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Conjunto dos 5 primeiros editados

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Published by António Araújo, 2022-12-30 14:32:21

Boletim "O Submarinista"

Conjunto dos 5 primeiros editados

BOLETIM INFORMATIVO

O SUBMARINISTA

ASubPOR Ano I - Número 1 - Julho - Setembro 2021

Editorial Neste número…

“AR AOS TANQUES!” Editorial
Notícias
Com esta voz do comandante do submarino era dado início a todo o Informação aos sócios
procedimento para que se fizesse emersão e se abandonasse as pro- Estórias
fundezas dos mares, ficando à superfície. Não foi com uma voz seme- Novelas Submarinas
lhante, mas sim com a vontade de uns quantos, logo apoiados por Fotografias para a história
muitos, que foi decidido trazer à superfície, um desejo tantas vezes verbalizado
nas reuniões dos submarinistas, mas nunca até à data com expressão, a ASSOCI-
AÇÃO DOS SUBMARINISTAS DE PORTUGAL. Mas porquê uma associação?

Antes de mais a vontade de, no ambiente específico que nos caracteriza, indivi-
dualmente e como conjunto, conferir a possibilidade de, com o espírito que nos
uniu e nos une, conseguir a concretização de objetivos que identificam os que
algum dia experimentaram uma vivência nos submarinos, dando relevo à pro-
moção e dinamização do convívio entre aqueles que ousaram mergulhar nas
águas do reino de Neptuno e tiveram a oportunidade de escutar as profundezas
dos mares.

Depois, na busca de perpetuar na memória, o que são os testemunhos, a heran-
ça histórica dos submarinos, que, com mais de um século, não desejamos que
possa ser esquecida. Nesta preservação da memória existe uma vontade para,
de braço dado com a Marinha, mas sem esquecer o enquadramento privado
sem fins lucrativos que caracteriza a associação, contribuir para a promoção e
criação das condições necessárias tendentes à preservação e musealização do
património afim aos submarinos homenageando, deste modo, as gerações pas-
sadas e conferindo relevo às gerações atuais e futuras de submarinistas.

Resta ainda, sem que tal se constitua como um objetivo menor, a vontade de
apoiar, na medida do possível, a Família Submarinista que se possa encontrar
em dificuldades, tendo sempre presente que esta família será sem-
pre constituída por todos os submarinistas, independentemente de integrarem
a nossa Associação.

O percurso iniciou-se faz quase dois anos, mas a perseverança de todos os ele-
mentos da Comissão Instaladora fez com que, em águas calmas e profundas, se
identificassem as potencialidades da iniciativa definindo os objetivos. Depois,
num esclarecimento da situação à cota de segurança, foi sentido o apoio de
mais uns quantos para prosseguir e, já à cota periscópica, fez-se o anúncio da
concretização da iniciativa.

Agora está na hora de enviar ar aos tanques e vir à superfície, trabalhando e
dedicando o nosso esforço na prossecução dos objetivos identificados procuran-
do, com todo o engenho possível, concretizá-los e, assim, honrar a memória de
todos os que algum dia, ousaram partilhar o fundo dos mares servindo nos sub-
marinos nacionais.

“AR A TODOS, VAMOS PARA CIMA”!

Boletim da ASubPOR nº1 O que são os Órgãos Sociais Eleitos?

Notícias São o conjunto de elementos que vão gerir a Associação, consti-
tuído por 3 grupos – Direção, Conselho Fiscal e Mesa da Assem-
Condecoração a um Submarinista bleia. Após a escritura da Associação e do seu registo como Pes-
soa Coletiva, segue-se um período para entrega de candidaturas
e eleições de listas constituídas por candidatos aos 3 grupos de
Órgãos, após o que haverá uma assembleia eleitoral para que os
sócios possam votar em quem os vai representar.
Durante esse período de candidaturas e eleições, cerca de 2
meses, a gestão continua a ser feita pela Comissão Instaladora,
que passará funções aos Órgãos eleitos após as eleições, os
quais tomarão posse numa nova assembleia, e passarão a gerir a
Associação.

O Submarinista Vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, Como funciona a Associação?
atual coordenador da task force responsável pelo plano de
vacinação contra a covid-19, foi condecorado a 19 de Agosto Uma Associação é constituída por três Órgãos, sendo o principal
pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com a Assembleia Geral constituída por todos os Sócios, e represen-
a Grã-Cruz da Ordem Militar de Avis, pela sua carreira mili- tada pela Mesa da Assembleia. Depois temos a Direção que é
tar. um Órgão de execução que gere a Associação dentro das normas
aprovadas, os estatutos. Por sua vez a ação da Direção deve ser
Informação aos Sócios fiscalizada por um terceiro Órgão o Conselho Fiscal, não só em
termos financeiros mas também garantido que são seguidas
1 - Formar uma Associação todas as regras previstas nos Estatutos e Regulamentos.
A Mesa da Assembleia é o Órgão que funciona como Regulador
Nesta fase de criação da nossa Associação torna-se adequa- do funcionamento da Associação. É o Órgão que promove e con-
do explicar como nasce uma associação, através da resposta duz as Assembleias em geral, incluindo reuniões institucionais de
a algumas questões: todos os sócios também designadas por reuniões ordinárias.
Estas são normalmente duas no ano, uma no último trimestre
Quando faz sentido criar uma Associação? para apresentação e aprovação dos planos orçamental e de ativi-
dades para o ano seguinte, a efetuar pela Direção, e outra em
Primeiro que tudo deve haver Objetivo e Vontade, ou seja, de- Março para apresentação e aprovação do Relatório e Contas
verá haver um grupo de pessoas que veem necessidade de relativos ao exercício do ano anterior, também elaborado pela
constituir uma entidade com valor jurídico para mais facilmente Direção.
atingir determinado objetivo. No caso presente, trata-se de Durante o Ano a Direção vai gerindo a Associação orientada pe-
promover ocasiões de confraternização, apoio à Marinha na los Planos anteriormente aprovados.
preservação do espólio dos submarinos e apoio de carácter Os sócios poderão igualmente ser convocados para assembleias
humanitário a submarinistas. Criar uma Associação significa extraordinárias com o fim de se pronunciarem sobre outros as-
haver vontade e poder contar com uma estrutura que se empe- suntos de interesse para a associação para estarem ao corrente
nhará em constituir um plano anual de atividades que promova dos assuntos da associação e decidirem sobre eventuais propos-
os objetivos acima definidos. tas apresentadas pela Direção.

Como começar? 2 - Listas a eleição

Juntar um grupo de pessoas disponíveis que entendam a neces- Nesta fase em que vamos inscrever a nossa Associação, é conve-
sidade, e que se reúnam regularmente para desenvolver os niente que os atuais sócios inscritos possam pensar em listas
estatutos que no essencial definem os objetivos da associação e para concorrer aos órgãos sociais da associação. Caso haja inte-
as normas pelas quais se rege a sua atividade. A este conjunto ressados em fazer parte de uma lista mas não queiram estar a
de pessoas que promove os primeiros trabalhos e que agilizam constituir um grupo, podem apenas comunicar essa intenção à
as primeiras ações designa-se por Comissão Instaladora. CI que os irá reunir futuramente antes de confirmar qualquer
Uma vez os Estatutos prontos, divulgados e discutidos, convo- lista.
cam-se todos os que, entretanto, manifestaram intenções de A composição dos Órgãos a eleger, num total 11 elementos, de
tomar parte da criação da Associação para uma primeira as- acordo com os estatutos, é a seguinte:
sembleia. Nessa Assembleia, designada por constituinte aprova • Mesa da Assembleia Geral: Presidente, Vice-Presidente e Se-
-se tudo o que vai ser necessário à Escritura da nova Associa-
ção: cretário
• Aprovação dos Estatutos; • Direção: Presidente, Secretário, Tesoureiro e dois vogais
• Oficialização da CI; • Conselho Fiscal: Presidente, Secretário e Vogal
• Nomeação dos 3 elementos que irão registar a Associação e
3 - Comunidade Internacional de Associações
tratar da restante documentação;
• Admissão Oficial dos Futuros Sócios inscritos (Fundadores); Foram recebidas várias felicitações de Associações internacio-
• Definição dos períodos para recolha de listas e eleições dos nais de submarinistas, que nos deram as boas vindas à comuni-
dade e que terão recebido a notícia da nossa criação através da
primeiros Órgãos Sociais; Revista de Marinha.
Destacam-se da comunidade internacional a Associação France-

2Associação de Submarinistas de Portugal

sa, Alemã e da Comunidade Latino-Americana. Boletim da ASubPOR nº1
A Associação Francesa AGASM, deu grande destaque à criação
da ASubPOR no seu Boletim de Abril, cujo ficheiro disponibilizou Estórias
e foi publicado na página dos Submarinistas de Portugal, home-
nageando a nossa Associação com uma foto dos nossos subma- TAPON 86 - Barracuda em Málaga, Abril de 1986
rinistas onde se lê “VIVA ASUBPOR EM NOME DA AGASM”.
"Situação insólita"
4 - Carta aos Indonésios
No exercício "Tapon 86" no Mediterrâneo, atracámos em
Através da página dos submarinistas foi dado a conhecer a inici- Málaga.
ativa de uma carta de condolências pelo ocorrido com o Subma-
rino Nangalla, de Submarinistas POR para Submarinistas IND em Como era normal, todos íamos para os hotéis que nos esta-
que a ASubPOR serviu apenas de mensageiro, e em que poderi- vam destinados. Eu e o meu camarada de quarto, verificamos
am participar todos os submarinistas. que a cama/colchão, quando nos deitávamos, fazia uma gran-
Foram encetados os canais diplomáticos através da nossa coo- de curva no centro, o que era bastante desconfortável para o
peração em Dili para fazer chegar a carta à Indoné- corpo.
sia, à Esquadrilha do Nangalla, o que veio a acontecer, em 30 de
Abril. Entre a porta de entrada e o quarto de dormir existia um WC
separado por duas meias-portas. Então, e para que os col-
chões ficassem direitos, resolvemos tirar essas duas meias-
portas e colocá-las por baixo de cada um dos colchões , para
um melhor conforto.

Na segunda-feira seguinte, pela manhã, quando estávamos a
chegar a bordo para fazer os P.C.V., aparece um carro, com
um senhor a gritar: “Roubaram duas portas, roubaram duas
portas”.

Depois de acalmar o homem, foi-lhe dito que as portas esta-
vam debaixo dos colchões e que devia melhorar as camas.

Perante a risada dos que assistiram à cena, lá fizemos os
P.C.V. e largamos para Cartagena.

Sargentos da foto e dessa navegação, da esquerda para a direita:
Vieira "HE", Carvalho "MQ", Carmo "ETI" Domingos "ETI" (aluno),
Lopes "ETS", Araújo "MQ", Farinha "E" Calado "ETC" e Filipe "MQ"

Sabia que...

… em Outubro de 2009 se falava que “Os três submarinos irão ser
conservados, sendo transformados em museus, o "Delfim" em Viana
do Castelo, o "Barracuda" em Cascais e o "Albacora" na própria Es-
quadrilha de Submarinos na Base Naval do Alfeite. “

3Associação de Submarinistas de Portugal

Boletim da ASubPOR nº1 que em 1520 o Rei Venturoso, D. Manuel I, mandou erigir
como padrão das nossas epopeias marítimas, no estilo de
Novelas Submarinas
transição do gótico ogival para a Renascença, na-
Nesta parte do nosso Boletim iremos partilhar trechos cionalmente chamado "Manuelino".
escolhidos, enviados pelo Sar Montes, retirados de um
livro fascinante e de apelativa leitura para qualquer Atravessando o grande estuário do formoso rio,
submarinista, onde se torna inevitável estabelecer em linha recta, sai a barra, passando junto da his-
comparações, sempre curiosas, entre esquadrilhas tão tórica tôrre de S. Julião começada a construir no
distantes e díspares, mas sempre tendo com o guião reinado de D. João III, e terminada no de D. Henri-
máximo da segurança. que.
Trata-se do Livro “Novelas Submarinas”, que relata
episódios históricos de Submarinos Portugueses e Alia- Entra então na bela baía de Cascais, começando a
dos Durante a Grande Guerra. Coleção de narrativas deslizar ao longo daquela "rivièra", onde os cha-
históricas da autoria do Comandante Fernando Bran- lets e casinos, ostentando a sua aristocrática mag-
co, Comandante de submarinos na Marinha de Guerra nificência, e os seus clamores de luxo e prazeres
Portuguesa durante a I Guerra Mundial e um dos inici- mundanos, não o fazem esquecer a sua missão,
adores na navegação submarina no nosso país. nem lhe fazem torcer a sua rota, que êle, alheio a
O texto respeita a ortografia original do autor. tudo que não seja o cumprimento do dever, vai
seguindo direito ao mar alto onde permanecerá, quem sabe
1º - Narrativa de uma saída se para sempre...

O texto que se segue retracta toda a sequencia da saída de um sub- Entretanto... de terra, alguém, que à sombra do seu tôldo
marino da nossa primeira esquadrilha. Nela podemos identificar listrado, comodamente estatelado em qualquer cadeirão de
particularidades e semelhanças, que tornam esta passagem interes- palha, o veja passar, não terá feito jamais ideia precisa do que
sante para qualquer submarinista. dentro de tão minúsculo casco se
está passando, nem da abnega-
" Se da guerra o nervo é o dinheiro, da Grande Guerra, a ção e do espírito de sacrifício de
que aquelas 21 almas vão coroa-
espinha dorsal, foi... o submarino" das.

..."Está pronto comandante!" É bom que se saiba agora - e só
agora que a guerra já lá vai - que
É o Imediato, que, depois de verificar que tudo está em con- não é só trabalhando em terra, a
dições de seguir, avisa o comandante. bom recato, que se é útil à Pátria.

Então, sobe imediatamente ao longo do pequeno mastro, o Também abandonando o lar e a
sinal, pedindo licença para largar ao navio chefe, e este pou- família, e seguindo para o mar
co depois responde, consentindo. durante uns poucos de dias, car-
regado de responsabilidades e
O mestre de bordo, soprando o tradicional apito, avisa toda a cheio de preocupações, sujeito a
guarnição que vai largar e todos correm pressurosos a ocu- mil riscos, sem saber se volta, passando os dias inteiros longe
par os seus postos. do mundo, mergulhado sob o mar à espera que o inimigo lhe
venha cair ao alcance; assim, também se faz qualquer cousa
Encarrapitados sobre a tôrre, numa pequena plataforma, de útil à Pátria.
estão, o comandante, o marinheiro do leme e o sinaleiro.
Em Cascais espera-o um patrulha, pequeno vapor, que o
À proa está o imediato com o mestre e alguns mais. Outros acompanhará até ao local que êle vai cruzar, para o proteger
poucos estão na pôpa, e, dentro, lá em baixo, no ventre do de qualquer ataque, enquanto êle navegar à superfície.
cetáceo, todos os restantes, prontos a remecher as suas vís-
ceras, e a porem ao longo do seu interior, num comanda- Seguem então os dois, patrulha e submarino, em direcção ao
mento ordenado e inteligente, a vida nervosa e muscular que alto mar, vendo pela pôpa o casario dos Estoris esfumar-se
lhe dará o movimento. cada vez mais.

Então o comandante, tendo dado a voz de "largar da bóia", e Os 21 do submarino, aproveitam então sôfregadamente aque-
ordenado o andamento dos motores de superfície, vai trans- les últimos momentos de navegação à superfície, para sorver
mitindo ao marinheiro do leme, com precisão, rapidez e sem a largos tragos o ar puro da atmosfera, e olhando com uma
hesitações, aquilo que julga ser o conveniente, para que o espécie de adoração o sol, despedem-se dele por algumas
seu minúsculo, mas poderoso navio, avance cortando a água, horas, invejando aqueles, que a bordo do patrulha que os
sem abalroar, sem encalhar, sem embarcar muito mar e se- acompanha, continuarão a viver a vida dos homens.
guindo o caminho desejado.
Fazem-se os últimos preparativos, chupa-se o último cigarro, e
O submersível descreve então uma grande curva, e alevan- alarga-se o incomodativo cinto de salvação. que, se poderia
tando à proa um cachão de espuma, avança modesto mas servir, navegando à superfície, aos que escapassem à explo-
seguro do seu poder, deixando atrás de si, por muito tempo são de uma mina ou de um torpedo inimigo, de nada servirá
ainda, uma esteira, um sulco de água remechida, indicando se naufragar em imersão, porque então lhe restará aguardar
aos que o vêm que o seu poder é tão grande, que até com o paciente e resignadamente a morte, dentro do túmulo de aço,
mar lutará com vantagem. a que em breve vai voluntáriamente descer!

Deixando por bombordo as terras da pequena praia da Trafa-
ria, e pela pôpa a bela Lisboa das sete colinas, espreguiçada
em anfiteatro, passa junto da formosíssima Tôrre de Belém,

4Associação de Submarinistas de Portugal

Boletim da ASubPOR nº1
Navegou-se durante uma hora e estão os dois a 10 milhas da costa.
Longe, muito longe, divisa-se o grande promontório da Roca, desaparecendo para norte em leve penumbra as terras da Ericei-
ra.
Ao sudoeste, um enxame de canoas da Picada, todas com as suas velas hirtas, elegantemente inclinadas, semelham um grupo
de choupos que açoitados pelo vento dominante, se vergaram ao seu peso.
Chegados ao local do cruzeiro, pararam os dois navios. De bordo do patrulha toda a gente à borda, olha com um misto de ad-
miração, de curiosidade e ao mesmo tempo de respeito, aquele pequeno dorso de tartaruga, que balança sacudidamente a um
e outro bordo e sobre o qual correm os seus homens.
Neles vêem outros seres, outras psicologias. e às suas abnegações chamam-lhe curiosidades!
Até as suas fisionomias parecem transtornadas, e quem sabe até, se os seus bofes serão iguais aos deles?!
O comandante do patrulha através do seu "Zeiss", observa com cuidado a manobra do submarino, e marca muito bem o local
onde o vai abandonar, para à hora fixada e no dia combinado o vir receber.
Então o comandante do submarino, sabendo por intermédio do imediato que tudo está pronto para imergir, olha rápidamente
em tôrno a linha longínqua do horizonte, e silvando dois sons rápidos e curtos do seu apito, ordena:" postos de imersão".
Conforme é clássico nos submarinos, à voz dada de "postos de imersão", todos que ainda se achavam em cima, correm, como
que impelidos por uma mola, para as três aberturas estreitas que comunicam com o interior do submarino, descendo rápida-
mente uns após outros, e um por um, pelas estreitas e verticais escadas de ferro, de forma que passados poucos segundos
apenas estão em cima o comandante e o mestre do navio.
Por uma contradição deveras curiosa, ao som do apito do comandante, que faz supor inimigo à vista, tudo foge vertiginosa-
mente para o interior, por instinto de conservação, procurando por esse mesmo instinto todos os perigos que a navegação
submarina, em baixo os está aguardando.
Tendo descido todos, em baixo o imediato verifica que êles estão nos seus lugares, e em cima o comandante ordena ao mestre
que feche as duas portas por onde passou o pessoal.
É então o momento em que êle, tendo já toda a sua gente no interior do seu submarino, se despede da superfície, e com a
decisão própria do cargo, à qual a enorme responsabilidade ajusta uma psicologia especial, desce êle próprio pela tôrre, prepa-
rado, para alheando-se do Mundo, afundar voluntáriamente o seu navio.
O mestre aguarda na tôrre a ordem de fechar a última porta.

(continua)

Fotografias para a história

Reuniões de trabalho árduo!

