Autobiografia/Rosa Maria
2016
Autobiografia
Rosa Maria Martins Dias
Rosa Maria Martins Dias
CLC5-Técnicas administrativas
03-11-2016
Autobiografia/Rosa Maria
Índice
Introdução..................................................................................................................................................... 3
Tudo começou assim… ............................................................................................................................3
Autobiografia................................................................................................................................................ 4
Infância ......................................................................................................................................................... 5
A escola ........................................................................................................................................................7
Segundo ciclo ...........................................................................................................................................8
Adolescência ................................................................................................................................................9
Dezoito anos ...............................................................................................................................................11
Paris ............................................................................................................................................................ 12
O Trabalho..............................................................................................................................................13
O casamento ...............................................................................................................................................14
Braga ..........................................................................................................................................................14
Primeiro Filho/a..........................................................................................................................................15
Segundo emprego ...................................................................................................................................16
Segundo Filho ............................................................................................................................................17
Desemprego ................................................................................................................................................ 19
Regresso à escola/formação....................................................................................................................20
Conclusão ...............................................................................................................................................20
A minha Família Atualmente .....................................................................................................................21
Autobiografia/Rosa Maria
Introdução
Até ter entrado nesta formação, nunca pensei escrever sobre mim. No entanto,
quando o assunto foi sugerido pela Dr.ª Lurdes, formadora de CLC5, dei comigo a
recordar passagens da minha vida: umas arrancaram-me alguns sorrisos, outras,
trouxeram à memória momentos menos bons.
Porém, todos fizeram parte da minha vida, do meu crescimento enquanto
pessoa, da minha existência, e por isso, ocupam lugar nas minhas memórias.
Tudo começou assim…
Casamento dos meus pais, 16-12-1961
Autobiografia/Rosa Maria
Autobiografia
Tudo começou assim…
Decorria a primavera de 1969, quando a oito de abril desse mesmo ano, numa
aldeia chamada “Pereira” concelho de Montalegre, distrito de Vila Real, nasci. Terceira
filha de um casal de agricultores, Manuel e Palmira, deram-me o nome de Rosa Maria.
Sei hoje (contado pela minha mãe) que as sugestões dadas pela madrinha eram bem
menos felizes (Maria Cândida ou Mª da Graça). Nasci em casa, como todos os bebés
que nasciam naquela época. No ano seguinte nasceu a minha irmã mais nova (Luísa)
e assim passamos a ser quatro irmãs, acabando desta forma o meu protagonismo.
Tia Eugénia comigo ao Eu e as minhas irmãs, Teresa,
colo/1969 Gena e Luisa /1971
Minha mãe e as quatro filhas/1971 Meu Pai/1971
4
Autobiografia/Rosa Maria
Infância
Cresci no seio desse meio rural, frio, rude e áspero. Onde havia escassez de
tudo. Escassez de água canalizada, de médicos, de eletricidade e de dinheiro. Contudo,
nunca faltou o principal: pão e amor, respeito e compreensão entre todos, que aliás ia
além do entendimento de algumas mentalidades mais retrógradas da aldeia.
Também nunca escasseou o trabalho, que era de sol a sol. Fossemos crianças
ou não, todos ajudávamos no campo, adequando-se as tarefas às possibilidades de
cada um. Aos mais pequenos, era dada a árdua tarefa de guardar o gado, mais
concretamente as vacas.
Pereira no Pereira atualmente/2016 A minha
Inverno/anos 90 aldeia/2016
O facto de meu pai ter emigrado para a Alemanha, à procura de melhorar as
nossas condições de vida, influenciou bastante a minha infância. Fiquei assim com as
minhas irmãs aos cuidados da nossa mãe e do meu tio-avô, a quem carinhosamente
chamávamos padrinho. Dormíamos todas no mesmo
sobrado1 ao lado da nossa mãe. O padrinho dormia noutro.
Tenho saudades dele! Tenho saudades desse tempo!
