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O Pacatito foi construído e lapidado por nossos pais e avós por seus valores, culturas e forte dose de amizade numa química que me lembra um conto anônimo que relata o questionamento de um garoto a um ancião - O que pode destruir uma amizade? O tempo, a distância ou a eternidade? O sábio ancião lhe respondeu - Nenhum dos três, porque a amizade cresce no tempo, vive na distância e permanece na eternidade. Isto é o Pacatito, será eterno.

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Published by Marcio Azevedo, 2020-03-21 12:38:46

Peripécias e Causos do Pacatito

O Pacatito foi construído e lapidado por nossos pais e avós por seus valores, culturas e forte dose de amizade numa química que me lembra um conto anônimo que relata o questionamento de um garoto a um ancião - O que pode destruir uma amizade? O tempo, a distância ou a eternidade? O sábio ancião lhe respondeu - Nenhum dos três, porque a amizade cresce no tempo, vive na distância e permanece na eternidade. Isto é o Pacatito, será eterno.

BATATA DOCE COM MIOLO

Inês Vasconcelos

Sede da Administração Geral com a Certo dia o Sergio, meu irmão, foi arrancar
praça impecável na frente. Muitos batata doce na várzea nos fundos da
namoricos lá rolaram. minha casa, próxima ao rio, e eu fui junto,
lembrando que na época eu deveria ter uns
quatro anos e ele uns doze.

Ele começou a cavar e quando levantou
o enxadão eu vi uma batata doce e me
abaixei para pegar, e já não dava mais
tempo de parar o enxadão que acertou
minha cabeça, abrindo um talho.

Fui levada ao posto médico, levei 12 pontos
de “latinha”, como se dizia na época.

Já não me lembro do enfermeiro que me atendeu.

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DOMINUS VOBISCUM

José Mauro Feitosa

Interior da Capela de Santa Terezinha. Minha mãe queria que eu fosse coroinha na
Igreja de Santa Terezinha, mas eu não queria.

Naquela época não gostava de ir à igreja, porém
minha mãe praticamente me obrigava a ir.

Então ela falou com o padre e este me
colocou para aprender latim com o irmão do
João Carlos Martins.

Ele falava DOMINUS VOBISCUM e eu tinha
que responder ET SPIRITU TUO. Porém, de
propósito, respondia tudo errado.

Ele então procurou minha mãe e disse:

- Este menino não aprende, tentei e ele não
consegue falar direito.

Fiquei na minha e pulei fora de ser coroinha.

Peripécias e Causos do Pacatito | 52

Armazém do Seu Paoli. SEGURA, PEÃO

Roosevelt Resende

Num domingo pela manhã estávamos
pretendendo cavalgar: os irmãos Gordo;
Guelo, Pitoca e eu.

Fomos atrás do Grupo lado esquerdo onde
ficava um pasto aos cavalos, burros e mulas.

Levamos cordas para laçar e fazer o cabresto.
Já tínhamos laçado dois e chegou a minha vez
de escolher.

Escolhi o burro mais cara de tonto e
recaído de nome Zózimo.

Para laçar e fazer o cabresto maior moleza.

No entanto ao montar o burro saiu dando
pinote como em um rodeio, no segundo
pinote fui arremessado longe e cai de
bunda no chão, por sorte o local era de muito
capim e solo macio. Cavalgada frustrada.

Peripécias e Causos do Pacatito | 53

DO MORRO, NÃO

Roosevelt Resende

Nas tardes de bailinhos no Clube XVI minhas
paixões eram a Cacilda, irmã do Vitor e a
Arlene Pedroso.

Por coincidência a Arlene se casou com um meu
cunhado, hoje separados, mas a Cacilda foi
intriga do Vitor que ficava na cola e dizia: do
morro não.

Bombinha no Rio Sapucaí e
Estação de Tratamento D`Água
acima no morro.

Peripécias e Causos do Pacatito | 54



XERIFE PITA

Roosevelt Resende

Vila do Morro e em primeiro plano a Guerra entre vilas.
esterqueira para a horta da FI.
Era sabido que a Vila do Morro era
cobiçada por outras vilas por uma série
de motivos: muita menina bonita, água pura
da mina, lago do sapo para nadar, muitos
pés de Araticum esparramados pelo morro,
mangueiral farto, banho para refrescar no poço
dos macacos, campinho de futebol e muitos
bailões de forró na parte de cima do morro.