Audiência com Sua Exa. Alm CEMA Mendes Calado,
na apresentação da ASubPOR em 20Out2020

5Associação de Submarinistas de Portugal

Boletim da ASubPOR nº1

ASSOCIAÇÃO DOS SUBMARINISTAS DE PORTUGAL (ASubPOR)

Convocatória

De acordo com o Código Civil, artigo 167.º n.º 1, convocam-se os Sócios Fundadores da ASSOCIAÇÃO
DOS SUBMARINISTAS DE PORTUGAL (ASubPOR) para o próximo dia 11 de Setembro de 2021, sába-
do, às 16h30m, nas instalações do Clube do Sargento da Armada, no Feijó, com a seguinte ordem de
trabalhos:
1. Aprovar a constituição duma Associação a denominar “Associação dos Submarinistas de Portugal
(ASubPOR)”;
2. Aprovação da Comissão Instaladora (CI);
3. Aprovação dos Estatutos da futura ASubPOR;
4. Designar três elementos da CI para outorgar na escritura pública de constituição;
5. Aprovação dos futuros sócios.

Saudações Associativas.

Nota:
Se à hora marcada, não se verificar a presença de mais de metade dos Fundadores (futuros sócios
que efetuaram a sua prévia inscrição), a Assembleia reunirá meia hora depois, com qualquer número
de presenças.

A Pré Comissão Instaladora
António Luís dos Santos de Sousa
António Manuel da Conceição Valido
António Manuel Pereira Guerra
António Pedro Gouveia Araújo
Fernando Jorge Teixeira Barroso de Moura
Jorge Manuel de Sousa Lourenço Gonçalves
José Domingos Moreira de Barros
José Eduardo Delgado
José Júlio Borralheira Lagartixo
José Ribeiro da Silva Campos
Paulo Alexandre dos Santos Louzeiro
Paulo César Veríssimo Tomás de Deus
Paulo Jorge da Silva de Pinho
Rui Filipe Cebolas Amado
Serafim Afonso da Silva

Sobreda, 27 de Agosto de 2021

FICHA TÉCNICA

Coordenação: Paulo Pinho • Verificação e revisão: José Campos
Grafismo/paginação: António Araújo, Paulo Louzeiro
Colaboraram nesta edição: Paulo Pinho, José Campos, Francisco Montes, António Araújo, Alexandre Calado
Fotografias: gentilmente cedidas por vários sócios e amigos
Periodicidade: Trimestral • Contacto: e-mail: [email protected] • Rua das Hortenses no 13, 2815-743 • Sobreda

6Associação de Submarinistas de Portugal

BOLETIM INFORMATIVO

O SUBMARINISTA

ASubPOR Ano I - Número 2 - Dezembro 2021

Editorial

Realizaram-se, à data em que estas linhas estão a ser escritas, as Eleições para os Corpos Sociais da ASubPOR
- Associação dos Submarinistas de Portugal, tendo sido eleita a única lista candidata. Os resultados obtidos
foram 59 (cinquenta e nove) votos a favor e 0 (zero) votos em branco ou nulos. Registou-se assim unanimi-
dade entre os votantes.

Estas eleições foram importantes no processo de consolidação da nossa associação e na medida em que, em conformi-
dade com as disposições legais, propiciam o desenvolvimento de um plano de atividades e proposta de orçamento,
que a breve trecho, os sócios serão chamados a votar, para o ano em curso e eventual projeção para os dois anos
seguintes, o que assume um aspeto fundamental.

Dos órgãos hoje eleitos sobressai a maior responsabilidade que, conforme decorre dos Estatutos, é conferida à Dire-
ção, na sua qualidade de gestora e protagonista primeira da associação, atentos que são os objetivos estabelecidos,
sem deixar de observar os limites previstos.

Mas se é à Direção que cabe desenvolver o conjunto de atividades que venham a ser aprovados, encontrar a forma
que melhor corresponda aos objetivos traçados e encontrar o seu espaço, não é menos certo que a todos os sócios
caberá o acompanhamento e a participação nessas mesmas atividades de forma que, com o contributo individual, se
possa atingir o primado do conjunto. No final, será à Direção que caberá identificar e escolher o rumo e a cota a seguir,
mas todos serão precisos para que se atinja o objetivo, em segurança e da melhor forma possível. E de certeza que
todos não seremos demasiados.

Assim, na qualidade de Presidente da Mesa da Assembleia Geral saúdo aqueles que integraram a Comissão Instaladora
e que contribuíram para que se chegasse onde se está hoje, mas os meus votos de extremo sucesso vão incondicional-
mente para a Direção eleita, exortando todos os sócios a contribuírem para o futuro da Associação.

José Campos

Neste número…

Editorial
Notícias
Informação aos sócios
Nasceu uma Associação
Efemérides
O Cantinho do Submarinista
Quem sou eu?
Novelas Submarinas
Voltaram ao Barracuda
Fotografias para a história

Boletim da ASubPOR nº2 O Comandante da Marinha é submarinista!

Notícias Nascido em 1960, em Quelimane, Moçambique, o Chefe do Estado-
Maior da Armada e Autoridade Marítima Nacional, Almirante Henri-
O CEMA é Submarinista que Eduardo Passaláqua de Gouveia e Melo ingressou na Escola
Naval em 1979, no curso “Carvalho Araújo”.
Informação aos Sócios
Em 1985 iniciou o curso de especialização em submarinos, tendo
posteriormente embarcado nos três submarinos da classe Albacora,
nos quais desempenhou funções como chefe de serviço. Foi Imedia-
to do Albacora e do Barracuda e comandou o Barracuda e o Delfim.

Exerceu o comando da fragata Vasco da Gama entre 2006 e 2008,
regressando em seguida à Esquadrilha de Submarinos, desta vez
como Comandante. Neste cargo foi o responsável pela adaptação
desta unidade para a chegada dos submarinos da classe Tridente.

Na sua longa carreira operacional, merece igualmente destaque o
cargo de Comandante Naval. Mais recentemente desempenhou fun-
ções de Adjunto para o Planeamento e Coordenação do Estado-
Maior General das Forças Armadas, tendo ainda desempenhado, em
acumulação, as funções de Coordenador da Task Force para comba-
te à COVID-19. de Submarinistas de Portugal deseja ao senhor Almi-
rante Gouveia e Melo os maiores sucessos no desempenho do cargo
de Comandante da Marinha.

Informações da Associação 2 - Comissões de Divulgação e Solidariedade

1 - Eleições e Tomada de Posse (Janeiro de 2022) A Direção deverá no início das suas funções nomear
estas comissões para auxiliarem nas áreas designadas.
Numa Associação os Órgãos Sociais correspondem a
um grupo de sócios eleito para gerir a Associação. A divulgação terá duas vertentes, uma interna virada
para os sócios na partilha das ações da Direção e nas
Estes onze elementos estão distribuídos pela Mesa da ideias que possam vir da massa associativa, e outra
Assembleia que gere as reuniões de sócios, pela Dire- externa levando o conhecimento da nossa missão a
ção que executa todas as ações tendentes à persecução todos os pontos de interesse, associações vizinhas, orga-
dos objetivos estatutários, e o Conselho Fiscal que fis- nizações colaborantes, município, para alem de se ocu-
caliza todas as ações da Direção. parem da parte representativa preocupando-se com
convites, ofertas, homenagens, presença em eventos
Uma vez eleitos os onze, devem reunir uma primeira públicos.
vez logo a seguir para esclarecerem as funções, coorde-
narem e traçarem uma linha de ação que permita cum- A Comissão de solidariedade deve ter uma atitude dis-
prir com os objetivos estatutários em primeiro lugar, e creta, mas ao mesmo tempo passível de identificar as
depois com os Planos de Atividades e Orçamental, defi- situações de necessidade de apoio no seio não só dos
nidos pela Assembleia. sócios, mas dos submarinistas em geral.

Na primeira Assembleia Geral a seguir à tomada de Paulo Pinho
posse será levado à aprovação, o Plano de atividades e
orçamental para 2022.

Nessa Assembleia a Direção aproveitará para esclarecer
as suas ambições para atingir os objetivos definidos nos
Estatutos.

2Associação de Submarinistas de Portugal

Boletim da ASubPOR nº2

Nasce uma Associação

A 10 de Dezembro de 2021 apresentaram-se os 3 elementos
eleitos por uma Assembleia de Submarinistas, no cartório
Notarial “Dora Mesquita e Carmo” em Almada, onde assina-
ram uma escritura que constitui a denominada ASUBPOR –
ASSOCIAÇÃO DOS SUBMARINISTAS DE PORTUGAL.

• Direção: Paulo Jorge da Silva Pinho, António Manuel Pereira
Guerra, José Domingos Moreira de Barros, António Pedro
Gouveia Araújo, Paulo Alexandre dos Santos Louzeiro

Os 3 elementos da Comissão Instaladora, nomeados na • Conselho Fiscal: José Paulo Duarte Cantiga, Serafim Afonso
Assembleia de 11 de Setembro de 2021, assinaram a Escritu- da Silva, José Júlio Borralheira Lagartixo
ra. Foram eles: Paulo Louzeiro, António Guerra e António
Valido.

Um mês após a Escritura, em 9 de Janeiro de 2022 no Clube
do Sargento da Armada, teve lugar o ato eleitoral para os
Órgãos Sociais da ASubPOR. Foram contabilizados um total
de 59 votos (41 presenciais e 18 por correspondência) tendo-
se verificado uma unanimidade à volta da Lista proposta.
Assim, foram eleitos para um exercício no triénio de 2022 a
2024, os seguintes sócios entre os 185 existentes à data:

• Mesa da Assembleia Geral (MAG): José Ribeiro da Silva DOLPHIN Code 36 – Submariners are super!
Campos, António Luís dos Santos de Sousa, Raul dos Santos Longa vida à ASubPOR!
Patalão

José Campos

Efeméride

Parabéns ao NRP Arpão pelo seu 11º aniversá-
rio ao serviço da Marinha Portuguesa!
A todos os que nele serviram nestes anos o
nosso muito obrigado.
À sua atual guarnição os nossos votos de suces-
so nas suas futuras missões!

Zelo

Aptidão

Honradez

3Associação de Submarinistas de Portugal

Comandante da O Comandante Baptista Pereira ingressou na ES em 1999. Após a especialização em
Esquadrilha de Subsuperfície submarinos serviu durante 5 anos seguidos a bordo dos submarinos NRP Barracuda
e NRP Delfim como Chefe dos Serviços de Comunicações, Navegação, Operações e
Imediato tendo totalizado aproximadamente 14000 horas de imersão.

De junho de 2006 a dezembro de 2008 serviu como Adjunto do Chefe de Estado-
maior da Autoridade Nacional de Submarinos , tendo igualmente realizado 8
meses de formação para a posição de Comandante dos novos submarinos 209PN.

De dezembro de 2008 a janeiro de 2010 comandou o submarino NRP Barracuda,
tendo sido o seu último Comandante e igualmente o último de um submarino tipo
Daphné dos 25 que existiram a nível mundial. Comandou até Janeiro de 2013 o
submarino NRP Arpão, do qual foi o seu primeiro Comandante. Durante os três
anos de comando do NRP Arpão, obteve o SAFE TO DIVE CERTIFICATE emitido pela
Marinha Alemã e pelo estaleiro HDW, o qual permitiu o aumento deste submarino
ao efectivo dos navios da Armada e onde realizou cerca de 7000 horas de imersão.

Serviu entre 2013 e 2016 como Chefe do Departamento de Submarinos da Esqua-
drilha de Subsuperfície e Chefe do Estado-maior da Autoridade Nacional de contro-
lo de Submarinos.

Desempenhou cumulativamente as funções de Portuguese Liason Officer to the
Submarine Escape and Rescue Office, Submarine Teacher e Subdiretor do Centro
de Instrução de Submarinos.

De agosto de 2016 a agosto de 2019 desempenhou as funções de TOPFAS Functio-

nal Manager, Training Officer e Branch Security Officer do J5 no NATO Joint Force

Command Naples.
O capitão-de-fragata Baptista Pereira é o
novo comandante da Esquadrilha de Foi depois Chefe da Divisão de Informações do Comando Naval e Diretor do Centro
Subsuperfície, rendendo no cargo o capitão- de Gestão e Análise de Dados Operacionais da Marinha.

de-mar-e-guerra Farinha Alves. Em toda a sua carreira realizou aproximadamente 25000 horas de navegação, das

Muitas felicidades a quem sai e a quem quais 20000 horas em imersão, ao longo de 18 anos de embarque.
entra.

XVIII Encontro de Submarinistas 2021

BZ

Depois de não ter sido possível a realização deste evento no ano 2020, face às contingências da pandemia Covid 19,
realizou-se no passado dia 27 de novembro de 2021, no Clube da Siderurgia Nacional, mais um Encontro de Submari-

nistas. Desta feita o XVIII, organizado pelos
camaradas Valido R , Freitas R e Costa CM.

Os nossos parabéns à organização pelo empe-
nho e dedicação que colocaram na realização
deste evento, que proporcionou excelentes
momentos de convívio e amizade, entre 85 anti-
gos e atuais submarinistas.

Assumiram a responsabilidade da realização deste evento no ano de 2022 os camaradas Mestre T, Branquinho MQ e
Alves CM.

Desejos de mar chão e ventos de feição para a futura singradura!

O Cantinho do Submarinista

O Menino

Era uma vez um menino que nasceu em forma de salsicha, nasceu feito de aço, nasceu a partir do cérebro de alguns Engenheiros,
de cor preta e a quem puseram o nome de “Barracuda”! Até lhe atribuíram um número, o 164, para que pudesse ser identificado
ao longe.

Este menino tinha dois irmãos, um mais novo e outro mais velho. O mais velho chamava-se “Albacora” e o mais novo tinha por
nome “Delfim”. Mas ele, sendo o do meio, sentia-se diferente, especial, mas não sabia porquê! Sempre pressentiu que a sua vida
futura iria ser diferente da dos seus irmãos.

Ele e os outros dois, nasceram não para cortarem as ondas do mar à superfície, mas sim para conhecer as profundezas dos ocea-
nos. O menino “Barracuda” e os seus manos, sulcaram as águas de muitos mares, divertiram-se, fizeram diabruras, atacaram e
foram atacados, brincaram às guerras, enfim, foram muito felizes. Mas como tudo na vida, há sempre um dia em que temos que
dizer adeus. Ele viu os seus irmãos morrerem e ele embora sendo o do meio continuava vivo, “como no início pressentiu que iria
ser diferente”, mas sempre a pensar quando chegaria o seu dia.

Um dia, já muito velhinho, disseram-lhe: vais sobreviver, mas com uma condição dolorosa; em vez de poderes entrar em imersão,
não só não vais ficar à superfície, mas sim… vais ficar fora de água, para aqueles que não te conhecem por dentro o possam fazer.

Aquele menino, que com o passar dos anos ficou velho, lembrou-se dos seus irmãos já falecidos e chorou, chorou muito, mas
resignou-se ao seu futuro. Após grande reflexão sentiu-se muito contente por poder ir dar a conhecer as suas entranhas a desco-
nhecidos.

Alexandre Calado

Quem sou eu?

Nasci no Alentejo. um “destroyer” também. Estava no leme horizontal quando foi
a passagem do submarino por baixo de um porta-aviões. Era o
Nasci num Alentejo profundo, numa Serafim que estava nos postos de combate no leme horizontal,
terra chamada Safara. mas o comandante mandou-o sair e colocou-me a mim.

Com 14 anos, e como diz a canção, vim Há outra história. Numa certa altura em que íamos entrar em
num expresso que parou na Cova da imersão, o Matias eletricista no posto de controle e, à ordem de
Piedade, e aí fiquei a morar. Até à idade abrir as saídas de ar, e estando atento aos luminosos, reparou
de ir para a Marinha, andei a trabalhar nos elevadores da que o luminoso do fecho da escotilha da torre estava aceso. O
Schindler. Nos últimos anos de empresa, já montava, sozinho, oficial de quarto ao fechar a escotilha, bateu com ela de tal for-
toda a estrutura de um elevador. ma que fez saltar a tranqueta, não fechando completamente e
o luminoso permaneceu aceso. Rapidamente se voltou a fechar
Aos 20 anos alistei-me então na Marinha. Bem cedo embar- as saídas de ar, mas não se livraram de um grande susto e de
quei na F474 Magalhães Correia, e F480 João Belo. alguma água salgada!

Foi em 1973, e ainda grumete, mas com o curso de “detector” Fui ao curso de sargentos e saí Mestre do Barracuda. Aliás, foi a
já feito e à espera de promoção, que entrei no Albacora. Em minha casa durante 12 anos dos 20 que estive nos submarinos.
Janeiro de 1974 passo para o Barracuda que, entretanto, tinha Os outros 8 foram no Delfim. Na altura os “detectores” faziam
saído da grande reparação. de Chefe do Posto de Comando. No meu caso fui Chefe do Pos-
to de Controlo. Acumulei os cargos de Mestre do navio com o
Fiz o período operacional todo no Barracuda até entrar nova- de Chefe do Posto de Controlo. O Sargento Pião foi o primeiro
mente em reparação. Sargento Torpedeiro a exercer como Chefe do Posto de Contro-
le.
Foi só nessa altura que entrei no Delfim. As condições a bordo
não eram fáceis. Não havia ar condicionado. As condensações Desembarquei e despedi-me no Barracuda quando este já esta-
eram de tal forma que até parecia que chovia. O espaço era va na Doca flutuante. Acabámos os 2 a carreira na Esquadrilha
mais apertado e os equipamentos mais pesados. A tecnologia ao mesmo tempo.
diferente e mais antiga, enfim as condições não eram as
melhores. E mais não posso contar, se não já sabem quem eu sou?...quem
sou eu?
Naveguei por vários países. Estive na Escócia, Inglaterra, Holan-
da, Espanha, Itália, andei pelos Açores e pela Madeira vezes Paulo Louzeiro
sem conta. Fiz parte da guarnição, no famoso exercício em que
o Barracuda “afundou” um porta-aviões. E ainda digo mais…

Boletim da ASubPOR nº2

Novelas Submarinas (continuação)

Nesta parte do nosso Boletim iremos partilhar trechos o têrmo - e vêem nêle aquele, em quem depositando a
escolhidos, enviados pelo Sar Montes, retirados de um máxima confiança, entregaram a sua vida e o futuro das
livro fascinante e de apelativa leitura para
qualquer submarinista, onde se torna inevitá- suas famílias.
vel estabelecer comparações, sempre curio-
sas, entre esquadrilhas tão distantes e díspa- Ali dentro ninguém se odeia!
res, mas sempre tendo com o guião máximo
da segurança. E talvez seja ali a escola da soli-
Trata-se do Livro “Novelas Submarinas”, que dariedade humana!
relata episódios históricos de Submarinos Por-
tugueses e Aliados Durante a Grande Guerra. Todos se admiram igualmente, e
Coleção de narrativas históricas da autoria do se qualquer ressentimento havia
Comandante Fernando Branco, Comandante enquanto à superfície, êle desapa-
de submarinos na Marinha de Guerra Portu- receu ao mesmo tempo que o sol
guesa durante a I Guerra Mundial e um dos e o ar livre.
iniciadores na navegação submarina no nosso
país. Cada um vê no outro o seu
O texto respeita a ortografia original do autor. irmão, o seu salvador e sente-se
responsável mais pela vida dos
2º Retracto da Vida a Bordo restantes que pela sua própria.
Sabe que se o navio
Segue-se como o autor deste livro vê a vida a bordo, é ficar no fundo, terá
certamente curioso constatar que apesar dos 100 anos de aguardar a mor-
que nos separam nos revemos neste texto, que em mui- te lenta abraçado
to se assemelha à nossa atual realidade das quarta e ao seu camarada,
quinta esquadrilhas, e que também poderia ser de qual- enquanto à superfí-
quer uma das outras. cie os técnicos dis-
cutem a possibilida-
“Há na vida a bordo dos submarinos qualquer coisa de do salvamento,
de místico! e os mergulhadores
martelam no casco
E por muito que se suponha o contrário ela é bem pelo lado de fora,
diversa daquela passada a bordo dos outros navios. para ver... Se êles
ainda estão vivos!
Os indivíduos que compõem a sua guarnição, são
todos bem conhecedores do perigo que correm, e Enquanto dura a
cônscios da responsabilidade que lhes cabe, na mano- faina de imersão - e
bra dos vários aparelhos, e da qual pode depender a ela pode durar um dia inteiro - nenhum descansa.
salvação do submarino, todos olham o seu camarada,
como se olhassem a si próprios, dedicando à sua mis- Todos permanecem em atenção, concentrando sobre
são a atenção que dedicam à conservação da sua pre- a sua manobra o melhor que têm das suas faculdades
ciosa vida. mentais, com os nervos esticados com cordas vibrantes,
até que a vinda à superfície lhes dê como uma espécie
O comandante vê em todos os seus homens, não uns de reacção uma vida intensiva, excessiva, que o fará
autómatos humanos que a uma voz mais ou menos falar muito, andar muito, comer muito, fumar muito
imperativa cumprem disciplinarmente, sob o peso de e...respirar muito de pulmões abertos!...
um certo número de galões, um serviço que não perce-
bem, mas sim uns colaboradores preciosos, que de for- Como é estranha e diversa a vida a bordo de um sub-
ma inteligente sabem pôr em prática aquilo que êle marino!
lhes diz apenas quando é oportuno que se faça.
E como ela é ignorada por aqueles que nunca a experi-
Por sua vez, os homens olham o seu comandante, mentaram!”
como amigo, como irmão mais velho, - permita-se-nos

6Associação de Submarinistas de Portugal

Boletim da ASubPOR nº2

Voltaram ao Barracuda

“Caro Camarada …. Solicita o Comandante da Esquadrilha, a boa atenção para
o pedido efetuado pelo Sr. Almirante Nunes Teixeira e dirigido à comunidade
dos submarinistas que prestaram serviço nos submarinos da Classe Albacora:

Para que o Barracuda possa avançar mais rapidamente para a sua abertura ao
público, torna-se necessário remover do seu interior todos os sobressalentes, fer-
ramentas, IR8, velas de oxigénio, malas pessoais, manuais, etc., que se encon-
tram no seu interior, e que dificultam a operação de limpeza, lavagem e de even-
tuais retoques de pintura necessários, para além da sua preparação interior para
abertura ao público”.

