Por outro lado, a expansão dos fluxos de capital se deu em virtude dos investimentos
estrangeiros em determinados países de economia periférica que passaram a ser de-
finidos no âmbito mundial como países emergentes, em função dos interesses desses
investidores internacionais. Na América Latina da década de 1990, por exemplo, o
Fundo Monetário Internacional (FMI) firmou acordos econômicos com os governos
do Brasil, da Argentina e do México, nações então com altas dívidas e com políticas
econômicas que previam a abertura de suas economias ao capital estrangeiro.
Em um primeiro momento, no entanto, os investimentos diretos nesses países
restringiram-se majoritariamente a aplicações em bolsas de valores (investimentos
especulativos), que ofereciam oportunidades de lucro no curto prazo. Os benefícios
desse tipo de negociação ficavam, sobretudo, para os países desenvolvidos, que, além
de lucrar, vendiam suas ações ao menor sinal de instabilidade econômica, causando
danos financeiros importantes às nações emergentes.
Do ponto de vista dos países emergentes, esse quadro se alterou quando foram
criadas condições para atrair investimentos produtivos dos países desenvolvidos,
como a implantação de filiais de empresas multinacionais, a compra de empresas
nacionais e a privatização de setores estratégicos. No final do século XX (20), o
Brasil optou por privatizar empresas dos setores de mineração e, principalmente,
toda a infraestrutura de geração e distribuição de energia elétrica, telecomunicações
e transportes; o setor financeiro também se abriu ao mercado internacional, inclu-
sive com a privatização de bancos. Para isso, o País flexibilizou as regras para receber
em seu território companhias estrangeiras, cobrando delas menos impostos e ofere-
cendo-lhes ainda outras vantagens financeiras, a exemplo da possibilidade de pagar
salários menores que aqueles vigentes em seus países de origem.
No entanto, para garantir sua competitividade em escala mundial, parte dessas
empresas multinacionais instituiu políticas que levaram ao crescimento da flexibi-
lização das relações de trabalho, fosse pelo aumento do trabalho informal, fosse pela
expansão da terceirização, soluções que oferecem menores custos às empresas e
menos benefícios aos trabalhadores.
A população dos países que fizeram tal opção política vivenciou a ampliação da
precariedade dos vínculos trabalhistas, maior instabilidade nos empregos e crescente
vulnerabilidade social diante das mudanças econômicas e políticas internacionais.
Aumentou também a pobreza, em razão da redução de investimentos sociais e do
fechamento de fábricas nacionais incapazes de concorrer com os produtos importados.
Fonte: SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia
(Sdect). Educação de Jovens e Adultos (EJA) – Mundo do Trabalho. Geografia, História e
Trabalho: 8º ano/3º termo do Ensino Fundamental. São Paulo: Sdect, 2013.
50 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1
Atividade 2 © Angeli - Folha de S. Paulo 20.06.2000
Globalização e (des)igualdade social
1. Leia a frase a seguir.
[...] as pessoas e os grupos sociais têm o direito a ser iguais quando a
diferença os inferioriza, e o direito a ser diferentes quando a igualdade
os descaracteriza.
SANTOS, Boaventura de Sousa. Por uma concepção multicultural de direitos
humanos. Revista Crítica de Ciências Sociais, n. 48, jun. de 1997. p. 30.
2. Agora, observe a charge do ilustrador Angeli.
51 A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão
3. Em grupo, discutam, seguindo o roteiro:
a) O que é globalização?
b) A frase lida e a charge observada estabelecem relação com o fenômeno da globa-
lização? Por quê?
c) A globalização alterou o modo de vida das pessoas? Por quê?
d) E no trabalho, quais foram, na opinião do grupo, os efeitos causados pela globa-
lização?
e) Recupere as respostas sobre a globalização que você elaborou ao iniciar esta
Unidade. Observe: Ela foi alterada após o estudo do tema? Debata com seus
colegas a respeito.
Atividade 3
Assim é...se lhe parece
Vamos finalizar esta Unidade realizando uma reflexão com base na ilustração de
Nelson Leirner sobre a globalização, que você verá na próxima página.
52 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1
A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão 53 © Nelson Leirner. Assim é se lhe parece, 2003. 110 cm x 200 cm.
Foto: © Galeria Bolsa de Arte/Porto Alegre
1. Observe os detalhes em cada continente.
2. Qual legenda você daria para essa ilustração?
3. Escreva uma redação inspirando-se na ilustração e com base no que estudou na
Unidade. Não se esqueça de dar um título ao texto.
54 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1
Unidade 4
O mercado de trabalho
Quando se fala em almoxarifado e estoque, o que vem à sua
mente? É possível que você pense em quais são os papéis que os
trabalhadores dessa área desempenham, no que é necessário co-
nhecer para desempenhar a ocupação de almoxarife e estoquista,
em como se dá a organização das mercadorias, se as funções
exercidas por esse profissional se alteram, de um local para outro,
conforme o tipo de empregador, entre outras questões.
Para começar a refletir sobre o assunto, nesta Unidade você
conhecerá quem são os possíveis empregadores desse profissio-
nal no mercado de trabalho.
As áreas de atuação
Vamos pensar sobre os empregadores. A Classificação Brasilei-
ra de Ocupações (CBO) apresenta um resumo no qual estão
registradas mais de 2 mil ocupações que existem no País, assim
como dados sobre a qualificação necessária para o desempenho
de cada uma, as atividades que compõem o trabalho desses
profissionais etc. Caso você não a conheça, procure visitar o site
do Ministério do Trabalho e Emprego, pois as informações
oferecidas são muito úteis.
Se você fizer uma pesquisa na CBO, verá que os tipos de em-
pregador ou locais de trabalho para um almoxarife e estoquista
podem estar presentes em:
• diversas empresas industriais;
• no comércio;
• no setor de serviços.
Apesar de ser mais comum as grandes empresas oferecerem vagas
nessa área, não se pode desconsiderar que pequenas e médias
empresas também se beneficiam dos conhecimentos desses pro-
fissionais. É grande a chance de que o trabalho desenvolvido seja
55 A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão
© Cathy Yeulet/123RFdiferente em cada tipo de estabelecimento em que poderão atuar. Por isso, a des-
crição das atividades que consta na CBO é bastante ampla para poder contemplar
as variações que ocorrem nas diversas alternativas de trabalho. De maneira seme-
lhante, o porte das empresas também fará com que haja muitas diferenças no dia
a dia do profissional.
Então, lembre-se: no momento de buscar emprego, considere encaminhar seu currícu-
lo também para empresas de pequeno e médio portes, sabendo, de antemão, que
o trabalho será diferente de acordo com o porte da empresa, assim como em relação ao
setor de atividade ao qual pertence. Ainda que, em todas as situações, a base do trabalho
seja a mesma, ela é composta de inúmeras fases, etapas ou processos interligados. Cada
empregador tem suas particularidades e, conforme a colocação que obtiver, você pode-
rá realizar outros cursos mais específicos na área em que quer atuar.
Para uma boa formação, é importante saber que profissional você quer ser e quais
são as possibilidades para ingressar no mercado de trabalho na área. Portanto, você
pode começar esse percurso fazendo-se a seguinte pergunta: Onde eu gostaria de
estar trabalhando daqui a quatro meses? Você se imagina trabalhando como auxi-
liar de almoxarifado ou estoquista? Como você se vê? Onde estará trabalhando? São
muitas as possibilidades e, certamente, você deve ter imaginado outras tantas.
Conferência: uma importante atribuição do almoxarife e do estoquista.
O que diz o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) sobre os
profissionais que atuam em almoxarifado e estoque
A Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) do Ministério do Trabalho e Em-
prego é um documento que orienta os empregadores a escolherem a forma correta
de registrar os empregados nos postos de trabalho.
É importante saber que, caso realize uma atividade mas está registrado em outra, ou
registrado de forma incorreta, é possível recorrer à Justiça para fazer valer seus direitos.
56 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1
A CBO é atualizada de tempos em tempos, principal-
mente porque o trabalho se altera com frequência e,
assim, novas profissões e ocupações vão sendo criadas.