Quantos serões passaram a ouvir as suas histórias, de
lobos e raposas, ladrões e contrabandistas! Hoje
compreendo, era quase tudo invenção dele! Mas serviam
para alimentar o nosso imaginário e necessidade de aventura.
Televisão - o que é isso?- ainda não tinha chegado à aldeia. O meu tio-avô/1927
Tínhamos um rádio “Grundig” que o meu pai trouxera na
primeira vez que viera de férias “esse coiso que nunca se cala”
como lhe chamava o padrinho. Ele também perdera protagonismo, agora que os serões
eram passados a ouvir a rádio e ninguém podia falar ou passar em frente, fazia
interferência.
1 Quarto de grandes dimensões
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Autobiografia/Rosa Maria
Não foram tempos fáceis, eu e as minhas irmãs tínhamos saudades do nosso
pai. Quantas vezes obrigávamos a minha mãe a ler incessantemente as cartas que
chegavam da Alemanha carregadas de beijos e saudades. Aquele momento, em que
de lágrimas nos olhos a minha mãe lia e relia, omitindo muitos parágrafos “Muitos
beijinhos para a Gena e não te esqueças de ajudar a mãe, muitos beijinhos para a dos
cachinhos2 e para os olhos russos3”, forma carinhosa como me tratava a mim e à minha
irmã mais nova, respetivamente.
Hoje compreendo quanta emoção transpunha aquelas simples palavras.
Costuma vir para passar o Natal, cheio de chocolates e presentes e vinha
também no verão para ajudar a mãe e o padrinho no árduo trabalho do campo e
supervisionar a reconstrução da casa.
Três anos depois o meu pai regressou definitivamente. A vontade de correr para
o seu colo, era enorme, contudo eu e aminha irmã mais nova rejeitámos essa ideia.
Nem as bonecas, os chocolates, as roupas, que mais pareciam para princesas, nos
fizeram mudar de ideias. _ “É o pai, filhas.” – repetia a minha mãe, contudo, nada nos
demovia. De lágrimas nos olhos, o meu pai dizia _ “Só quero um beijo.” Três dias mais
tarde, depois de cortar a proeminente barba, ganhou os beijos e os abraços que já nos
sufocavam o peito. Contudo, agora tínhamos uma casa nova. Cada membro da família
tinha o seu quarto, tivemos assim a primeira casa de banho da aldeia que possuía uma
banheira, onde cabíamos deitados, (novidade por lá). Inicialmente, virou até atração
turística dos mais curiosos, principalmente as meninas, que inventavam estratagemas
para tomarem um banhito por lá.
2 Cabelos encaracolados
3 Olhos cinzentos
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A escola
Iniciei o meu percurso escolar em setembro de 1974, logo após o 25 de Abril. A
primeira memória que tenho da escola primária, é a retirada da moldura com a fotografia
de Marcelo Caetano e outra de Américo Tomás, mantendo-se apenas a Bandeira
Portuguesa e o cruxifixo, sendo que este último lá
permanece até hoje.
Passei quatro anos nesta escola! Recordo, com
alguma saudade a Sr.ª Prof.ª Celeste, de Vila Real, em
início de carreira, que, durante alguns anos, era alguém
que eu queria imitar.
Foi aqui que aprendi a ler, escrever, somar e Figura: Exemplo de uma sala de
aula antes do 25 de abril
subtrair. Num quadro de lousa preto, escrevíamos com giz
branco, que me provocava espirros. Treinar as contas de matemática era na lousa
pequena, assim, poupávamos o caderno. Os trabalhos de casa eram feitos muitas vezes
à luz da candeia de petróleo. Tantas vezes quantas viesse um trovão ou vento e assim
ficávamos vários dias sem eletricidade até que viessem os senhores da EDP. Também
não se estragava nada, porque o único frigorífico da aldeia era o da mercearia, que na
falha de corrente elétrica, refrescava através de um gerador. Dava choque sempre que
lhe tocávamos! Máquinas de lavar roupa não havia, acho que o único eletrodoméstico
era o ferro de passar. Não para todos! Telefone, só o público que ficava também na
mercearia. Privacidade, zero. Aquecimento, era a lareira que servia para aquecer as
casas, a água para cozinhar em potes de ferro e secar os fumeiros.