A 8 de Outubro de 2021 foi assim transmitida aos submarinis- nhais, o Filipe MQ, vieram de muitos lados com um propósi-
tas através da Esquadrilha de Subsuperfície o pedido efetua- to. Estamos prontos!!
do pelo Almirante Nunes Teixeira, no âmbito da musealização
do BARRACUDA. Foi um trabalho estranho. Foi um misto de várias emoções.
Foi chegar a um local que inevitavelmente marcou muitos de
Seria importante contar com o apoio de todos os antigos ele- nós, para o bem e para o mal. Mas foi surreal, encontrar o
mentos das guarnições da Classe Albacora, residentes no Navio tal e qual quando de uma chegada de uma semana de
concelho de Almada ou noutros concelhos limítrofes, e que Navegação. Parecia que tínhamos chegado a uma sexta-feira,
quisessem colaborar nesta operação. tínhamos ido de fim de semana e na segunda cá estamos
para fazer a faina de material e preparar o navio para a últi-
A ASubPOR, uma vez tido o conhecimento desta situação, ma grande reparação. Como sempre e em muitas ocasiões na
tratou de divulgar e de incentivar também submarinistas já nossa vida, o trabalho não tinha qualquer planeamento. Mas
retirados e agora na situação de Reforma. como nos habituámos nesta casa, foi coisa que não durou
muito tempo. A estratégia foi feita em poucos minutos e os
Devido à dificuldade de acesso através da escotilha de ré, três dias que estavam destinados ao trabalho tornaram-se
estimava-se que pudessem ser necessários 2 a 3 dias de tra- em dois.
balho, consoante o número de participantes.
Fomos homenageados numa pequena mas significativa ceri-
Assim, as linhas seguintes descrevem, na visão de dois dos mónia no convés da fragata D. Fernando e Glória, na presen-
Camaradas voluntários, Paulo Louzeiro e Amílcar Mestre, ça do Almirante Belo da Comissão Cultural de Marinha, do
como se passaram esses 3 dias. Almirante Nunes Teixeira, responsável pelos trabalhos no
Barracuda, do Comandante Peixoto Queiroz, Diretor da Fra-
Tudo começou com uma troca de emails, em que, através do gata D. Fernando e Glória, do Comandante da Esquadrilha de
Almirante Nunes Teixeira e da Tenente Helena Ramos (CCM) Subsuperfície CFR Batista Pereira e do seu 2º Comandante ,
em nome do Diretor da Comissão Cultural de Marinha, Almi- CFR Amaral Henriques, e ainda de um excelente vinho do
rante Garcia Belo, se convidava antigos submarinistas a parti- Porto.
cipar na remoção de algum material do interior do Barracuda,
com o propósito de facilitar trabalhos para a sua musealiza- Foram voluntários os camaradas:
ção.
Amílcar Mestre CAB T
Comparecemos à data e hora previamente combinada, perto Vitor Cândido 1SAR E
do Barracuda, e logo aí foi ver o nervosismo que era dar início Délio Nemésio Andrade SAJ CM
a esta operação, pois ninguém sabia ao certo ao que ia. Paulo Louzeiro CAB E
António Valido SMOR R
Depois foi feito um pequeno briefing, onde foi distribuído Alexandre Calado 1SAR ETC
algum material de trabalho, (luvas, fato de proteção, capace- António Sousa SAJ CM
te) e onde se preencheu também, assinando, o seguro de Eduardo Silva 1SAR T
acidente de trabalho e um termo de responsabilidade pelo Manuel G. Santos SCHE T
material. Fernando Coelho Capitão 1SAR E
Nunes Filipe SCHE MQ
Havia caras conhecidas e outras nem por isso. Isso demons-
tra, realmente, as várias gerações à qual chegou o apelo da Amílcar Mestre
operação "dar vida" ao Barracuda. Paulo Louzeiro

Veio do Algarve, de propósito, o "Tavira" Délio Nemésio
Andrade, da zona de Santarém, mais propriamente de Mari-

7Associação de Submarinistas de Portugal

Boletim da ASubPOR nº2

Fotos para a história

FICHA TÉCNICA

Coordenação: Paulo Pinho • Verificação e revisão: José Campos
Grafismo/paginação: António Araújo, Paulo Louzeiro
Colaboraram nesta edição: Paulo Pinho, José Campos, Francisco Montes, António Araújo, Alexandre Calado, Paulo Louzeiro e Amílcar Mestre
Fotografias: gentilmente cedidas por vários sócios e amigos
Periodicidade: Trimestral • Contacto: e-mail: [email protected] • Rua das Hortenses no 13, 2815-743 • Sobreda

8Associação de Submarinistas de Portugal

BOLETIM INFORMATIVO

O SUBMARINISTA

ASubPOR Ano I - Número 3 - Janeiro Fevereiro Março 2022

Editorial Neste número…

As recentes audiências concedidas por S. Ex.ª o Almirante Editorial
CEMA e pelo Diretor da Comissão Cultural de Marinha à Notícias
ASubPOR tiveram uma importância que transcenderá a Informação aos sócios
mera apresentação de cumprimentos. De facto, se a pri- Efemérides
meira foi importante pela manifestação de apoio na nossa Associação O Cantinho do Submarinista
a segunda não foi menos, na medida em que permitiu trocar algumas Quem sou eu?

ideias e expectativas relativas ao projeto de musealização do Novelas Submarinas

“Barracuda” que se encontra na doca n.º 1 da Ex. H. Parry & Son, em 50 anos de Barracuda
Cacilhas. Recorda-se que este projeto resulta de um acordo de vonta-

des entre a Marinha Portuguesa (MP) e a Câmara Municipal de Alma-

da (CMA), traduzido num Protocolo celebrado entre estas duas entida-

des em 19 de Dezembro de 2011.

As notícias que o núcleo da Direção que esteve presente nas audiên-
cias recebeu foram motivadoras, parecendo que …. agora é que é.

Todavia, será sempre bom ter atenção à cota, pois tem-se bem pre-
sente que a concretização deste projeto encerra em si mesmo uma
variedade imensa de desafios, sendo o primeiro dos quais a ausência
de experiências a nível nacional no âmbito dos navios de guerra. Tam-
bém referir que, e parece ser perfeitamente evidente, o ambiente
onde se encontra transcende a simples atracação ao cais, sendo impe-
rioso adaptar toda a área envolvente. Adivinha-se, pois, uma listagem
exaustiva de trabalhos onde os conhecimentos e a experiência adquiri-
da pela vida a bordo, sendo muito importantes no sentido de serem
desenvolvidos os conteúdos audiovisuais que se imagina que irão inte-
gral o projeto, não serão únicos e farão par com os conhecimentos
técnicos, arquitetónicos, museológicos e históricos adequados.

Quer-se acreditar que a ASubPOR e as valências dos seus elementos
não deixarão de ser auscultados no processo e assim colaborarem
para a concretização de um projeto que enaltece os submarinos, a
Marinha e o mundo da museologia nacional, mas sobretudo todos
aqueles que um dia ousaram navegar nas águas profundas dos ocea-
nos.

Boletim da ASubPOR nº3

Notícias

Cumprimentos a SExa ALM CEMA

Em 21 de Janeiro de 2022 a Associação apresentou cumprimentos a SExa o Alm CEMA, tendo entregue os
dois primeiros boletins e os Estatutos em cópia dedicada, com o seguinte texto alusivo à "Família Subma-
rina" na sua primeira página:
"Família Submarina...Duas palavras, afinal chegam assim para enunciar todo um mundo de amizades,
uma mentalidade insuperável - impossível de encontrar em quaisquer outras classes de navio de guerra de
qualquer Marinha do Mundo. O termo "Família" é apanágio dos submarinistas. Eles souberam criá-lo, dig-
nificá-lo e merecê-lo. Devem saber mantê-lo."
Maurício de Oliveira

Sentimos vontade de continuar a viver esse termo "Família", e assim sem a ela se limitar criámos a Asso-
ciação, pois que aquela existirá sempre enquanto existirem Submarinistas!
ASubPOR
Foram quase duas horas de conversa entre Submarinistas, recordando, disponibilizando vontades e capa-
cidades, mas acima de tudo uma visita daqueles que continuam a sentir-se da Marinha, e que encontra-
ram uma forma de se manterem em contacto entre si e com a sua casa mãe.
Foi inevitável a abordagem à musealização do BARRACUDA, e bem recebida a capacidade e disponibilida-
de do apoio da Associação, através de sócios retirados dispostos a auxiliar nesses trabalhos. A Associação
constitui nesse sentido apenas um mecanismo de sensibilização e recrutamento, disponível, com ideias e
capaz de apoiar onde a Marinha achar adequado.

2Associação de Submarinistas de Portugal

Boletim da ASubPOR nº3

Notícias

Audiência com SExa o Diretor da CCM Qualquer solução da musealização propriamente
dita deve passar pelo centro de interpretação. Uma
Em 16 de Março pelas 11:00 a Direção da Associa- das primeiras conclusões que sempre foi aceite,
ção (Presidente e Tesoureiro) apresentaram cum- pelos intervenientes, contribuindo para que a pas-
primentos ao Alm Diretor da CCM Bastos Ribeiro. sagem do visitante no interior seja sem grandes
Este encontro sucedeu-se à audiência com SExa o paragens;
Alm CEMA, como duas visitas de cortesia incontor-
náveis no início da cami- A colaboração, no que se espera de nós como
nhada da ASubPOR. Associação, será no essencial contribuir com ideias
Durante esta audiência o e sensibilização de pessoal retirado para apoiar,
tema dominante acabou nomeadamente detalhar dentro de cada comparti-
naturalmente por se cen- mento as ideias de, o quê e como mostrar de uma
trar na musealização do forma escorreita, privilegiando a imagem e o som,
Barracuda, transparecen- incluindo a apresentação
do a abertura do BARRA- a montante, antes do
CUDA a visitas como uma visitante entrar no Sub-
das prioridades da CCM. marino. A existência de
O necessário, projeto da um painel exterior na
envolvente, com infraes- zona junto ao portão
truturas de apoio, esta- onde está a bilheteira,
cionamentos, foi tam- com as principais efemé-
bém falado, como uma rides do BARRACUDA ou
ambição que deve estar definida independente- dos submarinos desta
mente da data da sua completa concretização. A Esquadrilha.
curto prazo a primeira obra será a passagem no
submarino com aberturas laterais AV e AR confor- Ficou ainda assim aceite
me já existe no Submarino Flavour, e de acordo pelo Diretor da CCM, que
com um trabalho de projeto já elaborado para efei- logo que o entendesse a
tos de concurso. Associação poderia coor-
denar com o Diretor da Fragata a instalação do tal
Informação aos Sócios ponto de apoio.

Realizou-se no passado dia 6 de Fevereiro, nas instalações gentilmen-
te cedidas pela Associação de Cultura e Recreio do Bairro de S.João,
na Sobreda - Almada, a Assembleia Geral (AG) da ASubPOR para
aprovação do Plano de Actividades e Orçamento para 2022, confor-
me definido estatutariamente .

Esta AG contou com a presença de 23 sócios e 10 representados.

3Associação de Submarinistas de Portugal

EBfoeletmim édarAiSdubePOR nº3

HÁ 109 ANOS, UMA PENA, UM SUBMARINO!

Escrevi este artigo em 2003 para a Revista da Armada, intitulava-se “Há 90 anos uma Pena um Submarino”. Hoje por ocasião de mais um aniversário
da Esquadrilha de Submersíveis, vimos recordar essa epopeia da viagem do primeiro Submarino da Península Ibérica – O Espadarte.

Às 11 horas do dia 15 de Abril de 1913, há 109 anos atrás, celebrou-se a entrega oficial e solene do primeiro submersível português
“Espadarte” no porto Italiano de La Spezzia. Contava então com 21 imersões efetuadas na fase das experiências com Italianos e Portugueses
Pela primeira vez, a meio da tarde do dia 15 de Abril de 1913, uma guarnição formada exclusivamente por portugueses entrava em imersão
no Golfo de La Spezzia. O primeiro Comandante do “Espadarte” – 1º Ten Joaquim de Almeida Henriques – recebeu um estojo da primeira
guarnição com um artístico tinteiro de prata com pena de ouro, tendo sido usada nas assinaturas da ata de entrega, pelos oficiais portu-
gueses e pelos diretores do estaleiro e da Fiat
Nesse tinteiro estava gravado: “Aos oficiais da Missão Naval Portuguesa, oferece a guarnição do submersível Espadarte”,... e nas três
faces da pena podia ler-se: “Zelo – Aptidão – Honradez”.
Tinteiro e pena constituíram a oferta da guarnição aos seus oficiais, num gesto simbólico de nobreza ímpar com dois significados:

- A primeira manifestação do que viria a ser, no futuro, o espírito vel testemunhar o fator surpresa e a incrível capacidade de descrição
de solidariedade e de respeito mútuo entre os homens dos nossos em ações simuladas contra cruzadores, torpedeiros e contratorpedei-
submersíveis. ros. Uma das testemunhas num destes exercícios foi o Presidente do
Ministério, que ao assistir ao mérito e eficácia do “Espadarte”, assen-
- O início da “saga” dos submarinos Portugueses que recebe- tou a encomenda de mais 3 submarinos. Do sucesso destes exercícios
ram pela primeira vez o lema por que sempre se pautaram – “A resultaram ainda três certezas
Pátria servir com zelo aptidão e honradez”.
- As guarnições dos nossos cruzadores e contratorpedeiros mostra-
Estava destinada a ser árdua, bastante ram uma ausência total de treino;
atribulada e difícil a chegada dos Subma-
rinos a Portugal, primeiro com a luta - O pessoal do “Espadarte” tinha demonstrado que a arma submari-
incessante da Liga Naval Portuguesa na se apresentava com perspetivas de eficiência;
com o objetivo da renovação da frota
nacional onde incluía necessariamente - Não devíamos nem podíamos suster a nossa marcha no sentido de
os Submersíveis, passando pela ação dos criar na Marinha Portuguesa uma força de ação submarina.
pro Submersíveis, que se preocupavam De início, sem outros da sua espécie, o “Espadarte” começou com
em elevar mais alto a sua voz em ações uma tarefa importante neste período conturbado da primeira guer-
de esclarecimento da necessidade da ra, como patrulhador da entrada da Barra de Lisboa.
arma e por fim na tão atribulada viagem Nasceram assim os Submarinos em Portugal contribuindo como
do primeiro submersível, que partiu a 4 mais um instrumento da ciência ao serviço do homem... “para fazer
de Maio de 1913 de La Spezzia e só che-
gou a Lisboa a 5 de Agosto de 1913. Durante o trânsito, o reinar sobre os mares maior igualdade, menor iniquidade e, por-
“Espadarte” teve que vencer vários problemas que o obrigaram a tanto, mais liberdade e mais paz”. Ao “Espadarte” seguiram-se
arribar por diversas vezes, entre os quais avarias nos dois motores outros num total de 14 que ao longo deste 90 anos constituíram
de combustão e as consequências do mau estado do mar. A viagem sucessivamente as 4 Esquadrilhas, em várias cerimónias de recepção
inaugural de 1400 milhas num meio de grande novidade e discreta em que o simbolismo esteve sempre patente pelo uso repetido da
pequenez, sem escolta e num mar revolto... não seria uma façanha, pena dourada que hoje repousa no Museu de Marinha aguardando
mas, pelo que envolvia de coragem, de confiança (e até talvez de um o tão esperado momento da continuidade e a consequente celebra-
pouco de imprudência), era coisa bem própria de Portugueses ção de cem anos de Submarinos.
O primeiro Submersível chegava não só a Portugal mas à Península Silva de Pinho CTEN (em Abril de 2003)
Ibérica,... a nossa vizinha Espanha não possuía ainda Submersíveis. NOTA: Os registos em itálico foram transcritos da obra “Os Submari-
Portugal adiantara-se na adoção dessa nova arma de guerra naval e o nos na Marinha Portuguesa” de Maurício de Oliveira.
“Espadarte” foi assim, ao tocar nos portos Espanhóis de Barcelona,
Valência e Alicante, motivo de forte interesse oficial e popular. O jor-
nal “El Guante Blanco” de Valência, num artigo intitulado “El terrible
submergible”, comentava:

“La aparicion del submergible português “Espadarte” – el Escalan-

te, como decian los chiquillos del Gra – en nuestro porto, ha sido

un verdadeiro exito para el digno representante de nuestra vecina

Republica Lusitana. No han visto ustedes el submergible portu-

gues? Vaya una cosa bonita, por lo rara!”
Assim falavam os espanhóis em contraposição com alguns portugue-
ses que escreviam certas palavras insensatas sobre a feliz ideia de
dotar a Marinha Portuguesa com a arma submarina. Cedo essas bocas
foram caladas com a expressão máxima da capacidade da arma – os
torpedos – com ogiva de exercício foram lançados frente a Algés con-
tra um rebocador do Arsenal e contra o torpedeiro nº 3 tendo as
esteiras passado precisamente sob os alvos visados. Para além deste
exercício foram efetuados mais quatro até final do ano onde foi possí-

4Associação de Submarinistas de Portugal

O Cantinho do Submarinista Boletim da ASubPOR nº3

Relógios Navais

É um dos equipamentos essenciais a bordo.
Por vezes passam despercebidos, até que, pela sua normalidade, não despertam a atenção que nos leva a vê-los mais de perto.
Não é o caso dos relógios personalizados, da marca Vostok, existentes a bordo do NRP Tridente e do NRP Arpão.
Para quem não os conhece, aqui ficam as fotos destas duas peças únicas.
Se quiserem obter mais informações consultem o blog
http://estacaochronographica.blogspot.com/2013/07/a-bordo-dos-submarinos-tridente-e-arpao.html

Quem sou eu?