Acontece que para acessar as belezas do
lugar tinha que subir o morro e passar
pelos xerifões comandados pelo Marmo
e Vicentinho.

Quem fosse só ou com poucos acompanhantes
eram obrigados a voltar.

Todo bando era rechaçado com estilingue e
mamona, além de raiz de palma do brejo.

O local de ataque era sempre ao lado do
portão de entrada do campo de futebol.

Peripécias e Causos do Pacatito | 56

Continuação Nilza Feitosa comenta que não existia
XERIFE PITA propriamente uma guerra entre vilas
e sim uma rivalidade por um leve
Roosevelt Resende preconceito entre elas, pois eram
implantadas pelo GRAU de chefia dos
A turma da vila do morro ficava na pais que, como em todo território
espreita na parte superior do morro e militar, existia uma hierarquia e isso se
da-lhe chuvarada de mamona. deu também no setor civil da fábrica
de Armas.
Não tinha para ninguém a não ser os
invasores baterem em retirada.

O chefe guerreiro que comandava
era o Pita.

Peripécias e Causos do Pacatito | 57

PASTEL FIADO

Salgueiro

Estrada de ferro em frente a praça do Todo dia ficava jogando bola do lado do Grupo
Grupo Escolar. Escolar e quando dava o horário de vender
pastéis eu largava o futebol e ia para casa
pegar a cesta para vendê-los, assim foi dos
meus nove até os 17 para 18 anos.

Antigamente na FI tinham dois portões, em
um, ficava o Marquinho Cobra, e no outro
ficava eu, vendendo pastel pela manhã e ao
final do expediente.

Quando não vendia tudo passava de casa
em casa na Vila do Grupo; na Vila C; e na
Vila em frente ao Contingente, apregoando
- olha o pastel custa 10 merréis quem
come um come mais e vendia tudo.

Num sábado fui com a cesta cheia de 200
pastéis vender na cerâmica e vendi tudo fiado e
anotado com o nome dos compradores.

Peripécias e Causos do Pacatito | 58

Continuação
PASTEL FIADO

Salgueiro

Ao chegar em casa todo feliz virando a No final de semana seguinte, fui lá
cesta de cabeça para baixo de forma continuar minha venda, mas, enquanto
a mostrar para minha mãe que nada não pagavam o fiado da semana
sobrou, aí ela me perguntou - cadê o anterior, nada podiam comprar.
dinheiro? Eu disse - vendi tudo fiado!
Graças a Deus todos pagaram
Vocês podem imaginar, o couro comeu e voltei para casa tanto com o
para meu lado. dinheiro da semana anterior, como
daquele sábado.

Peripécias e Causos do Pacatito | 59

Vila dos Oficiais LOIRA DO BANHEIRO

Paulo Cesar Simões Azevedo (Susa)

No Grupo Escolar todos tinham medo de
que a “Loira do Banheiro”, aparecesse nos
banheiros para os alunos, história essa oriunda
da personagem que assombrava a imaginação
de quem estudava nas escolas do país. A Loira
do Banheiro era Maria Augusta, filha de nobres
obrigada a se casar com apenas quatorze anos
de idade com um conselheiro do Império, vinte
e um anos mais velho.

Como era previsível, surgiram divergências
entre ela e seu marido que acabou por fugir
para a Europa na companhia de um alto
ministro das finanças do reino, passando
a residir em Paris onde veio a falecer com
apenas 26 anos de idade devido a Hidrofobia.

Diz a história, que um espelho se quebrou na
casa de seus pais em Guaratinguetá no mesmo
momento em que Maria Augusta morreu.

Enquanto o corpo da jovem era transportado,
sua mãe, decidiu construir uma pequena
capela no Cemitério de Guaratinguetá.