Escola da aldeia/encerrada em 2000 Figura: A lousa/ardósia onde
fazia os trabalhos de casa
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Autobiografia/Rosa Maria
Segundo ciclo
Terminada a 4ªclasse, ingressei na Escola das
Minas da Borralha, onde vim a concluir em 1982 o 6º ano,
que era até então o nível de escolaridade obrigatória.
Nessa altura todas as meninas tinham que usar
obrigatoriamente uma bata preta.
Acordava diariamente às seis horas e trinta, porque
o autocarro que nos levava, passava às sete. Percorria as
aldeias da freguesia a recolher os estudantes, e só
chegávamos à escola às oito. No final da manhã fazia o Foto da matrícula para 2º
percurso inverso, chegando a casa por volta das quinze ciclo/1979
horas.
Por mais que na altura eu quisesse continuar a estudar (e quanto eu queria!), o
humilde entendimento e os modestos recursos económicos dos meus pais, não o
permitiram, pois era preciso auxílio para as lides diárias comuns da agricultura. Mais
ainda, o facto de no 9º ano ter obrigatoriamente que ir estudar para Braga, visto ser o
local mais próximo com escolas adequadas para tal, foi outra condicionante à minha
continuação escolar. Assim, por imposição dos pais o período escolar encerrava o seu
ciclo.
À posteriori (quase uma década), foi aprovada uma lei onde a obrigatoriedade
do 9º ano passou a efetiva. Porem, chegou tarde para mim e para as minhas irmãs. É a
partir de 1986, que o ensino básico (universal, obrigatório e gratuito) passa a ter a
duração de nove anos, compreendendo três ciclos sequenciais. Assim, o 7º, 8º e 9º anos
passam a constituir o terceiro ciclo desse ensino.
Data de Nascimento Anos de Escolaridade
Anterior a 01/01/1967 4 anos
Entre 01/01/1967 e 31/12/1980 6 anos
Entre a 31/12/1980 a 31/12/1994 9 anos
Posterior a 31/12/1994 12 anos
Autobiografia/Rosa Maria
Adolescência
No iniciar da minha adolescência, a pedido de um casal de professores, amigos
dos meus pais, fui trabalhar para casa deles. Este conhecimento deveu-se ao facto de
a Sr.ª professora ter ficado hospedada na nossa casa enquanto foi professora primária
lá na aldeia. Fui então para Chaves, mais precisamente para Vila Verde da Raia, servir,
ou seja, ocupar-me da casa e das filhas do casal. Tinha nessa época pouco mais de
doze anos. Foi aí, que pela primeira vez vi televisão a cores e programas espanhóis,
pois em casa dos meus pais tinha chegado muito recentemente uma a preto e branco
que durou até meados dos anos 90.
Embora tivesse muito trabalho e responsabilidade para uma adolescente com
tão tenra idade, este trabalho onde recebia 3,500 escudos mensais, mostrou-me outras
perspetivas de vida, que até então desconhecia.
Isso, de algum modo, fascinava-me!
Aos fins-de-semana havia jantares e tertúlias que perduravam até altas horas da
madrugada. Normalmente a criticar o estado e a desejar que Álvaro Cunhal e a CDU
chegassem ao governo. De algum modo, eles previam o que veio a acontecer trinta e
quatro anos depois. Porem, esta nova realidade teve um fim repentino, a minha mãe
descobriu que fora a uma discoteca (na companhia
do dito casal e de uns amigos). E assim regressei
rapidamente à mesma pacatez da aldeia, onde
permaneci até perfazer dezoito anos.