Por exemplo, no passado não existiam profissionais da
área de informática, pois eles foram surgindo com o de-
senvolvimento tecnológico.
No caso das ocupações de almoxarife e estoquista, o
documento do Ministério indica que elas requerem En-
sino Médio completo e curso básico de qualificação.
Veja que a função de almoxarife, assim como as demais
ocupações, possui um código, e são várias as denomina-
ções que ela pode ter:
4141-05 - Almoxarife
Auxiliar de almoxarifado, Conferente de mercadoria, Controlador de
almoxarifado, Encarregado de estoque, Encarregado de expedição,
Estoquista.
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Classi-
ficação Brasileira de Ocupações (CBO). Disponível
em: <http://www.mtecbo.gov.br/>. Acesso em: 23
abr. 2015.
A CBO informa que os profissionais que atuam nessa Você sabia?
área devem:
A descrição de cada ocu-
• recepcionar, conferir e armazenar produtos e materiais; pação da CBO é feita pe-
los próprios profissionais
• verificar notas fiscais; da área.
• descarregar produtos; Dessa forma, há a garan-
tia de que as informa-
• encaminhar materiais para armazenagem; ções foram dadas por
pessoas do ramo e que,
• conferir quantidades; portanto, conhecem bem
sua ocupação.
• checar códigos de barra e unidade de venda do pro-
duto; entre outras. Você pode conhecer esse
documento na íntegra
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Classificação acessando o site em casa
Brasileira de Ocupações (CBO). Disponível em: <http:// ou no laboratório de in-
www.mtecbo.gov.br/>. Acesso em: 23 abr. 2015. formática. Disponível em:
<http://www.mtecbo.gov.
br>. Acesso em: 23 abr.
2015.
57 A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão
De forma resumida, a CBO indica como requisitos para esses profissionais:
Formação/qualificação Almoxarife e estoquista Atividades profissionais
profissional Atitudes pessoais
Ensino Médio completo Ser: Classificar itens
Qualificação básica Organizado Armazenar, conforme
Criativo características do produto
Dinâmico Pesar produtos quando
Concentrado necessário
Fonte: BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Classificação Brasileira de Ocupações
(CBO). Disponível em: <http://www.mtecbo.gov.br/>. Acesso em: 23 abr. 2015.
Antes de realizar a Atividade 1, leia as dicas a seguir para estudar melhor.
Muita gente pensa que estudar é apenas uma questão de memorizar informações, que é um dom, uma
atividade que todos nascem sabendo, que não precisa ser ensinada. Mas isso é um engano. O estudo é
uma ação que requer técnica, e, portanto, exige um “saber fazer” que se aprende facilmente.
Quando você tem de se preparar para fazer alguma prova ou concurso, ou decide ler para aprofundar-se
em algum tema, é preciso realizar uma série de ações que envolvem diferentes formas de estudo. É
necessário verificar e comparar anotações sobre o tema que está sendo estudado; buscar causas e con-
sequências dos fatos, escrever textos, como roteiros, relatórios, resumos, comentários; ler e construir
tabelas e gráficos; fazer pesquisas; participar eventualmente de debates e de mostras culturais.
Todas essas formas de estudo, muito comuns no universo escolar, devem ser ensinadas e praticadas.
Pode-se dizer que estudar, na escola, exige técnica e disciplina. Ter disciplina, ao contrário do que muitos
pensam, ajuda a criar e recriar ideias em vez de apenas memorizá-las e repeti-las. Estudar textos não é
repetir o que os outros dizem.
Mas como fazer então? Vamos ver maneiras de estudar os textos que lemos, para aprender com eles,
começando por distinguir tema de título.
Tema e título
Você já parou para pensar que tema e título são coisas diferentes? Que quando se pergunta “qual é o
tema do texto?”, não se está perguntando qual é o título dele?
Para que fique mais clara a diferença, você deve saber que tema: é o assunto sobre o qual o texto vai tratar;
é a ideia que será desenvolvida no texto; é a resposta que damos à pergunta: “De que trata este texto?”.
Já o título é um rótulo, um emblema, proposto pelo autor do texto. O título, apesar de se relacionar ao
que é tratado no texto, não é propriamente o assunto, mas o que pode despertar no leitor a vontade de
ler o texto. É uma frase geralmente curta, colocada no início; é uma referência ao que será abordado no
texto; procura ser instigante, para atrair os leitores e, na maioria das vezes, não contém um verbo.
Leitores grifam ou sublinham trechos de um texto por vários motivos. Para marcar o que chama a aten-
ção ou o que consideram interessante, para destacar trechos relacionados a um objetivo específico de
leitura, como encontrar uma informação, uma definição, um conjunto de argumentos ou conceitos. As
razões para grifar podem variar, mas há algumas dicas que você pode colocar em prática sempre que for
necessário grifar ou sublinhar um texto. As dicas são as seguintes:
58 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1
• A ntes de grifar, é fundamental ler o texto inteiro pelo menos uma vez. Quando você conhece o texto,
fica mais fácil perceber como ele está organizado e o que precisa destacar de acordo com os objetivos
de sua leitura.
• G rife apenas o essencial, de preferência ideias completas. Mas evite grifar parágrafos inteiros, pois o
grifo perde sua função se o texto está todo marcado.
• Há parágrafos que têm a função de retomar ideias já apresentadas; outros apresentam exemplos.
Nesses casos (ou quando há alguma repetição) não é necessário grifar as ideias, mesmo que tenham
sido apresentadas de um jeito diferente.
• É possível também grifar ou sublinhar apenas palavras-chave, ou seja, termos importantes. Mas nesse
caso convém escrever na margem do texto as ideias completas que as palavras marcadas representam.
Sentar-se para ler textos das diferentes disciplinas, para aprimorar os conhecimentos ou buscar informa-
ções pode se tornar uma maneira prazerosa de fazer descobertas. Conhecendo e principalmente prati-
cando alguns procedimentos de estudo, você poderá interagir mais com os textos que lê e aprender
muito com eles.
Fonte: SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e
Tecnologia (Sdect). Educação de Jovens e Adultos (EJA) – Mundo do Trabalho.
Arte, Inglês e Língua Portuguesa: 7º ano/2º termo do Ensino Fundamental. São Paulo: Sdect, 2012.
Atividade 1
Conhecendo o mercado de trabalho
1. Com base nas recomendações de estudo feitas no quadro apresentado, leia o
texto a seguir.
2. Sublinhe ou anote as palavras que não conhece para depois procurá-las no dicionário.
3. Em um segundo momento, volte para a leitura e, grifando, destaque as ideias
que considera mais importantes no texto.
Almoxarifado: Qual a sua Importância na Empresa?
O almoxarifado é o local responsável pela guarda de materiais, de
forma organizada e sincronizada para que os produtos sejam dispo-
nibilizados com agilidade sempre que solicitados. Este local, geral-
59 A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão
mente na maioria das empresas, é responsável por boa parte do in-
vestimento financeiro. Quando se pensa em almoxarifado, imagina-se
um local grande e cheio de objetos, com gente treinada e capacitada
executando tarefas integradas e seguras. Mas, nem sempre essa é a
realidade. Muitas vezes, o Almoxarifado transforma-se num local onde
as coisas e as pessoas se perdem, sem sequer dar conta do mal que
estão fazendo a si e à organização.
Lopes, Souza e Moraes (2006) destacam que o almoxarifado é o local
responsável pelo recebimento, armazenagem, expedição e distribuição
dos materiais. Pode ser um local coberto ou não, com condições climá-
ticas controláveis ou não, com alto nível de segurança ou não, tudo
dependendo do tipo de material a ser acondicionado e das normas ne-
cessárias para o correto acondicionamento, localização e movimentação.
A função maior do almoxarifado é manter uma empresa sempre abas-
tecida de seus bens de consumo, ou seja, fornecer de forma contínua
e sem interrupção materiais e matérias-primas para as diversas uni-
dades produtivas e administrativas da empresa.
Todos nós somos capazes de avaliar os transtornos que as questões
políticas trazem para o setor de compras, que é quem dá “oxigênio”
ao almoxarifado. No entanto, não podemos deixar de estabelecer uma
conduta capaz de defender, mesmo que minimamente, a questão de
suprir as unidades daquilo que necessitam.