Em que ano nasceu, e em que localidade? mais tarde, duas semanas, em substituição dum camarada para
este poder casar, durante os exames finais de oficiais e sargentos
Em 1960 no Funchal, Ilha da Madeira desse ano.

A juventude como foi passada e de que Curiosidades que ache importante revelar.
forma tomamos a decisão de ir para a
marinha? As curiosidades que poderia apresentar são inúmeras pois, como
todos nós sabemos, quando nos juntamos, as histórias fluem
A juventude foi passada tranquilamente, duma maneira que, se fosse possível fazer um registo tínhamos
até aos 14 anos, aquando do 25 de abril. A partir daí tudo “pano para mangas” para editar livros sobre a nossa vivência a
mudou. O meu pai, também ele marinheiro, que passava mui- bordo dos submarinos.
to tempo fora, e que nessa altura cumpria uma comissão na
Guiné, regressou e esteve muito mais presente na minha vida. No entanto, há uma situação que, pessoalmente, desde a primei-
Em 1976, estava embarcado na Sagres, após a vinda de uma ra vez que embarquei, ainda durante o curso, me tocou e que
viagem aos EUA, participando no seu bicentenário, foi organi- me fazia sempre refletir. Era o fecho das escotilhas para os PCV e
zada uma viagem para civis, em que os filhos de militares da posterior saída para o mar. Era um ciclo que só se completava
guarnição poderiam também participar. Foi uma viagem à quando se ouvia a voz de “Volta à faina, abrir escotilhas entra a
Madeira, de duas semanas. E aquele ambiente foi contagiante, divisão”. Confesso, era um alívio, uma descompressão tal e em
tendo a partir ficado focado em encontrar uma maneira de que o foco se virava automaticamente para a necessidade de
integrar as fileiras da Armada. rever a família!

Com que idade viemos para a marinha e unidades por onde se Quando saiu e que sentimento o assolou?
passou?
Quando saí da Esquadrilha de Submarinos, em 1992, foi para
Entrei a 3 de agosto de 1979, com 19 anos feitos em Março, enveredar por um novo capítulo da minha vida de marinheiro,
tendo a primeira unidade sido o Grupo nº1 de Escolas da pelo que, na altura não foi um choque muito grande. Mais tarde
Armada, em Quinta das Torres, Vila Franca de Xira, onde fre- sim. Em certas situações comecei a sentir a falta das nossas
quentei o meu curso de especialidade. Durante a minha vida regras, da nossa camaradagem, da nossa união, que tínhamos, e
de marinha, prestei serviço em 3 unidades (não contando, cla- ainda temos, sendo nosso apanágio estarmos sempre prontos a
ro, com as unidades onde tínhamos formação, como o G1EA, o ajudar uma camarada. Hoje sou eu, amanhã pode ser outro que
G2EA, com a Escola de Limitação de Avarias incluída, a Escola necessite da ajuda para levar a bom porto uma determinada
Naval, etc.): na Esquadrilha de Submarinos (de 1982 a 1992), tarefa, que é “dele”, mas que tem implicações com todos os
na Direção de Navios (2 anos e seis meses), na Direção de outros! Esse espírito estava sempre presente entre nós submari-
Abastecimento (de 1997 a 2006) e na Base Naval de Lisboa nistas!
(2006 a 2015).
Hoje em dia o que faz?
Alguns momentos que tenham marcada a vida a bordo, e quais
os navios onde embarcou Hoje em dia estou reformado e dedico-me a ajudar na gestão de
um estabelecimento de ensino particular, metendo os “putos”
Quando acabei o curso de especialização embarquei no Delfim. em sentido”! LOL
Este parou para uma GR e fui destacado para o Barracuda
onde permaneci até terminar o meu embarque. Só naveguei Quem eu sou?...quem sou eu?
no Albacora uma semana durante o curso de especialização, e
Paulo Louzeiro

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Boletim da ASubPOR nº3

Novelas Submarinas (continuação)

Nesta parte do nosso Boletim iremos partilhar trechos a luz eléctrica...
escolhidos, enviados pelo Sar Montes, retirados de um Para as extremidades, esbate-se essa luz em sombras
livro fascinante e de apelativa leitura para indistintas, ao passo que para o
qualquer submarinista, onde se torna inevitá- centro ela dá ao local um qualquer
vel estabelecer comparações, sempre curio- motivo feérico e teatral pelo refle-
sas, entre esquadrilhas tão distantes e díspa- xo fulgurante da luz intensa em
res, mas sempre tendo com o guião máximo tantos metais brilhantes de outros
da segurança. tantos aparelhos que por ali há aos
Trata-se do Livro “Novelas Submarinas”, que montões!
relata episódios históricos de Submarinos Por- Distribuídos a todo o compri-
tugueses e Aliados Durante a Grande Guerra. mento dêsse túnel, estão os
Coleção de narrativas históricas da autoria do homens.
Comandante Fernando Branco, Comandante Não se ouve nada, nada... abso-
de submarinos na Marinha de Guerra Portu- lutamente nada, todos estão des-
guesa durante a I Guerra Mundial e um dos cobertos...
iniciadores na navegação submarina no nosso Porquê? Não se sabe bem ao
país. certo.
O texto respeita a ortografia original do autor. É tradicional! É assim mesmo.
Um mixto de respeito, de admira-
3º Imergindo nesse nosso Mar
ção, de misticismo, de superstição, e a que uma tal ou
O texto que se segue continua a fazer parte da narrati- qual imaterialidade religio-
sa, empresta aquela convic-
va de uma saída de há 100 anos atrás, na manobra de ção pràticamente inexplicá-
vel.
entrada em imersão.
O que é facto, é que
…-"Fecha a porta da tôrre!..." quando começam as mano-
Esta voz clássica, é dada com toda a firmeza e deci- bras de imersão, todos se
descobrem!
são, pelo comandante, ao mestre, que, como já se dis-
se, aguardava na tôrre a ordem para fechar a última Tudo aguarda o momento
porta. em que o comandante dê a
voz que fará mergulhar
Imediatamente ouve-se um som sêco e rápido, cor- aquele invólucro de aço,
respondente ao bater da porta pesada quando se para que então de vez se
fecha, e êsse som de todos bem conhecido, representa desfaça toda e qualquer
o momento, desde o qual as comunicações com o exte- ilusão de comunicação com
rior, com a atmosfera, com os homens, com o Mundo, o exterior.
foram completamente cortadas.
Todos curvados para diante, agarrados a umas chaves
Ligeiros momentos passados, ouve-se a voz compas- esquisitas, de olhos fitos no comandante, estão 8
sada e metálica do mestre, repetir: homens.

- "Fechada a porta da tôrre!..." Agarrado também a um monte de torneiras e a um
Sim; porque a bordo de um submarino, todas as labirinto de tubos, com muitos mostradores na frente,
vozes que o comandante dá, são, depois de executa- hirto, mudo, e com o ouvido à escuta, pronto a mano-
das, repetidas pelo pessoal, para que êste não possa brar as bombas, está o oficial engenheiro-maquinista.
deixar de cumprir a ordem, e aquele não possa ter
dúvidas sôbre o seu cumprimento. A um dos periscópios, observando o exterior, pronto a
Tudo isto se passa no meio de um silêncio que chega avisar o comandante de tudo o que veja, pronto a acor-
a infundir um certo pavor! rer a qualquer ponto do submarino em que seja neces-
Ao longo do interior do submarino, os 21 homens que sário resolver rápidamente, e pronto para substituir o
compõem a sua guarnição, estão em pé, direitos, hir- comandante, se se der o seu impedimento, está o ime-
tos, cada um junto do aparelho que há-de manobrar, diato.
mudos, silenciosos, olhando para o local em que se
acha o comandante, com o ouvido apurado, e a aten- Num compartimento estreito, acanhado, que mais
ção concentrada, de forma a não perder nenhum dos parece o inferno, cheio literalmente de tubos, cabos
seus movimentos, nenhum dos seus sinais e sobretu- eléctricos, lâmpadas, mostradores de aparelhos, inter-
do... nenhuma das suas vozes. ruptores enormes, com dois motores eléctricos muito
Uma espécie de túnel, estreito, comprido, iluminado grandes, meio enterrados no chão, e agarrados a várias

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Boletim da ASubPOR nº3

Novelas Submarinas (continuação)

manivelas, com os olhos pregados a dois grandes mos- mente...
tradores, o ouvido pregado a um porta-voz, e um dedo Entretanto o comandante, roendo a ponta de uma
encostado a um botão de uma campaínha eléctrica,
estão dois homens, que são os condutores das duas boquilha sem cigarro, agarrado a uma manivela do seu
máquinas eléctricas, que vão fazer mover o submarino periscópio, seu companheiro inseparável dos abismos,
quando êle estiver submerso lá em baixo e quiser ouve o barulho da água alagando o seu navio, espreita
começar a navegar. pelo vidro do periscópio a espuma da vaga a cobri-lo
completamente, olha para o manómetro e vê o pontei-
Finda a inspecção de todo o mar em volta, feita, como ro a descer... 1 metro, 1 metro e meio, 2 metros, 2
se disse, pelo comandante e pelo imediato, é chegado o metros e meio...e então, tem a noção nítida do afunda-
momento sensacional!... mento, sentindo uma espécie de torquês que lhe aperta
os músculos e lhe reteza os nervos!
- "Abre os alagamentos!..." diz o comandante.
No silêncio sepulcral em que tudo se encontrava, Pela comunicação da tôrre com o interior, passam uns
aquela voz, cai como uma martelada em lâmina de raios luminosos esverdeados, vindos de fora, das cama-
metal, vibrando sonoramente pelo ambiente do subma- das líquidas, através dos vidros, e que se refletem nos
rino, de ponta aponta, e sacudindo todos os tímpanos, metais incomodando...
que por longo tempo ficam vibrando unísonos com ela.
O navio desceu até aos 3 metros e parou, oscilou,
Então rápidamente, vertiginosamente, como que indeciso...
movidos por um motor eléctrico de alta potência, os
oito homens das chaves esquisitas, dão às referidas cha- De fora de água estão apenas os periscópios.
ves um rapidíssimo movimento de rotação, começando Por êles se vê que o barco patrulha que nos acompa-
então um ruído que só quem o ouviu o poderá com- nhou, se afasta...
preendere que quem jamais o ouviu não o compreen- Já vai longe, bastante longe, navegando à superfície;
derá nunca fácilmente. da sua chaminé, saem espessos rolos de fumo negro,
que nos servem para indicar a direcção do vento que
Os grandes tanques próprios, os enormes espaços não sentimos.
vazios que se acham em tôrno do canudo em que os Não, não podemos sentir.
homens se encontram, enchem-se rápidamente de Vê-se também o mar a ondular, como se estivesse à
água, que entrando ali aos borbotões, impelida pela altura dos nossos olhos, e de vez em quando cobre e
pressão hidrostática, expulsando o ar que ali se encon- salpica o vidro por onde olhamos, deixando-nos cegos!
trava, produz um ruído rouco, grande, cada vez maior, Algumas gaivotas passam, voando em círculo sôbre
enervante, espécie de grande marulhar de vaga alterosa nós, até quasi tocar no vidro por onde olhamos.
de encontro a uns rochedos longínquos! Quantas vezes um bando de gaivotas têm indicado ao
inimigo a posição de um submarino escondido!
Demora aquela situação uns instantes de ansiedade, e Maldita ave, inútil sempre, e agora inconscientemente
o submarino,umas vezes quasi horizontal, outras vezes prejudicial.
ligeiramente inclinado, vai descendo, descendo lenta-

Entretanto...

O submarino Arpão zarpou na
manhã do dia 25 de março, da Base
Naval de Lisboa para integrar a Ope-
ração SEA GUARDIAN da NATO e,
posteriormente, participar na Ope-
ração IRINI, da União Europeia.

A ASubPOR deseja à guarnição do
N.R.P. Arpão os maiores sucessos no
decorrer desta missão.

Zelo
Aptidão
Honradez

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Boletim da ASubPOR nº3

Efeméride

HÁ 54 ANOS CHEGOU O BARRACUDA!

Foi há 54 anos, a 4 de Abril de 1968 que o BARRACUDA foi São igualmente históricos o mítico ataque simulado ao pode-
roso porta-aviões norte-americano USS Eisenhower, em Maio
aumentado ao efectivo dos navios da Armada. de 1983, bem como os 31 dias de navegação contínua e o
reabastecimento de combustível no mar.
A 27 de Janeiro de 2010 despede-se do mar na sua última Mas a última navegação foi sem dúvida marcante para a
guarnição do BARRACUDA que pela derradeira vez sentiu,
navegação iniciada a 18 do mesmo mês. com algum alívio mas com muitas saudades, o impulso dado
aos tanques de lastro na última vinda à superfície do mais
Hoje vimos aqui recordar algumas das suas façanhas, efeméri- resistente e antigo submarino “Daphné” do Mundo!
O Almirante CEMA não quis deixar de se despedir do BARRA-
des e última navegação transcrevendo parágrafos do livro dos CUDA em ambiente operacional, no seu meio de eleição, as
Submarinos da Marinha Portuguesa, iniciado pelo jornalista profundezas do Atlântico, e assim, visitou o BARRACUDA no
dia 26 de Janeiro.
Maurício de Oliveira e finalizado nas suas duas últimas edi- O embarque decorreu em Setúbal, tendo o Almirante CEMA
sido acompanhado pelo Comandante da Flotilha e pelo
ções pelo saudoso Submarinista Almirante Álvaro Rodrigues Comandante da Esquadrilha de Submarinos.
…Degustou-se no almoço de despedida, um magnífico lombo
Gaspar como coordenador e autor de muitos dos textos que recheado incrivelmente confeccionado na exígua cozinha de
bordo, desta vez sem o tradicional cigarro, extinto o hábito de
compuseram o fim da 4ª e início da 5ª Esquadrilha. décadas, corria o ano de 2007 (como foi isto possível?? Último
almoço sem se ter ouvido aquela maravilhosa frase pela rede
Dias de mar “O de difusão geral “Atenção compartimentos. Autorização para
3.090 dias fumar um cigarro”…).
No desfecho desta história, pode certamente dizer-se:
Tempo de navegação 52.622 horas “Descansa “Barracuda”, pois cumpriste como poucos a tua
Missão!”
Tempo de imersão 35.795 horas
Taxa de imersão 68.1%
Distância navegada
163.358 milhas

BARRACUDA ficará sempre associado a efemérides históricas
do mundo submarino. Não fossem os inúmeros exercícios
nacionais e estrangeiros, destacando-se os CONTEX´s,
SWORDFISH’s, TAPON’s, JMC’s, SPONTEX’s e as colaborações
com a organização de treino Operacional da Marinha Real
Britânica, nos OST’s; a história do BARRACUDA ainda fica mar-
cada pelo primeiro afundamento por torpedo realizado por
um submarino português a um navio mercante, o MV
“Bandim” a 15 de Dezembro de 1982.

FICHA TÉCNICA

Coordenação: Paulo Pinho • Verificação e revisão: José Campos
Grafismo/paginação: António Araújo
Colaboraram nesta edição: Paulo Pinho, José Campos, Francisco Montes, António Araújo, Paulo Louzeiro e Amílcar Mestre
Fotografias: gentilmente cedidas por vários sócios e amigos
Periodicidade: Trimestral • Contacto: e-mail: [email protected] • Rua das Hortenses no 13, 2815-743 • Sobreda

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BOLETIM INFORMATIVO

O SUBMARINISTA

ASubPOR Ano I - Número 4 - Abril a Agosto 2022

CEditorialumprindo o que nha sido manifestado como desejo dos sócios da Neste número…
nossa ASubPOR, tendo assumido letra de forma nos estatutos aprova-
dos foram já cons tuídas as Comissões de Solidariedade e de Divulga- Editorial
ção. Notícias
54 anos de Barracuda
Qualquer uma delas tem a sua razão de ser e amplo espaço de atuação na con- Desfile no Dia da MarinhaI
tribuição para a prossecução dos obje vos da Associação, merecendo realce, nformação aos sócios
nestas áreas, os seguintes:

 “Promover, desenvolver e consolidar a camaradagem e solidariedade navais Comemoração do nascimento
entre submarinistas” da ASubPOR

 “Contribuir para o bem-estar dos an gos submarinistas e das suas famílias”

 “Divulgar a arma submarina” Submarinistas em destaque

Pela abrangência dos temas propostos afigura-se um esforçado trabalho de Quem sou eu?
iden ficação das ações tendentes aos fins propostos, a seleção daquelas que

devem ser perseguidas antecipando o seu resultado numa perspe va do seu O Cantinho do Submarinista

bene-cio para os sócios da ASubPOR, e, finalmente, desenhar a forma de con-

cre zação de todas as que, tendo sido consideradas adequadas, ob verem o Novelas Submarinas

sancionamento da Direção. A nossa Bandeira

Numa visão mais próxima, os interesses destas Comissões, passarão também

pela ligação estreita existente com a Direção, devendo igualmente estar orien-

tadas no sen do de contribuir para a sa sfação do que são as competências estatutárias da Direção nesta área, relevando-

se a seguinte:

 Estar atenta às necessidades e carências dos associados em geral, e de suas famílias

O trabalho a realizar pelos membros das Comissões é, portanto, enorme, de grande sensibilidade e exige, tempo, dedica-
ção, empenho, capacidade de análise e engenho, de forma a não cair em lugares-comuns conseguindo encontrar uma linha
condutora que responda à vontade dos sócios. Nesse sen do, neste âmbito específico, afinal como em tantos outros do
nosso quo diano, é importante que, para que os obje vos propostos conheçam uma melhor concre zação, a par cipação
dos sócios seja constante e asser va, de forma que, os membros das Comissões em par cular, e a ASubPOR no geral, a n-
jam o desiderato pretendido.

Mais uma vez, só a par cipação de todos contribuirá para o cabal cumprimento da missão.

José Campos

Bole m da ASubPOR nº4

Notícias

54 Anos do BARRACUDA

No dia 4 de maio passado, 450 pessoas deram os parabéns ao submarino
Barracuda.
Não podíamos ter celebrado da melhor forma estes 54 anos do Lobo do
Mar!
Um registo do melhor do dia!
Esse dia juntou submarinistas que se disponibilizaram a par cipar na visita
guiada de todos os visitantes, visitantes.
Para além de pessoal na reserva e na reforma da ASubPOR, foi possível
contar também o volunta-
riado de pessoal no a vo,
como o próprio Coman-
dante da ES e o Diretor da
Fragata D. Fernando II e
Glória. Foi muito boa esta
viagem ao passado

Foi bom reviver com pessoas
interessadas e com camaradas
Submarinistas, alguns deles tam-
bém visitantes que vieram com
suas Famílias.
É grande a expecta va e bons
dias se advinham quando as
obras de musealização es ve-
rem concluídas e o submarino
Barracuda seja aberto ao público
para visitas.

Mar chão e ventos de feição!

2Associação de Submarinistas de Portugal

Bole m da ASubPOR nº4

Notícias

ASubPOR desfila nas Comemorações do Dia da Marinha

Neste primeiro ano de vida, a ASubPOR recebeu convite do Alm. CEMA para integrar o pelotão de
bandeiras e estandartes dos clubes e associações, ligados à Marinha, no âmbito das comemorações do
Dia da Marinha 2022.

O Presidente da Direção e o sócio SAJ CM Délio Andrade, representaram a Associação no dia 22 de Maio,
no desfile realizado em Faro, na Praça Dom Francisco. O SAJ CM Délio Andrade transportou a nossa
Bandeira integrado no Pelotão de Bandeiras e Estandartes, e o CFR Silva de Pinho comandou o pelotão de
Militares da Marinha aposentados, que também representaram os seus Clubes e Associações Navais.
Decorrente desta par cipação, que muito honrou a Associação pela oportunidade de poder representar
os Submarinistas, a ASubPOR recebeu um Diploma conforme se expõe.