Confesso, que tive dificuldade em me
readaptar à árdua vida do campo e aos seus
hábitos quotidianos principalmente porque a
cultura aldeã diferia tanto dos meus novos ideais e
da minha realidade anterior. Juntar palha/1988
Assim, ao passo lento que a vida se
desenrolava, eu sonhava em sair dali. Sentia-me descolada, a minha vontade de saber
mais, de descobrir outras vivências era um segredo que nem ao travesseiro podia contar
com receio que os meus pais descobrissem tal intenção. Assim, a ideia de sair dali logo
que fizesse dezoito anos tornou-se permanente e um objetivo a alcançar. A vontade de
sair para um meio urbano onde pudesse ganhar dinheiro amadurecia juntamente
comigo, sendo que mesmo tendo o namorado lá, essa ideia persistia.
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Autobiografia/Rosa Maria
Com os pais e irmãs/1985
Com o namorado, João/1986 João(namorado)1986
Com a turma da catequese/1986
Autobiografia/Rosa Maria
Dezoito anos
Muitas coisas tinham mudado nessa última década. Principalmente a nível da
tecnologia, todos tinham televisão, muitas a cores. Já havia telefones em várias
residências e os emigrantes, por terem normalmente mais posses, começavam a
construir casas mais modernas. Sentia-se uma mudança nos comportamentos e
mentalidades.
Em 1987, Aníbal Cavaco Silva acabara de ganhar a sua primeira eleição como
Primeiro-ministro. Foi a primeira vez que pude expressar o meu direito de voto. Porém
a instabilidade política da altura e a falta de oportunidades de emprego, fazia os jovens
procurar trabalho noutros países e assim imigrar para França ou Inglaterra.
Comecei a ponderar ir também. O facto de ter contactado com diferentes hábitos,
culturas e saberes, dava-me alguma segurança. Procurei a oportunidade e ela surgiu,
consegui também arranjar trabalho em França.
Com o coração a palpitar descompassadamente, expus a minha intenção aos
meus pais. Surpreendentemente reagiram bem, não disseram nada! Acho que foi da
surpresa! Mais tarde o meu pai disse que isso tinha que ser falado melhor. Três dias
depois, estávamos em Lisboa a tirar o bilhete de identidade que tinha caducado (não
havia loja do Cidadão) e nesse mesmo fim-de-semana, emigrei.
Assim, uns meses depois de fazer dezoito anos, em vez de ir para Braga estudar,
fui para França trabalhar. Se a ideia inicial dos meus pais, ao não me deixar prosseguir
os estudos, era eu não sair de casa, não sair da aldeia, a ideia revelou-se um fracasso.
Agosto de 1990 Paris, 1989 Paris, 1989
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Autobiografia/Rosa Maria
Paris
Dia dezoito de setembro de 1987, depois de dia e meio a viajar de autocarro,
cheguei a Paris.
Nesse mesmo dia descobri o que era sentir
saudade. Apenas algumas horas me separavam de
Pereira, dos pais, das irmãs e do namorado, mas já
parecia uma eternidade. Dei comigo a pensar, o que
é que faço aqui?
Os monumentos que tanto desejara ver, Em casa,21, Boulevard Lefevre/1988
Tour Eiffel, Le Pont de Châtelet, L’arc de Triomphe
e todos os outros, não me transmitiam agora grande
emoção. Eram tão, tão iguais a todos os postais que eu colecionava, que em nada me
surpreendiam.
Fiquei a morar no 15eme.n.º 21 Boulevard Lefevre .
Comecei a trabalhar de na segunda-feira seguinte. O entrave da língua não foi
fácil, mas trabalhar com crianças ajudou bastante e rapidamente fiquei a falar francês e
as bases que tinha de francês da escola também
ajudaram.
Mais uma vez, o contraste social, económico e
principalmente o salarial foi enorme. O movimento nas
ruas, a agitação, a correria para o metro; as
discotecas, salas de cinema, concertos, a primeira
viagem num comboio de alta velocidade (só pelo Avenue des Champs Ilisées/1988
prazer da viagem); a televisão com vários canais
(alguns de cariz pouco recomendado); o primeiro contacto com videocassete, jogos,
telefones com várias linhas e fax foram outras novidades para mim. Mais ainda,
confesso que ver homossexuais trocarem carinhos em público e foi um dos primeiros
grandes impactos que tive relativamente à vida cheia de tabus que se experienciava em
Pereira e até em Portugal.
