-
nómica, entre as quais o encerramento de feiras e proibição das peregrinações.
Durante a pandemia, o Hospital do Rego – dedicado ao tratamento de doenças
infetocontagiosas – assegurou uma zona de isolamento com 500 camas. Foi refor-
çado com a abertura de enfermarias especializadas em hospitais provisórios, como
os instalados no Convento das Trinas, no Hospital de Arroios e no Liceu Camões.

1922 Epidemia de peste, nos Açores Houve 1.050 vítimas. Escolas primárias foram encerradas
1957 Vinda provavelmente de Moçambique, che-
ga a Lisboa a "Gripe Asiática" É um lentivírus que está na origem da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida,
1981 uma condição em seres humanos na qual a deterioração progressiva do sistema
HIV - Sida imunitário propicia o desenvolvimento de infeções oportunistas e cancros potencial-
2002 mente mortais. A infeção com o HIV tem origem na transferência de sangue, sémen,
Aparecimento da SARS (Síndrome Respira- lubrificação vaginal, fluido pré-ejaculatório ou leite materno. Na saliva a transmissão
2005 tória Aguda Grave), na China é mínima em termos estatísticos. Mais de 22 milhões de mortes em todo o mundo.
2009 Cerca de 61.500 casos em Portugal, dos quais 15.200 foram mortais (2019)
2019 - …. Aparecimento da "Gripe das Aves" (H5N1),
Diversos no Sudeste Asiático A SARS foi detetada pela primeira vez no fim de 2002 na China. Entre 2002 e 2003,
Recolha: Aparecimento da Gripe A (H1N1) um surto da doença resultou em mais de 8000 casos e cerca de 800 mortes em todo
(inicialmente chamada de "Gripe Suína"), o mundo. Desde 2004 que não há registos de novos casos da doença. Pensa-se
com origem no México que a doença tenha tido origem em gatos-de-algália infetados por morcegos e pos-
COVID-19 teriormente vendidos em mercados.
Atingiu principalmente os países asiáticos e contagiou 112 pessoas com uma taxa
Outras (Tuberculose, Malária,…) de mortalidade próxima dos 50%
Cândido Vintém
Cerca de 20% da população mundial afetada. Cerca de 500 mil mortes em todo o
mundo

Até ao momento com cerca de 5.000 vitimas mortais em Portugal e 1 milhão e meio
em todo o mundo. 62 milhões de infetados em todo o mundo (300 mil em Portugal)

Pandemias ainda ativas e que fazem vítimas em todo o mundo

Referências:

https://www.fcsh.unl.pt/
Rodrigues, Teresa Ferreira (Coord.) - História da População Portuguesa - Das
longas permanências à conquista da Modernidade (Ed. Afrontamento - Porto, 2008)

Revista Visão História edição nº 58 (abril de 2020)

Pesquisas na internet

lisboa cidade de encantos retirado da internet por Orlando Santos

O LARGO DO RATO, situado na freguesia de São Mamede, corresponde à alcunha de Luís Gomes de Sá e Menezes, perso-
nagem do século XVII, segundo padroeiro do convento das Trinitárias de Campolide e que deu o nome ao convento, ao sítio e
por fim ao arruamento. Esta artéria do sítio do Rato, conhecida por Rua Direita do Rato, passou mais tarde a denominar-se sim-
plesmente Rua do Rato. Em 1910 passou a denominar-se Praça do Brasil, regressando em 1948 ao topónimo Largo do Rato.
Graças à abundância de água proporcionada pelo Aqueduto das Águas Livres (a mãe de água fica bem perto), ali se fixaram,
durante o período pombalino, várias fábricas, entre as quais a de Jerôme Ratton, filho de comerciantes franceses, pioneiro da
indústria da fiação em Portugal e proprietário da Real Fábrica das Sedas.
O Largo do Rato, constitui um ponto de confluência, onde desembocam lugares de cruzamentos e vários caminhos. A antiga
Cotovia, agora Rua da Escola Politécnica, também ali entroncam a Rua do Salitre, proveniente das hortas de Valverde e Rua das
Pretas, o caminho de S. Bento, que nascia da Boavista próximo do Rio Tejo, a Estrada de Campolide, hoje Rua das Amoreiras e,
por fim duas estreitas azinhagas que levam uma ao Alto do Campo de Ourique, a atual Rua do Sol, e outra aos terrenos da quin-
ta dos padres Oratórios.
Fazendo parte da rede de fontanários de Lisboa, do século XVIII, o Chafariz do Rato foi inaugurado em 1744, sendo a obra atri-
buída ao Húngaro Carlos Mardel (1675-1763).
O abastecimento de água, provinha do Aqueduto das Águas Livres de Lisboa, de uma galeria que partia do reservatório da Mãe-
de-Água nas Amoreiras.
Apesar de muitas polémicas à volta da grande obra que foi o Aqueduto das Águas Livres, em 1748 as águas corriam já na maior
parte do novo aqueduto. No entanto só em 1799, ou seja 67 anos depois do início da construção, a obra é totalmente acabada.
Na construção deste fontanário foi usada pedra lioz e a sua balaustrada ladeada pelos muros que sustentam o Jardim da antiga
Quinta dos Duques de Palmela. As ruas do Salitre e da Escola Politécnica convergem para o Chafariz do Rato
Este chafariz construído para ser utilizado no abastecimento da população residente, ainda hoje pode ser observado, tendo rece-
bido recentemente obras de restauro e conservação.
Na atualidade, como local de passagem diária de milhares de veículos, o Largo é pouco agradável para os transeuntes, contra-

riamente ao que certamente aconteceria no século XIX.

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CIRCULAR DA MESA DA ASSEMBLEIA GERAL

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