3Associação de Submarinistas de Portugal

Bole m da ASubPOR nº4

Informação aos sócios

Caros Submarinistas
Camaradas do Fundo!

Cartões
Os cartões de Sócio estão feitos e começaram a ser distribuídos.

Que significado tem esse cartão?
O Cartão significa que esse submarinista inscreveu-se numa associação na qual possui direitos e deveres, e que se
revê nos seus estatutos, nomeadamente nos obje vos colaborando com os restantes sócios para a concre zação
dos mesmos.

Que significado tem a numeração do Cartão?
A numeração indica a ordem de inscrição, servindo apenas para auxiliar a iden ficar a altura em que ocorreu e a
consequente admissão. Isto é tal qual referem os estatutos, após a inscrição, na primeira oportunidade, ou seja na
primeira reunião de Direção, serão aprovados os novos sócios. A ordem não é sinónimo de qualquer grau de gran-
deza, nem diferença, pois que se assim fosse todos teríamos o mesmo número.
Não estão previstos privilégios para sócios com mais ou menos anos. Ser Sócio é ter a possibilidade de par cipar
numa missão nobre e desinteressada, em prol da Família Submarina (sócios e não sócios), e tem como contrapar -
da o apoio da própria Associação através dos seus sócios e a sa sfação de par cipar, fazendo parte de uma realida-
de com orgulho e abnegação.
Só percebemos o significado de ser Sócio, quando sen rmos que a proximidade de facto existe, isto é quando sen-

rmos que temos uma estrutura que funciona em beneficio de uma comunidade que um dia navegou junta, e em
que todos eramos um só!

Outras Informações

Quando será a próxima assembleia?
Conforme nosso Plano Anual está prevista para Novembro e tem como obje vo estatutário a apresentação do Pla-
no de A vidades para 2023 e o respe vo Plano Orçamental.

Quais as Comissões de Divulgação e solidariedade?
De acordo com o parágrafo 3 do ar go 16º dos estatutos devem exis r obrigatoriamente duas Comissões: de divul-
gação e de solidariedade. Nessa conformidade foram propostos os seguintes camaradas em 15 de Julho, tendo to-
dos aceite o desafio:
Divulgação – CTEN SEM António Araújo, SAJ MQ José Branco, SAJ ETI Clemen no e 1SAR E Capitão.

Solidariedade – CFR M Paulo Pinho, CFR EMQ Moura, 2SAR T Américo Fernandes e SMOR R António Valido

Irão reunir em Setembro para regulamentar o funcionamento das Comissões.

Atendimento aos Sócios
A par r de dia 8 de Setembro, todas as quintas feiras entre as 09h00 e as 16h00 haverá um elemento da Direção a
bordo da Fragata Dom Fernando, disponível para receber qualquer sócio que deseje tratar de qualquer assunto
com a Associação. Terá também disponíveis os cartões de sócio, fichas de inscrição, atas da Direção e material de
representação.

4Associação de Submarinistas de Portugal

Bole m da ASubPOR nº4

Informação aos sócios

Musealização do BARRACUDA

Concluído o concurso para abertura das portas e colocação das escadas no BARRACUDA, tendo os trabalhos sido
iniciados com as aberturas propriamente ditas. Está prevista para breve uma limpeza profunda ao navio e a monta-
gem do ar condicionado.

Trabalhos de eletrificação têm prosseguido, com a mais valia de um dos eletricistas mais an gos, SAJ E Gaspar, que
regressou à efe vidade, apoiando a equipa do Diretor destas Unidades.

A Associação tem sido chamada a apoiar pontualmente, nomeadamente na composição da cabine TSF, na iden fi-
cação e graduação dos trabalhos de musealização, no guião das visitas, nos lembretes, e no apoio con nuado atra-
vés de um contacto permanente com os técnicos disponíveis.

5Associação de Submarinistas de Portugal

Bole m da ASubPOR nº4

Informação aos sócios
Comemoração do Nascimento da ASubPOR

“A 8 de maio, os sócios da Associação dos Submarinistas de Portugal (ASubPOR) assinalaram o aniversário
do seu nascimento. O evento, graças ao trabalho desenvolvido por um dedicado grupo de sócios, conhe-
ceu um brilho e qualidade de elevado nível, permi ndo a degustação de um ó mo pe sco e muita, muita
conversa recordando momentos vividos em conjunto. Mas nada disso seria possível sem a disponibilização
do espaço pela Associação Cultural e Recrea va do Bairro de S. João, que gen lmente nos deixou u lizar o
espaço. Expressamos aqui mais uma vez o nosso profundo e sincero agradecimento.”

O Presidente da Mesa da Assembleia Geral da ASubPOR

A administração local, União de freguesias de charneca da Caparica e Sobreda, esteve representada pelo
Secretário do Execu vo da Junta sr. João Rocha, e pela Confederação das Associações o Presidente da
ACCA Paulo Santos.
Este evento, que marca o início da a vidade da Associação, foi aconchegado por um opíparo porco no es-
peto, sendo que, para além dos nossos es mados sócios submarinistas, es veram também presentes o
Comandante da Esquadrilha de Subsuper-cie CFR Bap sta Pereira e o CAB E Marques em representação
da Marinha.

O Sar MQ Carapeta
salvou o dia com
esta preparação

O nosso bolo!!!!

E no fim….!

6Associação de Submarinistas de Portugal

Bole m da ASubPOR nº4

Submarinistas em destaque

Iremos passar a ter um espaço neste bole m dedicado a submarinistas que se tenham destacado por mé-
ritos quer de a vidade no âmbito naval, quer fora da marinha.

O Capitão-de-fragata Ribeiro
da Paz e o Segundo Sargento
Ferreira Marques foram, no
dia 13 de abril, dis nguidos
pelo Comandante do “Allied
Mari me Command”, Vice-
almirante Keith Blount, do
Reino Unido, pelo excecional
desempenho ao serviço da
NATO.

O Comandante Ribeiro da Paz
foi reconhecido pelo seu con-
tributo para o produto opera-
cional do “Mari me Com-
mand”, enquanto Coman-
dante do submarino
“Tridente”, ao longo de três
empenhamentos no âmbito da Operação SEA GUARDIAN, totalizando 177 dias em Patrulha Discreta ao
serviço da Aliança, em áreas de interesse comum aos Países Aliados.
O Sargento Ferreira Marques foi dis nguido pelo seu desempenho ao longo de três anos de serviço no
“NATO Submarine Command” (COMSUBNATO), contribuindo para o controlo de submarinos e garan ndo
a segurança da navegação submarina para todos os Países Aliados.
A cerimónia teve lugar nas instalações do “Allied Mari me Command”, em Northwood, Reino Unido.

O capitão-de-fragata Bruno
Ricardo Amaral Henriques
recebeu a 27 de agosto, o co-
mando da fragata NRP Corte-
Real, rendendo o capitão-de-
fragata Luís Alberto do Carmo
Falcato. A cerimónia realizou-
se no Porto de Kalundborg,
na Dinamarca, e foi presidida
pelo Comandante Naval, vice-
almirante Nuno Chaves Fer-
reira.
Este dis nto Submarinista
entregou o cargo de segundo
Comandante da Esquadrilha
de Submersíveis para passar a
pertencer a um grupo raro de
Comandantes, que juntaram ao Comando de Submarinos, o Comando de uma Fragata.
A Fragata Corte-Real encontra-se atualmente em missão, integrada no Grupo-Tarefa da NATO Standing
NATO Mari me Group One (SNMG1), promovendo a segurança e a defesa cole va dos estados-membros

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Bole m da ASubPOR nº4

Quem sou eu?

Nasci no ano de 1962 numa pequena terminei no Delfim. Os momentos marcantes foram tan-
vila do norte de Portugal no concelho tos que não consigo salientar nenhum e par cular.
de Miranda do Douro.
Desde entradas de água, incêndios a bordo, abalroa-
Emigrei com cerca de quatro anos mento do fundo do mar a cerca de 200 metros etc.
para a França onde permaneci até
1975, as memórias da minha terra Exercícios que me ocorrem são cinco JMCs, dois Tapon,
natal são já tardias, mas das quais guardo boas recorda- um período de 18 dias de imersão e vários de 15 dias etc
ções do ambiente rural, com muita liberdade e espaço etc. Visitei os portos de Cádis, Cartagena, Funchal, Tou-
para correr. lon, Lorient, Edinburgh, Den Helder, Leixões, Rosyth,
Portsmouth, Portland. E depois na Corveta João Roby,
A minha juventude foi algo diferente do comum, pois no pus os pés nas nove Ilhas dos Açores, Saint Jones no Ca-
regresso do estrangeiro não ve direito a equivalências nadá, Reykjavik na Islândia e Casablanca em Marrocos.
escolares e voltei para a primeira classe com 13 anos, só Durante a estadia nas Brigadas Hidrográficas visitei to-
com a boa vontade do diretor da escola fui proposto a dos os faróis, desde Viana do Castelo a Vila Real de Sto.
exame do 3º ano e na segunda semana entrei na 4ª clas- António, e ainda alguns da Madeira e dos Açores.
se. A par r daí, e mesmo sendo bom aluno, as peripécias
foram mais que muitas e recusei-me a ir à escola com 17 Es ve onze anos na Esquadrilha de Submarinos, mas
anos. quando saí foi com a sensação de dever cumprido.

Comecei a trabalhar logo de seguida como aprendiz de Destaquei para o Ins tuto Hidrográfico, onde permaneci
mecânico, mas como o meu pai queria que eu con nuas- dado às Brigadas pelo período de três anos, muito gra -
se a estudar e eu me recusava, decidiu pôr-me a traba- ficantes profissionalmente. De seguida embarquei na
lhar nas obras para me tentar vergar, mas sem sucesso. Corveta João Roby durante dois anos e daí saí para a
ETNA, onde permaneci três anos. Seguiu-se CCM
Entrei para a Marinha em 1983 no decurso do serviço (Centro de comunicações da Marinha) e es ve dado as
militar obrigatório. unidades da Penalva e Fonte da Telha.

Nem sabia que Portugal nha Marinha! Só durante a dita Sim, a Marinha como um todo nem sempre era igual no
inspeção tomei consciência disso e ouvi tanta coisa boa trato e nas vivências, principalmente na João Roby , e só
que decidi tentar, e assim foi. posso comparar o ambiente de bordo. Na Esquadrilha
nunca es ve em “terra”. E posso afirmar que o profissio-
Além de Vila Franca onde fiz a recruta e o ITB (Instrução nalismo nos Submarinos é incomparavelmente superior
técnica básica) de Eletricistas, desta- às outras unidades navais.
quei de seguida para Alcântara
(Centro de Recrutamento da Arma- A maior e principal diferença é que os militares embar-
da) onde permaneci até entrar para o cam nas outras unidades navais sem qualquer formação
CTC (Curso complementar técnico) e prévia, sem qualquer conhecimento do espaço, da orgâ-
voltei para Alcântara cerca de um nica... Sem me alongar direi apenas que, na Corveta,
ano, donde destaquei para cumprir passei o tempo a rezar à Senhora de Fá ma e eu nem
embarque no NRP Mandovi, onde também es ve um sou crente.
ano, até alguém me ter convencido que a minha vida se-
ria melhor nos submarinos e voluntariei-me. Hoje em dia levo uma vida muito pacata, tentando man-
ter-me ocupado, mas sem compromissos de horários ou
Entrei para o curso em 1987. outros.

Naveguei nos três submarinos no a vo. Comecei no Del- Quem sou ?
fim e Barracuda durante o curso, de seguida o Albacora e

8Associação de Submarinistas de Portugal

O Cantinho do Submarinista Bole m da ASubPOR nº4

A minha pneumonia

Barracuda, Maio de 1985.

Esta história verdadeira que vou contar poderá não vos dizer nada, mas terá certamente pormenores insólitos que
vos colocarão bem dispostos.
O Barracuda navegava para a Madeira e eu, no posto de comando, comecei a sen r-me mal, a minha temperatura
chegou a ultrapassar os 39ºC. A meio da viagem deixei de poder exercer a minha função de C.P. Comando, ficando
deitado e medicado.
O enfermeiro a bordo era o “maluco” que me encharcava com comprimidos, mas sem melhoras. Logo que atracá-
mos fui imediatamente levado para o hospital do Funchal, onde após vários exames me foi diagnos cado uma
pneumonia na base esquerda do pulmão. Ainda hoje cá mora o sinal cada vez que faço um RX.
Como o Barracuda ia sair para o mar na segunda-feira seguinte, e eu teria que ficar internado para tratamento, re-
solveram levar-me para um quartel do Exército que ficava lá no alto da serra.
Como era 1º Sarg. e não nham enfermaria, não sabiam onde eu poderia ficar. Então fui “colocado/instalado”, sozi-
nho, numa sala enorme, sem qualquer pessoa com quem falar. Tinha apenas por companhia, a mala com a roupa
que me nham trazido de bordo.
De manhã levavam-me duas cafeteiras enormes cheias, uma com café, outra com leite, como se eu bebesse aquilo
tudo. Ao almoço e ao jantar a fruta era uma maçã do tamanho de uma ameixa.
Ao terceiro dia, apareceu para me cumprimentar e falar comigo o Sargento mais an go da unidade, um Sargento -
Mor do Exército.
Na conversa da, mencionei o porquê das cafeteiras com aquele tamanho, com café e leite, quando eu apenas be-
bia uma caneca de café com leite. Falei da fruta ao almoço e ao jantar e ques onei que, se estando na Madeira por-
que não traziam uma ou duas bananas?
No dia seguinte, pela manhã, tudo foi alterado, o café e o leite vieram em pequeninas cafeteiras, mas quando che-
gou a hora do almoço, para meu espanto, como fruta, trouxeram-me pelo menos uns cinco quilos de bananas! De-
viam pensar que eu era um macaco.
A seguir ao almoço, veio novamente o Sargento-Mor visitar-me e perguntar-me se estava sa sfeito com o serviço.
Disse que sim, mas não falei na quan dade de bananas que nham trazido para não ser mal educado.
Por ali fiquei sozinho durante uma semana enquanto o Barracuda esteve a navegar.
Um dia foram-me buscar e levaram-me para o aeroporto, avião, Lisboa, Hospital de Marinha, onde es ve mais
quinze dias internado até a recuperação total.

Alexandre Calado

Efeméride

Foi no dia 17 de junho de 2010 que o NRP Tridente foi entregue à Marinha Portuguesa e entrou ao serviço de Portugal.
Chegou a Lisboa a 2 de agosto de 2010
Parabéns à atual e anteriores guarnições pelos 12 anos de missões cumpridas.

Zelo Ap4dão Honradez

9Associação de Submarinistas de Portugal

Bole m da ASubPOR nº4

Novelas Submarinas (continuação)

Nesta parte do nosso Bole m iremos par- dos incendiários, nuvens de fumo, e
lhar trechos escolhidos, enviados pelo cor nas espêssas de nevoeiro ar fi-
cial.
Sar Montes, re rados de um livro fasci- Soldados comba am, reformados
nante e de apela va leitura para qualquer escreviam, velhos liam e arruma-
submarinista, onde se torna inevitável vam, rapazes ajudavam.
estabelecer comparações, sempre curio- Senhoras faziam ar gos de vestuário
sas, entre esquadrilhas tão distantes e de lã, umas; outras eram damas da
díspares, mas sempre tendo com o guião cruz vermelha e simples enfermei-
máximo da segurança. ras; outras tomavam, nas fábricas,
nas lojas os lugares dos homens.
Trata-se do Livro “Novelas Submarinas”, Mulheres e raparigas de todas as
que relata episódios históricos de Subma- classes, davam o seu quinhão, traba-
rinos Portugueses e Aliados Durante a lhando nos correios e telégrafos, nas
Grande Guerra. Coleção de narra vas his- fábricas de munições, servindo de
tóricas da autoria do Comandante Fernan- policias, e até de condutoras dos
do Branco, Comandante de submarinos na "omnibus" e carros elétricos.
Marinha de Guerra Portuguesa durante a Todos os homens de talento apareci-
I Guerra Mundial e um dos iniciadores na am com novas invenções, algumas aproveitáveis, muitas
navegação submarina no nosso país. inúteis, de variadas armas e de caprichosos aparelhos de
defesa; e tudo isto em tão grande quan dade, que re-
UM CARDUME DE SUBMARINOS!! par ções e comissões especiais se formavam, para ràpi-
damente dar opinião, sôbre essa copiosa chuva de in-
“Falso alarme de submarinos inimigos- episódio curioso ventos.
Toda a marinha mercante estava mobilizada, e de toda a
porque passou um submarino português durante a guer- espécie de embarcações, incluindo as de pesca e de re-
creio, se lançava mão para auxiliar as várias operações
ra.” de guerra.
Os hospitais abarrotavam a mais não poder ser, e, como
Iª Parte já não bastassem, grandes hotéis e até palacetes par -
culares eram requisitados, ou cedidos voluntariamente
A Grande Guerra estava no seu auge!... para servirem de hospitais, enfermarias, postos de so-
Exércitos colossais de milhões de homens, tão formidá- corro, e até repar ções públicas novas, que havia neces-
veis como até então ainda se não nha visto, defronta- sidade de criar.
vam-se, meio alapardados, como toupeiras, em trinchei- Nas nações bloqueadas, começava a escassear o materi-
ras tão compridas, que quási atravessavam a Europa de al para o fabrico de canhões e das munições, e para não
lado a lado e ainda se estendiam pela Ásia, serpentean- se parar na terrível senda de extermínio, deitava-se mão
do em curvas caprichosas, como um monumental cobra, das estátuas, cujo bronze se fundia.
e fazendo de campos outrora fer líssimos, lodacentos O material para o vestuário passava também a não ser
labirintos. abundante, recomendando-se economias, e passando-
Exércitos de todas as nações, agrupavam-se em Corpos se a usar fatos simples e baratos; e os governos, impu-
de Armada extraordinários, e centenas de milhares de nham às populações limitações de toda a ordem, nos
soldados de todas as raças e de todas as côres, acorriam consumos dos vários comes]veis, combus]veis e energi-
ao vas]ssimo teatro de operações. as.
Razias e devastações formidáveis se faziam, destruições Por falta de carvão, arrasavam-se implacavelmente flo-
horríveis de preciosíssimas obras de arte de toda a espé- restas quási inteiras, para se queimar a madeira das ár-
cie, nham lugar; arrasamentos e inu lizações de plan- vores; e nos hospitais começava a sen r-se a falta de
tações e de florestas, se produziam, aniquilando comér- muitos medicamentos.
cio, indústrias e agricultura! Os cirurgiões estudavam novos processos de extração
No "front", estava toda a gente válida; e na retaguarda de balas e de es lhaços de granada; os ortopédicos, in-
trabalhavam todos os restantes, no fabrico de munições ventavam mais eficazes processos para subs tuir os
em quan dades gigantescas. membros amputados; e os médicos, pesquizavam os
Os homens da ciência e os peritos de toda a casta, tra- meios melhores para obviar à inu lização, pelos gazes
balhavam noite e dia nos gabinetes e laboratórios, estu- deletérios e mor]feros, surgindo também, meios profi-
dando, ensaiando e experimentando, novos e mor]fe-
ros engenhos de guerra; tais como aviões cada vez mais
velozes e potentes, dirigíveis cada vez de maior capaci-
dade, canhões de calibres monstros e de alcances formi-
dáveis, gases tóxicos, asfixiantes e lacrimejantes, líqui-