Para que um almoxarifado funcione de forma confiável é necessário
que exista acurácia, que é um substantivo, sinônimo de qualidade e
confiabilidade da informação, cujo adjetivo “acurado” significa feito
ou tratado com muito cuidado. Para a logística o mesmo possui o
seguinte significado: “Grau de ausência de erro ou grau de conformi-
dade com o padrão”. Manter corretas as informações sobre saldos em
estoque é um dos grandes desafios mais ainda quando buscamos
trabalhar com níveis enxutos e com elevadas frequências de acessos,
isto é, mais e mais recebimentos e apanhes, isto aumenta o risco da
imprecisão nos registros das respectivas transações.
A correta gestão de um almoxarifado implica na aplicação de métodos
modernos de gestão de estoques no almoxarifado que podem auxiliar
60 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1
a empresa, permitindo redução de custos e melhor TI: Sigla que significa Tecno-
realização dos serviços prestados. Desta forma é logia da Informação, ou seja,
importante analisar e repensar qual a melhor forma a informática aplicada –: no
de gerir seu almoxarifado, além de ter sempre o con- caso das empresas, tanto nas
trole de todos os processos utilizando da TI. áreas administrativas quanto
na de produção.
NOGUEIRA, Amarildo. Almoxarifado: Qual a sua
importância na empresa? 28 mar. 2011. Disponível em:
<http://amarildonogueira.com.br/site/almoxarifado-
qual-a-sua-importancia-na-empresa/>.
Acesso em: 23 abr. 2015.
Atividade 2
Reconhecendo meus conhecimentos
Reconhecer os conhecimentos acumulados ao longo
da vida é um passo importante para elaborar um currí-
culo e para a busca de um novo emprego. As questões a
seguir podem ajudá-lo nesse processo.
Etapa 1
Vamos começar pensando sobre quem somos.
© Ted Byrne/Alamy/Glow Images
Auguste Rodin. O pensador, 1903. Museu Rodin, Paris, França.
61 A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão
1. Observe a escultura O pensador, do artista francês Auguste Rodin (1840-1917).
Essa escultura é feita em bronze e é famosa em todo o mundo. Repare nas formas
do homem, em como os músculos aparecem. Ele está relaxado ou tenso? Qual é
o sentimento que a obra transmite para você?
2. Agora, você será “o pensador” ou “a pensadora”. Segue um roteiro de perguntas
que ajudará a organizar as ideias sobre você.
a) Quem sou eu?
b) Como eu acho que sou? Como eu me vejo?
c) Quais são as minhas principais qualidades?
d) O que dizem as pessoas quando me elogiam?
e) O que eu faço que todos gostam?
62 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1
Atividade 3
A balança da vida
Vamos trocar ideias com cinco colegas. Cada um se apresenta aos demais, contan-
do as respostas que deu ao roteiro da atividade anterior. A ideia aqui é uma conver-
sa franca, pois todos temos qualidades e defeitos. O importante é o respeito mútuo
entre colegas. Como será sua balança? Por isso, vamos contar ao grupo quem somos
e ouvir quem eles são. Atente às histórias dos colegas: conhecer o que as pessoas
pensam nos ajuda a entender melhor quem somos!
1. O exercício é vasculhar as memórias. Pense nelas relacionando-as com aspectos
dessa ocupação que você começa a aprender. Por exemplo: “Eu gostava de guar-
dar as compras do mercado para os meus pais”. Esse é um exemplo de um lado
seu importante para o profissional do almoxarifado ou estoquista: a organização
de produtos e o hábito do planejamento.
No quadro a seguir, liste lembranças que indicam características pessoais que podem
servir ao trabalho na área, ao lado do ano em que aconteceu cada um dos fatos,
conforme exemplo:
Ano Quadro 1: Lembranças
1975 Fato importante
Eu organizava os produtos a serem comercializados na feira
2. Agora que você se lembrou de diversos fatos da sua vida, indique experiências
profissionais relacionadas à área: podem ser cursos que já fez, coisas que gosta de
63 A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão
fazer (mesmo que não ganhe dinheiro ou cobre por elas), algo que faça bem, ou
que as pessoas achem que você faz bem. Veja, novamente, um exemplo na pri-
meira linha do quadro.
Quadro 2: Minhas experiências de vida vinculadas à estocagem
Experiência O que precisei fazer? O que foi fácil nessa O que foi difícil
experiência? nessa experiência?
Organizar a mudança
de um vizinho
Ao preencher esses quadros, você foi percebendo que já fez muita coisa nessa área e
que, também, sabe fazer bem várias outras.
Atividade 4
Atividades na área de almoxarifado e estoquista
Depois de realizado o balanço de vida e de conhecimentos, vamos aprofundar essa
discussão sobre o que é preciso saber para atuar na área de logística.
64 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1
Etapa 2 Agora que você já refletiu sobre
suas características pessoais e
1. Em um grupo de cinco pessoas, discutam sobre o que profissionais, é importante que
vocês acham que um profissional da área deve saber organize seus documentos e seus
fazer. Procurem organizar as ideias de forma a com-
pletar as seguintes frases: certificados para começar a
organizar seu currículo.
a) Um almoxarife ou estoquista deve saber...
b) Um almoxarife ou estoquista precisa usar...
c) Um almoxarife ou estoquista necessita cuidar...
d) Um profissional que atue no almoxarifado ou no es-
toque deve...
2. Agora que você discutiu com o grupo sobre o que o
profissional de almoxarifado e estoque deve saber, é
hora de pensar sobre o que você sabe. Relacione os
itens que elencaram e analise: O que você sabe fazer
bem, relativamente bem, ou ainda não teve a oportu-
nidade de aprender? Vá marcando um “x” na coluna
apropriada. Veja um exemplo na primeira linha da
tabela da página seguinte.
65 A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão
Item Faço bem Relativamente bem Não sei fazer
Organizar listas de X
compras
66 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1
Unidade 5
Almoxarife: tesoureiro
do rei?
Você refletiu até agora com a classe sobre suas características
pessoais, profissionais e talvez tenha feito a pergunta: Por que
optei por uma formação ocupacional em almoxarifado e estoque?
Seria pela ampla oferta de emprego e, portanto, possibilidade
de ingressar ou reingressar no mercado mais rapidamente ou
quem sabe até para mudar de atividade de trabalho? Seja por
uma ou outra razão, provavelmente você tem uma ideia de como
é a atividade desse profissional.
Vamos iniciar respondendo às perguntas: O que é o al-
moxarifado? O que é um estoque?
Almoxarifado: 1. Depósito O almoxarifado tem história
de objetos, matérias-primas
e materiais pertencentes a A palavra almoxarifado, além de designar depósito para
um estabelecimento público estocagem de qualquer coisa que se queira guardar ou
ou privado; 2. Função ou car- estocar, tem outro significado na língua portuguesa: em
go de almoxarife; 3. Área de Portugal, na Idade Média, e, por consequência, também
jurisdição do almoxarife. no Brasil, após a tomada do território brasileiro pelos
portugueses, os almoxarifados eram regiões geográficas
© Dicionário Aulete. do reino, que era assim dividido tendo em vista a admi-
<www.aulete.com.br> nistração fiscal e o recolhimento de impostos.
Atividade 1
Interpretando a história
Relembre o que estudou sobre as formas de leitura que auxiliam
na compreensão do texto e, individualmente, leia o texto a seguir
sobre as origens do almoxarifado. Observe que há palavras que,
67 A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão
além de serem escritas em português de Portugal, tiveram sua grafia modificada ao
longo da história. Lembre-se, também, de destacar as palavras que desconhece e
procurá-las no dicionário.
[...] Mas independentemente da sorte das armas, o esforço de guerra
tinha que ser pago. As Cortes de Évora de 1475 haviam dado autori-
zação para a Coroa obter do reino um financiamento (três pididos, na
linguagem do tempo). O rei pediu muito; até os privilegiados pagaram,
o que só acontecia em circunstâncias excepcionais. [...]
Quando D. Afonso V regressou da sua patética viagem a França, já não
havia um real. Se o reino fosse atacado não podia defender-se. Uma
vez mais, havia que convocar Cortes e pedir dinheiro ao Reino. [...]