Contudo, as saudades persistiam. Muitas vezes desejei estar novamente na
pacatez da minha aldeia. Talvez pela longínqua distância do namorado, encurtada, às
vezes, com algumas viagens a trabalho da parte dele. Passei, assim, a ter outro objetivo,
as férias em Portugal.
Autobiografia/Rosa Maria
Trocadero/ Champs de Mars1988/89
O Trabalho
Pouco a pouco fui-me adaptando e fazendo amizades. Amava Paris e tudo o que
ela me dava, liberdade.
Não tinha que dar satisfações de nada, nem a ninguém. Definir os limites ou o
que era certo ou errado só dependia de mim, mas isso assustava-me, contrastava tanto
com o que estava habituada. Porém acabei sempre por tomar boas decisões.
Trabalhei muito, como babysitter, femme de menage e rececionista, sempre bem
remunerada. Trabalhei sempre para médicos judeus relacionados com a área da
Endocrinologista e Sexólogo infantil, pelo que convivi com vários tipos de religiões,
credos, nacionalidades e características diferentes, o que fez de mim uma pessoa mais
tolerante às diferenças e peculiaridades. Aprendi muito enquanto estive a trabalhar para
o Docteur Roger Eisenberg. Ainda mantenho contacto com eles.
Posso afirmar que foram anos maravilhosos, que recordo com muita nostalgia!
Porém, o namoro evoluiu para noivado, o que levou à compra de casa em Braga,
local onde o futuro marido tinha aberto um negócio, no ramo da hotelaria. Com isto
regressei, em julho de 1990, para casar em agosto desse mesmo ano.
Doc. Roger e família/junho1990 Com o amigo Amadeu/1990 Com o amigo Rui/1990
Autobiografia/Rosa Maria
O casamento
Casamento a 04-08-1990
Braga
Passados os primeiros momentos de euforia do casamento, da casa nova e das
férias, há que voltar à realidade.
Não precisei procurar emprego. Estava garantido na sapataria de uma das
minhas cunhadas, Sapataria Camila, Centro Comercial dos Granjinhos, inaugurado
nesse ano. Novamente, vi-me sujeita ao contraste sociológico. Regredi no tempo. Braga
parecia uma aldeia comparativamente a Paris. Então o salário que recebi no final do
mês, estava a léguas do que recebia em Paris, 35 mil escudos (salário mínimo na altura,
equivalente a 165 euros), para quem recebia 6 500 F, que equivalia a 150 mil escudos
(hoje, 750 euros), foi um balde de água fria. Com isso, tinham que viver três pessoas.
Sim, por que foi viver connosco um irmão do meu marido.
Mais tarde, para além do salário tinha dois por cento de comissão nas vendas, o
que ajudava a engrossar o modesto salário. Nessa altura, por volta de 92/93, com o
intuito de organizar o Stock da loja, adquiriu-se um computador, com um programa
especializado para tal. Mas, a bem verdade, não teve grande sucesso como tal. Foi aí
o meu primeiro contacto com um computador.
Autobiografia/Rosa Maria
Primeiro Filho/a
Em um de julho de 1995, aconteceu aquilo
que de mais maravilhoso pode acontecer.
Fui mãe pela primeira vez. Depois de uma
gravidez tranquila, mas com muitos
enjoos, de 13h em trabalho de parto,
nasceu, às 16h com 3,450 Kg e 52 cm, a
menina mais linda que eu podia desejar.
Por vontade do pai chamamos-lhe Diana.
A minha filha Diana/1996 Não consigo aqui descrever o turbilhão de
emoções e mudanças que este maravilhoso
acontecimento causou na vida do casal em geral e na profissional em particular. Foram
muitas!
Profissionalmente, à época, acumulava duas profissões, era responsável pela
loja e empresária em nome individual, no ramo da agricultura. Por força desta última, vi-
me obrigada a escolher. Optei pela segunda. Tinha mais tempo livre para a bebé e saía
mais lucrativa.