10Associação de Submarinistas de Portugal

Bole m da ASubPOR nº4

Novelas Submarinas (continuação)

lá cos até então desconhecidos. Todos os navios mercantes andavam arnados em guer-
Os vários géneros alimen]cios faltavam, e em quási to- ra , para se defenderem , e em todos eles havia peças
dos os países nha-se entrado no regime de raciona- de ar lharia de variados calibres e ar lheiros das mari-
mento dos mais necessários à vida. nhas de guerra aliadas.
O pão era escasso e mau, a carne racionada, o peixe Os transportes e os navios e os navios de abastecimento
faltava, o açúcar era subs tuído pela sacarina, e às cri- não navegavam mais isolados e, esperando uns pelos
anças e aos doentes faltava o leite! outros, saíam todos juntos, formando grandes comboi-
O quadro era terrificante! os, que, navegando aos "SS", e aos "zig-zags", eram
A grande guerra estava no seu auge!... acompanhados por grandes e poderosas escoltas de
A campanha submarina nha também a ngido o seu cruzadores ligeiros, "destroyers" e torpedeiros, com
vér ce culminante. caça-minas na vanguarda, para limpar o mar de minas
Navios mercantes carregados de man mentos, eram nas proximidades das costas e portos, e "saucisses" no
afundados, quer fôssem aliados, quer neutros, por mi- ar, rebocados pelos navios, em observação, tudo isto
lhares de toneladas. comboiado nos planos superiores, por dirigíveis e avi-
Luxuosos transatlân cos, a transbordar de passageiros ões!
pacíficos, eram me dos no fundo. Nos portos mais importantes, umas estações especiais
Inocentes pescadores apanhados no seu rude mister e onde trabalhavam incessantemente oficiais das mari-
na sua diária labuta, eram espoliados do seu peixe, e nhas aliadas, recebiam esses comboios e todos os ou-
corridos do banco de pesca. tros navios, e não mais os deixavam sair e prosseguir
Os mares enchiam-se de novos corsários submarinos, e viagem, sem lhes dizer, em virtude das no]cias que -
as marinhas de guerra aliadas, apanhadas quási de sur- nham conseguido obter, qual o caminho que deviam
presa, não nham um momento de repouso, na faina tomar e qual o rumo que deviam seguir, onde se encon-
monumental da caça aos submarinos inimigos. travam os submarinos inimigos, onde nham sido ùl -
Navios minúsculos e incómodos, "yachts" de recreio, mamente vistos, tudo isto mostrando-lhes mapas, onde
gasolinas, vapores de pesca, rebocadores, traineiras, a localização dêsses submarinos estava sempre feita em
tudo servia para patrulhar e caçar submarinos, auxilian- dia, com bandeirinhas espetadas por alfinetes.
do os "destroyers", os submarinos, e todos os navios de Em todos os portos aliados perto do teatro das opera-
guerra ligeiros pròpriamente ditos. ções dos submarinos inimigos, complicados esquemas
Novas embarcações surgiam dia a dia. de defesa se planeavam e se punham em execução, tra-
Apareciam navios de guerra disfarçados em mercantes, balhando-se à porfia, cada qual imaginando mais efica-
outros mercantes transformados em navios de guerra, e zes meios de obstar à sua entrada nos portos e à sua
grandes gasolinas de velocidades incalculáveis até en- aproximação das costas, não só para que eles não afun-
tão, apareciam também na luta. dassem os navios mercantes que precisavam absoluta-
Monstros extraordinários caraterizados com a moderna mente de navegar, e os de guerra que precisavam de os
"camoufflage", pareciam ter duas proas, chaminés ao acompanhar para os defender, como também , para
envés, mastros tortos, uns semelhando caixotes, outros não deixar aproximar submarinos especiais, que tam-
parecendo colossais berlindes de estonteantes faixas bém apareciam já a lançar minas.
mul cores retorcidas! Para isso, pescadores, an gos marinheiros, reformados
Em todos os almirantados aliados se estudava afincada- lôbos do mar, trabalhavam incessantemente na manu-
mente dia e noite, para se descobrir novos processos e factura de extensíssimas rêdes que depois se punham
eficazes engenhos de descoberta, localização, e detec- de lés-a-lés nas bôcas dos portos, para pescar os sub-
ção e destruição de submarinos inimigos. marinos que pretendessem ali entrar, e para êles fica-
Dirigíveis, aviões, "saucisses", balões ca vos, tudo rem enrascados e presos como quaisquer atuns.
quanto pudesse subir no ar, servia para ensaiar a desco- Postos especiais nas costas, semafóricos, faroleiros,,
berta dos submarinos nas profundezas dos oceanos. baterias de ar lharia, navios patrulhas, pessoal das
Os navios de guerra começavam a transportar os aviões rêdes, tudo estava em atenção, noite e dia, esperando
de que depois no mar alto se serviam para os descobrir. ver e caçar qualquer submarino inimigo.
Inventavam-se bombas especiais e cada vez mais pode- O "mis-en-scene" era original!
rosas, para os próprios aviões lançarem sobre os sub- A campanha submarina nha a ngido o seu vér ce cul-
marinos quando os descobrissem. minante!
Processos magné cos e sonoros foram sucessivamente
aparecendo, todos com o fim de localizar a distância, e
antes mesmo que fossem avistados, os submarinos ini-
migos.

11Associação de Submarinistas de Portugal

Bole m da ASubPOR nº4

A nossa Bandeira

A Bandeira da ASubPOR

A nossa bandeira, a bandeira da Associação dos Submarinistas de Portugal, tem fundo azul
ferrete, com uma moldura preta, alusiva à cor dos submarinos (Dolphin Code 39), e
secundada por uma moldura branca, representando a espuma das ondas.
No centro destacado o dis n vo de especialização em submarinos, rodeado
superiormente pelo nome da associação, “Associação de Submarinistas”, com letras em
dourado.
Na parte inferior um listel de prata, com a frase “Família Submarina” com letras em
dourado, alusiva à unidade de todos os submarinistas (e suas famílias), conforme descrito
pelo jornalista Maurício de Oliveira na sua Obra "OS SUBMARINOS NA MARINHA
PORTUGUESA" .
Na parte inferior a referência à nossa Pátria, com a data de criação da NOSSA ASSOCIAÇÃO.
FICHA TÉCNICA

Coordenação: Paulo Pinho • Verificação e revisão: José Campos
Grafismo/paginação: António Araújo
Colaboraram nesta edição: Paulo Pinho, José Campos, Francisco Montes, Alexandre Calado, António Araújo, Paulo Louzeiro
Fotografias: gentilmente cedidas por vários sócios e amigos
Periodicidade: Trimestral • Contacto: e-mail: [email protected] • Rua das Hortenses no 13, 2815-743 • Sobreda

12Associação de Submarinistas de Portugal

BOLETIM INFORMATIVO

O SUBMARINISTA

ASubPOR Ano I - Número 5 - Setembro a Dezembro 2022

Editorial Neste número…

A nossa Associação está de PARABÉNS pela celebração do primeiro aniversá- Editorial
rio, apresentando-se saudável e determinada. Notícias
Caminhada Herdade da Gâmbia
Saudável, na medida em que a Direção tem vindo a desenvolver um trabalho de Sardinhada na Gâmbia
grande mérito, ao dar corpo aos obje%vos propostos, através de variadas a%vi- Aniversário da ASubPOR
dades que foram sendo concre%zadas ao longo do ano; determinada, porque o XIX Almoço de Submarinistas
caminho até aqui percorrido tem sido consistente com os pressupostos e ideais Informação aos sócios
presentes à data do seu nascimento. Concorrentes com este sen%r, sem deméri- O Lugar ao poeta…
to das outras a%vidades concre%zadas, destacam-se as visitas efetuadas a an%- Associações congéneres
gos submarinistas que, por uma ou outra razão, ainda que presentes no nosso Quem sou eu?
pensamento, se têm man%do afastados do contacto deste grupo de homens do
mar, que um dia ousaram descer às profundezas do mar, em máquinas dignas
dos contos de Júlio Verne. Foi como que um abraço geracional entre amigos das
mesmas experiências.

Releva igualmente todo o trabalho desenvolvido em prol da musealização do Submarinistas em destaque
BARRACUDA, colaborando em diversas ações tendentes à visão de, num futuro Novelas Submarinas
próximo, este submarino, poder ser aberto a visitas, dando assim corpo a uma
história que este ano contará com 110 anos. Mas se neste primeiro ano o traba- Histórias de Submarinos e Sub-
lho desenvolvido foi notório, na medida em que a musealização do BARRACUDA marinistas
se tornar uma realidade, exis%rá a perspe%va de uma maior necessidade de par- Patrulha Eterna
%cipação.

Postal de Natal
Mas como em todos os processos de crescimento, neste nosso segundo ano de
vida, ainda que num contexto de sen%da evocação, não poderá deixar de exis%r um sólido sen%do de entreajuda e de uma
enorme vontade de par%cipação, com ideias e com a presença próxima, quer isoladamente, em contactos com os elemen-
tos dos órgãos sociais, em par%cular com a direção, quer em conjunto, nas assembleias gerais, dever primeiro de todos nós
como sócios.

Na certeza de que o caminho faz-se caminhando não quero deixar de desejar a todos os submarinistas e, naturalmente,
aos respe%vos familiares, BOAS FESTAS e um ANO DE 2023 cheio de saúde, paz e prosperidade.

José Campos

Bole%m da ASubPOR nº5

Notícias

SARDINHADA NA GÂMBIA

A 17 de Setembro de 2022, pelas 09h30, na Herdade da Gâmbia em Setúbal, juntaram-se quarenta
submarinistas e suas famílias, numa caminhada, passando por vinhas, salinas, viveiros e Sapal da Her-
dade da Família Borba na zona das praias do Sado à saída de Setúbal a Sul.

Após a caminhada, os convidados juntaram-se nas instalações da Associação Cultural e Recreativa da
Gâmbia para uma Sardinhada.

XIX Almoço de Submarinistas

Mais uma vez, e cumprindo o que já é uma tradição, realizou-se a 26 de novembro úl%mo, o XIX Almoço de Subma-
rinistas, tendo decorrido em excelente clima de convívio e com um excelente repasto.
Foi prestada homenagem aos camaradas em patrulha eterna, através da execução de um minuto de silêncio.
Foi “botado” discurso, par%do o bolo e executado um brinde à saúde de toda a Família Submarina.
Aos camaradas organizadores o nosso muito obrigado!
A AsubPOR, conforme publicitado, aliou-se a este evento, tendo colaborado a%vamente na sua divulgação e mar-
cando presença efe%va no mesmo.
Para o ano há mais!

2Associação de Submarinistas de Portugal

Bole%m da ASubPOR nº5

Notícias

A ASubPOR fez um ano

No Passado dia 10 de Dezembro, no Clube do Sargento da Armada, es%veram reunidos 50 Submarinistas e suas
Famílias nas celebrações do nosso primeiro aniversário.

Durante a manhã até às 11H30 decorreu a Assembleia ordinária para aprovação do Plano de A%vidades e
Orçamental para 2023.

Assim, as celebrações do aniversário iniciaram-se às 12h00 com a apresentação de uma retrospe%va da nossa
a%vidade em 2022. Na parte final da apresentação passaram imagens das visitas efetuadas pela Direcão a alguns
submarinistas enfermos, ou mais idosos, impossibilitados de sair de perto das suas casas.

Seguiu-se depois um almoço organizado pela Direção da Associação, o qual foi abrilhantado pelo Grupo de Cantares
“Velhos são os Trapos”, grupo sediado na Associação do Bairro São João que também tem colaborado com a nossa
Associação.

Durante o almoço, o Submarinista Filipe (MQ)
presenteou a todos com um fado de sua autoria, a que
chamou o Fado do Submarinista.

3Associação de Submarinistas de Portugal

Bole%m da ASubPOR nº5

Informação aos sócios

Aprovado Plano de Ac&vidades para 2023

Tendo no passado dia 10 de Dezembro decorrido a assembleia ordinária, ficou aprovado o Plano de Ac%vidades
para 2023 que aqui se resume:

Calendário de Eventos Previstos

1º Trimestre FEV - Apresentação do Relatório e Contas de 2022
2º Trimestre
Participação na inauguração das visitas ao Barracuda.

Evento Pôr do Sol para Submarinistas e Familiares
(Na Fragata Dom Fernando, com Organização da Associação e Apoio
da CCM). Verbas resultantes para apoio à Musealização.

ABR - Participação no Dia da Esquadrilha de Subsuperfície.

MAI – Participar no dia da Marinha

JUN – Sardinhada com as Famílias

3º Trimestre JUL – Caminhada com Almoço
SET – Jantar a Cantar

11 NOV – Magusto de Partilha

4º trimestre 25 NOV – Participação no Almoço dos Submarinistas

10 DEZ – Assembleia durante a manhã;
Sessão solene do Aniversário e almoço de confraternização com só-
cios e familiares.

Comissões de Divulgação e Solidariedade

A Direção nomeou, após aceitarem o convite, os seguintes sócios como representantes das Comissões de Solidariedade e Di-
vulgação, cumprindo com o estabelecido nos Estatutos:

Comissão de Solidariedade: Pinho, Moura, Fernandes e Valido
Foram definidas as seguintes responsabilidades para a Comissão de Solidariedade:
- Levantamento de Situações Financeiras, que indiciem necessidade de apoio;
- Levantamento de Situações de Saúde que aconselhem acompanhamento e apoio;
- Manter uma preocupação estreita com os que residem mais longe, os mais velhos e os mais debilitados

Comissão de Divulgação: Araújo, Branco, Clemen&no e Capitão.
Foram definidas as seguintes responsabilidades para a Comissão de Divulgação:
- Contribuição para os Bole%ns, com angariação e elaboração de ar%gos;
- Fazer levantamento das en%dades que deverão receber os Bole%ns, em formato digital e papel;
- Divulgar o mais possível a Associação a todos os Submarinistas;
- Manter contactos com a Comunidade de Submarinistas Internacional através das Associações;
- Manter contacto com a Revista da Armada;
- Manter contactos com outras Associações Militares, dentro dos 3 Ramos, e com Associações locais;

4Associação de Submarinistas de Portugal

Bole%m da ASubPOR nº5

Lugar ao poeta...

Fusão de Almas – Eu e o Mar

Aquele encontro ansiado,
Sem ser combinado,
Foi num dia de verão:
Numa tarde calma
E rejuvenesceu-me a alma...
E o coração!
Encontro sadio,
Mas tão tardio
E tão desejado;
Com carícias ternas
Afagaste-me as pernas,
Fiquei extasiado.
Soltámos risadas
E lágrimas salgadas,
Tudo misturado!
Quase enlouqueci,
Tuas lágrimas bebi...
Fiquei engasgado!
As minhas lavaste,
Depois me abraçaste
E todo me envolveste;
Sen&-me tão leve,
Foi tão bom e tão breve,
O bem que me fizeste!
Soltei-me de &,
Afastei-me e sorri,
Ouvindo-te chorar!
Sen&-me na "lua":
Levava comigo a tua
―Alma de Mar.

António Ma as Luz

Associações de Submarinistas pelo Mundo

SAA

SUBMARINES ASSOCIATION AUSTRALIA

Formada nos anos 30 do sec. XX (já com uns aninhos…), na sua pági-
na de apresentação podemos ler o seguinte:

Bem-vindos
Submarinistas em todo o mundo são uma raça especial, raramente
compreendida por meros mortais e nunca compreendida por skim-
mers (marinheiros da super cie). Os submarinistas de todas as na-
ções entendem isso e mostram respeito uns pelos outros, sabendo
das dificuldades e perigos que cada um enfrentou para conseguir a
adesão ao clube de elite ao qual pertencem.

Podem saber mais em
h(ps://www.submarinesaustralia.com/index.html

5Associação de Submarinistas de Portugal

Bole%m da ASubPOR nº5

Quem sou eu?

Quem sou ? Nasci há 65 anos, o único Acabado o curso fui novamente fazer uma comissão, na João
rapaz de três irmãos e o mais novo. Foi Belo, onde anteriormente (SMO) %nha sido feliz. Considero
num lugar simpá%co, situado em terras ter sido o melhor período da minha vida, embora, por vezes,
do “demo”, com nove meses de inverno e ter que comer o pão que o diabo amassou.
três de inferno. Avistavam-se terras de
Espanha com mais facilidade que lugares Muitas milhas, muitos portos, muitos camaradas, muitos ami-
de Portugal. Isolado pela orografia e falta de acessibilidades gos, muitos países, muitas culturas, muita loucura, muitos
era o meu mundo. O nosso mundo até um dia … exageros, muito trabalho, muita disciplina, muitos medos,
alguma injus%ça de anais. Foi aí que aprendi a respeitar a dife-
Fui educado ao colo da minha mãe, com o meu pai, militariza- rença, a nivelar a igualdade, a aceitar e temer a força e supre-
do, a ganhar o sustento num controle de fronteira, a uma dis- macia da natureza. Foi aí que cresci.
tância de 10 km, ou seja, não muito presente no lar familiar. Os
seus regressos a casa eram feitos a pé, de espingarda às costas, Finda a comissão, guia de marcha para a Rádio Naval da Apú-
para eventual aproveitamento de uma ou outra peça de caça. lia (norte). Já com casa montada, na margem sul, era compli-
cado estar destacado tão longe, num regime de três divisões.
Tinha muitos amigos, pois eram todos os meninos da aldeia, Então, por sugestão de outro camarada, (destacado na ilha
onde só a telefonia, a pilhas, nos ligava ao resto do país. Assim, das Flores), concorremos aos Submarinos, por ser uma forma
não fora algum brinquedito trazido da feira anual, da cidade razoável de estar perto de casa. E assim foi. Em outubro de
mais próxima, pela minha mãe, a navalha (canivete) era indis- 1984 comecei o percurso submarinista e por lá andei até ju-
pensável à feitura dos mesmos. Tudo %nha u%lidade até à nho de 1998, altura que passei à Reserva.
exaustão. Não havia o lixo que hoje conhecemos.
Aqui encontrei uma marinha diferente em quase tudo. No
Embora a minha família não es%vesse diretamente ligada à tempo, no espaço, no grupo, ou seja; tudo era formatado es-
agricultura, eu assis%a e par%cipava em todos os trabalhos, por sencialmente ao espaço disponível, às limitações de recursos
jarolda (convívio). Altura para por à prova tudo o que nos é, e ao tempo de missão. Aprendes a par%lhar (sem alterna%va)
acauteladamente, proibido. Escaladas perigosas, mergulhos o teu espaço, e a entender que toda a gente depende do la-
não recomendáveis, ninhos inacessíveis, pássaros diQceis de bor do outro. Um lugar onde não se levam as medalhas, por-
apanhar, … é claro que muitas vezes corria mal, pois não havia que toda a gente sabe o valor do outro, reconhece-o e respei-
forma de esconder os rasgões nas calças. ta-o. Uma máquina com engrenagens bem estruturadas, que
falhando o empenho de um, pode afetar o trabalho de todos.
Aí fiz a escola primária e com onze anos fui estudar para a capi- Soube moldar-me, fiz alguns amigos, acho que dei o meu con-
tal de distrito. Abandonei os estudos, com proveito a quatro tributo para uma conVnua melhoria social e técnica. Da vivên-
disciplinas (de seis), do an%go 7º Ano (12º ano atual), aos 19 cia a bordo recordo inúmeras situações muito posi%vas, e
anos. Aluno não muito dedicado, embora mediano, bebi de algumas menos. Das nega%vas não reza a história, mas das
uma escola de juventude, um pouco nada rebelde (no bom posi%vas irão eternamente ficar gravadas no meu inconscien-
sen%do). Não descartei de nada a que %nha acesso e direito. te, não fossem elas protagonizadas por alguns camaradas,
Como para isso era necessário algum dinheiro, fui trabalhar, ícones eternos, dos submarinos.
nas férias, como maquinista, para a construção da estrada,
para a minha terra. Dei o meu contributo para por a minha Já que estamos a falar disso, lembro-me da estória do “melão
aldeia, no mapa. Como me dei bem, fui ficando, até a marinha roubado”. Foi assim; o meu quarto, ao jantar, conseguiu pou-
me chamar para cumprir o serviço militar obrigatório, aos 20 par um melão, que ficou decidido guardar para comer quando
anos. Gostei da ideia. Conhecer outros mundos. saíssemos de quarto à meia-noite. O cujo dito melão desapa-
receu do sí%o onde %nha ficado e lá se foi o suplemento. De-
Depois de 10 horas de caminho, %ve o meu ba%smo de mar. O dução lógica… o quarto do cobrinha está implicado (como
atravessamento do Mar da Palha, a bordo da velhinha vedeta sempre). Depois de uma busca mais exaus%va conseguimos
da marinha, rumo ao Alfeite. Uma tempestade de aconteci- encontrá-lo. Ai é !!!, temos que os tramar…, não vamos comê-
mentos, uma troca de iden%dade, uma pena ao sabor de ven- lo, mas sim armadilhá-lo. Meu dito meu feito. Seringadas de
tos desconhecidos. sabonária lá para dentro, que foi um mimo. Às 4 da manhã,
saída de quarto dos ar%stas, o resto tudo a dormir (?), faca em
Com a especialização em comunicações, fui riste e toca a par%r o melão, num silêncio quase absoluto.
embarcado a bordo da icónica João Belo até ao “Parece meio mole” … “é pá está picante e amargo” …“mas
fim SMO. Como, na altura, havia uma enorme para mim não está mau” … O cobrinha, perspicaz, notou al-
crise no emprego, levou-me a optar por inte- guns risos, impossíveis de conter, por trás das cor%nas dos
grar os quadros permanentes, e assim foi. beliches … “cabrões… pessoal, os cabrões mafiaram o melão.