Costa Lobo publica um documento (Outorga pelas Côrtes de 1478 de
um pedido de sessenta contos de reaes para a defensão do Reino,
Côrtes, Maço 2.°, n.° 19) que é expressivo no que toca às duras ne-
gociações que por certo decorreram, ao carácter excepcional do pe-
dido e às cedências a que o rei e o príncipe foram constrangidos: 1
– no imposto entrariam não apenas os contribuintes habituais, mas
também “todollos priuiligiados vassallos caualeiros e fidallguos posto
que de mym tenham teemças de dez mil reaees pera baixo”; 2 – a
‘experiência’ não era para repetir (“eu e o dicto prinçepe meu filho
ouuessemos de prometer como loguo prometeemos per nossa fé
reall e mamdamos aos que de nos descemderem sob pena de nossa
beemçam e malldiçam que nunca requereremos em alguum teempo
semelhante seruiço por trebuto nem emposiçam...”) [...] Iria Gonçalves
descreve os aspectos essenciais do processo de cobrança: prazos para
a conclusão, quem ficava isento, quais os funcionários responsáveis.
A autora explica que, em cada unidade média ou grande (vila, cidade
ou almoxarifado), deviam ser nomeados quatro oficiais: um lançador,
68 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1
um recebedor, um escrivão e um escrivão do povo; Você sabia?
este último, como a designação sugere, era de eleição
local, pertencendo os três primeiros, em princípio, A palavra almoxarifado,
ao almoxarifado régio da zona. derivada de “almoxarife”,
tem sua origem em uma
COELHO, Maria Helena da C.; DUARTE, Luís Miguel. palavra árabe (al-muxarif)
A fiscalidade em exercício: o pedido dos 60 milhões que significa “nobre”,
no almoxarifado de Loulé. Revista da Faculdade de “honrado”, “tesoureiro”.
Letras: História. v. 13, 1996, p. 206. Disponível em:
<http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/2161.pdf>.
Acesso em: 23 abr. 2015.
1. Responda:
a) Qual é a ideia principal do texto?
b) O que era o almoxarife nesse período?
O almoxarife no Brasil
Leia os trechos a seguir sobre a história do almoxarife no
Brasil.
69 A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão
Também no Brasil o almoxarife era a pessoa encarregada do recebimento dos tri-
butos à Coroa Portuguesa. Mas aqui havia uma repartição que os englobava, a
Provedoria da Fazenda Real. O provedor era seu superior e era também o titular de
outros serviços, como alfândega, além da contadoria e da tesouraria. Por essa razão,
os almoxarifes não tinham no país a mesma importância que tinham no reino de
Portugal; além disso, inicialmente eram ligados aos feitores, os quais administravam
os trabalhadores que atuavam na extração do pau-brasil e nas operações de carga e
descarga de mercadorias em navios.
Mais adiante, no século XVII (17) se separariam dos feitores e, a partir dessa época,
seu trabalho se restringiria à arrecadação e guarda de valores e de outros bens. No
século XVIII (18) tornaram-se os administradores dos Armazéns Reais.
Existem registros da época que indicam a existência de diversos almoxarifados:
• o de São Vicente, provavelmente instalado em 1532 (fonte: AZEVEDO MAR-
QUES, Apontamentos Históricos, Geográficos, Biográficos, Estatísticos e Noti-
ciosos da Província de São Paulo, 2:326);
• o da Vila do Espírito Santo, em 1534 (fonte: OLIVEIRA, História do Espírito
Santo, 38);
• o de Bertioga, em 1550 (fonte: DHBN, 35:165);
• da Torre de São Sebastião de Itaparica, em 1690 (fonte: ABN, 75:310);
• de Itamaracá, em 1714 (fonte: CMBN, 3:478 e 508);
• de Fernando de Noronha, em 1749 (fonte: ABN, 28:473);
• do Juízo da Provedoria da Vila de Itu, em 1756 (fonte: RIHGB/AHU/SP, 5:194).
Fonte: BRASIL. Receita Federal. Almoxarifados. Disponível em: <http://www.receita.fazenda.
gov.br/Memoria/administracao/reparticoes/colonia/almoxarifados.asp.> Acesso em: 23 abr. 2015.
Se você tiver a curiosidade de conhecer mais sobre esse assunto, acesse o site da Receita Federal,
onde você poderá conhecer um pouco da história dos impostos no país, que mostram os ciclos da
economia, como o do pau-brasil, do ouro, da borracha etc. Saberá, por exemplo, que a atividade fiscal,
a cobrança de tributos, iniciou-se decorridas apenas três décadas da chegada dos portugueses à
América, em 1534, quando foram criadas as Provedorias da Fazenda Real. Mas que antes, ainda, em
1503, um enviado da Coroa Portuguesa veio para criar uma feitoria da Fazenda Real: era necessário
organizar o envio do pau-brasil para Portugal.
Fonte: BRASIL. Receita Federal. Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/>. Acesso em: 23 abr. 2015.
70 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1
© DeA/G. Dagli Orti/Getty Images
Mapa do Brasil de 1519, Lopo Homem.
Os Armazéns Reais eram destinados ao:
Depósito de armas, munições, fardamento, ferramentas, alimentos,
equipamentos náuticos e outras mercadorias, destinadas ao uso das
forças militares da Coroa ou mesmo de repartições civis, que existia
nas sedes das capitanias e em povoações estrategicamente localizadas
no interior ou no litoral. Era habitualmente chefiado por um almoxa-
rife e muitas vezes estava instalado dentro de fortificações militares.
[...]
BRASIL. Receita Federal. Armazéns. Disponível em: <http://www.receita.fazenda.
gov.br/Memoria/administracao/reparticoes/colonia/armazens.asp>.
Acesso em: 23 abr. 2015.
Como se vê, parte dos primeiros almoxarifados do Brasil, com o significado que
têm hoje, foi construída com objetivos estritamente militares. A Coroa Portuguesa,
logo após 1500, preocupou-se em instalar feitorias e organizar expedições, com a
finalidade de proteger o território contra estrangeiros. Anos mais tarde, em 1534,
foram criadas as capitanias hereditárias, quando foram divididas e distribuídas as
terras, e a seus donatários coube o comando de tropas militares – também com o
objetivo de proteger o território. Tomé de Souza, que em 1548 foi nomeado o pri-
meiro governador-geral, trouxe consigo em torno de 400 soldados, fato que exigia
a guarda e o suprimento de armas, munições, fardamentos, equipamentos, alimen-
tos etc., criando, provavelmente, um dos primeiros almoxarifados propriamente
ditos do País.
71 A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão
Brasil antes da invasão portuguesa
O Brasil, antes da invasão portuguesa, era habitado por diversas etnias indígenas.
O período anterior à chegada dos europeus é comumente chamado de pré-cabrali-
no, ou seja, antes de Pedro Álvares Cabral. Sobre esse período, nem sempre existem
informações que nos apresentem os fatos importantes ocorridos na história das
inúmeras tribos indígenas, ao contrário da história que se estuda nos livros didáticos.
Museu Nacional da Dinamarca
Mulher da tribo tupinambá. Albert Eckhout.
Índia Tupi, 1641. Óleo sobre tela, 274 cm x
163 cm. Museu Nacional da Dinamarca,
Copenhague, Dinamarca.
© Fabio Colombini
Ritual de oferenda das frutas, povo indígena Barasano. Manaus (AM).
72 Arco Ocupacional Administração Almoxarife e Estoquista 1
© Rafael Duarte/FotoarenaPartes da história dos povos índigenas vêm sendo descobertas por meio de pesqui-
sas desenvolvidas, principalmente, por historiadores, antropólogos, arqueólogos,
etnólogos etc. Uma fonte importante de estudos sobre essas culturas são as diferen-
tes línguas faladas ainda hoje pelos povos remanescentes, pois dão pistas sobre os
ancestrais dos diversos grupos indígenas.
São estudados, também, ritos, hábitos, costumes e festas eventualmente mantidos
até hoje e que fornecem informações importantes sobre sua cultura.