Ainda em licença de parto tive que ir para Montalegre, frequentar um curso de
jovens empresários agrícolas, obrigatoriedade de quem fazia projetos financiados pelos
fundos Europeus. O curso com duração de 540h era responsabilidade do IFADAP
(Instituto de Financiamento e Apoio ao Desenvolvimento da Agricultura e Pescas). Para
isso, passei seis meses em casa dos meus pais, só regressava a casa aos fins de
semana. Levava a minha filha para a formação e passou a ser a mascote da turma.
Quando, em janeiro de 1996 regressei a Braga, precisava de emprego para
colmatar as despesas. Fui para a construtora Marques & Barroso, Lda., propriedade de
um familiar, com a função de secretária a tempo parcial, assim, tinha um salário, restava-
me tempo para a casa e para a família.
Autobiografia/Rosa Maria
Segundo emprego
Com a entrada da minha filha no infantário,
comecei a equacionar a possibilidade de voltar a
trabalhar a tempo integral. A minha procura ia para
a área comercial, que me fascinava e na qual tinha
mais experiência.
Comecei a trabalhar na boutique Lady Anna,
que tinha dois estabelecimentos, um no Rechicho e
Eu, o João e a Diana, Lago dos outra no Shopping Santa Cruz. Fiquei no segundo.
Cisnes/1996 Depois de alguns dias da adaptação ao espaço,
sentia-me como peixe dentro de água. Ganhava sessenta mil escudos, mais dois por
cento nas vendas. Ficava com um salário razoavelmente bom e era a cinco minutos de
casa. Fui-me acomodando, porém, o salário que inicialmente era atrativo, deixara de o
ser, tinha ficado congelado no tempo. Passados oito anos continuava o mesmo, com
uma agravante, tinha entrado em circulação o euro. O poder de compra tinha baixado
bastante pelo facto da elevada inflação dessa época.
A cidade estava em crescimento, o comércio crescia a olhos vistos. Na área
circundante abriram imensas lojas do ramo e assim a Lady Anna foi perdendo clientes.
As novas tecnologias invadiam o mercado e quem não se modernizava, perdia poder
de competição. Foi o que aconteceu. Por consequência o valor adquirido com a
comissão era menor, comecei a pensar sair de lá.
Achei que era a altura certa para engravidar novamente. A minha filha já tinha
nove anos, o negócio do meu marido estava na sua plenitude, por isso reuníamos as
condições necessárias. Engravidei.
Salto, Montalegre/2003 Com o marido/2004 Gravida do Diogo com 8
meses/dezembro 2005
Segundo Filho Autobiografia/Rosa Maria
Diogo/2005 O Diogo nasceu a nove de janeiro de 2005, às 10:10
da manha de domingo, no ainda Hospital de S. Marcos com
3,250kg e com 50 cm. Foi um parto complicado, 14h de
trabalho de parto, sem epidural, essa só era ministrada
durante a semana. Porem, no final tudo deu certo! O Diogo,
chamámos-lhe assim por vontade da irmã, era uma fotocópia
dela e passou a ser o nenuco da Diana. Mais uma vez, todas
as sensações maravilhosas da maternidade, indescritíveis,
diferentes, mas vividas com muita mais tranquilidade e
sensatez.
Diana com o Diogo no dia do Diogo a estrear a nova casa/maio 2005 Café Colombo, a família/2005
nascimento, 09-01-2005
Com o crescimento do agregado familiar, havia necessidade de comprar uma
casa maior. Assim fiz. Aproveitando a licença de maternidade para poder proceder à
mudança. Muito trabalho, muitas compras para a nova casa. A tecnologia tinha evoluído,
por isso, havia a necessidade de adaptar a casa à nova tendência. Os dias eram repletos
de tantos afazeres. Entre mudanças de fraldas do Diogo, da correria de levar a Diana à
escola, da cirurgia (ao coração) da minha mãe e tudo o que isso envolveu, não me
apercebi que os meses tinham passado.