6Associação de Submarinistas de Portugal

Bole%m da ASubPOR nº5

Não o comam. Eles não perdem pela demora…”. É claro que da, dois netos do coração (gémeos), uma mudança de zona
foi uma risada geral, no posto avante. No dia seguinte, a sopa geográfica aos 60 anos, um corte radical com o SG Gigante, a
que o nosso quarto comeu estava com sabor estranho. “Deve aquisição de uns belos 10 quilos de massa corporal, um pro-
ser das depressões…” Veio mais tarde a saber-se que foram blema oncológico (totalmente resolvido), algumas viagens a
diluídos alguns “pombinhos” (enjomim, para o enjoo), na ter- complementar as feitas pela marinha, outras coisas mais, com
rina da nossa sopa, o que provocou uma sonolência invulgar a menos importância.
quem a comeu e teve que entrar de quarto, até à meia-noite.
Enfim… par%das com algum/muito veneno. Hoje ando por aí em autogestão, dando apoio aos mais chega-
dos, regressando á infância interagindo com os netos, desco-
Assim passei 500 dias, em imersão, distribuídos pelos 8 anos bri que tenho jeito para lhe fazer carrinhos, de madeira, co-
em que es%ve embarcado. O meu porto de abrigo foi sempre meço a conhecer decore os caminhos para os supermercados,
o Barracuda, embora %vesse feito diligências no Albacora e no para a farmácia, para o hospital, enfim …. Cheguei aos 65.
Delfim. Muito mar nas entranhas do Neptuno, algum trânsito,
viagens até à Madeira (no meu curriculum marinheiro tenho Abraço a todos os camaradas submarinistas
13), Açores, portos do sul de Espanha, Inglaterra, Escócia,
Holanda.

Em 92 passei ao centro de comunicações da Esquadrilha, até
passar á reserva.

Na passagem para a vida civil, fui de imediato trabalhar, numa
área ligada à segurança rodoviária. Adaptei-me com bastante
facilidade, fiz alguma formação e progressão nos vários esca-
lões até à direção técnica. Em 2014 decidi "nom fari nien<”.

No meio disto tudo, dois casamentos, sem filhos, uma entea-

Submarinistas em destaque

Capitão do Porto da Póvoa do Varzim; Comandante Bruno Teles
(Alerta de 25 de Novembro)

No dia 25 de Novembro e seguintes, pudemos assis%r aos esclarecimentos do
Capitão de Porto da Póvoa de Varzim, CFR Bruno Teles, Oficial de Marinha, Sub-
marinista, perante as Câmaras, na sequência de um alerta em que oito jovens
militares do exército foram apanhados por uma onda na praia da Lagoa, que
teve como consequência a morte de uma Jovem Militar.

O Comandante Bruno Teles, exerce as funções de Capitão de Porto e Coman-
dante Local da Polícia Marí%ma da Povoa do Varzim e de Vila do Conde desde
Setembro de 2020.

No âmbito deste alerta, transcreve-se o seguinte da página da AMN:

“Em 25 de Novembro, na sequência de um alerta recebido pelas 04h48, através
do Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marí<mo de Lisboa (MRCC
Lisboa) a dar conta que uma pessoa se encontrava desaparecida na praia da
Lagoa, foram a<vados de imediato para o local os elementos da Polícia Marí<-
ma, militares da Capitania e da Estação Salva-vidas da Póvoa de Varzim. Para o
local deslocaram-se ainda os Bombeiros Voluntários da Póvoa de Varzim e foi
a<vada uma aeronave da Força Aérea Portuguesa para par<cipar nas buscas.

As operações de busca estão a ser coordenadas pelo Capitão do Porto, e Comandante-local da Polícia Marí<ma da
Póvoa de Varzim e Vila do Conde.

Segundo foi possível apurar, a jovem, acompanhada por mais sete pessoas, todos miliares em formação na Escola
dos Serviços da Póvoa de Varzim, encontrava-se junto à linha de água da praia da Lagoa. Os sete militares foram
transportados para uma unidade hospitalar pelos Bombeiros Voluntários da Póvoa de Varzim.”

7Associação de Submarinistas de Portugal

Bole%m da ASubPOR nº5

Novelas Submarinas (continuação)

Nesta parte do nosso Bole<m iremos par- O almôço seguia os seus usuais trâmites,
<lhar trechos escolhidos, enviados pelo e os dois criados, bem fardados, serviam
Sar Montes, re<rados de um livro fasci- em tôrno da mesa, por ordem, as iguari-
nante e de apela<va leitura para qualquer as frugais e ricas em temperos, confor-
submarinista, onde se torna inevitável me manda a cozinha tradicional do país.
estabelecer comparações, sempre curio- Conforme é também uso, alguns pu-
sas, entre esquadrilhas tão distantes e nham defeitos nos pratos que se apre-
díspares, mas sempre tendo com o guião sentavam, surgindo por vezes algumas
máximo da segurança. exclamações em calão marí%mo, naque-
le usado a bordo, e que por muito carac-
Trata-se do Livro “Novelas Submarinas”, terís%co é em terra desconhecido.
que relata episódios históricos de Subma- O rancheiro, quer dizer, o oficial que
rinos Portugueses e Aliados Durante a naquele mês estava encarregado de
Grande Guerra. Coleção de narra<vas his- dirigir e administrar o rancho, para não
tóricas da autoria do Comandante Fernan- fugir à regra, ouvira de um tenente mais
do Branco, Comandante de submarinos na novo e mais sem-cerimonioso, os ata-
Marinha de Guerra Portuguesa durante a ques cerrados contra a qualidade da
I Guerra Mundial e um dos iniciadores na manteiga e a quan%dade do açúcar do
navegação submarina no nosso país. doce.
O rancheiro, defendia-se do ataque con-
UM CARDUME DE SUBMARINOS!! forme podia e sabia, parando os golpes, e despedindo-os por
seu turno sôbre o dispenseiro, que, junto do "guichet", por
2ª Parte onde surdia a comida vinda da cozinha, ruborizando e retor-
cendo entre os dedos as pontas de um guardanapo, rugia por
Num dêsses portos aliados tudo estava a postos. Tudo isso se entre os dentes.
fazia. O almôço estava quási no seu têrmo.
Havia as rêdes; havia as baterias. Tinha-se chegado ao café, e, como sempre a conversação, que
Lá estavam fora os barcos patrulhas, e sem descanso ronda- se %nha animado e crescido em entusiasmo e em diapasão de
vam, arrastando os seus grossos cabos de rocega, com os cé- vozes, alcançava o auge.
lebres papagaios caprichosos, os beneméritos caça-minas. O comandante que presidia, discu%a acaloradamente com o
Os submarinos de serviço, também andavam fora na sua in- seu engenheiro-maquinista, a vantagem económica do em-
grata labuta, fugidos de todos, à espera de um imprudente prêgo de um determinado combusVvel, que se estava experi-
colega inimigo. mentando.
Na base dos submarinos, lá dentro do pôrto, os restantes, O seu imediato, teimava com um colega de outro submarino,
aqueles que estavam de folga, preparavam-se para o seu cru- que a sua bateria de acumuladores estava em melhor estado
zeiro, trabalhando o seu pessoal para que no dia em que devi- de conservação do que a dêle.
am par%r para render os que fora andavam, êles es%vessem A seguir, outros dois, já um tanto abespinhados, contrariavam
afinados, limpos, preparados para um possível combate, com -se denodadamente, na apreciação do que cada um %nha fei-
todas as suas reservas e energias refeitas. to no úl%mo cruzeiro.
Todos estavam contentes e descansados. Um outro, teimava com o oficial da Administração Naval, que
Na "mess" dos oficiais, como era a hora do almôço, todos os as contas que êle %nha feito para o seu úl%mo pagamento,
comandantes, imediatos e maquinistas dos submarinos que estavam erradas, e que %nha por isso recebido a menos uma
estavam de folga, abancavam em redor da mesa, nos lugares certa quan%a.
que lhes compe%a conforme as suas graduações e an%guida- O médico discu%a literatura com um tenente que adorava o
des. teatro, e dizia que Ibsen, o seduzia até ao ín%mo, pela grande-
No tôpo da mesa estava o oficial mais an%go, comandante de za e alta proficiência com que o grande dramaturgo tratava os
um dos submarinos, que presidia àquela refeição. intrincados temos fisiológicos, demonstrando, por seu turno,
Conversava-se animadamente sôbre as úl%mas noVcias do o médico, que alguns dêles eram inverosímeis e exagerados.
"front", a respeito dos úl%mos comunicados dos estados- A atmosfera da "mess" era densa e pesada. Podia-se cortar à
maiores das fôrças em operações. faca.
Cada um dizia a sua cousa, e nesta reünião, como sucede Todos fumavam cigarros, charutos e até cachimbos, porque
sempre, as opiniões divergiam, aventando um a ideia de que como a bordo dos submarinos não se fuma, vingavam-se em
seria bom, determinado bloqueio,, contrariando outro de que terra.
êle seria inú%l. A animação era grande, e o barulho ensurdecedor.
Nisto, na porta do lado da secretaria, alguém bateu três pan-
Alguns falavam de polí%ca, outros de mulheres, como sem- cadas sêcas com a mão, repe%ndo-as passados instantes.
pre sucede, e num canto da mesa, dois oficiais mais novos, - "Entre" , disse o comandante mais an%go.
rindo a bandeiras despregadas, cri%cavam os superiores, me- Como por encanto todos se calaram e se voltaram para a por-
tendo a ridículo um vélho comandante que para cúmulo de ta.
infelicidade possuia um qualquer defeito Qsico. Esta abrindo-se, deixou entrar um cabo-marinheiro muito

8Associação de Submarinistas de Portugal

Bole%m da ASubPOR nº5

Novelas Submarinas (continuação)

gordo e já pesado, que em terra fazia o serviço de ordenança os que julgar convenientes, a melhor forma de, seguindo para
da secretaria, e que muito respeitador e perfilado, endo aquele local durante a noite de hoje, atacar a referida esqua-
avançado dois passos dentro do compar%mento e virado para drilha ao nascer do Sol de amanhã.
presidente da mesa, disse em voz rouca:
Qualquer demora ou inconveniente é considerada fatal,
- "V. Ex.ª dá licença , meu comandante?"... porque um grande combóio de tropas aliadas deve amanhã
- Então, o que é? ao meio dia passar nesse local.
Aquele avançou mais, e entregou-lhe um grande envelope
todo %mbrado, que a êle próprio era dirigido, recuando nova- (Assinado) Almirante C."
mente, conservando-se direito e perfilado, aguardando or- Finda esta leitura, um grito de entusiasmo saíu de todas as
dens. bôcas, com excepção do tal tenente, que era, por acaso o
O comandante, um pouco nervosamente, rasgou por todos imediato do submarino "X" e a quem a ordem que acabava
os lados o envelope misterioso, tal era a pressa com que esta- de ser lida, transtornava completamente os seus planos para
va de saber do que se tratava, emquanto todos os outros, esta noite.
que se %nham calado completamente e que estavam arden-
do em curiosidade, debruçavam-se uns sôbre os outros, com Era bem outra a batalha que êle tencionava combater nessa
os olhos fitos nêle, esperando ansiosamente pela noVcia. noite!...
Um silêncio prometedor de grandes emoções reinava então,
ouvindo-se apenas ao longe, a sineta da estação bater as ho- O entusiasmo recrudescia, à medida que as impressões vá-
ras e em seguida o corneteiro tocar para o almôço das guarni- rias se trocavam, e a par dos projectos guerreiros que se fazi-
ções. am.
O dispenseiro %nha fechado o "guichet" e %nha já re%rado,
emquanto um dos criados levantava ainda de sôbre a toalha, O comandante, imediato e maquinista do submarino "X",
maculada aqui e além com algumas nódoas de vinho e café, e sem tempo a perder, levantaram-se imediatamente, e, segui-
agora quási cheia de migalhas e de cinza, os restos de copos e dos entusiàs%camente por todos os outros oficiais dos vários
chávenas. submarinos dirigiram-se para bordo.
Um tenente imediato mais novo e que %nha a rebeldia das
situações diQceis, dizia quási em segredo para o seu vizinho O submarino estava, é claro, pronto, porque era êle a quem
do lado: compe%a efec%vamente sair à primeira voz, caso fôsse neces-
- "Aposto que já estou enrascado e me estragaram esta sário, como foi.
noite!..."
O comandante que já %nha lido o oQcio, uma grande fôlha de Foi chamado o pessoal, e, quando todos a bordo nos seus
papel, também %mbrada e toda da%lografada, mandou re%- postos, o comandante deu a voz de "largar", um tremendo
rar o criado, e dizendo à ordenança, "que estava bem", des- "viva" ecoou pelas docas, que encheu de júbilo todos os do
pediu-o igualmente. "X", e de uma pon%nha de inveja, todos os dos outros subma-
Sen%u-se então um pequeno arrastar de cadeiras no sobrado, rinos.
alguns pequenos pigarros, afinando as gargantas, movimen-
tos de rec%ficação de posições, como que preparando-se to- Que felizes marotos, os que finalmente iam, caçar um sub-
dos para ouvir e se deliciarem na apreciação da noVcia. marino inimigo!
A expressão do comandante era evidentemente a de contra-
riado, e mais contrariado ficou ainda, quando o tal tenente, Como seria momentosa a chegada do "X" com uma caterva
corajoso em extremo, de lá do fundo da mesa, arrostando de prisioneiros inimigos a bordo, e, quem sabe se com o sub-
contra o perigo de uma reprimenda, disse em voz muito alta: marino inimigo, êle próprio já todo estrompado, a reboque!
- "Já sei, é a noVcia da tomada de Londres pelos submarinos
alemães e aviões austríacos?..." Com os olhos meio arremelgados, viram todos o "X", levan-
O comandante obrigou-o a calar-se com um gesto impera%vo tando cachão à proa, afastar-se, orgulhoso da sua missão,
de muito aborrecimento, emquanto os úl%mos ecos de uma para o lado do mar.
gargalhada geral reboavam ainda pela sala.
Então êle, com o sôbre-ôlho carregado e voz pausada, leu o A bordo do "X" tudo era prepara%vos.
tremendo documento confidencial. À lufa-lufa, todos sem excepção, se ocupavam minuciosa-
Rezava assim; mente, cada um dos seus encargos, de forma a ter tudo em
ordem e no maior estado de eficiência possível.
UrgenJssimo Navegava-se a toda a fôrça, a terra esfumava-se, e a distân-
cia via-se já o navio-patrulha, com quem o "X" devia comuni-
"Ao comando da esquadrilha de... car.
Entretanto, todos nervosos, trabalhando afincadamente,
Do almirantado. como se fôsse para um concurso, esforçavam-se por fazer
cada um, melhor que o outro.
NoJcias acabadas de chegar dos postos de vigilância do Todos estavam verdadeiramente entusiasmados, e sem
dizerem nada uns aos outros, sem mesmo trocarem impres-
sul, dizem que uma grande esquadrilha composta de numero- sões, faziam já os seus projectos, e imaginavam já o que seria
a sua entrada triunfal no pôrto, de regresso da operação, com
sos submarinos inimigos, cruza nas imediações de..., e que os vivas estridentes, o acompanhamento numeroso e luzido,
e o acolhimento fervoroso e grandioso e depois... os louvo-
muitos barcos de pesca e traineiras foram já afundados. res, as promoções por dis%nção, as pensões de sangue, as
cruzes de guerra e... nomeados beneméritos da Pátria!
O submarino "X" - que era exactamente o dêle - deverá pre-
9Associação de Submarinistas de Portugal
parar-se imediatamente e sair com a máxima urgência, diri-

gindo-se para... onde combinará com o patrulha "Y", e mais

Bole%m da ASubPOR nº5

Histórias de Submarinos e Submarinistas

Algumas notas sobre a história dos

submarinos na Bulgária

O país

A Bulgária é uma nação balcânica, com cerca de sete
milhões de habitantes e situada no sudeste da Europa.
Tem fronteiras com a Roménia, Sérvia, Macedónia do
Norte, Grécia, Turquia e Mar Negro a leste.

A sua situação geográfica levou-a a alianças com a

Alemanha nas duas guerras mundiais. A mesma

situação, deixou-a no campo sovié%co em 1946,

tornando-se um estado socialista de par%do único, cujo

Par%do Comunista apenas se viu obrigado a deixar o

poder após as “revoluções de 1989”. A Bulgária passou a

democracia após 1991. Pertencendo naturalmente ao

Pacto de Varsóvia durante o período sovié%co, o seu

equipamento militar era na essência desta origem.

Nesse campo, incluem-se os seus submarinos, pós 2ª

Guerra Mundial. O Podvodnik Nº.18

O primeiro submarino búlgaro O “Podvodnik Nº.18”, ex UB-8 alemão, era um

Compara%vamente à marinha portuguesa, a história submarino do Tipo UB-1 da série inicial de oito. Como

submarinista búlgara é muito pobre. O primeiro tal, foi construído pela Germaniawer` de Kiel, de um

submarino búlgaro foi adquirido à Alemanha apenas em total de 20 navios que seriam por este estaleiro e pelo

1916. Tratou-se do SM UB-8 (o SM significa “Seiner AG Weser de Bremen. Foram navios projectados e

Majestät”; em português, “Sua Majestade”) um construídos em tempo recorde, cujas dimensões e

submarino do Tipo UB-1, que passou a ser o “Podvodnik deslocamento ficaram condicionados à premissa de

Nº.18”. Foi integrado na marinha búlgara a 25 de Maio serem possíveis de transportar de comboio até ao local

de 1916. A sua missão principal foi a patrulha do Mar onde actuariam, ou seja, na Flandres. Porém, seriam

Negro, junto à costa búlgara. Todavia, teve uma carreira essas limitações nas dimensões e deslocamento, que os

operacional muito curta. Quando a guerra terminou, foi tornariam capazes de operar junto à costa e perto de

entregue à França a 23 de Fevereiro de 1919 pelo portos, zonas inacessíveis a outros submarinos de

Tratado de Neuilly-sur-Seine, pelo qual

a Bulgária ficava doravante impedida

de possuir submarinos. Por sua vez, a

França teria procedido ao seu

desmantelamento em Bizerta, em

Agosto de 1921. Esta foi a versão do

des%no do Podvodnik Nº.18 durante

muitos anos. Porém, o submarino

acabou descoberto em 2010 por

mergulhadores búlgaros, no fundo do

mar perto de Varna. Não houve dúvidas

na confirmação da sua iden%dade,

nomeadamente através da peça de

47mm que foi montada no convés do

UB-8, só após a sua cedência à marinha

búlgara. Nenhum outro submarino

alemão do Tipo UB-1 possuía tal arma.