Peripécias e Causos do Pacatito | 60

Continuação
LOIRA DO BANHEIRO

Paulo Cesar Simões Azevedo (Susa)

Quando o corpo da filha chegou Algumas pessoas afirmam terem
ao palacete da família, sua mãe o visto o espírito de Maria Augusta
colocou em um dos quartos para andando por lá e a lenda conta
visitação pública em uma urna de que Maria Augusta caminha até
vidro que não sofria com o tempo hoje pelos corredores do colégio
e ela sempre aparentava estar e que ela passa pelos banheiros
apenas dormindo. das escolas para abrir as torneiras
e beber água, e que quando isso
Depois a mãe negou-se a sepultar acontece é possível sentir seu perfume
o corpo da filha devido a seu e ouvir seu vestido deslizar pelo chão,
arrependimento de obriga-la a se casar, além de ser possível avistar sua silhueta
mesmo quando a capela ficou pronta. pelas janelas.

Até que um dia a vizinhança pediu para Daí para aparição noutros colégios
ser enterrada e dizendo que não era foi como fogo em pólvora, se
uma santa ou coisa parecida para ficar alastrou rapidamente e não deu
sendo exposta, e pela insistência da outra chegando ao Barão.
família, a mãe consentiu em sepultá-la.

A casa onde residiu a família e onde
Maria Augusta nasceu tornou-se
posteriormente num colégio estadual.

Peripécias e Causos do Pacatito | 61

foto duplicada PÃO DE SOVACO

Interior do armazém do Seu Paoli. Roosevelt Resende

Este causo vai como autoria do Pita.

Como todos sabem o Pita entregava pão
nas casas. Ele usava sempre uma camisa
regata pois andava muito.

Numa tarde de entrega chovia aí tinha que usar
um guarda-chuva. Com a bisnaga de pão em
uma das mãos e o guarda-chuva na outra como
bater na porta?

Aí vinha o “ sovaco” bisnaga debaixo
do sovaco libera a mão para bater na
porta até que foi surpreendido por uma
moradora que atendeu rápido a porta e
flagrou o delito.

Dá para imaginar quantos pães de sovaco
foram servidos no Pacatito?

Peripécias e Causos do Pacatito | 62



Vila C PAIXÃO JUVENIL

Sônia Brito

A minha paixão juvenil foi o João Galvão. Magro,
cabelos aloirados, falava alto e ria muito. Meu
Deus, como ele era lindo! Minh ‘alma gelava e
eu sonhava que um dia iriamos namorar. Na
época eu deveria ter doze ou treze anos e, a
dele, nunca soube.

Nos domingos à tarde, João pegava escondido a
moto do pai dele e me levava para passear. Íamos
até a entrada da estância. Lembro de rodarmos
em velocidade com sol ou chuva, de sentir medo e
dele rindo muito.

Num domingo, João me perguntou - Soninha,
vamos subir a vila do morro? Aceitei de
imediato. O caminho era de terra, horrível.
Chegando no topo, descemos da moto e
ficamos jogando conversa fora.

Ríamos à beça e falávamos mal de tudo.

Do nada escutamos vozes proferindo ofensas
contra João. Ele me olhou e disse - Vamos embora!

No que subimos na moto, veio uma chuva de
pedras por todo lado. Descemos e, as pedras
e os palavrões desciam junto.

Peripécias e Causos do Pacatito | 64

Continuação
PAIXÃO JUVENIL

Sônia Brito

Depois disso, nunca mais vi o João Galvão. Bom, disse o João, dentre os que
atiraram as pedras, teve um que
Muito, muito tempo depois o encontrei ainda se deu ao trabalho de ir contar
em Itajubá. Foi uma felicidade quando para o meu pai.
nossos olhos se encontraram. Falamos de
nós, falamos do mundo. Espero que não, mas desconfio que
as pedras danificaram a moto do
Perguntei a ele - Nunca mais te vi, pai dele.
o que aconteceu? Ele respondeu -
Depois daquele domingo o seu pai Os amigos sabem que aquela moto era
veio falar comigo e me proibiu de maravilhosa e, que o senhor Galvão era de
passear de moto contigo. pouca conversa.

Conversa vai, conversa vem, ele me
contou - Soninha, naquela época
eu queria namorar com sua irmã.
-Towwmmmm!! O encanto caiu do salto.

-Ai, João! - Com minha irmã?
Me faça o favor, nos meus sonhos eu
namorava contigo!

Peripécias e Causos do Pacatito | 65

PULANDO DA PONTE

José Mauro Feitosa

Ponte do Sapucaí e ao fundo a Vila Lembram do Pedrinho, aquele nosso amigo que
do Grupo. faleceu em 2019? Foi um grande amigo meu.

