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Fruto da disciplina de Laboratório de Jornalismo 2, do curso de jornalismo, da Universidade Federal do Ceará (UFC), nesta primeira edição da Visage, você vai fazer uma viagem pelo passado, presente e futuro da moda, sob o olhar dos jovens fortalezenses. Na revista você vai encontrar a identidade LGBTQIA+ pelo olhar das ballrooms e os destaques da participação jovem no Dragão Fashion Brasil - DFB Festival. Descubra, também, sobre a importância das roupas para recuperação da identidade de egressos do sistema prisional, e sobre a necessidade do upcycling para nosso futuro. Além disso, você pode passear pelo passado, por meio do revival dos anos 2000 na moda contemporânea, ao mesmo tempo que entende sobre política, metaverso e muito mais. Boa viagem!

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Published by vibesmateus, 2022-07-25 20:44:28

Revista Visage

Fruto da disciplina de Laboratório de Jornalismo 2, do curso de jornalismo, da Universidade Federal do Ceará (UFC), nesta primeira edição da Visage, você vai fazer uma viagem pelo passado, presente e futuro da moda, sob o olhar dos jovens fortalezenses. Na revista você vai encontrar a identidade LGBTQIA+ pelo olhar das ballrooms e os destaques da participação jovem no Dragão Fashion Brasil - DFB Festival. Descubra, também, sobre a importância das roupas para recuperação da identidade de egressos do sistema prisional, e sobre a necessidade do upcycling para nosso futuro. Além disso, você pode passear pelo passado, por meio do revival dos anos 2000 na moda contemporânea, ao mesmo tempo que entende sobre política, metaverso e muito mais. Boa viagem!

Keywords: moda,fashion,jornalismo,journalism,ballroom

As peças produzidas por ele aqui fora, financeiramente, Créditos imagens: Danielle Gadelha
são comercializadas em feiras como me ajudou lá dentro,
de artesanato e na loja do pro- psicologicamente.”, afirma.
jeto, localizada no antigo pre-
sídio público, agora Centro de “Consegui mudar a
Turismo do Ceará (Emcetur). minha história”

Quando ingressou na peni- Nas três unidades femininas
tenciária, Marlisson não tinha do Ceará, Instituto Penal Fe-
perspectiva de mudança, minino Auri Moura Costa (IPF),
sempre foi envolvido com a Cadeia Pública de Sobral
a criminalidade e, por con- e a Cadeia Pública do Crato,
ta disso, a mãe e os irmãos 100% das internas participam
não foram visitá-lo. “A minha dos projetos de ressocializa-
família me abandonou den- ção. Bárbara Alves, 25 anos,
tro do sistema. Passei sete também foi uma das detentas
anos sozinho, quatro anos que encontrou novos rumos
sem objetivo nenhum. Em por meio das artesanias. . Ela
2019, eu consegui contato ingressou na unidade duas
com a minha família, o pro- vezes, em 2017 e em 2019,
jeto me ajudou nisso. Quan- pelo mesmo erro, por não
do a minha mãe descobriu ter oportunidades, e rece-
que eu estava no projeto, beu a pena não somente da
ela quis acreditar em mim. reclusão, mas também da
Quando eu saí, meus irmãos hostilidade. "Em 2017, quando
me ajudaram aqui fora. Eles cheguei ao presídio eu estava
estão impressionados com com um mês de gravidez,
a minha mudança.”, conta. aconteceu que passei pelo
procedimento de chegar, né,
O projeto deu uma nova apanhei. Por conta disso, tive
oportunidade para Marlis- gravidez de risco e precisei
son se reencontrar consigo fazer o acompanhamento
mesmo e conseguir seguir na Maternidade Escola. Eu
nesse novo caminho fora da ia de escolta, chegava com
reclusão, mudando a sua a roupa do presídio e as pes-
própria história. “Estamos soas reconheciam na hora;
tendo a oportunidade da as pessoas se afastavam de
mudança. Várias vezes eu mim, na hora eu me sentia
pensei em mudar e, quan- um lixo, um monstro”, conta.
do saísse do sistema, fazer
uma coisa diferente, mas
eu não tinha o incentivo e
o que fazer. Através do te-
nerife, através do artesanato,
eu consegui focar em outras
coisas e tirar os pensamen-
tos errados. Tanto me ajuda

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Bárbara recebeu a visita da mãe e da filha, “Trabalhar com artesanato é Créditos imagens: Danielle Gadelha
que na época tinha quatro anos. A reali- uma oportunidade nova”
dade de estar em uma penitenciária foi
mais dura no momento que percebeu o “A gente quer mudar, mas as pessoas não
impacto que isso ia causar para suas filhas. acreditam. Ninguém quer dar uma opor-
“ Eu cheguei na grade, fiquei segurando e tunidade para uma pessoaque já errou na
olhando pra ela. Ela cutucou minha mãe e vida. E isso é o pior pra gente, a gente fica
disse: ‘eu queria tanto que Deus parasse o tão desacreditado, tão sem esperança, que
tempo pra mim ficar lá dentro com a minha a saída é voltar para o mesmo erro. Me sentia
mãe’. Aquilo foi pior do que qualquer coisa excluída nos cantos que andava. Me mar-
que eu já ouvi na minha vida. Depois disso, tirizei várias vezes. A gente só procura ser
tive febre emocional, entrei em depressão. aceito, viver uma vida nova, dar um futuro
Eu não deixei minha filha me visitar mais. melhor pros nossos filhos e o artesanato
Minha mãe insistia e eu dizia: não, mãe, eu cearense tá me dando essa oportunidade”,
só quero ver ela quando eu sair, não quero defende Bárbara.
ela aqui.”

Em abril deste ano, Bárbara tirou a tornoze- Cristiane Gadelha, coordenadora de Inclu-
leira domiciliar e foi chamada para trabalhar são Social do Preso e do Egresso, explica
na loja de artesanatos como vendedora e que os projetos de inclusão social por meio
aprendiz de artesã. “Quando a gente sai, é do artesanato, dentro das unidades, levam
difícil, muitas portas se fecham. Me colocaram capacitação profissional e empreendedoris-
agora no programa pra eu trabalhar, e eu mo aos internos e internas. “É um trabalho
me sinto até uma pessoa melhor. Me sinto que leva ocupação pro interior do sistema
aliviada em saber que todo dia eu pego um penitenciário, remissão de pena e capaci-
ônibus lotado, vou pra minha casa, mas vou tação profissional. Além disso, os artesãos
com a minha consciência limpa.”, afirma. tem a oportunidade de serem certificados
Além disso, o projeto motivou ela a procurar pela Central de Artesanato do Ceará (CEART)
outras maneiras de continuar seguindo a e receberem identidade artesã para que
sua vida, tanto que ainda neste ano, ela quando eles ganharem a liberdade, eles
começou a fazer os cursos de design de possam participar das feiras e comercializar
suas peças sem pagamento de imposto.”,
sobrancelha e empreendedorismo. explica.

Dessa maneira, o artesanato autoral, tra-
dicional e cultural cearense tem ganhado
destaque no mundo da moda nacional e
tecendo um caminho para novas oportu-
nidades e futuros.

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Raízes na
passarela

Por Fernanda Barros

Confira como o artesanato e regionalismo
invadiram as passarelas do Dragão Fashion
Brasil de 2022, pelas lentes da fotógrafa
Fernanda Barros

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Imagens do desfile
da SAU Swim na
edição do DFB
Festival 2022

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Imagens do desfile
edição do DFB

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e do David Lee na
B Festival 2022

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Imagens do desfile
da SAU Swim na
edição do DFB
Festival 2022

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VISAGE

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