Foi também recuperado o seu pequeno

hélice de três pás. Esses elementos

figuram hoje no Museu Naval de O “Podvodnik Nº.18” em doca seca. Torna possível a observação das suas dimen-

Varna. sões, rela<vamente aos homens da sua guarnição que se encontram junto.

10Associação de Submarinistas de Portugal

Bole%m da ASubPOR nº5

Histórias de Submarinos e Submarinistas (continuação)

maiores dimensões. O “Projecto 34” que delineou estes Poderá dizer-se que naquela ocasião a aquisição do
submarinos, previa que fossem construídos em 15 Podvodnik Nº.18, foi compensadora para os búlgaros,
secções, de modo a caberem em oito vagões porque a 6 de Setembro expulsou das suas águas dois
ferroviários. Isso impôs limites nas referidas dimensões navios russos e a 16 de Dezembro, ajudou a quebrar a
(28,10m de comprimento, 3,15m de largura e 3,03m de inves%da russa em Balchik. A re%rada russa da 1ª.
altura) e limites no deslocamento (cerca de 125ton. à Guerra Mundial viria a acontecer pouco depois e o
superQcie e 140ton. em imersão). Podvodnik Nº.18 “ficou sem trabalho”.
Após a perda do “Podvodnik Nº.18” em 1919, pelos
Como demais caracterís%cas, estes submarinos mo%vos já atrás referidos, a marinha búlgara só voltaria
possuíam um motor Diesel Daimler de 4 cilindros, 59cv, a ter novamente submarinos apenas em 1972, quando
um motor eléctrico Siemens-Schuckert e um pequeno recebeu os dois primeiros de quatro submarinos da
hélice de três pás. Diz-se que mergulhavam “Classe Romeu”, ex-sovié%cos.
completamente em 33 segundos e estavam
classificados para profundidades de mergulho até aos A foto mostra a peça de 47mm e o hélice do “Podvodnik”,
50m! Possuíam dois tubos lança-torpedos à proa e uma recuperados do mar em 2010 e expostos no “Museu Naval”
metralhadora de 8mm na torre. O Podvodnik foi o único
submarino deste %po que foi equipado com uma peça em Varna.
de 47mm no convés, mas só após entrar ao serviço da
marinha búlgara. A guarnição era composta por 14 A “Classe Romeu”, ou “Projecto 633”
homens. Apesar das limitações operacionais que as suas O “Projecto 633” sovié%co resultou numa “Classe”de
dimensões impunham, estes navios revelaram-se submarinos que eram designados pela NATO como
manobráveis e aptos para a missão para que foram “Classe Romeu” (Tipo Varshavyanka, na linguagem
idealizados. Projectados e construídos em menos de um búlgara). Este %po de navios foi a consolidação sovié%ca
ano, revelaram a capacidade técnica da Alemanha dos ensinamentos colhidos com a “Classe Zulu” (um
daquele tempo. verdadeiro Tipo XXI equipado com “snorkel”) e a
“Classe Whiskey”. Teve 20 submarinos, construídos
Em Abril de 1915, o ainda UB-8 foi transportado entre 1957 e 1961. O programa sovié%co previa
desmontado por via férrea, não para a Flandres, mas inicialmente a construção de 56 navios, mas foi
para a Base Naval de Pola, da Marinha Austro-Húngara, necessário libertar recursos para a construção de
onde foi montado por técnicos alemães em duas/três submarinos nucleares que se iniciava em força. Na sua
semanas. Aí, em Maio, chegou também o UB-7. quase totalidade, os navios foram sendo transferidos
Supostamente, os dois navios seriam integrados para as frotas de outros países. Dois foram
naquela marinha. Porém, tal acabou por não acontecer transformados na variante 633PB, outra na variante
e os dois submarinos foram enviados para Varna 633L e outro, ainda, na variante 633KS. Para além dos
(Bulgária) no mês de Setembro. Em Outubro, os russos quatro que foram para a Bulgária, o Egipto recebeu seis,
lançaram um ataque à costa búlgara. O UB-7 chegou a Síria três e a Argélia dois. Entretanto, os sovié%cos
mesmo a lançar um torpedo contra um dos navios passariam à China toda a informação necessária para a
russos, mas não a%ngiu o alvo. Todavia, terá sido produção local da Classe, após a construção
suficiente para estes re%rarem. propositada de mais 12 submarinos. Desse total, diz-se
que três foram totalmente construídos na URSS e nove
Este episódio naval terá feito com que os búlgaros se
apercebessem do valor militar que poderiam ter os
submarinos para afastarem possíveis novas inves%das
russas. Iniciaram, então, negociações com os alemães
para a aquisição de ambos os submarinos (UB-7 e UB-
8). Chegados a acordo, duas equipas de técnicos
búlgaros foram enviadas de imediato para Kiel, para
treinarem nos equipamentos, enquanto os marinheiros
búlgaros começaram a treinar com os marinheiros
alemães nos dois submarinos. A transferência do UB-8
para a marinha búlgara veio a acontecer efec%vamente
a 25 de Maio de 1916. Desconhece-se o mo%vo porque
o UB-7 não foi também transferido na mesma data.
Posteriormente, desapareceria no mar a 27 de
Setembro de 1916.

11Associação de Submarinistas de Portugal

Bole%m da ASubPOR nº5

Histórias de Submarinos e Submarinistas

foram “montados” na China, com peças idas da URSS. Sendo assim, como os submarinos possuíam 55 camas,
Estes navios foram designados na China pelo Tipo 031. não era necessário o sistema de “cama-quente”. A
Seguiu-se localmente o Tipo 033, com melhoramentos profundidade máxima normal era de 270m, com o limite
chineses, sobretudo ao nível dos sistemas de operacional máximo fixado nos 300m.
refrigeração e ar condicionado, necessários para
navegações mais “confortáveis”, no clima chinês. Os Os quatro submarinos búlgaros, “Classe Romeu”,
chineses construiriam 84 unidades de 1962 a 1984. ex-sovié&cos
Construiriam, ainda, mais sete unidades para a Coreia
do Norte e seis para o Egipto. Mais 16 seriam Foi apenas em 1972, mais de 50 anos após a perda do
construídos na Coreia do Norte, sob assistência chinesa. “Podvodnik Nº.18” em 1919, que a marinha búlgara
voltou a ter submarinos. Tratou-se de dois submarinos
Enquanto na marinha sovié%ca a “Classe Foxtrot” ex-sovié%cos da “Classe Romeu”. Nessa ocasião,
sucedeu à “Classe Romeu”, na marinha chinesa, seguiu- comparando o facto com os nossos “Classe Albacora”,
se o “Tipo 035”, uma evolução chinesa do “Tipo 033”. adquiridos novos e que estavam com 5/6 anos de

A silhueta/diagrama inconfundível de um submarino “Classe Romeu”.

Caracterís&cas gerais da “Classe Romeu” serviço, aqueles que passaram para a Bulgária já iam nos
11/12 anos de serviço. Tratou-se do S-57 e S-212
Eram navios com duplo casco. Tinham dimensões sovié%cos, que tomaram a “numeração” búlgara 81 e
próximas da “Classe Whiskey” e contornos exteriores 82. O S-57 %nha sido o úl%mo da classe a entrar ao
mais próximos da “Classe Zulu”. Deslocavam 1.475ton à serviço da marinha sovié%ca. Lançado à água a
superQcie e 1.839ton em imersão, com 76,6m de 20/08/1961, entrou ao serviço a 27/12/1961. O S-212
comprimento. O casco era dividido em sete %nha sido lançado à água a 31/05/1960 e entrou ao
compar%mentos, por seis anteparas estanques. serviço a 21/12/1960.
Possuíam oito tubos lança-torpedos: seis à proa e dois a
ré. Dois motores Diesel Kolomna 37D desenvolviam Esta dupla viria a ser reforçada com mais dois
cerca de 2000hp, cada. Dois motores eléctricos, um para submarinos do mesmo “lote” sovié%co, mas apenas nos
cada linha de veios, accionavam hélices de seis pás, anos oitenta, mais de dez anos depois. Com efeito, o ex-
passo variável, com 1,6m de diâmetro e carenados. Os sovié%co S-38 chegaria à Bulgária a 20/01/1983. Tinha
sovié%cos experimentaram a u%lização de hélices de sido lançado à água a 30/11/1959 e %nha entrado ao
quatro pás no submarino S-351, mas os resultados não serviço da marinha sovié%ca a 23/09/1960. Passaria,
foram considerados sa%sfatórios. A guarnição era então, a ser o “83” búlgaro. Aquele que seria o quarto e
normalmente de 54 homens (dos quais 10 oficiais). úl%mo submarino da marinha búlgara, demoraria ainda

12Associação de Submarinistas de Portugal

Bole%m da ASubPOR nº5

Histórias de Submarinos e Submarinistas

mais dois anos a chegar. Chegou a 28/12/1985. Tratou- encontrava parado há dez anos pela simples falta de

se do ex-sovié%co S-36, que %nha sido lançado à água a baterias. Foi ele que se tornou na primeira opção da

27/09/1959 e que %nha entrado ao serviço a Marinha Búlgara para navio-museu. Isto em Abril de

30/09/1960 na marinha sovié%ca. 2009. Porém, nada foi feito, e o submarino ficou

simplesmente atracado ao lado do

“Slava” (Glória) na Base Naval de Varna,

apenas para ser consumido pela corrosão.

Entretanto, o relógio avançava também

contra o “Slava”. Fez a sua úl%ma navegação

em 2010 e foi aba%do ao serviço da marinha

búlgara a 01/11/2011, com um úl%mo arriar

da bandeira carregado de simbolismo, pois

isso representava o fim da força submarina

búlgara. Depois de vinte e cinco anos ao

serviço da marinha sovié%ca, o “Slava”

encerrava também a sua segunda vida

operacional de mais 26 anos, neste caso ao

O “Slava” (Glória) nos seus tempos de plena operacionalidade serviço da marinha búlgara.

ao serviço da marinha búlgara.

Passaria a ser o “84” da Bulgária. Como

curiosidade, refira-se que aquele que passou

a ser o “83” búlgaro, teve inicialmente como

nome “Dimitrovski Komsomol” (“Organização

Social e Polí%ca da Juventude” do Par%do

Comunista búlgaro), enquanto o “84” se

chamou “Leninsky Komsomol” (Liga

Comunista Jovem Leninista” da União

Sovié%ca). Eram nomes vulgares em navios

civis ou militares do chamado “bloco

socialista”. Foi o caso do K-3, aquele que foi o O “Slava” durante os prepara<vos da cerimónia da re<rada de serviço da

primeiro submarino nuclear sovié%co que marinha búlgara, a 01/11/2011. De notar que no seu lado exterior ainda
também %nha o nome “Leninsky Komsomol”. permanecia o “Nadezhda” (Esperança), que já estava fora de serviço des-

de 27/06/2008.

O período coincidente com a chegada dos

seus úl%mos submarinos entre 1983-1985, é O 84 “Slava” (Glória) como “submarino-museu”
para os submarinistas búlgaros considerado o mais

importante, pois conseguiram ter por uma única vez os O fim dos submarinos fez crescer naturalmente entre os

quatro submarinos operacionais. Entretanto, após as membros da sua comunidade, algum sen%mento de

“revoluções de 1989” e consequente queda do regime nostalgia, pois facilmente eles recordar-se-ão dos

comunista na Bulgária, os submarinos receberam longos momentos de navegação e camaradagem

nomes femininos “tradicionais”. Ou seja, do 81 ao 84, vividos. Certamente, com algumas semelhanças em

passaram a ser designados por “Pobeda” (Vitória), algumas vivências idên%cas aquelas experienciadas

“Viktoriya” (Vitoriosa/Vencedora), também pelos submarinistas portugueses. É de notar,

“Nadezhda” (Esperança) e “Slava” (Glória). contudo, que no caso búlgaro não há, de momento,

Por outro lado, %nha começado a contagem submarinistas. São todos ex-submarinistas, pois até à
decrescente da arma submarina búlgara, por falta de data a marinha búlgara ainda não conseguiu restaurar a
meios. O 81 e o 82, respec%vamente “Pobeda” (Vitória) componente submarina. Este sen%mento levou à
e “Viktoriya” (Vencedora), há mais tempo ao serviço da criação da “União dos Submarinistas Búlgaros”, que
marinha búlgara e também os mais necessitados de passou a ser mais uma força empenhada na
melhoramentos/grandes reparações, foram re%rados transformação em museu do seu úl%mo submarino.
de serviço pouco depois da queda do regime comunista. Porventura, algumas das suas inicia%vas/acções terão
E, a 27/06/2008, chegou a vez de ser aba%do ao serviço algumas semelhanças, pela sua própria natureza de
o “Nadezhda” (Esperança), que na ocasião já se organização e voluntariado, com a nossa “Associação

13Associação de Submarinistas de Portugal

Bole%m da ASubPOR nº5

Histórias de Submarinos e Submarinistas

dos Submarinistas de Portugal”. submarino em museu, mas de modo a poder “explorar”
a sua imagem/atracção junto às suas instalações do
Voltando ao submarino “Slava” (Glória), ele acabou “Museu do Vidro”, a cerca de 20km de Varna, em
doado ao Município de Varna (após o seu abate ao Beloslav. Seguiram-se, então, cerca de nove meses de
serviço da marinha búlgara em 2011), muito por trabalho árduo para se conseguir a recuperação possível
inicia%va da “União dos Submarinistas Búlgaros”, que do submarino bastante deteriorado, de modo a poder
concre%zar-se a sua abertura ao público no dia 18 de
Agosto de 2020, porque nesse dia se comemorava
também o “Dia do Submarinista Búlgaro”.

O “Slava” no dia 01/11/2011, momentos antes do arriar da ban-
deira que marcaria o seu fim ao serviço da marinha búlgara.

O “Slava” no dia 18 de Agosto de 2020, aquando da sua inaugu-
ração como museu, no “Dia do Submarinista” búlgaro.

O arriar da bandeira búlgara no submarino “Slava”, ex-sovié<co
S-36, no dia 01/11/2011. Ao seu lado, o “Nadezhda”, ex-
sovié<co S-38.

O “Slava” no local onde o público o pode visitar e onde deverá
permanecer durante cerca de dez anos, em Beloslav, a cerca de

20km de Varna.

Pormenor da torre do “Slava”, durante a passagem do elemento O acordo com a referida fundação prevê a permanência
da sua guarnição que recolheu e transporta a bandeira no dia do navio naquele local durante dez anos, juntando
01/11/2011. vários interesses: os da própria Marinha Búlgara, da já
referida “União dos Submarinistas Búlgaros e do
sempre pretendeu salvá-lo como museu. Infelizmente, “Museu Marí%mo Nacional” de Varna. Esta úl%ma
o submarino ainda iria passar por um longo tempo de en%dade, de quem depende agora e em úl%ma análise o
degradação. A “sorte” acabou por bater lhe à porta, submarino, espera vir a conseguir durante estes dez
mas apenas em 2019, quando a fundação privada anos de “exposição” do mesmo e através dos bilhetes
“Beloslav Glass” sugeriu a ansiada transformação do de ingresso, as verbas necessárias que venham a
permi%r a sua total recuperação e a sua posterior
14Associação de Submarinistas de Portugal colocação numa doca seca que venha a ser construída
especialmente para o efeito. Por agora, as visitas ao
interior do submarino são guiadas por ex-submarinistas,
pois o projecto pretende aproveitar esta “mais valia”
enquanto exis%r quem navegou neste ou nos outros

Bole%m da ASubPOR nº5

Histórias de Submarinos e Submarinistas

submarinos semelhantes, de modo a passar uma ser uma opção válida durante alguns anos. Todavia, essa
mensagem única a todos os visitantes interessados. intenção tem barrado com várias dificuldades, que vão
desde a possível existência no mercado de navios nessas
O futuro da arma submarina na Bulgária condições, até às dificuldades económicas da frágil
democracia búlgara, país cujo PIB (Produto Interno
O Par%do Comunista Búlgaro perdeu o monopólio Bruto) foi o mais baixo da EU em 2021. À data, não se
polí%co a 10 de Novembro de 1989. Após esse conhece ainda nenhuma opção firme sobre tal
acontecimento, foi natural o afastamento da Bulgária possibilidade de concre%zação de aquisição.
do Pacto de Varsóvia. Isso veio a permi%r a sua junção à
NATO em 2004, apesar de alguns observadores olharem José Branco
para esse movimento como um possível cavalo de Tróia
russo dentro da Aliança, referindo-se ao Nota: o autor não adota o novo Acordo Ortográfico.
comportamento búlgaro durante a guerra fria, em que
parecia ser a 16ª república da URSS. E, para se “alinhar” Sobre o autor
com a NATO de modo a poder par%cipar de imediato
em acções conjuntas, a Bulgária necessitou de alterar/ Foi voluntário do Curso de Alistamento
actualizar certa organização interna. Na época, de Maquinistas Navais para a frequên-
começou por adquirir as fragatas belgas “Classe cia do Curso de Especialização em Sub-
Wielingen” em 2005. E, logo em 2007, ano em que o marinos Classe Albacora, acabando
país aderiu também à EU, o chefe da marinha búlgara por ser a Esquadrilha de Submarinos a
manifestou publicamente na ocasião e pela primeira Unidade onde permaneceu durante mais tempo do seu servi-
vez o desejo da compra de dois submarinos usados, de ço a%vo.
modo a poder con%nuar a modernização e renovação
da envelhecida frota búlgara. Ele esperava ver esse seu Enquanto modelista, fez parte do grupo fundador da AMA
desejo concre%zado até 2012. Porém, tal nunca foi (Associação de Modelismo de Almada).
possível verificar.
Mais recentemente, colaborou com a "Revista de Marinha"
Neste ano de 2022, após os acontecimentos com o ar%go "O primeiro submarino com baterias de lí-
desencadeados com a recente invasão russa da Ucrânia %o" (Nº. 1011, Setembro/Outubro 2019).
em Fevereiro e consequente desestabilização
internacional, a marinha búlgara voltou a sen%r a
necessidade de voltar a possuir submarinos, devido à
sua par%cular situação geográfica. Tem tentado a
aquisição de dois submarinos usados, que ainda possam

Patrulha Eterna

Par&ram em patrulha eterna os camaradas submarinistas:
14nov2022 — SAJ T REF Manuel José Soares
02dez2022 — SCH ARE Rafael Ferreira Franco

Às famílias enlutadas sen&das condolências!
Que descansem em paz!

15Associação de Submarinistas de Portugal

Bole%m da ASubPOR nº5

A Associação de Submarinistas de Portugal (ASubPOR) deseja a todos
os submarinistas e seus familiares, os desejos de Paz, Saúde e muitos
Sucessos para toda a Família Submarina, a quem dedicamos o presente
cartaz que ilustra grande parte da atividade da Associação em 2022.

.

Sempre ao vosso dispor com a mais elevada estima!

FICHA TÉCNICA

Coordenação: Paulo Pinho • Verificação e revisão: José Campos
Grafismo/paginação: António Araújo
Colaboraram nesta edição: Paulo Pinho, José Campos, Francisco Montes, António Araújo, Paulo Louzeiro, José Branco
Fotografias: gentilmente cedidas por vários sócios e amigos
Periodicidade: Trimestral • Contacto: e-mail: [email protected] • Rua das Hortenses no 13, 2815-743 • Sobreda

16Associação de Submarinistas de Portugal


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