Na pesquisa sobre os povos que existiram no Brasil ainda muito antes dos índios,
estudam-se fragmentos ou peças inteiras, encontradas em escavações arqueológicas,
de ferramentas, utensílios, adornos, bem como pinturas rupestres e vestígios de
fogueiras, plantações, animais, vegetais, peixes, moluscos etc., que revelam sua
ocupação em diversos pontos do País. São os chamados sítios arqueológicos. Os
estudos desses sítios têm indicado que a ocupação do território do País pelo homem
pré-histórico iniciou-se há aproximadamente 60 mil anos.
No Parque Nacional Serra da Capivara, Piauí, há indícios de ocupação existente há
pelo menos 50 mil anos, continuamente mantida até o momento em que ocorreu
o contato com o homem branco. O processo que revela essas descobertas é o de
escavação cuidadosa, que vai revelando camadas de vestígios, intercaladas por outras
de sedimentos depositados pela natureza após a desocupação – há situações em que
existem várias camadas de vestígios de ocupação intercaladas pelas de sedimentos,
mostrando que um mesmo sítio arqueológico foi habitado por diversos grupos em
épocas diferentes, durante milênios. Em um dos sítios pode-se observar a existência
de 15 diferentes ocupações que ocorreram no mesmo local.
Vestígios arqueológicos na Serra da Capivara, Piauí.
73 A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão
Um dos mais importantes sítios para o estudo dessas populações foi
a Toca do Baixão do Perna I [...]. Uma sucessão de 6 níveis, sendo o
mais antigo datado de 10.500 anos antes do presente, mostrou uma
ocupação humana contínua, tendo o sítio servido de acampamento
de maneira semipermanente, desde pelo menos há cerca de 12.000
anos até 3.500 anos atrás.
Uma grande quantidade de fogões caracterizava todos esses níveis.
No solo, junto a eles, encontramos grande quantidade de pedra lascada
e de vestígios da caça que aí foi assada: tatus, preás, mocós, aves,
veados, roedores diversos. Restos de frutos e de folhas demonstravam
a utilização de recursos vegetais; [...] entre 3.000 e 1.600 anos,
encontramos vestígios de povos que viviam em aldeias redondas que
compreendiam entre 10 e 11 casas elípticas, dispostas em volta da praça
central. [...] Além de restos de potes de cerâmica, descobrimos mãos
de pilão, discos polidos perfurados, machados lascados e semipolidos,
machados polidos e tembetás de jadeíte [...].
De outro sítio arqueológico, Cana Brava, informa-se que:
É possível formular a hipótese de que, por volta de 3.300 anos antes
do presente, os ceramistas viviam em pequenos grupos e utilizavam
vasilhames, uma forma de armazenagem já naquela época, de tama-
nho pequeno com formas simples, porém com técnicas decorativas
bastante aperfeiçoadas, de traços bem definidos e delicados, lascavam
e poliam os seus instrumentos de pedra, e praticavam uma agricultu-
ra que parece incipiente.
FUNDAÇÃO Museu do Homem Americano (Fumdham).
Patrimônio cultural. Disponível em: <http://www.fumdham.org.br/pcultural.asp>.
Acesso em: 23 abr. 2015.
74 Arco Ocupacional Administração Almoxarife e Estoquista 1
Estes povos são classificados, quanto à forma encontrada para suprir suas neces-
sidades alimentares, em caçadores-coletores e agricultores. Os povos mais antigos
são os caçadores-coletores, que se alimentavam daquilo que conseguiam caçar ou
coletar diretamente na vegetação, como frutos, raízes, tubérculos, mel e ovos. Os
agricultores, que surgiram posteriormente, plantavam: alguns de forma incipien-
te, como vimos, e outros, ao contrário, de forma intensiva. No sítio e no perío-
do citados de 3 000 a 1 600 anos atrás, ocorria o cultivo de milho, feijão, cabaça
e amendoim.
Mas, entre os vestígios da época, não há indicações de que aqueles povos estocassem
os cereais para utilização nas entressafras ou períodos de seca – a hipótese é que se
deslocassem para regiões próximas a rios.
Definindo o almoxarifado
O almoxarifado é a instalação física dentro de uma empresa onde vários materiais
ficam aguardando utilização, abrigados de modo a estarem protegidos contra uma
série de eventos que podem danificá-los, alterar sua composição e/ou provocar
qualquer mudança indesejável. No caso de uma indústria, é o local onde ficam
desde os materiais que serão utilizados para a produção de um produto qualquer,
até os que são utilizados em outras áreas da empresa, não diretamente envolvidas
na produção.
Os produtos prontos comumente ficam em outro almoxarifado: o depósito central,
ou depósito de distribuição. Em cada setor – comércio, serviços, agronegócio – há
produtos específicos a essas atividades. Assim, por exemplo, pode haver em um
almoxarifado:
• canetas, cartuchos de tinta de impressoras, papel e outros materiais dessa natu-
reza usados no escritório;
• guardanapos, toalhas, sabonetes etc. a serem utilizados pelos funcionários ou, em
caso de hotel, em quantidades maiores para provisão nos aposentos;
• televisores, máquinas de lavar roupa e geladeiras das grandes lojas que serão en-
viados para os clientes;
• lingotes de metais variados, parafusos, porcas e molas utilizados para a fabricação
de peças por uma indústria;
• chapas de aço que serão estampadas.
75 A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão
A natureza da matéria-prima ou do produto acabado determina as características
das instalações. De modo geral, todas elas protegem os materiais contra a ação do
Sol, do calor, da umidade, da água, de insetos e roedores, de poeira e mesmo de
roubo ou desvio de mercadorias.
O almoxarifado ou depósito é a área de trabalho de uma empresa em que se realizam
outras operações, como a etiquetagem e a separação, que serão estudadas no Ca-
derno 2, além da guarda dos materiais. O almoxarifado é a unidade corporativa em
que ocorrem os procedimentos que constituem um dos pontos decisivos em qualquer
empresa: a existência do estoque, com suas várias funções.
Por essa razão, toda a operação do almoxarifado requer, permanentemente, muita
atenção e muito cuidado de todos aqueles que nele trabalham, pois é grande a res-
ponsabilidade de manter todos os materiais em plena condição de uso a qualquer
momento, evitando danos, avarias, furtos, perda de validade etc.
Atividade 2
Estudo de meio
1. Nesta atividade, você e os colegas refletirão sobre as diversas formas de exercer
a atividade de um almoxarife ou estoquista. Em grupo, visitem e entrevistem um
profissional da área. A classe deve se organizar de forma a diversificar os locais
de visita e entrevista. Seguem algumas sugestões:
• indústria de confecção;
• lojas do comércio varejista de diversos portes;
• farmácias;
• escritórios.
2. Agora, discutam: O que vocês gostariam de perguntar a esse profissional? Cada
grupo deve formular seu roteiro de perguntas. Seguem algumas sugestões:
76 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1
a) Nome do entrevistado. © DreamPictures/Shannon Faul/Brand X Pictures/Getty Images
b) Idade, escolaridade, se ainda estuda ou pretende voltar a estudar.
c) Costuma fazer cursos na área em que trabalha?
d) Onde trabalha?
e) Por que escolheu essa ocupação?
f) Como a aprendeu?
g) Quais são os pontos positivos e negativos da ocupação?
h) Quais são os conselhos que daria para alguém que está iniciando nessa ocupação?
3. Cada participante do grupo deve elaborar um texto sobre a entrevista. Planeje
seu texto antes de escrever, para que seja mais fácil fazê-lo e também para que
ele faça sentido a quem o ler. Para isso, procure definir em primeiro lugar: Qual
é a ideia central do texto que será feito? Quais são os argumentos a serem utili-
zados para sustentar essa ideia? Quais foram as conclusões a que chegou com
base na entrevista?
4. Em grupo, preparem uma apresentação para a classe.
Trabalhador verificando o estoque.
77 A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão
A lógica da logística
Logística é um termo que, inicialmente, era utilizado apenas pelos militares
para designar as operações de transporte, guarda e distribuição de armas e
munição, alimentos, medicamentos, incluindo a busca de rotas para desloca-
mento de tropas por áreas onde houvesse disponibilidade de abrigo, de água, os
trajetos mais indicados etc. A evolução da logística acompanhou as transforma-
ções na organização do trabalho, nas transações comerciais e na produção de
forma geral.