Uma vez apostei com ele que pularia de
cabeça do alto da ponte do Sapucaí.

O rio estava normal, pois não era época
de enchentes.

Cara, eu dei a ponta e ganhei a aposta. Que
loucura, minha cabeça chegou a relar no
fundo do rio.

Depois do ocorrido vi que arrisquei demais minha
vida nesta brincadeira maluca.

Nunca mais fiz essa estripulia.

Peripécias e Causos do Pacatito | 66

PRAINHA

Terezinha Costa

Vocês lembram da Prainha que tinha no
Pacatito, hoje caminho da Santa Rosa?

Pois é, uma vez o Rio estava cheio e eu
atravessei de um lado para o outro, água
no pescoço, que susto meu Deus, Tudo
para chegar na Prainha.

Chegada de Getúlio Vargas em 1939 em Nunca mais fiz isto.
visita à FI.

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Piscina do Pacatito BANHO NOTURNO

Antônio Carlos Simões Azevedo (Alemão)

Morava ao lado da Igreja, bem defronte à
piscina e, um dia, reunidos defronte à minha
casa, à noite eu, Susa, Zeca, João Cabana,
Gilberto Candido, meu primo Cláudio - do
Rio, que estava passando férias conosco,
resolvemos tomar um banho noturno.

Como o meu quarto era fora da casa, o Zeca e
o Cabana com uniformes do 4° BE, entraram
junto com os demais, e todos só de cueca,
atravessamos a rua lá pelas 23 horas, pulamos o
alambrado e piscina!!!!

Depois de uns 15 a 20 minutos voltamos para
casa, mas meu pai - Maj. Carlos escutou o
barulho lá fora e deu o FLAGRA!!!

Agora imaginem a cena quando a bronca
começou: Zeca e Cabana de cueca, molhados
batendo continência para o velho!!!

Depois do enquadramento militar nos
soldados de cueca, o pai partiu para cima de
mim e do Susa com sopapos no pé da orelha!!!

Meu primo Cláudio queria pegar, no dia seguinte, o
ônibus para voltar ao o Rio de Janeiro.

Peripécias e Causos do Pacatito | 68

Construção da Vila C MANGA MADURA

Márcia Nishimaki

Vou contar uma do Matatudo e Gilberto Paoli.
Na Vila Nova cada casa tinha uma mangueira
em frente. Cada família, respeitava a mangueira
do outro.

Acontece que a mangueira do Seu Paoli,
dava lindas mangas, acho que pelo fato
do Gilberto trabalhar na cidade e não ter
tempo de apanhá-las.

O Matatudo percebeu isso e, certa tarde,
subiu lá na frondosa mangueira.

Eu, como testemunha ocular, tremi nas
bases. Por coincidência surge o Gilberto
vindo do trabalho.

Avisei o Matatudo, é só vi o olhão verde dele,
quase saltar da cara de choro - minha reação,
foi sair correndo para dentro de casa e ficar
quietinha esperando o fim da história.

Parece que o Gilberto não notou a criatura
na mangueira alheia.

Peripécias e Causos do Pacatito | 69

Vila da Olaria CONVERSANDO COM
O DEFUNTO

Marcos Resende

Este é um causo que o Antônio Marmo
me contou.

Quando Marmo tinha doze anos seu pai o
obrigou a ir em um velório de um amigo dele
que ele não conhecia.

Quando lá chegaram ficaram em um canto
esperando a hora de ir embora, aí um
homem se aproximou e falou - aproveita a
vida garoto, seja feliz porque eu não aproveitei,
passou a mão em sua cabeça e foi embora.

O pai do Marmo, antes de ir embora, obrigou-o
a se despedir do falecido e qual não foi sua
surpresa que ao olhar no caixão se assustou,
pois era o que conversava com ele ao tempo
em que ficara no canto. Passou a não conseguir
dormir, tinha pavor de ficar sozinho, ia a psicólogo,
não apagava a luz de noite.

Anos depois descobriu algo incrível que
mudou sua vida. Aquele morto, filho-da-mãe,
tinha um irmão gêmeo.

Peripécias e Causos do Pacatito | 70



Pacatito
Peripécias e Causos


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