Chegado o fim da licença de maternidade, tinha que voltar ao trabalho. Mas, pelo
facto de o salário ser baixo e o do meu marido fazer completamente face às
necessidades da família. Decidimos que não voltava ao trabalho. Entrei amigavelmente
em acordo com a entidade patronal e fiquei a cuidar da casa e dos filhos.
Assim foram passando os anos.
Autobiografia/Rosa Maria
Com o Marido/2007
Portugal dos Pequeninos/ 2008 Família/2008
Pereira no inverno de 2010 Pereira no inverno 2010
Serra das alturas, dezembro 2014 Sameiro-Braga em maio de 2013
Autobiografia/Rosa Maria
Desemprego
Quando me apercebi, estava com quarenta e alguns anos, com uma família
maravilhosa, mas insatisfeita profissionalmente. Percebi o quanto estava desatualizada,
principalmente no que respeitava ao TIC. Estava oficialmente desempregada e sem
qualquer perspetiva de emprego.
Setembro 2014
As ofertas de emprego escasseavam e as exigências das entidades
empregadoras eram cada vez mais. Senti-me completamente desatualizada. Nesse
contexto, inscrevi-me no IEFP, para formação em TIC, curso que frequentei na Nexus.
Nessa altura a crise mundial afeta em cheio o país. Todavia, Braga, enfrenta
ainda mais uma crise, a mudança das instalações do Hospital. O centro da cidade sofre
uma bombástica baixa de clientes. Com o encerramento do Hospital de S. Marcos,
verificou-se uma desertificação atroz naquela zona, as lojas começaram a fechar e os
comerciantes entram em desespero. São poucos os que conseguem fazer face a esta
situação. As multinacionais centralizam as suas superfícies nos grandes centros
comerciais, aumentando ainda mais a desertificação. Com isto, vemos o negócio do
meu marido sofrer um retrocesso enorme.
O capital adquirido até então, foi investido noutro estabelecimento e os
funcionários foram divididos pelas duas casas.
Autobiografia/Rosa Maria
Regresso à escola/formação
Percebendo a necessidade de me readaptar às novas exigências do mercado,
decidi em 2014 inscrever-me no IEFP, para fazer equivalência ao 9º ano com dupla
certificação na área de comercial. Nem sempre foi fácil, readaptar a vida familiar aos
horários e às exigências do curso. A turma, bastante atípica, também não facilitou. Mas,
com persistência e muita força de vontade, concluí com muito bom aproveitamento.
Prevendo o que o futuro me reservaria, visto o mercado de trabalho idealizar um certo
perfil para os seus colaboradores, que não corresponde à minha fisionomia atual, fiquei
com a convicção que, na possibilidade de não obter emprego depois do estágio,
prolongaria a minha aprendizagem para o 12º ano.
Conclusão
Naquele dia, tinha acabado de fazer quarenta e dois anos. Ao olhar-me ao espelho, pela
manhã descobri algo que nos últimos anos não tinha reparado. O tempo tinha passado,
e passado tão rapidamente, que não tivera tempo de me ver envelhecer. Naquele dia,
vi outra mulher que eu não reconheci. Vi cansaço, desilusão e descontentamento.
Então, tomei uma decisão, mudar.
Deixei de pensar tanto nos outros e passei a pensar mais em mim. Porque afinal também
existo, também tenho vontades e sentimentos. Saí de casa com uma convicção,
aprender. Por isso, fui à Nexus e inscrevi-me para um curso de formação. A partir desse
momento, a minha vida mudou. Naquele dia de manhã, um olhar diferente ao espelho,
deu outro sentido à minha vida. Nunca é tarde para aprender! Como alguém dizia
“Vivemos a aprender e morremos sem saber”.
Assim, nesta longa e incessante caminhada da vida, eu tento reter e aprender, para um
dia poder dizer, vivi, cresci e aprendi. Contudo, concluo que por vezes parece que nada
sei, neste mundo onde tudo muda a todo o momento.
Em suma, aqui estou eu a dar seguimento a essa convicção.
Autobiografia/Rosa Maria
A minha Família Atualmente
Anos 2014/ 2015e 2016