Para saber em que parte das operações de uma empresa os almoxarifados com seus
estoques são acionados, é preciso pensar, primeiramente, no processo mais amplo
em que eles se encaixam: a logística.
Note que a tendência nas empresas na atualidade é a integração entre os diversos
processos da logística, incluindo os do almoxarifado e do estoque.
Logística pode ser definida como um conjunto de atividades que contempla o
planejamento, o controle de estoques, a armazenagem e o transporte de bens
e/ou serviços, desde a origem até o ponto de consumo, com o objetivo de
obter a excelência na gestão da cadeia de suprimentos (supply chain – fala-se
“suplai tchein”) e no atendimento preciso dos requisitos do cliente. Nesta
definição, o termo “bens” refere-se a produtos acabados, semiacabados, maté-
rias-primas etc.
Na prática, essa definição é mais abrangente e compreende como atividades funda-
mentais, ou primárias, o processamento de pedidos, a armazenagem e o transporte.
Tais atividades são compostas por uma série de etapas ou procedimentos cada vez
mais ampla e integrada – trata-se da logística integrada.
A logística se vale de uma infinidade de recursos para se aperfeiçoar permanen-
temente, estando em constante evolução e procurando fazer uso de novas formu-
lações e procedimentos estudados, sobretudo, na economia, na administração de
empresas e na tecnologia da informação, entre outras áreas do conhecimento.
78 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1
© Daniel Beneventi
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© Franck Boston/123RF
É importante perceber que a logística é mais ampla do que o fluxo simples de merca-
dorias. Ela visa alcançar melhores formas de gestão para o fluxo não somente dos pro-
dutos ou serviços, mas também dos indivíduos e das informações. A logística está
presente na aquisição de materiais para alimentar a cadeia de produção: na compra;
passando pela fabricação do bem ou realização do serviço em si, na produção; englo-
bando a manutenção de estoques diversos, no armazenamento, antes e depois da
produção; até a entrega do produto acabado ao destinatário, na distribuição; e, even-
tualmente, no retorno do produto ao fabricante, etapa chamada de logística reversa.
79 A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão
© Daniel Beneventi A imagem a seguir exemplifica o princípio da logística reversa:
A logística abrange, portanto, a gestão de diversas atividades que devem ser integra-
das desde seu planejamento.
De modo simplificado, o processo logístico ocorre da seguinte forma:
• o cliente efetua um pedido de compra, podendo ser um distribuidor, atacadista
ou varejista, ou um consumidor final;
• o fabricante elabora um planejamento para atendê-lo, que compreende do
suprimento dos insumos à previsão de alocação de trabalhadores, passando
pela quantidade de horas de máquinas, equipamentos etc., necessários para a
produção. É a fase do MRP (sigla em inglês de Material Requirement Planning,
ou Planejamento de Necessidade de Materiais), que resulta na elaboração de
um pedido de compra dos insumos (matérias-primas, componentes prontos,
produtos semiacabados, embalagem etc.) necessários para a produção das
mercadorias que compõem o pedido do cliente; ou de uma requisição ao al-
moxarifado (onde estão armazenados os diferentes estoques de materiais). No
primeiro caso, os insumos são necessários para suprir a produção; no segun-
do, para ressuprir o estoque.
• uma vez concluído o processo de produção, o produto acabado será embalado e
eventualmente armazenado até que venha a ser entregue ao comprador; é previsto
80 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1
o cronograma da entrega. É a fase do DRP (sigla em Fluxograma: Diagrama;
inglês de Distribution Requirements Planning ou Plane- representação gráfica que in-
jamento das Necessidades de Distribuição). O módu- dica um processo. Tem como
lo DRP hierarquiza os pedidos de cada armazém objetivo proporcionar a visu-
considerando os estoques internos e as ordens em alização das etapas de desen-
trânsito; na sequência, é contatado o transportador volvimento de um processo.
e calculado o valor do frete, ou é estabelecida a rota de O fluxograma é, portanto,
entrega se o fabricante dispõe de transporte próprio; uma ferramenta importante
• o produto acabado é, então, entregue ao cliente. para construir as etapas de um
Por vezes, o produto retorna ao fabricante para repa- processo, visualizá-las e, prin-
ros, em função de danos sofridos no transporte ou cipalmente, perceber como
defeitos que possa apresentar ao ser utilizado. Muitos se articulam ou desenca-
produtos também retornam ao fabricante para descar- deiam outra ação.
te, ao se atingir o fim de sua vida útil.
Governos têm gerado legislações específicas tornando
obrigatório o descarte ecologicamente correto de inú-
meros produtos, por parte de seus fabricantes, de modo
a preservar o meio ambiente.
Para que tudo isso funcione adequadamente, as empresas
possuem o chamado fluxograma.
A construção do fluxograma é uma oportunidade de
fortalecer o coletivo de trabalhadores, à medida que to-
dos podem participar do processo e dar sugestões de
encaminhamento para o fluxo de trabalho. Observe que,
em um fluxograma, cada forma possui um significado:
Forma Significado
Daniel Beneventi
Início ou final do processo
81 A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão
Forma Significado
Um processo ou parte dele
Ilustrações: Daniel Beneventi
Decisão
Documento
Vários documentos
Atividade 3
Construindo um fluxograma
Este site oferece um passo a Em dupla, no laboratório de informática, elaborem
passo fácil para a elaboração do com a ajuda do monitor um fluxograma sobre um
fluxograma, caso você tenha dúvidas. tema de sua escolha. Antes, observe o exemplo de flu-
xograma a seguir. Uma dica para inserir o texto den-
Disponível em:<http://www. tro da figura é clicar o botão direito do mouse em
oficinadanet.com.br/artigo/ “adicionar texto”.
desenvolvimento/como_fazer_
um_fluxograma>. Acesso em:
23 abr. 2015.
82 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1
Exemplo de fluxograma: o início da manhã de uma família Ilustrações: Daniel Beneventi
Início
Acordar às 5h30
Preparar café
da manhã
Preparar lanche
das crianças
Não Sim
Tem fruta?
Preparar um Colocar 2 para
sanduíche para cada criança
cada criança
1. Segue uma sugestão de tema: um dia de lazer. Observe que, além das formas
indicadas no fluxograma anterior, você poderá descobrir no processador de
texto várias outras e o significado de cada uma delas passando o mouse sobre as
figuras. Para isso, entre no programa de texto, clique no botão “inserir”, em se-
guida em “formas” e “fluxograma”. Os traços e linhas também poderão ser in-
seridos a partir da mesma janela.
Fluxograma
Símbolos para a realização do fluxograma.
2. Depois de elaborado, cole na página seguinte o seu fluxograma para que, em um
momento de consulta, você o tenha em mãos.
83 A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão
84 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1
Atividade 4
Fluxo do produto
1. Individualmente, elabore dois fluxogramas: um representando a logística inte-
grada, e outro a reversa, com base em uma situação fictícia. Procure utilizar os
ícones que estudou na atividade anterior, e faça uso das flechas para indicar o
movimento de um item a outro. Lembre-se de nomear cada etapa.
85 A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão
2. Apresente os fluxogramas para os colegas e converse com eles sobre os resultados
que cada um encontrou. Após essa etapa, você pode complementar o que fez,
tornando-o mais completo.
86 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1
Unidade 6
Estoque: um velho
conceito?
Esta Unidade dá continuidade ao que você já começou a
aprender sobre a área de almoxarifado e apresentará com
detalhes as características de um estoque, seu planeja-
mento e os custos que o envolvem.
Estoque: 1. Quantidade acu- A função dos estoques nas empresas
mulada de produtos (ger.
como reserva para uso futu- A manutenção de estoques em almoxarifados é um dos
ro); 2. Quantidade de merca- pontos mais importantes na logística de uma empresa. Ao
dorias disponível para venda; lado dos processos de compras, produção e distribuição/
3. P. ext. Lugar onde se arma- transporte, forma o que comumente se considera a base
zenam essas mercadorias; do processo logístico.
4. Quantidade acumulada de A existência de estoques nas empresas ocorre porque eles
bens, de valores (estoque de atendem a várias necessidades que, naturalmente, variam
capital, estoque de títulos pú- de acordo com os tipos de produtos que a empresa produz
blicos). ou com sua atividade.
© Dicionário Aulete.
<www.aulete.com.br>
© Cultura Travel/Mick Ryan/Photonica World/Getty Images
87 A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão
© Vagner CoelhoTalvez uma das funções mais importantes além do simples abrigo para guarda e preser-
vação das mercadorias, enquanto estas não têm uso, seja o fato de constituírem o ins-
trumento que garante a entrega de um produto para o consumidor dentro de certo
prazo predeterminado. Desse modo, toda vez que alguém compra o produto, sabe que
o receberá em “x” dias.
Entregar o produto, a mercadoria, o bem ou o serviço no prazo determinado é
fundamental para qualquer fornecedor manter a qualidade de seu atendimento ao
cliente, também conhecido como nível de serviço logístico ou nível de serviço, in-
dependentemente de qual seja este prazo.
Somente a disponibilidade do produto no estoque da empresa garante que a entrega
ocorra rigorosamente no prazo, seja ele zero ou nulo – isto é, o produto é entregue
instantaneamente, como em uma loja – ou em um número qualquer de dias, pois a
empresa não fica sujeita a atrasos por parte de seus fornecedores. Uma empresa de
comércio varejista, por exemplo, não pode depender da entrega de um dado produ-
to por parte de seu fabricante para, só então, entregá-lo ao comprador, pois vários
fatores podem atrasar seu fornecimento, como veremos adiante.
Muitas vezes, dispor do produto para entrega imediata ou entregá-lo no prazo pode
ser o diferencial que o consumidor busca e que o fará tornar-se fiel à empresa, o que
o levará a sempre preferi-la a cada nova aquisição de produtos. Por outro lado, a ine-
xistência do produto no ponto de venda de preferência do consumidor, seja uma loja,
quiosque, hipermercado etc., muitas vezes faz com que este adquira outro produto no
mesmo local ou procure outro ponto de venda, onde o produto desejado esteja dispo-
nível. A perda de uma venda pode significar a perda de um cliente – tanto para o
fabricante quanto para o ponto de venda. E, nessa situação, todos os esforços de
propaganda e marketing podem ser desperdiçados.
Como além dessas condições existe a comunicação informal, popularmente conhe-
cida como boca a boca, o efeito pode começar a multiplicar-se. Portanto, cumprir
88 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1
a expectativa dos clientes em termos de prazo é uma condição muito importante, Modern Times © Roy Export S.A.S. Scan Courtesy Cineteca di Bologna
sejam eles pessoas físicas, a população, sejam pessoas jurídicas, as empresas, que
adquirem produtos de outras empresas para revendê-los ou para utilizá-los na ma-
nufatura de seus próprios produtos.
Uma fábrica, por sua vez, não pode ter fluxos irregulares de produção, isto é, em
determinado dia produzir a sua cota diária porque as vendas estão dentro de um
objetivo, em outro produzir muito mais porque os vendedores venderam muito
mais, ou, em outro, ainda, produzir muito menos ou parar de produzir porque as
vendas foram muito baixas. Não há como aumentar ou diminuir bruscamente o
fluxo de matérias-primas, de partes ou de componentes recebidos de seus fornece-
dores, o número de funcionários, a quantidade de máquinas e equipamentos utili-
zados na produção – salvo em situações muito especiais.
O número de horas trabalhadas é, na realidade, o único fator na produção em que
é possível alguma flexibilidade. Mesmo assim, também sofre limitações, pois é
obrigatório cumprir a lei trabalhista. Além disso, o excesso de horas trabalhadas
continuamente provoca fadiga física e mental e aumenta os riscos de acidentes de
trabalho. Por outro lado, quando a produção é em volume constante e, além disso,
contínuo, pode-se obter ganhos por meio do simples aperfeiçoamento dos controles
e processos produtivos.
Dessa forma, as empresas mantêm dado volume de produção constante e determina-
do volume de estoque também constante, seja dos produtos acabados, prontos para
entrega, seja das matérias-primas etc., de modo a garantir tanto a produção quanto
a entrega dentro dos volumes médios com que trabalha. Essa prática se aplica a todas
as empresas, sejam fabricantes de produtos finais, de embalagens, componentes,
partes ou peças (os fornecedores), sejam mineradoras, fundições, indústrias de resinas
etc. (os fornecedores dos fornecedores). Ou seja, se uma grande empresa necessitasse
aumentar abruptamente sua produção, seria preciso que várias outras empresas na
cadeia de fornecedores também pudessem fazê-lo simultaneamente.
89 A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão
Atividade 1
Estoques reguladores
Em grupo, reflitam sobre algumas situações que envolvem os estoques.
1. Uma grande empresa de laticínios, por exemplo, depende da manutenção de
estoques reguladores? Como seriam esses estoques?
2. E em uma mineradora de ferro? Nesse caso, como seriam os estoques?
90 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1
3. Façam fluxogramas para visualizar todas as etapas pelas quais passam as matérias-
-primas originais até que se transformem ou estejam incorporadas nos produtos
finais, prontos para o consumo da população.
91 A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão
© Andre Dib/Pulsar ImagensProdução regular
Independentemente de serem produtos acabados (prontos para o consumo ou uso),
semiacabados (produtos em processo, que sofreram alguma transformação) ou
matérias-primas, o estoque de produtos cumpre uma função fundamental para uma
empresa: a de tornar regular o fornecimento de produtos acabados. O estoque age
como se fosse um mecanismo que permite regular a produção, de modo que não
seja necessário esperar que o produto venha a ser fabricado e então possa ser entre-
gue; isto é, ele faz com que o produto sempre esteja disponível. O fato de produtos
ou mercadorias estarem localizados em depósitos permite também a realização de
outros procedimentos muito importantes para as empresas, como a manutenção de
inúmeros controles e várias análises.
Se forem observadas as vendas daquela empresa de laticínios da atividade sobre
estoques reguladores, por exemplo, durante um ano, veremos que elas sofrem algu-
mas variações mês a mês, aumentando um pouco em um mês, diminuindo em
outro, mas mantendo uma média mais ou menos constante.
As vendas podem também apresentar aumentos extraordinários, caso a empresa
esteja efetuando com sucesso ações especiais para aumentá-las, ou, ainda, em função
de alterações no comportamento do mercado, isto é, dos consumidores que, por
algum motivo, passam a consumir mais. As alterações no comportamento do mer-
cado consumidor podem ocorrer também no sentido inverso, de redução da deman-
da, da procura do produto por conta de uma diminuição do consumo, uma vez que
o mercado é dinâmico e, por isso mesmo, incerto.
92 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1
Por sua vez, as empresas lançam diariamente novos produtos, inovações, substituem
ou incorporam novos elementos a produtos existentes, ou criam novas formulações,
invenções etc. Esses procedimentos podem tornar os concorrentes menos atraen-
tes, desejáveis, interessantes. A maneira como as pessoas encaram os produtos,
materiais e serviços é dinâmica, isto é, altera-se permanentemente, seja pelo lado
do consumo em si, quando passam a comprar mais ou a comprar menos deter-
minados produtos, seja pela mudança de hábitos, gostos, surgimento de novas
necessidades, expectativas etc.
Os estoques são formados como precaução para essas oscilações, de modo a propor-
cionar segurança à atividade da empresa, garantindo a produção e assegurando que
não faltarão mercadorias para que seja mantido o fluxo normal de vendas e entregas
– observando, claro, os prazos usualmente praticados entre fabricante e consumidor.
Já os estoques de materiais utilizados na produção podem cumprir também
outras funções muito importantes para a empresa, do ponto de vista estratégico.
Sabe-se que inúmeros fatores podem afetar o fornecimento de materiais para
uma indústria de transformação por parte de seus fornecedores diretos ou por
parte dos fornecedores de seus fornecedores, provocando atrasos, escassez ou
até a falta total do insumo:
• eventos climáticos que afetam diretamente a produção ou o transporte;
• interrupção ou limitação no fornecimento dos diferentes tipos de fontes de ener-
gia ou mesmo de água, prejudicando a produção;
• greves nos diferentes meios de transportes ou terminais, como portos ou aeropor-
tos, eventualmente em centros de distribuição, ou nas próprias indústrias, usinas,
mineradoras etc.;
• acidentes de toda sorte e natureza, envolvendo maquinário, equipamentos e
instalações ou os próprios trabalhadores em indústrias, terminais etc.;
• alterações bruscas ou acentuadas em políticas cambiais ou de comércio exterior
no próprio País ou em outros, como restrições, barreiras ou aumentos de tarifas
alfandegárias, no caso de importados;
• guerras ou outros adventos resultando em imposição de proibições ou restrições
de tráfego marítimo ou aéreo, aumentos extraordinários de tarifas de fretes, se-
guros etc., também no caso de produtos importados;
93 A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão
© Stringer/Italy/Reuters/Latinstock• movimentos especulativos internacionais ou mesmo em território nacional que
imponham grandes aumentos de preços;
© Cesar Diniz/Pulsar Imagens
• e, ainda, a associação de dois ou mais desses eventos que podem ocorrer simulta-
neamente.
Greve interrompe a importação e exportação de mercadorias.
Alagamentos interrompem o trânsito e atrasam as entregas de mercadorias.
Uma fábrica de automóveis, por exemplo, depende de vários fornecedores – além de
possuírem milhares de peças, estas têm diversas origens: minas de ferro, de onde o
metal será transformado em aço; poços de petróleo, de onde sairão subprodutos com
os quais se farão os plásticos; plantações de seringueiras etc.
Por esses motivos, uma indústria pode necessitar de estoques mais amplos de algum
insumo caso haja o risco de redução do fornecimento mais adiante, de modo a não
sofrer quebra da produção.
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Estoques e custos
Os estoques também podem desempenhar papel importante na questão dos custos
de produção ou aquisição e, consequentemente, no lucro das vendas. A sua manu-
tenção permite a um fabricante aproveitar momentos propícios para adquirir suas
matérias-primas ou outros produtos essenciais à sua operação em quantidades maio-
res do que as necessárias à sua produção regular, semanal ou mensal, ou seja, dentro
de sua programação de produção.
Assim, a empresa pode se favorecer ao comprá-los: em volumes maiores, que são
objetos de descontos especiais por quantidade adquirida; pela redução de despesas
de frete; por fazê-lo antecipadamente, em eventuais promoções, ou em momentos de
baixa procura ou demanda, nacional ou internacional, que costumam resultar em
queda dos preços.
No caso da ocorrência de escassez de matéria-prima, como vimos, comprar o
produto antecipadamente permite continuar a operar normalmente, enquanto
parte das empresas concorrentes, sem ter essa mesma possibilidade, possa estar
sujeita a passar por um momento de baixa produção e vendas, dada a falta de
matéria-prima. Além disso, nos momentos de escassez (baixa oferta), assim como
nos de alta de consumo (ou excesso de demanda), os preços sempre tendem a
subir, como se sabe.
Atividade 2
Planejando o estoque
Em grupo, resolvam a seguinte situação:
1. Duas empresas concorrentes, A e B, produzem cada uma, em média, cinco to-
neladas/mês de peças em aço inox, como pias e cubas. Para tanto, os departa-
mentos de compras adquirem cinco toneladas/mês de chapas de aço, a 10 reais
o quilograma, com 5 meses de antecedência.
95 A l m o x a r i f e e E s t o q u i s t a 1 A r c o O c u pac i o n a l A d m i n i s t r aç ão
A empresa A, entretanto, quase não dispõe de capital de giro e, por isso, sempre
compra a mesma quantidade a cada mês. A empresa B, percebendo que os preços
do aço estavam subindo no exterior, adquiriu há cinco meses 20 toneladas, pas-
sando a comprar, nos quatro meses seguintes, apenas 1,25 tonelada por mês.
A tabela das compras, então, é a seguinte:
Empresa Mês Compra Custo Empresa Mês Compra Custo
4X
A maio 5 t x B maio 20 t ?
?
A junho 5 t x + 3,5% B junho 1,25 t ?
?
A julho 5 t X + 4,8% B julho 1,25 t
A agosto 5 t X + 4,5% B agosto 1,25 t
A setembro 5 t X + 5,0% B setembro 1,25 t
2. Considerando que os preços de aquisição da matéria-prima são os mesmos para
ambas as empresas e que a empresa B não obteve descontos extras na compra das
15 toneladas a mais no 1o mês, pergunta-se:
a) Qual porcentual a mais foi pago por uma empresa em relação a outra?
b) Considerando-se os próximos cinco meses de produção, qual é o preço médio da
tonelada de matéria-prima para cada empresa no período? Justifiquem as respostas.
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Tipos de estoques Você sabia?
A ocorrência de tantas e tão diversas condições, que im- Os setores da economia
plicam manutenção dos estoques e os afetam das mais são divididos em três:
variadas formas, torna fundamental a existência de uma o setor primário da eco-
administração bastante cuidadosa dessa área de trabalho nomia de um país é for-
dentro das empresas, independentemente do setor em mado pelo agronegócio,
que atuam. o secundário pela indús-
tria e o terciário pelo co-
Fotos: © Paulo Fridman/SambaPhoto mércio e serviços.
Colheitadeiras utilizadas pelo agronegócio.
Complexo industrial pertencente ao setor secundário.
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© Danil Roudenko/123RF
Espetáculos artísticos oferecidos pelo setor de serviços.© antikainen/123RF
Consumidora escolhe produto no comércio.
Em função dos tipos de produtos que a empresa fabrica, ela pode manter vários
tipos de estoques:
• de matérias-primas, isto é, os produtos ou materiais que serão transformados pela
empresa;
• de produtos que não compõem o produto final da empresa, mas são utilizados
nas diferentes etapas do processamento das matérias-primas ou na incorporação
de itens fornecidos por terceiros;
• os voltados a esses itens, produtos acabados que serão incorporados aos produzi-
dos pela empresa, frequentemente fornecidos por outras empresas, como peças,
partes, elementos, dispositivos ou componentes já prontos;
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• de embalagens diversas;
• de produtos:
- s emiacabados, isto é, matérias-primas já transformadas e partes já processadas, de
acordo com diferentes etapas que são exigidas na produção do produto final;
- acabados, prontos para entrega;
- de uso administrativo, como material de escritório, de limpeza etc.;
- u tilizados por máquinas ou equipamentos para sua operação, manutenção,
conserto e limpeza.
Costumam permanecer nos estoques, ainda, por determinado tempo, materiais
diversos, matérias-primas, móveis, máquinas, instalações, equipamentos, produ-
tos semiacabados ou acabados, componentes, peças etc., danificados durante o
uso, a produção, a movimentação no interior da empresa; ou desgastados, obso-
letos, defeituosos, fora da validade – enfim, itens que devem vir a ser descartados,
vendidos como sucata ou para reaproveitamento por outras empresas, reciclados,
doados ou destruídos.
É o caso, também, dos produtos que retornaram ao fabricante pelo sistema de lo-
gística reversa, ao fim de sua vida útil, e dos produtos devolvidos para reparos ou
descarte em função de defeitos de fabricação ou danos sofridos no transporte.
Em muitas indústrias os depósitos são distintos, contando com um depósito
para insumos que serão utilizados na fabricação dos produtos e outro para os
produtos acabados. Nas empresas comerciais, os depósitos são únicos, já que
existem apenas produtos acabados. Nos depósitos, outras áreas, bem menores,
são reservadas ou delimitadas para utilização pelos demais tipos de estoque, os
de produtos a serem descartados ou dos demais produtos utilizados na empresa,
como acabamos de ver – o que por vezes se faz simplesmente com a utilização
de cores indicativas dos locais próprios para cada tipo de estoque.
Insumo não é a mesma coisa que matéria-prima!
Insumo é todo material que é usado na produção, mas não necessariamente faz parte dela.
Veja um exemplo: para produzir queijo, a indústria precisa de matéria-prima, o leite, mas também dos
insumos – máquinas e outros equipamentos que o produzirão.
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